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CÓDIGO REV. IP-DE-C00/011 A EMISSÃO FOLHA INSTRUÇÃO DE PROJETO mar/2006 1 de 37
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EMISSÃO
FOLHA
INSTRUÇÃO DE PROJETO
mar/2006
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TÍTULO

PROJETO DE RECUPERAÇÃO, REFORÇO E ALARGAMENTO DE OBRA DE ARTE ESPECIAL

ÓRGÃO

DIRETORIA DE ENGENHARIA

PALAVRAS-CHAVE

Instrução. Projeto. Recuperação.

APROVAÇÃO

PROCESSO

EXP. 9-50027/DE/1999

DOCUMENTOS DE REFERÊNCIA

OBSERVAÇÕES

Esta Instrução de Projeto substitui o documento DE 99/OAE-002 – Recuperação e Reforço de Obras de Arte, a partir da data de aprovação deste documento.

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ÍNDICE

1

RESUMO

3

2

OBJETIVO

3

3

DEFINIÇÕES

3

3.1

Termos Básicos

3

3.2

Ações

5

3.3

Carregamentos

6

3.4

Materiais

7

3.5

Estados Limites

7

4

ETAPAS DE PROJETO

9

4.1

Estudo

Preliminar

9

4.2

Projeto Básico

10

4.3

Projeto Executivo

11

5

ELABORAÇÃO DE PROJETO

11

5.1

Normas Gerais Aplicáveis

11

5.2

Generalidades

11

5.3

Considerações sobre Durabilidade

12

5.4

Considerações sobre Inspeções e Reparos das Estruturas 12

5.5

Considerações sobre Projeto de Reforços das Estruturas 17

5.6

Escolha do Reforço

24

6

FORMA DE APRESENTAÇÃO 26

6.1

Estudo Preliminar

27

6.2

Projeto Básico

27

6.3

Projeto Executivo

30

7

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 36

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RESUMO

Esta Instrução de Projeto apresenta os procedimentos, critérios e padrões a serem adotados, como mínimos recomendáveis, para a elaboração de projeto de recuperação, reforço ou a- largamento de estrutura de obra de arte especial para o Departamento de Estradas de Roda- gem do Estado de São Paulo – DER/SP.

2

OBJETIVO

Padronizar os procedimentos a serem adotados para elaboração de projeto de recuperação ou reforço de estrutura de obras de arte especiais no âmbito do DER/SP:

- ponte;

- viaduto;

- passagem inferior;

- passagem superior;

- pontilhão.

Os materiais constituintes abordados nesta instrução de projeto são do tipo concreto, aço e compósitos.

3

DEFINIÇÕES

Para os efeitos desta instrução de projeto, são adotadas as seguintes definições:

3.1

Termos Básicos

3.1.1

Ponte

Obra destinada à transposição de obstáculo à continuidade do leito normal de uma via, cujo obstáculo deve ser constituído por água, como rios, braços de mar, lagos, lagoas etc.

3.1.2

Viaduto

Obra destinada à transposição de obstáculo à continuidade do leito normal de uma via, cujo obstáculo não é constituído por água, como vales, outras vias etc.

3.1.3

Passagem Inferior

Obra destinada à transposição sobre uma via permitindo à continuidade do leito normal da via principal.

3.1.4

Passagem Superior

Obra destinada à transposição sob uma via permitindo à continuidade do leito normal da via principal.

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3.1.5 Pontilhão

Ponte ou viaduto de um único vão, menor que 15 m.

3.1.6 Desempenho

Comportamento da obra de arte especial em relação às condições de segurança, durabilidade e funcionalidade.

3.1.7 Recuperação

Ação de manutenção com o objetivo do restabelecimento das condições originais de desem- penho da obra de arte especial.

3.1.8 Reparo

Ação de manutenção destinada à recuperação da obra de arte especial.

3.1.9 Reforço

Ação de manutenção destinada a aumentar a capacidade portante da obra de arte especial.

3.1.10 Patologia

Parte da engenharia que estuda os indícios, mecanismos, processos, origens e causas dos de- feitos ou anomalias das obras de arte especial.

3.1.11 Vistoria

Inspeção especializada destinada a levantar elementos de cadastro, ocorrências, danos, de- feitos ou anomalias das obras de arte especial.

3.1.12 Diagnóstico

Determinação das origens e causas dos defeitos ou anomalias das obras de arte especial.

3.1.13 Prognóstico

Determinação das conseqüências e evolução dos defeitos ou anomalias das obras de arte es- pecial.

3.1.14 Terapia

Estudo, correção e solução das patologias.

3.1.15 Corrosão

Interação destrutiva dos componentes de aço da armadura com o meio ambiente, seja por reação química ou eletrolítica.

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3.1.16

Oxidação

Ataque provocado por uma reação gás x metal, com formação de película de óxido. Este processo é extremamente lento à temperatura ambiente; a deteriorização provocada na su- perfície metálica apresenta alguma magnitude quando existirem gases agressivos na atmos- fera.

3.1.17

Desagregação

Formação de vazios no concreto fresco devido à falta de continuidade da argamassa, com exposição do agregado, conhecida como bicheira ou ninho-de-pedra.

3.1.18

Disgregação

Formação de vazios no concreto endurecido devido à ação de esforços, rompimento e frag- mentação do concreto, com exposição do agregado.

3.1.19

Infiltração

Impregnação ou passagem de água pelos poros, fissuras, juntas, aberturas ou falhas do con- creto.

3.1.20

Carbonatação do Concreto

Resulta diretamente da ação dissolvente do anidrido carbônico, CO 2 , presente no ar atmos- férico, sobre o cimento hidratado, com formação do carbonato de cálcio e a consequente re- dução do pH do cimento até valores inferiores a 9. Quanto maior for a concentração de CO 2 presente, menor será o pH, ou , por outro lado, mais espessa será a camada de concreto car- bonatada.

3.2

Ações

3.2.1

Ações

Causas que provocam esforços ou deformações nas estruturas. As forças e deformações im- postas pelas ações são consideradas como as próprias ações. As deformações impostas são, por vezes, designadas por ações indiretas, e as forças, por ações diretas.

3.2.2

Ações Permanentes

São as ações que ocorrem com valores constantes ou de pequena variação em torno da mé- dia durante toda a vida da construção. Sua variabilidade é medida em um conjunto de cons- truções análogas.

3.2.3

Ações Variáveis

São as ações que ocorrem com valores que apresentam variações significativas em torno da média durante a vida da construção.

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3.2.4

Ações Excepcionais

São as ações que têm duração curta e baixa probabilidade de ocorrência durante a vida da construção. No entanto, devem ser consideradas nos projetos de determinadas estruturas.

3.2.5

Reação

Resposta ou resistência a uma ação.

3.3

Carregamentos

3.3.1

Carregamento

Força que atua na estrutura ou em um elemento estrutural.

3.3.2

Carregamento Permanente

Carregamento de magnitude e posições constantes que atuam de forma permanente, incluin- do o peso próprio.

3.3.3

Peso Próprio

Parte do carregamento permanente gerado pela massa do elemento estrutural considerado.

3.3.4

Carga Móvel

Sistema de cargas representativas dos valores característicos dos carregamentos provenien- tes do tráfego a que a estrutura está sujeita em serviço. A carga móvel em ponte rodoviária ou ferroviária é também referida pelo termo trem-tipo.

3.3.5

Carregamento Dinâmico

Parte do carregamento variável resultado de movimento.

3.3.6

Carregamento de Impacto

Carregamento variável cujo efeito é acrescido devido à sua aplicação imediata.

3.3.7

Carregamento de Vento

Carregamento devido ao vento.

3.3.8

Carregamento Excepcional

Carregamento constituído por carretas de grandes dimensões, destinadas ao transporte de unidades muito pesadas tais como: turbinas, geradores, invólucros metálicos protetores de centrais nucleares etc.

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3.4

Materiais

3.4.1

Armadura Ativa

Constituem-se por barras, fios isolados ou cordoalhas. É destinada à produção de forças de protensão, isto é, quando nela se aplica pré-alongamento inicial.

3.4.2

Armadura Passiva

Qualquer armadura que não seja usada para produzir forças de protensão, isto é, que não se- ja previamente alongada.

3.4.3

Concreto Estrutural

Termo que se refere ao espectro completo das aplicações do concreto como material estrutu- ral.

3.4.4

Elementos de Concreto Simples Estrutural

Elementos estruturais elaborados com concreto sem qualquer tipo de armadura, ou em quan- tidade inferior ao mínimo exigido para o concreto armado.

3.4.5

Elementos de Concreto Armado

Elementos cujos comportamentos estruturais dependem da aderência entre concreto e arma- dura, e nos quais não se aplicam alongamentos iniciais das armaduras antes da materializa- ção dessa aderência.

3.4.6

Elementos de Concreto Protendido

Aqueles nos quais parte das armaduras é previamente alongada por equipamentos especiais de protensão com a finalidade de, em condições de serviço, impedirem ou limitarem a fissu- ração e os deslocamentos da estrutura e propiciar o melhor aproveitamento de aços de alta resistência no estado limite último – ELU.

3.4.7

Chapas de Aço como Reforço Estrutural

São elementos que quando fixados na estrutura possuem a função de auxiliá-la na resistên- cia dos esforços solicitantes.

3.5

Estados Limites

3.5.1

Estado Limite Último – ELU

Estado limite relacionado ao colapso ou a qualquer outra forma de ruína estrutural que de- termine a paralisação do uso da estrutura.

3.5.2

Estado Limite de Formação de Fissuras – ELS-F

Estado em que se inicia a formação de fissuras. Admite-se que esse estado limite é atingido quando a tensão de tração máxima na seção transversal for igual a f ct,f . Ver itens 13.4.2 e

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17.3.3 da NBR 6118 (1) .

3.5.3 Estado Limite de Abertura das Fissuras – ELS-W

Estado em que as fissuras se apresentam com aberturas iguais às máximas especificadas no item 13.4.2 da NBR 6118 (1) . Ver item 17.3.3 da NBR 6118 (1) .

3.5.4 Estado Limite de Deformações Excessivas – ELS-DEF

Estado em que as deformações atingem os limites estabelecidos para a utilização normal, dados no item 13.3 da NBR 6118 (1) . Ver item 17.3.2 da NBR 6118 (1) .

3.5.5 Estado Limite de Descompressão – ELS-D

Estado no qual um ou mais pontos da seção transversal apresentam tensão normal nula, não havendo tração no restante da seção. Verificação usual no caso do concreto protendido. Ver item 13.4.2 da NBR 6118 (1) .

3.5.6 Estado Limite de Descompressão Parcial – ELS-DP

Estado no qual se garante a compressão na seção transversal, especificamente na região on- de existem armaduras ativas. Esta região deve estender-se até a distância a p da face mais próxima da cordoalha ou da bainha de protensão. Verificar Figura 1 a seguir e tabela 13.3 da NBR 6118 (1) .

REGIÃO COMPRIMIDA BAINHA DE PROTENSÃO p REGIÃO TRACIONADA
REGIÃO
COMPRIMIDA
BAINHA DE
PROTENSÃO
p
REGIÃO
TRACIONADA

Figura 1 – Seção Transversal

3.5.7 Estado Limite de Compressão Excessiva – ELS-CE

Estado em que as tensões de compressão atingem o limite convencional estabelecido. Usual no caso do concreto protendido na ocasião da aplicação da protensão. Ver item 17.2.4.3.2.a da NBR 6118 (1) .

3.5.8 Estado Limite de Vibrações Excessivas – ELS-VE

Estado em que as vibrações atingem os limites estabelecidos para a utilização normal da construção.

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ETAPAS DE PROJETO

O

projeto deve ser baseado na avaliação de desempenho da obra de arte especial, realizada

através da vistoria especial ou principal, conforme definido na Instrução de Projeto de Ins- peção de Obra de Arte Especial, e se necessário, através de ensaios, provas ou testes de ma-

teriais, abrangendo quesitos de segurança, durabilidade e funcionalidade.

O

desenvolvimento do projeto deve ser realizado em obediência à Instrução de Projeto de

Estrutura de Obra de Arte Especial, abrangendo as seguintes etapas:

 

- estudo preliminar;

- projeto básico;

- projeto executivo.

4.1

Estudo Preliminar

Nesta etapa devem ser coletados dados básicos existentes visando à elaboração do estudo. Devem ser obtidos os seguintes elementos:

 

- pesquisa de projeto;

- levantamento de patologias: fissuras, trincas, desagregação do concreto, disgregação do concreto, corrosão da armadura e deformação excessiva;

- levantamento de dados topográficos e geotécnicos: sondagens e ensaios;

- ensaios para determinação e caracterização dos materiais: esclerometria, ultra- sonografia, extração e rompimento dos corpos de prova;

- inspeção subaquática;

- provas de carga;

- verificação dos gabaritos e seção de vazão.

 

O

estudo preliminar deve ser precedido de inspeção especial ou principal, necessária para

determinação do diagnóstico. Após a aprovação do DER/SP, inicia-se o estudo que compre-

ende a definição da intervenção necessária à recondução do desempenho da obra de arte a nível satisfatório.

O

estudo deve identificar o trem-tipo de classe utilizado no projeto e adotar uma das hipóte-

ses abaixo para a realização da recuperação ou reforço

4.1.1

Recuperação da Obra

Recuperação da obra para o trem-tipo de cálculo.

4.1.2

Reforço da Obra

- excepcionalmente recuperação e reforço da obra para o trem-tipo de cálculo;

- recuperação e reforço da obra com o trem-tipo especial de classe 45.

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4.1.3

Alargamento da Obra

4.1.3.1

Pequeno alargamento sem alterar a estrutura existente

 

a) obras sem problemas estruturais: estudar duas soluções de projeto; uma mantendo o trem-tipo de cálculo da obra e outra alterando para o trem-tipo especial de classe 45;

b) obras com problemas estruturais: estudar a solução de projeto para o trem-tipo espe- cial de classe 45.

4.1.3.2

Alargamento com alteração da infra-estrutura existente

 

a) alargamento incorporado: estudar a solução para o trem-tipo especial de classe 45;

b) alargamento com junta longitudinal: este caso pode ocorrer devido ao modelo estrutu- ral da obra existente:

- obra existente sem problemas estruturais: recuperar a obra existente e verificar o alargamento independentemente, para o trem-tipo especial de classe 45;

- obra existente com problemas estruturais: reforçar a obra existente e verificar o a- largamento para o trem-tipo especial de classe 45.

NOTA: Como regra geral, deve-se dar prioridade para adequação do trem-tipo de cálculo para o trem-tipo especial de classe 45 e incorporação dos alargamentos à estrutura existente.

 

A

critério do DER/SP, deve ser realizado estudo comparativo de soluções alternativas con-

tendo todos os aspectos técnicos e econômicos, e deve existir pelo menos duas soluções viá- veis, de modo a permitir a escolha da solução de recuperação ou reforço mais adequada.

Nos projetos de recuperação, reforço ou alargamento de pontes, deve ser analisado se a se- ção de vazão existente é suficiente.

4.2

Projeto Básico

O projeto básico, desenvolvido após a aprovação do estudo preliminar pela fiscalização do

DER/SP, é composto pelo conjunto de desenhos, memoriais, especificações e demais ele- mentos necessários à elaboração do orçamento e licitação da intervenção da obra de arte es- pecial.

Deve ser constituído pela escolha da solução que melhor atenda aos critérios técnicos, eco- nômicos, administrativos e aos requisitos operacionais da rodovia. Devem ser analisados in- clusive os aspectos estéticos da obra recuperada, reforçada ou alongada.

O projeto básico também deve conter as verificações de resistência e o quantitativo de mate-

riais da obra. De forma a possibilitar a seleção da alternativa que melhor atenda às necessi- dades do DER/SP.

O projeto básico deve ser elaborado respeitando os seguintes requisitos:

- facilidades construtivas para futuras trocas de aparelhos de apoio;

- facilidades construtivas e de dispositivos de acesso aos apoios e meio do vão;

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- nas obras em caixão, aberturas ou janelas na laje inferior e transversinas e furos de drenagem de águas pluviais;

- tubulações de escoamento das águas do tabuleiro e das lajes inferiores, nas obras em caixão com, respectivamente, diâmetros mínimos de 76,2 mm e 50,8 mm;

- pingadeiras nos balanços ou faces laterais da obra;

- restauração dos encontros e sistema de drenagem nas cabeceiras da obra;

- implantação de barreiras rígidas de segurança;

- implantação de barreira rígida de segurança nos quatro cantos da obra. Se no encontro da obra de arte especial existir dispositivo de segurança de proteção de aterro em de- fensa metálica, a barreira rígida de segurança deve possuir deflexão com abertura de 10º. Caso o elemento de proteção de aterro no encontro da obra de arte especial seja em barreira rígida de concreto, a barreira rígida de segurança da obra de arte deve es- tar no mesmo alinhamento, ou seja, deflexão com abertura de 0º;

- restauração dos taludes de acesso;

- estucamento das passagens superiores, viadutos e passagens inferiores, e aplicação de duas demãos de verniz, após a recuperação ou reforço da obra.

4.3

Projeto Executivo

O

projeto executivo, desenvolvido após a aprovação do projeto básico pela fiscalização do

DER/SP, compreende o conjunto de desenhos, memoriais, especificações e demais elemen- tos necessários à execução da obra.

Suas peças estruturais e acessórias devem estar perfeitamente definidas em relação às di- mensões e às posições. Devem ser apresentadas as locações definitivas, obedecendo aos tra- çados em planta e em perfil da via, aos gabaritos e às demais especificações previamente es- tabelecidas.

5

ELABORAÇÃO DE PROJETO

5.1

Normas Gerais Aplicáveis

A

elaboração do estudo preliminar e dos projetos básico e executivo de recuperação, reforço

ou alargamento de estrutura de obra de arte especial devem ser desenvolvidos de acordo com as normas brasileiras em vigor, citadas no item 7 – Referências Bibliográficas.

Caso alguma norma necessária ao desenvolvimento do projeto não conste no referido item, a projetista deve incluí-la nos estudos e projetos após autorização prévia do DER/SP.

5.2

Generalidades

A

inevitável deterioração das estruturas ao longo do tempo, leva à necessidade da realização

de

reparos, ou de reforço para restauração da capacidade estrutural do elemento.

Os primeiros sinais de deterioração podem ser identificados visualmente durante a inspeção principal realizada periodicamente nas estruturas. Os sinais principais são: fissuras, trincas,

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manchas e disgregação do concreto. No entanto as corrosões locais podem ocorrer de ma- neira imperceptível a olho nu, como as corrosões pontuais características do ataque por clo- ro.

Falhas superficiais no revestimento flexível ou rígido sobre o tabuleiro da obra de arte espe- cial podem representar problemas graves na estrutura ou infra-estrutura de concreto. Desta forma é importante o conhecimento das causas e possíveis conseqüências provocadas pela patologia observada, de maneira a intervir no processo de deterioração aumentando a vida útil da estrutura.

NOTA: O diagnóstico é a primeira e a mais importante atividade para obtenção de sucesso de recuperação da obra, pois a partir do diagnóstico é elaborado um projeto detalhado. Como princípio não se deve iniciar um projeto de recupera- ção sem antes ter um diagnóstico preciso das patologias existentes.

5.3 Considerações sobre Durabilidade

A durabilidade pode ser definida em geral pelo grau de serventia apresentado pela estrutura.

A água geralmente está envolvida em toda forma de deterioração. Em sólidos porosos a per- meabilidade do material à água habitualmente determina a taxa de deterioração.

Efeitos físicos que influenciam negativamente a durabilidade do concreto incluem desgaste da superfície, fissuras causadas pela pressão de cristalização de sais nos poros e exposição a temperaturas extremas, como a ação de fogo. Efeitos químicos deletérios incluem a lixivia- ção da pasta de cimento por soluções ácidas, e reações expansivas envolvendo ataques por sulfato, reações álcali-agregados e corrosões da armadura no concreto. A seguir, são deta- lhadas as manifestações físicas, mecanismos e controle de várias causas de deterioração do concreto.

Os altos índices da relação água e cimento permitem elevado grau de hidratação do cimento, tornando a pasta de cimento altamente porosa. A medida que a hidratação progride, a quan- tidade de poros é reduzida, perdendo a interconectividade e diminuindo sua permeabilidade. Desta maneira costuma-se relacionar este índice com a durabilidade do concreto, porém, e- xistem outros fatores que podem prejudicar: baixa quantidade de cimento, cura inadequada e adensamento insuficiente.

5.4 Considerações sobre Inspeções e Reparos das Estruturas

Com o objetivo de melhorar as informações sobre o atual estado estrutural, durante a inspe- ção principal, deve-se efetuar ensaios para análises qualitativas de conservação dos materi- ais utilizados na estrutura. Os ensaios visam determinar potenciais patológicos que não são observados nas inspeções visuais: determinação de potencial elétrico do concreto, nível de cloretos, espessura da camada de cobertura e profundidade da carbonatação.

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5.4.1

Patologias mais Encontradas e Obra de Arte Especial

5.4.1.1

Patologias do Concreto

O concreto pode ter defeitos que são apresentados através de processos físicos, como:

 

a)

fissuração:

 

- deficiências do projeto;

- contração plástica;

- assentamento do concreto;

- movimentação do escoramento e de formas;

- retração;

- deficiências de execução;

- reações expansivas;

- corrosão;

- recalques diferencias;

- variação de temperatura;

- ações aplicadas.

 

b)

desagregação do concreto:

 

- fissuração;

- movimentação das formas, fuga de nata de concreto;

- corrosão do concreto, lixiviação;

- calcinação;

- ataque biológico.

 

c)

carbonatação do concreto:

 

- falta de aderência entre concreto e concreto, e concreto e aço;

- desgaste do concreto: atrito, abrasão.

5.4.1.2

Patologias da estrutura

a) flechas;

b) desaprumo;

c) recalques;

d) flambagem de peças;

e) ligações e emendas.

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5.4.1.3 Patologias da Obra de Arte Especial

a) esmagamento, distorção de aparelhos de apoio;

b) deslocamento de aparelho tipo pêndulo;

c) recalques nos encontros da obra;

d) erosão dos taludes de acesso;

e) drenagem da obra de arte especial, dos taludes de acesso e nos acessos à obra.

5.4.2 Inspeção de comissionamento

É a inspeção principal em obras novas, reforçadas, recuperadas ou modificadas, acrescida da

confirmação de sua execução de acordo com o projeto. Ao longo da vida útil da obra de arte

especial, estas inspeções devem ser executadas imediatamente após a execução dos serviços de reforço, recuperação ou modificação na sua estrutura.

5.4.3 Inspeção de Cadastro

Trata-se da inspeção cuja principal finalidade é confirmar as informações do projeto ou efe- tuar o as built da obra existente, bem como inserir a obra no Sistema de Gerenciamento de Obras de Arte Especiais – SIGOA, do DER/SP (14) . Deve ser feita nos padrões estabelecidos na inspeção de vigilância.

5.4.4 Inspeção de Vigilância

É a inspeção rotineira, rápida e visual sobre o estado estrutural da obra de arte especial, vi-

sando separar as obras em bom estado, ou das que requerem apenas pequenos serviços de

reparos, daquelas que devem passar por inspeção mais detalhada.

5.4.5 Inspeção Principal

É a inspeção detalhada, igualmente rotineira, do estado estrutural da obra de arte especial,

permitindo o aprofundamento qualitativo da inspeção de vigilância.

5.4.6 Inspeção de Emergência

É a inspeção que tem o objetivo de acompanhar e registrar as providências iniciais adotadas

em casos de acidentes.

Todas as inspeções devem seguir o prescrito nos documentos:

- Instrução de Projeto de Inspeção de Obra de Arte Especial;

- Manual de Inspeção – Sistema de Gerenciamento de Obras de Arte do DER/SP (15) .

5.4.7 Testes e Ensaios

Todos os ensaios e testes devem ser realizados por pessoas capacitadas, tanto in situ quanto em laboratório. As informações dos testes são de fundamental importância para revelar as verdadeiras condições estruturais, pois relatam a localização e a extensão das patologias, in-

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formações importantes para intervenções localizadas.

5.4.7.1 Extração e rompimento de corpo de prova do concreto

Conforme prescrito na NBR 5738 (2) e NBR 5739 (3) .

5.4.7.2 Provas de carga

Conforme preescrito na NBR 5738 (2) , NBR 5739 (3) , NBR 7680 (4) , NBR 5741 (5) e item 25.3.2

da NBR 6118 (1) .

5.4.7.3 Ensaios de tração nas armaduras

Conforme prescrito na NBR 6152 (6) .

5.4.7.4 Ensaios de cloreto – Análise de risco de corrosão

a) cobrimento: caso se utilize cobrimento com espessura menor do que a especificada o tempo para início da corrosão é reduzido, isto é, a corrosão é antecipada. Desta ma- neira, deve-se atentar para que a redução da espessura da camada de cobrimento da armadura não exceda 15% da espessura especificada e não seja maior que 5 mm;

b) quantidade de cloretos: a quantidade de cloretos é determinada através de amostras retiradas do concreto. Sua dimensão varia de 20 mm a 25 mm de diâmetro e a deter- minação da quantidade decorre de análises químicas sobre esta amostra. A proveniên- cia do cloreto no concreto é decorrente da fase construtiva, elementos acrescentados à massa de concreto cujos constituintes possuem cloretos, e da fase de utilização, atra- vés de fontes externas;

c) teste de potencial elétrico, half-cell potential: o teste de potencial elétrico, junto com a determinação da quantidade de cloretos, permite medir o potencial de corrosão da armadura. Através da colocação de eletrodos na superfície do concreto e conectado a um voltímetro, estabelece-se a medição da diferença de potencial elétrico. Uma me- dida inferior a 200 mV negativo, representa pequena probabilidade de corrosão da armadura, porém é importante a análise de impregnação de outros elementos no con- creto que podem interferir na medida deste potencial;

d) resistividade do concreto: a resistividade é outro parâmetro relacionado com a durabi- lidade do concreto, auxiliando na interpretação do teste de potencial elétrico. Experi- ências demonstram que para números elevados do resultado do teste de potencial elé- trico, acima de 350 mV:

- se a resistividade for maior que 12000 ohm/cm, a corrosão é improvável;

- se a resistividade estiver entre 5000 ohm/cm e 12000 ohm/cm, a corrosão é prová- vel;

- se a resistividade for menor que 5000 ohm/cm, a corrosão é quase certa.

A técnica utilizada para medição da resistividade é semelhante ao half-cell potencial, onde

dois eletrodos são inseridos no concreto para sua medição. É importante o cuidado na exe- cução destes ensaios, uma vez que o resultando pode ser afetado por diversos fatores exter- nos.

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5.4.8 Reparos em Estruturas Contaminadas por Cloretos

Após verificar os resultados dos ensaios confirmando a deterioração do concreto, deve-se realizar a comparação econômica entre a realização de reparo estrutural e a sua reconstru- ção. Um reparo ou reforço afeta a capacidade de carregamento das estruturas e por isso de- ve-se analisar criteriosamente a viabilidade da construção de outro elemento estrutural que melhor se adapte às solicitações.

Antes de qualquer reparo, é importante verificar a existência de dispositivos de drenagem e seu correto funcionamento, além de verificar o correto desempenho das juntas no concreto.

- fissuras: o reparo de fissuras não deve ser realizado até que as suas causas sejam co- nhecidas e monitoradas. Em ambiente altamente agressivo, como o marinho, a expo- sição de fissuras favorece a impregnação de cloretos. Desta maneira se os ensaios demonstrarem que o nível de cloretos no concreto excede 0,3% em massa de cimento, o concreto deve ser removido. Nota-se que a injeção de nata de cimento não será sufi- ciente para garantir a proteção da armadura e muito menos impedir a intrusão de clo- retos;

- remoção do concreto: deve-se assegurar que a remoção do concreto não interferira na estabilidade estrutural e continuidade da transferência dos esforços. Grandes áreas de concreto podem ser removidas através da utilização de altas pressões de água, porém este método pode não ser apropriado em diversas situações devido a dificuldades de acesso e segurança, tornando os métodos manuais mais adequados para remoção do concreto. A extensão da área de reparo é dependente do grau de contaminação. O e- xame visual e teste de potencial elétrico devem determinar a sua extensão, porém re- comenda-se que a área do concreto removido não seja menor que 1 m 2 e profundidade mínima de 10 mm;

- reposição do concreto: a concretagem da nova camada deve ser programada, de ma- neira a atenuar a retração por secagem. O traço deve ser especialmente elaborado, com relação água e cimento inferior a 0,4, visando minimizar a permeabilidade da camada protetora. A cura é indispensável, está relacionada com o grau de hidratação do cimento e conseqüente fechamento dos poros. O concreto projetado pode ser utili- zado em regiões completamente congestionadas, devendo tomar os devidos cuidados com as áreas de sombra. Em áreas pequenas deve-se dar preferência para argamassas epoxídicas, que não apresentam problemas de retração.

5.4.9 Reação Álcali-Agregado

A reação álcali-agregado pode progredir de diversas maneiras na estrutura; conseqüente- mente, a partir do momento que é determinada, deve-se monitorá-la de maneira a estabele- cer sua progressão e o comprometimento da situação estrutural.

Quando na suspeita da reação álcali-agregado deve-se, durante a inspeção principal, desen- volver estudo mais detalhado. Não é possível a determinação deste fenômeno em inspeção visual e, portanto deve ser realizado por laboratório capacitado.

Embora esta patologia comprometa a durabilidade da estrutura, é importante lembrar que outras patologias como as corrosões requerem intervenções em menor tempo.

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Desta forma pode-se classificar as estruturas, durante as investigações preliminares, em ca- tegorias:

- suspeita: estrutura com suspeita de patologias do tipo álcali-agregado, devido à pre- sença de fissuras generalizadas, semelhante a mapa hidrográfico;

- confirmada: estrutura nas quais estudos laboratoriais confirmam a presença da pato- logia;

- potencial: estrutura com agregados e álcalis semelhantes às que foram relacionadas aos problemas patológicos.

5.4.10

Drenagem

Devem ser colocados coletores de água nas cavidades internas das seções das pontes, caso elas existam. Esta água é responsável pela redução da vida útil da estrutura devido ao au- mento do potencial de corrosão da armadura da superestrutura. No caso de não existirem es- tas cavidades, deve-se providenciar um orifício para drenagem das águas incidentes na su- perfície do tabuleiro para facilitar seu escoamento.

Deve-se observar o local para onde estão sendo canalizadas as águas da superestrutura, evi- tando-se o desague sobre a pista ou faixas, sobre rios, mesoestruturas etc.

5.5

Considerações sobre Projeto de Reforços das Estruturas

A escolha do tipo de reforço estrutural a ser empregado em obra de arte especial para au- mentar sua capacidade portante, depende da sua localização, ou seja, da facilidade de acesso para implantação de uma ou outra solução de reforço, da forma particular de cada superes- trutura, da extensão e da origem dos defeitos. Pode ser projetado reforço para melhorar tanto o desempenho estrutural longitudinal quanto o desempenho estrutural transversal.

5.5.1

Critérios de Projeto

Pode-se afirmar que o reforço é tanto mais eficiente quanto menor forem as deformações i- niciais impostas ao elemento a ser reforçado.

De modo geral, as técnicas para o reforço de obra de arte especial podem ser divididas em dois grupos: métodos ativos e métodos passivos.

5.5.1.1

Métodos Ativos

Uso de protensão adicional, ou seja, adição de tensões à estrutura.

5.5.1.2

Métodos Passivos

a) incorporação de placas metálicas ou colagem com compósitos que aumentam a capa- cidade de carga sem adicionar tensões à estrutura;

b) aumento das dimensões das peças, acréscimo de armadura;

c) execução de laje sobre o tabuleiro existente. Essa laje deve ser executada incorporada à estrutura existente, através de barras ancoradas. Pode-se optar por incorporar o pa-

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vimento na própria laje de reforço, com adoção de espessura de sacrifício adequada.

Na escolha do reforço a ser utilizado, no entanto, deve-se atentar, entre outros, para o fato

de que a fluência é um fenômeno de deformação com o tempo, verificado em elementos es-

truturais sujeitos a tensões mantidas constantes no mesmo espaço de tempo. Pode-se dizer que a grandeza com que a fluência se desenvolve nos elementos de concreto depende dos seguintes fatores:

- maturidade;

- idade do concreto quando do carregamento sustentado;

- tempo de duração do carregamento;

- fatores ambientais: umidade e temperatura;

- fatores geométricos da peça;

- tipo de cimento.

Quando uma peça de concreto é submetida a reforço estrutural, pelo menos os três primeiros fatores devem variar entre o concreto que constitui o elemento estrutural objeto do reforço e o concreto com o qual se está realizando o reforço:

- maturidade: concretos de diferentes idades;

- idade do concreto quando do carregamento sustentado: o concreto utilizado no refor- ço deve ser submetido a um carregamento em uma idade muito mais jovem do que o elemento a ser reforçado;

- tempo de duração do carregamento: para um mesmo tempo decorrido, os elementos estarão sujeitos a diferentes tempos de duração de carregamento.

Tais fatores, que atuam sobre qualquer que seja o tipo de reforço com concreto a ser empre- gado, devem ser considerados quando da definição por um ou outro tipo de técnica ou mate- rial a ser utilizado.

5.5.2 Tipos de Reforços

Deve-se sempre analisar a situação de reforço da estrutura ou de uma peça estrutural com relação ao carregamento que ela já suporta, dimensionando:

- reforço que em conjunto com a estrutura existente receba somente as cargas móveis

o

e excepcionais;

- reforço que em conjunto com a estrutura existente receba todas as cargas.

o

A escolha por um ou outro processo de reforço da obra de arte especial, deve se definida,

não obstante a relevância dos pontos considerados, quanto à exeqüibilidade da solução esco-

lhida, isto é, a adoção da melhor técnica possível frente às demais variáveis envolvidas.

5.5.2.1 Infra-estrutura

Quanto a necessidade de aumentar a capacidade da infra-estrutura, ou de corrigir falhas e-

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xistentes. Pode-se classificar em:

a) reforço permanente

São reforços que se tornam necessários devido ao mau desempenho das fundações o- riginais. São também utilizados no caso de aumento do carregamento aplicado às fun- dações, devido à ampliações ou modificações na utilização da estrutura.

b) reforço provisório

É aplicado somente para permitir que sejam efetuados os serviços de reforços perma- nentes, ou para que a fundação possa ser sobrecarregada provisoriamente para atender a uma condição especial de curta duração.

c) substituição de fundações

Trata-se do caso em que se torna necessária a modificação de uma fundação por ou- tra. Na realidade, não seria um reforço das peças existentes originalmente, mas a substituição por outras totalmente novas e sem que tenham que ser, obrigatoriamente, do mesmo tipo que as antigas.

d) escoramentos auxiliares para a execução de reforços

São utilizados quando torna-se necessário reduzir ou retirar, provisoriamente, o carre- gamento nas fundações existentes ou de peças da superestrutura, para que se possa proceder aos trabalhos de reforço ou substituição das peças de fundação.

As soluções para os serviços de reforços são variadas e dependem das condicionantes do problema em questão, tais como: tipo de solo, urgência, fundações existentes, ní- vel de carregamento e espaço físico disponível. Assim pode-se relacionar alguns ti- pos:

- reparo ou reforço dos materiais

Nos casos em que o problema está na deterioração dos materiais que constituem os elementos de fundação. No caso, por exemplo, de ocorrência de agressão ao con- creto ou corrosão das armaduras que constituem as sapatas de fundação, as estacas e os tubulões. Tratando-se, neste caso, de problema tipicamente estrutural, não as- sociado à transferência de carga para o solo.

- enrijecimento da estrutura

Pode-se considerar como solução o enrijecimento da estrutura, para os casos em que se procura, apenas, minimizar os recalques diferenciais que estejam ocorrendo. Este enrijecimento pode ser alcançado através de implantações de vigas de rigidez interligando as fundações.

- aumento da área de apoio

Aplica-se no caso de fundações por sapatas ou tubulões, onde a transferência de carga para o solo ocorre, basicamente, pela superfície horizontal de contato da fun- dação com o solo. Estes reforços são ocasionados pelo aumento das cargas origi- nais, ou por ter sido adotado um valor inadequado para a tensão admissível do solo.

- estacas prensadas ou de reação

Este tipo de reforço constitui-se na instalação de pequenos elementos superpostos

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de estacas, os quais podem ser compostos por peças de concreto armado vazadas ou perfis metálicos. São cravados através do emprego de macaco hidráulico que reage contra uma carguera, contra a estrutura ou contra a fundação já existente.

- estacas injetadas

Estas estacas são denominadas estacas-raiz, microestacas e presso-ancoragens e são executadas por perfuração com circulação de água. Os equipamentos para a execu- ção deste tipo de estaca caracterizam-se por suas pequenas dimensões, permitindo o acesso a locais com limitações de altura.

- estacas convencionais

Nos casos em que haja altura suficiente para a instalação de um bate-estacas, é pos- sível considerar-se o emprego de estacas mais convencionais de concreto armado ou protendido, ou ainda estacas metálicas por perfis soldados, laminados, trilhos ou tubos de parede grossa.

Nos casos em que não exista altura suficiente para instalação de um bate-estacas.

- sapatas, tubulões e estacas adicionais

Trata-se da instalação de mais apoios, por meio do acréscimo de sapatas, tubulões ou estacas, de forma a reduzir o carregamento das fundações originais. Tal medida visa compensar o aumento de carregamento ou a adoção de uma tensão aplicada ao solo, que tenha sido elevada diante da qualidade do material de apoio.

- melhoria das condições do solo

Nesta categoria, consideram-se os métodos que permitam melhorar as característi- cas de resistência e compressibilidade dos solos de apoio das fundações.

Os tipos mais prováveis são as injeções de nata de cimento ou gel sob altas pres- sões ou jet grouting e CCP ou geogrelhas.

5.5.2.2 Mesoestrutura – Reforços de Pilares

No caso da necessidade do aumento da capacidade resistente ou recuperação de elementos estruturais danificados são necessárias intervenções de recuperação ou reforço estrutural.

A escolha do método de reforço a ser adotado depende de vários fatores, os quais incluem a

natureza do problema que levou a essa necessidade do reforço e o critério de projeto adota- do.

É imperativo considerar a necessidade de manter a estrutura em utilização por todo tempo

ou pelo maior período possível, enquanto os trabalhos de reforços estão sendo executados.

Deve-se também considerar a disponibilidade de espaço para locação dos novos elementos e sua execução.

a) execução de novos pilares

No caso de ampliação da obra de arte especial sugere-se a inclusão de novos pilares e travessas para apoio da superestrutura, sempre que possível na direção paralela à es- trutura original, mantendo-se o alinhamento da estrutura a ser ampliada.

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b) reforço mediante o aumento da seção dos pilares

O reforço de elementos estruturais com concreto armado é um método bastante em-

pregado por possuir vantagens econômicas em relação aos outros sistemas de reforço,

porém este sistema padece do incoveniente de produzir elementos finais de dimen- sões muito superiores às inicias de projeto.

A espessura mínima da camada de concreto está condicionada pela facilidade de se

colocá-la em obra, e pelo tamanho máximo do agregado empregado. Por estas razões, é conveniente não utilizar espessuras inferiores a 10 cm, ainda que em alguns casos,

quando se dispõe de meios adequados, e se empregam superplastificantes, pode-se chegar a 6 cm, com emprego de agregados de 20 mm de tamanho máximo.

Ressalta-se a importância da adoção de concreto com resistência superior, pelo menos 5 MPa a mais em relação à resistência do concreto existente.

c) reforço com cintamento

Entre as diversas técnicas de reforço de pilares nota-se algumas vantagens naquelas que mobilizam o efeito de confinamento do concreto. Por meio do confinamento tor- na-se possível contar com a colaboração do pilar pré-existente, possibilitando grandes aumentos da capacidade resistente com pequeno aumento das dimensões dos elemen- tos estruturais.

O efeito do confinamento se desenvolve com a presença de pressões transversais ao

eixo longitudinal do pilar, pressões laterais, as quais possibilitam o aumento da capa- cidade resistente. Pode ser obtido de forma ativa, pela aplicação de protensão trans-

versal ou através da colocação de materiais expansivos confinados, ou, de forma pas- siva, como ocorre com estribos, chapas de aço e camisas de compósitos coladas.

No confinamento passivo, as pressões laterais se desenvolvem com a restrição da ex- pansão lateral do concreto por meio das armaduras ou camisas projetadas para este fim. A aplicação de camisas de compósitos, como a obtida por colagem de fibras de carbono com resina epóxi, possibilita o confinamento de toda a seção do pilar.

5.5.2.3 Superestrutura

a) adição de protensão

Este sistema pode ser usado tanto para aumentar a capacidade resistente última, como para melhorar o comportamento estrutural em serviço tanto na flexão quanto no cisa- lhamento. Em alguns casos onde são necessários trabalhos de reparos para fechar fis- suras existentes, a adição de protensão pode ser a única solução possível.

Na maior parte dos casos, a adição de protensão é realizada através de cabos adicio- nados na região externa das vigas. Isso se deve à dificuldade de executar furos adi- cionais para a colocação das bainhas dos cabos principais em estruturas existentes. Onde houver a necessidade de aumentar a resistência ao cisalhamento, podem ser uti- lizadas tensões internas perpendiculares à direção dos esforços. No entanto, até para cabos relativamente curtos, estes furos são difíceis de serem executados, particular- mente em estruturas que já possuem cabos longitudinais em suas almas. A adição de protensão somente deve ser considerada após a completa análise de seus efeitos em toda a estrutura.

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b) ancoragens e fixação internas

Modificar uma estrutura existente para acomodar ancoragens adicionais e desviadores é uma tarefa difícil e custosa. Assim é desejável a minimização da quantidade destes itens em qualquer esquema de reforço. Deve-se procurar adotar soluções que utilizem cabos retos e contínuos sobre todo o comprimento do vão ou toda estrutura.

c) traçado dos cabos

Cabos parabólicos devem ser sempre considerados nos casos onde a estrutura é defi- ciente tanto na resistência ao cisalhamento quanto na flexão.

A componente de cisalhamento destes cabos leva freqüentemente a uma solução mais

econômica. No entanto, se a resistência ao cisalhamento é adequada, a opção mais econômica é o uso de cabos retos. A quantidade de protensão necessária com o uso de cabos retos em todo o vão da viga é provavelmente maior que com cabos parabólicos; contudo, a economia realizada com a não inclusão de ancoragens e desviadores se justifica plenamente.

Tem sido constatado que, em muitas estruturas reforçadas, o meio do vão é a região crítica. Nestes casos, os momentos hiperestáticos e as maiores perdas de atrito resul- tantes de cabos parabólicos tendem a fazer este arranjo menos eficiente. No entanto, particularmente em seções com altura constante, pode ser necessário o levantamento dos cabos próximos aos apoios no sentido de evitar tensões de compressão indesejá- veis na região inferior das vigas.

Em muitos casos, as modificações das estruturas para alojarem ancoragens e desvia- dores para cabos protendidos são onerosas e, portanto, o trecho do cabo a ser ancora- do em trabalhos de reparos é maior que o trecho usado em novas estruturas. Como conseqüência haverá uma tendência para ocorrência de vibração destes cabos, deven- do-se adotar soluções para evitar a ressonância.

Outra maneira de se adicionar protensão é prover cabos parabólicos envolvidos por novo concreto aderido ao concreto existente. Esta metodologia pode ser particular- mente vantajosa nos casos em que a seção original e sua protensão estão inadequadas.

A maior dificuldade de se executar protensão adicional encontra-se em acomodá-la

dentro da estrutura existente, principalmente em tabuleiros com pequenos vãos. No entanto, para seções caixões de grande vãos esta dificuldade normalmente é reduzida.

d) cabos estaiados

Outra forma de reforços de tabuleiros de obra de arte especial é a instalação de cabos estaiados. Este método de reforço pode ser considerado como análogo ao uso de su- portes elásticos ou a adição de protensão com uma não usual excentricidade.

A maior limitação do uso dos cabos estaiados como reforço estrutural é o problema

físico da instalação da torre e estaios, de modo a não gerar interferências com as fai- xas de rolamento. Isto pode requerer a instalação de novas vigas transversais na posi- ção de introdução dos estais. Em estruturas de pequenos vãos, estas vigas transversais podem ser da mesma ordem de grandeza das vigas longitudinais da obra de arte espe- cial. Desta forma, é muito provável que somente em obras de arte especiais de gran- des vãos esta solução seja viável.

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e) suportes elásticos

Suportes elásticos podem ser necessários quando a estrutura sofre um processo gra- dual de deformação. Os suportes visam eliminar as tensões induzidas à estrutura de- vido a não deformação dos suportes originais.

Este tipo de suporte pode ser usado para sustentar a parte inferior do tabuleiro direta- mente dos pilares ou encontros. Este método também pode ser usado em seções cai- xões através da colocação de protensão, pórticos ou treliças de aço dentro da célula do caixão.

f) método Preflex

O uso primário do método Preflex ocorre em reparos ou reforços de membros proten-

didos resultantes do efeito de danos causados por impacto. De fato, este método é vis-

to como o mais recomendável para este tipo de problema, onde pequenas seções de

elementos protendidos precisam ser reparadas ou trocadas, e onde os cabos protendi-

dos permanecem intactos.

g) incorporação de chapas metálicas, steel plates

Esta técnica é comumente usada em pontes de concreto em que as fissuras podem in- dicar uma deficiência na quantidade de armadura necessária para suportar o tráfego de veículos. A aplicação de chapas metálicas aderidas ao concreto aumenta a resis- tência à flexão e ao cisalhamento, além de aumentar a rigidez e a capacidade de car- regamento das pontes, o que reduz as deformações e as fissurações. Trata-se funda- mentalmente de uma técnica utilizada para suportar carregamentos móveis.

A incorporação das placas é usada para:

- aumentar a capacidade portante da obra de arte especial;

- ferramenta de manutenção para restabelecer as condições originais de desempenho.

para restabelece r as condições originais de desempenho. Figura 2 – Princípi o de Funcionamento h)

Figura 2 – Princípio de Funcionamento

h) colagem de materiais compósitos

i) aumento da seção transversal das peças:

- engrossamento das vigas principais;

- engrossamento das transversinas;

- adição de sobrelaje.

j) adição de peças em obras metálicas ou de madeira.

NOTA 1: Em todos os projetos de reforços de obra, deve ser dado atenção

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espe cial à distribuição de cargas após a execução dos serviços. Essa consi- deração deve ser clara no memorial. Se necessário utilizar protensão, maque- amento etc., para aliviar a estrutura existente.

NOTA 2: Deve-se sempre, junto com o projeto, elaborar um plano de traba- lho para sua execução, incluindo as etapas dos serviços, os cuidados a serem tomados, a necessidade de interrupção total ou parcial do tráfego, tempo previsto de interrupção etc.

NOTA 3: Quando houver concretagem e a obra estiver em uso devem ser muito bem definidas as etapas de serviços para evitar que o concreto recém lançado sofra vibração produzida pela utilização da obra. Pode-se usar juntas de concretagem ou interrupções parciais da obra para evitar este problema. No caso de interrupção da obra deve-se informar no processo executivo o tempo mínimo de interrupção para o concreto atingir a resistência prevista no projeto.

5.6

Escolha do Reforço

A escolha do método de reforço a ser adotado depende de vários fatores, os quais incluem a natureza do problema que levou a essa necessidade e o critério de projeto adotado. Outros fatores incluem a disponibilidade de espaço para os trabalhos de reforços que podem se es- tender para fora da estrutura original ou se localizar na parte interna da estrutura.

Outro fator importante a ser considerado é a necessidade de manter a estrutura em utilização por todo tempo ou pelo maior período possível enquanto os trabalhos de reforços estão sen- do executados. O fator que possivelmente deve decidir a escolha do método de reforço a ser implantado é a consideração das formas estruturais dos vários tipos de tabuleiros.

5.6.1

Tabuleiros Compostos por Vigas e Lajes

Todos os métodos descritos anteriormente podem ser considerados para este tipo de estrutu- ra, mas é provável que cabos estaiados possam levar a uma solução anti-econômica.

- cabos externos: pode ser obtida protensão adicional pela instalação de cabos externos entre as vigas. Este procedimento pode levar à instalação de concreto adicional ou vi- gas metálicas para as ancoragens dos cabos. A adição de protensão é possivelmente o mais econômico meio de reforço, qualquer que seja o esquema proposto para aumen- tar a capacidade de carga em serviço da obra de arte especial.

Podem ser executados reforços estruturais baseados na adição de protensão com inter- rupções mínimas no tráfego, embora alguns esquemas possam requerer trabalho ex- tensivo na região dos encontros das pontes para criar espaço para as ancoragens; desta maneira, é possível que seja necessário o fechamento das pistas de rolamento. No en- tanto, isto também pode ser feito com o fechamento parcial das faixas de rolamento.

Pode ser necessário algum fechamento completo da via durante a execução da proten- são adicional. A operação de protensão pode ser rapidamente executada assim que as ancoragens e os desviadores estejam instalados.

- adição de suportes elásticos: outro possível esquema de reforço é a adição de suportes elásticos. A maior limitação deste método é a necessidade de espaço para sua implan-

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tação. No entanto, a utilização dos suportes elásticos em pilares e vigas representa in- tervenção efetiva no sentido de aliviar momentos negativos. Este método é particu- larmente útil no caso em que o uso da adição de protensão pode levar o concreto a tensões excessivas de compressão.

Este método também pode ser utilizado em estruturas compostas por vigamentos pré- fabricados, onde a proximidade entre elas não permita a utilização de protensão adi- cional. É possível instalar este tipo de reforço sem grandes interferências ao tráfego.

- incorporação de chapas metálicas: a incorporação de placas representa o método mais simples para reforçar tabuleiros compostos por lajes e vigas e tem como vantagem o pequeno espaço para sua instalação, além de quase não alterar no gabarito da obra de arte especial. Embora seja um eficiente método para aumento da capacidade última da estrutura, não apresenta grande efetividade em aumentar seu estado de serviço, se considerado uma estrutura em concreto protendido.

Pode ser, no entanto, considerado em casos em que a estrutura não apresenta sinais de deterioração, a menos que exista uma razão para antecipar a possibilidade de deterio- ração contínua da estrutura, como a perda progressiva de protensão devido a acrésci- mos de carregamento.

- colagem de compósitos: alternativa a ser analisada nos casos de incorporação de cha- pas metálicas;

- vigas adicionais: outra forma de reforçar uma estrutura existente é a introdução de vi- gas adicionais entre as vigas existentes razoavelmente espaçadas com a finalidade de aliviar as vigas existentes de alguma parcela do carregamento.

5.6.2 Tabuleiros Compostos por Vigas de Seção Caixão

- cabos externos: historicamente tem-se revelado que o caso de adição de protensão tem sido o mais utilizado meio de reforço estrutural para este tipo de estrutura. Este sistema também tem sido utilizado para a correção de obra de arte especial que apre- senta problema de fissuração excessiva, ou seja, vigas que apresentam deficiência nas condições de serviço. Em contraste com os problemas decorrentes da aplicação de ou- tros métodos de reforço para grandes estruturas, a maior dificuldade com a aplicação deste método tende a ser sua execução. No entanto este problema diminui na medida em que a estrutura torna-se maior. Desde que os trabalhos sejam realizados dentro do caixão, estas estruturas podem ser reforçadas com menores interrupções para o tráfe- go;

- cabos estaiados: a introdução de cabos estaiados pode ser considerado como um dos possíveis métodos de reforço para este tipo de seção; no entanto, devido às caracterís- ticas geométricas destas estruturas, este método tende a ser menos eficiente se compa- rado com o método da adição de protensão;

- incorporação de chapas metálicas: a alta relação entre o carregamento permanente e o carregamento móvel existente em seções caixões tendem a desencorajar a incorpora- ção de chapas à estrutura, uma vez que este método tende a ser usado para aumentar a capacidade portante somente para carregamentos móveis. Todos os métodos descritos anteriormente podem ser considerados para este tipo de estrutura, mas é provável que os cabos estaiados possam levar a uma solução anti-econômica.

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5.6.3

Tabuleiros Compostos por Lajes Vazadas Moldadas in loco

Para formar furos nas lajes moldadas in loco são utilizadas uma variedade de formas, mais comumente circulares e retangulares. Em termos de comportamento estrutural, o tabuleiro constituído por lajes vazadas é essencialmente o mesmo que o tabuleiro formado por seções multicelulares de concreto. No entanto, para o propósito da escolha do método de reforço, existe uma importante distinção prática entre as seções caixões, na qual o acesso é normal- mente realizado por dentro do caixão, e destas seções vazadas de laje, onde não é possível este acesso. Ocasionalmente, pode ser possível criar acesso para realizar este reforço, dis- solvendo-se o poliestireno, isopor, que muitas vezes forma o vazio das lajes. Estes vazios, na maioria das obras deste tipo, são pequenos para permitir maiores trabalhos de reforço a serem feitos dentro da estrutura. Este fato faz com que o uso da adição de protensão seja de difícil execução.

Uma alternativa é a instalação de cabos de protensão por baixo da laje. Embora este proce- dimento somente seja possível na região de momentos positivos, pode ser tomada alguma vantagem dos momentos hiperestáticos, no sentido de aliviar tensões em apoios de estrutu- ras contínuas. Também pode ser possível, em obras de até três vãos, transferir parte do mo- mento do apoio para os vãos centrais, abaixando o suporte intermediário relativamente aos suportes das extremidades. A maior dificuldade em aplicar a adição de protensão externa por baixo da laje é o comprometimento do gabarito da obra de arte especial. Adicionalmen- te, estes cabos se tornam vulneráveis a danos, particularmente quando a ponte é localizada sobre uma rodovia. Este fato pode limitar o uso de suportes elásticos ou a incorporação de chapas, contudo, as mesmas considerações valem para tabuleiros constituídos por vigas e la- jes.

5.6.4

Tabuleiros Compostos por Lajes Maciças

- colagem de materiais compósitos;

- incorporação de chapas metálicas;

- adição de armadura frouxa;

- protensão.

6

FORMA DE APRESENTAÇÃO

A apresentação dos documentos técnicos do tipo memorial, relatórios e outros elaborados no

formato ABNT A-4 deve seguir as instruções descritas na IP-DE-A00/001 de Elaboração e Apresentação de Documentos Técnicos. Os desenhos técnicos devem ser apresentados e e- laborados conforme a instrução IP-DE-A00/003 de Elaboração e Apresentação de Desenhos de Projeto em Meio Digital.

A codificação dos documentos técnicos e desenhos devem seguir a instrução de codificação

de documentos técnicos IP-DE-A00/002.

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6.1

Estudo Preliminar

O

estudo preliminar deve ser apresentado em relatório completo, com adição de fotografias,

descrevendo detalhadamente todos os serviços realizados e anexando os resultados dos en- saios e provas realizadas, diagnóstico e prognóstico do desempenho da obra de arte especial.

6.1.1

Desenhos

Devem constar na apresentação dos desenhos os seguintes tópicos: implantação da obra, cortes longitudinais e cortes transversais das alternativas estudadas. As escalas a serem em- pregadas devem ser 1:250; 1:200 ou 1:100.

6.1.2

Memorial Descritivo

No memorial descritivo devem constar claramente, para cada alternativa estudada, os se- guintes elementos: tipo estrutural proposto, métodos construtivos, materiais previstos e es- timativa de custo por unidade relativa.

6.2

Projeto Básico

O

projeto básico deve ser apresentado através de relatório completo, incluindo memorial de

cálculo, memorial justificativo, desenhos e demais elementos de projeto relevantes e neces- sários à intervenção na obra de arte especial.

6.2.1

Relatório de Estudo Geotécnico de Fundações

Deve ser apresentado para a definição de parâmetros geotécnicos e de fundações da obra de arte especial.

6.2.2

Memorial de Cálculo

Deve descrever as características gerais da obra e justificar as soluções desenvolvidas para o reforço, recuperação ou alargamento estrutural. As verificações e pré-dimensionamentos devem ser efetuados em número reduzido de seções e apresentados sucintamente, porém su- ficientemente para se avaliar a suficiência do projeto estrutural para cada uma das alternati- vas.

Em casos excepcionais, a critério do DER/SP, os cálculos devem ser realizados sob a consi- deração da ação do trem-tipo especial.

6.2.2.1 Fundações

No caso de pontes, pontilhões e viadutos devem ser observadas as seguintes verificações dos elementos existentes e pré-dimensionamentos dos novos elementos incorporados à es-

trutura:

a) ação da carga permanente: na superestrutura e na infra-estrutura;

b) ação da carga móvel: preparo do trem-tipo, reações máximas e mínimas;

c) cálculos das reações verticais: reações máximas e mínimas para ponte carregada; rea-

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ções na ponte descarregada;

d) verificação do estaqueamento: carga máxima e mínima nas estacas;

e) fundações diretas: verificação das tensões no terreno junto à base.

6.2.2.2

Infra-estrutura e mesoestrutura

No caso de pontes, pontilhões e viadutos devem ser observadas as seguintes verificações dos elementos existentes e pré-dimensionamentos dos novos elementos incorporados à es- trutura:

a) pré-dimensionamento dos blocos de fundação ou das sapatas, tanto no sentido longi- tudinal quanto no transversal;

b) pré-dimensionamento dos pilares;

c) pré-dimensionamento das vigas transversais intermediárias e de apoio da superestru- tura.

6.2.2.3

Superestrutura

No caso de pontes, pontilhões e viadutos devem ser observadas as seguintes verificações dos elementos existentes e pré-dimensionamentos dos novos elementos incorporados à es- trutura:

a) concreto armado: pré-dimensionamento das vigas principais nas seções mais solicita- das;

b) concreto protendido: para as seções mais solicitadas das vigas principais, apresentar a determinação do número de cabos e a verificação das tensões normais de borda.

6.2.3

Desenhos

No projeto básico devem constar detalhes gerais da obra. Deve ser apresentada folha de de- senho com todas as dimensões perfeitamente indicadas, baseadas nos elementos obtidos no estudo preliminar aprovado. Devem ser todos fornecidos em arquivo digital, de modo a permitir plotagem por computador.

6.2.4

Folhas de Desenho

Devem ser adotadas as seguintes escalas:

- série normal: 1:250, 1:200, 1:100, 1:75, 1:50, 1:25, 1:20;

- série especial:1:10, 1:5, 1:2, 1:1.

A série especial destina-se à representação de detalhes. Na série normal deve ser dada prefe- rência às escalas 1:200, 1:100 e 1:50, considerando a compatibilidade com as dimensões da folha dos desenhos.

Na folha de desenho de formas deve figurar, entre outros, a vista longitudinal, contendo os seguintes elementos:

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- indicação do comprimento total da obra, número de vãos e seus comprimentos;

- perfil longitudinal do terreno;

- cotas do greide da rodovia e indicação de sua declividade;

- cotas do greide da rodovia ou ferrovia inferior, ou cotas do nível das águas normais do fundo do canal;

- declividade dos taludes dos aterros de acesso;

- vista e corte da infra-estrutura, com indicação do sistema de fundações e da cota de apoio das sapatas e blocos, em caso de fundação direta, ou dos tubulões, bem como do bloco de amarração das estacas.

A planta deve ser apresentada em meia vista e meio corte, onde figurem todas as dimensões

dos elementos estruturais, constituindo uma perfeita folha de desenho de formas. A declivi- dade longitudinal deve sempre ser igual ou superior a 1%. Devem ainda figurar a indicação

de juntas de pavimentação, cantoneiras e drenagem de águas pluviais, inclusive das cabecei-

ras da obra.

A seção transversal, com o corte ou cota da estrutura, deve apresentar indicação de todos os

elementos do tabuleiro, largura das faixas de tráfego, acostamentos, passeios, drenagem, barreiras de segurança, guarda-corpos, defensas, pavimentação, declividade transversal e dimensões dos elementos estruturais da superestrutura, da infra-estrutura, das fundações e dos aparelhos de apoio.

Deve ser apresentada a locação da obra, com indicação da estaca ou quilômetro do eixo da obra e do eixo do cruzamento, bem como do início e do fim da estrutura.

Deve ser apresentado quadro-resumo que indique as resistências características f ck e f yk , ado- tadas respectivamente para o concreto e para o aço empregados, ou de qualquer outro mate- rial a serem utilizados. Também devem constar o comprimento e o tipo de estacas previstas ou a taxa no solo de fundação, unidades de medida e trem-tipo adotado.

Para execução de reforços estruturais em aço ou aço e concreto, os desenhos básicos da es- trutura metálica devem conter:

- plantas e cortes da estrutura necessários para o adequado detalhamento posterior;

- detalhe de solda das chapas de piso nos perfis;

- detalhe das chapas de base com indicação da espessura de todas as chapas, soldas e chumbadores;

- detalhe das conexões não padronizadas com espessura de todas as chapas, soldas e parafusos;

- clara identificação dos locais de utilização dos parafusos tipo slip conections, quando utilizados;

- detalhe do tipo de conectores para viga mista com indicação da carga máxima por co- nector, número de conectores longitudinais e transversais; quando for o caso, indicar a distribuição longitudinal dos conectores não-flexíveis, caminhando do apoio para o meio do vão;

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- indicação de notas constando os carregamentos utilizados, os materiais, legendas e critérios para o dimensionamento das ligações padrão, as normas utilizadas no dimen- sionamento;

- indicação de listas de materiais por desenho com tipo do elemento, comprimento, á- rea, peso unitário e peso total. As listas devem ser feitas sem a consideração de ele- mentos de conexão; chapas de base e chapas de conexão com peso considerável de- vem integrar a lista.

Cada folha de desenho deve corresponder a um elemento estrutural da obra ou elementos da mesma natureza. Deve incluir a totalidade de seus detalhes e a respectiva tabela de armadu- ra, por lista e resumo. No resumo não deve ser incluída qualquer perda de peso ou compri- mento.

Se houver necessidade de utilização de mais de uma folha de desenho para o mesmo ele- mento, deve sempre ser obedecido um critério estritamente estrutural. Assim, em uma estru- tura Gerber, por exemplo, devem ser consideradas as peças das vigas principais separadas pelas articulações.

Analogamente, no eventual desdobramento da folha de desenho relativa à infra-estrutura, as fundações e a infra-estrutura com suas elevações devem figurar em folhas distintas.

6.2.5

Detalhes Complementares

Devem ser elaboradas planilhas de quantidades e orçamentos de serviços e materiais previs- tos para a recuperação, reforço ou alargamento da obra. Devem ser respeitadas, sempre que possível, a discriminação e as especificações que constam na Tabela de Preços Unitários – TPU do DER/SP. A TPU vigente é sempre a última publicada anteriormente à entrega do documento final ao DER/SP.

Os serviços previstos que não se enquadrarem naqueles discriminados na TPU devem ser perfeitamente definidos e descritos. Caso necessário deve ser elaborada especificação de serviço para acompanhar o projeto.

Também deve ser apresentado cronograma estimativo para execução da obra.

6.3

Projeto Executivo

O projeto executivo deve ser apresentado através de relatório completo, devendo possuir memorial de cálculo, memorial justificativo, desenhos e demais elementos de projeto rele- vantes e necessários à recuperação, reforço ou alargamento da obra de arte especial.

6.3.1

Memória de Cálculo

Deve ser organizada em duas partes:

a) infra-estrutura, que compreende a fundação e mesoestrutura;

b) superestrutura.

No caso de pontes, pontilhões e viadutos devem ser observadas as seguintes verificações

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dos elementos existentes e pré-dimensionamentos dos novos elementos incorporados à es- trutura:

a) ação da carga permanente: na superestrutura e na infra-estrutura;

b) ação da carga móvel: preparo do trem-tipo, reações máximas e mínimas;

c) cálculos das reações verticais: reações máximas e mínimas para ponte carregada; rea- ções na ponte descarregada;

d) forças horizontais longitudinais: frenagem, temperatura, retração, empuxo de terra, protensão;

e) forças horizontais transversais: empuxo lateral da água no caso de pontes, pressão do vento, forças centrífugas;

f) verificação do estaqueamento: carga máxima e mínima nas estacas;

g) verificação dos tubulões e estacões: verificação à flexão composta e pré- dimensionamento, verificação do pilar, verificação das tensões no terreno junto à ba- se;

h) fundações diretas: verificação das tensões no terreno junto à base.

As memórias de cálculo devem, obrigatoriamente, conter todas as indicações necessárias à boa e fácil compreensão e ao acompanhamento da seqüência e operações de cálculo. Assim, devem seguir a seguinte orientação:

a) referir-se, expressamente, às fórmulas ou tabelas aplicadas;

b) referir-se às condições e valores numéricos admitidos, como por exemplo a resistên- cia característica;

c) indicar as fontes bibliográficas relativas a qualquer processo de cálculo ou dimensio- namento adotado;

d) referir-se explicitamente a todas as hipóteses admitidas, incluindo as propriedades dos materiais;

e) conter a dedução de expressões ou fórmulas empregadas, se originais;

f) definir os elementos ou símbolos utilizados;

g) indicar a seqüência dos cálculos numéricos na aplicação das fórmulas, sem omitir va- lores intermediários.

As tentativas de cálculo posteriormente abandonadas não devem figurar no memorial.

Os cálculos processados por computadores devem vir acompanhados dos documentos justi- ficativos, discriminados a seguir.

- programas computacionais usualmente comercializados no mercado nacional: identi- ficação do programa computacional utilizado, descrição sucinta e indicação do modo de aplicação do programa computacional, definindo os módulos utilizados, as hipóte- ses de cálculo ou simplificações adotadas, dados de entrada, carregamento e resulta- dos obtidos;

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- programas computacionais de uso particular e exclusivo da projetista: identificação e descrição do programa computacional utilizado, com indicação da formulação teóri- ca, hipóteses de cálculo ou simplificações adotadas, dados de entrada, carregamento e resultados obtidos.

O memorial deve obrigatoriamente apresentar os seguintes elementos:

- esquema estrutural com definição das seções transversais, nós, barras, propriedades dos materiais etc.;

- inserção das folhas de resultados do processamento realizado;

- quadros-resumo com indicação das combinações de esforços adotadas, características dos materiais utilizados, dados de entrada e resultados do processamento realizado, seções, esforços e tensões de dimensionamento, acompanhados dos diagramas de en- voltórias pertinentes.

Todas as folhas devem indicar o número a que corresponde e o número total de folhas do memorial; em cada folha deve constar um cabeçalho que especifique a obra, a rodovia, a lo- calização e a data.

6.3.2

Desenho

No projeto executivo devem constar detalhes gerais da obra. Deve ser apresentada folha de desenho com todas as dimensões perfeitamente indicadas, baseadas nos elementos obtidos no estudo básico aprovado.

No caso de pontes e viadutos, a folha de desenho deve constar de:

a) vista longitudinal com indicação do comprimento total da obra distinguindo correta- mente a estrutura existente da estrutura a implementar, número e comprimento dos vãos e cortes indicando a solução estrutural. Devem constar o perfil longitudinal do terreno com as cotas do greide da rodovia, cota do topo dos trilhos da ferrovia, cotas do nível d' água (N.A.), do fundo do rio (F.A.) e de enchente máxima (E.M.), bem como indicação de gabaritos a serem respeitados, se for o caso, e o perfil das sonda- gens realizadas. Devem constar também a infra-estrutura e o tipo de fundação exis- tente e a prevista para a recuperação ou reforço;

b) seção transversal com as cotas do greide respectivo, indicação da largura da obra, e- lementos da pavimentação e dimensões da estrutura. Devem constar também a infra- estrutura e o tipo de fundação prevista para a obra;

c) indicação da contra-flecha teórica a ser considerada no cimbramento;

d) detalhes de escoamento das águas pluviais, considerando os diâmetros mínimos para as tubulações de escoamento das águas do tabuleiro, das lajes inferiores e caixões per- didos devem ser respectivamente de 76,2 mm ou 50,8 mm espaçados a cada 4,0 m;

e) detalhes das lajes de aproximação junto aos encontros ou às extremidades da obra, se houver;

f) detalhes dos dispositivos para substituição de aparelhos de apoio de neoprene;

g) outros detalhes que, de acordo com a natureza da obra, forem considerados necessá-

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rios para sua perfeita interpretação;

h) planta e perfil de locação da obra, com a indicação das cotas referidas ao sistema to- pográfico adotado.

6.3.3 Folhas de Desenho

Devem ser adotadas as seguintes escalas:

- série normal: 1:250, 1:200, 1:100, 1:75, 1:50, 1:25, 1:20;

- série especial: 1:10, 1:5, 1:2, 1:1.

A série especial destina-se à representação de detalhes. Na série normal deve ser dada prefe-

rência às escalas 1:250, 1:200, 1:100 e 1:50, considerando a compatibilidade com as dimen- sões da folha dos desenhos.

Na folha de desenho de formas devem figurar os seguintes elementos:

- indicação do comprimento total da obra, considerando a estrutura existente e a estru- tura a ser acrescentada, número de vãos e seus comprimentos;

- perfil longitudinal do terreno, cotas do greide da rodovia e indicação de sua declivi- dade;

- cotas do greide da rodovia ou ferrovia inferior ou cotas do nível das águas normais do fundo do canal;

- declividade dos taludes dos aterros de acesso;

- vista e corte da infra-estrutura, com indicação do sistema de fundações e cota de a- poio das sapatas e blocos no caso de fundação direta ou por tubulões, bem como do bloco de amarração das estacas;

- trem-tipo de cálculo.

A declividade longitudinal deve sempre ser igual ou superior a 1%.

Deve apresentar esquema da contra-flecha para cimbramento e no caso de obra protendida, deve constar à indicação dos tempos de protensão e do lançamento.

Deve constar, também, o obstáculo transposto, rodovia, ferrovia ou curso d’água, a esconsi- dade e a projeção dos cones de queda dos aterros.

Caso sejam necessárias etapas de concretagem para uma mesma peça, deve ser indicado o formato da junta e os procedimentos para execução da concretagem.

Deve ser apresentada a locação da obra, com indicação da estaca ou quilômetro do eixo da obra e do eixo do cruzamento, bem como do início e do fim da estrutura.

Deve ser apresentado quadro-resumo que indique as resistências características f ck e f yk , ado- tadas respectivamente para o concreto e para o aço empregados, ou de qualquer outro mate- rial utilizado. Também devem constar o comprimento e o tipo de estacas previstas ou a taxa no solo de fundação, unidades de medida e trem-tipo adotado.

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Cada folha de desenho deve como regra corresponder a um elemento estrutural da obra ou elementos da mesma natureza. Deve incluir a totalidade de seus detalhes e a respectiva tabe- la de armadura, por lista e resumo. No resumo não deve ser incluída qualquer perda de peso ou comprimento.

Se houver necessidade de se utilizar mais de uma folha de desenho para o mesmo elemento, deve sempre ser obedecido um critério estritamente estrutural. Analogamente, no eventual desdobramento da folha de desenho relativa à infra-estrutura, as fundações e a infra- estrutura com suas elevações devem figurar em folhas distintas.

Todas as folhas de desenhos de armação que contenham aços especiais devem indicar as ca- racterísticas geométricas do dobramento e dos ganchos das barras das diferentes bitolas.

As folhas de desenhos devem conter, no lado direito, uma coluna com as seguintes descri- ções:

- f ck do concreto, f yk do aço, especificação da bainha metálica, cobrimento da armadura e unidades de medida;

- tabela e resumo da armadura, cabos e cordoalhas, por bitola, extensão e peso, sem computar-se qualquer perda de peso ou comprimento. Observa-se que o comprimento do cabo de protensão deve contemplar segmento adicional para a região do macaco;

- a armadura do guarda-corpo e barreiras de segurança não devem ser computadas, pois já estão incorporadas nos preços unitários correspondentes.

Para execução de reforço estrutural em aço ou aço e concreto, os desenhos da estrutura me- tálica devem conter:

- todo o detalhamento necessário que permita uma completa e perfeita fabricação da es- trutura, indicando de todos os componentes as dimensões, disposição e nervuramento, assim como a quantidade e diâmetro de parafusos;

- soldas e peças soltas a serem conectadas durante a montagem. As indicações de solda devem estar de acordo com a padronização da American Welding Society – AWS;

- detalhe das chapas de base com indicação da espessura de todas as chapas, soldas e chumbadores;

- detalhe das conexões não padronizadas com espessura de todas as chapas, soldas e parafusos;

- informações necessárias à perfeita e completa montagem das estruturas, tais como:

plantas, elevações e cortes, indicando as posições relativas de todas as peças a partir das linhas de centro de coluna e níveis de pisos e tabuleiros; orientações das faces das colunas norte ou leste e também das vigas, soldas de obra etc.;

- listas de materiais contendo número do item, quantidades de peças, designação, marca de montagem e posição, número de desenho onde detalhado, massa da peça e dimen- sões gerais. Também devem ser preparadas as listas de parafusos contendo número do item, quantidade de parafusos, descrição e tipo da conexão, tipo e dimensões das ar- ruelas, especificação dos parafusos, diâmetro, comprimento total e aperto dos parafu- sos.

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6.3.4 Detalhes Complementares

O projeto do cimbramento, com todos os seus detalhes executivos e o correspondente me-

morial de cálculo, deve acompanhar o projeto executivo da obra quando solicitado pelo DER/SP. Para cruzamento de vias em tráfego, devem ser previstas no cimbramento as aber- turas necessárias conforme os gabaritos requeridos, de modo a permitirem a continuidade de tráfego. Deve ser apresentado o esquema do descimbramento a critério do DER/SP.

Devem ser apresentados os detalhes da ponte de serviço e da ponte provisória, desde que es- sas obras auxiliares sejam necessárias e solicitadas pelo DER/SP.

O plano ou programa de protensão deve acompanhar o memorial de cálculo com as indica-

ções relativas às operações de protensão das peças. Deve-se incluir as pressões previstas, os alargamentos teóricos etc. com base nas características do aço utilizado na confecção dos cabos.

O projeto executivo deve vir acompanhado do método construtivo, acompanhado de se-

qüência executiva da obra que descreva as fases de recuperação, reforço ou alargamento, tais como: limpeza, demolição parcial da peça estrutura, posicionamento de armadura, con-

cretagem etc., particularizando as fases de execução da obra.

6.3.5 Planilhas de Quantidade e Orçamento

Na elaboração das planilhas de quantidade e orçamento dos serviços e materiais previstos para a execução de recuperação ou reforço da obra, deve-se respeitar, sempre que possível, a discriminação e as especificações que constam na Tabela de Preços Unitários – TPU vigente do DER/SP. A TPU vigente é sempre a última publicada anteriormente à entrega do docu- mento final ao DER/SP.

Os serviços previstos que não se enquadrarem naqueles discriminados na TPU devem ser perfeitamente definidos e descritos. Caso necessário deve ser elaborada especificação de serviço para acompanhar o projeto.

Deve ser indicado o cronograma estimado para a execução da recuperação ou reforço obra.

Deve ser apresentada planilha com o memorial de quantificação, elaborada de forma de fácil entendimento para posterior verificação das quantidades previstas para a obra. Recomenda-

se que as quantidades sejam indicadas por tipo de intervenção e atividades de serviços pre-

vistos na TPU, segmentando por elementos de obra, tais como lajes, vigas, travessas, trans- versinas, pilares, bloco, estaca, tubulão etc., indicando comprimento, largura, altura, área, volume etc.

As áreas podem ser obtidas dos desenhos utilizando os recursos do programa computacional

de elaboração do desenho.

6.3.6 Projetos com Materiais Diferentes

A utilização no projeto de qualquer tipo de material não especificado pelas normas brasilei-

ras ou pelo DER/SP somente será admitida mediante autorização prévia e expressa do DER/SP.

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7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118. Projeto de es- truturas de concreto – Procedimento. Rio de Janeiro, 2003.

2 NBR 5738. Procedimento para moldagem e cura de corpos-de-prova. Rio de Ja- neiro, 1994.

3 NBR 5739. Ensaio de compressão de corpos-de-prova cilíndros. Rio de Janeiro,

1994.

4 NBR 7680. Extração preparo, ensaio e análise de testemunhos de estruturas de concreto. Rio de Janeiro, 1983.

5 NBR 5741. Extração e preparação de amostras de cimentos. Rio de Janeiro, 1993.

6 NBR 6152. Materiais metálicos – Ensaio de tração à temperatura ambiente. Rio de Janeiro, 1992.

7 CÁNOVAS, M.F. Patologia e Terapia do Concreto Armado. 1ª edição. Editora PINI. São Paulo, 1988.

8 NBR 8681. Ações e segurança nas estruturas – Procedimento. Rio de Janeiro,

2003.

9 NBR 6122. Projeto e execução de fundações. Rio de Janeiro, 1996.

10 NBR 7480. Barras e fios de aço destinados a armaduras para concreto armado. Rio de Janeiro, 1996.

11 NBR 7481. Telas de aço soldadas para armadura de concreto. Rio de Janeiro,

1990.

12 NBR 7482. Fios de aço para concreto protendido. Rio de Janeiro, 1991.

13 NBR 7483. Cordoalhas de aço para concreto protendido – Procedimento. Rio de Janeiro, 2004.

14 DEPARTAMENTO DE ESTRADAS DE RODAGEM DO ESTADO DE SÃO PAULO.

Manual de Cadastro – Sistema de Gerenciamento de Obras de Arte. São Paulo,

1996.

15 Manual de Inspeção – Sistema de Gerenciamento de Obras de Arte. São Pau-

lo,1996.

16 DESIGN MANUAL FOR ROADS AND BRIDGES. BA 35/90. Inspection and Repair of Concrete Highway Structures. London, 1990.

17 DMRB 3.3.1. BA 30. Strengthening of Concrete Highway Structures Using Ex- ternally Bonded Plates. London, 1994.

INSTRUÇÃO DE PROJETO (CONTINUAÇÃO) CÓDIGO REV.   IP-DE-C00/011 A EMISSÃO FOLHA  

INSTRUÇÃO DE PROJETO (CONTINUAÇÃO)

CÓDIGO

REV.

 

IP-DE-C00/011

A

EMISSÃO

FOLHA

 

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BD 84/02. Strengthening of Concrete Brigde Supports Using Fribre Reinforced Polymers. London, 2002.