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EXAME FÍSICO

Sistema musculoesquelético

Profa. Ma. Renata Paula Fabri


Sistema musculoesquelético

Para a realização do exame do sistema


musculoesquelético utiliza-se as técnicas
de inspeção, palpação óssea, palpação dos
tecidos moles por segmentos, grau de
mobilidade e exame da força motora e
sensibilidade (neurológico).
Comparar bilateralmente.
Sistema musculoesquelético

O tecido ósseo é um forma rígida de tecido


conjuntivo que forma a maior parte do
esqueleto. O sistema esquelético é
formado por 200 ossos no adulto, que
constituem a estrutura de sustentação do
corpo.
Funções do esqueleto
• Suportar os tecidos circunjacentes;
• Proteger os órgãos vitais e outros tecidos moles do
corpo;
• Auxiliar no movimento, fornecendo inserção aos
músculos e funcionando como alavanca;
• Produzir células sanguíneas. Essa função
hematopoiética ocorre da medula vermelha do
osso;
• Fornecer uma área de armazenamento para sais
minerais, especialmente fósforo e cálcio, que
suprem as necessidades do corpo.
Classificação dos ossos
• Ossos longos: epífise (extremidades); diáfise de
tecido compacto; maior esforço. Ex.: fêmur.
• Ossos curtos: parecidos com cubo, encontrados no
pé e nos pulsos. Ex.: ossos carpo e do tarso.
• Ossos planos: encontrados onde há a necessidade
de proteção das partes moles do corpo ou de
intensa inserção muscular. Ex.: frontal, parietal.
• Ossos irregulares: formas complexas e não podem
ser agrupados em nenhuma das categorias prévias.
Ex.: vértebras.
• Ossos sesamoides: pequenos e arredondados. Ex.:
patelas.
• O periósteo é uma bainha de tecido conjuntivo que
reveste a superfície externa dos ossos, exceto as
superfícies articulares. O periósteo é ligado ao osso
por fibras colágenas que penetram na matriz
subjacente.
• Endósteo é uma membrana fina e delicada que
reveste todas as cavidades ósseas. Possui
capacidade hematopoiética e osteogênica.
• Medula amarela é um tecido conjuntivo que
consiste em células adiposas, sendo encontrada com
mais frequência nas diáfises dos ossos longos, na
cavidade medular.
Articulações

• A articulação é o local de união de dois ou mais


ossos. As articulações são as unidades funcionais
do sistema musculoesquelético, pois possibilitam
a mobilidade necessária para a realização das
atividades da vida diária (AVD).
• São classificadas em três grupos de acordo com o
grau de movimento que permitem:
• Sinartroses (imóveis);
• Anfiartroses (ligeiramente móveis);
• Diartroses ou sinoviais (movimentos livres).
Articulações
Articulações
• As articulações sinoviais são livremente móveis,
pois os ossos que as compõem estão separados
uns dos outros e envolvidos na cavidade articular.
Esta cavidade é preenchida com um líquido
lubrificante denominado líquido sinovial. Nas
articulações sinoviais, uma camada de cartilagem
hialina recobre a superfície de ossos opostos. A
cartilagem atua como uma camada protetora aos
ossos e propicia uma superfície lisa que facilita os
movimentos. A articulação é circundada por uma
cápsula fibrosa e sustentada por ligamentos.
• Ligamentos são faixas de tecido fibroso que ligam
um osso a outro, reforçando a articulação e
evitando o movimento em direções indesejáveis.
• As bursas são bolsas preenchidas com líquido
sinovial viscoso muito parecidas com uma
articulação. As bursas se localizam em áreas
potenciais de fricção (p. ex., bursa subacromial do
ombro, bursa pré-patelar do joelho) e auxiliam no
deslizamento suave dos músculos e tendões sobre
o osso. Os músculos esqueléticos são fixados aos
ossos por meio dos tendões, que são cordões
fibrosos resistentes.
Anamnese
• Idade: doenças comuns em determinadas
fases da vida como displasias ósseas em
neonatos ou nos primeiros anos de vida, e
osteoporose, comum da terceira idade.
• Sexo: determinadas doenças acometem com
maior frequência o sexo masculino como a
osteoporose predomina no sexo feminino.
• Raça: anemia falciforme é predominante na
raça negra, tendo como complicação a necrose
avascular da cabeça femoral.
• Profissão: lesões por esforço repetitivo (LER)
ou doença do trabalho (DOT).
Anamnese
• Destacar informações como: data de
aparecimento da queixa, velocidade de
progressão, relação de fatores de
melhora e piora da queixa, relação com
qualquer trauma, localização da dor e
sua irradiação, caraterísticas da dor,
deformidades, história de falseios e
bloqueios, incapacidade ou limitação de
movimentos, rigidez articular, paralisias,
alteração de sensibilidade.
SEMIOTÉCNICA DO
SISTEMA
MUSCULOESQUELÉTICO
Como avaliar o sistema musculoesquelético????
• A avaliação musculoesquelética pode ser realizada como um exame à
parte ou integrada a outras partes de um exame físico completo.
• Avaliar os movimentos do paciente enquanto realiza outros cuidados de
enfermagem, tais como o banho ou a mudança de decúbito.
• A avaliação da função musculoesquelética é direcionada na determinação
da amplitude do movimento articular, da força e do tônus muscular e das
condições das articulações e da musculatura.
• A avaliação da integridade musculoesquelética é especialmente
importante quando um paciente relata dor ou perda da função em uma
articulação ou músculo. Por serem as doenças musculares geralmente
resultado de doença neurológica, você pode escolher realizar uma
avaliação neurológica simultânea.
• Enquanto examina a função musculoesquelética do paciente, visualize a
anatomia óssea, o posicionamento muscular e a estrutura articular.
• As articulações variam em graus de mobilidade, dependendo do tipo de
articulação.
• Para um exame completo, exponha os músculos e as articulações de
forma que estejam livres para se movimentar. Coloque o paciente
sentado, na posição horizontal, ou de pé enquanto avalia grupos
musculares específicos.
Dados objetivos

• Inspeção e palpação de articulações integradas


com cada região corporal;
• Observação da amplitude de movimento (ADM)
quando a pessoa realiza movimentos
completos necessários para um exame;
• Métodos de triagem específicos para a idade;
p. ex., triagem de escoliose em adolescentes;
• Um exame musculoesquelético completo, é
apropriado para pacientes com doença
articular, com histórico de sintomas
musculoesqueléticos ou quaisquer problemas
relacionados à AVD.
Dados subjetivos
• Articulações: Dor, rigidez, edema, calor local e
limitação de movimento;
• Músculos: Dor (cãibras) e fraqueza;
• Ossos: Dor, deformidade, traumatismos (fraturas,
entorses, luxações);
• Avaliação funcional (AVD): Qualquer deficiência no
próprio autocuidado durante o banho, no uso do
toalete e nas ações de se vestir, se arrumar, se
alimentar, se comunicar e se movimentar. Uso de
equipamento para auxiliar a mobilidade;
• Cuidado centrado no paciente: Riscos ocupacionais,
levantamento de material pesado, movimentos
articulares repetitivos, tipo de exercícios, ganho de
peso recente.
SEQUÊNCIA
DO EXAME
INSPEÇÃO
• Observar a marcha;
• Solicitar que paciente caminhe em linha reta e retorne
ao ponto de origem;
• Como se senta e se levanta;
• Avaliar se arrasta o pé, se manca ou tropeça, e
observar o tronco em relação às pernas;
• Observar alinhamento entre quadris e ombros;
• Observar lateralmente as curvas cervical, torácica e
lombar;
• Idosos tendem a assumir uma postura curvada para
frente, com quadris e os joelhos um pouco
flexionados e os braços dobrados nos cotovelos,
elevando os nível dos braços;
• Tamanho, deformidade, aumento ósseo, alinhamento
e simetria dos membros, massa muscular.
INSPEÇÃO
Exame da força muscular: a força muscular
pode ser avaliada solicitando-se ao paciente
algumas atividades, como:
• O aperto de mão fornece indicação da
capacidade de preensão;
• O bíceps pode ser testado pedindo-se ao
paciente que estenda plenamente o braço e
depois flexione, enquanto se aplica resistência
dificultando a flexão do braço; para testar a
força motora nos membros inferiores, aplica-
se uma resistência na altura do tornozelo e
solicita-se ao paciente que eleve a perna.
INSPEÇÃO
A mobilidade pode ser ativa ou passiva:
• A mobilidade ativa é aquela pela qual o paciente
consegue movimentar-se com sua própria força, pela
ação ativa da musculatura.
• A mobilidade passiva é realizada pelo examinador,
sem a participação do paciente (a ausência total de
participação é difícil, porque a maioria dos pacientes
tenta auxiliar as manobras).

Deve ser avaliado, incialmente, com a movimentação


ativa. Se o paciente apresentar alguma alteração, o
examinador pode e deve interferir com os movimentos
passivos, a fim de detectar a extensão e a causa dessa
alteração.
Anormalidades posturais comuns
• Cifose (corcunda): exagero na curvatura posterior da
espinha torácica.
• Lordose: aumento da curvatura lombar.
• Escoliose: curvatura da espinha lateral.
Marcha
• A função primordial da marcha é locomover o
corpo de um ponto a outro por um ciclo
dividido em duas fases: fase de apoio (quando
o pé entra em contato com o solo e suporta o
peso do corpo) e a fase de balanço (quando o
membro sofre o avanço do movimento).
• A marcha depende de vários mecanismos para
que ocorra o equilíbrio. As alterações
dependem do tipo de lesão, que poder ser
neurológica, ortopédica e reumatológica.
Marcha
• O exame da marcha deve ser realizado
durante a deambulação normal. Na marcha
normal, os músculos abdutores da
extremidade sustentadora do peso do corpo se
contraem e mantêm a pelve de ambos os
lados no mesmo nível, levemente elevado,
para garantir o equilíbrio do tronco. Quando há
alguma alteração em uma das articulações, o
músculo se modificará, podendo levar a um
passo mais curto, e a fase de apoio terá menor
duração.
Marcha
• Deve-se observar como o paciente se levanta,
se usa ou não os braços para essa atividade,
se necessita de auxílio, se usa prótese, órtese,
bengala ou andador.
• Deve-se observar o contato dos pés com o
solo, a posição, os movimentos do centro de
gravidade e a força necessária à marcha
Desvio de Marcha
A articulação afetada permanece em flexão durante a fase
de apoio. O paciente apresenta postura compensatória à
Marcha do
hiperlordose lombar, enquanto o pé torna-se equino. O
quadril
corpo pode se inclinar em direção ao quadril afetado e
doloroso
ficar equilibrado nessa posição, aliviando o espasmo
muscular.
É observada em pacientes portadores e anquilose ou
Marcha artrose. Ocorre com um movimento combinado de
unilateral do membro inferior, pelve e coluna lombar, no qual a pelve e
quadril o membro inferior são projetados para a frente, como se
fossem uma só peça.
Marcha da Durante a fase de apoio do membro luxado, o corpo
luxação inclina-se para o lado afetado e, no momento de deslocar
unilateral ou este membro do solo, o tronco em sua totalidade efetua
bilateral do uma inclinação exagerada para o lado oposto, com o
quadril objetivo de levar para a frente o referido membro.
Desvio de Marcha
Encurtamentos de 1 a 2 cm não alteram muito os
Marcha com
tempos e as formas da marcha. Encurtamentos maiores
encurtament
são compensados pela posição do equinismo do pé.
o de um
Quando é muito grande, além do equinismo, observa-se
membro
uma pronunciada descida da hemipelve correspondente
inferior
durante o apoio do referido membro.
Como o paciente não pode fletir o joelho na fase de
Marcha na
passagem do membro posterior para o anterior, eleva
rigidez do
demasiadamente o quadril no lado acometido, para que
joelho
o pé possa se deslocar.
O contato do pé com o solo faz-se de uma só vez e na
Marcha na
fase e na fase de impulso. Não podendo ficar na ponta
rigidez do
do pé, o paciente flete demasiadamente o joelho para
tornozelo
processar o passo.
INSPEÇÃO DAS ARTICULAÇÕES

• Volume articular (edema): são decorrentes


de derrames, espessamento dos tecidos
sinoviais e das margens ósseas da articulação.
Acompanhar a evolução do processo
inflamatório ou traumática.
• Deformidade: resulta do mau alinhamento dos
ossos que constituem a articulação ou das
alterações do relacionamento entre as
superfícies articulares.
• Rigidez articular (movimentos articulares):
rotação interna e externa, inclinação lateral,
flexão, extensão, abdução, adução.
INSPEÇÃO DAS ARTICULAÇÕES
• Durante a inspeção pedir para o paciente ficar de
frente, observando incialmente as mãos e
colocando-as sobre uma superfície plana, com o
objetivo de identificar alterações como
deformidades, edema, dor, rigidez articular,
presença de nódulos ao longo das bainhas
tendíneas, especialmente o tendão flexor, que
pode resultar no dedo em gatilho.
• A atrofia produz depressões entre os tendões
extensores.
• Na parte interna da mão, avaliar volume
muscular, atrofias, fraqueza unilateral ou bilateral
e sensibilidade de tato bilateralmente.
INSPEÇÃO DAS ARTICULAÇÕES
• A articulação do cotovelo deve ser examinada com
o antebraço em extensão e, depois, em flexão.
Deve-se observar a presença de intumescência ou
nódulos.
• No ombro verificar simetria e o contorno, assim
como a presença de nódulos. As anormalidades
podem ser causadas por deslocamento ou fraturas.
• As articulações do quadril, dos joelhos e dos
membros inferiores, iniciar com o paciente de pé,
observando postura, encurtamento de uma das
pernas, dificuldade em abduzir o membro inferior,
distrofias musculares.
• Teste de Trendelenburg: paciente de pé com uma
das pernas, depois com a outra – pelve desce.
INSPEÇÃO DAS ARTICULAÇÕES
• A articulação do joelho deve ser observada quanto à
simetria, forma e volume. Avaliar em extensão e flexão,
observando queixa de dor, edema, nódulos.
Espessamento da sinóvia e derrame intra-articular.
• Na articulação do tornozelo verificar a flexão plantar e a
dorsiflexão, incluindo a amplitude.
• Edemas de extremidades bilaterais podem estar
relacionados a doenças cardíacas, renais ou hepáticas.
Unilateral, pode estar relacionado à trauma.
PALPAÇÃO
• Aplicar uma palpação delicada em todos
os ossos, articulações e músculos da
periferia durante um exame completo.
• Na avaliação direcionada, apenas
examine a área envolvida.
• Anotar qualquer aquecimento,
sensibilidade, edema ou resistência à
pressão.
• O paciente não deve sentir qualquer
desconforto enquanto ocorre a palpação.
• Músculos devem ser firmes.
Amplitude de movimentos
Amplitude de movimentos
Goniômetro
Tônus e resistência muscular
Áreas a serem examinadas

• Coluna cervical
• Ombros
• Punho e mão
• Quadril
• Joelhos
• Tornozelos e pés
Referências