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CONTEÚDO

PROFº: JOANA
08 Níveis de Linguagem: Colocação Pronominal
(Texto Dissertativo)
A Certeza de Vencer KL 220408

sei. Prefiro creditá-la àquela faceta falível a que todos nós, pobres
Colocação mortais como Jânio, estamos sujeitos.
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pronominal Expliquemos a questão. A partícula “porque”, no contexto em que se


insere, é conjunção subordinativa causal. Ela, como todas conjunções
subordinativas, exerce força atrativa sobre o pronome oblíquo e dessa
forma nos obriga ao emprego da próclise. Logo o correto haverá de ser:
fi-lo porque o quis.
Concordo, leitor, lá se foi o encanto da frase. Ficou feio. Paciência.
Nem sempre o belo é o correto. Entretanto, mister ressaltar que a
colocação pronominal do início do período: “fi-lo” é corretíssima.
Justifica-se pela impossibilidade de iniciar-se uma oração, qualquer que
seja, através de um pronome complemento. Lemos amiúde e
ouvimos notadamente na linguagem oral cotidiana
frases como estas: “Me diga a verdade”; “Me
faça um favor”. Infelizmente são construções
gramaticais incorretas que devem ser
evitadas a todo custo. Pronuncie com a
☻É a parte da gramática que trata da correta colocação dos pronomes sobriedade dos justos: “Diga-me a
oblíquos átonos na frase. verdade”; “Faça-me um favor”.
☻Embora na linguagem falada a colocação dos pronomes não seja (...)
rigorosamente seguida, algumas normas devem ser observadas Recordo-me novamente do presidente
sobretudo na linguagem escrita. com arroubos de caudilho: “Bebo porque é
líquido. Se fosse sólido, comê-lo-ia”. Fecho
COLOCAÇÃO DE PRONOMES ÁTONOS os olhos e vejo-o cavalgando em enfeitado e
reluzente cavalo. De madeira. E tenho dito.
O pronome átono oblíquo pode ocupar (site www.filosofiadebuteco,acesso,
três posições em relação ao verbo: março de 2008)
☻ Nunca o vi mais gordo. (próclise)
☻ Vê-lo-ei amanhã sem falta. →TEXTO 2: “Se lembra da fogueira...”
(mesóclise)
☻ Vejo-o amanhã sem falta. (ênclise) Se o uso é “Ninguém me
ama”, a norma é “Ninguém
TEXTOS PARA ANÁLISE: me ama”, e não “Ninguém
ama-me”. O pronome é
→TEXTO 1: Fi-lo porque qui-lo colocado onde soa melhor,
naturalmente.
Em nome da gramática, nem Jânio Quadros era
sempre a colocação pronominal correta é a mais bonita especialista em dizer que
“Fi-lo porque qui-lo”, dizia o nosso ex-presidente Jânio Quadros. O não tinha dito o que muitas
homem da “vassourinha” tinha lá os seus defeitos, pois não! Em vezes de fato tinha dito. A
verdade, seus críticos mais acerbos e contumazes insistiam e insistem conhecida frase “Fi-lo
que ele os possuía em profusão. Exagero por certo, mister reconhecer porque qui-lo” é uma das
que os homens haverão de mostrar-se sempre como um ser dividido. tantas que Jânio dizia que não dissera: “Nunca disse isso. Seria um erro
Metade claro, metade escuro. Ora santo, ora demônio. Duas partes de português”. Na verdade, não sei se Jânio um dia pronunciou a tal
diferentes de uma mesma maçã que convivem no todo. Enfim, um vinho frase, mas lembro-me dele dizendo que não a disse e que, se tivesse
com boas e más safras. sido necessário, teria optado por “Fi-lo porque o quis”.
Voltemos ao assunto. Jânio, havemos de reconhecer, e eis uma de Reporto-me ao fato porque volta e meia os leitores me perguntam
suas virtudes, conhecia “a última flor do Lácio, inculta e bela” como sobre essa bendita frase, que põe em discussão a delicada questão da
poucos. Célebres eram as suas tiradas gramaticais durante os debates colocação pronominal. Se você já esqueceu o que é isso, lá vai: esse
de que ele participava e que antecediam os pleitos. Azucrinava seus capítulo da gramática se ocupa do estudo da posição dos pronomes
pobres adversários políticos não lhes contestando as idéias político- oblíquos átonos (“me”, “te”, “se”, “lhe”, “o”, “a”, “nos” etc.) em relação
administrativas, mas corrigindo-lhes o vernáculo. ao verbo.
- O senhor está a proferir diatribes, disse-lhe certa vez um oponente, Muitos professores ainda tratam do caso de forma equivocada. Numa
sugerindo que estivesse a falar mentiras. de suas primeiras redações, a criança começa o texto ou uma frase com
- Diatribes, caro senhor, respondeu-lhe o “vassourinha", é uma crítica algo como “Me convidaram para uma festa na casa de...” ou “Me
contundente; escrito ou discurso violento e injurioso. Portanto, convém assustei quando vi...” E o(a) professor(a) perpetra um rabisco vermelho
que Vossa Excelência consulte um dicionário antes de pronunciar-se. no “me”. Quando o aluno pergunta o motivo do rabisco, a resposta vem
E o coitado do fulano ficava sem saber onde enfiar a cara. A vergonha no piloto automático: “Porque está errado”. “E por que está errado?”,
e a derrota estampadas no rosto rubicundo. Assim era Jânio. Em Direito indaga a criança. “Porque o ‘me’ não pode iniciar uma frase”, responde a
diríamos que não lhe importava discutir o mérito da questão, satisfazia- autoridade. “E por quê?”, insiste a criança. “Porque está errado”, diz o(a)
se em examinar-lhe o aspecto processual. Invariavelmente, saia-se professor(a), encerrando de vez a conversa. E o brasileiro cresce com
muito bem. Seus concorrentes que o digam! “trauma pronominal”. Acha que, na escrita, é sempre mais chique ou
Elegeu-se prefeito da cidade de São Paulo, governador de estado. E o sofisticado colocar os pronomes oblíquos depois do verbo. E escreve
VESTIBULAR – 2009

presidente mais votado da história do Brasil. Todavia, renunciou, dirão frases absolutamente artificiais, como “A chave não encontra-se em
alguns algozes. É verdade. Bem, o fato pode ser facilmente creditado ao poder dos funcionários” (exposta em alguns carros-fortes, ônibus etc.)
rol de suas fraquezas. ou “Os jogadores já tinham apresentado-se...”
O senhor está fugindo do assunto, afirma o meu complacente e já Boa parte dessa história de regras de colocação pronominal é puro ócio.
inquieto editor. Dar-lhe-emos razão. Façamos a sua vontade. Teoricamente, essas “regras” resultariam da observação do uso, ou seja,
O que quero dizer é o seguinte. A frase “fi-lo porque qui-lo”, em que as regras seriam mero espelho do uso. O problema é que quase sempre
pese a excelência gramatical de seu autor, apresenta grave defeito de a observação sobre o uso se restringe ao texto literário clássico e ao
colocação pronominal. Erro, desatenção, licença poética do escritor. Não modo de falar dos portugueses. E aí se “condenam” construções como

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as que iniciam a memorável canção Maninha, de Chico Buarque (Se 05. Leia e avalie as alternativas:
lembra da fogueira / Se lembra dos balões / Se lembra dos luares dos I. Sobre o assunto colocação pronominal Pasquale expressa “Se você já
sertões...). Que queriam? Que Chico fosse lusitano e escrevesse esqueceu o que é isso, lá vai”, desdenhando e minimizando as regras
“Lembra-se da fogueira / Lembra-se dos balões...”? Poderia até tê-lo gramaticais, como se fossem meras “decorebas”, uma questão de
feito, se quisesse imprimir ao poema matizes mais clássicos, mas, ao memorização.
adotar a colocação pronominal brasileira, o poeta deixa o texto muito II. Num determinado momento do texto o professor usa aspas e artigo
mais próximo da nossa linguagem oral, condizente com o tom intimista para caracterizar o pronome “ME” porque essa palavra foi usada com
da tocante letra dessa bela canção. substantivo, assim a palavra pelo contexto mudou sua morfologia.
Pois voltemos à questão do uso e da norma. Se o uso é “Ninguém me
ama”, a norma é “Ninguém me ama”, e não “Ninguém ama-me”. E por III. Pasquale pede cautela sobre a colocação pronominal citando como
que se diz “Ninguém me ama”? Simplesmente porque a colocação argumento o fato de que esse uso se restringe ao texto literário clássico
pronominal obedece à eufonia da frase. O pronome é colocado onde soa afirmando com isso que só na antiguidade clássica a literatura se valia
melhor − naturalmente. E qual é a sonoridade natural: “me convidaram” de uma língua rebuscada, a norma padrão.
ou “convidaram-me”? Depende. Se se tratar de linguagem oral, a opção IV. Pasquale pede cautela sobre a colocação pronominal citando como
dos brasileiros é por “me convidaram”; a dos portugueses é por argumento o fato de que esse assunto é sempre relacionado ao modo de
“convidaram-me”. Os modernistas brasileiros esgotaram o assunto no falar dos portugueses sem considerar que a próclise é tipicamente
célebre poema “Pronominais”, de Oswald de Andrade: “Dê-me um brasileira, enquanto que em Portugal há a preferência pela ênclise.
cigarro, diz a gramática (...). Mas o bom negro e o bom branco da nação Delas:
brasileira dizem todos os dias: Deixa disso, camarada. Me dá um a) apenas a II está incorreta
cigarro”. b) apenas I é incorreta
Parece absurdo manchar de vermelho a redação de uma criança por c) todas são corretas
um “erro” de colocação pronominal. Quando muito, é razoável discutir d) I, II e IV são corretas
esse assunto lá na frente, talvez no fim do segundo e) I e II são corretas
grau, explicando a questão pelo aspecto da diferença
que há entre a sonoridade lusitana e a brasileira. E, 06. Leia: “Diatribes, caro senhor, respondeu-lhe o “vassourinha", é uma
então, mostrar o que de fato ocorre na escrita e na crítica contundente; escrito ou discurso violento e injurioso. Portanto,
fala, no Brasil e em Portugal, analisar as diferenças convém que Vossa Excelência consulte um dicionário antes de
entre a fala e a pronunciar-se”. A resposta de Jânio tem caráter:
escrita, entre a a) Referencial e irônico
linguagem formal e a b) Metalingüístico e denotativo
espontânea etc. c) Metalingüístico e conotativa
(Pasquale Cipro d) Referencial e denotativo
Neto - professor de e) Conativa e irônica
Língua Portuguesa,
idealizador e apresentador do programa Nossa Língua 07. Leia e avalie as alternativas:
Portuguesa, da TV Cultura) I. quando o professor diz que é um absurdo manchar de vermelho a
01. No primeiro texto, o período “O homem da “vassourinha” tinha lá os redação de uma criança por um “erro” de colocação pronominal, ele dá à
seus defeitos, pois não!”, a palavra vassoura é usada junto ao recurso criança o direito de errar pelo fato de ela está iniciando os estudos da
das aspas para identificar: gramática
a) A conotação já que a palavra não se refere ao objeto de fato mas a
II. Quando diz “O pronome é colocado onde soa melhor, naturalmente”,
idéia de limpeza gerada por ele.
Pasquale defende que é o som o que realmente interessa, assim, Jânio
b) Uma ênfase para a idéia de diminutivo
estaria correto quando disse “ Filo porque qui-lo”, pois fi-lo porque qui-lo
c) Uma metonímia já que Jânio era conhecido assim naquela época
é mais bonito que fi-lo porque quis.
d) Uma ironia à idéia de que o presidente dizia-se o varredor da
corrupção, mas era um farsante. III. Em “Jânio, havemos de reconhecer, e eis uma de suas virtudes,
e) Uma metáfora, pois compara o presidente com o objeto. conhecia “a última flor do Lácio, inculta e bela” o autor afirma que Jânio
possuía conhecimento apenas da norma culta
02. Agora compare com o seguinte fragmento “Diatribes, caro senhor, IV. Pasquale defende que muitos professores ainda tratam o caso de
respondeu-lhe o “vassourinha". Aqui, a palavra vassoura é um exemplo forma equivocada porque os “erros” gramaticais não devem ser julgados,
de: pois a população fala assim e até poetas como Oswald cometem desvios
a) Metonímia parecidos.
b) Metáfora Delas:
c) Comparação a) apenas a II está incorreta
d) Eufemismo b) apenas I é incorreta
e) Hipérbole c) todas são corretas
Leia: d) todas são incorretas
“Exagero por certo, mister reconhecer que os homens haverão de e) I e II são corretas
mostrar-se sempre como um ser dividido. Metade claro, metade escuro.
Ora santo, ora demônio. Duas partes diferentes de uma mesma maçã 08. Erro, desatenção, licença poética do escritor. Não sei. Prefiro
que convivem no todo. Enfim, um vinho com boas e más safras”. creditá-la àquela faceta falível a que todos nós, pobres mortais como
Jânio, estamos sujeitos.
03. Em, Metade claro, metade escuro. Ora santo, ora demônio, temos
a) Quando afirma que todos estamos sujeitos ao erro, o autor sugere a
respectivamente:
interrogação:por que só Jânio não podia ter errado?
a) paradoxo e metáfora
b) no momento em que expressa o fato de que o presidente errou
b) Antítese e paradoxo
sugere então que Jânio não seria assim tão inteligente quanto parecia
c) Paradoxo e antítese
c) quando utiliza o termo licença poética para justificar o desvio
d) paradoxo e paradoxo
gramatical de Jânio, o autor parece confirmar que ele errou.
e) antítese e antítese
d) quando utiliza o termo “Desatenção”, o autor parece está certo de
que Jânio sabia o correto, mas comentou a gafe.
04. E o coitado do fulano ficava sem saber onde enfiar a cara. A
e) quando afirma “prefiro creditá-la àquela faceta falível a que todos nós,
vergonha e a derrota estampadas no rosto rubicundo. Esse fragmento
pobres mortais como Jânio, estamos sujeitos”, o autor admite que o
VESTIBULAR – 2009

sugere que:
presidente cometeu um desvio gramatical, um erro imperdoável.
a) Porque o erro minimiza o falante
b) Não saber a gramática é não ter prestígio social e intelectual
c) O uso indevido da linguagem gera preconceitos
d) A linguagem coloquial e estigmatizada e gera a marginalização
e) Um candidato à presidência da república tem obrigações de saber a
linguagem culta

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