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Ancha Carlos de Castro José


Chauale Chame
Isaquiel Agostinho

Perturbação de Aprendizagem e do Comportamento


(Licenciatura em Ensino de Química)

Universidade Rovuma
Nampula
2019
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Ancha Carlos de Castro José


Chauale Chame
Isaquiel Agostinho

Perturbação de Aprendizagem e do Comportamento

Seminário de Carácter Avaliativo


Referente a Cadeira de Psicologia de
Aprendizagem a Ser Apresentado na
Faculdade de Ciências Naturais,
Matemática e Estatística, Orientado pela
Docente:
MA. Sónia da Conceição Duarte Giguira

Universidade Rovuma
Nampula
2019
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Índice
Introdução ......................................................................................................................... 3
Objectivos ......................................................................................................................... 3
Geral ................................................................................................................................. 3
Especifico ......................................................................................................................... 3
1. Perturbações de Aprendizagem e do comportamento .................................................. 4
1.1. Conceitos ................................................................................................................... 4
1.2. Tipos de perturbações de aprendizagem .................................................................... 5
1.2.1 A Dificuldade de leitura - A dislexia ....................................................................... 5
1.2.1.1. Sinais Indicadores ................................................................................................ 5
1.2.1.2. Diagnóstico da dislexia........................................................................................ 6
1.2.1.3. Problemas Comportamentais e Escolares: ........................................................... 6
1.2.2. Dificuldades de Cálculo – discalculia .................................................................... 6
1.2.1. Sinais indicadores ................................................................................................... 7
1.2.2. Causas da Discalculia ............................................................................................. 7
1.2.3. Diagnóstico da discalculia ...................................................................................... 8
1.2.4. Dificuldades da escrita - disgrafia .......................................................................... 8
1.2.4.1. Sinais Indicadores ................................................................................................ 8
1.2.4.2. Causas da disgrafia .............................................................................................. 8
1.2.4.3. Possíveis vias de solução da disgrafia ................................................................. 9
1.2.5. Dificuldades do desvio correcto de escrita – Disortografia .................................... 9
1.2.5.1. Sinais Indicadores Disortografia ......................................................................... 9
1.2.5.2. Causas da Disortografia ..................................................................................... 10
1.2.5.3. Possíveis vias de solução da Disortografia ........................................................ 10
2. Conclusões .................................................................................................................. 11
Bibliografia ..................................................................................................................... 12
3

Introdução
O campo das dificuldades de aprendizagem e dos problemas comportamentais é
notoriamente complexo e diversificado, não só pelo número de crianças que nele podem
ser incluídas, mas também pelo leque de profissionais que directa ou indirectamente, se
relacionam com estas problemáticas. Foi e continua a ser uma das principais
preocupações de educadores, pais e de todos aqueles que trabalham em contextos
educativos.
Como consequência desta complexidade e diversidade, as dificuldades de aprendizagem
e os problemas comportamentais têm vindo a ser encarados sob perspectivas diversas e
apesar das inúmeras investigações neste campo, continuam por esclarecer algumas
questões básicas, quando se pretende actuar com segurança na resolução destes
problemas, nomeadamente a nível da avaliação e diagnóstico.
Embora não exista uma associação clara entre dificuldades de aprendizagem e
problemas comportamentais, diversos estudos referem o facto de que estas crianças e
adolescentes estão sujeitos a um maior número de retenções e maior número de
referências para a educação especial.

Objectivos
Geral
 Descrever as Perturbação de Aprendizagem e do Comportamento

Especifico
 Identificar as principais perturbações de aprendizagem e do comportamento;
 Descrever as suas manifestações;
 Apontar as suas causas e analisar o impacto dessas perturbações na inserção escolar
e social dos alunos por elas afectados.
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1. Perturbações de Aprendizagem e do comportamento


1.1. Conceitos
De acordo com a AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATON - APA (2002) op. cit.
USSENE & SIMBINE, (2015, p. 47) há dificuldades ou perturbações da
aprendizagem quando o rendimento individual nas provas habituais de leitura,
aritmética ou escrita for substancialmente inferior ao esperado para a idade, para o nível
de escolaridade ou para o nível intelectual.
Dificuldades de Aprendizagem – é um atraso, desordem o imaturidade num ou mais
processos de linguagem falada, da leitura, da ortografia, da caligrafia ou da aritmética,
resultantes de uma possível disfunção cerebral e/ou distúrbio de comportamento e não
dependente de uma deficiência mental, de uma privação sensorial, de uma privação
cultural ou de um conjunto de factores pedagógicos (USSENE & SIMBINE, 2015).

Dificuldades de aprendizagem é um termo geral que se refere a um grupo heterogéneo


de distúrbios manifestados por dificuldades significativas na aquisição e uso da audição,
fala, leitura, escrita, raciocínio ou competências matemáticas.
As perturbações de aprendizagem são casos relacionados a imperfeição de leitura, fazer
cálculos e outros aspectos relacionados a aprendizagem conforme explicam:
As dificuldades de aprendizagem específica significa uma
perturbação num ou mais dos processos psicológicos básicos
envolvidos na compreensão ou utilização da língua falada ou escrita
que pode manifestar-se por uma aptidão imperfeita de escutar, pensar,
ler, soletrar ou fazer cálculos matemáticos. O termo não engloba
crianças que tem problemas resultantes de deficiências visuais,
auditivas ou motoras de deficiência mental, de perturbações
emocional ou de desvantagens ambientais, culturais, ou económicas.
(CORREIA e MARTINS, s/d, p, 7).
Considera-se perturbação do comportamento quando esta se evidencia pela violação
das normas, discrepância ou não correspondência aos conselhos e recomendações
recebidos e que se diferencia do comportamento daqueles que se enquadram nas
exigências normativas da família, escola e sociedade (USSENE & SIMBINE, 2015).
Silva (2008, p. 4), defende que as perturbações do comportamento é uma conduta
destrutiva, Agressiva e/ou desafiadora podendo ser considerada leve, moderada ou
severa.
Segundo (APA, 2002, apud ROSANDO, 2013, p. 118), a Perturbação do
Comportamento é Caracterizada pela ocorrência de um padrão de comportamento
5

persistente e repetitivo no qual são violados direitos básicos de terceiros ou importantes


regras e normas sociais próprias para a idade do sujeito.

1.2. Tipos de perturbações de aprendizagem


As dificuldades da aprendizagem podem ser classificadas como dificuldades de
leitura – dislexia, dificuldades de cálculo – discalcolia, dificuldades de escrita –
disgrafia e, dificuldades do desvio correcto de escrita – disortografia (RIDEAU, 1977).

1.2.1 A Dificuldade de leitura - A dislexia


A dislexia é entendida como uma dificuldade em identificar, compreender e reproduzir
os símbolos, o que origina problemas na aprendizagem da leitura e da ortografia
(RIDEAU, 1977).

1.2.1.1. Sinais Indicadores


Na expressão oral
 Têm dificuldade em seleccionar as palavras adequadas para comunicar (tanto oral,
como escrito);
 Revelam pobreza de vocabulário;
 Elaboram frases curtas e simples e têm dificuldade na articulação de ideias;

Na leitura/escrita
 Fazem uma soletração defeituosa (lêem palavra por palavra, sílaba por sílaba, ou
reconhecem letras isoladamente sem conseguir ler);
 Na leitura silenciosa, murmuram ou movimentam os lábios;
 Apresentam problemas de compreensão semântica (na interpretação de textos);
 Revelam dificuldades acentuadas ao nível da consciência fonológica, isto é, na
tomada de consciência de que as palavras faladas e escritas são constituídas por
fonemas;
 Confundem/invertem/substituem letras, sílabas ou palavras;
 Na escrita espontânea (composições/redacções) mostram severas complicações
(dificuldades na composição e organização de ideias).
6

Fig. 1. Áreas do cérebro responsáveis pela linguagem. In: Shaywitz (2003, cit. por Pinheiro, 2009)

1.2.1.2. Diagnóstico da dislexia


Para resolver ou minimizar os efeitos da dislexia, devem ser aplicadas técnicas de
ensino que facilitem a aquisição dos primeiros passos em direcção a escrita, como por
exemplo, iniciar com a aprendizagem do alfabeto, de seguida, associar as letras em
sílabas e depois, passar às palavras e à junção destas para formar períodos. Importa
salientar que, para o sucesso da actividade de recuperação é indispensável a colaboração
do educador, professor, pais e a criança.

1.2.1.3. Problemas Comportamentais e Escolares:


 Ansiedade, insegurança;
 Auto-conceito baixo;
 Aparecimento de condutas típicas de etapas ou anos anteriores e perturbações
psicossomáticas;
 Comportamentos agressivos para com os colegas na tentativa de compensar o seu
problema ou fracasso escolar através da popularidade;
 Grande desinteresse pelo estudo;
 Falta de motivação e de curiosidade;

1.2.2. Dificuldades de Cálculo – discalculia


Trata-se de uma dificuldade em aprender o cálculo elementar nas crianças que em
outras matérias podem até ter um bom nível escolar intelectual.
Traduz-se pela dificuldade em integrar as noções numéricas, em compreender o
mecanismo da numeração, as operações simples como adição, divisão, subtracção entre
7

outras. As dificuldades dizem respeito à integração e utilização dos símbolos numéricos


(RIDEAU, 1977).
A dificuldade segundo a APA (2002), medida através de provas normalizadas de
cálculo, realizadas individualmente, revela uma capacidade situada abaixo do nível
esperado em função da idade cronológica do sujeito, quociente de inteligência e
escolaridade própria para a sua idade.
Uma criança que é portadora desta dificuldade apresenta maus resultados em cálculo,
principalmente a partir da escola primária. Quando a criança se encontra face a
problemas que necessitem de um raciocínio pessoal, não consegue saber que operação
deve utilizar para conseguir a solução, hesita no caminho a seguir e não descobre o que
realmente deverá fazer.

1.2.1. Sinais indicadores


Uma criança discalcúlica apresenta dificuldades a vários níveis
 Na compreensão e memorização de conceitos matemáticos, regras, símbolos e/ou
fórmulas;
 Na sequenciação de números (antecessor e sucessor) ou em dizer qual de dois é o
maior;
 Na diferenciação de esquerda/direita e de direcções (norte, sul, este, oeste);
 Na compreensão de unidades de medida; - em tarefas que impliquem a passagem de
tempo (ver as horas em relógios analógicos);
 Em tarefas que implicam lidar com dinheiro;
 Dificuldades nos cálculos;
 Dificuldade na compreensão do valor das moedas;

1.2.2. Causas da Discalculia


Rideau (1977) afirma que as causas ainda não são perfeitamente conhecidas. Porém,
indica que as discalcolia podem ser encontradas em crianças:
 Com uma lesão cerebral sensorial ou intelectual;
 Doentes motores cerebrais e surdos;
 Também pode ser encontrada em crianças com grandes problemas afectivos
anteriores a idade escolar.
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1.2.3. Diagnóstico da discalculia


Para minimizar os problemas da discalcolia devem favorecer-se actividades como:
realização de exercícios que tenham em vista favorecer o espírito de investigação, de
raciocínio, de criação, estimulando a evocação verbal e fazendo com que a criança
adquira a noção de número e das diferentes operações e é necessário estimular,
encorajar e recompensá-la constantemente (RIDEAU, 1977).

1.2.4. Dificuldades da escrita - disgrafia


Essa dificuldade é marcada pela dificuldade em aprender a escrever tendo em conta a
idade cronológica da criança, o seu quoficiente de inteligência (Q.I) e o nível de
escolaridade próprio da sua idade (USSENE & SIMBINE, 2015).

1.2.4.1. Sinais Indicadores


A criança deverá revelar o conjunto (ou a quase totalidade) das seguintes condições:
 Letra excessivamente grande (macrografia) ou pequena (micrografia);
 Forma das letras irreconhecíveis (por vezes distorcem, inclinam ou simplificam
tanto as letras que a escrita é praticamente indecifrável);
 Traçado exagerado e grosso (que vinca o papel) ou demasiado suave e
imperceptível;
 Grafismo trémulo ou com uma marcada irregularidade, originando variações no
tamanhos dos grafemas;
 Escrita demasiado rápida ou lenta;
 Espaçamento irregular das letras ou das palavras, que podem aparecer desligadas,
sobrepostas ou ilegíveis ou, pelo contrário, demasiado juntas;
 Erros e borrões que quase não deixam possibilidade para a leitura da escrita (embora
as crianças sejam capazes de ler o que escrevem);
 Desorganização geral na folha/texto;
 Utilização incorrecta do instrumento com que escrevem (Ajuriaguerra et al., 1973 e
Casas, 1988, cits. por Cruz, 2009; Torres & Fernández, 2001).

1.2.4.2. Causas da disgrafia


Segundo Rideau (1977) a disgrafia tem como causas:
 A aprendizagem prematura;
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 As carências educativas
 As perturbações da motricidade como tremores, contracções, paralisias.

Cinel (2003), apresenta-nos cinco grupos de causas promotoras da disgrafia:


 Distúrbios na motricidade ampla e fina, relacionados com a falta de coordenação
entre o que a criança se propõe fazer (intenção) e o que realiza (perturbações no
domínio do corpo);
 Distúrbios na coordenação viso – motora, associada à dificuldade no
acompanhamento (visual) do movimento dos membros superiores e/ou inferiores;
 Deficiência na organização temporoespacial (direita/esquerda, frente/atrás/lado e
antes/depois);
 Problemas na lateralidade e direccionalidade (dominância manual);
 Erros pedagógicos, relacionados com falhas no processo de ensino, estratégias
inadequadamente escolhidas pelos docentes ou mesmo desconhecimento deste
problema.

1.2.4.3. Possíveis vias de solução da disgrafia


É necessário utilizar técnicas especializadas que permitam a recuperação de uma
motricidade adaptada (supressão da rigidez ao nível da mão e do antebraço).

1.2.5. Dificuldades do desvio correcto de escrita – Disortografia


Etimologicamente, disortografia deriva dos conceitos “dis” (desvio) + “orto” (correcto)
+ “grafia” (escrita), ou seja, é uma dificuldade manifestada por “um conjunto de erros
da escrita que afectam a palavra, mas não o seu traçado ou grafia” (VIDAL, 1989, cit.
por TORRES & FERNÁNDEZ, 2001, p. 76), pois uma criança disortográfica não é,
forçosamente, disgráfica.

1.2.5.1. Sinais Indicadores Disortografia


 De má memória visual;
 De falta de atenção;
 Do reconhecimento inexacto das letras: da sua natureza (surdas ou sonoras), da sua
forma e da sua orientação (confusão e letras e grafia semelhante: p, b, d, q, por
exemplo) e do lugar destas nas sílabas ou nas palavras;
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 De má aprendizagem da leitura (Janela será escrito ganela; a criança ignora que o g


se lê de uma forma diferente antes de a, o, u);
 De uma compreensão melhor ou pior da linguagem: o aluno não percebe
nitidamente da estrutura da frase e das várias palavras que a compõem;
 De ligeiras deficiências auditivas (o aluno não ouve as letras situadas em certas
frequências, particularmente em frequências agudas, e por isso não as transcreve).

1.2.5.2. Causas da Disortografia


Citoler (1996, cit. por Cruz, 2009) apresenta como factores potencialmente
justificativos das dificuldades disortográficas:
 Problemas na automatização dos procedimentos da escrita, que se traduzem na
produção deficiente de textos;
 Estratégias de ensino imaturas ou ineficazes, com a consequente ignorância das
regras de composição escrita;
 Desconhecimento ou dificuldade em recordar os processos e sub-processos
implicados na escrita (carência nas capacidades metacognitivas de regulação e
controlo desta actividade).

1.2.5.3. Possíveis vias de solução da Disortografia


O aluno com disortografia não deve obedecer a um único modelo em concreto, mas sim
a uma variedade de técnicas que tenham em conta não apenas a correcção dos erros
ortográficos, mas também a percepção auditiva, visual e espácio-temporal, bem como a
memória auditiva e visual (CORREIA, 2008, p. 56).
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2. Conclusões
Após a revisão da literatura podemos apresentar algumas conclusões em relação a
dificuldade de aprendizagem. Quer dizer que as crianças que, por exemplo, são
portadoras da dislexia, serão ao mesmo tempo portadoras da disgrafia e da discalcolia.
Concluímos também que as dificuldades de aprendizagem devem ser diagnosticadas
quando o rendimento escolar individual nas provas de escrita, leitura ou cálculo for
substancialmente inferior ao esperado para a idade cronológica da criança, o seu nível
de escolaridade ou o seu nível intelectual. Notamos ainda que, as dificuldades de
aprendizagem interferem negativa e significativamente no rendimento escolar e nas
actividades do quotidiano que exijam aptidões de leitura, escrita e cálculo.
As dificuldades de aprendizagem também são motivo de desmoralização, da baixa de
auto-estima e défices nas aptidões sociais e, consequentemente, contribuem para o
abandono escolar e dificuldades de inserção social de indivíduos portadores dessas
dificuldades.
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Bibliografia
APA. Manual de Diagnostico e Estatística das Perturbações Mentais, 4. Ed. Lisboa,
Climepsi Editores, 2002.
CORREIA, L. M. Alunos com Necessidades Educativas Especiais nas Classes
Regulares. Colecção Educação Especial. Porto: Porto Editora, 1999.
CORREIA, L. M. Dificuldades de Aprendizagem Específicas – Contributos para uma
definição portuguesa. Colecção Impacto Educacional. Porto: Porto Editora, 2008.
MESQUITA, R. & DUARTE, F. Dicionário de Psicologia, Plátano Editora, Lisboa,
1996.
RIDEAU, A., 400 Dificuldades e Problemas das Crianças: perguntas e respostas.
Verbo, Lisboa/São Paulo, 1977.
SPRINTHALL, N. A. & ESPRINTHALL, R. C. Psicologia Educacional: uma
abordagem desenvolvimentista. Editor McGraw-Hill de Portugal, Portugal, 2001.
TORRES, R. & FERNÁNDEZ, P. Dislexia, Disortografia e Disgrafia. Amadora:
McGrawHill, 2001.