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DANO PATRIMONIAL E

EXTRAPATRIMONIAL
TEORIA DO DANO
“Prejuizo resultante de uma lesão a um direito.”
Henri de Page

“Além da lesão econômica,


lesão da esfera jurídica.”
Renato Alessi

“Indenização sem dano importaria em


enriquecimento ilícito.”
Sergio Cavalieri Filho
DOLO
AÇÃO OU NEGLIGÊNCIA
OMISSÃO DO
AGENTE
CULPA IMPRUDÊNCIA

IMPERÍCIA

PRESSUPOSTOS DA DANO
RESPONSABILIDADE CIVIL PATRIMONIAL
EMERGENTE
(Material)
LUCRO
CESSANTE
PERDA DE UMA DANO
CHANCE

DANO REFLEXO MORAL


EM RICOCHETE
INDIRETO Nexo de EXTRAPATRIMONIAL ESTÉTICO
Causalidade
DANO À
IMAGEM EXISTENCIAL
DANO DANO
PATRIMONIAL EXTRAPATRIMONIAL

▪ Dano Emergente ▪ Moral


▪ Lucro Cessante ▪ Dano Estético
▪ Dano Existencial

DANOS ESPECIAIS
¤ Dano à Imagem
¤ Perda de uma Chance
¤ Dano Reflexo ou em Ricochete
DANO PATRIMONIAL
(MATERIAL)
Atinge os bens integrantes do patrimônio
da vítima (conjunto de relações jurídicas
apreciáveis economicamente)

CORPÓREO → Ex.: Casa, carro, moto, livro etc.

INCORPÓREO → Ex.: Direito de crédito, direito autoral.


DANO PATRIMONIAL
(MATERIAL)

DANO EMERGENTE

LUCRO CESSANTE
DANO EMERGENTE
Damnum Emergens

“Salvo as exceções expressamente


previstas em lei, as perdas e danos devidas
ao credor abrangem, além do que ele
efetivamente perdeu, o que razoavelmente
deixou de lucrar”.

Art. 402, CC
▪ Dano Positivo

▪ Efetiva e imediata diminuição do patrimônio da


vítima em razão do ato ilícito.

▪ Diferença do valor do bem jurídico antes e


depois do ato ilícito.
DANO DA PRIVAÇÃO DO USO
Supressão temporária da prerrogativa de usar
LUCRO CESSANTE
Lucrum Cessans

“Salvo as exceções expressamente previstas


em lei, as perdas e danos devidas ao credor
abrangem, além do que ele efetivamente
perdeu, o que razoavelmente deixou de lucrar”.

Art. 402, CC
▪ Dano Negativo

▪ Efeitos futuros do ato ilícito, frustrando a


expectativa de lucro.

▪ Princípio da Razoabilidade

Observação: Não pode ser meramente hipotético ou imaginário


TEORIA DA DIFERENÇA
(Alemanha)

Diferença entre a situação real em que o lesado


ficou após o ato ilícito e a situação em que ele se
encontraria caso não tivesse sofrido o dano,
considerando o curso normal das coisas.
DANO EXTRAPATRIMONIAL
MORAL

ESTÉTICO

EXISTENCIAL
FASES DO DANO MORAL

IRREPARABILIDADE (inestimável)

INACUMULABILIDADE (material + moral)

mero aborrecimento
INDUSTRIALIZAÇÃO da vida cotidiana
PRINCÍPIO DA REPARABILIDADE PLENA

Art. 5o, inciso V → “é assegurado o direito de resposta,


proporcional ao agravo, além da indenização por dano
material, moral ou à imagem”.

Art. 5o, X → “são invioláveis a intimidade, a vida


privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o
direito a indenização pelo dano material ou moral
decorrente de sua violação”.
PRINCÍPIO DA REPARABILIDADE PLENA

“São direitos básicos do consumidor: [...]


a efetiva prevenção e reparação de danos
patrimoniais e morais, individuais,
coletivos e difusos”.

Art. 6o, inciso VI


CONCEITO DE DANO MORAL

Dano moral → Violação a um direito da personalidade.


Causa um distúrbio/desconforto anormal na vida do
indivíduo.

▪ Stricto sensu → Dignidade da pessoa humana


(honra, nome, intimidade, privacidade, liberdade)
▪ Lato sensu → Novos direitos da personalidade
(imagem, reputação, sentimentos, relações afetivas,
convicções)
CONCEITO DE DANO MORAL

▪ Dano psíquico
▪ Dano psicológico (depressão, síndrome, bloqueio...)

Observação: Não está necessariamente vinculado à reação


psíquica da vítima (Ex.: dor, vexame, sofrimento, humilhação…)
ASPECTOS DA HONRA
HONRA SUBJETIVA
▪ Interna
▪ Dignidade, autoestima
▪ É o que cada um pensa a respeito de si mesmo
▪ Exclusiva do ser humano (pessoa natural)

HONRA OBJETIVA
▪ Externa
▪ Reputação, nome e imagem perante a sociedade
▪ É referente ao que os outros pensam ao seu respeito
▪ Pessoa natural e jurídica
HONRA PROFISSIONAL

Valor social da pessoa perante o


meio onde exerce sua atividade.
SÚMULA 227- STJ

“A pessoa jurídica pode sofrer dano moral.”


“[...] Responsabilidade Civil. Ação de indenização por danos
morais. Ré que envia mensagem a atual companheira do autor
por meio de rede social (Facebook) acusando-o de agressão.
Ausência de prova nos autos dos fatos imputados ao autor.
Ofensas que ultrapassam o direito de crítica e de livre
manifestação. Liberdade de expressão que não deve se
sobrepor aos direitos fundamentais da honra e da imagem.
Indenização devida [...]” TJSP. Apelação 1000645-
93.2015.8.26.0224. Rel. Elói Estevão Troly.
INADIMPLEMENTO CONTRATUAL
EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO
“A indenização por injúria, difamação ou
calúnia consistirá na reparação do dano
que delas resulte ao ofendido.”

Art. 953, CC
EXPOSIÇÃO ESPONTÂNEA
SÚMULA 221 - STJ

“São civilmente responsáveis pelo


ressarcimento de dano, decorrente de
publicação pela imprensa, tanto o autor do
escrito quanto o proprietário do veículo de
divulgação.”
LIBERDADE DE
EXPRESSÃO
INVIOLABILIDADE DA Art. 5º, IX. CF → “é livre a expressão
da atividade intelectual, artística,
VIDA PRIVADA científica e de comunicação,
independentemente de censura ou
licença”.
Art. 5º, X, CF → “são invioláveis a
intimidade, a vida privada, a honra e a
imagem das pessoas, assegurado o LIBERDADE DE
direito a indenização pelo dano material
ou moral decorrente de sua violação”. INFORMAÇÃO
Art. 5º, XIV, CF → “é assegurado a
todos o acesso à informação e
resguardado o sigilo da fonte, quando
necessário ao exercício profissional.”
PROVA DO DANO MORAL
Regra geral: O dano deve ser provado por
quem alega.
In re ipsa → Deriva inexoravelmente do
próprio fato ofensivo.
▪ É aferido a partir das regras de experiência
comum.
INSCRIÇÃO INDEVIDA
LEGITIMAÇÃO PARA
PLEITEAR DANO MORAL

Regra → Toda e qualquer pessoa que


alega ter sofrido o dano.
Limite? Familiar? Fã?

Razoabilidade
TRANSMISSIBILIDADE DO DANO MORAL
mortis causa

Instransmissibilidade
“O herdeiro não sucede no sofrimento da vítima.”
(Léon Mazeaud)

Transmissibilidade Condicionada
Se a vítima do dano falece no curso da ação indenizatória
(STJ. Resp. 11.735/PR. Rel. Eduardo Ribeiro)

Transmissibilidade Incondicionada
O que se transmite não é o dano, mas a indenização
(STJ. Resp. 11.735/PR. – Pádua Ribeiro – voto divergente)
ARBITRAMENTO DO DANO MORAL

▪ Inexistência de critérios definidos e uniformes


▪ Princípio da Razoabilidade/Proporcionalidade

Padrão objetivo → Não deve considerer fatores


subjetivos, tais como uma sensibilidade
exacerbada ou a falta de sensibilidade.
ARBITRAMENTO JUDICIAL
O valor deve ser fixado na sentença

Fatores Considerados:
▪ Repercussão, intensidade e duração do dano
▪ Condição econômica e social do causador e da vítima
OBSERVAÇÃO

Não se aplica critério de tarifação no


arbitramento de danos morais.
FUNÇÕES DA RESPONSABILIDADE CIVIL
Compensação / Reparação
Consolo – lenitivo (substituto)

Punição / Prevenção
Desestímulo,
Aspecto dissuasório

Didático / Pedagógico Incute no sentimento


social o caráter de

Desmotivação social
ilicitude da conduta
“A vítima deve receber uma soma que lhe
compense a dor ou o sofrimento, a ser arbitrada
pelo juiz, atendendo às circunstâncias de cada
caso, e tendo em vista as posses do ofensor e a
situação pessoal do ofendido. Nem tão grande
que se converta em fonte de enriquecimento,
nem tão pequena que se torne inexpressiva.”

Caio Mario da Silva Pereira


O STJ reconheceu a necessidade de reparação a uma mulher que
teve sua foto ao lado de um noivo publicada em jornal do Rio
Grande do Norte, noticiando que se casariam. Na verdade, não
era ela a noiva, pelo contrário, ele se casaria com outra pessoa.
Em primeiro grau, a indenização foi fixada em R$ 30 mil, mas o
Tribunal de Justiça potiguar entendeu que não existiria dano a ser
ressarcido, já que uma correção teria sido publicada
posteriormente. No STJ, a condenação foi restabelecida (STJ.
Resp. 1.053.534/RN. Rel. Fernando Gonçalves. DJ. 23/09/2008.
Dje 06/10/2008).
PUNITIVE DAMAGES
SÚMULA 37 -STJ

“São cumuláveis as indenizações por


dano material e dano moral oriundos do
mesmo fato.”
DANO ESTÉTICO
▪ Lesão à beleza física, ou seja, harmonia das
formas externas de alguém (Ex.: feridas,
cicatrizes, aleijões, amputações etc. )
▪ Imagem relacionada com a capacidade laboral
▪ Causa vergonha, complexo de inferioridade etc.
▪ Dano in re ipsa
“Alteração morfológica de formação corporal
que agride a visão, causando desagrado e
repulsa.” (STJ. Resp. 65.393/RJ. Rel. Min. Ruy
Rosado de Aguiar. Dj. 30/10/2005; Resp. 84.752/RJ.
Rel. Min Ari Pargendler. Dj. 21/10/2000)
SÚMULA 387 - STJ

“É lícita a cumulação das indenizações


de dano estético e dano moral.”
DANO EXISTENCIAL
Só é percebido com o passar do tempo...

▪ Vida social (relação social)


Prejudica as relações externas.

▪ Projeto de vida
Impede as realizações pessoais.
Quando empregados são submetidos a jornadas
excessivas de trabalho, causando-lhes abalo
físico e psicológico, prejudicando a fruição do
direito ao lazer e ao convívio social.
ABANDONO AFETIVO
SUGESTÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR