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FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA DO COMPONENTE CURRICULAR DA

PROPOSTA PEDAGÓGICA CURRICULAR DE PINHAIS (EM CONSTRUÇÃO)

ARTE

A arte é uma necessidade humana de perceber, compreender, representar


e transformar a realidade, considerando os fatores históricos e manifestações
culturais de um povo, aproximando as diferentes culturas onde transita estética,
ética e politicamente, permitindo que o ser humano seja consciente de sua
existência como ser social.

Anteriormente, a Arte foi compreendida como ensino de Educação


Artística, sendo apresentada como disciplina obrigatória nos diversos níveis da
educação básica previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação n.º 9394/96
(BRASIL,1996), passou a ter a mesma importância no currículo com relação às
outras disciplinas. Em 2009, considerando a Parecer n.° 219/09 do Conselho
Estadual de Educação (PARANÁ, 2009) e em substituição à disciplina “Artes”, nas
Matrizes Curriculares do Ensino Fundamental, a partir de 2010, vigora nova
nomenclatura “Arte” e, com a alteração pela Lei nº 13.278 (BRASIL,2016) as artes
visuais, a dança, a música e o teatro são as linguagens que constituirão o ensino
de forma integrada entre si e estabelecendo conexões entre as diferentes áreas
do conhecimento.

Em consonância com a Base Nacional Comum Curricular - BNCC


(BRASIL, 2017) e com o Referencial Curricular do Paraná: princípios, direitos e
orientações - RCP (PARANÁ, 2018), a Proposta Pedagógica Curricular de Pinhais
apresenta o Componente Curricular Arte como parte integrante da Área de
Linguagens que também contempla Língua Portuguesa, Educação Física e
Língua Inglesa, com foco na ampliação das capacidades expressivas.
De acordo com a Base Nacional Comum Curricular:

As atividades humanas realizam-se nas práticas sociais, mediadas por


diferentes linguagens: verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e
escrita), corporal, visual, sonora e, contemporaneamente, digital. Por
meio dessas práticas, as pessoas interagem consigo e com os outros,
constituindo-se como sujeitos sociais. Nessas interações, estão
imbricados conhecimentos, atitudes e valores culturais, morais e éticos.
(BRASIL, 2017, p. 61)

No ensino da Arte é imprescindível a abordagem e o resgate de culturas


que influenciaram e influenciam significativamente a arte brasileira,
proporcionando a aproximação entre indivíduos de diferentes culturas,
considerando não somente informações históricas e sociais, mas a própria
apreciação das produções artísticas e suas concepções estéticas. Dentre as
diferentes culturas presentes nas formas de linguagens artísticas, é indispensável
a valorização do ensino sobre a história e a cultura Afro Brasileira e Indígena,
estabelecidas por meio das Leis nº 10.639 de 2003 e 11.645 de 2008 que tornam
obrigatório o encaminhamento dos conteúdos referentes à História a Cultura Afro
Brasileira e Indígena em todo currículo escolar.

Por meio das linguagens o homem torna-se mais capaz de conhecer a si


mesmo, assim como a sua cultura e o mundo em que vive. Ao garantir aos
sujeitos que se expressem e partilhem informações, experiências, ideias e
sentimentos em diferentes contextos a partir das diferentes linguagens, torna-se
possível a produção de sentidos que os levem ao diálogo de sensibilidades e
ampliem as formas de expressar suas ideias, vivências, emoções e percepção de
mundo, construindo uma sociedade mais igualitária e livre de preconceitos.
Ostrower (1986 apud PARANÁ, 2018) aponta que ao explorar as diversas
linguagens – artísticas, visuais, corporais, sonoras e linguísticas – ocorre a
reflexão sobre a realidade, contribuindo para a construção de uma sociedade
igualitária, democrática e inclusiva.

A Proposta Pedagógica Curricular de Pinhais (PINHAIS, 2013) reitera que,


assim como a arte, a educação faz parte da cultura de um povo,
consequentemente, a escola é fundamental ao propor ampliação das
oportunidades de interação com as práticas artísticas, possibilitando ao educando
desenvolver sua criticidade, criatividade e reflexão, de forma integral (aspectos
cognitivos, afetivos, sociais, éticos e estéticos), numa visão consciente de mundo.
No componente curricular Arte, essa interação ocorre por meio das diversas
linguagens, que permeiam a compreensão arte e cultura das relações entre
tempos e contextos sociais dos sujeitos a fim de expandir seu repertório, ampliar
sua autonomia artística, como protagonista e criador tanto do processo quanto do
produto.

A formação integral do educando nesse processo está atrelada a todos os


componentes curriculares. Em Arte o professor deve despertar o pensamento
estético e a valorização da arte, aquela que vai além da mera aparência, que
retrata fatores sociais e vivências historicamente construídas pelo artista. Mais
especificamente Ferraz (1992 apud PINHAIS, 2013) descreve sobre a importância
da prática pedagógica qualitativa no ambiente escolar:

Para desenvolver um bom trabalho de Arte, o professor precisa descobrir


quais são os interesses, vivências, linguagens, modos de conhecimentos
de arte e prática de vida de seus alunos. Conhecer os estudantes na sua
relação com a própria região, com o Brasil e com o mundo, é um ponto
de partida imprescindível para um trabalho de educação escolar em Arte
que realmente mobilize uma assimilação e uma apreensão de
informações na área artística. O professor pode organizar um
mapeamento cultural da área em que atua, bem como das demais,
próximas e distantes. É nessa relação com o mundo que os estudantes
desenvolvem as suas experiências estéticas e artísticas, tanto com as
referências de cada um dos assuntos abordados no programa de arte,
quanto com as áreas de linguagem desenvolvida pelo professor
(FERRAZ, 1992, p.71 apud PINHAIS, 2013, p.118).

O RCP em consonância com a BNCC, resgatam os processos e técnicas


produzidos e acumulados ao longo do tempo nas quatro linguagens, que
integrarão as unidades temáticas – Artes Visuais, Dança, Música e Teatro,
acrescida Artes Integradas, totalizando assim cinco unidades temáticas para os
Anos Iniciais do Ensino Fundamental que contribuem para a contextualização dos
saberes e das práticas artísticas e possibilitam compreender as relações entre
tempos e contextos sociais dos sujeitos na sua interação com a arte e a cultura.
Nessa perspectiva cabe ressaltar as cinco unidades temáticas:

Fonte: Elaborado pela equipe técnica da Secretaria Municipal de Educação (SEMED), 2020 a
partir da Base Nacional Comum Curricular (BRASIL, 2017).
Cada uma das unidades temáticas pode receber ênfase diferente que
articuladas enriquecem o processo de ensino aprendizagem. Nesse sentido,

No fazer artístico, o estudante tem possibilidades de desenvolver sua


poética pessoal, esta ação investigativa o leva à reflexão, à análise
crítica, a experimentações, a comparações, à imaginação, e a criar
soluções (inclusive tecnológicas). Além disso, também instiga a
curiosidade, a levantar hipóteses, o trabalho em equipe, o
desenvolvimento do pensamento artístico, a criatividade, a percepção,
dentre outros, possibilitando, assim, a resolução de problemas de ordem
técnica e estética, bem como a humanização dos sentidos (PARANÁ,
2018, p. 223-224).

As experiências com as linguagens artísticas promovem a aprendizagem e


desenvolvimento, principalmente, por meio dos sentidos. São aprendizagens que
ocorrem na Educação Infantil e devem ter continuidade nos anos iniciais do
Ensino Fundamental, considerando o esforço da não ruptura entre as etapas.

Na transição da Educação Infantil para os anos iniciais do Ensino


Fundamental – preservado o aspecto de continuidade dos processos de ensino, o
repertório de conhecimentos na nova etapa da vida escolar das crianças deve
prever a experimentação com materiais artísticos variados das artes visuais, nas
improvisações teatrais, nas pesquisas de sons da música e de movimentos da
dança, dentre outros, sendo enfatizado o lúdico, o dialógico, o colaborativo e as
atividades em grupo.

Ao reconhecer que as atividades lúdicas são indispensáveis para aquisição


de conhecimentos artísticos e estéticos e que elas não se reduzem apenas ao
brincar, está implícito o imaginar, o criar e, principalmente, o transformar, seja a
matéria, os suportes expressivos ou o próprio sujeito.

De acordo com Ferraz e Fusari (1999, p.84 apud PARANÁ, 2018 p. 224),
“o brincar na aula de Arte, pode ser um jeito da criança experimentar novas
situações, ajudando a compreender e assimilar mais facilmente o mundo cultural
e estético em que está inserida”. Por apresentar caráter integrador, o brincar e o
desafio do jogo acionam corpo e mente pois propiciam ao educando o
desenvolvimento de habilidades que envolvem identificação, análise, síntese,
comparação, permitindo-o assim, a conhecer suas próprias possibilidades.

Nessa continuidade do processo de transição de aprendizado da etapa


anterior, ou seja, no primeiro ano do Ensino Fundamental, aos estudantes
também devem ser oportunizadas as experimentações com tintas em suportes e
materiais diversos, bem como o trabalho com a formação da identidade partindo
de seu autoconhecimento, por meio de representações e fruições de si, de seus
familiares, dos colegas e de seu entorno, fruindo e realizando composições de
autorretratos, retratos e outros aspectos relacionados à sua vida. O mesmo ocorre
na dança, o estudante percebe o seu corpo no espaço e suas possibilidades de
movimentos, na música, onde ele retira sons do próprio corpo, e no teatro,
aproximando-se do faz de conta e aprendendo a se colocar no lugar do outro.

Os conteúdos de Arte, embora sejam os mesmos do 1º ao 9º ano, vão


avançando processualmente em complexidade e em aprofundamento de
conhecimentos construídos e sistematizados e em diversidade no que diz respeito
às obras de arte, música, dança, teatro e seus produtores, ampliando assim, o
repertório imagético, sonoro, corporal, dentre outros, para não haver cisão.

As ações artísticas produzidas pelos educandos, seus saberes e


produções, devem ser socializadas por meio de exposições, instalações, saraus,
espetáculos, performances, concertos, recitais, intervenções e outras
apresentações e eventos artísticos e culturais, na escola ou em outros locais.
Ressalta-se que os processos de criação são tão relevantes quanto as produções
dela resultantes, os quais possibilitam acesso aos direitos de aprendizagem
propostos no componente.

Ao abordar as linguagens artísticas, a BNCC (2017, p. 192) indica seis


dimensões do conhecimento, que de forma simultânea e indissociável
caracterizam as singularidades das experiências artísticas: criação, crítica,
estesia, expressão, fruição e reflexão.

Tais dimensões deverão ser exploradas de forma não hierárquica,


articulada, indissociável e simultânea em relação aos diferentes contextos social e
cultural, caracterizando as singularidades da experiência artística, tendo a
ludicidade implícita. Além da articulação entre as dimensões, estas estão
intrinsecamente interligadas às unidades temáticas, contribuindo para a formação
integral do sujeito.

As dimensões são apresentadas na BNCC (BRASIL, 2017, p. 194) e foram


sintetizadas abaixo:

● Criação: Refere-se ao fazer artístico: criar, produzir e construir, expressar


sentimentos, desejos, ideias e representações. Essa dimensão trata do
apreender o que está em jogo durante o fazer artístico, processo permeado
por tomadas de decisão, entraves, desafios, conflitos, negociações e
inquietações.
● Crítica: Refere-se ao estudo e pesquisa de diferentes manifestações
artísticas. São as impressões para a nova compreensão do espaço em que
vivem. Articula ação e pensamento propositivos com aspectos estéticos,
políticos, filosóficos, sociais, econômicos, culturais relacionados.
● Estesia: Refere-se ao conhecer a si mesmo, o outro e o mundo. É a
experiência sensível do corpo em sua totalidade (emoção, percepção,
intuição, sensibilidade e intelecto), o educando é o protagonista da
experiência.
● Expressão: Refere-se a experiência artística com elementos constitutivos
de cada linguagem, de seus vocabulários específicos e suas
materialidades, possibilitando exteriorização e manifestação de criações
subjetivas individuais e coletivas.
● Fruição: Refere-se ao deleite, o prazer, o estranhamento e a oportunidade
de se sensibilizar ao participar de práticas artísticas e culturais das mais
diversas épocas, lugares e grupos sociais.
● Reflexão: Refere-se ao perceber, analisar, argumentar, ponderar e
interpretar os processos criativos, artísticos e culturais onde o educando
possa fruir como criador/leitor.

A abordagem das dimensões em contato com a arte promove


conhecimento, reflexão e fruição de manifestações artísticas culturais diversas,
levando os estudantes a entenderem a realidade e a realizarem novas
interpretações desta, por meio de suas expressões. Desse modo, a escola pode
contribuir para que eles construam identidades plurais, menos fechadas em
círculos restritos de referência e para a formação de sujeitos atuantes diante da
sociedade.

O contato com a diversas manifestações artísticas culturais, materiais –


tais como pintura, escultura, desenhos, cinema, internet art, dentre outros – e
imateriais – práticas culturais individuais e coletivas como: música, teatro, dança,
etc. – produzidas em diferentes tempos e locais, possibilita experiências estéticas
as quais devem ser acompanhadas da valorização e do respeito à diversidade de
saberes, identidades e culturas. O conhecimento produzido para e com o
educando em todo processo de ensino aprendizagem, de forma integralizada no
componente curricular de Arte deve garantir a promoção dos direitos de
aprendizagem em diálogo com os direitos de aprendizagem das linguagens e
especialmente com os direitos de aprendizagem da Arte.

DIREITOS DE APRENDIZAGEM EM ARTE


1. Explorar, conhecer, fruir e analisar criticamente práticas e produções artísticas
e culturais do seu entorno social, dos povos indígenas, das comunidades
tradicionais brasileiras e de diversas sociedades, em distintos tempos e espaços,
para reconhecer a arte como um fenômeno cultural, histórico, social e sensível a
diferentes contextos e dialogar com as diversidades.
2. Compreender as relações entre as linguagens da Arte e suas práticas
integradas, inclusive aquelas possibilitadas pelo uso das novas tecnologias de
informação e comunicação, pelo cinema e pelo audiovisual, nas condições
particulares de produção, na prática de cada linguagem e nas suas articulações.
3. Pesquisar e conhecer distintas matrizes estéticas e culturais – especialmente
aquelas manifestas na arte e nas culturas que constituem a identidade brasileira –
, sua tradição e manifestações contemporâneas, reelaborando-as nas criações
em Arte.
4. Experienciar a ludicidade, a percepção, a expressividade e a imaginação,
ressignificando espaços da escola e de fora dela no âmbito da Arte.
5. Mobilizar recursos tecnológicos como formas de registro, pesquisa e criação
artística.
6. Estabelecer relações entre arte, mídia, mercado e consumo, compreendendo,
de forma crítica e problematizadora, modos de produção e de circulação da arte
na sociedade.
7. Problematizar questões políticas, sociais, econômicas, científicas, tecnológicas
e culturais, por meio de exercícios, produções, intervenções e apresentações
artísticas.
8. Desenvolver a autonomia, a crítica, a autoria e o trabalho coletivo e
colaborativo nas artes. 9. Analisar e valorizar o patrimônio artístico nacional e
internacional, material e imaterial, com suas histórias e diferentes visões de
mundo.
REFERÊNCIAS:

BRASIL. Ministério da Educação. Lei n. 9394 de 20 de dezembro de 1996. Lei


de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília: DF, dez. 1996.

______. Lei nº 10.639 de 09 de janeiro de 2003. Altera a Lei no 9.394, de 20 de


dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional,
para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática
"História e Cultura Afro-Brasileira", e dá outras providências. Brasília: DF, jan.
2003.

______. Lei nº 11.645 de 10 de março de 2008. Altera a Lei no 9.394, de 20 de


dezembro de 1996, modificada pela Lei no 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que
estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo
oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-
Brasileira e Indígena”. Brasília: DF, mar. 2008.

______. Lei nº 13.278 de 02 de maio de 2016. Altera o § 6º do art. 26 da Lei nº


9.394, de 20 de dezembro de 1996, que fixa as diretrizes e bases da educação
nacional, referente ao ensino da arte. Brasília: DF, maio 2016.

______. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Base Nacional


Comum Curricular. Brasília: MEC, 2017. Disponível em:
<http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofina
l_site.pdf>

PARANÁ. Conselho Estadual de Educação. Parecer nº 219/09: Pedido de


adequação do termo Artes para Arte no Ensino Fundamental. Aprovado em
04/06/09.

PARANÁ. Referencial Curricular do Paraná: princípios, direitos e orientações.


Paraná: SEED/PR, 2018. Disponível em:
<http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/bncc/2018/referencial_curr
icular_parana_cee.pdf>.

PINHAIS. Secretaria Municipal de Educação. Proposta Pedagógica Curricular.


Pinhais: SEMED, 2013. Disponível em:
<http://www.pinhais.pr.gov.br/educacao/uploadAddress/ppc_ens_fundamental_we
b[6098].pdf>