Você está na página 1de 20

Cultura Semítica e Helênica

Daniel Santos

1. Introdução
Haá uma quantidade incontaá vel de fatores que contribuem
direta ou indiretamente na formaçaã o de elementos
culturais em uma civilizaçaã o. O nosso objetivo de
conhecer e
entender um pouco mais sobre aspectos da cultura
semíática e heleê nica naã o foge a essa regra. Uma opçaã o
para fazermos este tipo de investigaçaã o eá partir dos
coá digos legais do mundo antigo e observar a
maneira como cada povo preferiu lidar com seus problemas
e lutou para defender suas estruturas culturais.

1.1. OS CÓDIGOS LEGAIS DO ANTIGO ORIENTE


PRÓXIMO (AOP).
1.1.a. Sumérios (EBCC 5:704)
Dentre os coá digos legais que podem ser considerados mais
abrangentes, o mais antigo deles eá o coá digo
sumeá rio chamado “As Leis de Ur--Namma” (LU), de cerca
de 2100 a.C., preservado ateá os nossos dias por meio
de treê s tabletes incompletos, este coá digo conteá m um
proá logo e trinta leis. Este coá digo foi a base da
sociedade muito proá spera na regiaã o de Ur, mais
conhecida na histoá ria secular como Ur III (a
terceira dinastia de Ur).
Mais ou menos dois seá culos posterior a Ur--Namma,
encontramos as Leis de Lipit--Ishtar
(LLI), servindo como base da estruturaçaã o da cultura e
sociedade da famosa cidade de Isin. Lipit--Ishtar
reinou de 1934--1924 a.C. e as suas leis foram preservadas
em dezenas de manuscritos contendo um proá logo,
quarenta leis e um epíálogo.
Haá diversos outros coá digos legais menores e mais
locais, mas esses dois servem bem o propoá sito de
amostragem da cultura destas sociedades ao redor de
Israel.
1.1.b. Babilônios (EBCC 1:656)
A primeira coleçaã o de leis da Babiloê nia que possui
uma abrangeê ncia mais ampla como os casos mencionados na
sumeá ria saã o as “Leis de Eshnunna” (LE). O coá digo
conteá m sessenta leis escritas em acadiano que se
originaram na grande cidade de Eshnunna (ca. 1770
a.C.).
A segunda coleçaã o, mesmo naã o sendo a mais antiga
eá a mais conhecida de todos os coá digos do
mundo antigo, eá o famoso “Coá digo de Hamurabi”
(ca. 1750 a.C.). Hamurabi foi o sexto rei da primeira
disnastia da Babiloê nia e suas leis foram compiladas no
final do períáodo de quarenta anos do seu reinado.
O CH eá de longe o mais longo coá digo da regiaã o
mesopotaê mica, contendo uma longa introduçaã o e um
epíálogo, aleá m de aproximadamente trezentas leis. A coá pia
mais completa do CH foi preservada numa laá pide de
maá rmore preto e estaá hoje no museu de Louvre
em Paris. Como eá o caso dos coá digos sumeá rios, haá
diversos outros coá digos babiloê nicos que naã o saã o taã o
conhecidos devido a sua abrangeê ncia e perpetuaçaã o na
sociedade daquela eá poca.

1.1.c. Hititas (EBCC 3:110)


Nas ruíánas da grande cidade de Hatusha, a
capital do impeá rio Hitita, centenas de milhares de
tabletes foram encontrados e dentre eles muitas coá pias
de “Leis Hititas” (LH). Contendo duzentas clausulas, o
coá digo cobre uma vasta quantidade de situaçoã es em detalhes.

1.1.d. Assírios (EBCC 1:560)


Entre os assíários a coleçaã o de leis mais famosa
saã o as chamadas “Leis do períáodo meá dio Assirio”
(LMA), datadas do seá culo quatorze a.C. Mais de 100
destas leis chegaram ateá noá s por meio de tabletes
escavados na cidade de Assur que continham coá pias
destas leis.
Aleá m destas leis, haá tambeá m os fragmentos das “Leis
da Antiga Assíária” (LAA), datadas de 2350 a
2100 a.C.

1.2. OS CÓDIGOS LEGAIS DO ANTIGO TESTAMENTO.


Os coá digos legais do Antigo Testamento naã o saã o nem
os primeiros e nem os uá nicos no mundo
antigo. Haá muitos outros que vieram antes dos
coá digos mais antigos de Israel, especialmente da lei
mosaica.
Haá indíácios claros da presença de leis e estatutos
bem antes de Moiseá s, mas eles naã o foram registrados nas
Escrituras e, por isso, naã o nos deteremos nestes casos.
Dentre os mais importantes estaã o: Gn 14 (sacerdoá cio de
Melquizedeque), Gn 26:5 (As leis que Abraaã o obedeceu),
etc.

1.2.a. Decálogo
O primeiro e mais fundamental coá digo legal registrado
nas Escrituras eá o “Decaá logo ou os Dez
Mandamentos” (DM), o qual aparece pela primeira vez em
Ex 20:2--17 e posteriormente em Dt 5:6--21.
O estilo apodítico na segunda pessoa singular (naã o
mataraá s!) eá raro no antigo testamento e desconhecido
no antigo oriente proá ximo.
O DM foi entregue por Deus ao povo de forma
“falada” (cf. Ex 20:18--19), foi entregue na sua forma
escrita a Moiseá s em Ex 31:18, e finalmente
entregue ao povo na forma escrita (Ex 34:29--32). EÉ
bom lembrar que a forma escrita entregue ao povo
eá uma maneira simboá lica de dizer, pois os israelitas
naã o tinham uma coá pia particular da lei em suas casas.

1.2.b. Código da aliança


O chamado “Coá digo da Aliança” (CA) ou Livro da
Aliança eá mencionado pela primeira vez em Ex 24:3, 7.
O CA consiste de leis e juíázos entregues pelo
Senhor a Moiseá s apoá s ele ter proclamado o DM ao
povo.

O CA eá apresentado primeiramente a Moiseá s no


monte Sinai com o termo ֔‫ש טִָּ֔ צצ צטִָּ֔טי‬
ִּ‫ההצמ ש‬ (trad.
“estatutos” [RA], cf. Ex 21:1) e posteriormente ao povo
de forma oral (Ex 24:3) e acompanhado de alguma
forma de coá pia que justificasse o termo “livro” em Ex
24:7. O CA trata de situaçoã es especíáficas do cotidiano
do povo de Israel quando chegassem na terra prometida.
Os estatutos listados na CA saã o algumas vezes muito
semelhantes aos estatutos mais antigos de outros povos,
como veremos. O CA pode ser dividido da seguinte
forma
• Proá logo, incluindo instruçoã es para adoraçaã o (20:22
– 21:1)
• Primeira seçaã o de leis -- casuíástica (21:2 –
22:17)
• Segunda seçaã o de leis -- apodíática (22:18 –
23:12)
• Epíálogo, incluindo instruçoã es para adoraçaã o (23:13--33).

1.2.c. Código de santidade


O chamado coá digo de santidade compreende os
capíátulos 17 a 26 do livro Levíático e acredita--se
ter existido separadamente antes de fazer parte do livro
como o conhecemos hoje. Como o coá digo de santidade
faz parte daquelas instruçoã es dadas por Deus a Moiseá s
na porta da tenda da congregaçaã o, eá possíável que o
registro destas leis tenha recebido uma atençaã o
preferencial de Moiseá s antes de se ocupar com o
restante do pentateuco em sua forma final.

1.2.c. Código Deuteronomista


O coá digo deuteronomista pode ser facilmente isolado
do restante do livro quando analisamos o seu
esboço: a) dois pronunciamentos introdutoá rios de Moiseá s (Cp
1--4, 5--11), b) as beê nçaã os e maldiçoã es da
aliança (Cp 27--28), c) confirmaçaã o da aliança (cp 29--
30). Dentro desta estrutura, a uá nica parte que sobra eá
realmente o bloco que conteá m os capíátulos
12--26.
O “livro da lei” encontrado nos dias de Josias (622 a.C.),
o qual se tornou a base legal para a sua
reforma, eá muito provavelmente o que estaá sendo
denominado aqui com o coá digo deuteronomista.

2. Direitos de uma propriedade


Um dos pilares culturais mais importantes na grande
maioria das sociedades do mundo antigo eá o
respeito por aquilo que propriedade de algueá m.
Muitos coá digos legais trataram extensivamente sobre este fator
cultural, regulamentando todos os pormenores relacionados ao
direito de uma propriedade, as multas e as penalidades
para proibir que esses direitos fossem violados.
Embora tenhamos vaá rios exemplos no antigo e
novo testamentos de pessoas como Joaã o Batista que
escolheram um estilo de vida isolado de toda e
qualquer propriedade, Jesus sendo um bom exemplo disso, naã o
podemos negar que a propriedade de algueá m pode ser
adquirida e mantida de maneira responsaá vel.
Nem mesmo o estilo de vida “seminoê made” de Abraã o
em uma fase de sua vida lhe impedia de adquirir
uma propriedade para sepultar sua esposa (Gn 13:2).
A propriedade, entaã o, visava ser um recurso para
promover o bem comum com eê nfase na
responsabilidade e compaixaã o.
Isto naã o significa que os membros da aliança
devessem abdicar de seus direitos de propriedade, mas
sim que eles deveriam tem uma atitude radicalmente
diferente daquela que prevalecia no mundo ao redor
deles, onde a tese “voceê eá aquilo que voceê tem” reina
soberana.

2.1. ROUBO
O modo mais comum de infringir o direito de
propriedade eá o roubo. A seriedade desta ofensa
pode ser facilmente deduzida pelo modo detalhado como eá
tratado em todos os coá digos legais no AOP, inclusive nas
leis do antigo testamento.

2.1.a. Contexto AOP


Leis punindo o roubo saã o encontradas em diversos
coá digos legais no mundo antigo, sendo que a mais antiga
que temos notíácia veê m do Coá digo de Lipit--Ishtar
(§§9--10):
Se um homem entrar no pomar de outra pessoa, e for pego roubando, ele terá que pesar
e pagar dez siclos de prata.

Se um homem cortar uma arvore no pomar de alguém, ele terá que pesar e pagar vinte
siclos de prata.

Uma preocupaçaã o semelhante tambeá m pode ser encontrada nas


Leis de Eshnunna (LE), estendendo a abrangeê ncia da lei
para incluir naã o somente pomar, mas campos e
casas, com o agravante de se o roubo acorrer
durante a noite, a pena seraá capital (§§12--13).
Ressarcimento de 10 siclos de prata era padraã o para roubo
de uma embarcaçaã o (LE §6). O coá digo de Hamurabi
tambeá m penaliza o roubo de embarcaçoã es em 30 siclos
de prata (§59).
As leis de Hamurabi saã o geralmente mais ríágidas que
os demais coá digos na questaã o do roubo, pois
exigia pena de morte para os casos de roubo em que o
ladraã o naã o foi capturado
(§§21--22). Saque ou pilhagem (i.e., apossar--se por meio de
violeê ncia ou fraudulentamente do que pertence a
outrem; roubar, furtar) era considerado como roubo e
punido sem misericoá rdia pelo CH (§25):
Se a casa de alguém pegar fogo e uma pessoa que veio para ajudar apaga-lo cobiça os
bens que pertencem ao dono da casa, e pega para si qualquer bem que não lhe pertence,
aquele ajudante deve ser lançado no mesmo fogo que ele veio ajudar apagar.
Leis como esta revela seriedade como a cultura desses
povos considerava o direito da propriedade e do bem
alheio algo seá rio e fundamental para a perpetuaçaã o de uma
cultura sadia e equilibrada.
O conceito de roubo no mundo antigo tambeá m
contempla o que poderíáamos chamar de “roubo
indireto” ou “sem a intençaã o” de lesar o proá ximo.
O CH descreve uma situaçaã o que ilustra bem este
caso.
Se uma pessoa vier a comprar qualquer coisa de um filho de um homem, ou do servo
deste homem, sem testemunhas ou contrato, ou se ele aceitar deles algum bem como
garantia, aquela pessoa é um ladrão e deve ser morto (CH §7)

Se uma pessoa que comprou um bem que havia sido extraviado não puder apresentar a
pessoa de quem comprou ou uma testemunha que assistiu o ato da compra, mas o
proprietário original do que foi extraviado apresentar a pessoa de quem comprou ou a
testemunha da compra, então a pessoa que comprou o bem extraviado é um ladrão e
deve ser morto; o dono original do bem poderá ter de volta aquilo que lhe pertence. (CH
§10)

Observe, entaã o, que o roubo indireto era considerado


uma falta taã o grave como aquele roubou por meio de
um ato violente, com uso de armas e agressaã o
fíásica. No centro desta preocupaçaã o estaá o conceito de
uma cultura que valoriza o direito da propriedade
e o testemunho verbal que pode ser apresentado para
comprovaçaã o.
As Leis Assíárias (LA) tambeá m conteá m diversas
regulamentaçoã es do roubo por mulheres, na maioria das
vezes penalizados com morte ou mutilaçaã o (§§A1, 3--6).
Se um homem estiver doente ou morto, e sua esposa roubar algo que lhe pertencia e dar
a outra mulher, outro homem ou qualquer outra pessoa, a esposa que roubou e as
pessoas que receberam deverão morrer.

Se um escravo por acaso receber algum bem da esposa de um homem, eles [as
autoridades] cortarão fora o nariz e as orelhas daquele servo, eles devolverão o bem ao
dono, e aquele marido cortará a orelha de sua própria esposa. Se ele não cortar a orelha
de sua esposa, então eles não lhe restituirão o bem roubado nem cortarão as orelhas e o
nariz do servo.

Como podemos ver, o direito de propriedade no


mundo antigo era uma questaã o quase sagrada; as
culturas dessas sociedades naã o toleravam o roubo e
viam tal praá tica como danosa ao bem comum.
A quantidade de leis tratando dos mais diversos tipos
de situaçoã es que poderiam ser caracterizadas como roubo
e um sinal de que tal comportamento era
criteriosamente monitorado.
2.1b. Contexto LAT

DECÁLOGO
A simplicidade do oitavo mandamento eá algo sem
paralelo no mundo antigo.
Não roubarás. (Ex 20:15; Dt 5:19)

Por um lado, a simplicidade do oitavo mandamento deixa


aberta a definiçaã o do tipo de sançaã o que deveria
ser aplicada em cada um dos muitos aspectos que
viesse a ser categorizado como roubo. Por outro lado, tal
simplicidade tem uma aplicaçaã o universal para todo o povo
de Deus em todas as culturas e geraçoã es.
O verbo roubar ‫ גנב‬é encontrado 40 vezes no antigo testamento. Geralmente o
objeto roubado é um bem material ou um animal, mas em alguns casos se refere a uma pessoa
(sequestro).
O que raptar alguém e o vender, ou for achado na sua mão, será morto. (Ex 21:16)

Se se achar alguém que, tendo roubado um dentre os seus irmãos, dos filhos de Israel, o
trata como escravo ou o vende, esse ladrão morrerá. Assim, eliminarás o mal do meio de
ti. (Dt 24:7)

porque, de fato, fui roubado da terra dos hebreus; e, aqui, nada fiz, para que me
pusessem nesta masmorra. (Gn 40:15)

CÓDIGO DA ALIANÇA
O coá digo da aliança funciona como uma aplicaçaã o
mais detalhada e contextualizada do decaá logo em
geraçoã es especíáficas na vida de Israel.
1
Se alguém furtar boi ou ovelha e o abater ou vender, por um boi pagará cinco bois, e
quatro ovelhas por uma ovelha
2
Se um ladrão for achado arrombando uma casa e, sendo ferido, morrer, quem o feriu
não será culpado do sangue. 3Se, porém, já havia sol quando tal se deu, quem o feriu
será culpado do sangue; neste caso, o ladrão fará restituição total. Se não tiver com que
pagar, será vendido por seu furto.
4
Se aquilo que roubou for achado vivo em seu poder, seja boi, jumento ou ovelha, pagará
o dobro. (Ex 22:1–4)

Uma das primeiras marcas distintivas do coá digo da


aliança eá o modo como a perda de uma vida eá
tratada, mesmo que esta vida seja a de um ladraã o
roubando a casa de algueá m durante a noite. Neste
particular, o CA eá uá nico dentre todos os demais
no antigo oriente proá ximo.
Conquanto muitos gostariam de pular para a conclusaã o
de que as leis do antigo testamento saã o
demasiadamente severas, sem qualquer consideraçaã o para com
a vida humana, o CA revela um elemento cultural
na sociedade israelita que contraria este pensamento. Deus
estava atento aà vida ateá do ladraã o que roubada
na penumbra.
O dono da propriedade que estaá sendo roubada naã o tem
o direito de matar o ladraã o se o ato
aconteceu durante o dia, quando seria possíável gritar
por socorro ou buscar algum tipo de ajuda. Neste
sentido o CA caminha junto com as Leis de Eshnunna
(§13, cf. exemplo na p. 4). A maneira como o
CA trata o roubo revela o valor cultural que a
propriedade tinha na sociedade de Israel naqueles dias: a
vida eá mais importante que os bens. O roubo durante
a noite, todavia, limita em muitos aspectos a
possibilidade de defesa do dono da propriedade
A puniçaã o baá sica para roubo no CA era a
restituiçaã o muá ltipla: 4 ou 5 vezes no caso de um
animal que tivesse sido morto ou vendido ((cf .2
Sm 12:6), 2 vezes, se o animal fosse achado vivo
com o ladraã o e pudesse ser devolvido ao dono
(cf. Ex 22:7, 9). Em ambos os casos, qualquer
provideê ncia soá seraá tomada quando houver prova de
ofensa, de compra ou de posse do bem roubado.
7
Se alguém der ao seu próximo dinheiro ou objetos a guardar, e isso for furtado àquele
que o recebeu, se for achado o ladrão, este pagará o dobro.
8
Se o ladrão não for achado, então, o dono da casa será levado perante os juízes, a ver
se não meteu a mão nos bens do próximo.
9
Em todo negócio frauduloso, seja a respeito de boi, ou de jumento, ou de ovelhas, ou de
roupas, ou de qualquer coisa perdida, de que uma das partes diz: Esta é a coisa, a causa
de ambas as partes se levará perante os juízes; aquele a quem os juízes condenarem
pagará o dobro ao seu próximo. (Ex 22:7–9)

Ao contraá rio daquilo que os demais paíáses


faziam na grande maioria dos casos, o CA prioriza
a restituiçaã o muá ltipla, mesmo que isso implicasse a
venda do infrator como escravo para que tal restituiçaã o
fosse paga. Mesmo nesses casos de escravidaã o para fins
de restituiçaã o, o CA limitava o períáodo de
duraçaã o desta escravidaã o:
2
Se comprares um escravo hebreu, seis anos servirá; mas, ao sétimo, sairá forro, de
graça.
3
Se entrou solteiro, sozinho sairá; se era homem casado, com ele sairá sua mulher. 4Se o
seu senhor lhe der mulher, e ela der à luz filhos e filhas, a mulher e seus filhos serão do
seu senhor, e ele sairá sozinho. 5Porém, se o escravo expressamente disser: Eu amo meu
senhor, minha mulher e meus filhos, não quero sair forro. 6Então, o seu senhor o levará
aos juízes, e o fará chegar à porta ou à ombreira, e o seu senhor lhe furará a orelha com
uma sovela; e ele o servirá para sempre. (Ex 21:2–6)

CÓDIGO DE SANTIDADE

Não furtareis, nem mentireis, nem usareis de falsidade cada um com o seu próximo; (Lv
19:11)

Não oprimirás o teu próximo, nem o roubarás. (Lv 19:13a)

A abordagem do coá digo de santidade eá praticamente


ideê ntica ao decaá logo, exceto o uso da segunda
pessoa do plural (o que naã o ocorre no decaá logo). Essas
duas ocorreê ncias resumem tudo o que o coá digo de
santidade tem a dizer diretamente sobre o assunto de
roubo. Poreá m, indiretamente haá um caso que pode ser
mencionado:
2
Quando alguma pessoa pecar, e cometer ofensa contra o Senhor, e negar ao seu próximo
o que este lhe deu em depósito, ou penhor, ou roubar, ou tiver usado de extorsão para
com o seu próximo; 3ou que, tendo achado o perdido, o negar com falso juramento, ou
fizer alguma outra coisa de todas em que o homem costuma pecar,
4
será, pois, que, tendo pecado e ficado culpada, restituirá aquilo que roubou, ou que
extorquiu, ou o depósito que lhe foi dado, ou o perdido que achou, 5ou tudo aquilo sobre
que jurou falsamente; e o restituirá por inteiro e ainda a isso acrescentará a quinta
parte; àquele a quem pertence, lho dará no dia da sua oferta pela culpa.
6
E, por sua oferta pela culpa, trará, do rebanho, ao Senhor um carneiro sem defeito,
conforme a tua avaliação, para a oferta pela culpa; trá-lo-á ao sacerdote.
7
E o sacerdote fará expiação por ela diante do Senhor, e será perdoada de qualquer de
todas as coisas que fez, tornando-se, por isso, culpada. (Lv 6:2–7)

Veja nesse caso que a definiçaã o de roubo recebe uma


roupagem bem mais detalhada e ramificada em diversos
tipos de praá ticas abusivas. A definiçaã o de roubo no
coá digo de santidade começa com o conceito de que
aquilo eá pecado e tambeá m uma ofensa contra
o Senhor, antes de ser tratado como um dano ao
proá ximo.
Ou seja, o elemento de cultural acrescido pelo coá digo
de santidade rastreia toda a trajetoá ria de um ato
premeditado de roubo e extorsaã o apontando o caraá ter
humano como o princíápio e o principal causador
de tudo isso: o roubo eá um testemunho do caraá ter
corrompido do ser humano.
Por esta razaã o, a restituiçaã o deve ser feita naã o apenas
ao proprietaá rio que teve seu bem roubado, mas a Deus
que foi ofendido pelo desvio de caraá ter manifestado
naquela açaã o. Dai a oferta exigida ser um cordeiro
sem defeito.
EÉ interessante notarmos que as ofertas prescritas para
expiar a culpa saã o ideê nticas aà s que tambeá m expiavam
os pecados por ignoraê ncia:
14
Disse mais o Senhor a Moisés:
15
Quando alguém cometer ofensa e pecar por ignorância nas coisas sagradas do Senhor,
então, trará ao Senhor, por oferta, do rebanho, um carneiro sem defeito, conforme a tua
avaliação em siclos de prata, segundo o siclo do santuário, como oferta pela culpa.
16
Assim, restituirá o que ele tirou das coisas sagradas, e ainda acrescentará o seu quinto,
e o dará ao sacerdote; assim, o sacerdote, com o carneiro da oferta pela culpa, fará
expiação por ele, e lhe será perdoado.
17
E, se alguma pessoa pecar e fizer contra algum de todos os mandamentos do Senhor
aquilo que se não deve fazer, ainda que o não soubesse, contudo, será culpada e levará a
sua iniquidade.
18
E do rebanho trará ao sacerdote um carneiro sem defeito, conforme a tua avaliação,
para oferta pela culpa, e o sacerdote, por ela, fará expiação no tocante ao erro que, por
ignorância, cometeu, e lhe será perdoado.
19
Oferta pela culpa é; certamente, se tornou culpada ao Senhor. (Lv 5:14–19)

2.1.c. Conclusão
Quando comparado com os demais coá digos legais do antigo
oriente proá ximo, as leis bíáblicas tratando do roubo
saã o bem mais sucintas e abreviadas. Poreá m, como vimos,
isso naã o significa que o tema tenha sido tratado de
maneira trivial.
As penalidades prescritas para o roubo na Bíáblia saã o muito
mais humanas que a maioria das leis do antigo
oriente proá ximo, e nunca aplicando mutilaçaã o, espancamento
ou morte como penalidade.
Neste sentido, as leis do antigo testamento saã o bem
mais alinhadas com as leis Hititas, ainda que o
coeficiente de restituiçaã o seja bem diferente:

Tabela 1: Proporcionalidade de restituição


Taxa de restituição
Tipo do bem Leis do Leis Hititas
roubado AT
Boi 5x 10x
Ovelha 4x 6x
Bem que foi 2x 3x
devolvido

Nem nas leis do antigo testamento e nem das


demais naçoã es essas penalidades eram vistas como uma “multa”
no sentido contemporaê neo da palavra, mas sim como
uma compensaçaã o ao proprietaá rio do bem, o qual se sentiu
lesado pela perda.
Outra observaçaã o importante com respeito ao paralelo entre
as leis com outras culturas eá que uma regra se
aplica a todos os tipos d pessoas. No caso das leis
Hititas, por exemplo, uma lei estipula puniçoã es distintas
dependendo da classe social do infrator.
(§93) Se alguém for pego tentando roubar uma casa, antes dele ter conseguido entrar
na casa, tal pessoa pagará 12 siclos de prata. Se tal pessoa for um escravo, pagará 6
siclos de prata.

Alguns pontos cruciais:


• Como ficou bem claro no decaá logo, e repetido no
coá digo de santidade, o direito da propriedade eá
concedido por Deus como um privileá gio. Privar
algueá m de disfrutar deste privileá gio de ser dono
daquilo que ele ou ela adquiriu era considerado uma
ofensa que naã o podia ser tolerada no meio do povo
da aliança.
• A Bíáblia coloca muito mais eê nfase no valor da
vida do que no valor dos bens.

2.2. COBIÇA
Conforme vimos ateá aqui, privar ao quem do seu
direito de propriedade era uma praá tica inaceitaá vel no Antigo
testamento. O mesmo era verdade para outros povos
ao redor de Israel. Todavia, As leis do Antigo
testamento vaã o muito mais aleá m quando tratam da
cobiça, que eá o desejo de querer possuir
algo que naã o lhe pertence. Mesmo que seja necessaá rio
definir com clareza o significado de cobiça, naã o
temos como negar a importaê ncia que o antigo testamento
coloca neste assunto.

2.2.a. Contexto do AOP


Nenhuma das leis do antigo oriente proá ximo faz
refereê ncia aà cobiça, exceto uma claá usula no
Coá digo de Hamurabi que fala de cobiçar alguma coisa
da casa de algueá m que estaá em chamas (§25).
Mesmo neste caso, naã o eá dito que o ato de cobiçar
teria sido considerado um delito se o mesmo naã o
tivesse conduzido ao roubo.
Em textos que naã o saã o coá digos legais, contudo, haá
vaá rias refereê ncias aà cobiça. O hino acadiano Shamash
menciona brevemente o assunto: “Um homem que cobiça
a mulher do seu vizinho morreraá antes do seu
dia determinado” (Linhas 88--89). Em uma confissaã o de
pecados encontrada na Assíária, o penitente admite:
“Eu ergui meus olhos aà quilo que e vossa possessaã o, para
sua preciosa prata dirigi os meus olhos.”
A literatura sapiencial egíápcia achava a cobiça
um ato de tolice, como eá o caso nas instruçoã es de
Merikare.

2.2.b. Contexto do Decálogo


A apariçaã o da cobiça em um dos dez mandamentos
eá completamente inesperada, especialmente porque
conteá m bem mais detalhes que as leis tratando do roubo.

Ex 20:17
Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não
cobiçarás a mulher do teu próximo, nem
o seu servo, nem a sua serva, nem o seu
boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma
que pertença ao teu próximo.

Dt 5:21
Não cobiçarás a mulher do teu próximo.
Não desejarás a casa do teu próximo, nem
o seu campo, nem o seu servo, nem a
sua serva, nem o seu boi, nem o seu
jumento, nem coisa alguma do teu próximo.

Aleá m da diferença entre os verbos cobiçar e


desejar nas duas citaçoã es, o mandamento permanece praticamente
o mesmo. O sentido de “casa” neste mandamento vai
aleá m de uma simples casa e inclui todos os bens
materiais (cf. Gn 7:1; Dt 11:6).

2.2.c. Conclusão
Cobiça eá entendida no Antigo Testamento como um
primeiro passo rumo a um pecado mais grave. Ao
proibi--lo, o Senhor coloca eê nfase nos pensamentos
do mesmo modo como coloca nas açoã es. Romanos 7:7
confirma esta conclusaã o quando associa este mandamento
com pensamentos que, embora presentes em nossa mente,
naã o seriam detectados como pecado se a lei naã o
dissesse.
2.3. PERDA DA PROPRIEDADE
Uma situaçaã o muito comum no mundo antigo trata
da experieê ncia de perder um bem que estava no
poder do dono ou aos cuidados de outros (i.e.,
empreá stimo). A maá xima popular “achado naã o eá
roubado” naã o se aplicava em muitas sociedades no
mundo antigo.

2.3.a. Contexto do AOP


Estar em posse de um bem extraviado era considerado uma
ofensa grave, punida com o mesmo rigor do roubo.
Veja este exemplo das leis de Eshnunna:
Se um governador, um supervisor do sistema
de canal, ou qualquer pessoa em posição de
autoridade lançar mão de um escravo fugitivo,
de uma escrava fugitiva, de um boi que
se debandou, que pertença ao palácio ou
a qualquer outra pessoa, e não devolver
a Eshnunna e manter em sua casa por
um período superior a um mês, o palácio
processará aquela pessoa por roubo (§50)

O mesmo princíápio eá encontrado no coá digo de


Hamurabi, o qual estipula pena de morte para quem reter
ou vender um bem extraviado, ou por acusar
falsamente algueá m de ter extraviado um bem que lhe
pertencia (§§9--13).
As leis hititas tambeá m exigiam que o bem
extraviado fosse devolvido ao seu dono; o transgressor desta
lei era acusado de roubo.
Se algueá m achar alguma ferramenta agríácola, ela
deveraá ser devolvida ao dono, o qual pagaraá uma
recompensa pelo bem retornado. Se aquele que achou a
ferramenta naã o a devolver seraá considerado um ladraã o
(§45).

2.3.b. Contexto das LAT


Seguindo muito perto daquilo que era comum no
mundo antigo, as leis do Antigo
Testamento tambeá m se preocupam com as questoã es
relacionadas ao extravio de bens.

CÓDIGO DA ALIANÇA
O coá digo da aliança assume o mesmo
princíápio baá sico das leis babiloê nicas e hititas de
que o bem extraviado deveria ser devolvido ao seu
dono.
(Ex 23:4–5)
Se encontrares desgarrado o boi do teu
inimigo ou o seu jumento, lho reconduzirás.
Se vires prostrado debaixo da sua carga o
jumento daquele que te aborrece, não o
abandonarás, mas ajudá--lo--ás a erguê--lo.

Embora seguindo o mesmo princíápio, o CA vai


aleá m quando diz que ateá mesmo o bem do
inimigo deveria ser devolvido. A expressaã o “aquele que
te aborrece” ‫( אי֔ב‬lit. inimigo) pode ser entendido tanto como um inimigo pessoal
como da nação.
CÓDIGO DEUTERONOMISTA
Como no caso do Coá digo da Aliança, dois princíápios
estaã o juntos em um mesmo texto: a responsabilidade
de devolver o bem extraviado e a responsabilidade
de ajudar o animal do proá ximo.
Deuteronômio 22:1–4
1
Vendo extraviado o boi ou a ovelha de teu irmão, não te furtarás a eles; restituí-los-ás,
sem falta, a teu irmão.
2
Se teu irmão não for teu vizinho ou tu o não conheceres, recolhê-los-ás na tua casa,
para que fiquem contigo até que teu irmão os busque, e tu lhos restituas.
3
Assim também farás com o seu jumento e assim farás com as suas vestes; o mesmo farás
com toda coisa que se perder de teu irmão, e tu achares; não te poderás furtar a ela.
4
O jumento que é de teu irmão ou o seu boi não verás caído no caminho e a eles te
furtarás; sem falta o ajudarás a levantá-lo.

Observe que o Coá digo da Aliança dirige a


adverteê ncia para o cuidado e o trato com o
propriedade daquele que te aborrece, enquanto que o
Coá digo Deuteronomista trata do relacionamento com o teu
irmão. Esta diferença aponta para o foco do coá digo
deuteronomista.

Situaçoã es como estas servem para ilustrar um princíápio


bem maior permeando todo o
coá digo deuteronomista que eá o amor ao próximo. No
caso do coá digo da aliança, o qual trata
com o
que
nos
aborrecem,
a
amor
deve
ser
estendido
ateá
aos
inimigos.
3. Responsabilidades com a propriedade
Como jaá foi demonstrado anteriormente, a preocupaçaã o com
o direito da propriedade era um assunto muito
importante para sociedades no mundo antigo. Todavia,
os tinham propriedade tinham que se preocupar
tambeá m com as responsabilidades derivadas daquela
propriedade. Desta forma, a questaã o da responsabilidade
para com a propriedade foi tambeá m um assunto muito
tratado nos coá digos legais.

3.1. Responsabilidade do proprietário


Como jaá foi definido anteriormente, o roubo era
considerado uma tentativa de tirar o direito de
propriedade de algueá m, enquanto que o assassinato era
a tentativa de tirar a vida de
algueá m. Nesse contexto, se a vida de algueá m era
ceifada por causa do desleixo com propriedade, o dono da
propriedade era responsabilizado. Veja alguns exemplos
claá ssicos deste ponto.

3.1.a. Contexto AOP


O modo claá ssico de tratamento desta questaã o era o
que encontramos nas Leis de Eshnunna:
Se um boi chifrar outro boi e causar assim a sua morte, os dois proprietários irão dividir
o valor do boi que chifrou e da carcaça do boi que foi morto. Se o boi que chifrou fosse
conhecido por ser chifrador, e as autoridades já tivessem alertado o seu proprietário, e
tal boi chifrar outro animal e causar a sua morte, o proprietário pesará e pagará 40
siclos de prata. Se o boi chifrou um escravo e causou a sua morte, o proprietário pesará
e pagará 15 siclos de prata. (§§53-55)

Este eá um caso muito conhecido e popularizado no


mundo antigo. Tal preocupaçaã o nos leva a crer que a
circunstaê ncia devia ser recorrente e preocupante. Isso naã o
significa, por outro lado, que a vida e a sociedade
daqueles dias eram fundamentalmente rural. Um exemplo de
circunstaê ncias peculiares de uma sociedade urbana pode ser
visto no mesmo coá digo:
Se uma parede estiver pendendo, prestes a cair,
e as autoridades tiverem notificado o proprietaá rio, poreá m
ele naã o reforçou a parede e ela veio a cair
e causar a morte de um homem livre, o caso
eá de pena capital e seraá decidido por um edito
real. (§58)
A puniçaã o para a queda de uma parede era
bem mais severa que a de um boi chifrador ou
um cachorro mordedor, talvez por se tratar de um ser
vivo que tem vontade proá pria e pode agir de
maneira imprevisíável.
Haá um caso muito interessante de cuidado com propriedade
que revela um contexto urbano no coá digo de
Hamurabi.
Se um homem que mora ao lado de uma casa abandonada disser para o proprietário
desta casa: “reforce os muros desta casa, pois ela pode servir de entrada para ladrões
roubarem a minha propriedade,” ou se no caso de um terreno abandonado ele disser:
“ponha cerca e muros neste terreno abandonado”, e para ambos os casos o tal homem
arrolar uma testemunha de que ele avisou ao proprietário, tudo o que for roubado ou
furtado da casa daquele homem será restituído pelo proprietário da casa abandonada ou
do terreno baldio.

Todos estes casos demonstram claramente que a cultura das


sociedades antigas jaá contava com uma conviveê ncia numa
sociedade urbana e organizada.

3.1.b. Contexto LAT

CÓDIGO DA ALIANÇA
NO caso das leis do Antigo Testamento, haá muita
semelhança neste particular. Veja alguns casos que revelam
igual preocupaçaã o com situaçoã es de uma cultura urbana.
Ex 21:28–32
28
Se algum boi chifrar homem ou mulher, que morra, o boi será apedrejado, e não lhe
comerão a carne; mas o dono do boi será absolvido. 29Mas, se o boi, dantes, era dado a
chifrar, e o seu dono era disso conhecedor e não o prendeu, e o boi matar homem ou
mulher, o boi será apedrejado, e também será morto o seu dono. 30Se lhe for exigido
resgate, dará, então, como resgate da sua vida tudo o que lhe for exigido. 31Quer tenha
chifrado um filho, quer tenha chifrado uma filha, este julgamento lhe será aplicado. 32Se
o boi chifrar um escravo ou uma escrava, dar-se-ão trinta siclos de prata ao senhor
destes, e o boi será apedrejado.

O estatuto no CA trata de uma situaçaã o ideê ntica,


mas com uma pena diferente. Veja, por exemplo que o
valor para o caso de um boi chifrar um escravo
era bem maior que nos outros povos: 30 siclos de
prata no CA e 15 siclos de prata nas LE.
• O apedrejamento do boi
que chifrou e a
proibiçaã o de comer a sua carne saã o atitudes
sem paralelo no mundo antigo.
• A responsabilidade do proprietaá rio se aplica apenas
quando o boi era conhecido por ser chifrador e
o dono tivesse sido avisado, neste caso a pena
era capital.
• Havia a possibilidade de pagar um resgate pela vida
e evitar a pena de morte.
• Naã o haá qualquer distinçaã o entre a vida de uma
mulher ou homem, menino ou menina.
• Pena capital naã o estava prevista se a
pessoa morta pelo boi fosse um escravo, mas o
proprietaá rio deveria pagar uma multa e o boi
deveria ser apedrejado.
Quando um boi matava outro boi,
Ex 21:35–36
35
Se um boi de um homem ferir o boi de outro, e o boi ferido morrer, venderão o boi vivo
e repartirão o valor; e dividirão entre si o boi morto.
36
Mas, se for notório que o boi era já, dantes, chifrador, e o seu dono não o prendeu,
certamente, pagará boi por boi; porém o morto será seu.

Outra situaçaã o tíápica envolvia a construçaã o de cisternas.


Ex 21:33–34
33
Se alguém deixar aberta uma cova ou se alguém cavar uma cova e não a tapar, e nela
cair boi ou jumento, 34o dono da cova o pagará, pagará dinheiro ao seu dono, mas o
animal morto será seu.

CÓDIGO DEUTERONOMISTA
O caso tratando da propriedade construíáda fora de
padroã es que garantissem a segurança eá tambeá m um
exemplo da cultura semíática imersa num contexto
urbano.
Dt 22:8
8
Quando edificares uma casa nova, far-lhe-ás, no terraço, um parapeito, para que nela
não ponhas culpa de sangue, se alguém de algum modo cair dela.

O equivalente a “laje” nos dias de hoje era muito


utilizado no mundo antigo para depoá sito, local de
adoraçaã o, local de descanso, etc. (ver Js 2:6; 1 Sm
9:25; 2 Sm 11:2; Ne 8:16; Jr 19:13; At 10:9). Por
esta razaã o, o cuidado e a responsabilidade para com
as construçoã es era evideê ncia de uma preocupaçaã o preventiva
na edificaçaã o e uso das casas naquela cultura.

3.2. Negligência (Ex 22.5--6)

3.3. Cuidado para com a propriedade (Ex 22.7--15)

4. Terra dos ancestrais


4.1. Jubileu (Lv 25.8--17)
4.2. Limites (Dt 19.14)

4.3. Serviço militar (Dt 20.5--7)