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Texto Dissertativo /

Argumentativo
sobre Redação Por Noely Landarin
noelylandarin@yahoo.com.br

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Dissertar é o mesmo que desenvolver ou explicar um assunto, discorrer sobre ele.


Assim, o texto dissertativo pertence ao grupo dos textos expositivos, juntamente com o
texto de apresentação científica, o relatório, o texto didático, o artigo enciclopédico. Em
princípio, o texto dissertativo não está preocupado com a persuasão e sim, com a
transmissão de conhecimento, sendo, portanto, um texto informativo.

Os textos argumentativos, ao contrário, têm por finalidade principal persuadir o leitor


sobre o ponto de vista do autor a respeito do assunto. Quando o texto, além de explicar,
também persuade o interlocutor e modifica seu comportamento, temos um texto
dissertativo-argumentativo.

O texto dissertativo argumentativo tem uma estrutura convencional, formada por três
partes essenciais.

Introdução

Que apresenta o assunto e o posicionamento do autor. Ao se posicionar, o autor formula


uma tese ou a idéia principal do texto.

Teatro e escola, em princípio, parecem ser espaços distintos, que desenvolvem


atividades complementares diferentes. Em contraposição ao ambiente normalmente
fechado da sala de aula e aos seus assuntos pretensamente “sérios” , o teatro se
configura como um espaço de lazer e diversão. Entretanto, se examinarmos as origens
do teatro, ainda na Grécia antiga, veremos que teatro e escola sempre caminharam
juntos, mais do que se imagina.(tese)

Desenvolvimento

Formado pelos parágrafos que fundamentam a tese. Normalmente, em cada


parágrafo, é apresentado e desenvolvido um argumento. Cada um deles pode
estabelecer relações de causa e efeito ou comparações entre situações, épocas e
lugares diferentes, pode também se apoiar em depoimentos ou citações de pessoas
especializadas no assunto abordado, em dados estatísticos, pesquisas, alusões
históricas.

O teatro grego apresentava uma função eminentemente pedagógica. Com sua


tragédias, Sófocles e Eurípides não visavam apenas à diversão da platéia mas também,
e sobretudo, pôr em discussão certos temas que dividiam a opinião pública naquele
momento de transformação da sociedade grega. Poderia um filho desposar a própria
mãe, depois de ter assassinado o pai de forma involuntária (tema de Édipo Rei)?
Poderia uma mãe assassinar os filhos e depois matar-se por causa de um
relacionamento amoroso (tema de Medeia e ainda atual, como comprova o caso da cruel
mãe americana que, há alguns anos, jogou os filhos no lago para poder namorar
livremente)?

Naquela sociedade, que vivia a transição dos valores místicos, baseados na tradição
religiosa, para os valores da polis, isto é, aqueles resultantes da formação do Estado e
suas leis, o teatro cumpria um papel político e pedagógico, à medida que punha em
xeque e em choque essas duas ordens de valores e apontava novos caminhos para a
civilização grega. “Ir ao teatro”, para os gregos, não era apenas uma diversão, mas uma
forma de refletir sobre o destino da própria comunidade em que se vivia, bem como
sobre valores coletivos e individuais.

Deixando de lado as diferenças obviamente existentes em torno dos gêneros teatrais


(tragédia, comédia, drama), em que o teatro grego, quanto a suas intenções, diferia do
teatro moderno? Para Bertold Brecht, por exemplo, um dos mais significativos
dramaturgos modernos, a função do teatro era, antes de tudo, divertir. Apesar disso,
suas peças tiveram um papel essencial pedagógico voltadas para a conscientização
de trabalhadores e para a resistência política na Alemanha nazista dos anos 30 do
século XX.

O teatro, ao representar situações de nossa própria vida – sejam elas engraçadas,


trágicas, políticas, sentimentais, etc. – põe o homem a nu, diante de si mesmo e de seu
destino. Talvez na instantaneidade e na fugacidade do teatro resida todo o encanto e
sua magia: a cada representação, a vida humana é recontada e exaltada. O teatro
ensina, o teatro é escola. É uma forma de vida de ficção que ilumina com seus
holofotes a vida real, muito além dos palcos e dos camarins.

Conclusão

Que geralmente retoma a tese, sintetizando as idéias gerais do texto ou propondo


soluções para o problema discutido. Mais raramente, a conclusão pode vir na forma de
interrogação ou representada por um elemento-surpresa. No caso da interrogação, ela é
meramente retórica e deve já ter sido respondida pelo texto. O elemento surpresa
consiste quase sempre em uma citação científica, filosófica ou literária, em uma
formulação irônica ou em uma idéia reveladora que surpreenda o leitor e, ao mesmo
tempo, dê novos significados ao texto.

Que o teatro seja uma forma alternativa de ensino e aprendizagem, é inegável. A


escola sempre teve muito a aprender com o teatro, assim como este, de certa forma, e
em linguagem própria, complementa o trabalho de gerações de educadores,
preocupados com a formação plena do ser humano. (conclusão)

Quisera as aulas também pudessem ter o encanto do teatro: a riqueza dos


cenários, o cuidado com os figurinos, o envolvimento da música, o brilho da
iluminação, a perfeição do texto e a vibração do público. Vamos ao teatro!
(elemento-supresa)

(Teatro e escola: o papel do educador: Ciley Cleto, professora de Português).

Atenção: a linguagem do texto dissertativo-argumentativo costuma ser impessoal,


objetiva e denotativa. Mais raramente, entretanto, há a combinação da objetividade
com recursos poéticos, como metáforas e alegorias. Predominam formas verbais no
presente do indicativo e emprega-se o padrão culto e formal da língua.

O Parágrafo

Além da estrutura global do texto dissertativo-argumentativo, é importante conhecer a


estrutura de uma de suas unidades básicas: o parágrafo.

Parágrafo é uma unidade de texto organizada em torno de uma idéia-núcleo, que é


desenvolvida por idéias secundárias. O parágrafo pode ser formado por uma ou mais
frases, sendo seu tamanho variável. No texto dissertativo-argumentativo, os parágrafos
devem estar todos relacionados com a tese ou idéia principal do texto, geralmente
apresentada na introdução.
Embora existam diferentes formas de organização de parágrafos, os textos dissertativo-
argumentativos e alguns gêneros jornalísticos apresentam uma estrutura-padrão. Essa
estrutura consiste em três partes: a idéia-núcleo, as idéias secundárias (que
desenvolvem a idéia-núcleo), a conclusão. Em parágrafos curtos, é raro haver
conclusão.

A seguir, apresentarei um espelho de correção de redação. A faixa de valores dos itens


analisados sofre alteração a cada concurso, os aspectos macroestruturais e
microestruturais são variáveis na maneira como são expostos. No entanto, os espelhos
não fogem ao padrão pré-determinado.

ESPELHO DA AVALIAÇÃO DA PROVA DISCURSIVA - MODELO CESPE/UnB

nota faixa de
Aspectos macroestruturais
obtida valores

APRESENTAÇÃO TEXTUAL
Legibilidade (0,00 a 2,00)
Respeito às margens e indicação de parágrafos (0,00 a 2,00)

ESTRUTURA TEXTUAL (dissertativa)


Introdução adequada ao tema/posicionamento (0,00 a 4,00)
Desenvolvimento (0,00 a 4,00)
Fechamento do texto de forma coerente (0,00 a 4,00)

DESENVOLVIMENTO DO TEMA
Estabelecimento de conexões lógicas entre os argumentos (0,00 a 4,00)
Objetividade de argumentação frente ao
(0,00 a 4,00)
tema/posicionamento
Estabelecimento de uma progressividade textual em
(0,00 a 4,0
relação à seqüência lógica do pensamento

Tipo de erro

Pontuação
Construção do período
Emprego de conectores
Concordância nominal
Concordância verbal
Regência nominal
Regência verbal
Grafia/acentuação
Repetição/omissão vocabular
Outros

Nota no conteúdo (NC) » NC = 5 : 28 x (soma das notas dos quesitos)


Número de linhas efetivamente ocupadas (TL)
Número de erros (NE)
NOTA DA PROVA DISCURSIVA (NPD): NPD=NC – 3 x NE : TL

A seguir, apresentarei a estrutura textual dissertativa, a partir dos dados do espelho de


correção da prova discursiva, seguindo a orientação do professor Fernando Moura (Nas
Linhas e Entrelinhas).

ESTRUTURA TEXTUAL DISSERTATIVA

1. Bases Conceituais

PARTE I – O conteúdo da redação

a) Apresentação Textual

Legibilidade e erro: escreva sempre com letra legível. Prefira a letra cursiva. A letra de
imprensa poderá ser usada desde que se distinga bem as iniciais maiúsculas e
minúsculas. No caso de erro, risque com um traço simples, o trecho ou o sinal gráfico e
escreva o respectivo substituto.

Atenção: não use parênteses para esse fim.

- Respeito às margens e indicação dos parágrafos;

Para dar início aos parágrafos, o espaço de mais ou menos dois centímetros é
suficiente. Observe as margens esquerda e direita na folha para o texto definitivo. Não
crie outras. Não deixe “buracos” no texto. Na translineação, obedeça às regras de
divisão silábica.

- Limite máximo de linhas;

Além de escrever seu texto em local devido (folha definitiva), respeite o limite máximo de
linhas destinadas a cada parte da prova, conforme orientação da banca. As linhas que
ultrapassarem o limite máximo serão desconsideradas ou qualquer texto que ultrapassar
a extensão máxima será totalmente desconsiderado.

-Eliminação do candidato;

Seu texto poderá ser desconsiderado nas seguintes situações:

- ultrapassagem do limite máximo de linhas.


- ausência de texto: quando o candidato não faz seu texto na FOLHA PARA O TEXTO
DEFINITIVO.

- fuga total ao tema: analise cuidadosamente a proposta apresentada. Estruture seu


texto em conformidade com as orientações explicitadas no caderno da prova discursiva.

- registros indevidos: anotações do tipo “fim” , “the end”, “O senhor é meu pastor, nada
me faltará” ou recados ao examinador, rubricas e desenhos.

b) Estrutura Textual Dissertativa

Não dê título ao texto, começa na linha 1 da folha definitiva o seu parágrafo de


introdução.

Estrutura clássica do texto dissertativo

b.1) Introdução adequada ao tema / posicionamento

Apresenta a idéia que vai ser discutida, a tese a ser defendida. Cabe à introdução situar
o leitor a respeito da postura ideológica de quem o redige acerca de determinado
assunto. Deve conter a tese e as generalidades que serão aprofundadas ao longo do
desenvolvimento do texto. O importante é que a sua introdução seja completa e esteja
em consonância com os critérios de paragrafação. Não misture idéias.

b.2) Desenvolvimento

Apresenta cada um dos argumentos ordenadamente, analisando detidamente as idéias


e exemplificando de maneira rica e suficiente o pensamento. Nele, organizamos o
pensamento em favor da tese. Cada parágrafo (e o texto) pode ser organizado de
diferentes maneiras:

- Estabelecimento das relações de causa e efeito: motivos, razões, fundamentos,


alicerces, os porquês/ conseqüências, efeitos, repercussões, reflexos;

- Estabelecimento de comparações e contrastes: diferenças e semelhanças entre


elementos – de um lado, de outro lado,em contraste, ao contrário;

- Enumerações e exemplificações: indicação de fatores, funções ou elementos que


esclarecem ou reforçam uma afirmação.

b.3) Fechamento do texto de forma coerente


Retoma ou reafirma todas as idéias apresentadas e discutidas no desenvolvimento,
tomando uma posição acerca do problema, da tese. É também um momento de
expansão, desde que se mantenha uma conexão lógica entre as idéias.

c) Desenvolvimento do Tema

c.1) Estabelecimento de conexões lógicas entre os argumentos.

Apresentação dos argumentos de forma ordenada, com análise detida das idéias e
exemplificação de maneira rica e suficiente do pensamento. Para garantir as devidas
conexões entre períodos, parágrafos e argumentos, empregar os elementos
responsáveis pela coerência e unicidade, tais como operadores de seqüenciação,
conectores, pronomes. Procurar garantir a unidade temática.

c.2) Objetividade de argumentação frente ao tema / posicionamento

O texto precisa ser articulado com base nas informações essenciais que desenvolverão
o tema proposto. Dispensar as idéias excessivas e periféricas. Planejar previamente a
redação definindo antecipadamente o que deve ser feito. Recorrer ao banco de idéias é
um passo importante. Listar as idéias que lhe vier à cabeça sobre o tema.. Estabelecer a
tese que será defendida. Selecionar cuidadosamente entre as idéias listadas, aquelas
que delimitarão o tema e defenderão o seu posicionamento.

c.3) Estabelecimento de uma progressividade textual em relação à seqüência


lógica do pensamento.

O texto deve apresentar coerência seqüencial satisfatória. Quando se proceder à


seleção dos argumentos no banco de idéias, deve-se classificá-los segundo a força para
convencer o leitor, partindo dos menos fortes parta os mais fortes.

Caríssimos, é possível (e bem mais tranqüilo) desenvolver um texto dissertativo a partir


da elaboração de esquemas. Por mais simples que lhes pareça, a redação elaborada a
partir de esquema permite-lhes desenvolver o texto com seqüência lógica, de acordo
com os critérios exigidos no comando da questão (número de linhas, por exemplo),
atendendo aos aspectos mencionados no espelho de avaliação. A professora Branca
Granatic oferece-nos a seguinte sugestão de esquema:

SUGESTÃO DE PRODUÇÃO DE TEXTO COM BASE EM ESQUEMAS


ESQUEMA BÁSICO DA DISSERTAÇÃO

1º parágrafo: TEMA + argumento 1 + argumento 2 + argumento 3


2° parágrafo :desenvolvimento do argumento 1
3° parágrafo: desenvolvimento do argumento 2
4° parágrafo: desenvolvimento do argumento 3
5° parágrafo: expressão inicial + reafirmação do tema + observação final.

EXEMPLO:

TEMA: Chegando ao terceiro milênio, o homem ainda não conseguiu resolver graves
problemas que preocupam a todos.

POR QUÊ?
*arg. 1: Existem populações imersas em completa miséria.
*arg. 2: A paz é interrompida freqüentemente por conflitos internacionais.
*arg. 3: O meio ambiente encontra-se ameaçado por sério desequilíbrio ecológico.

Texto definitivo

Chegando ao terceiro milênio, o homem ainda não conseguiu resolver os graves


problemas que preocupam a todos, pois existem populações imersas em completa
miséria, a paz é interrompida freqüentemente por conflitos internacionais e, além do
mais, o meio ambiente encontra-se ameaçado por sério desequilíbrio ecológico.

Embora o planeta disponha de riquezas incalculáveis – estas, mal distribuídas, quer


entre Estados, quer entre indivíduos – encontramos legiões de famintos em pontos
específicos da Terra. Nos países do Terceiro Mundo, sobretudo em certas regiões da
África, vemos com tristeza, a falência da solidariedade humana e da colaboração entre
as nações.

Além disso, nesta últimas décadas, temos assistido, com certa preocupação, aos
conflitos internacionais que se sucedem. Muitos trazem na memória a triste lembrança
das guerras do Vietnã e da Coréia, as quais provocaram grande extermínio. Em nossos
dias, testemunhamos conflitos na antiga Iugoslávia, em alguns membros da Comunidade
dos Estados Independentes, sem falar da Guerra do Golfo, que tanta apreensão nos
causou.

Outra preocupação constante é o desequilíbrio ecológico, provocado pela ambição


desmedida de alguns, que promovem desmatamentos desordenados e poluem as águas
dos rios. Tais atitudes contribuem para que o meio ambiente, em virtude de tantas
agressões, acabe por se transformar em local inabitável.

Em virtude dos fatos mencionados, somos levados a acreditar que o homem está muito
longe de solucionar os graves problemas que afligem diretamente uma grande parcela
da humanidade e indiretamente a qualquer pessoa consciente e solidária. É desejo de
todos nós que algo seja feito no sentido de conter essas forças ameaçadoras, para
podermos suportar as adversidades e construir um mundo que, por ser justo e pacífico,
será mais facilmente habitado pelas gerações vindouras.

Se vocês seguirem a orientação dada pelo esquema, desde o 1º parágrafo, verão


que não há como se perder na redação, nem fazer a introdução maior que o
desenvolvimento, já que a introdução apresenta, de forma embrionária, o que
será desenvolvido no corpo do texto. E lembre-se de que a conclusão sempre
retoma a idéia apresentada na introdução, reafirmando-a, apresentando
propostas, soluções para o casoMelhor resposta - Escolhida
pelo autor da pergunta

Leia muita publicação, tente fazer algumas redações em casa e tenha


muuuuita criatividade. Vou passar algumas técnicas de Enumeração, acho
muito legal. Não é um modelo apropriado para redações, mas pode fazer
com que vc abra sua criatividade.

ENUMERAÇÃO

Antes de começarmos a fazer descrição, narração e dissertação, é preciso


despertar e desenvolver nossa linguagem, para que os textos descritivos,
narrativos e dissertativos sejam, depois, escritos com mais liberdade, com
mais gosto, com mais significação. Dentre inúmeras experiências de
liberação, provavelmente a mais fecunda seja a enumeração.
Enumerar é um dos modos básicos de se redigir um texto, um modo
milenarmente praticado, muito importante na literatura – principalmente no
Modernismo - , mas não tem sido assumido como processo de redação
escolar. Como se caracteriza a enumeração?
Veja este texto de Bertold Brecht.

Felicidades

O primeiro olhar da janela de manhã


O velho livro perdido e reencontrado
Rostos animados
A neve, a sucessão das estações
Jornais
O cachorro
A dialética
Tomar um banho, nadar um pouco
A música antiga
Sapatos macios
Compreender
A música nova
Escrever, plantar
Viajar, cantar
Ser camarada.
(Bertold Brecht – Poemas)

Como você está vendo, o poeta alemão Bertold Brecht organizou seu texto
como uma lista, uma série, uma seqüência de elementos sobre o tema
Felicidades. Escrever por enumeração é assim: vamos relacionando uma
série de elementos – idéias, acontecimentos, coisas, pessoas, paisagens,
desejos, ações, memórias, etc. – que representam para nós o tema
proposto.
O texto enumerativo, assim se realiza como uma seqüência livre de
elementos que encarnam, que expressam o mais concretamente possível o
tema proposto. No processo de enumerar, as emoções se expressam
diretamente, assim como as nossas idéias e nossas palavras. Passa a existir
uma relação bem direta entre o que se pensa, o que se sente e o que se
escreve.
Diferentemente da redação tradicional, em que desenvolvemos uma idéia
básica, discursivamente, com começo/meio/fim, a enumeração é uma
escrita muito mais solta, em que o fluxo das idéias vai se fazendo cada vez
mais livre; a enumeração pode ser produzida com mais fluência e com mais
intensidade do que a redação discursiva.
Além de não reprimir o fluxo de linguagem – o que muitas vezes ocorre
quando estamos com uma exagerada preocupação lógica, no sentido de
introdução/desenvolvimento/conclusão -, a enumeração possibilita o
aparecimento em nossos textos de elementos que dificilmente teriam lugar
numa redação tradicional, como, por exemplo, os sapatos macios e o tomar
um banho diante do tema Felicidades. O processo de enumerar resgata
muitos elementos da nossa história cotidiana, da nossa verdadeira história,
transformando-os em parte expressiva de nossa criação.
Enumerar traz também outra conseqüência: escrevemos textos pessoais,
com as nossas marcas, com o nosso estilo, superando assim os chavões, o s
clichês, as frases feitas, os lugares-comuns que muitas vezes nos tomam de
assalto (na verdade, somos falados por esses chavões...) quando vamos
escrever, principalmente quando os assuntos são demasiadamente
conhecidos e repetidos, como é o caso do Felicidades.

UMA SUGESTÃO Ao fazer as suas enumerações, procure – de início – ir


escrevendo livremente o que for sugerido, por pensamentos e palavras,
pelo tema escolhido. Você sabe: frases geralmente curtas, sem muita
seqüência lógica, ao sabor do que for emergindo, sem preocupação com a
estruturação lógica do conjunto. Sem preocupação com início e fim. Escreva
enquanto tiver vontade. Idéia puxa idéia, palavra traz palavra.

>> Aprender fazendo


Agora é sua vez. Faça algumas experiências com as propostas abaixo:

•A tragetória de um dia, de manhã até noite.


•Desejos
•Paisagens da memória
•Da janela de um ônibus
•Cenas da infância
•Aqui e agora
•Cenas de centro de cidade
•Retrospectiva do ano que se está vivendo
•Dê uma volta, anotando tudo o que chamar atenção, tudo o que for
significativo.

>> Refazer aprendendo


Se você desejar, depois de ter feito o rascunho, você pode trabalhar sobre
ele, para amadurecer mais o seu texto, para torná-lo mais expressivo. Mas
existe um detalhe importante: deixe passar algum tempo, antes de ler o
que foi escrito. Esse distanciamento é necessário para você ganhar
perspectiva e enxergar melhor o seu trabalho. Leia então o que está escrito.
Veja se você não quer acrescentar outro(s) elemento(s). Ou se você não
quer tirar elementos. Veja também se você não quer alterar a seqüência,
aproximando, ou, ao contrário, distanciando alguns elementos.

OBS: A enumeração é um exercício profundamente pessoal: cada um faz a


lista, a série, a seqüência dos elementos, a partir de sua vida, de sua
historia, de sua experiência de realidade. Ela nasce e cresce do vivido,
diminuindo a distância entre a nossa existência e as nossas redações.

apresentado. Com essa noção clara, de estrutura de texto, também é possível melhorar
o seu desempenho nas provas de compreensão e interpretação de textos

Técnicas de Redação
• Por Redação
• Publicado 6/09/2010
• Redação
• Nota:
REDAÇÃO

Redação - Aprenda a escrever bons textos para o vestibular.

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Redação

Ultrapassar a barreira entre o pensamento e o papel em branco não é uma tarefa fácil. Por tanto,
você tem todo direito de ter dificuldades em redigir um texto. O fundamental você já possui: a
capacidade de pensar.

Basta agora aliar sua força de vontade à prática de escrever. Vamos começar?Então, pegue o
lápis, o papel e…o que foi? Está difícil começar?Vamos pensar um pouco: A característica principal
de um texto bem redigido está na qualidade de seu conteúdo.

Para tanto, é imprescindível estar bem informado sobre o tema à ser discutido. A veracidade das
informações, sejam elas históricas, científicas, culturais, deve ser respeitada. Isso não significa
que você deixe de questionar a respeito, pois um bom texto depende muito do seu teor crítico
acerca da realidade. Assim, podemos dizer que:

Você pode apoiar-se no Você pode questionar o


conhecimento já existente da conhecimento já existente,
ou
nossa cultura ocidental. desde que conheça bem o
tema.

O ideal é nos esforçarmos para escrever nossas próprias idéias, preocupando-nos com o bom
senso, mas sem manter uma postura reacionária, acreditando numa verdade absoluta. Há que se
lembrar que não existe um conteúdo neutro: sempre existe um questionamento à se fazer, tanto
do leitor quanto de quem redige o texto.

Prática: Antes de começar a escrever, lembre-se que o importante é dialogar com seu leitor.
Primeiro, faça à lápis, deixando suas idéias esboçadas no papel, sem se preocupar com a estrutura
formal. Só reescreva, quando sentir-se mais seguro. O tema é "As dificuldades que tenho para
escrever", seu leitor será um aluno cursando o segundo grau . No máximo 20 linhas.

Para lembrar:

Não se critica ou reformula algo que não se conhece bem.


Se não houvesse questionamento ainda viveríamos em cavernas.
O diálogo (do grego dia =movimento através, logos =palavra) com o leitor é fundamental.
É preciso antecipar os questionamentos possíveis do leitor, no sentido de manter um diálogo
aprofundado e inteligente.
Já para os gregos, a arte do diálogo tinha o sentido de convencer através da palavra.

São muitas as idéias que permeiam nosso pensamento. Tudo o que você leu, viu e ouviu fazem
parte do seu repertório pessoal. Como vimos anteriormente, há um conhecimento pré existente
acerca dos fatos históricos, culturais e científicos em nossa cultura ocidental aceitos como
verdadeiros. O tempo todo, confrontamos o que já conhecemos com a novidade.
Aceitar ou não é uma questão de juízo de valores. Todo juízo de valor implica em outro que o
questiona ou contradiz. Esse processo do pensamento em se questionar e contradizer chama-se
dialético. É uma oportunidade de observar a realidade sob vários pontos de vista. Há três
momentos no processo dialético do pensamento:

ANTÍTESE
TESE SÍNTESE

Idéia inicial Idéia contrária União dos opostos

A estrutura básica do texto que você escreve corresponde aos três momentos do raciocínio
dialético. A principio, temos a introdução, ou seja, a descrição do tema ou idéia inicial. Em
seguida, o desenvolvimento: O questionamento em relação à idéia inicial. Finalmente, a
conclusão, ou seja, a união dos argumentos mais contundentes de cada idéia.

As três partes que estruturam o texto, também podem ser denominadas: prólogo, corpo e
epílogo;começo, meio e fim; introdução, miolo e final;primeira, segunda e terceira parte. O mais
importante é compreender que um bom texto depende de uma boa estrutura. Mas, fique
tranqüilo. Mais adiante veremos com mais cuidado cada parte da estrutura.

Prática: Pesquise uma notícia recente de jornal. Abstraia do texto a idéia principal e a idéia
oposta. Reescreva o texto com suas palavras e adicione a conclusão. Máximo 20 linhas. Seus
leitores são estudantes de supletivo para adultos.

Para lembrar:
Dialética é um conceito que define a arte do diálogo.
Para os filósofos marxistas, Dialética é o processo de discussão do real.
Introdução, desenvolvimento e conclusão são as partes que estruturam um ensaio.
O raciocínio dialético deve ser aberto para novas idéias, mas possuir valores sólidos para resistir
aos questionamentos.
A estrutura do texto é muito importante. É como a estrutura de um edifício. Imagine o que
aconteceria se não existisse?

O texto bem redigido certamente faz o seu leitor pensar sobre o assunto. Portanto, clareza e
objetividade acerca do tema escolhido são fundamentais. As dificuldades iniciais para escrever o
texto pode estar justamente na delimitação do tema. Ás vezes, o tema escolhido pode ser amplo
demais e uma delimitação se faz necessária afim de evitar divagações. A delimitação da idéia
central a ser desenvolvida se encontra geralmente logo na introdução.

Ela pode ser explícita, quando o autor se faz presente no texto. Ex: "O que pretendo com esse
trabalho é tecer algumas considerações…". Utiliza-se as primeiras pessoas do singular (eu) e do
plural (nós) do verbo. A delimitação pode estar implícita, quando o autor não se faz presente, mas
o leitor pode deduzir que o assunto está sendo delimitado.Ex:"Esta obra visa ensinar à todos que
queiram aprender a redigir corretamente um texto…".

Delimitado o tema, a introdução deve ser sucinta, apenas citando o argumento inicial. Não deve
ultrapassar oito ou dez linhas, ou seja, um quinto do texto. Exceto em um ensaio curto (10, 15
linhas), cuja a introdução pode se fundir com o desenvolvimento. Os demais argumentos, os
dados, as idéias, o questionamento, entram no desenvolvimento do texto.

Este é maior, ocupando três quintos do texto no mínimo. Aqui, você terá a oportunidade de
mostrar toda sua capacidade de argumentação e exposição de idéias. Cuidado para não desviar do
tema principal ou colocar opiniões desconexas.

Você deverá pensar o desenvolvimento como uma ponte que levará o leitor da introdução à
conclusão. Esta última, deve ter um quinto do texto e encerrar a discussão. A não ser quando
propositalmente, o autor queira deixar a conclusão para o próprio leitor.

Prática: O planejamento do texto é muito importante para seu sucesso. Não há como começar a
escrever, sem ter em mente o tema delimitado, a introdução, o desenvolvimento e
principalmente, a conclusão. Escreva um texto de no máximo 30 linhas sobre o tema:"O fim da
ditadura e da censura de imprensa no Brasil" Pesquise, enumere os argumentos e possíveis
questionamentos antes de começar. Seus leitores serão jornalistas recém formados.

Para lembrar:

A delimitação do texto, seja implícita ou explícita deve ser decisão sua. Mas há situações
impessoais que pode parecer presunção usar "eu acho, eu penso". No vestibular, por exemplo.
Evite introduzir o texto com expressões muito usadas (lugar-comum), chavões.
A introdução deve ser um convite ao leitor para continuar lendo o texto.

Os argumentos do desenvolvimento devem surpreender o leitor. Suas idéias devem ser


"saborosas" para atrair sua atenção.
Quando a proporção do texto que você escreve não corresponder ao ensinado, você pode estar
com problemas em delimitar o tema. Ás vezes, terminamos "enchendo lingüiça" ou o contrário:
ficamos sem ter o que dizer.

Por: Sacipandur