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CENTRO UNIVERSITÁRIO MOASYR SREDER BASTOS

A influência de René Descartes e John Locke na construção do mundo


moderno

Trabalho apresentado sob a orientação


do Prof°. Vladmir Luft.
Nome: Eleutério Gustavo C. Alecrim
Mat.: 20510025
Curso: História Moderna II

Rio de Janeiro – 2006


Introdução

Ao realizar este trabalho, procuramos primeiramente confrontar e analisar a vida e a


obra destes dois filósofos iluministas, encontrando as principais características e idéias que
de certa forma uniram o modo de pensar e filosofar de René Descartes e John Locke.
Procuraremos também, tentar entender o período no qual eles viveram e observar a
contribuição que ambos prestaram no que diz respeito ao processo histórico do mundo
moderno diante ao período das ilustrações.

Vida

Tanto Descartes quanto Locke, partiram de famílias importantes, um nasce com o


título de nobre enquanto John Locke descendente de uma família burguesa integrada ao
parlamento inglês, separados pelo tempo e também pelo espaço. Descartes nasce em 1596
na França e Locke em 1632 na Inglaterra, apessar de adquirirem suas formações em locais
totalmente distintos (Descartes em um colégio Jesuíta – La Flèche - e Poitiers e Locke em
westminster e o Christ Church College, mais tarde Oxfort), ambos discordavam do método
filosófico escolástico aplicado, buscando o método do empirismo como construtor da
filosofia.

“Assim que a idade me permitiu sair da sujeição


a meus preceptores, abandonei inteiramente o estudo
das letras; e resolvendo não procurar outra ciência que
aquela que poderia ser encontrada em mim mesmo ou no
grande livro do mundo, empreguei o resto de minha
juventude em viajar, em ver cortes e exércitos, conviver
com pessoas de diversos temperamentos e condições".1

“Locke não parte, realisticamente, do ser, e


sim, fenomenisticamente, do pensamento. No nosso

1
CUNHA, Silveira Eliel e CARDOSO, Fernanda. Os Pensadores In – DESCARTES, René O Discuso do
método. Editora Nova Cultural, 2004. Sp.
pensamento acham-se apenas idéias (no sentido genérico
das representações): qual é a sua origem e o seu valor?
Locke exclui absolutamente as idéias e os princípios que
deles se formam, derivam da experiência; antes da
experiência o espírito é como uma folha em branco, uma
tabula rasa.2

Contexto

René Descartes pertencente a nobreza, onde sua família era grande proprietária de
terras, vive o período de intensa transformação na Europa, principalmente no ponto de vista
religioso, com o crescimento do protestantismo e a fortificação do sistema monárquico. O
contexto político ao qual está inserido contribuirá substancialmente na formação de sua
filosofia. Perído ao qual o Cardeal Richelieu após a morte de Henrique IV em 1624 passa a
tomar parte no conselho do rei, atuando de forma coercitiva. Este adota medidas favoráveis
a classe burguesa, atribuindo privilégios e monopólios aos negociantes e manufatureiros.
Já Locke, irá Ter como cenário de vida, a restauração inglesa, e a transformação do
governo Inglês, participando da vida social, política e intelectual da época. Irá conhecer o
Lord Ashley, que futuramente será conhecido como conde de Shaftesbury, uma figura
política chave da corte de Carlos II Este fato fará com que as idéias de Locke voltem-se
para a política e as formas de governo.

Atuação

Descartes volta-se para o estudo das ciências objetivando encontrar um método que
da mesma forma que as ciências matemáticas utilizavam da razão para obterem suas
teorias, este método podesse ser aplicado às ciências sociais, primordialmente na filosofia.
Descartes utilizará como início de sua busca as idéias de Montaigne em relação ao
ceticismo onde dizia que as “verdades” eram inflenciadas pelos fatores sociais, pessoais e
culturais.

2
http://www.mundodosfilosofos.com.br/locke.htm
“Descartes alcançava então o desvelamento de
sua missão filosófica: certo de que existia um acordo
fundamental entre as leis matemáticas e as leis da
natureza, conclui que cabe a ele a tarefa de reviver e
atualizar oantigo ideal pitagórico de desvelar a teia
numérica que constitui a alma do mundo, abrindo a via
para o conhecimento claro e seguro de todas as
coisas.”3

John Locke irá atuar mais profundamente no campo político, trazendo a tona várias
interpretações historiográficas à seu respeito. Na qual podemos citar MACPHERSON, A
teoria política e a possessivo individualismo, Oxford, 1962. “No qual visualiza Locke
como um burguês que desarrola os sentimentos do Individualismo possessivo que
caracteriza o homem econômico do capitalismo moderno. Cabe ressaltar que as discussões
em torno da figura de John Locke, surgem do questionamento sobre o que Locke objetivara
alcançar com realização de seus escritos.

Contribuições

René Descartes realiza entre outras obras, em 1637 a publicação de três tratados:
Dióprica, os Metoros e a Geometria que têem como prefácio o Discours de la Méthode
pour bien Conduire Sa Raison et Chercher la Vérité à travers les Sciences (Discurso do
método para conduzir a razão em busca da verdade nas ciências), cujo este prefácio
revolucionará o método científico mediante a busca da verdade, tomando como base a
observação na natureza, através da dúvida sistemática, onde para conhecer é preciso
duvidar.

3
CUNHA, Silveira Eliel e CARDOSO, Fernanda. Os Pensadores In – Vida e Obra. Editora Nova Cultural,
2004. Sp. (p.14)
“A verdade é que , ao limitar-me a observar os
costumes dos outros homens, pouco encontrava que me
satisfizesse, pois percebia neles quase tanta diversidade
como a que notara anteriormente entre as opiniões dos
filósofos. De forma que o maior proveito que daí tirei foi
que, vendo uma quantidade de coisas que, apesar de nos
parecerem muito extravagantes e ridículas, são
comumente recebidas e aprovadas por outros grandes
povos, aprendi a não acreditar com demasiada
convicção em nada do que me havia sido inculcado só
pelo exemplo e pelo hábito; e, dessa maneira, pouco a
pouco, livrei-me de muitos enganos que ofuscam a nossa
razão e nos tornar menos capazes de ouvir a razão.”4

John Locke, com grande influência de John Owen, Renés Descartes, Francis Bacon
e Robert Boyle, vai contribuir conforme já antecipado acima, na esfera política, e também
religiosa, sendo nomeado por alguns historiadores, como crítico do adsolutismo Inglês e o
grande precursor do liberalismo político e religioso. Defendendo que a sociedade resolveria
seus problemas com a mínima intervensão do estado. Locke, como os liberais em geral,
estava preocupado em diminuir os poderes dos governos.

“Libertad absoluta, libertad justa y verdadera,


libertad igual e imparcial; es de lo que tenemos
necesidad. Ahora bien, aunque se haya hablado mucho,
sim embargo yo dudo de que esto haya sido bien
comprendido; y esoy convencido de que no há sido
practicado ni por los gobernantes com el pueblo en
general ni por los disidentes entre ellos.”5

4
CUNHA, Silveira Eliel e CARDOSO, Fernanda. Os Pensadores In – DESCARTES, René O Discuso do
método. Editora Nova Cultural, 2004. Sp. (p. 42)
5
LOCKE, John. Carta Sobre La Tolerancia.
Referências Bibliográficas

- CUNHA, Silveira Eliel e CARDOSO, Fernanda. Os Pensadores In – DESCARTES,


René O Discuso do método. Editora Nova Cultural, 2004. Sp.

- LOCKE, John. Carta Sobre La Tolerancia.

- CAMPOS, Raymundo. História Geral 2, Atual, 1991, Sp.

- JACKSON, W.M. Enciclopédia prática Jackson, Brasileira, 1996, Sp.

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