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avaliação neuropsicologica Transtorno conduta

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TRANSTORNO DE CONDUTA: CONTRIBUIÇÕES DA NEUROPSICOLOGIA PARA O DIAGNÓSTICO

Paulla Fernandes Di Moura Pacheco Pontifícia Universidade Católica de Goiás paullapacheco@yahoo.com.br Glauce Karine Conti de Freitas, Es.

1. Introdução Ao longo do desenvolvimento normal da criança e do adolescente alguns comportamentos como agressividade, brigas com os irmãos, desobediência e vandalismo podem ser observados pelos pais e professores (KOCH; GROSS, 2005). Outras manifestações comportamentais frequentemente percebidas dizem respeito aos atos de mentir, roubar e matar aula (BORDIN; OFFORD, 2000). Tais condutas são fontes de intensa preocupação e, muitas vezes, sinônimos de patologia. Diante dos comportamentos mencionados, o patológico deve ser diferenciado da normalidade. Para tanto, é necessário verificar se os mesmos acontecem esporadicamente e isoladamente ou fazem parte de transtornos, onde ocorrem desvios das condutas esperadas para determinada faixa-etária, gênero e cultura (BORDIN; OFFORD, 2000). Comportamentos como os ressaltados são intitulados antissociais e definidos como a violação das regras sociais e dos direitos individuais básicos (EDDY, 2009). De acordo com Bordin e Offord (2000), os mesmos podem ser estudados mediante a criminologia e a psiquiatria. Segundo os aspectos legais ou criminológicos, o delinquente é aquele que não segue as regras e normas impostas pela sociedade e transgride as leis. No entanto, o termo delinquência fica restrito apenas aos menores infratores, já que nem todas as crianças e jovens antissociais transgridem (BORDIN; OFFORD, 2000). A psiquiatria, por sua vez, refere-se a tais condutas como comportamentos incoerentes aos esperados pela sociedade, podendo haver ou não transgressões às leis. Além disso, são enquadradas em transtornos psiquiátricos (BORDIN; OFFORD, 2000).

com ou sem a utilização de instrumentos que possam causar danos físicos (APA. comportamentos agressivos. quando não ocorrem manifestações comportamentais indicativas de um transtorno associado à conduta antes dos 10 anos (APA. roubos em confronto com a vítima. O TC possui dois subtipos. chegando a lutas corporais. furtos. Escapadas noturnas às escondidas. não menos importantes que as anteriores devem também ser consideradas. quando pelo menos um critério diagnóstico é satisfeito antes dos 10 anos e (b) com início na adolescência. ou somente uma vez. Jovens diagnosticados podem demonstrar ainda. mentiras ou rompimento de promessas. quando os critérios diagnósticos para Transtorno de Personalidade Antissocial não são atendidos (APA. entretanto. citado por KOCK. em casos menos comuns. Reagem agressivamente às pessoas que estão próximas. FURTADO. o conjunto de comportamentos antissociais. de permanência fora de casa até altas horas da noite. homicídio (APA. O diagnóstico de TC é traçado ainda na infância e adolescência (SFFOGIA.Partindo de uma perspectiva psiquiátrica. estupro e. fraude. desafiador e desobediente. 2009). provocando. sendo que pessoas com idade superior a 18 anos. GROSS. 2003). com base na idade de início dos sintomas: (a) com início na infância. com objetivo de obter vantagens. . 2003. também ocorrem com certa constância. Em relação à sintomatologia. geralmente observado em crianças préescolares. ameaçando. a referida patologia pode ser considerada como um quadro evolutivo do transtorno desafiador opositivo. Outras características. mesmo com as restrições dos pais. 2003). somente são diagnosticadas. para que as mesmas sejam consideradas sintoma é necessário que tenham ocorrido no mínimo duas vezes. que tende a ocorrer repetidamente e persistentemente é diagnosticado como Transtorno de Conduta – TC. sem o retorno da pessoa por um tempo suficientemente longo (APA. contudo. frequentemente as crianças e os adolescentes expressam a princípio. um padrão comportamental iniciado antes dos 13 anos. O mesmo pode ser compreendido como os comportamentos manifestados constantemente nas interações sociais com figuras de autoridade e que possuem caráter negativista. segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais IV TR – DSM-IV-TR (APA. intimidando e. 2003). 2003). 2005). Para Teixeira (2009). hostil. 2003). entre as quais é possível mencionar: crueldade física com pessoas ou animais. em alguns momentos.

o modelo comportamental demonstrado encontra-se presente em mais de um contexto. com pelo menos um. Em relação às condutas percebidas neste ambiente. à falta de participação e empenho com os compromissos escolares. Vale considerar que. apresentam limitações nas interações interpessoais. na maioria das vezes. arrependimento e remorso perante as atitudes praticadas. presente nos últimos seis meses. as alterações comportamentais manifestadas ocasionam déficits clinicamente significativos no funcionamento global do indivíduo. não é necessário. baixa estima. Estatisticamente. roubos e furtos de objetos pessoais de colegas da sala de aula. Na escola. uso de álcool e drogas e formação de gangues (TEIXEIRA. citado por SUKIENNIK. indivíduos com o referido transtorno possuem a tendência a minimizar a problemática vivenciada. 2003). podese enfatizar: agressividade com os colegas. intolerância. todavia. outro fundamental e bastante característico do transtorno aqui em questão diz respeito à prática de destruir intencionalmente propriedade alheia. não demonstram sentimento de culpa. O DSM-IV-TR (APA. Além disso. na escola e na comunidade. Habitualmente. muitas vezes. bullying. irritabilidade e explosões de raiva comumente encontram-se presentes. está comprometido. para a elaboração do diagnóstico. sendo de poucos amigos. Apesar dos vários sintomas apresentados. Sintomas como. nos últimos 12 meses.5 Além dos aspectos citados. salienta que é preciso que tenham sido manifestados pelo menos três. o que pode ser justificado pelas ausências constantes à aula. citado por SUKIENNIK. acadêmicos e ocupacionais. 2003). podendo se apresentar em casa. 2009). bem como. Com frequência. 1996). que o indivíduo possua todos eles. Acredita-se. 1995. muitas vezes. 2009). Tal prática pode ser vista através de incêndios. ocultando. Ainda de acordo com o DSM-IV (1995. professores e demais funcionários. hostilidade. mediante atos de vandalismo na escola e na comunidade (APA. em termos de porcentagem. mentiras. que 9% dos meninos e 4% das meninas possuem o referido diagnóstico. 1996). ocasionados com a finalidade de gerar sérios prejuízos. destruição de carteiras. o rendimento. os atos praticados (DSM-IV. Todos esses fatores acabam contribuindo para a ocorrência de comportamentos deliquênciais (TEIXEIRA. o TC consiste em uma problemática cuja maior prevalência é no sexo masculino. manifestando. Os garotos tendem a manifestar os sintomas mais . negativismo e oposição. acarretando prejuízos sociais. tanto quanto.

Segundo ele. Eddy (2009) sugere a ocorrência de alguns transtornos associados ao TC. como na maioria das patologias psiquiátricas. Com base em suas pesquisas. alto grau de distraibilidade. em sua grande maioria. Além disso. transtornos de ansiedade. Bordin e Offord (2000) encontraram dados que indicam que. enquanto 33% ocorrem simultaneamente com transtornos que envolvem as emoções (ansiedade. 43% dos casos estão associados ao TDAH. no TDAH. . englobando. torna-se comum o envolvimento com álcool e drogas. é variável. obsessão-compulsão). nível rebaixado de escolaridade e prejuízos nos relacionamentos sociais (TEIXEIRA. podendo regredir ou evoluir para algo mais sério na idade adulta. aumentam os riscos de criminalidade. Holmes (1997) afirma que o sintoma de maior relevância é a incapacidade em manter a atenção concentrada. 2009). Em relação às comorbidades. Alguns fatores contribuem para um prognóstico desfavorável. o rebaixamento intelectual e econômico. Já as comorbidades com ansiedade e depressão acontecem principalmente na adolescência.precocemente. condutas delituosas. enquanto as garotas tendem a apresentá-los entre os 12 e 16 anos (TEIXEIRA. envolvimento prematuro com o judiciário. o sexo feminino. as patologias comórbidas mais frequentes são: transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH). tendo prevalência no sexo masculino. 2009). assim como. após a puberdade. o que acaba gerando comportamentos disruptivos e impulsivos. 2009). cabe focar a atenção. depressão. como também. emprego mal remunerado ou desemprego. o diagnóstico do transtorno de personalidade antissocial. Considerando a estatística mencionada. hiperatividade e impulsividade que ocorre com maior severidade do que aquele observado ao longo do desenvolvimento natural do indivíduo. O curso deste transtorno. entre os quais é importante considerar a precocidade dos sintomas. a comorbidade com o TDAH é mais encontrada ao longo da infância. sobretudo. Quando os sintomas tendem a persistir. dentre os transtornos comórbidos mais comuns. despreparo ocupacional. Ainda de acordo com os mesmos. entre os 10 e 12 anos. bebidas alcoólicas e uso de entorpecentes e comorbidade com outros transtornos (TEIXEIRA. a ausência de apoio familiar. as crianças diagnosticadas apresentam dificuldade em ouvir instruções e concluir tarefas. transtorno depressivo maior e abuso/dependência de substâncias. Sffogia e Furtado (2009) conceituam o mesmo como um quadro comportamental caracterizado basicamente por desatenção.

de acordo com o DSM-IV-TR (2000. a avaliação neuropsicológica pode ser descrita como o processo investigativo das funções cognitivas e do comportamento. bastante percebidos são: hiperatividade. GILMOR. primeiramente. As etapas da mesma podem ser especificadas da seguinte forma: entrevista inicial com os pais ou responsáveis. MIRANDA.. 2008). é importante conceituar e compreender a ciência em questão. Peuker e Narvaez (2010) afirmam que a neuropsicologia possui grande relevância para as avaliações psiquiátricas.. memória. visto que. Esse tipo de avaliação possui como meta a análise funcional dos processos cognitivos como linguagem. BORGES. da mesma forma que o entendimento global e multidimensional dos déficits cognitivos (LEZAK. meninos diagnosticados com ambos os transtornos apresentam maior probabilidade de necessitar de atendimento especializado a longo prazo. observações lúdicas. 2004. mais especificamente. Enfatiza-se que para tanto é necessário a utilização de métodos de entrevistas e exames quantitativos e qualitativos das funções que envolvem a cognição humana (JOAQUIM. DURAND. 2008). Considerando o tema central deste trabalho. portanto. dificuldade em permanecer sentado e tendência a estar sempre em movimento e impulsividade que envolve dar respostas abruptas sem esperar a pergunta ser concluída e dificuldade em aguardar sua vez. segundo Joaquim (2010). é fundamental salientar a importância da neuropsicologia. A ciência em questão pode favorecer a identificação de lesões cerebrais e também auxiliar na avaliação dos possíveis déficits . citados por BORGES et al. Kapeczinski. da avaliação neuropsicológica para o diagnóstico do TC. 2005. análise e integração dos dados (COSTA et al.6 Outros sintomas. A neuropsicologia. caracterizada por inquietação. exige o seguimento de alguns passos primordiais. citados por MIRANDA. percepção. planejamento da avaliação. é um processo e. citado por BARLOW. Contudo. 2006. Ressalta-se que a ocorrência dos dois transtornos ao mesmo tempo possui implicações futuras relevantes. a fim de auxiliar a compreensão do paciente como um todo. LORING. ROCCA. A avaliação infantil. 2010). 2004. a ocorrência conjunta entre o TC e o TDAH é elevada o suficiente para ser fonte de discussão. tanto em aspectos que envolvem a doença como o desenvolvimento normal. Com base na definição anterior. assim como a do adulto. 2010). sintetizado no título. seleção de instrumentos. tem por finalidade estudar as relações entre a organização cerebral em sua complexidade. visoconstrução e funções executivas. com os comportamentos e as cognições. Segundo Eddy (2009). HOWIESON.

2008).. 2008). citados por ROCCA et al. Estudos apontaram também.cognitivos. percebidos através das habilidades em desempenhar as tarefas solicitadas. associadas ao TC e a delinquência juvenil (KELLY et al. Além disso. através do estudo de caso de um adolescente encaminhado para avaliação neuropsicológica. 1984. DEL PRETTE. apontam as suas contribuições para o diagnóstico de TC (BORGES et al. na percepção das consequências implicadas nas ações e na regulação do afeto (BORGES et al. . Os déficits interpessoais gerados por estes problemas estão diretamente relacionados a um repertório pobre de habilidades sociais no que diz respeito à capacidade de sentir empatia e expressar sentimentos e crenças (DEL PRETTE. 2010). citados por BORGES et al. foram encontrados elementos que sugerem prejuízos na função executiva de indivíduos que demonstram condutas desviantes ao longo da infância. ambientais e de temperamento (BORGES et al. em decorrência de comportamentos antissociais. prejuízos no desenvolvimento das mesmas possuem a tendência a ocasionar problemas comportamentais característicos do TC e comuns a outros diagnósticos psiquiátricos. Com o propósito de ampliar a quantidade de estudos. ocorrem falhas no processo inibitório do controle de impulso. apesar de escassos.. o presente artigo tem por objetivo discutir as contribuições da neuropsicologia para o diagnóstico de TC. Entretanto. uma vez que. as dificuldades neuropsicológicas relacionadas à referida função. Os mesmos podem ser observados através de condutas que incluem: agressividade física e/ou verbal. 2002. VENEZIANO et al... DEL PRETTE. explosividade e comportamentos opositores. acerca da temática aqui abordada e partindo do levantamento bibliográfico exposto... De acordo com os mesmos. Tais achados descrevem ainda. até então limitados. possibilita uma percepção mais acurada dos aspectos comportamentais do indivíduo. 2005. 2008). 2004. numa tentativa de favorecer um melhor entendimento dos aspectos etiológicos do TC. 2010). agitação psicomotora. 2008). EDELBROCK.. 1983. As habilidades sociais também devem ser ressaltadas.. 2005. A utilização de tal método avaliativo tem sido pouco descrito em quadros psiquiátricos iniciados ao longo da infância e adolescência. desafiantes e antissociais (ACHENBACH. DEL PRETTE. a presença de fatores genéticos. estudos desenvolvidos. desatenção e hiperatividade. citados por ROCCA et al. Em pesquisas realizadas. impulsividade.

1. 2002). CONNERS. Trail Making – Formas A e B (REITAN. Instrumentos Na avaliação. de grande relevância para melhor percepção das funções neuropsicológicas do paciente. Edição – WISC III (WECHSLER. 2008) e Figura Complexa de Rey (REY. Desenvolvimento 2. após ato de vandalismo na escola. 2010).8 2. Questionário para hiperatividade para pais Conners (GOYETTE. 1958) e Boston Naming (KAPLAN. .A.. A finalidade da avaliação foi verificar os aspectos neuropsicológicos do adolescente. porém. tais como: Rey Auditory Verbal Learning Test – RAVLT (MALLOY – DINIZ et al. 1983). 2. The Hooper Visual Organization Test (HOOPER.S. 1958/1983). 1998). Fluência semântica por categoria – Animais. foram utilizados roteiro de entrevista (semi-estruturado). jogos de tabuleiro e a aplicação dos seguintes testes psicológicos padronizados: Escala de Inteligência Wechsler para Crianças 3ª. Foi encaminhado para avaliação neuropsicológica por um neurologista. 2000). C. WEINTRAUB. Teste de Desempenho Escolar – TDE (STEIN. 1977). desatenção e hiperatividade. 1998/1999). 2000). LUCARELLI. (SPREEN. D e E (RAVEN. Matrizes Progressivas – Escala Geral – Séries A. Participante Participou do estudo o paciente Rafael1. Teste D2 – Atenção Concentrada (BRICKENKAMP.HTP (BUCK. B. Escala de Stress Infantil – ESI (LIPP. Controlled Oral Word Association – F. ULRICH. Fizeram ainda parte da testagem alguns instrumentos não padronizados. assim como.1. Técnica Projetiva do Desenho . GOODGLASS. nascido em 09/09/1997. 1 O nome utilizado é fictício de forma a preservar a identidade do adolescente atendido. Escala de Transtorno de Déficit de Atenção / Hiperatividade – versão para professores (BENCKZIK. Método 2. a de seus familiares. uma vez que o mesmo apresentava comportamentos antissociais. STRAUSS.1. 2003).1. Durante o período avaliativo tinha 12 anos recém completados e cursava o 6º ano do Ensino Fundamental.2. assim como. 1994). 2005).

A última sessão foi feita com os pais para a entrega e a explicação dos resultados. 2. a gravidez veio ao seu conhecimento quando estava morando em Uberlândia. mesa infantil com três cadeiras. no entanto. Na 1ª sessão. Na ocasião.Os registros das respostas emitidas ao longo das aplicações dos testes. Wisc III. Posteriormente. 2. Figura Complexa de Rey. Hooper. borracha e lápis de cor. Animais. bem como. mesa com duas cadeiras. Os atendimentos ocorreram no Centro de Estudos. RAVLT e questionário para hiperatividade para pais Conners. Para o controle do tempo. conheceu o adolescente somente com quatro .A. com aproximadamente 50 minutos de duração. foi realizada a entrevista com a mãe com a finalidade de identificar a queixa principal e levantar dados relativos à história familiar. Boston Naming.2. A sala contava com ventilação e iluminação natural e artificial. déficit de atenção/hiperatividade e hiperatividade para pais Conners foram analisados individualmente. realizou-se rapport e a hora de jogo. F. não tendo sido planejada pelos pais. caneta. Nas sessões seguintes. da Pontifícia Universidade Católica de Goiás – PUC – Goiás. lápis de escrever. favorecendo a análise das funções neuropsicológicas do paciente. Foi realizada também entrevista com o pai para levantamento de informações complementares.3. assim como as atividades de desenho foram realizadas com o auxílio de folhas de papel A4. dos desempenhos nos diferentes testes e escalas de estresse infantil. A ordem de aplicação dos testes foi: HTP. Trail Making. os mesmos foram avaliados de forma integrada. a Escala de Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade versão professores. utilizou-se o cronômetro. 12 sessões. entrevistas e observações. o desenvolvimento e os comportamentos manifestados pelo filho. foi realizada a coleta de dados. D2. Pesquisa e Prática Psicológica – CEPSI. a mesma foi solicitada a encaminhar à escola. tapete com almofadas e armário com brinquedos e jogos. Foram realizadas. Os atendimentos ocorreram entre os meses de setembro e novembro de 2009. TDE. com o adolescente. Resultados Os dados coletados a partir dos relatos dos pais. 2. Dados da anamnese A concepção do paciente ocorreu após breve envolvimento.1. Procedimento Inicialmente.2. através da aplicação dos instrumentos. Segundo o genitor. Raven.1. ESI. de acordo com as normas de correção de cada instrumento.S.

de acordo com os pais. depressão e não aceitação. tirou todos os objetos do armário. sendo que o médico teve que romper a bolsa. que foi o primeiro filho de ambos. . Enfatiza-se que o mesmo morou com a mãe até aproximadamente os cinco anos. por sua vez. a genitora mencionou que em determinada ocasião. Afirmou ter tentado provocar aborto até os três meses. desde pequeno. Tal acontecimento não ocorreu no colégio onde estudava. A criança. quando demonstrou o desejo de ir morar com o genitor. destrutibilidade (da casa). após de ter sido colocado de castigo. porém. levou-o ao médico. 2 Medicamento utilizado pela mãe. ocorreu normalmente. mencionaram a presença de comportamentos antissociais. quando o viu pela 1ª vez. Em relação aos aspectos comportamentais. Quando indagado sobre tal atitude o mesmo justificou tal episódio como uma tentativa de conciliar o sono. O trabalho de parto durou mais de 24 horas. oposição e rebeldia. A genitora enfatizou que ao longo de sua gestação enfrentou: tensão. ingerindo algumas substâncias que lhe provocavam vômitos. de forma que apenas posteriormente teve um irmão por parte de mãe e uma irmã por parte de pai. Vale considerar. No que diz respeito a problemas de saúde e hospitalizações. os pais relataram que o filho demonstra inquietude desde bebê. Ressaltaram ainda que apresenta desatenção. pois. auto – destrutibilidade já que possui o hábito de se “pinicar” e de ser descuidado consigo mesmo. que havia conhecido há pouco tempo. No entanto. continuou mantendo contatos frequentes com o pai. aos 11 anos retornou para a casa materna. e vandalismo na escola. após este período a gestação transcorreu sem nenhuma intervenção. não havia dilatação suficiente. sim no local de trabalho da avó materna. O desenvolvimento. Rafael ingeriu uma cartela de Bromazepã 2” e após perceber que mesmo estava com as pupilas dilatadas. nasceu saudável. Aos 11 anos. Entretanto. pintou o quadro negro com tinta guache e derrubou as carteiras. não necessitando de atenção especializada. juntamente com um colega de oito anos.anos de idade. mas. mas. uma vez que não deixa nada arrumado e destrói os próprios brinquedos. Além disso. aos 11 anos. veio a aceitar o filho somente após o seu nascimento. tais como: furtos e mentiras.

(b) Hiperatividade / Impulsividade. indicando que o paciente obteve desempenho médio inferior. (c) Problemas de Aprendizagem e (d) Comportamento Antissocial (BENCZIK.2. Escala de TDAH Este instrumento visa avaliar no contexto escolar.2. nota-se escores dentro da média esperada para a idade. Hiperatividade/Impulsividade e Comportamento Antissocial. O paciente apresenta percentis acima da expectativa em Déficit de Atenção.2. execução. os sintomas comportamentais característicos do TDAH.2. organização perceptual. 2002).2. 2000). os índices fatoriais referentes à compreensão verbal. No que diz respeito à Compreensão Verbal e a Resistência à Distração.2. O gráfico de barras abaixo apresenta os percentis obtidos nas escalas: verbal. bem como. total e dos índices fatoriais obtidos no WISC III. no que se .2.2. resistência à distração e velocidade de processamento. Edição tem por objetivo avaliar a capacidade cognitiva de crianças entre 06 a 16 anos e 11 meses. WISC III A Escala de Inteligência Weschsler para Crianças – 3ª. Análise dos testes 2. FIGURA 1 – Gráfico de barras. Os percentis de ambas as escalas. 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 Verbal Execução Total Compreensão Verbal Organização Perceptual Resistência à Distração Velocidade de Processamento 2. Gráfico de barras representa os percentis dos pontos ponderados das escalas verbal.1. São quatro as áreas que devem ser analisadas: (a) Déficit de Atenção. apontam para valores entre 81 e 87. de execução e total. os índices fatoriais. Em contrapartida. Trata-se de 13 subtestes. divididos em dois grupos. organização perceptual e velocidade de processamento. seis fazem parte da escala verbal e sete da escala de execução (WECHSLER.

3. a azul indica a média e a vermelha o mínimo. percebe-se também um desempenho superior a média. novamente. o ponto de corte para um desempenho adequado.4. demonstra a quantidade mediana de todas as etapas do teste e o mínimo. da lista A.2. na recordação. 2. na parte escrita. a suscetibilidade a interferência. Na evocação tardia. Nota-se um escore acima da média para as palavras recordadas após a introdução de um agente distrator. sem que ela seja reapresentada (A6). TDE O Teste de Desempenho Escolar busca avaliar de forma objetiva as capacidades acadêmicas de crianças e adolescentes. 2010). Em contrapartida.refere a Problemas de Aprendizagem demonstra um percentil dentro da expectativa. contudo. o total encontrado foi 112. por sua vez. observa-se que o total de palavras recordadas após a leitura das mesmas e durante a fase de reconhecimento está abaixo da média. o que sugere dificuldade moderada nesta categoria. O paciente atingiu. Na leitura. que ocorreu após 30 minutos. 1994). um escore 25. Somando-se os três valores. depois de um intervalo de 20 a 30 minutos e na lista de reconhecimento. após a leitura da lista distratora (B1). que estejam cursando do 1º ao 6º ano do Ensino Fundamental. Além disso. de acordo com os dados tabulados referentes ao 6º ano representa desempenho inferior a média. a pontuação atingida foi 61. (b) aritmética e (c) leitura (STEIN. dentro da média para sua faixa etária. Tal instrumento possui três subtestes: (a) escrita. a memória recente. ou seja. o que indica uma capacidade dentro da média para sua idade e série.2. na recordação da lista A. isto é. avaliando separadamente. a retenção após outras atividades e a memória de reconhecimento (MALLOY – DINIZ et al. RAVLT O Teste de Aprendizagem Auditivo de Rey possui como finalidade medir a capacidade mnemônica. Em aritmética.2.. O gráfico linear abaixo mostra o número de palavras que o paciente evocou durante a fase de evocação imediata (A1-A5).2. A linha alaranjada mostra os escores obtidos pelo paciente ao longo da aplicação. o que aponta também para uma dificuldade moderada. . seu escore foi 26. 2. a aprendizagem.

o desempenho foi mediano. S..Gráfico linear Gráfico linear representa o desempenho no teste de Aprendizagem Auditivo – Verbal (RAVLT). 18 Inferior Animais 15 Média 21. Animais. Avaliação Qualitativa d2 40 Média Raven 05/IVInferior < 25 Figura de Rey . Raven.2. são apresentados os resultados quantitativos obtidos nos demais testes psicométricos utilizados ao longo da avaliação.S. Hooper. Boston Naming e Trail Making. naqueles que medem a viso-construção (Figura Complexa de Rey – cópia e Hooper).15 FIGURA 2 . Nos testes que verificam a produção da linguagem. naquele que analisa a fluência semântica por categoria – animais. F. A. o escore também foi inferior.Cópia Inferior < 25 Figura de Rey – Memória Inferior F. entretanto. memória (Figura Complexa de Rey – memória) e a inteligência (RAVEN) os escores obtidos foram inferiores a média esperada para sua faixa etária.2.A.5 Hooper Inferior 32 Boston Naming Inferior 19 Trail Making (Parte A) Média 35 Trail Making (Parte B) Superior Escores obtidos e classificações qualitativas nos testes d2. a nomeação e a fluência verbal. Por outro lado. RAVLT 15 12 9 6 3 0 Média Paciente Mínimo Acertos 1 2 3 4 5 6 7 A ec on he c im A A A A A B1 A 2. O paciente demonstra desempenho de médio a superior nos instrumentos que avaliam a capacidade atencional (D2 e Trail Making). Demais testes aplicados Na Tabela 1. Figura Complexa de Rey.4. Teste R Escore en to .

3.Atenção – De acordo com os desempenhos nos testes D2 e Trail Making. semântica e visual. a manifestar impulsividade.2. assim como.2. ansiedade. depressão e sentimento de inferioridade. 2.5. . o índice de resistência à distração avaliado ao longo da aplicação do Wisc III está dentro da média esperada. o valor requerido para o TDAH é igual ou superior a 1. por sua vez. .2. 2005). podendo ser classificado como fase de alerta. no entanto. Questionário de hiperatividade para pais Conners No Questionário de Hiperatividade para pais Conners. O RAVLT.Memória e Aprendizagem – O subteste Informação e a Figura Complexa de Rey (memória) sugerem capacidades inferiores de memorização retrógrada. Técnica Projetiva do Desenho – HTP O adolescente apresenta características indicativas de conflitos emocionais e comportamentos que sugerem tendência a ser opositor.2.4. demonstra uma habilidade média superior na utilização da memória operacional e de curto prazo.4. o que sugere dificuldade leve na mesma. O subteste dígitos. percebe-se capacidade cognitiva abaixo da média esperada para a idade.2. fixação no passado e necessidade de gratificação imediata. a habilidade em manter a atenção concentrada encontra-se preservada. . Mediante tais resultados.1.3.2.2. Demonstra ainda. Entretanto. o que aponta para uma baixa tolerância à frustração. nos subtestes Dígitos e Procurar Símbolos. após correção e análise chegou-se a um índice que foi obtido através dos resultados dos dois questionários respondidos de 1.3.4. representa uma reação do organismo a algo presente no momento e que é visto como um desafio (LIPP.2. agressividade e hostilidade. realizou-se um estudo das funções avaliadas através da integração com os resultados de cada instrumento e com as observações dos comportamentos do adolescente. bem como. aponta para dificuldade leve na . 2. Escala de Estresse Infantil (ESI) A Escala de Stress Infantil (ESI) mostra que o paciente possui sintomatologia indicativa de um quadro de stress.Eficiência Cognitiva – O teste Raven aponta para inteligência abaixo da média e o Wisc III indica Quociente Intelectual (QI) médio inferior. entregue para os pais responderem. LUCARELLI. Funções Avaliadas Após a análise criteriosa dos dados quantitativos obtidos durante a aplicação dos testes. Além disso. mostra fragilidade interna. Ressaltase que esta fase envolve stress emocional permanente ou grave. Além disso. 2.2.

está muito abaixo do esperado para a idade e série do paciente. organização perceptual e capacidade de analisar e sintetizar figuras simples. o teste Hooper. oposição. de acordo com. . foram dentro da média esperada.aprendizagem. Contudo. aponta para dificuldade grave na capacidade de copiar figuras geométricas complexas. Semelhanças e Vocabulário. segundo o TDE. ansiedade. porém. . demonstram dificuldade leve nos seguintes aspectos: acuidade visual. como também. Compreensão. raciocinar matematicamente e solucionar problemas complexos. como mostram os subtestes Compreensão.Os subtestes Completar Figuras e Cubos. que avaliam tal função. inquietude.Viso – Construção e Organização Viso – Espacial . habilidade construtiva. Semelhanças e o índice fatorial Compreensão Verbal do Wisc III. apresenta escores dentro da média nos subtestes Arranjo de Figuras. o percentil obtido no que remete à memorização a longo prazo e a retenção após a realização de outras atividades foi superior a média esperada. A Figura Complexa de Rey (cópia). resultados dos subtestes. intolerância e tentativa de dominar o ambiente social como forma de compensar algo que não vai bem interiormente.Raciocínio e Desempenho Escolar – A habilidade acadêmica.Aspectos Emocionais/Afeto – As observações realizadas ao longo da avaliação e a aplicação do teste projetivo e das escalas de estresse infantil. No entanto.Linguagem – Demonstra compreensão dentro da média esperada. agressividade. avaliar eficiência e abandonar estratégias ineficazes em detrimento de outras. a informação relevante para um propósito particular. conforme. o mesmo possui capacidade inferior em estabelecer relações lógicas. Aritmética e Cubos. no desempenho escolar e social. o F. . hostilidade. na produção da linguagem e nomeação. . o que indica aptidão mediana em formar opiniões. TDAH e hiperatividade para pais Conners permitem perceber a influência do contexto familiar nos comportamentos relatados pelos pais e na fragilidade emocional notada. descontentamento. . .A. como também.Funções Executivas – Apresenta boa capacidade de utilização dos processos cognitivos que são usados para direcionar comportamentos. porém. Procurar Símbolos e Arranjo de Figuras.S e o Boston Naming possui dificuldades na fluência verbal e fonêmica. Dígitos. como também. Ressalta-se que as pontuações dos subtestes. de um conceito ou fenômeno observável. O adolescente demonstra baixa estima. Além disso. Informação. estabelecer categorias e abstrair.

os pais mencionaram a presença de alguns comportamentos antissociais como furtos e mentiras. Durante a anamnese. ao ser colocado de castigo pela mãe. irritabilidade e explosões de raiva comumente encontram-se presentes. Os pais enfatizaram também que o filho possui tendência a ser opositivo e rebelde. O DSM-IV-TR (APA.3. contudo. com pelo menos um presente nos últimos 6 meses. Teixeira (2009) ressalta que sintomas como baixa estima. desde pequeno. Em contrapartida. intolerância. mais especificamente. totalizando três critérios diagnósticos. Cabe salientar que foi relatada uma situação.2. o processo inibitório do controle de impulso. para a elaboração do diagnóstico é suficiente que o indivíduo tenha manifestado apenas três sintomas. percebe-se a presença da sintomatologia mencionada. nota-se a presença de algumas manifestações comportamentais que podem estar associadas a um quadro patológico relacionado a desvios de conduta. De acordo com a pesquisa. como também. nos últimos 12 meses. observa-se alto grau de impulsividade. A partir da análise do teste projetivo. 2003) e que são semelhantes aos apresentados ao longo da entrevista inicial. da escala de stress infantil e das observações realizadas em ambiente clínico. pode-se fazer referência à prática de destruir intencionalmente propriedade alheia. 2003) descreve uma extensa sintomatologia relacionada ao transtorno em questão. Mediante as observações realizadas e os desempenhos nos testes. . através de vandalismo na escola. e vandalismo na escola. ao TC. pesquisas realizadas sugerem prejuízos na função executiva de indivíduos que demonstram condutas desviantes ao longo da infância. Dentre os comportamentos citados pelo DSM-IV-TR (APA. furtos e mentiras. o mesmo demonstrou escores dentro da média esperada nos testes que avaliam a função executiva. praticado pouco antes de completar 12 anos. a percepção das consequências implicadas nas ações e a regulação do afeto encontram-se falhos. Tal atitude pode ser interpretada como uma maneira de punir a referida senhora pela autoridade que esta lhe impôs. associadas ao TC e a delinquência juvenil. Conclusão Com base nas queixas apresentadas pela família. Apesar de ter apresentado muitas respostas que sugerem dificuldade em manter o controle dos impulsos. na qual o adolescente tomou medicação controlada.

uma vez que. mostrou sinais de dissimulação acerca das questões que lhe eram perguntadas. tomando como referência o embasamento teórico. o paciente atingiu escore superior no teste que avalia a capacidade de se adequar positivamente ao ambiente social. prejuízos no desenvolvimento das mesmas possuem a tendência a ocasionar problemas comportamentais característicos do TC. No estudo de caso em questão. da falta de participação e empenho com os compromissos escolares. nota-se a grande relevância da avaliação neuropsicológica para o diagnóstico. outro que favoreceu uma compreensão mais ampla dos comportamentos apresentados. em Déficit de Atenção e Hiperatividade/Impulsividade. do uso de uma extensa quantidade de testes. foi a Escala de Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade que aponta para um escore acima da expectativa na área que aborda os comportamentos antissociais. Contudo. o que sugere que neste aspecto o paciente possui uma probabilidade elevada em apresentar problemas. uma vez que. os dados coletados e a análise dos mesmos. indicando a possível ocorrência de TDAH. encontra-se prejudicado em pessoas diagnosticadas com TC. trata-se de um método investigativo que visa verificar as funções cognitivas do paciente. no entanto. a fim de favorecer uma compreensão global do indivíduo. juntamente com as observações clínicas realizadas não apontaram para o diagnóstico do transtorno em questão. Além dos instrumentos utilizados e enfatizados anteriormente. No estudo de caso apresentado neste artigo. fazendo-se para tanto. Outro aspecto relevante a ser considerado diz respeito ao rendimento escolar. não se deve desconsiderar que na avaliação neuropsicológica apenas um resultado não é suficiente para concluir um diagnóstico. . utiliza-se uma vasta bateria de testes. tal comprometimento pode ser em decorrência das ausências constantes à aula. os resultados obtidos a partir dos testes aplicados. Além disso. onde os resultados se complementam. foram obtidos escores também acima da expectativa.As habilidades sociais também devem ser ressaltadas. de forma que. possui um desempenho escolar inferior a sua faixa-etária e série. pode-se concluir que o paciente avaliado possui sintomatologia indicativa do TC sem comorbidade com o TDAH. mas. Assim sendo. de acordo com o TDE. que na maioria das vezes. juntamente com os aspectos emocionais e familiares. o paciente. tanto quanto. Segundo Teixeira (2009). Ainda segundo a escala em questão. A avaliação neuropsicológica buscou verificar também a possível ocorrência de TDAH.

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