Problema 7: S.V, masculino, 20 anos refere dorsalgia.
Procurou o
ambulatório pela dor e por apresentar um desvio nas costas.
1-Revisar a anatomia da coluna
2-Diagnóstico e exame físico : sinais clínicos
3-Noções do tratamento
Para o caso clínico de S.V., 20 anos, masculino, com queixa de dorsalgia e desvio
postural, estruturamos a resposta conforme solicitado:
1. Anatomia da Coluna Vertebral
A coluna vertebral é composta por 33 vértebras distribuídas em 5 regiões:
7 cervicais (C1–C7)
12 torácicas (T1–T12)
5 lombares (L1–L5)
5 sacrais (S1 - S5)
4 coccígeas (resquícios vestigiais)
Cada vértebra possui: TÍPICAS
Corpo vertebral, que sustenta o peso axial.
Arco vertebral, formado por pedículos e lâminas.
Processos espinhosos e transversos, com inserções musculares.
Canal vertebral, por onde passa a medula espinal.
Discos intervertebrais, que atuam como amortecedores entre os corpos
vertebrais.
Abaixo está uma explicação detalhada, clara e objetiva da anatomia da C1 (Atlas) e
C2 (Áxis), as duas primeiras vértebras cervicais, essenciais para o movimento da cabeça
e estabilidade da coluna cervical superior:
🦴 C1 – Atlas
🔹 Função:
Suporta o crânio.
Permite o movimento de flexão e extensão (como dizer "sim").
Articula-se superiormente com o osso occipital e inferiormente com o áxis (C2).
🔹 Características anatômicas principais:
1. Sem corpo vertebral (o corpo do atlas está fundido ao áxis e forma o dente do
áxis).
2. Sem processo espinhoso – possui apenas um tubérculo posterior.
3. Dois arcos:
o Anterior (curto, com o tubérculo anterior e uma fóvea para o dente
do áxis).
o Posterior (mais longo, com o tubérculo posterior, substituindo o
processo espinhoso).
4. Massas laterais: suportam o peso da cabeça e se articulam com os côndilos
occipitais do crânio (articulação atlanto-occipital).
5. Forame vertebral largo para passagem da medula espinhal.
6. Forames transversos: passagem da artéria vertebral, veia vertebral e nervo
simpático.
🦴 C2 – Áxis
🔹 Função:
Permite o movimento de rotação da cabeça (como dizer "não").
Atua como eixo onde o atlas gira.
🔹 Características anatômicas principais:
1. Processo odontóide (dente do áxis):
o Estrutura vertical, parecida com um pino, que se projeta para cima.
o Articula-se com a fóvea do arco anterior do atlas.
o Mantido em posição pelo ligamento transverso do atlas (evita
deslocamento posterior que comprimiria a medula).
2. Corpo vertebral: diferente da C1, o áxis possui corpo.
3. Processo espinhoso bífido: típico das vértebras cervicais.
4. Processos transversos com forames transversários (artéria vertebral passa
posteriormente ao dente).
5. Articulações:
o Atlantoaxial medial (dente do áxis com o atlas).
o Atlantoaxiais laterais (massas laterais de C1 com as de C2).
🧠 Resumo comparativo
Estrutura C1 (Atlas) C2 (Áxis)
Corpo ❌ ausente ✅ presente
Processo espinhoso ❌ (tubérculo posterior) ✅ bífido
Dente (odontoide) ❌ ✅ presente
Arcos ✅ anterior e posterior ✅ (mas fundidos com corpo)
Movimento Flexão/Extensão ("sim") Rotação ("não")
Ligamento importante Lig. transverso do atlas Apoia o dente
🩻 Observações clínicas:
Fraturas do dente do áxis (tipo II) são instáveis e frequentes em idosos com
trauma cervical.
Lesões ligamentares em C1-C2 (ex: ruptura do ligamento transverso) podem
causar subluxação atlantoaxial, risco grave de compressão medular.
Imagens de escolha: TC para ossos, RNM para avaliação ligamentar.
As curvaturas fisiológicas (lordose cervical e lombar, cifose torácica e sacral) são
essenciais para o equilíbrio e a absorção de impacto .
2. Diagnóstico e Exame Físico – Sinais Clínicos
No exame físico, para um paciente com dor dorsal e desvio postural, avaliam-se os
seguintes pontos:
a) Inspeção
Avaliar simetria dos ombros, escápulas e pelve.
Verificar presença de escoliose (desvio lateral da coluna com rotação vertebral).
Observar hipercifose ou retificação da coluna torácica.
ÂNGULO DE TALHE(flanco e ms), ASSIMETRIA DO PESCOÇO,
b) Palpação
Identificar pontos de dor paravertebral.
Palpar processos espinhosos em busca de sensibilidade ou desalinhamentos.
c) Teste de Adams (para escoliose)
Paciente flete o tronco para frente → verifica-se gibosidade (hump) de um lado
do dorso, indicando rotação vertebral. PROEMINENCIA DAS COSTELAS
d) Exame neurológico
Avaliação de força, sensibilidade e reflexos nos membros inferiores, caso haja
irradiação da dor, embora mais comum em lombalgias.
e) Exames complementares
Radiografia panorâmica da coluna (em AP e perfil): avalia alinhamento,
curvaturas, presença de escoliose, hipercifose, ou alterações estruturais (como
fraturas, colapso vertebral, vértebras em cunha).
Possíveis diagnósticos diferenciais incluem: escoliose idiopática do adolescente,
síndrome dolorosa miofascial, hipercifose postural, Scheuermann (osteocondrose
juvenil da coluna torácica).
3. Noções de Tratamento
O tratamento depende da etiologia e gravidade, mas segue geralmente os seguintes
princípios:
a) Escoliose leve (<20° Cobb)
Acompanhamento clínico e fisioterapia postural.RPG
Correção de encurtamentos musculares e fortalecimento paravertebral.
b) Escoliose moderada (20°–40° Cobb)
Pode-se indicar uso de órteses (colete de Milwaukee, Boston ou Charleston).
Fisioterapia e monitoramento radiográfico periódico.
c) Escoliose severa (>40° Cobb ou progressiva)
Indicação de avaliação para tratamento cirúrgico = (artrodese espinhal com
instrumentação).
d) Para dor sem deformidade estrutural importante
Correção postural.
Fisioterapia com RPG ou Pilates clínico.
Analgésicos e anti-inflamatórios em fase aguda.
Educação postural e ergonomia.
e) Casos como Síndrome de Scheuermann
Comum em jovens, especialmente do sexo masculino.
Tratamento conservador com fisioterapia é o inicial; cirurgia se hipercifose for
grave ou sintomática.
📋 PRONTUÁRIO ORTOPÉDICO – MODELO ACADÊMICO
Identificação do Paciente:
Nome: S.V.
Sexo: Masculino
Idade: 20 anos
Data da Consulta: //____
1. Queixa Principal (QP):
Dorsalgia e desvio visível na coluna vertebral.
2. História da Doença Atual (HDA):
Paciente relata dor na região torácica da coluna com início insidioso há cerca de 2
meses. A dor é contínua, de intensidade moderada, piora com a permanência prolongada
em pé ou sentado e melhora parcialmente com repouso. Refere percepção de desvio nas
costas observado ao espelho e comentado por familiares.
Nega irradiação da dor, formigamentos, trauma prévio ou febre.
3. História Patológica Pregressa (HPP):
Sem comorbidades conhecidas. Nega cirurgias ou internações prévias.
4. História Familiar (HF):
Mãe com história de escoliose leve diagnosticada na adolescência.
5. Exame Físico Ortopédico:
Inspeção estática:
Desvio lateral da coluna torácica com possível escoliose.
Assimetria de escápulas.
Ombro direito mais baixo que o esquerdo.
Teste de Adams:
Presença de gibosidade torácica direita ao inclinar-se para frente → sugestivo de
escoliose estrutural.
Palpação:
Dor à palpação paravertebral em região torácica inferior direita.
Processos espinhosos alinhados.
Avaliação neurológica:
Força muscular preservada (MMSS e MMII).
Reflexos fisiológicos normais.
Sem alterações sensitivo-motoras.
6. Hipóteses Diagnósticas:
1. Escoliose idiopática do adolescente (forma residual em adulto jovem).
2. Síndrome dolorosa miofascial torácica.
3. Hipercifose postural.
4. Doença de Scheuermann (menos provável – solicitar RX para avaliar vértebras
em cunha).
7. Exames Complementares Solicitados:
Radiografia panorâmica da coluna vertebral em AP e perfil e inclinação (para
estudo da curvatura)
Ângulo de Cobb para quantificar o grau de escoliose.
Avaliação da maturidade esquelética (Risser).= para potencial de crescimento =
IDADE ÓSSEA
(Opcional) Ressonância magnética se dor persistente, progressiva ou sinais
neurológicos.
8. Conduta / Plano Terapêutico:
Conservador (neste estágio):
Fisioterapia postural (RPG, reforço muscular paravertebral).
Educação postural / ergonomia.
AINEs se dor limitante (ex: naproxeno 250 mg 12/12h por 5 dias, se necessário).
Acompanhamento com RX a cada 6 meses se escoliose presente e grau entre
10–25°.
CLASSIFICAÇÃO DE LENKE:
Caso progressão do ângulo de Cobb > 5° ou grau > 30°:
Avaliação para órtese (colete de Boston ou Milwaukee, conforme região).
Encaminhamento:
Ortopedia de coluna especializada, caso indicação cirúrgica futura.
9. Orientações ao Paciente:
Manter rotina de exercícios e evitar posturas inadequadas.
Retornar com RX para reavaliação em 30 dias.
Vamos resolver o Problema 7, envolvendo o paciente S.V., 20 anos, com dorsalgia e
desvio da coluna, possivelmente relacionado à escoliose. A abordagem está baseada
nos livros Ortopedia e Traumatologia – Sizinio Hebert e Exame Físico em Ortopedia –
Tarcísio.
1. Revisão da Anatomia da Coluna Vertebral
A coluna vertebral é dividida em:
o 7 vértebras cervicais
o 12 torácicas
o 5 lombares
o Sacro e cóccix (fundidos)
A curvatura normal inclui:
o Lordose cervical
o Cifose torácica
o Lordose lombar
A estrutura básica de cada vértebra inclui:
o Corpo vertebral, arco neural, processo espinhoso e transversos, e forames
vertebrais;
o Discos intervertebrais entre os corpos vertebrais (exceto C1-C2 e
sacrococcígea);
o Ligamentos: longitudinal anterior/posterior, ligamento amarelo,
interespinhoso e supraespinhoso;
o A medula espinhal termina em L1-L2, com raízes nervosas continuando
como cauda equina. CUIDADO COM SCE!
2. Diagnóstico e Exame Físico: Sinais Clínicos
Diagnóstico mais provável: Escoliose Idiopática do Adolescente (residual)
Justificativa:
Paciente jovem;
Queixa de dorsalgia;
Presença de desvio na coluna torácica perceptível (clínico ou radiológico).
Exame físico:
Inspeção posterior em pé:
o Assimetria de ombros;
o Proeminência de escápula (“giba costal”);
o Assimetria da cintura;
Teste de Adams (flexão anterior do tronco):
o Avalia a rotação vertebral e a giba torácica;
Palpação dos processos espinhosos;
Avaliação neurológica (reflexos, força e sensibilidade);
Medida do encurtamento de membros inferiores (para descartar escoliose
compensatória).
3. Noções de Tratamento
Classificação:
Escoliose funcional/postural: sem rotação vertebral verdadeira.
Escoliose estrutural: com rotação vertebral e deformidade fixa.
Avaliação radiológica:
Radiografia panorâmica (coluna total em AP e perfil);
Medição do ângulo de Cobb: principal parâmetro de gravidade.
Tratamento:
Ângulo de Cobb Conduta
< 20° Observação e fisioterapia
20–40° Órtese (colete tipo Milwaukee ou TLSO)
> 40–45° Cirurgia (artrodese + hastes)
Outros pontos:
A fisioterapia postural (Método de Schroth, RPG) é importante;
Cirurgia é indicada em deformidades progressivas ou estéticas graves;
Em adultos, dor e desequilíbrio postural são os principais fatores clínicos.