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Universidade Católica de Moçambique

Instituto de Ensino a Distância – IED


Centro de Recurso de Maputo

A FINALIDADE DA FILOSOFIA MOÇAMBICANA

Nome e Código do Estudante

Olga Alexandre Chau Chambela - 708190901

Curso: Administração Pública

Disciplina e o Código: Introdução à Filosofia – A0010

Ano de frequência: 2o Ano

Maputo, Junho 2020


Índice
1. Introdução...........................................................................................................................................1

2. Objectivos............................................................................................................................................2

2.1. Geral:...........................................................................................................................................2

2.2. Específicos:..................................................................................................................................2

3. Metodologia........................................................................................................................................2

4. Filosofia...............................................................................................................................................3

4.1. Conceito.......................................................................................................................................3

4.2. Etimologia....................................................................................................................................3

4.3. Filosofia política e sua relação com a política......................................................................................3

4.4. A intervenção da filosofia na perspectiva política moçambicana................................................4

4.5. A intervenção da filosofia na perspectiva cultural moçambicana................................................5

5. A finalidade da filosofia em Moçambique...........................................................................................6

6. Conclusão............................................................................................................................................8

7. Bibliografia...........................................................................................................................................9
1. Introdução

Este trabalho tem por objecto de estudo, a reflecção sobre a finalidade da filosofia na sociedade
moçambicana. Tendo em vista que, em sentido geral, a filosofia é associada à sabedoria, cultura
intelectual e à busca de conhecimento. Nesse contexto, todas as culturas e sociedades letradas
fazem perguntas filosóficas como "como viver" e "qual é a natureza da realidade". Como uma
concepção ampla e imparcial, a filosofia serve de investigação fundamentada em assuntos como
realidade, moralidade e vida em todas as civilizações do mundo. Faremos então uma análise
referente a inserção da filosofia no modo de vida, cultura entre outros pontos relevantes ao
estudo.

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2. Objectivos

2.1. Geral:

 Estudar a finalidade da filosofia na sociedade Moçambicana

2.2. Específicos:

 Definir o conceito de filosofia;


 Apresentar a inserção da filosofia na política e cultura Moçambicana;
 Mencionar os benefícios da filosofia na sociedade Moçambicana.

3. Metodologia

Este estudo requer abordagem bibliográfica, pois segundo[ CITATION Ant19 \l 2070 ], a pesquisa
bibliográfica consiste no levantamento de informações e conhecimentos acerca de um tema a
partir de diferentes materiais bibliográficos já publicados, colocando em diálogo diferentes
autores e dados, escolheu-se adoptar esse método, pois pretende-se conhecer os principais
factores que demonstram a finalidade da filosofia na sociedade moçambicana.

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4. Filosofia

4.1. Conceito

Filosofia (do grego Φιλοσοφία, philosophia, literalmente "amor pela sabedoria") é o estudo de
questões gerais e fundamentais sobre a existência, conhecimento, valores, razão, mente, e
linguagem; frequentemente colocadas como problemas a se resolver. O termo provavelmente foi
cunhado por Pitágoras (c. 570 – 495 BCE). Os métodos filosóficos incluem o questionamento, a
discussão crítica, o argumento racional e a apresentação sistemática. As questões filosóficas
clássicas incluem: É possível saber qualquer coisa e provar que se sabe? O que é mais real? Os
filósofos também colocam questões mais práticas e concretas, como: Existe uma maneira melhor
de se viver? É melhor ser justo ou injusto (se houver como se safar)? Os seres humanos têm livre
arbítrio?

Historicamente, a "filosofia" englobava qualquer corpo de conhecimento. Desde o tempo do


filósofo grego antigo Aristóteles até o século XIX, a "filosofia natural" abrangia a astronomia, a
medicina e a física. Por exemplo a obra de Newton, Philosophiæ Naturalis Principia
Mathematica (1687) mais tarde classificada como um livro de física. No século XIX, o
crescimento das universidades de pesquisa modernas levou a filosofia acadêmica e outras
disciplinas a se profissionalizar e se especializar.[ CITATION Wik01 \l 2070 ]

4.2. Etimologia
O termo filosofia é composto de dois gregos: philos que significa amigo de, amante de, afeiçoado
á, que gosta de, que tem gosto em, que se compraz em, que busca com afã, que anseia, etc., e
sophia, que significa, sabedoria, saber, ciência, conhecimento, etc. Assim pois,
etimologicamente, o termo filosofia significa: amor á sabedoria, gosto pelo saber. [CITATION UNI \l
2070 ]

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4.3. Filosofia política e sua relação com a política
A filosofia política, ocupa-se dos problemas relacionados com a origem do Estado, a sua
organização, a sua forma ideal, a sua função e o seu fim específico, a natureza da acção política e
as suas relações com a moral, a relação entre o Estado e o indivíduo, entre o Estado e a Igreja e
entre o Estado e os partidos políticos.

É de notar que a Filosofia política se alimenta das práticas políticas, ou seja dos acontecimentos
políticos levados a cabo por políticos e por aqueles que pensam o facto político. Daí a
necessidade de haver filósofos políticos em todas as fases do desenvolvimento da vida da
sociedade.

A Filosofia procura compreender e esclarecer os conceitos de justiça, bem comum de Estado,


tolerância, sociedade e até o próprio conceito de política. Por conseguinte, as decisões políticas
deveriam ser sempre objecto de apreciação filosófica antes de serem implementadas.

O filósofo político é alguém que analisa criticamente a sociedade (identifica aspectos positivos e
negativos) e aponta soluções filosóficas para os problemas identificados. Por esta razão, em
algumas sociedades, o filósofo não é bem-vindo pelos governantes, pois é considerado um
perturbador da sociedade.[ CITATION Edu10 \l 2070 ]

4.4. A intervenção da filosofia na perspectiva política moçambicana


Segundo [ CITATION Lor191 \l 2070 ], em 1994 com a proclamação de uma Nação
Democrática em Moçambique, após o fim da guerra civil, a nação passou a reconhecer os
sujeitos como partícipes da vida da sociedade e do Estado, proclamando em sua constituição que
“Todos se reconhecem actores e sujeitos da história, ou seja, um partido único não pode ser o
dirigente da sociedade e do Estado”. Fato que altera a forma como os cidadãos, anteriormente,
compreendiam e se relacionavam com o governo.
Assim, a legislatura da II República instaurou o sistema democrático em Moçambique
construindo no país um parlamento representativo, partidos políticos, meios de comunicação de
massas privados como: televisão, jornais, rádios, instituições de ensino secundário e superior.
Ocorreram novas formações políticas, organizações civis e sociais, crescimento económico e
sobretudo, liberdade de opinião.

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No entanto, na II República, dois elementos, na perspectiva ngoenhiana, constrangem o
nascimento de uma real democracia moçambicana. O primeiro elemento diz respeito ao modelo
de democracia que foi condicionada a Moçambique e o segundo elemento, refere-se ao direito de
representatividade dos povos.
O governo da II República foi um governo caracterizado pela imposição política da comunidade
internacional que mantém sob tutela a economia e a política moçambicana. Logo, a democracia
instaurada em Moçambique é uma democracia liberal que possui valores, leis e lógica
produtivista dos países ocidentais.
Este fato, leva Ngoenha a conceituar o Estado da II República como dólar-crático, uma vez que,
para o filósofo, neste governo tudo se fez em função do dólar. As elites políticas, os funcionários
públicos utilizam o serviço público a favor dos seus próprios interesses económicos. A corrupção
invadiu a mentalidade dos servidores do Estado, e estes utilizam os valores ocidentais de
democracia como um instrumento para realização de interesses económicos próprios, em
detrimento dos interesses da população.

4.5. A intervenção da filosofia na perspectiva cultural moçambicana

[CITATION Mig \l 2070 ] no seu estudo, demostra que a filosofia, apesar de ser um dos elementos da
cultura, ela exerce um papel de avaliação critica sobre os procedimentos vinculativos da cultura,
desencorajando aquelas manifestações que tornam as vivências culturais menos dignas para os
próprios membros de uma cultura, ao mesmo tempo encorajando aqueles elementos que
favorecem o desenvolvimento humano e humanizante dos membros de uma cultura. Vários
momentos se podem verificar que o homem Moçambicano, usando a sua inteligência, a sua
sabedoria filosófica, produziu e produz a sua cultura, a solidifica, apesar de várias tempestades
que tendem a destruir aquilo que ele sabiamente construiu e vai construindo quer espiritualmente
quer materialmente. Dai hoje, o discurso académico pode assessorar a sistematização e
alargamento do conhecimento que o homem moçambicano tem das suas culturas, partindo do
princípio que em Moçambique não temos ainda uma única cultura, de modo a fortalecer a nossa
identidade na diversidade. Cada um dos elementos das culturas Moçambicanas pode ser tomado
como objecto de análise e de estudo, sobretudo nas universidades, e oferecer modelos
assimiláveis para todo o território Moçambicano.

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Por outro lado Albino Magaia (2010, p. 187) afirma que Moçambique sendo um País como rico
na sua diversidade e o reconhecimento e valorização dessa diversidade é um factor fundamental
de coesão, estabilidade e desenvolvimento e igualmente, de integração plena de Moçambique no
conceito das nações. E ainda, a visão de Magaia, recomenda que a diversidade cultural, étnica,
racial, religiosa, de género e outras devem ser reconhecidas, respeitadas e valorizadas na política,
na economia, na administração e assimiladas como património nacional, como citado por
[ CITATION Mig \l 2070 ]

[ CITATION Lor191 \l 2070 ], por outro lado argumenta que na visão do filósofo Severino Ngoenha,
Moçambique precisa criar um projecto de sociedade que tenha como referência as diferentes
culturas. Um projecto de sociedade, sério e duradouro, inspirado nos substratos culturais das
populações, que consiga dar a Moçambique uma estabilidade política. No entanto, isto se dará
quando os moçambicanos enfrentarem e estudarem desde o interior sua própria história e sua
própria cultura.

Quando se inspirarem na tradição, sublimá-la e através do processo de metástase, conseguirão


criar um direito que corresponda às diferentes concepções de vida política e social que as
populações conservam. O domínio sobre a realidade cultural é visto por Ngoenha como condição
necessária para que os moçambicanos sejam fautores do seu futuro, pois a falta de conhecimento
e o descaso com a cultura e a história, por sua vez, possibilita os mesmos serem vítimas,
novamente, da própria história. Ou seja, serem neocolonizados e eternamente tutelados pelos
órgãos internacionais.
Portanto, os moçambicanos devem conhecer profundamente a si mesmos, ou seja, devem
reflectir sobre o que de fato eles são e o que é Moçambique, sua sociedade e cultura. Quais são
os seus desejos e aspirações. Devem fazer um inquérito, traçar os objectivos, os ideais, as utopias
e, a partir deste inquérito, pensarem o direito para enfim constituírem uma democracia
moçambicana.
Os intelectuais moçambicanos, neste empreendimento, contêm um papel primordial, pois por um
lado, os mesmos possuem a capacidade de se apoiarem “na cultura e, por outro, de suscitar o
interesse das culturas pelas actividades que, à primeira vista, não têm nada a ver nem com o
espírito, nem com os interesses dos grupos”. Desta forma, os intelectuais (porta-vozes da
comunidade) conseguem estabelecer um diálogo entre o campo cultural e político.

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5. A finalidade da filosofia em Moçambique

A sociedade moçambicana em franco desenvolvimento, os esforços são concentrados num


objectivo comum - melhoria de vida das populações por via de incremento de infra-estruturas,
provimento de condições básicas de subsistência, água potável, transporte, vias de acesso e de
comunicação, energia, entre outros. Diante desta realidade pode parecer trivial propor um curso
de Filosofia, pois, parece que o que mais se precisa é de técnicos e cientistas para promover este
país.
Importa salientar que os desenvolvimentos técnicos e científicos são um saber parcial, que
complementados por conhecimentos profundos nas áreas sociais, humanas e éticas. A Filosofia,
se apresenta como um saber crítico e omnicompreensivo onde as ideias políticas e sociais
encontram o seu sentido de ser. A Filosofia é um saber abrangente e global que influencia o
pensar dos povos e orienta o rumo e destino dos povos, fazendo com que estes ganhem mais
autoconsciência e auto-estima.
A Filosofia oferece aos estudantes, o desenvolvimento de um pensamento ordenado e lógico,
capaz de proporcionar a argumentação sólida diante de um discurso sobre a realidade. Preparar
gente capaz de discutir com seriedade temas humanos, sociais e culturais com a profundidade
que as outras ciências não podem dar.
O pensamento filosófico levado a cabo por africanos, esta apenas no início, sendo que, o
pensamento urge para dar uma fisionomia própria às mais diversas esferas do ser e viver
africano, desde a cultura, a política e a sociologia.
A elaboração da Filosofia Africana, ajudará a criar um sentido antropológico que facilitará aos
africanos a compreender-se a sí próprios e a encontrar as raízes de sua identidade.
Estas são algumas razões que sugerem que o estudo da Filosofia é pertinente hoje em
Moçambique. Fazer nascer pensadores nacionais é um grande impulso ao desenvolvimento
nacional e permite oferecer referências àqueles que não têm tempo ou meios para buscar as
respostas a diversas situações sociais e pessoais necessárias para dar sentido à vida.[ CITATION
Uni20 \l 2070 ]

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6. Conclusão
Esta pesquisa fez-nos reflectir que para além de ser uma ciência didáctica, ou seja com fins
educacionais, em termos de matéria de conhecimento geral, a Filosofia, é de extrema importância
para o desenvolvimento de uma sociedade. É através da filosofia que se exprimem várias ideias
por vias do pensamento lógico e crítico, usando o princípio da razão, com isso constatamos que
Moçambique sendo um País em vias de desenvolvimento, demanda que a filosofia seja usada
como bússola, para o alcance de novos patamares de uma convivência político-social e
economicamente estável e produtiva, pelo que esta possibilita novos pensadores críticos que
apontam ao desenvolvimento.

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7. Bibliografia
Geque, E., & Biriate, M. (2010). FILOSOFIA 12. Maputo: Longman Moçambique.

Gil, A. C. (2019). Métodos E Técnicas De Pesquisa Social. Brazil: ATLAS EDITORA.

Moto, M. (2015). FILOSOFIA E CULTURA MOÇAMBICANA. Maputo.

Oliveira, L. S. (30 de Setembro de 2019). Filosofia política moçambicana: por um novo projeto de
democracia. VOLUNTAS, pp. 183-199.

Rosa, A. L. (N.D). Introdução a Filosofia. Sofala: Universidade Católica de Moçambique - Centro de


Ensino à distância.

UCM. (2013). Introdução a Filosofia. Sofala: Universidade Católica de Moçambique-Centro de Ensino à


Distância.

USTM. (27 de Maio de 2020). Universidade São Tomás Moçambique. Obtido em 05 de Junho de 2020, de
Universidade São Tomás Moçambique: http://ustm.ac.mz/

Wikepédia. (15 de Janeiro de 2001). Wikipédia. Obtido em 27 de Maio de 2020, de Web site da
wikipédia: https://wikipedia.org