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UNIVERSIDADE PAULISTA – UNIP

ALANIS SILVA MOURA N2684E-9


ALICE ZARA DA SILVA D6220J-6
GABRIELA MOTA DE BRITO FREIRE N37319-9
TAUANY DE S. CORREIA DA SILVA N306DJ-5

“A ONDA” E A IDEOLOGIA DE UMA DITADURA MODERNA


Análise crítica do filme

SÃO PAULO
2019
ALANIS SILVA MOURA N2684E-9
ALICE ZARA DA SILVA D6220J-6
GABRIELA MOTA DE BRITO FREIRE N37319-9
TAUANY DE S. CORREIA DA SILVA N306DJ-5

“A ONDA” E A IDEOLOGIA DE UMA DITADURA MODERNA


Análise crítica do filme

Trabalho acadêmico apresentado


como requisito para obtenção de
nota do 1º bimestre da matéria de
Temas em Psicologia Social da
Universidade Paulista – Unip.

Professora: Ludmila Oliveira

SÃO PAULO
2019
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A Onda é um filme alemão, lançado em 2008 que foi feito a partir de um


experimento chamado “Terceira Onda” realizado em 1967 na Cubberley High School,
localizada na Califórnia e foi exercido por um professor de história chamado Ron
Jones após um aluno questionar como o povo alemão seguira tão facilmente a
ideologia de Adolf Hitler.

Esse experimento é retratado no filme A Onda e mostra todo o seu processo


em uma escola na Alemanha, lugar onde ocorreu a ditadura nazista. O professor
chamado Rainer Wenger dará aulas sobre autocracia, que seria quando um indivíduo
ou grupo domina as massas e tem poder ilimitado para mudar as leis caso ache
necessário. Durante as aulas ocorrem debates e os alunos afirmam que não acreditam
que a volta de uma ditatura seria possível na Alemanha moderna, após isso ser
declarado, o professor decide começar um experimento.

Nessa escola, as mesas são divididas em grupos, o que dava liberdade aos
alunos para que sentassem junto com seus colegas mais próximos, porém, a partir
dali o professor decide muda as coisas. Coloca todas as cadeiras enfileiras, determina
que os alunos devem se levantar para falar e devem chama-lo de “senhor Wenger”,
começando assim, a definir os requisitos de um sistema autocrático.

Quando o professor Wenger verbaliza as regras, vemos que ele nos mostra
que suas ideias tem origens na realidade e que são autônomas pois os alunos
aprendem naquela forma constituída como “formal”, desenvolvendo uma
representação ilusória. “A ideologia é, assim, uma representação ilusória que fazemos
do real. O ilusório da ideologia está em que parte da realidade fica ocultada nas
constituições ideais. Na Psicologia, ao construir as noções e teorizações sobre o
fenômeno psicológico, temos ocultado sua produção social.” (BOCK, 2007, P. 24)

De acordo com Pedrinho Guareschi, “todas as pessoas, ou grupos sociais,


possuem sua ideologia, pois é impossível alguém não ter suas ideias, ideais ou
valores próprios.”, logo, assim vai se formando a ideologia do grupo que se
autodenominou de “A Onda”. Juntos, eles decidem como será a identidade do
movimento, decidem a logo, a saudação que deverá ser feita por todos e as roupas
que devem usar, que seria um sinal visual de união, utilizando uniformes simples e de
baixo custo, que acabaria por eliminar as diferenças sociais.
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No livro “O Que é Ideologia”, Chauí cita a teoria das quatro causas de


Aristóteles sendo as causas material, formal, motriz e final. No momento de
construção do grupo “A Onda” tinha um propósito colocado pelo professor de dar fim
a diferenças sociais e hierárquica inicialmente na escola. Isso seria a causa final da
teoria da causalidade, o motivo da existência e o sentido do grupo. “Um dos traços
fundamentais da ideologia consiste, juntamente, em tomar as ideias como
independentes da realidade histórica e social, de modo a fazer com que tais ideias
expliquem aquela realidade, quando na verdade é essa realidade que torna
compreensíveis as ideias elaboradas.” (CHAUÍ, 2008, p. 10-11)

Essa comunidade vai tomando grande proporção, fazendo com que os alunos
levem isso para fora da escola e resolvam deixar a marca do grupo pela cidade através
de adesivos e grafites com a logo da “A Onda”. Eles vão se opondo a todos que não
estão de acordo com o movimento e ocorre a exclusão dos que não concordam com
a ideologia deles, gerando um comportamento agressivo e de dominação nos alunos.

“A dominação é uma relação, e se dá quando determinada pessoa expropria


poder (capacidades) de outro, ou quando relações estabelecidas de poder são
sistematicamente assimétricas, fazendo com que determinados agentes, ou grupos
de agentes, não possam participar de determinados benefícios, sendo assim
injustamente deles privados, independentemente da base sobre a qual tal exclusão é
levada a efeito.” (GUARESCHI, 2011, p. 97)

Após o professor perceber a proporção que o movimento estava tomando e os


efeitos que estava gerando na vida dos alunos, Wenger decide acabar com a
comunidade, organizando uma palestra e mostrando como uma nova ditatura foi
criada e como os alunos estavam seguindo cegamente aos ideais criados, a
mensagem que ele queria passar desde o início foi concretizada. O fim da “A Onda”
gerou revolta em um aluno que apostou sua vida no grupo e viveu intensamente cada
ideia, ele acabou tomando uma medida drástica ao final do filme tirando sua própria
vida. “Estas relações se dão através da mediação de grupos sociais dos quais um
indivíduo participa, necessariamente, a fim de garantir sua sobrevivência, assim, além
de adquirir a linguagem produzida por esta sociedade, desenvolve o pensamento, os
afetos e sentimentos. É neste processo de interação que se desenvolve a sua
Identidade, como categoria constitutiva de seu psiquismo." (Lane, 2002, p. 12). Com
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isso, os alunos tiveram discernimento de como isso pode voltar a ocorrer e do que ela
é capaz.

“O que vai mostrar se uma ideia, ou uma instituição, possui uma dimensão
negativa é a maneira como é empregada, isto é, sua função, se ela serve, ou não,
para criar ou reproduzir relações que chamaremos, daqui para a frente, de relações
de dominação.” (GUARESCHI, 2011, p. 94)

Vemos no início do filme como a palavra é o marco inicial para se começar uma
ideologia, em que "a palavra se torna poderosa quando alguma ‘autoridade’ social
impõe um significado único e inquestionável, que determina uma ação automática."
(LANE, 1981, p.29).
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REFERÊNCIAS

GUARESCHI, P. et. al. Psicologia Social Contemporânea. 15º ed. Rio de Janeiro:
Editora Vozes, 2011.

CHAUÍ, M. O que é ideologia. 2º ed. São Paulo: Editora Brasiliense, 2001.

BOCK, A. M. B. et al. Sílvia Lane e o projeto do "Compromisso Social da


Psicologia". Psicol. Soc., Porto Alegre, v. 19, n. spe2, 2007.

BOCK, A. M. B. et al. Psicologia sócio-histórica: uma perspectiva crítica em


psicologia. 3º ed. São Paulo: Cortez, 2007.

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