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Feudalismo
Introdução Ele se originou a partir das invasões bár-
A Idade Média foi o período histórico com- baras ocorridas ao final do Império Romano. A
preendido entre os anos 476 e 1453. violência desse período tornou o ambiente das
cidades inóspito, diminuiu a circulação da moeda
Geralmente, ela é dividida em dois pe­
e a terra passou a ter grande valorização.
ríodos:
Os reis bárbaros não puderam defen­der
•• Alta Idade Média, século V a X, época
eficientemente seus territórios. Diante disso os
das inva­sões bárbaras.
grandes proprietários de terra, os suseranos,
•• Baixa Idade Média, século XI a XV, época passaram a organizar suas próprias defesas.
feudal. Deles se aproximaram pequenos pro­prietários e
O feudalismo foi uma formação social típica camponeses em busca de proteção. A fidelidade
da Europa Ocidental, baseada na propriedade de desses camponeses passou a se dar direta-
terra. Cada feudo era administrado por um senhor, mente a esses senhores, e não mais ao rei. A
que estabelecia suas próprias leis, sua moeda, e posse da terra e a agricultura passaram a ser as
tinha sua própria força militar. Essa organização mai­ores fontes de riqueza e poder. Começou a
social foi o resultado do êxodo urbano, ocorrido prática de cessões de terras (feudos) a pessoas
após o fim do Império Romano e a expansão que prestavam serviços, os vassalos.
islâmica. O feudalismo fundiu a cultura latina à A terra era transmitida por meio do contrato
germânica, necessariamente agrária. Houve então feudal que se compunha de duas cerimônias, a
um processo de ruralização, com um retrocesso homenagem, na qual o vassalo prometia fidelida­
urbano e comercial na Europa ocidental. de ao seu suserano; e a investidura, quando o
Vamos estudar, então, as características vassalo era investido em seu feudo. 83
políticas, econômicas, sociais e culturais do
feudalismo, e entender as raízes históricas do
mundo europeu, que viria a ser o colonizador do
Brasil no século XVI.
Domínio público.

Abordagem teórica

Surgimento
do feudalismo Cerimônia de investidura de um suserano a um vassalo.

No período medieval, surgiu, na Europa, o


sis­tema conhecido como feudalismo, que teve seu
pleno desenvolvimento na Alta Idade Média.
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da semana.
Estrutura de um feudo •• censo – pagamento em dinheiro pelo uso
da terra.
•• banalidades – taxas cobradas pelo uso de
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propriedades senhoriais como: o forno, o

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14 12 5 moinho, oficinas etc.
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•• taxa do casamento.
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9 •• talha – parte das produções agrícolas
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aos senhores.
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As obrigações principais do suserano:
Representação de uma propriedade feudal. •• concessão de um feudo ao vassalo.
1 – Celeiro; estábulo •• auxílio militar.
2 – Igreja
•• garantia da hereditariedade no feudo.
3 – Ferraria
4 – Campos de pastagem comuns •• assistência jurídica, convocando o tribu-
5 – Campos cultivados senhoriais nal dos pares, caso necessário fosse.
6 – Pântano
7 – Forno
8 – Solo improdutivo
Organização política
9 – Terra de pouso
10 – Bosque Nesse período houve, portanto, uma des-
11 – Campos cultivados pelos camponeses centralização política e um enfraquecimento do
12 – Pomar poder dos reis. O Estado fragmentou-se em uma
13 – Prado série de peque­nas soberanias locais. Os pro-
14 – Moinho
prietários feudais passaram a exercer em seus
15 – Castelo
domínios todas as funções de governo.
84 16 – Casa do pároco
17 – Aldeia
Classes sociais medievais
Relações feudais
As obrigações principais do vassalo eram:
•• auxílio militar ao suserano.
•• pagamento de resgate, caso o suserano
Domínio público.

fosse pre­so nas constantes lutas me-


dievais.
•• comparecer ao tribunal do suserano,
caso fosse convocado.
•• auxílio econômico no casamento da filha
mais velha ou na ocasião em que era
armado cavaleiro o primogênito de seu
Um padre, um cavaleiro e um trabalhador.
suserano. Esta miniatura medieval ilustra a ideologia
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das três ordens sociais (os que rezam, os


Além disso, ainda deveria pagar os seguin- que guerreiam, os que trabalham).
tes impostos:
•• corveia – trabalho gratuito em três dias A sociedade medieval foi formada por três

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níti­das camadas sociais: os nobres, donos de nas quais os sacerdotes faziam o voto de po-
terras que exerciam as funções de exército, o breza, como os dominicanos, franciscanos e
clero, sacerdotes cuja obrigação era rezar, e os beneditinos.
servos, que eram os trabalhadores. Nos mosteiros, muitas obras foram copia-
das sobre pergami­nhos, preservando a cultura
Nobreza antiga clássica e possibilitando sua trans­missão
aos tempos modernos.
Era formada pelos proprietários de ter­ras.
A economia também recebeu influência
Os nobres habitavam os castelos, verdadeiras
religiosa pois a Igreja proibiu a prática da ga-
for­talezas, cujo objetivo era proporcionar prote-
nância por meio do chamado “preço justo” das
ção aos habitantes dos feudos, em uma época
mercadorias.
marcada pela violência.
O ensino dependeu muito dos religiosos da
A principal atividade da nobreza era a guer-
época, que constituíram, praticamente, a única
ra. Quando não estavam combatendo, participa-
classe realmen­te instruída da época medieval.
vam de torneios.
Com o objetivo de diminuir a violência, a
Igreja estabeleceu no século X a “Paz de Deus”,
Os hereges
pedindo res­peito pelos lugares santos, pelos A Igreja enfrentou contestações da sua dou-
pobres e mercadores. No século XI, a Igreja de- trina pelos chamados hereges. São exemplos
cretou a “Trégua de Deus”, proibindo os torneios de heresias:
de final de semana e em certas épocas do ano
•• Valdenses, seguidores de Pedro Valdo,
(ocasiões de plantio e colheita, festas religiosas
queriam encontrar a salvação por meio
importantes).
dos ensinamentos bíbli­cos. Condenavam
A nobreza também participava da Cavalaria, a existência dos sacerdotes.
uma instituição de guerreiros influenciada pela
Igreja, des­tinada a proteger as mulheres, os fra- •• Albigenses, originários da cidade france-
cos e os oprimi­dos por meio da prática da justiça, sa de Albi, buscavam a salvação por meio
da generosidade, da bravura e da lealdade. da flagelação de seus corpos. 85
Os desobedientes eram expulsos da Igreja
O clero por meio da excomunhão.
Os hereges e os considerados inimigos da
A Igreja influiu fortemente na sociedade
fé eram julgados também no Tribunal da Inquisi-
medi­eval, principalmente após a conversão dos
ção, no qual as penas eram severas chegando
povos bárba­ros ao cristianismo.
até a condenação à morte nas fogueiras.
Nesse período os sacerdotes estavam or-
ganizados em duas ca­tegorias:
Os servos
•• clero regular – enquadrado nas regras
das ordens monásticas; A classe servil era composta pelos trabalha-
dores. Os servos trabalhavam a terra e eram, na
•• clero secular – constituído pelos padres
prática, semilivres, ou seja, não eram escravos
que pres­tavam seus serviços às comuni-
nem homens livres. Dependentes dos senhores
dades em contato com o povo.
feudais, recebiam de­les terras para plantar e ga-
Ficaram famosas as Ordens Mendicantes, rantir sua sobrevivência e a de suas famílias.
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consideraram as Cruza­das como um meio
de reabrirem o comércio ma­rítimo com as
regiões orientais, além de deseja­rem fun-
dar novos entrepostos comerciais.

Domínio público.
•• Vantagem da primogenitura entre os no-
bres por meio da qual apenas o filho mais
velho herdava as terras do pai falecido.
Os nobres não primogênitos viram nestas
guer­ras um meio de conquistar novas
terras para seu futuro estabelecimento.
•• Interesse político europeu de impedir a
Representação de um servo arando a terra expansão muçulmana no Oriente, princi-
numa propriedade feudal. palmente na dire­ção de Constantinopla.
•• No século XI, houve um crescimento
As Cruzadas populacional acentuado na Europa. O
sistema feudal, autossu­ficiente, não con-
seguia alimentar nem empregar esse ex-
cedente populacional que, muitas vezes,
entregava-se aos assaltos, pilhagens,
enfim, a atos de banditismo.
Divulgação.

•• As Cruzadas foram entendidas, também,


como uma possibilidade de, levando os
setores marginais para outras regiões,
aliviarem-se as tensões soci­ais ocorridas
na Europa naquela época.

86 •• Interesse da Igreja em expandir sua dou-


As Cruzadas foram expedições militares dos cristãos trina, re­forçando dessa maneira o poder
ocidentais contra os turcos muçulmanos no Oriente.
Elas foram realizadas no período compreendido entre do Papa no Ocidente.
os séculos XI a XIII, portanto, na época conhecida como
Baixa Idade Média.

Várias foram as motivações das Cruzadas, Cruzada popular


tanto de ordem econômica como religiosa: ou dos mendigos
•• Desejo cristão de libertar a Terra Santa,
então em posse dos turcos, que desde Organizada por Pedro de Amiens (O Ere-
o século XI haviam vencido os árabes, mita) e Gautier, Sans-Avoir, compunha-se por
assimilado a religião muçulmana e se aproximada­mente quarenta mil pessoas de ori-
estabelecido na Síria e na Palestina. gem humilde. Desordenadamente peregrinaram
•• O Mediterrâneo, desde o século VIII, era durante anos até al­cançarem Constantinopla.
comercialmente dominado pelos muçulma- Os bizantinos, temendo desordens, fornece-
nos. Os comerciantes europeus, principal- ram embarcações aos peregrinos que acabaram
mente os italia­nos de Gênova e Veneza, sendo ani­quilados pelos turcos na Ásia Menor.
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1.a Cruzada
Dela participaram os mais importantes nobres, entre os quais estavam os soberanos Henrique
IV da Germânia e Filipe I da França.
Os milhares de cruzados concentraram-se em Constantinopla, de onde partiram para a traves-
sia da Ásia Menor. Conquistaram Antioquia na Síria e, após um cer­co que durou cinco semanas,
tomaram Jerusalém no dia 15 de julho de 1099.
Godofredo de Bouillon, um dos comandantes, escreveu ao Papa: “Se desejais saber o que
fizeram dos inimigos encontrados em Jerusalém, sabeis que no Pórtico de Salomão e no Templo
os nossos nada­vam em sangue dos sarracenos e que as suas montari­as faziam-no até os joe-
lhos”.
Os príncipes repartiram essas terras conquistadas, estabelecendo diversos estados feudais
(Jerusalém, Antioquia, Edessa, Trípoli).
Disputas violentas entre os senhores feudais enfraqueceram-nos, favorecendo a reconquista
de re­giões pelos muçulmanos. Por isso organizou-se outra cruzada.

2.a Cruzada
Dirigida pelo imperador germânico Conrado III e pelo rei francês Luís VII, acabou fracassando
após uma campanha contra a cidade de Damasco.

3.a Cruzada
Também conhecida como a “Cruzada dos Reis”, porque dela participaram os soberanos Fre-
derico Barba Ruiva (Germânia), Filipe Augusto (França) e Ricardo Coração de Leão (Inglaterra).
O maior mérito coube ao rei da Inglaterra, que conquistou uma região costeira do Mediterrâneo
nas proximidades de Tiro e estabeleceu uma trégua com o sultão Saladino, que permitia a entrada 87
de peregrinos cristãos em Jerusalém.

4.a Cruzada
Incentivada pelo Papa Inocêncio III, foi, entretanto, deturpada pelos desejos comerciais de
Veneza que, para ceder navios aos cruzados, exigiu a destrui­ção da cidade de Zara no Mar Adriático
e a conquista de Constantinopla, que foi saqueada pelos ocidentais.
Foi fundado o Império Latino de Constantinopla que garantiu, por aproximadamente meio
século, o predomínio veneziano no comércio marítimo do Mediterrâneo.
Em 1212, foi organizada a Cruzada das Crianças, formada por milhares de adolescentes, que
partiram de Marselha para serem vendidos como escravos em Alexandria.

5.a Cruzada
Dirigida pelo rei húngaro André II, não teve su­cesso na região do Egito.
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Cruzadas

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1190

1190

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1099

0 470 940
Km
Escala gráfica
Projeção Equidistante Cônica

6.a Cruzada interesses eco­nômicos diversos, impediram o


sucesso das expedições.
Comandada pelo alemão Frederico II, atinge
88 São João do Acre ao sul de Tiro. Foi estabelecido O Mediterrâneo, no entanto, foi reaberto ao
um acordo com o sultão egípcio El Kamil que comércio, beneficiando uma classe comercial
garantiu, por dez anos, o controle cristão de em ascensão, a burguesia.
Jerusalém, Belém e Nazaré.
Passados quinze anos, Jerusalém voltou ao Cultura medieval
controle muçulmano (1244).
Na Alta Idade Média, em consequência das
7. Cruzada – 8. Cruzada
a a
invasões bárbaras, da época de transição após
a que­da de Roma no século V, a cultura não
Teve o comando do rei francês Luís IX que apresentou no­táveis desenvolvimentos.
aca­bou prisioneiro no Egito. Com o pagamento
Entretanto, na Baixa Idade Média, com
de um vultoso resgate, voltou à França e coman-
a sedi­mentação da sociedade feudal, houve
dou a 8.a Cru­zada contra Túnis, onde acabou
condições para grandes avanços culturais, em
falecendo vítima de uma peste que também
grande parte influenci­ados pela Igreja.
aniquilou seu exército.

Consequências das Cruzadas Educação


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Do ponto de vista militar, as Cruzadas Na época de Carlos Magno, o ensino me-


fracassa­ram. Interesses pessoais dos coman- lhorou com a fundação de escolas e bibliotecas
dantes, gran­des distâncias a serem vencidas e na Europa Ocidental.
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O ensino era ministrado nos conventos, narra uma su­posta viagem feita ao infer-
mostei­ros e catedrais. no, purgatório e paraí­so. Nesta obra o
No século XI, surgiram as Universidades, tema principal é o castigo pelos pecados
nas quais existiam quatro cursos: Artes, Medi- e a recompensa pelas virtudes.
cina, Direi­to e Teologia. No final da Idade Média surgiu O Romance
A Universidade de Salermo (1087) parece da Rosa, com milhares de versos, compostos
ter sido a mais antiga. As de Bolonha (1119), por Gui­lherme de Lorris e João de Meung.
Montpellier (1125) e Paris (1150) também são Nesta obra misturam-se o culto do amor
muito antigas. cavalhei­resco e a valorização da razão.

Literatura Filosofia
O latim foi o idioma predominante na Idade
Na Alta Idade Média, o filósofo de destaque
Média. No entanto, com o passar do tempo, fo-
foi Santo Agostinho, autor de A Cidade de Deus,
ram surgindo idiomas novos como o espanhol,
base­ada em Platão.
o italiano e o francês.
Na Baixa Idade Média surgiu a escola filo-
Influenciada pela Cavalaria surge uma li-
sófica conhecida como Escolástica, cujo maior
teratura épica que valorizava as aventuras, os
representan­te foi São Tomás de Aquino. Basean-
torneios, os feitos militares.
do-se em Aristóteles, procurou harmonizar a fé
Principais obras: com a razão, expondo racionalmente os dogmas
•• França cristãos, na obra Suma Teológica.
“Canção de Rolando”, homenagem a Surgiu também nesse período a escola
Rolando, herói francês nas lutas contra empírica, na qual Rogério Bacon valori­zava a
os muçulmanos na Península Ibérica. observação e a experimentação como cami­nhos
Romances inspirados na figura do Rei para chegar à verdade.
Artur, um chefe celta que destacou-se 89
na luta contra os anglo-saxões. Ciências
•• Germânia
Canção dos Nibelungos”, na qual o perso- •• Abelardo de Bath – estudava causas dos
nagem principal – Siegfried – é o vencedor terremotos, processos de respiração e
de gênios de forças subterrâneas. digestão e funções do cérebro.

•• Espanha •• Frederico II – fundador da Universidade


de Nápo­les, protegeu a cultura e o ensino
“Canção do Mio Cid”, homenagem a Ruy de seu tempo, incen­tivando os sábios.
Diaz de Vivar, herói nas lutas contra os
muçulmanos. •• Leonardo de Pisa – difusor de conheci-
mentos matemáticos.
•• Itália
“África”, poema de Petrarca, inspirado
nas guerras entre romanos e cartagine- Arquitetura
ses. Decamerone, obra de Giovanni Boc-
caccio, que, com certa malícia, descreve Foi muito desenvolvida na Baixa Idade Mé-
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os costumes de seu tempo. dia, principalmente na construção de igrejas.


•• A Divina Comédia, escrita em italiano Destacaram-se dois estilos, o românico e
pelo florentino Dante Alighieri, em que gótico. O românico surgiu na França e na Itália,

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atingindo seu maior desenvolvimento no sécu- externo, jane­las em rosácea com vitrais colori-
lo XII. As igrejas românicas caracterizaram-se dos, exterior muito decorado, particularmente a
como construções muito sóli­das, verdadeiras entrada principal. O apo­geu desse estilo ocorreu
fortalezas. Nelas é nítido o arco romano, ou de no século XIII. Exemplos muitos conhecidos de
meio-ponto, as paredes são grossas, as janelas catedrais góticas: Catedral de Colônia (Alema-
pequenas, e os interiores singelos. nha) e Nossa Senhora de Paris.

Wikimedia Commons/Sergio PT.

Wikimedia Commons/Roby.
Igreja em estilo românico em São Pedro de Rates, no
município português Póvoa de Varzim.

O estilo gótico é também conhecido como


ogival, porque nele é característico o arco em
ogiva. Além disso destacam-se: arcobotante

Igreja em estilo gótico – Catedral de Chartres.

Para saber mais


90 A Igreja medieval segundo o historiador inglês Cristopher Hill
“A Igreja, durante toda a Idade Média e até o século XVII, era algo de muito diferente
daquilo a que chamamos hoje Igreja. Guiava todos os movimentos do homem, do batismo
ao serviço fúnebre, e era o caminho de acesso a essa vida futura em que todos os homens
acreditavam fervorosamente. A Igreja educava as crianças. Nas paróquias de aldeia – onde
a massa da população era iletrada – o sermão do pároco era a principal fonte de informação
sobre os acontecimentos e problemas comuns, e de orientação da conduta econômica. A
própria paróquia constituía uma importante unidade de governo local, coletando e distribuindo
as esmolas que os pobres recebiam. A Igreja controlava os sentimentos dos homens e dizia-
-lhes em que deviam acreditar, proporcionava-lhes distrações e espetáculos. Preenchia o lugar
das notícias e dos serviços de propaganda, agora cobertos por instituições muito diferentes
e mais eficientes – a imprensa, a televisão, o cinema, o clube etc. É essa a razão por que
os homens estavam atentos aos sermões, e era frequente o governo dizer aos pregadores
exatamente o que deviam pregar”.
(In: A Revolução Inglesa de 1640. p. 19-20.)
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2. Período de Feudalismo:
Exercícios resolvidos a) antigo.
1. (Vunesp) “Deus colocou o servo na Terra b) medieval.
para trabalhar e obedecer.” Analise os com-
promissos, fortemente influenciados pela c) moderno.
ação de uma instituição feudal, vinculando- d) contemporâneo.
-os ao enunciado proposto.
e) pré-histórico.
`` Solução:
3. Dos fatores abaixo mencionados, um não
A Igreja Católica foi uma das instituições mais foi característico do Feudalismo:
fortes do feudalismo. Ela mantinha estreitas rela-
ções com o poder político local do senhor feudal e a) descentralização do Poder Real.
do Rei. A nobreza feudal era educada e preparada
b) economia autossuficiente, baseada na
para o poder pela Igreja. Ideologicamente a Igreja
Católica justificava o poder dos senhores feudais, terra.
sujeitando os trabalhadores servis em sua função c) relacionamento entre os nobres.
e destino de trabalhar e obedecer, pois o feudalis-
mo era uma sociedade de ordens bem definidas d) mercantilismo.
hierarquicamente: ao clero cabia orar, aos nobres e) desmembramento do Império Carolíngio.
guerreiros lutar, e aos servos trabalhar.

2. Explique a seguinte afirmação: “Em suma, 4. Qual das características abaixo não se refe-
o feudalismo medieval europeu foi um in- re ao Feudalismo na Europa Ocidental?
tenso processo de ruralização econômica a) organização econômica baseada na pro-
e social.” dução agrária.
`` Solução: b) regime de trabalho servil.
Que o feudalismo foi um processo gradativo de c) estrutura social rigidamente estratificada.
retorno ao campo e a economia de base agrícola
e abandono do comércio como principal atividade d) predomínio da economia de subsistência.
econômica. Por isso, o trabalho escravo romano
91
e) centralização do poder político.
foi sendo substituído pelo regime de colonato, ou
servidão, no qual os colonos tinham que pagar
pelo uso da terra do senhor feudal, em produção 5. Ainda que a Idade Média tenha se caracteri-
ou em espécie. zado pelo teocentrismo (Deus é o centro de
tudo) e como a “Idade da Fé”, ela também
Exercícios de aplicação cultivou e trans­mitiu valores do helenismo:
a) por meio da escolástica, adotando con-
1. Século que não pertenceu à Alta Idade ceitos racionalistas de Aristóteles, con-
Média: ciliando fé e ra­zão.
a) V b) por meio da publicação corrente dos
b) VII principais au­tores gregos.
c) II c) porque, ao atacar as teorias “pagãs”,
automatica­mente as estava divulgando.
d) XII
d) porque os princípios racionalistas se-
e) VIII meados pe­los gregos eram o ponto de
partida de todos os teólogos, pregando
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sempre o racionalismo.

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e) porque foi em plena Idade Média que se e) onde a nobreza possuía o direito de pro-
deu o triunfo do humanismo racionalista. priedade, porém, a autoridade máxima
era atribuída ao rei.
6. Entre as grandes catedrais góticas, constru-
ídas na Idade Média, temos a de: 2. (Mackenzie) A proibição pela Igreja de os
guerreiros medievais lutarem de sexta-feira
a) São Pedro, em Roma. até o amanhecer de segunda-feira, do Natal
b) Santa Sofia, em Istambul. até o dia de Reis, e em época de plantio e
colheita, foi im­posta por meio:
c) Fátima, em Portugal.
a) do Edito de Nantes;
d) Lourdes, na França.
b) da Paz de Deus;
e) Notre Dame, em Paris.
c) da Trégua de Deus;
7. No feudalismo, as relações entre os senhores d) da Trégua Sagrada;
eram diretas. Cada senhor jurava fi­delidade
e) do Tratado de Latrão.
um ao outro, na qual os dois elementos es-
senciais eram a homenagem e o benefício.
Quem prestava a homenagem era: 3. (UCS-RS) Para impor respeito, a Igreja Medie­
val dispunha de armas poderosas, o que
a) vassalo. garantia não só seu domínio espiritual, como
b) servo. mantinha o material. Entre essas armas
podemos incluir:
c) suserano.
a) a excomunhão e o ordálio.
d) senhor.
b) as universidades e a inquisição.
e) clero.
c) a excomunhão e as universidades.

Questões de d) o ordálio e a inquisição.

92 processos seletivos e) a excomunhão e a inquisição.

1. (UFSC) Durante a Idade Média, a Europa vi- 4. (Mackenzie) Assinale a alternativa cor­reta.
venciou uma estrutura política, econômica e a) O feudalismo desenvolveu-se da mesma
social denominada feudalismo. Com base na forma e com iguais características, em
afir­mação, podemos dizer que o feudalismo todos os países da Europa Ocidental.
foi um sistema:
b) A sociedade feudal era em alto grau
a) onde os direitos de propriedade, bem aristocrática, sendo que esta aristocra-
como os tí­tulos de nobreza, estavam as- cia sempre se caracterizou por uma edu-
sentados no liberalis­mo econômico. cação altamente refinada.
b) em que a estrutura política estava man- c) Como sistema de governo, o feudalismo
tida pelo poder central. incluía a noção de que o direito de gover-
c) de vassalagem e suserania, no qual o nar era um privilégio pertencente a todo
direito de governar decorria do direito de possuidor de um feudo, implicando em
propriedade. obrigações cuja violação podia acarretar
a perda do feudo.
d) onde a organização política, econômica
e social assentava-se na estrutura ad- d) A Igreja, na Idade Feudal, não desenvol-
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ministrativa. veu um sis­tema de autoridade político-


-militar significativo.

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e) O regime feudal era um sistema de su- 8. (UEL) O sistema feudal, na opinião de alguns
serania e vassalagem que não envolvia historiadores, possuía como característica
a hereditariedade do feudo; abrangia so- distintiva a:
mente a posse de uma área de terra.
a) hipertrofia da estrutura econômica, que
leva ao crescimento da produção e à di-
5. (UFPR) Nos últimos séculos da Idade Mé- visão do trabalho.
dia foi grande a criatividade intelectual e
b) ausência de hierarquização, porquanto
artística. Entre suas principais conquistas
suseranos e vassalos, politicamente,
destacam-se:
achavam-se em igual­dade.
01) A codificação das leis do Direito Roma- c) centralização do poder governamental, a
no no Código de Hamurabi. fim de garantir a sobrevivência da mo-
narquia com apoio da nobreza.
02) A Universidade como instituição encar-
regada do ensino superior. d) integração da posse da terra, da servi-
dão e dos laços de fidelidade.
04) A estruturação de um sistema de pensa-
mento fi­losófico chamado escolástica. e) inexistência de relação entre os homens
e os sis­temas de produção, que somen-
08) A utilização do estilo barroco, sobretudo te surge com o ad­vento do capitalismo.
nos gran­des templos.
16) A criação de estilo gótico na arquitetura.
Soma ( )

6. (UEM-PR) Profundas mudanças ocorreram


no ensino medieval a partir do século XII.
O desenvolvimento comercial e urbano e o
surgimento da burguesia tornaram a criação
de escolas leigas, ligadas aos interesses
comerciais. A evolução dessas escolas 93
culminou com:
a) o estabelecimento dos mosteiros.
b) o surgimento das universidades.
c) o aparecimento do castelo.
d) a implantação das escolas náuticas.
e) a criação da Escola de Sagres.

7. (PUCPR) Obra literária que fixou o idioma


italiano:
a) Ilíada, de Homero.
b) D. Quixote de la Mancha, de Cervantes.
c) Divina Comédia, de Dante.
d) República, de Platão.
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e) De Bello Galico, de Júlio César.­

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Gabarito
Exercícios de aplicação
1. C

2. B

3. D

4. E

5. A

6. E

7. A

Questões
de processos seletivos
1. C
95

2. C

3. E

4. C

5. 22 (02 + 04 + 16)

6. B

7. C

8. D
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