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TEORIA DA HISTÓRIA

E HISTORIOGRAFIA

Eduardo Pacheco Freitas


O conceito de história
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:

 Apontar os fundamentos da história como ciência.


 Descrever as correntes historiográficas do positivismo, marxismo
e nova história.
 Reconhecer a importância do contexto histórico para a análise
dos fatos.

Introdução
Definir se a história é ou não é uma ciência faz parte de um debate
aparentemente eterno dentro do campo da história. Nenhum historiador
poderá ficar indiferente a esta discussão, devendo confrontar o pro-
blema mais cedo ou mais tarde. A importância de realizar essa reflexão
é que, a partir dela, o trabalho do historiador pode ganhar contornos
mais precisos, auxiliando sua tarefa como produtor de conhecimento
histórico. Em um ramo do conhecimento que possui tantas tendências
relevantes e diversos paradigmas, conhecê-los e estar apto a fazer sua
crítica é outra característica essencial para um bom historiador. Ademais,
o domínio dos conceitos e a sua correta aplicação para evitar o erro
do anacronismo são fundamentais para o correto desenvolvimento de
um trabalho histórico.
Neste capítulo, você vai conhecer a discussão sobre a cientificidade
da história e quais os principais fundamentos da história como ciência.
Além disso, vai aprender sobre as principais correntes historiográficas
surgidas a partir do século XIX. Por fim, você vai refletir sobre a impor-
tância do contexto histórico e do uso dos conceitos para a análise dos
fatos históricos.
2 O conceito de história

Afinal, a história é uma ciência?


Em seus estudos, você descobrirá que até hoje existem historiadores que
debatem se seu ramo do conhecimento humano se trata de uma ciência ou
não. Essa discussão envolve sobretudo o questionamento das possibilidades
de se conhecer objetivamente o passado. Isso significa que, de uma certa
perspectiva, o uso de teorias e métodos permite que a história seja uma ciência;
sob outra ótica, pode-se dizer que a escrita da história é apenas um discurso
autorreferente. Nesta primeira seção, você conhecerá as características de
ambas as correntes, bem como historiadores que representam cada uma delas.
Além disso, você conhecerá os fundamentos da história enquanto ciência.

Os primórdios da história científica


A história, como ramo independente do conhecimento humano, existe desde
a Antiguidade. Os gregos foram os primeiros a produzir trabalhos envol-
vendo a sua própria história e a de outros povos. Nesse sentido, Heródoto de
Halicarnasso (séc. V a.C.) frequentemente é tido como o “pai” da história.
Sua obra mais conhecida, Histórias, traz relatos de suas viagens e conversas
com habitantes de lugares distantes, possibilitando ao autor discorrer sobre
costumes tanto de gregos quanto de outros povos. Contudo, esse tipo de fazer
historiográfico carecia de métodos precisos e de um instrumental teórico.
Portanto, não se tratava ainda de uma história científica.
A história científica irá surgir somente na virada do século XVIII para o
século XIX, momento em que a ciência como um todo passa a avançar con-
sideravelmente em pouco tempo. Na história científica, que aparece após a
Revolução Francesa, exige-se rigor no trato das fontes, cuja autenticidade deve
ser verificada, e a teoria passa a ocupar papel fundamental para a interpretação
dos acontecimentos do passado narrado pelo historiador, agora profissiona-
lizado. Portanto, foi somente nos últimos 200 anos que os pesquisadores da
história buscaram traçar fronteiras mais nítidas entre o discurso narrativo
histórico e a narrativa literária ou poética. De acordo com Moscateli (2005,
documento on-line): “[...] o século XIX assistiu ao esforço dos historiadores
para institucionalizar sua área de estudos por meio de uma ruptura da história
em relação à arte e à filosofia”.
O nome mais importante na institucionalização da história como ciência foi
o do alemão Leopold von Ranke (1797–1886). Assim como Heródoto foi o “pai”
da história, Ranke é considerado o “pai” da história científica, e isso se deve ao
fato dele ter posto em marcha uma verdadeira revolução no modo de produzir
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conhecimento histórico. Em primeiro lugar, Ranke determinou a importância do


uso das fontes primárias para o trabalho do historiador. Até então, não havia essa
preocupação, o que acabava afetando a credibilidade dos trabalhos históricos.
No entanto, deve-se ressaltar que, apesar deste ter sido um importante passo
na criação da história científica, Ranke dava atenção especial somente aos
documentos produzidos pelo Estado, de forma que pudesse escrever sua história.
Por outro lado, Ranke acreditava na total separação entre o historiador
(sujeito) e o passado (objeto), defendendo que o seu trabalho deveria ser exe-
cutado de forma neutra, com o historiador deixando de lado suas vivências,
preferências e características pessoais, formando assim um processo de com-
pleta objetividade. Os fundamentos para essa perspectiva estavam no seu
método. De acordo com os princípios metodológicos de Ranke, não caberia
ao historiador julgar o passado, devendo se ater, em vez disso, ao relato do
que de fato havia acontecido, sem juízos de valor. Isso só seria possível se
o historiador escapasse de todos os condicionamentos sociais capazes de
interferir no objeto sobre o qual se ocupa em seu ofício. Para produzir sua
narrativa científica, o historiador deveria efetuar a crítica rigorosa das fontes
(documentos escritos), organizados cronologicamente e sem especulações
filosóficas sobre seus conteúdos. Ao obedecer a essas regras, surgiria a história
como ciência (BOURDÉ; MARTIN, 1983)
Contudo, apesar de suas pretensões, isso ainda não garante uma história
plenamente científica, justamente por descartar a utilização de teorias e, desse
modo, a formulação de hipóteses. No entanto, Ranke deu os primeiros passos
na formulação de uma história-ciência, que seriam seguidos pela chamada
Escola Metódica, influenciada pelo positivismo e fundada por Gabriel Mo-
nod (1844–1912), Charles Seignobos (1854–1942) e Charles-Victor Langlois
(1863–1929), no final do século XIX. Tal tradição científica prosseguiu com
o marxismo e a Escola dos Annales no século XX.

Os fundamentos da história como ciência


Ao refletir sobre as relações entre o historiador e seu objeto de pesquisa (o
passado), face à lógica específica de que os fatos históricos devem ser tratados
a partir de uma perspectiva científica, Reis (2010, p. 26) afirma:

O historiador não está condenado a registrar fatos, a constatá-los. Ele raciocina


sobre eles, busca a sua inteligibilidade, atribuindo-lhes sentido, pensando
as possibilidades objetivas e os seus desdobramentos. Afinal, pensar não é
registrar, mas considerar caminhos possíveis, alternativas.
4 O conceito de história

Portanto, é fundamental que na pesquisa histórica, muito mais do que


elencar nomes, datas e fatos, o historiador desenvolva hipóteses a respeito dos
processos históricos. Dessa forma, é possível estabelecermos que o conheci-
mento histórico é eminentemente racional, pois, ao produzi-lo, o historiador
busca determinar sentidos, criando uma razão histórica, que tem por base
teorias da história. Assim, são construídas análises racionais sobre os objetos
de estudo.
O historiador e filósofo alemão Jörn Rüsen (1938–) é um dos autores de
maior destaque dentro do pensamento contemporâneo a respeito da cientifi-
cidade da história. Para Rüsen, só é possível pensar a história como ciência
se levarmos em consideração os métodos que devem ser aplicados às fontes.
Segundo essa perspectiva, que torna relevante a reflexão do historiador so-
bre o trato que dá ao conjunto de suas fontes, é a partir deste momento que
a construção do conhecimento científico passar a acontecer no âmbito da
história. Em síntese, a definição de um método preciso é um pressuposto
para a ciência histórica.
É isso que irá, primeiramente, diferenciar a narrativa histórica de qualquer
outra forma de narrativa. De acordo com Rüsen (2001, p. 97), a “[...] história
como ciência é a forma peculiar de garantir a validade que as histórias, em geral,
pretendem ter. Histórias narradas com especificidade científica são histórias
cuja validade está garantida mediante uma fundamentação particularmente
bem feita”. Esta “garantia” que Rüsen menciona, que torna científico o conhe-
cimento produzido pelo historiador, reside especificamente na utilização de
teorias para elaborar a experiência do passado em forma de história. Por isso,
tanto quanto o método, a teoria é indispensável na produção historiográfica.
Outro nome importante na fundamentação da história como ciência foi
Marc Bloch, um dos fundadores da Escola dos Annales. Em seu livro Apologia
da História ou o ofício do historiador, ele apresenta suas concepções sobre a
história científica. É nesta obra que Bloch cunha a sua célebre definição de que
a história é “[...] uma ciência dos homens no tempo” (BLOCH, 2001, p. 67).
Decorre desse entendimento o fato de que o conhecimento histórico deve ser
compreendido como produção científica, com suas próprias especificidades
teórico-metodológicas.
Uma das grandes ressalvas feitas pelos autores que não consideram possível
a cientificidade da história é a de que o historiador não tem acesso direto ao
seu objeto (REIS, 2010). No entanto, para Bloch (2001), as ciências não são
definidas única e exclusivamente por seus objetos de estudo. O mais importante,
segundo o autor, é a posição do historiador no processo de investigação, já que
é ele quem determinará seus limites, ou seja, criando os recortes necessários
O conceito de história 5

para o estudo sistemático do objeto. É nesse sentido que assume particular


relevância a definição dos métodos adequados para sua pesquisa e posterior
escrita e comunicação dos resultados. Cabe ressaltar que a aproximação que o
historiador faz dos diversos objetos cria a necessidade de diferentes formas de
abordagem metodológica. Uma metodologia que serve para pesquisar acervos
escritos do século XX possivelmente não servirá para um historiador que
estude a história da pintura renascentista. Dessa forma, estão caracterizados
os procedimentos formais para a construção do conhecimento histórico.

A contestação da história enquanto ciência


Embora grande parte dos autores considere que o conhecimento histórico é
fruto da pesquisa científica rigorosamente metódica, existem historiadores
que apresentam uma perspectiva diversa. Paul Veyne (1930–), em Como se
escreve a história: Foucault revoluciona a história, uma obra do início dos
anos 1980, foi categórico em sentenciar que a história, em hipótese alguma,
pode ser considerada uma ciência.
Para o autor (VEYNE, 1982), os historiadores apresentam pretensões
científicas, mas não teriam condições de revelar qual seu método quando
questionados a respeito. Dessa forma, a história não explicaria nada. Portanto,
ao não possuir método e não apresentar modelos explicativos convincentes, a
ciência histórica dos últimos dois séculos seria uma farsa, existindo somente
na cabeça dos historiadores. Nesse sentido, Veyne (1982, p. 8) coloca a questão
“o que é a história?”, para em seguida responder: “[...] os historiadores narram
fatos reais que têm o homem como ator; a história é um romance real”. Portanto,
a história na visão de Veyne nada mais é do que uma mera narrativa, devido
à sua incapacidade de conhecer objetivamente o passado.
O ataque de Veyne (1982) aos historiadores, deslocando-os do campo cien-
tífico e colocando-os no campo narrativo, não foi isolado. Logo após ser aberto
este novo caminho, outro historiador o seguiu: Hayden White (1928-2018).
White (2008), seguindo na mesma linha de Veyne, contesta o caráter
científico da história e a coloca no campo da literatura. Para o autor de Meta-
-história, o historiador é incapaz de reconstruir os fatos da mesma forma que
ocorreram, devendo, portanto, se afastar dos pendores científicos, de forma a
se aproximar do campo literário, com uma escrita mais livre. De acordo com
White (2008), a linguagem é um fator determinante nos sentidos do texto.
Assim, a racionalidade buscada pelo historiador, com o objetivo de produzir
um conhecimento lógico e estruturado, dá lugar ao estilo literário que estará
na base do discurso histórico. Portanto, na impossibilidade, segundo White
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(2008), de se atingir objetivamente o passado, a narrativa histórica se aproxima


dos outros gêneros de narrativas, sendo autorreferente.
Como visto, o debate dos fundamentos científicos da história permanece
em aberto, com disputas entre duas correntes. No entanto, é crucial que os
historiadores compreendam que essa problemática sobre a natureza do conhe-
cimento históricos deve ser confrontada permanentemente.

Positivismo, marxismo e nova história


Desde as primeiras tentativas de criação de uma história científica, nos primór-
dios do século XIX, o fazer histórico passou por profundas transformações.
A partir deste longo século — que testemunhou o fim do Antigo Regime, a
ascensão da burguesia como classe dominante, a consolidação dos Estados
nacionais, a expansão imperialista, o rápido desenvolvimento das ciências, tanto
as naturais quanto as humanas, e o surgimento de poderosas ideologias — um
novo mundo foi criado. A partir de então, novas formas de encarar a sociedade
e a história surgiram, determinando os rumos das ciências humanas até hoje.
Assim, novas e importantes teorias apareceram, influenciando sobremaneira a
ciência histórica, sendo as mais importantes delas o positivismo, o marxismo
(século XIX) e a nova história (século XX).

Positivismo
O francês Auguste Comte (1798–1857) é geralmente referido como o “pai” da
sociologia. Esse campo do conhecimento não existia até a primeira metade
do século XIX, tendo algumas de suas bases lançadas por Comte. Além
disso, Comte foi o responsável pela criação de uma nova doutrina, chamada
por ele de positivismo. Dentre suas principais características, podemos nos
referir à concepção de que o pesquisador (sujeito) nas ciências humanas pode
posicionar-se de maneira absolutamente neutra perante seu objeto de estudo,
tal qual nas ciências naturais.
Como nos lembram Bourdé e Martin (1983), a ciência positivista era calcada
na ideia da “lei dos três estados”, que seriam as etapas pelas quais o conheci-
mento humano havia passado pela história. A primeira “lei” diz respeito ao
“estado teológico”, no qual o ser humano atribuía os eventos históricos a seres
sobrenaturais; no estado seguinte, o metafísico, os seres sobrenaturais seriam
substituídos pelas abstrações de modo a explicar a história; finalmente, no “es-
tado positivo”, o ser humano busca explicar a realidade pelo método científico.
O conceito de história 7

É importante lembrarmos que os avanços científicos da Revolução Industrial


tiverem forte impacto sobre o imaginário social e sobre a produção intelectual,
como fica evidente na fé depositada por Comte na ciência. A questão é que
essa nova forma de conceber a sociedade teve influência sobre a produção
das ciências humanas, que nesse período passavam a se institucionalizar. É
dessa maneira que surge uma história positivista. Portanto, como nos informa
Fonseca (2009, documento on-line):

Esta história positivista será uma história que, exatamente por acreditar que os
fatos podem ser isolados do sujeito que os confronta (o historiador) e podem
ser percebidos em seus contornos precisos, terá a capacidade de descrever a
verdade sobre os fatos históricos (que a este ponto constituem, para o positi-
vismo, a própria História), pois a análise do objeto pode ser assimilada pela
ciência (aquela ciência que é metodologicamente bem informada — isto é, a
ciência positivista) sem que haja qualquer perda ou redução: o saber histórico
tem a capacidade de reproduzir fielmente os fatos históricos.

Como fica evidente nessa passagem, a história positivista tem pretensões de


objetividade total do historiador frente ao seu objeto, como se ele, o historiador,
pudesse desaparecer por detrás de suas fontes e de sua escrita, sem imprimir
qualquer traço subjetivo de sua personalidade. É precisamente esta busca
pela total neutralidade do historiador que conduzirá os trabalhos de Leopold
von Ranke, um dos primeiros e mais importantes historiadores positivistas.
Ranke foi o criador dessa nova corrente historiográfica conhecida como
científica e/ou positivista. Seus pressupostos advêm do positivismo, buscando
utilizar os métodos das ciências naturais nas ciências humanas, particularmente
na história. No entanto, o autor reduzia muito o seu campo de pesquisa, ao
aceitar somente documentos escritos e oficiais como fontes dignas de créditos.
Dessa forma, a pesquisa histórica de Ranke, embora com pretensões cientí-
ficas, acaba elaborando apenas uma história do Estado. Contudo, esse foco
nos documentos oficiais fundamentou a crítica rigorosa de tal material. Esse
modo de fazer história atravessou as fronteiras da Alemanha e influenciou
uma das mais importantes escolas históricas francesas: a Escola Metódica.
Fundada em torno da Revista Histórica, a Escola Metódica teve como seus
maiores expoentes Charles Seignobos e Charles-Victor Langlois. Ambos pu-
blicaram um trabalho que tinha como objetivo estabelecer os métodos a serem
utilizados na ciência histórica. Essa obra, intitulada Introdução aos Estudos
Históricos, exerceu larga influência sobre as gerações seguintes de historiadores.
Contudo, completamente imbuídos pelo espírito positivista, não conseguiram
superar suas amarras metodológicas e teóricas, já que prosseguiram com o
8 O conceito de história

credo na total separação entre sujeito e objeto. Da mesma forma, permaneceram


impassíveis em relação ao uso exclusivo de fontes oficiais, fixando-se assim
como objeto de suas pesquisas os fatos e os grandes vultos históricos.

Marxismo
Na primeira metade do século XIX, com a publicação do Manifesto Comunista
(1848), Karl Marx (1818–1883) e Friedrich Engels (1820–1895) inauguraram
uma nova e radical concepção da história, conhecida posteriormente por
materialismo histórico-dialético. No Manifesto, redigido sob encomenda em
1847 para a Liga dos Justos, como programa da organização, Marx e Engels
afirmaram que “[...] a história de todas as sociedades até hoje existentes é a
história da luta de classes” (MARX; ENGELS, 2010, p. 40). A partir dessa
simples, mas poderosa frase, todo um novo horizonte teórico se abriria, que
mais tarde seria chamado de marxismo. Segundo a concepção dos autores,
ao longo dos séculos todas as sociedades apresentaram um conflito principal
entre duas grandes classes principais. Na Antiguidade, a oposição se dava entre
senhores e escravos; no período medieval, a contradição social ocorria entre
nobres e plebeus; já na modernidade, com a ascensão da burguesia, que no
seu seio criava o proletariado, o conflito se tornava ainda mais simples, com
uma pequena parcela de burgueses contra a vasta população de proletários.
Para o marxismo, as lutas de classes são o motor da história, pois é a partir
delas que as novas sociedades surgem, suplantando as sociedades anteriores.
Isto ocorre pelos modos como uma sociedade se organiza em relação ao tra-
balho e à produção. Quando um determinado modo de produção se exaure, a
classe que o comandava é destruída por uma nova classe, que estabelece uma
nova forma de produção e circulação de mercadorias. Assim, cada vez que
o modo de produção de uma sociedade é revolucionado, toda a sociedade é
transformada radicalmente.
Para o marxismo, portanto, são as condições concretas da vida, o modo
como os homens reproduzem a sua existência (estrutura), que determinam
em última análise a consciência social e suas instituições política, jurídicas,
religiosas etc. (superestrutura). Segundo essa óptica, toda forma de Estado
é uma ditadura de classe, pois esse Estado é um reflexo da exploração e da
opressão que a classe dominante exerce sobre a classe dominada. O marxismo,
portanto, é uma corrente intelectual materialista, em oposição ao idealismo
alemão originado em Hegel.
O conceito de história 9

No contexto em que Marx (2017) produziu seus escritos, com destaque


para O Capital, uma obra monumental de crítica à economia política, na qual
o funcionamento do capitalismo é dissecado minuciosamente, a burguesia —
que outrora fora uma classe revolucionária, responsável por derrubar o Antigo
Regime — agora encontrava-se plenamente assentada sobre o poder, tornando-se
assim uma classe conservadora e contrarrevolucionária. Portanto, o objetivo da
burguesia seria o de manter seu controle sobre o proletariado, de forma que esse
não se organizasse e viesse, eventualmente, a tomar o seu lugar como classe
dominante, no que o marxismo conceitua como “ditadura do proletariado”.
Para superar sua condição de classe explorada e oprimida, os proletários
deveriam se organizar politicamente, tendo em vista a conquista do poder.
Chegando lá, de acordo com o marxismo, haveria uma etapa de transição, que
é o socialismo, no qual os meios de produção são expropriados, caracterizando
assim a referida ditadura do proletariado. Ou seja, o Estado ainda existe, e
pelo simples fato de sua existência, trata-se de uma ditadura de classe. Porém,
o objetivo final é atingir o comunismo, uma sociedade em que as classes
sociais deixam de existir e, devido a isso, ocorre o definhamento do Estado,
que acabar por sumir. Dessa forma, o marxismo é frequentemente descrito
como uma historiografia “teleológica”, isto é, que visa um fim em um futuro
ainda incerto: a destruição do capitalismo, abrindo o caminho para a sociedade
comunista. Devido a isso, a produção intelectual marxista é praticamente
indissociável da luta política.
Os trabalhos marxistas, em geral, são divididos em humanistas e estrutura-
listas. No marxismo humanista, aquele que se aproxima mais do pensamento
de Marx, o ser humano está no centro de tudo, pois a libertação da humanidade
defendida por Marx visa à realização integral do ser humano. Porém, de acordo
com Marx (1969, p. 17), existem condições pré-determinadas nas quais os
homens se situam na história:

Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não
a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se
defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado. A tradição de
todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos.

Marx reconhece que os seres humanos agem dentro de estruturas herdadas


do passado, e que isso limita a atuação livre de cada um ou de uma sociedade.
No entanto, ao contrário dos estruturalistas, que basicamente fazem uma
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história sem o ser humano, levando em consideração apenas as estruturas


sociais, Marx afirma que são os homens que, no fim das contas, fazem a sua
própria história.
Para Althusser (2017, p. 17), célebre pensador marxista do ramo estrutu-
ralista, Marx em O Capital, sua magnum opus, fez a descoberta de um novo
“continente” científico:

Esta obra gigantesca que é O Capital contém simplesmente uma das três
grandes descobertas científicas de toda a história humana: a descoberta do
sistema de conceitos (portanto, da teoria científica) que abre ao conhecimento
científico aquilo que podemos chamar de “Continente-História”. Antes de
Marx, dois “continentes” de importância comparável já haviam sido “abertos”
ao conhecimento científico: o Continente-Matemática, pelos gregos do século
V a.C., e o Continente-Física, por Galileu.

Dessa forma, é possível percebermos a grande contribuição do marxismo


às mais diversificadas áreas do conhecimento humano, como economia, psica-
nálise, sociologia, filosofia, geografia e artes. Na história, talvez a influência
marxista tenha sido ainda maior, com alguns dos maiores historiadores do
século XX tendo se inscrito nas fileiras do marxismo, como Gordon Childe,
Eric Hobsbawm, Perry Anderson, E. P. Thompson dentre outros. No Brasil,
Caio Prado Júnior, Nelson Werneck Sodré e Ciro Flamarion Cardoso são
alguns dos mais importantes historiadores marxistas.

Desde que Karl Marx publicou seus primeiros trabalhos, no século XIX, o marxismo
esteve no centro dos debates acadêmicos e políticos. Por conta disso, ainda hoje existe
muita confusão sobre o significado dessa corrente intelectual e política conhecida como
marxismo. No podcast a seguir, você irá encontrar um debate entre professores doutores
com visões distintas a respeito do termo, explicando o que é e o que não é marxismo.

https://qrgo.page.link/z2qmd

Nova história
A chamada “nova história” é uma corrente historiográfica que surge em fins
da década de 1960, vinculada à terceira geração da Escola dos Annales. Esta
O conceito de história 11

geração apresentou grandes mudanças em relação às que a precederam. Até


então, por exemplo, mulheres nunca haviam integrado o grupo dos Annales,
mas a partir da terceira geração, diversas historiadoras passaram a compô-lo,
como Christiane Klapisch (especializada em história da família na Idade Média
e Renascimento), Mona Ozouf (que estudou os festivais ocorridos durante a
Revolução Francesa) e Arlette Farge (pesquisadora do mundo social de Paris
no século XVIII) (BURKE, 1997).
Outra diferença importante é que a terceira geração se mostrou mais re-
ceptiva às ideias vindas de outros lugares, com vários de seus membros tendo
estudado nos Estados Unidos, sendo, portanto, capazes de produzir em inglês,
algo que não acontecia com as gerações anteriores. Porém, é no campo dos
novos objetos de estudo histórico que a terceira geração dos Annales fará
uma revolução dentro da já tradicional, àquela altura, escola histórica. Isto é,
novos problemas foram colocados diante dos historiadores.
As inovações se deram sobretudo no campo da história das mentalidades
e no emprego de metodologia quantitativa na história cultural. Dessa forma, a
orientação intelectual de diversos historiadores, de acordo com Burke (1997, p.
81) “[...] transferiu-se da base econômica para a ‘superestrutura’ cultural, ‘do
porão ao sótão’”. Isto significa uma ruptura com o marxismo, que, ao contrário,
vê a estrutura material da sociedade como a base da qual se irradiam os outros
elementos que a constituem. Portanto, ocorre uma transição importante da
história econômica para a história cultural, sendo essa passagem umas das prin-
cipais contribuições historiográficas da terceira geração da Escola dos Annales.
Essa mudança de foco, de acordo com Burke (1997), ocorreu como uma
reação a Braudel, mais especificamente contra o determinismo histórico.
Assim, historiadores como Philippe Ariès (1914–1984) voltaram-se para as
relações entre a natureza e a cultura, produzindo estudos de grande quali-
dade que perscrutavam as conexões entre fenômenos sociais e fenômenos
naturais, tais como a infância, por exemplo. Ariès chegou a conclusões bas-
tante interessantes, ao afirmar, por exemplo, que na Idade Média não havia a
noção de infância tal como a percebemos hoje, com as crianças sendo vistas
como adultos em miniatura, que participavam de todas as situações sociais.
É uma contribuição valiosa para a compreensão da importância do contexto
no trabalho do historiador, que deve evitar incorrer no erro do anacronismo.
É evidente que, sempre que investigamos o passado, nossos valores e nosso
tempo, de maneira mais ou menos intensa, exercerão alguma influência em
nossas conclusões. Contudo, devemos ter em mente que ideias como indivi-
dualidade, privacidade, infância e trabalho não são as mesmas em todos os
lugares e no decorrer do tempo histórico.
12 O conceito de história

Phillipe Ariès foi um dos grandes nomes da terceira geração da Escola dos Annales.
Ariès dedicou seus estudos às questões envolvendo família e infância. Confira no vídeo
a seguir uma pequena biografia deste historiador.

https://qrgo.page.link/9q25M

Outro historiador importante da terceira geração é Jean Delumeau (1923–).


Antes um historiador socioeconômico, acabou se interessando pela psicologia
histórica. Baseando-se nos estudos de psicanalistas marxistas como Wilhelm
Reich (1897–1957) e Erich Fromm (1900–1980), e escreveu a monumental obra
História do medo no ocidente: 1300–1800: uma cidade sitiada, em que traça
um grande panorama dos fatores que amedrontaram as pessoas no período
escolhido (DELUMEAU, 2009). Fantasmas, judeus, mulheres, bruxas foram
alguns dos principais medos da população europeia entre os séculos XIV e
XIX, com alguns deles se tornando mais fortes em determinados períodos
e praticamente desaparecendo em outros, revelando importante dinâmica
histórica e cultural.
Por fim, assumindo que a história é filha de seu tempo, não podemos
desconsiderar a influência do contexto da década de 1960 sobre o apare-
cimento da terceira geração da Escola dos Annales e sobre seu modo de
fazer histórico. No contexto em questão, isto é, da sociedade industrial de
consumo, a percepção de aceleração do tempo se tornou cada vez mais evi-
dente. Certamente, os historiadores também se sentiram afetados por essas
transformações. Isso levou:

[...] os intelectuais ocidentais do pós-guerra a se confrontar com a necessidade


de revisitar sua identidade coletiva em seus aspectos cruciais, definidores. E
isso exigiu-lhes a reafirmação de seu poder sobre o passado, para alcançar uma
história e uma legitimidade que só podiam advir da tradição e da longevidade.
E não temos qualquer dúvida de que devemos situar como parte desse vasto
reexame “da identidade coletiva ocidental” por parte de seus intelectuais os
esforços de desbravamento e inovação historiográficos levados a cabo pela
Nouvelle Histoire (RUST, 2008, documento on-line).
O conceito de história 13

Dessa forma, a aceleração do tempo ocorrida no instante em que a nova


geração dos Annales surgiu fez com que seus historiadores buscassem amparo
na antropologia, na sociologia e na psicologia, privilegiando temas humanos
por excelência, como os medos, a morte, a infância, as superstições, em suma,
as abstrações coletivas.

A importância do contexto histórico

O problema do anacronismo
Observar o contexto histórico é tarefa essencial para o historiador. Um dos pio-
res erros de abordagem que o historiador pode cometer é utilizar conceitos que
fazem sentido na época em que produz seu texto, mas que são completamente
estranhos à época sobre a qual se debruça. A isso chamamos de anacronismo,
ou seja, atribuir a um determinado período histórico ideias, sentimentos,
instituições e outras características gerais que já haviam desaparecido ou
que surgiriam muito tempo depois. Um exemplo claro: um historiador, ao
escrever sobre a forma como os antigos egípcios se organizavam em relação
ao trabalho, jamais poderá utilizar categorias como burguesia ou proletariado,
classes sociais que surgiriam muitos séculos depois. Para Febvre (1968, p. 15
apud RIAUDEL, 2015, documento on-line), o historiador deve evitar a todo
custo o anacronismo, sendo este “[...] o pecado dos pecados, o pecado entre
todos irremissível”.

Para você conhecer uma importante discussão a respeito do anacronismo na história,


leia o livro O problema da incredulidade no século XVI: a religião de Rabelais, de Lucien
Febvre (1878–1956). Na obra, o autor procura rebater as ideias do historiador Abel Lefranc
(1863–1952), para o qual o padre, médico e escritor François Rabelais (1494–1553) seria
partidário de uma espécie de fé racional (ou seja, ateu). Febvre considera isso uma
impossibilidade no século XVI, ou seja, um anacronismo por parte de Lefranc. Para
Febvre, o conceito de ateísmo não existia no século XVI, ao menos como o entendemos
atualmente, tornando impossível a incredulidade naquele período.
14 O conceito de história

No entanto, a questão do anacronismo na história não é tão simples. Mui-


tas palavras que o historiador precisa usar para classificar elementos no seu
objeto de estudo não existiam na época investigada. Entretanto, é necessária
muitas vezes a utilização de vocabulário estranho ao passado, com origens
mais recentes, mas indispensável para a correta compreensão dos fatos, fenô-
menos ou características que o historiador deseja destacar, sem incorrer em
anacronismo. Na época do Papa Gregório (540–604 d.C.), a palavra “papa”
não era utilizada exclusivamente para nomear os líderes da Igreja Católica.
Contudo, é perfeitamente aceitável que, nos dias de hoje, ao nos referirmos
à Gregório, ele seja chamado de papa. Na época em que ele viveu, a palavra
não possuía o sentido que tem hoje, mas ao utilizá-la, o historiador age com
correção, esclarecendo perfeitamente quem foi personagem histórico Papa
Gregório (BARROS, 2017).
De acordo com Barros (2017, documento on-line) “[...] não há uma receita”
que o historiador possa seguir para determinar quais palavras soam como
anacronismo e quais não. No exemplo acima, isso parece funcionar muito
bem, o que já não ocorreria com a palavra “guerrilheiro” ou “guerrilha” para
caracterizar pequenos grupos beligerantes de um passado longínquo. Seria
uma questão de feeling do historiador. Isso se dá dessa forma pois no campo
das palavras de uso cotidiano a questão é mais simples do que no campo
conceitual, que veremos a seguir.

Contexto histórico e o uso preciso dos conceitos


Tendo em vista os cuidados redobrados que o historiador precisa ter para não
cair no erro do anacronismo, uma boa compreensão do contexto histórico
sobre o qual ele dedica seus esforços de pesquisa facilitará enormemente seu
trabalho. Para isso, é fundamental o domínio dos conceitos, de forma a não
atribuir a uma determinada época significados impossíveis. Embora na prática
seja difícil suprimir o descompasso cronológico existente entre duas épocas, é
absolutamente necessário que o historiador procure entender como os homens
e mulheres do passado pensavam e entendiam a vida, para que consiga recriar
da forma mais aproximada possível o “espírito” da época em seu texto.
A dificuldade existente quando um historiador trata de um contexto histó-
rico totalmente diverso do seu implica, de acordo com Barros (2017, documento
on-line), em duas formas principais de anacronismo:
O conceito de história 15

Em um caso, pode ocorrer o anacronismo “de ontem para hoje”. É o que ocorre
quando lemos um texto de outra época e, de modo inaceitável, atribuímos a
certa palavra um sentido que ela não tem hoje, comprometendo toda a inter-
pretação do texto. Em outro caso, pode ocorrer o anacronismo “de hoje para
ontem”. É o que se verifica quando, ao tentar analisar um texto ou processo
histórico do passado, ou ao tentar descrever cenas e acontecimentos históricos,
utilizo uma palavra de hoje (que não existia naquela época) e o resultado é ca-
tastrófico, produzindo incontornáveis estranhamentos e drásticas deformações.

Como visto, exige-se do historiador, no trato de suas fontes, uma precisão


absoluta, tanto em termos de palavras quanto no de conceitos. Em termos
conceituais, o trabalho do historiador apresenta suas próprias especificidades.
Na produção historiográfica, o historiador irá se deparar com dois níveis
de conceitos. O primeiro deles consiste naqueles conceitos com origens dentro
do próprio campo da história, ou das ciências humanas. No segundo nível,
vamos encontrar os conceitos que surgem nas próprias fontes. Dessa forma, o
historiador encontra-se numa posição intermediária, entre duas temporalidades
conceituais. É importante frisar que mesmo conceitos criados pelas ciências
humanas há séculos ainda podem ser utilizados nas pesquisas atuais, ou ao
menos em determinadas perspectivas historiográficas, como os conceitos de
modo de produção e ideologia, por exemplo, amplamente utilizados entre os
historiadores marxistas.
A questão se torna mais complexa quando se trata dos conceitos expressos
pelas fontes. A interpretação pouco precisa ou anacrônica desses conceitos pode
comprometer totalmente a qualidade científica de um trabalho de história. A
natureza do ofício do historiador é que está por traz dessa dupla dificuldade
conceitual, pois a história é a ciência que tem por objeto o passado. Portanto,
o texto do historiador, além dos conceitos que ele utiliza para entender e
explicar o seu objeto, sempre trará os conceitos de outras épocas, expressos
pelas fontes e pela reprodução que o historiador faz delas (BARROS, 2017).
Portanto, ao trabalhar com o tempo e com conceitos, o historiador deve
atentar sobretudo ao contexto histórico. Um exemplo fácil de entender: o con-
ceito de Idade das Trevas, frequentemente utilizado não só pelos historiadores
como pelo senso comum. É evidente que os homens e mulheres que viviam
no período medieval não viam sua própria existência como dentro de uma
“Idade das Trevas”. Portanto, quando usamos esse conceito devemos ter em
mente que ele tem sua historicidade e surge em um determinado ponto muito
16 O conceito de história

específico do tempo, durante o Renascimento. Como houve um importante


movimento intelectual e artístico nesse período que se voltava para a Antigui-
dade Clássica, passou-se a se considerar o período histórico imediatamente
anterior como um período no qual o obscurantismo dominara a sociedade,
mergulhando-a nas trevas.
Como visto, a natureza duplamente conceitual do historiador torna seu
trabalho mais complexo, sobretudo quando consciente de que é fundamental
compreender bem os diferentes contextos históricos. Além da consciência da
historicidade do objeto de estudo em si, é fundamental que o historiador se
conscientize sobre a historicidade dos conceitos também. Os conceitos servem
para que a produção do conhecimento se torne possível; portanto, seu manejo
deve ser hábil, de maneira que o anacronismo seja evitado e assim não seja
comprometida a veracidade do trabalho histórico.

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