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Estágio Supervisionado de Prática Pedagógica IV

Profº Dr.º Gustavo Bizarria Gibin

Sequência didática utilizando modelos

Izabella P. Lopes
José Valmiro de Souza Junior

PRESIDENTE PRUDENTE
Plano de aula

Sala: Turma do segundo ano do ensino médio ( 2º A; B; C; D; E)

Tempo de duração da sequência: Dez aulas

Conteúdo: Reações de Oxido-redução e balanceamento

Procedimento: A aula será iniciada apresentando aos alunos três reportagens abordando a
utilização do Bafômetro. Em seguida, contextualizaremos utilizando o princípio de
funcionamento do bafômetro em conjunto com um experimento para ilustrar esse princípio,
pois, os alunos ficam muito presos às pilhas e acabam não enxergando quais outras aplicações
existem para essas reações. Para explicar os conceitos, será desenvolvido um material
palpável, com material alternativo, de fácil entendimento e uso dos alunos, para tentar fazê-
los enxergar, compreender e sanar as dúvidas existentes entre agente oxidante/ agente redutor,
“quem oxida ganha ou perde elétrons?”, entre outras dúvidas. Ao final, será realizado um
experimento chamado de Camaleão Químico, onde é possível visualizar a ocorrência de
reações redox através da mudança de coloração da solução. Utilizando esse experimento e as
reações envolvidas, tentaremos retomar todo os conceitos abordados com os alunos.

Recursos:

 Reportagens: “Limite de álcool no bafômetro fica mais rígido e cai para 0,05 mg/L” e
“Como funciona o Bafômetro?”
 Experimento: Bafômetro – Um modelo demonstrativo
- Bexiga
- Tubo plástico
- Algodão
- Cerveja
- Vinho
- Aguardente
- Giz
- Rolha
- Solução ácida de dicromato de potássio
 Material didático composto de bolinhas de isopor e palitinhos de dente/churrasco
 Experimento: “Camaleão Químico”
- Um recipiente transparente de 1L ou o maior que encontrar (garrafas / potes de
palmito)
- Dois recipientes de 250 mL ou o suficiente para misturar as soluções (garrafas / potes
de azeitona)
- Colheres
- Água
- Cartela de comprimidos de permanganato de potássio
- Hidróxido de sódio ou soda cáustica (80 gramas)
- Açúcar (40 gramas)
 Lousa
 Giz/Caneta

Referências:

 ATKINS, P. ; LORETTA, J. Princípios de Química: questionando a vida moderna


e o meio ambiente. Tradução: Ricardo Bicca de Alencastro, - 5 ed. – Porto Alegre:
Bookman, 2012.
 BROWN, T.L ; LEMAY Jr, H.E.; BURSTEN, B. E ; BURDGE, J. R. Química: A
Ciência Central. Tradução: Robson Matos. – São Paulo: Prentice Hall, 2005
 PERUZZO, F. M; CANTO, E. L. Química na abordagem do cotidiano. 3 ed. – São
Paulo: Moderna, 2003.
 MORTIMER, E. F.; MACHADO, A. H. Química. 2 ed. – São Paulo: Scipione, 2013
 FERREIRA, G.A.L ; MÓL, G. S. ; SILVA, R. R. Bafômetro: Um modelo
demonstrativo. Química Nova na Escola, nº 5, maio 1997. Disponível em
http://qnesc.sbq.org.br/online/qnesc05/exper2.pdf Acesso em: 30/10/2017
 MANUAL DO MUNDO. Camaleão Químico. Disponível em
http://www.manualdomundo.com.br/2012/09/camaleao-quimico/ Acesso em:
30/10/2017
 Limite de álcool no bafômetro fica mais rígido e cai para 0,05 mg/L. G1 – Política.
Edição de 29/01/2013. Disponível em
http://g1.globo.com/politica/noticia/2013/01/contran-endurece-tolerancia-quem-
flagrado-dirigindo-apos-beber.html Acesso em: 28/10/2017
 Como funciona o bafômetro? – Por Daniel Schneider. Revista Super Interessante.
Disponível em https://super.abril.com.br/tecnologia/como-funciona-o-bafometro/
Acesso em: 03/01/2018
 BRAATHEN, C. Hálito Culpado: O princípio químico do bafômetro. Química
Nova na Escola, nº 5, Maio 1997. Disponível em
http://www.qnesc.sbq.org.br/online/qnesc05/quimsoc.pdf Acesso em: 28/10/2017
Introdução

Depois de tratar as reportagens com os alunos, explicar o princípio básico de funcionamento


do bafômetro.

Os bafômetros mais simples são descartáveis, sendo pequenos tubos contendo uma mistura
sólida de solução aquosa de dicromato de potássio e sílica, umedecida com ácido sulfúrico. A
detecção é visual uma vez que a reação que ocorre dentro do aparelho é uma reação de oxido-
redução, onde o álcool se oxida a aldeído e o dicromato se reduz a cromo (III) ou cromo (II).
A coloração inicial é amaralo-alaranjada, coloração característica da solução de dicromato. Ao
final torna-se verde-azulada, devido a presença dos íons cromo (III) e/ou cromo (II).

Bafômetros portáteis são preparados e calibrados apenas para indicar se a pessoa está abaixo
ou acima do limite legal. A reação envolvida no funcionamento do bafômetro é:

K2Cr2O7(aq) + 4 H2SO4(aq) + 3 CH3CH2OH(g)  Cr2(SO4)3(aq) + 7 H2O(l) + 3 CH3CHO(g) + K2SO4(aq)

Forma iônica:

Cr2O72-(aq) + 8 H+(aq) + 3CH3CH2OH(g)  2Cr3+(aq) + 3CH3CHO(g) + 7H2O(l)

No início da reação o carbono está com estado de oxidação (número de oxidação) igual a -2 e
o cromo está com um número de oxidação igual a +6. Ao final da reação o número de
oxidação do carbono passou a ser +1, ou seja, perdeu três elétrons; e o número de oxidação do
cromo passou a ser +3, ou seja, ganhou três elétrons.

Experimento – Bafômetro: Um modelo demonstrativo

Peça ajuda a um adulto para fazer esta experiência.

Materiais:

- Quatro balões de aniversário

- Quatro pedaços de tubo plástico transparente de 10 cm de comprimento

- Dois tabletes de giz escolar

- Quatro rolhas para tampar os tubos

- Algodão

- Solução ácida de dicromato de potássio


- Aguardente

- Vinho

- Cerveja

Procedimento

Quebre o giz em pedaços pequenos e os coloque em um recipiente. A seguir molhe-os com a


solução de dicromato, de tal maneira que eles fiquem úmidos, mas não encharcados. Com o
auxílio de um palito, misture os fragmentos de giz coloridos pela solução de forma que o
material fique com uma cor homogênea (o material “giz + solução” não pode ser
armazenado).

Coloque um chumaço pequeno de algodão em cada um dos quatro tubos e depois coloque as
rolhas do mesmo lado em que se encontra o algodão. A seguir, coloque mais ou menos a
mesma quantidade de fragmentos de giz nos quatro tubos.

Adicione 0,5 mL (cerca de 10 gotas) de aguardente no balão nº 2, 0,5 mL de vinho no balão nº


3 e 0,5 mL de cerveja no balão nº4, no balão nº 1 não adicione nada, pois ele é o controle do
experimento. Encha os quatro balões com mais ou menos as mesmas quantidades de ar (que
fiquem mais ou menos do mesmo tamanho) e, depois, coloque os balões nos tubos
previamente preparados.

Começando pelo balão nº 1, solte o ar vagarosamente, desapertando a rolha. Proceda da


mesma forma com os balões restantes. Espere o ar escoar dos balões e compare a alteração da
cor dos quatros tubos. A seguir, ordene os tubos de 2 a 4 em função da intensidade de
mudança de cor (alaranjado para azulado).

Oxidação e Redução

Quando um átomo, íon ou molécula perde elétrons, tornando-se mais positivamente


carregado, diz-se que passou por um processo de oxidação. O termo oxidação é usado pois,
as primeiras reações desse tipo estudadas envolviam o oxigênio. Por exemplo, quando o
magnésio (Mg) reage com o oxigênio (O 2), ele perde dois elétrons, ficando carregado
positivamente, e o oxigênio recebe dois elétrons se tornando negativamente carregado.

2 Mg(s) + O2  2 Mg2+(s) + 2 O2-, como 2 MgO(s)


A reação do magnésio (Mg) com o cloro (Cl 2) é uma reação que envolve a oxidação do
magnésio, porém não há presença do oxigênio.

Mg(s) + Cl2(g)  Mg2+(s) + 2 Cl-(s), como MgCl2(s)

Note que a medida que o magnésio perde elétrons, o oxigênio ou o cloro ganha elétrons e,
quando um átomo, íon ou molécula ganha elétrons, tornando-se mais negativamente
carregado, diz-se que passou por um processo de redução. Uma reação redox é a combinação
de um processo de oxidação e redução.

Número de oxidação

O número de oxidação está associado aos átomos de um determinado elemento presente em


uma determinada substância que está associado à carga elétrica que esses elementos
apresentam nessa substância.

A oxidação corresponde ao aumento do número de oxidação.

A redução corresponde à diminuição do número de oxidação.

Esta carga elétrica apresentada por este determinado átomo é uma carga hipotética indicada
ao mesmo através de um conjunto de regras.

1. Para um átomo na sua forma elementar o número de oxidação é sempre zero. Portanto, em
substâncias simples, aonde os átomos são todos iguais, cada átomo constituinte possui um
número de oxidação igual a zero. Por exemplo:

Cada átomo de oxigênio da molécula de O2 possui um número de oxidação igual a zero.


Cada átomo de fósforo da molécula de P 4 possui um número de oxidação igual a zero. No
caso de substâncias metálicas, Fe, Cu, Zn, entre outros, todos possuem número de
oxidação igual a zero.

2. Para qualquer íon monoatômico o número de oxidação é igual a carga do íon. Por
exemplo:

O íon K+ possui um número de oxidação igual a +1. O íon Mg2+ possui um número de
oxidação igual a +2. O íon Cu2+ possui um número de oxidação igual a +2.

3. Íons de metais alcalinos sempre possuem um número de oxidação igual a +1; íons de
metais alcalinos-terrosos sempre possuem um número de oxidação igual a +2; íons prata
(Ag+) sempre possuem um número de oxidação igual a +1, os íons zinco (Zn+2) possuem
sempre um número de oxidação +2 e os íons alumínio (Al3+) possuem sempre um número
de oxidação +3. Por exemplo:
Metais alcalinos: Li+; Na+; K+; Rb+; Cs+
Metais alcalinos-terrosos: Be2+; Mg2+; Ca2+; Sr2+; Ba2+; Ra2+
Ag+; Zn+; Al3+
4. O número de oxidação do oxigênio normalmente é -2, com exceção quando forma
compostos chamados peróxidos, onde seu número de oxidação é -1; e quando forma
fluoretos (OF2), onde seu número de oxidação é +2.
5. O número de oxidação do hidrogênio é +1 quando ligado a ametais e -1 quando ligado a
metais.
6. O número de oxidação dos halogênios é -1, exceto quando combinados com o oxigênio,
quando adquirem números de oxidação positivos. O número de oxidação do flúor é sempre
-1.
7. A soma algébrica de todos os números de oxidação dos elementos presentes em um
composto químico eletricamente neutro é zero. A soma algébrica de todos os números de
oxidação dos elementos presentes em um íon poliatômico é igual a carga do íon.
N2 O5 S O42-

-5X2 -2X5 +6 -2X4


-10 -10 +6 -8
Balanceamento de reação redox
Quando elementos sofrem variações nos seus números de oxidação no decorrer de uma
reação química, diz-se que se trata de uma reação de oxido-redução ou redox. Lembrando
que reações de oxidação e redução ocorrem de modo simultâneo, uma vez que elétrons não
“aparecem” nem “desaparecem”.
Normalmente, para reações de oxido-redução, usamos as expressões agente oxidante e
agente redutor.
Agente oxidante é a espécie química que age causando a oxidação, ou seja, a perda de
elétrons de outra espécie. Portanto, o agente oxidante é a espécie que reduz (ganha
elétrons).
Agente redutor é a espécie química que age causando a redução, ou seja, é a espécie que
doa seus elétrons para outra. Portanto, o agente redutor é a espécie que oxida (perde seus
elétrons).
Para balancear reações redox, seguem-se alguns passos. Acompanhe o exemplo a seguir.
NH3 + O2  NO + H2O
Primeiro Passo: Identificar o número de oxidação (nox) das espécies envolvidas.
NH3 + O2  NO + H2O
+3 -2 +2
-3 0 +2 -2 -2
Oxida / Agente Redutor
Reduz / Agente Oxidante
Segundo Passo: Identificar a variação do nox das espécies que sofrem redução e oxidação.
O nitrogênio é a espécie que oxida, ou seja, é a espécie que perde elétrons.
NH3  NO

-3 +2

∆ nox=5

O oxigênio é a espécie que reduz, ou seja, é a espécie que ganha elétrons. Note que todos os
oxigênios sofrem redução.

O2  H2O
0 -2

∆ nox=2

Terceiro Passo: Multiplicar o valor do ∆ nox pela quantidade de elemento que reduz e
oxida.

 Neste caso do nitrogênio, apenas um sofre oxidação. Porém todos os oxigênios sofrem
redução, portanto, temos dois oxigênios reduzindo.

∆ nox O2 =2 x 2→ ∆ nox=4

∆ nox N =1 x 5 → ∆nox =5

Quarto Passo: Para igualar a variação do nox, troque os valores, “multiplicando” nitrogênio
por 4 e os oxigênios por 5. Reescreva a reação com os índices estequiométricos encontrados.

4 NH3 + 5 O2  4 NO + 6 H2O

Mais reações para exemplificar e compreender.

1) HNO3 + H2S  NO + S + H2O


2) H2S + HNO3  H2SO4 + NO + H2O
3) Br2 + HClO + H2O  HBrO3 + HCl
4) Cu + HNO3  Cu(NO3)2 + NO2 + H2O

Experimento Camaleão Químico

Peça ajuda de um adulto para fazer esta experiência. Use luvas de proteção.

Materiais:

- Um recipiente transparente de 1L ou o maior que encontrar (garrafas / potes de palmito)


- Dois recipientes de 250 mL ou o suficiente para misturar as soluções (garrafas / potes de
azeitona)

- Colheres

- Água

- Cartela de comprimidos de permanganato de potássio

Obs: os comprimidos podem ser encontrados em farmácias e precisam ser pulverizados antes
de se iniciar o experimento. Para isto, utilize um copo de vidro e aperte o comprido contra a
mesa, por exemplo. Faça isso até obter um pó.

- Hidróxido de sódio ou soda cáustica (80 gramas)

- Açúcar (40 gramas)

Procedimento:

1) Preparo da solução de permanganato

Utilize um dos potes pequenos.

- Adicione o comprimido pulverizado

- Adicione 150 mL de água

- Misture bem com o auxílio de uma colher

A solução terá uma coloração violeta.

2) Preparo da solução de soda cáustica

Utilize um dos potes pequenos.

- Adicione 150 mL de água

- Acrescente uma colher de soda cáustica

- Misture bem com o auxílio de uma colher

- Após, adicione duas colheres de açúcar e misture novamente até obter uma mistura
homogênea

3) Preparo da solução camaleão

Utilize o pode/ garrafa maior.


- Adicione toda a primeira solução neste pote

- Misture bem com o auxílio de uma colher até formar redemoinhos

- Imediatamente após, adicione a segunda solução e observe as mudanças de coloração.