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Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas (OTOC)

CURSO DIS 1611

MANUAL DE APOIO

Curso: “Mais e Menos Valias em IRS e IRC”

Elaborado para OTOC por:


José Azevedo Rodrigues

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Mais e Menos Valias em IRS e IRC

1 – OBJECTIVOS DO CURSO:

Constituem principais objectivos do curso, os seguintes:

 Proporcionar aos formandos conhecimento mais aprofundado no apuramento das mais e


menos valias e a sua tributação, de acordo com o regime fiscal português;

 Clarificar os conceitos de mais valias contabilísticas e mais valias fiscais, bem como o seu
apuramento, tendo por base os diferentes métodos de reconhecimento dos activos que as
originam;

 Articular o apuramento entre mais valias contabilísticas e mais valias fiscais, em particular
na situação das entidades com contabilidade regularmente organizada;

 Conhecer a incidência e o apuramento das mais e menos valias em sede de IRC e


respectivas taxas de tributação;
 Conhecer a incidência e o apuramento das mais e menos valias em sede de IRS que dos
residentes, quer dos não residentes;

 Conhecer o impacto das mais e menos valias nas obrigações dos contribuintes de IRS e
IRC, quer no seu registo quer declarativas para efeitos de tributação.

2- COMPETÊNCIAS:

Após a realização do presente curso, os participantes devem estar habilitados a:

 Proceder ao cálculo e à validação das mais e menos valias contabilísticas, bem como
proceder à sua verificação contabilística nas entidades com contabilidade regularmente
organizada;

 O mesmo que referido na alínea anterior no que concerne às mais valias fiscais;
 Ter mais conhecimentos na articulação das +- contabilísticas e fiscais, podendo
relacionar os valores apurados numas com os apurados nas outras;

 Apurar correctamente o montante das mais e menos valias em IRC, bem como o seu
impacto no valor do imposto apurado;

 Apurar correctamente a tributação das mais e menos valias em IRS, quer para
entidades residentes, quer para não residentes;

 Cumprir de forma cabal e adequada com as obrigações de registo e declarativas.

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3 - PROGRAMA:

1. Mais e menos valias: óptica contabilística


 Papel e Missão da Contabilidade
 As mais e menos valias contabilísticas
 O apuramento contabilístico da mais e menos valia
 O impacto dos modelos de reconhecimento nas +- valias
- Nos investimentos não financeiros
- Nos investimentos financeiros

2. Mais e menos valias: óptica fiscal. Do valor contabilístico ao valor fiscal

 Conceito e enquadramento Fiscal das mais e memos valias


 Correcção monetária das mais e menos valias contabilísticas:
- No modelo do custo;
- No modelo da revalorização;
- No modelos do justo valor;
- No método da equivalência patrimonial
 Do resultado contabilístico ao resultado fiscal
- Reinvestimento do valor de realização
 Impacto das +- valias nas obrigações de registo e declarativas
- Em sede de IRC: Modelo 22 e quadro de mais e menos valias;
- Em sede de IRS: Modelo 3 e Anexo G e G1.

3. A tributação das mais e menos valias em sede de IRC

 A tributação em IRC das +- Valias


 Correcção monetária através dos coeficientes oficiais
 Reinvestimento do valor de realização
- Regras de reinvestimento
- Limitações e consequências do não reinvestimento
 Vendas seguida de locação
 Menos valias fiscais não aceites como gastos para efeitos tributários

4. – A tributação das mais e menos valias em sede de IRS

 A tributação em IRS das +- Valias


 Tributação em +- valias de imóveis
- Incidência e apuramento
- Reinvestimento
- Taxas de tributação
 Tributação de +- valias de partes sociais e outros valores mobiliários
- Incidência e apuramento
- Reinvestimento
- Taxas de tributação
 Outros factos geradores de incidência de tributação sobre +- valias

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1 .. Mais e menos valias: óptica contabilística

B1.1 Papel e Missão da Contabilidade

Pode dizer-se que a contabilidade se apresenta actualmente como um sistema de informação que a
partir das operações/acontecimentos realizadas/ocorridos nas entidades a que se aplica, os regista
em suportes próprios por forma a dar a conhecer aos múltiplos utilizadores (stakeholders):

 a situação financeira da entidade, dando a conhecer a sua posição em termos de activos,


passivos e capitais próprios;

 o seu desempenho económico, permitindo apurar os resultados obtidos nas suas


operações, por forma a saber-se da sua boa ou má rentabilidade.

Um dos ramos da contabilidade, a Contabilidade Financeira procura satisfazer dois tipos de


necessidades:

− As necessidades externas de conhecer a situação económico-financeira global da


entidade, por parte de investidores, analistas financeiros, banca, credores, fisco e outros
stakeholders;

− As necessidades internas (dos gestores) de conhecer esta situação global para efeitos de
planeamento e tomada de decisões.

Estas necessidades são supridas através da elaboração periódica de três quadros de síntese,
denominados por demonstrações financeiras:

• Balanço,
Balanço que traduz a situação financeira da entidade, através dum quadro onde releva o
conjunto de bens, direitos e obrigações afectos ao exercício da actividade num
determinado momento, ou seja, elementos controlados pela entidades que irão originar
futuros fluxos de caixa quer de entradas (activos), quer de saídas (passivos), de que
resultará um valor residual para os “donos” da entidade (capitais próprios);

• Demonstração dos
dos Resultados,
Resultados que evidencia a situação económica, determinando os
resultados (lucros ou prejuízos) alcançados no período de referência, pela comparação dos
rendimentos (valor das produções e das prestações de serviços) com os gastos (consumos
ou utilização de recursos);

• Demonstração de Fluxos de Caixa (Monetários),


(Monetários), que revela o desempenho monetário num
determinado período, ao discriminar os recebimentos (entradas de dinheiro) e os
pagamentos (saídas de dinheiro) durante esse período, bem como a situação dos meios
líquidos no fim desse período.

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B1.2 As mais e menos valias contabilísticas

As mais e menos valias contabilísticas respeitam a ganhos (mais valias) e a perdas (menos valias)
de natureza patrimonial, pelo que:

 afectam a situação financeira da entidade, na mediada em que um ganho aumenta e uma


perda reduz o património líquido duma entidade, ou seja, alteram o valor dos seus capitais
ou fundos próprios;

 integram o seu desempenho, na medida em que constituem ganhos e perdas


(respectivamente) do período económico em que ocorrem, pelo que serão de incluir nos
respectivos rendimentos (mais valias) e gastos (menos valias).

Aquando de uma transacção geradora de mais ou menos valias, por regra a alienação de
investimentos técnicos ou financeiros, será necessário previamente apurar o seu valor para, de
seguida, se proceder ao seu registo contabilístico. Isto porque, de acordo com a estrutura das
contas definidas no SNC – Sistema de Normalização contabilística, estão previstas diferentes
naturezas de contas consoante se trate de ganhos ou perdas com essas operações.

Assim, no SNC preconizam-se as seguintes contas para relevação das perdas e ganhos que se
afigurem na categoria de mais e menos valias, designadamente:

MENOS VALIAS MAIS VALIAS

CLASSE 6 - GASTOS CLASSE 7 - RENDIMENTOS


6853 – Alienações de Investimentos em 7852 – Alienações de Investimentos em
entidades do Grupo (subsidiárias, associadas e entidades do Grupo (subsidiárias, associadas e
empreendimentos conjuntos); empreendimentos conjuntos);
6862 – Alienações de outros investimentos 7862 – Alienações de outros investimentos
financeiros; financeiros;
6871 – Alienações de investimentos não 7871 – Alienações de investimentos não
financeiros. financeiros.

As menos valias corresponderão a saldos devedores das citadas contas, enquanto que as mais
valias corresponderão a saldos credores das referidas contas.

B1.3 O apuramento contabilístico da mais e menos valia

De forma esquemática, uma mais ou menos valia será apurada pela expressão seguinte:

+- VALIA = VR - VC

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Sendo que:

VR ….. Valor de realização, correspondendo ao:


Valor de venda, deduzido dos gastos de vender quando os houver; ou,
Valor atribuído numa permuta (troca), numa indemnização, etc.; ou,
Valor de cessão de posição (contratual).

VC …. Valor contabilístico
Quantia expressa na contabilidade do activo em apreço, a qual depende do
modelo de reconhecimento utilizado pela entidade na execução da sua
contabilidade.

Dependendo o valor expresso na contabilidade do modelo de reconhecimento do activo subjacente


à mais ou menos valia, então a quantia que venha a ser apurada nestas últimas está condicionado
àquele modelo, pelo que iremos analisar os respectivos impactos.

B1.4 O impacto dos modelos de reconhecimento nas +- valias apuradas

B1.4.1 Nos investimentos não financeiros

Os investimentos não financeiros compreendem os “activos fixos tangíveis” os “activos fixos


intangíveis”, as “propriedades de investimento” e os “activos não correntes detidos para venda” que
tenham a natureza dos ora referidos.
De acordo com o SNC, estes activos são, no momento da aquisição, reconhecidos pelo seu custo e,
subsequente, poderá adoptar-se um dos três modelos: “modelo do custo”, o “modelo de
revalorização” e o “modelo do justo valor”.

A – Modelo do CUSTO

+- VALIA = VR - (VC - DA - PI)

NO MODELO DO CUSTO os investimentos são reconhecidos pelo seu preço de custo (VC) que
integra todos os gastos incorridos até que se encontre em condições de utilização.
À medida que vai decorrendo a sua vida útil (período de tempo que se estima a geração de valor
económico) o activo deve ser depreciado de forma sistemática e durante esse período, sendo:
DA …. Depreciações acumuladas = [(VC-VR) / n] * t, em que:
VR…Valor residual (valor expectável para o activo no fim da sua vida útil)
n …. Nº de períodos de vida útil
t … Nº de períodos de vida útil decorrido até à data da alienação.

PI …. Perdas por imparidade acumuladas


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Exemplo 1

Foi vendido por 40.000 euros um equipamento que tinha sido adquirido em N-5 por
70.000 euros. Os gastos com a instalação ascenderam a 5.000 euros e a vida útil
estimada era de 8 anos, incluindo o ano da compra, esperando que ao fim desta
pudesse ser alienado por 15.000 euros.

Apurar a mais ou menos valia admitindo que a venda ocorreu:


Hipótese 1 … No decurso do 4º ano da vida útil
Hipótese 2 … No decurso do 6º ano da vida útil

Resolução do Exemplo 1

Valor do custo de aquisição (70.000 + 5.000) 75.000 €


Valor depreciável (75.000 - 15.000) 60.000 €
Depreciação anual (60.000 /8) 7.500 €

Hipótese 1:
Menos Valia [40.000 - (75.000 - 7.500*3)] -12.500 €

Hipótese 2:
Mais Valia [40.000 - (75.000 - 7.500*5)] 2.500 €

B – Modelo da REVALORIZAÇÃO

+- VALIA = VR - (CR - DAR - PI)

NO MODELO DA REVALORIZAÇÃO os investimentos são inicialmente registados pelo seu preço


de custo e subsequentemente actualizado tendo em atenção o seu valor de mercado ou de uso
(CR).
Durante a sua vida útil o activo irá ser depreciado de forma sistemática e durante esse período não
sobre o custo inicial, mas sim sobre o custo revalorizado.

DAR…. Deprec. Acum. Revalorizadas = [(CR-VR) / n] * t

CR…Custo revalorizado (que deve ser validado no fim de cada período)


VR, n e t … notações anteriormente referidas.

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Exemplo 2

Admita-se que o equipamento referido no exemplo 1 foi revalorizado no fim do 4º ano tendo
o valor de aquisição e as respectivas depreciações acumuladas sido actualizado em 10%.

Apurar a mais ou menos valia admitindo que a venda ocorreu no decurso do 6º ano da vida
útil, no pressuposto de que o valor residual também se valorizaria em 10%.

Resolução do Exemplo 2

Valor do custo de aquisição revalorizado (75.000 *1,1) 82.500 €


Depreciações acumuladas revalorizadas (7.500*5*1,1) 41.250 €
Menos Valia [40.000 - (82.500 - 41.250)] -1.250 €

C – Modelo do JUSTO VALOR

+- VALIA = VR - (JV- PI)

NO MODELO DO JUSTO VALOR os investimentos são inicialmente registados pelo seu preço de
custo e subsequentemente pelo seu justo valor, entendido este como o seu valor de mercado
(atentas as condições de uso em que se encontra).
Neste modelo o activo não deverá ser depreciado, mas apenas registadas as eventuais perdas por
imparidade.
JV…. Justo Valor
Valor atribuído no fim de cada período ao activo, tendo em atenção o seu valor de mercado,
atentas as condições de uso e localização em que o mesmo se encontra.
PI … notação anteriormente referida

Exemplo 3

Foi alienada uma propriedade de investimento (imóvel para rendimento) por


900.000 euros.

Este imóvel tem vindo a ser reconhecido pelo justo valor e à data da venda
estava inscrito na contabilidade por 750.000 euros a que deve ser ajustada
uma perda por imparidade de 10.000 euros.

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Resolução do Exemplo 3

Justo valor do imóvel 750.000 €


Perdas por imparidade acumuladas 10.000 €
Mais Valia [900.000 - (750.000 - 10.000)] 160.000 €

B1.4.2 Nos investimentos financeiros

Os investimentos financeiros compreendem as aplicações de capital noutras empresas, bem como


outras instrumentos financeiros, incluindo os activos financeiros detidos para venda.
De acordo com o SNC, estes activos são, no momento da aquisição, reconhecidos pelo seu custo e,
subsequente, poderá adoptar-se um dos três modelos: “modelo do custo”, o “modelo do justo
valor” ou o “método da equivalência patrimonial.

A – Modelo do CUSTO

+- VALIA = VR - (VC - PI)

NO MODELO DO CUSTO os investimentos financeiros são registados pelo seu preço de custo (VC)
que integra todos os gastos incorridos com a sua aquisição.

Contrariamente ao investimentos não financeiros, não estão sujeitos a depreciação, mas apenas a
perdas por imparidade.

PI …. Perdas por imparidade acumuladas

A metodologia de cálculo da mais ou menos valia é equivalente à apresentada para os activos não
financeiros, pelo que remetemos para a consulta do exemplo 1 anteriormente apresentado.

B – Modelo do JUSTO VALOR

+- VALIA = VR - (JV- PI)

NO MODELO DO JUSTO VALOR os investimentos financeiros são inicialmente registados pelo


seu preço de custo e subsequentemente pelo seu justo valor, entendido este como o seu valor de
mercado.
Este modelo só pode ser utilizado quando o activo tiver um preço estabelecido num mercado oficial
(é o caso de títulos cotados em Bolsa).
JV…. Justo Valor
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Valor atribuído no fim de cada período ao investimento financeiro, tendo em atenção a sua cotação
bolsista.
PI … notação anteriormente referida.
A metodologia de cálculo da mais ou menos valia é equivalente à apresentada para os activos não
financeiros, pelo que remetemos para a consulta do exemplo 3 anteriormente apresentado.

C – Método da EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL

+- VALIA = VR - VEP

UTILIZANDO A EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL os investimentos financeiros são inicialmente


registados pelo seu preço de custo e subsequentemente ajustados pela fracção que lhe
corresponde no justo valor dos activos líquidos dos passivos da entidade participante.
Este modelo só pode ser utilizado para participações de capital em subsidiárias, associadas e
empreendimentos conjuntos, devendo proceder-se aos ajustamentos para o referido justo valor
(capitais próprios) no fim de cada período.

VEP…. Valor que resulta da Equivalência Patrimonial


VEP = % Participação * (Activo – Passivo) da entidade detida.

Exemplo 4

A “Sociedade Gestora” alienou por 600.000 euros em Março de N a sua participação


financeira de 40% que detinha na “Investida”. Esta participação tinha sido adquirida em
N-6 por um milhão de euros, mas este investimento nunca foi bem sucedido, por isso a
sua decisão em vender.

A participação financeira tem sido reconhecida pelo método da equivalência patrimonial,


aplicado no fim de cada ano, e em 31 de Dezembro de N-1 a “Investida” apresentava um
justo valor (capitais próprios, incluindo resultado do ano) de um milhão e seiscentos mil
euros. Apurar a mais ou menos valia contabilística.

Resolução do Exemplo 4

Justo valor dos activos líquidos da Investida 1.600.000 €


Aplicação do MEP (1.6000.000 * 40%) 640.000 €
Menos Valia contabilística [600.000 - 640.000] -40.000 €

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2 – Mais e menos valias: óptica fiscal. Do valor contabilístico ao valor
fiscal

B2.1 Conceito e enquadramento Fiscal das mais e memos valias

Tendo presente os artigos 9º e 10º do Código do IRS (CIRS), as + valias dizem respeito a
incrementos patrimoniais, ou seja, ganhos com:

 Alienação (cessão) onerosa de direitos reais e de posições contratuais e outros direitos


sobre bens imóveis;

 Alienação onerosa de partes sociais;


 Alienação onerosa da propriedade intelectual ou industrial;
 Operações relativas a instrumentos financeiros derivados;
 Operações relativas a warrants autónomos;

 Operações relativas a certificados que atribuam ao titular o direito a receber um valor de


determinado activo subjacente,

Ainda, de acordo com os referidos artigos, as mais e menos valias deverão ser apuradas:

 No momento da prática dos actos anteriormente enumerados, com a excepção de:


* Nos casos de promessa de compra e venda ou de troca, presume-se que o ganho é
obtido logo que verificada a tradição ou posse dos bens ou direitos objecto do
contrato;

* Nos casos de afectação de quaisquer bens do património particular a actividade


empresarial e profissional exercida pelo seu proprietário, o ganho só se considera
obtido no momento da ulterior alienação onerosa

 O valor dos rendimentos qualificados como mais-valias é o correspondente ao saldo


apurado entre as mais e as menos valias realizadas no mesmo ano, ou seja elas são
apuradas pelo valor líquido entre os ganhos e as perdas patrimoniais.

Se tivermos em atenção ainda o artigo 10º do CIRS, o valor das mais ou menos valias corresponde
a:

 Pela diferença entre o valor de realização e o valor de aquisição, devidamente actualizado


pelos coeficientes de correcção monetária, quando aplicável;

 Pela importância recebida pelo cedente, deduzida do preço por que tenha obtido os direitos
e bens objecto de cessão, também devidamente actualizado pelos coeficientes de correcção
monetária, quando aplicável;

 Pelos rendimentos líquidos, apurados em cada ano, provenientes das operações com os
anteriormente referidos instrumentos financeiros;
 Pelos rendimentos líquidos, apurados em cada ano, provenientes das operações com
warrants autónomos.

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B2.2 Correcção monetária das mais e menos valias contabilísticas

O valor de aquisição deve ser actualizado mediante aplicação dos coeficientes de desvalorização da
moeda para o efeito publicados em portaria do Ministro das Finanças, sempre que, à data da
realização, tenham decorrido pelo menos dois anos desde a data da aquisição.

Esta correcção não se aplica no caso dos instrumentos financeiros, com excepção das partes de
capital, em que também é aplicável.

B2.2.1 Correcção monetária no modelo do custo

+- VALIA_f = VR - (VC_a - DA _a – PI_a)

NO MODELO DO CUSTO o ajustamento para efeitos fiscais, desde que o activo tenha sido
adquirido há pelo menos dois anos, processa-se da seguinte forma:

 Aplica-se o coeficiente de correcção monetária correspondente ao ano da aquisição (ou dos


anos de aquisição em caso de várias compras como, por exemplo, activos por
componentes) ao(s) respectivo(s) valor(es) de custo;

 Aplica-se o mesmo (ou mesmos) coeficiente(s) às depreciações acumuladas na parte que


tenham sido fiscalmente aceites;

 Aplica-se o coeficiente de correcção monetária às perdas por imparidade fiscalmente


aceites, do ano em que tenham sido constituídas.

Exemplo 1_B

Considere-se que no Exemplo 1 a venda ocorreu no ano de 2010 (6º ano


de vida útil) e a aquisição no ano de 2004. Se tivermos em atenção o
coeficiente definido na portaria 785/2010, deveríamos proceder à correcção
monetária com o coeficiente de 1,09.

Apurar a mais ou menos valia fiscal

Resolução do Exemplo 1_B

Valor do custo de aquisição (70.000 + 5.000) 75.000 €


Depreciações acumuladasl (7.500 * 5) 37.500 €

Custo de aquisição ajustado (75.000 * 1,09) 81.750 €


Depreciações acumuladas ajustadas (37.500 * 1,09) 40.875 €

Valor de Realização 40.000 €


Menos Valia Fiscal [40.000 - (81.750 - 40.875)] -875 €

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B2.2.2 Correcção monetária no modelo da revalorização

+- VALIA _f = VR - (VC_a - DA_a – PI_a)

No MODELO DA REVALORIZAÇÃO o processo de correcção monetária é equivalente ao do


modelo de custo, sendo que:

 Se a revalorização tiver sido efectuada com base em coeficientes de correcção monetária


que constem em portaria do Ministro da Finanças para o efeito,, então as mais ou menos
valias contabilísticas já se encontram ajustadas para efeitos fiscais;

 Se a revalorização tiver sido efectuada por critérios que se afastem de correcção monetária
por coeficientes legais (v.g. justo valor), então deverão ser recalculados os valores de
custo, de depreciações acumuladas e de imparidades fiscalmente aceites, como se tivesse
adoptado o método do custo e proceder de seguida às respectivas correcções monetárias

Exemplo 2_B

Considere-se o exemplo referido em 2, ou seja que o equipamento referido no


exemplo 1 foi revalorizado no fim do 4º ano tendo o valor de aquisição e as
respectivas depreciações acumuladas sido actualizado em 10%.

Apurar a mais ou menos valia fiscal, admitindo os pressupostos mencionados no


exemplo 1_B, para além dos anteriores.

Resolução do Exemplo 2_B

Valor do custo de aquisição revalorizado (75.000 *1,1) 82.500 €


Depreciações acumuladas revalorizadas (7.500*5*1,1) 41.250 €
Menos Valia contabilística [40.000 - (82.500 - 41.250)] -1.250 €
Valor do custo de aquisição não revalorizado 75.000 €
Depreciações acumuladas não revalorizadas 37.500 €

Custo de aquisição ajustado com coeficiente de 1,09 81.750 €


Depreciações acumuladas ajustadas com coef. 1,09 40.875 €
Menos Valia Fiscal -875 €

Como se pode depreender e seria de esperar o modelo contabilístico adoptado (do custo ou da
revalorização) não afecta a quantia da mais ou menos valia fiscal.

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B2.2.3 Correcção monetária no modelo do justo valor

+- VALIA_f = VR - (VC_a - DA _a – PI_a)

No MODELO DO JUSTO VALOR que, de acordo com o SNC, pode ser utilizado para os
investimentos financeiros (neste caso partes de capital) com preço estabelecido em mercado oficial
e para as propriedades de investimento, deverão ser recalculados os valores de custo, de
depreciações acumuladas e de imparidades fiscalmente dedutíveis, como tivesse sido adoptado o
método do custo e proceder de seguida às respectivas correcções monetárias

Exemplo 3_B

Considere-se que a propriedade de investimento foi alienada em 2010 por


900.000 euros e que de acordo com o justo valor estava reconhecida na
contabilidade no fim de 2009 por 750.000 euros e uma perda por imparidade
de 10.000 euros, não aceite fiscalmente.

Este activo tinha sido adquirido em 2002 por 400.000 euros, a que
acresceram despesas com impostos e registos de 30.000 euros.

Apurar a mais ou menos valia fiscal, sabendo que de acordo com a portaria
785/2010, o coeficiente é de 1,15.

Resolução do Exemplo 3_B

Mais Valia Contabilística [900.000 - (750.000 - 10.000)] 160.000 €

Custo de aquisição ajustado com coeficiente de 1,15 494.500 €


Depreciações acumuladas (contabilísticas) 0€
Perdas por imparidade (contabilísticas) 10.000 €
Perdas por imparidade (fiscais) 0€
Mais Valia Fiscal 405.500 €

B2.2.4 Correcção monetária no método da equivalência patrimonial

+ - V A LIA _f = V R - ( V C _a - P I_a)

No método da EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL que se adopta em operações com partes de


capital, deverão ser recalculados os valores de custo, de depreciações acumuladas e de
imparidades fiscalmente dedutíveis, como tivesse sido adoptado o método do custo e proceder de
seguida às respectivas correcções monetárias.

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Exemplo 4_B

A “Sociedade Gestora” alienou por 600.000 euros em Março de N a sua participação


financeira de 40% que detinha na “Investida”. Esta participação tinha sido adquirida em
N-6 por um milhão de euros, mas este investimento nunca foi bem sucedido, por isso a
sua decisão em vender.

A participação financeira tem sido reconhecida pelo método da equivalência patrimonial,


aplicado no fim de cada ano, e em 31 de Dezembro de N-1 a “Investida” apresentava um
justo valor (capitais próprios, incluindo resultado do ano) de um milhão e seiscentos mil
euros. Apurar a mais ou menos valia fiscal, em que o coeficiente é 1,09.

Resolução do Exemplo 4_B

Menos Valia contabilística [600.000 - 640.000] -40.000 €


Custo de aquisição actualizado (1.000.000 * 1,09) 1.090.000 €
Menos Valia fiscal [600.000 - 1.090.000] -490.000 €

B2.3 Do resultado contabilístico ao resultado fiscal

Os impactos das mais e menos valias no valor do resultado contabilístico e no valor do resultado
fiscal são, em regra, bastante diferentes devido fundamentalmente:

 Ao efeito decorrente dos ajustamento provocado pela aplicação dos coeficientes de


correcção monetária, tal como anteriormente referido;

 Ao efeito derivado de um possível reinvestimento do valor de realização em determinado


tipo de activos.

B2.3.1 Reinvestimento do valor de realização

Com base no disposto do art. 48º do CIRC, “a diferença positiva entre as mais-valias e as menos-
valias, realizadas mediante a transmissão onerosa de activos fixos tangíveis, activos biológicos que
não sejam consumíveis e propriedades de investimento e activos não correntes detidos para venda,
é considerada em metade do seu valor, sempre que, no período de tributação anterior ao da
realização, no próprio período de tributação ou até ao fim do segundo período de tributação
seguinte, o valor de realização correspondente à totalidade dos referidos activos seja reinvestido na
aquisição, produção ou construção de activos fixos tangíveis, de investimentos biológicos ou em
propriedades de investimento, afectos à exploração, com excepção dos bens adquiridos em estado
de uso”.

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O benefício de reinvestimento anteriormente referido também se aplica à transmissão onerosa de
partes de capital, incluindo a sua remição e amortização com redução de capital, desde que
verificadas determinadas condições e que desenvolveremos no bloco 3.

Também no caso de mais valias previstas no CIRS se prevê a possibilidade de reinvestimento em


determinados tipos de activos e circunstâncias (v.g. imóveis destinados a habitação própria), que
desenvolveremos no bloco 4.

B2.4 Impacto das mais e menos valias nas obrigações de registo e declarativas

B2.4.1 Em sede de IRC: Modelo 22 e quadro de mais e menos valias;

Ocorrendo diferenças entre as mais e menos valias contabilísticas e as mais e menos valias fiscais
pelos motivos anteriormente apresentados e atendendo que o resultado fiscal é apurado a partir do
resultado contabilístico, torna-se necessário proceder a ajustamentos àquele.

Tais ajustamentos são processados no Quadro 7 da declaração Modelo 22 de IRC, devendo-se:

Acrescer ao resultado contabilístico:


 As menos valias contabilísticas, por forma a que sejam eliminados os efeitos destas sobre
o resultado líquido. A partir deste momento é como se não tivessem ocorrido quaisquer
perdas com menos valias.

 As mais valias fiscais. Tendo sido eliminado do resultado contabilístico o efeito das mais e
menos valias contabilísticas, ou seja, é como se tivesse sido apurado o resultado sem ter
em consideração esta natureza de ganhos e perdas, então há que lhe somar as mais
valias que concorram para a formação do resultado tributável (mais valias fiscais).

Deduzir ao resultado contabilístico:


 As mais valias contabilísticas, por forma a que sejam eliminados os efeitos destas sobre o
resultado líquido. A partir deste momento é como se não tivessem ocorrido quaisquer
ganhos com mais valias.

 As menos valias fiscais. Tendo sido eliminado do resultado contabilístico o efeito das mais
e menos valias contabilísticas, ou seja, é como se tivesse sido apurado o resultado sem
ter em consideração esta natureza de ganhos e perdas, então há que lhe diminuir as
menos valias que concorram para a formação do resultado tributável (menos valias
fiscais).

De forma esquemática e tendo por base os campos do quadro 7 da declaração modelo 22 em uso
para o ano de 2010, podemos apresentar o seguinte:

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16
Apuramento do lucro tributável

Resultado líquido do Período 701 . . . ,


. . . ,
A Acrescer . . . ,
…. . . . ,
Menos valias contabilisticas
736 . . . ,
…… . . . ,
Mais-valia fiscal resultante de mudanças no modelo de valorização [art.º 46.º, n.º 5,
al. b)] 738 . . . ,
. . . ,
Diferença positiva entre as mais-valias e as menos-valias fiscais sem intenção de
reinvestimento (art.º 46.º) 739 . . . , Os valores a increver
. . . , neste quadro visam
50% da diferença positiva entre as mais-valias e as menos-valias fiscais com apurar o resultado
intenção expressa de reinvestimento (art.º 48.º, n.os 1, 4 e 5) 740 . . . ,
fiscal a partir do
….. . . . ,
resultado
Mais-valias fiscais - regime transitório [art.º 7, n.º 7, al. b) da Lei n.º 30-G/2000, de contabilistico, tendo
29 de Dezembro e art.º 32.º, n.º 8 da Lei n.º 109-B/2001, de 27 de Dezembro em atenção os
742 . . . ,
…. . . . , ajustamentos que
A Deduzir . . . , resultarem da
…. . . . , correcção monetária e
Mais-valias contabilísticas 767 . . . , da decisão de
. . . , reinvestimento
50% da menos-valia fiscal resultante de mudanças no modelo de valorização [art.o
46.o, n.º 5.º, al. b) e art.o 45.o, n.º 3, parte final] e 50% da diferença negativa entre
as mais e as menos-valias fiscais de partes de capital ou outras componentes do
capi 768 . . . ,
. . . ,
Diferença negativa entre as mais-valias e as menos-valias fiscais (art.o 46.o)
769 . . . ,
. . . ,
….. . . . ,
PREJUÍZO PARA EFEITOS FISCAIS 777 . . . ,
LUCRO TRIBUTÁVEL 778 . . . ,

Exemplo 5

Considere que no caso referido nos exemplos 3 e 3_B havia a expectativa de se proceder ao
reinvestimento da totalidade do valor de realização no ano de venda e no ano seguinte, na medida
em que está em curso um investimento em activos fixos tangíveis superior a um milhão de euros.

Apurar a mais valia tributável e preencher os impactos no quadro 7 da declaração mod. 22 no ano da
alienação da propriedade de investimento. Considere que a empresa tinha apresentado um prejuízo
contabilístico de 32.500 € e que não havia quaisquer outros ajustamentos no quadro 07.

Resolução

Montante da mais valia contabilística ……………….. 160.000 €


Montante da mais valia fiscal ……………………………. 405.500 €
Valor de realização …………………………………………… 900.000 €
Reinvestimento do valor de realização ………………. 100%
Mais valia tributável ………………………………………… 202.750 €

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17
Apuramento do lucro tributável

Resultado líquido do Período 701 -32.500,00 €


. . . ,
A Acrescer . . . ,
…. . . . ,
Menos valias contabilisticas
736 . . . ,
…… . . . ,
Mais-valia fiscal resultante de mudanças no modelo de valorização [art.º 46.º, n.º 5,
al. b)] 738 . . . ,
. . . ,
Diferença positiva entre as mais-valias e as menos-valias fiscais sem intenção de
reinvestimento (art.º 46.º) 739 Os valores a increver
. . . , neste quadro visam
50% da diferença positiva entre as mais-valias e as menos-valias fiscais com apurar o resultado
intenção expressa de reinvestimento (art.º 48.º, n.os 1, 4 e 5) 740 202.750,00
fiscal a partir do
….. . . . ,
resultado
Mais-valias fiscais - regime transitório [art.º 7, n.º 7, al. b) da Lei n.º 30-G/2000, de contabilistico, tendo
29 de Dezembro e art.º 32.º, n.º 8 da Lei n.º 109-B/2001, de 27 de Dezembro em atenção os
742 . . . ,
…. . . . , ajustamentos que
A Deduzir . . . , resultarem da
…. . . . , correcção monetária e
Mais-valias contabilísticas 767 160.000,00 da decisão de
. . . , reinvestimento
50% da menos-valia fiscal resultante de mudanças no modelo de valorização [art.o
46.o, n.º 5.º, al. b) e art.o 45.o, n.º 3, parte final] e 50% da diferença negativa entre
as mais e as menos-valias fiscais de partes de capital ou outras componentes do
capi 768 . . . ,
. . . ,
Diferença negativa entre as mais-valias e as menos-valias fiscais (art.o 46.o)
769 . . . ,
. . . ,
….. . . . ,
PREJUÍZO PARA EFEITOS FISCAIS 777 . . . ,
LUCRO TRIBUTÁVEL 778 10.250,00

Para as entidades sujeitas a IRC, foi definido um mapa específico para o apuramento das mais e
menos valias contabilísticas e fiscais realizadas em cada período económico e que devem arquivar
nos seus dossiers fiscais. Apresenta-se em Anexo modelo deste mapa preenchido com os exemplos
acima citados.

Apresenta-se também em anexo cópia do modelo oficial da declaração modelo 22 em vigor para o
período económico que findou em 31 de Dezembro de 2010.

B2.4.2 Em sede de IRS: Modelo 3 e Anexo G e G1.

Para as entidades sujeitas a IRS, em cada período de tributação o sujeito passivo deverá
apresentar declaração periódica de rendimentos, modelo 3, que inclui:

 Anexo G, caso tenham sido obtidos rendimentos classificáveis como mais valias;
 Anexo G1 caso se tenham obtido rendimentos não sujeitos a mais valia, tais como os
imóveis alienados que tenham sido antes da entrada em vigor do Código do IRS (1 de
Janeiro de 1989), cujos ganhos não eram sujeitos a Imposto de Mais-Valias (Código
aprovado pelo Decreto-Lei n.º 46 673, de 9 de Junho de 1965), incluindo os ganhos
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18
derivados da alienação a título oneroso de prédios rústicos afectos ao exercício de uma
actividade agrícola ou da afectação destes a uma actividade comercial ou industrial,
exercida pelo respectivo proprietário, conforme estabelece o n.º 4 do art. 4.º e o art. 5.º
do Decreto-Lei n.º 442-A/88, de 30 de Novembro.

Apresenta-se também em anexo cópia dos modelos oficiais dos referidos Anexos à declaração de
rendimentos modelo 3.

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19
3 – A tributação das mais e menos valias em sede de IRC

B3.1 A tributação em IRC das +- Valias

De acordo com o art. 46º do Código do IRC (CIRC), consideram-se mais-valias ou menos-valias
realizadas os ganhos obtidos ou as perdas sofridas mediante transmissão onerosa, qualquer que
seja o título por que se opere e, bem assim, os decorrentes de sinistros ou os resultantes da
afectação permanente a fins alheios à actividade exercida, respeitantes a:

a) Activos fixos tangíveis, activos intangíveis, activos biológicos que não sejam consumíveis e
propriedades de investimento, ainda que qualquer destes activos tenha sido reclassificado
como activo não corrente detido para venda;

b) Instrumentos financeiros, com excepção dos reconhecidos pelo justo valor nos resultados
desde que, tratando-se de instrumentos do capital próprio, tenham um preço formado num
mercado regulamentado e o sujeito passivo não detenha, directa ou indirectamente, uma
participação no capital superior a 5% do respectivo capital social.

Considera-se valor de realização (art. 46º):

a) No caso de troca, o valor de mercado dos bens ou direitos recebidos, acrescido ou diminuído,
consoante o caso, da importância em dinheiro conjuntamente recebida ou paga;

b) No caso de expropriações ou de bens sinistrados, o valor da correspondente indemnização;

c) No caso de bens afectos permanentemente a fins alheios à actividade exercida, o seu valor
de mercado;

d) Nos casos de fusão ou cisão, o valor de mercado dos elementos transmitidos em


consequência daqueles actos;

e) No caso de alienação de títulos de dívida, o valor da transacção, líquido dos juros contáveis
desde a data do último vencimento ou da emissão, até à data da transmissão, bem como da
diferença atribuível àqueles períodos, entre o valor de reembolso e o preço da emissão, nos
casos de títulos cuja remuneração seja constituída por aquela diferença;

f) Nos demais casos, o valor da respectiva contraprestação.

Caso especial do valor de realização (art. 64º):

a) No caso de alienação de direitos reais sobre bens imóveis deve adoptar-se, para efeitos da
determinação do lucro tributável, valores normais de mercado que não podem ser inferiores
aos valores patrimoniais tributários definitivos que serviram de base à liquidação do imposto

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20
municipal sobre as transmissões onerosas de imóveis (IMT) ou que serviriam no caso de não
haver lugar à liquidação deste imposto, ou à liquidação de imposto do selo (IS) no caso de
doações.

b) Quando, no caso referido na alínea anterior, o valor constante do contrato for inferior ao
valor patrimonial tributário do imóvel, é este o valor que deve ser considerado pelos
alienante e adquirente, para determinação do lucro tributável, ou seja, no caso de mais ou
menos valia, será a que resultar deste último valor.

Exemplo 6
A entidade XIS declarou ter vendido por 320.000 euros um imóvel, cujo preço de custo,
actualizado foi de 280.000 euros, pelo que declarou uma mais valia fiscal de 40.000
euros.

Contudo, como o valor matricial do imóvel ascendei a 342.000 mil euros, o valor a
considerar para efeitos de apuramento de mais valias será este último, salvo de
apresentar provas efectivas que sustentem o valor declarado da transacção. Assim, o
valor da mais valia fiscal seria de 62.000 euros e não os 40.000 inicialmente apurados.

São também assimiladas a transmissões onerosas:

a) A promessa de compra e venda ou de troca, logo que verificada a tradição dos bens;

b) As mudanças no modelo de valorização relevantes para efeitos fiscais, que decorram de


reclassificação contabilística.

Não se consideram mais-valias ou menos-valias os resultados obtidos em consequência da entrega


pelo locatário ao locador dos bens objecto de locação financeira

B3.2 Correcção monetária através dos coeficientes oficiais

Como anteriormente referido, o valor de aquisição (e respectivas depreciações e imparidade


acumuladas fiscalmente dedutíveis) é actualizado mediante aplicação dos coeficientes de
desvalorização da moeda, sempre que, à data da realização, tenham decorrido pelo menos dois
anos desde a data da sua aquisição, sendo o valor dessa actualização deduzido para efeitos da
determinação do lucro tributável.

Os coeficientes são publicados anualmente em portaria do Ministro das Finanças. Para o ano de
2010, foi publicada a Portaria n.º 785/2010, de 23 de Agosto, que se junta em Anexo.

A correcção monetária a que se refere o número anterior não é aplicável aos instrumentos
financeiros, excepto quando se trata de partes de capital que também deverão ser actualizados.

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21
Os modelos de reconhecimento dos investimentos financeiros e não financeiros afectam a forma de
apuramento das quantias correspondentes às mais e menos valias, tal como já anteriormente
desenvolvido.

B3.3 Reinvestimento do valor de realização

B3.3.1 Regras de reinvestimento

Tal como referido no bloco 2, caso ocorra reinvestimento do valor de realização de activos fixos
tangíveis, propriedades de investimento e activos não correntes detidos para venda, a mais valia é
tributada apenas em 50%.

No caso de se verificar apenas o reinvestimento parcial do valor de realização, o disposto no


parágrafo anterior é aplicado à parte proporcional da diferença entre as mais-valias e as menos-
valias a que o mesmo se refere.

O mesmo á aplicável em caso de alienação de partes sociais, desde que sejam verificáveis as
condições seguintes:

a) O valor de realização correspondente à totalidade das partes de capital deve ser reinvestido,
total ou parcialmente, na aquisição de participações no capital de sociedades comerciais ou
civis sob forma comercial ou de investimentos não financeiros, tal como definidos para estes;

b) As participações de capital alienadas devem ter sido detidas por período não inferior a um
ano e corresponder a, pelo menos, 10% do capital social da sociedade participada ou ter um
valor de aquisição não inferior a € 20.000.000;

c) As transmissões onerosas e aquisições de partes de capital não podem ser efectuadas com
entidades:

• Residentes de país, território ou região cujo regime de tributação se mostre claramente


mais favorável, constante de lista aprovada por portaria do Ministro das Finanças (zona
franca ou paraíso fiscal); ou

• Com as quais existam relações especiais, excepto quando se destinem à realização de


capital social, caso em que o reinvestimento se considera totalmente concretizado quando o
valor das participações de capital assim realizadas não seja inferior ao valor de mercado
daquelas transmissões

As entidades com relações especiais, estão definidas no artigo 63º do CIRC:

 Mesmos titulares do capital, respectivos cônjuges, ascendentes ou descendentes detenham,


directa ou indirectamente, uma participação não inferior a 10% do capital ou dos direitos de
voto;

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22
 Uma entidade e os membros dos seus órgãos sociais, ou de quaisquer órgãos de
administração, direcção, gerência ou fiscalização, e respectivos cônjuges, ascendentes e
descendentes;
 Entidades em que a maioria dos membros dos órgãos sociais, ou dos membros de quaisquer
órgãos de administração, direcção, gerência ou fiscalização, sejam as mesmas pessoas ou,
sendo pessoas diferentes, estejam ligadas entre si por casamento, união de facto legalmente
reconhecida ou parentesco em linha recta;
 Entidades ligadas por contrato de subordinação, de grupo paritário ou outro de efeito
equivalente;
 Empresas que se encontrem em relação de domínio, nos temos em que esta é definida nos
diplomas que estatuem a obrigação de elaborar demonstrações financeiras consolidadas;
 Entidades entre as quais, por força das relações comerciais, financeiras, profissionais ou
jurídicas entre elas, se verifica situação de dependência no exercício da respectiva actividade,
nomeadamente quando ocorre entre si qualquer das seguintes situações:
 O exercício da actividade de uma depende substancialmente da cedência de direitos de
propriedade industrial ou intelectual ou de know -how detidos pela outra;
 O aprovisionamento em matérias-primas ou o acesso a canais de venda dos produtos,
mercadorias ou serviços por parte de uma dependem substancialmente da outra;
 Uma parte substancial da actividade de uma só pode realizar-se com a outra ou depende de
decisões desta;
 O direito de fixação dos preços, ou condições de efeito económico equivalente, relativos a
bens ou serviços transaccionados, prestados ou adquiridos por uma encontra-se, por
imposição constante de acto jurídico, na titularidade da outra;
 Uma entidade residente ou não residente com estabelecimento estável situado em território
português e uma entidade sujeita a um regime fiscal claramente mais favorável residente em
país, território ou região constante da lista aprovada por portaria do Min. das Finanças

B3.3.2 Limitações e consequências do não reinvestimento

Não sendo concretizado, total ou parcialmente, o reinvestimento até ao fim do segundo período de
tributação seguinte ao da realização, será de integrar no rendimento desse período, a diferença ou
a parte proporcional da diferença não incluída no lucro tributável, majorada em 15%.

Não sendo mantidas na titularidade do adquirente, durante o período de uma ano, as partes de
capital em que se concretizou o reinvestimento, excepto em caso de fusão, cisão, entrada de
activos ou permuta de acções é aplicável, no período de tributação da alienação, o disposto na
alínea imediatamente anterior, com as necessárias adaptações

A intenção de reinvestimento deve ser declarada pelo contribuinte na declaração anual de


informação contabilística e fiscal do período de tributação (IES – Informação Empresarial
Simplificada) em que a realização ocorre, comprovando na mesma e nas declarações dos dois
períodos de tributação seguintes os reinvestimentos efectuados

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23
Apresenta-se de seguida o quadro modelo previsto na referida IES (Quadro 09 do Anexo A).

ANEXO A

QUADRO 09

Mais-Valias: Reinvestimento dos Valores de Realização

O presente quadro destina-se a dar cumprimento ao n.º 5 do artigo 45.º do CIRC

Exemplo 7

Considere que a “Sociedade Invest” vendeu no ano N uma participação financeira por 850.000 que
havia adquirido no ano N-5 por 380.000 euros. Realizou um aumento de capital em dinheiro na sua
subsidiária no ano N+1 no valor de 500.000 euros, tendo a expectativa de que iria realizar os
restantes 350.000 euros no prazo previsto para cumprir com as regras de reinvestimento.

De facto acabou por não concretizar o investimento, pelo que no ano N+2 teve de proceder ao
acréscimo na sua matéria colectável da mais valia não tributada. Calcular valores sabendo que o
coeficiente de correcção monetária correspondente a n-5 é de 1,11 e que foi declarada a intenção de
reinvestir no período N.

Resolução do Exemplo 7

Mais Valia contabilística [850.000 - 380.000] 470.000 €


Mais Valia fiscal [850.000 - (380.000 * 1,11)] 428.200 €

Mais valia tributada no ano N 214.100 €


Mais valia a ser tributada no ano N+2
[(350.000 / 850.000) * 50% * 428.200] * 1,15 101.383 €

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24
B3.4 Vendas seguida de locação

No caso de venda de um bem objecto de locação financeira desse bem ao mesmo, não há lugar ao
apuramento de qualquer resultado para efeitos fiscais em consequência dessa venda, continuando
o bem a ser depreciado ou amortizado para efeitos fiscais pelo locatário, de acordo com o regime
que vinha sendo seguido até então.

Neste caso, a mais ou menos valia decorrente da operação deverá ser afecta aos resultados, numa
base sistemática, durante a vida útil remanescente dos bens.

B3.5 Menos valias fiscais não aceites como gastos para efeitos tributários

Não relevam para efeitos fiscais, as menos-valias realizadas relativas a barcos de recreio, aviões de
turismo e viaturas ligeiras de passageiros ou mistas, que não estejam afectos à exploração de
serviço público de transportes nem se destinem a ser alugados no exercício da actividade normal
do sujeito passivo, excepto na parte em que correspondam ao valor fiscalmente depreciável.

i) Tal porque, não sendo a depreciação destes bens um gasto fiscalmente dedutível,
compreende-se que o mesmo se aplique à menos valia.

ii) Da mesma forma também não releva para efeitos fiscais a menos valia sobre a parte das
“depreciações perdidas” quando se tenham praticado taxas de depreciação inferiores às
mínimas previstas no Decreto Regulamentar 25/09

Exemplo 8

Foi vendida por 18.000 euros uma viatura ligeira de passageiros que tinha sido adquirida
há cinco anos por 52.600 euros e que se encontrava amortizada em 30.000 euros.

Do ponto de vista fiscal o valor máximo depreciável é de 30.000 euros, pelo que se
pretende apurar a mais ou menos valia fiscal, tendo em atenção que se procedeu ao
reinvestimento do valor de aquisição e que o coeficiente de correcção monetária relativo
ao ano de compra +e de 1,08.

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25
Resolução do Exemplo 8

Menos Valia contabilistica [18.000-(52.600-30.000)] -4.600,00 €

Valor de Aquisição para efeitos fiscais actualizados 32.400,00 €

Deprec.acumuladas para efeitos fiscais, actualizadas 32.400,00 €

Menos Valia para efeitos fiscais 0,00 €

(deve acrescer no Q07 da Decl.Modelo 22, campo 736: 4.600,00 €)

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26
4 – A tributação das mais e menos valias em sede de IRS

B4.1 A tributação em IRS das +- Valias

De acordo com os artigos 9º e 10º do Código do IRS (CIRS), as mais valias dizem respeito a
incrementos patrimoniais, ou seja, ganhos com:

- Alienação (cessão) onerosa de direitos reais e de posições contratuais e outros direitos sobre
bens imóveis;

- Alienação onerosa de partes sociais;

- Alienação onerosa da propriedade intelectual ou industrial;

- Operações relativas a instrumentos financeiros derivados

- Operações relativas a warrants autónomos e contratos financeiros a prazo;

- Operações relativas a certificados que atribuam ao titular o direito a receber um valor de


determinado activo subjacente

B4.2 Tributação em +- valias de imóveis

B4.2.1 Incidência e apuramento

São tributadas pela categoria G do IRS, sendo obrigatória a declaração dos rendimentos de
alienação onerosa de direitos reais sobre bens imóveis, pertencentes ao património particular do
respectivo proprietário, (qualquer destas situações se aplica quer o bem tenha sido adquirido,
doado ou herdado), como sejam:

- Transmissão de fracções autónomas;

- Transmissões de terrenos;

- Cedência onerosa de posições contratuais ou outros direitos inerentes a contratos relativos a bens
imóveis;

- Transmissão de parte do imóvel em separações de facto/divórcios;

- Alienação de um estacionamento autónomo

- Venda onerosa de um direito de usufruto

- Permuta de bens imóveis


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27
- Bens expropriados

Em qualquer dos casos referidos a sua transmissão, sendo de valor superior à aquisição origina
rendimentos. Estes ganhos obtidos constituem mais-valias sujeitas a tributação.

Em concreto a mais-valia resultante da alienação de direitos reais sobre bens imóveis é dada por:
MV = VR – (VA x coef. + EV + DAQ + DAL), sendo

VR – valor de realização (valor da venda)

VA – valor de aquisição

Coef. – coeficiente de desvalorização monetária

EV – encargos com valorização

DAQ – despesas com a aquisição

DAL – despesas com a alienação

Nota:

Só existe tributação se a aquisição dos bens e direitos dos imóveis alienados tiver ocorrido a partir
de 01.01.89

Considera-se Valor de aquisição:

- Em imóveis adquiridos, o valor declarado da contraprestação pela aquisição;

- Em imóveis construídos pelo próprio, o valor de aquisição corresponde ao valor patrimonial


inscrito na matriz ou ao valor do terreno, acrescido dos custos de construção devidamente
comprovados, se a soma for superior àquele;

- Em imóveis herdados ou doados, aquele que tiver sido considerado para efeito de liquidação do
imposto sobre as sucessões e doações, actualmente Imposto de Selo sobre Transmissões Gratuitas,
excepto nos casos em que os bens tenham sido objecto de doação, isenta daquele imposto, há
menos de dois anos caso em que se considera como valor de aquisição o valor patrimonial
tributário anterior à doação;

- Na transmissão do usufruto, o valor de aquisição corresponderá ao valor da propriedade apurado


de acordo com o estabelecido no art. 13.º do IMT.

Considera-se valor de realização:

- No caso de alienação onerosa, o montante da contraprestação;

- No caso de expropriações, o montante da indemnização;


- No caso de promessa de compra e venda, o valor da contraprestação;

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28
- No caso de permuta, o valor atribuído aos bens recebidos, ou de mercado se este for superior,
ajustado pelo dinheiro a receber ou a pagar;

- No caso da afectação de imóveis do património particular a actividades geradoras de


rendimentos, o valor de mercado;.

Nos casos enunciados prevalece o valor considerado para efeitos de IMT (compra e venda) ou de
IS (doações), se superior à quantias declaradas como valor de realização de imóveis.

VALOR DE REALIZAÇÂO

-
Valor de aquisição, incluindo despesas com esta ajustado pelo
coeficiente de correcção monetária à data de aquisição se tiveram
mais de 2 anos
-
Gastos com obras e outras valorizações do imóvel, documentadas,
realizadas nos últimos 5 anos
-
Gastos suportados com a venda do imóvel, devidamente
documentados

Considera-se que os ganhos são obtidos:

- No caso de alienação onerosa, no momento em que ocorre essa alienação;

- No caso de promessa de compra e venda ou permuta, logo que se verifique a tradição ou


posse do bem ou direitos contratados.

- No caso da afectação de imóveis do património particular a actividades geradoras de


rendimentos, no momento da ulterior alienação onerosa dos bens em causa ou de outro facto
de que resulte apuramento de resultados como, por exemplo, sinistros.

O valor de aquisição, é corrigido pela aplicação de coeficientes de correcção monetários, publicados


em portaria do Ministro das Finanças, que tem como objectivo actualizar o valor de aquisição de
acordo com a inflação decorrida.

Não cabe ao contribuinte apurar o valor da mais ou menos valia resultante da alienação, basta
declarar os valores praticados na transacção. À semelhança do que sucede com os restantes
rendimentos quem apura a liquidação de IRS que resulta em imposto a pagar ou receber é a
Administração Fiscal.
Regras de excepção – Exclusões de tributação

Contudo, o Código do IRS exclui de tributação:

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29
- As mais-valias provenientes da alienação onerosa de imóveis destinados a habitação própria e
permanente do sujeito passivo ou do seu agregado familiar, se o produto da alienação (valor de
realização), deduzido do valor em dívida de empréstimo contraído para a aquisição do bem
alienado (excluem-se os juros e outros encargos, bem como os empréstimos para obras) e que se
encontra em dívida à data da alienação do imóvel, for utilizado na aquisição de outro imóvel, de
terreno para construção de imóvel ou na construção, ampliação ou melhoramento de outro imóvel
exclusivamente com o mesmo destino, situado em território português, a efectuar no prazo de 24
meses contados da data da venda ou que tenha sido efectuada nos 12 meses anteriores, sendo
neste caso o produto da venda utilizado no pagamento da referida aquisição.

- Encontram-se também excluídas os ganhos ou perdas derivados da alienação de direitos reais


relativos a (estes ganhos embora não se encontrem sujeitos a tributação deverão obrigatoriamente
ser declarados no Anexo G1 à Declaração modelo 3 do IRS):

Ø Prédios rústicos ou urbanos, com excepção de terrenos para construção, que tenham sido
adquiridos, a título oneroso ou gratuito, antes de 1 de Janeiro de 1989;

Ø Terrenos para construção, adquiridos a título gratuito ou oneroso, antes de 9 de Junho de 1965.

B4.2.2 Reinvestimento

As mais valias obtidas com a transmissão de imóveis destinados à habitação própria e permanente
do sujeito passivo e do agregado familiar não serão tributadas se nos 36 meses subsequentes o
valor de realização (deduzido da amortização de eventual empréstimo com a mesma) for
reinvestido na aquisição de outro imóvel com as mesmas finalidade ou terrenos para construção ou
melhoramento de imóvel para habitação.

Este benefício é proporcional à parte do valor de realização que vier a ser reinvestido, caso se
verifique apenas o reinvestimento parcial do valor de realização.

Também não se verificará o direito a este benefício se:

- A aquisição de imóveis destinados à habitação própria e permanente do sujeito passivo e do


agregado familiar, se esta não ocorrer no prazo de 6 meses após os 36 meses referidos;
- A aquisição de terrenos para construção, se esta não ocorrer até ao prazo anteriormente
referido, sendo obrigatória a afectação à residência até ao fim de 5º anos seguinte ao da
realização;
- O melhoramento de imóvel para habitação, não se realizar nos termos referidos no ponto
imediatamente anterior

No caso de transmissão de imóveis destinados a habitação própria a favor de fundos de


investimento imobiliário, para arrendamento habitacional, existe ISENÇÃO de imposto sobre as
mais-valias.

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30
Vejamos então um exemplo, tendo como base os seguintes elementos:

Dados
Valor Ano
Valor Aquisição 70.000,00 € 1999
Valor de Realização (venda) 200.000,00 € 2010
Valor em divida à data do empréstimo antigo 20.000,00 €
Nova aquisição 300.000,00 € 2010
Recurso ao crédito para a nova habitação 170.000,00 €
MV = VR - (VA x coef. + EV + DAQ), sendo
Total
VR - valor de realização (valor da venda) 200.000,00 €
VA - valor de aquisição 70.000,00 €
Coef. - coeficiente de desvalorização monetária
(valor obtido na Portaria 429/2006) 1,30
DAQ - despesas com a aquisição e alienação 2.170,00 €
Mais Valia 106.830,00 €
Tributação recai sobre 50% da Mais valia 53.415,00 €
Sobre o valor a tributar aplica-se a taxa de IRS do conjunto
dos rendimentos do agregado (exemplo para uma taxa de
34%) 18.161,10 €

Se o imóvel alienado era para habitação própria e


permanente e reunir as condiçoes acima referidas
podemos eliminar parte ou a totalidade da mais valia
apurada ao reinvestir o valor de realização
Valor de realização - valor do emprétimo antigo = valor que
tem que reinvestir 180.000,00 €
Valor reinvestido =valor da nova aquisição-recurso ao
crédito ( 300.000,00 - 170.000,00) Reinvestiu 130.000,00€
Percentagem de reinvestimento no caso de reinvestir
130.000,00 € (130.000/180.000) 72,22%
Mais Valia se reinvestir 72,22% 29.091,67 €
Tributação recai sobre 50% da Mais valia 14.545,83 €
TX de IRS (exemplo para uma taxa de 34%) 4.945,58 €

Preenchimento do anexo G

Quadro 4 Anexo G

Realização Aquisição
Despesas e
Campos 401 Ano Valor Ano Valor encargos
2010 200.000 € 1999 70.000 € 2.170,00 €
Identificação matricial do imóvel

Quadro 5 – Anexo G - Reinvestimento


Campo 501 2010
Campo 502 401
Campo 505 20.000,00 €
Campo 506 130.000,00 €
Campo 508 130.000,00 €
Identificação matricial do imóvel objecto de reinvestimento

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31
B4.2.3 Taxas de tributação

Residentes:

 O rendimento das mais valias é englobado em 50%;


 Em caso de zonas de “reabilitação urbana” a taxa é de 5%
 As menos valias podem ser reportadas nesta categoria de rendimentos nos 5 anos
seguintes ao que respeita e em 50%.
 Mais-valias prediais em fundos de investimento imobiliário são tributadas autonomamente
à taxa de 25% (imposto entregue até ao final do mês de Abril do ano seguinte pela
respectiva entidade gestora).

Não Residentes:

 O rendimento das mais valias é tributado a uma taxa especial de 25%, podendo os
residente da EU optar por regime de taxas progressivas em caso de intercâmbio de
informação

B.4.3 Tributação de +- valias de partes sociais e outros valores mobiliários

B4.3.1 Incidência e apuramento

São tributadas pela categoria G do IRS

- Alienação onerosa de partes sociais, incluindo a sua remissão e amortização com redução
do capital;

- Valor atribuído aos associados em resultado da partilha, na parte que exceda o considerado
como rendimentos de capitais;
- Operações relativas a instrumentos financeiros derivados, com exclusão de swaps
(rendimentos de capitais);

- Operações relativas a warrants autónomos;


- Operações relativas a certificados que atribuam ao titular o direito a receber um valor de
determinado activo subjacente;

- Alienação onerosa de outros valores mobiliários como, por exemplo, unidades de


participação em fundos de investimento mobiliário e imobiliário.

Refira-se que a Lei n.º 15/2010, de 26 de Julho, altera o Código do Imposto sobre o Rendimento
das Pessoas Singulares e o Estatuto dos Benefícios Fiscais, introduzindo um regime de tributação
das mais-valias mobiliárias à taxa de 20 %, com regime de isenção para os pequenos investidores.

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32
O novo regime introduzido procede à revogação da anterior exclusão de tributação aplicável às
mais-valias provenientes da alienação de acções detidas durante mais de 12 meses (assim como de
obrigações e outros títulos de dívida), estabelecendo a tributação, pela aplicação da taxa de 20 %,
do saldo positivo entre as referidas mais e menos-valias, desde que o mesmo se revele superior a €
500.

Este regime passa a ser igualmente aplicável aos rendimentos obtidos por fundos de investimento
mistos ou fechados de subscrição particular.

Refere o n.º 16 do art.º 22.º do EBF, aditado pela referida Lei que, “O saldo positivo entre as mais-
valias e menos-valias resultante da alienação de acções detidas por fundos de investimento durante
mais de 12 meses, obrigações e outros títulos de dívida, está excluído de tributação, excepto
quando obtido por fundos de investimento mistos ou fechados de subscrição particular aos quais se
aplicam as regras previstas no Código do IRS”.

Deste modo, as acções, ainda que detidas mais de 12 meses, por um sujeito passivo particular,
alienadas no ano de 2010 a um outro particular, não beneficiarão da exclusão anteriormente
prevista no n.º 2 do art.º 10.º do CIRS, uma vez que o mesmo foi revogado pela Lei supra
indicada, nem tão pouco, da exclusão prevista no n.º 16 do art.º 22.º do EBF, uma vez que nesta
exclusão apenas estão compreendidas, as mais-valias resultantes da alienação de acções detidas
por fundos de investimento durante mais de 12 meses.

VALOR DE REALIZAÇÂO
-
Valor de aquisição, incluindo despesas com esta
devidamente justificadas
-
Gastos suportados com a venda das partes sociais e dos
valores mobiliários

Considera-se valor de realização, o valor da contraprestação da operação. Contudo, se os valores


seguintes forem superiores, então serão estes últimos os considerados:
- No caso de acções e outros títulos cotados em bolsa, o valor da cotação à data da
transmissão ou, desconhecendo esta, a maior taxa de cotação do ano em que ocorreu a
alienação;
- No caso de valores mobiliários e outras partes de capital não cotados em bolsa, o valor que
lhe corresponder com base no último balanço aprovado.

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33
Considera-se como valor de aquisição:

- No caso de estarem cotados em bolsa, o custo comprovado documentalmente ou o menor


valor da cotação nos 2 anos anteriores à data da alienação;
- No caso de não estarem cotados em bolsa, o custo comprovado documentalmente ou o
valor nominal;

- No caso de opção sobre valores mobiliários o valor do bem ou direito no momento em que
exerce a opção: o preço de subscrição ou o valor de mercado

As datas de aquisição de partes sociais e de outros valores mobiliários quando adquiridos em


momentos diferentes, obtém-se:

- No caso de valores mobiliários de idêntica natureza (v.g. acções), pela adopção do FIFO
(First In First Out);

- Quando obtidos por incorporação de reservas em capital e aumento de capital, pelas datas
em que ocorreram essas incorporações ou aumentos;
- Na transformação de sociedades por quotas em anónimas, as datas das acções resultantes
da transformação são as datas das quotas que lhe deram origem.

- Nas permutas de capital e nas situações de fusões e cisões, pelo somatório do período em
que foram detidas as partes de capital e as recebidas em troca ou por processo de fusão
ou cisão.

Exemplo 9
O Sr. Investidor decidiu vender por 150.000 euros, 3.000 acções das 5.000 que detinha
na sociedade S.A.. A sua carteira foi obtida da seguinte forma;
• 1.200 por compra em Abri de N-5, ao preço de 20 € cada;
• 1.000 por compra em Junho de N-3, ao preço de 28 € cada;
• 1.500 por aumento de capital em N-2, valor nominal de 10 €;
• 1.300 por compra em Setembro de N ao preço de 32 € cada.

Apurar a mais valia decorrente desta venda, bem como a quantia tributável, sabendo que
a S.A.. é qualificada como pequena empresa e que os custos de venda foram de 2.200 €.

Resolução do Exemplo 9

Valor de realização dos valores mobiliários 147.800 €


Valor de aquisição (utilizando o FIFO) 60.000 €
1º lote por compra (1.200 * 20) 24.000 €
2º lote por compra (1.000 * 28) 28.000 €
3º lote por aumento capital (800 * 10) 8.000 €

Mais valia contabilística 87.800 €


Tributação (90.000 * 20% * 50%) 8.780 €

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34
As mais valias relativas a warrants autónomos são apuradas pela soma dos rendimentos líquidos
apurados em cada ano.

No caso de alienação antecipada, as mais e menos valias são apuradas, no caso de:

warrants de compra: Valor de realização – prémio do warrants

warrants de venda: Valor de realização – valor de compra

No caso de compra ou venda do activo subjacente (exercício do direito) as mais e menos valias são
apuradas da seguinte forma:

warrants de compra: Preço mercado – (Preço de exercício + prémio do warrant)

warrants de venda: (Preço de exercício - prémio do warrant) - Preço mercado

B4.3.2 Reinvestimento

Não está previsto qualquer benefício por reinvestimento do valor de realização de valores
mobiliários e de outros instrumentos financeiros realizadas em sede de IRS.

B4.3.3 Taxas de tributação

Residentes:

 O rendimento das mais valias referidas nesta secção é tributado à taxa de 20%, excepto
quando se tratar de alienação de partes sociais de micro e pequenas empresas1 não
cotadas nos mercados regulamentados ou não regulamentado na bolsa de valores, caso
em que considera apenas 50%;
 As menos valias podem ser reportadas nesta categoria de rendimentos nos 2 anos
seguintes ao que respeita caso se tenha optado pelo englobamento;

 Em caso de alienação de acções detidas por um prazo superior a um ano, não existe
incidência de mais valias se estas foram detidas por SGPS – Sociedades Gestoras de
Participações Sociais, com excepção das que respeitem a sociedades cujo activo seja
constituído por imóveis, ou direitos reais sobre bens imóveis, em mais de 50%.

Não Residentes:

 O rendimento das mais valias é tributado a uma taxa especial de 20%.

B4.4 Outros factos geradores de incidência de tributação sobre +- valias

1
O conceito de micro e pequena empresa está definido no Decreto Lei nº 372/2007 de 6 de Novembro.
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São ainda sujeitos a mais valias, os ganhos obtidos:

- Alienação onerosa da propriedade intelectual ou industrial ou de experiência adquirida no


sector comercial, industrial ou científico, quando o transmitente não seja o seu titular
originário;

- Cessão onerosa de posições contratuais ou outros direitos inerentes a contratos relativos a


bens imóveis;

- Atribuição aos sócios de sociedades comerciais em resultado da partilha.

O ganho sujeito a mais valias, corresponde, respectivamente, a:

- Em caso de alienação da propriedade intelectual ou industrial, pela diferença entre o valor


de realização e o valor de aquisição, a qual será considerado em 50% para efeitos de
englobamento na matéria colectável;

- Em caso de cedência de posição, a importância recebida pelo cedente, deduzida do preço


por que eventualmente tenha obtido os direitos e bens objecto de cessão;
- Em caso de partilha o excedente entre a diferença do valor atribuído (VAT) e o valor de
aquisição da quota (VAQ) e a diferença do valor atribuído e o valor nominal (VN) da quota:

MV = [ (VAT – VAQ) - (VAT – VN)] > 0

Exemplo 10
Foi liquidada a sociedade por quotas SQ, tendo os seus 2 sócios, Sr. A e Sr. B, recebido
o resultado da partilha. O valor da partilha foi de 725.000 euros, cabendo ao sócio A
60% e ao sócio B 40%, de acordo com as respectivas participações sociais.

O capital social da sociedade SQ era de 100.000 euros, sendo que o sócio A vem desde
o momento de constituição da empresa onde realizou a sua quota de 60% pelo valor
nominal e o sócio B adquiriu a sua quota no ano N-6 por um valor de 38.000 euros.

Apurar a mais valia decorrente desta operação de partilha.

Resolução do Exemplo 10

Sócio A
Valor atribuido na partilha (725.000 * 60%) 435.000 €
Valor nominal da quota (100.000 * 60%) 60.000 €
Valor de aquisição (= ao valor nominall) 60.000 €
Mais valia [(435.000-60.000)-(435.000-60.000)] 0 €
Sócio B
Valor atribuido na partilha (725.000 * 40%) 290.000 €
Valor nominal da quota (100.000 * 40%) 40.000 €
Valor de aquisição 38.000 €
Mais valia [(290.000-38.000)-(290.000-40.000)] 2.000 €
Observação: O restante ganho é rendimento de capitais

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ANEXOS

ANEXO 1 - Portaria n.º 785/2010, de 23 de Agosto

ANEXO 2 – Cópia da Declaração de Rendimentos Mod 22

ANEXO 3 – Quadro de Apuramento das Mais e Menos valias

ANEXO 4 – Anexo G da Declaração de Rendimentos Modelo 3

ANEXO 5 – Anexo G1 da Declaração de Rendimentos Modelo 3

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