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ANALISANDO O PAPEL DO SUPERVISOR ESCOLAR

Maria Heliene da Silva Aguiar Maria Iraneide Lima da Silva Ronnie Cassio Coelho Silva

INSTITUTO DE ENSINO SUPERIOR FRANCISCANO IESF

O eixo central do supervisor escolar é a qualificação do processo de ensino como forma de

possibilitar a efetiva aprendizagem por parte de todos. Assim algumas práticas empíricas que

objetivam renovar a prática educativa podem ser utilizadas como estratégias de trabalho, entre elas podemos criar a interação com professores, a visão estratégica e atualizada. Nesse sentido o papel

da supervisão escolar tem tudo haver com o trabalho de um profissional que tem compromisso

juntamente com os professores que devem buscar a garantia dos princípios de liberdade e solidariedade humana no pleno desenvolvimento do educando e com objetivo fixo no desenvolvimento da educação buscando sempre o preparo da cidadania e da qualificação para o trabalho

Palavras-chave: Supervisão. Escolas.

INTRODUÇÃO

A presença do supervisor pedagógico nas escolas traz consigo o papel de

contribuir para a melhoria do processo educacional, pois o supervisor desempenha junto aos

professores uma contribuição e enriquecimento no trabalho desenvolvido dentro do processo

educativo.

O presente artigo tem por objetivo refletir e compreender a forma como o papel

do supervisor é desenvolvido no interior das escolas, mesmo sabendo que o papel do

supervisor escolar ao longo do tempo sofreu diversas transformações, porém isso não deixou

de contribuir para o desenvolvimento de uma educação transformadora, significativa e

humanitária.

No entanto, ao longo deste estudo foi constatado que o supervisor escolar exerce

serviços administrativos, de funcionamento geral pedagógico, no qual exerce funções

semelhantes à de gestor, ficando seu verdadeiro papel dentro da escola pouco visível.

O supervisor educacional representa um profissional importante para um bom

desempenho da educação escolar, devendo expor seus pensamentos e assim, direcionar o

trabalho pedagógico para que se alcance um resultado satisfatório e de qualidade no que diz

respeito ao processo de ensino/aprendizagem. Portando buscando compreender este processo

histórico e atual é que resolvemos buscar respostas aos questionamentos e através da busca

pelas respostas destes contribuir de maneira ímpar para o bom desenvolvimento e compreensão da função supervisora.

COMPREENDENDO A FUNÇÃO SUPERVISORA

Compreender o papel do supervisor no contexto educacional no contexto escolar, não ocorre de forma isolada, pois seu trabalho acontece de maneira a contribuir com o trabalho pedagógico dos professores, incentivando-os às novas metodologias para traçar formas de melhorar e garantir um ensino/aprendizagem. Para fundamentar este artigo se fez necessário evidenciar concepções de autores que tratam da supervisão levando em conta teoria a e prática da função do supervisor escolar. RANGEL (2004, p. 12) afirma que “a supervisão caracteriza-se por um trabalho de assistência ao professor, em forma de planejamento, acompanhamento, coordenação, controle, avaliação e atualização ao desenvolvimento de processo ensino aprendizagem. Ferreira (2001) vê a supervisão educacional como um trabalho de coordenação e controle da pratica educativa em que busquem a garantia do bom desenvolvimento da administração educacional Nesse sentido observa-se que a função do supervisor vem ser muito mais importante que tem sido hoje, posto que esse profissional tenha função importantíssima no conhecimento a ser desenvolvido, buscando a compreensão do que seja sua presença na escola, dando o sentido de coordenador, de líder do grupo, sendo que ele ajudará a equipe a se desenvolver e logo, estabelecer uma parceria que favoreça o crescimento, a qualidade e a autonomia do grupo escolar para um bom desempenho do ensino. Segundo Rangel citado por Alarcão (2004, P. 12).

Confirmam-se então, a idéia e o principio de que o supervisor não é um técnico encarregado da eficiência do trabalho e, muito menos, u m “controlador” de produção; sua função e seu papel assumem uma posição politicamente maior, de líder, de coordenador, que estimula o grupo à compreensão-contextualizada e critica de suas ações e, também, de seus direitos.

A prática supervisora tem ações muito maiores que podemos perceber e, cabe ressaltar que esta ocorre de maneira sistemática, através do relacionamento professor/aluno, sendo refletido na ação do supervisor. Isto acontece quando o supervisor não esta preocupado apenas com os resultados, mas com a empatia, segurança, estimulação; colocando em pratica

o comportamento dos supervisores. Com isso, o mesmo estará contribuindo para uma auto-

avaliação constante e eficaz, tanto de sua prática, como também pessoal. Quando pensamos a prática supervisora, precisamos analisá-la a partir de suas grandes funções desenvolvidas, sendo acompanhada de suas realizações, representada através da orientação e controle. A avaliação da mesma ocorre através de apreciação crítica e aprimoramento passando pelos recursos humanos, materiais, técnicos empenhadas. Contudo implica-nos a apresentar que a prática do supervisor deve se apoiar em:

postulados filosóficos, espírito de co-participação em um sistema de articulação. Sendo assim,

o mesmo estar realizando uma adequação da escola, do contexto histórico e cultural. Vilas Boas (2003) afirma que, a prática da supervisão escolar exige do próprio supervisor uma constante avaliação acerca do seu próprio desempenho visando sempre um desempenho e um esforço continuado e com isso o aperfeiçoamento, não simplesmente como um técnico, mas em especial como pessoa e profissional comprometido. Contudo, isso se dará de maneira interativa, voltado para a ação mobilizadora a que o supervisor está envolvido e com foco nos resultados educacionais.

SURGIMENTO DO PAPEL DO SUPERVISOR

SAVIANE (1999) afirma que a função supervisora já estava presente nas próprias comunidades primitivas, onde os homens ainda não eram divididos em classes e onde o modo de produção era coletivo, todos produziam em conjunto, educavam-se em conjunto, com isso a função supervisora já estava presente sendo desenvolvidas por adultos que instruíam os mais novos e os vigiavam discretamente, protegiam e orientavam isto sempre buscando auxilia-los em suas fraquezas. Com o interesse do homem em ter um pedaço de terra para cultivar e morar surgiram as propriedades privadas e com isso a divisão de classes dominantes e dominados. Mais tarde surge com essa divisão a escola lugar preparado para a classe dominante, pois a classe dominada era educada via trabalho. Com a divisão de classe e o surgimento da escola na Grécia antiga, esta vem com

o intuito de desenvolver os aspectos sociais, administrativos e culturais da elite, e com isso tornar mais clara à função do supervisor escolar, não com o nome atribuído hoje, mas como um escravo e com funções que o identificavam como supervisor. Logo surge no interior das escolas elitistas a figura do supervisor como sendo o pedagogo, denominado profissional da Paidéia que era responsável pela criação das crianças de classes dominantes, a educação que os pedagogos davam, era voltada apenas para a obediência dos senhores e nunca voltada para

a pratica de liberdade. Logo muito cedo estes jovens e crianças desenvolviam o habito da oratória “bem falar” e da escrita sempre com muito rigor ás normas estabelecidas. O pedagogo “paidagogo” sendo escravo subordinado aos poderes dominantes, buscavam-se encaminhar os jovens as assembleias onde eram discutidos diversos temas, o que despertava o senso crítico, criativos e cultural e ao mesmo tempo em que desenvolvia o gostos dos jovens pelos seus deveres enquanto classe dominante. Partindo para a Idade Moderna a sociedade capitalista se desenvolveu muito e por meio desse crescimento as indústrias tiveram a necessidade de expandir a escola, pois para que houvesse um maior desenvolvimento seria necessário um maior ensino. Logo no século

XIX a Europa furava o bloqueio da educação capitalista onde os pedagogos ensinavam apenas

os conhecimentos que não feriam a liberdade social imposta na época. Com a chegada do conhecimento Europeu as grandes transformações começam a aparecer na economia, na política e na própria cultura e é nesse contexto que surge a figura do

supervisor educacional, com a função de inspetor que tinha o dever de zelar pelo cumprimento das regras. Mais em meio ao grande desenvolvimento industrial a função do supervisor foi cada vez mais ganhando espaço, posto que houvesse a necessidade de organização advinda do sistema estatal e nacional dominante, por isso o supervisor passava a desenvolver a função de orientador que persuadia os alunos a se adequarem ao modelo exigido pelas classes privilegiadas. (FILHO, 2001)

CONTEXTO HISTÓRICO BRASILEIRO - FUNÇÃO SUPERVISORA

Em 1549 o Jesuíta Manoel da Nóbrega foi a pessoa que desenvolveu o plano de ensino que regulava as ações supervisoras. A função supervisora era com uma espécie de “vigia” que tinha o dever de fazer cumprir as regras de boas condutas e de educação. Com o surgir de Ratio Studiorium (plano que regulava as ações educativas) os professores, alunos, diretores e também supervisores na época eram regidos por este plano. Com esse desenvolvimento pode-se perceber o grande progresso que o supervisor teve em suas funções,

mas não podemos esquecer que este autoridade constituída ao longo dos anos estava muito

distante da autonomia desejada. Logo com a reforma educacional pombalina veio à expulsão dos jesuítas precisamente das colônias portuguesas, tirando o comando da educação das mãos destes e passando para as mãos do Estado. Os objetivos que conduziram a administração pombalina a tal reforma, foi assim, um imperativo da própria circunstância histórica. Extintos os colégios

jesuítas, o governo não poderia deixar de suprir a enorme lacuna que se abria na vida educacional tanto portuguesa como de suas colônias. Com essa expulsão e crise na educação Brasileira, logo se foi criado um alvará que estabelecia, ou melhor, criava o cargo de diretor geral de estudos e com isso a designação de comissários, que exerceriam a supervisão com as funções de fiscalização, direção, coordenação, inspeção e orientação de ensino, estes seriam os auxiliares do diretor. Percebemos na historia que as funções do supervisor passaram a ser:

englobar os aspectos político-administrativos educacionais. Ainda no período imperial com o reinando de Dom Pedro I por meio de uma assembleia geral determinou via decreto a primeira lei que regeria a educação em todas as cidades, vilas e lugares populosos do império, que fossem criadas escolas de primeiras letras se assim fossem necessárias. O método de ensino seria o chamado “Ensino Mútuo”, onde o professor atuaria como supervisor e docente (SAVIANI, 1999). Com tantas evoluções logo surgiram outras como: “O Ato Adicional de 34”, logo mais “As reformas do Ato Adicional 34- que substituiria o professor antes dominador por um professor de ensino primário”. Em 1834 seria criado o cargo de Inspetor de Estudos com o intuito de amenizar as tarefas desenvolvidas pelos ministros de desenvolver, regular e estabelecer planos de aula e exames. Eles acreditavam que já estava na hora de distribuírem as atividades, pois seriam mais produtivos. Vinte anos mais tarde Couto Ferraz estabeleceria um regulamento confiando á um inspetor geral a missão de supervisionar todas as escolas, essa forma de vigilância atenderia aos mecanismos estabelecidos por Luis Pedreira do Couto Ferraz Ministro de Negócios do Império. Essa forma de vigilância foi estabelecida devido à oferta do ensino primário e secundário (ensino privado). Mesmo em meio aos grandes avanços e sobrecargas de serviços a que os pedagogos, inspetores e supervisores foram submetidos ainda estava longe de alcançar uma melhor forma de trabalho. Foi então em 1881 depois da fundação da Escola Normal Oficial que perceberam que oferecer o ensino não seria tão simples, por isso houve um abandono com a educação, pois não havia interesses com a qualidade da educação e do ensino oferecida e muito menos com a formação dos executores da educação. (FILHO, 2001). Antes apenas um inspetor era responsável pela vigilância de todas as escolas da região, mas em 1897 uma lei determinaria que para todo o estado houvesse apenas um inspetor geral, mas esse seria acompanhado por mais dez inspetores o que daria para ter um controle de todas as escolas que contariam cada uma com um inspetor. Ao logo da história da supervisão este foi o único momento em que se pode notar uma preocupação com a formação

de uma equipe educacional, e mesmo assim ainda percebemos de maneira clara e sucinta o quão distante está o compromisso com a função supervisora que era a responsável por manter a escola que servia simplesmente aos interesses do estado. (PILETTI, 2000) Contudo, podemos afirmar que a mudança havia chegado e que a partir dessas mudanças novas funções teria o supervisor, pois desenvolveria um papel político, pois sua habilitação lhes tornaria pedagogos com a criação dos cursos de pedagogia. Mesmo estando ainda sujeitos ao modelo ideológico a que sempre lhes foi imposto, passaria desenvolver um modelo moderno. Por conta deste profissional sempre ter sido telespectador da política ao logo na história, este ainda estava longe de se ver como político. No entanto agora faria parte das suas funções enquanto supervisor de se ver como político e exercer funções políticas, com a autonomia tão desejada que envolvesse a escola e com isso a comunidade, sistema se planejamento.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

De acordo com o exposto no artigo, surgem reflexões sobre a importância da figura do supervisor nas escolas, onde a função supervisora passou por um processo histórico com a finalidade de melhorar a qualidade do supervisor escolar, como afirma Alonso (2000) ao dizer que até o próprio conceito de supervisão educacional ao longo do tempo está sujeito a alterações e com isso, seus objetivos, mas sempre considerando as diversificadas formas ou etapas que marcarão estes processos evolutivos. Ao fazermos a analise do papel do supervisor nas instituições de ensino de Caxias, onde observamos que a função supervisora nas escolas observadas é exercida pelo coordenador pedagógico. Portanto com esse artigo buscamos fazer uma releitura da realidade dessas escolas a fim de oferecer subsídios para a construção de uma educação mais eficiente. Sendo que a função especifica do supervisor nessas escolas observadas seriam de auxiliar os trabalhos pedagógicos, orientar os professores, realizar reuniões com os pais, enfim, procuram buscar a melhoria da instituição escolar. Portanto, deseja-se que este artigo que aborda o papel do supervisor nas instituições de ensino de Caxias, contribua para que o supervisor tenha uma formação continuada, também tenha coragem, o espírito de liderança, a segurança e autonomia, pois sua profissão requer respeito e reconhecimento por ser um dos pilares da educação. Além da formação, respeito à função desenvolvida busca-se obviamente compreender o processo histórico que resultou no atual desenvolvimento da função

supervisora, pois essa trajetória história foi tomada de lutas e conquistas, mas que mesmo tendo alcançado a passos lentos essas vitórias, ainda assim, busca-se alcançar muito mais. Contudo sempre devemos refletir o avanço pragmático no qual a educação vive, destacando sempre o pensamento celebre de (FREIRE, 2000, p.67) em que afirma: Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.Logo devemos buscar transformações contínuas, com o anseio de que assim se estará contribuindo par a formação de um supervisor ativo, consciente, participativo e acima de tudo comprometido com suas funções e responsabilidades sociais.

REFERÊNCIAS

ALARCÃO, Isabel. Formação reflexiva de professores: Estratégias de Supervisão. Coimbra: Porto, 1996.

ALONSO, Myrtes. A Supervisão e o desenvolvimento profissional do professor. In:

FERREIRA, Naura Carapeto (org). Supervisão Educacional para uma escola de qualidade. 4. ed. São Paulo: Cortez, 2003. p. 167-182.

FERREIRA, Naura Syria Carapeto. Supervisão educacional para uma escola de qualidade:

da formação à ação. Org. e revisão técnica; tradução do espanhol Sandra Valenzuela. 2 ed. São Paulo: Cortez, 2001.

FILHO, Geraldo, Francisco. A Educação Brasileira no Contexto Histórico. Campinas,SP:

Alínea, 2001.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Indignação: Cartas pedagógicas e outros escritos. Apresentação de Ana Maria Araújo Freire. Carta-prefacio de Balduino A. Andreola. São Paulo: editora UNESP, 2000.

PILETTI, Claudio; PILETTI, Nelson. Filosofia e História da Educação. São Paulo: 1999.

RANGEL, Mary. Supervisão pedagógica: Princípios e Práticas. Campinas, SP: Papirus, 2001. (Coleção Magistério: Formação e Trabalho Pedagógico).

RANGEL, M; (Org.) ALARCÃO, I. Do olhar supervisivo ao olhar sobre supervisão. In:

Supervisão Pedagógica: Princípios e Práticas. 4.ed. Campinas: 2004, p. 11-55.

SAVIANI, Dermerval. A supervisão educacional em perspectiva histórica: da função à profissão pela mediação da idéia. In: FERREIRA, Naura Syria Carapeto (org.). Supervisão Educacional para uma escola de qualidade: da formação a ação. 2.ed. São Paulo: Cortez, 1999. p.13-38.

VILLAS BOAS, Maria Violeta. et al. A pratica da supervisão. ALVES Nilda (coord.) Educação e supervisão: o trabalho coletivo na escola. 1. ed . São Paulo: Cortez, 2003.