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1- NÃO

https://draflaviaortega.jusbrasil.com.br/noticias/531419771/stj-oficina-mecanica-pode-reter-
veiculo-ate-que-haja-o-pagamento-do-servico-contratado

Segundo o STJ, em recente decisão, a oficina mecânica que realiza reparos em veículo, com
autorização do proprietário, não pode reter o bem por falta de pagamento do serviço.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.628.385-ES, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em
22/8/2017 (Info 610).

Imagine a seguinte situação hipotética: O carro de João estava apresentando problema na


injeção eletrônica. Em virtude disso, João deixou o veículo para conserto na oficina mecânica
“Boa Peça”. Após três dias, Luiz, gerente da oficina, liga para o proprietário avisando que o
automóvel estava pronto. João foi pegar o carro, mas disse para Luiz que gostaria de pagar pelo
conserto somente no mês seguinte, considerando que no momento estava sem dinheiro. Luiz
não concordou com a proposta e afirmou que somente devolveria o veículo após o pagamento
do serviço. Enquanto isso, ele permaneceria na oficina.
Luiz poderia ter feito isso? É possível reter o veículo na oficina até que haja o pagamento do
serviço?
(questão plagiada – de novo)

NÃO. Oficina mecânica que realiza reparos em veículo, com autorização do proprietário, não
pode reter o bem por falta de pagamento do serviço. STJ. 3ª Turma. REsp 1.628.385-ES, Rel.
Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 22/8/2017 (Info 610).

O direito de retenção encontra-se previsto no art. 1.219 do Código Civil:


Art. 1.219. O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis,
bem como, quanto às voluptuárias, se não lhe forem pagas, a levantá-las, quando o puder sem
detrimento da coisa, e poderá exercer o direito de retenção pelo valor das benfeitorias
necessárias e úteis.
O direito de retenção é uma das raras hipóteses de autotutela permitidas no ordenamento
jurídico pátrio, em que o particular pode exercer pessoalmente a tutela de seus interesses, sem
a necessidade da intervenção do Estado-Juiz.
Por se tratar de medida excepcionalíssima, o direito de retenção somente pode ser exercido nos
estritos termos da lei. Pela simples leitura do art. 1.219, percebe-se que o direito de retenção
somente pode ser exercido pelo possuidor de boa-fé.
No caso concreto, a oficina mecânica em nenhum momento exerceu a posse do bem. É
incontroverso que o veículo foi deixado na empresa pelo proprietário somente para a realização
de reparos. Isso não conferiu posse à oficina, pois esta jamais poderia exercer poderes inerentes
à propriedade do bem, relativos à sua fruição ou mesmo inerentes ao referido direito real
(propriedade), nos termos do art. 1.196 do Código Civil.
Dessa forma, a oficina teve somente a detenção do bem, que ficou sob sua custódia por
determinação e liberalidade do proprietário, que, em princípio, teria anuído com a realização
do serviço. Assim, a posse do veículo não foi transferida para a oficina, que jamais a exerceu
em nome próprio, mas sim em nome de outrem, cumprindo determinações do proprietário do
bem, numa espécie de vínculo de subordinação.
Em suma, a oficina não poderia exercer o direito de retenção sob a alegação da realização de
benfeitoria no veículo, pois, nos termos do art. 1.219 do Código Civil, tal providência é
permitida ao possuidor de boafé, mas não ao mero detentor do bem.
Qual a ação judicial que deverá ser proposta pelo proprietário do carro? Ação de reintegração
de posse.
2- Sim. É Possivél.

http://www.stj.jus.br/sites/STJ/default/pt_BR/Comunica%C3%A7%C3%A3o/noticias/
Not%C3%ADcias/Particular-pode-ajuizar-a%C3%A7%C3%A3o-de-
reintegra%C3%A7%C3%A3o-de-posse-de-bem-p%C3%BAblico-de-uso-comum

Um particular pode ajuizar ação de reintegração de posse para garantir seu acesso a bem público
de uso comum, segundo entendimento unânime da Terceira Turma do Superior Tribunal de
Justiça (STJ) ao julgar recurso envolvendo uma estrada vicinal no Triângulo Mineiro.

Para a relatora do caso, ministra Nancy Andrighi, o usuário que se sentir impedido ou prejudicado
na utilização de um bem público de uso comum por ato praticado por outro usuário poderá ajuizar
ação judicial para restabelecer seu direito.

No entendimento da relatora, nesse caso vale o disposto no artigo 1.199 do Código Civil, segundo
o qual, “se duas ou mais pessoas possuírem coisa indivisa, poderá cada uma exercer sobre ela atos
possessórios, contanto que não excluam os dos outros compossuidores”.

Cerca na estrada

O caso em julgamento envolvia uma ação de reintegração de posse ajuizada por moradores para
garantir passagem por uma estrada municipal na zona rural de Conceição das Alagoas, cidade a
50 quilômetros de Uberaba, no Triângulo Mineiro.

O tráfego local foi prejudicado depois que um fazendeiro modificou a cerca de sua propriedade,
invadindo parte da estrada. A Justiça mineira determinou a retirada da cerca. Inconformado, o
fazendeiro recorreu ao STJ, questionando, entre outras questões, a legitimidade dos moradores
para ajuizar ação possessória sobre um bem público.

Direito de uso

Em seu voto, a ministra ressaltou que ação de reintegração de posse foi ajuizada por comunidades
que desejam resguardar o direito de uso de estrada municipal. Em relação à legitimidade de um
usuário para ajuizar ação sobre bem público de uso comum, Andrighi argumentou que a posse
“pode ser exercida em comum, na convergência de direitos possessórios sobre determinada
coisa”.

A ministra citou doutrina jurídica segundo a qual a posse de bem público de uso comum, como
estradas e pontes, por exemplo, pode ser defendida pelo poder público ou por particulares.

“Na hipótese em exame, portanto, as recorridas (comunidades) têm legitimidade ativa para
reclamar do recorrente (fazendeiro) a interdição do esbulho que pratica sobre o bem público de
uso comum, objeto da composse”, afirmou a relatora, ao negar o recurso, decisão que foi
acompanhada pelos demais ministros da Terceira Turma.