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Curso De Pós-Graduação Lato Sensu

Núcleo De Pós-Graduação E Extensão

O ENSINO RELIGIOSO NAS ESCOLAS

Luiz Eduardo da Silva

Santa Luzia

2017
Curso De Pós-Graduação Lato Sensu

Núcleo De Pós-Graduação E Extensão

O ENSINO RELIGIOSO NAS ESCOLAS

Luiz Eduardo da Silva

Artigo científico apresentado a FAVENI


como requisito parcial para obtenção do
título de Especialista em docência do
ensino superior

Santa Luzia

2017
santa Luzia, 2017

O ENSINO RELIGIOSO NAS ESCOLAS

Luiz Eduardo Da Silva

Resumo:
Este artigo pretende avaliar a contribuição do ensino religioso na formação integral dos alunos
na rede publica de ensino, observando a capacitação docente no que se refere à formação e
aprimoramentos, e quanto a aplicabilidade da disciplina seguindo os parâmetros nacionais de
ensino, além de abordar um pouco da historia da religiosidade no âmbito escolar a partir da
chegada dos europeus nas américas.

Abstract:

This article intends to evaluate the contribution of religious education in the integral formation
of students in the public education network, observing the teaching qualification regarding
training and improvements, and as to the applicability of the discipline following the national
teaching parameters, besides addressing a Little of the history of religiosity in school since the
arrival of Europeans in the Americas.

Palavra Chave: ensino religioso educação docente escola publica


1- Introdução:

A lei n° 9.394/96 da LDB no artigo 62 faz referencia a formação


de professores da educação básica, na lei está incluída a disciplina de ensino
religioso, fica especifico que a atuação do professor se dará a partir do nível
superior, em cursos de licenciatura, de graduação plena, realizados em
universidades e institutos de educação superior e em alguns casos como é o
da educação infantil com o exercício do magistério.

Este artigo abordará assuntos pertinentes ao exercício do


ensino religioso na rede publica bem como os desafios enfrentados haja vista
que o ensino religioso nas instituições publica devem sempre buscar formas de
ensino inclusivas de forma que aborde a religião de forma coerente respeitando
assim a diversidade cultural e religiosa de cada individuo.

Abordaremos um pouco as questões sociais que estão


incutidas na construção da cultura social do país e que influenciou e influencia
a pratica do ensino religioso nas instituições de educação.

Neste contexto é necessário analisar os procedimentos a


serem observados pelo docente na hora de definir o conteúdo a ser ensinado
para os alunos além de observar como essa disciplina vai ajuda-lo a explorar a
sua criticidade.

A trajetória da disciplina nas escolas brasileiras desde o Brasil


colônia vem apresentando seus problemas, mas podem-se observar grandes
avanços apesar das concepções diversas e os questionamentos constantes
com respeito a permanência da disciplina nos currículos nacionais.
2- Desenvolvimento
A forma de ensino no país de uma forma geral tem se
modificado e buscado formas de inserir igualitariamente todos os
indivíduos, independente de sua posição social cor religiosidade ou
cultura, mas uma das disciplinas que mais se questiona naturalmente é
a de ensino religioso.
Isso por se tratar de um assunto de cunho religioso que
permeiam a sociedade durante toda sua construção politica cultural e
social, a religião está intimamente ligada ao crescimento e evolução do
país, e vamos ver que em alguns momentos ela permeia todo um
pensamento cultural do povo.

O grande desafio contido na prática do ensino religioso é fazer


uma explicação a respeito das mais diversas religiões de forma imparcial e
diversificada. Quando pensamos o Brasil um país que possui liberdade
religiosa e ao mesmo tempo vemos a possibilidade de enxergamos nele uma
sociedade com diversos conflitos religiosos que muitas vezes partem do
desconhecimento cultural do pais começamos a entender as dificuldades
enfrentadas na aplicabilidade do ensino religioso.

No período das grandes navegações no século XVI, com os


movimentos reformistas a igreja viu nas terras do novo mundo a oportunidade
de se fazer novos fieis e assim o catolicismo foi introduzido no Brasil, através
das missões franciscanas.

Os ensinamentos católicos e a aceitação da mesma significava


uma civilidade para aquele povo encontrado em meio ao desconhecido e que
os europeus intitularam como sem cultura, e, portanto a conversão desse povo
era compreendida como indispensável.

“a expedição dava prosseguimento ás navegações portuguesas, cuja intenção era disseminar a


pregação da religião cristã por meio de missionários franciscanos.” (historia do Brasil,
galaxynet,1999/2012)

Digamos que o Brasil nasceu de uma cultura cristianizada,


mesmo porque em determinados período o catolicismo era a religião oficial do
império o que foi determinante para que a igreja alcançasse um grande poder
cultural diante da sociedade.

O ensino era dado através de livros religiosos, e sendo assim a


alfabetização e religião estava interligada e, portanto os segmentos católicos
eram inseridos na sociedade simultaneamente ignorando a existência cultural
já existente entre os povos indígenas.

Desde esse período o estudo do ensino religioso passou por


algumas modificações, mas permanecia como parte dos ensinamentos
repassados para as crianças e adolescentes.

A religião passa a ser um dos principais aparelhos ideológicos do Estado, concorrendo para o
fortalecimento da dependência ao poder político por parte da Igreja. Dessa forma, a instituição
eclesial é o principal sustentáculo do poder estabelecido, e o que se faz na Escola é o Ensino da
Religião Católica Apostólica Romana. (PCN: ER, 2004:13)

No século de XIX, especificamente na década de 60 o ensino


religioso foi excluído das escolas publicas no Brasil e foi substituído por uma
nova disciplina a educação moral e cívica.

Essa disciplina tinha a finalidade de inserir naquela nova


geração noções de virtude moral e civilidade e principalmente os valores
republicanos iniciando a desvinculação com o catolicismo.

O regime republicano inaugurado em 1889 sepultou o regime do padroado. O decreto


119-A, de 7 de janeiro de 1890, separa a Igreja1 do Estado. O Estado brasileiro se
seculariza. A laicização do Estado é consagrada na Constituição Federal de 1891.
Várias esferas da vida social até então ligadas à Igreja Católica se secularizam. A
Constituição de 1891 institui o casamento civil, a secularização dos cemitérios, o fim da
subvenção estatal a qualquer culto religioso (Mariano, 2003:12).

O Brasil torna-se um país laico e, portanto todas as religiões


podem ser praticadas livremente, mas da instituição da lei ate a sua pratica é
uma nova trajetória a se cumprir afinal a força cultural que envolve a sociedade
é muito grande e tende ocasionalmente a interferir nessa tal liberdade religiosa.
E novamente em 1928 em minas Gerais o presidente Antônio
Carlos Andradas indo de encontro a constituição federal, baixa um decreto que
autoriza novamente o catecismo nas escolas primarias do estado mineiro, mas
com frequência facultativa e respeitando a diversidade.

A partir dai a igreja se fortalece novamente junto ao estado e é


decretada a lei 19.941de 1.931, que reinstaura o ensino religioso as escolas
publicas nos estabelecimentos de instrução primaria secundaria e normal de
forma confessional Defendendo os princípios de valores de uma religião
especifica.

A grande expectativa na atualidade é que se consiga instaurar


o ensino religioso nas escolas de maneira não confessional, ou seja,
abordando a religião em um ponto de vista humanístico buscando apenas a
religião de um ponto de vista histórico e sociológico.

Após a criação dos PCNs, para o ensino religioso em 1996,


ficou evidente o objetivo esperado para a disciplina, o primeiro enfoque
novamente é o cuidado no que diz respeito a ensinamentos com inclinação ao
proselitismo por parte da escola e professores.

Os professores devem se ater ao ensino da religião no seu


contexto geral e histórico captando a prática religiosa de maneira filosófica e
sociológica esta nova proposta para os currículos nacionais para o ensino
religioso foram elaborados pelo FONAPER que foi uma das associações que
colaboraram para a implantação desse novo currículo.

O ensino religioso continua a seu caráter confessional, mas


com algumas ressalvas, ele deverá estar de acordo como a opção religiosa do
aluno ou responsável e deverá ser ministrada por professores bem como
também por autoridades religiosas desde que sejam devidamente
credenciadas por suas respectivas igrejas.

O ensino religioso poderá ser ensinado em caráter


interconfessional que seria o mais viável para uma sociedade onde encotramos
adeptos de varias religiões.
Observa-se assim que não há na verdade uma formação
especifica que possa fazer deste ensino aprendizado uma transposição na
qual o aluno recebe informações de todas as religiões sem o risco de receber
informações tendenciosas por parte dos seus educadores

Entramos então na questão da formação docente para o ensino


religioso, há muitas duvidas a respeito da preparação profissional dos
professores de ensino religioso, afinal em uma cultura onde existe uma grande
diversidade religiosa é necessário um cuidado com a tendenciosidade.

O ensino religioso precisa ser trabalhado de forma significativa


compreendo o aluno como ele sendo um construtor ativo do seu conhecimento,
a prática pedagógica neste contexto tem a missão de alcançar os objetivos de
forma inclusiva, estimulando os alunos a esse processo de ensino
aprendizagem.

“o ensino religioso, enquanto componente curricular, busca a analise de diferentes relações


entre fenômeno religioso e a construção, a reflexão e a socialização dos conhecimentos
sistematizados durante todo o processo de ensino aprendizagem num fazer pedagógico
dinâmico, permitindo a interação e o dialogo, de maneira que professores e estudantes, juntos,
possam resignifica-los.” (NOGUEIRA DA SILVA, BRIGIDA).

Para que isso ocorra é necessária uma formação a qual o


docente passe por uma preparação e consiga se desprender de sua visão
étnica de religião, não há possibilidade de se ensinar religião se o profissional
não se desprender das suas preconcepções.

O profissional que se dispõe a ensinar religião de modo geral


precisa fazê-lo de forma imparcial e igualitária, lembrando sempre que á escola
publica é concedido o ensino da disciplina de ensino religioso englobando
todos os pensamentos religiosos nos quais a sociedade está inserida.

Um dos problemas enfrentados também é o fato de serem


poucos profissionais formados na disciplina de ensino religioso, na maioria das
vezes os profissionais possuem apenas extensão de curso de ciências da
religião, ou seja, ele possui uma licenciatura especifica e faz um extensivo
recebendo autorização para lecionar.
Infelizmente estes cursos extensivos apesar de acrescentarem
em conhecimento objetivo não dão ao profissional a preparação adequada para
lidar com a realidade do quadro escolar, o ensino nestes cursos é superficial e
não abordam todas as visões etnológicas da religião.

“No enfoque hermenêutico ou reflexivo, o ensino é uma atividade complexa que ocorre em
cenários singulares, claramente determinados pelo contexto, com resultados em grande parte
imprevisíveis, carregada de conflitos de valor, o que requer opções éticas e politicas.”(
PIMENTA, SELMA,GARRIDO; ANASTASIOU p.185).

Segundo a LDB o ensino de religioso não é obrigatório a todos


os alunos e a escola tem a responsabilidade de assegurar a diversidade de
credo assim como também não aconteça à imposição de dogmas religiosos no
sentido de converter os alunos.

A partir dai surge o questionamento é necessário o estudo de


ensino religioso nas escolas haja vista que as dificuldades enfrentadas nesse
sentido são inúmeras começando da dificuldade de que se integre a lei de
diversidade no ensino da religião?

Partindo do pressuposto de que alguns alunos não queiram


participar das aulas de ensino religioso, quais atividades a escola proporia á
esse aluno para que ele seja inserido de forma que haja aproveitamento do
tempo disposto.

As discussões em torno desse assunto são infindáveis, apesar


da lei de diversidade o artigo 33 da LDB deixa o conteúdo a ser ensinado nas
salas de aula a encargo da escola e dos professores, sendo assim quem
fiscaliza o que está sendo proposto aos alunos?

Voltamos novamente a questão da qualificação, afinal o ensino


religioso está interligado a construção politica e social do individuo, e se
aplicado de forma correta ele influencia de forma libertadora a criticidade e o
senso questionador do aluno.

Por outro lado se este ensino não for feito de forma coerente
ele passa a ser algo que fere a liberdade étnica e cultural dos alunos e podem
causar prejuízos quanto a sua formação social.
Para o fazer escolar, é necessário observar o crescimento do numero de pessoas que se
autodeclaram como “sem religião” e aqueles ligados às tradições orientais, a saber: Budistas,
Xintoístas e Messiânicos, dentre outros. Como outro grupo em crescimento (IBGE, 2010)
também deve haver reflexão quanto aos que se confessam “sem religião”, enquanto pessoas
que professam a fé cristã sem estar ligada a nenhuma denominação religiosa. (JUNQUEIRA, R.
A. Sergio, Projeto CNE/UNESCO 914BRZ1009. 2, p.81)

Seguindo a linha de pensamento de Junqueira vemos a


necessidade de se olhar a sociedade escolar como sendo dotada de um
pluralismo religioso extenso, e que mesmo que o país em si tenha sua religião
oficial, a população é constituída por um leque muito grande de religiões e
mesmo de não religiosos e que, portanto o ensino deve atender ao publico
escolar existente.

O ensino religioso deve propiciar aos alunos conhecimentos


significativo que reconheçam de maneira geral as singularidades existentes na
cultura e fazendo despertar o sentimento de compreensão e acolhimento das
diferenças e assim cumprir um papel social de resguardar os direitos humanos
de cada individuo.

O respeito a diversidade torna a ação docente


automaticamente a forma mais eficiente de se finalizar com a doutrinação
escolar que acompanha a disciplina, fazendo que a sua importância e
relevância no âmbito de conhecimento seja questionados pela sociedade e
órgãos públicos.
3- Conclusão:

O ensino religioso apesar de muito questionado no


contexto de disciplina escolar, trata-se de um conteúdo de grande teor e
valor histórico, sua importância e trás sua contribuição para a formação
cultural dos alunos.
O que se espera dessa disciplina é que os alunos
compreendam a importância e a força que a religião tem sobre a
sociedade, e os ensinos que giram em torno do seu cotidiano ajudam
para que o aluno de alguma forma forme sua própria concepção
religiosa.
Muito das discriminações e conflitos religiosos partem do
principio de que grande parte dos fieis desconhecem por completo as
bases religiosas dos outros indivíduos, e simplesmente criam
paradigmas para definir as outras religiões.
A preparação profissional nesse âmbito é imprescindível
para uma mediação que não ultrapasse os limites do respeito e da ética,
os alunos aprendem e crescem quando eles sentem que fazem parte de
um meio e que suas ideias são relevantes na formação do conhecimento
coletivo.
Desvalorizar o ensino religioso nas escolas seria apagar
uma parte da história cultural da humanidade, o homem se relaciona
com Deus e isso interfere nas suas ações junto a sociedade, portanto
dizer que a disciplina é desnecessária seria impossível.
O que se deve é traçar metas pelas quais os métodos
de ensino religioso se aprimorem de maneira a ser absorvido pelos
alunos como conhecimento geral religioso e não como uma imposição
doutrinaria.
4- Referencia

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática


educativa. 25 ed. São Paulo: Paz e Terra, 2002.

Galaxynet.com (1999/2012).

https://vestibular.uol.com.br.

http://portal.mec.gov.br.

http://www.biblioteca.pucminas.br.

JUNQUEIRA, R. A. Sergio, Projeto CNE/UNESCO 914BRZ1009.2,


p.81.

PIMENTA, Selma Garrido; ANASTASIOU, Lea das Graças Camargo.


Docência no ensino superior. São Paulo: Cortez, 2002.

www.revistaforum.com.br/2013/01/11/o-ensino-religioso-nas-
escolas-publicas.