AS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NA FORMAÇÃO INICIAL DE EDUCADORES DE INFÂNCIA: ESTUDO COMPARATIVO ENTRE PORTUGAL E ESPANHA

Rita Brito Universidad de Málaga britoarita@gmail.com Dolores Madrid Universidad de Málaga lmadrid@uma.es

Resumo: Nas últimas décadas apercebemo-nos de uma revolução tecnológica crescente que tem trazido novos direccionamentos económicos, culturais, e educacionais à sociedade. A Escola e o Jardim de Infância não vivem afastados destes factos, tendo vindo a conceber progressivamente que a integração e apropriação das tecnologias por parte das crianças é um caminho sem retorno. Quando se considera a introdução dos computadores na prática educacional escolar, a capacidade de intervenção dos agentes educacionais, particularmente dos Educadores de Infância, é fundamental para o desempenho e sucesso do processo. Por isso quisemos conhecer e comparar a formação oferecida aos futuros Educadores de Infância, em Portugal e Espanha, relativamente às Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). Esta análise permitiu constatar que, quer em Portugal, quer em Espanha, a maioria das instituições que ministram a licenciatura de Educação de Infância tem, pelo menos, uma disciplina TIC nos seus planos de estudo, o que significa que a Tecnologia Educativa está amplamente representada nos currículos das instituições de ambos os países. Palavras-Chave: formação inicial, Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), Educadores de Infância. Abstract: In the past decades there has been a growing technological revolution that has brought new economic, cultural and educational ways of thought. School and Kindergarten haven't ignored these events, understanding that the integration and appropriation of technologies by children is a reality. When considering the introduction of computers in educational practice at school, the intervention capacity of educational institutions, particularly kindergartens educators, is crucial to the success of the process. Therefore we wanted to know and compare the training offered to future kindergarten teachers in Portugal and Spain, regarding Information and Communication Technology (ICT). This analysis revealed that, in Portugal and Spain, most institutions that teach undergraduate kindergarten teachers have at least one ICT discipline in their curricula, which means that Technology Education is widely represented in the curricula of institutions of both countries. Keys-words: initial training, Information and Communication Technologies (ICT), early childhood educator.

Introdução Nas últimas décadas apercebemo-nos de uma revolução tecnológica crescente que tem trazido novos direccionamentos económicos, culturais, e educacionais à sociedade. Nesta conjuntura, a escola, enquanto instituição educativa e formativa, depara-se com numerosos desafios e encara profundas alterações, sendo que a educação e a formação ganham um sentido renovado e vêem acrescido o seu valor estratégico como factores fundamentais de renovação, de progresso, de competitividade, de excelência e de bem-estar económico e social. A investigação actual refere que a introdução dos computadores no pré-escolar é benéfica (Brito, 2010; Ihmeideh, 2010) a vários níveis do desenvolvimento da criança: a nível da linguagem e da literacia (Morrow, 2009; Parette et al., 2009), da Matemática (Clements & Nastasi, 2002), da motricidade fina (Gentilhomme et al., 2003), e das capacidades cognitivas e sociais (Clements & Sarama, 2003; Mooij, 2007). Quando se considera a introdução dos computadores na prática educacional escolar, a capacidade de intervenção dos agentes educacionais, particularmente dos Educadores de Infância, é fundamental para o desempenho e êxito do processo. No entanto, para intervir, o Educador precisa de possuir conhecimentos e aptidões, precisa de conhecer os objectos sobre os quais exercerá as suas acções, como actuar para alcançar os objectivos que apresenta, e quais as competências fundamentais para a execução dos procedimentos necessários ao alcance das metas estabelecidas. As instituições de ensino superior, pela sua própria natureza e vocação, têm a função e a obrigação de preparar convenientemente os futuros Educadores de Infância para essa integração, formando-os para e através das TIC. Partindo deste ponto, pareceu-nos relevante conhecer e comparar a formação oferecida aos futuros Educadores de Infância, relativamente às Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) na educação, em Portugal e Espanha. A nossa intenção foi verificar a presença das TIC nas licenciaturas (ano lectivo de 2010/2011) de Educadores de Infância dos países referidos, comparando os dados recolhidos de ambos. Assim, delineamos os seguintes objectivos para este trabalho: i) reunir as instituições que formam Educadores de Infância, em Portugal e Espanha; ii) verificar quais instituições têm, pelo menos, uma disciplina relacionada com as TIC, no plano de estudos da licenciatura em Educação de Infância ; iii) averiguar quais as principais diferenças e semelhanças relativamente a essas disciplinas, em relação ao seu nome, horas de leccionação e créditos. Para além da apresentação dos aspectos de ordem metodológica, nesta comunicação iremos também apresentar os principais resultados observados e, no final, sugerimos alguns aspectos que, do nosso ponto de vista, merecem um estudo mais aprofundado em desenvolvimentos futuros. Antes disso, iremos estabelecer este trabalho no contexto da investigação que tem
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Em Portugal, com a entrada em vigor do Tratado de Bolonha, a licenciatura em “Educação de Infância” passou a designar-se de “Licenciatura em Educação Básica”, passando também a abranger a formação de Professores do Ensino Básico (1º, 2º, 3º e 4º Ano). No entanto, neste estudo iremos apenas referirmonos a Educadores de Infância, pois é esse grupo que nos interessa para esta investigação.

sido produzida sobre a formação inicial de Educadores de Infância, e que serviu de base ao desenvolvimento do presente estudo.

1. Formação inicial de Educadores de Infância e a sua importância A formação inicial assume-se, quase sempre, como o primeiro momento de construção intencional da profissionalidade dos Educadores. Esta formação visa proporcionar aos “Educadores e Professores de todos os níveis de educação e ensino a informação, os métodos e as técnicas científicas e pedagógicas de base, bem como a formação pessoal e social adequadas ao exercício da função” (Ministério da Educação, 1986, p. 3068). Por isso, num mundo em que cada vez mais as TIC fazem parte do nosso quotidiano e também da actividade educativa, a formação inicial deve dar a conhecer aos futuros professores as diferentes formas de utilização destas tecnologias no processo de ensino e de aprendizagem. As instituições que ministram formação inicial têm assim a grande responsabilidade de dotar os futuros professores com as competências básicas e com a confiança necessárias para utilizar as TIC mas, principalmente, de os preparar e capacitar para saber retirar delas mais-valias pedagógicas. Um crescente número de investigações mostra que a formação de professores é um dos mais importantes elementos para o sucesso da implementação dos computadores nas escolas (Coutinho, 2006; Davis, Preston & Sahin, 2009), merecendo especial importância a que é ministrada no início da carreira, ou seja, a formação inicial dos futuros professores (Ponte, Oliveira & Varandas, 2002). De facto, apesar de ser parca a investigação que visa estudar os próprios programas de formação inicial no que respeita à tecnologia (Davis, Preston & Sahin, 2009; Lawless & Pellegrino, 2007; Rego, Gomes & Silva, 2008), são vários os estudos que referem que os alunos futuros professores que recebem formação para utilizar os computadores apresentam menos ansiedade, mais confiança e mais motivação no uso dos computadores do que aqueles que não receberam (Savenye, Davidson & Orr, 1992, cit in Costa, 2003). A realidade é que cada vez mais escolas que têm recursos TIC, como computadores, acesso à Internet, rede local, servidores de conteúdo, salas de computadores, quadros interactivos, entre outros. Surge-nos, portanto, uma linha de trabalho no campo da educação, centrada na introdução das TIC nos sistemas de educação, escolas e salas de aula, através dos currículos correspondentes (Colas & Pons, 2004), para a qual os Educadores devem estar preparados. De acordo com vários estudos realizados (Cabero et al, 2000; Majó & Marqués, 2002; Tejada, 1999), podemos resumir as competências em TIC que os Educadores deveriam ter: • Atitude positiva face às TIC, instrumentos da nossa cultura que o Educador deve saber utilizar e aplicar em várias actividades domésticas e profissionais; • Compreender a utilização das TIC na educação;

• •

Discutir o uso das TIC na sua área de conhecimento; Utilizar com destreza as TIC nas suas actividades: editor de texto, correio electrónico, navegação na Web, entre outros;

Adquirir o hábito de planificar o currículo integrando as TIC (como um instrumento no contexto das actividades da sua área de conhecimento, como meio didáctico, como mediador para o desenvolvimento cognitivo);

• •

Propor actividades de formação para os alunos que considerem o uso das TIC; Avaliar o uso das TIC.

Logo, a questão que colocamos é a seguinte: as licenciaturas em Educação de Infância, em Portugal e Espanha, proporcionam formação relativamente à utilização das TIC na educação?

2. Plano de investigação No sentido de conhecermos e compararmos a formação inicial de Educadores de Infância relacionada com as TIC, em Portugal e Espanha, foi realizado um estudo suportado pelo paradigma positivista, não experimental. A modalidade não experimental examina as relações entre aspectos sem nenhuma manipulação. Dos cinco tipos de modalidades de investigação (descritiva, comparativa, correlacional, questionário e ex post facto) o nosso trabalho insere-se no tipo descritivo e consistiu na averiguação da presença de disciplinas relacionadas com as TIC nas licenciaturas de Educação de Infância, em instituições de ensino superior em Portugal e Espanha. Não trabalhámos com amostras, pois o trabalho foi realizado com as populações na sua íntegra. Deste modo, o plano de investigação desenvolvido e implementado contemplou três fases. A primeira fase consistiu no levantamento de todas as instituições de ensino superior em Portugal e Espanha, que ministram a licenciatura em Educação de Infância. Numa segunda fase foram elaboradas duas tabelas de registo de dados, uma correspondente a Portugal e outra a Espanha, reunindo as informações que nos interessavam para este estudo, informações essas disponibilizadas nas páginas de Internet de cada instituição. Nestas tabelas foi feito um balanço geral relativamente às características de disciplinas relacionadas com as TIC nas licenciaturas de Educação de Infância nestes dois países, contemplando as seguintes dimensões: I. Nome da Instituição, onde é referido o nome da instituição onde é ministrada a licenciatura (Universidade, Escola Superior de Educação ou Instituto); II. III. IV. Instituição pública ou privada, onde expomos a sua tipologia; Endereço electrónico, o “endereço” da página de Internet de cada instituição; Disciplina(s), apresentando a(s) disciplina(s) prevista(s) no respectivo plano de estudos (relacionadas com as TIC);

V.

Escolaridade (ano e semestre), em que ano do curso é/são leccionada(s) a(s) disciplina(s) e se tem carácter semestral ou anual;

VI. VII.

Carga horária, número semanal de aulas teóricas, teórico-práticas e práticas; Unidades de crédito de cada disciplina.

Por fim, a terceira e última fase diz respeito ao processo de análise dos dados, considerando os objectivos previamente definidos. Para este efeito, o conteúdo qualitativo obtido nas páginas de Internet das instituições foi transformado em dados quantitativos, tendo sido realizada uma análise de frequência, conforme veremos na apresentação dos principais resultados que se segue.

3. Análise de dados Actualmente em Portugal Continental, Açores e Madeira, existem 36 Instituições que proporcionam a licenciatura em Educação Básica (designação dada após o Tratado de Bolonha ), que formam profissionais especializados em Educação de Infância. Em Espanha existem 59 instituições que ministram a licenciatura em Educação de Infância. Relativamente à tipologia das instituições, em Portugal 61% das instituições são públicas e 39% são privadas. Em Espanha, 78% são públicas, 19% são privadas e 3% são religiosas. Os Gráficos 1 e 2 apresentam a tipologia destas instituições.
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Conforme já referido, em Portugal, após a assinatura do Tratado de Bolonha, a licenciatura nomeada de “Educação de Infância” passou a designar-se de licenciatura em “Educação Básica”. Ao longo da análise de dados iremos utilizar o nome licenciatura em “Educação Básica” (dados referentes a Portugal), embora nos estejamos apenas a referir à formação de Educadores de Infância e não de Professores do Ensino Básico. 3 O Tratado de Bolonha consiste numa Declaração assinada pelos Ministros da Educação dos 29 países europeus, em 19 de Junho de 1999, em Bolonha (Itália). O objectivo do Tratado foi o comprometimento dos países signatários em desenvolverem reformas nos seus sistemas de ensino com o propósito de estabelecer uma Área Europeia de Ensino Superior. Do conjunto de alterações que foram efectuadas após a adopção do Tratado, são de referir duas importantes que fazemos menção nesta investigação, sendo a primeira a adopção de um sistema baseado em três ciclos de estudos: i) 1º Ciclo, com a duração mínima de 3 anos, ii) 2º Ciclo, com a duração de um ano e meio a dois, obtendo o grau de Mestre, iii) 3º Ciclo, obtenção de grau de Doutor, sendo Doutorado; a segunda alteração refere-se ao estabelecimento de um sistema de créditos transferíveis e acumuláveis (ECTS, European Credit Transfer and Accumulation System), com o objectivo de promover a mobilidade dos estudantes (European Commission, 2008).

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Gráfico 1: Instituições que ministram a licenciatura em Educação Básica, em Portugal.

39% Inst. Públicas Inst. Privadas 61%

Gráfico 2: Instituições que ministram a licenciatura em Educação de Infância, em Espanha. 3%

19% Instituições públicas Instituições privadas Instituições religiosas 78%

Do total de instituições que proporcionam a licenciatura em Educação Básica em Portugal, 25% não têm qualquer tipo de disciplina relacionada com as TIC, tendo 75% das instituições, pelo menos uma disciplina relacionada com TIC. Em Espanha, do total das instituições que providenciam a licenciatura em Educação de Infância, 17% não têm nenhuma disciplina relacionada com as TIC, sendo que 83% têm, pelo menos, uma disciplina relacionada com as TIC no seu plano de estudos (ver Gráfico 3 e Gráfico 4):

Gráfico 3: Instituições e disciplinas TIC, em Portugal. 75%

25%

Instituições que têm disciplina relacionada com TIC na licenciatura

Instituições que não têm disciplina relacionada com TIC na licenciatura

Gráfico 4: Instituições e disciplinas TIC, em Espanha.

83%

17%

Instituições que têm disciplina relacionada com TIC na licenciatura

Instituições que não têm disciplina relacionada com TIC na licenciatura

Relativamente ao número de disciplinas TIC oferecidas na licenciatura, em Portugal, 70% têm 1 disciplina relacionada com TIC, 22% têm 2 disciplinas TIC e 7% das licenciaturas têm 3 disciplinas relacionadas com TIC (Gráfico 5). Em Espanha 63% têm, pelo menos uma disciplina relacionada com TIC, 20% têm 2 disciplinas, 6% têm 3 disciplinas, igualmente 6% têm 4 disciplinas, 2% têm 2 disciplinas e 2% têm 6 disciplinas TIC ao longo da licenciatura (Gráfico 6). O Gráfico 5 e Gráfico 6 demonstram os dados referidos:

Gráfico 5: Número de disciplinas TIC nos planos de estudo das licenciaturas, em Portugal. 70%

22% 7%

1 Disciplina

2 Disciplinas

3 Disciplinas

Gráfico 6: Número de disciplinas TIC nos planos de estudo das licenciaturas, em Espanha. 63%

20% 6% 6%

2% 5 Disciplinas

2% 6 Disciplinas

1 Disciplina

2 Disciplinas

3 Disciplinas

4 Disciplinas

Analisando a “designação” ou o “nome” das disciplinas dos planos de estudo das instituições portuguesas, verificamos que estas agregam-se em torno de três conjuntos temáticos: • Um primeiro conjunto agrupa as disciplinas com a designação genérica de “Tecnologias de Informação e Comunicação”, num total de 14% das disciplinas; • Um segundo conjunto agrupa as disciplinas designadas de “Tecnologias de Informação e Comunicação na Educação”, com um total de 55% das disciplinas; • Um terceiro grupo integra as TIC relacionadas com disciplinas mais específicas, como “Tecnologias Multimédia”, “Tecnologias na Matemática”, “Tecnologias na Língua Portuguesa”, entre outras, num total de 33% das disciplinas; Efectuámos a mesma análise à “designação” ou “nome” das disciplinas dos planos de estudo das instituições espanholas, que também foram reunidas em três conjuntos: • Um primeiro conjunto que agrupa as disciplinas com a designação genérica de “Tecnologias de Informação e Comunicação”, com um total de 10% das disciplinas;

Um segundo conjunto reúne as disciplinas com a designação de “Tecnologias de Informação e Comunicação na Educação”, com um total de 44% das disciplinas.

Por fim, um terceiro conjunto que agrupa as disciplinas que integravam as TIC num envolvimento mais específico, como “Recursos musicais”, “As TIC aplicadas à educação artística: fotografia e vídeo”, “As TIC no ensino das Ciências”, “Tecnologia e actividade física”, “Informática Jurídica”, “Robótica para todos”, entre outras, num total de 44% das disciplinas.

Apresentamos o Gráfico 7 e o Gráfico 8 para ilustrar a informação:

Gráfico 7: Distribuição das disciplinas TIC por conjuntos temáticos, em Portugal. 55%

33%

14%

TIC geral

TIC Educação

TIC específico

Gráfico 8: Distribuição das disciplinas TIC por conjuntos temáticos, em Espanha. 44% 44%

10%

TIC geral

TIC Educação

TIC específico

Relativamente às disciplinas optativas, em Portugal 11% do total das disciplinas TIC são optativas. No entanto, as instituições que têm a disciplina TIC como opção, têm, pelo menos, uma disciplina TIC obrigatória. Apenas uma instituição não tem a disciplina de TIC obrigatória, tendo só a disciplina TIC como opção.

Em Espanha, 32% das disciplinas relacionadas com TIC são optativas. No entanto, 24% das instituições têm pelos menos uma disciplina TIC obrigatória, sendo que as restantes 8% só têm disciplina TIC como opção. Analisando o ano em que as disciplinas TIC são leccionadas, em Portugal 34% são leccionadas no 1º ano, 26% são leccionadas no 2º ano e 40% são leccionadas no 3º ano. Em Espanha, 26% das disciplinas TIC são leccionadas no 1º ano, 46% das disciplinas TIC são leccionadas no 2º ano, 15% são leccionadas no 3º ano e 13% são leccionadas no 4º ano. Gráficos 9 e 10 sintetizam a informação referida:

Gráfico 9: Ano em que as disciplinas TIC são leccionadas, em Portugal.

40% 34% 26%

1º Ano

2ª Ano

3º Ano

Gráfico 10: Ano em que as disciplinas TIC são leccionadas, em Espanha.

46% 26% 15% 13%

1º Ano

2º Ano

3º Ano

4º Ano

Observando a carga horária relativa às disciplinas TIC em instituições portuguesas, das 10 instituições que disponibilizam essa informação nas suas páginas de Internet, 35% da carga horária corresponde a “Aulas Teóricas” e 92% corresponde a “Aulas Teórico-Práticas”. De notar que apenas as instituições portuguesas foram analisadas, pois o número de instituições espanholas que mencionam a carga horária das disciplinas nas suas páginas de Internet é pouco relevante.

No Gráfico 11 podemos verificar a informação mais detalhada:

Gráfico 11: Carga horária relativa às disciplinas TIC, em Portugal. 92%

35%

Teórico

Teórico - Prático

No que concerne à quantidade de créditos que cada instituição atribui a cada disciplina, em Portugal, 30% das instituições atribuem 5 créditos a cada disciplina TIC, 17% atribuem 2 créditos e 14% das instituições atribuem 3 créditos. Em Espanha 68% das instituições atribuem 6 créditos e 12% atribuem 3 créditos às disciplinas TIC. O Gráfico 12 e o Gráfico 13 apresentam em pormenor a informação:

Gráfico 12: Créditos relativos às disciplinas das instituições portuguesas.

1,5 Créditos 2 Créditos 2,5 Créditos 3 Créditos 3,5 Créditos 4 Créditos 4,5 Créditos 5 Créditos 6 créditos

3% 17% 3% 14% 6% 9% 3% 30% 3%

Gráfico 13: Créditos relativos às disciplinas das instituições espanholas.

3 Créditos 4 Créditos 4,5 Créditos 6 Créditos 8 Créditos 9 Créditos 12 Créditos 3% 2% 3% 7% 5%

12%

68%

4. A modo de conclusão O estudo apresentado nesta comunicação teve como objectivo apurar a presença das TIC nas licenciaturas de Educadores de Infância, em Portugal e Espanha, comparando os dados recolhidos dos países referidos. Nesse sentido, a análise realizada permitiu retirar informação que se procura agora concluir. Com a entrada em vigor do Tratado de Bolonha em Portugal, a duração da licenciatura em Educação de Infância alterou-se, passando de 4 anos para 3 anos. A sua denominação também se alterou, passando de licenciatura em “Educação de Infância”, com o objectivo de formar Educadores de Infância para contribuir para o desenvolvimento de crianças dos 4 meses aos 6 anos de idade, para licenciatura em “Educação Básica”, passando também esta a abranger as licenciaturas de Professores do Ensino Básico (1º Ciclo do Ensino Básico, 1º 2º 3º e 4º ano, crianças de 6 a 9 anos de idade). Em Espanha também se deram algumas alterações, nomeadamente em relação aos anos da licenciatura, passando a formação do Educador de Infância de 3 anos para 4 anos, não tendo, contudo, integrado a licenciatura em Educação Básica (1º Ciclo) como em Portugal. A Espanha
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tem 4 vezes a população de Portugal , e o número de instituições que

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proporcionam esta licenciatura difere, tendo Portugal menos 39% de instituições que Espanha. No entanto, calculando o número de instituições relativamente ao número de habitantes de cada país, Portugal tem 33,96 instituições por cada 10 milhões de habitantes e Espanha tem 12,5 instituições por cada 10 milhões de habitantes, o que faz com que Portugal tenha quase o triplo, ou seja, 2,7 vezes mais instituições por habitante do que Espanha, ou ainda 170% a mais que Espanha de instituições por proporção populacional.
População total de Espanha a 1 de Janeiro de 2010: 47.021.031 (INE, 2011). Em 31 de Dezembro de 2008, a população residente de Portugal foi estivada em 10.627.250 pessoas (INE, 2009).
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Quanto à sua tipologia, em Portugal a maioria das instituições que providenciam a licenciatura em Educação de Infância são públicas, no entanto existe também um grande leque de instituições privadas a ministrar os mesmo estudos. Em Espanha, uma grande percentagem das instituições que ministram esta licenciatura são públicas, havendo apenas uma pequena parte de instituições privadas que ministram também esta licenciatura. Através dos dados recolhidos verificamos que Espanha tem um número superior de instituições que formam Educadores de Infância, que têm, pelo menos, uma disciplina relacionada com as TIC nos seus planos de estudo, do que Portugal. Vários são os estudos (Dupagne & Krendl, 1992; Costa, 2003) que referem que existe ausência de formação dos professores ao nível da utilização e integração das novas tecnologias da informação e comunicação no ensino. No entanto, através dos dados recolhidos verificamos que um grande número de instituições inclui, actualmente, pelo menos uma disciplina TIC na formação inicial de Educadores de Infância, o que denota o aumento da importância da utilização das TIC na formação destes profissionais, para aplicação futura na profissão. Ou seja, A Tecnologia Educativa está amplamente representada nos currículos das instituições de ambos os países. Do conjunto de licenciaturas de Educação de Infância em ambos os países, reparamos que a grande maioria das instituições opta por ter apenas uma disciplina relacionada com as TIC ao longo de toda a licenciatura. Importa referir que em Espanha há instituições que têm 4 disciplinas, 5 disciplinas e até 6 disciplinas TIC durante a licenciatura, enquanto que Portugal não ultrapassa as 3 disciplinas. Através da análise à “designação” ou “nome” das disciplinas podemos verificar que as instituições de formação em Portugal direccionam mais as suas disciplinas no sentido geral da introdução das TIC na Educação, enquanto que em Espanha, apesar de um grande número de instituições também direccionar as suas disciplinas nesse sentido, existe igualmente um grande número de disciplinas com objectivos específicos. Segundo Coutinho (2005) esta aparente separação não é inesperada pois a Tecnologia Educativa constitui um campo científico que ainda procura a sua definição dentro das Ciências da Educação não só em Portugal, “mas também em outros países onde a sua presença é bem mais antiga, no entanto ainda carece de alguma indefinição mesmo a nível conceptual” (Cabero, 1990; Area, 1991; Thompson, Simonson & Hargreaves, 1996; Marqués, 1999, cit in Coutinho, 2005, p. 4). Em Portugal as disciplinas TIC são preferencialmente leccionadas no 3º ano, ou seja, no final da licenciatura. Em Espanha, as disciplinas TIC incidem principalmente no 2º ano da licenciatura. Na nossa opinião estas disciplinas devem ser ministradas no início da licenciatura, pois a partir daí os futuros Educadores podem começar a familiarizar-se ao ambiente TIC e inseri-lo nas salas do pré-escolar, planificando actividades recorrendo às TIC. As disciplinas TIC em Portugal caracterizam-se, em termos gerais, pelo seu carácter teóricoprático. De facto, trata-se não de formar técnicos de hardware ou de software, mas de preparar docentes que possuam uma perspectiva global das potencialidades das TIC e do papel que estas podem desempenhar no processo de ensino e de aprendizagem (Brito, 2010).

Notamos uma grande divergência na atribuição dos créditos às disciplinas TIC nas instituições portuguesas, enquanto que em Espanha há uma clara incidência nos 6 créditos por disciplina. De notar que a atribuição do número de créditos, em Portugal, começa nos 1,5 créditos e termina nos 6 créditos, enquanto que em Espanha essa atribuição inicia-se nos 3 créditos, acabando nos 12 créditos. Sendo que os créditos representam o volume global de trabalho de cada disciplina, somos levados a concluir que as TIC têm mais relevância nas instituições espanholas. A análise dos planos de estudo das disciplinas TIC das instituições que ministram as licenciaturas de Educadores de Infância é outro desafio para investigações futuras. Seria relevante verificar os objectivos das disciplinas, os seus conteúdos e metodologias utilizadas. Igualmente de grande interesse seria alargar este tipo de investigação a outros níveis de ensino, como as licenciaturas de professores do 2º Ciclo, 3º Ciclo e Secundário.

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