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Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”

Faculdade de Medicina de Botucatu


Departamento de Doenças Tropicais e Diagnóstico por Imagem
Curso de Bacharelado em Física Médica

Laboratório de Medicina Nuclear


Estudo dirigido n.º 1

Docente Responsável:
Prof.ª Dr.ª Beatriz Lotufo Griva
Alunos:
Anderson Akira Arima
Danielle Pereira Wiecek
Luciana Cardoso Matsushima
Paulo Roberto da Fonseca Filho

Botucatu, setembro de 2006.

1
Sumário

Lista de Figuras
Figura 1: a) Foto de um Calibrador de Dose b) esquema de funcionamento de um
calibrador de dose...........................................................................................................11
Figura 2: Resultado para o teste de linearidade para o 99mTc.......................................20
Figura 3: Resultado para o teste de linearidade para o 131I...........................................20
Figura 4: Variação da radiação de fundo nos testes de linearidade para o 131I.............21
Figura 5: Resultado do teste de reprodutibilidade..........................................................25

Lista de Tabelas
Tabela 1: Exemplos de radionuclídeos produzidos por gerador.......................................9
Tabela 2: Exemplos de radiofármacos utilizados em Medicina Nuclear e suas principais
aplicações........................................................................................................................10
Tabela 3: Fontes de referência utilizadas nos testes de exatidão e precisão...................15
Tabela 4: Leituras de atividade para 57Co nos testes de exatidão e precisão.................16
Tabela 5: Leituras de atividade para 133Ba nos testes de exatidão e precisão...............16
Tabela 6: Leituras de atividade para 137Cs nos testes de exatidão e precisão...............17
Tabela 7: Leituras de atividade para 131I para o teste de precisão coletadas durante
visita ao Serviço de Medicina Nuclear do HC/FMB......................................................17
Tabela 8: Dados obtidos no teste de linearidade para 99mTc no mês de novembro de
2005.................................................................................................................................18
Tabela 9: Dados obtidos no teste de linearidade para 131I no mês de julho de 2006.. . .19
Tabela 10: Leituras de atividade e radiação de fundo (background – BG) para 99mTc no
teste de reprodutibilidade. ..............................................................................................21

2
1. Introdução

A constante busca por informações para obter melhores diagnósticos e


prognósticos na área médica implicaram numa enorme variedade de técnicas de
obtenção de imagens médicas. Nesse contexto, diversas instrumentações foram
desenvolvidas ou aperfeiçoadas no intuito de avaliar informações funcionais ou
anatômicas dos sistemas biológicos, tais como radiografia convencional [1],
mamografia [2], tomografia computadorizada (CT), ultra-sonografia e ressonância
magnética (RMN) [1,3,4], que priorizam imagens anatômicas. Por outro lado, técnicas
de imagem que enfocam situações fisiológicas e funcionais, como a ressonância
magnética funcional (fRMN) [3] e a medicina nuclear [1,5] .
A história da Medicina Nuclear envolve contribuições de um grande número de
cientistas e físicos. Os fundamentos teóricos da Medicina Nuclear originaram-se no
final do século XIX com a descoberta da radioatividade por Henri Becquerel (1896) e
do rádio por Maria Curie (1898). Essas descobertas foram logo após a descoberta dos
raios-X por Wilhelm Roentgen (1895).
Em 1913, George de Hevesy desenvolveu os princípios de um traçador, sendo a
primeira aplicação biológica realizada em 1923. Essa consistiu no estudo da absorção e
translocação de nitrato radioativo em plantas. O primeiro emprego de traçadores
radioativos em humanos foi feito por Blumgart e Weiss (1927) e consistiu na injeção de
uma solução aquosa de radônio intravenosamente, medindo-se posteriormente o tempo
de transição do sangue de um braço para o outro através de um detector de radiação.
Em 1930, com a invenção do ciclotron por Lawrence, tornou-se possível a
produção artificial de novos radionuclídeos; desse modo, ampliou-se o alcance dos
processos biológicos que poderiam ser estudados. Novamente, Hevesy foi o pioneiro
nos estudos práticos dos radionuclídeos em plantas e em células sangüíneas vermelhas.
No período subseqüente à Segunda Guerra Mundial, a utilização de reatores
nucleares propiciou a produção de isótopos radioativos em quantidades suficientes para
aplicações médicas, o que, aliado ao desenvolvimento tecnológico ocorrido na década
de 1950, permitiu a obtenção de imagens da distribuição de radionuclídeos no corpo
humano. Os maiores marcos que revolucionaram os sistemas de imagens em Medicina

3
Nuclear foram: em 1951, o desenvolvimento do scanner retilíneo por Benedict Cassen e
a Gama Câmara por Hal Anger, em 1958.
123
Na década de 60, o I era empregado em diagnósticos para a avaliação do
99m
funcionamento da glândula tireóide. O uso do Tc em 1964, por Paul Harper,
impulsionou o desenvolvimento da medicina nuclear, pois os raios gama emitidos por
ele apresentavam propriedades importantes para a obtenção da imagem. Além disso, ele
demonstrou-se ser bem flexível em sua marcação para uma ampla variedade de
componentes que permitissem um estudo de vários órgãos do corpo humano, fazendo
com que ele seja o radionuclídeo mais utilizado em medicina nuclear.
A prática clínica da medicina nuclear envolve a administração via intra-venosa,
inalatória ou oral de componentes marcados com traçadores radioativos (radionuclídeos
emissores γ ou β+), os quais são usados para obter informações sobre várias patologias.
Ao decair, o radionuclídeo dá origem a um raio γ com energia suficiente para atravessar
o corpo do paciente sem sofrer muitas interações (espalhamento ou atenuação) até
atingir o detector. O sistema de detecção mais comum é a Gama Câmara (ou Câmara
Anger), que é composta por um cristal cintilador de Iodeto de Sódio dopado com Tálio
(NaI-Tl), tubos fotomultiplicadores e um aparato computacional para análise dos fótons
e processamento das imagens.
Deste modo, a estrutura mínima de um centro de medicina nuclear envolve uma
sala quente, onde os radiofármacos são preparados, uma sala de realização de exames e,
em casos de serviços que ofereçam terapia, quartos de internação devidamente
blindados. Toda essa estrutura exige que o serviço garanta a qualidade dos
procedimentos realizados, isso é feito através de testes de controle de qualidade
periódicos, envolvidos num Programa de Garantia de Qualidade. Cada um dos
equipamentos utilizados requer testes específicos e com periodicidade própria, ou seja,
alguns desses testes podem ser: diários, semanais, trimestrais, semestrais ou anuais, por
exemplo.
Como a primeira parte dos relatórios da disciplina de “Laboratório de Medicina
Nuclear”, oferecida ao curso de bacharelado em Física Médica, são apresentados os
testes de controle de qualidade em calibradores de dose, nos quais estão incluídos os
seguintes testes diários de linearidade, reprodutibilidade, precisão e exatidão.

4
2. Objetivo

O objetivo deste primeiro conjunto de aulas práticas foi analisar os dados de


medidas realizadas entre 01/07/2004 e 19/01/2006 nos testes de linearidade,
reprodutibilidade, precisão e exatidão do calibrador de dose, internacionalmente
padronizados pela Agência Internacional de Energia Atômica através do TecDoc 602
“Quality control of nuclear medicine instruments 1991” [6].

3. Fundamentos Teóricos

3.1 Radionuclídeos

Um isótopo radioativo é caracterizado por possuir instabilidades nucleares que


são eliminadas via emissão de partículas (neutras ou carregadas) ou fótons para que o
átomo decaia para um núcleo estável (não-radioativo).

3.1.1 Decaimento radioativo

O decaimento radioativo é um processo espontâneo, ou seja, não há como


prever o momento exato em que um núcleo instável submete-se a uma transformação
radioativa, tornando-se um núcleo mais estável. Matematicamente, o decaimento
radioativo é descrito em termos de probabilidades e taxas de decaimento médio.
A quantidade ∆N/∆t, a taxa de decaimento médio, é a atividade da amostra e
tem dimensão desintegrações por segundo (dps) ou desintegrações por minuto (dpm) e
é essencialmente uma medida da quantidade de radioatividade de uma amostra. Suas
unidades são Curie ou Bequerel. O Curie (Ci) é a mais antiga das unidades e é definida
como 3,7.1010 dps (2,22.1012 dpm), enquanto que a unidade de atividade no Sistema
Internacional (SI) é o bequerel (Bq), que equivale a uma taxa de decaimento de 1 dps.
Então:

5
 ∆N 
A( Bq) =   = λN 1
 ∆t 
em que λ é a constante de desintegração, ∆N é o número de átomos iniciais da amostra
e ∆t é o tempo decorrido durante o decaimento.
Com a passagem do tempo, o número N de átomos radioativos em uma amostra
decresce, diminuindo, portanto, a sua atividade. Integrando a equação acima, obtém-se
a seguinte expressão:

N (t ) = N 0 e −λt
2
em que N(t) é o número de átomos que permanecem após um certo tempo t, N0 é o
número de átomos no tempo inicial (t=0) e − λt é o fator de decaimento do tempo t.
A atividade A é proporcional ao número de átomos N, assim o fator de decaimento
também pode ser aplicado à atividade versus tempo. Desse modo, tem-se a seguinte
equação:

A( t ) = A0 e − λt 3

3.1.2 Meia-vida

A meia-vida física (T1/2) de um radionuclídeo é um dos parâmetros cruciais na


escolha de determinado isótopo para uso na rotina clínica. Ele representa o tempo
necessário para que metade dos átomos radioativos numa amostra decaia para átomos
estáveis, ou seja, para que a atividade inicial diminua 50%. A meia-vida e a constante
de decaimento de um radionuclídeo estão relacionadas através da equação 4, obtida
através da equação 3:
ln 2 ln 2
T1 / 2 = ⇒λ = 4
λ T1 / 2

6
3.1.3 Produção de radionuclídeos

O radioisótopo pode possuir duas origens: natural ou artificial, sendo que os


radionuclídeos utilizados na medicina nuclear moderna são produzidos artificialmente.
Eles são fabricados através do bombardeamento do núcleo de átomos estáveis com
partículas subnucleares (como nêutrons e prótons), produzindo reações nucleares que
convertem um núcleo estável em um isótopo radioativo. Os radionuclídeos podem ser
obtidos através de reatores, aceleradores ou geradores.

3.1.3.1 Reator Nuclear

O reator nuclear contém uma quantidade de material que sofrerá fissão,


tipicamente urânio natural (235U e 238
U). O 235
U sofre fissão nuclear espontânea (T1/2 ∼
7.108 anos) emitindo dois ou três nêutrons. A fissão de nêutrons, por sua vez, provocará
outros eventos de fissão, gerando uma reação em cadeia no bombardeamento nuclear
dos isótopos 235U e 238U. A principal reação é representada pela seguinte fórmula, a qual
mostra a geração do 236U*, isótopo altamente instável.
235
U + n→ 236 U * 5

Os produtos da fissão sempre possuem um excesso de nêutrons e se submetem a


um decaimento radioativo por emissão β-, até que um nuclídeo estável seja alcançado.
Se um dos elementos radioativos intermediários tem uma meia-vida suficientemente
longa, ele pode ser extraído de produtos de fissão e utilizado como um radionuclídeo
médico. Por exemplo:
− − −
Y β(1
99
39 → 4099 Zr β( 21
.5 s )
 s)
→ 41
99
Nb β(15

s)
→ 4299 Mo 6

A meia-vida do 99Mo é 65,9 horas, a qual é suficientemente longa para permitir


99
que ele seja separado quimicamente de outros fragmentos de fissão. O Mo
desempenha um papel importante em medicina nuclear, pois ele é o radionuclídeo pai
do 99mTc, elemento mais comumente utilizado nos procedimentos de rotina.

7
Quando nêutrons colidem com um alvo, alguns deles são “capturados” pelo
núcleo dos átomos-alvo; desse modo, um núcleo alvo pode ser convertido em um
produto radioativo. Tal evento é chamado de “ativação por nêutrons”. Dois tipos de
A
reações ocorrem comumente. A primeira é a reação (n,γ), na qual um núcleo alvo, Z X,
A+1
captura um nêutron e é convertido em um núcleo produto, Z X * , o qual é formado em
um estado excitado. O núcleo produto retorna ao seu estado inicial emitindo um raio
gama, sendo que o alvo e o núcleo resultante dessa reação representam diferentes
isótopos do mesmo elemento químico. A reação é representada abaixo:
A
Z X (n, γ ) A+Z1X 7

O segundo tipo desta reação é a reação (n,p). Nesse caso, o núcleo alvo captura
um nêutron e ejeta um próton. Nesse caso, o alvo e o produto nuclear para a reação
(n,p) não representam o mesmo elemento químico. Essa reação é representada como:
A
Z X (n, p) Z −A1Y 8

3.1.3.2 Aceleradores de partículas

Os aceleradores são utilizados para acelerar partículas carregadas eletricamente,


como prótons, dêuterons e partículas α. Quando direcionado a um material alvo, estas
partículas podem causar reações nucleares que resultam na formação de radionuclídeos
de um modo similar à ativação com nêutrons em um reator. A maior diferença é que as
partículas devem ter energias muito altas, tipicamente 10-20 MeV, para vencer as forças
coulombianas vizinhas ao núcleo. O ciclotron é o acelerador mais utilizado para a
produção de radionuclídeos importantes.

3.1.3.3 Geradores de radionuclídeos

Um gerador de radionuclídeo contém um nuclídeo-pai, e através de um aparato,


permite a separação e extração do radionuclídeo filho. O gerador mais importante é o
99
sistema Mo-99mTc, por causa do amplo emprego do tecnécio-99m. O tecnécio-99m
emite raios gama (140 keV), os quais são fundamentais para a formação de imagens na

8
Gama Câmara. A tabela abaixo ilustra alguns radionuclídeos produzidos por gerador
mais utilizados em Medicina Nuclear.

Tabela 1: Exemplos de radionuclídeos produzidos por gerador

Filho Decaimento T1/2 Pai T1/2


62
Cu β+,CE 9.7 min 62
Zn 9.3h
68
Ga β+,CE 68 min 68
Ge 275dias
82
Rb β+,CE 1.3 min 82
Sr 25 dias
87m 87
Sr TI 2.8 h Y 80 h
99m 99
Tc TI 6h Mo 66 h
113m 113
In TI 100 min Sn 120 dias

CE=Electron capture, TI =transição isomérica

3.2 Rádiofármacos utilizados em Medicina Nuclear


Os radionuclídeos utilizados em medicina nuclear devem cumprir alguns pré-
requisitos: possuir meia-vida física curta e meia-vida biológica suficientemente longa
para garantir o sucesso dos estudos fisiológicos e não comprometer o paciente com a
dose clínica ou radiológica do radiofármaco.
Mesmo com as restrições anteriormente mencionadas, a Medicina Nuclear é
uma ferramenta utilizada para uma ampla variedade de diagnósticos. Há
aproximadamente 100 diferentes procedimentos que envolvem imagens diagnósticas
avaliados no ano de 1996. Esses procedimentos envolvem componentes marcados
radioativamente os quais possibilitam a avaliação de funções biológicas.
Dos radioisótopos conhecidos, os que cumprem estas características e,
conseqüentemente, são mais utilizados tanto isoladamente como associados a fármacos
99m 131 67 201 153
são: Tc [7], I, Ga, Ta e Sm, conforme pode-se observar na Tabela 2 que
mostra alguns dos mais comuns procedimentos clínicos.

9
Tabela 2: Exemplos de radiofármacos utilizados em Medicina Nuclear e suas
principais aplicações.
Nuclídeo Componente Tipo Aplicação Exemplos de
imagem uso clínico
99m 99m
Tc Tc-metileno Planar Metabolismo ósseo Metástase
difosfonato Osteomielite
(MDP)
99m
Tc Sestamibi SPECT / Perfusão miocárdica Doenças da
99m
Tc Tetrofosmin
201 planar artéria coronária
Tl Cloreto de tálio
99m
Tc MAG3 planar Função renal Disfunção renal
99m
Tc DTPA
99m
Tc HMPAO SPECT Fluxo sanguíneo Disfunções
99m
Tc ECD
cerebral neurológicas
131
I Iodeto de sódio Planar Função da tireóide Disfunções
tireoidianas
67
Ga Citrato de gálio Planar Metabolismo Localização
tumoral tumoral
111
In Linfócitos Planar Locais de infecção Detecção de
marcados inflamações
18
F Fluordeoxiglicose PET Metabolismo da Câncer,
(FDG) glicose disfunções
neurológicas e
doenças do
miocárdio
13
N Amônia PET Perfusão miocárdica Doenças da
artéria coronária

3.3 Calibrador de Dose

Um dos métodos de aferição da atividade de um radiofármaco é através de um


calibrador de dose ou curiômetro, Figura 1.a. O calibrador de dose é composto por duas
partes: uma câmara de ionização com um furo na região central (comumente
denominada poço) e um eletrômetro com um conjunto de teclas que permitem
selecionar o radioisótopo desejado para a calibração do equipamento.

10
a) b)
Figura 1: a) Foto de um Calibrador de Dose b) esquema de funcionamento de um
calibrador de dose.

A câmara é selada, sob pressão, e possui dois eletrodos co-axiais cilíndricos


mantidos em uma diferença de potencial fornecida por uma fonte de tensão. Quando
um fóton de raios-γ interage com o ar no interior da câmara ocorre ionização, dando
origem a duas cargas: uma positiva e outra negativa. Cada uma das cargas é atraída
eletricamente para o eletrodo de polaridade contrária à sua, Figura 1.b, o que gera uma
pequena corrente elétrica. No eletrômetro, a corrente de ionização é convertida em um
sinal, que é amplificado, processado e, finalmente, apresentado.
Isso é possível porque é assumido que as condições de geometria são as mesmas
e que a resposta é linear e diretamente proporcional à atividade. Todavia, a resposta de
uma câmara de ionização para radiação de diferentes radionuclídeos varia com o tipo de
radiação, a energia e a abundância das mesmas, com maior importância para a energia,
fazendo com que ajustes na amplificação do sinal seja necessária para cada
radionuclídeo, o que justifica a existência de teclas de seleção de isótopos na maioria
dos curiômetros. Além disso, um potenciômetro pode ser posicionado para ajustar
parâmetros específicos caso não haja teclas de seleção apropriada. Uma blindagem em
torno do poço (câmara de ionização) fornece a proteção radiológica de pessoal e
também reduz a resposta do sistema à radiação ambiental embora a radiação de fundo
(residual) permaneça. Alguns calibradores de dose têm ajustes de zero para que esta
contagem de fundo possa ser “desconsiderada” nas medidas de atividade.

11
3.4 Testes de controle de qualidade do calibrador de dose

3.4.1 Precisão e exatidão

Este procedimento objetiva testar a precisão e exatidão do calibrador através das


medidas de atividades das fontes padrões de referência nas mesmas condições de
geometria e seu protocolo compreende os seguintes passos para cada uma das fontes
padrão utilizadas (Tabela 3): selecionar condições operacionais apropriadas para cada
fonte, inserir a fonte no poço e aguardar a estabilização da leitura, repetir dez leituras
em intervalos regulares de tempo para cada fonte e subtrair a leitura da radiação de
fundo, corrigindo a leitura da atividade.

O teste de precisão [6], expresso matematicamente pela equação 9, representa a


“variação” das leituras em relação à sua média durante dez aquisições consecutivas:
100 * ( Ai − A )
P (%) = 9
A
em que Ai é a atividade individual da fonte e A é atividade média.

A exatidão, expressa matematicamente pela equação 10, representa a variação


da leitura da atividade média em relação à atividade corrigida da fonte padrão. Essa
atividade corrigida é obtida através da lei de decaimento exponencial da atividade,
apresentada na equação 11 e leva em consideração a atividade inicial da fonte na data
de sua confecção, assumindo que o curiômetro do fabricante esteja devidamente
calibrado.
100 * ( A − C )
E (%) = 10
C
em que A é a atividade média C é atividade corrigida.
0.693T

C = C0 e T1 / 2 11

12
em que C é a atividade esperada pela fonte, C0 é a atividade inicial da fonte, T é o
período decorrido, T 1/2 é a meia-vida do radioisótopo.
Os limites de tolerância destes equipamentos são estabelecidos pelo fabricante,
mas há a recomendação de que o valor da precisão não deve exceder ± 5% e o valor da
exatidão deve estar entre ± 10%.

3.4.2 Teste de precisão de contagem

Esse tipo de teste objetiva verificar a precisão de um sistema de contagem para


medidas de radiação γ in vitro. Para tanto, os parâmetros do sistema foram ajustados de
acordo com o determinado para teste de calibração de energia [6] e os controles para
janela e limiar de energia ajustados para o isótopo utilizado. Em seguida, foram
realizadas dez medidas com pelo menos 10000 contagens.
A análise dos dados é feita através da equação abaixo:

∑ (C −C )
2

χ 2
=
i 12
C
em que C i é a contagem individual e C é a média das contagens.
Para uma coleta de dados com 10 pontos e, portanto, nove graus de liberdade, os

níveis de confiança para χ 2 são 16,92 e 3,32. Valores fora desse intervalo são
explicados pela natureza aleatória do decaimento radioativo.

3.4.3 Linearidade

O teste de linearidade [6] verifica se a resposta do calibrador de dose está


adequada em toda faixa de atividade para a qual ele é utilizado. Para a realização desse
teste, é selecionada uma fonte de baixa meia-vida física com atividade mais próxima à

13
leitura máxima do calibrador e leituras seqüenciais, em intervalos regulares de tempo,
são realizadas até que a atividade desta fonte esteja próxima à radiação de fundo do
serviço.
Para a análise dos dados, apresenta-se os pontos corrigidos (subtraída a radiação
de fundo) em um gráfico tipo semi-log, sendo logaritmo da atividade versus tempo. Os
limites de aceitação ficam restritos a desvios positivos ou negativos de 10% de um
ajuste linear dos dados.

3.4.4 Reprodutibilidade

Com este teste deseja-se verificar a reprodutibilidade do desempenho diário do


calibrador através de medidas de um radionuclídeo de meia-vida longa [6]. Para a
realização deste teste é necessária uma fonte selada emissora gama de média energia
com atividade em torno de 100 µCi.
O protocolo exige que o teste seja realizado nas mesmas condições utilizadas
99m
para o radionuclídeo mais comum no serviço, Tc, por exemplo. Nestas condições
deve ser medida a atividade da fonte de referência e registrar, já subtraindo a radiação
de fundo, a atividade da fonte, radiação de fundo e o dia da medida. Se mais de um
radionuclídeo for comum no serviço deve-se repetir o teste nas condições de cada um
dos radionuclídeos.
A análise é “sintetizada” num único gráfico em que são apresentadas quatro
linhas de decaimento: experimental, “teórica”, limite de tolerância superior e limite
inferior. Para tanto, a curva esperada, “teórica” é obtida através da equação 11
(determinada pela meia-vida física do radionuclídeo) em que se considera a atividade
inicial a média de 10 medidas consecutivas no primeiro dia; os limites superior e
inferior são obtidos calculando-se 5% a mais e 5% a menos da curva “teórica”,
respectivamente.
Ao comparar curva de decaimento (experimental) obtida com a curva esperada,
os limites de aceitabilidade dos dados são as duas linhas paralelas, acima e abaixo da
curva, com distância correspondente à precisão do instrumento (em geral 5% da
atividade esperada).

14
4. Materiais

O calibrador de dose que foi submetido aos procedimentos de controle de


qualidade foi Calibrador de Dose Carpintec CRC-127 do Serviço de Medicina Nuclear
do HC/FMB. Para os testes de precisão e exatidão do calibrador de dose, foram
utilizadas três fontes de referência, apresentadas na Tabela 3, suportes para a fonte e
pinça para manipulação. No caso do teste de precisão de contagem, porém, só foi
utilizada uma fonte de 131I, além dos aparatos de suporte e manipulação da fonte.

Tabela 3: Fontes de referência utilizadas nos testes de exatidão e precisão.


Radionuclídeo Energia (keV) Meia-vida Atividade (µCi) Confecção da fonte
57
Co 122 270,9 dias 5627,00 01/04/2001
133
Ba 81,356 10,7 anos 269,000 06/06/1995
137
Cs 662 30 anos 218,000 05/09/1995

Para o teste de linearidade, foi utilizado um radionuclídeo de meia -vida física


curta, 99mTc, em solução com atividade próxima ou maior que a atividade máxima para
a qual este instrumento é utilizado, cerca de 100 mCi. Outros materiais, como suportes
e frascos para a fonte, pinças para manipulação e papel semi-log também foram
empregados. Já para o teste de reprodutibilidade também foi utilizada uma fonte de
137
Cs, cuja atividade inicial, em 01/07/2004, era de 325,48 µCi.

5. Resultados

5.1 Resultados para testes de precisão e exatidão.

Os resultados dos testes de precisão e exatidão realizados no dia 19/01/2006 são


apresentados na Tabela 4, para 57Co, Tabela 5, para 133Ba e na Tabela 6 para 137Cs.

15
Tabela 4: Leituras de atividade para 57Co nos testes de exatidão e precisão.
Leitura Atividade (mCi) BG (mCi) Leitura corrigida (mCi) Precisão (%)
1 61,400 1,120 60,280 -0,230
2 61,400 1,130 60,270 -0,247
3 61,500 1,080 60,420 0,002
4 61,800 1,040 60,760 0,564
5 61,600 1,000 60,600 0,300
6 61,400 1,060 60,340 -0,131
7 61,400 1,120 60,280 -0,230
8 61,500 1,090 60,410 -0,015
9 61,400 1,110 60,290 -0,214
10 61,600 1,060 60,540 0,200
Média 61,500 1,081 60,419

Neste dia, a atividade calculada da fonte era de 63,330µCi, passados 1754 dias
da confecção da fonte, que possui meia-vida física de 270,90 dias, resultado em uma
exatidão de -4,596159377%.

Tabela 5: Leituras de atividade para 133Ba nos testes de exatidão e precisão.


Leitura Atividade (mCi) BG (mCi) Leitura corrigida (mCi) Precisão (%)
1 130,800 0,210 130,590 -0,031
2 130,700 0,180 130,520 -0,085
3 130,800 0,220 130,580 -0,039
4 130,900 0,230 130,670 0,030
5 131,000 0,250 130,750 0,091
6 130,900 0,250 130,650 0,015
7 130,900 0,250 130,650 0,015
8 130,800 0,230 130,570 -0,047
9 130,800 0,240 130,560 -0,054
10 131,000 0,230 130,770 0,106
Média 130,860 0,229 130,631

16
Neste dia, a atividade calculada da fonte era de 133,46 µCi, passados 3880 dias
da confecção da fonte, que possui meia-vida física de 3836,15 dias, resultado em uma
exatidão de -2,118569052%.

Tabela 6: Leituras de atividade para 137Cs nos testes de exatidão e precisão.


Leitura Atividade (mCi) BG (mCi) Leitura corrigida (mCi) Precisão (%)
1 169,600 0,250 169,350 0,060
2 169,300 0,200 169,100 -0,087
3 169,300 0,210 169,090 -0,093
4 169,200 0,260 168,940 -0,182
5 169,700 0,230 169,470 0,131
6 169,500 0,230 169,270 0,013
7 169,600 0,190 169,410 0,096
8 169,400 0,150 169,250 0,001
9 169,500 0,190 169,310 0,037
10 169,500 0,210 169,290 0,025
Média 169,460 0,212 169,248

Neste dia, a atividade calculada da fonte era de 171,52µCi, passados 3.789 dias
da confecção da fonte, que possui meia-vida física de 10.950 dias, resultado em uma
exatidão de -1,324449112%.

5.2 Resultados para teste de precisão de contagem

Tabela 7: Leituras de atividade para 131I para o teste de precisão coletadas durante visita
ao Serviço de Medicina Nuclear do HC/FMB.

Leitura Contagens (C −C)


i
2

1 29765 2289774,24
2 33968 7235024,04
3 32142 746150,44
4 33349 4288212,64
5 27916 11304388,84
6 33132 3436574,44
7 34261 8897095,84
8 31641 131623,84
9 28369 8463444,64
10 28239 9236736,64

17
Média
31278 ∑ = 56029025,6

Com base na expressão matemática fornecida em [6], o valor encontrado é

χ 2 = 1791,312 .

5.3 Resultados para teste de linearidade

Como dados para o teste de linearidade, foram apresentadas as tabelas e gráficos


abaixo.

Tabela 8: Dados obtidos no teste de linearidade para 99mTc no mês de novembro de


2005.
Data e hora Tempo decorrido (dias) Atividade (mCi) Ajuste (mCi)
21/11/05 7:45 0,00 200,00 200,00
21/11/05 8:45 0,04 179,00 178,18
21/11/05 9:45 0,08 160,00 158,74
21/11/05 10:45 0,13 141,00 141,42
21/11/05 11:45 0,17 125,00 125,99
21/11/05 12:55 0,22 109,00 110,11
21/11/05 13:45 0,25 101,60 100,00
21/11/05 14:55 0,30 89,00 87,391
21/11/05 15:55 0,34 79,40 77,856
21/11/05 16:40 0,37 72,80 71,395
21/11/05 17:40 0,41 65,60 63,605
22/11/05 7:45 1,00 12,70 12,500
22/11/05 8:45 1,04 11,30 11,136
22/11/05 9:45 1,08 10,10 9,9213
22/11/05 10:53 1,13 8,76 8,7037
22/11/05 11:45 1,17 7,95 7,8745
22/11/05 12:54 1,21 6,93 6,8949
22/11/05 13:52 1,25 6,21 6,1663
22/11/05 14:40 1,29 5,67 5,6220

18
22/11/05 15:50 1,34 4,96 4,9131
22/11/05 16:45 1,38 4,48 4,4194
22/11/05 17:40 1,41 4,03 3,9753
23/11/05 7:45 2,00 0,80 0,78125
23/11/05 8:45 2,04 0,72 0,69601
23/11/05 9:45 2,08 0,61 0,62008
23/11/05 10:45 2,13 0,56 0,55243
23/11/05 11:45 2,17 0,50 0,49216
23/11/05 12:45 2,21 0,45 0,43846
23/11/05 13:45 2,25 0,40 0,39062
23/11/05 14:43 2,29 0,36 0,34935
23/11/05 15:44 2,33 0,32 0,31063
23/11/05 16:47 2,38 0,28 0,27515
23/11/05 17:45 2,42 0,25 0,24607

Tabela 9: Dados obtidos no teste de linearidade para 131I no mês de julho de 2006.
Leituras (µCi)
Data Tempo decorrido Atividade BG Corrigida Ajuste (µCi)
5/7/2006 - 20355 86 20269 20269
6/7/2006 1,00 20156 74 20082 18591
7/7/2006 2,00 19236 89 19147 17052
13/7/2006 8,00 10931 80 10851 10154
14/7/2006 9,00 9410 73 9337 9313,6
18/7/2006 13,00 6657 74 6583 6592,1
19/7/2006 14,00 5975 75 5900 6046,5

19
Figura 2: Resultado para o teste de linearidade para o 99mTc

Figura 3: Resultado para o teste de linearidade para o 131I

20
Figura 4: Variação da radiação de fundo nos testes de linearidade para o 131I.

5.4 Resultado para teste de reprodutibilidade

Na coleta de dados para o teste de reprodutibilidade, foram registrados os


pontos apresentados na tabela abaixo.

Tabela 10: Leituras de atividade e radiação de fundo (background – BG) para 99mTc no
teste de reprodutibilidade.
BG
Leitura BG Leitura Leitura (µ Leitura
Data (µCi) (µCi) Corrigida Data (µCi) Ci) Corrigida
01/07/04 326,00 0,52 325,48 12/01/05 320,00 2,77 317,23
02/07/04 325,00 0,05 324,95 13/01/05 320,00 2,34 317,66
05/07/04 325,00 0,00 325,00 14/01/05 322,00 1,10 320,90
06/07/04 325,00 1,40 323,60 17/01/05 320,00 1,46 318,54
07/07/04 324,00 0,78 323,22 18/01/05 322,00 1,08 320,92

21
08/07/04 327,00 0,92 326,08 19/01/05 320,00 1,19 318,81
12/07/04 325,00 0,39 324,61 03/02/05 320,00 2,50 317,50
13/07/04 325,00 1,20 323,80 04/02/05 321,00 0,23 320,77
14/07/04 326,00 1,79 324,21 09/02/05 319,00 1,11 317,89
15/07/04 325,00 1,50 323,50 10/02/05 320,00 0,85 319,15
16/07/04 325,00 1,46 323,54 11/02/05 320,00 1,32 318,68
19/07/04 324,00 0,40 323,60 14/02/05 319,00 1,11 317,89
20/07/04 326,00 1,34 324,66 15/02/05 321,00 0,75 320,25
21/07/04 326,00 1,60 324,40 16/02/05 320,00 1,06 318,94
22/07/04 326,00 1,13 324,87 17/02/05 320,00 1,60 318,40
23/07/04 327,00 0,50 326,50 18/02/05 319,00 1,47 317,53
27/07/04 325,00 0,03 324,97 21/02/05 318,00 0,82 317,18
28/07/04 326,00 0,07 325,93 22/02/05 321,00 0,56 320,44
29/07/04 325,00 0,07 324,93 23/02/05 323,00 0,33 322,67
30/07/04 326,00 0,05 325,95 24/02/05 316,00 1,18 314,82
02/08/04 327,00 0,35 326,65 25/02/05 316,00 1,09 314,91
03/08/04 326,00 0,44 325,56 28/02/05 319,00 1,12 317,88
04/08/04 327,00 1,22 325,78 01/03/05 316,00 1,10 314,90
05/08/04 323,00 1,38 321,62 02/03/05 320,00 0,40 319,60
06/08/04 324,00 0,42 323,58 03/03/05 318,00 0,65 317,35
09/08/04 324,00 0,39 323,61 04/03/05 318,00 0,99 317,01
10/08/04 322,00 0,51 321,49 07/03/05 316,00 1,02 314,98
11/08/04 324,00 0,06 323,94 08/03/05 315,00 1,37 313,63
12/08/04 325,00 0,29 324,71 09/03/05 318,00 0,73 317,27
13/08/04 321,00 0,21 320,79 10/03/05 319,00 1,19 317,81
16/08/04 322,00 0,95 321,05 11/03/05 318,00 1,36 316,64
17/08/04 322,00 0,54 321,46 14/03/05 317,00 1,28 315,72
18/08/04 322,00 0,72 321,28 15/03/05 316,00 1,87 314,13
19/08/04 322,00 0,64 321,36 16/03/05 318,00 0,18 317,82
20/08/04 324,00 0,30 323,70 17/03/05 316,00 1,83 314,17
23/08/04 322,00 0,45 321,55 18/03/05 315,00 2,05 312,95
24/08/04 323,00 0,12 322,88 21/03/05 317,00 1,65 315,35
25/08/04 322,00 0,54 321,46 22/03/05 318,00 1,70 316,30
26/08/04 323,00 0,15 322,85 23/03/05 317,00 1,57 315,43
27/08/04 323,00 0,37 322,63 24/03/05 313,00 1,92 311,08
30/08/04 325,00 0,72 324,28 28/03/05 314,00 0,61 313,39
02/09/04 326,00 1,50 324,50 29/03/05 322,00 0,89 321,11
03/09/04 325,00 0,94 324,06 30/03/05 322,00 1,91 320,09
08/09/04 321,00 0,37 320,63 31/03/05 318,00 2,02 315,98
09/09/04 320,00 0,62 319,38 01/04/05 319,00 1,41 317,59
10/09/04 323,00 0,39 322,61 04/04/05 315,00 2,27 312,73
13/09/04 324,00 0,01 323,99 05/04/05 317,00 1,52 315,48
14/09/04 324,00 1,45 322,55 06/04/05 317,00 0,02 316,98
15/09/04 325,00 1,72 323,28 07/04/05 314,00 0,78 313,22
16/09/04 325,00 0,66 324,34 08/04/05 316,00 2,09 313,91
17/09/04 320,00 1,40 318,60 11/04/05 317,00 0,35 316,65

22
20/09/04 320,00 0,13 319,87 12/04/05 319,00 0,44 318,56
21/09/04 319,00 1,16 317,84 13/04/05 320,00 0,57 319,43
22/09/04 326,00 5,85 320,15 15/04/05 319,00 1,99 317,01
23/09/04 320,00 0,54 319,46 18/04/05 316,00 1,37 314,63
24/09/04 320,00 0,81 319,19 19/04/05 316,00 1,23 314,77
27/09/04 320,00 0,73 319,27 20/04/05 318,00 1,08 316,92
28/09/04 319,00 1,26 317,74 25/04/05 316,00 0,21 315,79
29/09/04 321,00 1,08 319,92 26/04/05 315,00 1,96 313,04
30/09/04 317,00 0,12 316,88 27/04/05 315,00 0,53 314,47
01/10/04 318,00 0,05 317,95 28/04/05 317,00 0,82 316,18
04/10/04 320,00 0,81 319,19 29/04/05 317,00 0,16 316,84
05/10/04 317,00 1,29 315,71 02/05/05 318,00 0,43 317,57
06/10/04 320,00 0,26 319,74 03/05/05 316,00 0,79 315,21
07/10/04 319,00 0,88 318,12 04/05/05 316,00 0,29 315,71
08/10/04 320,00 0,84 319,16 05/05/05 316,00 0,67 315,33
13/10/04 320,00 0,55 319,45 06/05/05 316,00 0,78 315,22
14/10/04 321,00 1,52 319,48 09/05/05 313,00 0,32 312,68
15/10/04 320,00 1,69 318,31 10/05/05 316,00 0,08 315,92
18/10/04 320,00 1,45 318,55 11/05/05 316,00 0,30 315,70
19/10/04 321,00 0,58 320,42 12/05/05 316,00 1,22 314,78
20/10/04 321,00 2,49 318,51 13/05/05 319,00 1,23 317,77
21/10/04 320,00 0,42 319,58 16/05/05 315,00 0,82 314,18
22/10/04 321,00 0,26 320,74 17/05/05 316,00 1,14 314,86
25/10/04 318,00 0,32 317,68 18/05/05 320,00 5,20 314,80
26/10/04 320,00 1,84 318,16 19/05/05 314,00 1,11 312,89
27/10/04 320,00 1,97 318,03 20/05/05 316,00 1,40 314,60
28/10/04 320,00 1,59 318,41 23/05/05 314,00 2,93 311,07
29/10/04 322,00 0,70 321,30 24/05/05 311,00 1,74 309,26
03/11/04 322,00 0,37 321,63 25/05/05 312,00 4,10 307,90
04/11/04 320,00 1,48 318,52 30/05/05 309,00 4,83 304,17
05/11/04 319,00 3,05 315,95 31/05/05 311,00 0,84 310,16
08/11/04 320,00 0,77 319,23 01/06/05 310,00 0,76 309,24
09/11/04 322,00 0,75 321,25 02/06/05 307,00 0,54 306,46
10/11/04 322,00 0,47 321,53 03/06/05 315,00 2,33 312,67
11/11/04 321,00 0,37 320,63 06/06/05 312,00 1,25 310,75
12/11/04 322,00 1,30 320,70 07/06/05 315,00 1,34 313,66
16/11/04 330,00 0,24 329,76 08/06/05 316,00 1,18 314,82
17/11/04 322,00 2,10 319,90 09/06/05 317,00 1,35 315,65
18/11/04 324,00 1,63 322,37 10/06/05 316,00 1,79 314,21
19/11/04 321,00 0,88 320,12 13/06/05 317,00 1,52 315,48
23/11/04 323,00 0,98 322,02 14/06/05 316,00 1,74 314,26
24/11/04 322,00 1,02 320,98 15/06/05 316,00 1,34 314,66
25/11/04 322,00 0,56 321,44 16/06/05 313,00 2,12 310,88
26/11/04 325,00 0,60 324,40 17/06/05 318,00 1,15 316,85
29/11/04 325,00 1,11 323,89 20/06/05 313,00 1,28 311,72
30/11/04 324,00 0,95 323,05 21/06/05 311,00 1,53 309,47

23
01/12/04 325,00 0,31 324,69 22/06/05 317,00 1,30 315,70
02/12/04 325,00 0,63 324,37 23/06/05 313,00 1,52 311,48
03/12/04 322,00 0,90 321,10 24/06/05 317,00 0,22 316,78
06/12/04 317,00 2,29 314,71 27/06/05 315,00 0,81 314,19
07/12/04 322,00 2,04 319,96 28/06/05 316,00 1,89 314,11
08/12/04 320,00 1,36 318,64 29/06/05 319,00 1,83 317,17
09/12/04 320,00 1,71 318,29 30/06/05 315,00 1,61 313,39
10/12/04 319,00 0,94 318,06 01/07/05 314,00 2,19 311,81
13/12/04 322,00 1,12 320,88 04/07/05 316,00 1,85 314,15
14/12/04 321,00 20,70 300,30 05/07/05 317,00 1,77 315,23
15/12/04 322,00 0,78 321,22 06/07/05 316,00 0,57 315,43
16/12/04 324,00 1,73 322,27 07/07/05 315,00 1,52 313,48
17/12/04 322,00 2,23 319,77 08/07/05 315,00 0,20 314,80
20/12/04 321,00 0,88 320,12 11/07/05 313,00 1,09 311,91
21/12/04 322,00 2,51 319,49 12/07/05 315,00 1,51 313,49
22/12/04 321,00 1,39 319,61 13/07/05 316,00 1,71 314,29
03/01/05 320,00 1,10 318,90 14/07/05 313,00 1,62 311,38
04/01/05 321,00 2,58 318,42 15/07/05 314,00 1,71 312,29
05/01/05 325,00 5,51 319,49 18/07/05 316,00 1,28 314,72
06/01/05 319,00 2,29 316,71 19/07/05 317,00 1,40 315,60
07/01/05 320,00 1,44 318,56 20/07/05 317,00 1,29 315,71
10/01/05 318,00 2,93 315,07 21/07/05 313,00 0,30 312,70
11/01/05 324,00 3,49 320,51 22/07/05 315,00 1,71 313,29

24
Figura 5: Resultado do teste de reprodutibilidade

6. Discussão

6.1 Testes de exatidão e precisão.

Nos testes de precisão para experimentos in vivo, para as fontes de 57Co, 133Ba e
137
Cs verificou-se em relação ao teste de exatidão, o calibrador de dose foi aprovado,
considerando-se que em nenhuma das medidas excedeu o limite de +5% recomendado
pelo TecDoc 602 [6]
Quanto à exatidão para experimentos in vivo, usando as mesmas três fontes, o
calibrador de dose também está aprovado, cabe realçar que mesmo no maior desvio
57
(-4,596159377%) encontrado para a fonte de Co o resultado foi muito inferior ao
limite de +10% recomendado. A dimensão desse desvio se deve provavelmente à idade
da fonte, relativamente “velha”, ou seja, o tempo de uso dessa fonte corresponde a
aproximadamente 8 vezes o tempo de sua meia-vida.

25
6.2 Teste de precisão de contagem

Já nos testes de precisão de contagem para experimentos in vitro, o grupo não


encontrou um resultado satisfatório nem conseguiu encontrar explicações para o valor
obtido nesse teste, embora considerando que a forma como foram apresentados os
dados não foi adequada para proceder com a análise. O Grupo acredita que mais
esclarecimentos a respeito deste teste devam ser feitos para correta manipulação dos
dados.

6.3 Teste de linearidade

Para os testes de linearidade apresentados na Tabela 8, foi construído um gráfico


99m
tipo semi-log (Figura 2) em que são apresentadas as atividades medidas para o Tc, o
ajuste e os limites de tolerância. Nota-se que o ajuste coincidiu com os dados medidos e
que nenhum ponto foi encontrado fora dos patamares de aceitação, implicando na
aprovação do equipamento nesse teste.
Todavia, nos dados apresentados na Tabela 9 e exibidos na Figura 3, nota-se
uma discrepância nos valores com maior contagem, sendo que alguns deles estão fora
dos limites de aceitação (+10%)para o isótopo utilizado.
131
O consenso do grupo é de que o isótopo utilizado nesse experimento foi o I,
uma vez que quando foi calculado o coeficiente da reta ajustada para obter a meia-vida
131
do isótopo, o valor encontrado estava próximo da meia-vida do I e a curva de
131
decaimento calculada, assumindo-se que estes dados eram de I, estavam bastante
próximas.
A discrepância, ou falha de linearidade, na parte superior do gráfico podem
indicar saturação do instrumento, quando o número de fótons incidentes na câmara de
ionização é muito maior que a capacidade de contagem do equipamento.
Nos dois casos não foram observadas alterações para atividades muito baixas
que em aparelhos que não possuem o ajuste do zero pode indicar problemas na
calibração automática do zero.

26
6.4 Teste de reprodutibilidade

No teste de reprodutibilidade, os dados utilizados (Tabela 10) foram


apresentados na Figura 5, em que nota-se a dispersão dos dados (em preto) fica restrita
à região de aceitabilidade sugerida [6], a qual foi calculada 5% acima e abaixo do
decaimento “teórico” da fonte de 137Cs (em verde). O ponto que aparece abaixo da linha
vermelha (limite inferior) ocorre quando a leitura de atividade é corrigida por subtração
da radiação de fundo, uma vez que o valor da radiação de fundo medida neste caso é
muito maior que os outros valores encontrados (veja-se linha em destaque na tabela).
É possível que essa discrepância tenha ocorrido por falhas no ajuste de zero do
equipamento ou por contaminação do recipiente que envolve a fonte no interior da
câmara de ionização. É importante notar que o fato não se repetiu no restante do
período avaliado, indicando que não se deve reprovar o equipamento de calibração de
dose com base somente nesse dado.

7. Conclusão

Com base nos resultados apresentados neste relatório, o grupo concluiu que o
equipamento “Calibrador de Dose Carpintec CRC-127” foi aprovado nos testes de
Precisão, Exatidão, Linearidade e Reprodutibilidade, estando apto para uso na rotina
clínica do Serviço avaliado.

8. Referências Bibliográficas
[1] SPRAWLS, P.; Physical Principles of Medical Imaging, Ed. Madison:
Medical Physics Publishing, 1995.
[2] Introduction to Mammography, disponível em: http://www.e-
radiography.net/technique/mammography/mammography_intro.htm , acessado em 4 de
maio de 2006.

27
[3] HORNAK,J.P.; The Basics of MRI, disponível em:
http://www.cis.rit.edu/htbooks/mri/, Acessado em: 02 abr. 2005.
[4] HOBBIE, R.K., Intermediate physics for medicine and biology, 3.ª ed, AIP
Press, 2001.
[5] CHERRY, S.R.; SORENSON, J.A.; PHELPS, M.E.; Physics in Nuclear
Medicine, 3ª ed. , 523p., 2003, Saunders.
[6] AGÊNCIA INTERNACIOANAL DE ENERGIA ATÔMICA; TecDoc-602:
Quality control of nuclear medicine instruments, 1991.
[7] COSTA, A. M.; CALDAS, L.V.E. Intercomparison and calibration of dose
calibrators used in nuclear medicine facilities. Radiol Bras, v.36, n.5, p.293-297.
2003.
[8] CRC 15-R Dose Calibrator; disponível em:
www.atnuke.com/nuclear/therapy/dosecal.htm , acessado em 20/09/2006.

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