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Teoria Da Causa Madura

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Teoria da Causa Madura

Maurício Madeu*

Sumário: 1. Introdução; 2. Teoria da Causa Madura – Abreviação salutar do sistem a recursal, 2.1 Constitucionalidade do art. 515, § 3º, do CPC – Princípio da Duração Razoável do Processo, 2.2 Aplicação da Teoria da Causa Madura na jurisprudência; 3. Conclusão.

1. Introdução O presente trabalho tem com o objetivo dem onstrar o quão im portante é a aplicação das m odernas técnicas de direito processual para a busca da m aior celeridade e efetividade na atuação do Poder Judiciário. Estas técnicas podem ser utilizadas na seara trabalhista para igualm ente agilizar os feitos que nela tram itam . A questão passa pela análise do disposto no art. 515, §§ 1º e 3º, do CPC, cuja aplicação tem sido afastada pelo Judiciário Trabalhista por apego a um form alism o exacerbado em detrim ento do princípio constitucional que determ ina a duração razoável do processo. Nesse diapasão, após um a análise da doutrina e jurisprudência m ais atualizadas sobre a aplicação da Teoria da Causa Madura, com enfoque m ais específico no sistem a recursal brasileiro, procurarem os dem onstrar que a incidência da referida teoria deverá ser incorporada pela jurisprudência trabalhista com o um a m aneira de dar m aior eficiência e credibilidade à atuação do Poder Judiciário. 2. Teoria da Causa M adura – abreviação salutar do sistema recursal brasileiro A Teoria da Causa Madura, m esm o antes da Lei nº 10.352/2001, já era acolhida pelo sistem a processual brasileiro por força do disposto no art. 330, inciso I, do Código de Processo Civil, que perm ite ao juiz o julgam ento antecipado da lide quando ela tratar de m atéria exclusivam ente de direito, ou não houver a necessidade de provas em audiência. Diz o art. 330, inciso I, do CPC o seguinte: Art. 330. O juiz conhecerá diretamente do pedido, proferindo sentença: I – quando a questão de mérito for unicamente de direito, ou, sendo de direito e de fato, não houver necessidade de produzir prova em audiência; [...]. ____________________________ *Juiz do Trabalho Substituto do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região.

Revista do TRT/EMATRA - 1ª Região, Rio de Janeiro, v. 20, n. 46, jan./dez. 2009

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p. 3ª Turma. 46. p. 19/6/90. 168. jan. v. concluím os que a sua aplicação prática não pode acarretar óbice à entrega da prestação jurisdicional com m ais rapidez. Resp 2. Em que pese a im portância vital do duplo grau de jurisdição para o sistem a processual – e não tem os dúvidas que ele é incorporado pelo princípio do devido processo legal –. objeto de apreciação e julgam ento pelo tribunal todas as questões suscitadas e discutidas no processo./dez. Florianópolis: Ed. Alguns doutrinadores e operadores do direito. dem onstrando-se m ais sensível à questão. no m ais das vezes. com o se eles não tivessem poderes para analisar questões ainda não abordadas pelo juiz do prim eiro grau. inútil.352/2001: 1 REVISTA DO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 12ª REGIÃO. devem os juízes do recurso prosseguir no exame da causa. entre outros fatores. A questão tam bém é notada por Plínio Lacerda Martins ao analisar a Teoria da Causa Madura nas Relações de Consumo. Estam os convencidos de que o duplo grau de jurisdição é de sum a im portância para o aperfeiçoam ento de um a decisão judicial. j. 20. em primeiro grau. 2009 . a alegação de prescrição. fechando os olhos para outros princípios. Eduardo Ribeiro. deverão os autos tornar para apreciação da lide pelo órgão monocrático (STJ. O referido autor faz referência à jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça antes das alterações introduzidas pela Lei nº 10.A aplicação da Teoria da Causa Madura no sistem a recursal brasileiro. a interpretação equivocada do que acarretaria um a supressão de instância tem levado o Poder Judiciário. a decisão é de mérito. em segundo.352/2001 já vinha dando aplicação à Teoria da Causa Madura quando a causa estivesse pronta para julgam ento e reform ada a decisão do prim eiro grau que acolhera anteriorm ente a prescrição. ainda que a sentença não as tenha julgado por inteiro. têm confundido o princípio do duplo grau de jurisdição com a im possibilidade de o juízo ad quem ter convencim ento próprio sobre as provas a serem produzidas. todavia. porém . sob pena de torná-la ineficiente e. negaram provimento.978)1. Apenas quando terminativa a sentença reformada. 1º semestre de 1999. já tinha previsão no § 1º do art. m esm o antes da Lei nº 10. Superado o óbice. Min. É o que se verifica da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça advinda do início da década de 90: Acolhida. rel. que é expresso ao dispor que “Serão. Existe um a visão distorcida dos poderes atribuídos aos m agistrados m ais experientes que com põem o segundo grau de jurisdição. n. A jurisprudência da Justiça Com um .306-SP. no nosso entender. DJU 24/9/90. Rio de Janeiro.”. 9. a um descrédito gigantesco. 515 do CPC. criando um a devolução restritiva das m atérias levadas a julgam ento no segundo grau de jurisdição. 102 Revista do TRT/EMATRA . tendo em vista que a justiça tardia é a própria injustiça. maioria.1ª Região. TRT 12ª Região.

515 do CPC. ao invés de prosseguir no julgam ento das dem ais questões de m érito. todavia. a jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho. conform e o disposto no art. 2009 103 . 1. é m uito com um ainda nos dias de hoje acórdãos que determ inam a baixa dos autos para a complementação do julgam ento nos casos em que um a argum entação. sem que haja supressão de um grau de jurisdição” (Agravo de instrumento nº 431. proferindo decisão de m érito e o juízo ad quem. jan. 20. p. TST que O efeito devolutivo em profundidade do recurso ordinário. do C PC. A Teoria da Causa Madura em relação ao sistem a recursal já vinha sendo adm itida pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça.1ª Região. Diz a Súm ula 393 do C. data maxima venia. que se extrai do § 1º do art./jun. Assim . transfere automaticamente ao Tribunal a apreciação de fundamento da defesa não examinado pela sentença. Publicado DJ 10/6/2002)2. que não se refere ao acréscim o do § 3º do art. o Superior Tribunal de Justiça já reconhecia a Teoria da Causa Madura. com aplicação da causa madura. m esm o quando a causa já 2 Revista da Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense. 40. 269.RJ 2001/0193883-9. 515 do CPC ao restringir o efeito devolutivo do recurso. ao caso de pedido não apreciado na sentença. n. 46. decidir questões que foram suscitadas e a ele desenvolvidas por força do apelo. Nesse diapasão. A situação ocorre com frequência quando o juiz do prim eiro grau acolhe um a alegação de prescrição. Revista do TRT/EMATRA . jan. Rio de Janeiro. inciso IV. haja vista que nem nas causas em que o juiz aprecia o m érito parte da jurisprudência adm ite o prosseguim ento do julgam ento pelo juízo ad quem quando afastada um a questão prejudicial anteriorm ente acolhida. Síntese. Não se aplica. n. Ministro Ruy Rosado de Aguiar. v. por aplicação equivocada do princípio do duplo grau de jurisdição.TST não deu a m elhor interpretação ao disposto no § 1º do art. cam inhou em sentido oposto. afastando a aplicação da Teoria da Causa Madura. considerado as questões meritórias. Rel.934 . alguns m agistrados determ inam o retorno dos autos para que seja proferida um a nova decisão no prim eiro grau de jurisdição. Rio de Janeiro: Ed. seja rejeitada pelo juízo ad quem. A pretexto de evitar um a supressão de instância.Nesse sentido. desde logo. não perm itindo o julgam ento das lides m aduras no segundo grau de jurisdição a pretexto de evitar um a suposta supressão de instância. conforme destaca Aguiar: “Estando a lide pronta para julgamento e tendo a sentença. que lida com um direito m aterial que depende de um a atuação jurisdicional m ais célere. 2007. pode o tribunal. apesar de não apreciar o mérito. seguindo a orientação do Tribunal Superior do Trabalho. 515 do CPC. Na Justiça do T rabalho a situação é m ais grave. ou um a prejudicial. ano I. parece-m e que a Súm ula 393 do C. Paradoxalm ente. reformá-la e. olvidando-se a Teoria da Causa Madura. ao invés de anular a sentença. anteriorm ente acolhida pelo prim eiro grau. ainda que não renovado em contra-razões./dez.

poderá incidir a regra do art.está m adura para a decisão. 769 da CLT.1ª Região. reform ando a decisão declaratória de não reconhecim ento de vínculo em pregatício. jan. 515 do CPC. a teoria da causa madura se relaciona muito intimamente com a idéia de julgamento conforme o estado contemplado no art. afastando-se a noção de acúmulo. Rio de Janeiro. determ ina o retorno dos autos para evitar um a suposta supressão de instância. I. § 3º do CPC quando não houver provas a serem produzidas. emprestando-se ao termo e significado próprio da partícula ou. 515. Nesse diapasão. 515. desde que ele já esteja pronto para apreciação do m érito. do CPC. 2009 . do CPC. dispensando-se a prática de 104 Revista do TRT/EMATRA . 330. inclusive nas hipóteses em que o processo é extinto sem julgam ento do m érito. Caso m ais gritante no processo do trabalho ocorre quando o juízo ad quem. 515. § 3º. tanto quando na hipótese do art. v. 515. determ ina o retorno dos autos para que os pedidos daí decorrentes sejam apreciados no prim eiro grau de jurisdição. § 3º. segundo o qual aqueles só poderiam m anifestar-se sobre questões já analisadas por estes. 46. Nesse sentido. n. Não bastasse a clareza solar do § 1º do art. o poder-dever do Poder Judiciário de entregar prontamente a prestação jurisdicional invocada. do CPC. defende: Bem se vê. Em que pese a existência de norm a expressa a respeito. que contempla a idéia de alternatividade. que prevê. apenas porque não foram exam inados todos os argum entos e questões discutidas na lide. Marcelo Santiago de Pádua Andrade em artigo sobre o tem a. m as tam bém naquelas hipóteses em que as provas já foram produzidas e está o feito suficientem ente instruído para o julgam ento. que a literalidade da norma há de ser mitigada para se apanhar os telos do art. É com o se os m agistrados do segundo grau fossem m enos juízes do que os do prim eiro grau. do CPC tam bém tem se posicionado pela aplicação extensiva do referido dispositivo legal. já nesse início de trabalho. Trata-se de um a lim itação inadm issível dos poderes atribuídos aos magistrados do segundo grau. defendendo que o juízo ad quem poderá prosseguir no julgam ento do recurso não só quando a m atéria for exclusivam ente de direito. § 3º.352/01 acrescentou o § 3º ao dispositivo legal em com entário para perm itir o prosseguim ento do julgam ento pelo tribunal. a Lei nº 10. é com um encontrarm os nos tribunais trabalhistas acórdãos determ inando a baixa dos autos nos casos em que o processo já teve sentença apreciando o m érito. Compreendida dessa forma. criou-se um dogm a processual. Desta feita. A doutrina m ajoritária ao analisar o art. estando suficiente e adequadamente instruído o feito. A aludida reform a am pliou no sistem a processual brasileiro a aplicação da Teoria da Causa Madura e deve ser aplicada na Justiça do Trabalho por força do art. mesmo que se esteja diante de questão que não é de estrito direito. 20./dez. após analisar a doutrina pátria. que em nosso entendim ento já acolhia a Teoria da Causa Madura no sistem a recursal brasileiro.

515. 2009 4 GÓES. 174-175. 2009 105 . Cândido Rangel.>. ou estar em condições de imediato julgamento. No m esm o sentido. ser lida pelo avesso. 515 do CPC ao art.gov. no rumo de que essas duas situações são concomitantes.br. Rio de Janeiro. Princípio da Proporcionalidade no Processo Civil. 2. 330. 20. § 3º. n. havendo questões de fato. do CPC. 46./dez. Disponível em: <http://www. p. de m odo a perm itir que o tribunal prossiga no julgam ento sem pre que não exista m ais prova a ser produzida. por admissível o julgamento antecipado do mérito5. 330 do CPC. Ela deve.paranaeleitoral. o m estre Cândido Rangel Dinam arco. Nova Era do Processo Civil. e concluiu: E a síntese das exigências postas no § 3º do art. quando toda instrução processual já estiver exaurida. após apresentar exaustiva fundam entação.1ª Região. possibilitando julgamento antecipado da lide. portanto.”. sendo irrelevante que exista questão de fato a ser dirim ida. I e II do art. 515 do Código de Processo Civil é: julgar o mérito sem que o haja julgado o juiz de primeiro grau. v. jan. p. 5 Revista do TRT/EMATRA . Trata-se de interpretação m ais coerente com o princípio da efetividade que vem defendida pela autora supracitada nos seguintes term os: E também não se deverá fazer uma interpretação reducionista quanto à expressão “se a causa versar questão exclusivamente de direito e estiver em condições de imediato julgamento”. entenda-se que a locução se a causa versar exclusivamente questão de direito foi posta no novo parágrafo com o objetivo único de impedir o salto de grau jurisdicional quando. no que tange ao sentido disjuntivo desse “e” que merece ser lido como “ou”. Marcelo Santiago de Pádua. Acesso em: 7 abr. n. Destaca o autor sobre a interpretação do art. 157-158. para que desencadeie o prosseguimento do exame de mérito da matéria no Tribunal4. da CLT: “Razoavelmente e com plena fidelidade ao sistema do Código de Processo Civil e às garantias constitucionais do processo. arrisca-se logo uma primeira análise do novo dispositivo. § 3º. Revista Paraná Eleitoral. Gisele Santos Fernandes. DINAMARCO. visto que bastará a questão ser de direito. 515. 70 (jan/2009). 2004. Gisele Santos Fernandes Góes tam bém interpreta o disposto do art. São Paulo: Saraiva. tam bém associou o § 3º do art. ainda não hajam sido produzidas todas as provas admissíveis no caso. Seguindo a m oderna doutrina processualista.todo e qualquer ato de instrução que não contribua para o deslinde do feito3. ed. São Paulo: Malheiros. nos termos dos incis. 3 ANDRADE. assim: se não houver questões de fato ainda dependentes de prova.

515. 330 do CPC.1 Constitucionalidade do art. jan./dez. competência originária ao tribunal de apelação. não há nenhum a anom alia em se perm itir que o tribunal. 515. 2. já ocorre no prim eiro grau de jurisdição com a aplicação do disposto no art. 2009 . 20. do CPC. que o juízo ad quem só possa analisar as questões já apreciadas no prim eiro grau de jurisdição. 330 do CPC: Se a extinção ocorrer após a contestação o tribunal somente poderá examinar o mérito.1ª Região. é evidente que o julgam ento não depende de requerim ento do recorrente. § 3º confere. um a vez que a m atéria é de ordem pública e não há nenhum a exigência legal para que a parte requeira o julgam ento antecipado do m érito no juízo ad quem. m esm o nas hipóteses em que as questões debatidas em juízo não tenham sido apreciadas pelo juízo do prim eiro grau. todavia. no caso que especifica. 2. com o. De outro lado. Assim sendo. § 3º. 6 106 Revista do TRT/EMATRA . Os m agistrados do prim eiro e segundo graus não dependem de requerim ento das partes para julgar o processo quando ele estiver m aduro para tal. pela primeira vez.José Roberto dos Santos Bedaque tam bém não tem dúvida em associar o dispositivo legal analisado (art. § 3º. conform e expressam ente estabelecido na legislação processual. ainda que dependa da análise de m atéria de fato. afastando a prelim inar. Não há dúvida que o princípio constitucional do duplo grau de jurisdição encontra-se im plícito nas regras de distribuição de com petências a tribunais e tam bém na inserção de recursos no âm bito da am pla defesa. se a questão for exclusivamente de direito ou se já houver prova suficiente a respeito dos fatos controvertidos (CPC. não faltaram vozes a defender a inconstitucionalidade da inovação trazida pelo art. 330. José Roberto dos Santos. prossiga no m érito da dem anda. § 3º) e o disposto no art. caso modifique a sentença. 515. I)6. acolhendo um a prelim inar em detrim ento do m érito. O im portante é que o juízo do prim eiro grau tenha a opção de m anifestar-se sobre as questões discutidas na dem anda. estando o processo devidam ente instruído – pronto para o julgam ento (causa madura) –. deverá o tribunal prosseguir no julgam ento. ed. n. o referido princípio não significa. art. São Paulo: Malheiros. Rio de Janeiro. nos seguintes term os: O art. quando da apreciação do recurso. v. inicialm ente. Efetividade do Processo e Técnica Processual. Nelson Nery Junior aborda a questão. 515. Se o fez. matéria não BEDAQUE. aliás. 46. Isto quer significar que o tribunal pode julgar. necessariam ente. em razão da nova sistem ática recursal. vislum brando um a possível vulneração do princípio do duplo grau de jurisdição. 170. na verdade. p. do CPCP – princípio da duração razoável do processo Com o acontece com toda m udança legislativa. refutando a tese de inconstitucionalidade.

. extravasar os limites da sentença ou da própria apelação seria uma ilegalidade manifestar. capaz de evitar surpresas8. por via de conseqüência. 515. a extensão da apelação (recurso ordinário no Judiciário Trabalhista) depende dos lim ites estabelecidos pela lei. 46. porque (a) só se podendo recorrer do que foi decidido e. 180-181. Após longa explanação refutando um a um os argum entos de suposta infração à garantia constitucional do due process. 2007. 2009 107 . 20. mas visa à economia processual. Prim eiro. Não há inconstitucionalidade por ofensa ao duplo grau de jurisdição porque a lei processual pode conferir competência originária a tribunal7. Rio de Janeiro. ao estabelecer que. Em sum a. 6. o autor que apelar contra a sentença terminativa fá-lo-á com a consciência do risco que corre./dez. Pela via do recurso o tribunal pode conhecer originariamente do mérito. do CPC. 2004. poderá contribuir para maior agilidade e rapidez na oferta da tutela jurisdicional. cit. 515 do Código de Processo Civil (Barbosa Moreira. obviamente.apreciada pelo juízo a quo. São Paulo: RT.. Demonstrando a fragilidade da tese das poucas vozes na doutrina que se voltaram contra a constitucionalidade do dispositivo analisado. n. Nelson. 8 Revista do TRT/EMATRA . v. Legem Habemus. § 3º. No m esm o sentido. p. sustenta José Rogério Cruz e Tucci que ‘essa novidade amplia de modo substancial a extensão do efeito devolutivo da apelação. nas situações que indica. de onde proveio o recurso de apelação. os poderes atribuídos ao tribunal na apreciação dos recursos devem ser estabelecidos em lei.] se agora as regras são essas e são conhecidas de todo operador do direito. p. permitindo que o juízo recursal extravase o âmbito do dispositivo da sentença de primeiro grau e. como já se viu. da CLT. E. o professor conclui com a sua natural acuidade: [. o tribunal se reputa investido do poder de decidir o mérito. a conseqüência natural era que (c) o julgamento da causa fosse rigorosamente proibida pelo caput do art.1ª Região. 515. essa inovação não transgride qualquer garantia constitucional nem é capaz de aportar prejuízos a quem quer que seja – ao contrário. não há infração à garantia constitucional do due process porque as regras do jogo são claras e isso é fator de segurança das partes. 434. conclui-se que não existe nenhum a inconstitucionalidade no disposto no art. jan. logo. § 3º. segundo. ed. Cândido Rangel Dinam arco tam bém engrossa a lista de processualistas que afastam de form a veem ente a suposta inconstitucionalidade do disposto no art. Teoria Geral dos Recursos. não do que não o foi. apesar de não o ter feito o juiz inferior e ainda quando não o haja pedido do apelante.) Mas o § 3º do mesmo artigo derrogou parcialmente essa regra. o que a legitima. A solução da lei é heterodoxa. Dinamarco ponderou: “Em crítica ao dispositivo. nada im pede que o legislador confira com petência 7 NERY JUNIOR. DINAMARCO.”. e (b) só podendo o tribunal julgar nos limites do que foi apelado e não do que não o foi. Antes da vigência do parágrafo. o objeto da impugnação’ – sendo esse o principal fundamento de sua opinião contrária a essa inovação.

§ 3º.DJ 10/3/03). Entendimento doutrinário e jurisprudencial. do CPC deve ser lido à luz do disposto no art. I – Reformando o tribunal a sentença que acolhera a preliminar de prescrição. sendo de fato e de direito. 20. com o. II – Nesse caso. celeridade processual e da efetividade. ao estabelecer que não eram as rés partes ilegítimas. CPC. PRECEDENTES DO TRIBUNAL E DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. I. POSSIBILIDADE. 515./dez.989-SC. 46. CPC. 515.1ª Região. § 3º. 108 Revista do TRT/EMATRA . encontrando-se madura a causa. decisão unânime. tem abarcado e aplicado am plam ente a Teoria da Causa Madura. n. julgamento em 06/3/03 – site certificado . conform e se pode observar dos julgados abaixo relacionados: PROCESSO CIVIL. adentrou desde logo no mérito da questão. CAPUT. do mesmo diploma. se a causa versar questão exclusivamente de direito e estiver em condições de imediato julgamento”. é permitido ao órgão ad quem adentrar no mérito da controvérsia. site certificado – DJE 15/5/2008). DESDE QUE SUFICIENTEMENTE DEBATIDA E INSTRUÍDA A CAUSA. com fundam ento no princípio principal da duração razoável do processo e nos princípios subjacentes da econom ia processual. O art. ainda que não apreciadas diretamente em primeiro grau. Rel.2 Aplicação da Teoria da Causa M adura na jurisprudência A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça.352/2001. uma vez que o Tribunal a quo. Ministro Humberto Martins.352/2001. v. não pode o mesmo ingressar no mérito propriamente dito. PRESCRIÇÃO AFASTADA NO 2º GRAU. III – Nos termos do § 3º do art.originária ao juízo ad quem nos casos em que isso for conveniente para obtenção de m aior celeridade processual. pois toda a instrução probatória já se fazia presente nos autos. julgando as demais questões.240-RJ – Relator Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira. julgamento 22/4/08. 515. EMBARGOS REJEITADOS. 2009 . 515. 4. EXAME DAS DEMAIS QUESTÕES NO MESMO JULGAMENTO. já ocorre nas ações originárias dos tribunais. que trata do julgamento imediato do mérito. 3. “o tribunal pode julgar desde logo a lide. bem como assim lhe permitia o art. Poderá o Tribunal (assim como o juiz de primeiro grau poderia) pronunciar-se desde logo sobre o mérito se as questões de mérito forem exclusivamente de direito ou. aliás. DIVERGÊNCIA DOUTRINÁRIA E JURISPRUDENCIAL. do CPC. (Parte da ementa no Recurso Especial nº 797. INTRODUÇÃO DO § 3º DO ART. Rio de Janeiro. O caso dos autos amolda-se ao conceito de causa madura trazida pela doutrina e jurisprudência. EXEGESE DO ART. 2. do CPC. jan. não houver necessidade de produção de novas provas. LEI Nº 10. Alegada violação do art. 515. § 3º. 330. 515. 2ª Turma do STJ. introduzido pela Lei nº 10. (Embargos de Divergência em RESP 89. salvo quando suficientemente debatida e instruída a causa.

Rio de Janeiro. economia processual e efetividade do processo). p. 46. nos seguintes term os: Tendo em vista os escopos que nortearam a inserção do § 3º no art. tam bém Theotônio Negrão e José Roberto F. César Rocha. 374). 515 do CPC. 5º. F. fazendo jus o Autor à multa de 40% do FGTS e do art. do CPC. de conformidade com o § 3º do art. Min.980-MG. da CF/88. 625-D da CLT e diante da violação do disposto no art. impõe-se o julgamento dos pedidos formulados na inicial. nos term os do art. com o se pode observar de acórdão recentem ente relatado pelo ilustre desem bargador Theocrito Borges dos Santos Filho. “estando a matéria fática já esclarecida pela prova coletada. além de horas extras. sem se falar em desrespeito ao princípio do duplo grau de jurisdição. Rel. j. o pressuposto para a incidência do art. REsp 533. não poderíam os deixar de registrar jurisprudência – ainda que por ora m inoritária. 515 (celeridade. 20. 2009 109 . eis que não cumprida a norma do art. p. o julgamento do mérito diretamente pelo tribunal fica autorizado.A respeito. §§ 1º e 3º. n. 515.1ª Região. ou que reconhece a prescrição. por ilegitimidade passiva do apelado” (STJ – 4ª T. 2009. jan. Logo. 515. XXXV. Gouvêa fazem referência à jurisprudência do STJ. com resolução do mérito. intervalo intrajornada e respectivos reflexos nas parcelas contratuais e resilitórias (Processo nº 01071-2006-001-01-00-4. Revista do TRT/EMATRA . v. sua aplicação prática não fica restrita às hipóteses de causas envolvendo unicamente questões de direito. Ao fazerm os referência à seara trabalhista. Oxalá os tribunais trabalhistas se convençam de que a sentença que não reconhece o vínculo em pregatício. No mesmo sentido: RT 829/2109. mesmo que existam questões de fato. haja vista que o processo terá que retornar ao prim eiro grau para com plem entação da sentença e. posteriorm ente. aguardando-se novo julgam ento tam bém pelo juízo ad quem. cuja em enta é a seguinte: Reformada a sentença que extinguiu o processo. em determ inados casos por alguns anos. GOUVÊA. entre outras hipóteses. Desde que tenha havido o exaurimento da fase instrutória na instância inferior. 9 NEGRÃO. 21/8/03. § 3º é o de que a causa esteja madura para o julgamento. Theotônio. Assim. 628. 515. José Roberto. m as que tende a ganhar corpo nos tribunais trabalhistas – que vem aplicando integralm ente a Teoria da Causa Madura. pode o Tribunal julgar o mérito da apelação mesmo que o processo tenha sido extinto sem julgamento do mérito. poderá ser interposto outro recurso das dem ais questões analisadas pelo juízo a quo. por acolher a quitação com eficácia liberatória do termo de conciliação firmado perante a Comissão de Conciliação Prévia. é de m érito e que o juízo ad quem pode prosseguir no julgam ento da causa após reconhecer a relação de em prego ou afastar a prescrição. São Paulo: Saraiva. nota 11 d do art./dez. Código de Processo Civil e Legislação Processual em Vigor. 477 da CLT. A m udança de m entalidade dos juízes e a aplicação de novos institutos introduzidos no Direito Processual Brasileiro poderá abreviar a duração do processo.

LV. n. concorrem para uma Justiça morosa e. Em dom dos elevados valores residentes nos princípios do contraditório e do due processo of law. 1. 515. 3. temos a mente povoada de um sem-número de preceitos e dogmas supostamente irremovíveis que. Nós. 515. As inovações legislativas não podem ser olvidadas pelos operadores do direito por apego a um a dogm ática ultrapassada. DO CPC. INOCORRÊNCIA. Com o já alertou Cândido Rangel Dinam arco: Em nome dos elevados valores residentes nos princípios. chegaram ao ponto de se transmudar em grilhões de uma servidão perversa. 267). 20-21. de garantias tutelares e de dogmas que. no seguinte sentido: RECURSO DE REVISTA. d. O inconformismo do recorrente repousa apenas sobre a ausência de exame de provas pelo Juízo de origem. (RR 747/2005-196-05-00. se a causa versar questão exclusivamente de direito e estiver em condições de imediato julgamento. dem onstrando m udança de posicionam ento do Tribunal Superior do Trabalho em razão da alteração legislativa (art. TEORIA DA CAUSA MADURA. não subsistindo ofensas aos arts. às vezes. do CPC). 20. levaram-se a extremos as regras técnicas sobre a competência. 2007./dez. § 3º. § 3º. Rel. nos casos de extinção do processo sem julgamento do mérito (art. 2. § 3º. Para preservar as garantias do juiz natural e do duplo grau de jurisdição. Desembargador Teocrito Borges dos Santos Filho. 515. Prevê o art. a. recente decisão da 3ª Turm a. o tribunal pode julgar desde logo a lide. 46. decisão unânime. § 3º. acirram-se formalismos que entravam a máquina e abriram-se flancos para a malícia e a chicana. 3ª Turma do TST. em vez de iluminar o sistema. 5º. 896. ART. 2009 110 . desde que desnecessária dilação probatória. unânime. Revista do TRT/EMATRA . do CPC. p. Recurso de revista não conhecido. é cabível a aplicação da assim chamada teoria da causa madura também quando remanesce matéria fática. jan. Publicado DEJT – 04/9/2009). doutrinadores e operadores do processo.Rel. Ainda que o dispositivo legal em questão aluda a questão exclusivamente de direito. da CLT). NULIDADE. 6ª Turma. da Constituição Federal e 515.1ª Região. No m esm o sentido. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. MATÉRIA FÁTICA. julgamento realizado em 27/5/09). do CPC que. 10 DINARMACO. Rio de Janeiro. insensível à realidade da vida e às angústias dos sujeitos em conflito10. Arestos inservíveis ao confronto de teses não impulsionam o conhecimento do apelo (art. v. concebidos para serem fatores de consistência metodológica de uma ciência. Ministro Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira.

3) o art. sem ocorrer qualquer outra alteração legislativa para que isso se verifique. jan. 2009 111 . 3. § 3º. A am pliação de poderes do tribunal no julgam ento de recursos ordinários prestigia o princípio da duração razoável do processo e vem ao encontro dos anseios da sociedade por um a Justiça m ais rápida e eficiente. é possível o tribunal prosseguir no julgam ento do m érito. 2) com o advento do art./dez. do CPC (art. 515. v. com o já ocorre de form a m uito m ais am pla no Superior Tribunal de Justiça. chegam os às seguintes conclusões: 1) a aplicação da Teoria da Causa Madura já estava autorizada na apreciação dos recursos ordinários. m as é certo que não há m ais lugar na atualidade para o positivism o extrem ado e cego. entendem os que os operadores do direito deixem de lado o form alism o exacerbado para se preocupar com a justiça. contribuirá para o aperfeiçoam ento do Poder Judiciário. 515. fazendo-se m ister a aplicação do direito levando-se em consideração que o fim da prestação jurisdicional é a justiça. que encam pou de form a m ais abrangente a Teoria da Causa Madura. haja vista que já era perm itido ao tribunal analisar questões não apreciadas no prim eiro grau de jurisdição. Ressalte-se que não defendem os a liberdade de procedim ento ao arbítrio do julgador. Assim . Afastada a prelim inar acolhida no prim eiro grau. aquelas que não adentraram no m érito. com o nas hipóteses em que se afasta a prescrição reconhecida no prim eiro grau ou se reconhece o vínculo em pregatício no segundo grau de jurisdição. 515. 769 da CLT).1ª Região. o que indubitavelm ente contribuirá para retom ada da dignidade do Poder Judiciário. o que dem onstra ser inviável no atual estágio do direito processual a devolução dos autos ao prim eiro grau quando o processo já esteja m aduro para julgam ento. n. 4) a incorporação da Teoria da Causa Madura na prática dos tribunais trabalhistas. um a vez que este não im plica reconhecer que o tribunal só pode se pronunciar sobre questões já analisadas no prim eiro grau de jurisdição. dando-se aplicação tam bém a outros princípios inerentes ao direito processual m oderno. com base nestas perspectivas. a não observância da Teoria da Causa Madura expressam ente acolhida pela nova sistem ática recursal no Direito Processual Civil Brasileiro dem onstra que a m udança na m entalidade dos operadores do direito. vale dizer. do CPC não fere o princípio do duplo grau de jurisdição. de acordo com o art. 20. 46. é de im portância vital para o sistem a recursal desta Justiça especializada. inclusive nas sentenças term inativas. do CPC. § 3º. Rio de Janeiro. Revista do TRT/EMATRA . levando-se em consideração o caráter alim entar dos créditos que se busca salvaguardar neste ram o do direito.Nesse diapasão. § 1º. Conclusão Em consequência.

Nova Era do Processo Civil.stj. p. 112 Revista do TRT/EMATRA . n. Jurisprudência obtida m ediante pesquisa no sítio. 2. Revista Paraná Eleitoral. 2004. p. NEGRÃO. 2004. Teoria Geral dos Recursos. Theotônio. Disponível em : <http://www. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA.>. jan. 157-158. Marcelo Santiago de Pádua. Princípio da Proporcionalidade no Processo Civil. Nelson./dez. GOUVÊA.1ª Região. 434. 6. Rio de Janeiro. 1º sem estre de 1999.paranaeleitoral. nota 11 d do art. José R oberto dos Santos. Plínio Lacerda. Gisele Santos Fernandes.Referência bibliográfica ANDRADE. 20. Cândido Rangel. 2007. São Paulo: Malheiros. de 2007.jus. 70 (jan. Florianópolis: TRT 12ª Região. jan. p. 628. 170.1. NERY JUNIOR. br./2009). REVISTA DO TRT DA 12ª REGIÃO. Disponível em : <http://www. p./jun. 168.gov. 2. Acesso em : 7 abr. São Paulo: RT. v. 20-21. p. Efetividade do Processo e Técnica Processual. São Paulo: Saraiva. ed. 2009. 174-175 e 180-181. 2009. 40. José Roberto F. 2007. n. BEDAQUE. 41. p. ed. Niterói: ano I. ed.br>. 2009 . Revista da Faculdade de Direito da Universidade Federal Flum inense. DINAMARCO. São Paulo: Malheiros. MARTINS. ed. n. GÓES. São Paulo: Saraiva. p. 46. 515. Código de Processo Civil e Legislação Processual em Vigor.

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