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EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA

REGIONAL DE

VARA CÍVEL DO FORO

DA COMARCA DE SÃO PAULO – SP

, brasileira, viúva, comerciante, portadora da

carteira de identidade RG

e domiciliada na Rua

, brasileira, solteira, administradora, portadora da carteira de identidade

RG

, empresário, portador da carteira de identidade RG

CPF/MF sob o nº

Paulo, no Estado de São Paulo e

, inscrita no

, , Paulo, no Estado de São Paulo, por seu advogado que esta subscreve (doc. 01), com fundamento no artigo 1.604 do Código Civil e art. 113 da Lei nº 6.015/73, vêm, respeitosamente, perante V. Exa., propor

CPF/MF sob o nº

na Cidade de São

, brasileira solteira, maior emancipada,

estudante, portadora da carteira de identidade RG

residente e domiciliada na Rua

, residente

, na Cidade de São Paulo, no Estado de São Paulo,

e inscrita no CPF/MF sob o nº

e inscrita no CPF/MF sob o nº

, na Cidade de São Paulo, no Estado de São Paulo,

, residente e domiciliado na Rua

residente e domiciliada na Rua

,

brasileiro, solteiro, e inscrito no na Cidade de São

,

AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE FILIAÇÃO, CUMULADA COM ANULAÇÃO DE REGISTRO PÚBLICO

em face de

brasileira, solteira, estudante, portadora da carteira de identidade RG

e inscrita no CPF/MF sob o

Cidade de São Paulo, no Estado de São Paulo, consoante as seguintes razões de fato e de direito que passam a expor.

, na

, menor impúbere, nesta ação representada por sua genitora,

,

residente e domiciliada na Rua

I – DA LEGITIMIDADE ATIVA DOS AUTORES

A jurisprudência dos Tribunais pátrios já pacificou entendimento quanto à legitimidade de outras pessoas proporem ação declaratória de inexistência de filiação, cumulada com anulação de registro de nascimento, como é o caso da presente demanda.

Não se confunde, pois, com a ação negatória de paternidade cujo exercício de direito é personalíssimo do pai em nome do qual o filho foi registrado, e para a qual há prazo de decadência, enquanto, na presente ação visa desconstituir a falsidade ideológica constante de registro público, decorrente de erro ou falsidade, sujeita apenas à prescrição vintenária.

Confira-se.

REsp 66691 / RJ RECURSO ESPECIAL 1995/0025468-9 Relator(a): Ministro EDUARDO RIBEIRO (1015) Órgão Julgador: T3 - TERCEIRA TURMA Data do Julgamento: 26/05/1997 Data da Publicação/Fonte: DJ 23/06/1997 p. 29124 LEXSTJ vol. 99 p. 131 RDR vol. 9 p. 284 RSTJ vol. 96 p. 249 Ementa:

REGISTRO CIVIL. PATERNIDADE. FALSIDADE. A ANULAÇÃO DO REGISTRO, EM VIRTUDE DE FALSIDADE IDEOLOGICA, PODE SER PLEITEADA POR QUEM TENHA LEGITIMO INTERESSE ECONOMICO OU MORAL. NÃO INCIDENCIA DO DISPOSTO NA SEGUNDA PARTE DO ART. 362 DO CODIGO CIVIL. LEGITIMIDADE DE QUEM PRETENDE O RECONHECIMENTO DE QUE E O VERDADEIRO PAI. Acórdão:

POR UNANIMIDADE, CONHECER AO RECURSO ESPECIAL E LHE DAR PROVIMENTO

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REsp 139118 / PB RECURSO ESPECIAL 1997/0046796-1 Relator(a): Ministro SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA (1088) Órgão Julgador: T4 - QUARTA TURMA Data do Julgamento: 26/05/2003 Data da Publicação/Fonte: DJ 25/08/2003 p. 309 RSTJ vol. 171 p. 297 Ementa:

CIVIL E PROCESSO CIVIL. AÇÃO ANULATÓRIA DE REGISTRO. PATERNIDADE. FALSIDADE. LEGITIMIDADE. DECADÊNCIA. ART. 178, § 6º, XII, CÓDIGO CIVIL DE 1.916. INAPLICABILIDADE. IMPRESCRITIBILIDADE. ORIENTAÇÃO DA SEGUNDA SEÇÃO. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA AOS PRAZOS PRESCRICIONAIS. BUSCA DA VERDADE REAL. RECURSO PROVIDO. DECADÊNCIA AFASTADA.

I

- Na linha da jurisprudência deste Tribunal, a ação declaratória de

inexistência de filiação legítima, por comprovada falsidade ideológica, é 'suscetível de ser intentada não só pelo suposto filho, mas também por outros

legítimos interessados'.

II - O art. 178, § 6º, XII do Código Civil de 1.916 tratava da ação dos

herdeiros de filho falecido que viessem a postular a declaração judicial da filiação desse 'filho'. No caso, diferentemente, trata-se de ação de irmão contra irmã, fundada no art. 348 do mesmo diploma legal, requerendo a nulidade do registro dessa última.

III

- Nesse caso, é de aplicar-se a orientação de ser 'imprescritível o direito

ao

reconhecimento do estado filial, interposto com fundamento na falsidade

do

registro'.

IV

- A orientação da Segunda Seção deste Tribunal, relativamente aos

prazos prescricionais nas ações de paternidade, tem sido pela interpretação

restritiva. A preocupação com a insegurança para as relações de parentesco deve ceder diante do 'dano que decorre da permanência de registro meramente formal, atestando uma verdade que sabidamente não corresponde

ao mundo dos fatos'.

Acórdão:

Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, conhecer do recurso e dar-lhe provimento. Votaram com o Relator os Ministros Barros Monteiro, Ruy Rosado de Aguiar, Fernando Gonçalves e Aldir Passarinho Junior. Presidiu a Sessão o Ministro Aldir Passarinho Junior.

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REsp 140579 / AC RECURSO ESPECIAL 1997/0049678-3 Relator(a): Ministro WALDEMAR ZVEITER (1085) Órgão Julgador: T3 - TERCEIRA TURMA Data do Julgamento: 18/08/1998

Data da Publicação/Fonte: DJ 03/11/1998 p. 127 LEXSTJ vol. 115 p. 162

Ementa:

CIVIL E PROCESSUAL - ANULAÇÃO DE REGISTRO DE NASCIMENTO.

I- Não se cuidando no caso de ação negatória de paternidade e sim de ação

declaratória de inexistência de filiação legítima, por comprovada falsidade

ideológica, é ela suscetível de ser intentada não só pelo suposto filho, mas também por outros legítimos interessados.

II - Recurso conhecido e provido.

Acórdão:

Por unanimidade, conhecer do recurso especial e lhe dar provimento.

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REsp 1690 / GO RECURSO ESPECIAL 1989/0012648-2 Relator(a): Ministro BARROS MONTEIRO (1089) Órgão Julgador: T4 - QUARTA TURMA Data do Julgamento: 17/09/1991

Data da Publicação/Fonte: DJ 04/11/1991 p. 15686 LEXSTJ vol. 34 p. 70 RSTJ vol. 34 p. 228 RT vol. 683 p. 177

Ementa:

ASSENTO DE NASCIMENTO. AÇÃO ANULATORIA. LEGITIMIDADE. NÃO SE CUIDANDO NO CASO DE AÇÃO

NEGATORIA DE PATERNIDADE E SIM DE AÇÃO DECLARATORIA DE INEXISTENCIA DE FILIAÇÃO LEGITIMA, POR ALEGADA FALSIDADE IDEOLOGICA, E ELA SUSCETIVEL DE SER INTENTADA NÃO SO PELO SUPOSTO FILHO, MAS TAMBEM POR OUTROS LEGITIMOS INTERESSADOS. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. Acórdão:

POR UNANIMIDADE, NÃO CONHECER DO RECURSO.

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REsp 215249 / MG RECURSO ESPECIAL 1999/0044127-3 Relator(a): Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO (1108) Órgão Julgador: T3 - TERCEIRA TURMA Data do Julgamento: 03/10/2002

Data da Publicação/Fonte: DJ 02/12/2002 p. 305 LEXSTJ vol. 163 p. 39 Ementa:

Ação de anulação de registro. Legitimação ativa. Precedentes da Corte.

1. Os precedentes da Corte mostram que é necessário, em matéria de direito

de família, oferecer temperamento para a admissão da legitimidade ativa de

terceiros com o objetivo de anular o assento de nascimento, considerando a realidade dos autos e a necessidade de proteger situações familiares reconhecidas e consolidadas.

2. Recurso especial conhecido, mas, desprovido.

Acórdão:

Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça, após o voto-vista da Sra. Ministra Nancy Andrighi, por unanimidade, conhecer do recurso especial, mas lhe negar provimento. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Castro Filho e Ari Pargendler votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Antônio de Pádua Ribeiro.

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REsp 799588 / SE RECURSO ESPECIAL 2005/0194089-6 Relator(a): Ministro ALDIR PASSARINHO JUNIOR (1110) Órgão Julgador: T4 - QUARTA TURMA Data do Julgamento: 28/10/2008 Data da Publicação/Fonte: DJe 24/11/2008 REVJUR vol. 373 p. 147 Ementa:

CIVIL E PROCESSUAL. AÇÃO ANULATÓRIA DE REGISTRO DE NASCIMENTO. FALSIDADE IDEOLÓGICA. ART. 348 DO CÓDIGO CIVIL DE 1916. LEGITIMIDADE ATIVA. PRETENSO IRMÃO. I. O pretenso irmão da ré tem legitimidade ativa para pleitear a anulação de registro de seu nascimento, com fundamento na falsidade ideológica (art. 348 do CC de 1916, atual art. 1.604). Precedentes. II. Recurso especial não conhecido. Acórdão:

Vistos e relatados estes autos, em que são partes as acima indicadas, decide a Quarta Turma, por unanimidade, não conhecer do recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros João Otávio de Noronha, Luis Felipe Salomão, Carlos Fernando Mathias (Juiz Federal convocado do TRF 1ª Região) e Fernando Gonçalves votaram com o Sr. Ministro Relator.

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REsp 434759 / MG RECURSO ESPECIAL 2002/0055091-8 Relator(a): Ministro RUY ROSADO DE AGUIAR (1102) Órgão Julgador: T4 - QUARTA TURMA Data do Julgamento: 17/09/2002 Data da Publicação/Fonte: DJ 10/02/2003 p. 221 Ementa:

REGISTRO CIVIL. Falsidade. Ação de nulidade. Legitimidade ativa. Irmãos do falecido declarante da paternidade. Os irmãos daquele que prestou declarações falsas ao registro civil, atribuindo-se a paternidade da criança, têm legitimidade para a ação de nulidade. Precedentes. Recurso conhecido e provido. Acórdão:

Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, conhecer do recurso e dar-lhe provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro-Relator. Os Srs. Ministros Aldir Passarinho Junior e Cesar Asfor Rocha votaram com o Sr. Ministro-Relator. Ausentes, ocasionalmente, os Srs. Ministros Sálvio de Figueiredo Teixeira e Barros Monteiro. Proferiu parecer oral a digna representante do Ministério Público Federal, Dra. Cláudia Sampaio Marques.

II – DOS FATOS

, foi casada com

, em primeiras e únicas núpcias, conforme Certidão de Casamento

lavrada pelo 44º Registro Civil das Pessoas Naturais da Comarca de São Paulo (doc. 02).

A

Primeira

Requerente

Quarta Requerentes (doc. 04).

herdeiros (doc. 05).

Dessa união, nasceram a Segunda, Terceiro e

, conforme certidões de nascimento anexas

Todavia, em

, veio a falecer, deixando bens e

Aberta a sucessão e quando da abertura do inventário, a família, hoje composta pela viúva e filhos, veio a saber da

existência de outro herdeiro, filho de

, de nome

Assim é que entrou em contato com a família, a

, por meio de seu então advogado, de sorte a pleitear os direitos

do filho

e para surpresa geral da família,

principalmente da viúva, for apresentada a Certidão de Nascimento de

De

fato

, conforme translado anexo (doc. 06).

, ou seja, seus

irmãos, sobrinhos, cunhados, e, principalmente, a viúva e filhos,

acreditaram tratar-se de, no dito popular, “pegadinha”.

Na verdade, os familiares de

deixou de

ser um pai exemplar, no convívio familiar, empresário responsável, sócio de empresa juntamente com seus irmãos, nunca causando quaisquer distúrbios, desavenças e entreveros, entre seus familiares e sócios.

Ora, jamais e em tempo algum,

Enfim, era um pai e marido exemplar.

era um boêmio

inveterado, muitas vezes, embriagava-se, quando tomava atitudes totalmente irresponsáveis, sem discernimentos e imprevisíveis.

Por outro lado, era sabido que

Em algumas oportunidades, sua embriaguez era patológica, apresentando estado de ânimo exagerado, desinibição excessiva, enfim, praticava ações muito diferenciadas de sua personalidade quando sóbrio.

Contudo, esse comportamento nunca afetou as relações familiares e paternais, bem assim, societárias e empresariais de

Em casa e na empresa, praticamente não ingeria bebida alcoólica, tendo um comportamento absolutamente normal.

Bem por isso, acreditaram os Autores, tratar-se de inverdade a afirmação de que era pai biológico de

 

Noutras

termos,

o

registro

de

nascimento

de

,

consignando que seu pai seria

é nulo.

 

Enfim,

diante

da

Certidão

de

Registro

de

Nascimento a família houve por bem, admitir

no inventário.

E novamente atendendo a apelos de familiares,

, a família se dispôs a contribuir para

mais precisamente de irmã de

com o sustento da criança, pagando pensão mensal, em nome de sua mãe -

Obviamente, não querendo compartilhar com o patrimônio deixado pelo esposo e pai, viúva e herdeiros de

,

, consistente na cessão dos direitos

propuseram acordo com a mãe de hereditários deste.

cederia seus direitos hereditários e

assim não participando da partilha e co-propriedade dos bens deixados pelo falecido.

Ou seja,

Com esse objetivo, foi firmado, nos autos do inventário, a cessão de direitos noticiada cuja cópia segue anexa. (doc. 08)

Só que, por razões ignoradas, mas posteriormente

descobertas, a mãe do herdeiro -

desistiu do acordo feito conforme declaração e petição do MP anexas (doc.

09).

, compareceu no Ministério Público e

Logo após a assinatura do acordo, a Requerida -

, passou a gabar-se a amigos, colegas, inclusive familiares e amigos dos Autores quanto aos termos do acordo.

a se referir à viúva e aos

filhos, ora Autores, como “trouxas”, “idiotas”, dentre outros termos e expressões de baixo calão.

Na verdade, passou

Soltava aos quatro ventos, dizendo que havia

, outro “trouxa”

“dado o golpe do baú”, porquanto

que havia enganado, convencendo-o ser pai da criança.

não era filho de

Afirmou ter feito e assinado acordo, orientada por

seu advogado, para constar em juízo, o reconhecimento da filiação do

; depois compareceria

perante o Ministério Público e desistiria do acordo, sob o argumento de que lhe era prejudicial e “havia sido enganada por seu advogado”, revogando os poderes a ele outorgados. Neste ponto, referido advogado já teria recebido

Requerido, por parte dos demais herdeiros de

seus honorários, não mais se importando com o desfecho do acordo.

E realmente foi isso ocorreu, ou seja, desistiu do acordo e seu advogado “sumiu”, depois de recebido os honorários, a título

de adiantamento e como parte do pagamento da quantia em dinheiro que o Requerido (sua mãe) receberia dos demais herdeiros.

Noutras

palavras,

a

genitora

do

Requerido

realmente aplicou outro golpe, literalmente, na família do falecido

Noticiou, para várias pessoas, inclusive próximas

à família e demais irmãos do falecido dizendo que aproveitou enquanto

estava “bêbado” e o convenceu e induziu-o de que era o verdadeiro pai de

E pior. Deixou claro e explícito que iria desistir do acordo para “tirar mais dinheiro” daquela família de “trouxas”.

Habituada a expressões vulgares e de baixo calão, passou a se referir, publicamente, à viúva, como “corna”, “não sabia gastar

o dinheiro do marido” e aos demais Autores como “idiotas”, “trouxas”, “de quem ia tirar mais grana”, “ganharam um irmãozinho de quem nem sei quem é o pai”, dentre outros vilipêndios, difamações e injúrias.

Vangloriava-se alegando “agora sou sócia da Corset”, “moro de graça em casa da empresa” e “vou ser diretora daquela gráfica”.

Com efeito, a família veio a tomar conhecimento,

posteriormente ao acordo firmado e diante das declarações da mãe da

criança, que

abrigou em imóvel de propriedade da sociedade da qual

era sócio,

e outras garotas, em cujo imóvel patrocinava constantemente

festas, nas quais compareciam outras mulheres e convidados de

, em determinado

período, em razão ter se envolvido em fatos delituosos, supostamente a ela

imputados, esteve reclusa em estabelecimento da

, deixando o filho,

ainda bebê, aos cuidados das demais garotas que residiam na mesma casa.

Soube-se, inclusive, que

Em suma, além de declarar que

não é pai de

, a mãe da criança passou a difamar e injuriar os Autores.

III – DOS FUNDAMENTOS DE DIREITO

De acordo com o art. 1.604 do Código Civil, “Ninguém pode vindicar estado contrário ao que resulta do registro de nascimento, salvo provando-se erro ou falsidade do registro.

Segundo Luiz Edson Fachin, “Remanesce aqui também o teor antes existente no Código civil de 1916. A forma de prova registral do estado de filiação não é absoluta”.

A legitimidade dos Autores está demonstrada no

intróito desta inicial.

A respeito do erro e da falsidade das declarações,

igualmente, serão demonstrados a seguir.

A começar sob o aspecto jurídico, entendo-se o

como um negócio

jurídico (ato jurídico) entabulado (praticado) entre ele e a mãe da criança, para poder manter o Requerido sob a guarda das demais mulheres que residiam no mesmo imóvel, também deve ser anulado com fundamento no art. 138 do Código Civil.

registro decorrente de uma eventual declaração de

, a manutenção da

criança, com as demais mulheres, não parentes, só era possível se alguém assumisse tal condição, isto é, algum parentesco com a criança, motivo

pelo qual a genitora convenceu

O fato é que, recolhida na

a assumir sua paternidade.

E assim considerado, o negócio também é nulo, a teor do art. 166 do Código Civil, porquanto o motivo determinante, comum a ambas as partes, era ilícito.

Também é nulo o negócio jurídico (registro) porquanto se trata de simulação perpetrada por ambos pois se trata de declaração não verdadeira, a teor do art. 167 do Código Civil.

Vale consignar que o atual Código Civil passou a generalizar, como “Negócio Jurídico”, no Título I, do Livro III, o que no Código Civil anterior era tratado como ato jurídico.

III-A) DA EXCLUDENTE DE PATERNIDADE

AFETIVA

De acordo com o art. 1.593 do Código civil, “O parentesco é natural ou civil, conforme resulte de consangüinidade ou outra origem”.

Doutrina e jurisprudência têm entendido que referido dispositivo legal deu origem à criação da paternidade sócio afetiva quando se refere à “outra origem”.

Assim, em sede de paternidade, consideram-se três tipos de vínculo: o jurídico, o biológico e o sócio-afetivo.

E, deve ser reconhecido, a verdade biológica vem, cada vez mais, sendo desprestigiada comparativamente a verdade sócio- afetiva, que prevalece sobre aquela, nas questões envolvendo paternidade.

É a chamada “adoção à brasileira”, sem cumprimento dos requisitos e exigências previstas na legislação, situações em que, dado o afeto, amor, carinho, dedicação, ao longo de anos, aquele que assim agiu como pai, assim deve ser mantido, ainda que biologicamente não o é.

Maria Cristina de Almeida entende que “O novo posicionamento acerca da verdadeira paternidade não despreza o liame biológico da relação paterno-filial, mas dá notícia do incremento da paternidade sócio-afetiva, da qual surge um novo personagem a desempenhar o importante papel de pai: o pai social, que é o pai de afeto, aquele que constrói uma relação com o filho, seja biológica ou não, moldada pelo amor, dedicação e carinho constantes” i .

Longe de pretender definir que o venha a ser paternidade sócio-afetiva, no entanto doutrina e jurisprudência assinalam que na configuração da paternidade sócio-afetiva, devem se encontrar alguns requisitos, os quais podem ser resumidos, na decisão proferida pela MMa. Juíza Dra. Andréia Maciel Pachá, da Comarca de Petrópolis, citada por Luiz Edson Fachin ii :

“Francisco, por seu turno, sempre esteve ao lado do menor, provendo-lhe todas as necessidades tanto materiais, quanto emocionais. Chega até mesmo

a

emocionar o fato de que foi Francisco, com sãs próprias mãos, que auxiliou

o

parto da criança. Durante estes quase sete anos, foi Francisco que esteve ao

lado do filho quando ele começou a falar, começou a andar, enfim, em todos os momentos em que o menor necessitou da figurada paterna para formar seu caráter e sua personalidade. A paternidade deve, portanto, se vista como algo que é construído, como a relação que se estabelece entre dois seres

humanos que aos poucos vão se conhecendo, criando liames de identidade, admiração e reconhecimento. É este, pois, o vínculo que deve ser prestigiado para se estabelecer a verdadeira paternidade”. (Comarca de Petrópolis, Juízo de Direito da 1ª Vara de Família. Proc. Nº 24.549 – Ação de Anulação de Registro Civil c/c Reconhecimento de Paternidade. Juíza Andréia Maciel Pachá).

Ainda nessa linha de entendimento, Acórdão do E. Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, exarado na Apelação Cível nº 000190039, da Sétima Câmara Cível, Relator: Des. Luiz Felipe Brasil Santos. Julgado em 02/05/2001, com a seguinte ementa:

“EMENTA: APELAÇÃO. ADOÇÃO. Estando a criança no convívio do casal adotante há mais de 4 anos, já tendo com eles desenvolvido vínculos afetivos e sociais, é inconcebível retirá-la da guarda daqueles que reconhece como pais, mormente, quando a mãe biológica demonstrou interesse em dá- la em adoção, depois se arrependendo. Evidenciado que o vínculo afetivo da menor, a esta altura da vida encontra-se bem definido na pessoa dos apelados, deve-se prestigiar, como reiteradamente temos decidido neste colegiado, a PATERNIDADE SOCIOAFETIVA, sobre a paternidade biológica, sempre que, no conflito entre ambas, assim apontar o superior interesse da criança. Negaram Provimento”.

Neste

contexto,

paternidade sócio-afetiva por parte de

nem

em

em relação à criança, ora

que

se

falar

Requerido -

 

A rigor,

não dava a mínima atenção à criança.

Durante o tempo em que a mãe de

esteve

reclusa na

,

aquele ficou aos cuidados das demais mulheres que

residiam na casa cedida por

com tais mulheres se

restringiam às festas e reuniões ali realizadas, praticamente não tendo

contato com referida criança.

Os

contatos

de

Ademais, tendo sido declarante a genitora, ou seja, Nascimento.

nasceu em

,

registrado em

,

, de acordo com a Certidão de

no

, período em que a criança ficou aos cuidados das

Segundo consta,

esteve reclusa na

período de

demais mulheres que residiam no imóvel.

a

com o suposto

filho foram raros, até porque nas festas e reuniões por aquele patrocinadas na residência, não se permitia nem se recomendava a presença de crianças.

Nesse período, os contatos de

mas esteve

internado em hospital, por motivos de doença grave, por um ano, ou

melhor, no período de

com o suposto filho, exceto aqueles havidos do seu casamento.

, período em que não teve contato nenhum

Além disso,

faleceu em

,

enfrentou problemas de saúde várias

vezes, chegando inclusive a se tornar sexualmente impotente, razão pela qual, o reconhecimento do Requerido como filho, a princípio a família

entendeu não ser autêntico e expressado de livre e espontânea vontade.

Aliás,

Em suma, diante das circunstâncias, nada indicam

uma paternidade ainda que sócio-

ter sido estabelecido entre afetiva.

e

A par de outras circunstâncias que impediam uma

convivência entre pai e filho, nos moldes da decisão acima, tendo o

, em hospital por quase um ano; ter enfrentado problemas de saúde noutras oportunidades; impossível o nascimento de uma paternidade sócio afetivo entre ambos.

Requerido nascido em

depois de estar internado

;

falecido em

III-B) DA

OCORRÊNCIA

DE

ERRO

NO

REGISTRO DE NASCIMENTO

Repetindo, conforme consta da Certidão de Nascimento do Requerido, a declaração quanto a sua filiação foi apenas por sua genitora -

Por outro lado, segundo consta, na data em que foi

em que foi efetuado tal

encontrava-se reclusa, interna ou mantida em

prestada tal declaração, quer dizer, no dia (

registro, sua genitora ( unidade da

)

)

A confirmar tais fatos, tudo indica ter ocorrido erro na lavratura do registro de nascimento do Requerido.

Assim, requerem os Autores expedição de ofício à requisitando informações, primeiramente sobre a veracidade quanto ao fato de a mãe do Requerido realmente esteve reclusa ou mantida naquela instituição. Depois, em caso afirmativo, as razões e o período em que a genitora internada na referida instituição.

De outra banda, cumpre destacar que, de acordo com o art. 2º, da Lei 8.560/92, “Em registro de nascimento de menor apenas com a maternidade estabelecida, o oficial remeterá ao juiz certidão integral do registro e o nome e prenome, profissão, identidade e residência do suposto pai, a fim de ser averiguada oficiosamente a procedência da alegação”.

De sua vez, o art. 51, da Lei nº 6.015/73 estabelece que “Todo nascimento que ocorrer no território nacional deverá ser dado a registro no cartório do lugar em que tiver ocorrido o parto, dentro de quinze (15) dias, ampliando-se até três (3) meses para os lugares distantes mais de trinta (30) quilômetros da sede do cartório”.

Conforme se vê da Certidão de Nascimento, o

ou seja, 5

, (cinco) meses depois, mediante declaração apenas da sua mãe.

Requerido nasceu em

porém só foi registrado em

,

E o art. 60, da mesma Lei dispõe que “Quando se

tratar de filho ilegítimo, não será declarado o nome do pai sem que este expressamente o autorize e compareça, por si ou por procurador especial, para, reconhecendo-o, assinar, ou não sabendo ou não podendo, mandar assinar a seu rogo o respectivo assento com duas testemunhas”.

Mas o art. 61, da mesma norma legal estipula que “O registro conterá o nome do pai ou da mãe, ainda que ilegítimos, quando qualquer deles for o declarante”.

E o parágrafo primeiro diz que “Quando o oficial

tiver motivo para duvidar da declaração, poderá ir à casa do recém-nascido verificar a sua existência, ou exigir a atestação do médico ou parteira que tiver assistido o parto, ou o testemunho de duas pessoas que não forem os pais e tiverem visto o recém-nascido”.

E finalmente, o parágrafo segundo dispõe que “Tratando-se de registro fora do prazo legal o oficial, em caso de dúvida, poderá requerer ao Juiz as providências que forem cabíveis para esclarecimento do fato”.

era casado. Várias vezes esteve internado em hospital para tratamento de doença grave. Excedia-se com bebida alcoólica. Estava sexualmente impotente, decorrente de tratamento / cirurgia da próstata.

Contudo e apesar disso, não se tem notícia, informação ou comprovação das providências requeridas, em relação a

, hipótese em que, se negativas, o registro, a par de ter origem de declaração

falsa, é nulo de pleno direito por violação aos dispositivos legais retro- mencionados.

Deve, pois o Registro de Nascimento ser anulado em relação à paternidade atribuída a

Acórdão: Apelação Cível n. 70025576430, de Rio Grande. Relator: Des. Sérgio Fernando de Vasconcellos Chaves. Data da decisão: 18.02.2009. EMENTA: ANULAÇÃO DE REGISTRO CIVIL. NEGAÇÃO DE PATERNIDADE. PROVA PERICIAL. EXCLUSÃO DA PATERNIDADE BIOLÓGICA. INEXISTÊNCIA DO LIAME SOCIOAFETIVO. CABIMENTO. 1. Embora o ato de reconhecimento de filho seja irrevogável (art. 1º da Lei nº 8.560/92 e art. 1.609 do CC) é possível promover a anulação do registro, quando fica sobejamente demonstrado o vício do ato jurídico. 2. Comprovada a infertilidade do autor, bem como a inexistência do liame biológico através de exame de DNA e ausência do vínculo sócio-afetivo, justifica-se o pleito anulatório quando fica claro que o autor foi induzido a erro ao fazer o reconhecimento da filiação. Recurso desprovido.

III-C) DA

FALSIDADE

OCORRENTE

NO

REGISTRO

DE

NASCIMENTO

DO

REQUERIDO

Repetindo, conforme consta da Certidão de Nascimento, com relação à paternidade do Requerido, foi declarante a sua mãe -

Todavia, referida Senhora tem afirmado aos quatro ventos que “enganou”, “fez de trouxa”, dentre outras insinuações

malévolas,

, a respeito da paternidade do Requerido.

Testemunhas comprovarão tais afirmações.

Portanto,

deve

o

Registro

de

Nascimento

do

Requerido ser anulado, porquanto houve falsidade na declaração nele posta.

Senão dolosamente, de modo a se aproveitar da

condição financeira

decorrente do seu estado de saúde, certamente porque ambos, prestaram

declarações falsas com intuito de permitir que a criança permanecesse na

mesma residência com outras mulheres, sob o pálio da paternidade de enquanto sua mãe encontrava-se reclusa na

,

, aliando ao seu estado frágil estado emocional

O insigne jurista Cario Mário da Silva Pereira, ao tratar da falsidade ideológica retrata iii :

"Falsidade ideológica. Dar-se-á quando o ato é formalmente escorreito, mas o conteúdo é inverídico. Será o caso do declarante afirmar uma paternidade, em documento perfeito, mas que não reflete a verdade. É que o ato de

o

declarante não cria uma relação parental. Difere da adoção, em que o parentesco é civil, e assenta na emissão volitiva. Não aqui. Na paternidade reconhecida, o pai concede status ao filho, que o seja biologicamente. Em contendo o ato uma proclamação de paternidade que não corresponde à realidade (o pai reconhece como seu um filho que o não é) o reconhecimento, embora formalmente perfeito, e até inspirado em pia causa, não pode produzir o efeito querido, e será anulado por falsidade ideológica, em se provando a inverdade da declaração. Juridicamente considerado, o reconhecimento é vinculado à veracidade da declaração. Esta vale, como confissão ou como declaração (Wissenserklärung), no pressuposto de corresponder à verdade, e somente produzirá o efeito que a lei

reconhecimento não é constitutivo, porém declaratório (

).

Por

ele

lhe atribui quando à manifestação formal corresponder o pressuposto fático da relação biológica paternal subjacente".

Em síntese, salvo nas hipóteses de erro, dolo, coação, simulação ou fraude, a pretensão de anulabilidade do ato havido

por ideologicamente falso deve ser conferida a terceiros interessados, dada

a impossibilidade de revogação do reconhecimento pelo próprio declarante,

na medida em que descabido seria lhe conferir, de forma absolutamente potestativa, a possibilidade de desconstituição da relação jurídica que ele próprio, voluntariamente, antes declarara existente.

III-D) DO VÍCIO DE CONSENTIMENTO

De outra banda, em remotíssima hipótese, caso realmente tenha declarado perante o Registro Público consentindo ser

o pai biológico do Requerido, tal manifestação de vontade está eivada de vício.

, em razão de doença

degenerativa grave, em alguns momentos ficava desprovido das suas

faculdades mentais normais.

A uma,

porque

A duas, não havia razões plausíveis a justificar ter

tomado tal decisão, salvo o fato de, por enfrentar problemas de impotência sexual, derivada de tratamento e cirurgia da próstata, com tal ato pretendia aparentar, para seus amigos e colegas, situação oposta.

A três, quando se embriagava em excesso, perdia

totalmente consciência dos seus atos, geralmente, sem lembrá-los e as

razões de algumas atitudes tomadas.

reclusa,

, e de modo a não permitir

que seu filho, durante sua permanência fosse mantido em mãos estranhas ou ao abrigo de entidade pública de crianças abandonadas, a genitora solicitou às demais colegas de residência que tomassem conta da criança, o que se revelou impossível por não serem parentes próximos da genitora.

internada, mantida, enfim, encontrando-se na

A quatro, estando a genitora –

Desta feita, a solução encontrada consistiu em em assumir a paternidade da criança para que esta fosse

convencer

mantida na residência, aos cuidados das demais mulheres.

Assim, aliadas às demais condições mentais fragilizadas, principalmente sob os aspectos psíquicos e emocionais

(doença, embriagues, impotência etc),

foi “convencido”, seguramente

de má-fé, a assumir a paternidade da criança.

perguntado se

A diversos amigos e colegas, quando se lhes é realmente é pai do Requerido, todos são uníssonos em

afirmar: “

só reconheceu porque estava bêbado”.

Em suma, forçoso concluir que só por tais razões consentiu assumir a paternidade do Requerido.

III-E) DA RESERVA MENTAL

compareceu

ao Registro Público e tenha declarado que era pai do Requerido, ou ainda

Admitindo-se, por hipótese, que

que tenha firmado documento escrito neste sentido, entretanto, assim agiu com reserva mental, não subsistindo, portanto, ao ato jurídico.

Com efeito, prevê o art. 110 do Código Civil que “A manifestação de vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito a reserva mental de não querer o que manifestou, salvo se dela o destinatário tinha conhecimento”.

Segundo Nelson Nery Junior e Rosa Maria de Andrade Nery, “Portanto, é causa de inexistência do negócio jurídico – por falta de manifestação da vontade – essa reserva mental conhecida do declaratário, conhecimento esse que deve existir até o momento da consumação do ato (o conhecimento tem de ser prévio). Como é causa de inexistência, recebe tratamento jurídico assemelhado ao da nulidade, constituindo-se, portanto, em matéria de ordem pública que prescinde de ação judicial para ser reconhecida, podendo ser alegado com objeção de direito material. O juiz deve pronunciá-la de ofício” iv .

Tem, assim, inteira aplicação ao presente caso.

Ora, genitora também sabia, mais ainda.

sabia que não era pai do Requerido. A

Se fizeram tal declaração, ainda que não fosse para permitir que a criança residisse no mesmo imóvel antes ocupada pela

genitora e enquanto durou sua internação na

, com as demais mulheres.

IV – DAS PROVAS

IV-A) DAS PROVAS

Na oportunidade adequada, os Autores requererão a produção de prova testemunhal, quando então arrolarão 10 (dez) testemunhas que confirmarão e corroborarão os fatos aqui relatados.

Se necessário, requererá o depoimento pessoal da

genitora do Requerido -

Da

mesma,

na

oportunidade,

se

necessário,

juntarão os Autores outros documentos que comprovarão os fatos narrados.

IV-B) DA

DNA

NECESSIDADE

DE

EXAME

DE

Em que pese todas as alegações, provas juntadas, depoimentos pessoais de testemunhas, sem dúvida, o exame de DNA é indispensável ao deslinde da questão.

Para tanto, requerem, desde já, seja realizada a perícia para esse fim, tanto no Requerido, quanto nos Autores, filhos de e, se necessário, em irmão consangüíneo deste, sob pena de cerceamento do direito de defesa.

entendimento.

E

os

Tribunais

pátrios

não

discrepam

deste

APELAÇÃO CÍVEL N° 623.030.4/4-00 RELATOR: DESEMBARGADOR VITO GUGLIELMI APELANTES: D. A. C. P. (menor rep. p. s. mãe A P. A. S. por si e rep. s. filho menor) APELADO: L. C. P. COMARCA GUARUJÁ - 2a VARA PATERNIDADE, NEGATORIA PROCEDÊNCIA ADMISSIBILIDADE RESULTADO NEGATIVO DO EXAME DE DNA IRRELEVÂNCIA DA OCORRÊNCIA DE VÍCIO DE CONSENTIMENTO NO REGISTRO OU DA EXISTÊNCIA DE VÍNCULO SÓCIO AFETIVO ENTRE AS PARTES PREVALÊNCIA DA VERDADE REAL E DO MELHOR INTERESSE DA CRIANÇA MANUTENÇÃO DE PATERNIDADE BIOLÓGICA INDESEJADA QUE GERARIA MAIORES DANOS AO MENOR CO-RÉU PRECEDENTES SENTENÇA MANTIDA RECURSO IMPROVIDO Vistos,- relatados e discutidos c estes autos de APELAÇÃO-CÍVEL COM REVISÃO n° 623.030-4/4-00, da Comarca de GUARUJÁ, em que é apelante D. A. C. P. (MENOR REP/ P/S MÃE), E OUTRA "sendo apelado L. C. P. ACORDAM, em Sexta' Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, proferir a seguinte decisão: "NEGARAM PROVIMENTO AO RECURSO, V.U.", .de conformidade com o voto do Relator, que integra este acórdão.

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VOTO N°: 14278 AGRAVO DE INSTRUMENTO N°: 542.463-4/0-00 COMARCA: SÃO VICENTE AGRAVANTE: MINISTÉRIO PÚBLICO AGRAVADO: P. S. S. Investigação de paternidade e retificação de registro civil — A falsa declaração em registro civil é impugnável a qualquer tempo - A busca da

verdade real deve se sobrepor à formal - O menor deve permanecer no pólo passivo - Agravo desprovido para que a ação prossiga em seus ulteriores termos, inclusive com a realização do exame de DNA. (Voto 14278) Vistos, relatados e discutidos estes autos de AGRAVO DE INSTRUMENTO n° 542.463-4/0-00, da Comarca de SÃO VICENTE, em que é agravante MINISTÉRIO PÚBLICO sendo agravado P. S. S. :

ACORDAM, em Oitava Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, proferir a seguinte decisão: "NEGARAM PROVIMENTO AO RECURSO, V.U.", de conformidade com o voto do Relator, que integra este acórdão.

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Terceira Turma Cível Classe APC – Apelação Cível Nº processo: 2005.05.1.000973-7 Apelante A. S. T. Apelados: M. L. S. T. e outros Relator Des. Benito Augusto Tiezzi Revisor Des. Mário-Zam Belmiro

EMENTA:

PROCESSO CIVIL E CIVIL – AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE PATERNIDADE – LAUDO DE EXAME DE DNA REALIZADO EXTRA-PROCESSUALMENTE – VALIDADE E FORÇA PROBANTE - IMPUGNAÇÃO DESPROVIDA DE FUNDAMENTOS RELEVANTES – PRECLUSÃO DA OPORTUNIDADE DE PRODUZIR NOVO LAUDO – INEXISTÊNCIA DE PATERNIDADE BIOLÓGICA E SÓCIO-AFETIVA – INEXISTÊNCIA DE DOCUMENTO NOVO -

INVALIDADE DAS DECLARAÇÕES FALSAS DO REGISTRO CIVIL - RECURSO DE APELAÇÃO CONHECIDO E IMPROVIDO.

O laudo de exame de DNA, como é de elementar conhecimento, confere ao

magistrado prova praticamente absoluta da existência ou não da paternidade. Ainda quando realizado de forma indireta, através da análise do material genético de parentes biológicos do suposto pai, pode chegar ao mesmo grau

de

probabilidade.

O

exame de DNA realizado antes do ajuizamento da ação constitui relevante

meio de prova acerca da existência ou não da paternidade biológica, mormente quando não infirmado por outro laudo, cuja produção não é requerida no momento processual oportuno pela parte interessada, que deixa transcorrer toda a fase instrutória sem aparecer nos autos. De igual modo, os depoimentos de pessoas próximas ao suposto pai, já falecido, mostram-se suficientes à aferição da existência ou não de paternidade sócio-afetiva, notadamente se o pretenso filho não comparece oportunamente aos autos para contraditar as testemunhas e arrolar outras em seu favor.

Declarações escritas anexas às alegações finais não podem ser tidas como documentos novos (artigo 397 do CPC) se o conteúdo delas poderia perfeitamente ter sido produzido oportunamente, na fase instrutória do feito, até mesmo com a oitiva em juízo de seus respectivos subscritores.

A falsidade dos dados paternos no registro civil, decorrente da inexistência

da paternidade biológica e sócio-afetiva, invalida o assentamento cartorário,

independentemente de existir ou não vícios de consentimento do pai declarante, já falecido, impondo-se a retificação dos dados nele inseridos no tocante à linha paterna. Recurso de apelação conhecido e improvido.

ACÓRDÃO:

Acordam os Desembargadores da Terceira Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, Benito Augusto Tiezzi - Relator, Mário-zam Belmiro - Revisor e Nídia Norrêa Lima - Vogal, sob a presidência do Desembargador Mário-zam Belmiro, em conhecer. negar provimento. unânime, de acordo com a ata do julgamento e notas taquigráficas. Brasília-DF, 23 de agosto de 2006.

---------------- x ---------------

Número do processo: 1.0707.03.064422-3/001(1) Relator: ALBERTO VILAS BOAS Relator do Acórdão: ALBERTO VILAS BOAS Data do acórdão: 31/07/2007 Data da publicação: 14/08/2007 EMENTA: CIVIL - AÇÃO ANULATÓRIA DE REGISTRO CIVIL CUMULADA COM INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE - EXAME DE DNA POSITIVO - PATERNIDADE SÓCIO-AFETIVA - NÃO CONSIDERAÇÃO NA ESPÉCIE. Impõe-se o acolhimento do pedido veiculado em ação de anulação de registro civil de nascimento cumulada com investigação de paternidade quando o exame de DNA comprova a paternidade daquele apontado como pai biológico. Hipótese na qual a paternidade sócio-afetiva não pode ser considerada, na medida em que inexistem indícios que a menor tenha criado laços de afeto com o pai registral, que se encontra em lugar incerto e não sabido. APELAÇÃO CÍVEL N° 1.0707.03.064422-3/001 - COMARCA DE VARGINHA - APELANTE(S): E.C.Q. - APELADO(A)(S): M.R.J.O. REPRESENTADO(A)(S) P/ MÃE G.J.O. - RELATOR: EXMO. SR. DES. ALBERTO VILAS BOAS

---------------- x ---------------

Família. negativa de paternidade. anulação de registro de nascimento e exoneração de alimentos. presunção pater est. impugnação de paternidade de filho havido na constância do casamento. adultério comprovado, parentalidade biológica afastada. Existência de posse de estado de filho originada em vontade viciada. hipótese em que não caracteriza paternidade sócio-afetiva. embargos infringentes desacolhidos, por maioria. Embargos Infringentes Quarto Grupo Cível; Nº 70018720755; Comarca de Gravataí EMBARGANTE: L.A.N. EMBARGADO: S.V.N.

---------------- x ---------------

Número do processo:

1.0114.06.064131-2/001(1)

Relator: CÉLIO CÉSAR PADUANI Relator do Acórdão: CÉLIO CÉSAR PADUANI Data do acórdão: 05/07/2007 Data da publicação: 12/07/2007 EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE NEGATIVA DE PATERNIDADE. POSTERIOR EXAME DE DNA. EXCLUSÃO. PROCEDÊNCIA DO PEDIDO. RECURSO A QUE SE DÁ PROVIMENTO. 1. Vindo o apelante a descobrir, posteriormente, a exclusão

da paternidade, através do exame de DNA, ao qual as partes se submeteram, a pretendida anulação do registro civil de nascimento é medida que se impõe. 2. Qualquer relação sócio-afetiva, seja ela consangüínea ou não, decorre de um ato de amor, de desprendimento e não de uma imposição, sob pena de acarretar às partes envolvidas, em especial à apelada, ainda mais sofrimento, frustração e insegurança. 3. Dá-se provimento ao recurso. APELAÇÃO CÍVEL N° 1.0114.06.064131-2/001 - COMARCA DE IBIRITÉ - APELANTE(S): E.E.B.P. - APELADO(A)(S): N.E.C.P. REPRESENTADO(A)(S) P/ MÃE M.F.C. - RELATOR: EXMO. SR. DES. CÉLIO CÉSAR PADUANI ACÓRDÃO (SEGREDO DE JUSTIÇA) Vistos etc., acorda, em Turma, a 4ª CÂMARA CÍVEL do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, incorporando neste o relatório de fls., na conformidade da ata dos julgamentos e das notas taquigráficas, à unanimidade de votos, EM DAR PROVIMENTO. Belo Horizonte, 05 de julho de 2007. DES. CÉLIO CÉSAR PADUANI - Relator

Para este exame de DNA, os Autores assumirão os custos com base em 3 (três) orçamentos de clínicas especializadas, designadas por este Juízo.

V - DAS RAZÕES DO PLEITO DOS AUTORES

Cumpre frisar que a pretensão dos Autores de ver

, não tem caráter

apurado se o Requerido -

único e exclusivamente econômico.

é realmente filho de

As razões dessa medida decorrem principalmente

das afirmações e alegações essencialmente ofensivas, da genitora do

Requerido, não só em relação a

da família, principalmente, viúva, demais filhos, tios, sobrinhos, enfim, toda a família apregoando, depois do acordo feito e depois revogado, de

que o Requerido não é filho de

, mas, sobretudo aos demais membros

As insinuações maliciosas, inclusive a respeito do seu ingresso na empresa “como diretora”, geraram constrangimentos de toda a sorte, junto aos demais empregados, clientes e fornecedores.

De mais a mais, a postura adotada pela genitora

da criança fez renascer, de forma mais vigorosa e constrangedora, a dúvida

tinham, com relação à paternidade, cujo

que os filhos de

esclarecimento e apuração devem ser buscados.

Não podem e não têm mais condições de levarem uma vida absolutamente normal, seja na intimidade dos seus lares, nas relações profissionais e de trabalho, nas reuniões, encontros sociais, sem

que alguém indaga:

é filho de

?

E com outra agravante, qual seja, via de regra a

indagação é sempre acompanhada das insinuações e maledicências que a genitora do Requerido profere.

Portanto, a apuração da verdade real tem, para os Autores e para toda a família, o objetivo primordialmente moral e jurídico de ver posto um ponto final desse dilema. É ou não é filho.

Pretendiam os Autores, mediante acordo nos autos do inventário, por fim às relações com o Requerido e sua genitora, permitindo que ambos levassem a vida que bem entenderem, mesmo porque não há possibilidade de existir entre tais pessoas, relações sócio- afetivas.

Acordo, bem dito, realizado de boa-fé por parte dos demais herdeiros, pois, conforme anteriormente dito, a genitora do Requerido assinou referido acordo de má-fé, para depois dele desistir, segundo por ela dito, por orientação do seu advogado.

já não tinha e nem provia nenhum

afeto para com o Requerido, muito menos sua esposa e filhos, e tampouco os demais sócios da empresa familiar.

Afinal, se

É certo que a criança culpa alguma tem, mas,

também deve ser relevado que os Autores pretendem restabelecer a dignidade da sua família, independentemente das ameaças e insinuações malévolas perpetradas pela genitora, contra a qual, ação de indenização por

danos morais está em andamento.

Não obstante seja relevante o interesse do menor, certo é que esse interesse se choca com o interesse jurídico, moral e econômico dos Autores em desconstituir o registro de nascimento, originado de ato eivado de nulidade, por ter sido praticado com falsidade ideológica.

comentários

aos

O ilustre jurista Luiz Edson Fachin, em seus

por

artigos

1.591

a

1.638,

transcreve

trecho

ditado

Guilherme Calmon Nogueira da Gama, condizente com a defesa da dignidade familiar buscada pelos Autores:

“As relações familiares, portanto, passaram a ser funcionalizadas em razão da dignidade de cada partícipe. A efetividade das normas constitucionais implica a defesa das instituições socais que cumprem o seu papel maior. A dignidade da pessoa humana, colocada no ápice do ordenamento jurídico, encontra na família, o solo apropriado para o seu enraizamento e desenvolvimento, daí a ordem constitucional dirigida ao Estado no sentido de dar especial e efetiva proteção à família, independentemente da sua espécie.” v

Sendo assim, tivessem os Autores apenas interesse econômico nesta apuração, certamente nem teriam admitido o Requerido no inventário.

Resumindo, o interesse buscado pelos Autores é basicamente moral, de ordem familiar e jurídico, com as conseqüências daí advindas, rechaçando, desde já, eventuais imputações de interesse meramente econômicos nesta demanda.

“Sendo assim, a interpretação mais adequada a ser dada ao que disposto no regramento legal supra, é aquela que considera legitimado ativamente para a ação anulatória qualquer um que tenha interesse moral ou material da declaração da nulidade do registro. Outro não tem sido o entendimento esposado pelas Terceira e Quarta Turmas desta Corte na hipótese de ação declaratória de inexistência de filiação, materna e paterna, por alegada falsidade ideológica por parte do casal, ao proceder à chamada adoção à brasileira. A propósito, os seguintes acórdãos, cujas ementas transcrevo, no que interessa:

“Assento de nascimento. Ação anulatória. Legitimidade. Não se cuidando no caso de ação negatória de paternidade e sim de ação declaratória de inexistência de filiação legítima, por alegada falsidade ideológica, é ela suscetível de ser intentada não só pelo suposto filho, mas também por outros legítimos interessados” (REsp 1.690-GO, Relator o eminente Ministro Barros Monteiro, in DJ 04.11.91). “Registro civil. Assento de nascimento. Anulação, pleiteada por quem nele figura na qualidade de avô paterno. Pai presumido já falecido. Legitimidade. Tem tal pessoa legitimidade para propor a ação, nos casos de simulação de parto ou de falsidade ideológica ou instrumental. Recurso especial conhecido pelo dissídio mas improvido.”(REsp 6.059-SP, Relator o eminente Ministro Nilson Naves, in DJ 07.10.91) Veja-se, ainda, os seguintes precedentes da Terceira Turma, cuidando de exclusiva anulação do registro paterno de nascimento, respectivamente pelo pai supostamente verdadeiro e pela ex-consorte do pretenso genitor, cujas ementas transcrevo, no que interessa:

“Registro civil. Paternidade. Falsidade. A anulação do registro, em virtude de falsidade ideológica, pode ser pleiteada por quem tenha legítimo interesse econômico ou moral. Não incidência do disposto na segunda parte do artigo 362 do Código Civil.

Legitimidade de quem pretende o reconhecimento de que é o verdadeiro pai” (REsp 66.691-RJ, Relator o eminente Ministro Eduardo Ribeiro, in DJ

23.06.97).

“Civil e processual civil – Anulação de registro de nascimento. I - Não se cuidando no caso de ação negatória de paternidade e sim de ação declaratória de inexistência de filiação legítima, por comprovada falsidade ideológica, é ela suscetível de ser intentada não só pelo suposto filho, mas também por outros legítimos interessados” (Resp 140.579-AC, Relator o eminente Ministro Waldemar Zveiter, in DJ 03.11.98). No caso dos autos, os autores são irmãos do falecido Maurício, autor das declarações lançadas no registro civil, que não corresponderiam à realidade sobre a paternidade e a maternidade do menor Caíque, réu desta ação. Nessa qualidade, têm interesse moral e econômico na propositura da ação, pelo que legitimados ad causam” . (g.n.)

vi

V – DO PEDIDO

Ante todo o exposto, requerem os Autores:

a) A

total

procedência

da

presente

ação

para

inexistência de filiação entre o Requerido –

que

seja

declarada

e o falecido -

;

a

b) Também, seja declarada nulidade do reconhecimento paternal de

em

relação ao Requerido -

daquele e conseqüente nulidade e/ou reforma do respectivo Registro de Nascimento, em relação à paternidade atribuída, diante da falsidade ideológica, erro, simulação e reserva mental ocorrentes na lavratura do referido, demonstrados, à saciedade;

, constante da Certidão de Nascimento

c) Outrossim, requerem, seja o Requerido condenado no pagamento das custas processuais, honorários advocatícios e demais cominações legais pertinentes, como medida da mais pura e verdadeira justiça.

Para tanto, requer a citação do Requerido, na

pessoa da sua genitora –

arts. 221 e 223 do Código de Processo Civil, para querendo, apresentar

defesa, pena de confissão.

, por correio (Carta com AR), nos termos dos

Protesta provar o alegado por todos os meios em direito admitidos, em especial, depoimento pessoal da genitora do Requerido, oitiva de testemunhas, juntada de outros documentos e perícia, consistente de exame de DNA, no Requerido, nos Autores e, se necessário em irmão consangüíneo do falecido –

Dá a causa o valor de R$ 1.000,00 (um mil reais).

N. Termos. P. E. Deferimento. São Paulo, 14 de julho de 2009.

JOÃO BATISTA CHIACHIO OAB/SP 35.082

i www.mariaberenicedias.com.br

ii Comentários ao Novo Código Civil, Forense, RJ, 2003, Coordenação Sálvio de Figueiredo Teixeira, Comentários aos artigos 1.591 a 1.638, por Luiz Edson Fachin, pág. 97.

iii Caio Mário da Silva Pereira; Reconhecimento de Paternidade e seus Efeitos; 5ª ed. Rio de Janeiro; Forense; 2001, pág. 66.

iviv Código Civil Anotado e Legislação Extravagante, 2ª edição, Editora Revista dos Tribunais.

v Comentários ao Novo Código Civil, Forense, RJ, 2003, Coordenação Sálvio de Figueiredo Teixeira, Comentários aos artigos 1.591 a 1.638, por Luiz Edson Fachin, pág. 54

vi Recurso Especial 434.759/MG