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Radiologia Pulmonar Veterinária

O documento descreve a anatomia pulmonar canina e felina, com quatro lobos no pulmão direito e dois no esquerdo. Explica os padrões alveolar, brônquico e intersticial em radiografias pulmonares, com foco nas características e causas mais comuns de cada padrão.

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Radiologia Pulmonar Veterinária

O documento descreve a anatomia pulmonar canina e felina, com quatro lobos no pulmão direito e dois no esquerdo. Explica os padrões alveolar, brônquico e intersticial em radiografias pulmonares, com foco nas características e causas mais comuns de cada padrão.

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ANATOMIA PULMONAR

Os pulmões canino e felino apresentam lobulação idêntica, com quatro lobos no pulmão direito (cranial, médio,
caudal e acessório) e dois lobos do pulmão esquerdo (cranial e caudal). O lobo cranial esquerdo é caracterizado
por dois segmentos distintos, o cranial e o caudal. A localização dos lobos pulmonares nas Figuras está
aproximada, pois há uma sobreposição considerável de lobos individuais no espaço tridimensional e não é
possível a identificação precisa da localização exata em uma imagem bidimensional.

Radiografia torácica lateral canina em que a localização aproximada dos lobos é


indicada.
A: lobo acessório.
Cd: lobos caudais direito e esquerdo.
Cr: lobo cranial direito e porção cranial do lobo cranial esquerdo.
M: lobo médio direito e porção caudal do lobo cranial esquerdo.

Radiografia torácica ventrodorsal canina.


A: lobo acessório.
ECd: lobo caudal esquerdo.
ECrCd: porção caudal do lobo cranial esquerdo.
ECr-Cr: porção cranial do lobo caudal esquerdo.
DCd: lobo caudal direito.
DCr: lobo cranial direito.
DM: lobo médio direito.

Os segmentos cranial e caudal do lobo pulmonar cranial esquerdo não são considerados como lobos
individuais, pois os seus brônquios não são ramos primários do brônquio principal esquerdo. Em vez disso, os
brônquios dos segmentos cranial e caudal são ramificações de um brônquio comum do lobo cranial que se
origina do brônquio principal esquerdo. É diferente do lado direito, em que os brônquios do lobo cranial e médio
originam-se quase que diretamente do brônquio principal direito. Os segmentos do lobo cranial esquerdo, apesar
de serem considerados parte de um único lobo, podem se comportar funcionalmente como compartimentos
separados, já que condições como pneumonia, neoplasia ou hemorragia podem estar localizadas em apenas
um dos segmentos.

PARADIGMA DE RECONHECIMENTO DE PADRÃO

No paradigma de reconhecimento de padrão, as anormalidades radiográficas do pulmão são categorizadas em


relação ao envolvimento primário dos alvéolos, dos brônquios ou do interstício. A intenção é que focar na área
de alteração do pulmão (no padrão), conduza a uma avaliação organizada da imagem.

PADRÃO ALVEOLAR

Um padrão pulmonar alveolar é criado quando o ar no interior do alvéolo for substituído por um material com
uma maior densidade física; aumentando a radiopacidade do pulmão. Isso não se aplica a uma formação se
desenvolvendo no interstício que preenche ou invade o pulmão adjacente, mas à presença de um material líquido
no alvéolo substituindo o ar alveolar. Os materiais comuns que se acumulam nos alvéolos e criam um padrão
alveolar são os exsudatos, hemorragia e fluido de edema. Neoplasia é uma causa rara de padrão alveolar.
Características radiográficas: (1) um broncograma aéreo, (2) um sinal lobar, ou (3) uma área de opacidade
relativamente intensa não apresentando margens delimitadas que caracterizem uma formação pulmonar.
Os broncogramas aéreos são considerados um marco de padrão alveolar. Definido como um brônquio
preenchido por ar, atravessando uma região de pulmão anormal, em que o ar alveolar foi substituído por
exsudato, hemorragia ou fluido de edema. Os requisitos críticos para a visualização do broncograma aéreo são
(1) o ar dentro do brônquio não foi substituído por células ou fluido e (2) a extensão da substituição do ar nos
alvéolos foi grande o suficiente para proporcionar uma opacidade de fundo adequada (uma absorção de RX
suficiente em que os brônquios preenchidos por ar sejam visualizados). Sob essas circunstâncias, os brônquios
preenchidos por ar aparecem radiotransparentes em relação à opacidade aumentada do pulmão, que está
anormalmente opacificado. A aparência real de um broncograma aéreo em uma radiografia depende da
quantidade de ar alveolar substituída por fluido ou células; a extensão da distribuição do padrão alveolar; e a
relação geométrica entre o brônquio preenchido por ar e o feixe primário de RX.
O sinal lobar refere-se à margem nítida criada quando um lobo de opacidade aumentada entra em contato com
um lobo normalmente aerado e menos radiopaco. Geralmente, um sinal lobar é observado quando um lobo com
radiopacidade aumentada, provocada pela substituição de ar alveolar por fluido, exsudato ou hemorragia entra
em contato com um lobo normalmente aerado. Se um sinal lobar é observado em uma projeção, ele pode não
ser detectado na projeção ortogonal pois, para que seja visível, a junção entre o lobo afetado e o lobo normal
adjacente deve ser adquirida tangencialmente (ou seja, de modo paralelo) pelo feixe de RX. O sinal lobar poderá
ser o único indicador de um padrão alveolar, especialmente se a extensão da doença for limitada.

Causas de um Padrão Alveolar


CAUSA DISTRIBUIÇÃO* PREVALÊNCIA
Pneumonia Ventral Comum
Edema pulmonar cardiogênico Variável Comum
Edema pulmonar não cardiogênico Dorsocaudal Menos comum
Hemorragia
Trauma Variável Comum
Coagulopatia Variável Menos comum
Tromboembolismo Variável Menos comum
Atelectasia Variável Comum
Alergia (eosinofílica) Variável Rara
Tumor pulmonar primário Variável Rara

A associação entre atelectasia e padrão alveolar merece atenção. O ar alveolar pode estar diminuído
simplesmente pelo colabamento do pulmão, devido à compressão extrínseca, à obstrução brônquica ou à
ventilação reduzida. Essas situações também resultarão em um aumento da radiopacidade pulmonar e, se a
atelectasia for grave o bastante, na visualização de um padrão alveolar. Um componente importante de
atelectasia é o deslocamento do mediastino. Portanto, encontrar um mediastino deslocado em direção ao
padrão alveolar é uma evidência de que, no mínimo, uma porção do padrão alveolar é proveniente da atelectasia.
A determinação de que a causa da opacificação pulmonar é devido à atelectasia isoladamente ou à combinação
de atelectasia e de doença alveolar não pode ser feita pelo exame radiográfico. O histórico clínico será útil para
fazer essa distinção, mas uma amostra pulmonar pode ser necessária para obter uma resposta definitiva.

PADRÃO BRÔNQUICO

Ocorre quando a espessura da parede brônquica é aumentada pela infiltração de fluidos ou células, ou quando
o ar no espaço peribrônquico foi substituído por células ou fluidos. O espaço peribrônquico é, na realidade, um
componente do interstício, mas um padrão brônquico é normalmente interpretado como indicador da presença
de doença nas vias aéreas. Esse é um exemplo de como o sistema de reconhecimento padrão pode ser errôneo,
com uma contradição entre o padrão radiográfico e o compartimento pulmonar envolvido.
O aumento da radiopacidade associado ao maior teor de fluido ou celularidade dentro ou ao redor do brônquio
resulta em uma maior identificação radiográfica da árvore brônquica. Radiograficamente, isso se manifesta como
um número aumentado de sombras em anéis, criadas por uma relação transversal entre o brônquio anormal e
o feixe primário de RX, ou um maior número de linhas paralelas, denominadas por alguns como trilhos de trem,
criadas por uma relação lateral entre o brônquio anormal e o feixe primário de RX. Um aspecto importante na
identificação de um padrão brônquico é a compreensão de que o número de sombras em anel e trilhos de trem
está aumentado em relação a uma distribuição normal. Algumas sombras em anel e trilhos de trem podem ser
observadas em radiografias normais porque há algumas vias aéreas normais sendo projetadas transversalmente
ou lateralmente. Em um padrão brônquico, o número geral de sombras em anel e trilhos de trem estará acima
do normal e, geralmente, eles apresentarão uma parede espessada devido ao infiltrado de fluido ou células.
Um padrão brônquico é normalmente relacionado à inflamação brônquica, mas o edema peribrônquico também
pode ser a causa. Há várias consequências relacionadas à doença bronquial crônica que possuem
manifestações radiográficas. Elas incluem colabamento lobar, bronquiectasia, fraturas espontâneas da costela,
hiperinflação pulmonar e mineralização bronquial.
Causas de um Padrão Brônquico
CAUSA PREVALÊNCIA
Doença alérgica das vias aéreas Comum
Infecção Bacteriana Parasitária Menos comum / Rara
Irritação crônica Menos comum
Edema pulmonar cardiogênico Menos comum
Tumor difuso Rara

A bronquiectasia, que consiste em uma dilatação anormal permanente do brônquio, tem vários fatores de risco
que incluem a infecção crônica, distúrbio mucociliar, obstrução e envelhecimento. Determinadas raças parecem
ser predispostas, mas os cães afetados podem sobreviver por vários anos. Em cães, uma relação entre colapso
de traqueia e bronquiectasia foi sugerida, podendo estar associada a um distúrbio inerente de cartilagem
estrutural. As características radiográficas da bronquiectasia são (1) diâmetro brônquico aumentado, (2) falha
de afunilamento do brônquio, (3) natureza não linear da parede brônquica e (4) parede brônquica anormalmente
espessada, em caso de bronquite recorrente.
A bronquite crônica pode levar à mineralização brônquica, seja devido à mineralização distrófica da parede
brônquica ou à mineralização das conexões endobrônquicas. Se a mineralização envolver a parede bronquial,
um centro radiotransparente pode estar visível no interior da lesão mineralizada, enquanto se a mineralização
estiver dentro das conexões endobronquiais, o centro radiotransparente não será observado. A mineralização
brônquica secundária à bronquite crônica é mais provável de ser encontrada em gatos e geralmente haverá
sinais coexistentes de um padrão brônquico típico. A mineralização bronquial não é comum em animais com
doença pulmonar inflamatória, mas é importante reconhecê-la para que não seja confundida com outra lesão.
Outro cenário em que a mineralização brônquica pode ser observada é em cães com hiperadrenocorticismo.
Nesse caso, a mineralização provavelmente é distribuída de forma mais uniforme em todo o pulmão e a
espessura do brônquio afetado geralmente estará normal.

PADRÃO INTERSTICIAL

→ Padrão intersticial estruturado


Refere-se às lesões nodulares ou formações no pulmão. A identificação de nódulos ou formações no pulmão
não é difícil em vários pacientes, mas há algumas situações em que essa avaliação não é direta. Ao se considerar
a presença de um nódulo ou formação pulmonar, é extremamente importante ter em mente o (1) efeito do
decúbito lateral esquerdo versus direito na identificação das lesões pulmonares e (2) o efeito da sobreposição
de nódulos e/ou estruturas cutâneas. Quando um nódulo ou formação pulmonar for identificada, a tendência é
considerá-la maligna, mas é fundamental saber que as inflamações também podem levar ao desenvolvimento
de nódulos ou formações. A detecção radiográfica de nódulos ou formações pulmonares deve ser interpretada
com o contexto dos achados e do histórico, e um diagnóstico definitivo nunca deve ser feito com base somente
na aparência radiográfica.

Causas de Nódulos e Formações Intersticiais


ACHADO CAUSA PREVALÊNCIA
Vários nódulos sólidos Metástase | Micose | Embolia séptica Comum | Incomum | Rara
Formação sólida solitária Tumor primário | Abscesso Comum | Rara
Vários nódulos cavitários Metástase | Parasitária | Bolhas Rara | Rara | Incomum
Formação cavitária solitária Tumor primário | Abscesso | Bolha Comum | Rara | Incomum

Um nódulo de tecido mole no pulmão deve alcançar um determinado diâmetro antes de ser grande o suficiente
para ser visível radiograficamente. Isso está relacionado ao nódulo ser grande o suficiente para absorver uma
quantidade suficiente de RX e se tornar visível quando sobreposto à radiopacidade heterogênea do pulmão. O
valor total desse determinado diâmetro será influenciado pela localização do nódulo no interior do pulmão, se
existe sobreposição com outras estruturas e também pela qualidade da imagem radiográfica. A existência de
um limiar de diâmetro, antes de os nódulos pulmonares se tornarem radiograficamente visíveis, significa que a
não identificação radiográfica de um nódulo pulmonar não é evidência de que ele não exista.
Os vasos pulmonares projetados transversalmente terão a aparência de uma opacidade circular isolada, e são
frequentemente confundidos com nódulos pulmonares. São normalmente encontrados adjacentes a uma via
aérea e, muitas vezes, é possível observar a porção de conexão do vaso, projetada lateralmente e estendendo-
se perifericamente em relação ao “nódulo”. Essa opacidade de conexão tem sido denominada cauda.
Os nódulos pulmonares são frequentemente visíveis em apenas uma projeção radiográfica. Nesse caso, deve-
se tomar cuidado para garantir que o nódulo esteja, de fato, no pulmão, devido a nódulos sobrepostos que
podem aparecer radiograficamente como se estivessem no interior do pulmão.
Uma formação pulmonar localizada na porção central de um lobo pulmonar que não tem um padrão alveolar
associado causado por atelectasia, hemorragia ou infecção simultânea é fácil de ser detectada
radiograficamente. Infelizmente, muitas formações pulmonares passam despercebidas até que elas tenham
alcançado um tamanho que comprometa a função respiratória.
A formação de bolhas pulmonares provocadas por traumas recentes está geralmente associada a outras
alterações intratorácicas associadas ao trauma, como efusão pleural, pneumotórax ou hemorragia pulmonar.

→ Padrão intersticial não estruturado


Resultante de uma elevada atenuação dos RX criada pelo excesso de fluido, um crescimento celular ou a
infiltração em uma estrutura intersticial de suporte do pulmão. O fluido ou o tecido anormal não é organizado em
uma lesão solitária, ou em várias lesões discretas, mas envolve o interstício de maneira relativamente uniforme.
Tais lesões podem se desenvolver como resultado da transudação dos fluidos dos capilares intersticiais, a
presença de resposta inflamatória de baixo grau ou crescimento celular neoplásico difuso. A inflamação de baixo
grau foi especificada porque as infecções intersticiais, virulentas e de alto grau geralmente irão progredir
rapidamente para produzir um padrão alveolar, à medida que a doença se dissemina do interstício para os
alvéolos adjacentes.

Causas de um Padrão Intersticial não Estruturado


CAUSA PREVALÊNCIA
Técnica radiográfica inadequada Comum
Ventilação inadequada Comum
Conformação corporal Comum
Linfoma Incomum
Metástase tumoralsólida Incomum
Micose profunda Incomum
Edema cardiogênico Incomum

É provavelmente o padrão pulmonar mais diagnosticado de modo incorreto. A base desse erro está no número
de situações em que a opacidade pulmonar geral está supostamente aumentada e é interpretada erroneamente
como anormal. Essas situações incluem a subexposição radiográfica; revelação insuficiente do filme;
conformação corporal e atelectasia resultantes de uma ventilação insuficiente, sedação ou gravidade.
Uma característica importante de algumas doenças que provocam um padrão intersticial não estruturado é a
natureza dinâmica delas. A insuficiência cardíaca esquerda, irá causar primeiramente o edema pulmonar
intersticial, que rapidamente se transformará em edema alveolar, que será mais radiopaco e difuso, e o padrão
alveolar resultante irá ocultar qualquer padrão intersticial presente. Portanto, um padrão intersticial não
estruturado pode ter duração curta ou ser sobreposto pelo padrão bronquial ou alveolar.
O diagnóstico é baseado no achado de um aumento anormal na radiopacidade radiográfica do fundo do
pulmão. Há uma variedade de aparências radiográficas que isso pode apresentar, e alguns sistemas de
classificação tentam capturar essas variações.
O fundamental para diagnosticar um padrão intersticial não estruturado é reconhecer um aumento na
radiopacidade do fundo pulmonar, e até onde está dentro dos limites normais. Como a faixa de normalidade é
ampla, é óbvio que a doença intersticial leve frequentemente não é diagnosticada. Ou, mais comumente, o
padrão intersticial normal é diagnosticado incorretamente como doença. É fundamental que qualquer suspeita
diagnóstica de padrão intersticial não estruturado em projeção lateral seja documentado nas projeções VD ou
DV, devido à tendência dos pulmões a apresentarem geralmente uma radiopacidade aumentada nas projeções
laterais provocada por atelectasia.

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