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POLÍTICAS PÚBLICAS

Tema: Políticas Públicas - Educação


CENTRO UNIVERSITÁRIO
LEONARDO DA VINCI
Rodovia BR 470, Km 71, nº 1.040, Bairro Benedito
89130-000 - INDAIAL/SC
www.uniasselvi.com.br

Curso sobre Políticas Públicas


Centro Universitário Leonardo da Vinci

Autora
Ana Clarisse Alencar Barbosa

Organização
Elisabeth Penzlien Tafner
Meike Marly Schubert
Sonia Adriana Weege
Tatiana Milani Odorizzi

Reitor da UNIASSELVI
Prof. Hermínio Kloch

Pró-Reitoria de Ensino de Graduação a Distância


Prof.ª Francieli Stano Torres

Pró-Reitor Operacional de Ensino de Graduação a Distância


Prof. Hermínio Kloch

Diagramação e Capa
Letícia Vitorino Jorge

Revisão
Joice Carneiro Werlang
José Roberto Rodrigues
Políticas Públicas 1

POLÍTICAS PÚBLICAS: EDUCAÇÃO

Ementa

A política pública de educação no Estado brasileiro.

1 INTRODUÇÃO

Quando falamos em políticas públicas, estamos nos referindo aos direitos e deveres
do Estado para com as pessoas que compõem a sociedade e, assim como o Estado, gozam
de seus direitos civis e políticos. Estamos também sujeitos ao conjunto de normas jurídicas
e sociais, formando assim um marco regulatório previamente fixado no que diz respeito à
distribuição harmônica dos elementos que formam os direitos, deveres e responsabilidades
em prol do desenvolvimento educacional, econômico e social. A vida em sociedade está ligada
à política e não há ação social sem ação política, quer seja promovida pelo Estado ou pela
sociedade (RAMOS; BREZINSKI, 2014).

2 POLÍTICA PÚBLICA ATUAL

O termo política possui várias definições, as quais denotam a organização e o estudo


das ações a serem realizadas para o bem-estar da população. Percebemos que a política é
algo complexo, mas que se bem administrado ou exercido poderá ter efeitos positivos junto à
população.

As primeiras reflexões sobre o que é política surgiram na Grécia antiga, com os


filósofos, a quem eram atribuídos os dons do pensamento, das ideias e, consequentemente,
do conhecimento.

Pode-se citar Sócrates e dois de seus principais sucessores, Platão e Aristó-


teles, como sendo os primeiros a tratarem das questões da ética e da política.
A Grécia era considerada o berço da democracia, ainda que nem todos os
seus iluminados viam no modelo democrático a melhor maneira de conduzir
o povo. Ao aproximar-se das leituras sobre a vida e obra desses pensadores,
percebe-se, por conclusão, que para eles a solução para os problemas da
sociedade deve passar, necessariamente, pela educação. Passados mais
de dois mil anos, continua-se lutando pelos mesmos direitos à igualdade e
combatendo-se os mesmos problemas relacionados à ética e à moral, sem as
quais não se exercita a verdadeira política. (RAMOS; BREZINSKI, 2014, p. 9)

Portanto, “o cotidiano (político) é construído por aqueles que interagem nesse contexto.
Fazer política é interagir nos acontecimentos e participar criticamente da sua história” (RAMOS;
BREZINSKI, 2014, p. 9).

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A política sempre está ligada ao exercício do poder em sociedade, seja em


nível individual, quando se trata das ações de comando, seja em nível coletivo,
quando um grupo (ou toda sociedade) exerce o controle das relações de poder
em uma sociedade (SANTOS, 2012, p. 2).

Assim, as políticas públicas são de responsabilidade do Estado, com base em


organismos políticos e entidades da sociedade civil, que derivam de normatizações, ou seja,
se estabelece um processo de tomada de decisões, nossa legislação. Ao iniciarmos nossos
estudos sobre a organização da educação no Brasil, precisamos ter em mente que a educação
é intencional, principalmente no que diz respeito ao sistema escolar. Os atores que permitem
discussões sobre um determinado problema da sociedade são: a sociedade civil organizada;
os servidores públicos e os políticos.

As etapas ou fases do processo da política distinguem-se de acordo com o entendimento


de cada autor, mas comumente podem se classificar como:
• Identificação do problema: é a primeira etapa e consiste na identificação, ou le-
vantamento do problema a ser considerado como foco da política pública.
• Agenda: é a etapa em que se definem os focos de atuação do governo. É o con-
junto de problemas e demandas que comporão o plano de ação. A formação da
Agenda de Governo consiste numa fase tumultuada e competitiva, com os envol-
vidos dedicados na conquista de espaço para os interesses que defendem.
• Tomada de decisão: adoção da política, em consenso (de comum acordo), as
partes decidem sobre os diversos aspectos, ou focos, que a política abrangerá.
• Implementação: é a etapa em que as decisões deixam de ser intenções e pas-
sam a ser intervenções na realidade.
• Monitoramento, Avaliação, Ajustes: são etapas de acompanhamento do processo
de formulação/elaboração da política, oferecendo informações para possíveis
ajustes na direção dos resultados esperados. (RAMOS; BREZINSKI, 2014, p. 14-
15).

Com base nesses argumentos, a educação no contexto brasileiro está prevista, é regida
(legislada) por normas jurídicas que compelem os cidadãos e o poder público a cumpri-las. De
acordo com Motta (1997, p. 75), a educação é a:

[...] manifestação cultural que, de maneira sistemática e intencional, forma e


desenvolve o ser humano. [...] A educação é a ação exercida pelas gerações
adultas sobre as gerações que não se encontram ainda preparadas para a
vida social; tem por objetivo suscitar e desenvolver na criança certo número
de estados físicos, intelectuais e morais reclamados pela sociedade política no
seu conjunto e pelo meio especial que a criança, particularmente, se destina.

Estes princípios e fins aparecem no texto da Constituição Federal de 1988 e posteriormente


são reafirmados na Lei de Diretrizes e Bases - LDB, Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996,
direcionando a educação brasileira, e que em seu Art. 2˚ trata “Dos Princípios e Fins da Educação
Nacional” (BRASIL, 1996).

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Desta forma, a LDB 9.394/96 regulamentou o que foi tratado sobre educação na
Constituição Federal abordando a educação escolar. O Título V trata dos Níveis e das Modalidades
de Educação e Ensino; em seu Capítulo I, demonstra a composição dos níveis escolares, formada
pela Educação Básica; Educação de Jovens e Adultos; Educação Profissional; Educação Superior
e Educação Especial.

Educação Básica é formada de três etapas: Educação Infantil, Ensino Funda-


mental e Ensino Médio. Conforme a LDB, são finalidades da Educação Básica
‘[...] desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável
para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e
em estudos posteriores’ (art. 22).
As modalidades importam em atendimentos afeitos a peculiaridades que podem
dizer respeito a uma população específica ou a objetivos de formação mais espe-
cializada ou complementar. No primeiro caso, encontramos a educação de jovens
e adultos e a educação especial. No segundo caso, a educação profissional.
A educação de jovens e adultos (EJA) enseja a escolarização daqueles que não
tiveram acesso ou continuidade de estudos no Ensino Fundamental ou Médio.
Contempla cursos de EJA e exames supletivos. Os cursos e os exames são
acessíveis para estudantes maiores de 15 anos (Ensino Fundamental) e de 18
anos (Ensino Médio).
A educação especial destina-se aos educandos portadores de necessidades
especiais e deve estar contemplada em todas as etapas da educação. A le-
gislação estabelece a sua oferta preferencial na rede regular de ensino e em
classes comuns, embora possibilite a oferta desta modalidade em classes e
escolas especiais.
Pode-se identificar a inserção da educação profissional na Educação Básica de
três modos: ensino técnico - concomitante, integrado ou sequencial ao Ensino
Médio, inclusive EJA; formação inicial e continuada de trabalhadores articulada
ao Ensino Fundamental ou Médio, inclusive EJA; preparação básica para o
trabalho no Ensino Fundamental e Médio, inclusive EJA (FARENZENA, 2010).

Como podemos ver, a preocupação em fortalecer a educação como um direito, um


currículo integrado, é o ponto de partida para assegurar os direitos fundamentais da sociedade.
Para que essa proposta ocorresse na educação brasileira tivemos mudanças significativas,
principalmente a partir da LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação, Lei no 9.394, de 1996,
que marcou a educação e fez com que gerasse muito investimento, tanto no sentido intelectual
como financeiro. Um dos princípios da LDB é a valorização do profissional da educação escolar,
a qual defende que

A formação dos profissionais da educação, de modo a atender às especifici-


dades do exercício de suas atividades, bem como aos objetivos das diferentes
etapas e modalidades da educação básica, terá como fundamentos:
I – a presença de sólida formação básica, que propicie o conhecimento dos
fundamentos científicos e sociais de suas competências de trabalho;
II – a associação entre teorias e práticas, mediante estágios supervisionados
e capacitação em serviço;
III – o aproveitamento da formação e experiências anteriores, em instituições
de ensino e em outras atividades (BRASIL, 1996, art. 61).

A partir daí, muitos acordos e reformas foram realizados na educação, priorizando a


qualidade da mesma. O Plano Nacional de Educação para o decênio 2011-2020 indica algumas
diretrizes que demonstram esse interesse, enfatizando a melhoria da qualidade de ensino,

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a formação para o trabalho, a valorização dos profissionais da educação, entre outras que
indiretamente também enfocam a formação docente. Dentre as 20 metas traçadas do PNE
para até 2020, seis (da 13 até a 18) pretendem aumentar a qualidade do ensino com base na
formação inicial e principalmente continuada, em diferentes níveis.

IMPO
RTAN
TE!

Desafios não faltam para o novo governo do país
Conhecidos de quem atua na área, os problemas precisam ser
enfrentados com seriedade para que o ensino avance
Bruno Mazzoco (bruno.mazzoco@fvc.org.br)

No último ciclo presidencial, a principal conquista no campo educacional foi


a aprovação do Plano Nacional de Educação (PNE). Depois de quase quatro anos de
idas e vindas nas duas casas legislativas, sucessivas alterações e a participação da
sociedade civil no processo de discussão, temos finalmente um plano que norteia,
com força de exigência constitucional, as políticas públicas da área para o próximo
decênio. O documento, no entanto, não garante a implementação das metas.
São necessárias leis específicas e medidas efetivas para que elas saiam do papel.
Mesmo assim, é certo que a execução do PNE irá pautar o setor nos próximos anos.
Resumimos a seguir os principais desafios a serem enfrentados pelo novo governo. 

A promoção de uma educação pública de qualidade é uma tarefa que deve envolver,
de forma articulada, União, estados e municípios, conforme previsto no artigo 211 da
Constituição. Na situação atual, porém, secretarias estaduais e municipais de Educação
atuam de maneira desconectada. Para diminuir as lacunas entre os diferentes sistemas
de ensino, a lei do PNE estabelece a criação, até junho de 2016, do Sistema Nacional
de Educação (SNE), que deve organizar e articular as metas estabelecidas no plano e
as medidas complementares necessárias para a implementação. Cabe à Presidência da
República enviar a proposta de lei ao Congresso Nacional e acompanhar a tramitação.
As questões relativas a financiamento dividem o debate público em duas correntes.
De um lado estão os que defendem mais recursos para a educação pública. De outro,
os que sustentam que o problema é apenas a má gestão do dinheiro. Se levarmos em

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conta que o gasto do Brasil por aluno é equivalente a um terço do investido pelos países
desenvolvidos, conforme dados do relatório Education at Glance, divulgados este ano
pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), e que a
infraestrutura das escolas, a formação e a valorização de professores ainda deixam a
desejar, chegamos à conclusão de que melhorar a gestão é necessário, mas aumentar
o aporte de recursos é fundamental.

FONTE: Disponível em: <http://revistaescola.abril.com.br/politicas-publicas/desafios-nao-faltam-


novo-governo-pais-ensino-educacao-832920.shtml?page=0>. Acesso em:

Outro documento importante são os Parâmetros Curriculares Nacionais. Sua história


começa a partir da década de 80, com as mudanças econômicas e sociais de nível mundial e
a abertura da política nacional. A partir desse momento, as discussões políticas passaram a
privilegiar o tema da democracia. Com base nesse tema, as reflexões propiciaram a instauração
e consolidação de um governo e de um regime democrático.

Em decorrência dos debates e dada a importância da democracia, a Assembleia Nacional


Constituinte, em 1988, institui o Estado Democrático de Direito, regulamentado pela Constituição
da República Federativa do Brasil, denominada Constituição Cidadã. Ela estabelece como
princípios fundamentais: “I - a soberania; II - a cidadania; III - a dignidade da pessoa humana;
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V - o pluralismo político” (BRASIL, 1988,
Título 1).

FIGURA 17 - CONSTITUIÇÃO CIDADÃ DE 1988

FONTE: Disponível em: <http://www.mundoeducacao.com/upload/


conteudo_legenda/8e426990caf5533da936acd858c65f32.
jpg>. Acesso em

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O artigo 5º dispõe sobre os direitos e deveres individuais e coletivos, segundo o qual


“todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza” (BRASIL, 1988, Título II -
Dos Direitos e Garantias Fundamentais). Desse modo, no artigo 6º são indicados os direitos dos
cidadãos; constam como “direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, o lazer, a segurança,
a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados,
na forma desta Constituição” (BRASIL, 1988, Capítulo II - Dos Direitos Sociais).

A defesa do exercício da cidadania na escolarização está deliberada no artigo 205: “a


educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com
a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para
o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. (BRASIL, 1988)

Para a disseminação da educação cidadã, outros documentos são produzidos a partir


de reuniões e pactos mundiais, como a Declaração Mundial sobre Educação para Todos,
ocorrida em Jomtien – Tailândia.

Em 1990 reuniram-se representantes dos seguintes países: Indonésia, China,


Bangladesh, Brasil, Egito, México, Nigéria, Paquistão e Índia, para discutir sobre a satisfação
das necessidades básicas de aprendizagem, considerando que todo cidadão tem direito à
educação, e ainda, que a educação favoreça “o progresso social, econômico e cultural, a
tolerância e cooperação internacional”. (UNESCO, 1998, s/p). Para suprimir os problemas da
educação, melhorar a qualidade e disponibilidade, a Declaração traça objetivos como medidas
necessárias à educação para todos. Assim, os países citados comprometeram-se em cooperar
e responsabilizar-se com as metas construídas. A partir desse documento, cada país construiu
planos e metas para alcançar os objetivos educacionais.

ÇÃO!
ATEN

Você imagina quais foram as metas traçadas no encontro


mundial que resultou na Declaração Mundial sobre Educação
para Todos?
As finalidades traçadas são: 1 Satisfazer as necessidades
básicas de aprendizagem; 2 Expandir o enfoque; 3
Universalizar o acesso à educação e promover a equidade;
4 Concentrar a atenção na aprendizagem; 5 Ampliar os
meios de e o raio de ação da educação básica; 6 Propiciar
um ambiente adequado à aprendizagem; 7 Fortalecer as
alianças; 8 Desenvolver uma política contextualizada de
apoio; 9 Mobilizar os recursos; e 10 Fortalecer a solidariedade
internacional (UNESCO, 1998).

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Ao encontro desse documento, o governo brasileiro inicia discussões a respeito da


educação nacional e a construção de políticas de educação, que discorrem sobre a atualização
de processos formativos, processos de avaliação, a formação docente, a relação aluno-
professor, a gestão escolar, o currículo escolar e a criação de projetos, de reformas e de planos.
O PCN é um documento norteador formulado a partir dessas políticas de educação.

Assim, em 1995, a elaboração dos PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais é iniciada,


sendo concluída somente em 1997, no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso.
Fique atento, acadêmico, ao estudo desse documento, pois as políticas de educação têm
objetivos traçados, como toda a prática docente possui.

O objetivo dos PCN (BRASIL, 1997a) é estabelecer à equipe pedagógica uma referência
curricular e apoio na elaboração do currículo e do projeto pedagógico. Conforme os PCN,
esse documento é o resultado de um trabalho que contou com a participação de um grupo
de especialistas ligado ao Ministério da Educação (MEC), produzido a partir de estudos e
do contexto das discussões pedagógicas atuais, no decurso de seminários e debates com
professores que atuam em diferentes graus de ensino.

FIGURA 18 – CONSTRUÇÃO DOS PCN

FONTE: Disponível em: <http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/portugues/img/0056.jpg>.


Acesso em:

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O documento dos PCN consiste em uma referência nacional para o Ensino Fundamental
e Médio. Sua elaboração é de primeiro nível de concretização curricular, seguido de propostas
curriculares dos Estados e municípios, que poderão ser utilizados como recurso para adaptações
ou elaborações curriculares realizadas pelas Secretarias de Educação (BRASIL, 1997a).

O texto dos PCN tem função definidora do currículo mínimo, orienta práticas pedagógicas
e organiza a estrutura escolar. Estabelece o plano curricular indicando conteúdos, objetivos,
práticas educativas e sugestões de avaliação. Como é um documento de nível nacional, tenta
abranger e ter aplicabilidade em todo o território nacional, de maneira homogênea. (BARBOSA;
FAVERE, 2013).

Os PCN do Ensino Fundamental, do primeiro ao nono ano, são compostos de módulos


divididos em: Volume 1: Introdução; Volume 2: Língua Portuguesa; Volume 3: Matemática;
Volume 4: Ciências Naturais; Volume 5: História e Geografia; Volume 6: Arte; Volume 7:
Educação Física; Volume 8: Apresentação dos Temas Transversais e Ética; Volume 9: Meio
Ambiente e Saúde; e Volume 10: Pluralidade Cultural e Orientação Sexual.

Já os PCN do Ensino Médio são assim distribuídos: Bases legais; Linguagens, Códigos
e suas tecnologias; Ciências da natureza, Matemática e suas tecnologias; Ciências humanas
e suas tecnologias.

NOT
A!

Caro acadêmico, a Educação Infantil também tem documentos
norteadores do currículo, que são: Referencial Curricular Nacional
para Educação Infantil – RECNEI e Parâmetros Nacionais de
Qualidade para a Educação Infantil. O primeiro documento pretende
orientar o professor, além de discutir conceitos importantes como
educar e cuidar, entre outros. O RECNEI está dividido em unidades,
que são: Introdução, Formação Pessoal e Social e Conhecimento de
Mundo, Identidade e Autonomia das crianças e Movimento, Música,
Artes Visuais, Linguagem Oral e Escrita, Natureza e Sociedade
e Matemática. Já o segundo documento está disponível em dois
volumes e apresenta recomendações para promover a igualdade
de oportunidades educacionais.
Para conhecer melhor os documentos, respectivamente, acesse:

<http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/rcnei_vol1.pdf>

<http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Educinf/eduinfparqualvol1.pdf>

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Uma das preocupações centrais dos PCN é o tema da cidadania, da formação cidadã.
Mais do que o ensino de conteúdos básicos, hoje, na escola, a aprendizagem da cidadania
é legitimada e indispensável. A disseminação dessa aprendizagem transita em documentos
oficiais, em autores que escrevem sobre educação e em projetos pedagógicos das escolas.
Os PCN defendem que o fundamento da sociedade democrática é reconhecer o sujeito de
direito (BRASIL, 1997b).

Com base na Constituição de 1988 e na LDB, os Parâmetros Curriculares Nacionais


propõem uma educação comprometida com a cidadania, sendo pautados em princípios que
devem orientar a educação escolar: dignidade da pessoa humana, igualdade de direitos,
participação e corresponsabilidade pela vida social. Conforme os PCN, “a educação para a
cidadania requer, portanto, que questões sociais sejam apresentadas para a aprendizagem e
a reflexão dos alunos”. (BRASIL, 1997b, p. 25)

Os conteúdos dos PCN, de acordo com Barbosa (2000, p. 71), partem

do princípio de que os conteúdos de ordem cognitiva veiculados pela escola


– de forma fragmentada, em razão da especialização do conhecimento de
cada área – não seriam suficientes para atender às demandas da atualidade
em relação ao perfil ideal do novo homem, para que este homem pudesse
inserir-se no mundo do trabalho, exercer a sua cidadania e participar na cons-
trução do bem comum. A educação deveria voltar-se, a partir de então, para
a formação integral dos alunos. Foi, assim, proposta a ampliação da concep-
ção de conteúdo escolar, que deveria agora incorporar o ensino de hábitos,
atitudes, valores, normas e procedimentos que pudessem contribuir para o
desenvolvimento e socialização dos alunos.

A inclusão dos temas transversais é um assunto novo, possível na sociedade atual,


visando uma nova formação comparada a formações anteriores, trazendo assuntos de fora, da
sociedade, para dentro da escola. Assim, além de objetivos cognitivos, os PCN traçam objetivos
morais e atitudinais.

Os PCN foram elaborados com a contribuição de um professor espanhol, César Coll. A


proposta brasileira pretendeu implantar uma reforma curricular, dar direcionamento ao trabalho
do professor, bem como o que se deve esperar do aprendizado do aluno, ou seja, o que deve
conter no currículo escolar. (BARBOSA; FAVERE, 2013)

Os PCN pretendem atender às deliberações da Constituição Federal de 1988 e assim


fixar conteúdos mínimos para o ensino, construindo uma formação básica e respeitando as
especificidades regionais.

Citando Barreto (2000, p. 35), “o governo federal passa pela primeira vez, em meados dos
anos noventa, a fazer ele próprio prescrições sobre currículo, que vão muito além das normas e
orientações gerais que caracterizaram a atuação dos órgãos centrais em períodos anteriores”.

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Com o intuito de transformar a realidade educacional, o documento defende que “faz-se


necessária uma proposta educacional que tenha em vista a qualidade da formação a ser oferecida
a todos os estudantes”. (BRASIL, 1997a, p. 27).

A intenção dos PCN é que o professor tenha um auxílio em sua ação de reflexão sobre o
cotidiano da prática pedagógica, que continuamente esse cotidiano transforma-se e exige novas
competências docentes. Nesse sentido, com esse documento se prevê que seja possível:

- rever objetivos, conteúdos, formas de encaminhamento das atividades, expec-


tativas de aprendizagem e maneiras de avaliar;
- refletir sobre a prática pedagógica, tendo em vista uma coerência com os
objetivos propostos;
- preparar um planejamento que possa de fato orientar o trabalho em sala de aula;
- discutir com a equipe de trabalho as razões que levam os alunos a terem maior
ou menor participação nas atividades escolares;
- identificar, produzir ou solicitar novos materiais que possibilitem contextos mais
significativos de aprendizagem;
- subsidiar as discussões de temas educacionais com os pais e responsáveis.
(BRASIL, 1997a, p. 12)

A proposta apresentada pelos PCN não tem uma concepção rígida de currículo; é flexível,
com o objetivo de considerar a diversidade brasileira e respeitando a autonomia do professor e
equipe pedagógica.

Acadêmico, apresentamos aqui uma imagem disponibilizada em outro documento


importante do MEC, “Ensino Fundamental de Nove anos”, que contribui para percebermos a
organização desse nível de ensino:

Quadro 10 - ENSINO FUNDAMENTAL DE NOVE ANOS

FONTE: Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Ensfund/noveanorienger.pdf>.


Acesso em:

A figura acima nos indica uma organização que atualmente deve ser planejada em seu
conjunto, ou seja, projetando essa prática para o trabalho do professor, em que “esta é uma
oportunidade preciosa para uma nova práxis dos educadores, sendo primordial que ela aborde
os saberes e seus tempos, bem como os métodos de trabalho, na perspectiva das reflexões
antes tecidas”. (BRASIL, 2004, p. 18)

Assim, temos que dar continuidade na definição e redefinição das práticas e das ações,
que devem ser realizadas com a mesma rapidez e complexidade com que ocorre o processo
de transformação, não só no Brasil, mas em escala mundial.

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A importância que adquirem, nessa nova realidade mundial, a ciência e inova-


ção tecnológica tem levado os estudiosos a denominar a sociedade atual de
sociedade do conhecimento, sociedade técnico-informacional ou sociedade
tecnológica, o que significa que o conhecimento, o saber e a ciência assumem
papel muito mais destacado do que anteriormente. Na atualidade, as pessoas
aprendem na fábrica, na televisão, na rua, nos centros de informação, nos
vídeos, no computador, e cada vez se ampliam os espaços de aprendizagem.
(LIBÂNEO, 2012, p. 62-64, grifos do autor)

A instituição escolar, portanto, já não é considerada o único meio ou o meio mais


eficiente e ágil de socialização dos conhecimentos técnico-científicos e de desenvolvimento
de habilidades cognitivas e competências sociais requeridas para a vida prática.

A tensão em que a escola se encontra não significa, no entanto, seu fim como instituição
socioeducativa ou o início de um processo de desescolarização da sociedade. Indica, antes,
o início de um processo de reestruturação dos sistemas educativos e da instituição tal como a
conhecemos. A escola hoje precisa não apenas conviver com outras modalidades de educação
não formal, informal e profissional, mas também, articular-se e integrar-se a elas, a fim de
formar cidadãos mais preparados e qualificados para um novo tempo. Para isso, o ensino
escolar deve contribuir para:

a) Formar indivíduos capazes de pensar e aprender permanentemente (capacitação


permanente) em um contexto de avanço das tecnologias de produção e de modificação da
organização do trabalho, das relações contratuais capital/trabalho e dos tipos de empregos.
b) Prover formação global que constitua um patamar para atender à necessidade de
maior e melhor qualificação profissional, de preparação tecnológica e de desenvolvimento de
atitudes e disposições para a vida numa sociedade técnico-informacional.
c) Formar cidadãos éticos e solidários.

Assim, pensar o papel da escola nos dias atuais sugere levar em conta questões
relevantes. A primeira e, talvez, a mais importante é que as transformações mencionadas
representam uma reavaliação que o sistema capitalista faz de seus objetivos.

No entanto, quando o autor Libâneo (2012) faz o alerta de que o ensino escolar deve
contribuir para formar indivíduos capazes de pensar e aprender permanentemente dentro do
contexto tecnológico e das relações capital/trabalho, poderia, aí, ser acrescentado o termo
“harmonização das relações trabalhistas”.

O que quer dizer que a educação pode e deve ter uma relação próxima e significativa
com o capitalismo, uma vez que o desenvolvimento educacional deixou de ser estável, isto
é, com hora e local predeterminado. Hoje, a informação e o conhecimento não têm fronteira,
eles estão em toda parte, principalmente nas organizações produtoras de bens e serviços.
Ainda segundo o autor, “a escola deixou de ser o único meio de socialização do conhecimento”,

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seguindo a mesma linha de raciocínio com relação ao capital/trabalho. Liedke (2002, p. 345-
346) afirma que:

No limiar do século 21, os avanços da tecnologia microeletrônica e da racio-


nalização das técnicas organizacionais do processo de trabalho, orientados
por conceitos como produção flexível, produção enxuta e especialização fle-
xível, em um contexto de competição capitalista global, colocam em xeque a
centralidade do trabalho. Decorridos três séculos de predomínio da sociedade
industrial, o trabalho passa a assumir um conteúdo crescentemente intelectual,
em contraposição ao conceito de trabalho físico, manual. Aumenta a impor-
tância da informação, do trabalho imaterial, em contraposição ao conceito
convencional de trabalho, centrado na ideia de transformação da natureza.
Para alguns estudiosos, teria chegado o momento, na história da humanidade,
de separarem-se, novamente, os conceitos de trabalho, emprego e identi-
dade social e individual. Outras formas de socialização, de construção das
identidades sociais e individuais deverão voltar-se para atividades de cunho
comunitário, como escolas, clínicas, clubes de bairro, manutenção de infraes-
trutura nas cidades, envolvendo várias formas de trabalho voluntário (KUMAR,
1985: CACCIAMALI, 1996). Estudos recentes apontam para a importância de
políticas voltadas ao estímulo das atividades intensivas em mão de obra, ao
mesmo tempo em que defendem a necessidade de diminuição da jornada de
trabalho semanal (MATTOSO, 1996; ANTUNES, 1996). Mais do que simples
especulação, os desafios são amplos e incertas as alternativas. Porém, pare-
ce certo que as formas precárias de ocupação da força de trabalho (trabalho
temporário, desregulamentação do trabalho, rebaixamento dos salários) estão
longe do conceito aristotélico de trabalho humano como obra criativa, livre da
esfera da necessidade.

No entanto, a Revolução Tecnológica vai além do fenômeno relacionado com a dinâmica


da informação e comunicação, pois ela é também o objeto de dinamização dos saberes,
conceitos e dos valores individuais e sociais. Sendo assim, essas tecnologias têm se mostrado
eficientes e flexíveis em todos os aspectos da vida cotidiana, seja no âmbito das relações sociais,
econômicas e educacionais, principalmente por oferecerem uma gama de alternativas que
podem e devem ser utilizadas na busca de soluções e na melhoria dos métodos e das formas
de ensinar e aprender. Isto porque, como sabemos, não existe uma homogeneidade regional,
isto é, as políticas públicas não conseguem equacionar ou resolver os problemas relacionados
à distribuição dos meios e recursos necessários ao desenvolvimento do indivíduo, do processo
educativo e do desenvolvimento econômico, onde todos esses conceitos fazem parte da cadeia
produtiva como um todo, pois um país só se desenvolve com educação, emprego e distribuição
equitativa de renda, o que vai ao encontro dos princípios da igualdade.

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Políticas Públicas 13

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