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2º ANO 1º SEMESTRE

Contabilidade Financeira I

Unidade III

Estudo das Letras

Instituto Superior Monitor


Maio 2010
Copyright
Este manual é propriedade do Instituto Superior Monitor (ISM), sendo que todos os direitos
para o seu uso, por estudantes e docentes, lhe estão reservados. É proibido fazer cópias ou
usar este material sem autorização prévia do ISM.
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Índice

Unidade III: Estudo das Letras 3


Introdução .......................................................................................................................... 3
Noções Gerais .................................................................................................................... 4
Operações com Letra ............................................................................................... 4
Saque .............................................................................................................. 4
Aceite .............................................................................................................. 5
Desconto ......................................................................................................... 5
Reforma .......................................................................................................... 7
Recâmbio ........................................................................................................ 9
Protesto ........................................................................................................... 9
Tipos de Letras ................................................................................................................ 10
Letras a Receber ..................................................................................................... 10
Saque ............................................................................................................ 11
Endosso......................................................................................................... 11
Desconto ....................................................................................................... 12
Reforma ........................................................................................................ 14
Recâmbio da Letra ........................................................................................ 20
O Protesto ..................................................................................................... 23
Letras a Pagar ......................................................................................................... 29
Aceite ............................................................................................................ 29
Pagamentos (Cobrança) ................................................................................ 30
Reforma ........................................................................................................ 31
Estudo da Conta 4.2. Empréstimos Obtidos .................................................................... 33
Noções Gerais ........................................................................................................ 33
Movimentação Contabilística ................................................................................ 34
Empréstimos Obrigacionistas ................................................................................ 36
Emissão .................................................................................................................. 37
Subscrição .............................................................................................................. 40
Liberação ................................................................................................................ 41
Amortização de Obrigações ................................................................................... 42
Sumário............................................................................................................................ 43
Bibliografia ...................................................................................................................... 43
Trabalho ........................................................................................................................... 44
Avaliação ......................................................................................................................... 49

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Unidade III: Estudo das Letras
Introdução
Caro Estudante! Seja Bem-Vindo(a) à Unidade 3 da disciplina de Contabilidade
Financeira I do ISM! A disciplina de Contabilidade Financeira está dividida em
quatro unidades. Estas notas de ensino constituem a terceira unidade. O discente é
proposto a usar 32 horas para o estudo desta unidade distribuídas da seguinte
forma:
 Tempo para leitura da unidade: 20 horas;
 Tempo para trabalhos de pesquisa: 8 horas;
 Tempo para realização de exercícios práticos: 2 horas; e
 Tempo para realização da avaliação (teste): 2 horas.
Os exercícios e trabalhos práticos servem para o discente consolidar o
conhecimento dos tópicos apresentados nesta unidade. Estes trabalhos não são
submetidos ao Instituto Superior Monitor. O Instituto Superior Monitor fornece as
soluções dos trabalhos de auto-avaliação para lhe ajudar nos estudos. Mas Atenção
Caro Estudante, você deve resolver os exercícios de auto-avaliação antes de
consultar as soluções fornecidas. A avaliação deve ser submetida ao Instituto
Superior Monitor até ao dia 01 de Junho de 2010.

Especificamente, esta unidade compreende dois temas nomeadamente, Estudo da


Letras e Estudo dos Empréstimos obtidos. Ao terminar o estudo desta unidade o
estudante deve ser capaz de:
• Conhecer os diversos tipos de letras, sua origem e a contabilização das
diferentes operações relacionadas com as letras;
• Dominar os aspectos relativos aos Empréstimos obtidos.

No caso de dúvidas sobre o material desta unidade, por favor contacte o seu tutor
através do e-mail monitor.ism@gmail.com. Também poderá contacta-lo por
telefone ou telemóvel cujos números são disponibilizados pelo departamento de
Apoio ao Estudante.
Vamos de seguida apresentar os conteúdos da unidade.

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Noções Gerais
A letra, é um título de crédito através do qual uma determinada pessoa ou entidade
(o sacador) ordena a outrem (sacado) o pagamento de uma certa importância (valor
nominal da letra), a si ou a outra pessoa ou entidade (tomador), numa determinada
data (vencimento). O sacador corresponde, normalmente, ao credor enquanto que o
sacado corresponde ao devedor. A letra para produzir efeitos deve conter os
seguintes elementos essenciais:
 A palavra letra escrita no próprio título;
 O mandato de pagar uma certa quantia;
 O nome da entidade que a deve pagar;
 O nome da entidade a quem ou ordem de quem deve ser paga;
 Indicação da data em que é sacada;
 Assinatura de quem passa a letra (sacador).
Há outros requisitos não essenciais, tais como:
 Época de pagamento;
 Lugar de pagamento;
 Lugar onde a letra foi emitida.
Para uma maior quantia de pagamento da letra é normalmente prestado o aval. Este
corresponde a uma certa garantia de pagamento dada por um terceiro, ou mesmo
um signatário da letra a favor de um dos seus intervenientes. Quando não é
mencionado o interveniente a favor do qual se dá o aval, considera-se como sendo
dado pelo sacador. O dador de aval, designa-se avalista e as responsabilidades do
avalista são transferidas a pessoa por ele afiançada se for o caso.

Operações com Letra


A letra, à semelhança de outros títulos de crédito, está sujeita a um conjunto de
operações, que são: saque, endosso, desconto, reforma, recâmbio e protesto.

Saque

É a ordem de pagamento, isto é, corresponde à emissão da própria letra. Sacar uma


letra consiste em emiti-la, ou seja, em ordenar a alguém (sacado) o pagamento de
uma certa quantia na data de vencimento da letra. Sendo assim, o saque é efectuado
pelo sacador. Na emissão de uma letra, os intervenientes poderão optar por uma
letra vulgar ou domiciliada. Considera-se letra domiciliada quando é paga na Sede,
Agência ou Dependência de qualquer instituição bancária, por crédito da conta de
depósitos e à ordem do aceitante. Para tal, deverá escrever na face da letra não só o
nome do banco e respectiva agência ou dependência onde se pretenda o pagamento,
como também o número da conta e simultaneamente deverá autorizar o Banco a
fazer o pagamento da letra por crédito desta conta. A letra domiciliada além da
vantagem que apresenta no acto de pagamento, proporciona menores taxas de
comissões de cobrança.

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Endosso: Consiste na transmissão da letra a outrem pelo tomador ou portador.
Apenas podem ser transmitidas, por endosso, as letras que contenham cláusula à
ordem, isto é, quando forem títulos à ordem. A entidade que transmite a letra por
endosso designa-se endossante e aquela pessoa que a recebe designa-se por
endosso, chama-se endossado. A transmissão por endosso corresponde ao
pagamento de uma dívida por meio de letra, daí que o endossado seja, geralmente,
credor do endossante. O endossante fica obrigado perante os endossados
posteriores. Para se efectuar o endosso basta inscrever no verso da letra a expressão
pague-se a “F” (onde F é o nome do endossado) ou à sua ordem, seguida da
assinatura do endossante. Aparecendo apenas o endossante, o endosso diz-se em
branco.

Aceite
O aceite é dado pelo sacado e consiste na declaração da responsabilidade deste pelo
pagamento da letra na data de vencimento. Tal declaração de responsabilidade
consiste apenas na assinatura do sacado na face da letra. Após ter aceite a letra, o
sacado passa a designar-se aceitante, sendo responsável pelo pagamento da letra na
data de vencimento.

Desconto

O desconto das letras faz-se nos bancos comerciais e consiste numa realização
antecipada do seu valor, ou seja, possibilita ao portador realizar o valor da letra
antes da data do seu vencimento, pagando-se, para tal, os juros e encargos relativos
ao período compreendido entre a data da apresentação a desconto e a data de
vencimento. Muitos autores designam desconto aos referidos encargos, isto é, o
valor que a instituição de crédito vai deduzir ao valor nominal do título. O desconto
apresenta uma grande vantagem para o credor (portador e, normalmente, sacador)
visto que possibilita a transformação da letra em dinheiro (meios líquidos) que
doutra forma não conseguiria. São da responsabilidade do aceitante os encargos de
desconto.

Também para o devedor apresenta vantagens visto que consegue assim créditos que
doutra forma não alcançaria. De facto o desconto resulta, na prática, num
empréstimo a curto prazo concedido pela instituição de crédito ao aceitante ou
devedor limitando-se este ao pagamento dos encargos ao portador ou sacador e ao
reembolsar o valor nominal na data de vencimento.

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Os encargos normalmente suportados pelo desconto de letras são os seguintes:
 Juros: incidem sobre o valor nominal da letra e são calculados com
base no período compreendido entre a data de desconto e a data de
vencimento da letra, mais dois dias (prazo para apresentação à
cobrança);
 Comissão de cobrança: incide sobre o valor nominal da letra;
 Imposto: incide sobre o juro e a comissão de cobrança e corresponde
à arrecadação por parte do banco, para posterior entrega ao Estado;
 Outras despesas: engloba despesas diversas tais como portes,
telefonemas, e outros.
O portador apresenta a letra para desconto, que poderá ser ou não aceite pelo
Banco. Quando o desconto é aceite, é lhe depositado na conta depósitos à ordem, o
valor nominal da letra deduzido de todos encargos referidos acima. O remanescente
designa-se por valor líquido de desconto ou líquido produto de desconto. Não
havendo nada estipulado em contrário, o portador deverá debitar e cobrar do
aceitante as despesas que lhe foram deduzidas pelo banco, devendo exigir
documento comprovativo (nota de desconto do banco) de tais encargos.
Sejam:
Vn – valor nominal da letra para desconto;
i – taxa de juro praticada;
n – prazo (em dias) que falta para o vencimento;
t – taxa de comissão de cobrança;
Vo – valor actual ou líquido de desconto;
I – imposto
D – outras despesas (portes, telefones), etc.).
A fórmula para calcular o valor líquido de desconto é:
  i ( n + 2)  
Vo = Vn 1 −  + t 1,09 − D
  36500  
A expressão acima permite-nos determinar o valor líquido de desconto
directamente a partir dos restantes elementos. Os encargos do desconto são dados
pela diferença: Vn – Vo.

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Exemplo:
Calcule o produto líquido de uma letra de 30 000,00, descontada no Banco, 38 dias
antes do seu vencimento, à taxa de 10,25%, com os seguintes encargos: prémio de
transferência 0,875%, imposto 3% e portes no valor de 5,00.
Resolução:
1 – Cálculo
Desconto:
Vn = 30 000,00
n = 38 +2 dias = 40 dias
i = 10,25%
Encargos:t =0, 875%
Impostos = 3%
Portes = 5, 00
30000,00 * 40 * 10,25
D= = 337,00
36500
Transferências (t) = 0,00875 x 30 000,00 = 262,50
Impostos (I) = 0,003 x (337,00 + 262,50) = 18,00
Portes = 5,00
Produto Líquido = 30 000,00 –(337,00 + 262,50 + 18,00 + 5,00) = 29 377,50

Reforma

A reforma consiste na substituição de uma letra por outra(s) com vencimento


posterior. Esta operação, muito frequente, deve-se ao facto de o aceitante não poder
liquidar, no todo ou em parte, o valor nominal da letra na data de vencimento. Duas
situações podem ocorrer numa reforma:
1) O aceitante paga uma parte do valor nominal da letra antiga, aceitando
uma nova letra pelo restante valor: reforma parcial
2) O aceitante substitui a letra antiga, na sua totalidade, por uma nova, não
pagando qualquer valor respeitante a letra anterior: reforma total.
Aquando da reforma, ao aceitante são debitadas não só as despesas verificadas com
a operação (portes de devolução, selos, impressos, e outros) como também todos os
encargos bancários a suportar pelo desconto da nova letra. Relativamente aos
encargos bancários, a taxa de juro é estabelecida, tomando como base não só o
prazo da nova letra, mas sim o que decorre entre a sua data de vencimento e a data
da operação inicial, isto é, a data de saque da primeira letra. Tal procedimento
origina a utilização de uma taxa superior e, consequentemente, o agravamento dos
encargos da reforma. Tais encargos são, muitas vezes, debitados pelo sacador na

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data de vencimento da letra reformada, podendo ser calculadas segundo duas bases
distintas:
i) Encargos não incluídos no valor nominal da nova letra;
Sejam:
Vo – valor actual, ou o valor a reformar;
Vn – valor nominal da nova letra = Vo;
i – taxa de juro;
n – prazo, em dias, do vencimento da nova letra;
t – taxa de comissão de cobrança;
I – imposto;
D – outras despesas (portes, telefones, etc.).
Os encargos a pagar pelo aceitante na data da reforma, serão:
 i ( n + 2) 
Enc arg os = Vo + t I + D
 36500 
ii) Encargos incluídos no valor nominal da nova letra.
Vo + D
Vn =
 i (n + 2) 
1−  + tI
 36500 
A expressão acima permite-nos determinar o valor nominal da nova letra. Os
encargos a debitar ao aceitante ser-nos-ão dados pela diferença: Vn – Vo.
Exemplo:
Reformou-se uma letra de 20 000,00, a 60 dias a uma taxa de juro de 12% e do
imposto a taxa de 3% , o ano é comercial, isto é, em vez de 365 dias, tem 360 dias.
Calcular o valor da nova letra.
Resolução.
Sendo:
Vo = valor actual da letra a reformar = 20 000,00
Vn = valor nominal da nova letra =?
i = 12%
Imposto (I) = 3%
Teremos, então:
Juros = (0,12 x 20000,00 x 60) /360 x 100 = 400,00
Impostos = 0,03 x (400,00) = 12,00
Vo + D
Vn =
12(60 + 2) 
1−  + 0 * 0,03
 3600 

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Recâmbio
A letra é apresentada, no vencimento, ao aceitante para que este proceda ao seu
pagamento, isto é, efectua-se a sua cobrança. No entanto, duas situações podem
ocorrer:
i) O aceitante paga a letra terminando, assim, a suam vida e função;
ii) O aceitante recusa-se ao pagamento da letra, sendo esta devolvida ao
sacador, por incobrabilidade. Tal devolução por falta de pagamento
constitui recâmbio:
O recâmbio de letras não cobradas comporta sempre despesas que devem
ser debitadas ao aceitante, na sua totalidade, se a responsabilidade de tal
facto lhe ser incumbida.

Protesto

O protesto consiste numa acção levada a cabo pelo portador da letra, motivada
pela falta de pagamento. O protesto acarreta custos. Todos estes custos do
protesto deverão ser responsabilizados ao aceitante ou devedor. Todos os
custos, assim como o valor nominal da letra, são lançados a débito na conta
Clientes de cobrança duvidosa.

Depois de termos descritos as fases da letra, em seguida vamos sumarizar as


características físicas de uma letra.
 A estrutura de uma letra é semelhante ao extracto de uma factura,
sendo diferentes, essencialmente, em dois aspectos, a saber: a
factura só pode ser emitida sobre as dívidas resultantes de
transacções correntes, isto é, mercadorias ou outros produtos;
 A factura não pode ser reformado por outro extracto de factura, mas
apenas por uma letra.

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Tipos de Letras

As letras subdividem-se em letras a receber e letras a pagar.

Letras a Receber

Incluem as dívidas de clientes que estão representados por títulos ainda não
vencidos. As letras a receber são lançadas na Conta Clientes – Títulos a receber
(conta 1.3.2 apresentada abaixo). Esta subconta pertence a conta 1.3. Conta
Clientes. Ela é constituída por dois membros: membro esquerdo – Débitos e
membro direito – Créditos (figura abaixo).

1.3.2. Clientes - Títulos a receber

Débito Crédito
Saques Endosso a terceiros
Endosso de terceiros Desconto
Reforma (anulação)
Cobranças
Protestos (letras em carteira

Como podemos ver na figura acima, no membro esquerdo (débitos) temos, saques
e endossos de terceiros. Isto significa que todos valores nominais dos saques da
nossa empresa e todos endossos de letras que a nossa empresa recebe colocamos a
débito nesta conta. No membro direito (créditos) temos os endossos a terceiros,
descontos, reformas (anulações), cobranças e protestos. O mesmo que dizer que,
todos endossos que a empresa faz a terceiros, todos descontos que efectuamos no
banco, todas reformas das letras antigas e todas as letras em protesto devem ser
colocados a créditos nesta conta, porque representam uma diminuição do valor dos
títulos em poder da empresa.

Agora que já conhecemos a estrutura da conta 1.3.2. Clientes – Títulos a receber,


incluindo todos seus elementos, vejamos de seguida a movimentação contabilística
de todas aquelas operações que vimos anteriormente, nomeadamente, o saque, o
endosso, o desconto, a reforma, o recâmbio e o protesto.
Para melhor entendermos este processo vamos usar alguns esquemas elucidativos
sobre a movimentação contabilística destas contas e não só, mas também vamos
recorrer a algumas abreviaturas para indicarmos os diferentes valores.

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Saque
Saque consiste na emissão de uma letra por parte da uma determinada empresa. Na
prática significa que a empresa está substituir a dívida corrente do cliente por uma
dívida representada por título. Vejamos qual é a movimentação contabilística desta
operação no esquema abaixo. Seja: Vn – valor nominal da letra, isto é, o valor em
dívida que aparece escrito na letra. Teremos, pelo saque, o lançamento:

1.3.2. Clientes - Títulos a receber 1.3.1. Clientes c/c

Vn Vn

Aqui estamos a ver o seguinte: quando uma empresa emite uma letra a um cliente
(saque), a empresa está a transformar a dívida do cliente de corrente (normal) para
uma dívida representada por um título (letra). Deste modo, temos que anular a
dívida corrente do cliente na conta 1.3.1. Clintes c/c (creditando esta conta) e
colocamos o valor nas dívidas representadas por títulos na conta 1.3.2. Clientes –
títulos a receber (debitando o valor em dívida nesta conta).

Endosso

Como já vimos na definição, o endosso consiste em passar o direito de receber o


valor da letra em dívida que a nossa empresa tem direito a uma outra entidade ou
pessoa. Na escrita (conta) do endossante, isto é nossa empresa (Conta 1.3.2
Clientes títulos a receber), verifica-se uma saída (diminuição) de letras a receber
(veja a figura abaixo). Mas isso não significa que a dívida que o cliente tem com a
nossa empresa tenha terminado. Por isso, temos que debitarmos a conta cliente
(Conta 1.3.1 Clientes c/c) como forma de mostrarmos que a dívida antes do cliente
pagar ao endossado (entidade ou outra pessoa que a nossa empresa passou o direito
de receber o valor da letra), a dívida continua pendente. O esquema abaixo ilustra
os lançamentos a serem efectuados pela empresa.

1.3.2. Clientes - Títulos a receber 1.3.1. Clientes c/c

Vn Vn

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Este esquema mostra-nos que temos que retirar o valor da letra que entregamos da
nossa conta Clientes – títulos a receber e devolvemos este valor no conjunto das
dívidas correntes, isto é, na conta Clientes c/c. Fazemos isso para mostrarmos que
apesar do letra não estar conosco, o cliente ainda tem dívida perante a nossa
empresa.

Na escrita do endossado (da pessoa que recebe a letra), verifica-se uma entrada
(aumento) de letras a receber que vai originar o seguinte lançamento. Isto e, temos
que debitar a conta 132 – Clientes – títulos a receber pelo valor nominal da letra e
debitamos a conta 131 – Clientes cc pelo mesmo valor.

1.3.2. Clientes - Títulos a receber 1.3.1. Clientes c/c

Vn Vn

Aqui estmos a ver que a pessoa que recebe a letra, debita o valor da letra na sua
conta Clientes – títulos a receber, como forma de mostrar que a seu valor de títulos
aumentou. Mas não pára por aí, ele credita (anula) a dívida do seu cliente para não
duplicar a dívida. Note que na contabilidade, o endosso só acontece se uma das
partes é devedora da outra, por isso tem que se creditar na conta conta Clientes c/c.

Desconto
O desconto na letra, significa ir ao banco pedir o adiantamento do valor da letra. O
banco não entrega todo valor nominal ao sacador, desconta uma certa importância
pelos serviços prestados e pela antecipação do valor.
Nesta operação o lançamento é muito simples. Debitamos a conta 12 – Bancos,
creditamos a conta 131 – Clientes cc (creditamos) e a conta 68 – Custos e perdas
financeiras – Desconto de títulos (debitamos).
Para melhor percebermos a movimentação contabilística desta operação, vejamos o
esquema abaixo.

12
Sejam:
Vn – valor nominal da letra descontada (o valor em dívida)
E – encargos do desconto (juros, comissões de cobrança, impostos, portes e outras
despesas), o valor que o banco nos desconta do valor em dívida.
Vo – valor actual ou líquido de desconto (o valor que temos a receber depois dos
descontos do banco) V0 = Vn – E

12 Bancos 131 Clientes c/c


Vo Vn

68 C. perdas finan.
E

Quando fazemos o desconto no banco, temos antes de mais, que anular a dívida de
clientes, isto é, considerarmos que o cliente já pagou. Em seguida temos que lançar
o valor líquido de desconto na nossa conta bancária, isso se o valor for depositado
na nossa conta, se recebermos em mão temos que lançar na conta caixa. Todas
despesas incorridas neste processo, são chamados de custos financeiros, por isso
temos que lançar na conta de custos financeiros relacionados com desconto de
títulos (conta 6.8 – Desconto de títulos).
De uma forma sintética, o que fazemos e o seguinte: debitamos a conta 12
Bancos/11 Caixa pelo valor liquido (Vo), debitamos a conta 68 – Custos e perdas
financeiras e, finalmente, creditamos a conta 131 – Clientes c/c.
No comentário acima, nós assumimos que os encargos de desconto são pagos por
nós. Mas pode se dar o caso de ser o nosso cliente a pagar. Neste caso temos que
transferir os custos assumidos para a conta do cliente. Para tal, temos que creditar
a conta 6.8.1.5. Descontos de títulos em contrapartida debitamos a conta 1.3.1.
Clientes c/c (veja figura abaixo).
6.8.1.5. Desconto de Títulos 1.3.1. Clientes c/c
Débito Crédito Débito Crédito
E E

13
Exemplo:
Calcule o produto líquido de uma letra de 30 000,00, descontada no Banco, 38 dias
antes do seu vencimento, à taxa de 10,25%, com os seguintes encargos: prémio de
transferência 0,875%, imposto 3% e portes no valor de 5,00.
Resolução:

1 – Cálculo
Desconto:
Vn = 30 000,00
n = 38 +2 dias = 40 dias
i = 10,25%
Encargos:
Transferências = 8,75%
Impostos = 3%
Portes = 5,00
30000,00 * 40 * 10,25
D= = 337,00
36500
Transferências = 0,00875 x 30 000,00 = 262,50
Impostos = 0,003 x (337,00 + 262,50) = 18,00
Portes = 5,00
Produto Líquido = 30 000,00 –(337,00 + 262,50 + 18,00 + 5,00) = 29 377,50
Este exemplo é só para estarem abalizados no assunto, mas é tratado com maior
profundidade na disciplina de Matemática financeira

Reforma

Reforma de uma letra, como vimos na secção de conceptualização, consiste em


substituir uma letra por outra de vencimento posterior. Esta reforma (substituição),
pode ser total ou parcial.
Reforma parcial – ocorre quando na data do vencimento da letra actual, o cliente
paga uma parte do valor nominal da letra e pede outra letra pelo valor
remanescente.

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Na reforma parcial, devemos considerar três momentos para efeito de registo
contabilísticos:
• Pedido de reforma por parte do cliente. Essa operação acontece quando na data
de vencimento da letra (data que o devedor devia pagar a sua dívida) ele não é
capaz de pagá-la e pede para se substituir a letra vencida por outra com
vencimento para uma data posterior. Sendo aceite, irá originar o lançamento de
anulação da letra que atingiu a data de vencimento;
• Se amortizar uma parte do valor da dívida, deve se efectuar o lançamento de
correspondente entrada de fundos;
• Emissão da nova letra, com ou sem encargos incluídos, a que corresponderão
lançamentos correntes de saque e de encargos.
i. Dizemos com os encargos incluídos quando, na nova letra, para
além do valor nominal da letra (valor em dívida) incluem-se
também as despesas da reforma:
ii. Sem encargos incluídos, significa que o cliente na data da
reforma prefere pagar as despesas de reforma e a nova letra é
emitida apenas com o valor nominal da dívida.

Consideremos, então, algumas abreviaturas para melhor percebermos este


fenómeno:
• Vo – Valor nominal da letra a reformar, isto é, da letra que atingiu o seu
vencimento.
• A – parte do valor nominal (Vo) pago pelo aceitante (devedor).
• E2 – encargos da nova letra (debitados separadamente ao aceitante;
• E1 – encargos incluídos na nova letra,
• Vn1 – valor nominal da nova letra, sem incluir os encargos. Será Vn1 = Vo –
A;
• Vn2 – valor da nova letra, incluindo, encargos. Será Vn2 = (Vo – A) + E1
O movimento contabilístico, em esquema, será o seguinte:

Pela amortização da parte “A” do Vo.


Se o cliente não pedir a reforma, pagando prontamente a sua dívida, temos que
debitar a conta 11 - Caixa/12 -Bancos como forma de mostrarmos a entrada de
fundos nos nossos cofres ou na nossa conta bancária e, em contrapartida, temos que
anular a dívida do cliente, creditando a conta 1.3.1- Clientes c/c. Para melhor
perceber o que foi dito neste trecho, presta atenção ao esquema abaixo.

15
1.1. Caixa ou 1.2.1. Dep. Ordem 1.3.1. Clientes c/c
Débito Crédito Débito Crédito
A A

Como pode verificar, aqui movimentam-se duas contas apenas. Debitamos a conta
11 Caixa/ 12 Bancos o valor liquido de desconto e creditamos a conta Clientes c/c
pelo mesmo valor.

Pela emissão ou saque da nova letra (sem encargos incluídos)

Como vimos na conceptualização desta matéria, a reforma de uma letra, consiste


em substituir uma letra vencida por outra com vencimento a posterior. Esta
operação de reforma tem alguns encargos (custos). Estes custos podem ser
incluídos na nova letra (fazendo parte do valor nominal da nova letra) ou podem
não ser incluídos na nova letra. Nestes casos, os encargos incluídos na conta
corrente do cliente. Em seguida vamos ver como são feitos os lançamentos quando
a reforma é feita sem incluir os encargos na nova letra. Especificamente vamos
demonstrar os lançamentos relativos aos encargos e ao saque.

a) Pelos encargos: na emissão da nova letra, se os encargos (E1) não forem


incluídos na nova letra, temos que acrescentar (debitar) o valor dos encargos na
conta cliente (Conta 1.3.1 Clientes c/c) em contrapartida creditarmos na conta 7.8.6
– Ganhos de Títulos negociáveis. Isto significa que os encargos de reforma de letra
são um ganho para nós.

1.3.1 Clientes c/c 7.8.6. Ganhos a. De Títulos negociaveis


Débito Crédito Débito Crédito
E1 E1

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b) Pelo saque: quanto ao valor nominal da nova letra (Vn1), isto é, pelo novo
saque da nova letra (emissão de nova letra), debitamos (acrescentamos) a conta
1.3.2 – Clientes – título a receber e diminuímos (creditamos) a conta 131 – Clientes
c/c (esquema abaixo)

1.3.2. Clientes - Títulos a receber 1.3.1. Clientes c/c


Débito Crédito Débito Crédito
Vn1 Vn1

Com Encargos Incluídos


Quando os encargos estão incluídos, a operação de reforma toma outro rumo.
Vejamos os dois esquemas abaixo para melhor esclarecermos o que acontece na
contabilização dos encargos e do valor da nova letra.

a) Pelos encargos: como já referimos nos parágrafos acima, quando se trata de


letras a receber, os encargos de reforma de letras são ganhos para a empresa e são
custos para o cliente. Neste caso, temos que debitar a conta 1.3.1 – Clientes c/c
pelo valor dos encargos de reforma (E2) e creditamos a conta 786 – Proveitos e
ganhos de títulos negociáveis pelo mesmo valor.
1.3.1 Clientes c/c 7.8.6. Ganhos a. De Títulos negociaveis
Débito Crédito Débito Crédito
E2 E2

b) Pelo saque: a nova letra terá um valor nominal correspondente do valor nominal
da letra reformada, deduzido da parte que foi amortizada (se for o caso) incluindo
os encargos de reforma, isto é: Vn2 = Vo – A + E1. Contabilisticamente,
debitamos a conta 132 – Clientes – Títulos a receber pelo valor nominal da nova
letra (Vn2), e creditamos a conta 1.3.1 – Clientes c/c pelo mesmo valor.

17
1.3.2 Clientes - Títulos a receber c/c 1.3.1. Clientes c/c
Débito Crédito Débito Crédito
Vn2 Vn2

Posto isso, melhor avaliarmos a nossa assimilação da matéria com este exemplo:
Exemplo:
Joaquim Furtado de Maputo, no passado dia 10 de Janeiro foi contado por José
Pires, Lda., para reformar o seu saque n. 67 nas seguintes condições:
• Reforma total da letra no valor de 500 000,00, por outra de 90 dias,
incluindo:
i. Juros à taxa de 18%;
ii. Portes no valor de 80,00
iii. Comissões, 0,5%
iv. Imposto do selo da letra 2 000,00
Tarefa:
a) Calcular o valor do novo saque;
b) Registar as operações no Diário e nos Ts.
Resolução:
Vo * n * i
a) Juros =
36500
500000,00 * 92 * 18
J =
36500
J = 22 685,00
0,5 * 500000,00
Comissão = = 2500,00
100
Imposto de selo = 2 000,00
Logo: Valor nominal da nova letra.
= 500 000,00 + 22 685,00 + 2 500,00 + 80,00 + 2 000,00
= 527 205,00

18
Lançamentos:
Contas Movimentadas Valor
Auxiliar Total
Maputo, 10 de Janeiro de 2010
1.3. Clientes
1.3.1. Clientes c/c 500 000,00
a 1.3. Clientes
1.3.2. Clientes, c/ letras a receber
pela anulação da letra n. 67 de J. Pires, Lda.
1.3. Clientes
1.3.1. Clientes c/c 27 205,00
a 7.8.Proveitos e ganhos financeiros
7.8.6. Outros proveitos e ganhos financeiros
pelos encargos da reforma
1.3. Clientes
1.3.2. Clientes, c/ letras a receber 527 205,00
a 1.3. Clientes
1.3.1. Clientes c/c
pelo saque da nova letra

Lançamento nos Ts.

19
1.3.1. Clientes. c/c 1.3.2. Clint. Tít. a receber
500 000, 00 527 205,00

7.8.6. Out. prov. Rec. financeiras

27 205, 00

Neste exemplo podemos ver que no saque da nova letra, creditamos a conta 1.3.1 -
Clientes c/c e debitamos a conta 1.3.2 - Clientes títulos a receber e creditamos a
conta 786 - Proveitos e ganhos financeiros também em contrapartida da conta 1.3.2
- Clientes títulos a receber.

Recâmbio da Letra
Devolução de uma letra por falta de pagamento e que havia sido, ou não,
descontada envolve sempre o débito, por parte da instituição de crédito dos portes e,
eventualmente, de outras despesas.
No recâmbio da letra, podemos ter duas hipóteses:
A primeira hipótese: devolução da letra que tínhamos descontado no banco, isto é,
já tinha levantado o dinheiro no banco em troca da letra.
A segunda hipótese: a letra foi devolvida antes de levantarmos do dinheiro no
banco, isto é, não foi aceite no banco.
Seja então:
Vn – valor nominal da letra recambiada
D – despesas de recâmbio (portes e outras)
n – número de dias que vai do saque da letra até ao recâmbio.

20
A letra devolvida pode ter duas hipóteses possíveis:
i) A letra tinha sido descontada no Banco (o banco já tinha nos passado o
dinheiro em troca da letra):
Neste caso, a letra é devolvida quando na data que o cliente devia pagar a
sua dívida, ele não o faz. Neste caso o banco nos devolve a letra e nós
somos obrigados a devolver o dinheiro que tínhamos levado
adiantadamente ao banco.
Nesta operação temos que debitar a conta 131 – Clientes c/c e debitamos a
conta 12 – Bancos.

1.3.1. Clientes c/c 1.2.1. Depósitos a ordem


Vn+2 Vn+2

No desconto de letra nós vimos que a há uma entrada do valor na nossa conta 1.2.
Banco e diminuimos as dívidas na conta clientes – títulos a receber. Aqui a situação
é inversa: estamos a notar que a nossa conta banco vai sofrer uma diminuição
creditada) resultante do valor que temos que tirar para devolvermos ao banco.
Como dissemos, atrás o recâmbio é resultante da falta de pagamento do cliente, por
isso temos que activar a dívida do cliente que tinhamos anulado no dia de disconto,
debitando a conta 1.3.1. Clientes c/c.

ii) A letra estava em carteira mas havia sido enviada à cobrança através do
Banco (o banco não aceitou nos passar o dinheiro):
Isso é resultado de falta de confiança do banco perante o cliente devedor
(aceitante da letra em questão).
Neste caso temos que cancelar a letra, creditando a conta 132 – Clientes –
títulos a receber e colocamos a dívida na conta correntes do cliente
(debitando a conta 1.3.8. clientes cobrança duvidosa, porque já não temos
plena confiança de recuperar este valor devido.
Este processo não é de graça, tem alguns custos que devem ser suportados.
Todos encargos (custos) desta operação são descontados na nossa conta
pelo banco ou pagámos em dinheiro. Como a culpa não é nossa, como
empresa, temos que debitar a conta 1.3.8 – Clientes cobranças duvidosas
pelo valor descontado e pelo valor nominal da letra. Creditamos a conta 132
– Clientes – Títulos a receber pelo valor nominal da letra e creditamos
também a conta 1.2.1 – Bancos pelo valor descontado (figura abaixo).

21
1.3.8. C. cob duvid 1.3.2. Clientes T. a receber

Vn +D Vn

1.2.1. Depósito a ordem

Como se pode ver, os encargos deverão ser sempre debitadas directamente ao


cliente.

Vejamos de seguida um exemplo que pode nos ajudar a fixar alguns conceitos
sobre recâmbio de letra:
Foi recambiada uma letra por falta de pagamento com um valor nominal de 24
000,00. As despesas de recâmbio no Banco ascenderam aos 252,00. Fazer o
lançamento no diário e no razão esquemático.

Lançamento no Diário

Contas Movimentadas Valor


Auxiliar Total
1.3. Clientes
1.3.3. Clientes cobrança duvidosa 24 252,00
a Diverso
a 1.3. Clientes 24 000,00
1.3.2. Clientes, c/ letras a receber
a 1.2. Bancos 252
1.2.1. Depósito à ordem
pelo recâmbio da letra e respectivas despesas

22
Nos Ts, teremos:
1.3.2. Clint.Títu. a receber 1.3.8. Clint. Cob. Duviid

24 000,00 24 252,00

1.2.1. Dep. a ordem


252,00

Neste exemplo estamos a ver que o valor nominal da letra (valor da dívida) de 24
000,00 foi debitado na conta 132 – Clientes – títulos a receber, o valor de desconto
foi creditado na conta 121 – Bancos e finalmente debitamos a conta 138 – Clientes
cobrança duvidosa o valor nominal da letra e o valor dos encargos.

O Protesto
Como vimos na definição é processo praticamente judicial. Surge na sequência de
falta de pagamento por parte do cliente. Como qualquer outro processo judicial
acarreta encargos processuais.
Tal como no recâmbio, também as despesas de protesto devem ser debitadas
directamente ao cliente. Como o protesto corresponde a uma acção judicial movida
sobre o cliente para recebimento do seu débito, consideramos que por tal facto, o
cliente deverá ser de cobrança duvidosa, daí o interesse em ser transferido o seu
valor corrente para a conta 1.3.8. Clientes de cobrança duvidosa se tal
procedimento ainda não tivesse sido adoptado.

23
Lançamento:

i) Pelo protesto de letra em carteira:


1.3.1. Cliente c/c 1.3.2. Clientes- T. a receber
Vn Vn

O esquema acima nos diz que aquando do protesto, nós temos que anular as letras
a receber creditando a conta Clientes - títulos a receber e activamos a conta
corrente do cliente em questão debitando a conta Clientes c/c, pelo valor nominal
da letra em protesto.

ii) Pelas despesas de protesto


Pelas despesas de protesto, creditamos a conta 11 – Caixa / 12 – Bancos e
debitamos a conta 131 Clientes c/c.

1.1. Caixa 1.2.1. D.ordem 1.3.1. Clientes c/c


P P

As despesas de protesto, são da responsabilidade do cliente. Então todas despesas


que incorrermos (que pagarmos), credito da conta Caixa ou Banco temos que
imputar ao cliente (debitando a conta Clientes c/c)

iii) Pela transferência do saldo da conta


Debitamos a conta 138 – Clientes de cobrança duvidosa e creditamos a
conta 131- Clientes c/c (veja figura abaixo).
1.3.8. Clien. Cob. duvidosa 1.3.1. Clientes c/c
valor transferido valor transferido

Como a dívida já é de difícil reembolso, temos que transferir todo valor que está na
conta corrente, creditando a conta Clientes c/c e colocamos a na conta Clientes de
cobrança duvidosa, debitrando esta conta.

24
Exercício Prático:
Registar no Diário Analítico da Sociedade Gumana, Lda. as seguintes operações
do mês de Janeiro de 2010.
Dia 3 – factura n. 1/2010 sobre R. Dias, a 90 dias, relativa ao fornecimento de 100
calças, ao preço unitário de 500,00;
Adiantamento de F. Pinto no valor de 20 000,00, para fornecimento de 200
camisas, cujo preço unitário ainda não está determinado.
Dia 4 – R. Dias liquida 10% do seu débito aceitando uma letra pelo restante a 95
dias da data (saque n. 1/2010 da Sociedade Gumana). Sobre o valor pago é lhe
concedido um desconto de 2%:
Dia 5 – factura n. 2/2010 sobre F. Pinto, relativamente ao fornecimento de 200
camisas, ao preço de venda unitário de 150,00;
Dia 7- foi descontado no Banco o saque n. 1/2010, nas seguintes condições: juros à
taxa de 18,75%; comissões de cobrança de 0,2%, imposto 9%; portes 54,00.
Emite-se sobre o cliente a nota de débito n. 1/2010, relativa aos encargos de
desconto.
Dia 10 – foi solicitado pelo aceitante P. Tomás, a reforma do saque 168/2009, em
carteira, no valor de 80 000,00. Esta foi aceite pela Sociedade Gumana, nas
seguintes condições:
• Amortização de 25% do saque n. 168/2009;
• Emissão de nova letra, saque n. 2/2010, a 60 dias da data, incluindo os
seguintes encargos: juros a taxa de 18,75%, comissões de cobrança 0,2%,
imposto 9% e despesas de reforma e de portes 107,00. O custo da letra
(imposto de selo) foi debitado ao aceitante, tendo a letra sido adquirida,
nesta data, pelo sacador.
Dia 12/2010 – F. Pinto devolve 10 camisas, por se encontrarem deterioradas.
Dia 13/2010 – o Banco, recambia o saque 172/2009, com o valor nominal de 18
000,00. Debita despesas de devolução de telefone e de cobrança de 84,00. Este
saque corresponde a um aceite de P. Lobo, cujo débito se deve considerar de
cobrança duvidosa, face à situação de litígio em que se encontra;
Dia 18 – C. Marcelino solicita a reforma do saque 180/2009, no valor de 20 000,00
pela sua totalidade. Tal foi aceite nas seguintes condições:
• Novo saque a 30 dias da data;
• Encargos de uma possível negociação bancária debitados directamente ao
cliente e a pagar de imediato: juros à taxa de 18,75%; comissões de
cobrança de 1%, imposto 9% e outras despesas 60,00. O impresso da letra
foi entregue pelo aceitante. Este saque encontrava-se descontado no Banco
o qual procedeu à sua devolução nesta data;

25
Dia 20 – Liquidação da factura 16/2010 de M. Pina, no valor de 135 000,00, da
seguinte forma:
• Entrega do cheque 234 567 sobre o Banco no valor de 35 000,00;
• Endosso do saque 820/2009, com vencimento em 26/01/2010, no valor de
100 000,00

Resolução

26
Dias Contas Movimentadas Valor
Auxiliar Total
Maputo, 03 de Janeiro de 2010
Dia 3 1.3. Clientes
1.3.1. Clientes c/c 50 000,00
a 7.1. Vendas de meios circulantes materiais
7.1.1. Mercadorias
factura n. 1 sobre R. Dias
1.1. Caixa 20 000,00
a 1.3. Clientes
1.3.9. Adiantamento à clientes
adiantamento de F. Pinto
Dia 4 Diversos 5 000,00
a 1.3. Clientes
1.1. Caixa 4 900,00
6.8. Custos e perdas Financeiras
6.8.5. Descontos de pronto pgto concedidos 100
liquidação de 10% do débito de R. Dias
1.3. Clientes 45 000,00
1.3.1. Clientes títulos a receber
a 1.3. Clientes
1.3.1. Clientes c/c
saque n. 1 sobre R. Dias
Dia 5 1.3. Clientes 30 000,00
1.3.1. Clientes c/c
a 7.1. Vendas de meios circulantes materiais
7.1.1. Mercadorias
factura n. 2 sobre F. Pinto
1.3. Clientes 20 000,00
1.3.9. Adiantamento de clientes
a 1.3. Clientes
1.3.1. Clientes c/c
anulação do adiantamento de cliente
Dia 7 Diversos 45 000,00
a 1.3. Clientes
1.3.2. Clientes títulos a receber
1.2. Bancos
1.2.1. depósito à ordem 42 479,40
6.8. Custos e perdas Financeiras
6.8.1. Juros suportados
6.8.1.5. Desconto de títulos 2 520,00
pelo desconto do saque n. 1/2010
1.3. Clientes 2 520,60
1.3.1. Clientes c/c
a 6.8. Custos e perdas Financeiras
6.8.1. Juros suportados
6.8.1.5. Desconto de títulos
nota de débito n. 1/2010
A transportar 217 520,00

27
Transporte 217 520,00
Dia 10 1.3. Clientes
1.3.1. Clientes c/c 80 000,00
a 1.3. Clientes
1.3.2. clientes - títulos a receber
anulação do saque 168/2009 para reforma
1.1. Caixa 20 000,00
a 1.3. Clientes
1.3.1. Clientes c/c
amortização de 25% do saque 168/2009
1.3. Clientes
1.3.1. Clientes c/c 2 405,10
a 7.8. Proveitos e ganhos financeiros
7.8.9. Outros proveitos ganhos financeiros
encargos da reforma do saque n. 168/2009
1.3. Clientes
1.3.2. clientes - títulos a receber 62 405,10
a 1.3. Clientes
1.3.1. Clientes c/c
saque n. 2/2010
1.3. Clientes
1.3.1. Clientes c/c 374
a 1.1. Caixa
compra da letra, de sua conta
Dia 12 7.1 Venda de meios circulantes materiais
7.1.5. Devolução de vendas 1 500,00
a 1.3. Clientes
1.3.1. Clientes c/c
devolução da mercadoria. Por F. Pinto
Dia 13 1.3. Clientes
1.3.1. Clientes c/c 18 084,00
a 1.2. Bancos
1.2.1. Depósito a ordem
recâmbio do saque 172/2009
1.3. Clientes
1.3.8. Clientes de cobrança duvidoda 18 084,00
a 1.3. Clientes
1.3.1. Clientes c/c
transferência da 2ª parte para a 1ª
Dia 18 1.3. Clientes
1.3.2. clientes - títulos a receber 20 000,00
a 1.3. Clientes
1.3.1. Clientes c/c
saq.3, resultante da reforma da 180/2009
1.3. Clientes
1.3.1. Clientes c/c 636,8
a 7.8. proveitos e ganhos financeiros
7.8.9. Outros proveitos e ganhos financeiros
encargos da reforma do saque 180/2009
1.3. Clientes
A transportar 441 008,90

28
Transporte 441 008,90
1.3.1. Clientes c/c 20 000,00
a 1.2. Bancos
1.2.1. Depósito à ordem
devolução do saque 180/2009
Dia 20 4.1. Fornecedores
4.1.1. Fornecedores c/c 135 000,00
a Diversos
a 1.2. Bancos
1.2.1. Depósito à ordem 35 000,00
a 1.3. Clientes
1.3.2. Clientes - títulos a receber 100 000,00
liquidação da factura 16/2010

Letras a Pagar
Letras a pagar são aquelas em que a empresa tem a obrigação de pagar. Neste caso
a empresa está na situação de aceitante. Significa que a dívida corrente da empresa
se transforma em dívida representada por título.
Conta 4.1.2. Fornecedores – Títulos a pagar
Inclui as dívidas a fornecedores que se encontram representadas por letras ou
outros títulos de crédito. No registo das letras a pagar devem ser indicados, entre
outros elementos, a data do aceite, sacador, data do saque, valor nominal do aceite
em moeda nacional (e moeda estrangeira se for o caso), vencimento e outros
elementos de interesse informativo.
Nas letras a pagar e outros títulos encontramos três operações: o Aceite, o
Pagamento (Cobrança) e a Reforma.

Aceite
Resulta de uma dívida corrente que nós temos e que permitimos que seja
transformada em dívida representada por título.
Aquando de aceite, Credita-se a conta 4.1.2. Fornecedores – títulos a pagar em
contrapartida da conta 4.1.1. Fornecedores c/c, pelo valor nominal.

29
Exemplo:
A Empresa Litonova, Lda., aceitou uma letra (aceite n. 38/2010) a L. Pechirra pelo
débito relativo a mercadorias adquiridas a 63 000,00.
Fazer o registo no Diário e no Razão esquemático.

Exercício Contas Movimentadas Valor


Auxiliar Total
Maputo, 05 de Janeiro de 2010
1 4.1. Fornecedores
4.1.1. Fornecedores c/c 63 000,00
a 4.1. Fornecedores
4.1.2. Fornecedores - Títulos a pagar
pelo aceite n. 38/2010
Nos Ts, teremos:

4.1.1. Fornecedores c/c 4.1.2. Forn. Títulos a pagar


63 000,00 63 000,00

Estamos a ver neste exemplo que quando aceitamo0s uma letra, temos que anular a
nossa dívida corrente com o fornecedor, e acrescentamos nas nossas dívidas
representadas por título o valor nominal da dívida.

Pagamentos (Cobrança)
Quando se fala da cobrança ou de pagamento, se refere ao caso em que o nosso
fornecedor leva a letra ao nosso banco e pede ao banco para efectuar o pagamento
do valor em dívida. Contabilisticamente o procedimento a seguir é: Anular-se a
conta 4.1.2. Fornecedores – Títulos a pagar, debitando-se em contrapartida da conta
1.1. Caixa ou 1.2.1. Depósito à ordem, conforme donde é que saiu o valor.

30
Reforma
A reforma deste tipo de letra ocorre sempre que não temos dinheiro para pagarmos
parcialmente ou totalmente a nossa letra no dia do seu vencimento. Na reforma
deste tipo de letras temos que ter presentes três passos:
i. Anulação da letra a reformar.
ii. Parte do valor nominal entregue para amortização do aceite antigo.
iii. Aceite de uma nova letra com vencimento posterior.
O valor nominal da nova letra pode ser determinado de duas formas
distintas, dependendo se engloba ou não os encargos da reforma.

Normalmente a reforma tem sido parcial. Sendo assim, tomaremos este tipo de
reforma como exemplo para explicar a movimentação contabilística desta
operação, seguindo os passos acima descritos:

Exemplo:

1. No dia 20, a empresa Litonova, Lda., pediu a reforma parcial do aceite n.


603/2009, no valor de 56 000,00, nas seguintes condições:
• Amortização de 25% do valor nominal, com cheque do Banco da empresa;
• Aceite de nova letra a 90 dias (aceite 39/2010) pelo restante valor, com
encargos de possível negociação bancária incluídos, no valor de 3 336,50.
O imposto é de 272,00.
Veja a seguir o lançamentos no diário da empresa.

31
Exercício Contas Movimentadas Valor
Auxiliar Total
1 Maputo, 20 de Janeiro de 2010
4.1. Fornecedores
4.1.2. Fornecedores - Títulos a pagar 56 000,00
a 4.1. Fornecedores
4.1.1. Fornecedores c/c
anulação do aceite 603/2009,para reforma
4.1. Fornecedores
4.1.1. Fornecedores c/c 14 000,00
a 1.2. Bancos
1.2.1. Depósitos à ordem
liquidação de 25% do aceite 603/2009
6.8. Custo e perdas financeiras
6.8.8. Outros custos e perdas financeiras 3 336,50
6.8.8.1. Serviços bancários
pela nota de débito 26/2010
4.1. Fornecedores
4.1.1. Fornecedores c/c 45 336,50
a 4.1. Fornecedores
4.1.2. Fornecedores - Títulos a pagar
pelo aceite da nova letra, n. 39/2010
6.4. Impostos e taxas
6.4.3. imposto de selo 272
a 1.1. Caixa
pela aquisição de uma letra

È visível neste exemplo que o primeiro passo que temos que dar é anular a letra
antiga, debitando aconta Fornecedores – títulos a pagar e em contrapartida
creditamos a conta Fornecedores c/c;
Segundo passo temos que contabilizar o pagamento de uma parte (25%) do valor
nominal da letra antiga. Isso é feito credtando a nossa conta Banco e em
contrapartida debitamos a nossa conta Fornecedores c/c.
O terceiro passo é evidenciarmos os custos de reforma que recaem sobre nós. Aqui
temos que creditar a nossa conta banco em contrapartida debitamos a conta Custos
e perdas financeiros.
Em quarto lugar temos que contabilizar o aceite da nova letra. Este passo consiste
em debitarmos a conta Fornecedores conta corrente e contrapartida da conta
creditamos a conta Fornecedores – títulos a pagar pelos valor da nova letra e os
encargos de reforma.

32
Por último temos que pagar os impostos, debitando a conta 6.4. impostos e taxas
em contra partida da conta Caixa.

Estudo da Conta 4.2. Empréstimos Obtidos

Noções Gerais

Consideram-se empréstimos, todos os meios líquidos obtidos ou cedidos


temporariamente pela empresa, com vista a suprir deficiências financeiras. Existem
várias categorias de classificação dos empréstimos: quanto a finalidade, quanto as
garantias prestadas e por último quanto ao prazo exigido.
 Quanto a finalidade os empréstimos podem ser de tesouraria ou de
financiamento de projectos de desenvolvimento e expansão. Empréstimos
de funcionamento, que têm como finalidade suprirem insuficiências
temporárias de tesouraria (de caixa ou de Bancos) resultantes da actividade
corrente;
 Empréstimos de financiamento, que têm como finalidade “financiar”
projectos de investimento da empresa possibilitando, deste modo, a
expansão da sua actividade actual, os segundos visam o seu incremento.
Relativamente às garantias prestadas aos credores, os empréstimos podem ser:
 Empréstimos caucionados: quando existe uma garantia especial para o seu
pagamento. Aquela poderá ser pessoal, no caso do aval, da fiança e da
abonação; poderá ser real, no caso de hipoteca (valores imobiliários), do
penhor e da consignação de rendimentos;
 Empréstimos a descoberto: quando não exista qualquer garantia especial.
Aparece com pouca frequência e apenas nos casos de confiança plena entre
as partes contratantes.
Finalmente, quanto ao prazo em que é exigido o seu reembolso podemos
classificar os empréstimos em:
 Empréstimos a curto prazo: quando o seu reembolso é exigido num
prazo inferior ou igual a um ano. Estão, nestas condições, os
empréstimos de funcionamento (geralmente);
 Empréstimos a médio e longos prazos: quando o se reembolso é exigido
num prazo superior a um ano. Os empréstimos de financiamento são,
normalmente, deste tipo e, em particular, os empréstimos para aquisição
de valores imobiliários.
Constituindo os empréstimos uma utilização de capital alheio, estão,
necessariamente, sujeitos ao vencimento de juros, como forma de remuneração
dessa mesma utilização temporária. A taxa praticada depende quer do contrato
estabelecido entre as partes, no caso de empréstimos não bancários, ou das
estabelecidas no mercado.

33
Nos créditos obtidos, temos as seguintes operações: contracção de empréstimo,
reembolso e pagamento de juros.

Movimentação Contabilística
Registam-se nesta conta os empréstimos obtidos a crédito, com excepção dos
incluídos na conta de Accionistas.
Genericamente, as contas de empréstimos obtidos creditam-se pelos aumentos
(contracção de empréstimos) e debitam-se no seu reembolso, ver os dois esquemas
abaixo.
Seja Vn o valor nominal do empréstimo (valor total que pedimos por emprestado).
1º Esquema (contracção de dívida)
11 Caixa/12 Bancos 42 Emp. Obtidos
Vn Vn

2º Esquema (reembolso)

11 Caixa/12 Bancos 42 Emp. Obtidos


Vn Vn

Como podemos verificar nestes dois esquemas, o primeiro esquema representa o


momento de contracção de empréstimo, em que debitamos a nossa conta Caixa ou
Banco, mostrando a entrada de fundos na nossa conta e creditamos a conta
Empréstimos obtidos indicando que temos uma dívida.

Vencimento de juros.
Os empréstimos têm um custo para a empresa uma vez que se tratam de fundos
alheios. Este custo chama-se juro e como qualquer operação financeira tem um
tratamento contabilístico apropriado. O juro para o credor é um rendimento e como
tal, está sujeito a um imposto. O imposto pode ser retido na nossa empresa e
sermos nós a pagar o imposto ao Estado (descontarmos o valor do imposto) ou
ainda ser o próprio credor a pagar (entregarmos o valor global). Vejamos o
tratamento destas duas situações nos esquemas abaixo:

34
Sejam:
J – valor bruto do juro
j – juro líquido do imposto (J –c)
c – valor do imposto
• Descontando o valor do imposto
68 C. perdas finan. 42 Emp. Obtidos
j +c j

44 Credor - Estado
c

No esquema acima estamos a ver que creditamos a conta Empréstimos obtidos


apenas pelo valor do juro líquido de imposto. O imposto é crédito na conta 44
Credor - Estado, para evidenciar que temos um pendente com o Estado. Os dois
valores são debitados na nossa conta Custos e perdas financeiras.
• Sem descontar o valor de imposto
Quando não há desconto do valor do imposto, debitamos o valor total dos
juros na conta 68 – Custos financeiros e creditamos a conta 42 –
Empréstimos obtidos o mesmo valor.
Significa que o credor será responsável por ir pagar o imposto, nós
entregamos o valor bruto “J”.
Vejamos a movimentação contabilística nestas condições no esquema
abaixo:
68 C. perdas finan. 42 Emp. Obtidos
J J

35
No esquema é perceptível que na conta de 42 Empréstimos obtidos ou outros
credores, lançamos apenas o valor de juro líquido do imposto (juros – imposto). O
valor do imposto é lançado na conta 44 Credor – estado. Por sua vez, o valor bruto
de juro é lançado na nossa conta 68 Custos e perdas financeiras.

Desde que introduzimos este tema de empréstimos obtidos, falávamos de uma


forma geral, mas na prática há muitas formas de empréstimos. Nesta unidade
iremos apenas introduzir alguns teóricos e práticos de empréstimos obrigacionistas.

Empréstimos Obrigacionistas

Esta forma de empréstimo é utilizada normalmente por grandes empresas ou pelo


próprio Estado, visando dois objectivos básicos:
 Obtenção de grande volume de capitais;
 A dilatação do prazo de reembolso, uma vez que representa financiamento a
médio e longo prazos.
No empréstimo por obrigações são emitidas títulos de igual valor a serem
subscritos pelas entidades interessadas. Uma obrigação representa, assim, uma
fracção de empréstimo sendo seu portador o credor da sociedade que a emitiu, ou
seja, representa para a sociedade capital alheio.
As obrigações podem ser subscritas e liberadas por pelas diversas entidades
interessadas, o que poderá evitar a concentração do empréstimo numa só pessoa ou
entidade. Face ao s direitos que podem conferir, as obrigações classificam-se em:
 Simples: quando não conferem qualquer direito especial ao seu proprietário,
além do juro acordado;
 Com prémio: quando no reembolso é pago ao obrigacionista não só o valor
nominal da obrigação, como também um valor suplementar – o prémio de
reembolso;
 Participantes: quando além do juro, poderão em determinadas
circunstâncias dar direito a participação nos lucros, se houver, ou ainda a
um juro suplementar dependente dos lucros;
 Convertíveis: quando podem ser convertidas em acções.

Para melhor analisarmos os conteúdos deste capítulo, vamos usar algumas


abreviaturas com vista a facilitar a compreensão dos mesmos.

36
Sejam:
• Vn – valor nominal das obrigações, que é correspondente ao valor resultado
da quantidade das obrigações emitidas multiplicado pelo seu preço nominal
(o preço que vem escrito na face de cada obrigação);
• Pr – prémio de reembolso, que é a diferença entre o valo entre o valor com
que as obrigações foram colocadas no mercado de venda e o valor nominal
das obrigações. Para nossa empresa é uma perda, visto que estamos a
vender a baixo do preço que seremos obrigados a reembolsar;

• Pe – prémio de emissão, que é a diferença por excesso entre o valor pelo


qual a empresa coloca as suas obrigações a venda e o valor nominal da das
obrigações postas a venda. Esta situação proporciona um ganho para a
nossa empresa porque estamos a vender um preço superior ao nominal e no
acto de reembolso só devolvemos o valor nominal;

• Vs – valor de subscrição, que consiste no valor das obrigações que foram


levadas pelos potenciais compradores. É um compromisso de compra que
se assina, na prática;

• Vl – é o valor que é recebido pelas obrigações que foram subscritas.


Consiste no recebimento do dinheiro pelas obrigações subscritas; e

• Vr – é o valor de reembolso, que é o montante que nós pagamos no


processo de liquidação de dívida.

Emissão
Em relação ao preço a que as obrigações são emitidas, podem se verificar três
situações:
Emissão ao par – as obrigações são colocadas ou vendidas no mercado pelo seu
valor nominal, isto é, preço de emissão e valor nominal coincidem. O lançamento
de emissão de obrigações é apenas um lançamento de controlo. Como podemos ver
no esquema abaixo, a emissão de obrigações é contabilizada na mesma conta por
um lado a débito e por outro lado a crédito (conta 423 – Empréstimos
obrigacionistas).

423 Emp. Obrigacionista 423 Emp. Obrigacionista


Vn Vn

preço de emissaõ = valor nominal

37
Nota explicativa:

Neste esquema, tratando se de uma emissão ao par, isto é, o valor de


emissão é igual ao valor nominal da obrigação, debitamos e creditamos o
valor total das obrigações (obtido multiplicando o preço nominal de cada
obrigação pela quantidade de obrigações emitidas).

Exemplo:
A empresa Américo, Lda. emitiu cerca de 20 000 obrigações ao preço de
100,00Mts cada, com vista a suprir um problema financeiro que a sua
empresa atravessava.
Pretende-se, o lançamento desta operação no razão esquemático.

Resolução:
423 Emp. Obrigacionista 423 Emp. Obrigacionista
2 000 000,00 2 000 000,00

preço de emissaõ = valor nominal


Como se pode depreender no exemplo acima, o valor total das obrigações
emitidas é de 2 000 000,00Mts (= 20 000 x 100,00Mts).

• Emissão abaixo do par – quando forem colocadas no mercado por


um preço inferior ao seu preço nominal. Neste caso temos que
debitar na conta 423 – Empréstimos obrigacionistas pelo valor de
emissão (Vn – Pr), debitamos o valor de prémio de emissão na conta
192 – Custos diferidos e, finalmente, creditamos a 423 –
Empréstimo obrigacionista o valor nominal das obrigações emitidas.
.
423 Emp. Obrigacionista 423 Emp. Obrigacionista
Vn - Pr Vn

valor de emissão

192 Custos diferidos. valor nominal


Pr

prémio de reembolso
Neste esquema é evidente que, o valor pelo qual emitimos as obrigações
(Vn – Pr) é inferior ao valor que teremos que pagar (Vn). Esta diferença
(P), por defeito, entre o valor com que colocamos cada obrigação a venda e
o valor que aparece escrito em cada obrigação chama-se prémio de
reembolso. Este prémio é custo para nós.

38
Exemplo:
Vamos assumir que as obrigações emitidas pela empresa Américo, Lda.,
(exemplo anterior) tenham sido postas a venda por 90,00Mts e nos peçam
para fazer o lançamento no razão esquemático.

Resolução:

423 Emp. Obrigacionista 423 Emp. Obrigacionista


1 800 000,00 2 000 000,00

valor de emissão

192 Custos diferidos. valor nominal


200 000,00

prémio de reembolso

Veja que o valor nominal da obrigação (2 000 000,00) é superior ao valor


total pelo qual as obrigações foram postas a venda. Isso é resultante da
diferença entre o preço nominal (100,00) e o preço de venda (90,00). Esta
diferença entre os valores nominal e de venda, chama-se prémio de
reembolso (200 000,00) e é lançado na conta 192 Custos diferidos.

• Emissão acima do par – neste caso o preço de emissão ou de


colocação de obrigações é superior ao seu preço nominal. Neste
caso é só debitarmos na conta 423 – Empréstimos obrigacionistas o
valor da emissão, creditamos na conta 492 – Proveitos diferidos e
por fim creditamos a conta 423 – Empréstimos obrigacionistas.
423 Emp. Obrigacionista 423 Emp. Obrigacionista
Vn + Pe Vn

valor nominal

valor de emissão 492 Proveitos diferidos


Pe

Esta situação é que é a nosso favor, pois trás um ganho para nós. O que está
acontecer neste esquema é o seguinte: sendo o prémio de emissão um ganho
para nós, debitamos na conta 423 Empréstimos obtidos o valor nominal da
letra (Vn) adicionando a este valor o prémio de emissão (Pe) e creditamos a

39
mesma conta pelo valor nominal (Vn) e o prémio de emissão nós lançamos
a crédito, como proveito diferido na conta 492 Proveitos diferidos.

Exemplo:
Em relação ainda ao exemplo da empresa Américo, Lda., imaginemos agora
que a empresa graças a sua boa imagem no mercado e a sua alta
rendibilidade, coloque no mercado as suas obrigações emitidas a um preço
de 120, 00Mts.

Pedido: fazer lançamentos no razão esquemático.

Resolução:

423 Emp. Obrigacionista 423 Emp. Obrigacionista


2 400 000,00 2 000 000,00

valor nominal

valor de emissão 492 Proveitos diferidos


400 000,00

Obviamente que com este exemplo ficamos mais claros. Veja que o valor
total de emissão foi de 2 400 000,00Mts ao passo que o valor nominal das
obrigações é de 2 000 000,00Mts. Neste caso temos um ganho de 400
000,00Mts (2 400 000,00 – 2 000 000,00). Estes ganhos como foi referido
na parte teórica são lançados na nossa conta 492 Ganhos diferidos. Quando
ao valor de emissão e ao valor nominal das obrigações fazemos a
mesmíssima coisa que vínhamos fazendo (debitamos e creditamos,
respectivamente, na conta 423 Empréstimos obrigacionistas).

Subscrição

Subscrição ocorre quando aqueles que querem comprar as obrigações vêm tomá-las
(levá-las). Este processo de entrega de obrigações, mediante uma identificação do
potencial comprador, designa-se subscrição.

163 Dev. Obrigacionista 423 Emp. obrigacionista


Vs Vs

obrigações subscritas

40
O esquema acima nos mostra que no acto de subscrição, todos aqueles tomadores
de obrigações devem ser tratados como devedores obrigacionistas, por isso o valor
total das obrigações tomadas devem ser registadas a débito na conta 163 Devedores
obrigacionistas e em contrapartida creditamos a conta 423 Empréstimos
obrigacionistas.

Exemplo:
Fiquemos ainda no mesmo exemplo da empresa Américo, Lda., desta vez
assumindo que foram subscritas 18 000 obrigações ao par.

Vejamos o lançamento desta operação no razão esquemático.

Resolução:

163 Dev. Obrigacionista 423 Emp. obrigacionista


1 800 000,00 1 800 000,00

obrigações subscritas

Nota explicativa.
Aqui constatamos que, todos os que tomaram obrigações (que se subscreveram)
são considerados de devedores obrigacionistas, pelo que o valor corresponde das
obrigações subscritas devem ser lançados a débito na conta 163 Devedores
obrigacionistas e em contrapartida creditamos a conta 423 Empréstimos
obrigacionistas.

Liberação
Corresponde ao recebimento do valor das obrigações subscritas. Este acto consiste
na entrega dos valores correspondentes às obrigações que foram levadas pelos
obrigacionistas à nossa empresa.
Como o esquema abaixo, esta operação é fácil de entender. Debitamos a conta
Caixa ou a conta Bancos com a entrada de fundos para a nossa empresa e
creditamos a conta 465 Credores obrigacionistas pelo valor que estes nos
entregaram.

11 Caixa/12 Bancos 465 Credor Obrigacionista


Vl Vl

valor liberado/recebido

41
Exemplo:
Ainda em relação ao exemplo da empresa Américo, Lda., suponhamos que das
obrigações emitidas, recebemos o valor de 15 000 obrigações ao par (ao preço
nominal).
Vejamos o lançamento desta operação no razão esquemático.
11 Caixa/12 Bancos 465 Credor Obrigacionista
1 500 000,00 1 500 000,00

valor liberado/recebido
Como podemos ver, é só debitarmos o montante recebido na conta Caixa ou Banco
e creditarmos na conta Credores obrigacionistas.

Amortização de Obrigações
Compreende a fase do reembolso do empréstimo. Como qualquer outro
empréstimo, o empréstimo obrigacionista deve ser reembolsado. O reembolso é um
pagamento, por consiste na saída de dinheiro dos nossos cofres ou da nossa conta
bancária para pagar aos nossos credores obrigacionistas.

11 Caixa/12 Bancos 465 Credor Obrigacionista


Vr Vr

valor amortizado

Exemplo:
Suponhamos que a Américo, Lda., já atingiu o prazo de honrar com os seus
compromissos e decida reembolsar o valor correspondente às 10 000 obrigações.
Vejamos o lançamento deste exemplo no razão esquemático.
Resolução:
11 Caixa/12 Bancos 465 Credor Obrigacionista
1 000 000,00 1 000 000,00

valor amortizado

Aqui é um pagamento normal, logo temos que creditar a nossa conta caixa ou
bancos e debitamos a quem nós pagamos, neste caso os nossos credores
obrigacionistas.

42
Sumário
Nesta unidade tivemos a oportunidade de aprender dois assuntos de grande
importância.
Primeiro começamos por estudar as Letras, onde ficamos a saber que temos dois
tipos de letras: letras a receber e letras a pagar.
As Letras a receber tem como a sua origem as dívidas dos clientes da empresa
quando transformadas em títulos de curtos prazo. Aqui aprendemos alguns
conceitos relacionados com letras a receber, tais como, o saque, o pagamento, o
endosso, o desconto, a reforma, o recâmbio e o protesto.
As Letras a pagar tem a ver com as dívidas que a empresa tem com os seus
fornecedores e que por um motivo qualq1uer estas mesmas dívidas são
transformadas em Títulos a pagar ou simplesmente letras a pagar. Estas letras
diferem das letras a receber porque é a empresa que aceita a letra. Por isso mesmo
nestas letras em vez do conceito saque, aqui encontramos o conceito Aceite e o
resto dos conceitos das letras a receber prevalece, diferindo apenas na sua forma de
lançamento.
Outra mataria abordada nesta unidade foi o estudo dos Empréstimos
obrigacionistas. Nesta matéria foram destacados o tratamento contabilístico dos
vários momentos de empréstimos obrigacionistas, desde a Emissão, Subscrição,
Liberação e o Amortização das Obrigações.

Bibliografia
PEREIRA, João Manuel Esteves. Contabilidade Geral; Plátano Editora, Lisboa.
BORGES, António; RODRIGUES, Azevedo; RODRIGUES, Rogério – Elementos
de Contabilidade; Editora Rei dos Livros, Lisboa, 1995.
Plano Geral de Contabilidade; Moçambique, 2006.

43
Trabalho

1. Reforma de uma Letra


Reformou-se, parcialmente, no dia 24 de Março de 2010, uma letra de 30
000,00Mts, nas seguintes condições:
a) Pagamento de 10 000,00 a pronto pagamento;
b) Emissão de uma nova letra com inclusão na nova Letra, a 60 dias, dos
juros, calculados à taxa de 125, e das respectivas despesas.
Com base no exercício acima, pede-se o lançamento no Diário das seguintes
operações:
a) Anulação do saque antigo (sempre é necessário fazer)
b) Recebimento da parte paga a pronto.
c) Juros a incluir na nova letra
d) Impostos a incluir na letra
e) Saque da nova letra com inclusão dos encargos.

2. Registar no Diário analítico da Sociedade Galucho, Lda., os seguintes


movimentos ligados à contracção de um empréstimo por obrigações:
3.
Dia 1/10/2007 – Emissão de 12 000 0brigações com valor nominal de 1
000,00, para contrair um empréstimo obrigacionista, reembolsável
semestralmente durante 6 anos. O valor de emissão das obrigações foi de 1
150,00, sendo colocadas à subscrição pública num organismo de crédito.

Dia 5/01/2008 – Efectuou-se o rateio das obrigações subscritas, estando


liberado nesta data 40% do seu valor.

Dia 15/01/2008 – Comunicação da instituição de crédito informando que as


obrigações se encontravam totalmente liberadas.

Dia 10/01/2009 – Processamento dos juros vencidos durante o período


15/0172008 a 15/01/2009, á taxa anual de 85. È retido na fonte 15% a título
de imposto sobre rendimento de capitais.

Dia 15/01/2009 – São adquiridas ao obrigacionista Paulo, 100 obrigações ao


seu valor nominal, pela sociedade Galucho (pago em cheque);
- Foram pagos os juros processados no dia 10 (em cheque).

Dia 01/07/2009 – Efectuou-se o sorteio das primeiras 1000 obrigações e o


processamento dos juros relativos ao período de 15/01/2009 a 15/07/2009,
com imposto sobre rendimento de 15%, retido na fonte.

44
Dia 15/07/2009 – pagamento de 80% das obrigações sorteadas a terceiros
(sabe-se que as obrigações da Sociedade Galucho, Lda. foram sorteadas 10) e
do correspondente montante (percentual) dos juros processados.

Tarefa:
Fazer o registo no Diário da empresa Galucho, Lda.

Resolução da pergunta 1.
1º Calculemos o valor nominal da nova letra, os juros e as respectivas
despesas.

Sendo: Vo – valor reformado


Vn – Valor da nova letra
Teremos:
Vn = Vo + Juros + Impostos

Como:
20000,00 x60 x12
Juros = = 400,00
[360] Então, substituindo valores e
resolvendo a equação, teremos.
Vn = 20 000,00 + 400,00 + 0.003Vn
Vn = 20 400,00 + Vn
0,997 Vn = 20 400,00
Vn = 20 461,40

Custo da nova letra = 20 461,40 – 20 400,00 0 61,40


Em Resumo:
Valor reformado (Vo) = 20 000,00
Juros = + 400,00
Impostos = + 61,40
Valor da nova letra = 20 481,40

De acordo com a questão acima, os lançamentos das operações acima descritas


estarão no diário da seguinte forma:

45
Maputo, 24 de Março de 2010 V. AuxiliarV. Total
a) 1.3. Clientes
1.3.1. Clientes c/c 30 000,00
a 1.3. Clientes
1.3.2. Clientes - Títulos a receber
p/ anulação do saque n. 01, pela reforma
b) 1.1. Caixa
a 1.3. Clientes 10 000,00
1.3.1. Clientes c/c
p/ recebimento de 10 000,00 p/ amortização
c) 1.3. Clientes
1.3.1. Clientes c/c 400 00
a 7.8. Receitas financ. correntes
7.8.1. Juros obtidos
p/ juros de reforma do sa que n. 20
d) 1.3. Clientes
1.3.1. Clientes c/c 61,40
a 6.4. Impostos e taxas
6.4.3. Imposto de selo
pelo imposto de selo do novo saque
e) 1.3. Clientes
1.3.2. Clientes - Títulos a receber 20 4061,40
a 1.3. Clientes
1.3.1. Clientes c/c
pelo saque da nova letra

Lembrar que cada alínea do diário corresponde à alínea da respectiva


operação, na questão acima.

46
Resolução da pergunta 2.
Número Contas Movimentadas Valor
Auxiliar Total
1 Maputo, 01 de Outubro de 2007
4.2. Empestimos obtidos 13 000 000,00
4.2.3. Empréstimos por obrigações
a Diversos
a 4.2. Emprestimos çbtidos
4.2.3. Empréstimos por obrigações 12 000 000,00
por emissão de 12000 a 1150,00 com valor
nominal de 1 000,00
a 4.9. Acrescimos de custos e proveitos
4.9.2. Proveitos diferidos 1 800 000,00
4.9.2.1. Prémios de emissão de obrigações
por prémio de emissão de obrigações
2 Maputo, 05 de Janeiro de 2008
4.6. Outros credores 13 800 000,00
4.6.5. Obrigacionistas
a 4.2. Empestimos obtidos
4.2.3. Empréstimos por obrigações
subscrição das obrigações emitidas
3 1.2. Bancos 5 520 000,00
1.2.1. Depósitos a ordem
a 4.6. Outros credores
4.6.5. Obrigacionistas
liberação de 40% das obrigações subscritas
4 Mapto, 15 de Janeiro de 2008
1.2. Bancos 8 280 000,00
1.2.1. Depósitos a ordem
a 4.6. Outros credores
4.6.5. Obrigacionistas
liberação de 60% das obrigações subscritas
5 Maputo, 10 de Janeiro de 2009
6.8. Custos e perdas financeiras 960 000,00
6.8.1. Juros suportados
6.8.1.2. Empréstimos obrigacionistas
a Diversos
a 4.6. Outros credores
4.6.5. Obrigacionistas 816 000,00
a 4.4. Credor - Estado
4.4.2. Imosto s/ rendimento-retenção na fonte 144 000,00
processamento dos juros vencidos
6 Maputo, 15 de Janeiro de 2009
4.2. Emprestimos obtidos 100 000,00
4.2.3. Empréstimos por obrigações
a 1.2. Bancos
1.2.1. Depósitos a ordem
aquisição de 100 obrigações de Paulo
7 4.6. Outros credores 816 000,00
4.6.5. Obrigacionistas
a 1.2. Bancos
1.2.1. Depósitos a ordem
pagamento dos juros processados
A transportar 43 476 000,00

47
Transporte 43 476 000,00
8 Maputo, 01 de Julho de 2009
4.2. Emprestimos obtidos 1 000 000,00
4.2.3. Empréstimos por obrigações
a 4.6. Outros credores
4.6.5. Obrigacionistas
sorteio de 1000 obrigações para pagamento
9 Diversos 480 600,00
a Diversos
6.8. Custos e perdas financeiras
6.8.1. Juros suportados
6.8.1.2. Empréstimos obrigacionistas 480 000,00
4.4. Credor - Estado
4.4.2. Imosto s/ rendimento-retenção na fonte 600,00
a 4.6. Outros credores
4.6.5. Obrigacionistas 404 600
a 4.4. Credor - Estado
4.4.2. Imosto s/ rendimento-retenção na fonte 72 000,00
a 7.8. Proveitos e ganhos financeiros
7.8.1. Juros obtidos
7.8.1.3. Obrigações 4 000,00
processamento dos juros vencidos
10 Maputo, 15 de Julho de 2009
4.6. Outros credores 800 000,00
4.6.5. Obrigacionistas
a Diversos
a 1.2. Bancos
1.2.1. Depósitos a ordem 790 000,00
a 4.2. Emprestimos obtidos
4.2.3. Empréstimos por obrigações 10 000,00
pagamento de 80% das obrigações
11 4.2. Empestimos obtidos
4.2.3. Empréstimos por obrigações 800 000,00
a 4.2. Empréstimos obtidos
4.2.3. Empréstimos por obrigações
pelas obrigações sorteadas e liberadas
12 4.6. Outros credores 323 680,00
4.6.5. Obrigacionistas
a 1.2. Bancos
1.2.1. Depósitos a ordem
pagamento de 80% dow juros
Nota: os números da primeira coluna correspondem aos das prguntas acima.

48
Avaliação

ATENÇÃO - TESTE DE AVALIAÇÃO

NOME: ______________________________________________________

Nº DE MATRÍCULA ________________ NOTA ___________

N.B: Envie-nos este teste já resolvido, para correcção.

Teste da 3ª Unidade – Duração 2 horas

Leia atentamente as questões apresentadas neste teste. Resolva-o na folha de


teste em anexo e envie ao ISM para correcção. A cotação para cada questão
está entre parênteses.

A. Em relação as Letras, responda as seguintes questões:


1. O que entende por uma letra? (1 Valores)
2. Quais são as vantagens de transformar uma dívida corrente em uma
dívida representada por uma letra? (1 Valores)
3. A letra é título de longo prazo, por isso serve para substituir dívidas de
longo prazo. Comente esta afirmação. (1 Valores)

B. A empresa “Ganha tudo” emitiu em Janeiro de corrente ano 10 000


obrigações com o preço de 100.00Mts cada (2 valores)
a) Foram subscritas 8 000 obrigações ao par. (2 valores)
b) Foram subscritas 9 000 obrigações ao preço de 120.00 (2 valores);
c) Foram subscritas 7 000 0brigações ao preço de 90.00 (2 valores)

• Com base nos cenários acima, fazer o lançamento das operações


no Diário e no Razão esquemático.
C. O nosso fornecedor Dimas foi descontar o nosso aceite com um valor
nominal de 10 000,00. As comissões bancárias foram de 15%. O imposto é
de 5%. E portes de 500,00
a) Calcular o valor de desconto; (2 Valores)
b) Fazer o lançamento desta operação no nosso Diário/Razão esquemático
(2 valores).

49
D. Diga se as questões que se seguem são falsas ou verdadeiras, justificando a
sua resposta.
a) As obrigações, contrariamente as letras são títulos de curto prazo (1
valor)
b) Sempre que o valor recebido for inferior ao valor subscrito, estamos na
presença de um prémio de reembolso (1 valor)
c) Se a empresa comprar obrigações de outras empresas terá vantagem se o
preço que paga for acima do par (1 valor).
d) Nos créditos obtidos os juros são um passivo para a nossa empresa (1
valor)
e) Nos créditos obtidos o imposto incide sobre o montante de crédito (1
valor).

Bom Trabalho

50