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Resumo – O Orçamento Público – Sol Garson

O desequilíbrio fiscal, manifestado pelo crescimento da dívida pública, levou à preocupação em definir regras
de controle fiscal e rediscutir a forma de elaboração, aprovação e execução dos orçamentos públicos.

O Sistema de Planejamento e Orçamento:

O atual sistema de planejamento e orçamento adotado pela União, estados e municípios foi construído ao
longo do tempo, com base na Constituição de 1988 (CF/1988). O sistema de planejamento e orçamento compreende
três instrumentos estabelecidos por leis de iniciativa do Poder Executivo:

 Plano Plurianual (PPA)

 Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO)

 Lei Orçamentária Anual (LOA)

O PPA, a LDO e a LOA mantém estreita correspondência. O PPA de cada administração é submetido ao
respectivo legislativo e deve ser votado até o final do primeiro exercício fiscal, cobrindo o segundo, terceiro e quarto
ano desta administração e o primeiro ano da seguinte. Os LDOs e as LOAs de cada um destes 4 anos estão vinculadas
ao PPA.

Quadro

PLANO PLURIANUAL (PPA)

Instrumento de planejamento de médio prazo, que dura um período de 4 anos e é submetido ao Legislativo. O
PPA deve estabelecer, de forma regionalizada, as diretrizes, os objetivos e metas: para as despesas de capital e as que
delas decorrerem e para as despesas com programas de duração continuada. O PPA compõe-se basicamente de dois
grandes módulos : Base Estratégica e Programas

Objetivos do Plano Plurianual (PPA): 1) Organização por programas; 2) Transparência; 3) Parcerias; 4)


Gerenciamento; 5) Avaliação;

O Artigo 165 da CF/88: PPA deve estabelecer diretrizes, objetivos e metas para as ações públicas.

-> Diretrizes: dimensão estratégica do plano; “Macro-objetivos”, “eixos e diretrizes estratégicas” ou “perspectivas”;

->Objetivos: definidos para cada programa e sua concretização deve ser avaliada por indicadores;

->Metas: dizem respeito à quantidades: Quanto oferecer de bens e serviços; Quanto fazer de cada atividade; Quanto
avançar em cada projeto que se escolhe desenvolver; Etc.

O PPA deve se relacionar aos demais instrumentos de planejamento (ex.: LDO e LOA): Planos nacionais e
regionais de desenvolvimento; Planos setoriais de caráter plurianual (educação, cultura, reforma agrária, etc.). Os
investimentos que ultrapassem um exercício financeiro só podem constar da LOA, se incluídos no PPA.

Os programas que constituem o PPA são, em geral, divididos em duas categorias:

-Finalísticos: Resultam em bens ou serviços ofertados diretamente à população.

-De apoio administrativo: Ações de natureza tipicamente administrativa.


LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS (LDO)

A LDO foi uma criação da CF/88 e seu conteúdo é regulado pela CF/88 e pela Lei de Responsabilidade Fiscal
(LRF). É uma Lei Anual que define parâmetros e eventos que podem afetar as variáveis fiscais (receitas e despesas), a
serem usados na elaboração do projeto da LOA.

De acordo com o § 2º do art. 165 da CF/88, a LDO:

- Compreende as metas e prioridades, incluindo as despesas de capital para o exercício financeiro subsequente;

- Orienta a elaboração da lei orçamentária anual;

- Dispõe sobre alterações na legislação tributária; e

- Estabelece a política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento.

Ao nomear, na LDO, as metas e prioridades que orientarão a elaboração do projeto de LOA, estabelece uma
ponte entre o PPA e a LOA. O montante a ser orçado para cada ação na LOA deverá ser dimensionado pelas metas
aprovadas na LDO.

A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) agregou conteúdos à LDO: 1) equilíbrio entre receitas e despesas, a ser
pactuado entre o Executivo e o Legislativo, com uma perspectiva que supera o ano fiscal imediato; 2) critérios e
formas de limitação de empenho; 3) normas de controle de custos e avaliação de resultados dos programas.

No setor público, a despesa se realiza em três estágios: 1) o empenho, comprometendo parte do orçamento para uma
despesa específica; 2) a liquidação, quando se atesta o direito de um credor (fornecedores, salários dos servidores); 3)
o pagamento.

A partir da LRF, a LDO passou a conter: Metas e prioridades; Metas Fiscais; Riscos Fiscais.

Anexo de Metas Fiscais detalha: Metas anuais para receitas, despesas, resultado nominal e primário e o montante da
dívida pública, pra o exercício da LDO e para os dois seguintes; Evolução do patrimônio líquido; Avaliação da
situação financeira e atuarial; Demonstrativo da estimativa e compensação da renúncia de receita e da margem de
expansão das despesas obrigatórias de caráter continuado.

Anexo de Riscos Fiscais: Avalia a possibilidade de ocorrerem eventos que impactem negativamente as contas
públicas, informando as providências a serem tomadas, caso se concretizem;

Obs.: No caso da União, exige-se também um anexo com os objetivos das políticas monetária, creditícia e cambial e as
metas de inflação para o exercício subsequente.

LEI ORÇAMENTÁRIA ANUAL (LOA)

Aloca os recursos necessários às ações prioritárias apontadas na LDO. Quando aprovada contém a receita
prevista para o exercício fiscal e a despesa autorizada. A fase legislativa inclui a análise do projeto da LOA,
acompanhado por audiências públicas, a apresentação das emendas de parlamentares e sua discussão e votação do
texto final, para retorno ao Executivo.

Quadro

De acordo com a LRF, durante os processos de elaboração e discussão dos planos, da lei de diretrizes
orçamentárias e do orçamento, deverão ser incentivadas a participação popular e a realização de audiências públicas.

INSTITUIÇÕES E PRINCÍPIOS ORÇAMENTÁRIOS

Conforme North, instituições são as regras do jogo, formais ou informais (códigos de conduta, convenções
sociais). No Brasil, algumas instituições orçamentárias são normalmente referidas como “Princípios orçamentários” ,
apresentados como regras que se aplicam, sobretudo, à elaboração e execução do orçamento.
Quadro

Pelo § 5º do art. 165 da CF/88, a LOA compreende:

I. O orçamento fiscal; II. O orçamento de investimento das empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha
a maioria do capital social com direito a voto; III. O orçamento da seguridade social.

CLASSIFICAÇÃO ORÇAMENTÁRIA

Quadro

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A LRF dedica grande atenção à execução orçamentária e seu controle, não apenas estabelecendo regras na
LDO, como visto, como exigências de programação das receitas e despesas. Assim, até 30 dias após a publicação da
LOA, cada ente deve publicar suas metas bimestrais de arrecadação e cronograma de desembolso mensal.

A cada bimestre: Relatórios Resumidos de Execução Orçamentária (RREO) → comparação de receitas previstas e
despesas autorizadas, aferição dos resultados primário e nominal, etc.;

A cada quadrimestre: Relatório de Gestão Fiscal (RGC) → acompanhamento da despesa de pessoal, grau de
endividamento, etc.