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Escola Secundária Dr.

Joaquim de Carvalho
Ano Lectivo de 2017/2018

GEOGRAFIA A
11º Ano

Professor: José Luís Ribeiro


A CONCENTRAÇÃO DEMOGRÁFICA
DISTINGUE CLARAMENTE A CIDADE DO CAMPO

O movimento no centro da cidade.

O movimento no campo.
→ A cidade favorece as trocas, a circulação de bens e de dinheiro e a
produção.
→ A concentração de actividades económicas é ao mesmo tempo, causa
e consequência da capacidade de atracção das áreas urbanas.
→ As cidades aceleram as transformações sociais. Os indicadores como
saúde, alfabetização, etc., são mais elevados nas áreas urbanas.
→ Nos PED o aumento acelerado da taxa de urbanização resulta do facto
de as pessoas tentarem encontrar nas cidades melhores condições de
vida assim como um emprego, o que na maioria das vezes não acontece,
mas apesar de tudo é preferível à miséria da vida rural.
→ A taxa de mortalidade infantil é cerca de 50% mais baixa nas áreas
urbanas do que nas áreas rurais.
→ É também nas cidades que existe um maior avanço em direcção à
igualdade e autonomia das mulheres.
“A cidade é o lugar geográfico onde se instala a superestrutura
político-administrativa de uma sociedade”
M. Casttells
“Uma cidade é como um animal. Possui um sistema nervoso, uma
cabeça, ombros e pés. Não há duas cidades iguais: cada uma difere
de todas as outras.”
John Seinbeck
“Uma localidade pode ser considerada cidade quando cumpre pelo
menos uma das seguintes condições: não possuir actividades
agrícolas, ou, se as tiver, em pequena quantidade; e ter marcas de
crescimento e diversificação dos bairros segundo as suas
actividades.”
Pierre Gourou
“Cidade pode definir-se pelo seu aspecto exterior, por uma paisagem
urbana que não é uniforme, mas que se define em cada região pela
oposição com o campo circundante pela existência de monumentos,
edifícios altos e passeios públicos”
Max Derruau
Alguns critérios para a definição de
CIDADE

A Conferência de Praga definiu o número de 10.000


habitantes e menos de 25% na agricultura.

• Demográficos
Número de habitantes e densidade
demográfica varia de país para país
(actualmente, Portugal adoptou o número
indicativo de 8.000 eleitores).
• Funcionais
Exclui-se o sector primário como
predominante, mas há que distinguir os
países industrializados e não industrializados.
• Históricos
Importância dos legados anteriores, ainda que
tenha perdido importância, influência e
actividades.
• Arquitectónicos
A forma e a altura dos edifícios e a sua O ambiente urbano
concentração e distribuição espacial.
Ao analisarmos o espaço de uma cidade, constatamos a existência de
funções, que se organizam em zonas específicas que apresentam uma
certa homogeneidade em termos de funções e que por isso se chamam:

ÁREAS FUNCIONAIS

A forma como se distribuem estas áreas funcionais nas cidades faz com que
elas sejam diferentes umas das outras, sendo por isso um factor de
identidade da cidade. As áreas funcionais que compõe a cidade são:

1. Área central (serviços e comércio de luxo)

2. Áreas industriais

3. Áreas residenciais
A acessibilidade e o preço do solo no crescimento urbano e das áreas funcionais.
No espaço urbano, de um modo geral, o preço dos terrenos e,
consequentemente, dos imóveis e das rendas diminui do centro da
cidade para a periferia, devido:

À diminuição da acessibilidade;

Ao aumento dos terrenos


disponíveis;

À diminuição da procura.

Variação, do centro para a periferia, do custo


do solo para as três funções urbanas
AS ÁREAS RESIDENCIAIS

Área residencial de classe alta.

Área residencial de classe média.


MISTURA DE FUNÇÕES E DESORDENAMENTO

Área residencial de classe baixa


(bairro social).

Área industrial pesada nos subúrbios.

Bairros de lata.
Onde surgem? Porque surgem?
A influência das 3000€/m2

acessibilidades no preço
do solo urbano e na 2000€/m2
distribuição das áreas
funcionais. 1000€/m2

Centro da cidade

Nó rodoviário
A influência das funções e das actividades no preço do solo

Banco Central

Agências Bancárias Potencia-se a afirmação


de CBDs secundários
valor do solo

CBD
distância ao centro (CBD)
A MORFOLOGIA URBANA
(condicionalismos do legado histórico)

Planta Irregular — crescimento espontâneo da cidade.


Não há planeamento. Ruas estreitas, sinuosas e
desordenadas. Prevalece o interesse individual sobre o
colectivo.

Planta Radioconcêntrica — crescimento da cidade


condicionado por muralhas antigas (função defensiva).
Promove-se a facilidade de chegar ao centro através de
vias radiais, intersectadas por outras concêntricas.

Planta Ortogonal — facilidade de circulação da cidade


mais “racional” dos gregos e romanos. Hoje em dia
aplica-se nas cidades modernas, mas não tem apenas
vantagens, pois os inúmeros cruzamentos obrigam a
excessiva regulação do trânsito.
FASE INICIAL DA CIDADE
Forte atração sobre a população
rural face ao aumento das funções
que desempenha.

Intenso êxodo rural, alimentado


pela criação de indústrias.

Êxodo rural facilitado com o


combóio e novas vias de
ciomunicação.

Atração, também, sobre os


imigrantes à procura de melhor
nível de vida.

Ambiente urbano insalubre devido


ao trabalho fabril, poluição e
habitação exígua.
A INFLUÊNCIA TERRITORIAL DA CIDADE

Campo
Cidade
povoação
(área urbana)

Espaço rural

A qualidade das acessibilidades (vias, transportes, tráfego) têm grande influência em:
• Dinâmicas da Urbanização;
• Suburbanização;
• Periurbanização;
• Rurbanização (desenvolvimento de aglomerados urbanos no campo)
FASE CENTRÍFUGA
A rurbanização e a localização industrial: principais vantagens
Fase centrípeta do crescimento das cidades
Serviços Trânsito intenso
Indústrias Residências
Congestionamento
Poluição atmosférica
Falta de espaços de estacionamento
Ruído
Perda de tempo
Valor do solo muito elevado

Parte mais central e acessível


da cidade
Fase centrífuga do crescimento das cidades
Tendência para o crescimento tentacular
(ao longo das vias de comunicação).
O centro da cidade vai perdendo a
função residencial para o setor terciário.

Problemas da
suburbanização

Congestionamento das vias


de acesso;
Stress e cansaço;
Perda de tempo;
Ocupação de bons solos
agrícolas;
Degradação paisagística;
Construção anárquica e
Parques industriais bairros clandestinos;
Etc.

(Ver páginas 90 e 91 do
manual escolar)
Periurbanização e rurbanização

Núcleo rural

Periurbanização

Acentuam-se os riscos de
Rurbanização
construção clandestina. As boas vias de comunicação
No PDM, este espaço não está permitem os movimentos
incluído nas áreas de pendulares para a cidade e
expansão urbana. usufruir do ambiente rural. E,
simultaneamente, atraem
atividades e postos de trabalho.
As novas cidades periféricas da cidade central

CIDADE 1

CIDADE 2

Os fluxos entre as duas cidades


acentuam-se e muitos dos
habitantes da 2ª cidade continuam a
trabalhar na cidade principal,
mostrando a diferença do peso das
funções urbanas em cada uma delas.
17
AM Coimbra
450.000 habitantes
Poder de Compra per capita (Baixo Mondego):
103,36
QUESTÕES ESSENCIAIS QUE PRECISAM DE RESPOSTAS ADEQUADAS

• Como resolver os problemas ambientais relacionados com a poluição atmosférica, o


ruído e as contaminações diversas?
• Como é possível organizar os espaços da cidade para que aumente a qualidade de
vida dos seus habitantes?
• Como garantir a construção e manutenção de infra-estruturas fundamentais?
• Como fazer face às difíceis condições de insalubridade e graves problemas de saúde
pública associados?
• Como promover a integração social perante uma tão vasta diversidade de culturas, de
etnias, de religiões e de raças?
• Como travar o envelhecimento e a desertificação humana dos centros urbanos?
• Como inverter o processo de degradação das habitações antigas e da requalificação
urbana do centro?
• Como melhorar as acessibilidades em todo o espaço urbano e muito especialmente
no centro da cidade?
• Como impedir a proliferação de bairros clandestinos e construção desordenada nos
subúrbios das grandes cidades (incluindo os bairros de lata)?
E, nesta lógica de crescimento incontrolado…
• Como contrariar e alterar a contínua concentração de actividades e população nas
principais cidades, equilibrando a malha urbana nacional?
Paula Melo
► Legislação sobre ruído (décibeis máximos)
► Ordenamento territorial e soluções técnicas (gás,
comunicações, electricidade, etc…)
Integrar nos
programas de
□ Requalificação
e
□ Renovação
□ Espaços verdes multifuncionais (lazer, atividade física, projetos educativos,...);
□ Parques e Corredores verdes (pulmões da cidade);
□ Conceitos de dispersão e densidade verde (número de árvores por rua, quarteirão,
bairro) por razões paisagísticas e ambientais (atmosfera, infiltração da água).
□ Criar mecanismos de integração profissional e de incentivo ao empreendedorismo.
□ Planear e reordenar os serviços em função das projeções demográficas.
□ Promover o desenvolvimento integrado intraregional e interregional, de modo a
evitar desperdícios, redundâncias, sobreposições e ineficiência económica.
A qualidade de vida nas cidades resulta de um cruzamento de qualidades que
contemplam não só o que se passa no espaço urbano, mas também na vida
individual e social dos seus habitantes...

A recuperação da cidade – a reurbanização – implica um crescimento


harmonioso, que traduza o desenvolvimento sustentável. Esta recuperação
visa promover:
a) A melhoria das condições de vida e de trabalho das
populações, no respeito pelos valores culturais,
ambientais e paisagísticos;

b) A distribuição equilibrada das funções de habitação,


o trabalho, a cultura e o lazer;

c) A reabilitação e a revitalização dos centros históricos


e dos elementos do património cultural classificados;

d) A recuperação ou reconversão de áreas degradadas;

e) A reconversão de áreas urbanas ilegais. PORTO


RENOVAÇÃO
URBANA

SOLUÇÕES PARA OS
ESPAÇOS URBANOS

REABILITAÇÃO REQUALIFICAÇÃO
URBANA URBANA
I – A RENOVAÇÃO URBANA
Renovação urbana consiste na demolição dos edifícios e construção de
novos imóveis, o que implica uma alteração das estruturas existentes.

Parque das Nações, em Lisboa


Conceito de Renovação Urbana
A expressão Renovação Urbana designa o rejuvenescimento de áreas urbanas
envelhecidas, degradadas ou desadequadas, através da demolição de edifícios antigos
e construção de instalações modernas a par da melhoria das infraestruturas de
transportes e outros equipamentos.
Alguns bons exemplos de renovações urbanas levados a cabo em Lisboa nas últimas
décadas são: (1) a transformação do Terminal da Carris nas Amoreiras num moderno
conjunto urbano que inclui o complexo das Amoreiras; (2) a renovação da zona
oriental, antes ocupada pelos depósitos de combustíveis das petrolíferas, numa
moderna zona habitacional, comercial e de lazer (Parque das Nações); (3) a
transformação de uma vasta zona degradada a norte da cidade numa moderna e
totalmente rejuvenescida zona habitacional (Alta de Lisboa).

Cidade de Lagos
Renovação urbana

O Parque das Nações em Lisboa é um bom


exemplo da transformação profunda
operada numa área degradada da cidade
de Lisboa.
II – A REQUALIFICAÇÃO URBANA
Normalmente, é acompanhada de
renovação, mas o objectivo é atribuir
novas finalidades e usos ao espaço
urbano.
A Requalificação Urbana
A requalificação urbana está relacionada com a adaptação, tendo em conta a
necessidade do momento, da estrutura física dos imóveis e/ou espaço urbano
para um uso diferente daquele para que inicialmente fora concebido, sem que
sofra alterações significativas.

A requalificação urbana está:

Assente numa alteração funcional dos edifícios e dos


espaços devido à redistribuição da população e das
atividades económicas;

Associada ao programa POLIS (Programa de


Requalificação Urbana e Valorização Ambiental das
Cidades).
Programa de Requalificação Urbana e Valorização Ambiental
das Cidades

Objectivos:
→ Desenvolver grandes operações integradas de requalificação
urbana com uma forte componente de valorização ambiental;
→ Desenvolver acções que contribuam para a requalificação e
revitalização das cidades e que promovam a sua multi-
funcionalidade;
→ Apoiar outras acções de requalificação que permitam melhorar a
qualidade do ambiente urbano e valorizar a presença de elementos
ambientais estruturantes tais como frentes de rio ou de costa;
→ Apoiar iniciativas que visem aumentar as zonas verdes, promover
áreas pedonais e condicionar o trânsito automóvel nas cidades.
III – A REABILITAÇÃO URBANA
Reabilitação urbana: Quando se pretende manter um bairro com todas as suas
características funcionais, melhorando as suas condições físicas, internas e externas,
dos edifícios, e há uma dinamização das atividades, de forma a tornar uma área mais
atrativa.
A Reabilitação Urbana abrange as áreas identitárias e os núcleos históricos das
cidades, procurando recuperar as construções degradadas, mas mantendo a arquitectura
original.
A REABILITAÇÃO URBANA:

Implica uma intervenção nas áreas degradadas, visando melhorar


as condições físicas do património edificado, de forma a
revitalizar a cidade, a partir do restauro ou conservação dos
imóveis e de espaços públicos;

Implica uma intervenção em que funções existentes são mantidas,


bem como o estatuto socioeconómico dos moradores;

Está associada a programas de intervenção como o PRAUD


(Programa de Recuperação de Áreas Urbanas Degradadas) e o
RECRIA (Regime Especial de Comparticipação na Recuperação de
Imóveis Arrendados).
HIERARQUIA E NÍVEIS DO PLANEAMENTO

PU
PP
O PDM é o plano integrado mais próximo dos cidadãos

Os projetos de
REABILITAÇÃO,
REQUALIFICAÇÃO e
RENOVAÇÃO, têm de ser
enquadrados pelos PMOTs,
nas diferentes escalas de
atuação.

Elementos do PDM
REGULAMENTO
PLANTA DE ORDENAMENTO
PLANTA DE CONDICIONANTES

Elementos do PU Elementos do PP
REGULAMENTO REGULAMENTO
PLANTA DE ZONAMENTO PLANTA DE IMPLANTAÇÃO
PLANTA DE CONDICIONANTES PLANTA DE CONDICIONANTES