DA ABRANGÊNCIA DA CLÁUSULA “AD JUDICIA”

Ao firmar um compromisso com o cliente, o advogado necessita de um instrumento que comprove sua regularidade em praticar atos em nome de seu mandante, sendo, portanto, necessário um instrumento de mandato, qual seja, a procuração. A respeito do assunto, é expresso o Código de Processo Civil, utilizado subsidiariamente às leis trabalhistas: Art. 38. A procuração geral para o foro, conferida por instrumento público, ou particular assinado pela parte, habilita o advogado a praticar todos os atos do processo, salvo para receber citação inicial, confessar, reconhecer a procedência do pedido, transigir, desistir, renunciar ao direito sobre que se funda a ação, receber, dar quitação e firmar compromisso. A abrangência de uma procuração contendo a cláusula “ad judicia” é grande, objeto inclusive de estudos de doutrinadores e discussões jurisprudenciais, uma vez que esta cláusula permite ao advogado praticar atos inúmeros a fim de resguardar o direito de seu cliente, envolvendo, inclusive, o juramento da profissão advocatícia de fazer o possível para que a justiça seja feita, lutando de todas as formas para tanto. Neste sentido, o artigo 38 supracitado é claro quando afirma ser o advogado capaz todos os atos do processo, exceto receber citação, inicial, confessar, reconhecer a procedência do pedido, transigir, desistir, renunciar ao direito sobre o que se funda a ação, receber, dar quitação e firmar compromisso. O Superior Tribunal de Justiça, inclusive, é pacífico a respeito do que diz sobre a cláusula “ad judicia”: “A circunstância de constar no instrumento de mandato a cláusula „ad judicia‟ é suficiente para permitir ao outorgado estar em juízo, ainda que tenha o outorgante também concedido poderes especiais para promover ação diversa daquela na qual foi juntada a procuração”

2. "Quanto à nulidade do substabelecimento, este Superior Tribunal a considera descabida ao argumento de estar vencido o instrumento procuratório do advogado substabelecente, mormente porque já

que não se insere entre os ressalvados no artigo 38. CORTE ESPECIAL.1998. qual seja garantir o sucesso da demanda de seu mandante. se é possível que o advogado promova ação diversa da constante no instrumento juntado ou continue representando seu cliente ainda que seu mandato esteja vencido.2009). da Lei 8906/94.5. Min. PROCURAÇÃO VENCIDA. que defende a continuidade da cláusula ad judicia. T4. não sendo necessário item expresso conferindo poderes para tanto. DJe 30.215/63. Julgamento 10. (.978/DF. por estar o instrumento procuratório vencido. do CPC.decidiu que a cláusula ad judicia é preservada mesmo que o mandato esteja vencido" (EREsp 789. (TST. § 5º.11. contraria o entendimento desta Corte. da revogada Lei 4. A cláusula ad judicia traz implícito o poder para substabelecer. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADO..REsp. SUBSTABELECIMENTO.5555. Luis Felipe Salomão. nem no artigo 70. (STJ. MANDADO. RECURSO DE REVISTA. não há maiores problemas em que este substabeleça para outro colega.) 6. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA. ou no atual artigo 5º. CLÁUSULA AD JUDICIA. A argüição de nulidade do substabelecimento. vez que esta traz implicitamente o poder para substabelecer. uma vez que agiu daquela forma intencionado a preservar um bem maior. CLÁUSULA AD JUDICIA. nº 264101/RJ.03. AIRR nº 43026653. conforme jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho: AGRAVO DE INSTRUMENTO. ainda que possua reserva de poderes. a cláusula é abrangente o bastante a fim de permitir que um profissional substabeleça a outro para que este aja dentro de um mesmo processo. CONTINUIDADE APÓS TERMO FINAL DO MANDATO.15. Ainda.. Rel. 3ª Turma) .2009) Ora. Tarcísio Alberto Giboski. Agravo provido. parte final. Rel.

(TST. 239) Portanto. não deve este ato ser reprovado. Recurso de Revista conhecido e provido. Entre as exceções que constam do art. §§ 1º e 2º. Maria de Assis Calsing. 1. o que demonstra total confiança entre ambos. PODER PARA SUBSTABELECER. e esta não poderia de modo algum fazer valer uma transgressão das instruções que ele tenha dado. RO-3660/1996-000-04. nas mais diversas instâncias. 38 do CPC. não se encontra o ato de substabelecimento dos poderes. devendo ser considerada em sua literalidade e totalidade. senão aos fins da responsabilidade dele. vez que o significado literal da expressão já se traduz e garante a transmissão de poderes sem maiores problemas. Rel. como no caso em que se trata o presente incidente processual. conforme já demonstrado acima. do Código Civil. donde se conclui que o poder para substabelecer está contido na cláusula ad judicia. 5ª Turma) Caso um determinado ato seja praticado em conformidade com a vontade do cliente e este não lhe cause nenhum prejuízo a maior. Pág. CLÁUSULA AD JUDICIA." (CARNELUTTI. Por outro. Tradução: Adrián Sotero De Witt Batista.00.RECURSO DE REVISTA. a cláusula “ad judicia” por si só já se completa. a ausência de poderes para substabelecer não invalida o mandato. – 2000. de acordo com o disposto no art. acarretando apenas a responsabilidade pessoal do substabelecente pelos atos do substabelecido e pelos prejuízos eventualmente causados ao mandante.300. Instituições do processo civil Editora: Classic Book. inclusive através de entendimento jurisprudencial. Francesco. não havendo porque se discutir a respeito da outorga de poderes do primeiro procurador ao atual. Título original: Instituciones Del proceso civile. A doutrina italiana atual afirma: "Os atos levados a cabo pelo defensor ativo e as razões expostas pelo defensor-consultor no lugar da parte têm efeito como se proviessem da própria parte. ainda mais observando que o atual representante legal do Embargante é também seu representante em diversas outras ações. PROCURAÇÃO. .

há que se considerar também os artigos ___ do Código Civil. Súmula . CPC. (TERMINAR – MELISSA) . etc.Porém. caso não seja este o entendimento dos colendos julgadores.. artigo 13..

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