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EDUCAÇÃO E NOVAS
TECNOLOGIAS
Diretor Geral | Valdir Carrenho Junior

Professora | Débora Regina Fagundes Candido


A Faculdade Católica Paulista tem por missão exercer uma
ação integrada de suas atividades educacionais, visando à
geração, sistematização e disseminação do conhecimento,
para formar profissionais empreendedores que promovam
a transformação e o desenvolvimento social, econômico e
cultural da comunidade em que está inserida.

Missão da Faculdade Católica Paulista

Av. Cristo Rei, 305 - Banzato, CEP 17515-200 Marília - São Paulo.
www.uca.edu.br

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salvo quando indicada a referência, sendo de inteira responsabilidade da autoria a
emissão de conceitos.
Sumário

UNIDADE 1 – EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA EDUCAÇÃO

INTRODUÇÃO ................................................................ 7

1. Conceito de Educação .............................................. 8

1.1 Tipos de conhecimento .............................................. 9

2. Arcabouço histórico da Educação............................. 11

2.1 Fases históricas da educação na Idade Média ........... 13

2.2 Revolução Industrial e a Educação............................ 14

3. Primórdios da educação no Brasil ............................. 15

4. Mas, afinal, o que é tecnologia? .............................. 17

CONCLUSÃO ............................................................... 19

ELEMENTOS COMPLEMENTARES ................................... 20

REFERÊNCIAS ................................................................ 21

UNIDADE 2 – O ESTADO E A FAMÍLIA ALIADOS PELA


EDUCAÇÃO

INTRODUÇÃO .............................................................. 24

1. O papel do Estado na Educação .............................. 24


2. Plano Nacional de Educação ...................................... 26

3. As 20 Metas do Plano Nacional de Educação .............. 29

4. O papel da Família na Educação em um mundo digital ..... 35

CONCLUSÃO ............................................................... 38

ELEMENTOS COMPLEMENTARES ................................... 39

REFERÊNCIAS ................................................................ 40

UNIDADE 3 – EDUCAÇÃO EM FOCO NA ERA DIGITAL

INTRODUÇÃO .............................................................. 43

1. A sociedade como promotora e incentivadora


da Educação .......................................................... 43

2. O papel do professor na Educação .......................... 45

3. A Educação nas escolas de hoje ............................... 47

4. O uso das tecnologias a favor da Educação.............. 49

4.1 Aprendizado virtual também pode ser divertido ........... 52

CONCLUSÃO ............................................................... 53

ELEMENTOS COMPLEMENTARES ................................... 54

REFERÊNCIAS ................................................................ 55
UNIDADE 4 – TECNOLOGIA A FAVOR DA EDUCAÇÃO

INTRODUÇÃO .............................................................. 58

1. Na era digital, quem sabe mais são alunos ou


professores?............................................................ 58

2. Mídias digitais nos ambientes de aprendizagem ......... 61

3. Ensino EAD: uma ferramenta da Educação para o


século XXI ............................................................... 64

4. Educação no caminho das TICs ............................... 67

CONCLUSÃO ............................................................... 70

ELEMENTOS COMPLEMENTARES ................................... 71

REFERÊNCIAS ................................................................ 71
Unidade
1

EVOLUÇÃO hISTóRICA DA EDUCAÇÃO

Professora Especialista Débora Regina Fagundes Candido

Objetivos de aprendizagem
da unidade
• Compreender o conceito de educação
• Compreender o arcabouço histórico que envolve a educação
• Conhecer os primórdios da Educação no Brasil
• Compreender o que é tecnologia
Unidade Evolução histórica da educação
1

INTRODUÇÃO
Prezado(a) acadêmico(a), ao iniciarmos esta unidade, compreenderemos alguns conceitos sobre
educação e como esses conceitos atuam no nosso cotidiano.

Inicialmente, abordaremos o conceito de educar e como isso funciona na prática por meio dos
tipos de conhecimentos que adquirimos durante toda a nossa existência. Em posse da prerrogativa de
que educar é base para o crescimento e desenvolvimento do indivíduo, podemos entender que uma
nação comprometida com a Educação de seus cidadãos é capaz de se reinventar diante de qualquer
crise que possa surgir.

No cenário atual, com tanta interatividade, é claro que muitos de nós, ao estudar, prefiramos
a prática a conceitos e ao contexto histórico. Contudo, é necessário compreendermos o arcabouço
histórico que envolve a educação. Perguntas como “Onde e quando surgiu a primeira escrita? Por que
o homem criou a escrita ou métodos de contar? Como surgiu o conceito de ensino?” serão assunto
deste estudo.

Abordaremos,em um terceiro momento,que a educação teve fases importantes na Idade Média


como, por exemplo, quando o monarquismo engessou a educação e a evolução das universidades com
o surgimento da doutrina e do pensamento crítico. Ademais, faremos uma breve viagem por fatos que
marcaram a época e que contribuíram para a disseminação da educação.

Diante de um cenário de constantes mudanças, não podemos deixar de mencionar o período


da Revolução Industrial e como seu legado contribuiu para a administração, porém, sem deixar no
esquecimento o rastro de destruição aos menos favorecidos.

Além de todo o contexto histórico, vamos estudar os primórdios da educação no Brasil, como
foram os primeiros métodos de ensino e como a Igreja Católica atuava logo após o descobrimento.
Entenderemos, também, como a influência dos portugueses marcou a nossa história. Afinal, não
podemos deixar que ela se perca no tempo.

Por fim, abordaremos o conceito de tecnologia, como ela funciona e qual é a sua origem.
Compreenderemos como a tecnologia trabalha em nosso favor e como a simplicidade na mudança de
objetos são consideradas novas tecnologias.

Caro(a) aluno(a), desejo que este conteúdo possa contribuir em sua vida acadêmica e incentivá-
lo(a) a prosseguir estudando! Então, mãos na massa e bons estudos!

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Evolução histórica da educação Unidade
1

1. CONCEITO DE EDUCAÇÃO
Conhecimento

Fonte: Pixabay.

Prezado(a) aluno(a), quantas vezes você já deve ter ouvido o quanto a educação é importante
para o desenvolvimento de um país, ou ainda uma comparação de nível de desenvolvimento de
um país com a qualidade da educação, não é mesmo? Atrelamos esse conceito ao conhecimento
ou à sabedoria do indivíduo. Nossos pais, ao fazermos algo errado, logo diziam: “Você não tem
educação?”. A educação dos filhos sempre foi motivo de orgulho para seus pais. Mas, afinal, qual o
significado de educação?

Segundo Ferreira (2018), mais conhecido como Aurélio Buarque de Holanda, que dá nome
ao dicionário Aurélio, o termo educar tem sua origem etimológica no latim educare e seu significado
literal é “conduzir para fora” ou ainda “direcionar para fora”. Quem sabe você esteja se perguntando,
mas conduzir o que ou conduzir a quem para fora? No entanto, o próprio dicionário traz algumas
definições, mas observaremos neste estudo apenas duas de grande relevância, e uma delas é a
seguinte: “oferecer a alguém o necessário para que esta pessoa consiga desenvolver plenamente a
sua personalidade”.

Nesse sentido, é possível observar que o ato de educar ocupa a ideia de conduziro indivíduo
ao desenvolvimento de sua personalidade de maneira completa. Nessa definição, o foco é a pessoa
que aprende. Já a segunda definição do dicionário é: “propagar ou transmitir conhecimento
(instrução) a; oferecer ensino (educação) a; instruir”.Pode-se observar na segunda definição que
o ato de educar impõe a alguém a missão de transmitir o conhecimento, neste caso, o foco é o
propagador do conhecimento: um professor. Contudo, é perceptível que tanto aquele que transmite
o conhecimento como aquele que absorve o ensino são “conduzidos para fora” a fim de alcançar a
plenitude de suas personalidades.

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Unidade Evolução histórica da educação
1

Em seus estudos, Vigotski (2000) esclarece a construção do pensamento e da linguagem, e diz


que no processo de aprendizagem, especificamente o infantil, o ensino baseado apenas em conceitos
faz com que a criança não absorva o conteúdo de maneira satisfatória. O autor observa que professores
que enveredam por esse caminho criam uma falsa assimilação do conteúdo:
[...] uma série de funções como a atenção arbitrária, a memória lógica, a abstração, a
comparação e a discriminação, e todos esses processos psicológicos sumamente complexos
não podem ser simplesmente memorizados, simplesmente assimilados. (VIGOTSKI, 2000,
p. 246).

Para Sforni e Galuch (2006), o conceito de aprender algo está longe de recitar vários tipos de
conceitos sobre determinados assuntos de maneira aleatória, pois o processo de aprendizagem deve
promover uma transformação intelectual no indivíduo. Deste modo, cada novo conhecimento do qual
o indivíduo se apropria interliga-se a outro conhecimento adquirido, construindo uma grande rede de
informações, além de promover o alargamento de sua mente.

Conhecer e Preservar a nossa história mostra respeito


com nossos antepassados que tanto lutaram para que
hoje tivéssemos direito a Educação. O Governo do
Paraná possui um Programa chamado“Nossa Escola tem
História”, cujo objetivo é preservar a história das escolas.
Assista o documentário: Chá com Brasilio e descubra
como a escola contribuiu e influenciou várias pessoas.
O vídeo está disponível no seguinte link: <http://www.educacao.video.pr.gov.br/modules/
video/upload/126252_museu_chacombrasilio.mp4>.
Fonte: Elaborado pela autora.

1.1 Tipos de conhecimento


Antes de adentrarmos propriamente a história da educação, é necessário compreendermos que
existem alguns tipos de conhecimentos: teológico,filosófico, empírico ou tácito e científico. Desse
modo, neste tópico iremos compreender um pouco sobre cada tipo de conhecimento para entender
como cada maneira de ensinar contribuiu e continua contribuindo para o desenvolvimento pessoal do
indivíduo e de toda sociedade.

Conhecimento Teológico: Lakatos e Marconi (2003) referem-se ao conhecimento teológico,


também conhecido como religioso, que tem sua base doutrinária nas Escrituras Sagradas. As verdades
reveladas de modo sobrenatural são infalíveis e indiscutíveis para o detentor da fé, por isso as evidências
não são totalmente verificáveis.

Embora muitos não creiam na fé, como objeto de estudo é inegável que o conhecimento religioso
faça parte de todas as nações. Hessen e Correia resumem de maneira clara e objetiva esse tipo de
conhecimento:
[...] deve-se enfatizar com toda a força que a religião é um domínio de valores completamente
autônomo. Ela não se baseia num outro domínio de valores, mas está completamente firmada
sobre seus próprios pés. Não tem seu fundamento de validade na filosofia e na metafísica,
mas em si mesma, na certeza imediata característica do pensamento religioso. (HESSEN;
CORREIA, 1999, p. 110).

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Evolução histórica da educação Unidade
1

Conhecimento Filosófico: Segundo Dalfovo, Lana e Silveira (2008), o propulsor desse


conhecimento é Tales de Mileto, e só depois surgiram Sócrates, Platão e também Aristóteles
difundindo o conhecimento filosófico. Os autores definem desse modo: “O conhecimento filosófico é
o pensamento crítico reflexivo para gerar coerências nas informações.”

O conhecimento filosófico tem como princípio básico a reflexão crítica, com intuito de
questionar, perguntar, entender para a compreensão das coisas. Por isso, é pertinente observar essa
definição: “Filosofar é a reflexão que busca a essência das coisas, é rigorosa e de conjunto acerca dos
problemas da educação, pois trata da reflexão que se procede com rigor, com método.” (ROSA, 2018).

Conhecimento Empírico ou Tácito:O dicionárioFerreira (2017)define empirismo como:


“Doutrina filosófica que afirma ser o conhecimento resultado da experiência, restringindo-se ao
que pode ser apreendido através dos sentidos ou da introspecção, opondo-se ao racionalismo e à
metafísica.” Desse modo, podemos afirmar que o conhecimento empírico é baseado em experiências
ou que advém da prática, e não da teoria propriamente dita.

Já Faria et al.(2017) reconhece como conhecimento empírico aquele que tem a experiência
como guia. Diferente do conhecimento científico, que possui fundamentos embasados em análises de
fatos comprovados, o empirismo defende a experiência do indivíduo durante a vida como fonte de
conhecimento a serem transmitidosatravés das gerações.

Conhecimento Científico: Esse tipo de conhecimento é factual, ou seja, sua veracidade pode
ser constatada. Não se baseia apenas na razão, pois suas proposições são experimentadas. É um tipo de
conhecimento ordenado de forma lógica, mas que pode ser falível por não ser definitivo (LAKATOS;
MARCONI, 2003).

Para complementar o entendimento acerca desse tipo de conhecimento, Fonseca (2002, p. 11)
esclarece:
O conhecimento científico é produzido pela investigação científica, através de seus métodos.
Resultante do aprimoramento do senso comum, o conhecimento científico, tem sua origem
nos seus procedimentos de verificação baseados na metodologia científica. É um conhecimento
objetivo, metódico, passível de demonstração e comprovação. O método científico permite
a elaboração conceitual da realidade que se deseja verdadeira e impessoal, passível de ser
submetida a teses de falseabilidade. Contudo o conhecimento científico apresenta um caráter
provisório [...] uma vez que pode continuamente ser testado, enriquecido e reformulado. Para
que tal possa acontecer deve ser de domínio público.

Em termos pedagógicos, para melhor fixação e compreensão, Nonaka e Takeuchi (2004)


ensinam como funciona o processo de aprendizado e fazem a divisão do conhecimento em quatro
etapas: a socialização do conhecimento é a fase de criação e compartilhamento do conhecimento
tácito, ou seja, é repassado através da observação e das experiências; a externalização nada mais é que
argumentar, dialogar e refletir sobre o conhecimento adquirido; a combinação é processo de organizar
a aplicação do conhecimento em linguagem formal, ou seja, nesse momento o conhecimento torna-
se codificado; e a internalização o último estágio, porém, não menos importante, pois o processo de
aprendizado se inicia novamente através de novas experiências do conhecimento tácito.

Ainda para Takeuchi e Nonaka (2008), existe o conhecimento organizacional, composto por
cinco fases: compartilhamento do conhecimento tácito: é justamente partilhar o conhecimento
desenvolvido pelas experiências; criação de conceitos: é a fase do diálogo e reflexão que o coletivo
pode chegar por meio de métodos criativos; justificação dos conceitos: o entendimento organizacional
passa a filtrar informações e conceitos, e nesse momento a empresa começa a se ater ao custo do
produto, quanto o produto contribui na atividade da empresa e margem de lucro; construção de um
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Unidade Evolução histórica da educação
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arquétipo: na penúltima fase, a organização cria uma espécie de modelo a ser utilizado para que toda
a empresa esteja em plena sinergia, desde o pessoal até a parte tecnológica e difusão interativa do
conhecimento: é quando o conhecimento gerado passa das fronteiras da organização e é difundido
de forma participativa entre consumidores, fornecedores, outras organizações, etc.

Independentemente dos tipos de conhecimento que acreditamos ou na divisão que os


autores podem fazer, o que fica claro é que o processo de aprendizado é sempre renovado. Desde
a experiência até a sistematização do conhecimento, o que importa é não deixar o ciclo se fechar e
interromper a interatividade com o mundo, pois somente assim aquilo que é conhecido pode ser
denominado como renovado.

“Quando recebemos um ensinamento, devemos


recebe-lo como um valioso presente, e não como
uma dura tarefa. Eis aqui a diferença que transcende.”
Albert Einstein

2. ARCABOUÇO hISTóRICO DA EDUCAÇÃO


Escrita cuneiforme

Fonte: Pinterest.

Não é possível falarem educação sem mencionar a escrita, que foi um meio que o homem
pré-histórico encontrou de perpetuar-sena história. A escrita foi a “mágica de imortalizar” muitos
povos, porém, sua invenção é atribuída, cerca de 4000 a.C., à civilização dos Sumérios;povo que vivia
entre os rios Tigre e Eufrates e talvez seja o mais antigo do mundo. No entanto, os documentos mais
antigos que comprovam a aparição da escrita são de 3.200 a.C. encontrados na cidade de Uruk ao sul
da Mesopotâmia. Os artefatos históricos são tabletes de argila com o sistema primitivo de registrar
em paredes de rochedos com uma espécie de estilete, onde as ideias ou conceitos da época eram
registrados através de desenhos. A leitura da escrita cuneiforme era feita da esquerda para a direita e

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Evolução histórica da educação Unidade
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de cima para baixo, igual lemos o português, e assim como qualquer escrita,a cuneiforme foi sendo
aprimorada com o passar do tempo (BAKOS,1998).

Cagliari (2009) explica que, com a necessidade de fazer contabilização dos animais e também
dos produtos, o povo sumério desenvolveu outra técnica: utilizavam bolotas de barros de tamanhos
diferentes para que pudessem fazer a representação dos numerais e assim contabilizar seus bens. Nesse
período, só os escritos nas rochas não eram suficientes, por isso, a escrita cuneiforme foi evoluindo
conforme as necessidades iam surgindo.

Talvez você esteja se perguntando por que temos queir tão longe para falarmos de educação. A
verdade é que o contexto histórico faz com que possamos compreender também um pouco de nossa
própria essência. É claro que desde que o mundo é mundo sempre existiu o método de ensinar, que é
intrínseco ao ser humano, ainda que seja ensinar a pescar, caçar ou a proteger-se dos animais ferozes.
Diante do exposto, passamos a falar sobre os registros da forma propriamente dita da educação. Vamos lá?

Como foi dito, para compreendermosos porquês da evolução da Educação é necessário


tirar o pó dos livros e entender seu contexto histórico. A maneiracomo se ensinava séculos atrás é
completamente diferente do modo que é ensinado nas escolas de hoje.A educação possuiu várias fases
históricas, sendo que seu berço histórico é requerido por dois povos distintos: os egípcios eos gregos.
Para tanto, iremos apresentar nesta unidade, de forma sucinta, o posicionamento de alguns estudiosos
sobre a origem histórica da Educação e sua evolução histórica.

Para Manacorda (2002),é do Egito que vêm os indícios mais fortes sobre os primórdios do
método de ensino devido às pesquisas históricas e arqueológicas sobre a educação. Segundo o
autor, é legítimo iniciar o histórico de evolução da Educação pelo Egito, pois se tratou de um povo
com um sistema avançado de agricultura, além de outras ciências como a astronomia, geometria
e a matemática.O autor admite, porém, que existem correntes históricas queremetemaos gregos o
pioneirismona Educação.

Contrapondo a afirmação de Manacorda (2002), grande parte dos estudiosos afirma que foina
Grécia que surgiram os primeiros preceitos sobre Educação. Pensadores e revolucionários de sua
época como Sócrates, Platão e Aristóteles são, sem sombra de dúvida, os destaques sobre o pensamento
sistêmico da antiga Grécia. No entanto, isso também se deve a duas cidades em destaque: Atenas e
Esparta, que trouxeram grande significado a nossa evolução da Educação. Atenas por se tratar de uma
cidade-estado e ter uma vertente democrática, alémde priorizaro processo de ensino do indivíduo de
maneira que ele pudesse alcançar o conhecimento da verdade, do que se definia como belo e também
do que era considerado o bem. Já a cidade de Esparta, em um contexto geral,voltava-se ao militarismo,
visto que é de lá o surgimento de grandes guerreiros e heróisda época (PALMA FILHO,2010).

Ainda na visão de Manacorda (2002), os ensinamentos iniciados no mais remoto Egito estão
registrados no século XXVII antes de Cristo. Conforme denotação do autor, os preceitos morais da época
e comportamentais eram transmitidos de maneira rigorosa. Normalmente, esses ensinamentos eram
repassados de pai para filho ou de um mestre para seu discípulo ou escriba. Dessa forma, observamos
que desde a antiguidade o ensino transmitido pelo mais maduro ao mais novo é característica presente
nos povos.

Para Saviani (2007), desde os primórdios no Egito até a fase dos escribas, ou mesmo na Grécia
e também em Roma, as escolas eram restritas a certas classes sociais e o objetivoera preparar seus
futuros dirigentes de forma intelectual para um governo promissor. Já para os trabalhos manuais não
era necessário um processo de aprendizado escolar como o das classes altas: o “aprendiz”, por assim
dizer, executava suas funções de ofício lado a lado de seus mestres.

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Unidade Evolução histórica da educação
1

Você é capaz de observar que a preparação das classes mais altas, em todas as épocas, é sempre
privilegiada e que para as classes mais pobres resta apenas o trabalho braçal? Mera coincidência ou
uma imposição capitalista?

Veja a reportagem da Folha de São Paulo de 16 de


dezembro de 2017, intitulada “Escola atual não elimina
desigualdade que vem do berço”, que faz menção a
um estudo do IBGE que revela que existembarreiras
gigantescas entre as gerações dependendo da educação
dedicada aos pais.
Acesse o link: <http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/12/1943833-escola-atual-
nao-elimina-desigualdade-que-vem-do-berco.shtml>.
Fonte: Elaborado pela autora.

2.1 Fases históricas da educação na Idade Média


Nunes (1979) fez em seu livro um resumo prático das fases da evolução da Educação que facilitará
nosso estudo. O autor divide esse período em quatro fases: na primeira fase, a Idade Média, houve
uma decadência no âmbito escolar do mundo antigo, pois com a cultura romana sendo implementada
através do monarquismo, engessou-se o progresso da educação. Na segunda fase,devido ao período
de trégua nas invasões territoriais,os governos de Carlos Magno, Alfredo, o Grande e Otão viram
a população aumentar, e grandes transformações na economia foram percebidas. A fase seguinte
revelou o ápice da Idade Média; período da evolução das universidades edo surgimento da doutrina e
do pensamento crítico, conhecido como método escolástico. Finalmente, na quarta fase presenciou-
se o declínio escolar. Um período conturbado trouxe crise à cultura do Ocidente, porém,precedeu o
surgimento do Renascimento.

Dado esse resumo do período histórico da Idade Média, outro momento começa a florescer
no campo da educação: o Renascimento. Esse período deflagrou um importantíssimomovimento na
época que consagrou nomes de vários artistas como Leonardo da Vinci, Michelangelo e tantos outros
que se tornaram legítimos representantes desse período. É evidente que as mudanças não ocorrem
apenas no âmbito artístico, mas também no cultural e principalmente no científico. O Renascimento
não se apoiou em uma ruptura com a Idade Média, mas foi uma modernização sensível e importante
aos temas e aos interesses pesquisados no campo científico, além da eminente ascensão da arte e
cultura deste período (SOUSA, 2017).

Um fator determinante para o Renascimento foi a invenção da imprensa em 1440 por Johannes
Gutenberg, cujo fato mais importante noticiado foi o anúncio da Reforma Protestante. Iniciada em
1517, pelo inconformado monge católico Martinho Lutero, a Reforma trouxe ao ensino educacional
um marco histórico. Lutero considerava papel do Estado a responsabilidade sobre aeducação universal,
além de torná-la pública (GEMER, 2008).

Rieth (2017) afirma que embora Martinho Lutero fosse um estudioso dedicado a teologia,
seu objetivo não era criar apenas uma teoria de ensino na ótica cristã, mas empenhou-se para que a
sociedade fosse despertada para uma educação de qualidade de maneira formal.Lutero refutou a tese
do humanista Erasmo de Roterdã (1469-1536), que dizia que onde o luteranismo entrava, a ciência
13
Evolução histórica da educação Unidade
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era decadente. Embora criticado por alguns, Lutero apoiou mudanças importantes em sua época,
através de convocações a médicos para a reforma de suas faculdades, estudantes de Direito a abolir
o direito canônico em suas grades de ensino e em contrapartida estudar o direito territorial, além
das conhecidas 95 tesesde Lutero que levaram aos cristãos da época uma reflexão sobre os dogmas e
sofismas impostos pela Igreja Católica.

Quer conhecer mais sobre as teses de Lutero?


Acesse o link: <http://www.luteranos.com.br/lutero/95_
teses.html>.
Fonte: Elaborado pela autora.

2.2 Revolução Industrial e a Educação


Caro (a) aluno (a), talvez para muitos de nós a história da Educação começa a ser conhecida
a partir da Revolução Industrial. Na Inglaterra da segunda metade do século XVIII, a revolução das
máquinas começa a tomar proporções. Finda-se a fase do feudalismo para o Capitalismo e começa
a modernização das máquinas que funcionavam à vapor, pois as fábricas tinham a necessidade de
produzir em larga escala; o ritmo era intenso e o capital continuava a abrir portas a novos mercados.
Diante desse contexto, a tecnologia não afetou só as fábricas, mas a vida das pessoas, a economia, a
cultura da época etoda a sociedade foi atingida pela Revolução Industrial (ALMEIDA, 2013).

Neste momento da história, há uma “aliança” entre a fábrica e a escola, como se o sistema
fabril fosse uma espécie de escola para as crianças. A pergunta é: onde se entrelaçam os caminhos da
educação e do trabalho? Manacorda (2002, p. 305) explica:
O trabalho entra, de fato, no campo da educação por dois caminhos, que ora se ignoram, ora se
entrelaçam, ora se chocam: o primeiro caminho é o desenvolvimento objetivo das capacidades
produtivas sociais (em suma, da revolução industrial), o segundo é a moderna “descoberta da
criança”. O primeiro caminho é muito duro e exigente: precisa de homens capazes de produzir
“de acordo com as máquinas”, precisa colocar algo de novo no velho aprendizado artesanal,
precisa de especializações modernas. O segundo caminho exalta o tema da espontaneidade
da criança, da necessidade de aderir à evolução da psique [...]. Portanto, a instrução técnico-
profissional promovida pelas indústrias ou pelos Estados e a educação ativa das escolas novas,
de um lado, dão se as costas, mas, do outro lado, ambas se baseiam num mesmo elemento
formativo, o trabalho, e visa o mesmo objetivo formativo, o homem capaz de produzir.

É impossível não mencionar os estudos de Frederick Winslow Taylor, que foi o patrono do
gerenciamento cientifico do trabalho e estudou os tempos e os movimentos. Ele definiu quatro bases na
execução das tarefas do trabalhador: planejar, preparar, controlar e executar, e seu objetivo era alcançar
a eficiência das tarefas. Depois, deparamo-nos com os estudos sobre Henry Ford, empreendedor
americanoque aprimorou a produção em massa e em larga escala e cuja ideia central era produzir a
maior quantidade possível em menor tempo. Em seguida, nos deparamos como Jules Henri Fayol que
em suas teorias salientou que a administração era a tarefa com maior grau de importância dentro de
uma empresa, e que para aumentar a eficiência era imprescindível colocar em prática princípios como
divisão de trabalho, remuneração, hierarquia e iniciativa. Finalmente, Max Weber propôs ao mundo a
teoria da burocracia (E não é isso que já vem logo a nossa mente? Que o processo é moroso e complexo,
com longas filas e papeladas intermináveis?), cuja essência era criar regras, bases e normas para que os
processos funcionassem de maneira correta e evitassem desperdício e perdas (RIBAS, 2017).

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Unidade Evolução histórica da educação
1

Foi preciso todo esse histórico para entender o que aconteceu com as crianças da época. Por
que elas não estavam nas escolas? A resposta é simples: as indústrias não precisavam apenas da força
bruta, mas de trabalhadores com pouca força, porém, com maior flexibilidade. Neste caso, crianças,
adolescentes e mulheres passaram a ser utilizados em larga escala nas indústrias. Nesse período, houve
um grande aumento no índice de mortalidade infantil por diversos motivos, mas principalmente pelo
trabalho, mas e quanto à escola? Camargo (2016, p. 5) dá a resposta de como funcionavam as leis que
“protegiam” as crianças para estudarem:
[...] as leis fabris criadas pelo Parlamento inglês não passavam de falácias, pois frequentemente
eram burladas pelos capitalistas, como exemplo disso, [...]os certificados de frequência escolar
eram assinados apenas com uma cruz pelo professor, demonstrando assim, que nem este
sabia escrever.

Ainda para Camargo (2016), mesmo que Taylor, Ford, Fayol ou Weber não tenham se dedicado
a escreverem livros ou artigos sobre a educação, seus trabalhos de observação e análises sobre as
divisões de trabalho no meio fabril e o processo produtivo em massa contribuíram para mudanças no
processo de trabalho do homem. E não se pode negar que construíram um legado sobre administração,
métodos, cálculos e projeções para melhor gerir o trabalho, embora o enfoque da época fosse apenas o
capitalismo “a sangue frio”. Portanto, é possível entender que uma sociedade mais justa, democrática
e completamente emancipada só será possível através da formação de indivíduos transformadores de
realidades. Para tal, a educação escolar ainda necessita de muitas modificações e melhorias.

Quer contribuir para a educação em sua cidade ou no seu


bairro? Conheça as 5 Atitudes Pela Educação que têm o
objetivo apoiar e incentivar a Educação no Brasil.

Fonte: 5 Atitudes pela Educação.

3. PRIMóRDIOS DA EDUCAÇÃO NO BRASIL


Falar da nossa história é um pouco mais fácil, não é mesmo? Sabemos tudo sobre nossas
dificuldades, anseios, medos e tantos outros sentimentos que nos rodeiam. A história do povo brasileiro
é uma história triste de um povo que foi roubado, saqueado em suas próprias terra. A dignidade de um
povo que quase se perdeu pelos conchavos, presentinhos e o famoso “jeitinho brasileiro” de resolver
as coisas, mas alto lá! Não foram os índios que roubaram as terras dos portugueses.Pelo contrário: um
povo estranho nos saqueou e roubou, então vamos por um momento corrigir nossas raízes históricas

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Evolução histórica da educação Unidade
1

e dizer que o “jeitinho” não é nossoe entendermos como foi que tudo começou aqui no Brasil, é claro,
com enfoque na Educação.

No Brasil, assim como em qualquer povo antes de sua colonização, o conhecimento era
transmitido de forma simples e não padronizada. Sem instituições de ensino, o conhecimento era
transmitido de pai para filho através das atividades do cotidiano. Os índios que aqui viviam limitavam-
se apenas a repassar seus usos e costumes da época de maneira empírica. Já no período colonial,
com a chegada dos portugueses, muita coisa mudou por aqui. O que antes era de comum para todos
transformou-se em uma sociedade capitalista e mercantil (PALMA; FRANCESHINA, 2017).

Silva Junior (2017) conta que a história do Brasil é marcada pela educação através do catequismo
aos indígenas. Embora o autor não identifique correlação entre a educação e a catequese aplicada
pelos jesuítas, é indiscutível que o pioneirismo pertence aos religiosos que chegaram na época da
colonização, e que durante muito tempo ensino e religião caminharam lado a lado.

É necessário destacar que não foram apenas os jesuítas que tiveram papel relevante na educação
e catequização dos índios no Brasil colônia. Outros ordenamentos religiosos como os carmelitas e
os irmãos beneditinos e dominicanos, entre outros, também exerceram papel fundamental. Saviani
(2007) demonstra claramente que existia uma interação entre a educação e o catequismo:
Como já foi salientado, há uma estreita simbiose entre educação e catequese na colonização
do Brasil. Em verdade a emergência da educação como um fenômeno de aculturação tinha na
catequese a sua ideia-força, o que fica claramente formulado no Regimento de Dom João III
estatuído em 1549 e que continha as diretrizes a serem seguidas e implementadasna colônia
brasileira pelo primeiro governo geral (SAVIANI, 2007, p. 31).

Embora houvesse um grande abismo quanto à diferença cultural entre os indígenas e os jesuítas,
a missão de catequizar não ficou comprometida, conforme podemos observar na figura a seguir.

Educação dos jesuítas no Brasil-Colônia

Fonte: Pinterest.

16
Unidade Evolução histórica da educação
1

Já Oliveira (2017) observa que a crise na educação brasileira tem suas raízes históricas no
confronto do ensino laico, ou seja, não sujeito a nenhuma religião, em contrapartida com o ensino
confessional que fora ministrado pelos jesuítas. As bases educacionais ficaram inalteradas por mais de
200 anos, e com isso o confessional perdurou obstante ao Estado. Muito embora houvesse contribuições
significativas ao ensino, o interesse real do catecismo era absolutamente outro.
Palma e Franceshina (2017) denotam em seus estudos que por meio das diversas transformações
criadas pela Revolução Francesa e Industrial muitos aspectos da educação também mudaram. Com
o crescimento urbano, a burguesia em emersão e abolição da escravatura, uma nova classe elitizada
precisava ser aculturada para acompanhar o crescimento e os acontecimentos mundiais. Por isso, em
1826, Cunha Bueno apresentou a diretriz educacional e surgiu então a divisão do ensino em três graus
distintos. Assim, o ensino a todos se chamou primário; o secundário era apenas para as províncias e
finalmente, o ensino superior apenas para a União.
Caro (a) acadêmico (a), observe que o último acontecimento histórico que datamos foi em
1826, porém, a história da educação brasileira não parou nesse período. O objetivo do tópico era
apenas demonstrar ao leitoros primeiros passos e os métodos iniciais de ensino no Brasil. Quer dar
continuidade a esse estudo? Arregace as mangas e desperte em você o “espírito investigativo” e conheça
mais sobre a nossa história e evolução.

4. MAS, AFINAL, O QUE É TECNOLOGIA?


Tecnologia

Fonte: Pinterest.

Caro (a) acadêmico (a), você já se perguntou realmente o que é tecnologia? Embora utilizemos
da tecnologia em quase todas as atividades do dia a dia, muitas vezes não nos atentamos a ela.

17
Evolução histórica da educação Unidade
1

Segundo Veraszto et al.(2017) não devemos taxar uma definição exata e precisa sobre o termo
tecnologia, pois ao longo da história a palavra é conceituada através de compreensões diferentes e
principalmente com embasamentos teóricos que divergem o tempo todo.

Nesse sentido, Freire (2014, p. 50) responde ao nosso questionamento: O que é tecnologia?
De forma geral, a resposta à pergunta “O que é tecnologia” demonstra essa concepção de
história que confia na infinitude do tempo, que entende o progresso como uma estrada em
que se trilha veloz e lentamente. A alienação quanto a esse percurso, a via do progresso,
dá-se segundo Benjamin, através de uma relação com o presente, própria dessa concepção
afirmativa de história, marcada pela falta de nexo, de precisão e de rigor. Perguntar sobre o
que é tecnologia é apenas uma iniciativa tímida perante um processo de alienação em que a
razão se conforta em esquecer seus fins e seus limites.

Diante desses argumentos, podemos compreender que embora apareça em vários ambientes
e também áreas de conhecimento, a tecnologia é mantida independente ou até mesmo alheia aos
ambientes e das áreas do conhecimento. Deste modo, a tecnologia muitas vezes tem passado como
mero utilitário ou ferramenta que é imposta a utilização, porém foi não para isso que ela surgiu.

É necessário olhar para a história da humanidade para entendermos como funciona a tecnologia,
por exemplo: Quando o homem mais primitivo descobriu a possibilidade de modificar e melhorar
uma faca feita de pedra por uma faca com o corte de ferro ou quem sabe que salgar alguns alimentos
faz com que durem mais tempo. Parece simples, mas não é tão fácil assim dependendo do contexto
histórico em que se vive. Qualquer modificação que aprimora o instrumento/objeto ou que pode
melhorar o cotidiano contribui para o aperfeiçoamento da tecnologia.

Como podemos então compreender o objetivo da utilização das tecnologias, Pinto (2004, p. 3-4)
explica:
Usar tecnologia tem como objetivo o aumento da eficiência da atividade humana
em todas as esferas, principalmente na produtiva. A tecnologia e seu uso são a
marcada terceira Revolução Industrial. Caracteriza-se pela transformação acelerada
no campo tecnológico, com consequências no mercado de bens, serviços e consumo;
no modo de organização dos trabalhadores; no modo de produção; na educação/qualificação
dos trabalhadores e nas relações sociais.

Ao percebermos como a tecnologia funciona compreendemos que ela consiste em um melhor


rendimento para qualquer atividade humana. É certo afirmarmos que atualmente quanto mais
aprimorado o serviço, máquina ou atividade, mais requer evolução e mais tecnologia.

No entanto, você sabe como tudo isso começou? Gómez (2002) exemplifica que nos Estados
Unidos foram implantadas novas tecnologias nas portas dos shoppings centers, sensores capazes de
abrir e fechar as portas de maneira automática possibilitava maior acessibilidade aos consumidores
cheios de sacolas. Aparentemente algo muito simples, mas com o objetivo alcançado o consumo
foi estimulado. Outro exemplo simples foi na Alemanha, para diminuir o consumo de água foram
instaladas nos banheiros novas tecnologias para regular a saída de água. Nestes exemplos, torna-se
possível observar à importante dinâmica que envolve a finalidade do uso das tecnologias e como isso
reflete na sociedade.

Diante de tantas novidades tecnológicas que nos sobrevêm, uma frase cai como uma luva
de Freire (2014, p.54) “O novo envelhece rápido na era industrial. O que dizer do século XX, com a
explosão da produção e do consumo?”

18
Unidade Evolução histórica da educação
1

Caro (a) aluno (a), ao finalizarmos esse módulo te convido a pensar em como mudanças
aconteceram em nosso dia a dia. Você se lembra do seu primeiro celular? Aquele cheio de botões e
que muitas vezes era enorme e pesado...Pois é, o tempo passou muito rápido e hoje não sabemos às
vezes dizer quantas vezes já trocamos de celular.

No entanto, pergunto a você: Se era tão bom seu primeiro celular, pois fazia e atendia ligações,
por que substituí-lo tantas vezes? A resposta é simples: a tecnologia mudou o celular “tijolão” para
smartphone, e então, aquele aparelho se tornou obsoleto e não serve mais. Isso acontece com diversas
coisas, por exemplo: máquina de escrever, disquete,fax, vídeo cassete, máquina fotográfica e tantos
outros que não é possível listá-los. Muitos de nós nunca utilizamos alguns desses objetos e talvez só
venha conhecê-los através da internet, que, aliás, é uma ótima tecnologia. Diante de tudo isso só nos
resta uma pergunta: O que fazer com aquilo que se tornou obsoleto? Bem, vamos deixar esse assunto
para outra oportunidade.

Você sabia que a Islândia lidera o ranking global do


Índice de Desenvolvimento de Tecnologia e Informação
e Comunicação (IDI) em 2017, segundo a Organização
das Nações Unidas. Já o Brasil ocupa a 66º posição no
ranking mundial. Aproveite e leia a matéria na íntegra!
Disponível em: <https://nacoesunidas.org/brasil-ocupa-
66o-lugar-em-ranking-da-onu-de-tecnologia-de-informacao-e-comunicacao/>.
Fonte: Elaborado pela autora.

CONCLUSÃO
Caro(a) acadêmico(a), nesta unidade foi possível compreendermos conceitos sobre educação
e como esses conceitos influenciam nossa história. Foi abordado o conceito de educar que, em tese,
ocupa a ideia de conduzir o indivíduo ao desenvolvimento de maneira completa de sua personalidade.
Ficou explícito que aquele que transmite o conhecimento aprende como aquele que absorve o
ensino. Também foi possível compreendermos que o processo de aprendizagem deve promover uma
transformação intelectual no indivíduo. Nesse sentido, o alargamento da mente acontece com a soma
de conhecimentos adquiridos pelo indivíduo.

Estudamos sobre o arcabouço histórico que envolve a educação. Descobrimos que na cidade de
Uruk ao sul da Mesopotâmia foram encontrados os primeiros artefatos da escrita cuneiforme, datados
por volta de 3.200 a.C. Averiguamos que o povo sumério desenvolveu uma técnica de contabilização
através de diferentes bolotas de barro. Ficou claro que desde a antiguidade o ensino era transmitido
pelo mais maduro ao mais novo e que essa práticaé característica presente ainda na maioria dos povos.

Foi abordado um terceiro momento da educação e suas fases importantes na Idade Média, um
período bastante conturbado no início, porém que contribuiu para a evolução das universidades epara
o surgimento da doutrina e do pensamento crítico. Vimos como as teses de Lutero foram amplamente
divulgadas com o advento da invenção da imprensa.

Através desse estudo tornou-se possível compreender como o Capitalismo desenfreado


promoveu a Revolução Industrial, mas também como manchou a história com o trabalho desumano,
principalmente, para mulheres e crianças.
19
Evolução histórica da educação Unidade
1

Analisamos os métodos da igreja Católica na catequização dos indígenas, como a igreja


influenciou durante muitos anos no método e diretrizes do ensino no Brasil. Também foi possível
compreendermos como as influências dos portugueses marcaram nossa história e como ficou
impregnada em nossa terra a fraude e a corrupção.

Por fim, abordamos sobre o conceito de tecnologia, explicamos como ela funciona e como pode
contribuir em diversos setores da sociedade. Compreendemos como a tecnologia pode trabalhar em
nosso favor e como pequenos diferenciais nos separam no novo e do obsoleto.

Prezado(a) aluno(a), espero que esse conteúdo possa ter contribuído nos seus estudos e que
tenha instigado a conhecer mais sobre a História da Educação. Sucesso!

ELEMENTOS COMPLEMENTARES
#FILME#

Título: A classe operária vai ao paraíso


Ano: 1971
Sinopse: Lulu Massa (Gian Maria Volonté) é um
trabalhador exemplar, dedicado e admirado por seus
chefes pelo trabalho bem feito, mas detestado pelos demais
funcionários. Por conta dos baixos salários e das péssimas
condições de trabalho, o sindicato decide entrar em greve,
fazendo todos os operários da fábrica pararem. Lulu decide
não se envolver com o movimento político até o momento
em que sofre um acidente com uma das máquinas, o que
lhe custa um dedo. Diantedo descaso de seus patrões com o
acidente, ele decide participar dos grupos revolucionários.
Disponível em: <http://www.adorocinema.com/filmes/
filme- 6095/>. Acesso em: 12 jan. 2018.

#LIVRO#
Título: Novas Tecnologias na Educação: Reflexões Sobre a Prática
Autor: Luís Paulo Leopoldo Mercado (Org.)
Editora: EDUFAL
Sinopse: Os textos publicados no livro resultam das reflexões
produzidas sobre o tema Novas Tecnologias na Educação,
proporcionando uma visão ampla da evolução do conhecimento
científico na área de novas tecnologias na educação e da
metodologia e técnicas de pesquisa como instrumentos de produção
do conhecimento, introduzindo o uso de novas tecnologias numa
escola, envolvendo projetos de informática educativa, telemática
educativa, software educativo, atualização pedagógica. As reflexões
abordam: a formação de professores frente as novas tecnologias; a
socialização na Internet através de uma lista de discussão; a escolha
de softwares livre na escola; a capacitação de professores para
utilizar novas tecnologias nas escolas públicas; a utilização da informática na sala de aula;
a terceirização na informática educativa; e a internet como ambiente de pesquisa na escola.
20
Unidade Evolução histórica da educação
1

REFERÊNCIAS
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Legais. 2013. Disponível em: <http://www.ppe.uem.br/dissertacoes/2008_marcos_pires.pdf>. Acesso
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neiforme&ots=sMLJLY7_Ko&sig=VlbsVe6YJOHRxDSgNkeEGBPQ7fM#v=onepage&q=escrita%20
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21
Evolução histórica da educação Unidade
1

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2018.

SAVIANI, D. História das idéias pedagógicas no Brasil. Campinas: Autores Associados, 2007.

SFORNI, M. S. F.; GALUCH, M. T. B. Aprendizagem conceitual nas séries iniciais do ensino


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SILVA JUNIOR, J. M. S. Catequese e Educação: do Brasil colônia aos desafios da atualidade. Revista


de Educação ANEC, v. 40, n. 153, p. 28-50, 2017. Disponível em: <http://www.revistas.anec.org.br/
index.php/revistaeducacao/article/view/19/13>. Acesso em: 15 dez. 2017.

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Disponível em: <http://pentaho.letras.up.pt/ojs/index.php/prismacom/article/view/2078>. Acesso
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VIGOTSKY, L. S. A construção do pensamento e da linguagem. Tradução de Paulo Bezerra. São


Paulo: Martins Fontes, 2000.
22
Unidade
2

O EstadO E a faMília aliadOs PEla


EduCaçãO

Professora Especialista débora Regina fagundes Candido

Objetivos de aprendizagem
da unidade
• Compreender o papel do Estado na educação
• Entender como funciona o Plano Nacional de Educação (PNE)
• Conhecer as 20 Metas do Plano Nacional de Educação e
identificar sua aplicação em alguns estados do País
• Perceber o papel da família na educação e na formação do
indivíduo
O Estado e a família aliados pela educação Unidade
2

iNtROduçãO
Prezado(a) acadêmico(a), ao iniciarmos esta segunda unidade, vamos compreender como o
Estado e a Família devem caminhar de braços dados em favor da educação e como os planos de
políticas públicas influenciam no processo de ensino. Analisaremos alguns artigos da Constituição
Federal de 1988 que impõem ao Estado deveres para disseminar a educação para todos os indivíduos
e se o Estado tem conseguido cumprir seus objetivos ou tem alterado sua função principal.
Em seguida,vamos entender como funciona o Plano Nacional de Educação (PNE), em quais
esferas ele tem atuação, quais são suas prerrogativas estabelecidas e como está o desenvolvimentodo
seu plano de metas. Além disso,analisaremos a posição do Brasil no ranking mundial da educação.
Já no terceiro tópico, consultaremos as 20 Metas do Plano Nacional de Educação. Serão
analisados dados de regiões do nosso país para fazer um comparativo entre as metas estabelecidas e a
atual situação em relação ao cumprimento das metas.
Finalizaremos a unidade discutindo o papel da família na educação e na formação do indivíduo,
pois a família tem papel decisivo na formação do caráter da criança, e principalmente como a família
está atualmente. Falaremos sobre como os pais agem diante de situações extremas e abordaremos as
mudanças de postura que os pais tiveram no decorrer da história, além das mudanças que a família
tem enfrentado diante de um mundo digital.
Caro(a) acadêmico(a), desejo queo conteúdo dessa unidade lhe proporcione uma metanoia e
que o(a) incentive a prosseguir estudando! Bons estudos!

1. O PaPEl dO EstadO Na EduCaçãO


Educação, arma poderosa de mudança

Fonte: Pinterest.

Caro (a) aluno (a), no último tópico da unidade anterior falávamos sobre os primórdios da
educação no Brasil e como a Igreja desenvolveu a prática de ensino através do catequismo. Após a

24
Unidade O Estado e a família aliados pela educação
2

Inauguração da República Brasil, houve então uma separação entre Estado (nação) e Igreja, pois nesse
momento o país já possuía uma ordenação jurídica pela qual o Estado poderia responsabilizar-se pela
educação no Brasil.

Desse modo, o governo central do Brasil, assim como estados e municípios, tomaram para si
atribuições em relação à Educação. Atualmente, no Brasil, a forma de organizar a administração ficou
conhecida como plano ou projeto de políticas públicas, que nada mais é que: “[...]uma ação do Estado,
de caráter universal, destinada a atender a todos de forma igualitária.” (MOREIRA, 2008).

Em posse desse entendimento, iniciaremos nosso estudo por meioda Lei máxima do nosso
país: a Constituição Federal de 1988. Pois bem, o artigo 205 da Constituição estabelece ao Estado a
competência de educar:
Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e
incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa,
seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. (BRASIL, 1988).

É possível visualizar que, ao instituir a lei, o legislador preocupou-se em deixar um artigo


específico para perpetrar que é dever do Estado oportunizar a educação a todos os indivíduos.
Posteriormente, vamos dar ênfase no papel da família e da sociedade, porém, nesse momento vamos
priorizar e entender como é o funcionamento e o trabalho do Estado para promover a educação para
todos os cidadãos. Embora a Constituição Federal seja de 1988, o artigo não se mostra obsoleto; pelo
contrário: reafirma que a sociedade e a família precisam caminhar de mãos dadas com o Estado para
promoverem o desenvolvimento do indivíduo.

Em seu Art. 206, a Constituição Federal de 1988 disciplina que o ensino terá como bases
alguns princípios:
Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;
III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas
e privadas de ensino;
IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
V- valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de
carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes
públicas;
VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei;
VII - garantia de padrão de qualidade.
VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos
termos de lei federal [...]. (BRASIL,1988).

Nota-se que o legislador trouxe a esse artigo princípios que norteiam uma educação baseada em
igualdade, liberdade, diversidade de ideias, gratuidade e valorização dos educadores, porém, mesmo
com a lei assegurando todos esses direitos, na prática não é bem isso que vemos em âmbito nacional. E
nem precisar ir muito longe: no bairro em que moramos percebemos uma infinidade de problemas.

Na visão de Pinto (2004),embora seja dever do Estado garantir a educação, a escola acaba por
assumir efetivamente o papel de assistente social da população mais carente. Neste sentido, perde
o foco da sua função principal de elaborar o conhecimento e disseminá-lo de maneira igualitária a
população. A autora faz a crítica:
Num país onde a escola ainda assume o papel de assistente social e perde de vista sua função
de produzir e “reproduzir” o conhecimento, faz-se necessário resgatar sua função primordial
de formar o cidadão para a sociedade atual [...]. (PINTO, 2004, p. 6).

25
O Estado e a família aliados pela educação Unidade
2

Embora o texto da autora tivesse sido escrito há quase 15 anos, percebeu que esse texto é
verdadeiramente a realidade que encontramos hoje no cotidiano da vida escolar?

Às portas da eclosão da Segunda Guerra Mundial, Jean Piaget sabiamente anteviu como a educação
tem papel decisivo em todas as nações e se sobrepõe a quaisquer ideologias e governos. É relevante citar
neste estudo um posicionamento de Piaget: “Após os cataclismos que marcaram estes últimos meses, a
educação constituirá, uma vez mais, o fator decisivo não só da reconstrução, mas inclusive e, sobretudo,
da construção propriamente dita” (PIAGET,1940, p.12apud PIAGET; MUNARI, 2010, p.17).

Parafraseando a ideia de Piaget e aplicando em nossos dias, podemos concordar com o autor que
a educação deve ser pedra fundamental para a construção ou mesmo a reconstrução de uma sociedade.

“Todo ser humano tem direito à instrução. A instrução


será gratuita, pelo menos nos graus elementares e
fundamentais[...]”
Fonte: Declaração Universal dos Direitos Humanos
(1948), artigo XXVI.
Disponível em: <http://www.onu.org.br/img/2014/09/
DUDH.pdf>.

2. PlaNO NaCiONal dE EduCaçãO


Plano

Fonte: Pixabay.

Agora que já compreendemos o porquê de o Estado ter a incumbência de estar à frente da


educação, podemos estudar como funciona o Plano Nacional de Educação (para facilitar nossa didática,
utilizaremos a sigla PNE quando tratarmos do Plano Nacional de Educação). Atualmente, a Lei do PNE é
a nº 13.005 de 25 de junho 2014 e tem vigência de 10 anos. No entanto, em 2009 a Emenda Constitucional
nº 59 alterou e fez melhorias ao artigo 214 da Constituição Federal de 1988, que embasou o PNE:
26
Unidade O Estado e a família aliados pela educação
2

Art. 214. A lei estabelecerá o plano nacional de educação, de duração decenal, com o
objetivo de articular o sistema nacional de educação em regime de colaboração e definir
diretrizes, objetivos, metas e estratégias de implementação para assegurar a manutenção e
desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis, etapas e modalidades por meio de ações
integradas dos poderes públicos das diferentes esferas federativas que conduzam a:       
 I - erradicação do analfabetismo;
II - universalização do atendimento escolar;
III - melhoria da qualidade do ensino;
IV - formação para o trabalho;
V - promoção humanística, científica e tecnológica do País.
VI - estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como proporção
do produto interno bruto. (BRASIL, 2009).  

 É possível observar que, através da Lei, o legislador procurou ações para melhorar a Educação.
Por meio desse plano, o Ministério da Educação pode organizar estrategicamente maneiras de colocar
a educação de volta aos trilhos. Mas será que o PNE deu certo?

Segundo o Caderno Conhecendo as 20 Metas do PNE (2014), disponível no site do Ministério


da Educação (MEC), o plano implica ao Brasil encarregar-se de eliminar as desigualdades sociais no
campo da educação através de um esforço contínuo.

Atualmente, o plano possui 20 metas para orientar como promover o acesso e a permanência
nas escolas a fim de erradicar as desigualdades educacionais de cada região do país, identificar o
potencial de cada localidade e promover a formação para o trabalho e para que os indivíduos possam
exercer a plena cidadania.

De posse dessas informações, cabe nos atermos também ao Art. 214 da Constituição Federal,
que possui diretrizes do PNE. A Lei Nº 13.005 de 25 de junho 2014, em seu artigo 2º, disciplina quais
são os fundamentos desse plano:
Art. 2º  São diretrizes do PNE:
I - erradicação do analfabetismo;
II - universalização do atendimento escolar;
III - superação das desigualdades educacionais, com ênfase na promoção da cidadania e na
erradicação de todas as formas de discriminação;
IV - melhoria da qualidade da educação;
V - formação para o trabalho e para a cidadania, com ênfase nos valores morais e éticos em
que se fundamenta a sociedade;
VI - promoção do princípio da gestão democrática da educação pública;
VII - promoção humanística, científica, cultural e tecnológica do País;
VIII - estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como
proporção do Produto Interno Bruto - PIB, que assegure atendimento às necessidades de
expansão, com padrão de qualidade e equidade;
IX - valorização dos (as) profissionais da educação;
X - promoção dos princípios do respeito aos direitos humanos, à diversidade e à sustentabilidade
socioambiental. (BRASIL, 2014).

Podemos perceber que alguns dos incisos são literalmente iguais ao que a Constituição impõe
ao PNE, o que reforça o peso da obrigação de conduzir o país ao pleno desenvolvimento em uma
educação de qualidade.

Ainda segundo o Caderno Conhecendo as 20 Metas do PNE (2014), “[...] não há como trabalhar
de forma desarticulada, porque o foco central deve ser a construção de metas alinhadas ao PNE.” Por
isso, entes da federação como o Ministério da Educação (MEC) e a Secretaria de Articulação com os
Sistemas de Ensino (SASE), juntamente com os estados, municípios e o Distrito Federal, procuram
estabelecer nacionalmente o alinhamento do PNE em todo o país.

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O Estado e a família aliados pela educação Unidade
2

O Brasil está na 60º posição entre os piores no


Ranking Mundial de Educação
Em 2015, a OCDE (Organização para a
Cooperação e Desenvolvimento Econômico) fez
uma avaliação com alunos de 15 anos de idade
em 76 países por meio da aplicação de testes de
ciências e matemática, em que se revelou uma
dura realidade brasileira.

Disponível em: <http://www.feedbackmag.com.br/humanas-e-o-excedente-de-riqueza-


parte-2/>. Acesso em: 16 jan. 2018.

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Unidade O Estado e a família aliados pela educação
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3. as 20 MEtas dO PlaNO NaCiONal dE


EduCaçãO
Direções

Fonte: Pixabay.

Prezado (a) acadêmico (a), passamos agora a entender como funcionam as metas do PNE e, para
melhor compreensão, elaboramos um quadro com as 20 metas compiladas e divididas nos setores em
que cada meta atua. Essas metas, como citado anteriormente, correspondem à vigência de 2014 a 2024:

Vinte metas PNE e Setores de abrangência

PNE – PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO (VIGÊNCIA: 2014-2024)


Meta estabelecida Setor de Atuação
Meta 1: universalizar até 2016 a educação infantil na pré-escola para as crianças Educação Infantil.
de 4 (quatro) a 5 (cinco) anos de idade e ampliar a oferta de educação infantil em
creches, de forma a atender, no mínimo, 50% (cinquenta por cento) das crianças de
até 3 (três) anos até o final da vigência deste PNE.
Meta 2: universalizar o ensino fundamental de 9 (nove) anos para toda a popula- Ensino Fundamental.
ção de 6 (seis) a 14 (quatorze) anos e garantir que pelo menos 95% (noventa e cin-
co por cento) dos alunos concluam essa etapa na idade recomendada até o último
ano de vigência deste PNE.
Meta 3: universalizar até 2016 o atendimento escolar para toda a população de Ensino Médio.
15 (quinze) a 17 (dezessete) anos e elevar, até o final do período de vigência deste
PNE, a taxa líquida de matrículas no ensino médio para 85% (oitenta e cinco por
cento).

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O Estado e a família aliados pela educação Unidade
2

PNE – PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO (VIGÊNCIA: 2014-2024)


Meta estabelecida Setor de Atuação
Meta 4: universalizar, para a população de 4 (quatro) a 17 (dezessete) anos com Educação Especial.
deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdo-
tação, o acesso à educação básica e ao atendimento educacional especializado, pre-
ferencialmente na rede regular de ensino, com a garantia de sistema educacional
inclusivo, de salas de recursos multifuncionais, classes, escolas ou serviços especia-
lizados, públicos ou conveniados.
Meta 5: alfabetizar todas as crianças, no máximo até o final do 3º (terceiro) ano do Ensino Fundamental.
ensino fundamental.
Meta 6: oferecer educação em tempo integral em, no mínimo, 50% (cinquenta por Regular o espaço-tempo na
cento) das escolas públicas, de forma a atender pelo menos, 25% (vinte e cinco por educação básica.
cento) dos(as) alunos(as) da educação básica.
Meta 7: fomentar a qualidade da educação básica em todas as etapas e modalida- Avaliação da Educação
des, com melhoria do fluxo escolar e da aprendizagem, de modo a atingir as se- Básica.
guintes médias nacionais para o Ideb: 6,0 nos anos iniciais do ensino fundamental;
5,5 nos anos finais do ensino fundamental; 5,2 no ensino médio.
Meta 8: elevar a escolaridade média da população de 18 (dezoito) a 29 (vinte e Educação de Jovens
nove) anos, de modo a alcançar, no mínimo, 12 (doze) anos de estudo no último e Adultos.
ano de vigência deste plano, para as populações do campo, da região de menor
escolaridade no País e dos 25% (vinte e cinco por cento) mais pobres, e igualar
a escolaridade média entre negros e não negros declarados à Fundação Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE.
Meta 9: elevar a taxa de alfabetização da população com 15 (quinze) anos ou mais Educação de Jovens
para 93,5% (noventa e três inteiros e cinco décimos por cento) até 2015 e, até o e Adultos.
final da vigência deste PNE, erradicar o analfabetismo absoluto e reduzir em 50%
(cinquenta por cento) a taxa de analfabetismo funcional.
Meta 10: oferecer, no mínimo, 25% (vinte e cinco por cento) das matrículas de Educação de Jovens
educação de jovens e adultos, nos ensinos fundamental e médio, na forma integra- e Adultos.
da à educação profissional.
Meta 11: triplicar as matrículas da educação profissional técnica de nível médio, Educação Profissional
assegurando a qualidade da oferta e pelo menos 50% (cinquenta por cento) da
expansão no segmento público.
Meta 12: elevar a taxa bruta de matrícula na educação superior para 50% (cinquen- Educação Superior.
ta por cento) e a taxa líquida para 33% (trinta e três por cento) da população de 18
(dezoito) a 24 (vinte e quatro) anos, assegurada a qualidade da oferta e expansão
para, pelo menos, 40% (quarenta por cento) das novas matrículas, no segmento
público.
Meta 13: elevar a qualidade da educação superior e ampliar a proporção de mestres Educação Superior.
e doutores do corpo docente em efetivo exercício no conjunto do sistema de educa-
ção superior para 75% (setenta e cinco por cento), sendo, do total, no mínimo, 35%
(trinta e cinco por cento) doutores.
Meta 14: elevar gradualmente o número de matrículas na pós-graduação stricto Educação Superior.
sensu, de modo a atingir a titulação anual de 60.000 (sessenta mil) mestres e 25.000
(vinte e cinco mil) doutores.
Meta 15: garantir, em regime de colaboração entre a União, os Estados, o Distrito Direcionado ao magistério e
Federal e os Municípios, no prazo de 1 (um) ano de vigência deste PNE, política aos servidores da educação
nacional de formação dos profissionais da educação de que tratam os incisos I, II e básica.
III do caput do art. 61 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, assegurado que
todos os professores e as professoras da educação básica possuam formação especí-
fica de nível superior, obtida em curso de licenciatura na área de conhecimento em
que atuam.

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Unidade O Estado e a família aliados pela educação
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PNE – PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO (VIGÊNCIA: 2014-2024)


Meta estabelecida Setor de Atuação
Meta 16: formar, em nível de pós-graduação, 50% (cinquenta por cento) dos pro- Direcionado ao magistério e
fessores da educação básica, até o último ano de vigência deste PNE, e garantir a aos servidores da educação
todos(as) os(as) profissionais da educação básica formação continuada em sua área básica.
de atuação, considerando as necessidades, demandas e contextualizações dos siste-
mas de ensino.
Meta 17: valorizar os(as) profissionais do magistério das redes públicas de edu- Direcionado ao magistério e
cação básica, de forma a equiparar seu rendimento médio ao dos(as) demais pro- aos servidores da educação
fissionais com escolaridade equivalente, até o final do sexto ano de vigência deste básica.
PNE.
Meta 18: assegurar, no prazo de 2 (dois) anos, a existência de planos de carreira Direcionado ao magistério e
para os(as) profissionais da educação básica e superior pública de todos os sistemas aos servidores da educação
de ensino e, para o plano de carreira dos(as) profissionais da educação básica pú- básica.
blica, tomar como referência o piso salarial nacional profissional, definido em lei
federal, nos termos do inciso VIII do art. 206 da Constituição Federal.
Meta 19: assegurar condições, no prazo de 2 (dois) anos, para a efetivação da Direcionado aos diretores de
gestão democrática da educação, associada a critérios técnicos de mérito e desem- escolas.
penho e à consulta pública à comunidade escolar, no âmbito das escolas públicas,
prevendo recursos e apoio técnico da União para tanto.
Meta 20: ampliar o investimento público em educação pública de forma a atingir, Direcionado para o investi-
no mínimo, o patamar de 7% (sete por cento) do Produto Interno Bruto (PIB) do mento em educação.
País no 5º (quinto) ano de vigência desta Lei e, no mínimo, o equivalente a 10%
(dez por cento) do PIB ao final do decênio.
Fonte: BRASIL, 2014.

Após fazer a leitura das 20 metas do PNE, torna-se possível assimilar como cada meta, se
atingida, pode contribuir para a evolução e o aperfeiçoamento da educação.

Para nossa melhor fixação e também para a verificação se as 20 metas do PNE estão sendo
cumpridas, faremos análises de algumas metas em relação a localidades com bases no Relatório do
Instituto Nacional de Estudos Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira Legislação e Documentos – INEP.

Observe o próximo quadro com a análise na Meta nº 1 (um) e como ela está sendo cumprida:

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O Estado e a família aliados pela educação Unidade
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Meta 1 – Crianças de 4 a 5 anos

Fonte: SIMEC/MEC, 2018.


Disponível em: <http://simec.mec.gov.br/pde/graficopne.php>. Acesso em: 15jan. 2018.

Ao analisar esse quadro, é possível concluir que a meta Brasil está a pouco de se realizar, ou
seja, menos de 10% para alcançar o objetivo de que as crianças de 4 a 5 anos estejam matriculadas
nas escolas. Porém, quando analisamos em um âmbito regional, o Sul – composto pelo Paraná, Santa
Catarina e Rio Grande do Sul – está um pouco mais longe de alcançar a meta. Observe no quadro que
a cidade de Maringá em 2014 já tinha atingido 90,9% da meta, no entanto, o Noroeste do estado ainda
sofre com a dificuldade de vagas e no mesmo período apresentou apenas 81,8% da meta concluída.

A segunda parte da meta trata daquilo que é um grande problema em muitos estados: a falta de
vagas em escola/creche. Observe o quadro:

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Unidade O Estado e a família aliados pela educação
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Meta 1 – Crianças de 0 a 3 anos

Fonte: SIMEC/MEC, 2018.

Já nesse gráfico, o Brasil não está longe de alcançar o objetivo; parece pouco menos de 16%, mas
isso significa que em muitas regiões o problema é grave. Muitas mães têm que trabalhar e precisam
deixar seus filhos com avós, parentes e cuidadores, pois não há vagas suficientes para as crianças. Com
isso, vemos o direito garantido pela Lei sendo descumprido por falta de estrutura física, professores,
etc. Veja a situação do Noroeste do estado do Paraná (em vermelho). Como o percentual diminui
ainda mais, somente 30% da meta foi alcançada. Ao compararmos com a meta do município Maringá,
a meta atingida de 50% aparece como ultrapassada, porém, a realidade na prática é outra, pois como
os dados são de 2014 há um contingente de famílias que ainda esperam pela construção de creches
para que seus filhos tenham acesso.

Vamos analisar agora outra meta muito interessante, a meta número 15, que tratou de garantir
um regime de colaboração entre a União, os Estados e Distrito Federal, e também os municípios
que,segundo a meta, no prazo de 1 ano após o início da vigência do PNE os professores teriam
assegurada a formação profissional específica para área que atuam. Observe o que aconteceu na prática
no estado de Alagoas e na cidade de Maceió:

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O Estado e a família aliados pela educação Unidade
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Meta 15 – Professores com Formação Específica

Fonte: SIMEC/MEC, 2018.

Observe como a região Nordeste está apenas com 38,2% da meta cumprida. Se contarmos o
período de 1 ano após o PNE estabelecido, já se passaram mais 3 anos e a meta ainda está longe de
completar pelo menos 50% do objetivo. Com base nesses dados, não há como negar que é possível
colocar em dúvida a qualidade do ensino que as crianças da educação básica estão recebendo. Claro
que existem exceções, porém, conforme revelado pela pesquisa, muitos professores estão atuando em
áreas nas quais não possuem formação específica.

Não é raro encontrarmos professores na rede pública dando aulas em algumas matérias que
não são suas formações específicas, por exemplo, professor de História dando aula de Filosofia. Fica
claro que em algum momento de suas graduações tiveram uma carga horária, ainda que mínima,
sobre a matéria, mas isso não significa que aquele professor está apto para lecionar aquele conteúdo.
Não podemos generalizar, mas são raras as exceções, pois a maioria vai seguir o livro didático,
porém, não irá acrescentar nada de novo ou específico, uma vez que lhe falta o conhecimento
específico para lecionar. Será que você já não se deparou com um professor assim? Mas de quem
será a culpa dessa situação?

Outro ponto relevante é que as metas 18, 19 e 20 não possuem informações, dados e projeções.
Estranho, não é mesmo? Principalmente em se tratando da meta 20, que projeta a ampliação o
mínimo de 7% de investimento do Produto Interno Bruto - PIB no 5º (quinto) ano de vigência
do PNE. Será que o governo não tem a informação do quanto foi investido na Educação de 2014
a 2017? Fique atento, discuta o assunto e cobre das autoridades, isso também é fazer Educação.
Não podemos esperar que só o Governo fomente a educação. Lembre-se que é papel da família e
também da sociedade promover a educação.

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Unidade O Estado e a família aliados pela educação
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Quer saber mais sobre a situação das 20 Metas do PNE no


seu Estado e Município? Entre no site: <http://simec.mec.
gov.br/pde/graficopne>. Faça sua simulação e descubra o
resultado de outras regiões. Vale a pena explorar.
Fonte: Elaborado pela autora.

4. O PaPEl da faMília Na EduCaçãO EM


uM MuNdO diGital
Família

Fonte: Pinterest.

Prezado(a) aluno(a), no último tópico desta unidade abordaremos o papel da família na


educação, mas antes é relevante fazermos uma contextualização de família. Nos dias em que vivemos,
há vários tipos de famílias: famílias de pai, mãe e filho, avós e netos, tios e sobrinhos, pais e filhos, mães
e filhos e tantas outras formas de denominarmos um grupo familiar. No entanto, o que interessa na
prática é que pessoas com algum grau de parentesco morem em um mesmo lugar, formem nele um
lar e que seja um ambiente de amor, segurança e respeito, pois independente de como é constituído o
grupo familiar, o que irá prevalecer são os princípios por eles estabelecidos.

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O Estado e a família aliados pela educação Unidade
2

O papel dos pais na educação é extremamente importante, inclusive na formação do caráter


da criança. No entanto, diante de em um emaranhado de informações, experiências e palpites, os
pais acabam muitas vezes sem saberem como conduzir a educação dos filhos. Observe como Zagury
(1997, p. 1) explica essa realidade:

A conquista de uma relação baseada no respeito mútuo, no diálogo e na franqueza é sem


dúvida um passo fundamental para uma boa relação. Na prática, porém, muitos pais
interpretaram essa necessidade de ouvir a criança como um sinal para abdicarem de qualquer
tipo de autoridade, confundindo-a com autoritarismo. E educação implica sempre, em maior
ou menor grau, a necessidade de limitar e às vezes negar alguma coisa aos filhos. O que se
observa então é uma tendência à inversão de papéis, e não uma mudança qualitativa na
relação. Agora, o autoritarismo passou a ser dos filhos em relação aos pais.

Ainda em relação ao estudo de Zagury (1997), no final da frase a autora faz uma observação
interessante: “Agora, o autoritarismo passou a ser dos filhos em relação aos pais.” Quem de nós nunca
presenciou uma cena constrangedora de um filho fazendo birra ou pirraça por algo, e o pai ou mãe
aceitando de maneira submissa aquela reação do filho? Os pais muitas vezes não sabem lidar com a
situação, o que torna a situação ainda pior.

Diversas vezes, nós até fazemos um julgamento mental: “Ó, que vergonha!”, ou ainda, “Como
aquele pai não consegue controlar seu próprio filho?” Pois bem, educar não é uma tarefa propriamente
fácil, mas é totalmente possível.

Nesse contexto, Weber et al.(2004) demonstram em seus estudos que existem três tipos de pais:
autoritativos, autoritários e permissivos.Os pais autoritativos têm a característica de conduzir seus
filhos de forma racional e orientada, porém, exercem seu papel de maneira firme e coesa. Esses pais
não baseiam a educação dos filhos em consensos ou nos desejos das crianças, e deste modo sempre
promovem o diálogo com ela. Já os pais autoritários são absolutamente controladores, de modo que
a regras de conduta estabelecidas anteriormente são um método avaliativo da obediência. Esses pais
são favoráveis a medidas punitivas caso a criança “ande” em desencontro com as regras de conduta.
Por outro lado, os pais permissivos são mais receptivos aos desejos e às ações da criança. Não são
adeptos a maneiras punitivas de corrigir, mas educam os filhos mostrando-lhes opções de conduta
para alcançarem seus objetivos.

Podemos até fazer um comparativo com nossos pais, avós, tios, vizinhos e outros pais que
conhecemos: por qual dos três tipos de pais fomos criados? Ou ainda, qual tipo de pais nós nos
tornamos ou vamos ser?

Na ótica de Jean Piaget e Munari (2010), no que se referia aos pais, já na sua época ele vislumbrou
o que hoje é realidade. O autor dizia que os pais estavam perdendo para o Estado a autonomia de
escolher e controlar a Educação. Em seus estudos, Piaget demonstrou que a educação transmitida pelos
pais levava em consideração os métodos antigos. Desse modo, o Estado, por meio das escolas, deveria
intervir de modo condizente a colaborar com a formação da personalidade da criança. Contudo, não
é bem isso que vemos na prática, pois em várias situações o Estado se impõe, e a opinião, os princípios
e os valores da família são contrariados e até mesmo comprometidos.

Toda boa educação começa por respeitar direitos, mas também em cumprir deveres. Quem são
os atores da educação? Todos nós fazemos parte da formação de alguém, por isso criticar apenas não
nos torna melhores ou isentos de nossa obrigação como cidadão de promover e incentivar a educação.

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Unidade O Estado e a família aliados pela educação
2

Içami Tiba foi um psiquiatra, escritor e educador que


se tornou referência no que diz respeito à educação
dos filhos. Veja o que ele disse:
“É essencial à educação saber estabelecer limites
e valorizar a disciplina. E para isso é necessária a
presença de uma autoridade saudável. O segredo
que diferencia o autoritarismo do comportamento de autoridade, adotado para que a outra
pessoa se torne mais educada ou disciplinada, está no respeito à autoestima”. (TIBA, 1996).

Embora as críticas aos diversos métodos que os pais utilizam para ensinar e educar seus filhos
seja grande, o que não podemos negar é que cada dia torna-se mais difícil esse processo, pois na era
digital crianças e adolescentes estão tão “enrolados na teia da conexão” que nem mesmo os pais ou
familiares conseguem acessar esses pequenos seres humanos.

A intensidade da utilização das mídias digitais pelos jovens é tão crescente que os nossos “meninos”
estão há muito tempo criando novas formas de expressões e até mesmo variações na linguagem.

Veja como Pretto (2011) contextualiza muito bem essa geração:

Os mais antigos ainda olham para o teclado de um celular com a ideia de “datilografar”
ou digitar, usando os dedos indicadores. (...) Essa mudança na linguagem dos jovens não
tem a ver só com o teclar, e sim com todo um universo mais amplo, que inclui os RPG,
a música eletrônica, o hip-hop, as conversas nos chats (bate-papos), nas comunidades de
relacionamento como Orkut, Facebook, Myspace, Second Life, o intenso uso que se tem
dado aos microblogues como o Twitter, Identica, entre tantos outros. Essa juventude é, não
resta a menor dúvida, uma juventude que produz mais, que escreve mais e se manifesta
publicamente. Ao assim fazer, produz novos textos em diversos contextos que nos impõe
repensar os próprios processos de alfabetização [...]. (PRETTO, 2011, p. 106).

Entretanto, nem sempre a família consegue acompanhar essa evolução tecnológica e tampouco
o crescimento dos nossos pequenos. Há uma explosão de gerações conflitantes dentro dos próprios
lares. Muitos pais não sabem como agir e acabam por dar aos seus “bebês”, que ainda não foram
alfabetizados, seus smartphones, tablets e notebooks para que eles passem horas e horas jogando,
assistindo vídeos e tantas outras atividades. Veja como o texto a seguir é atual:

As gerações anteriores tendiam a considerar a tecnologia algo difícil de dominar, considerando


câmeras de vídeo aparelhos de difícil manuseio. Enviar mensagens SMS (Short Message
Services – serviço de mensagens) é ainda um problema para boa parte dos pais, e é claro que
os computadores ainda não são bem-utilizados por grande parcela da população, embora
não se queira aqui desprestigiar aqueles que lutaram e conseguiram encontrar seu caminho
na era digital. O homo zappiens, porém, trata a tecnologia como um amigo e, quando um
novo aparelho surge no mercado, pergunta por seu funcionamento e quer entender como tal
aparelho poderia ajudá-lo em seu cotidiano [...]. Na verdade, o homo zappiens nasceu com um
mouse na mão, já sabia como manipular o controle-remoto da televisão com 3 anos e, com 8,
já tinha seu próprio telefone celular. (VEEN; VRAKKING, 2009, p. 35).

Em nossos dias, é óbvio que restringir completamente as crianças e adolescentes da utilização


das tecnologias e do acesso a Internet não é o caminho mais apropriado, mas controlar e estar atento
ao que eles estão acessando é muito importante, principalmente para manter a própria integridade da
criança e do adolescente.

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O Estado e a família aliados pela educação Unidade
2

Alguns pais infelizmente não tiveram condições ou acesso à escola quando pequenos e mal
sabem ler e escrever, mas não permitem que seus filhos pereçam do mesmo destino. Eles estão
corretíssimos em desejar e proporcionar aos filhos esses benefícios e por diversas vezes fazem isso com
muito esforço para oferecer uma educação de qualidade e ferramentas para o acesso à informação. No
entanto, como esses pais podem controlar seus filhos nesses acessos se muitas vezes não sabem como
utilizar tais mídias?

Os autores Pinheiro, Jesus e Bittencourt (2017, p. 6) explicam que esse controle dos pais não é
totalmente seguro e às vezes torna-se falível:

[...] os pais e as escolas não conseguem realizar o controle sobre tal mídia quando a criança
ou o adolescente utiliza o computador pessoal, em casa, ou o da escola. As ferramentas de
filtros, senhas e mesmo o histórico da internet servem como parâmetro e instrumento para
a supervisão; mas, nos casos em que crianças e adolescentes usam computadores disponíveis
em estabelecimentos comerciais, não há, normalmente, qualquer tipo de cuidado sobre suas
atividades por parte dos empresários - podem navegar nas páginas que desejam, bem como
usar os jogos eletrônicos que bem entendam.

Como podemos observar no texto acima, o papel dos pais não é nada fácil nesse controle e
fiscalização nos conteúdos acessados. Além do mais, muitas vezes os pais sequer sabem como
supervisionar esses acessos. Assim, uma ferramenta muito importante na educação dos filhos é a
presença dos pais. A presença ativa da família na vida dos filhos promove uma barreira de proteção
muito mais eficiente que até mesmo senhas e filtros. Para Santos e Barros (2017, p. 20), “A criança só fica
enclausurada nos eletrônicos se um adulto não mostrar que existe outra opção, outra forma de brincar,
de se relacionar, de ser e de fazer”. Diante do exposto, é impossível negar que a falta desse relacionamento
e da atenção da família com os filhos acaba por criar uma lacuna que precisa ser preenchida, e muitas
crianças, adolescentes e jovens têm preenchido esse vazio por meio das novas mídias.

Nossos pequenos são bombardeados com informações por todos os lados, mas como podemos
protegê-los? Separamos alguns conselhos que podem ajudar os pais nessa empreitada. Segundo a
Sociedade Brasileira de Pediatria – SBP (2016), os pais devem sempre verificar a classificação
dos programas, filmes e jogos recomendados para cada faixa etária. No entanto, não é só isso: o
estabelecimento de limites e regras facilita o entendimento da criança e adolescente sobre o que lhes
é permitido e o que é restringido, além, é claro, de uma conversa franca e objetiva com aqueles que já
compreendem melhor os riscos da “rede”, e ninguém melhor que os pais podem ter esse tipo de conversa
e aproveitar os momentos mais propícios para explicar os prós e contra do uso das tecnologias.

Caro (a) aluno (a), ao fim dessa unidade esperamos que este conteúdo tenha contribuído
para uma melhor compreensão do papel do Estado e da Família na educação e na preservação de
nossas crianças e adolescentes. Há muito a se pesquisar e explorar por nossos pequenos nesse “mundo
virtual”, contudo, o peso de protegê-los e proporcionar um ambiente seguro recaem sobre todos nós.
O convite que fica é para que todos façam isso com muito zelo e amor.

CONClusãO
Caro(a) aluno(a), nesta unidade compreendemos como o Estado e a Família devem caminhar
de braços dados em favor da educação. Também foi possível compreender como os planos de políticas
públicas influenciam no processo de ensino, e analisamos como o legislador se preocupou em impor
alguns direitos na Constituição Federal de 1988 para salvaguardar a educação e promover evolução
do ser humano.
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Unidade O Estado e a família aliados pela educação
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Através do Plano Nacional de Educação – PNE, foi possível compreender as prerrogativas


estabelecidas e também se verificou a união integradora e articulada do Estado para promover a educação.

Ao conhecer as 20 Metas do Plano Nacional de Educação, foi possível entender como funcionam
as metas na prática, e através dos comparativos entre as metas estabelecidas e a atual situação
descobrimos que há um longo caminho para que todas as metas sejam cumpridas.

Já no último tópico, discutimos o papel da família na educação e formação do indivíduo. Ficou


entendido que a família, independentemente da sua formação, desenvolve um papel importantíssimo
na formação do caráter da criança. Abordamos as dificuldades encontradas por pais na educação dos
filhos, como muitos pais estão perdendo sua autonomia e deixando que somente a escola oferecida
pelo Estado tente resolver o problema da educação. Por fim, analisamos o seio familiar em meio às
mudanças tecnológicas e como as mídias digitais têm oferecido aos nossos pequenos o preenchimento
de vazios por vezes deixados pelos próprios pais. Analisamos que a tarefa de supervisionar é possível,
e abordamos algumas alternativas para proteger e resguardar crianças e adolescentes.

Caro(a) acadêmico(a), espero que este conteúdo tenha aguçado seu interesse em transformar
o mundo por meio de uma educação digna. Persista!

ElEMENtOs COMPlEMENtaREs
#LIVRO#
Título: Homo Zappiens: Educando na era digital
Autor: Wim Veen e Ben Vrakking
Editora: Artmed
Sinopse: O livro Homo Zappiens examina como as crianças
que crescem em um mundo de tecnologia e de mudanças
constantes demonstram maior relutância em encaixar-
se no sistema educacional do que qualquer outra geração
antecedente. Além disso, é notório que essas crianças em geral
compreendem melhor a tecnologia do que as pessoas que as
educam. Em vez de tentar controlar, entender ou dominar
a tecnologia, elas simplesmente a usam! Como a tecnologia
nos capacita a obter informações com facilidade, a sociedade
está mudando seu modo de considerar a aprendizagem,
passando da simples obtenção da informação à comunicação,
à interpretação e à negociação. Enquanto julgarmos a geração
Homo zappiens por nossos velhos parâmetros, nunca entenderemos como seus modos de
brincar e comunicar-se são, na verdade, estratégias que começam a surgir para lidar com
nosso futuro digital e criativo.

#WEB#
Quer saber a classificação correta para crianças e adolescentes em séries, filmes, jogos e
aplicativos? Conheça o Manual da Nova Classificação indicativa que o Ministério da
Justiça disponibiliza no site:
Disponível em: <http://www.justica.gov.br/seus-direitos/classificacao/manual-da-nova-
classificacao-indicativa.pdf>. Acesso em: 06 maio 2018.

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Quer saber como muitos pais estão perdidos com a educação dos filhos? Então assista a
uma entrevista do Dr. Mário Sergio Cortella sobre “Família e Escola”
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=dfkb6H8qUsg>. Acesso em 16 jan. 2018.

REfERÊNCias
BRASIL. Emenda Constitucional. Emenda Constitucional nº 59 de 11 de novembro de 2009.
In: Obrigatoriedade do ensino de quatro aos dezessete anos e ampliar a abrangência dos programas
suplementares para todas as etapas da Educação Básica. Congresso Nacional, Brasília. 2009.

______. LEI Nº. 13.005, de 25 de junho de 2014. Aprova o Plano Nacional de Educação–PNE e dá


outras providências. Brasília, 2014.

______.Conhecendo as 20 Metas do Plano Nacional de Educação. Brasília: MEC, 2014. Disponível


em: <http://pne.mec.gov.br/images/pdf/pne_conhecendo_20_metas.pdf>. Acesso em: 20 jan. 2018.

______. Constituição da República Federativa do Brasil (1988). Diário Oficial [da] República
Federativa do Brasil. Brasília, Senado Federal, 1988.

MOREIRA, Fábio Aparecido. A política de educação de jovens e adultos em regimes de privação da


liberdade no estado de São Paulo. 2008. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo. Disponível
em: <http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-16062008-103043/en.php>. Acesso em:
14 jan. 2018.

PIAGET, Jean; MUNARI, Alberto. Jean Piaget/ Alberto Munari. Tradução e organização: Daniele
Saheb. Recife: Massangana, 2010.

PINHEIRO, Maria Lenir Rodrigues; JESUS, Nina Soraya Pinheiro; BITTENCOURT,


RayjckaardMuhamed Ramos. A restrição à liberdade como medida de proteção e meio
inibitório à pedofilia áudio-visual1.2017.Disponível em: <http://revistaeletronica.oabrj.org.br/
wp-content/uploads/2017/10/A-restri%C3%A7%C3%A3o-%C3%A0-liberdade-como-medida-de-
prote%C3%A7%C3%A3o-e-meio-inibit%C3%B3rio-%C3%A0-pedofilia-audiovisual.pdf>. Acesso
em:5 maio2018.

PINTO, Aparecida Marcianinha. As novas tecnologias e a educação. ANPED SUL, v. 6, p. 1-7, 2004.


Disponível em: <http://files.novastecnologias9.webnode.com/200000001-1e2d91f276/AS_NOVAS_
TECNOLOGIAS_E_A_EDUCACAO.pdf>. Acesso em: 10 dez. 2017.

PRETTO, Nelson de Luca. O desafio de educar na era digital. Revista Portuguesa de Educação, v.


24, n. 1, p. 95-118, 2011. Disponível em: <http://www.scielo.mec.pt/pdf/rpe/v24n1/v24n1a05.pdf>.
Acesso em: 5 maio2018.

SANTOS, Caroline Cezimbra; BARROS, Jane Fischer. Efeitos do uso das novas tecnologias da
informação e comunicação para o desenvolvimento emocional infantil: uma compreensão
psicanalítica. 2018. Disponível em: <http://www.psicologia.pt/artigos/textos/TL0435.pdf>. Acesso
em: 5 maio 2018.

40
Unidade O Estado e a família aliados pela educação
2

SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA - SBP. Saúde de Crianças e Adolescentes na Era Digital.


2016. Disponível em: <http://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/2016/11/19166d-MOrient-
Saude-Crian-e-Adolesc.pdf>. Acesso em: 5 maio 2018.

TIBA, Içami. Disciplina, limite na medida certa. São Paulo: Gente, 1996. Disponível em: <http://
ericacoach.com.br/uploads/livros/Disciplina,%20Limite%20na%20medida%20certa.pdf >. Acesso
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VEEN, Wim; VRAKKING, Ben.  Homo Zappiens: educando na era digital. Porto Alegre: Artmed
Editora, 2009.

ZAGURY, Tania. Sem padecer no paraíso: em defesa dos pais ou sobre a tirania dos filhos. Record,
1997. Disponível em: <http://bases.bireme.br/cgi-bin/wxislind.exe/iah/online/?IsisScript=iah/iah.
is&src=google&base=ADOLEC&lang=p&nextAction=lnk&exprSearch=297672&indexSearch=ID>.
Acesso em: 04 jan. 2018.

WEBER, Lidia Natalia Dobrianskyj et al. Identificação de estilos parentais: o ponto de vista dos pais
e dos filhos. Psicologia: reflexão e crítica, v. 17, n. 3, p. 323-331, 2004. Disponível em: <http://www.
scielo.br/pdf/prc/v17n3/a05v17n3>. Acesso em: 04 jan. 2018.

41
Unidade
3

EduCaçãO Em fOCO na ERa digital

Professora Especialista débora Regina fagundes Candido

Objetivos de aprendizagem
da unidade
• Compreender o papel da sociedade como promotora e
incentivadora da educação
• Compreender o papel e o lugar do professor na educação
• Refletir sobre a educação nas escolas de hoje
• Refletir sobre a utilização da tecnologia a favor da educação
Unidade Educação em foco na era digital
3

intROduçãO
Prezado(a) aluno(a), nesta unidade abordaremos o papel da sociedade na promoção e no incentivo
da Educação. Analisaremos alguns entes que promovem a educação, estudaremos como o Ministério
Público tem participado das melhorias na educação, e descobriremos como projetos desenvolvidos
pororganizações não-governamentais, as ONGs, podem contribuir e incentivar a Educação.
Em um mundo cheio de tantas mudanças, trataremos de uma profissão que não se torna obsoleta
entre as gerações: o professor. Discutiremos qual é o papel do docente na educação, qual sua evolução
no período da História e principalmente como ele influencia a sociedade.
A escola em foco será tema do nosso terceiro tópico. Compreenderemos como o processo de
globalização tem afetado a vida do aluno, do professor e da escola e analisaremos qual é o caminho
para a inovação das escolas.
Por fim, estudaremos como as novas tecnologias estão atuando em favor da educação.
Analisaremos como a interdisciplinaridade é fator de mudança tecnologia nas escolas, além de
entendermos como a escola e os educadores devem agir para administrar a inclusão digital de modo a
proporcionar ao aluno experiências novas de aprendizado que facilitarão o modo de aprender.
Caro(a) aluno(a), desejo que este conteúdo possa subsidiá-lo em seus estudos e o desperte a
descobrir ainda mais! Bons estudos!

1. a SOCiEdadE COmO PROmOtORa


E inCEntiVadORa da EduCaçãO
Sociedade participativa

Fonte: Pixabay.

Prezado(a) aluno(a), ao adentrareste módulo, daremos continuidade ao último ator instituído


pela Constituição Federal de 1988: a sociedade. Por vezes, é muito fácil e até cômodo falar sobre o
papel do Estado e da Família, pois são deveres diretos desses atores na Educação e na formação do
43
Educação em foco na era digital Unidade
3

indivíduo. Você já se perguntou o que a sociedade pode fazer para colaborar na promoção e incentivo
à educação? Bem, se ainda não pensou sobre isso, agora é o momento.

Ao instituir a Constituição Federal de 1988, o legislador deixou explícito o papel da sociedade.


Vejamos o artigo 205:
Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e
incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa,
seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. (BRASIL, 1988).

A indumentária da Lei é boa: “será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade”,


mas na prática como isso ocorre? Ultimamente, não temos visto boas práticas por uma parte do corpo
político quando se trata de dinheiro público. Obras superfaturadas, desvios, corrupções e tantos outros
escândalos veiculados na mídia revelam que parte da nossa sociedade tem corrompido e se deixado
corromper. Afinal, que parte da sociedade vai colaborar para o pleno desenvolvimento do indivíduo?

O direito de educar é uma tarefa política, pois o preceito a cumprir é a formação do indivíduo
como cidadão. Contudo, a formação completa de um aluno tem um contexto abrangente, pois estando
aliados o Estado, a Família e a Sociedade, o indivíduo terá lições de cidadania, de cooperação, respeito,
solidariedade e repúdio às injustiças, além do conteúdo ministrado em sala de aula. Apesar de difícil e
árdua, a tarefa deve “[...]ser fruto de uma reflexão social, uma corresponsabilidade na qual os poderes
públicos e demais instituições sociais assumam a responsabilidade acerca das direções que tomarão a
vida coletiva” (OLIVEIRA, 2009, p. 2)

Atualmente, o Ministério Público (MP) tem se tornado o agente mais importante na luta em defesa
dos direitos coletivos. Através da via judicial, o MP atua como agente fiscalizador na proteção dos direitos
coletivos, e sua atuação em conflitos de grande conotação pública tem aumentado sua credibilidade. Por
meio de ações civis públicas, o MP atua nas mais diversas áreas, tais como meio ambiente, defesa dos
direitos do consumidor, controle da probidade administrativa, saúde, educação, etc. (ARANTES, 1999).

Segundo o site do Ministério Público Federal (2018), seu papel é “atuar como um fiscal da lei”,
mas não podemos esperar que o MP aja sozinho e somente quando houver denúncias ou fortes indícios
de problemas contra a educação. Nós, como cidadãos, precisamos fazer nossa parte de promover e
incentivar a educação, participando ativamente de reuniões nas escolas e nos bairros, participando de
audiências públicas, denunciando casos em que crianças estão fora da escola, assessorando as escolas
através de mutirões e voluntariados, enfim, sendo exemplo de cidadania para crianças e jovens, pois
assim estaremos colaborando.

A comunidade também pode atuar de forma específica e estratégica em ambientes e áreas de


risco, como no caso das Organizações Não-Governamentais – ONGs. A sociedade civil organizada
com uma finalidade de cunho social pode contribuir muito para o desenvolvimento da educação, do
indivíduo e da sociedade de maneira geral. Um exemplo de como uma ONG pode funcionar é o caso
do PROERD, o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência, que surgiu em 1983 no
norte dos Estados Unidos. O projeto foi tão bem aceito que ganhou proporções globais e foi adotado
pela Polícia Militar do Rio de Janeiro em 1992. Atualmente o programa é adotado em todo o Brasil.
Segundo o site do PROERD no Paraná:
A filosofia do programa baseia-se na utilização do policial fardado, principalmente no trabalho
de prevenção às drogas em escolas, através do desenvolvimento na criança de habilidades que
possibilitem as mesmas se manterem afastadas das drogas lícitas e ilícitas. Trata-se de uma
vacina no comportamento contra as drogas e a violência, abordando o modelo de educação
afetiva, do estilo de vida saudável, criando condições para que a criança aprenda a lidar com
sua ansiedade, resistindo as pressões dos companheiros, elevando sua auto-estima, e ainda
solidificando noções de cidadania e da convivência harmoniosa. (PROERD PARANÁ, 2018).

44
Unidade Educação em foco na era digital
3

Podemos perceber a simplicidade desse projeto por meio de materiais didáticos tais como livro
do estudante, camiseta e até um diploma, e como pode contribuir de forma benéfica para toda a
sociedade. Então, inspire-se e se mobilize para fazer a diferença na sociedade!

Quer conhecer mais sobre o PROERD e saber se esse


programa está funcionando nas escolas da sua cidade?
Entre no site: www.proerdbrasil.com.br.
Fonte: Elaborado pela autora.

2. O PaPEl dO PROfESSOR na EduCaçãO


Professor

Fonte: Pinterest.

Caro (a) aluno(a), antes de adentrarmos o assunto do papel do professor frente à educação,
é importante ressaltarmos que há uma diferença básica entre Educação e Escolarização, conforme
expõe em entrevista o filósofo e doutor Mário Sérgio Cortella (2014):
As famílias estão confundindo Escolarização com Educação. É preciso lembrar que a
Escolarização é apenas uma parte da Educação. Educar é tarefa da família. Muitas vezes, o
casal não consegue, com o tempo que dispõe, formar seus filhos e passa a tarefa ao professor,
responsável por 35, 40 alunos.

45
Educação em foco na era digital Unidade
3

Observe que para Cortella (2014), o professor tem a função parcial na educação dos alunos, a
qual é conhecida como escolarização. Deste modo, compete à família o papel de educar para formação
da criança. O professor auxilia no processo de educação, mas não pode suprir a família caso ela seja
omissa no papel de educar. Depois de compreender esse aspecto relevante, podemos prosseguir em
nosso estudo sobre o papel do professor na educação.

O papel do professor é crucial na evolução da Educação. No entanto, em meados de 1850, os


professores do Brasil não precisavam de muitos requisitos para ensinar. Segundo Aranha (2006, p.
227-228), “saber se portar, saber o que ensinar e saber como ensinar” era o suficiente. Óbvio que
nesse período havia um descaso com o preparo do mestre, pois a sociedade não era comprometida
em priorizar a educação e a formação dos professores. Outras situações também pioravam o nível dos
professores, as “nomeações” como costume da época, a troca de favores ou laços familiares eram casos
rotineiros na seleção de muitos professores (ARANHA, 2006).

Um pouco diferente da atualidade, em regra, os professores da rede pública precisam ser aprovados
em concurso público para assumirem suas “cadeiras”, mas ainda acontecem muitas “nomeações” e “troca
de favores” em diversos segmentos em nossa nação. Realidade vergonhosa, não é mesmo?

Outro ponto relevante levantado por Jean Piagetem sua época foi a premissa: “Qual é o problema
geral da Educação?”. O autor não se ateve apenas ao processo de ensino, que torna imprescindível
possuir bases fortificadas na experimentação do aluno. No entanto, Piaget elucidou que a mudança
na educação só aconteceria quando professores estivessem bem preparados e que qualquer reforma
pedagógica só lograria êxito caso essa premissa maior – “a capacitação dos professores” – fosse atingida.
Para o autor, o educador tem o dever de conhecer a evolução da inteligência e do desenvolvimento
psicológico do ser humano para ir além do conteúdo de sua disciplina. Desse modo, os ensinamentos
ministrados serão mais bem fixados por parte do aluno (PIAGET; BRAGA, 1998).

Já para Morgado (2001), o papel do professor não deve se limitar a incumbência de ser educador
e transmitir conhecimentos, mas tornar-se uma ponte entre o aluno e o conhecimento.

Nesse sentido, o professor como mediador do conhecimento colabora para o desenvolvimento


do aprendizado do aluno e, assim, o aluno aprende a “pensar” e a fazer questionamentos por si próprio.
O processo de mediação que o professor desenvolve faz com que o indivíduo não se torne apenas um
mero depósito passivo de informações. O docente tem em suas mãos a oportunidade de ser um agente
de mudança na sociedade, ensinando seus alunos a protagonizarem a própria história e tornando-se
agentes de mudança.

Dentro de um contexto transformador da sociedade, Freire e Shor (1986, p. 15) destacam:

A educação é muito mais controlável quando o professor segue o currículo padrão e os


estudantes atuam como se só as palavras do professor contassem. Se os professores ou os
alunos exercessem o poder de produzir conhecimento em classe, estariam então reafirmando
seu poder de refazer a sociedade.

Partindo dessa premissa destacada no livro por Paulo Freire, patrono da educação brasileira, e
por seu colega Shor, torna-se necessário reafirmar que o professor detém papel relevante na formação
da sociedade? Não, é claro. É necessário compreender que a prática de ensinar apenas com aulas
expositivas não potencializa a capacidade criativa e argumentativa dos alunos. Desse modo, perde-se
o poder de refazer a sociedade.

46
Unidade Educação em foco na era digital
3

“Saber que ensinar não é transferir conhecimento, mas


criar as possibilidades para a sua própria produção ou
a sua construção.”
Paulo Freire (2006).

3. a EduCaçãO naS ESCOlaS dE HOJE


Escolas

Fonte: Pinterest.

Começamos este tópico de estudo parafraseando o filósofo Mário Sérgio Cortella, que em
várias palestras sobre educação faz o seguinte questionamento: se os alunos não são mais como
antigamente, porque os professores ensinam como antigamente?

Diante de tantas mudanças que aconteceram desde a colonização do Brasil, aEducação não
fica isenta de transformações. Pereira et al.(2017) exemplificam como conflitos perduram na educação
escolar nos dias atuais: “Os métodos educacionais praticados atualmente são produtos do século XIX,
mas os professores sobrevêm do século XX (na questão de formação) e os alunos, grande parte deles,
do século XXI.” Então, como minimizar esses conflitos de gerações tão diferentes?

Já dizia Freire (2006) que, para ensinar, são exigidas três prerrogativas: segurança, competência
profissional e generosidade.
• Segurança: “É a segurança que se expressa na firmeza com que atua, com que decide, com
que respeita as liberdades, com que discute suas próprias posições, com que aceita rever-
se.” (FREIRE, p.91). Deste modo, independentemente da época em que o aluno é ensinado,
47
Educação em foco na era digital Unidade
3

aquele que ensina não precisa ficar se reafirmando em relação a sua autoridade, pois aquele
que é seguro de si exerce de maneira sábia e isso traz segurança a quem aprende.
• Competência profissional: “É demasiadamente necessário que o professor tenha seriedade
com sua formação, que estude e se esforce para que seja exemplo aos seus alunos. Porém,
nenhum desses quesitos pode desculpar o autoritarismo de muitos docentes, pois isso o
autoritarismo desqualifica a competência profissional do professor.”
• Generosidade: Freire expressa a generosidade como uma qualidade indispensável.

O clima de respeito que nasce de relações justas, sérias, humildes, generosas, em que a
autoridade docente e as liberdades dos alunos se assumem eticamente, autentica o caráter
formador do espaço pedagógico. (FREIRE, 2006, p.92).

Diante dessas três premissas que Freire ensina, será que podemos dizer que nos dias em que
vivemos a educação tem professores preparados para ensinar?E o que podemos dizer sobre as escolas
em geral? Veja como esse texto é tão atual:
Um pouco por todo lado procuram-se soluções que permitam recriar e redimensionar a
escola. Entre nós, inovação, mudança, criatividade, autonomia, tornaram-se termos que
brilham no discurso oficial de sedução, mas que não escondem a realidade da rotina
estritamente regulamentada e a mediocridade de condições de trabalho que limitam, em
larga medida, a vivência nos espaços escolares. A própria sociedade mostra-se incapaz de
se esclarecer sobre o que espera a escola e as contradições das suas expectativas facilitam
o desperdício que as dimensões do insucesso escolar atestam. Investe-se socialmente na
escola e proclama-se que deve promover a democratização e a igualdade, mas exige-se-
lhe que seleccione em função de critérios de excelência cristalizados e etnocêntricos.
(HÚSEN,1986 apud CAVACO, 1995, p.158).

Ao lermos essa ideia depois de mais de 30 anos (a contar de Húsen, 1986), parece que foi
escrito ontem, não é mesmo? O discurso funciona muito bem, porém, a prática ainda está um tanto
quanto longe de ser vista principalmente nas escolas da rede pública.

De modo geral, se questionarmos sobre a educação na atualidade, como se portam os alunos


em sala de aula, sobre as condições estruturais das escolas e a preparação dos professores, qual seria
a resposta? Crise! É obvio que existem raras exceções, porém, grande parte das escolas precisa ser
reformada em todos os níveis.

Ferreira e Neves (2017) relatam que alterações significativas no comportamento do indivíduo


e no coletivo ocorreram no Brasil devido às mudanças que a globalização trouxe. A escola não ficou
isenta dessas mudanças e muitos benefícios foram trazidos para a escola, porém, alguns problemas
também se acentuaram, como por exemplo, a violência: gerações diferentes em conflito dentro de sala
de aula, desacato aos funcionários, bullying entre alunos e também entre professores e alunos, assédios
e inúmeros casos de violência acontecem dentro das escolas.

No entanto, esse não é apenas um problema da instituição de ensino, mas um problema social.
A violência não vai de dentro da escola para fora, mas vem de fora para dentro, nas casas através dos
abusos e de brigas constantes, por meio da sociedade com o descaso com as desigualdades sociais, com
a proliferação das drogas, com assaltos, com o Estado (governo) e os inúmeros casos de corrupção
e tantos outros motivos que revoltam e geram a violência interior que muitas vezes é externada nas
escolas brasileiras.

Então, diante de tantos acontecimentosnos perguntamos: para onde vai a educação brasileira?
A resposta não é fácil, mas temos que ter esperança, pois ainda há solução. Segundo Aranha (2006, p.
357):

48
Unidade Educação em foco na era digital
3

Não se trata de uma simples encruzilhada, que pede desvios de percurso ou pequenas
reformas, como acontece em crises menores. O momento exige invenção, com ousadia de
imaginação para criar o novo. O modelo de escola tradicional mostra-se anacrônico, e as
propostas para o ensino e aprendizagem não se referem apenas às novas gerações, mas aos que
permanecem excluídos do sistema, bem como à educação continuada dos adultos educados
pelos antigos padrões. É preciso detectar com urgência os sintomas do mundo que emerge, o
que não é fácil.

Afinal, como pode ser reinventada a escola tradicional? A resposta está na ponta da língua:por
meio da Tecnologia! Aprimorar, reinventar e interagir são sinônimos daquilo que a escola brasileira
precisa. Vamos conhecer mais sobre isso?

“A sociedade pós-moderna, da era da informação,


concentra o poder cada vez maisem quem domina os
níveis mais elevados do saber e subjuga os que pouco ou
nada conseguem gerenciar por insuficiência no uso da
leitura e da escrita”. (PELANDRÉ, 2002, p.219).

4. O uSO daS tECnOlOgiaS a faVOR da


EduCaçãO
Novas tecnologias

Fonte: Pixabay.

Caro(a) aluno(a), neste último tópico trataremos sobre a utilização das tecnologias a favor da
educação. Será que a escola está preparada para essa modernização?

49
Educação em foco na era digital Unidade
3

Para Pretto (1999, p.104 apud PINTO, 2004, p.6), “em sociedades com desigualdades sociais
como a brasileira, a escola deve passar a ter, também, a função de facilitar o acesso das comunidades
carentes às novas tecnologias”.

No entanto, nem todas as escolas estão preparadas para facilitar esse acesso da população carente
ao mundo das novas tecnologias. Em vários momentos, os professores não conseguem manusear a
mídia digital, e como vão utilizá-los como um recurso didático em sala de aula?

Segundo pesquisa, a tecnologia está modificando a


Educação:

Fonte: Pinterest.

Segundo Santos, Alegre e Freire (2016, p. 1):


Inclusão digital tornou-se nos últimos anos alvo de políticas públicas que, muitas vezes,
acabavam apenas por ‘incluir’ o computador em sala de aula. Todavia, sabe-se que a questão
da inclusão envolve muito mais do que isso, pois implica em reconhecer uma função social de

50
Unidade Educação em foco na era digital
3

inclusão que é trabalhada a partir de tecnologias de informação. O envolvimento do tecnólogo


nessa prática requer mais do que apenas conhecimento técnico teórico, mas necessita o
desenvolvimento de habilidade e sensibilidade nas relações sociais com pessoas que nunca
tiveram oportunidade de contato com a informática [...].

Nesse sentindo, os autores esclarecem que existe a necessidade de o educador estar sensível aos
alunos que nunca tiveram acesso a tipos de tecnologia como o computador, pois de fato muitos alunos têm
contato com algumas tecnologias apenas na escola. Esse contato não deve ter o objetivo de constranger o
aluno por nunca ter acessado, mas de inseri-lo no contexto educacional das novas tecnologias.

Embora haja um entendimento que as tecnologias são boas e trazem amplitude à maneira de
estudar, deve-se estar atento quanto ao uso de tecnologias no campo da educação, pois como aquela
velha frase já dizia: “nem tudo que reluz é ouro”. Na Educação não é diferença, e é necessário cautela,
como explica Gómez (2002, p. 58):

Nunca como agora o aparato tecnológico, sempre presente ao longo da história, havia desafiado
tanto os diversos campos disciplinares e condicionado tão profundamente o acontecer
cotidiano das sociedades, os grupos e os indivíduos. Neste novo século as novas tecnologias de
informação, aomesmo tempo em que abrem uma série de possibilidades para um intercâmbio
mais eficiente e variado de conhecimentos, abrem também um cenário preocupante para o
futuro de nossas sociedades. É um cenário preocupante, porque quanto mais benefícios e
promessas de desenvolvimento humano podemosinferir das novas tecnologias, mais esferas
da vida cotidiana, política, econômica, profissional, cultural e social são afetadas e, portanto,
requerem mais nossa atenção.

Há um entendimento geral de que a importância da educação cresce a cada dia devido aos
avanços tecnológicos. Para Freire (2014), o êxito da economia de um país é tornar a educação
um fator fundamental. O autor ressalta que as instituições de ensino estão sendo desafiadas à
interdisciplinaridade, que nada mais é que a quebra das barreiras das disciplinas para que estejam em
plena sinergia. O autor confirma que a tarefa não é nada fácil, mas necessária para que a tecnologia
seja utilizada a favor da educação.

Prezado(a) acadêmico(a), em posse de tantas informações e mudanças na História – também


na nossa história –não é possível ficar parado, pois quem fica parado muito tempo corre o risco de
se tornar obsoleto. Precisamos sair da nossa zona de conforto e caminhar na rota da inovação. Isso
também é tecnologia!

Inclusão Digital nas Escolas: A Universidade Federal da


Grande Dourados desenvolveu um projeto para Inclusão
Digital nas escolas da rede pública. Veja como isso
aconteceu na prática.
Acesse o Link: <https://www.ufgd.edu.br/noticias/ufgd-
desenvolve-projeto-de-inclusao-digital-em-escolas-
publicas>. Acesso em 18 jan. 2018.

51
Educação em foco na era digital Unidade
3

4.1 aprendizado virtual também pode ser divertido


Ainda que a “rede” possua inúmeros perigos e desvantagens para o aprendizado e para a
socialização de crianças e adolescentes, não podemos negar que as tecnologias têm contribuído para
o desenvolvimento desses pequenos. A utilização de jogos e aplicativos no processo de aprendizagem
tem se mostrado grandes aliados e oferecem diversas vantagens para os indivíduos. Santos e Barros
(2017, p. 18) explanam esse assunto:
[...] o uso equilibrado das tecnologias da informação e comunicação pode ser benéfico
ao desenvolvimento emocional da criança. (...) Os jogos eletrônicos também podem ser
vantajosos para o desenvolvimento emocional infantil na medida em que possibilita um
espaço para que essa possa expressar-se livremente, na medida em que, fora do jogo, em
outras atividades ou até mesmo em atividade nenhuma, a criança consiga brincar de “faz
de conta” que é um personagem, por exemplo, e assim, dar conta da sua realidade interna e
através da brincadeira de forma desconectada consiga reapresentar a realidade externa e se
conectar com as suas fantasias.

Diante do exposto, o equilíbrio precisa ser a base norteadora para a utilização de qualquer
ferramenta tecnológica no processo de aprendizagem. Quando observamos uma criança no videogame,
percebemos o interesse e a determinação para conseguir alcançar novas fases de um jogo, e isso pode e
deve ser aproveitado no processo de aprendizado. É necessário que tanto pais quanto escola e professor
aproveitem essas ferramentas para potencializar o aprendizado.

Quando acessamos a Internet para pesquisar sobre jogos educativos e pedagógicos, somos
apresentados a diversas possibilidades. Essas ferramentas que tanto chamam a atenção dos pequenos
devem ser utilizadas de maneira que desperte o interesse do aluno para raciocinar logicamente,
contribua para o desenvolvimento psicomotor, auxilie no aprendizado do trabalho em equipe, facilite
o processo de socialização e tantas outras vantagens.

Silva (2010, p. 6) instrui sobre o tipo de jogo ideal para o aprendizado e desenvolvimento:
No ponto de vista instrucional, o ideal é que o jogo alterne momentos de atividade cognitiva
mais intensa com períodos de utilização de habilidades motoras. Essa prática educativa
direciona a criança no aprimoramento seus reflexos e percepção viabilizando uma integração
da teoria com a prática na ação pedagógica.

Se estivermos atentos e proporcionarmos oportunidades de interação do indivíduo com as


tecnologias, perceberemos que o que antes causava medo e indagações pode ser um forte aliado no
desenvolvimento do aprendizadoem todas as etapas e áreas da educação.
O conhecimento através de pesquisas, das leituras pressupondo e partindo das experiências
profissionais, leva-nos a pensar, refletir, e notar que necessitamos quebrar paradigmas da
racionalidade, no qual, as orientações dos processos educativos nos levam para a educação
e aprendizado continuado e permanente dos docentes, e que interagirem no processo
pedagógico, buscando e orientando-se pelas forças educativas e mediadoras. E nesta
convergência, o professor deve estar capacitado para atuar no âmbito educacional. (CRUZ,
2015, p. 47).

Conforme o texto de Cruz (2015), esse processo de interação não traz somente benefícios aos
alunos, mas ao docente que tem a oportunidade de interagir no método pedagógico. É inegável o
fato de que as tecnologias vieram para ficar e que ocupam em nosso meio familiar, educacional,
profissional e mundial ferramentas que facilitam e promovem um campo maior de possibilidades, que
antes através de livros e revistas tornava pesquisas e descobertas um tanto quanto limitadas. Diante do
exposto, cabe a cada unidade familiar, instituição de ensino e docentes procurar equilíbrio e buscar as
melhores ferramentas de aprendizado que poderão ser utilizadas no meio social onde vivem.
52
Unidade Educação em foco na era digital
3

Segundo Chatfield (2012), em seu livro “Como viver na era digital”:


Se quisermos conviver com a tecnologia da melhor maneira possível, precisamos reconhecer
que o que importa, acima de tudo, não são os dispositivos individuais que utilizamos, mas
as experiências humanas que eles são capazes de criar. As mídias digitais são tecnologias da
mente e da experiência. Se quisermos prosperar junto a elas, a primeira lição que devemos
aprender é que só podemos ter esperança de compreendê-las de uma forma construtiva
falando não da tecnologia de modo abstrato, mas de experiências que ela proporciona.

Deste modo, podemos compreender que as experiências que cada indivíduo terá com a utilização
das tecnologias é algo totalmente particular, o que amplia ainda mais os benefícios da utilização das
novas tecnologias no aprendizado. Nesse sentido, cada indivíduo pode contribuir ainda mais no
aprendizado explanando a visão que teve na execução do trabalho, dificuldades encontradas e formas
diferentes de resolução. Assim, aquilo que era absolutamente subjetivo ao aluno pode auxiliar outros
colegas na compreensão de conteúdos de maior dificuldade no aprendizado.

Caro (a) acadêmico (a), ao final desta unidade, você consegue perceber que a tríade Família,
Estado e Escola (na identidade do professor) são fundamentais para o processo de socialização e
aprendizado de cada indivíduo? Consegue compreender que cada um desses pilares obrigatoriamente
ligado a uma sociedade participativa pode alcançar melhores objetivos com a utilização de novas
tecnologias no ambiente de aprendizado? Aproveite a nossa deixa, reflita sobre o assunto e amplie seus
conhecimentos pesquisando mais sobre esse tema.

Conheça na prática como o Rio Grande do Sul


tem trabalhado para resolver conflitos como
bullying e indisciplina dos alunos, além de assuntos
relacionados à saúde, trânsito e segurança através
da utilização do JOGO BANEVILLE “BOAS
AÇÕES NA ESCOLA E NA CIDADE”. Visite o
site do CIPAVE (Comissão Interna de Prevenção
de Acidentes e Violência Escolar) e saiba mais!
Disponível em: <http://www.cipave.rs.gov.br/jogo-virtual-ajuda-no-combate-a-violencia-
nas-escolas>. Acesso em: 6 maio 2018.

COnCluSãO
Caro(a) acadêmico, ao término desta unidade foi possível compreender o papel da sociedade na
promoção e no incentivo da educação. Verificamos como o Ministério Público tem participado das
melhorias na Educação, além de atuar como um agente fiscalizador da Lei. Compreendemos como
projetos sociais como o PROERDtem contribuído para a educação, além de entendermos como as
ONGs podem contribuir no desenvolvimento pleno do indivíduo.

Discutimos e compreendemoscomo a profissão de professor tem atravessado as gerações sem


tornar-se obsoleta ou desnecessária.Analisamos o papel do educador, sua evolução na história e
principalmente qual o poder de influência do mestre na sociedade.

Já em um terceiro momento, compreendemos como o processo de globalização tem afetado a


vida do aluno, do professor e da escola, e estudamos como a escola tem caminhado para a inovação
e evolução.

53
Educação em foco na era digital Unidade
3

Ao final, estudamos como as novas tecnologias atuam em favor da educação. Compreendemos


a interdisciplinaridade que pode existir nas escolas para criar um ambiente desenvolvido e a inclusão
digital. Descobrimos que a tecnologia produz experiências individuais que devem ser aproveitadas no
ambiente de aprendizado e que é possível ensinar de maneira tecnologicamente divertida e funcional.

Caro(a) aluno(a), espero que esse conteúdo tenha contribuído para o seu aprendizado. Sucesso!

ElEmEntOS COmPlEmEntaRES
#LIVRO#
Título: Profissão Professor
Autor: Antônio Nóvoa (Org.)
Editora: Porto Editora
Sinopse: A presente obra revela uma grande
pluralidade de pontos de vista, procurando pôr à
disposição do leitor uma reflexão útil para pensar a
situação atual dos professores portugueses. Na seleção
e organização dos textos tentou-se respeitar um núcleo
temático consistente, diversificando as perspectivas
de análise e de estudo. As abordagens históricas,
filosóficas, epistemológicas, psicológicas, pedagógicas e
sociológicas sucedem-se ao longo dos seis capítulos: O
passado e o presente dos professores,  O educador e a
ação sensata, Consciência e ação sobre a prática como
libertação profissional dos professores,  Mudanças
sociais e função docente, Aspetos sociais da criatividade
do professor  e  Ofício do professor: o tempo e as
mudanças. Estes estudos coincidem numa apreciação
crítica do estatuto e dos percursos dos professores, mas
não deixam de reafirmar uma convicção unânime no futuro da profissão docente. É nesta
capacidade de distanciamento e de problematização, mas também de empenhamento e
de aposta, que reside o seu carácter atrativo para os professores interessados em procurar
um sentido para a sua ação pedagógica e profissional.  Gostaríamos que  Profissão
Professor incentivasse o debate interno no seio das escolas e a reflexão científica no âmbito
da formação inicial e contínua, ajudando a fomentar uma nova cultura profissional do
professorado.

#WEB#
Saiba como a Educação vem evoluindo ao longo do tempo nesta incrível e principalmente
bem atual palestra sobre: Paradigmas da Tecnologia na Educação, do professor Mário
Sérgio Cortella.
Assista ao vídeo no link: <https://www.youtube.com/watch?v=1Lvl_
pG72Vk&spfreload=10#t=671.444877>. Acesso em 10 dez. 2017.

54
Unidade Educação em foco na era digital
3

REfERÊnCiaS
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da Educação e da pedagogia: geral e Brasil. 3. ed. São
Paulo: Moderna, 2006.

ARANTES, Rogério Bastos. Direito e política: o Ministério Público e a defesa dos direitos
coletivos. Revista brasileira de ciências sociais, v. 14, n. 39, p. 83-102, 1999. Disponível em:<http://
www.scielo.br/pdf/rbcsoc/v14n39/1723>. Acesso em: 18 jan. 2018.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil (1988). Diário Oficial [da] República
Federativa do Brasil.Brasília, Senado Federal, 1988.

CAVACO, Maria Helena. Ofício Professor: o tempo e as mudanças.In: NÓVOA, António (Org.).
Profissão Professor. 2. ed. Portugal: Porto Editora, 1995. p. 155-158.

CHATFIELD, Tom. Como viver na era digital. Objetiva, 2012. Disponível em: <https://books.
google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=o6ToYaoAgdYC&oi=fnd&pg=PT13&dq=como+educar
+os+filhos+na+era+digital&ots=88GyYWlljm&sig=oYJmcu1pZVprzDWWYpaf5TlRfPA#v=onep
age&q=se%20quisermos%20conviver&f=false>. Acesso em: 5 maio 2018.

CRUZ, José Anderson Santos. Formação profissional e mediação pedagógica na era digital: educar
para os meios e os meios para educar. 2015. Disponível em: <https://repositorio.unesp.br/bitstream/
handle/11449/126418/000843593.pdf?sequence=1&isAllowed=y>. Acesso em: 5 maio 2018.

CORTELLA, Mário Sérgio. A escola passou a ser vista como um espaço de salvação.ESTADÃO.
Entrevista concedida em 17 de maio de 2014. Disponível em: <http://educacao.estadao.com.br/
noticias/geral,cortella-a-escola-passou-a-ser-vista-como-um-espaco-de-salvacao,1168058>. Acesso
em: 05 jan. 2018.

FERREIRA, Hugo Monteiro; NEVES, Maria Angélica de Deus Xavier. Infância, violência na
escola: diálogos e contextos.  Revista Cadernos de Ciências Sociais da UFRPE, v. 2, n. 9, p. 44-73,
2017. Disponível em: <http://www.journals.ufrpe.br/index.php/cadernosdecienciassociais/article/
view/1288/1015>. Acesso em: 07 jan. 2018.

FREIRE, Emerson. Sociedade e tecnologia na era digital. São Paulo: Érica, 2014.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 34. ed. São Paulo:
Paz e Terra, 2006.

FREIRE, Paulo; SHOR, Ira. Medo e ousadia: o cotidiano do professor. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.

GÓMEZ, GullermoOrozco. Comunicação, educação e novas tecnologias: tríade do século


XXI. Comunicação & Educação, n. 23, p. 57-70, 2002. Disponível em: <http://www.periodicos.usp.
br/comueduc/article/view/37017>. Acesso em: 04 jan. 2018.

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL. Sobre a Instituição. Disponível em:<http://www.mpf.mp.br/


conheca-o-mpf/sobre>. Acesso em: 10 jan. 2018.

MORGADO, Lina. O papel do professor em contextos de ensino “online”: problemas e


virtualidades. Discursos, n. especial, p. 125-138, 2001. Disponível em: <https://repositorioaberto.uab.
pt/bitstream/10400.2/1743/1/professor_online_linamorgado.pdf>. Acesso em: 04 jan.2018.

55
Educação em foco na era digital Unidade
3

OLIVEIRA, Érica Letícia Teles. A participação da família na melhoria do desempenho escolar e


qualidade educacional. 2009. Disponível em: <http://www.faculdadedondomenico.edu.br/revista_
don/artigo4_ed2.pdf>. Acesso em: 17 jan. 2018.

PELANDRÉ, Nilcéa Lemos. Ensinar e aprender com Paulo Freire: 40 horas 40 anos depois. São
Paulo: Cortez, 2002.

PEREIRA, Ana Lucia et al. Educação em valores: possibilidades e responsabilidades na percepção


de docentes que atuam na educação pública do estado do Paraná.  Revista Tempos e Espaços em
Educação, v. 10, n. 22, p. 23-34, 2017. Disponível em: <https://seer.ufs.br/index.php/revtee/article/
view/6167/0>. Acesso em: 07 jan. 2018.

PIAGET, Jean; BRAGA, Ivette. Para onde vai a educação?14. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1998.

PROERD PARANÁ. Conclusão. Disponível em: <https://www.proerdbrasil.com.br/oproerd/


oprograma.htm>. Acesso em: 15 jan. 2018.

PINTO, Aparecida Marcianinha. As novas tecnologias e a educação. ANPED SUL, v. 6, p. 1-7, 2004.


Disponível em: <http://files.novastecnologias9.webnode.com/200000001-1e2d91f276/AS_NOVAS_
TECNOLOGIAS_E_A_EDUCACAO.pdf>. Acesso em: 18 dez. 2017.

SANTOS, Lucimara Bianchin; ALEGRE, Animari Mayer; FREIRE, Emerson. Da Inclusão Digital
à Social: Um estudo a partir da experiência com idosos e adultos na FATEC Jundiaí.  FaSCi-Tech,
v. 1, n. 1, 2016. Disponível em: <http://fatecsaocaetano.edu.br/fascitech/index.php/fascitech/article/
view/12>. Acesso em: 10 jan. 2018.

SANTOS, Caroline Cezimbra; BARROS, Jane Fischer. Efeitos do uso das novas tecnologias da
informação e comunicação para o desenvolvimento emocional infantil: uma compreensão
psicanalítica. 2018. 2018. Disponível em: <http://www.psicologia.pt/artigos/textos/TL0435.pdf>.
Acesso em: 5 maio 2018.

SILVA,Susany Garcia. Jogos Educativos Digitais como instrumento metodológico na Educação


Infantil. 2010. Disponível em: <https://portal.fslf.edu.br/wp-content/uploads/2016/12/tcc_4.pdf>.
Acesso em: 5 maio 2018.

56
Unidade
4

TECnOlOgiA A fAvOR DA EDuCAçãO

Professora Especialista Débora Regina fagundes Candido

Objetivos de aprendizagem
da unidade
• Refletir sobre conflitos entre professores e alunos em sala de aula
e os riscos que a exposição das crianças na rede pode causar
• Refletir sobre o processo de interação aluno-professor
• Refletir sobre as mídias digitais utilizadas na escola
• Conhecer o ensino EAD e como se deu a evolução dele ao longo
do tempo
• Compreender como a educação e as tecnologias de informações
e comunicações têm contribuído para o desenvolvimento da
educação
Tecnologia a favor da educação Unidade
4

inTRODuçãO
Prezado(a) acadêmico(a), nesta unidade estudaremos alguns aspectos importantes de como a
era digital tem transformado a vida escolar. No primeiro tópico, abordaremos os conflitos entre as
gerações de professores e alunos em sala de aula e os riscos que a exposição das crianças na rede pode
causar, além do processo de interação aluno-professor.
Em um segundo momento, discutiremos sobre as mídias digitais utilizadas na escola.
Analisaremos como desde cedo o indivíduo é estimulado a brincar com jogos eletrônicos em
smatphones, baixar seus próprios joguinhos, ligar a televisão para assistir ao seu desenho favorito
e como esses fatores têm modificado o perfil da escola. Ainda estudaremos alguns equipamentos
eletrônicos que se destacaram principalmente nas escolas públicas.
Vamos compreender como o método de ensino EAD viralizou na rede, estudaremos como a
educação a distância tem evoluído com o passar do tempo e como esse método de ensino é totalmente
flexível e ajustável ao nosso cotidiano corrido. Ademais, abordaremos princípios norteadores desse
método de ensino e como esse modelo tem contribuído para a educação.
Para finalizar nossa unidade, estudaremos como a educação e as tecnologias de informações e
comunicações, as famosas TICs, têm contribuído para o desenvolvimento da educação e entenderemos
como as TICs estão presentes em nosso cotidiano e como interagem na educação.
Prezado(a) aluno(a), espero que este conteúdo possa encorajá-lo a prosseguir em seus estudos
e contribuir para sua vida acadêmica! Bons estudos!

1. nA ERA DigiTAl, QuEM SABE MAiS SãO


AlunOS Ou PROfESSORES?
Era digital e os nativos digitais
Caro(a) acadêmico(a), ao iniciarmos esta
unidade,vamos adentrar um campo mais conhecido nosso,
pois estamos na era digital quer gostemos ou não. Você
já se perguntou como crianças tão pequenas conseguem
assistir a vídeos, jogar e até mesmo baixar aplicativos nos
smartphones dos pais? Intrigante, não é mesmo? Talvez na
sua infância, assim como na minha, o máximo de contato
que tínhamos com tecnologias eraatravés da televisão, rádio,
videocassete e telefone fixo. Nossa tecnologia era brincar
de telefone usando dois copos e um fio. O tempo passou e
tivemos acesso aos CDs, discman, celulares, computadores,
mp3 e tantas outras modernidades, mas o que não muda
com o passar das gerações é a capacidade do ser humano de
se reinventar e a capacidade de absorver o novo.

Segundo Palfrey e Gasser(2011), todos que nasceram


após 1980 são os Nativos Digitais. Esses indivíduos são hábeis
em utilizar as tecnologias, e os aspectos que mais destacam
em suas vidas são as amizades digitais, interações sociais
e movimentos cívicos mediados por novas tecnologias.
Fonte: Pinterest.

58
Unidade Tecnologia a favor da educação
4

Os autores ressaltam que esses Nativos Digitais “não conheceram nenhum modo de vida diferente”
(PALFREY; GASSER, 2011, p. 11-12).

É comum ouvir “mas na minha época não era assim”. Pois bem: essa realidade tem criado um
abismo entre duas gerações: a dos professores e a dos alunos. Será que os professores estão conseguindo
ultrapassar o conhecimento dos alunos no que se refere a novas tecnologias?

Para Fantin e Rivoltella (2010, p.91), na era digital o indivíduo torna-se protagonista do meio
social e cultural que ele está inserido, desse modo, as mídias digitais não são mais consideras da
“massa”, mas “personal media”. O questionamento que se faz é: Será que as crianças estão preparadas
para a vida social online? E os professores, sabem mediar essa interação na escola? Os autores explicam:
Isso demonstra não apenas as transformações nos modos tradicionais de inserção da infância
na vida sociocultural, como também novas formas de participação das crianças na cultura
uma vez que os espaços de convivência e sociabilidade estão mudando de lugar e as interações
online estão propiciando formas de se relacionar cada vez mais complexas, e nem sempre o
professor está preparado para fazer as mediações necessárias[...]. (FANTIN; RIVOLTELLA,
2010, p.96).

Como podemos observar, as crianças estão um pouco mais à frente na interação com as novas
tecnologias do que muitos professores, e parece que elas já “nascem sabendo”. Porém, ainda precisam
ser acompanhadas de perto para evitar grandes prejuízos para sua infância. No entanto, embora haja
riscos iminentes na exposição das crianças no meio virtual, a Internet possui benefícios no acesso das
informações, inclusive para fins educacionais.

Ponte e Vieira (2008, p. 2740) contextualizam os riscos da vida social digital das crianças:
De uma forma geral, os riscos que geram maior preocupação são os que têm uma natureza
social, ou seja, os que podem ter um forte impacto na vida social, emocional é física de crianças
e jovens. Atendendo a este factor e à existência de situações que podem constituir-se como um
risco, poder-se-á optar por dividir o perigo potencial em três categorias: o risco procedente
da navegação pelas páginas web (o dano procede do material ou conteúdo da web); o risco
procedente da participação em serviços interactivos (o dano potencial reside nas pessoas e no
comportamento) e os riscos derivados do excesso de tempo de exposição (os sectores mais
pessimistas normalmente argumentam que os conteúdos do ciberespaço provocam o vício e o
isolamento social). Apesar dos possíveis riscos mencionados, cabe destacar que o maior risco
da Internet não deriva do seu uso, mas sim do seu “não uso”, já que a Internet se converteu
na ferramenta básica de troca de informação do século XXI. Portanto, aqueles que não estão
educados para interactuar e comunicar com a tecnologia ficam em clara desvantagem.

Parafraseando os autores, os riscos são classificados em três categorias: o risco do conteúdo


acessado, risco da exposição da criança a pessoas mal-intencionadas e a comportamentos
inapropriados desses sujeitos na rede, o excesso de tempo conectado à Rede e o vício de estar
conectado e principalmente o isolamento do indivíduo. Quem de nós nunca viu crianças pequenas
que sãoviciadas em jogos eletrônicos, adolescentes viciados nas redes sociais e professores viciados em
métodos antigos? Na era digital, muitos professores ficaram para trás, mas o que podemos fazer para
minimizar essa realidade?

Para Zuin e Zuin (2011), uma mudança de postura das duas partes precisa acontecer para que a
interação entre professor e aluno seja renovada. Os autores explicam que o processo de aprendizagem
e ensino tem sofrido alterações:
O fato que se impõe hoje é o de que os estudantes, de uma forma ou deoutra, intervêm cada
vez mais no processo de ensino e aprendizagem por meiodo uso das tecnologias digitais. E
suas intervenções, mediadas por tais tecnologias, podem enveredar para a montagem da foto
do professor humilhado, que é postada nos sítios de relacionamento da internet. Ou então
para a ofertade outra interpretação sobre determinado tema, interpretação essa

59
Tecnologia a favor da educação Unidade
4

que oprofessor não havia pensado ou mesmo não sabia, fazendo com que ambos revejam
seus conceitos preconcebidos. (ZUIN; ZUIN, 2011, p. 226).

A conscientização do professor do seu papel de formador de indivíduos pensantes, críticos e


formadores de opiniãoimplicarána interação do conhecimento e principalmente aprimoramento da
educação. Ainda segundo Zuin e Zuin (2011, p. 227):
Mas, se as novas tecnologias digitais portam consigo elementos emancipatórios, o professor
precisa se conscientizar de que deveestabelecer uma relação dialógica com seus estudantes,
de modo a fazer comque eles o respeitem justamente porque suas intervenções são ouvidas
e consideradas. Ironicamente, esse movimento torna-se possível quando o professorexerce
seu papel de freio de emergência, pois na sociedade da audiovisibilidadetotal a expressão
“parar para pensar” adquire ares de imperativo categórico. Oprofessor exerce sua
autoridade quando estimula, pedagogicamente, esse “pararpara pensar” em conjunto
com seus estudantes, fazendo com que os acertos eerros de ambos possam ser discutidos
coletivamente e não mais dissimulados.

Caro(a) aluno(a), você consegue perceber como a interação entre o professor e o aluno pode
minimizar as barreiras que existem entre gerações tão distintas? Uma atitude louvável nesse momento de
inúmeras transições é a humildade. A humildade do professor em abrir-se para o novo e para permitir-
se aprender com uma criança de 5 anos, além da humildade do aluno em submeter-se à autoridade e à
sabedoria daquele intitulado “mestre”, que por gerações tem nos estimulado a “parar para pensar”.

A poetisa Cora Coralina nos traz um


questionamento antigo e atual. Seguem alguns
trechos de sua poesia:
[...] Meu jovem Professor, quem mais ensina e quem
mais aprende? 
O professor ou o aluno? 
De quem maior responsabilidade na classe, 
do professor ou do aluno?[...]
[...] Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina. 
O melhor professor nem sempre é o de mais saber, 
é sim aquele que, modesto, tem a faculdade de transferir 
e manter o respeito e a disciplina da classe....
Fonte: “Vintém de cobre: meias confissões de Aninha”,9ª ed. São Paulo: Global Gaia, 2007.

60
Unidade Tecnologia a favor da educação
4

2. MÍDiAS DigiTAiS nOS AMBiEnTES DE


APREnDiZAgEM
Evoluções da tecnologia

Fonte: Pinterest.

Prezado(a) acadêmico(a), como foi exposto no tópico anterior, podemos observar as constantes
evoluções das tecnologias, principalmentequando olhamos para as crianças. Atualmente, uma criança
antes mesmo de completar 5 anos de idade já possui contato com vários tipos de tecnologias. O
indivíduo desde muito cedo é estimulado a brincar com jogos eletrônicos em smatphones, baixar
seus próprios joguinhos, ligar a televisão para assistir a seu desenho favorito, colocar um DVD de sua
preferência e tudo isso sozinho.

Segundo Nakashima e Amaral (2006, p. 34), “as crianças de hoje não têm medo de conhecer e
investigar os recursos que os eletrônicos proporcionam.” Nesse sentindo, quando chegam à escola, as
crianças conseguem abrir-se ao novo, pois suas mentes não estão cheias de pré-conceitos, ou seja, não
possuem conceitos concebidos anteriormente, diferentemente de como age a mente de um adulto.

Em seu estudo sobre as novas tecnologias e a abrangência de impactos que causam na docência,
Kenski (1998, p.60) afirma que “as velozes transformações da atualidade impõem novos ritmos e
dimensões à tarefa de ensinar e aprender”. A realidade é que muitas vezes os alunos estão anos-luz à
frente de seus professores e das escolas, por isso é preciso estar em um processo contínuo de aprendizado.

Muitas mudanças têm marcado nossa história. É possível datar alguns acontecimentos, por
exemplo, a primeira imagem fotográfica em 1826 pelo francês Joseph Nicéphore Niépce, e o rádio e o
cinema tornam-se um pouco mais complicado de datar devido a divergências históricas, mas o certo
é que foram no final do século XIX e início do século XX. Diante desses fatos, Araujo (2014) explica
que as bases das tecnologias educacionais vêm do século XIX, enquanto no século XX elas se ampliam,
por isso existem tantos conflitos.

Passamos agora a listar e fazer um breve comentário sobre alguns tipos de mídias digitais que
são mais utilizadas nos ambientes de ensino:

61
Tecnologia a favor da educação Unidade
4

Computadores: Segundo o dicionário Cambridge (2018),“é uma máquina eletrônica


que pode armazenar e organizar grandes quantidades de informações” (texto traduzido). Todo
computador possui a parte do hardware que é a parte física, ou seja, aquilo que tocamos, e o software
que é denominado de “programa”, ou seja, a parte lógica da máquina ou aparelho. De posse dessas
informações, você vai entender o que aconteceu com os computadores nas escolas do Brasil.

Em 1998, nas escolas públicas brasileiras, deu-se o início da informatização por meio dos
computadores. Com raras exceções, as escolas não estavam preparadas para utilizar a ferramenta e
tampouco fazer a interação máquina/aluno. O que aconteceu na época foi que encheram uma sala
com computadores que denominaram de “laboratório de informática” e uma catástrofe aconteceu
quando esqueceram o mais importante: o professor. Foram contratados técnicos em informática
com qualquer formação em Educação e deixaram os professores de matemática, português, ciências
e tantos outros fora dessa sala. Resumindo a história, não funcionou. E o que fazer para resolver o
problema? Ministraram cursos de informática básica, de desenho, de acesso à internet, etc.

No entanto, não há o que lamentar, pois esse método também não funcionou nem na França
nem nos Estados Unidos no final dos anos 1980 e início dos anos 1990 devido à faltade professores
capacitados e de programas de software de boa qualidade. A pergunta que não quer calar é: por que
será que o Brasil não se atentou ao exemplo desses países já que o método falhou anos antes nesses
países? (NETO, 2017)

Atualmente, os computadores estão em todos os ambientes e facilitam significativamente as


atividades desenvolvidas dentro e fora da sala de aula; uma ferramenta extremamente importante para
o processo de ensino em vários níveis de graduação.

tablets: Oliveira (2016) explica em seu estudo a utilização dos tablets nas escolas, que o
dispositivo portátil é uma ferramenta que permite ao professor produzir materiais e compartilhar
conteúdos didáticos, além de ser uma ferramenta que pode acessar a internet.

No campo teórico, a ideia é muito boa e funciona bem, pois desafia as escolas a saírem de seu
método didático tradicional, mas na prática não foi bem isso que aconteceu. O investimento de cerca
de 150 milhões de reais na compra desses aparelhos através do Ministério da Educação ofereceu os
instrumentos, ou seja, os tablets aos professores, no entanto, além da resistência de muitos professores
com a tecnologia nova, ainda outros problemas agravaram a não utilização dos tablets, tais como a
falta de assistência técnica dos objetos, a falta de capacitação dos usuários e principalmente a falta da
rede sem fio, que impossibilitou o acesso via internet e aos conteúdos pedagógicos. Cabe aqui outro
questionamento: será que ninguém pensou na capacitação de todos os professores antes de entregarem
os tablets? E será que ninguém pensou que sem internet não seria possível acessar o material didático?

Embora esse acontecimento tivesse sido trágico, os tabletes facilitaram o acesso a conteúdos
ministrados, ler ficou mais fácil e prático para todas as idades, e até mesmo empresas passaram a
utilizar essa ferramenta em diversos segmentos. Os tabletes são aparelhos normalmente leves que
podem ser levados para vários ambientes e auxiliam em um processo de aprendizagem muito mais
dinâmicos que nossos antigos livros.

lousas digitais: As enciclopédias, livros, mapas e uma parafernália de itens que


utilizávamos para fazer pesquisas anos atrás não éa maneira mais rápida e eficiente de se fazer uma
pesquisa hoje. Em um processo revolucionário, os quadros negros perdem seu espaço para lousas
interativas, nas quais o professor consegue trazer de maneira didática textos e imagens que vem ao
encontro com a realidade de seus alunos. A lousa digital, por exemplo, faz uma desconstrução do
livro didático impresso e rompe com sua sequência natural, dando opções de interação com textos,

62
Unidade Tecnologia a favor da educação
4

figuras, gráficos, mapas, etc. Desse modo, tornam-se totalmente moldáveis os conteúdos ministrados
em sala de aula, além de concernentes a um novo tempo de pensamento e de compreensão do ensino
(KENSKI, 1998).

Parece que tudo mudou. Mas será que é assim que acontece na prática do dia a dia? Araujo
(2014, p. 41) explica:
Além disso, a lousa virtual reforça o ato de copiar por parte do aluno, durante a exposição,
copiar este que, se, por um lado, pode ser visto como contribuinte à aprendizagem, por
outro, guarda velhas semelhanças com o que ocorre diante do quadro negro. Entretanto, os
conteúdos de ordem virtual, pelo menos parcialmente, são digitalizáveis e remissíveis por
e-mail aos alunos [...].

Nesse sentido, podemos perceber que a lousa digital tem o papel de uma estrutura mediadora,
assim como funcionava o quadro-negro. Ela também pode ser utilizada em ambiente corporativo
para treinamentos, palestras, cursos e tantas outras possibilidades em que as lousas digitais tornam-se
ferramentas essenciais para o aprendizado.

internet: De forma bem simples, vamos entender o conceito de internet, segundo o


dicionário Ferreira (2018), conhecido como dicionário Aurélio:
Rede mundial que, pela troca virtual de dados e mensagens, une computadores particulares,
organizações de pesquisa, institutos de cultura, institutos militares, bibliotecas, corporações
de todos os tamanhos; rede mundial de computadores. (FERREIRA, 2018).

Trocando em miúdos, é uma ferramenta de altíssima eficiência que pode auxiliar na nossa
ascensão como indivíduos, porém, também pode conduzir-nos à queda se for mal administrada.

Para Moran (1997), a internet tem viralizado rapidamente em todos os segmentos. É uma
tecnologia que tem facilitado a vida de muita gente para fazer compras, ir ao banco, bater papo, fazer
pesquisas e tantas outras atividades.

Na educação não é diferente. Muitas escolas e universidades estão na corrida para serem vistas
e criam sites e páginas atraentes para “fisgar” os alunos. As redes aproximam os estudantes, pois eles
gostam de navegar. Quando descobrem algo, logo “jogam na rede” para compartilhar a informação. É
algo maravilhoso, não é mesmo? No entanto, será que não é possível perder-se nesse emaranhado de
conexões e informações?

Ainda segundo Moran (1997, p. 4), “Ensinar utilizando a internet pressupõe uma atitude do
professor diferente da convencional. O professor não é o ‘informador’, o que centraliza a informação.”
Nesse sentido, o professor tem o papel de motivar os alunos sobre a importância do conteúdo e que
a informação está em diversos bancos de dados, a um clique dos dedos. Porém, há uma premissa
importantíssima que o autor ressalta e que deve ser observada:
Mais que a tecnologia, o que facilita o processo de ensino-aprendizagem é a capacidade de
comunicação autêntica do professor, de estabelecer relações de confiança com os seus alunos,
pelo equilíbrio, competência e simpatia com que atua. (MORAN, 1997, p. 4).

Diante dessa nova realidade do cotidiano do professor em estar conectado tanto com as mídias
digitais quanto com o novo modelo de aluno, surge outra dificuldade: a Inclusão Digital. Como já
estudamos anteriormente, a escola muitas vezes faz o papel de “agente de inclusão”, mas nem sempre a
escola possui aparatos tecnológicos para fazer essa ponte de acesso entre o aluno e a tecnologia.

63
Tecnologia a favor da educação Unidade
4

O Projeto social OLDNET, criado e desenvolvido há 7 anos


em São Paulo, propõe a convivência entre idosos e jovens
através de oficinas tecnológicas. Nele, os jovens podem
compartilhar seus conhecimentos de informática a pessoas
da melhor idade. Assim, idosos têm aprendido a manusear
ferramentas do computador, fazer pesquisas e interagir com
o mundo conectado.
Conheça o Projeto Oldnet e inspire-se!
Acesse o site: www.oldnet.com.br

Sorj e Remold (2016, p.13) enfatizam: “A luta pela inclusão digital é uma luta contra o tempo”.
Os autores explicam que por meio da internet é possível minimizar as consequências negativas que
os setores mais carentes sofrem pelas deficiências nas políticas sociais quanto à informação. Essas
políticas sociais precisam vir ao encontro da inclusão digital; caso contrário, aumentarão ainda mais
o desequilíbrio social existente.
Atualmente, existem outras mídias digitais que podem ser utilizadas no processo de aprendizagem
dos alunos. Os celulares, mais conhecidos como smartphones, são ótimos aliados e têm a capacidade
de processamento de um computador para realizar tarefas. No entanto, existem também aplicativos de
jogos que podem contribuir com o aprendizado. Os ambientes online de acesso restrito a quem pertence
ao grupo são exemplos dos ambientes de intra e extranet que muitas escolas particulares, universidades e
o ensino a distância têm aproveitado para o melhor aproveitamento das atividades. Esse estudo não pode
se findar aqui, pois esta unidade apenas nos deu a largada e há muito ainda que percorrer.
Caro(a) aluno(a), diante do conteúdo exposto, resta-nos apenas uma frase: “Na educação, há
muito o que mudar e aprimorar, mas isso não depende só de políticas públicas, mas do principal
agente de mudança: nós mesmos!”

3. EnSinO EAD: uMA fERRAMEnTA DA


EDuCAçãO PARA O SÉCulO XXi
EAD
Fonte: Pinterest.

Caro(a) aluno(a), possivelmente hoje quando você acessou a internet ou enquanto assistia
televisão viu uma propaganda de cursos a distância, o famoso EAD – Educação a Distância. Tal

64
Unidade Tecnologia a favor da educação
4

método de ensino viralizou, e isso é efetivamente muito bom, pois ninguém mais tem a desculpa de
dizer que não pode fazer uma graduação ou, quem sabe, uma pós-graduaçãoporque não tem como
ir até a instituição de ensino. O EAD é totalmente flexível e ajustável ao nosso cotidiano corrido, e
estudar em casa virou sinônimo de que a educação evoluiu. E embora pareça que isso começou há
pouco tempo, tem muita gente que vai lembrar de alguns cursos que eram feitos através dos Correios,
tais como corte e costura, desenho, eletrônica e tantos outros.

A Lei 9394 de 20 de dezembro de 1996, mais conhecida como LDB – Lei de Diretrizes e Bases
da Educação Nacional, disciplina em seu Artigo 80: “O Poder Público incentivará o desenvolvimento
e a veiculação de programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de ensino,
e de educação continuada”. Ao ler o texto, podemos perceber que é interesse do poder público o
crescimento da educação a distância, mas para conhecer esse método de ensino, precisamos conhecer
seus conceitos e premissas norteadoras (BRASIL, 1996).

Segundo o Decreto Nº 9.057de 25 de maio de 2017, no Art. 1º, conceitua-se educação a distância:
Art. 1º  Para os fins deste Decreto, considera-se educação a distância a modalidade educacional
na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorra com
a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com pessoal qualificado,
com políticas de acesso, com acompanhamento e avaliação compatíveis, entre outros, e
desenvolva atividades educativas por estudantes e profissionais da educação que estejam em
lugares e tempos diversos. (BRASIL, 2017). 

Assim, torna-se possível compreender que essa modalidade de ensino tem como objetivo
principal resolver um dos problemas do nosso século: o tempo. A mediação didático-pedagógica é
diferente do modelo tradicional de ensino presencial, e o propósito desse novo método de ensino é
facilitar ao indivíduo o local de ensino, que pode ser em qualquer lugar e a qualquer hora.

A Lei 9394 de 20 de dezembro de 1996 – LDB institui também as regras para as instituições que
tem interesse em oferecer cursos superiores a distância, mas não vamos nos ater a essas regras aqui neste
módulo. Caso você tenha interesse nesses requisitos, acesse a lei no site do Planalto (BRASIL, 1996).

Segundo Almeida (2003), a expansão do método EAD deu-se devido à grande publicidade na
televisão, rádio, internet, outdoors, distribuição de impressos, etc. De forma objetiva, a autora explica
como os centros de ensino funcionam na prática:
[...] emitem as informações de maneira uniforme para todos os alunos, que recebem os
materiais impressos com conteúdos e tarefas propostas, estudam os conceitos recebidos,
realizam os exercícios e os remetem aos órgãos responsáveis pelo curso para avaliação e
emissão de novos módulos de conteúdo. (ALMEIDA, 2003, p.3).

Ao analisar o relato da autora, compreendemos que em regra é um método sem maiores


complexibilidade, em que o aluno pode estudar onde quiser desde que tenha acesso à internet e, é
claro, tempo para estudar. No entanto, na prática outro problema acontece: a desistência:
Essa abordagem da EaD apresenta altos índices de desistência, mas encontra-se disseminada
em todas as partes do mundo, devido à sua potencialidade de atender a crescente parcela da
população que demanda pela formação (inicial ou continuada) a fim de adquirir condições
de competir no mercado de trabalho. (ALMEIDA, 2003, p.3-4).

Como descreveu bem autora no trecho acima, vale ressaltar que em qualquer ambiente de
ensino, seja público ou privado, o método EAD não é uma poção magia que resolve o problema do
tempo e lugar. Se não houver abdicação e persistência por parte do aluno, nenhum método de ensino
irá conduzi-lo à formação ou à continuidade de sua formação.

Nesse sentido, Novak e Gowin (1996, p. 26) explicam como funciona a aprendizagem:

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Tecnologia a favor da educação Unidade
4

É uma crença comum a de que a aprendizagem é automática e sem esforço, e que se dá de um


modo contínuo e cumulativo ao longo da vida. Porém, temos razões, e algumas evidências,
para duvidar desta crença. A aprendizagem tem sido confundida com o desenvolvimento,
e a metáfora biológica do desenvolvimento evolutivo autónomo é tão poderosa que está
sempre presente no nosso pensamento. Consideremos apenas a tremenda variedade de seres
humanos. A maior parte das pessoas tem um vocabulário de dez a trinta mil palavras; no
entanto, Shakespeare inventou e escreveu mais de três mil jogos de palavras e o seu vocabulário
era dez vezes superior ao da maioria das pessoas. Alguns marinheiros são capazes de atar
quatro ou cinco nós diferentes, outros mais de cinquenta.

Diante do exposto, fica fácil compreender que o aprendizado precisa de esforço e que cada
indivíduo terá resultados diferentes, e isso dependerá do seu grau de comprometimento com o ensino
e com os objetivos que se deseja alcançar.

Para Ribeiro, Freitag e Sellitto (2018), o ensino EAD trouxe o benefício da redução dos custos
tanto para o aluno quanto para as instituições. Os autores explicam que no Brasil esse método de
ensino tem ganhado força, porém, mesmo estando devidamente regulamentado em lei,existem alguns
fatores críticos, tais como material didático oferecido, baixa qualidade no suporte ao aluno, a estrutura
do curso que por vezes deixa a desejar, falta de treinamento dos professores e até mesmo o perfil do
aluno, além de outras dificuldades que variam de polo para polo.

Como qualquer investimento que pretendamos realizar, é necessário conhecer a fundo todos os
contras. No método de ensino EAD, é necessário averiguar se a instituição de ensino é credenciada, se
é reconhecida no mercado, ouvir a opinião de outras pessoas que cursam ou cursaram na instituição,
além, é claro, de conhecer o material didático, ambiente de acesso online e tantas outras informações
relevantes que devem ser averiguadas antes de assinar o contrato. Ao se comprometer com a instituição,
o aluno precisa estar completamente convencido de que aquele é o melhor curso e instituição que ele
poderia escolher; caso contrário, em pouco tempo a desistência baterá àsua porta.

Diante desse contexto do crescimento no ensino EAD, Saraiva (2008, p. 11) explica:
Nesse cenário, o EAD desponta como modalidade do futuro, provavelmente vivendo novas
etapas, com ênfase na integração de meios, em busca da melhor e maior interatividade. As
tecnologias da informação aplicadas à EAD proporcionam maior flexibilidade e acessibilidade
à oferta educativa, fazendo-as avançar na direção de redes de distribuição de conhecimentos
e de métodos de aprendizagem inovadores, revolucionando conceitos tradicionais e
contribuindo para a criação dos sistemas educacionais do futuro.

O método EAD surge como o modelo de ensino do futuro. Assim como mencionou Saraiva
(2008), novas gerações de estudantes têm sido beneficiadas coma essa modalidade e ainda muitas
outras serão alcançadas por ela. Quer seja pela falta de tempo, dinheiro ou quem sabe oportunidade
de fazer uma segunda graduação ou pós-graduação, o EAD tem conduzido e continuará conduzindo
um grande contingente de jovens e adultos trabalhadores para essa modalidade de ensino. No entanto,
como em qualquer outra atividade, existem vários pontos que precisam ser aperfeiçoados, e melhorias
levarão alunos e instituições ao ponto de equilíbrio e satisfação necessáriospara ambas as partes.

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Unidade Tecnologia a favor da educação
4

Através do Censo da Educação Superior realizado pelo


Ministério da Educação – MEC, podemos verificar
que o Ensino a Distância cresceu no período de 2011
a 2016, quando o aumento nas matrículas foi de3,9%.
O número é ainda maior se o comparativo for feito
desde 2006, quando houve quase 15% de aumento.
Esse contingente de alunos não é pequeno diante dos paradigmas que o ensino EAD tem
superado: Observe:

Fonte: INEP.

4. EDuCAçãO nO CAMinHO DAS TiCs


Caminhos

Fonte: Pixabay.

Caro(a) aluno(a), chegamos ao último tópico deste livro e espero que até aqui você tenha
absorvido o conteúdo de maneira proveitosa. Nosso estudo não poderia deixar de mencionar as tiCs,
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Tecnologia a favor da educação Unidade
4

e talvez você já tenha ouvido esse termo, mas agoravamos compreendê-lo um pouco melhor. Como as
Tecnologias da Informação e Comunicação têm contribuído para o desenvolvimento da educação, do
comércio, da indústria, do segmento de serviços, ou seja, de todas as áreas que possamos imaginar lá
estão as TICs. Vamos entender melhor?

Atualmente conhecidas como TICs, as tecnologias de informação e comunicaçãoconsistem em


um forte processo de mudança social. Ponte (2000, p. 64) explica sobre a designação das TICs:
Durante muitos anos falava-se apenas no computador. Depois, com a proeminência que os
periféricos começaram a ter (impressoras, plotters, scanners, etc.), começou a falar-se em novas
tecnologias de informação (NTI). Com a associação entre informática em telecomunicações
generalizou-se o termo tecnologias de informação e comunicação (TIC). Qualquer das
designações é redutora, porque o que é importante não é a máquina, nem o facto de lidar com
informação, nem o de possibilitar a sua comunicação à distância em condições francamente
vantajosas. Mas não há, por enquanto, melhor termo para designar estas tecnologias.

O nosso cotidiano foi invadido pelas TICs, as atividades econômicas são completamente
dependentes dessas tecnologias ea maioria das empresas não funciona sem as TICs. Mas não é
somente na vida das empresas que isso aconteceu. Observe como em seu dia a dia as TICs estão
lá, por exemplo, quando pagamos uma despesa com um cartão magnético estamos utilizando essas
tecnologias, e quando utilizamos nossos smartphones ou fazemos uma pesquisa na internet não nos
damos conta de que também estamos utilizando as TICs.

Diante de uma sociedade agressivamente competitiva, não se pode falar em um futuro promissor
distante das tecnologias. A “Sociedade da Informação” na qual estamos inseridos impõe a cada
indivíduo uma imersão no conhecimento e no aprimoramento das habilidades no mundo digital.
Aquele que fica alheio às mudanças acaba se tornando obsoleto, e estar inserido na rede, partilhar
e compartilhar conhecimento vem ao longo dos anos transformando todos os ambientes, desde as
séries iniciais da escola até as grandes corporações. Ninguém deve ficar fora dessas mudanças se quiser
permanecer ativo no “mercado”. Mudanças em todas as áreas da nossa vida, masserá que educação foi
alcançada pelas TICs?

Ainda falando sobre a terminologia, Miranda et al. (2007, p. 43) ensinam:


O termo Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) refere-se à conjugação da
tecnologia computacional ou informática com a tecnologia das telecomunicações e tem na
Internet e mais particularmente na WorldWide Web (WWW) a sua mais forte expressão.
Quando estas tecnologias são usadas para fins educativos, nomeadamente para apoiar e
melhorar a aprendizagem dos alunos e desenvolver ambientes de aprendizagem, podemos
considerar as TICs como um subdomínio da Tecnologia Educativa.

Perguntamo-nos então: Desde quando as TICs estão inseridas na educação? Nas décadas de
1980 e 1990 surgiu no mundo todo um movimento de reforma na educação, embora a escassez de
recursos investidos na educação e a falta de políticas organizacionais para a capacitação dos professores
quase invalidaram a integração das TICs. No entanto, com a globalização, a necessidade de superar
as dificuldades e se tornou como uma mola propulsora para a integração das tecnologias em favor da
educação. Já no início do novo milênio as mudanças se acentuaram Silva (2001, p. 35) explica:
[...] um grande desafio: compreender que as TIC dão à escola a oportunidade em passar
do modelo de reprodução da informação para um modelo de funcionamento baseado na
construção partilhada do conhecimento, aberto aos contextos sociais e culturais, à diversidade
dos alunos, aos seus conhecimentos, experimentações e interesses, enfim, em constituir-
se como uma verdadeira Comunidade de Aprendizagem. Haja vontade política e vontade
educacional para o implementar.

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Unidade Tecnologia a favor da educação
4

Nesse sentido, podemos observar que a escola pode contribuir de maneira abrangente no processo
de construção partilhada do conhecimento. Você consegue compreender a diferença entre apenas
repassar as informações e uma construção partilhada do conhecimento? Precisamos compreender
que apenas repassar a informação não irá contribuir para que o aluno desenvolva o senso crítico, e a
dinâmica transformadoraé aquela construção compartilhada do conhecimento entre professor, aluno
e as TICs. É claro que essa mudança implica posicionamentos da escola, dos professores, dos alunos e
principalmente das políticas públicas em equiparem as escolas com as tecnologias necessárias, porém,
o que estiver em nossas mãos para fazerdevemos fazer e realizar com excelência.

Ainda segundo Ponte (2000, p. 73), o uso das novas tecnologias são fontes benéficas ao
aprendizado:
As novas tecnologias surgem aqui como instrumentos para serem usados livre e criativamente
por professores e alunos, na realização das actividades mais diversas. Esta perspectiva é, de
longe, mais interessante que as anteriores na medida em que pode ser enquadrada numa lógica
de trabalho de projecto, possibilitando um claro protagonismo do aluno na aprendizagem.
Mas esta perspectiva tem igualmente as suas limitações. Por um lado, muitos dos programas
utilitários não foram concebidos tendo em conta as especificidades do processo educativo,
nos vários níveis etários, e, por outro lado, nem sempre é fácil a sua integração curricular.
Além disso, a utilização das TIC como ferramenta tanto pode ser perspectivada no quadro
de actividades de projecto e como recurso de investigação e comunicação, como pode ser
reduzida a uma simples aprendizagem, por processos formais e repetitivos, de uns tantos
softwares e programas utilitários. Ficam, ainda, por equacionar novos papéis para a escola,
novos objectivos educacionais e novas culturas de aprendizagem.

Diante do exposto, precisamos compreender que apenas a utilização de algum instrumento de


tecnologia, ou seja, conhecer comandos, funções e até mesmo suas limitações não significa que o
indivíduo possui uma profunda interiorização das suas potencialidades e que irá interagir com outros
indivíduos de maneira correta e eficiente. Segundo Porto (2006, p.44), “As novas (e velhas) tecnologias
podem servir tanto para inovar como para reforçar comportamentos e modelos comunicativos de
ensino.” Ainda para Porto (2006, p.44), “A simples utilização de um ou outro equipamento não
pressupõe um trabalho educativo ou pedagógico.”

Nesse sentindo, podemos compreender que cada tecnologia pode promover a interação e
mediação entre pessoas e contextos sociais diferentes, e que esses contextos podem ser aplicado não
somente nas instituições de ensino, mas em diversos segmentos.

O Acessa São Paulo é atualmente o principal projeto


de inclusão digital do estado. Os objetivos do projeto
são monitorar os infocentros e desenvolver projetos
comunitários com a
utilização das TICs,
além da produção de
conteúdos digitais
e não-digitais com o intuito de capacitar de informar a
população atendida.
Quer saber mais sobre esse projeto?
Acesse o link: <http://futuro.usp.br/acessasp/>.

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Tecnologia a favor da educação Unidade
4

Prezado(a) aluno(a), no tocante à Educação, para que as mudanças que tanto ansiamos
possam ocorrer é imprescindível que cada um de nós assuma um posicionamento a favor da educação.
Não podemos, afinal, esperar apenas pelas instituições do Estado, pois cada cidadão tem, segundo a
Constituição do nosso país, o dever de promover a Educação. Pense sobre isso: “quem não ajuda já está
atrapalhando”. Inove e faça a sua parte!

“Se é verdade que nenhuma tecnologia poderá


jamais transformar a realidade do sistema educativo,
as tecnologias de informação e comunicação trazem
dentro de si uma nova possibilidade: a de poder
confiar realmente a todos os alunos a responsabilidade
das suas aprendizagens”. (Carrier, 1998)

COnCluSãO
Caro(a) aluno(a), compreendemos nesta unidade aspectos importantes da digital tem
transformado a vida escolar. Estudamos os conflitos das gerações de professores e alunos em sala
de aula e entendemos como esses conflitos podem ser sanados. Analisamos os riscos que causam a
exposição das crianças na rede e como o professor participa desse processo.

Em um segundo momento, estudamos as mídias digitais mais utilizadas na escola e verificamos


qual é o perfil do novo aluno e da maioria dos professores. Além disso, foi possível analisar alguns
equipamentos eletrônicos que mais foram utilizamos principalmente nas escolas públicas.

Compreendemos, no terceiro tópico, como o método de ensino EAD tem crescido. Estudamos a
evolução da educação a distância, compreendemos como esse método é totalmente flexível e ajustável ao
nosso cotidiano corrido e analisamos princípios norteadores do EAD, além das perspectivas para o futuro.

Ao finalizar nossa unidade de estudos, abordamos a Educação e as tecnologias de informações e


comunicações, as famosas TICs, e compreendemos como elas estão cada vez mais presentes em nosso
cotidiano e como interagem na educação.

Prezado(a) acadêmico(a), espero que esse conteúdo tenha contribuído para sua vida acadêmica
e que você tenhasido encorajado a continuar lutando a favor da educação! Sucesso!

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Unidade Tecnologia a favor da educação
4

ElEMEnTOS COMPlEMEnTARES
#liVro#

título: Nascidos na era digital


autor: John Palfrey e Urs Gasser
editora: Artmed
sinopse: Contrapondo-se aos imigrantes digitais, ou seja,
pessoas para quem a informática é uma novidade, os nativos
digitais são crianças, adolescentes e jovens adultos que
nasceram a partir da década de 80 e que sempre conviveram
com o mundo informatizado.

REfERÊnCiAS
ALMEIDA, Maria Elizabeth Bianconcini. educação a distância na internet: abordagens e contribuições
dos ambientes digitais de aprendizagem. Educação e pesquisa, v. 29, n. 2, p. 327-340, 2003. Disponível
em: <http://www.scielo.br/pdf/ep/v29n2/a10v29n2.>. Acesso em 19 Jan. 2018.

ARAUJO, José Carlos Souza. Do quadro-negro à lousa virtual: técnica, tecnologia e tecnicismo. In:
VEIGA, Ilma Passos Alencastro. técnicas de ensino: novos tempos, novas configurações. 3. ed. 3.
reimp. Campinas: Papirus Editora, 2014. p. 13-48.

BRASIL, Decreto nº 9.057, de 25 de maio de 2017. Regulamenta o art. 80 da Lei nº 9.394, de 20 de


dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional.Disponível em: <http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/decreto/D9057.htm>. Acesso em: 19 Jan. 2018

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bases da educação nacional. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm>.
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