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O RECURSO CONTENCIOSO

 
Tabela de Modelos processuais e meios processuais
1. Generalidades
1.1. Designação do recurso
1.2. Natureza do Recurso
1.3. Finalidade do Recurso
1.4. Objecto do Recurso
1.5. Fundamentos do Recurso
1.6. Efeitos do Recurso
2. Pressupostos processuais
Indice

2.1. Pressupostos relativos ao tribunal,


2.2. Pressupostos relativos às partes,
2.3. Pressupostos relativos ao processo
2.4. Pressupostos relativos ao objecto do recurso.

3. Tramitação processual
1. Generalidades

1.1. Designação do recurso


Chama-se recurso porque visa impelir o tribunal a pronunciar-se sobre uma
anterior decisão (embora administrativa)
Designação problematica = envolve Poder Adto e Poder Judicial. Alguns
sistemas designam por acção administrativa especial
1.2. Natureza do Recurso
O recurso contencioso é de “mera legalidade: art. 32 e sgts
A sentença limita-se a dizer se o acto é ou não válido e, consoante a natureza
da invalidade, anula-o ou declara-o nulo. Pode ser, declara a sua inexistência,
É meramente declarativo. Não vai além disso. Não é de plena jurisdição (por
exemplo, não impõe à Administração deveres de actuação de facere ou não
facere).
Pode pelo contrario, determinar-se a prática do acto devido ou a condenação
da Administração em indemnização por perdas e danos, circunstâncias que,
aí, o tornam próximo de um contencioso de plena jurisdição.
1.3. Finalidade do recurso

O recurso, é declarativo e não constituitivo. Apenas tem por omissão a


declaração de nulidade do acto, a sua anulação e, em casos mais raros, a
declaração de inexistência jurídica
1.4. O objecto do recurso

O que está no centro do recurso é o acto administrativo (Ex: Autorização,


Revogação, alteração, cancelamento, etc), tal qual ele se apresenta
definido no art. 53.o da LPAC , seja uma decisão procedimental, ou esteja
contido em acto legislativo ou regulamentar.

Não e um AA: informações, pareceres, propostas (actos


internos)
5. Fundamentos do recurso

Os fundamentos do recurso são as circunstâncias que constituem a causa


de pedir e, por isso mesmo, os factos e razões por que é formulado o
pedido de invalidade ou de inexistência jurídica do acto. São os chamados
vícios do acto (v.g. o acto está viciado de incompetência do seu autor ou
padece do vicio de desvio de poder etc): art. 34o do LPAC.
6. Efeitos do recurso

O recurso contencioso, geralmente, não tem efeito suspensivo (art. 36.o,


n.01, do LPAC). Logo, o acto administrativo pode ser dado à execução pela
Administração sem ter que aguardar pelo termo do processo. É a regra.
Excepções: Se estiver em causa o pagamento de uma quantia pecuniária -
que não tenha a natureza de sanção disciplinar o interessado (art. 36, n.2
LPAC)
2. Pressupostos Processuais

 São pressupostos, assim chamados, porque representam uma qualidade


que é preciso previamente observar para que o tribunal possa
realmente apreciar o direito invocado pelo impetrante (recorrente
contencioso, pois é desta espécie processual que ora tratamos).
 São eles os relativos: ao tribunal, às partes, ao processo, ao objecto do
recurso.
2.1 – Pressupostos relativos ao tribunal
 A competência: é o único pressuposto relativo para tribunal, embora se desdobre
em vários critérios de aferição. (Lei n.24/2013, de 01 de dezembro)
 - A competência para o julgamento das questões do contencioso é de ordem pública
e seu conhecimento procedeu de outras matérias. Daí que, quando o juiz tem que
apreciar matéria exceptiva, deve começar sempre pela competência. (art. 6 LPAC)
 - A competência fixa-se no momento em que o recurso é interposto, salvo
disposição em contrário, são irrelevantes as modificações de facto e de direito que
ocorram posteriormente.
 Critérios da competência: São vários os critérios da competência, que podem variar
consoante a matéria em questão, o local da prática do acto, a hierarquia dos
tribunais, o valor do processo (???).
 
 A preterição de tribunal arbitral
 O tribunal é o único órgão judiciário com competência para exercer o
poder jurisdicional
 Todavia , a resolução de litígios pode ser feita por entidades não
jurisdicionais, desde que as partes envolvidas assim o tenham
previamente convencionado. No Contencioso Administrativo tal
possibilidade também está contemplada: (art. 202, 203 e 204 da LPAC)
 a sua competência confina-se aos litígios sobre contractos
administrativos , sobre a responsabilidade da Administração por danos
decorrentes de gestão pública
 A competência é excepção dilatória e de conhecimento oficioso (e
prioritário. A sua falta implica o indeferimento liminar.
 Dto comparado: A sua falta implica a remessa oficiosa ao tribunal
competente da ordem da Macau (art. 33.o do CPC) e não, como
geralmente sucede com outras excepções, ao indeferimento ̸ rejeição
liminar,
 2.2- Pressupostos relativos às partes
 Diz respeito ao PP da “Estabilidade subjectiva da instância”, enquanto
princípio, e “das partesˮ, supra. (art. 9 LPAC)
 São regra geral, pressupostos que assentam nas características que o
CPC já define para todos processos de natureza cível, embora se
detectem aqui algumas notas especiais, sobre tudo na legitimidade.
 A personalidade judiciária
 É a susceptibilidade de ser parte num processo: art. 39.o, n.o 1, do CPC.
Corresponde geralmente à personalidade jurídica (cfr. arts. 63.o e 65.o do
Cod. Civil). Por isso se diz que quem tiver personalidade jurídica tem
igualmente personalidade judiciária: art. 39.o, n.o 2, do CPC.
 A personalidade jurídicas consiste na possibilidade de requerer ou de
contradizer a querida, em seu nome, qualquer das providências de
tutela jurisdicional reconhecida na lei (Antunes Varela, “ Manual”, pág.
101).
 A legitimidade Também é excepção dilatória e de conhecimento oficioso
(art. 414.o do CPC). A sua falta, se detectada logo no início pelo juiz,
conduz à rejeição liminar (arts. 58, n.2, alinea b) da LPAC) ou à
absolvição da instância, ou à rejeição, consoante a posição que se tome
sobre o tema.
 A capacidade judiciária
 É a susceptibilidade de alguém estar, por si próprio, em juízo: art. 43.o,
n.o 1, do CPC.
 Normalmente, é um pressuposto que se aplica sobretudo às partes
particulares, pois é relativamente a estas que se costumam colocar
questões de existência de personalidade jurídica a que não corresponde
uma capacidade de exercício efectivo do direito no tribunal sozinho ou
desacompanhado.
 Não dispõem dela os menores, interditos e inabilitados, cuja
incapacidade, portanto, tem que ser suprida por alguém que os
represente em tribunal (arts. 44.o e sgs. do CPC; 113.o, 123.o, 136.o e
137.o do CC).
 O patrocínio
 Trata-se aqui de representação técnica, e não forma de suprimento de
incapacidade judiciária, entenda-se.
 É obrigatória a constituição de advogado no recurso contencioso, vide o
art. 8, N.1 da LPAC: 1ª Secção do TA, Secção de contas, e Plenario. (Para
todos sujeitos processuais).
 A petição deve ser assinada por advogado.
Dto comparado Macau: No que respeita aos órgãos administrativos a
solução não tem que ser essa: a contestação pode ser assinada por
licenciado em direito com funções de apoio jurídico, expressamente
designado para o efeito: art. 4.o, n.o 3, do CPAC.
 A legitimidade
 A legitimidadeé uma qualidade processual das partes (que, como vimos,
têm que dispor previamente de personalidade e capacidade judiciárias)
sem a qual não podem ir ao processo discutir a causa concreta , por não
serem sujeitos da relação material controvertida, tal como ela é
configurada pelo recorrente.
 A legitimidade activa
 É aquela que se refere às pessoas que podem interpor recursos
contenciosos. Está prevista no art. 44.o do LPAC.
 Manifesta-se de dois modos:
 Primeiro: Podem ser recorrentes os que se digam ser titulares de direitos
subjectivos ou interesses legalmente protegidos que tenham sido
lesados pelo acto recorrido; “ouˮ
 Segundo: Podem ser recorrentes os que aleguem ter um interesse
directo pessoal e legítimo no provimento do recurso.
 Tradicionalmente, a legitimidade activa em direito administrativo ficava-
se pelo segundo quadro de situações , na esteira do professor Marcelo
Caetano. Posteriormente, o conceito evolui e passou a incluir a
titularidade de direitos e interesses lesados.
 Litisconsorcio activo ???
 Ligitimidade na acção popular ???
 A legitimidade passiva
 Em primeiro lugar, alegitimidade passiva é conferida ao órgão que tiver
praticado o acto impugnado: art. 49.o , 1.a parte LPAC
 Em segundo lugar, é atribuída ao órgão ou entidade que, por alteração
legislativa ou regulamentar, tiver sucedido ao órgão anteriormente
competente. Este caso vale, em especial, para as situações de extinção
de órgão anterior e sua substituição por outro diferente: art. 49.o, 2.a
parte LPAC
 A ilegitimidade é excepção dilatória e de conhecimento oficioso (art.
414.o do CPC). A sua falta, se detectada logo no início pelo juíz, conduz á
rejeição liminar (arts. 58, n.2, alinea g) LPAC).
2.3- Pressupostos relativo ao processo
A cada pretensão há-de caber um meio contencioso a apropriado. E a quilo
a que se chama o principio de tipicidade das formas processuais (art. 4, n.2
da LPAC) noutra formulação, principio de adequação formal
Quer dizer, em caso nenhum pode o tribunal deixar de decidir o caso que
lhe é posto por razões ligadas á forma de processo porque assim também o
exige o princípio tutela jurisdicional efectiva a que também já nos
referimos noutra ocasião ???
 Quando o interessado escolhe um meio que não é o adequado ao fim
tido em vista, costuma dizer-se que incorreu em erro na forma de
processo (ver art. 145.o do CPC).Vieira de Armando não aceita de bom
grado a designação de erro na forma de processo enquanto pressuposto
processual.
 Contudo, embora o LPAC não o inclua no elenco das causas de rejeição
liminar do recurso contencioso (ver art.58.o), a verdade é que a trata
como pressuposto processual comum a todos os meios contenciosos,
cuja falta será sancionada com a rejeição liminar (ver art. 59.o, n.o1,
alinea b) LPAC ).
 Tempestividade
 A tempestividade refere-se ao tempo de que o interessado dispõe para
pedir ao tribunal a tutela jurisdicional . Por outras palavras, refere-se ao
prazo de que o interessado goza para exercer o seu direito ao recurso.

 Não se deve confundir a intempestividade com extemporaneidade,


como muitas vezes temos visto isto. A extemporaneidade qualifica a
apresentação “para lá do tempo” (excedendo o limite);
Art. 37 e sgts do LPAC ( Varia em função da natureza do vicio do aa)
Caducidade do direito do Recurso – art. 58, n.2, alinea i) LPAC
2.4- Pressupostos relativos ao objecto do recurso
A recorribilidade
Vieira de Andrade não trata da questão como pressuposto autónomo,
uma vez que a desdobra em várias vertentes, integrando-a outros
pressupostos, tais como a pronúncia administrativa prévia necessário ou a
competência.
 A recorribilidade desdobra-se em vários aspectos e deles cuidaremos
separadamente, já de seguida.
 1.o Acto produtor de efeitos externos
 2.º Recurso Hierarquico necessária
 3.o Acto administrativo contido na lei ou no regulamento
 4.o Acto de execução ou de aplicação
 5.º o Indiferimento tacito
3 . Tramitação processual do
Recurso Contencioso
VIDE