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Filosofia, Ética e Cidadania 1º Período 1ª versão Gilson Porto Jr. Jair José Maldaner Marcelo

Filosofia, Ética e Cidadania

1º Período

1ª versão Gilson Porto Jr. Jair José Maldaner Marcelo Rythowem

2ª versão Jair José Maldaner Marcelo Rythowem

Rythowem 2ª versão Jair José Maldaner Marcelo Rythowem Filosof_etica_cidad_SS.indd 3 01 - SERVIÇO SOCIAL - 1º
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FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE DO TOCANTINS Reitor Humberto Luiz Falcão Coelho Vice-Reitor Lívio William Reis de Carvalho

FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE DO TOCANTINS

Reitor Humberto Luiz Falcão Coelho

Vice-Reitor Lívio William Reis de Carvalho

Pró-Reitor de Graduação Galileu Marcos Guarenghi

Pró-Reitor de Pós-Graduação e Extensão Claudemir Andreaci

Pró-Reitora de Pesquisa Antônia Custódia Pedreira

Pró-Reitora de Administração e Finanças Maria Valdênia Rodrigues Noleto

Diretor de EaD e Tecnologias Educacionais Marcelo Liberato

Coordenador Pedagógico Geraldo da Silva Gomes

Coordenadora do Curso Jaqueline Carvalho Quadrado

EMPRESA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA LTDA

Diretor Presidente Luiz Carlos Borges da Silveira

Diretor Executivo Luiz Carlos Borges da Silveira Filho

Diretor de Desenvolvimento de Produto Márcio Yamawaki

Diretor Administrativo e Financeiro Júlio César Algeri

MATERIAL DIDÁTICO – EQUIPE UNITINS

Organização de Conteúdos Acadêmicos 1ª versão: Gilson Porto Jr. Jair José Maldaner Marcelo Rythowem 2ª versão: Jair José Maldaner Marcelo Rythowem

Coordenação Editorial Maria Lourdes F. G. Aires

Assessoria Editorial Darlene Teixeira Castro

Assessoria Produção Gráfica Katia Gomes da Silva

Revisão Didático-Pedagógica Francisco Gilson R. P. Junior

Revisão Lingüístico-Textual Ivan Cupertino Dutra

Revisão Digital Douglas Donizeti Soares

Projeto Gráfico Douglas Donizeti Soares Irenides Teixeira Katia Gomes da Silva

Ilustração Geuvar S. de Oliveira

Capa Edglei Dias Rodrigues

MATERIAL DIDÁTICO – EQUIPE FAEL

Coordenação Editorial Leociléa Aparecida Vieira

Assessoria Editorial William Marlos da Costa

Revisão Juliana Camargo Horning Lisiane Marcele dos Santos

Programação Visual e Diagramação Denise Pires Pierin Kátia Cristina Oliveira dos Santos Rodrigo Santos Sandro Niemicz William Marlos da Costa

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APROVADA? NÃO ( ) / SIM ( ) VISTO

à O ( ) / S I M ( ) V I S T O Caro

Caro estudante,

Você está recebendo os textos relacionados à disciplina Filosofia, Ética e Cidadania que têm por objetivo nortear seus estudos nesta importante área. Queremos deixar claro que este material não tem a pretensão de esgotar nenhum dos assuntos abordados.

Filosofia, Ética e Cidadania é uma disciplina cativante, aberta, abrangente, basilar para que você possa fazer uma análise e reflexão sobre os principais paradigmas e dilemas da humanidade, relacionados à Ética e Cidadania ao longo da história.

A aula 1, de caráter introdutório, servirá de base conceitual para a compre- ensão dos conceitos de Filosofia, Ética e Cidadania. Nela, procuramos tratar a origem e evolução dos conceitos, bem como suas principais características.

Nas aulas 2 a 7, fizemos uma abordagem histórica, desde a Grécia antiga

até os dias atuais, tendo como fio condutor os fundamentos filosóficos da ética e da cidadania e seus principais pensadores. O principal objetivo deste tipo de abordagem é proporcionar um contato com os aspectos significativos que fundamentaram a evolução da sociedade ao longo dos tempos.

Bons estudos e boa reflexão.

Prof. Jair José Maldaner

Prof. Marcelo Rythowem

reflexão. Prof. Jair José Maldaner Prof. Marcelo Rythowem Servico_Social.indb 5 02 - SERVIÇO SOCIAL 1º P.
reflexão. Prof. Jair José Maldaner Prof. Marcelo Rythowem Servico_Social.indb 5 02 - SERVIÇO SOCIAL 1º P.

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EMENTA OBJETIVO O Helenismo Servico_Social.indb 6 Matrizes históricas do pensamento filosófico ocidental: a
EMENTA OBJETIVO O Helenismo Servico_Social.indb 6
EMENTA
OBJETIVO
O Helenismo
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EMENTA OBJETIVO O Helenismo Servico_Social.indb 6 Matrizes históricas do pensamento filosófico ocidental: a

Matrizes históricas do pensamento filosófico ocidental: a relação ética e filosofia; ética e sociedade; teoria do conhecimento; sistema de valores; o conceito de justiça; ética e moral; conceito de cidadania e dimensão ético- profissional; o fenômeno da globalização e as inclusões e exclusões no mundo do trabalho.

Proporcionar aos alunos conhecimentos, a partir da análise e reflexão dos pressupostos ético-filosóficos da cidadania ao longo da história e suas implicações no contexto da sociedade contemporânea.

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

da sociedade contemporânea. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO Investigação do que é filosofia, ética e cidadania A

Investigação do que é filosofia, ética e cidadania

A antiguidade clássica: Sofistas e Sócrates

Platão e Aristóteles

Pressupostos filosóficos da ética e da cidadania na Idade Média

O Renascimento

Empirismo e Racionalismo

O pensamento filosófico de John Locke e Immanuel Kant

A diversidade do mundo contemporâneo e os desafios para a ética e cidadania

O século XX e os desafios da filosofia

Pós-modernidade e os desafios éticos

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Pós-modernidade e os desafios éticos 8/1/2008 15:22:44 02 - SERVIÇO SOCIAL 1º P. - 3ª PROVA

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BIBLIOGRAFIA BÁSICA CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia . 2. ed. São Paulo: Ática, 2002. SÁNCHEZ

BIBLIOGRAFIA BÁSICA

CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. 2. ed. São Paulo: Ática, 2002.

SÁNCHEZ VÁZQUEZ, Adolfo. Ética. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,

2001.

VALLS, Álvaro. O que é ética. São Paulo: Brasiliense, 1997. (Primeiros Passos)

BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando:

introdução à filosofia. 2. ed. São Paulo: Moderna, 1993.

ASHLEY, P. A. A mudança histórica do conceito de responsabilidade social empresarial. In: ASHLEY, P. A. Ética e responsabilidade social nos negócios . 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2005.

MAGEE, Bryan. História da Filosofia. 3. ed. São Paulo: Loyola, 2001. MAGEE, Bryan. História da Filosofia

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Aula 5 – Aula 6 – Aula 7 – Servico_Social.indb 8 Investigando o que é filosofia,

Investigando o que é filosofia, ética e cidadania

Pressupostos filosóficos da ética e da cidadania na Antiguidade

Pressupostos filosóficos da ética e da cidadania na Idade Média

Modernidade

Liberalismo e Iluminismo

A crise da razão e a filosofia

Os desafios da filosofia, ética e cidadania na pós-modernidade

da filosofia, ética e cidadania na pós-modernidade 02 - SERVIÇO SOCIAL 1º P. - 3ª PROVA

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AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA Aula 1 Investigando o que é filosofia, ética
AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA
Aula 1
Investigando o que é filosofia,
ética e cidadania
Objetivos

Esperamos que, ao final desta aula, você seja capaz de:

conceituar filosofia, ética e cidadania;

apontar as relações entre filosofia, ética e cidadania.

Pré-requisitos

Esta aula será melhor aproveitada se você fizer uma revisão dos conteúdos de filosofia do Ensino Médio. Anote em uma folha os aspectos que mais lhe

chamaram a atenção durante a realização dos estudos secundários. Reflita também sobre ética e cidadania em nosso país, bem como a relação que mantemos com as regras e normas em nosso dia-a-dia. Essas reflexões serão importantes para que você possa compreender de forma adequada como a filosofia embasa a reflexão sobre a ética e a cidadania.Ensino Médio. Anote em uma folha os aspectos que mais lhe Introdução Filosofia, ética e cidadania

embasa a reflexão sobre a ética e a cidadania. Introdução Filosofia, ética e cidadania são conceitos

Introdução

Filosofia, ética e cidadania são conceitos próximos, complementares, inter- ligados e abrangentes. Ao longo da história, vários foram os enfoques que a sociedade deu a esta temática. O berço da filosofia é a sociedade grega que abordou os temas da ética e cidadania. O discurso ético filosófico grego é um discurso de afirmação da cidadania no sentido mais completo do termo, ou seja a participação ativa e efetiva nos decisões da cidade, participação nas riquezas coletivas e gozo de direitos definidos coletivamente. No período medieval esta caracterização de cidadania é abandonada. Prevalecem os valores e crenças religiosas e o interesse por questões espirituais em detrimento de questões materiais e políticas. Com o advento da modernidade e depois com a Revolução Francesa a cidadania começa a se efetivar mediante decla- rações e legislações. Atualmente o desafio maior da sociedade e dos governos

Atualmente o desafio maior da sociedade e dos governos Servico_Social.indb 9 02 - SERVIÇO SOCIAL 1º

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AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA é garantir o efetivo acesso aos direitos, como

AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA

é garantir o efetivo acesso aos direitos, como saúde, educação, moradia, trabalho, lazer, etc., que garantem a cidadania.

moradia, trabalho, lazer, etc., que garantem a cidadania. 1.1 Filosofia Para início de conversa, leia, atentamente,

1.1 Filosofia

Para início de conversa, leia, atentamente, este trecho do livro Alice no país das maravilhas de Lewis Carroll:

O Gato apenas sorriu quando viu Alice. Ele parecia bem natural, ela pensou, e tinha garras muito longas e muitos dentes grandes, assim ela sentiu que deveria tratá-lo com respeito. “Gatinho de Cheshire”, começou, bem timidamente, pois não tinha certeza se ele gostaria de ser chamado assim: entretanto ele apenas sorriu um pouco mais. “Acho que ele gostou”, pensou Alice, e continuou. “O senhor poderia me dizer, por favor, qual o caminho que devo tomar para sair daqui?” “Isso depende muito de para onde você quer ir”, respondeu o Gato.

“Não me importo muito para onde

“Então não importa o caminho que você escolha”, disse o Gato.

“ contanto que dê em algum lugar”, Alice completou.

“Oh, você pode ter certeza que vai chegar”, disse o Gato, “se você caminhar bastante” (Disponível em: <http://www.alfredo-braga.pro.br/biblioteca/

”, retrucou Alice.

alice-3.html>).

O termo filosofia vem do grego philos (amigo) e sophos (sabedoria, conhe- cimento). O filósofo é, portanto, o amigo do conhecimento. A maioria de vocês já deve ter ouvido falar da filosofia. Talvez alguns pensem que filosofia é algo difícil, “coisa de gente doida”, “ocupação de quem está no mundo da lua”.

Isto não lhe lembra a história de Alice frente ao gato no início deste texto? Quem sabe, o filó- sofo, por se preocupar em pensar os problemas e buscar algumas respostas, ocupe no imagi- nário da sociedade um espaço reservado para estes problemas que parecem sem sentido.

Esse tipo de pensamento a respeito da filosofia deve-se ao fato de vivermos

em uma sociedade em que o ato de pensar criticamente perdeu um pouco a

sua razão de ser. Na maioria das vezes, quando precisamos resolver algum

problema, é comum recorrermos aos especialistas de plantão. Ou seja, há

sempre a nossa disposição alguém que sabe mais do que nós e que pode

pensar a solução do problema. Estes dias, ficamos sabendo da existência do

personal organizer – que é um especialista em pensar soluções de organização

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AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA para a bagunça de seus clientes. Vamos, aos

AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA

para a bagunça de seus clientes. Vamos, aos poucos, perdendo o interesse em procurar por nós mesmos a solução para os nossos problemas.

Na realidade, filosofamos o tempo todo no cotidiano, no plano dos valores pessoais, sociais, econômicos, políticos.

Filosofar significa também uma forma de conhecimento que procura responder às grandes questões que os seres humanos se colocam, entre

outras, são: por que existem as coisas e não o nada? Quem sou eu? O que devo fazer? Como devo agir em relação aos outros? Qual o sentido de tudo?

A filosofia não é nem melhor, nem pior que as demais formas de conheci-

mento (religião, arte, ciência, senso-comum). O ponto de partida é o pensa- mento – aqui entendido como coerência lógica de seus argumentos e racio- cínios. Diferentemente da teologia, que parte da fé e dos livros sagrados; da ciência, que utiliza a experimentação; da arte, que utiliza a intuição estética e do senso-comum, que parte do conhecimento vulgar e cotidiano, a filosofia utiliza-se da razão e busca manter a coerência de suas reflexões. Esses conhecimentos, no entanto, inter-relacionam-se. Os pressupostos de uma ciência têm na sua base uma concepção filosófica. O senso comum

é ponto de partida para filosofar, para o desenvolvimento das ciências. As

religiões são analisadas pelos filósofos e demais ciências sociais, enquanto valores vivenciados pelas pessoas. Por exemplo, um grupo religioso, que por razões doutrinárias não pode receber transfusões de sangue, colaborou financeiramente para a invenção do sangue artificial.

financeiramente para a invenção do sangue artificial. O termo vulgar vem de vulgo, aquilo que diz

O termo vulgar vem de vulgo, aquilo que diz respeito às pessoas em geral. Porém, o termo vulgar assumiu uma conotação moralista, o que lhe confere um sentido de baixaria, coisa feita por gente sem educação. Neste caso, utilizamos vulgar como aquilo feito pela maioria das pessoas, deixando de lado a questão moralista e resgatando o sentido original da palavra.

Para muitos, o exercício filosófico é complicado pela diversidade de

respostas encontradas para questões sobre as quais não há um consenso.

Ao contrário do que estas pessoas pensam, vemos que esta é a riqueza da

filosofia, pois há sempre espaço para criar algo novo. Renée Descartes, pai

da filosofia moderna e um dos mais importantes filósofos do século XVI, afirma

“(

cabeças a pensá-lo” (DESCARTES, 1962, p. 46).

na filosofia havia sobre um assunto, tantas opiniões quantas fossem as

)

havia sobre um assunto, tantas opiniões quantas fossem as ) Servico_Social.indb 11 02 - SERVIÇO SOCIAL

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AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA Nessa linha de raciocínio, vamos analisar diferentes concepções

AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA

AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA Nessa linha de raciocínio, vamos analisar diferentes concepções do

Nessa linha de raciocínio, vamos analisar diferentes concepções do que seja a filosofia. Em seu livro Convite à Filosofia, Marilena Chauí (1997, p. 16-17) apresenta quatro conceitos:

visão de mundo: de um povo, de uma civilização ou de uma cultura.

um conceito muito amplo e genérico que não permite, por exemplo, distinguir a filosofia da religião;

É

sabedoria de vida: a filosofia seria uma contemplação do mundo e dos homens para nos conduzir a uma vida justa, sábia e feliz. Esse conceito nos diz somente o que se espera da filosofia (a sabedoria interior), mas não o que é e o que faz a filosofia;

esforço racional para conceber o universo como uma totalidade ordenada e dotada de sentido. Este conceito dá à Filosofia a

tarefa de explicar e compreender a totalidade das coisas, o que

de explicar e compreender a totalidade das coisas, o que é impossível; fundamentação teórica e crítica

é impossível;

fundamentação teórica e crítica dos conhecimentos e das práticas. A filosofia se interessa por aquele instante em que a realidade natural e histórica tornam-se estranhas, espantosas, incompreensíveis. Quando

o senso comum já não sabe o que pensar e dizer e as ciências ainda não sabem o que pensar e dizer.

Segundo Chauí, esse último conceito é o mais abrangente, pois concebe a filosofia como análise das condições das ciências, da religião, da moral,

como reflexão sobre si mesma e como crítica das ilusões e preconceitos indi-

a Filosofia é a busca

viduais e coletivos das teorias científicas, políticas. “(

do fundamento e do sentido da realidade em suas múltiplas formas” (CHAUI,

)

1997, p. 16-17).

em suas múltiplas formas” (CHAUI, ) 1997, p. 16-17). O termo crítica vem do grego krínein¸
O termo crítica vem do grego krínein¸ que significa julgamento, apreciação, bom senso.
O termo crítica vem do grego krínein¸ que significa julgamento, apreciação, bom senso.

Karl Marx afirma que a filosofia deve não só interpretar o mundo, mas transformá-lo. Isto é, a filosofia também pode ser compreendida como uma atividade que pode transformar o mundo por meio da ação de homens e mulheres preocupados em construir o futuro de acordo com seus princípios.

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AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA Quem pode ser filósofo? No século XX, Antônio
AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA Quem pode ser filósofo? No século XX, Antônio

AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA

Quem pode ser filósofo?

No século XX, Antônio Gramsci (1891-1937), filósofo italiano, afirma que todos os seres humanos podem ser filósofos. Acompanhe, a seguir, como Gramsci defende esta idéia.

Deve-se destruir o preconceito muito difundido de que a filosofia seja algo muito difícil pelo fato de ser a atividade intelectual própria de uma determinada categoria de cien- tistas especializados ou de filósofos profissionais e sistemá- ticos. Deve-se, portanto, demonstrar, preliminarmente, que todos os homens são ‘filósofos’, definindo os limites e as características desta ‘filosofia espontânea’ peculiar a ‘todo o mundo’, isto é, a filosofia que está contida: 1) na própria linguagem, que é o conjunto de noções e de conceitos e não, simplesmente, de palavras gramaticalmente vazias de conteúdo; 2) no senso comum e no bom-senso; 3) na religião popular e, conseqüentemente, em todo sistema de crenças, superstições, opiniões, modos de ver e de agir que se mani- festam naquilo que se conhece geralmente por ‘folclore’ (GRAMSCI, 1995, p. 11).

A filosofia da qual fala Gramsci é, muitas vezes, inconsciente porque não é refletida e está permeada pelo viver cotidiano. Para que esta filo- sofia espontânea, isto é, vivenciada diariamente, possa contribuir para a construção de um sentido e a formação da consciência do sujeito, é neces- sário um segundo momento: o da crítica. Gramsci indaga esse momento nos seguintes termos:geralmente por ‘folclore’ (GRAMSCI, 1995, p. 11). é preferível pensar sem disto ter consciência crítica,

é preferível pensar sem disto ter consciência crítica, de

uma maneira desagregada e ocasional, isto é, ‘participar’ de uma concepção de mundo ‘imposta’ mecanicamente pelo ambiente exterior, ou seja, por um dos vários grupos sociais nos quais todos estão envolvidos desde sua entrada

ou é preferível elaborar a própria

concepção de mundo de uma maneira crítica e consciente e, portanto, em ligação com este trabalho próprio do cérebro, escolher a própria esfera de atividade, participar ativamente na produção da história do mundo, ser o guia de si mesmo e não aceitar do exterior, passiva e servil-

no mundo consciente (

] [

)

do exterior, passiva e servil- no mundo consciente ( ] [ ) mente, a marca da

mente, a marca da própria personalidade? (GRAMSCI, 1995, p. 12).

Essa é, como vocês podem perceber, uma das mais esclarecedoras definições de filosofia, pois a vê como essencial para a formação da cons- ciência das pessoas.

essencial para a formação da cons- ciência das pessoas. Servico_Social.indb 13 02 - SERVIÇO SOCIAL 1º

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AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA 1.2 Investigando o que é ética Leia as

AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA

AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA 1.2 Investigando o que é ética Leia as manchetes

1.2 Investigando o que é ética

Leia as manchetes a seguir.

Em março deste ano, o caso da americana Terri Schiavo virou motivo de polêmica nos EUA. Em estado vegetativo havia 15 anos, Terri parou de receber alimentação por determinação da Justiça dos EUA, após um pedido do próprio marido. Os pais da americana tentaram, sem sucesso, reverter a decisão com o argumento de que ela ainda poderia se recuperar – ao contrário do que afirmavam os médicos. Terri acabou morrendo 13 dias depois (MUNDO. Zero Hora, Porto Alegre, 6 out. 2005. Caderno Gente).

Washington – Estudo do Banco Mundial (Bird) sobre os efeitos da deterioração do meio ambiente, denominado “O meio ambiente importa”, apresentado na quarta-feira, mostra que

a poluição do ar mata 800 mil pessoas anualmente. O docu-

mento afirma também que cerca de um quinto das doenças dos

países em desenvolvimento podem ser atribuídas a problemas ambientais, como falta de água potável e poluição do ar, e que os problemas ecológicos atingem, sobretudo, os mais pobres

e as crianças (Disponível em: <http://www.estadao.com.br/

ciencia/noticias/2005/out/06/9.htm>).

Os fatos que você viu anteriormente talvez tenham lhe provocado algum

tipo de reação. Situações e manchetes como essas sempre tocam o nosso senso moral. Em nossa consciência, avaliamos se são boas ou más, desejáveis ou indesejáveis, justas ou injustas, certas ou erradas. É muito difícil que fiquemos indiferentes a elas. É uma prova de que, a todo o momento, avaliamos o que se passa a nossa volta e procuramos, conscientemente ou não, aquilo que nos parece ser o melhor.

O senso moral e a consciência moral referem-se aos princípios que funda-

mentam nossas escolhas, sentimentos, emoções e valores. Mesmo sem nos darmos conta desses princípios, eles são a expressão de nossas crenças mais profundas, do mais valioso que possuímos. Podemos afirmar, portanto, que o nosso agir, a maneira como nos relacionamos conosco, com os outros e com o mundo, é o reflexo de nossa existência ética. Isso significa que, mais do que uma série de conteúdos normativos, refletiremos, nesta aula, sobre a forma

como assumimos essa relação com o que nos rodeia.

1.2.1 Ética e Moral

É muito comum, no dia-a-dia, utilizar-se os termos ética e moral como

se fossem sinônimos. Pretendemos demonstrar neste tópico que se trata de

14 1º PERÍODO • SERVIÇO SOCIAL • UNITINS

se trata de 14 1º PERÍODO • SERVIÇO SOCIAL • UNITINS Servico_Social.indb 14 02 - SERVIÇO

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AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA conceitos distintos. Em comum possuem o fato de
AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA conceitos distintos. Em comum possuem o fato de

AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA

conceitos distintos. Em comum possuem o fato de regular o agir humano, mas diferem quanto ao modo como se dá esse processo.

Práxis: os gregos chamavam práxis à ação de levar a cabo alguma coisa: significa ainda o conjunto de ações que o homem pode realizar e, neste sentido, a práxis se contrapõe à teoria. No marxismo significa interpendência entre a teoria e a prática, ou seja, uma prática refletida e uma teoria que vise a transformar o mundo.

Para Heráclito, o ethos designa a morada do homem. O ethos é a casa do homem, onde surgem os atos humanos – o fundamento da práxis. Para Heráclito a ética está vinculada à índole interior, ao estado de consciência da pessoa. O ethos é o espaço a partir do qual a Consciência se manifesta no homem. É algo íntimo, presente nele e não assimilado do exterior. Não é algo introjetado, mas aquilo que está presente nele. A ação ética surge de dentro para fora, tendo a Consciência como fonte que impulsiona para o reto agir. Em termos de Educação temos a “escolha da consciência”.

Para Aristóteles, o ethos diz respeito ao comportamento que resulta de

um constante repetir-se dos mesmos atos. Hábito. Modo de ser ou caráter que se vai adquirindo ao longo da existência. Ethos -hábitos-atos. Para Aristóteles o ethos não é algo que já esteja no homem e Ethos-hábitos-atos. Para Aristóteles o ethos não é algo que já esteja no homem e sim aquilo que foi adquirido por meio de hábitos. A ação expressa aquilo que foi assimilado previamente do exterior. Por isso não é inato. A ação ética surge de fora para dentro. São atos repetidos. Em termos de Educação, temos o ensino – a formação de hábitos. Esse foi o ponto de partida para o uso posterior da palavra moral, os costumes que devem ser introjetados por meio da educação moral.

que devem ser introjetados por meio da educação moral. Quando a palavra ethos foi transliterada –

Quando a palavra ethos foi transliterada – escrever com o nosso alfabeto uma palavra – predominou a conceituação utilizada por Aristóteles, ou seja, com o significado de hábito ou costume.

Moral: Vem do latim mos, moris, que significa maneira de se comportar regulada pelo uso. Daí vem costume, com as palavras do latim moralis, morale, relativo aos costumes.

Os costumes são diferentes em épocas e locais diferentes. A moral está vinculada ao sistema dominante, aos costumes daquela sociedade, e é rela- tiva; já a ética é universal. Se os hábitos são diferentes em culturas diferentes,

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AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA os princípios universais, a busca do bem, a

AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA

os princípios universais, a busca do bem, a preservação da vida, etc., são constantes e estão acessíveis, em qualquer lugar onde o homem estiver, pois ali estará sua mente.

Por influência de Aristóteles, e devido à transformação do ethos como morada em costumes, a ética, no seu sentido primordial dado por Heráclito, acabou sendo confundida com a moral tradicional. Se no grego havia dois

sentidos para o ethos, no latim foi usada só uma palavra – mores (costumes).

E, assim, costumes, vinculados aos hábitos, foi o significado que prevaleceu.

vinculados aos hábitos, foi o significado que prevaleceu. A ética é a ação em conformidade com

A ética é a ação em conformidade com a consciência. É uma ação sempre refletida e fruto da escolha livre e consciente – até para infringir uma norma, se for o caso. Não se trata de uma ação que vise apenas a seguir o senso comum ou o politicamente correto, para não ferir as aparências, a imagem ou aquilo que é externo. A ética é, antes de tudo, expressão da índole pessoal. Não defendemos com isto o relativismo, ou que tudo é lícito por ser fruto da delibe- ração pessoal, inclusive a violência. Pelo contrário, a ação livre e consciente está sempre de acordo com aqueles princípios universais, especialmente o respeito pela dignidade do outro como absolutamente outro em sua dignidade como pessoa humana.

Por sua vez, a moral se expressa como um conjunto de normas, regras, leis,

hábitos e costumes que definem de antemão o certo e o errado, o permitido e

o proibido, desejado ou indesejado. Por ser um conjunto de regras externas

a nossa consciência, deve ser cumprida necessariamente. Como não possui a adesão pessoal, seu não cumprimento resultará em algum tipo de sanção.

Enfim, quando se percebe o clamor na sociedade por novos códigos de normas (e de sanções), não se discute a ética, mas apenas mais um código moral. Dessa forma, perde-se o espaço para a reflexão e tomada de decisões tendo em vista as conseqüências de nossos atos, e deixa-se a cargo de terceiro, com os méritos e deméritos, o papel de guardião da ética, enquanto exime-se de assumir a condução da própria vida. A ação moral é muito menos exigente porque o esforço em pensar novas possibilidades de ação não chega a ser cogitado. Viver no mundo da ética implica caminho muito mais espinhoso, mas recompensador, tendo em vista que podemos atuar de forma autônoma, construtiva e responsável.

1.2.2 A avaliação ética

Conforme afirmamos anteriormente, a ética trabalha com juízos de valor. Os juízos de valor são normativos porque exprimem algo que é desejável e

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e 16 1º PERÍODO • SERVIÇO SOCIAL • UNITINS Servico_Social.indb 16 02 - SERVIÇO SOCIAL 1º

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AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA reprovam o que possa ser prejudicial. Os juízos

AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA

reprovam o que possa ser prejudicial. Os juízos de valor indicam, então, o que

é

o bom, pois visam a alcançar o bem. Porém, nem sempre é fácil determinar

o

que é o bem como fundamento para uma avaliação do que é desejável. A

seguir, apresentamos uma interessante abordagem do problema do bem e do bom a partir de algumas concepções em quatro períodos históricos, com base nas reflexões de Vázquez (2002, p. 155-171).

1.2.3

O bom como felicidade – eudemonismo

Aristóteles foi o primeiro pensador que sustentou a felicidade como o bem supremo. Para alcançá-la, seria necessário viver de acordo com a razão e possuir alguns bens;

a ética cristã sustenta que a verdadeira felicidade não se consegue aqui na terra, mas no céu como prêmio a uma vida de acordo com os preceitos cristãos;

os filósofos iluministas e materialistas franceses sustentavam o direito de os homens serem felizes neste mundo, porém tratavam o homem de forma abstrata sem levar em conta as condições reais em que viviam.

Eudemonismo: etimologicamente, em grego, significa felicidade. Doutrina filosófica que defende a felicidade como bem supremo.

1.2.4 O bom como prazer – hedonismo

como bem supremo. 1.2.4 O bom como prazer – hedonismo Epicuro sustentava que cada um deveria

Epicuro sustentava que cada um deveria procurar o máximo de prazer, não se referia aos prazeres sensíveis e imediatos (comida, bebida, sexo), mas aos prazeres duradouros e superiores como os intelectuais e estéticos.

As teses fundamentais do hedonismo são:

1. todo prazer ou gozo é intrinsecamente bom;

2. somente o prazer é intrinsecamente bom;

3. a bondade de um ato ou experiência depende do prazer que contém.

Hedonismo: vem do grego, hedoné, prazer. Doutrina que atribui ao prazer uma predominância, quer de fato, quer de direito.

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AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA 1.2.5 O bom como “boa vontade” – formalismo

AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA

1.2.5 O bom como “boa vontade” – formalismo kantiano

Kant defendia que o bom deveria ser absoluto, irrestrito ou incondicio- nado. Afirma, portanto, que “a boa vontade não é boa pelo que possa fazer ou realizar, não é boa por sua aptidão para alcançar um fim a que nos propu- séramos; é boa só pelo querer, isto é, boa em si mesma”. Considerada por si só, é, sem comparação, muitíssimo mais valiosa do que tudo que poderíamos obter por meio dela.

Iluminismo: corrente filosófica (século XVIII) que defende o uso da razão contra o absolutismo que impede as pessoas de saírem de sua menoridade intelectual.

1.2.6

O bom como útil - Utilitarismo

O

utilitarismo concebe o bom como útil, mas não em um sentido egoísta ou

altruísta, e sim no sentido da felicidade geral para o maior número de pessoas possível. Os principais expoentes desta corrente foram Jeremy Bentham (1784- 1832) e John Stuart Mill.

foram Jeremy Bentham (1784- 1832) e John Stuart Mill. 1.2.7 Responsabilidade Ética O sujeito ético,

1.2.7

Responsabilidade Ética

O

sujeito ético, para que alcance o status de responsável por sua ação,

deve atender a quatro condições. No esquema a seguir abordaremos a concepção de Chauí (2000, p. 337-338):

ser consciente de si e dos outros, isto é, ser capaz de reflexão e de reconhecer a existência dos outros como sujeitos éticos iguais a ele;

ser dotado de vontade, isto é, de capacidade para controlar e orientar desejos, impulsos, tendências, sentimentos (para que estejam em conformidade com a consciência) e de capacidade para deliberar e decidir entre várias alternativas possíveis;

ser responsável, isto é, reconhecer-se como autor da ação, avaliar os efeitos e conseqüências dela sobre si e sobre os outros, assumi-la, bem como as suas conseqüências, respondendo por elas;

ser livre, isto é, ser capaz de oferecer-se como causa interna de seus sentimentos, atitudes e ações, por não estar submetido a poderes externos que o forcem e o constranjam a sentir, a querer e a fazer

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e a fazer 18 1º PERÍODO • SERVIÇO SOCIAL • UNITINS Servico_Social.indb 18 02 - SERVIÇO

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AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA alguma coisa. A liberdade não é tanto o
AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA alguma coisa. A liberdade não é tanto o

AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA

alguma coisa. A liberdade não é tanto o poder para escolher entre vários caminhos possíveis, mas o poder para autodeterminar-se dando a si mesmo as regras de conduta.

1.3 Cidadania: construindo possibilidades

O discurso da cidadania tem ocupado importantes espaços de discussão em

nossa sociedade. Tem-se apresentado a cidadania como a panacéia que resolverá todos os males, principalmente os que envolvem o desvio dos recursos públicos.

A banalização do uso do termo não tem contribuído para a efetivação de

políticas públicas e do engajamento da sociedade civil na solução dos graves problemas sociais que enfrentamos na sociedade contemporânea.

Mas o que é cidadania afinal? Como ela é vista e vivida? Podemos nos reportar à cidadania como algo automático? Essas são questões que orien- tarão nosso debate a seguir.

1.3.1 A cidadania entre os gregos

Provavelmente, um cidadão grego estranharia o conceito de cidadania

para nós hoje. Podemos identificar a origem do conceito de cidadania naum cidadão grego estranharia o conceito de cidadania sociedade greco-romana, no período da antiguidade

sociedade greco-romana, no período da antiguidade clássica, entre os séculos

VI e IV a.C. A cidadania era um título recebido por aquele que participava do

era um título recebido por aquele que participava do culto da cidade e, dessa forma, poderia

culto da cidade e, dessa forma, poderia usufruir dos direitos civis e políticos.

Cidadão na Grécia antiga é, portanto, todo aquele que segue a religião

da cidade e honra seus deuses. Aos estrangeiros, às mulheres, aos escravos,

às crianças, era vedada essa possibilidade, tendo em vista a preservação das

cerimônias sagradas. A religião era, dessa forma, o marco referencial que deli- mitava o espaço da cidadania e distinguia de forma categórica o cidadão do estrangeiro. Em outras palavras, a cidadania grega era realmente excludente.

A pólis, definindo um modo de vida urbano que seria a base da civilização ocidental, mostrou-se ser um elemento fundamental na constituição da cultura grega. Ela possuía uma configuração espacial.

Na Grécia antiga, ser cidadão significava a oportunidade de ser ouvido na assembléia, isto é, representava o direito de exercer cargos públicos e defender seus próprios interesses no tribunal.

públicos e defender seus próprios interesses no tribunal. Servico_Social.indb 19 02 - SERVIÇO SOCIAL 1º P.

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AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA A cidadania, em suas origens, é um mecanismo

AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA

A cidadania, em suas origens, é um mecanismo de exclusão. Designava aqueles que podiam gozar de uma série de direitos e aproveitar-se disso tomando decisões favoráveis aos seus interesses. Apesar dos avanços conse- guidos pela cidadania que, de certa forma, eliminaram as diferenças de origem, classe e função e instauraram a isonomia, isto é, a igual participação de todos os cidadãos no exercício do poder, a maioria absoluta da população encontrava-se alijada deste exercício.

Aranha e Martins (1995, p. 65) nos dão uma visão desta situação de exclusão quando afirmam que

o apogeu da democracia ateniense se dá no século V a C., já no período clássico, quando Péricles era estratego. È bem verdade que Atenas possuía meio milhão de habitantes dos quais 300 mil escravos e 50 mil metecos (estrangeiros); excluídas mulheres e crianças, restavam apenas 10% considerados cidadãos propria- mente ditos, capacitados para decidir por todos.

Apesar desse aspecto excludente, a cidadania, como os antigos a constru- íram, foi uma grande invenção, pois separou os interesses públicos e privados e mostrou que o poder poderia ser exercido por todos os cidadãos. Essa é a grande contribuição de gregos e romanos para nossa cultura.

contribuição de gregos e romanos para nossa cultura. 1.3.2 Os direitos do homem e do cidadão:

1.3.2 Os direitos do homem e do cidadão: a cidadania a partir da Revolução Francesa (Século XVIII)

Com a expansão territorial e militar romana, a Grécia acabou sendo domi- nada. O conceito de cidadania, como os gregos o haviam construído, era incompatível com as formas oligárquicas de exercício do poder na sociedade romana. Após a fragmentação do Império Romano do Ocidente e a consti- tuição da sociedade feudal, a questão da cidadania perde sua relevância política e cai no esquecimento.

Porém, com a reurbanização e fortalecimento do poder centralizado nos Estados modernos, os debates em torno da cidadania voltam a ocorrer. A necessidade de justificação racional do poder político em oposição a monar- quias hereditárias, claro sinal de privilégio para a nobreza, será realizada pelo Iluminismo. Esse movimento filosófico torna-se o escopo ideológico para os interesses da burguesia que, apesar de possuir o poder econômico, não participa politicamente do poder e é obrigada a sustentar os privilégios da nobreza pelo pagamento de impostos. O lema “sapere aude” - ouse fazer uso da tua razão - indica que somente aquilo que pode ser racionalmente justificado é válido. A origem do poder não é mais de ordem teológica, mas

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AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA os seres humanos, por meio de um contrato,
AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA os seres humanos, por meio de um contrato,

AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA

os seres humanos, por meio de um contrato, baseado em critérios racionais, é que constituirão o poder. Instaura-se o conflito entre a burguesia e a nobreza. Daí ocorrem as Revoluções Inglesa (1688) e Americana (1776).

Revolução Francesa é o nome dado ao conjunto de acontecimentos ocorridos entre 5 de Maio de 1789 e 9 de Novembro de 1799 e que alteraram o quadro político e social da França. Historiadores modernos apontam que a Revolução teve três fases:

uma fase burguesa, uma segunda fase radical e a terceira, contra-burguesa.

A Revolução Francesa, nesse caso, é paradigmática. Por meio da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (DDHC) institucionaliza-se que os seres humanos gozam de direitos frente ao Estado antes de parti- cipar de qualquer sociedade. São, dessa forma, direitos naturais do indivíduo singular. A DDHC oferecerá ao cidadão o direito, inalienável, de liberdade frente ao Estado, devendo aquele resistir a qualquer forma de opressão e agressão a sua dignidade por parte deste.

Inspirados na experiência das declarações inglesa e americana, que reco- nheciam juridicamente os direitos do cidadão, os revolucionários instituciona- lizam por meio da nova constituição as conquistas alcançadas pela Revolução. Com isso, pretendiam impedir possíveis retrocessos.de opressão e agressão a sua dignidade por parte deste. Porém, a burguesia, condutora do processo

Com isso, pretendiam impedir possíveis retrocessos. Porém, a burguesia, condutora do processo revolucionário,

Porém, a burguesia, condutora do processo revolucionário, precisa delimitar quais serão os elementos do antigo regime que deverão ser reformados e quais conservados, além de procurar deter os anseios populares na medida exata para a realização de seus interesses ante as demandas de reformas abran- gentes prometidas às massas em troca de apoio na Revolução. Por isso, a forma como a cidadania será estabelecida é muito mais formal e abstrata do que os desejos do povo. Assim, a burguesia preserva seus interesses econômicos.

A expansão e a universalização da cidadania se darão a partir da legali- zação dos direitos sociais, fato que se deu entre o fim do século XIX e o início do século XX. É o que veremos a seguir.

1.3.3 Conceituando a cidadania

Jaime Pinsky (2003, p. 9) afirma que

ser cidadão é ter direito à vida, à liberdade, à propriedade, à igualdade perante a lei: é, em resumo, ter direitos civis. É também participar do destino da sociedade, votar e ser votado, ter direitos políticos. Os direitos civis e políticos não asseguram

políticos. Os direitos civis e políticos não asseguram Servico_Social.indb 21 02 - SERVIÇO SOCIAL 1º P.

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AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA a democracia sem os direitos sociais, aqueles que

AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA

a democracia sem os direitos sociais, aqueles que garantem

a participação do indivíduo na riqueza coletiva: o direito à

educação, ao trabalho, ao salário justo, à saúde, a uma velhice tranqüila. Exercer a cidadania plena é ter direitos civis, polí- ticos e sociais.

O ordenamento jurídico contemporâneo entende que o direito necessita

de reconhecimento na forma de uma lei escrita, ou seja, positivada. Do ponto de vista legal, só isso bastaria para assegurar os direitos de cidadania. Porém não é essa a opinião de setores amplos da sociedade organizada, uma vez que o Estado deve promover sua organização de forma a garantir, por meio de políticas públicas, que todos tenham acesso aos direitos.

políticas públicas, que todos tenham acesso aos direitos. Em um regime democrático, como o nosso, é

Em um regime democrático, como o nosso, é imprescindível que o debate

em torno das políticas públicas seja feito de forma transparente, assegurando

a todos o direito de colocar publicamente suas demandas. A aplicação de

mecanismos de democracia direta tais como consultas populares, audiências públicas, criação de conselhos entre outros é instrumento necessário para a participação da sociedade civil, uma vez que é cada vez mais consenso na sociedade que a democracia representativa parlamentar possui uma série de lacunas e falhas.

O Brasil já vem dando passos significativos quanto a isso. Mas, somente

por meio de uma boa política educacional, que vise à emancipação do cidadão, é que estes instrumentos terão eficiência e eficácia. A educação de qualidade promove o bem-estar coletivo e constrói no cidadão as condições para que possa controlar a execução das políticas públicas, ou seja, o efetivo acesso aos direitos, e exigir a transparência necessária por parte do Estado no

uso dos recursos públicos.

Síntese da aula

O termo filosofia deriva do grego philos (= amigo) e sophia (= sabedoria).

Quem pode ser filósofo? Todos aqueles que cultivam a curiosidade, estão abertos ao novo, não aceitam as coisas de modo passivamente e procuram dar

uma resposta pessoal aos problemas que encontram. A admiração/espanto

e a angústia são atitudes que provocam o início da reflexão filosófica. Vimos

também nesta aula, que a ética é uma postura de vida que não pode ser redu- zida a uma série de normas. Pudemos perceber também que, ao longo da história, cada cultura e cada povo procura construir princípios éticos que visam sempre a alcançar o bem. A banalização do uso do termo cidadania não tem

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AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA contribuído para a efetivação de políticas públicas e
AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA contribuído para a efetivação de políticas públicas e

AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA

contribuído para a efetivação de políticas públicas e do engajamento da socie- dade civil na solução dos graves problemas sociais que enfrentamos. Cidadão na Grécia é, portanto, todo aquele que segue a religião da cidade e honra seus deuses. Aos estrangeiros, às mulheres, aos escravos, às crianças, era vedada esta possibilidade, tendo em vista a preservação das cerimônias sagradas. Com a Revolução Francesa, cria-se a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (DDHC), a qual institucionaliza que os seres humanos gozam de direitos frente ao Estado, antes de participar de qualquer sociedade.

Atividades

1. Reflita sobre o texto a seguir “Muitos políticos vêm facilitado seu nefasto trabalho pela ausência da filosofia. Massas e funcionários são mais fáceis de manipular quando não pensam, mas tão-somente usam de uma inteli- gência de rebanho. É preciso impedir que os homens se tornem sensatos. Mais vale, portanto, que a filosofia seja vista como algo entediante” (JASPERS, citado por ARANHA; MARTINS, 1996, p. 77).

Elabore um texto de 15 linhas sobre o seu posicionamento pessoal a respeito da reflexão abordada.(JASPERS, citado por ARANHA; MARTINS, 1996, p. 77). 2. Elabore uma reflexão sobre a afirmação “ser

posicionamento pessoal a respeito da reflexão abordada. 2. Elabore uma reflexão sobre a afirmação “ser ético

2. Elabore uma reflexão sobre a afirmação “ser ético é ser herói”. Construa para isso um texto crítico de 15 linhas.

3. Em relação às afirmações a seguir, assinale V para as verdadeiras e F para as falsas, depois indique a sequência correta.

(

) A cidadania na Grécia antiga era altamente excludente, pois mulheres, escravos, estrangeiros e não-proprietários não poderiam ser cidadãos.

(

) Na Idade Média a cidadania perde força, pois predominaram os inte- resses pela vida espiritual e busca da salvação.

(

) A Revolução Francesa pouco contribuiu para a afirmação da cida- dania, pois foi liderada pelos burgueses.

(

) Atualmente os governos precisam garantir o efetivo exercício da cida- dania, por meio da implantação de políticas públicas.

4. Em relação às interfaces entre filosofia, ética e cidadania, muitas são as possibilidades. Aponte a alternativa incorreta sobre a relação entre filo- sofia, ética e cidadania.

sobre a relação entre filo- sofia, ética e cidadania. Servico_Social.indb 23 02 - SERVIÇO SOCIAL 1º

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AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA a) A filosofia promove a discussão sobre a

AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA

a) A filosofia promove a discussão sobre a justiça e sobre a cidadania.

b) No período medieval a filosofia, ética e cidadania recebiam a influ-

ência da visão antropocêntrica.

c) Na modernidade busca-se resgatar valores da antiguidade clássica,

dentre eles a visão antropocêntrica.

d) Durante a Revolução Francesa é promulgada a Declaração Universal

dos Direitos do Homem e do Cidadão.

Comentário das atividades

Na atividade 1, você pode abordar a questão de que a ausência de filo-

sofia significa ausência de reflexão e análise profunda de qualquer realidade.

Procure também escrever sobre as dificuldades de se exercer a cidadania

quando faltam a reflexão, a análise e a crítica.

Na atividade 2, procure analisar o seu dia-a-dia e veja como já se tornou

comum essa afirmação de que “ser ético é ser herói”. Estamos de fato em uma

crise de valores. Descreva situações concretas em que aparece essa crise.

Descreva situações concretas em que aparece essa crise. Na atividade 3 você terá que fazer uma

Na atividade 3 você terá que fazer uma análise histórica da cidadania.

Na Grécia, a cidadania era excludente, cerca de 10% da população apenas

eram cidadãos. No medievo, a cidadania perde importância prevalecendo

as questões de interesse espiritual. A Revolução Francesa, por meio da

Declaração dos Direitos do Cidadão, foi importante marco da afirmação de

direitos de cidadania. Atualmente, os governos procuram garantir a cidadania

implantando políticas públicas nas diferentes áreas, como saúde, educação,

moradia, lazer, etc.

Na atividade 4, veja que são intrínsecas as relações ao longo da história

entre filosofia, ética e cidadania. No medievo, essas relações estão de acordo

com a visão teocêntrica de mundo. Na modernidade há o resgate do antro-

pocentrismo da antiguidade e, a partir da Revolução Francesa, acontecem as

promulgações de Direitos de cidadania.

Referências

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando:

introdução à filosofia. 2. ed. São Paulo: Moderna, 1995.

DESCARTES, R. Discurso do método. In: Descartes: obras escolhidas. São Paulo: Difel, 1962.

24 1º PERÍODO • SERVIÇO SOCIAL • UNITINS

1962. 24 1º PERÍODO • SERVIÇO SOCIAL • UNITINS Servico_Social.indb 24 02 - SERVIÇO SOCIAL 1º

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AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA GRAMSCI, A. A concepção dialética da história .

AULA 1 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA

GRAMSCI, A. A concepção dialética da história. São Paulo: Cortez, 1995.

LEWIS, C. Alice no país das maravilhas. Disponível em: <http://www.alfredo- braga.pro.br/biblioteca/alice-3.html>. Acesso em: 20 jun. 2006.

Na próxima aula

As bases da sociedade ocidental podem ser encontradas na filosofia grega.

Filósofos como os sofistas e, principalmente, Sócrates, Platão e Aristóteles, foram

pensadores que definiram conceitos como ética, lógica, política, metafísica,

que duraram séculos. A própria palavra cidadania surge no contexto da anti-

guidade grega. Estas questões e a relação entre Filosofia, Ética e Cidadania

na Grécia e no Helenismo é o que veremos na próxima aula.

Anotações

no Helenismo é o que veremos na próxima aula. Anotações Servico_Social.indb 25 02 - SERVIÇO SOCIAL
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AULA 2 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA Aula 2 Pressupostos filosóficos da ética e da
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Aula 2
Pressupostos filosóficos da ética e
da cidadania na Antiguidade
Objetivos

Esperamos que, ao final desta aula, você seja capaz de:

contextualizar a antigüidade clássica;

identificar características dos Sofistas, Sócrates, Platão, Aristóteles e do período helenista.

Pré-requisitos

Para integralizar os conteúdos desta aula é importante trazer presente

os conceitos de filosofia, ética e cidadania que vimos na aula anterior. Estes, como vimos, estão inter-relacionados e se complementam. Esta visão integrada vai ser a principal característica da antiguidade clássica.os conteúdos desta aula é importante trazer presente Introdução No século V a.C., conhecido como Século

Introdução

característica da antiguidade clássica. Introdução No século V a.C., conhecido como Século de Péricles, auge

No século V a.C., conhecido como Século de Péricles, auge da demo- cracia, Atenas tornou-se o centro da vida cultural e política da Grécia.

O ideal de educação aristocrática, baseado em Homero e Hesíodo, do guerreiro belo e bom em que a virtude (arete = ser bom naquilo que faz, excelência) maior era a coragem, é substituído pela educação do cidadão, a formação do bom orador, que é aquele que participa das decisões da pólis, argumentando e persuadindo os outros.

2.1 O movimento Sofista

Para educar os jovens desse novo período, surgem os Sofistas (sábios, especialistas do saber). Eles eram cidadãos da Hélade (toda Grécia), não só de uma cidade-estado. Os Sofistas elaboraram teoricamente e legitimaram o ideal da nova classe em ascensão, a dos comerciantes enriquecidos.

nova classe em ascensão, a dos comerciantes enriquecidos. Servico_Social.indb 27 02 - SERVIÇO SOCIAL 1º P.

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AULA 2 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA Para os Sofistas, o pensamento dos filósofos até

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Para os Sofistas, o pensamento dos filósofos até então estava cheio de erros, era contraditório e não tinha utilidade para a vida da pólis (cidade). É inútil procurar as causas primeiras das coisas, a metafísica, sem antes estudar o homem em profundidade e determinar com exatidão o valor e o alcance de sua capacidade de conhecer. O interesse dos Sofistas era essen- cialmente humanístico.

Metafísica: do grego metâ tà physikò = depois dos tratados da física.

Assim, a palavra significa literalmente depois da física (Metha = depois, além; Physis = física). É também definida como a parte da filosofia que procura os princípios e as causas primeiras.

que procura os princípios e as causas primeiras. A realidade e a lei moral, para os

A realidade e a lei moral, para os sofistas, ultrapassam a capacidade

cognitiva do homem: ele não pode conhecê-las. Tudo o que o homem conhece é arquitetado por ele mesmo: “O homem é a medida de todas as coisas” (Protágoras). Não pode haver conhecimento verdadeiro, absoluto, mas somente conhecimento provável. O fim supremo da vida para os sofistas é o prazer.

O movimento sofístico tinha como pilar de sustentação a opinião e a retó-

rica, cuja técnica definia o homem público. E foi com essa idéia de formação dos jovens na técnica de instrumentos da oratória e retórica que se basearam os Sofistas, respondendo às necessidades da democracia grega.

2.2 Sócrates

Sócrates viveu em Atenas entre 469 e 399 a.C. O Oráculo de Delfos lhe revelou que era o homem mais sábio da Grécia. Sócrates concluiu que era o mais sábio porque tinha consciência da sua própria ignorância. Sua vocação era ajudar os homens a procurar a verdade.

Seu objetivo era incitar os homens a se preocuparem, antes de tudo, com

os interesses da própria alma, procurando adquirir sabedoria e virtude. Antes

de conhecer as causas primeiras, os princípios metafísicos, é preciso conhe-

cer-se a si mesmo, saber qual é a essência do homem. O homem é a sua

alma. Alma é a razão, o lugar, sede de nossa atividade pensante e eticamente

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eticamente 28 1º PERÍODO • SERVIÇO SOCIAL • UNITINS Servico_Social.indb 28 02 - SERVIÇO SOCIAL 1º

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AULA 2 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA operante. É preciso educar os homens para que

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operante. É preciso educar os homens para que cuidem mais de sua alma do que do corpo.

Dotado de espírito arguto e questionador, a grande preocupação de Sócrates era com a moral, era descobrir o que era justo, verdadeiro e bom. Assim as indagações filosóficas mais urgentes devem ser: O que é bom? O que é certo? O que é justo?

Sócrates afirmava que o homem pecava por falta de conhecimento. Se tivesse conhecimento das coisas, não pecaria. Portanto, conhecimento era virtude, sendo a ignorância a maior causa do mal.

Para o conhecimento verdadeiro sobre o bem, o mal e a justiça, utilizava na praça pública, junto aos jovens e a todos os que o seguiam, inclusive Platão,

o método de pergunta e resposta. Seu método foi posteriormente denominado

maiêutica – parturição das idéias. Sócrates extraía aos poucos do interlocutor

o conhecimento através da lógica, impregnada de ironia. Sócrates deixa emba-

raçado e perplexo aquele que está seguro de si mesmo, faz com que o homem veja os seus problemas, desperta curiosidade e o estimula a refletir, não ensina a verdade, mas ajuda cada um a descobri-la nele mesmo. Para ele, aprender não é coisa fácil, só lenta e progressivamente se chega ao conhecimento da verdade. da lógica, impregnada de ironia. Sócrates deixa emba- Fanarete, a mãe de Sócrates, era parteira. Talvez

e progressivamente se chega ao conhecimento da verdade. Fanarete, a mãe de Sócrates, era parteira. Talvez

Fanarete, a mãe de Sócrates, era parteira. Talvez daí venha a influência para o seu método.

Seu objetivo, por meio da dialética e da ironia, era desmascarar a falsa sabedoria e chegar a um conhecimento da natureza humana. Podia-se chegar ao conhecimento verdadeiro com muito trabalho intelectual.

A ética socrática baseava-se no respeito às leis e, portanto, à coletividade. Vislumbrava nas leis um conjunto de preceitos de obediência incontornável, independentemente de essas serem justas ou injustas. Entendia o direito como um instrumento de coesão em favor do bem comum. É pela submissão às leis que a ética da cidade se organiza, já que a ética do coletivo está sempre acima da ética do individual.

Os poderosos da época viram-se ameaçados pela atitude filosófica de Sócrates:

ele provocava o pensamento crítico e os jovens poderiam começar a questionar as suas ações. Sócrates tornou-se uma figura muito polêmica, amada e odiada por muitos. Foi preso sob acusação de corrupção da juventude e de não acreditar nos

de corrupção da juventude e de não acreditar nos Servico_Social.indb 29 02 - SERVIÇO SOCIAL 1º

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deuses da cidade. Seu julgamento ficou célebre e foi condenado com duas opções de pena: ou exilar-se ou morrer (ingerindo um veneno – a cicuta).

Coerente com sua postura e sua filosofia de que “mais vale um homem infeliz no sentido de estar permanentemente inquieto com a busca da verdade, do que viver como um porco satisfeito”, Sócrates escolhe beber cicuta, ficando para a posteridade seu amor à verdade, ao desapego aos bens materiais, à postura ética frente a si próprio e a sua sociedade. Aceitou a morte como prova de que ele defendia o valor da lei como elemento de ordem do todo.

Magee (2001, p. 23), ao falar sobre a postura de Sócrates, afirma que:

p. 23), ao falar sobre a postura de Sócrates, afirma que: nenhum outro filósofo teve mais

nenhum outro filósofo teve mais influência do que Sócrates, tendo sido o primeiro a ensinar a prioridade da integridade pessoal em termos do dever da pessoa para consigo mesma, e não para com os deuses, a lei ou quaisquer outras autoridades. Além disso, buscou, mais do que ninguém, o princípio de que tudo deve estar aberto ao questionamento – não pode haver respostas taxativas e inflexíveis, porque elas próprias, como tudo o mais, estão abertas ao questionamento.

Desde então, o método de pergunta e resposta, instigando o aluno a pensar, para buscar a verdade, constitui, por excelência, o método pedagó- gico utilizado amplamente no processo de ensino-aprendizagem.

2.3 Platão

Seu nome era Aristócles, mas pelo vigor físico e extensão de sua testa recebe o apelido de Platão, platôs em grego significa amplitude, largueza, extensão. Platão foi discí- pulo de Sócrates por cerca de 10 anos. Filho de família nobre, entrou na escola de Sócrates para se preparar para a política. Ficou, porém, decepcionado com as injus- tiças praticadas pelo governo e pela condenação de Sócrates à morte, abandonando sua aspiração à política. Com a condenação de Sócrates, Platão deixa Atenas e vai a Megara, temendo perseguições do governo de Atenas. Em 387 a.C., volta a Atenas e funda a Academia. A Academia é, por muitos, considerada a primeira universidade que existiu a estrutura do programa da academia era a geometria e a matemática. Durante séculos, a academia foi o centro de atração para todos os estudiosos. Platão morre em 347a.C.

Diferentemente de seu mestre Sócrates, que nada escreveu, Platão escreveu cerca de duas dezenas de diálogos, verdadeiras peças literárias. Por meio desses diálogos, expõe, na primeira etapa, as idéias de Sócrates e, na segunda, suas próprias idéias.

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AULA 2 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA Fundou sua escola com o nome de Academia

AULA 2 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA

Fundou sua escola com o nome de Academia cujos estudos básicos eram aritmética, geometria, astronomia e as harmonias do som, cujo objetivo era preparar os jovens para se iniciarem nas indagações filosóficas.

De sua obra, dois diálogos são considerados pelos historiadores os mais famosos: a República, que se ocupa, sobretudo, da natureza da justiça (e, portanto, da ética), no qual traça o plano do Estado ideal, e o Banquete, uma investigação sobre a natureza do amor.

Platão acompanhou e vivenciou o drama da acusação de Sócrates e regis- trou o acontecimento nos diálogos: o Crítias, a Apologia e o Fédon. A Apologia narra o discurso feito por Sócrates em sua própria defesa em seu julgamento e é a justificativa de sua vida.

Para você compreender melhor a concepção de Platão sobre ética, vamos explicar, resumidamente, algumas idéias desse filósofo sobre como conhe- cemos a realidade e o que é a realidade para Platão.

Segundo ele, existem dois tipos de realidade: o mundo em que vivemos, do qual temos apenas um conhecimento sensível, aparente, e um mundo ideal, que são as essências com existência própria.

A República é um diálogo escrito no século IV a.C. por Platão. Nesse diálogo são questionados os assuntos da organização social. Nesta obra, Platão nos apresenta a alegoria da caverna (Mito da Caverna). Nela são apresentadas questões importantes sobre o viver, ação e ética.

Visite o site <http://pt.wikipedia.org/wiki/Mito_da_caverna> e aprofunde as questões que surgirem após a reflexão. Tente aproximar isso de sua prática profissional.

Tente aproximar isso de sua prática profissional. A doutrina das idéias é a intuição fundamental de

A doutrina das idéias é a intuição fundamental de Platão da qual derivam

todos os outros conhecimentos. Platão demonstra a existência do mundo das

idéias da seguinte forma:

a) Reminiscência: não tiramos as idéias universais da experiência, mas sim da recordação de uma intuição do que se deu em outra vida;

b) O verdadeiro conhecimento: a ciência só é possível quando são trabalhados conceitos universais. Para isso, deve existir o mundo inteligível, universal;

c) Contingência: idéia necessária e estática para que se explique o nascer e

o perecer das coisas.

para que se explique o nascer e o perecer das coisas. Servico_Social.indb 31 02 - SERVIÇO

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AULA 2 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA As idéias, segundo Platão, são incorpóreas, imateriais, não-sensíveis,

AULA 2 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA

As idéias, segundo Platão, são incorpóreas, imateriais, não-sensíveis, incorruptíveis, eternas, divinas, imutáveis, auto-suficientes, transcendentes.

2.3.1 A Ética das virtudes

A compreensão da teoria ética platônica passa também pela forma como

o filósofo concebe a alma e suas principais atribuições.

Para o discípulo de Sócrates, a alma – princípio que anima ou move o homem – se divide em três partes: razão, vontade (ou ânimo) e apetite (ou desejos). As virtudes são função desta alma, as quais são determinadas pela natureza da alma e pela divisão de suas partes. Na verdade, ele estava propondo uma ética das virtudes, que seriam função da alma.

Pela razão, faculdade superior e característica do homem, a alma se elevaria, mediante a contemplação, ao mundo das idéias. Seu fim último é purificar ou libertar-se da matéria para contemplar o que realmente é e, acima de tudo, a idéia do Bem. A ética platônica ensina a desprezar os prazeres, as riquezas, honras, a renunciar aos bens do corpo, as coisas deste mundo e a praticar a Virtude.

bens do corpo, as coisas deste mundo e a praticar a Virtude. A vida aqui na

A vida aqui na terra é passageira, é uma prova. A verdadeira vida está

no além-Hades (o invisível). No Hades, a alma é julgada, podendo receber prêmios, castigo eterno ou castigo temporário.

Para Platão, em conformidade com seu mestre Sócrates, a virtude consiste no conhecimento, e o mal, na ignorância. A virtude é uma só: a conquista da verdade. O ensinamento moral de Platão entra em choque com os valores tradicionais baseados nos poetas Homero e Hesíodo e codificados na reli- gião pública. Os valores de beleza do corpo e de saúde física são despre- zados por Platão.

O verdadeiro e autêntico fim da vida moral é a alma. E como cuidar dela? Procurando purificá-la, libertá-la dos laços que a prendem ao corpo e ao mundo material, habituando-a a viver só consigo mesma e só para si mesma. A alma deve elevar-se ao supremo conhecimento do inteligível, ou seja, à contemplação das idéias.

Platão, pode-se dizer, criou uma “pedagogia” para o desenvolvimento das virtudes. Na escola, as crianças, primeiramente, têm de aprender a controlar seus desejos, desenvolvendo a temperança, depois incrementar a coragem para, por fim, atingir a sabedoria.

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AULA 2 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA A ética de Platão tem relações com sua
AULA 2 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA A ética de Platão tem relações com sua

AULA 2 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA

A ética de Platão tem relações com sua filosofia política, pois é na pólis

(cidade estado) que acontece a vida moral.

O estado ideal, segundo Platão, correspondia ao ser humano: como o

corpo possui cabeça, peito e baixo-ventre, também o estado deveria possuir, respectivamente, governantes, guerreiros e trabalhadores, esses têm as

características que você vê a seguir.

Trabalhadores (lavradores, comerciantes e artesãos): neles preva- lece o aspecto concupiscível da alma, o mais elementar, sua virtude principal é a temperança que consiste na ordem, domínio e disci- plina dos prazeres e desejos. Pressupõe-se, também, desta classe, a submissão às ordens das classes superiores.

Guerreiros: nestes prevalecem a força volitiva da alma. A caracterís- tica destes deve ser, ao mesmo tempo, a mansidão e a ferocidade. A virtude dos guerreiros deve ser a fortaleza ou a coragem. Esta classe é responsável pela vigilância, deve cuidar dos perigos externos e internos da Cidade. Devem observar, também, para que as tarefas sejam confiadas aos cidadãos conforme a índole de cada um.

Governantes : estes deverão amar a cidade como ninguém. Têm de cumprir com zelo sua Governantes: estes deverão amar a cidade como ninguém. Têm de cumprir com zelo sua missão e, acima de tudo, que tenham apren- dido a conhecer e a contemplar o Bem e a Justiça. Nos governantes domina a alma racional e sua virtude principal é a sabedoria.

a alma racional e sua virtude principal é a sabedoria. A justiça nada mais é do

A justiça nada mais é do que a harmonia que se estabelece entre essas

três virtudes. O conceito de justiça em Platão é, segundo a natureza, cada um fazer aquilo que lhe compete fazer.

O regime ideal para Platão é o do filósofo-rei, pois o filósofo governa

pela sabedoria e sabe discernir melhor do que ninguém o que é justo ou injusto para a pólis. Bom governo é o que realiza o bem do homem (da alma). Estado ideal é o que quer viver no bem, na justiça e na verdade.

Logo o sábio e o cidadão pertencem aos segmentos superiores, privi- legiados que atingiram o conhecimento, a sabedoria pela razão. Na visão de Platão, os trabalhadores no Estado ocupam o lugar mais baixo em sua hierarquia.

A filosofia platônica exerceu grande influência no pensamento religioso

cristão e moral do ocidente.

no pensamento religioso cristão e moral do ocidente. Servico_Social.indb 33 02 - SERVIÇO SOCIAL 1º P.

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AULA 2 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA 2.4 Aristóteles Aristóteles (384-322 a. C.) nasceu em

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2.4 Aristóteles

Aristóteles (384-322 a. C.) nasceu em Estagira, na Trácia, em 384 a.C., na fronteira com a Macedônia. Seu pai era médico e serviu a Corte da Macedônia. Aos 17 anos, vai a Atenas e entra na Academia de Platão, na qual permanece por 20 anos, até a morte de Platão. Com a morte de Platão (347 a.C.) volta a Macedônia e torna-se preceptor de Alexandre Magno. Em 336 a.C., volta novamente a Atenas.

Em Atenas abriu uma escola chamada Peripatética, pois dava suas lições em um corredor do Liceu (Perípatos). O interesse da Escola de Aristóteles está nas ciências naturais.

da Escola de Aristóteles está nas ciências naturais. Platão escreveu suas obras em forma de diálogo;

Platão escreveu suas obras em forma de diálogo; Aristóteles, porém, preferiu

o Tratado, pois permitia mais clareza, ordem e objetividade. A atividade filo- sófica, segundo Aristóteles, nasce da admiração. Os homens foram levados

a filosofar, sendo primeiramente abalados pelas dificuldades mais óbvias e

foram progredindo pouco a pouco até resolverem problemas maiores. O filo- sofar deve estar destituído de conotação utilitária e interesseira. A Filosofia é a ciência das causas primeiras, é de todas as ciências a única que é livre, pois só ela existe por si. As outras ciências podem até ser mais necessárias que a filosofia, mas nenhuma se lhe assemelha em excelência.

Aristóteles rejeitou a teoria das idéias de seu mestre Platão, privilegiando

o mundo concreto. A observação da realidade, segundo Aristóteles, leva-nos à constatação da existência de inúmeros seres individuais concretos e mutáveis que são captados por nossos sentidos.

Partindo da realidade sensorial-empírica, a ciência deve buscar as estru- turas essenciais de cada ser. É a partir da existência do ser que devemos atingir a sua essência em um processo de conhecimento que caminha do indi- vidual ao universal.

Para isso, ele elege a experiência como fonte de conhecimento, mostrando que as formas são a essência das coisas, que não há separação entre os objetos e as formas: essas são imanentes àqueles. As idéias não existem fora das coisas: dependem da existência individual dos objetos.

Então, comparando as interpretações de Platão e Aristóteles sobre como podemos conhecer a realidade, constatamos que elas são radicalmente dife- rentes. Magee (2001) comenta que estas duas posições são

os dois arquétipos das duas principais abordagens conflitantes que têm caracterizado a filosofia ao longo da história. De um

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De um 34 1º PERÍODO • SERVIÇO SOCIAL • UNITINS Servico_Social.indb 34 02 - SERVIÇO SOCIAL

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AULA 2 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA lado há filósofos que atribuem um valor apenas
AULA 2 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA lado há filósofos que atribuem um valor apenas

AULA 2 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA

lado há filósofos que atribuem um valor apenas secundário ao conhecimento do mundo tal como apresentado a nossos sentidos, acreditando que nossa preocupação última precisa ser com algo que está por ‘trás’, ‘além’ ou ‘oculto sob a super- fície’ do mundo. Do outro lado, há os que acreditam que este mundo é em si mesmo o objeto mais adequado para nossa preocupação e nosso filosofar.

Para efeitos de nossos objetivos, destacamos para você o eixo central do pensamento de Aristóteles sobre Ética e Política.

2.4.1

O que é a Ética para Aristóteles?

O

Homem é um ser racional, e sua felicidade consiste na atuação da

razão, não em riquezas e honrarias. Felicidade é a plena realização das próprias capacidades. A atuação da razão está na contemplação. Mas os sentidos devem ser satisfeitos. É preciso haver harmonia entre razão e sentidos. Prazer e razão. Se tivermos auto-indulgência e autoconfiança desenfreadas estaremos em perpétuo conflito com os outros e, então, tais atitudes são preju- diciais ao nosso caráter. Em contrapartida, a inibição também. O meio para conseguir a felicidade é a virtude. Virtude é o hábito de escolher o justo meio. “A virtude está no meio”. Virtude é o ponto intermediário entre dois extremos,

sendo esses extremos considerados vícios. Aristóteles não identifica virtude com saber (como Platão), mas dá importância à escolha, à qual depende mais da vontade que da razão.”. Virtude é o ponto intermediário entre dois extremos, O homem encontra as virtudes éticas já

O homem encontra as virtudes éticas já prontas. São transmitidas pela

ordem estabelecida na sociedade e no Estado (pólis). Tais virtudes têm vali- dade e consentimento universal (por exemplo, prudência, generosidade). A atitude ética não nasce inicialmente dos julgamentos, mas é adquirida graças

à prática: pelo exercício, hábito, aprendizagem.

graças à prática: pelo exercício, hábito, aprendizagem. 2.4.2 E a Política, como Aristóteles a define? Para

2.4.2 E a Política, como Aristóteles a define?

Para Aristóteles, o Homem é por natureza um animal político. A origem do Estado se dá de maneira instintiva, natural. Segundo ele, quem vive fora do Estado ou não precisa dele ou é Deus, ou um animal.

O Estado deve tornar possível a vida feliz, só o Estado torna possível

a completa realização de todas as capacidades humanas. A finalidade do

Estado é o Bem Comum. O que irá tornar possível a relação entre o homem e

a política é a Justiça. Para a realização da justiça, é preciso que haja vontade,

o sujeito irá praticar determinado ato não porque foi condicionado a isso, mas sim porque ele próprio optou.

foi condicionado a isso, mas sim porque ele próprio optou. Servico_Social.indb 35 02 - SERVIÇO SOCIAL

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AULA 2 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA Aristóteles desenvolveu um conceito de justiça distributiva a

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AULA 2 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA Aristóteles desenvolveu um conceito de justiça distributiva a qual

Aristóteles desenvolveu um conceito de justiça distributiva a qual se refere

a todo tipo de distribuição feita pelo Estado, seja de dinheiro, honras, cargos,

etc. Refere-se às repartições nas quais se consideram aspectos subjetivos, méritos, qualificações, desigualdades etc. A justiça distributiva confere a cada um o que lhe é devido, dentro de uma razão de proporcionalidade participa- tiva, pela sociedade, evitando os extremos tanto do excesso como da falta.

O conceito de justiça distributiva implica outro conceito desenvolvido por

Aristóteles, a eqüidade. Na realização de uma lei ou da justiça, pode ocorrer

o injusto, daí nasce o conceito da equidade. A eqüidade indica um direito

que, embora não formulado pelos legisladores, acha-se difundido na cons- ciência das pessoas. Uma lei quando feita tem sua aplicação generalizada.

O fato é que a lei é para todos, mas nem todos os casos devem ser punidos

com o máximo de justiça. A eqüidade nasce do fato de que se deve tratar de maneira desigual os desiguais. Em uma sociedade escravocrata, a desigual- dade torna-se algo comum. A eqüidade representa a excelência do homem altruísta que, ao ter de recorrer ao império coativo da lei, prefere valer-se de técnicas de civilidade e virtuosismo que seguem os princípios da moral que permeou a escola socrática.

os princípios da moral que permeou a escola socrática. 2.5 O Helenismo Atualmente, percebe-se certa apatia

2.5 O Helenismo

Atualmente, percebe-se certa apatia das pessoas em relação às questões sociais e políticas. Para a maioria, o que importa é cada um se preocupar consigo mesmo e não se envolver nas questões coletivas. Vejamos o que esse cenário tem a ver com o assunto em pauta.

No Século IV a.C. Atenas perde sua hegemonia e independência para

os macedônios. Podemos datar esse período entre a morte de Aristóteles em

322 a.C. e o começo da Era Cristã. Nesse longo período a cultura e a língua gregas desempenharam papel preponderante nos três grandes reinos helê- nicos, a Macedônia, a Síria e o Egito.

Para melhor ilustrar este período sugerimos que você assista o filme “Alexandre”.
Para melhor ilustrar este período sugerimos que você assista o filme “Alexandre”.

Após a decadência política e econômica da Grécia Antiga, com a invasão por Alexandre Magno da Macedônia, a cultura construída pelos gregos

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AULA 2 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA permanece e se expande por meio das conquistas
AULA 2 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA permanece e se expande por meio das conquistas

AULA 2 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA

permanece e se expande por meio das conquistas de Alexandre, constituindo

o fenômeno hoje conhecido por helenismo.

Seu Império se estendia por quase todo o mundo conhecido pelos gregos antigos, da Itália à Índia, incluindo boa parte do que hoje é chamado de

Oriente Médio, junto com vastas áreas do Norte da África. As cidades-es- tados gregas perderam sua independência e foram absorvidas pelo império

de Alexandre, perdendo seu predomínio cultural.

Entretanto, esse imperador, aonde chegava, fundava novas cidades e incentivava o casamento dos gregos com mulheres locais, tornando-se essas populações cosmopolitas. Mas seu ethos e sua língua permaneceram gregos em toda parte. Formam-se, então, populações multirraciais e multilíngües. Caem, desta forma, preconceitos racistas contra bárbaros e escravos, pois Alexandre instruiu milhares de jovens bárbaros na arte da guerra. Tentou equiparar os bárbaros e escravos com os gregos. A cultura helênica (grega) torna-se hele- nística na difusão entre os vários povos e raças. A Hélade teve que assimilar alguns elementos desses povos, dos romanos, por exemplo, a praticidade.

A cidade mais importante deste império foi Alexandria, fundada por

Alexandre no norte da África, capital cultural deste império e durou cerca de

trezentos anos, desde a queda das cidades-gregas no século IV a.C. até o surgimento do Império romano no século I a.C.da África, capital cultural deste império e durou cerca de O declínio da pólis não corresponde

O declínio da pólis não corresponde ao nascimento de organismos polí-

ticos fortes capazes de ser referência moral e acender novos ideais. As monar-

quias helenísticas, nascidas após a dissolução do império de Alexandre (323 a.C.), foram organismos instáveis. De cidadão, o homem grego torna-se súdito. Das “virtudes civis”, passa-se a determinados conhecimentos técnicos que não podem ser domínio de todos, porque requerem estudos e disposições especiais.

de todos, porque requerem estudos e disposições especiais. O administrador da coisa pública torna-se funcionário,

O administrador da coisa pública torna-se funcionário, soldado, mercenário.

Há um desinteresse para com as coisas do Estado, da Política.

O helenismo é pouco propício à profundeza e originalidade. Os três

grandes filósofos de Atenas, Sócrates, Platão e Aristóteles se transformaram em

fonte de inspiração para diferentes correntes filosóficas, sobressaindo a preo- cupação com a Ética. Após a perda da independência da pólis, o cidadão grego se sente inseguro e perdido. A via da salvação é refugiar-se em si mesmo, em sua solidão interior. As grandes perguntas do período são: o que

é felicidade? Qual é o bem supremo? O mundo helenístico forma indivíduos.

Quebra-se o laço entre ética e política, homem-cidadão. Em 146 a.C, a Grécia

perde totalmente a liberdade tornando-se uma província romana.

totalmente a liberdade tornando-se uma província romana. Servico_Social.indb 37 02 - SERVIÇO SOCIAL 1º P. -

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AULA 2 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA Para resolver os problemas do homem cosmopolita da

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Para resolver os problemas do homem cosmopolita da época, relativos à ética e à verdade, surgem alguns movimentos filosóficos, dos quais destaca- remos o estoicismo e o epicurismo.

2.5.1 Epicurismo

O epicurismo foi a doutrina de maior influência no mundo romano. Deve

seu nome ao pensador grego Epicuro de Samos (347/270 a.C.) que foi seu iniciador. No entanto, não difundiu suas idéias sozinho, deixou discípulos que as disseminaram, quais sejam Menequeu, Heródoto, Pitocles, Metrodoro, Hermano e Colotes.

Foi reconhecendo a importância dos sentidos e seu papel para o homem

que o epicurismo delineia seus princípios éticos, tendo como base fundamental

a dor evitada e o prazer almejado.

No entanto, o prazer que defende o epicurismo é a ausência de dor. Epicuro afirmava que quando dizemos que o prazer é a meta, não nos refe- rimos aos prazeres terrenos dos depravados e dos bêbados, como imaginam os que desconhecem nosso pensamento ou nos combatem ou nos compre- endem mal, e sim à ausência de dor psíquica e à ataraxia da alma.

e sim à ausência de dor psíquica e à ataraxia da alma. Ataraxia : os estóicos

Ataraxia: os estóicos identificam a ataraxia com a apatia, isto é, a serenidade inte- lectual, o domínio de si, o estado da alma que se tornou estranha às desordens das paixões e insensível à dor, rejeitando a procura da felicidade. Já que as “coisas” não podem ser de outro modo, o mais sensato é acomodarmo-nos.

A ética social epicurista, uma vez compreendida, leva à conclusão de

que a consciência de dor e de prazer induz o homem a se furtar da dor, e, portanto, a evitar produzi-la injustamente em outrem. Fazendo, com isso,

surgir a ética social do prazer. Assim, o homem que sofre torna-se sensível ao sofrimento do outro. Aqui está a chave da sociabilidade ética do epicurismo,

e também a chave para a compreensão dos preceitos de justiça. A justiça

consiste em conservar-se longe da possibilidade de causar dano a outrem e de sofrê-lo; consiste naqueles lugares em que se concluiu um pacto para não

causar e não sofrer danos.

Para o epicurismo, a sensação é a origem de tudo, uma vez que a busca do prazer e a repulsão à dor, a si e por conseqüência a outrem, fazem com que as relações humanas sejam firmadas em pactos, a fim de gozar de um

bem estar social.

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AULA 2 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA Com o advento do cristianismo, os epicuristas eram
AULA 2 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA Com o advento do cristianismo, os epicuristas eram

AULA 2 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA

Com o advento do cristianismo, os epicuristas eram vistos como sinônimo

de perdição, pois negavam a imortalidade e a existência de um deus benévolo

e afirmavam ser fundamental viver os valores deste mundo.

A filosofia epicurista, no entanto, é considerada muito semelhante ao huma-

nismo científico e liberal do século XX. Essa filosofia foi a primeira versão raciona- lizada de uma postura de vida que tem sido muito abraçada em nossa época.

2.5.2 Estoicismo

O estoicismo é uma filosofia que preconiza que o homem deve enfrentar

o seu destino com coragem e dignidade e suportar a dor. Os estóicos conside-

ravam que o bem supremo era uma vida virtuosa.

Foi fundado no século IV a.C. e teve influências em toda filosofia Antiga

e Medieval-Cristã. A palavra estoicismo vem de Stoa que significa pórtico

(entrada do Templo ou Edifício Nobre). Os estóicos ensinavam sob os pórticos de Atenas. Expoentes: Zenão – fundador da Escola. Crisipo, Epicleto, Sêneca

e Marco Aurélio.

Surgiu na Grécia, mas foi em Roma que exerceu grande influência, facilitada pela austera psicologia do cidadão romano que constituíra o império. Filosofia que influenciou com mais força o Cristianismo e tornou-se indispensável para a preservação do Direito greco-romano. Ao expandir suas fronteiras, formando um vasto império, Roma desenvolve conhe- cimentos práticos, tais como construir estradas duradouras para trânsito de seus soldados e das mercadorias, e absorve a ética estóica, enquanto necessita de guerreiros fortes, valentes e destemidos, que saibam controlar as paixões e a dor.da Escola. Crisipo, Epicleto, Sêneca e Marco Aurélio. O Estoicismo busca explicar o mundo, os fenômenos

e destemidos, que saibam controlar as paixões e a dor. O Estoicismo busca explicar o mundo,

O Estoicismo busca explicar o mundo, os fenômenos naturais e estabe-

lecer uma ética para o homem, desenvolvendo dois valores: a igualdade e

a liberdade. O ser humano só é livre quando a vontade é autônoma, e isso

era possível na Grécia, onde os cidadãos tinham autonomia para criar suas normas jurídicas. Com o surgimento do Império, os indivíduos perderam sua função e isso fez com que surgisse uma nova concepção do homem.

A filosofia estóica afirma que “uma vez que a morte e a adversidade estão

fora de nosso controle, e acontecem a todo mundo, devemos enfrentá-las com nobre resignação”. Portanto, para os estóicos, só devemos nos preocupar com aquilo que depender de nós, que estiver ao nosso alcance e aceitar com imper- turbabilidade o que foge de nossa alçada. As pessoas não devem se rebelar

que foge de nossa alçada. As pessoas não devem se rebelar Servico_Social.indb 39 02 - SERVIÇO

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AULA 2 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA contra essa fatalidade, que não é, na visão

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contra essa fatalidade, que não é, na visão dessa filosofia, uma tragédia. A rebelião contra isso demonstra que nossas emoções estão erradas.

Os estoicistas alertavam para a postura de que ”se todas as nossas emoções forem submetidas a nossa razão, só admitirão juízos verdadeiros, e assim nos poremos de acordo com as coisas como realmente são”.

A ética estóica é uma ética da ataraxia, voltada não só para a finalidade

da conduta humana, mas para a ação, pois é nela que reside a capacidade de conferir felicidade ao homem. A ética estóica determina os cumprimentos éticos pelo simples dever, ou seja, a ética deve ser cumprida porque trata de mandamentos certos e incontornáveis da ação, mandamentos esses decor- rentes de lei natural; é a intuição das normas naturais que conferem ao homem a capacidade de discernir o que é favorável e o que é desfavorável ao seu bom agir. Isso vem bem espelhado nas obras de Cícero, quando explica que se não se deve agir pelo temor social da punição, mas a vontade de praticar justiça deve ser o móvel da ação.

a vontade de praticar justiça deve ser o móvel da ação. A ética estóica teve influência

A ética estóica teve influência indiscutível sobre a ética cristã. Os termos

estóico e estoicismo, no uso familiar de nossa língua, significam “enfrentar a

adversidade sem se queixar”.

Síntese da aula

O Movimento Sofista trouxe para o centro da reflexão filosófica a discussão

das questões humanistas. O objetivo de Sócrates era incitar os homens a se preocupar, antes de tudo, com os interesses da própria alma, procurando adquirir sabedoria e virtude. Sócrates, por meio da dialética e da ironia, procurava desmascarar a falsa sabedoria e chegar a um conhecimento da natureza humana. Para Platão, existem dois tipos de realidade: o mundo em que vivemos, do qual temos apenas um conhecimento sensível, aparente. E, por outro lado, um mundo ideal, que são as essências, com existência própria, fora deste mundo, que só atingimos por meio do conhecimento racional após uma purificação do conhecimento sensório. Aristóteles rejeitou a teoria das idéias de seu mestre Platão, privilegiando o mundo concreto. A observação da realidade, segundo Aristóteles, leva-nos à constatação da existência de inúmeros seres individuais concretos e mutáveis que são captados por nossos sentidos. Partindo da realidade sensorial-empírica, a ciência deve buscar as estruturas essenciais de cada ser. Para Aristóteles, o homem encontra as virtudes éticas já prontas. São transmitidas pela ordem estabelecida na sociedade e

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AULA 2 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA no Estado (pólis). Tais virtudes têm validade e

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no Estado (pólis). Tais virtudes têm validade e consentimento universal (por exemplo, prudência, generosidade). A atitude ética não nasce inicialmente dos julgamentos, mas é adquirida graças à prática: pelo exercício, hábito, aprendizagem.

Após a decadência política e econômica da Grécia Antiga com a invasão por Alexandre Magno da Macedônia, a cultura construída pelos

gregos permanece e se expande por meio das conquistas de Alexandre, constituindo o fenômeno hoje conhecido por helenismo. O declínio da pólis não corresponde ao nascimento de organismos políticos fortes capazes de ser referência moral e acender novos ideais. Para o epicurismo, a sensação

é a origem de tudo, uma vez que a busca do prazer e a repulsão à dor,

a si e, por conseqüência, a outrem, fazem com que as relações humanas

sejam firmadas em pactos, a fim de gozar de um bem estar social. O maior destaque da filosofia estóica é a capacidade de suportar as vicissitudes da vida com calma e dignidade.

Atividades

1. Vimos na aula que os sofistas foram os grandes educadores dos filhos dos ricos comerciantes que queriam participar da vida politica da pólis grega. Quais são os grupos sociais em ascensão atualmente? Que tipo de educação/treinamento procuram?

atualmente? Que tipo de educação/treinamento procuram? 2. Elabore uma análise crítica de 15 linhas da frase

2. Elabore uma análise crítica de 15 linhas da frase de Sócrates “mais vale um homem feliz do que um porco satisfeito”.

3. Nas afirmações a seguir indique as verdadeiras e as falsas e depois marque a sequência correta.

(

) Platão dividiu a realidade em Mundo Sensível e Mundo das Idéias.

(

) No Mito da Caverna Aristóteles defende que o homem é um animal político.

(

) Junto com Sócrates, Platão e Aristóteles são considerados os mais importantes pensadores da antiguidade grega.

(

) No período Helenista a cultura grega foi ignorada. Neste período foi enaltecida a cultura romana.

A seqüência correta é:

a) F, F, V, F

a cultura romana. A seqüência correta é: a) F, F, V, F Servico_Social.indb 41 02 -

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b) V, F, V, F

c) V, V, F, F

d) F, V, F, V

4. Após a decadência política e econômica da Grécia Antiga com a invasão por Alexandre Magno da Macedônia, a cultura construída pelos gregos permanece e se expande por meio das conquistas de Alexandre, cons- tituindo o fenômeno hoje conhecido por helenismo. Entre as principais características do helenismo pode-se afirmar que:

a) era uma forma de pensamento original superior à filosofia feita pelos clássicos gregos;

b) privilegiava a ação individual em oposição à tendência política dos gregos;

c) buscava compreender a origem do mundo e do ser humano;

d) promovia um forte compromisso social entre as pessoas.

Comentário das atividades

Comentário das atividades

Na atividade 1, procure identificar que grupos sociais estão em ascensão hoje, onde estudam, que cursos preferem, se estudam em escolas ou universi- dades públicas ou privadas. Que tipo de pedagogia e ideologia as escolas e universidades reforçam.

Na atividade 2, procure as definições éticas em Sócrates, como a doutrina da educação da alma para responder adequadamente esta questão. Atente também para a crítica de Sócrates em relação à sociedade grega que se preo- cuparia demasiado com coisas fúteis e sem sentido.

Na atividade 3, procure trazer as seguintes idéias: Platão, autor da República, dividiu a realidade em mundo sensível e mundo das idéias. Aristóteles afirmava que o homem é um animal político no livro Política. Sócrates, Platão e Aristóteles são os principais representantes da antiguidade grega. Eles enalte- ceram a cultura grega e esta foi assumida como modelo por Alexandre durante o Helenismo.

Na atividade 4, reveja as características do helenismo como ausência de pensamento original, preocupação com aspectos individuais e éticos em detri- mento de um pensamento político e social típico da sociedade grega.

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AULA 2 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA Referências CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia . 6.

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Referências

CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. 6. ed. São Paulo: Ática, 1997.

MAGEE, Bryan. História da filosofia. 3. ed. São Paulo: Loyola, 2001.

Na próxima aula

Um período histórico cria as condições e contradições para o surgimento de outro. Neste sentido, com o declínio da pólis grega e a afirmação do hele- nismo vão surgindo lentamente as características do que seria uma nova época histórica, a Idade Média. No contexto do Império Romano e do Helenismo surgirá o cristianismo que, com seu novo quadro de valores e crenças, vai caracterizar o período medieval. As características da idade medieval e os seus principais representantes, Santo Agostinho e Tomás de Aquino são os temas que veremos na próxima aula.

Anotações

são os temas que veremos na próxima aula. Anotações Servico_Social.indb 43 02 - SERVIÇO SOCIAL 1º
são os temas que veremos na próxima aula. Anotações Servico_Social.indb 43 02 - SERVIÇO SOCIAL 1º

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AULA 3 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA Aula 3 Pressupostos filosóficos da ética e da
AULA 3 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA
Aula 3
Pressupostos filosóficos da ética e
da cidadania na Idade Média
Objetivos

Esperamos que, ao final desta aula, você seja capaz de:

identificar os principais paradigmas do pensamento filosófico medieval ligados à ética e à cidadania;

caracterizar o pensamento de Santo Agostinho e Tomás de Aquino.

Pré-requisitos

Para bem compreender os temas desta aula retome as principais caracte- rísticas da antiguidade clássica ligados à questão da ética e da cidadania. Faça uma síntese do pensamento dos Sofistas, Sócrates, Platão e Aristóteles, bem como tenha presente as contradições da sociedade helenística que deram as bases da construção do pensamento medieval.de Santo Agostinho e Tomás de Aquino. Pré-requisitos Introdução O cristianismo surge a partir do movimento

Introdução

bases da construção do pensamento medieval. Introdução O cristianismo surge a partir do movimento iniciado por

O cristianismo surge a partir do movimento iniciado por Jesus Cristo e, logo após sua morte, começa a propagar-se por meio de seus seguidores, introduzindo no mundo romano, junto às camadas mais desfavorecidas, novas crenças e valores que começam a sacudir os deuses do império romano que, então, serviam como uma das ideologias para sustentar a organização social do imenso império conquistado.

Durante os mil anos entre a queda do Império Romano (séc. V d.C.) e o Renascimento (séc. XV), a Europa absorve a religião professada pela Igreja Católica.

A partir do séc. III d.C., o pensamento religioso toma um lugar fundamental na filosofia ocidental. No período medieval, três religiões vão influenciar o pensamento europeu: cristianismo, judaísmo e islamismo.

o pensamento europeu: cristianismo, judaísmo e islamismo. Servico_Social.indb 45 02 - SERVIÇO SOCIAL 1º P. -

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3.1 Contextualizando a Idade Média

A Idade Média é o longo período que vai de 476 (queda do Império

Romano do Ocidente) até 1453 (queda do Império Romano do Oriente,

tomada de Constantinopla pelos Turcos–Otomanos).

O antigo império romano foi se dividindo pouco a pouco em três espaços

culturais diferentes. A cultura cristã de língua latina formou-se na Europa, cuja capital era Roma. Já na Europa oriental surgiu um núcleo cultural cristão de língua grega, cuja capital era Bizâncio. O norte da África e o Oriente Médio

tinham pertencido ao Império Romano. Nessas regiões desenvolveu-se, na Idade Média, uma cultura muçulmana de língua árabe.

Em conseqüência, a filosofia grega tomou três rumos diferentes. A cultura católico-romana no ocidente, a cultura romano-oriental e a cultura árabe. No período medieval, os únicos letrados, e que, portanto, tinham acesso ao conhe- cimento, eram os monges. Então a temática da época estava relacionada à tentativa de conciliar a fé com a razão.

relacionada à tentativa de conciliar a fé com a razão. O Método da disputa era típico

O Método da disputa era típico da filosofia medieval e consistia na expo-

sição de idéias filosóficas em que a tese era apresentada e devia ser refutada

ou defendida por argumentos tirados da Bíblia, de Aristóteles, Platão ou de outros padres da Igreja. Esse método era conhecido também como Princípio da Autoridade. Observe o que dizem Aranha e Martins na citação a seguir:

O desejo de unidade de poder, de restauração da antiga ordem perdida se expressa na difusão do cristianismo que representa, na Idade Média, o ideal de Estado Universal. Desde o final do Império Romano, quando o cristianismo obteve liberdade de culto do Império no ano 313, estabelece-se a ligação entre Estado e Igreja. A igreja legitima o poder do Estado, atribuindo-lhe uma origem divina (ARANHA; MARTINS, 1996, p. 199).

O período medieval tinha a concepção de que o homem teria a natureza

sujeita ao pecado e ao descontrole das paixões, o que exige vigilância cons- tante, cabendo ao Estado intimidar os homens para que agissem corretamente. Há, dessa forma, uma estreita ligação entre política e moral, com a exigência de se formar o governante justo, que consiga obrigar, muitas vezes pelo medo, a obediência aos princípios da moral cristã. O Estado medieval tem em suas mãos o poder temporal, voltado para as necessidades mundanas. A igreja possui o poder espiritual, voltado para os interesses da salvação da alma, que é o obje- tivo e horizonte ético central do homem medieval e deve encaminhar o rebanho para a verdadeira religião por meio da força da educação e da persuasão.

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persuasão. 46 1º PERÍODO • SERVIÇO SOCIAL • UNITINS Servico_Social.indb 46 02 - SERVIÇO SOCIAL 1º

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AULA 3 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA A fé popular nem sempre se manifestava nos
AULA 3 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA A fé popular nem sempre se manifestava nos

AULA 3 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA

A fé popular nem sempre se manifestava nos termos pretendidos pela doutrina católica. Havia uma série de crenças e ações, denominadas heresias, que se chocavam com os dogmas da Igreja. O papa Gregório IX criou, em 1231, os tribunais da inquisição que tinham como objetivo combater as heresias.

Os tribunais da inquisição atuaram em vários reinos cristãos: Itália, França, Alemanha, Portugal e, sobretudo, Espanha. Pressionada pelas monarquias cató- licas, a inquisição atuou no combate aos movimentos contrários à ordem social dominante, desempenhando também papel de repressão social e política.

A formação da sociedade feudal–medieval se dá efetivamente com a instalação de um modo de produção: o feudalismo. A insegurança provo- cada pelas invasões dos séculos IX e X obrigou as populações a se prote- gerem. Muitas pessoas migraram da cidade para o campo. Construíram-se vilas fortificadas e castelos cercados por muralhas. Cada um se defendia como podia. Os mais fracos procuravam ajuda de nobres poderosos. Já os camponeses, que buscavam a proteção dos senhores de terra, foram subme- tidos à servidão.

Um fator histórico relevante é que, com a decadência da escravidão,

desestruturação do Império Romano e as invasões dos povos considerados “bárbaros”, há uma transformação nas relações de trabalho e na sociedade em geral que resultou na estruturação da sociedade feudal.relevante é que, com a decadência da escravidão, O sistema feudal tem como características principais :

O sistema feudal tem como características principais:

O sistema feudal tem como características principais : a terra é o principal meio de produção

a terra é o principal meio de produção e pertencia aos senhores feudais;

a sociedade é rigidamente hierarquizada, tendo como classes sociais:

senhores feudais, clero e servos;

os trabalhadores tinham direito ao usufruto e à ocupação das terras, mas nunca à propriedade delas. Os senhores, por meio dos laços feudais, tinham o direito de arrecadar tributos sobre os produtos ou sobre a própria terra;

existência de um sistema de deveres entre senhores e servos. Os servos trabalhavam em regime de servidão, no qual não se goza de plena liberdade, mas, também, não se é escravo;

os servos eram os que efetivamente trabalhavam; os senhores feudais e o clero viviam do trabalho dos outros.

os senhores feudais e o clero viviam do trabalho dos outros. Servico_Social.indb 47 02 - SERVIÇO

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AULA 3 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA A servidão na sociedade feudal perdurou um longo

AULA 3 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA

A servidão na sociedade feudal perdurou um longo tempo porque havia

forte solidariedade entre as famílias senhoriais, cumprimento irrestrito de compromissos e juramentos, e também pela presença da igreja sancionando esses compromissos, definindo claramente o lugar das classes servis nessa comunidade. Desse modo, os senhores conseguem não só manter pleno domínio da situação, mas também fazer com que essa dominação fosse aceita pelos dominados.

Essa situação, que se manteve durante séculos sem contradições e conflitos, começou a mudar no século XIV. A crise da sociedade feudal foi fruto da fome, doenças (peste negra), Guerra dos Cem Anos (Entre Inglaterra e França), insur- reições camponesas, etc.

Com a desestruturação da sociedade feudal, surgem os primeiros sinais da constituição lenta e permanente de um novo modo de produção: o capitalista.

Nesse longo período, portanto, a igreja romana dominava a Europa, ungia e coroava reis, organizava cruzadas à terra santa e criava, em volta das catedrais, as primeiras universidades e escolas.

volta das catedrais, as primeiras universidades e escolas. A ética predominante no período medieval é a

A ética predominante no período medieval é a cristã, esta se distingue das

antigas nos seguintes aspectos:

os antigos tinham por objetivo assegurar sua felicidade terrestre. A religião cristã centra a conquista da felicidade como um esforço do indivíduo para alcançar a felicidade eterna fora da terra;

os antigos consideravam que a via moral é uma via conforme a natu- reza do homem. A via da moral cristã é ao contrário, transcendente, a lei divina se impõe sobre o homem, ultrapassa a ordem natural e é conhecida pela revelação; é exterior ao homem, é imposta sob forma de uma obrigação, um dever.

No estabelecimento das relações entre Ética e Política, enquanto Aristóteles associava como virtude máxima a justiça de responsabilidade do Estado, Cristo ensina uma moral cujos fundamentos implicam uma anulação do pensamento político. Dizia: “meu reino não é deste mundo”, “façam penitência porque o reino de Deus está próximo”, explicitando que a via dos cristãos deve estar voltada para o céu.

O apóstolo São Paulo modifica esta doutrina: “que toda pessoa seja submissa às autoridades superiores, porque toda autoridade vem de Deus

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vem de Deus 48 1º PERÍODO • SERVIÇO SOCIAL • UNITINS Servico_Social.indb 48 02 - SERVIÇO

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AULA 3 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA e as autoridades que existem foram instituídas por
AULA 3 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA e as autoridades que existem foram instituídas por

AULA 3 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA

e as autoridades que existem foram instituídas por Deus” (epístola aos Romanos).

3.2 Patrística e Escolástica

O grande problema enfrentado pela filosofia na Idade Média foi defender

a

fé cristã dos questionamentos feitos pela filosofia. Justificar racionalmente a

e assim propagá-la ao mundo inteiro.

Vejamos como os dois principais movimentos filosóficos do período – a Patrística representada por Agostinho de Hipona, e a escolástica, por Tomás de Aquino – se desdobram nessa tarefa.

3.2.1 A Patrística

Na primeira etapa de formação da Idade Média, em relação ao pensa- mento da igreja, destaca-se a filosofia chamada Patrística (entre séc. II e VII d.C), cuja principal figura é Santo Agostinho. É o período da história da filosofia caracterizado pelo esforço feito pelos apóstolos Paulo e João e pelos primeiros padres da Igreja para conciliar a nova religião – o Cristianismo – com o pensamento filosófico dos gregos e romanos, pois somente com tal conciliação seria possível convencer os pagãos da nova verdade e conver- tê-los a ela.de Aquino – se desdobram nessa tarefa. 3.2.1 A Patrística A filosofia patrística tem a tarefa

os pagãos da nova verdade e conver- tê-los a ela. A filosofia patrística tem a tarefa

A filosofia patrística tem a tarefa religiosa de evangelização e defesa da

religião cristã contra os ataques teóricos e morais que recebia dos antigos.

A Patrística foi obrigada a introduzir idéias desconhecidas para os filósofos

greco-romanos: a idéia de criação do mundo, pecado original, encarnação

e morte de Deus, juízo final, fim dos tempos e ressurreição dos mortos. Como

pode existir o mal se tudo foi criado por Deus?

Para impor as idéias cristãs, os padres as transformaram em dogmas que são verdades reveladas por Deus por meio da bíblia e dos santos. Por serem divinos, os dogmas eram considerados irrefutáveis e inquestionáveis.

Quanto aos temas centrais do período, fé e razão, os pensadores assu- miam três posições distintas. São elas:

fé e razão são irreconciliáveis: a fé é superior à razão;

fé e razão são conciliáveis: a razão é subordinada a fé;

fé e razão são irreconciliáveis: cada uma tem um campo de atuação específico.

cada uma tem um campo de atuação específico. Servico_Social.indb 49 02 - SERVIÇO SOCIAL 1º P.

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AULA 3 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA 3.2.2 Santo Agostinho Agostinho nasceu em Tagaste, atual

AULA 3 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA

3.2.2 Santo Agostinho

Agostinho nasceu em Tagaste, atual Argélia, norte da África em 354. Foi bispo de Hipona, também norte da África, por isso é conhecido como Agostinho de Hipona. Sua vida pode ser dividida em dois períodos distintos: antes da conversão e depois da conversão ao cristianismo. Antes da conversão Agostinho interessa-se principalmente por retórica e filosofia. Depois da conversão, concentra seu interesse, sobretudo, na Sagrada Escritura e na teologia.

Santo Agostinho cria uma doutrina para conciliar a filosofia grega, princi- palmente o pensamento de Platão, com o cristianismo. Antes de sua conversão ao cristianismo, adotou a doutrina maniqueísta do profeta persa Mani, do século III d. C, que partia do princípio de que o universo é o campo de batalha entre as forças do bem e do mal, da luz e da treva. Considerava, esse profeta, que a matéria é má, mas o espírito é bom, sendo cada ser humano uma mistura de ambos, com uma luz que vem da alma que anseia libertar-se da matéria do seu corpo.

vem da alma que anseia libertar-se da matéria do seu corpo. Entretanto, Agostinho abandonou essa doutrina

Entretanto, Agostinho abandonou essa doutrina e buscou a fonte nos textos de Platão e de Plotino, também grego (204-269 d.C.), que seguiu o pensa- mento místico de Platão. Embora não professasse a religião cristã, Plotino

exerceu enorme influência nos dois maiores filósofos cristãos, Santo Agostinho

e Santo Tomás de Aquino.

O cristianismo, centrado, sobretudo, nas práticas morais, não apresen- tava uma filosofia. Cristo não se preocupava em discutir questões filosóficas. Portanto, unir a filosofia platônica de um lado e, do outro, uma religião não- filosófica, abriu perspectivas para a união desses dois campos.

Nos anos próximos de sua morte, Agostinho vivenciou o desmoronamento do Império Romano. O mundo civilizado que conheceu estava sendo destruído, entre outras razões, pelas invasões de hordas, chamadas pelos romanos de bárbaros.

Comenta Magee (2001) que certamente essas circunstâncias influen- ciaram em sua visão pessimista sobre a natureza humana, como decadente e de caráter pecaminoso, e do mundo em que temos de viver.

Analisa em seu livro A Cidade de Deus a questão de como cada indivíduo

é um cidadão de duas comunidades diferentes ao mesmo tempo. A cidade

de Deus e a cidade dos homens. Na primeira, está o reino de Deus, imutável,

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imutável, 50 1º PERÍODO • SERVIÇO SOCIAL • UNITINS Servico_Social.indb 50 02 - SERVIÇO SOCIAL 1º

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AULA 3 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA eterno e baseado em valores verdadeiros; na segunda,
AULA 3 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA eterno e baseado em valores verdadeiros; na segunda,

AULA 3 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA

eterno e baseado em valores verdadeiros; na segunda, estão os reinos alta- mente instáveis deste mundo, com seus valores fugazes e falsos.

Nesse sentido, lembre-se da teoria platônica das duas realidades, a das essências verdadeiras, fora deste mundo, e a das aparências, que é o próprio mundo onde vivemos, teoria em cuja fonte Agostinho foi buscar fundamentos para sua filosofia ética.

Nossa verdadeira cidadania, portanto, não é deste mundo, mas do outro.

A outra influência que reflete em sua filosofia ética é também sua própria vida

pessoal, que na juventude foi vivida na boemia e nos prazeres terrenos e, após sua conversão ao cristianismo, busca novos valores com fundamentos na ética do cristianismo. Sua conversão e sua vida são relatadas em sua famosa obra As confissões.

O conceito fundamental da ética agostiniana é o amor que coincide com

a vontade. O fim do esforço humano é a felicidade, que é alcançada não por

meio dos apetites de bens materiais particulares, mas em Deus, imutável. Deus

criou o homem a sua imagem e semelhança e é somente nele que o homem pode encontrar-se, pelo amor.

3.2.3 Escolásticae é somente nele que o homem pode encontrar-se, pelo amor. No longo período histórico de

que o homem pode encontrar-se, pelo amor. 3.2.3 Escolástica No longo período histórico de formação da

No longo período histórico de formação da Idade Média (entre os séc.

IV ao XIII - período áureo da Idade Média), grandes civilizações desenvolve- ram-se em outras partes do mundo. Nesse período, o Islã prosperou em todo

o território do que fora o Império de Alexandre, disseminando-se pela África

do Norte até a Espanha. Foi o mundo islâmico que preservou grande parte da cultura clássica, como, por exemplo, as obras de Aristóteles que, no século XIII, foram reintroduzidas na Europa, além de levar sua cultura com grande efeito transformador para o desenvolvimento intelectual europeu.

Também, nesse longo período, a civilização chinesa desenvolveu ampla- mente sua cultura e, de igual modo, os japoneses.

O período de reflorescimento da cultura européia é conhecido também

sob a denominação de Escolástico. Nos séculos IX, X, XI e XII são debatidas muitas questões filosóficas que preparam o advento de ouro do século XIII.

Por que Escolástico? Ao longo desse período, são criadas escolas, as futuras universidades, onde teólogos, professores e alunos debatem temas filo- sóficos à luz da religião.

e alunos debatem temas filo- sóficos à luz da religião. Servico_Social.indb 51 02 - SERVIÇO SOCIAL

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AULA 3 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA No século XIII, renasce o pensamento filosófico europeu,

AULA 3 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA

AULA 3 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA No século XIII, renasce o pensamento filosófico europeu, de

No século XIII, renasce o pensamento filosófico europeu, de forma siste- mática, e refloresce a cultura. Ocorre um grande intercâmbio entre filósofos árabes e cristãos, são construídas as grandes catedrais góticas francesas; na Inglaterra, são fundadas as Universidades de Oxford e Cambridge, onde se iniciam pesquisas lideradas por Rogério Bacon.

As universidades surgem também em Paris e em outras cidades impor- tantes, onde se desenvolvem as disputas filosóficas à luz da teologia, ou seja, da fé católica, cujos pensadores, padres e alunos, buscam fundamentar os dogmas da Igreja com base no raciocínio filosófico.

3.2.4 Tomás de Aquino

Nasceu em Roccasecca, Itália, em 1225. Em 1239 entrou para a Universidade de Nápoles e pouco depois para a ordem dos dominicanos. Depois de obter o grau de mestre em teologia, ensinou essa disciplina na Universidade Sorbonne em Paris e mais tarde assumiu o cargo de teólogo papal na corte pontifícia. Passou seus últimos anos no convento de Nápoles, compondo a Suma Teologia, comentando Aristóteles e pregando ao povo.

a Suma Teologia, comentando Aristóteles e pregando ao povo. Tomás de Aquino sobressai nesta tarefa quando,

Tomás de Aquino sobressai nesta tarefa quando, ao estudar a filosofia de Aristóteles, introduzida pelos árabes, absorve-a e sistematiza o pensamento teológico da Igreja Católica.

O problema das relações entre fé e razão é também a temática central do pensamento de Tomás de Aquino.

Na obra Suma Teológica, Tomás de Aquino expõe sua doutrina básica no estudo do que significava a justiça como problema ligado à ação humana. No que se diz respeito à natureza humana, Santo Tomás definia que o homem é composto de corpo e de alma, sendo aquele o material para o aperfeiçoa- mento da alma, criado por Deus. Aperfeiçoamento que se dá porque a alma animal pode ser sensitiva ou intelectual. É na atividade intelectual do homem que ele particulariza e diferencia sua alma.

Para ele, a filosofia deveria subordinar-se à revelação, que é critério único de verdade. Tomás definiu o termo justiça mesclado no conceito de ética, afir- mando assim, com base nas influências aristotélicas, que justiça é uma vontade

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uma vontade 52 1º PERÍODO • SERVIÇO SOCIAL • UNITINS Servico_Social.indb 52 02 - SERVIÇO SOCIAL

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AULA 3 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA perene de dar a cada um o que

AULA 3 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA

perene de dar a cada um o que é seu. Caracterizando a justiça como igual- dade de pessoas, exteriorizada no comportamento dessas pessoas em poder discernir o que é seu e o que não é.

No século XIX, a Igreja Católica escolhe sua obra para fundamentar o dogma cristão. Para Tomás, e razão não podem se contradizer na medida que ambas emanam de Deus. Em conseqüência, filosofia e teologia não podem apresentar verdades divergentes, apenas diferem pelo método: a filosofia parte das coisas criadas para alcançar Deus, enquanto a teologia tem como ponto de partida Deus.

No âmbito de nosso estudo, vamos compreender a filosofia ética de Tomás de Aquino: O “bem” transcendental é objeto da ética. O bem é uma realidade que se apresenta como uma perfeição e que é, portanto, o fim de uma aspi- ração para um outro ser.

Para Tomás de Aquino, o bem supremo, Deus, é contemplado com plena felicidade por determinação da alma racional, cujas virtudes o filósofo distingue entre teologais e cardinais naturais.

As Teologais só são acessíveis ao homem por meio da graça de Deus:

fé, amor, esperança, em que o amor ordena todos os atos humanos para o fim divino supremo.

As Cardinais são definidas como perfeição das faculdades naturais. Assim é preciso buscar na razão a sabedoria e a inteligência; na vontade, a justiça; no esforço, a coragem; no desejo, a temperança.

Para Tomás, as virtudes definem a atitude interior do homem; a ordem exterior e as ações são dirigidas pelas leis. O legislador supremo é Deus, pois

é o legislador de todo o universo. A lei eterna é a sabedoria divina que tudo dirige. A participação da razão humana na lei eterna é pela lei natural.

Por outro lado, a liberdade de querer não está limitada pela lei divina. Somente em relação à natureza destituída de razão é que a lei age por neces- sidade interna. Para o homem, entretanto, a lei assume um caráter de uma lei normativa e, nessa medida, o homem participa da providência divina, pois é capaz de prever para si e para os outros. É preciso fazer o bem e evitar o mal.

Finalizando, Tomás de Aquino, ao elaborar seu tratado teológico com

base na filosofia aristotélica, buscando também fontes no pensamento judaico

e islâmico, demonstrou, na época, que havia compatibilidade entre pensa-

mento filosófico e crença cristã. Procurou, entretanto, distinguir sempre filosofia

e religião, razão e fé.

distinguir sempre filosofia e religião, razão e fé. Servico_Social.indb 53 02 - SERVIÇO SOCIAL 1º P.
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AULA 3 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA Síntese da aula A servidão na sociedade feudal

AULA 3 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA

Síntese da aula

A servidão na sociedade feudal perdurou um longo tempo porque

havia forte solidariedade entre as famílias senhoriais, cumprimento irrestrito de compromissos e juramentos, e também pela presença da igreja sancio- nando esses compromissos, definindo claramente o lugar das classes servis nessa comunidade.

O período medieval tinha a concepção de que o homem teria a natu-

reza sujeita ao pecado e ao descontrole das paixões, o que exige vigi- lância constante, cabendo ao Estado intimidar os homens para que agissem corretamente.

A ética cristã se diferencia da demais por compreender que a felicidade só

será alcançada em vida fora da vida terrena. Compreende também que a ética deve ser transcendente, isto é, por meio da revelação divina o ser humano deve cumprir o seu dever de agir em conformidade com os ensinamentos das escrituras sagradas.

A filosofia patrística tem a tarefa religiosa de evangelização e defesa da

tem a tarefa religiosa de evangelização e defesa da religião cristã contra os ataques teóricos e

religião cristã contra os ataques teóricos e morais que recebia dos antigos.

Santo Agostinho cria uma doutrina para conciliar a filosofia grega, princi- palmente o pensamento de Platão, com o cristianismo.

Para Tomás, fé e razão não podem se contradizer na medida que ambas emanam de Deus. Em conseqüência, filosofia e teologia não podem apre- sentar verdades divergentes, apenas diferem pelo método: a filosofia parte das coisas criadas para alcançar Deus, enquanto a teologia tem, como ponto de partida, Deus.

Atividades

1. Comente a afirmação “na Idade Média o importante não era ser cidadão, era ser fiel”. O que isso implica na questão da cidadania e da ética?

2. Vimos, nesta aula, que o grande problema enfrentado pela filosofia medieval foi conciliar e razão. Elabore um texto crítico de 15 linhas analisando que tipo de relação é possível entre religião e filosofia.

3. No período medieval a cidadania perde o caráter de participação política. Nesta época são mais importantes os valores espirituais que os materiais. Quais foram os dois principais representantes deste período histórico?

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AULA 3 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA ( ) Platão e Aristóteles ( ) Plotino
AULA 3 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA ( ) Platão e Aristóteles ( ) Plotino

AULA 3 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA

(

) Platão e Aristóteles

(

) Plotino e Sêneca

(

) Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino

(

) Maquiavel e Fílon de Alexandria

4. O espírito renascentista provocou mudanças no interior da Igreja Católica,

que foi duramente criticada neste período. As insatisfações culminaram

com um movimento de ruptura na unidade cristã. Assinale a alternativa a

seguir que corresponde a este movimento.

a) Reforma Eclesial

b) Reforma Protestante

c) Reforma Feudal

d) Reforma Renascentista

Comentário das atividades

Feudal d) Reforma Renascentista Comentário das atividades Na atividade 1 , procure relacionar como as crenças

Na atividade 1, procure relacionar como as crenças cegas em determinados

dogmas e crenças limitam a atuação cidadã. Você também pode contextualizar o

período falando dos motivos pelos quais as pessoas priorizavam a religiosidade.

motivos pelos quais as pessoas priorizavam a religiosidade. Na atividade 2 , escreva sobre as características

Na atividade 2, escreva sobre as características da filosofia medieval cujo

tema central eram as relações entre fé e razão. Lembre-se de que a razão era

serva da fé. Analise como se dão também atualmente estas relações, procure ouvir

o que outras pessoas pensam a respeito das relações entre filosofia e religião.

Na atividade 3, identifique, por meio da leitura atenta do texto, as contribui-

ções de Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino para o pensamento medieval.

Na atividade 4, observe que o Renascimento foi especialmente crítico em

relação à interferência da Igreja em todas as atividades humanas. Esse posi-

cionamento provocou a Reforma Protestante, que promoveu o rompimento da

unidade católica na Europa.

Sugestão de filmes: O Nome da Rosa, Em nome de Deus, Cruzada.

Referências

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando:

introdução à filosofia. 2. ed. São Paulo: Moderna, 1996.

MAGEE, Bryan. História da filosofia. 3. ed. São Paulo: Loyola, 2001.

História da filosofia . 3. ed. São Paulo: Loyola, 2001. Servico_Social.indb 55 02 - SERVIÇO SOCIAL

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AULA 3 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA Na próxima aula A sociedade caracterizada pelo teocentrismo

AULA 3 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA

Na próxima aula

A sociedade caracterizada pelo teocentrismo e sob forte influência da religião será contestada pelo Renascimento, movimento cultural que buscou retomar alguns conceitos da antiguidade clássica, principalmente o antropo- centrismo. O Renascimento fará a transição da sociedade medieval para a modernidade. Esse período é marcado pela crítica à religião que culminará com a Reforma Protestante. Todo contexto moderno junto com os seus represen- tantes como Maquiavel, Bacon, Galileu e Descartes serão objeto de análise e reflexão na nossa próxima aula.

Anotações

de análise e reflexão na nossa próxima aula. Anotações 56 1º PERÍODO • SERVIÇO SOCIAL •

56 1º PERÍODO • SERVIÇO SOCIAL • UNITINS

Anotações 56 1º PERÍODO • SERVIÇO SOCIAL • UNITINS Servico_Social.indb 56 02 - SERVIÇO SOCIAL 1º

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AULA 4 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA Aula 4 Modernidade Objetivos
AULA 4 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA
Aula 4
Modernidade
Objetivos

Esperamos que, ao final desta aula, você seja capaz de:

reconhecer as principais características e movimentos do Renascimento, contextualizando a importância da Reforma Protestante e o pensa- mento maquiaveliano no processo de construção da modernidade;

maquiaveliano no processo de construção da modernidade; analisar os movimentos filosóficos do empirismo e do

analisar os movimentos filosóficos do empirismo e do racionalismo a partir da análise de como se produz o conhecimento.

Pré-requisitos

análise de como se produz o conhecimento. Pré-requisitos Para que você possa aproveitar melhor esta aula,

Para que você possa aproveitar melhor esta aula, procure rever como é o processo de controle do poder político e intelectual da Igreja na Idade Média, esse conteúdo foi apresentado na aula anterior. Essa revisão é importante para compreender as reações promovidas a partir do renascimento e da moderni- dade, assuntos desta aula.

Introdução

A Idade Média representou o apogeu de uma sociedade fundada em

valores transcendentais, sustentados por uma visão de mundo dualista: as coisas de Deus são boas, o mundo é apenas um obstáculo para a realização da plenitude humana possível só em outra vida.

A modernidade vem oferecer ao homem a possibilidade de ele próprio cons- truir o seu destino, aqui mesmo, utilizando-se da sua razão, da sua capacidade de pensar. A partir da modernidade, o ser humano é desafiado a construir um sentido novo para seu existir: buscar a felicidade por seus próprios méritos.

Se na Idade Média os valores são transcendentais, são justificados por Deus,

a partir de agora, a visão de mundo é imanente, isto é, a razão humana deverá

de mundo é imanente, isto é, a razão humana deverá Servico_Social.indb 57 02 - SERVIÇO SOCIAL

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AULA 4 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA justificar, segundo seus critérios, a ordem vindoura. Esta

AULA 4 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA

justificar, segundo seus critérios, a ordem vindoura. Esta concepção transformará a organização social, o modo de produzir conhecimento, a regulação da vida cotidiana e a atitude humana perante o mundo e os demais humanos.

4.1 O Renascimento: gestação da modernidade

A partir do século XI, ou seja, na baixa Idade Média, a Europa passa por

um processo de reurbanização provocado pela intensa atividade comercial desenvolvida com o oriente. Em torno dos castelos medievais, vão se formando pequenas aglomerações urbanas. Na maioria dos casos, são pessoas expulsas dos feudos devido ao excedente populacional. O comércio e outros ofícios passam a ser a ocupação dessas pessoas. A maioria desses centros urbanos nascentes encontra-se no caminho de grandes rotas comerciais. O que se percebe com isso é o fortalecimento das famílias comerciais, o crescimento dos centros urbanos, o enfraquecimento dos antigos senhores feudais.

urbanos, o enfraquecimento dos antigos senhores feudais. Renascimento : o movimento intelectual e cultural que

Renascimento: o movimento intelectual e cultural que caracterizou a transição da menta- lidade medieval para a mentalidade moderna ficou conhecido como Renascimento. Esse nome se dá porque muitos artistas, intelectuais e cientistas do século XV e XVI quiseram recuperar ou retomar a cultura antiga, greco-romana, que esmorecera na Idade Média, buscar novos caminhos para a investigação científica. O Renascimento iniciou-se na Itália, principalmente nas cidades de Florença, Veneza e Roma.

A burguesia, classe social emergente, sente-se prejudicada, pois, atrelada

aos padrões tributários e políticos da sociedade feudal, não pode se desen- volver de forma satisfatória. Para que o capitalismo comercial, então, nos seus primórdios, possa progredir, a burguesia necessita de se desvincular do poder da Igreja e da estrutura feudal.

Essas transformações, juntamente com as grandes navegações e a conse- qüente conquista do continente americano, constituem o embrião da formação do capitalismo na Europa e nos Estados Unidos, a revolução econômica, cultural, social e política do mundo ocidental.

Com a redescoberta das obras dos pensadores greco-romanos, foi possível retomar valores como o uso da razão e a vida política em uma sociedade repu- blicana. Isso despertou o desejo de liberdade em relação ao poder teológico político dos papas e imperadores. A cultura grega foi redescoberta, graças a um contato mais estreito com os árabes na Espanha e com a cultura bizantina. É

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APROVADA? NÃO ( ) / SIM ( ) VISTO

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AULA 4 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA aqui que se encontram, em uma só, as
AULA 4 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA aqui que se encontram, em uma só, as

AULA 4 • FILOSOFIA, ÉTICA E CIDADANIA

aqui que se encontram, em uma só, as três correntes de pensamento que preser- varam a cultura grega, as quais haviam se separado no início da Idade Média, quais sejam: cultura católico-romana no ocidente (Roma), cultura romano-oriental (Bizâncio) e cultura árabe.

Para os renascentistas, Roma, Atenas, Esparta são tomadas como modelo de cidade, por representar o ideal republicano. Tê-las por modelo significa valorizar a vida ativa da prática política contra o ideal de contemplação e submissão imposto pela Igreja.

República: forma de governo em que o poder supremo é exercido por um ou mais indivíduos eleitos pelo povo e em que há uma separação entre a coisa pública e os interesses individuais do governante.

Dessas atitudes, teremos, como conseqüência, as duas principais caracte-

rísticas do mundo renascentista: o humanismo antropocêntrico e o racionalismo. Para o humanismo antropocêntrico, o ser humano é o centro da vida política e cultural. Essa proposição tem um claro sentido de se opor ao teocentrismo

(Deus como ponto de partida das explicações). Porém, não se quer afirmar o ser humano de qualquer maneira, mas como portador de uma racionalidade capaz de desvendar os segredos da natureza e colocá-la a serviço do homem.proposição tem um claro sentido de se opor ao teocentrismo O racionalismo quer também promover os

O racionalismo quer também promover os valores do indivíduo como alguém

separado de qualquer sistema de dominação ou sujeição porque os renascen- tistas desenvolvem uma crença totalmente nova no homem e em seu valor, o que se opunha frontalmente à Idade Média, quando se enfatizava apenas a natureza pecadora do homem. O homem passou a ser visto, agora, como algo infinitamente grandioso e valioso.

visto, agora, como algo infinitamente grandioso e valioso. Essa nova visão de homem levou a uma

Essa nova visão de homem levou a uma nova concepção de vida. O