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TESTE MÓDULO 6 –

ANO 2
[RECUPERAÇÃO DOS MÓDULOS 4 E 5]

ESCOLA______________________________________________________ D ATA ___/ ___/ 20__

NOME_______________________________________________________ N. O____ TURMA_____

GRUPO I

Apresente as suas respostas de forma bem estruturada.

Parte A

Cesário Verde, “O sentimento dum ocidental”

Leia as seguintes estrofes do poema “ O sentimento dum ocidental”. Se necessário, consulte o


vocabulário.
II
Noite fechada
Toca-se às grades, nas cadeias. Som
Que mortifica e deixa umas loucuras mansas!
O aljube1, em que hoje estão velhinhas e crianças,
Bem raramente encerra uma mulher de “dom”!

5 E eu desconfio, até, de um aneurisma2


Tão mórbido me sinto, ao acender das luzes;
À vista das prisões, da velha sé, das cruzes,
Chora-me o coração que se enche e que se abisma.

A espaços, iluminam-se os andares,


10 E as tascas, os cafés, as tendas, os estancos 3
Alastram em lençol os seus reflexos brancos;
E a lua lembra o circo e os jogos malabares4.

Duas igrejas, num saudoso largo,


Lançam a nódoa negra e fúnebre do clero:
15 Nelas esfumo um ermo inquisidor severo,
Assim que pela história eu me aventuro e alargo.

Na parte que abateu no terremoto,


Muram-me as construções retas, iguais, crescidas;
Afrontam-me, no resto, as íngremes subidas,
20 E os sinos de um tanger monástico e devoto. Vocabulário

1
prisão
Mas, num recinto público e vulgar, 2
tumor
3
Com bancos de namoro e exíguas pimenteiras, loja em que se vende tabaco
4
acrobacias e manipulação de
Brônzeo, monumental, de proporções guerreiras, objetos
Um épico d’outrora ascende, num pilar!
Cesário Verde, Cânticos do Realismo, O livro de Cesário Verde (coord. Carlos Reis,
introdução e nota biobibliográfica de Helena Carvalhão Buescu), Lisboa, INCM, 2015.
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1. Demostre a influência do espaço e do tempo no “eu” lírico, considerando o seu percurso


deambulante.

2. Comente o conteúdo da quarta estrofe (vv. 13-16).

3. Evidencie a presença da dimensão épica no texto, referindo a sua expressividade.

Parte B

Almeida Garrett, Frei Luís de Sousa

4. Associe corretamente cada um dos segmentos da coluna A aos da coluna B que lhe
completam o sentido, atendendo ao estudo que fez da obra Frei Luís de Sousa.

COLUNA A COLUNA B
1. três retratos: o de D. Sebastião, o de
A. Na primeira cena, D. Madalena surge
Camões e o de D. João de Portugal.
2. quando assiste à morte da filha.
B. No fim do primeiro ato, Manuel de 3. quando a família se muda para o palácio
Sousa Coutinho, num gesto heroico, de D. João de Portugal.
incendeia 4. a família em confronto com o passado e
deixa antever o regresso de D. João de
C. No espaço onde decorre o segundo ato Portugal.
destacam-se 5. para agravar o estado da doença de
Maria de Noronha.
D. O segundo espaço da peça coloca 6. o clima trágico e agrava os medos e o
sofrimento das personagens.
E. Os temores de Madalena de Vilhena 7. para conferir à obra um caráter
agudizam-se romântico.
8. sozinha, lendo o episódio de Inês de
F. Em Frei Luís de Sousa, a exiguidade Castro, num espaço ricamente decorado.
crescente do espaço adensa 9. na intolerância de D. Madalena no que
respeita às referências alusivas ao
G. O individualismo de Madalena de passado.
10. através das personagens Telmo Pais e
Vilhena e o patriotismo de Manuel de
Maria de Noronha que anseiam o
Sousa Coutinho contribuem
regresso de D. Sebastião, considerando-o
mesmo como salvador.
H. A crença no mito sebástico está
11. o próprio palácio como resistência ao
presente
poder filipino sobre Portugal.

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Parte C

Eça de Queirós, Os Maias

5. Em Os Maias, Eça de Queirós, tomando como pano de fundo a cidade de Lisboa no final
do século XIX, tece uma crítica à sociedade do seu do seu tempo.
Escreva uma breve exposição onde demonstre a veracidade da afirmação.

A sua exposição deve incluir:


 uma introdução ao tema;
 um desenvolvimento onde demonstre a crítica social;
 uma conclusão adequada ao desenvolvimento do tema.

GRUPO II

Leia o texto.

E se viver no campo fosse uma tendência?

Portugal é um país relativamente pequeno. Grande parte da população e dos seus


recursos estão concentrados apenas nalgumas cidades no litoral e parece não existir
vontade por parte dos nossos governantes para inverter esta situação.
Vejamos o Alentejo que aguarda, há anos, pelo seu hospital central. Entretanto, quantos
5 hospitais surgiram nos centros das grandes cidades? Vamos desejar que um filho estude,
trabalhe ou forme família numa cidade sem acesso a um hospital a curta distância?
O mesmo se poderá dizer das escolas e de outros recursos, indispensáveis para retirar
populações às grandes cidades, estimulando a economia no país de norte a sul, este e oeste.
Quando olhamos para os jovens, que são o retrato do presente e do futuro do país,
10 desejamos que tenham emprego e acesso à habitação para, no segundo seguinte, o negarmos
porque não investimos de forma equitativa em todo o território. Pelo contrário, permitimos
que o turismo consuma as grandes cidades, de forma desmedida e insustentável, retirando
oportunidades e condições de vida a tudo e a todos.
Que país estamos nós a criar e para quem? Que Portugal é este, no qual os mais jovens
15 têm de acampar ou dormir em veículos para que não percam a sua matrícula numa
universidade? É um infortúnio não nascer ou não ter família em cidades como Porto e
Lisboa? […]  
A solução para tudo isto talvez esteja na exploração das cidades do interior do país onde
poderá existir qualidade de vida se investirmos nestas regiões. Neste Portugal profundo podes
20 adquirir um terreno e depositar a casa modular dos teus sonhos por um montante que não
terás, seguramente, que ficar a pagar a vida toda como terias de fazer por um apartamento
na cidade ou pela habitação que arrendas e que nunca vai ser tua, consumindo, mês após
mês, grande parte do teu salário, colocando os teus sonhos e as tuas viagens pelo mundo
em segundo plano.

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25 Neste Portugal que sugiro até poderás ter de trabalhar na cidade, o que até não é
problemático, visto que até temos das melhores estradas da Europa. A eletricidade vai
chegar a tua casa através de painéis solares e quem sabe essa energia não venha também a
alimentar os veículos da tua família.
É certo que serias um urbano no campo, alguém que tem de reaprender a viver. Vais-
30 -me perguntar pela rede móvel, cultura, pelo teu cinema e pela movida noturna, sem os
quais não sabes viver? Pensemos em conjunto: em que regiões se realizam os melhores
festivais portugueses? Pois é, a cultura é construída por pessoas, quer seja numa grande
cidade, quer seja nos descampados do Portugal do interior. No campo o conceito, tão em
voga, de slow living é uma realidade quase obrigatória que nos é oferecida, de forma
35 sedutora.
Mafalda G. Moutinho, Público, edição online de 23 de junho de 2019.

Para os itens 1 a 7, selecione a opção que completa cada afirmação.

1. Portugal é apresentado pela autora do artigo


(A) como um país onde todos têm as mesmas oportunidades.
(B) de forma agradável, embora esta faça várias críticas às opções políticas.
(C) como um país onde a igualdade de oportunidades não existe.
(D) como um espaço onde o interior tem vindo a ganhar destaque.

2. Ao longo do texto,
(A) é defendida a posição de que deveria haver maior investimento no interior.
(B) critica-se o facto de os jovens não optarem por viver no campo.
(C) aceita-se como benéfico o desenvolvimento do turismo urbano.
(D) sugere-se que os jovens optem por viver nas cidades mais desenvolvidas.

3. A expressão “movida noturna” (l. 30), no contexto, significa


(A) fadiga noturna.
(B) animação noturna.
(C) queda noturna.
(D) calma noturna.

4. O referente do pronome relativo “que aguarda, há anos, pelo seu hospital central” (l. 4) é
(A) Portugal.
(B) país.
(C) litoral.
(D) Alentejo.

5. A oração “que são o retrato do presente e do futuro do país” (l. 9) classifica-se como
(A) subordinada substantiva completiva.
(B) coordenada explicativa.
(C) subordinada adverbial consecutiva.

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(D) subordinada adjetiva relativa explicativa.

6. A função sintática desempenhada pelo segmento sublinhado em “a cultura é construída


por pessoas” (l. 32) é
(A) complemento direto.
(B) complemento oblíquo.
(C) complemento agente da passiva.
(D) complemento do nome.

7. O processo de formação da palavra “slow living” (l. 34) designa-se por


(A) empréstimo.
(B) extensão semântica.
(C) siglação.
(D) amálgama.

8. Indique a função sintática do segmento sublinhado em “Portugal é um país relativamente


pequeno” (l. 1).

9. Classifique a oração “onde poderá existir qualidade de vida se investirmos nestas regiões”
(ll. 18-19).

10. Transcreva o referente deítico pessoal presente no último período do texto.

COTAÇÕES

Item
Grupo
Cotação (em pontos)
1. 2. 3.
I–A
20 20 20 60
4.A 4.B 4.C 4.D 4.E 4.F 4.G 4.H
I–B
5 5 5 5 5 5 5 5 40
5.
I–C 30
30
1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10.
II 70
7 7 7 7 7 7 7 7 7 7
TOTAL 200

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PROPOSTA DE CORREÇÃO

GRUPO I

Parte A
1. Deambulando pela cidade, de noite, o “eu” lírico mostra-se sofredor, imbuído de uma dor imensa
(“desconfio, até, de um aneurisma”). Este sofrimento e esta dor são transmitidos pelo espaço que
o “eu” percorre e pelos sons dele emanados, nomeadamente o som vindo das cadeias e das torres
sineiras, uma vez que têm um efeito doentio, “mórbido”, no “eu” lírico, que utiliza a metáfora
“chora-me o coração” para melhor demonstrar o seu sofrimento.

2. Na quarta estrofe, ao avistar num largo “duas igrejas”, o sujeito poético faz uma apreciação
negativa sobre o clero. Numa clara associação entres as vestes negras do clero e a sua influência e
conduta negativas, ao longo dos tempos, sobretudo da Inquisição, o sujeito poético classifica os
padres severos da inquisição como “uma nódoa negra”, devido à sua rigidez e falta de
complacência.

3. A dimensão épica do texto observa-se na última estrofe, quando o sujeito poético faz contrastar a
imponência de Camões com o espaço onde está localizada (“um recinto público e vulgar”). Ao
caracterizar o poeta como tendo “proporções guerreiras” e como sendo “monumental”, e ao fazê-
lo ascender num pilar, o “eu” poético destaca e superlativiza a importância do grande épico
português que, pela sua relevância, se destaca no meio da podridão e da dor da cidade.

Parte B
4. A – 8; B – 11; C – 1; D – 4; E – 3; F – 6; G – 7; H – 10

Parte C
5. Em Os Maias, tendo como palco da vida cultural e intelectual da elite oitocentista a cidade de
Lisboa, Eça trata um retrato crítico do país, recorrendo a figuras, de certa forma, estereotipadas.
Centrando-se na vida de Carlos da Maia, jovem lisboeta culto e rico, o autor leva-nos numa viagem,
pondo a nu os vícios das classes dirigentes e intelectuais da época que circulam por teatros, por
hotéis... Como exemplo dos acontecimentos que preenchem as suas fúteis vidas, poderemos
destacar a corrida de cavalos, onde se critica o provincianismo da elite portuguesa, quer na forma
de vestir, inapropriada para um momento desportivo, quer na imitação das atividades desportivo-
culturais de outros povos da Europa, assim como no comportamento vulgar e desadequado que
evidenciam. Por outro lado, a ignorância e a falta de espírito crítico são visíveis, por exemplo, na
narração dos encontros entre os intelectuais e aristocratas, nomeadamente jantares, como o que
tem lugar em casa dos condes de Gouvarinho, onde, através das conversas, se desmascara a falta
de cultura, a falta de perspetiva crítica e a ausência de conhecimentos sobre o mundo
contemporâneo e a banalidade de pensamento.
Em suma, a cidade de Lisboa é o cenário onde decorrem os acontecimentos vivenciados pela
aristocracia portuguesa, alvo de uma crítica mordaz a que se sujeita.
(214 palavras)

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GRUPO II

1. C
2. A
3. B
4. D
5. D
6. C
7. A
8. Predicativo do sujeito.
9. Oração subordinada adjetiva relativa restritiva.
10. “nos”

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