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Banco de Brasília S.A.

BRB
Escriturário

MA015-19
Todos os direitos autorais desta obra são protegidos pela Lei nº 9.610, de 19/12/1998.
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OBRA

BRB - BANCO DE BRASÍLIA S.A.

ESCRITURÁRIO

EDITAL NORMATIVO Nº 1/CP-29 - BRB, DE 2 DE MAIO DE 2019

AUTORES
Português - Profª Zenaide Auxiliadora Pachegas Branco
Raciocínio Lógico e Matemática - Profº Bruno Chieregatti e Joao de Sá Brasil
Uso de Tecnologias em Ambientes Corporativos - Profº Ovidio Lopes da Cruz Netto
Governança Corporativa e Compliance - Profª Roberta Serafim e Silvana Guimarães
Inovação - Profª Silvana Guimarães
Lei Orgânica do Distrito Federal e Regime Jurídico dos Servidores do Distrito Federal - Profº Rodrigo Gonçalves
Conhecimentos Sobre o Distrito Federal e Sobre a Ride - Profº Heitor Ferreira
Conhecimentos Específicos - Conhecimentos Bancários - Profª Silvana Guimarães
Conhecimentos Específicos - Os Bancos na Era Digital - Profº Ovidio Lopes da Cruz Netto
Conhecimentos Específicos - Qualidade no Atendimento e Diversidade - Profº Rodrigo Gonçalves
Conhecimentos Específicos - Defesa do Consumidor - Profª Bruna Pinotti
Conhecimentos Específicos - Confidencialidade e Segurança da Informação - Profª Silvana Guimarães e Ovidio Lopes
da Cruz Netto
Conhecimentos Específicos - Probabilidade e Estatística - Profª Bruno Chieregatti e Joao de Sá Brasil

PRODUÇÃO EDITORIAL/REVISÃO
Elaine Cristina
Érica Duarte
Leandro Filho
Karina Fávaro

DIAGRAMAÇÃO
Elaine Cristina
Thais Regis
Danna Silva

CAPA
Joel Ferreira dos Santos

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SUMÁRIO
LÍNGUA PORTUGUESA

Compreensão e intelecção de textos.......................................................................................................................................................... 01


Tipologia textual................................................................................................................................................................................................. 03
Ortografia............................................................................................................................................................................................................... 04
Acentuação gráfica............................................................................................................................................................................................ 07
Emprego do sinal indicativo de crase......................................................................................................................................................... 09
Formação, classe e emprego de palavras.................................................................................................................................................. 12
Sintaxe da oração e do período....................................................................................................................................................................... 52
Pontuação.............................................................................................................................................................................................................. 61
Concordância nominal e verbal..................................................................................................................................................................... 63
Colocação pronominal...................................................................................................................................................................................... 69
Regência nominal e verbal........................................................... .................................................................................................................. 69
Equivalência e transformação de estruturas............................................................................................................................................ 75
Paralelismo sintático.......................................................................................................................................................................................... 76
Relações de sinonímia e antonímia.............................................................................................................................................................. 88

RACIOCÍNIO LÓGICO E MATEMÁTICA

Operações, propriedades e aplicações (soma, subtração, multiplicação, divisão, potenciação e radiciação).............. 01


Princípios de contagem e probabilidade. Arranjos e permutações. Combinações................................................................. 01
Conjuntos numéricos (números naturais, inteiros, racionais e reais) e operações com conjuntos................................... 07
Razões e proporções (grandezas diretamente proporcionais, grandezas inversamente proporcionais, porcentagem,
regras de três simples e compostas)......................................................................................................................................................... 29
Equações e inequações .................................................................................................................................................................................. 37
Sistemas de medidas. Volumes .................................................................................................................................................................... 44
Compreensão de estruturas lógicas........................................................................................................................................................... 48
Lógica de argumentação (analogias, inferências, deduções e conclusões)................................................................................... 58
Diagramas lógicos.............................................................................................................................................................................................. 59
Noções de Matemática Financeira. Juros simples e compostos. Capitalização e descontos. Taxas de juros: nominal,
efetiva, equivalente, proporcional, real e aparente. Rendas uniformes e variáveis. Planos de amortização de empréstimos
e financiamentos. Cálculo financeiro: custo real efetivo de operações de financiamento, empréstimo e investimento.
Inflação, variação cambial e taxa de juros................................................................................................................................................ 61

USO DE TECNOLOGIAS EM AMBIENTES CORPORATIVOS

Conceitos básicos e modos de utilização de tecnologias, ferramentas, aplicativos e procedimentos associados ao


01
uso de informática no ambiente de escritório..........................................................................................................................................
Aplicativos e uso de ferramentas na internet e(ou) intranet............................................................................................................. 05
SUMÁRIO
Softwares aplicativos do pacote Microsoft Office (Word, Excel, Power Point, Outlook e Access) e suas funcionalidades. 21
Navegadores web (Google Chrome e Internet Explorer)..................................................................................................................... 62
Computação nas nuvens: acesso a distância e transferência de informação............................................................................. 62
Aplicações e aplicativos em dispositivos móveis.................................................................................................................................. 64
Redes sociais......................................................................................................................................................................................................... 71
Internet das coisas.............................................................................................................................................................................................. 73

GOVERNANÇA CORPORATIVA E COMPLIANCE

Noções de governança corporativa. Gestão por processos. Gestão de riscos. Processos de análise e tomada de
decisão. Gerenciamento de crises .................................................................................................................................................................. 01
Compliance: conceitos, suporte da alta administração, código de conduta, controles internos, treinamento e
comunicação .......................................................................................................................................................................................................... 34
Legislação anticorrupção: Lei nº 12.846/2013 e Decreto no 8.420/2015 ....................................................................................... 35
Noções de Contratos .......................................................................................................................................................................................... 45
Lei 13.303/16 .......................................................................................................................................................................................................... 48
Conduta baseada no Código de Conduta Ética do BRB (disponível no endereço eletrônico http://www.iades.
com.br)........................................................................................................................................................................................................ 68

INOVAÇÃO

Lei nº 10.973/2004 ................................................................................................................................................................................................. 01


Empreendedorismo .............................................................................................................................................................................................. 06
Autoconhecimento e percepção de oportunidades ............................................................................................................................... 08
O processo de inovação. Geração de ideias e o processo criativo. Inovação x Invenção. Tipos de inovação. Ecossiste-
mas complexos de informação ........................................................................................................................................................................ 11

LEI ORGÂNICA DO DISTRITO FEDERAL E REGIME JURÍDICO DOS


SERVIDORES DO DISTRITO FEDERAL

Lei Orgânica do Distrito Federal. Título I - Dos Fundamentos da Organização dos Poderes e do Distrito Federal. Títu-
lo II - Da Organização do Distrito Federal. Capítulos II, III...................................................................................................................... 01
Capitulo IV e V ......................................................................................................................................................................................................... 03
Título III - Da Organização dos Poderes: Capítulos I e III ......................................................................................................................... 06
Título IV - Da Tributação e do Orçamento do Distrito Federal: Capítulos I ...................................................................................... 09
Capitulo II .................................................................................................................................................................................................................. 12
Título V - Da Ordem Econômica do Distrito Federal: Capítulo I ........................................................................................................... 13
Título VI - Da Ordem Social e do Meio Ambiente: Capítulos VI, VIII, IX .............................................................................................. 15
Capitulo X e XI .......................................................................................................................................................................................................... 16
SUMÁRIO
Lei Complementar no 840/2011 - dispõe sobre o regime jurídicos dos servidores públicos civis do Distrito Federal,
das autarquias e das fundações públicas distritais .................................................................................................................................... 19

CONHECIMENTOS SOBRE O DISTRITO FEDERAL E SOBRE A RIDE

Realidade étnica,social, histórica, geográfica, cultural, política e econômica do Distrito Federal e da Região Integrada
de Desenvolvimento do Distrito Federal (RIDE) ...................................................................................................................................... 01

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - CONHECIMENTOS BANCÁRIOS

Estrutura do Sistema Financeiro Nacional. Conselho Monetário Nacional. Banco Central do Brasil. COPOM - Comitê
de Política Monetária. Comissão de Valores Mobiliários. Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional.
Bancos múltiplos; bancos comerciais; caixas econômicas; cooperativas de crédito; bancos comerciais cooperativos;
administradoras de consórcios; corretoras de câmbio; bancos de investimento; bancos de desenvolvimento;
sociedades de crédito, financiamento e investimento; sociedades de arrendamento mercantil; sociedades corretoras
de títulos e valores mobiliários; sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários; sociedades de crédito
imobiliário; associações de poupança e empréstimo. BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social. Agências de Fomento ...................................................................................................................................................................... 01
Sociedades de fomento mercantil (factoring). Sociedades administradoras de cartões de crédito. Produtos e serviços
financeiros. Depósitos e transferências. Letras de câmbio. Cobrança e pagamento de títulos e carnês. Transferências
automáticas de fundos. Cartões de crédito e débito. Arrecadação de tributos e tarifas públicas. Crédito rotativo.
Descontos de títulos. Financiamento de capital de giro. Leasing: tipos, funcionamento, bens. Financiamento de
capital fixo. Crédito direto ao consumidor. Crédito rural. Cadernetas de poupança. Cartões de crédito. Títulos de
capitalização. Planos de aposentadoria e pensão privados.Planos de seguros. Abertura e movimentação de contas:
documentos básicos. Pessoa física e pessoa jurídica: capacidade e incapacidade civil, representação e domicílio.
Tipos de sociedade: em nome coletivo, por quotas de responsabilidade limitada, anônimas, firma individual ou
empresária. Documentos comerciais e títulos de crédito: nota promissória, duplicata, fatura. Cheque: requisitos
essenciais, circulação, endosso, cruzamento e compensação. Sistema de Pagamento Brasileiro .......................................... 23
Mercado de capitais. Ações: características e direitos. Debêntures. Notas promissórias comerciais. Diferenças entre
companhias abertas e fechadas. Funcionamento do mercado à vista de ações. Mercado de balcão. Operações com
ouro ............................................................................................................................................................................................................................ 49
Mercado de câmbio. Instituições autorizadas a operar. Operações básicas. Características dos contratos de câmbio.
Taxas de câmbio. Remessas ................................................................................................................................................................................ 59
Garantias do Sistema Financeiro Nacional. Aval; fiança; penhor mercantil; alienação fiduciária; hipoteca; fianças
bancárias; Fundo Garantidor de Crédito (FGC) .......................................................................................................................................... 65
Crime de lavagem de dinheiro. Conceito e etapas. Prevenção e combate ao crime de lavagem de dinheiro: Lei
nº 9.613/1998, Circular Bacen 3.461/2009 e Carta- Circular Bacen 3.542/2012. COAF - Conselho de Controle de
Atividades Financeiras ......................................................................................................................................................................................... 69
Autorregulação Bancária .................................................................................................................................................................................... 74
SUMÁRIO
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - OS BANCOS NA ERA DIGITAL

Internet banking, banco virtual e “dinheiro de plástico”.Banco digitalizado x banco digital.......................................................... 01


Mobile banking.................................................................................................................................................................................................. 03
Open banking...................................................................................................................................................................................................... 03
O comportamento do consumidor na relação com o banco.............................................................................................................. 05
A experiência do usuário................................................................................................................................................................................ 06
Segmentação e interações digitais............................................................................................................................................................. 07
Inteligência artificial cognitiva. ................................................................................................................................................................... 07
Fintechs e startups............................................................................................................................................................................................ 08
Soluções mobile e service design.................................................................................................................................................................. 09
O dinheiro na era digital: Blockchain, Bitcoin e demais criptomoedas......................................................................................... 10
O desafio dos bancos na era digital............................................................ ............................................................................................... 12

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - QUALIDADE NO ATENDIMENTO E


DIVERSIDADE

Satisfação, valor e retenção de clientes. Etiqueta empresarial: comportamento, aparência, cuidados no atendimento
pessoal e telefônico ............................................................................................................................................................................................... 01
Noções de Marketing de Relacionamento. Noções de imaterialidade ou intangibilidade, inseparabilidade e
variabilidade dos produtos bancários ............................................................................................................................................................. 17
Lei nº 10.048/2000. Lei nº 10.098/2000 ....................................................................................................................................................... 34
Decreto nº 5.296/2004, que regulamenta a Lei nº 10.048/2000 ........................................................................................................... 37
Temática de gênero, raça e etnia, conforme Decreto nº 48.598/2011. Política Nacional para Mulheres. Política
Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres. Estatuto Nacional da Igualdade Racial .................................... 47

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - DEFESA DO CONSUMIDOR

Resolução CMN nº 3.849/2010.............................................................................................................................................................. 01


Lei nº 8.078/1990 - Código de Defesa do Consumidor................................................................................................................. 03
Decreto Lei nº 6.523/2008, que regulamenta a Lei nº 8.078/1990.......................................................................................... 09
Resolução CMN nº 3.694/2009........................................................................................................................................................... 10
Código de Defesa do Consumidor Bancário.................................................................................................................................. 10
SUMÁRIO
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - CONFIDENCIALIDADE E
SEGURANÇA DA INFORMAÇÃO

Rotinas de backup e prevenção de vírus. Rotinas de segurança da informação e recuperação de arquivos. Política de
confidencialidade. Confidencialidade, disponibilidade e integridade da informação............................................................... 01
Confidencialidade, disponibilidade e integridade da informação.................................................................................................... 01
Diretrizes para uso da informação em ambientes corporativos. Processos e controles para proteção da informação....... 08
Lei nº 13.709/2018 - dispõe sobre a proteção de dados pessoais............................................................................................................... 15

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROBABILIDADE E ESTATÍSTICA

Análise combinatória. Noções de probabilidade. Teorema de Bayes. Probabilidade condicional. .................................... 01


Noções de estatística. População e amostra. Análise e interpretação de tabelas e gráficos. Regressão, tendências,
extrapolações e interpolações. Tabelas de distribuição empírica de variáveis e histogramas. Estatística descritiva....... 07
ÍNDICE

LÍNGUA PORTUGUESA

Compreensão e intelecção de textos..................................................................................................................................................................... 01


Tipologia textual........................................................................................................................................................................................................... 03
Ortografia......................................................................................................................................................................................................................... 04
Acentuação gráfica....................................................................................................................................................................................................... 07
Emprego do sinal indicativo de crase................................................................................................................................................................... 09
Formação, classe e emprego de palavras........................................................................................................................................................... . 12
Sintaxe da oração e do período............................................................................................................................................................................... 52
Pontuação........................................................................................................................................................................................................................ 61
Concordância nominal e verbal.............................................................................................................................................................................. 63
Colocação pronominal............................................................................................................................................................................................... 69
Regência nominal e verbal........................................................... ............................................................................................................................. 69
Equivalência e transformação de estruturas...................................................................................................................................................... 75
Paralelismo sintático................................................................................................................................................................................................... 76
Relações de sinonímia e antonímia........................................................................................................................................................................ 88
3. Erros de interpretação
COMPREENSÃO E INTELECÇÃO DE TEXTOS
 Extrapolação (“viagem”) = ocorre quando se sai
do contexto, acrescentando ideias que não estão
INTERPRETAÇÃO TEXTUAL no texto, quer por conhecimento prévio do tema
quer pela imaginação.
Texto – é um conjunto de ideias organizadas e rela-  Redução = é o oposto da extrapolação. Dá-se
cionadas entre si, formando um todo significativo capaz atenção apenas a um aspecto (esquecendo que um
de produzir interação comunicativa (capacidade de codi- texto é um conjunto de ideias), o que pode ser insu-
ficar e decodificar). ficiente para o entendimento do tema desenvolvido.
Contexto – um texto é constituído por diversas frases.  Contradição = às vezes o texto apresenta ideias
Em cada uma delas, há uma informação que se liga com contrárias às do candidato, fazendo-o tirar con-
a anterior e/ou com a posterior, criando condições para clusões equivocadas e, consequentemente, errar a
a estruturação do conteúdo a ser transmitido. A essa in- questão.
terligação dá-se o nome de contexto. O relacionamento
entre as frases é tão grande que, se uma frase for retirada Observação:
de seu contexto original e analisada separadamente, po- Muitos pensam que existem a ótica do escritor e a
derá ter um significado diferente daquele inicial. ótica do leitor. Pode ser que existam, mas em uma prova
Intertexto - comumente, os textos apresentam refe- de concurso, o que deve ser levado em consideração é o
rências diretas ou indiretas a outros autores através de que o autor diz e nada mais.
citações. Esse tipo de recurso denomina-se intertexto. Coesão - é o emprego de mecanismo de sintaxe que
Interpretação de texto - o objetivo da interpretação relaciona palavras, orações, frases e/ou parágrafos entre
de um texto é a identificação de sua ideia principal. A par- si. Em outras palavras, a coesão dá-se quando, através de
tir daí, localizam-se as ideias secundárias (ou fundamen- um pronome relativo, uma conjunção (NEXOS), ou um
tações), as argumentações (ou explicações), que levam ao pronome oblíquo átono, há uma relação correta entre o
esclarecimento das questões apresentadas na prova. que se vai dizer e o que já foi dito.

Normalmente, em uma prova, o candidato deve: São muitos os erros de coesão no dia a dia e, entre
 Identificar os elementos fundamentais de uma eles, está o mau uso do pronome relativo e do prono-
argumentação, de um processo, de uma época me oblíquo átono. Este depende da regência do verbo;
(neste caso, procuram-se os verbos e os advérbios, aquele, do seu antecedente. Não se pode esquecer tam-
os quais definem o tempo). bém de que os pronomes relativos têm, cada um, valor
 Comparar as relações de semelhança ou de dife- semântico, por isso a necessidade de adequação ao an-
renças entre as situações do texto. tecedente.
 Comentar/relacionar o conteúdo apresentado Os pronomes relativos são muito importantes na in-
com uma realidade. terpretação de texto, pois seu uso incorreto traz erros de
 Resumir as ideias centrais e/ou secundárias. coesão. Assim sendo, deve-se levar em consideração que
 Parafrasear = reescrever o texto com outras pa- existe um pronome relativo adequado a cada circunstân-
lavras. cia, a saber:
que (neutro) - relaciona-se com qualquer anteceden-
1. Condições básicas para interpretar te, mas depende das condições da frase.
qual (neutro) idem ao anterior.
Fazem-se necessários: conhecimento histórico-literá- quem (pessoa)
rio (escolas e gêneros literários, estrutura do texto), lei- cujo (posse) - antes dele aparece o possuidor e depois
tura e prática; conhecimento gramatical, estilístico (qua- o objeto possuído.
lidades do texto) e semântico; capacidade de observação como (modo)
e de síntese; capacidade de raciocínio. onde (lugar)
quando (tempo)
2. Interpretar/Compreender quanto (montante)
Exemplo:
Interpretar significa: Falou tudo QUANTO queria (correto)
Explicar, comentar, julgar, tirar conclusões, deduzir. Falou tudo QUE queria (errado - antes do QUE, deveria
Através do texto, infere-se que... aparecer o demonstrativo O).
É possível deduzir que...
O autor permite concluir que...
3. Dicas para melhorar a interpretação de textos
Qual é a intenção do autor ao afirmar que...
LÍNGUA PORTUGUESA

 Leia todo o texto, procurando ter uma visão geral


Compreender significa
do assunto. Se ele for longo, não desista! Há muitos
Entendimento, atenção ao que realmente está escrito.
candidatos na disputa, portanto, quanto mais infor-
O texto diz que...
mação você absorver com a leitura, mais chances
É sugerido pelo autor que...
terá de resolver as questões.
De acordo com o texto, é correta ou errada a afirmação...
O narrador afirma...  Se encontrar palavras desconhecidas, não inter-
rompa a leitura.

1
 Leia o texto, pelo menos, duas vezes – ou quantas Maior a se traduzir em palavras que fossem apenas a re-
forem necessárias. velação da justiça. Quando os descaminhos não condu-
 Procure fazer inferências, deduções (chegar a uma zirem a isso, competirá ao homem transformar a lei na
conclusão). vida mais digna para que a convivência política seja mais
 Volte ao texto quantas vezes precisar. fecunda e humana.
 Não permita que prevaleçam suas ideias sobre Cármen Lúcia Antunes Rocha. Comentário ao artigo 3.º.
as do autor. In: 50 anos da Declaração Universal dos Direitos Hu-
 Fragmente o texto (parágrafos, partes) para me- manos 1948-1998: conquistas e desafios. Brasília: OAB,
lhor compreensão. Comissão Nacional de Direitos Humanos, 1998, p. 50-1
 Verifique, com atenção e cuidado, o enunciado (com adaptações).
de cada questão.
 O autor defende ideias e você deve percebê-las. Compreende-se do texto CG1A1AAA que o ser humano
tem direito
 Observe as relações interparágrafos. Um parágra-
fo geralmente mantém com outro uma relação de
a) de agir de forma autônoma, em nome da lei da sobre-
continuação, conclusão ou falsa oposição. Identifi-
vivência das espécies.
que muito bem essas relações.
b) de ignorar o direito do outro se isso lhe for necessário
 Sublinhe, em cada parágrafo, o tópico frasal, ou para defender seus interesses.
seja, a ideia mais importante. c) de demandar ao sistema judicial a concretização de
 Nos enunciados, grife palavras como “correto” seus direitos.
ou “incorreto”, evitando, assim, uma confusão d) à institucionalização do seu direito em detrimento dos
na hora da resposta – o que vale não somente direitos de outros.
para Interpretação de Texto, mas para todas as de- e) a uma vida plena e adequada, direito esse que está na
mais questões! essência de todos os direitos.
 Se o foco do enunciado for o tema ou a ideia prin-
cipal, leia com atenção a introdução e/ou a con- RESPOSTA: Letra E. O ser humano tem direito a uma
clusão. vida digna, adequada, para que consiga gozar de seus
 Olhe com especial atenção os pronomes relativos, direitos – saúde, educação, segurança – e exercer seus
pronomes pessoais, pronomes demonstrativos, deveres plenamente, como prescrevem todos os di-
etc., chamados vocábulos relatores, porque reme- reitos: (...) O direito à vida é a substância em torno da
tem a outros vocábulos do texto. qual todos os direitos se conjugam (...).

SITES 2. (PCJ-MT – DELEGADO SUBSTITUTO – SUPE-


http://www.tudosobreconcursos.com/materiais/por- RIOR – CESPE – 2017)
tugues/como-interpretar-textos
http://portuguesemfoco.com/pf/09-dicas-para-me- Texto CG1A1BBB
lhorar-a-interpretacao-de-textos-em-provas
http://www.portuguesnarede.com/2014/03/dicas- Segundo o parágrafo único do art. 1.º da Constituição
-para-voce-interpretar-melhor-um.html da República Federativa do Brasil, “Todo o poder emana
http://vestibular.uol.com.br/cursinho/questoes/ques- do povo, que o exerce por meio de representantes elei-
tao-117-portugues.htm tos ou diretamente, nos termos desta Constituição.” Em
virtude desse comando, afirma-se que o poder dos juízes
emana do povo e em seu nome é exercido. A forma de
sua investidura é legitimada pela compatibilidade com as
EXERCÍCIOS COMENTADOS regras do Estado de direito e eles são, assim, autênticos
agentes do poder popular, que o Estado polariza e exer-
1. (PCJ-MT – DELEGADO SUBSTITUTO – SUPE- ce. Na Itália, isso é constantemente lembrado, porque
RIOR – CESPE – 2017) toda sentença é dedicada (intestata) ao povo italiano, em
nome do qual é pronunciada.
Texto CG1A1AAA
Cândido Rangel Dinamarco. A instrumentalidade do pro-
A valorização do direito à vida digna preserva as duas cesso. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1987, p. 195 (com
faces do homem: a do indivíduo e a do ser político; a adaptações).
do ser em si e a do ser com o outro. O homem é inteiro Conforme as ideias do texto CG1A1BBB,
em sua dimensão plural e faz-se único em sua condição
a) o Poder Judiciário brasileiro desempenha seu papel
LÍNGUA PORTUGUESA

social. Igual em sua humanidade, o homem desiguala-se,


singulariza-se em sua individualidade. O direito é o ins- com fundamento no princípio da soberania popular.
trumento da fraternização racional e rigorosa. b) os magistrados do Brasil deveriam ser escolhidos pelo
O direito à vida é a substância em torno da qual todos os voto popular, como ocorre com os representantes dos
direitos se conjugam, se desdobram, se somam para que demais poderes.
o sistema fique mais e mais próximo da ideia concretizá- c) os magistrados italianos, ao contrário dos brasileiros,
exercem o poder que lhes é conferido em nome de
vel de justiça social.
seus nacionais.
Mais valeria que a vida atravessasse as páginas da Lei

2
d) há incompatibilidade entre o autogoverno da magis- A) Textos narrativos – constituem-se de verbos de
tratura e o sistema democrático. ação demarcados no tempo do universo narrado,
e) os magistrados brasileiros exercem o poder consti- como também de advérbios, como é o caso de an-
tucional que lhes é atribuído em nome do governo tes, agora, depois, entre outros: Ela entrava em seu
federal. carro quando ele apareceu. Depois de muita conver-
sa, resolveram...
RESPOSTA: Letra A. A questão deve ser respondida B) Textos descritivos – como o próprio nome indica,
segundo o texto: (...) “Todo o poder emana do povo, que descrevem características tanto físicas quanto psi-
o exerce por meio de representantes eleitos ou direta- cológicas acerca de um determinado indivíduo ou
mente, nos termos desta Constituição.” Em virtude des- objeto. Os tempos verbais aparecem demarcados
se comando, afirma-se que o poder dos juízes emana no presente ou no pretérito imperfeito: “Tinha os
do povo e em seu nome é exercido (...). cabelos mais negros como a asa da graúna...”
C) Textos expositivos – Têm por finalidade explicar
3. (PCJ-MT – DELEGADO SUBSTITUTO – SUPERIOR um assunto ou uma determinada situação que se
– CESPE – 2017 – ADAPTADA) No texto CG1A1BBB, o almeje desenvolvê-la, enfatizando acerca das ra-
vocábulo ‘emana’ foi empregado com o sentido de zões de ela acontecer, como em: O cadastramento
irá se prorrogar até o dia 02 de dezembro, portan-
a) trata. to, não se esqueça de fazê-lo, sob pena de perder o
b) provém. benefício.
c) manifesta. D) Textos injuntivos (instrucional) – Trata-se de
d) pertence. uma modalidade na qual as ações são prescritas de
e) cabe. forma sequencial, utilizando-se de verbos expres-
sos no imperativo, infinitivo ou futuro do presente:
RESPOSTA: Letra B. Dentro do contexto, “emana” Misture todos os ingrediente e bata no liquidificador
tem o sentido de “provém”. até criar uma massa homogênea.
E) Textos argumentativos (dissertativo) – Demar-
cam-se pelo predomínio de operadores argumen-
tativos, revelados por uma carga ideológica cons-
TIPOLOGIA TEXTUAL tituída de argumentos e contra-argumentos que
justificam a posição assumida acerca de um deter-
minado assunto: A mulher do mundo contemporâ-
TIPOLOGIA E GÊNERO TEXTUAL neo luta cada vez mais para conquistar seu espaço
no mercado de trabalho, o que significa que os gê-
A todo o momento nos deparamos com vários tex- neros estão em complementação, não em disputa.
tos, sejam eles verbais ou não verbais. Em todos há a
presença do discurso, isto é, a ideia intrínseca, a essência 2. Gêneros Textuais
daquilo que está sendo transmitido entre os interlocuto-
res. Estes interlocutores são as peças principais em um São os textos materializados que encontramos em
diálogo ou em um texto escrito. nosso cotidiano; tais textos apresentam características
sócio-comunicativas definidas por seu estilo, função,
É de fundamental importância sabermos classificar os
composição, conteúdo e canal. Como exemplos, temos:
textos com os quais travamos convivência no nosso dia a
receita culinária, e-mail, reportagem, monografia, poema,
dia. Para isso, precisamos saber que existem tipos textuais editorial, piada, debate, agenda, inquérito policial, fórum,
e gêneros textuais. blog, etc.
Comumente relatamos sobre um acontecimento, um A escolha de um determinado gênero discursivo de-
fato presenciado ou ocorrido conosco, expomos nossa pende, em grande parte, da situação de produção, ou
opinião sobre determinado assunto, descrevemos algum seja, a finalidade do texto a ser produzido, quem são os
lugar que visitamos, fazemos um retrato verbal sobre al- locutores e os interlocutores, o meio disponível para vei-
guém que acabamos de conhecer ou ver. É exatamente cular o texto, etc.
nessas situações corriqueiras que classificamos os nossos Os gêneros discursivos geralmente estão ligados a
textos naquela tradicional tipologia: Narração, Descrição esferas de circulação. Assim, na esfera jornalística, por
e Dissertação. exemplo, são comuns gêneros como notícias, reporta-
gens, editoriais, entrevistas e outros; na esfera de divul-
1. As tipologias textuais se caracterizam pelos as- gação científica são comuns gêneros como verbete de
LÍNGUA PORTUGUESA

pectos de ordem linguística dicionário ou de enciclopédia, artigo ou ensaio científico,


seminário, conferência.
Os tipos textuais designam uma sequência definida
pela natureza linguística de sua composição. São obser- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto
vados aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais, rela-
Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. –
ções logicas. Os tipos textuais são o narrativo, descritivo,
São Paulo: Saraiva, 2010.
argumentativo/dissertativo, injuntivo e expositivo.

3
Português – Literatura, Produção de Textos & Gra-  Palavras derivadas de outras terminadas em -te,
mática – volume único / Samira Yousseff Campedelli, to(r): marte - marciano / infrator - infração / absor-
Jésus Barbosa Souza. – 3.ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2002. to – absorção.
B) O fonema z
SITE São escritos com S e não Z
http://www.brasilescola.com/redacao/tipologia-tex-  Sufixos: ês, esa, esia, e isa, quando o radical é
tual.htm substantivo, ou em gentílicos e títulos nobiliárqui-
cos: freguês, freguesa, freguesia, poetisa, baronesa,
princesa.
 Sufixos gregos: ase, ese, ise e ose: catequese, me-
ORTOGRAFIA
tamorfose.
 Formas verbais pôr e querer: pôs, pus, quisera,
quis, quiseste.
Ortografia
 Nomes derivados de verbos com radicais termi-
nados em “d”: aludir - alusão / decidir - decisão /
A ortografia é a parte da Fonologia que trata da corre-
empreender - empresa / difundir – difusão.
ta grafia das palavras. É ela quem ordena qual som devem
 Diminutivos cujos radicais terminam com “s”: Luís
ter as letras do alfabeto. Os vocábulos de uma língua são
- Luisinho / Rosa - Rosinha / lápis – lapisinho.
grafados segundo acordos ortográficos.
 Após ditongos: coisa, pausa, pouso, causa.
A maneira mais simples, prática e objetiva de apren-
 Verbos derivados de nomes cujo radical termina
der ortografia é realizar muitos exercícios, ver as palavras,
com “s”: anális(e) + ar - analisar / pesquis(a) + ar
familiarizando-se com elas. O conhecimento das regras
– pesquisar.
é necessário, mas não basta, pois há inúmeras exceções
e, em alguns casos, há necessidade de conhecimento de
São escritos com Z e não S
etimologia (origem da palavra).
 Sufixos “ez” e “eza” das palavras derivadas de
adjetivo: macio - maciez / rico – riqueza / belo –
1. Regras ortográficas
beleza.
Sufixos “izar” (desde que o radical da palavra de ori-
A) O fonema S
gem não termine com s): final - finalizar / concreto
São escritas com S e não C/Ç
– concretizar.
 Palavras substantivadas derivadas de verbos com
 Consoante de ligação se o radical não terminar
radicais em nd, rg, rt, pel, corr e sent: pretender
com “s”: pé + inho - pezinho / café + al - cafezal
- pretensão / expandir - expansão / ascender - as-
Exceção: lápis + inho – lapisinho.
censão / inverter - inversão / aspergir - aspersão /
submergir - submersão / divertir - diversão / impelir
C) O fonema j
- impulsivo / compelir - compulsório / repelir - repul-
São escritas com G e não J
sa / recorrer - recurso / discorrer - discurso / sentir
 Palavras de origem grega ou árabe: tigela, girafa,
- sensível / consentir – consensual.
gesso.
 Estrangeirismo, cuja letra G é originária: sargento,
São escritos com SS e não C e Ç
gim.
 Nomes derivados dos verbos cujos radicais termi-
 Terminações: agem, igem, ugem, ege, oge (com
nem em gred, ced, prim ou com verbos termina-
poucas exceções): imagem, vertigem, penugem,
dos por tir ou - meter: agredir - agressivo / impri-
bege, foge.
mir - impressão / admitir - admissão / ceder - cessão
Exceção: pajem.
/ exceder - excesso / percutir - percussão / regredir -
regressão / oprimir - opressão / comprometer - com-
 Terminações: ágio, égio, ígio, ógio, ugio: sortilégio,
promisso / submeter – submissão.
litígio, relógio, refúgio.
 Quando o prefixo termina com vogal que se junta
 Verbos terminados em ger/gir: emergir, eleger, fu-
com a palavra iniciada por “s”. Exemplos: a + simé-
gir, mugir.
trico - assimétrico / re + surgir – ressurgir.
 Depois da letra “r” com poucas exceções: emergir,
 No pretérito imperfeito simples do subjuntivo.
surgir.
Exemplos: ficasse, falasse.
 Depois da letra “a”, desde que não seja radical ter-
São escritos com C ou Ç e não S e SS
minado com j: ágil, agente.
 Vocábulos de origem árabe: cetim, açucena, açúcar.
 Vocábulos de origem tupi, africana ou exótica: cipó,
São escritas com J e não G
LÍNGUA PORTUGUESA

Juçara, caçula, cachaça, cacique.


 Palavras de origem latinas: jeito, majestade, hoje.
 Sufixos aça, aço, ação, çar, ecer, iça, nça, uça,
 Palavras de origem árabe, africana ou exótica:
uçu, uço: barcaça, ricaço, aguçar, empalidecer, car-
jiboia, manjerona.
niça, caniço, esperança, carapuça, dentuço.
 Palavras terminadas com aje: ultraje.
 Nomes derivados do verbo ter: abster - abstenção
/ deter - detenção / ater - atenção / reter – retenção.
 Após ditongos: foice, coice, traição.

4
D) O fonema ch Na indicação de horas, minutos e segundos, não
São escritas com X e não CH deve haver espaço entre o algarismo e o símbolo: 14h,
 Palavras de origem tupi, africana ou exótica: aba- 22h30min, 14h23’34’’(= quatorze horas, vinte e três mi-
caxi, xucro. nutos e trinta e quatro segundos).
 Palavras de origem inglesa e espanhola: xampu, O símbolo do real antecede o número sem espaço:
lagartixa. R$1.000,00. No cifrão deve ser utilizada apenas uma bar-
 Depois de ditongo: frouxo, feixe. ra vertical ($).
 Depois de “en”: enxurrada, enxada, enxoval.
Exceção: quando a palavra de origem não derive de ALGUNS USOS ORTOGRÁFICOS ESPECIAIS
outra iniciada com ch - Cheio - (enchente)
1. Por que / por quê / porquê / porque
São escritas com CH e não X
 Palavras de origem estrangeira: chave, chumbo, POR QUE (separado e sem acento)
chassi, mochila, espadachim, chope, sanduíche, sal-
sicha. É usado em:
1. interrogações diretas (longe do ponto de interro-
E) As letras “e” e “i” gação) = Por que você não veio ontem?
 Ditongos nasais são escritos com “e”: mãe, põem. 2. interrogações indiretas, nas quais o “que” equivale
Com “i”, só o ditongo interno cãibra. a “qual razão” ou “qual motivo” = Perguntei-lhe por
 Verbos que apresentam infinitivo em -oar, -uar que faltara à aula ontem.
são escritos com “e”: caçoe, perdoe, tumultue. Es- 3. equivalências a “pelo(a) qual” / “pelos(as) quais” =
crevemos com “i”, os verbos com infinitivo em Ignoro o motivo por que ele se demitiu.
-air, -oer e -uir: trai, dói, possui, contribui.
POR QUÊ (separado e com acento)

FIQUE ATENTO! Usos:


Há palavras que mudam de sentido quan- 1. como pronome interrogativo, quando colocado no
do substituímos a grafia “e” pela grafia “i”: fim da frase (perto do ponto de interrogação) =
área (superfície), ária (melodia) / delatar Você faltou. Por quê?
(denunciar), dilatar (expandir) / emergir 2. quando isolado, em uma frase interrogativa = Por quê?
(vir à tona), imergir (mergulhar) / peão (de
PORQUE (uma só palavra, sem acento gráfico)
estância, que anda a pé), pião (brinquedo).
Usos:
1. como conjunção coordenativa explicativa (equivale
a “pois”, “porquanto”), precedida de pausa na escri-
#FicaDica ta (pode ser vírgula, ponto-e-vírgula e até ponto
Se o dicionário ainda deixar dúvida quanto final) = Compre agora, porque há poucas peças.
à ortografia de uma palavra, há a possibili- 2. como conjunção subordinativa causal, substituível
dade de consultar o Vocabulário Ortográfi- por “pela causa”, “razão de que” = Você perdeu por-
co da Língua Portuguesa (VOLP), elaborado que se antecipou.
pela Academia Brasileira de Letras. É uma
obra de referência até mesmo para a criação PORQUÊ (uma só palavra, com acento gráfico)
de dicionários, pois traz a grafia atualizada
Usos:
das palavras (sem o significado). Na Internet,
1. como substantivo, com o sentido de “causa”, “ra-
o endereço é www.academia.org.br.
zão” ou “motivo”, admitindo pluralização (porquês). Ge-
ralmente é precedido por artigo = Não sei o porquê da
discussão. É uma pessoa cheia de porquês.
2. Informações importantes
2. ONDE / AONDE
Formas variantes são as que admitem grafias ou pro-
núncias diferentes para palavras com a mesma significa- Onde = empregado com verbos que não expressam
ção: aluguel/aluguer, assobiar/assoviar, catorze/quatorze, a ideia de movimento = Onde você está?
dependurar/pendurar, flecha/frecha, germe/gérmen, in-
LÍNGUA PORTUGUESA

farto/enfarte, louro/loiro, percentagem/porcentagem, re- Aonde = equivale a “para onde”. É usado com verbos
lampejar/relampear/relampar/relampadar. que expressam movimento = Aonde você vai?
Os símbolos das unidades de medida são escritos
sem ponto, com letra minúscula e sem “s” para indicar 3. MAU / MAL
plural, sem espaço entre o algarismo e o símbolo: 2kg,
20km, 120km/h. Mau = é um adjetivo, antônimo de “bom”. Usa-se
Exceção para litro (L): 2 L, 150 L. como qualificação = O mau tempo passou. / Ele é um
mau elemento.

5
Mal = pode ser usado como 7. Nas formações com os prefixos ex-, vice-: ex-diretor,
1. conjunção temporal, equivalente a “assim que”, ex-presidente, vice-governador, vice-prefeito.
“logo que”, “quando” = Mal se levantou, já saiu. 8. Nas formações com os prefixos pós-, pré- e pró-: pré-
2. advérbio de modo (antônimo de “bem”) = Você foi -natal, pré-escolar, pró-europeu, pós-graduação, etc.
mal na prova? 9. Na ênclise e mesóclise: amá-lo, deixá-lo, dá-se, abra-
3. substantivo, podendo estar precedido de artigo ou ça-o, lança-o e amá-lo-ei, falar-lhe-ei, etc.
pronome = Há males que vêm pra bem! / O mal 10. Nas formações em que o prefixo tem como segun-
não compensa. do termo uma palavra iniciada por “h”: sub-hepático,
geo-história, neo-helênico, extra-humano, semi-hos-
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS pitalar, super-homem.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa 11. Nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. termina com a mesma vogal do segundo elemento:
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce- micro-ondas, eletro-ótica, semi-interno, auto-obser-
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São vação, etc.
Paulo: Saraiva, 2010.
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda- O hífen é suprimido quando para formar outros termos:
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. reaver, inábil, desumano, lobisomem, reabilitar.
CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura,
Produção de Textos & Gramática. Volume único / Samira
Yousseff, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – São Paulo: #FicaDica
Saraiva, 2002.
Lembrete da Zê!
Ao separar palavras na translineação (mu-
SITE
dança de linha), caso a última palavra a ser
http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/or-
escrita seja formada por hífen, repita-o na
tografia
próxima linha. Exemplo: escreverei anti-in-
flamatório e, ao final, coube apenas “anti-”.
4. Hífen
Na próxima linha escreverei: “-inflamatório”
(hífen em ambas as linhas). Devido à diagra-
O hífen é um sinal diacrítico (que distingue) usado para
mação, pode ser que a repetição do hífen na
ligar os elementos de palavras compostas (como ex-presi-
translineação não ocorra em meus conteú-
dente, por exemplo) e para unir pronomes átonos a verbos
dos, mas saiba que a regra é esta!
(ofereceram-me; vê-lo-ei). Serve igualmente para fazer a
translineação de palavras, isto é, no fim de uma linha, se-
parar uma palavra em duas partes (ca-/sa; compa-/nheiro). B) Não se emprega o hífen:
1. Nas formações em que o prefixo ou falso prefixo
A) Uso do hífen que continua depois da Reforma termina em vogal e o segundo termo inicia-se em
Ortográfica: “r” ou “s”. Nesse caso, passa-se a duplicar estas con-
soantes: antirreligioso, contrarregra, infrassom, mi-
1. Em palavras compostas por justaposição que for- crossistema, minissaia, microrradiografia, etc.
mam uma unidade semântica, ou seja, nos termos 2. Nas constituições em que o prefixo ou pseudopre-
que se unem para formam um novo significado: fixo termina em vogal e o segundo termo inicia-se
tio-avô, porto-alegrense, luso-brasileiro, tenente-co- com vogal diferente: antiaéreo, extraescolar, coedu-
ronel, segunda-feira, conta-gotas, guarda-chuva, ar- cação, autoestrada, autoaprendizagem, hidroelétrico,
co-íris, primeiro-ministro, azul-escuro. plurianual, autoescola, infraestrutura, etc.
2. Em palavras compostas por espécies botânicas e 3. Nas formações, em geral, que contêm os prefixos
zoológicas: couve-flor, bem-te-vi, bem-me-quer, abó- “dês” e “in” e o segundo elemento perdeu o “h” ini-
bora-menina, erva-doce, feijão-verde. cial: desumano, inábil, desabilitar, etc.
3. Nos compostos com elementos além, aquém, re- 4. Nas formações com o prefixo “co”, mesmo quando
cém e sem: além-mar, recém-nascido, sem-número, o segundo elemento começar com “o”: cooperação,
recém-casado. coobrigação, coordenar, coocupante, coautor, coedi-
4. No geral, as locuções não possuem hífen, mas algumas ção, coexistir, etc.
exceções continuam por já estarem consagradas pelo 5. Em certas palavras que, com o uso, adquiriram noção
uso: cor-de-rosa, arco-da-velha, mais-que-perfeito, pé- de composição: pontapé, girassol, paraquedas, para-
-de-meia, água-de-colônia, queima-roupa, deus-dará. quedista, etc.
5. Nos encadeamentos de vocábulos, como: ponte Rio- 6. Em alguns compostos com o advérbio “bem”: benfei-
LÍNGUA PORTUGUESA

-Niterói, percurso Lisboa-Coimbra-Porto e nas com- to, benquerer, benquerido, etc.


binações históricas ou ocasionais: Áustria-Hungria,
Angola-Brasil, etc. Os prefixos pós, pré e pró, em suas formas correspon-
6. Nas formações com os prefixos hiper-, inter- e su- dentes átonas, aglutinam-se com o elemento seguinte,
per- quando associados com outro termo que é ini- não havendo hífen: pospor, predeterminar, predeterminado,
ciado por “r”: hiper-resistente, inter-racial, super-ra- pressuposto, propor.
cional, etc.

6
Escreveremos com hífen: anti-horário, anti-infeccioso, 1. Regras básicas
auto-observação, contra-ataque, semi-interno, sobre-huma-
no, super-realista, alto-mar. A acentuação tônica está relacionada à intensida-
Escreveremos sem hífen: pôr do sol, antirreforma, an- de com que são pronunciadas as sílabas das palavras.
tisséptico, antissocial, contrarreforma, minirrestaurante, ul- Aquela que se dá de forma mais acentuada, conceitua-se
trassom, antiaderente, anteprojeto, anticaspa, antivírus, au- como sílaba tônica. As demais, como são pronunciadas
toajuda, autoelogio, autoestima, radiotáxi. com menos intensidade, são denominadas de átonas.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA De acordo com a tonicidade, as palavras são classifi-
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa cadas como:
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. Oxítonas – São aquelas cuja sílaba tônica recai sobre
a última sílaba: café – coração – Belém – atum – caju –
SITE papel
http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/ Paroxítonas – a sílaba tônica recai na penúltima síla-
ortografia ba: útil – tórax – táxi – leque – sapato – passível
Proparoxítonas - a sílaba tônica está na antepenúlti-
ma sílaba: lâmpada – câmara – tímpano – médico – ônibus
EXERCÍCIOS COMENTADOS Há vocábulos que possuem uma sílaba somente: são
os chamados monossílabos. Estes são acentuados quando
1. (POLÍCIA FEDERAL – ESCRIVÃO DE POLÍCIA FE- tônicos e terminados em “a”, “e” ou “o”: vá – fé – pó - ré.
DERAL – CESPE – 2013 – ADAPTADA)
2 Os acentos
A fim de solucionar o litígio, atos sucessivos e concatena-
dos são praticados pelo escrivão. Entre eles, estão os atos A) acento agudo (´) – Colocado sobre as letras “a”
de comunicação, os quais são indispensáveis para que e “i”, “u” e “e” do grupo “em” - indica que estas letras
os sujeitos do processo tomem conhecimento dos atos representam as vogais tônicas de palavras como pá, caí,
acontecidos no correr do procedimento e se habilitem a público. Sobre as letras “e” e “o” indica, além da tonicida-
exercer os direitos que lhes cabem e a suportar os ônus de, timbre aberto: herói – céu (ditongos abertos).
que a lei lhes impõe. B) acento circunflexo – (^) Colocado sobre as letras
Disponível em: <http://jus.com.br> (com adaptações). “a”, “e” e “o” indica, além da tonicidade, timbre fechado:
tâmara – Atlântico – pêsames – supôs.
No que se refere ao texto acima, julgue os itens seguin- C) acento grave – (`) Indica a fusão da preposição “a”
tes. com artigos e pronomes: à – às – àquelas – àqueles
Não haveria prejuízo para a correção gramatical do texto D) trema (¨) – De acordo com a nova regra, foi total-
nem para seu sentido caso o trecho “A fim de solucionar mente abolido das palavras. Há uma exceção: é utilizado
o litígio” fosse substituído por Afim de dar solução à de- em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros:
manda e o trecho “tomem conhecimento dos atos acon- mülleriano (de Müller)
tecidos no correr do procedimento” fosse, por sua vez, E) til – (~) Indica que as letras “a” e “o” representam
substituído por conheçam os atos havidos no transcurso vogais nasais: oração – melão – órgão – ímã
do acontecimento.
2.1 Regras fundamentais
( ) CERTO ( ) ERRADO
A) Palavras oxítonas: acentuam-se todas as oxítonas
RESPOSTA: Errado. “A fim” tem o sentido de “com a terminadas em: “a”, “e”, “o”, “em”, seguidas ou não do
intenção de”; já “afim”, “semelhança, afinidade”. Se a plural(s): Pará – café(s) – cipó(s) – Belém.
primeira substituição fosse feita, o trecho estaria in- Esta regra também é aplicada aos seguintes casos:
correto gramatical e coerentemente. Portanto, nem há Monossílabos tônicos terminados em “a”, “e”, “o”,
a necessidade de avaliar a segunda substituição. seguidos ou não de “s”: pá – pé – dó – há
Formas verbais terminadas em “a”, “e”, “o” tônicos,
seguidas de lo, la, los, las: respeitá-lo, recebê-lo, compô-lo
ACENTUAÇÃO GRÁFICA.
B) Paroxítonas: acentuam-se as palavras paroxítonas
terminadas em:
i, is: táxi – lápis – júri
Acentuação.
LÍNGUA PORTUGUESA

us, um, uns: vírus – álbuns – fórum


l, n, r, x, ps: automóvel – elétron - cadáver – tórax –
Quanto à acentuação, observamos que algumas pa- fórceps
lavras têm acento gráfico e outras não; na pronúncia, ora ã, ãs, ão, ãos: ímã – ímãs – órfão – órgãos
se dá maior intensidade sonora a uma sílaba, ora a outra. ditongo oral, crescente ou decrescente, seguido ou
Por isso, vamos às regras! não de “s”: água – pônei – mágoa – memória

7
#FicaDica #FicaDica
Memorize a palavra LINURXÃO. Repare que Quando, na frase, der para substituir o “por”
esta palavra apresenta as terminações das por “colocar”, estaremos trabalhando com
paroxítonas que são acentuadas: L, I N, U um verbo, portanto: “pôr”; nos demais ca-
(aqui inclua UM = fórum), R, X, Ã, ÃO. Assim sos, “por” é preposição: Faço isso por você.
ficará mais fácil a memorização! / Posso pôr (colocar) meus livros aqui?

C) Proparoxítona: a palavra é proparoxítona quando


a sua antepenúltima sílaba é tônica (mais forte). Quanto à 2.4 Regra do Hiato
regra de acentuação: todas as proparoxítonas são acen-
tuadas, independentemente de sua terminação: árvore, Quando a vogal do hiato for “i” ou “u” tônicos, segun-
paralelepípedo, cárcere. da vogal do hiato, acompanhado ou não de “s”, haverá
acento: saída – faísca – baú – país – Luís
2.2 Regras especiais Não se acentuam o “i” e o “u” que formam hiato
quando seguidos, na mesma sílaba, de l, m, n, r ou z:
Os ditongos de pronúncia aberta “ei”, “oi” (ditongos Ra-ul, Lu-iz, sa-ir, ju-iz
abertos), que antes eram acentuados, perderam o acento Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se esti-
de acordo com a nova regra, mas desde que estejam em verem seguidas do dígrafo nh:
palavras paroxítonas. ra-i-nha, ven-to-i-nha.
Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se vie-
rem precedidas de vogal idêntica: xi-i-ta, pa-ra-cu-u-ba
FIQUE ATENTO! Não serão mais acentuados “i” e “u” tônicos, forman-
Alerta da Zê! Cuidado: Se os ditongos aber- do hiato quando vierem depois de ditongo (nas paroxí-
tos estiverem em uma palavra oxítona (he- tonas):
rói) ou monossílaba (céu) ainda são acen-
tuados: dói, escarcéu.
Antes Agora
bocaiúva bocaiuva
Antes Agora feiúra feiura
assembléia assembleia Sauípe Sauipe

idéia ideia O acento pertencente aos encontros “oo” e “ee” foi


geléia geleia abolido:
jibóia jiboia
Antes Agora
apóia (verbo apoiar) apoia
crêem creem
paranóico paranoico
lêem leem
2.3 Acento Diferencial vôo voo

Representam os acentos gráficos que, pelas regras de enjôo enjoo


acentuação, não se justificariam, mas são utilizados para
diferenciar classes gramaticais entre determinadas pala-
vras e/ou tempos verbais. Por exemplo: #FicaDica
Pôr (verbo) X por (preposição) / pôde (pretérito per- Memorize a palavra CREDELEVÊ. São os
feito do Indicativo do verbo “poder”) X pode (presente do verbos que, no plural, dobram o “e”, mas
Indicativo do mesmo verbo). que não recebem mais acento como antes:
Se analisarmos o “pôr” - pela regra das monossílabas: CRER, DAR, LER e VER.
terminada em “o” seguida de “r” não deve ser acentuada,
mas nesse caso, devido ao acento diferencial, acentua-se,
para que saibamos se se trata de um verbo ou preposição. Repare:
Os demais casos de acento diferencial não são mais O menino crê em você. / Os meninos creem em você.
LÍNGUA PORTUGUESA

utilizados: para (verbo), para (preposição), pelo (substanti- Elza lê bem! / Todas leem bem!
vo), pelo (preposição). Seus significados e classes grama- Espero que ele dê o recado à sala. / Esperamos que os
ticais são definidos pelo contexto. garotos deem o recado!
Polícia para o trânsito para que se realize a operação Rubens vê tudo! / Eles veem tudo!
planejada. = o primeiro “para” é verbo; o segundo, con- Cuidado! Há o verbo vir: Ele vem à tarde! / Eles vêm
junção (com relação de finalidade). à tarde!

8
As formas verbais que possuíam o acento tônico na 3. (ANCINE – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CESPE
raiz, com “u” tônico precedido de “g” ou “q” e seguido de – 2012) Os vocábulos “indivíduo”, “diária” e “paciência”
“e” ou “i” não serão mais acentuadas: recebem acento gráfico com base na mesma regra de
acentuação gráfica.
Antes Depois
( ) CERTO ( ) ERRADO
apazigúe (apaziguar) apazigue
averigúe (averiguar) averigue RESPOSTA: Certo. Indivíduo = paroxítona terminada
em ditongo; diária = paroxítona terminada em diton-
argúi (arguir) argui go; paciência = paroxítona terminada em ditongo. Os
três vocábulos são acentuados devido à mesma regra.
Acentuam-se os verbos pertencentes a terceira pes- 4. (IBAMA – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CESPE
soa do plural de: ele tem – eles têm / ele vem – eles vêm – 2012) As palavras “pó”, “só” e “céu” são acentuadas de
(verbo vir). A regra prevalece também para os verbos acordo com a mesma regra de acentuação gráfica.
conter, obter, reter, deter, abster: ele contém – eles contêm,
ele obtém – eles obtêm, ele retém – eles retêm, ele convém ( ) CERTO ( ) ERRADO
– eles convêm.
RESPOSTA: Errado. Pó = monossílaba terminada em
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
“o”; só = monossílaba terminada em “o”; céu = mo-
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
nossílaba terminada em ditongo aberto “éu”.
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce-
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
EMPREGO DO SINAL INDICATIVO DE
Paulo: Saraiva, 2010.
CRASE.
SITE
http://www.brasilescola.com/gramatica/acentuacao.htm
Crase

A crase se caracteriza como a fusão de duas vogais


EXERCÍCIOS COMENTADOS idênticas, relacionadas ao emprego da preposição “a” com
o artigo feminino a(s), com o “a” inicial referente aos prono-
1. (POLÍCIA FEDERAL – AGENTE DE POLÍCIA FE- mes demonstrativos – aquela(s), aquele(s), aquilo e com o
DERAL – CESPE – 2014) Os termos “série” e “história” “a” pertencente ao pronome relativo a qual (as quais). Casos
acentuam-se em conformidade com a mesma regra or- estes em que tal fusão encontra-se demarcada pelo acento
tográfica. grave ( ` ): à(s), àquela, àquele, àquilo, à qual, às quais.
O uso do acento indicativo de crase está condiciona-
( ) CERTO ( ) ERRADO do aos nossos conhecimentos acerca da regência verbal
e nominal, mais precisamente ao termo regente e termo
RESPOSTA: Certo. “Série” = acentua-se a paroxítona regido. Ou seja, o termo regente é o verbo - ou nome -
terminada em ditongo / “história” - acentua-se a pa- que exige complemento regido pela preposição “a”, e o
roxítona terminada em ditongo termo regido é aquele que completa o sentido do termo
Ambas são acentuadas devido à regra da paroxítona regente, admitindo a anteposição do artigo a(s).
terminada em ditongo. Refiro-me a (a) funcionária antiga, e não a (a)quela
Observação: nestes casos, admitem-se as separações contratada recentemente.
“sé-ri-e” e “his-tó-ri-as”, o que as tornaria proparoxí- Após a junção da preposição com o artigo (destaca-
tonas. dos entre parênteses), temos:
Refiro-me à funcionária antiga, e não àquela contrata-
2. (ANATEL – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CESPE – da recentemente.
2012) Nas palavras “análise” e “mínimos”, o emprego do
acento gráfico tem justificativas gramaticais diferentes. O verbo referir, de acordo com sua transitividade,
classifica-se como transitivo indireto, pois sempre nos
( ) CERTO ( ) ERRADO referimos a alguém ou a algo. Houve a fusão da preposi-
ção a + o artigo feminino (à) e com o artigo feminino a +
RESPOSTA: Errado. Análise = proparoxítona / mí-
LÍNGUA PORTUGUESA

o pronome demonstrativo aquela (àquela).


nimos = proparoxítona. Ambas são acentuadas pela
mesma regra (antepenúltima sílaba é tônica, “mais Observações importantes:
forte”). Alguns recursos servem de ajuda para que possamos
confirmar a ocorrência ou não da crase. Eis alguns:
 Substitui-se a palavra feminina por uma masculina
equivalente. Caso ocorra a combinação a + o(s), a
crase está confirmada.

9
Os dados foram solicitados à diretora. Adoro o quê? Adoro quem? O verbo “adoro” requer
Os dados foram solicitados ao diretor. objeto direto, no caso, a noite. Aqui, o “a” é artigo, não
 No caso de nomes próprios geográficos, substi- preposição.
tui-se o verbo da frase pelo verbo voltar. Caso re-
sulte na expressão “voltar da”, há a confirmação da Casos passíveis de nota:
crase.
Faremos uma visita à Bahia.  A crase é facultativa diante de nomes próprios fe-
Faz dois dias que voltamos da Bahia. (crase confirmada) mininos: Entreguei o caderno a (à) Eliza.
 Também é facultativa diante de pronomes posses-
Não me esqueço da viagem a Roma. sivos femininos: O diretor fez referência a (à) sua
Ao voltar de Roma, relembrarei os belos momentos ja- empresa.
mais vividos.  Facultativa em locução prepositiva “até a”: A loja
ficará aberta até as (às) dezoito horas.
Nas situações em que o nome geográfico se apresen-  Constata-se o uso da crase se as locuções prepo-
tar modificado por um adjunto adnominal, a crase está sitivas à moda de, à maneira de apresentarem-se
confirmada. implícitas, mesmo diante de nomes masculinos:
Atendo-me à bela Fortaleza, senti saudades de suas Tenho compulsão por comprar sapatos à Luis XV. (à
praias. moda de Luís XV)
 Não se efetiva o uso da crase diante da locução
adverbial “a distância”: Na praia de Copacabana,
#FicaDica observamos a queima de fogos a distância.
Entretanto, se o termo vier determinado, teremos
Use a regrinha “Vou A volto DA, crase HÁ; vou uma locução prepositiva, aí sim, ocorrerá crase: O pedes-
A volto DE, crase PRA QUÊ?” Exemplo: Vou a tre foi arremessado à distância de cem metros.
Campinas. = Volto de Campinas. (crase pra  De modo a evitar o duplo sentido – a ambiguidade
quê?) -, faz-se necessário o emprego da crase.
Vou à praia. = Volto da praia. (crase há!) Ensino à distância.
Ensino a distância.
 Em locuções adverbiais formadas por palavras re-
Quando o nome de lugar estiver especificado, ocor- petidas, não há ocorrência da crase.
rerá crase. Veja: Ela ficou frente a frente com o agressor.
Retornarei à São Paulo dos bandeirantes. = mesmo Eu o seguirei passo a passo.
que, pela regrinha acima, seja a do “VOLTO DE”
Irei à Salvador de Jorge Amado. Casos em que não se admite o emprego da crase:

A letra “a” dos pronomes demonstrativos aquele(s), Antes de vocábulos masculinos.


aquela(s) e aquilo receberão o acento grave se o termo As produções escritas a lápis não serão corrigidas.
regente exigir complemento regido da preposição “a”. Esta caneta pertence a Pedro.
Entregamos a encomenda àquela menina.
(preposição + pronome demonstrativo) Antes de verbos no infinitivo.
Ele estava a cantar.
Iremos àquela reunião. Começou a chover.
(preposição + pronome demonstrativo)
Antes de numeral.
Sua história é semelhante às que eu ouvia quando O número de aprovados chegou a cem.
criança. (àquelas que eu ouvia quando criança) Faremos uma visita a dez países.
(preposição + pronome demonstrativo)
Observações:
A letra “a” que acompanha locuções femininas (ad-  Nos casos em que o numeral indicar horas – fun-
verbiais, prepositivas e conjuntivas) recebem o acento cionando como uma locução adverbial feminina –
grave: ocorrerá crase: Os passageiros partirão às dezenove
 locuções adverbiais: às vezes, à tarde, à noite, às horas.
pressas, à vontade...  Diante de numerais ordinais femininos a crase está
 locuções prepositivas: à frente, à espera de, à pro- confirmada, visto que estes não podem ser empre-
cura de... gados sem o artigo: As saudações foram direciona-
LÍNGUA PORTUGUESA

 locuções conjuntivas: à proporção que, à medida das à primeira aluna da classe.


que.  Não ocorrerá crase antes da palavra casa, quando
essa não se apresentar determinada: Chegamos to-
Cuidado: quando as expressões acima não exercerem dos exaustos a casa.
a função de locuções não ocorrerá crase. Repare: Entretanto, se vier acompanhada de um adjunto
Eu adoro a noite! adnominal, a crase estará confirmada: Chegamos todos
exaustos à casa de Marcela.

10
 Não há crase antes da palavra “terra”, quando essa Lei Complementar n.º 101/2000, denominada Lei de Res-
indicar chão firme: Quando os navegantes regressa- ponsabilidade Fiscal (LRF), estão elaborando sua própria
ram a terra, já era noite. legislação destinada a assegurar, como alegam, maior ri-
Contudo, se o termo estiver precedido por um de- gor na gestão de suas finanças. Querem uma nova lei de
terminante ou referir-se ao planeta Terra, ocorrerá crase. responsabilidade fiscal para, segundo argumentam, for-
Paulo viajou rumo à sua terra natal. talecer a estrutura legal que protege o dinheiro público
O astronauta voltou à Terra. do mau uso por gestores irresponsáveis.
Examinando-se a situação financeira dos estados que
 Não ocorre crase antes de pronomes que reque- preparam sua versão da lei de responsabilidade fiscal,
rem o uso do artigo. fica difícil aceitar a argumentação. Desde maio de 2000,
Os livros foram entregues a mim. quando entrou em vigor a LRF, esses estados, como os
Dei a ela a merecida recompensa. demais, estão sujeitos a regras precisas para a gestão do
dinheiro público, para a criação de despesas e, em par-
 Pelo fato de os pronomes de tratamento relativos ticular, para os gastos com pessoal. Por que, tendo des-
à senhora, senhorita e madame admitirem artigo, o cumprido algumas dessas regras, estariam interessados
uso da crase está confirmado no “a” que os antece- em torná-las ainda mais rigorosas?
de, no caso de o termo regente exigir a preposição. Não foi a lei que não funcionou, mas os responsáveis
Todos os méritos foram conferidos à senhorita Patrícia. pelo dinheiro público que, por alguma razão, não a cum-
 Não ocorre crase antes de nome feminino utiliza- priram. De que adiantaria, então, tornar a lei mais rigoro-
do em sentido genérico ou indeterminado: sa, se nem nas condições atuais esses responsáveis estão
Estamos sujeitos a críticas. sendo capazes de cumpri-la? O problema não está na
Refiro-me a conversas paralelas. lei. Mudá-la pode ser o pretexto não para torná-la mais
rigorosa, mas para atribuir-lhe alguma flexibilidade que
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS a desfigure. O verdadeiro problema é a dificuldade do
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa setor público de adaptar suas despesas às receitas em
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. queda por causa da crise.
Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Ce-
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Internet: <http://opiniao.estadao.com.br> (com adapta-
Paulo: Saraiva, 2010. ções).
SITE O emprego do acento grave em “às receitas” decorre da
http://www.portugues.com.br/gramatica/o-uso-cra- regência do verbo “adaptar” e da presença do artigo de-
se-.html finido feminino determinando o substantivo “receitas”.

( ) CERTO ( ) ERRADO
EXERCÍCIOS COMENTADOS
Resposta: Certo. Texto: O verdadeiro problema é a di-
ficuldade do setor público de adaptar suas despesas às
1. (POLÍCIA FEDERAL – AGENTE DE POLÍCIA FEDERAL –
receitas em queda por causa da crise = quem adapta,
CESPE – 2014 – ADAPTADA) O acento indicativo de crase em
adapta algo/alguém A algo/alguém.
“à humanidade e à estabilidade” é de uso facultativo, razão por
que sua supressão não prejudicaria a correção gramatical do texto.
3. (FNDE – TÉCNICO EM FINANCIAMENTO E EXE-
( ) CERTO ( ) ERRADO CUÇÃO DE PROGRAMAS E PROJETOS EDUCACIO-
NAIS – CESPE – 2012) O emprego do sinal indicativo de
RESPOSTA: Errado. Retomemos o contexto: (...) O crase em “adequando os objetivos às necessidades” justi-
uso indevido de drogas constitui, na atualidade, séria e fica-se pela regência do verbo adequar, que exige com-
persistente ameaça à humanidade e à estabilidade das plemento regido pela preposição “a”, e pela presença de
estruturas e valores políticos (...). artigo definido feminino antes de “necessidades”.
O uso do acento indicativo de crase é obrigatório, já
que os termos “humanidade” e “estabilidade” comple- ( ) CERTO ( ) ERRADO
mentam o nome “ameaça” – “ameaça a quê? a quem?” RESPOSTA: Certo. Adequar o quê? – os objetivos
= a regência nominal pede preposição. (objeto direto) – adequar o quê a quê? – a + as (=às)
necessidades – objeto indireto. A explicação do enun-
2. (TCE-PA – CONHECIMENTOS BÁSICOS – AUDI- ciado está correta.
TOR DE CONTROLE EXTERNO – EDUCACIONAL –
LÍNGUA PORTUGUESA

CESPE – 2016) 4. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA-SE – TÉCNICO JUDICIÁ-


RIO – CESPE – 2014 – ADAPTADA) No trecho “deu
Texto CB1A1BBB
início à sua caminhada cósmica”, o emprego do acento
Estranhamente, governos estaduais cujas despesas com grave indicativo de crase é obrigatório.
o funcionalismo já alcançaram nível preocupante ou que
estouraram o limite de gastos com pessoal fixado pela ( ) CERTO ( ) ERRADO

11
RESPOSTA: Errado. “deu início à sua caminhada
de inverno hibernal ou invernal
cósmica” – o uso do acento indicativo de crase, neste
caso, é facultativo (antes de pronome possessivo). de lago lacustre
de leão leonino
FORMAÇÃO, CLASSE E EMPREGO DE de lebre l eporino
PALAVRAS de lua lunar ou selênico
de madeira lígneo

Adjetivo de mestre magistral


de ouro áureo
É a palavra que expressa uma qualidade ou caracterís- de paixão passional
tica do ser e se relaciona com o substantivo, concordando
com este em gênero e número. de pâncreas pancreático
As praias brasileiras estão poluídas. de porco suíno ou porcino
Praias = substantivo; brasileiras/poluídas = adjetivos
(plural e feminino, pois concordam com “praias”). dos quadris ciático
de rio fluvial
1. Locução adjetiva
de sonho onírico
Locução = reunião de palavras. Sempre que são neces- de velho senil
sárias duas ou mais palavras para falar sobre a mesma coisa, de vento eólico
tem-se locução. Às vezes, uma preposição + substantivo tem
o mesmo valor de um adjetivo: é a Locução Adjetiva (expres- de vidro vítreo ou hialino
são que equivale a um adjetivo). Por exemplo: aves da noite de virilha inguinal
(aves noturnas), paixão sem freio (paixão desenfreada).
de visão óptico ou ótico
Observe outros exemplos:
Observação:
Nem toda locução adjetiva possui um adjetivo corres-
de águia aquilino pondente, com o mesmo significado: Vi as alunas da 5ª
de aluno discente série. / O muro de tijolos caiu.
de anjo angelical 2. Morfossintaxe do Adjetivo (Função Sintática):
de ano anual O adjetivo exerce sempre funções sintáticas (função
dentro de uma oração) relativas aos substantivos, atuan-
de aranha aracnídeo
do como adjunto adnominal ou como predicativo (do
de boi bovino sujeito ou do objeto).
de cabelo capilar
3. Adjetivo Pátrio (ou gentílico)
de cabra caprino Indica a nacionalidade ou o lugar de origem do ser.
de campo campestre ou rural Observe alguns deles:
de chuva pluvial
Estados e cidades brasileiras:
de criança pueril
de dedo digital Alagoas alagoano
de estômago estomacal ou gástrico Amapá amapaense
de falcão falconídeo Aracaju aracajuano ou aracajuense
de farinha farináceo Amazonas amazonense ou baré
de fera ferino Belo Horizonte belo-horizontino
de ferro férreo Brasília brasiliense
de fogo ígneo Cabo Frio cabo-friense
LÍNGUA PORTUGUESA

de garganta gutural Campinas campineiro ou campinense


de gelo glacial
4. Adjetivo Pátrio Composto
de guerra bélico
de homem viril ou humano Na formação do adjetivo pátrio composto, o primei-
ro elemento aparece na forma reduzida e, normalmente,
de ilha insular
erudita. Observe alguns exemplos:

12
África afro- / Cultura afro-americana
Alemanha germano- ou teuto-/Competições teuto-inglesas
América américo- / Companhia américo-africana
Bélgica belgo- / Acampamentos belgo-franceses
China sino- / Acordos sino-japoneses
Espanha hispano- / Mercado hispano-português
Europa euro- / Negociações euro-americanas
França franco- ou galo- / Reuniões franco-italianas
Grécia greco- / Filmes greco-romanos
Inglaterra anglo- / Letras anglo-portuguesas
Itália ítalo- / Sociedade ítalo-portuguesa
Japão nipo- / Associações nipo-brasileiras
Portugal luso- / Acordos luso-brasileiros

5. Flexão dos adjetivos

O adjetivo varia em gênero, número e grau.

6. Gênero dos Adjetivos

Os adjetivos concordam com o substantivo a que se referem (masculino e feminino). De forma semelhante aos
substantivos, classificam-se em:

A) Biformes - têm duas formas, sendo uma para o masculino e outra para o feminino: ativo e ativa, mau e má.
Se o adjetivo é composto e biforme, ele flexiona no feminino somente o último elemento: o moço norte-americano,
a moça norte-americana.
Exceção: surdo-mudo e surda-muda.

B) Uniformes - têm uma só forma tanto para o masculino como para o feminino: homem feliz e mulher feliz.
Se o adjetivo é composto e uniforme, fica invariável no feminino: conflito político-social e desavença político-social.

7. Número dos Adjetivos

A) Plural dos adjetivos simples


Os adjetivos simples se flexionam no plural de acordo com as regras estabelecidas para a flexão numérica dos subs-
tantivos simples: mau e maus, feliz e felizes, ruim e ruins, boa e boas.
Caso o adjetivo seja uma palavra que também exerça função de substantivo, ficará invariável, ou seja, se a palavra
que estiver qualificando um elemento for, originalmente, um substantivo, ela manterá sua forma primitiva. Exemplo: a
palavra cinza é, originalmente, um substantivo; porém, se estiver qualificando um elemento, funcionará como adjetivo.
Ficará, então, invariável. Logo: camisas cinza, ternos cinza.
Motos vinho (mas: motos verdes)
Paredes musgo (mas: paredes brancas).
Comícios monstro (mas: comícios grandiosos).

B) Adjetivo Composto
É aquele formado por dois ou mais elementos. Normalmente, esses elementos são ligados por hífen. Apenas o
último elemento concorda com o substantivo a que se refere; os demais ficam na forma masculina, singular. Caso um
dos elementos que formam o adjetivo composto seja um substantivo adjetivado, todo o adjetivo composto ficará in-
variável. Por exemplo: a palavra “rosa” é, originalmente, um substantivo, porém, se estiver qualificando um elemento,
LÍNGUA PORTUGUESA

funcionará como adjetivo. Caso se ligue a outra palavra por hífen, formará um adjetivo composto; como é um substan-
tivo adjetivado, o adjetivo composto inteiro ficará invariável. Veja:
Camisas rosa-claro.
Ternos rosa-claro.
Olhos verde-claros.
Calças azul-escuras e camisas verde-mar.
Telhados marrom-café e paredes verde-claras.

13
Observação: Por exemplo: O concurseiro é muito esforçado.
Azul-marinho, azul-celeste, ultravioleta e qualquer  Sintética: nessa, há o acréscimo de sufixos. Por
adjetivo composto iniciado por “cor-de-...” são sempre exemplo: O concurseiro é esforçadíssimo.
invariáveis: roupas azul-marinho, tecidos azul-celeste,
vestidos cor-de-rosa. Observe alguns superlativos sintéticos:
O adjetivo composto surdo-mudo tem os dois ele-
mentos flexionados: crianças surdas-mudas. benéfico - beneficentíssimo
8. Grau do Adjetivo bom - boníssimo ou ótimo
comum - comuníssimo
Os adjetivos se flexionam em grau para indicar a in-
cruel - crudelíssimo
tensidade da qualidade do ser. São dois os graus do ad-
jetivo: o comparativo e o superlativo. difícil - dificílimo
doce - dulcíssimo
A) Comparativo
Nesse grau, comparam-se a mesma característica fácil - facílimo
atribuída a dois ou mais seres ou duas ou mais caracte- fiel - fidelíssimo
rísticas atribuídas ao mesmo ser. O comparativo pode ser
de igualdade, de superioridade ou de inferioridade. B.2 Superlativo Relativo: ocorre quando a qualidade
Sou tão alto como você. = Comparativo de Igualdade de um ser é intensificada em relação a um conjunto de
No comparativo de igualdade, o segundo termo da seres. Essa relação pode ser:
comparação é introduzido pelas palavras como, quanto  De Superioridade: Essa matéria é a mais fácil de
ou quão. todas.
 De Inferioridade: Essa matéria é a menos fácil de
Sou mais alto (do) que você. = Comparativo de Su- todas.
perioridade
O superlativo absoluto analítico é expresso por meio
Sílvia é menos alta que Tiago. = Comparativo de In- dos advérbios muito, extremamente, excepcionalmente,
ferioridade antepostos ao adjetivo.
O superlativo absoluto sintético se apresenta sob
Alguns adjetivos possuem, para o comparativo de duas formas: uma erudita - de origem latina – e outra
superioridade, formas sintéticas, herdadas do latim. São popular - de origem vernácula. A forma erudita é cons-
eles: bom /melhor, pequeno/menor, mau/pior, alto/supe- tituída pelo radical do adjetivo latino + um dos sufixos
rior, grande/maior, baixo/inferior. -íssimo, -imo ou érrimo: fidelíssimo, facílimo, paupérrimo;
a popular é constituída do radical do adjetivo português
Observe que: + o sufixo -íssimo: pobríssimo, agilíssimo.
 As formas menor e pior são comparativos de su- Os adjetivos terminados em –io fazem o superlativo com
perioridade, pois equivalem a mais pequeno e mais dois “ii”: frio – friíssimo, sério – seriíssimo; os terminados em
mau, respectivamente. –eio, com apenas um “i”: feio - feíssimo, cheio – cheíssimo.
 Bom, mau, grande e pequeno têm formas sintéticas
(melhor, pior, maior e menor), porém, em compa- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
rações feitas entre duas qualidades de um mesmo Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce-
elemento, deve-se usar as formas analíticas mais reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
bom, mais mau,mais grande e mais pequeno. Por Paulo: Saraiva, 2010.
exemplo: SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Pedro é maior do que Paulo - Comparação de dois Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
elementos. Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
Pedro é mais grande que pequeno - comparação de ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
duas qualidades de um mesmo elemento.
Sou menos alto (do) que você. = Comparativo de In- SITE
ferioridade http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/
Sou menos passivo (do) que tolerante. morf32.php

Advérbio
B) Superlativo
O superlativo expressa qualidades num grau muito
LÍNGUA PORTUGUESA

Compare estes exemplos:


elevado ou em grau máximo. Pode ser absoluto ou rela-
O ônibus chegou.
tivo e apresenta as seguintes modalidades:
O ônibus chegou ontem.
B.1 Superlativo Absoluto: ocorre quando a quali-
dade de um ser é intensificada, sem relação com outros
Advérbio é uma palavra invariável que modifica o
seres. Apresenta-se nas formas: sentido do verbo (acrescentando-lhe circunstâncias de
 Analítica: a intensificação é feita com o auxílio de tempo, de modo, de lugar, de intensidade), do adjetivo e
palavras que dão ideia de intensidade (advérbios). do próprio advérbio.

14
Estudei bastante. = modificando o verbo estudei temente, entrementes, imediatamente, primeira-
Ele canta muito bem! = intensificando outro advérbio mente, provisoriamente, sucessivamente, às vezes,
(bem) à tarde, à noite, de manhã, de repente, de vez em
Ela tem os olhos muito claros. = relação com um ad- quando, de quando em quando, a qualquer mo-
jetivo (claros) mento, de tempos em tempos, em breve, hoje em
dia.
Quando modifica um verbo, o advérbio pode acres- C) Modo: bem, mal, assim, adrede, melhor, pior, de-
centar ideia de: pressa, acinte, debalde, devagar, às pressas, às cla-
Tempo: Ela chegou tarde. ras, às cegas, à toa, à vontade, às escondidas, aos
Lugar: Ele mora aqui. poucos, desse jeito, desse modo, dessa maneira, em
Modo: Eles agiram mal. geral, frente a frente, lado a lado, a pé, de cor, em
Negação: Ela não saiu de casa. vão e a maior parte dos que terminam em “-men-
Dúvida: Talvez ele volte. te”: calmamente, tristemente, propositadamente,
pacientemente, amorosamente, docemente, escan-
1. Flexão do Advérbio dalosamente, bondosamente, generosamente.
D) Afirmação: sim, certamente, realmente, decerto,
Os advérbios são palavras invariáveis, isto é, não apre- efetivamente, certo, decididamente, deveras, indu-
sentam variação em gênero e número. Alguns advérbios, bitavelmente.
porém, admitem a variação em grau. Observe: E) Negação: não, nem, nunca, jamais, de modo algum,
de forma nenhuma, tampouco, de jeito nenhum.
A) Grau Comparativo F) Dúvida: acaso, porventura, possivelmente, pro-
Forma-se o comparativo do advérbio do mesmo vavelmente, quiçá, talvez, casualmente, por certo,
modo que o comparativo do adjetivo:
quem sabe.
 de igualdade: tão + advérbio + quanto (como):
G) Intensidade: muito, demais, pouco, tão, em ex-
Renato fala tão alto quanto João.
cesso, bastante, mais, menos, demasiado, quanto,
 de inferioridade: menos + advérbio + que (do
quão, tanto, assaz, que (equivale a quão), tudo,
que): Renato fala menos alto do que João.
nada, todo, quase, de todo, de muito, por completo,
 de superioridade:
extremamente, intensamente, grandemente, bem
A.1 Analítico: mais + advérbio + que (do que): Renato
(quando aplicado a propriedades graduáveis).
fala mais alto do que João.
A.2 Sintético: melhor ou pior que (do que): Renato H) Exclusão: apenas, exclusivamente, salvo, senão, so-
fala melhor que João. mente, simplesmente, só, unicamente. Por exemplo:
Brando, o vento apenas move a copa das árvores.
B) Grau Superlativo I) Inclusão: ainda, até, mesmo, inclusivamente, tam-
O superlativo pode ser analítico ou sintético: bém. Por exemplo: O indivíduo também amadurece
B.1 Analítico: acompanhado de outro advérbio: Re- durante a adolescência.
nato fala muito alto. J) Ordem: depois, primeiramente, ultimamente. Por
muito = advérbio de intensidade / alto = advérbio exemplo: Primeiramente, eu gostaria de agradecer
de modo aos meus amigos por comparecerem à festa.
B.2 Sintético: formado com sufixos: Renato fala al-
tíssimo. Saiba que:
Para se exprimir o limite de possibilidade, antepõe-se
Observação: ao advérbio “o mais” ou “o menos”. Por exemplo: Ficarei
As formas diminutivas (cedinho, pertinho, etc.) são o mais longe que puder daquele garoto. Voltarei o menos
comuns na língua popular. tarde possível.
Maria mora pertinho daqui. (muito perto) Quando ocorrem dois ou mais advérbios em -mente,
A criança levantou cedinho. (muito cedo) em geral sufixamos apenas o último: O aluno respondeu
calma e respeitosamente.
3. Distinção entre Advérbio e Pronome Indefinido
2. Classificação dos Advérbios
Há palavras como muito, bastante, que podem apare-
De acordo com a circunstância que exprime, o advér- cer como advérbio e como pronome indefinido.
bio pode ser de:
A) Lugar: aqui, antes, dentro, ali, adiante, fora, aco-
Advérbio: refere-se a um verbo, adjetivo, ou a outro
lá, atrás, além, lá, detrás, aquém, cá, acima, onde,
advérbio e não sofre flexões. Por exemplo: Eu corri muito.
perto, aí, abaixo, aonde, longe, debaixo, algures, de-
LÍNGUA PORTUGUESA

Pronome Indefinido: relaciona-se a um substantivo


fronte, nenhures, adentro, afora, alhures, nenhures,
e sofre flexões. Por exemplo: Eu corri muitos quilômetros.
aquém, embaixo, externamente, à distância, à dis-
tância de, de longe, de perto, em cima, à direita, à
esquerda, ao lado, em volta.
B) Tempo: hoje, logo, primeiro, ontem, tarde, outrora,
amanhã, cedo, dantes, depois, ainda, antigamente,
antes, doravante, nunca, então, ora, jamais, agora,
sempre, já, enfim, afinal, amiúde, breve, constan-

15
Quanto a sua função sintática: o advérbio e a locução
#FicaDica adverbial desempenham na oração a função de adjunto
adverbial, classificando-se de acordo com as circunstân-
Como saber se a palavra bastante é advérbio cias que acrescentam ao verbo, ao adjetivo ou ao advér-
(não varia, não se flexiona) ou pronome bio. Exemplo:
indefinido (varia, sofre flexão)? Se der, na Meio cansada, a candidata saiu da sala. = adjunto ad-
frase, para substituir o “bastante” por “muito”, verbial de intensidade (ligado ao adjetivo “cansada”)
estamos diante de um advérbio; se der para Trovejou muito ontem. = adjunto adverbial de intensi-
substituir por “muitos” (ou muitas), é um dade e de tempo, respectivamente.
pronome. Veja:
1. Estudei bastante para o concurso. (estudei REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
muito, pois “muitos” não dá!) = advérbio Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce-
2. Estudei bastantes capítulos para o concurso. reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
(estudei muitos capítulos) = pronome indefinido Paulo: Saraiva, 2010.
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
4. Advérbios Interrogativos SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
São as palavras: onde? aonde? donde? quando? como?
por quê? nas interrogações diretas ou indiretas, referen- SITE
tes às circunstâncias de lugar, tempo, modo e causa. Veja: http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/
morf75.php

Interrogação Direta Interrogação Indireta Artigo


Como aprendeu? Perguntei como aprendeu.
O artigo integra as dez classes gramaticais, definindo-
Onde mora? Indaguei onde morava.
-se como o termo variável que serve para individualizar
Por que choras? Não sei por que choras. ou generalizar o substantivo, indicando, também, o gê-
Aonde vai? Perguntei aonde ia. nero (masculino/feminino) e o número (singular/plural).
Os artigos se subdividem em definidos (“o” e as va-
Donde vens? Pergunto donde vens. riações “a”[as] e [os]) e indefinidos (“um” e as variações
Quando voltas? Pergunto quando voltas. “uma”[s] e “uns]).

5. Locução Adverbial A) Artigos definidos – São usados para indicar seres


determinados, expressos de forma individual: O
Quando há duas ou mais palavras que exercem fun- concurseiro estuda muito. Os concurseiros estudam
ção de advérbio, temos a locução adverbial, que pode muito.
expressar as mesmas noções dos advérbios. Iniciam ordi- B) Artigos indefinidos – usados para indicar seres de
nariamente por uma preposição. Veja: modo vago, impreciso: Uma candidata foi aprova-
A) lugar: à esquerda, à direita, de longe, de perto, da! Umas candidatas foram aprovadas!
para dentro, por aqui, etc.
B) afirmação: por certo, sem dúvida, etc. 1. Circunstâncias em que os artigos se manifestam:
C) modo: às pressas, passo a passo, de cor, em vão,
em geral, frente a frente, etc. Considera-se obrigatório o uso do artigo depois do
numeral “ambos”: Ambos os concursos cobrarão tal con-
D) tempo: de noite, de dia, de vez em quando, à tarde,
teúdo.
hoje em dia, nunca mais, etc.
Nomes próprios indicativos de lugar (ou topônimos)
admitem o uso do artigo, outros não: São Paulo, O Rio de
A locução adverbial e o advérbio modificam o verbo,
Janeiro, Veneza, A Bahia...
o adjetivo e outro advérbio:
Quando indicado no singular, o artigo definido pode
Chegou muito cedo. (advérbio)
indicar toda uma espécie: O trabalho dignifica o homem.
Joana é muito bela. (adjetivo)
No caso de nomes próprios personativos, denotando
De repente correram para a rua. (verbo) a ideia de familiaridade ou afetividade, é facultativo o uso
Usam-se, de preferência, as formas mais bem e mais do artigo: Marcela é a mais extrovertida das irmãs. / O
mal antes de adjetivos ou de verbos no particípio:
LÍNGUA PORTUGUESA

Pedro é o xodó da família.


Essa matéria é mais bem interessante que aquela. No caso de os nomes próprios personativos estarem
Nosso aluno foi o mais bem colocado no concurso! no plural, são determinados pelo uso do artigo: Os Maias,
O numeral “primeiro”, ao modificar o verbo, é advér- os Incas, Os Astecas...
bio: Cheguei primeiro. Usa-se o artigo depois do pronome indefinido todo(a)
para conferir uma ideia de totalidade. Sem o uso dele (do
artigo), o pronome assume a noção de “qualquer”.

16
Toda a classe parabenizou o professor. (a sala toda) 2. Classificação da Conjunção
Toda classe possui alunos interessados e desinteressa-
dos. (qualquer classe) De acordo com o tipo de relação que estabelecem, as
Antes de pronomes possessivos, o uso do artigo é fa- conjunções podem ser classificadas em coordenativas e
cultativo: Preparei o meu curso. Preparei meu curso. subordinativas. No primeiro caso, os elementos ligados
A utilização do artigo indefinido pode indicar uma pela conjunção podem ser isolados um do outro. Esse
ideia de aproximação numérica: O máximo que ele deve isolamento, no entanto, não acarreta perda da unidade
ter é uns vinte anos. de sentido que cada um dos elementos possui. Já no se-
O artigo também é usado para substantivar palavras gundo caso, cada um dos elementos ligados pela conjun-
pertencentes a outras classes gramaticais: Não sei o por- ção depende da existência do outro. Veja:
quê de tudo isso. / O bem vence o mal. Estudei muito, mas ainda não compreendi o conteúdo.
Podemos separá-las por ponto:
2. Há casos em que o artigo definido não pode ser Estudei muito. Ainda não compreendi o conteúdo.
usado:
Antes de nomes de cidade (topônimo) e de pessoas Temos acima um exemplo de conjunção (e, conse-
conhecidas: O professor visitará Roma. quentemente, orações coordenadas) coordenativa –
“mas”. Já em:
Mas, se o nome apresentar um caracterizador, a pre- Espero que eu seja aprovada no concurso!
sença do artigo será obrigatória: O professor visitará a Não conseguimos separar uma oração da outra, pois
bela Roma. a segunda “completa” o sentido da primeira (da oração
principal): Espero o quê? Ser aprovada. Nesse período te-
Antes de pronomes de tratamento: Vossa Senhoria mos uma oração subordinada substantiva objetiva direta
sairá agora? (ela exerce a função de objeto direto do verbo da oração
Exceção: O senhor vai à festa? principal).

3. Conjunções Coordenativas
Após o pronome relativo “cujo” e suas variações: Esse
é o concurso cujas provas foram anuladas?/ Este é o can-
São aquelas que ligam orações de sentido completo
didato cuja nota foi a mais alta.
e independente ou termos da oração que têm a mesma
função gramatical. Subdividem-se em:
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce-
A) Aditivas: ligam orações ou palavras, expressando
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São ideia de acréscimo ou adição. São elas: e, nem (= e
Paulo: Saraiva, 2010. não), não só... mas também, não só... como também,
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda- bem como, não só... mas ainda.
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.SAC- A sua pesquisa é clara e objetiva.
CONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. Não só dança, mas também canta.
30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce- B) Adversativas: ligam duas orações ou palavras, ex-
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São pressando ideia de contraste ou compensação. São
Paulo: Saraiva, 2010. elas: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no
entanto, não obstante.
SITE Tentei chegar mais cedo, porém não consegui.
http://www.brasilescola.com/gramatica/artigo.htm
C) Alternativas: ligam orações ou palavras, expres-
sando ideia de alternância ou escolha, indicando
Conjunção fatos que se realizam separadamente. São elas: ou,
ou... ou, ora... ora, já... já, quer... quer, seja... seja, tal-
Além da preposição, há outra palavra também inva- vez... talvez.
riável que, na frase, é usada como elemento de ligação: Ou escolho agora, ou fico sem presente de aniversário.
a conjunção. Ela serve para ligar duas orações ou duas
palavras de mesma função em uma oração: D) Conclusivas: ligam a oração anterior a uma oração
O concurso será realizado nas cidades de Campinas e que expressa ideia de conclusão ou consequência.
São Paulo. São elas: logo, pois (depois do verbo), portanto, por
A prova não será fácil, por isso estou estudando muito. conseguinte, por isso, assim.
LÍNGUA PORTUGUESA

Marta estava bem preparada para o teste, portanto


1. Morfossintaxe da Conjunção não ficou nervosa.
Você nos ajudou muito; terá, pois, nossa gratidão.
As conjunções, a exemplo das preposições, não exer-
cem propriamente uma função sintática: são conectivos. E) Explicativas: ligam a oração anterior a uma oração
que a explica, que justifica a ideia nela contida. São
elas: que, porque, pois (antes do verbo), porquanto.
Não demore, que o filme já vai começar.

17
Falei muito, pois não gosto do silêncio!
#FicaDica
4. Conjunções Subordinativas
Você deve ter percebido que a conjunção con-
São aquelas que ligam duas orações, sendo uma de- dicional “se” também é conjunção integrante.
las dependente da outra. A oração dependente, intro- A diferença é clara ao ler as orações que são
duzida pelas conjunções subordinativas, recebe o nome introduzidas por ela. Acima, ela nos dá a ideia
de oração subordinada. Veja o exemplo: O baile já tinha da condição para que recebamos um telefo-
começado quando ela chegou. nema (se for preciso ajuda). Já na oração: Não
O baile já tinha começado: oração principal sei se farei o concurso. Não há ideia de
quando: conjunção subordinativa (adverbial tempo- condição alguma, há? Outra coisa: o verbo da
ral) oração principal (sei) pede complemento (ob-
ela chegou: oração subordinada jeto direto, já que “quem não sabe, não sabe
algo”). Portanto, a oração em destaque exerce
As conjunções subordinativas subdividem-se em in- a função de objeto direto da oração principal,
tegrantes e adverbiais: sendo classificada como oração subordinada
substantiva objetiva direta.
Integrantes - Indicam que a oração subordinada por
elas introduzida completa ou integra o sentido da prin-
cipal. Introduzem orações que equivalem a substantivos, D) Conformativas: introduzem uma oração que ex-
ou seja, as orações subordinadas substantivas. São elas: prime a conformidade de um fato com outro. São
que, se. elas: conforme, como (= conforme), segundo, con-
Quero que você volte. (Quero sua volta) soante, etc.
O passeio ocorreu como havíamos planejado.
Adverbiais - Indicam que a oração subordinada exer-
ce a função de adjunto adverbial da principal. De acordo E) Finais: introduzem uma oração que expressa a fi-
com a circunstância que expressam, classificam-se em: nalidade ou o objetivo com que se realiza a oração
principal. São elas: para que, a fim de que, que, por-
A) Causais: introduzem uma oração que é causa da que (= para que), que, etc.
ocorrência da oração principal. São elas: porque, Toque o sinal para que todos entrem no salão.
que, como (= porque, no início da frase), pois que,
visto que, uma vez que, porquanto, já que, desde F) Proporcionais: introduzem uma oração que ex-
que, etc. pressa um fato relacionado proporcionalmente
Ele não fez a pesquisa porque não dispunha de meios. à ocorrência do expresso na principal. São elas:
à medida que, à proporção que, ao passo que e
B) Concessivas: introduzem uma oração que expres- as combinações quanto mais... (mais), quanto me-
sa ideia contrária à da principal, sem, no entanto, nos... (menos), quanto menos... (mais), quanto me-
impedir sua realização. São elas: embora, ainda nos... (menos), etc.
que, apesar de que, se bem que, mesmo que, por O preço fica mais caro à medida que os produtos es-
mais que, posto que, conquanto, etc. casseiam.
Embora fosse tarde, fomos visitá-lo.
Observação:
C) Condicionais: introduzem uma oração que indica São incorretas as locuções proporcionais à medida
a hipótese ou a condição para ocorrência da prin- em que, na medida que e na medida em que.
cipal. São elas: se, caso, contanto que, salvo se, a
não ser que, desde que, a menos que, sem que, etc. G) Temporais: introduzem uma oração que acrescen-
Se precisar de minha ajuda, telefone-me. ta uma circunstância de tempo ao fato expresso na
oração principal. São elas: quando, enquanto, antes
que, depois que, logo que, todas as vezes que, desde
que, sempre que, assim que, agora que, mal (= as-
sim que), etc.
A briga começou assim que saímos da festa.

H) Comparativas: introduzem uma oração que ex-


LÍNGUA PORTUGUESA

pressa ideia de comparação com referência à ora-


ção principal. São elas: como, assim como, tal como,
como se, (tão)... como, tanto como, tanto quanto, do
que, quanto, tal, qual, tal qual, que nem, que (com-
binado com menos ou mais), etc.
O jogo de hoje será mais difícil que o de ontem.

18
I) Consecutivas: introduzem uma oração que expressa As interjeições cumprem, normalmente, duas funções:
a consequência da principal. São elas: de sorte que,
de modo que, sem que (= que não), de forma que, A) Sintetizar uma frase exclamativa, exprimindo ale-
de jeito que, que (tendo como antecedente na oração gria, tristeza, dor, etc.: Ah, deve ser muito interes-
principal uma palavra como tal, tão, cada, tanto, ta- sante!
manho), etc. B) Sintetizar uma frase apelativa: Cuidado! Saia da
Estudou tanto durante a noite que dormiu na hora do minha frente.
exame.
As interjeições podem ser formadas por:
FIQUE ATENTO!  simples sons vocálicos: Oh!, Ah!, Ó, Ô
 palavras: Oba! Olá! Claro!
Muitas conjunções não têm classificação
 grupos de palavras (locuções interjetivas): Meu
única, imutável, devendo, portanto, ser clas-
Deus! Ora bolas!
sificadas de acordo com o sentido que apre-
sentam no contexto (destaque da Zê!). 1. Classificação das Interjeições

Comumente, as interjeições expressam sentido de:


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS A) Advertência: Cuidado! Devagar! Calma! Sentido!
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Atenção! Olha! Alerta!
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. B) Afugentamento: Fora! Passa! Rua!
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce- C) Alegria ou Satisfação: Oh! Ah! Eh! Oba! Viva!
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São D) Alívio: Arre! Uf! Ufa! Ah!
Paulo: Saraiva, 2010. E) Animação ou Estímulo: Vamos! Força! Coragem!
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda- Ânimo! Adiante!
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. F) Aplauso ou Aprovação: Bravo! Bis! Apoiado! Viva!
G) Concordância: Claro! Sim! Pois não! Tá!
SITE H) Repulsa ou Desaprovação: Credo! Ih! Francamen-
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf84. te! Essa não! Chega! Basta!
php I) Desejo ou Intenção: Pudera! Tomara! Oxalá! Quei-
ra Deus!
Interjeição J) Desculpa: Perdão!
K) Dor ou Tristeza: Ai! Ui! Ai de mim! Que pena!
Interjeição é a palavra invariável que exprime emo- L) Dúvida ou Incredulidade: Que nada! Qual o quê!
ções, sensações, estados de espírito. É um recurso da lin- M) Espanto ou Admiração: Oh! Ah! Uai! Puxa! Céus!
guagem afetiva, em que não há uma ideia organizada de Quê! Caramba! Opa! Nossa! Hein? Cruz! Putz!
maneira lógica, como são as sentenças da língua, mas sim N) Impaciência ou Contrariedade: Hum! Raios!
a manifestação de um suspiro, um estado da alma decor- Puxa! Pô! Ora!
rente de uma situação particular, um momento ou um O) Pedido de Auxílio: Socorro! Aqui! Piedade!
contexto específico. Exemplos: P) Saudação, Chamamento ou Invocação: Salve!
Ah, como eu queria voltar a ser criança! Viva! Olá! Alô! Tchau! Psiu! Socorro! Valha-me,
ah: expressão de um estado emotivo = interjeição Deus!
Hum! Esse pudim estava maravilhoso! Q) Silêncio: Psiu! Silêncio!
hum: expressão de um pensamento súbito = interjei- R) Terror ou Medo: Credo! Cruzes! Minha nossa!
ção
O significado das interjeições está vinculado à maneira Saiba que:
como elas são proferidas. O tom da fala é que dita o senti- As interjeições são palavras invariáveis, isto é, não so-
do que a expressão vai adquirir em cada contexto em que frem variação em gênero, número e grau como os no-
for utilizada. Exemplos: mes, nem de número, pessoa, tempo, modo, aspecto e
voz como os verbos. No entanto, em uso específico, al-
Psiu! gumas interjeições sofrem variação em grau. Não se trata
contexto: alguém pronunciando esta expressão na rua; de um processo natural desta classe de palavra, mas tão
significado da interjeição (sugestão): “Estou te chamando! só uma variação que a linguagem afetiva permite. Exem-
Ei, espere!” plos: oizinho, bravíssimo, até loguinho.

Psiu! 2. Locução Interjetiva


LÍNGUA PORTUGUESA

contexto: alguém pronunciando em um hospital; sig-


nificado da interjeição (sugestão): “Por favor, faça silêncio!” Ocorre quando duas ou mais palavras formam uma
expressão com sentido de interjeição: Ora bolas!, Virgem
Puxa! Ganhei o maior prêmio do sorteio! Maria!, Meu Deus!, Ó de casa!, Ai de mim!, Graças a Deus!
puxa: interjeição; tom da fala: euforia Toda frase mais ou menos breve dita em tom excla-
mativo torna-se uma locução interjetiva, dispensando
Puxa! Hoje não foi meu dia de sorte! análise dos termos que a compõem: Macacos me mor-
puxa: interjeição; tom da fala: decepção dam!, Valha-me Deus!, Quem me dera!

19
1. As interjeições são como frases resumidas, sinté-
ticas. Por exemplo: Ué! (= Eu não esperava por #FicaDica
essa!) / Perdão! (= Peço-lhe que me desculpe)
2. Além do contexto, o que caracteriza a interjeição é As palavras anterior, posterior, último, antepe-
o seu tom exclamativo; por isso, palavras de outras núltimo, final e penúltimo também indicam
classes gramaticais podem aparecer como inter- posição dos seres, mas são classificadas como
jeições. Por exemplo: Viva! Basta! (Verbos) / Fora! adjetivos, não ordinais.
Francamente! (Advérbios)
3. A interjeição pode ser considerada uma “palavra-
-frase” porque sozinha pode constituir uma men- C) Fracionários: indicam parte de uma quantidade,
sagem. Por exemplo: Socorro! Ajudem-me! Silêncio! ou seja, uma divisão dos seres: meio, terço, dois
Fique quieto! quintos, etc.
4. Há, também, as interjeições onomatopaicas ou imi- D) Multiplicativos: expressam ideia de multiplicação
tativas, que exprimem ruídos e vozes. Por exemplo: dos seres, indicando quantas vezes a quantidade
Miau! Bumba! Zás! Plaft! Pof! Catapimba! Tique-ta- foi aumentada: dobro, triplo, quíntuplo, etc.
que! Quá-quá-quá!, etc.
5. Não se deve confundir a interjeição de apelo “ó” 2. Flexão dos numerais
com a sua homônima “oh!”, que exprime admira-
ção, alegria, tristeza, etc. Faz-se uma pausa depois Os numerais cardinais que variam em gênero são um/
do “oh!” exclamativo e não a fazemos depois do uma, dois/duas e os que indicam centenas de duzentos/
“ó” vocativo. Por exemplo: “Ó natureza! ó mãe pie- duzentas em diante: trezentos/trezentas, quatrocentos/
dosa e pura!” (Olavo Bilac) quatrocentas, etc. Cardinais como milhão, bilhão, trilhão,
variam em número: milhões, bilhões, trilhões. Os demais
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS cardinais são invariáveis.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Os numerais ordinais variam em gênero e número:
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português – Literatura, Produção de Textos & Gramá-
tica – volume único / Samira Yousseff Campedelli, Jésus primeiro segundo milésimo
Barbosa Souza. – 3. Ed. – São Paulo: Saraiva, 2002. primeira segunda milésima

SITE primeiros segundos milésimos


http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/ primeiras segundas milésimas
morf89.php
Os numerais multiplicativos são invariáveis quando
NUMERAL atuam em funções substantivas: Fizeram o dobro do es-
forço e conseguiram o triplo de produção.
Numeral é a palavra variável que indica quantidade Quando atuam em funções adjetivas, esses numerais
numérica ou ordem; expressa a quantidade exata de pes- flexionam-se em gênero e número: Teve de tomar doses
soas ou coisas ou o lugar que elas ocupam numa deter- triplas do medicamento.
minada sequência. Os numerais fracionários flexionam-se em gênero e
número. Observe: um terço/dois terços, uma terça parte/
Os numerais traduzem, em palavras, o que os núme- duas terças partes.
ros indicam em relação aos seres. Assim, quando a ex-
pressão é colocada em números (1, 1.º, 1/3, etc.) não se Os numerais coletivos flexionam-se em número: uma
trata de numerais, mas sim de algarismos. dúzia, um milheiro, duas dúzias, dois milheiros.
Além dos numerais mais conhecidos, já que refletem É comum na linguagem coloquial a indicação de grau
a ideia expressa pelos números, existem mais algumas nos numerais, traduzindo afetividade ou especialização
palavras consideradas numerais porque denotam quan- de sentido. É o que ocorre em frases como:
tidade, proporção ou ordenação. São alguns exemplos: “Me empresta duzentinho...”
década, dúzia, par, ambos(as), novena.
É artigo de primeiríssima qualidade!
O time está arriscado por ter caído na segundona. (=
1. Classificação dos Numerais
segunda divisão de futebol)
A) Cardinais: indicam quantidade exata ou determi-
3. Emprego e Leitura dos Numerais
nada de seres: um, dois, cem mil, etc. Alguns car-
LÍNGUA PORTUGUESA

dinais têm sentido coletivo, como por exemplo:


Os numerais são escritos em conjunto de três algaris-
século, par, dúzia, década, bimestre.
mos, contados da direita para a esquerda, em forma de
B) Ordinais: indicam a ordem, a posição que alguém
ou alguma coisa ocupa numa determinada se- centenas, dezenas e unidades, tendo cada conjunto uma
quência: primeiro, segundo, centésimo, etc. separação através de ponto ou espaço correspondente a
um ponto: 8.234.456 ou 8 234 456.

20
Em sentido figurado, usa-se o numeral para indicar exagero intencional, constituindo a figura de linguagem conhe-
cida como hipérbole: Já li esse texto mil vezes.
No português contemporâneo, não se usa a conjunção “e” após “mil”, seguido de centena: Nasci em mil novecentos
e noventa e dois.
Seu salário será de mil quinhentos e cinquenta reais.

Mas, se a centena começa por “zero” ou termina por dois zeros, usa-se o “e”: Seu salário será de mil e quinhentos
reais. (R$1.500,00)
Gastamos mil e quarenta reais. (R$1.040,00)

Para designar papas, reis, imperadores, séculos e partes em que se divide uma obra, utilizam-se os ordinais até
décimo e, a partir daí, os cardinais, desde que o numeral venha depois do substantivo;

Ordinais Cardinais
João Paulo II (segundo) Tomo XV (quinze)
D. Pedro II (segundo) Luís XVI (dezesseis)
Ato II (segundo) Capítulo XX (vinte)
Século VIII (oitavo) Século XX (vinte)
Canto IX (nono) João XXIII ( vinte e três)

Se o numeral aparece antes do substantivo, será lido como ordinal: XXX Feira do Bordado. (trigésima)

#FicaDica
Ordinal lembra ordem. Memorize assim, por associação. Ficará mais fácil!

Para designar leis, decretos e portarias, utiliza-se o ordinal até nono e o cardinal de dez em diante:
Artigo 1.° (primeiro) Artigo 10 (dez)
Artigo 9.° (nono) Artigo 21 (vinte e um)

Ambos/ambas = numeral dual, porque sempre se refere a dois seres. Significam “um e outro”, “os dois” (ou “uma
e outra”, “as duas”) e são largamente empregados para retomar pares de seres aos quais já se fez referência. Sua uti-
lização exige a presença do artigo posposto: Ambos os concursos realizarão suas provas no mesmo dia. O artigo só é
dispensado caso haja um pronome demonstrativo: Ambos esses ministros falarão à imprensa.

Quadro de alguns numerais

Cardinais Ordinais Multiplicativos Fracionários


um primeiro - -
dois segundo dobro, duplo meio
três terceiro triplo, tríplice terço
quatro quarto quádruplo quarto
cinco quinto quíntuplo quinto
seis sexto sêxtuplo sexto
sete sétimo sétuplo sétimo
oito oitavo óctuplo oitavo
LÍNGUA PORTUGUESA

nove nono nônuplo nono


dez décimo décuplo décimo
onze décimo primeiro - onze avos
doze décimo segundo - doze avos
treze décimo terceiro - treze avos

21
catorze décimo quarto - catorze avos
quinze décimo quinto - quinze avos
dezesseis décimo sexto - dezesseis avos
dezessete décimo sétimo - dezessete avos
dezoito décimo oitavo - dezoito avos
dezenove décimo nono - dezenove avos
vinte vigésimo - vinte avos
trinta trigésimo - trinta avos
quarenta quadragésimo - quarenta avos
cinqüenta quinquagésimo - cinquenta avos
sessenta sexagésimo - sessenta avos
setenta septuagésimo - setenta avos
oitenta octogésimo - oitenta avos
noventa nonagésimo - noventa avos
cem centésimo cêntuplo centésimo
duzentos ducentésimo - ducentésimo
trezentos trecentésimo - trecentésimo
quatrocentos quadringentésimo - quadringentésimo
quinhentos quingentésimo - quingentésimo
seiscentos sexcentésimo - sexcentésimo
setecentos septingentésimo - septingentésimo
oitocentos octingentésimo - octingentésimo
novecentos nongentésimo
ou noningentésimo - nongentésimo
mil milésimo - milésimo
milhão milionésimo - milionésimo
bilhão bilionésimo - bilionésimo

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Paulo:
Saraiva, 2010.
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.

SITE
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf40.php

Preposição

Preposição é uma palavra invariável que serve para ligar termos ou orações. Quando esta ligação acontece, nor-
malmente há uma subordinação do segundo termo em relação ao primeiro. As preposições são muito importantes na
estrutura da língua, pois estabelecem a coesão textual e possuem valores semânticos indispensáveis para a compreen-
LÍNGUA PORTUGUESA

são do texto.

1. Tipos de Preposição

A) Preposições essenciais: palavras que atuam exclusivamente como preposições: a, ante, perante, após, até, com,
contra, de, desde, em, entre, para, por, sem, sob, sobre, trás, atrás de, dentro de, para com.
B) Preposições acidentais: palavras de outras classes gramaticais que podem atuar como preposições, ou seja,
formadas por uma derivação imprópria: como, durante, exceto, fora, mediante, salvo, segundo, senão, visto.

22
C) Locuções prepositivas: duas ou mais palavras va- Meio = passeio de barco.
lendo como uma preposição, sendo que a última Origem = Nós somos do Nordeste.
palavra é uma (preposição): abaixo de, acerca de, Conteúdo = frascos de perfume.
acima de, ao lado de, a respeito de, de acordo com, Oposição = Esse movimento é contra o que eu penso.
em cima de, embaixo de, em frente a, ao redor de, Preço = Essa roupa sai por cinquenta reais.
graças a, junto a, com, perto de, por causa de, por
cima de, por trás de. Quanto à preposição “trás”: não se usa senão nas
locuções adverbiais (para trás ou por trás) e na locução
A preposição é invariável e, no entanto, pode unir-se prepositiva por trás de.
a outras palavras e, assim, estabelecer concordância em
gênero ou em número. Exemplo: por + o = pelo / por + REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
a = pela. SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Essa concordância não é característica da preposição, Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
mas das palavras às quais ela se une. Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce-
Esse processo de junção de uma preposição com ou- reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
tra palavra pode se dar a partir dos processos de: Paulo: Saraiva, 2010.
 Combinação: união da preposição “a” com o ar- Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
tigo “o”(s), ou com o advérbio “onde”: ao, aonde, ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
aos. Os vocábulos não sofrem alteração.
 Contração: união de uma preposição com outra SITE
palavra, ocorrendo perda ou transformação de fo- http://www.infoescola.com/portugues/preposicao/
nema: de + o = do, em + a = na, per + os = pelos,
de + aquele = daquele, em + isso = nisso. Substantivo
 Crase: é a fusão de vogais idênticas: à (“a” preposi-
ção + “a” artigo), àquilo (“a” preposição + 1.ª vogal Substantivo é a classe gramatical de palavras variá-
do pronome “aquilo”). veis, as quais denominam todos os seres que existem,
sejam reais ou imaginários. Além de objetos, pessoas e
fenômenos, os substantivos também nomeiam:
#FicaDica  lugares: Alemanha, Portugal
 sentimentos: amor, saudade
O “a” pode funcionar como preposição, prono-  estados: alegria, tristeza
me pessoal oblíquo e artigo. Como distingui-  qualidades: honestidade, sinceridade
-los? Caso o “a” seja um artigo, virá preceden-  ações: corrida, pescaria
do um substantivo, servindo para determiná-lo
como um substantivo singular e feminino: A 1. Morfossintaxe do substantivo
matéria que estudei é fácil!
Nas orações, geralmente o substantivo exerce fun-
ções diretamente relacionadas com o verbo: atua como
núcleo do sujeito, dos complementos verbais (objeto di-
Quando é preposição, além de ser invariável, liga dois reto ou indireto) e do agente da passiva, podendo, ainda,
termos e estabelece relação de subordinação entre eles. funcionar como núcleo do complemento nominal ou do
Irei à festa sozinha. aposto, como núcleo do predicativo do sujeito, do obje-
Entregamos a flor à professora! = o primeiro “a” é arti- to ou como núcleo do vocativo. Também encontramos
go; o segundo, preposição. substantivos como núcleos de adjuntos adnominais e de
Se for pronome pessoal oblíquo estará ocupando o adjuntos adverbiais - quando essas funções são desem-
lugar e/ou a função de um substantivo: Nós trouxemos a penhadas por grupos de palavras.
apostila. = Nós a trouxemos.
2. Classificação dos Substantivos
2. Relações semânticas (= de sentido) estabeleci-
das por meio das preposições: A) Substantivos Comuns e Próprios
Observe a definição:
Destino = Irei a Salvador.
Modo = Saiu aos prantos. Cidade: s.f. 1. Povoação maior que vila, com muitas
Lugar = Sempre a seu lado. casas e edifícios, dispostos em ruas e avenidas (no Brasil,
Assunto = Falemos sobre futebol. toda a sede de município é cidade). 2. O centro de uma
LÍNGUA PORTUGUESA

Tempo = Chegarei em instantes. cidade (em oposição aos bairros).


Causa = Chorei de saudade. Qualquer “povoação maior que vila, com muitas casas
Fim ou finalidade = Vim para ficar. e edifícios, dispostos em ruas e avenidas” será chamada
Instrumento = Escreveu a lápis. cidade. Isso significa que a palavra cidade é um substan-
Posse = Vi as roupas da mamãe. tivo comum.
Autoria = livro de Machado de Assis Substantivo Comum é aquele que designa os seres de
Companhia = Estarei com ele amanhã. uma mesma espécie de forma genérica: cidade, menino,
Matéria = copo de cristal. homem, mulher, país, cachorro.

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Estamos voando para Barcelona. batalhão soldados
O substantivo Barcelona designa apenas um ser da cardume peixes
espécie cidade. Barcelona é um substantivo próprio – caravana viajantes peregrinos
aquele que designa os seres de uma mesma espécie de
forma particular: Londres, Paulinho, Pedro, Tietê, Brasil. cacho frutas
cancioneiro canções, poesias líricas
B) Substantivos Concretos e Abstratos colmeia abelhas
B.1 Substantivo Concreto: é aquele que designa o
ser que existe, independentemente de outros seres. concílio bispos
congresso parlamentares, cientistas
Observação:
Os substantivos concretos designam seres do mundo elenco atores de uma peça ou filme
real e do mundo imaginário. esquadra navios de guerra
Seres do mundo real: homem, mulher, cadeira, cobra, enxoval roupas
Brasília.
Seres do mundo imaginário: saci, mãe-d’água, fantasma. falange soldados, anjos
fauna animais de uma região
B.2 Substantivo Abstrato: é aquele que designa se-
res que dependem de outros para se manifestarem ou feixe lenha, capim
existirem. Por exemplo: a beleza não existe por si só, flora vegetais de uma região
não pode ser observada. Só podemos observar a beleza
frota navios mercantes, ônibus
numa pessoa ou coisa que seja bela. A beleza depende
de outro ser para se manifestar. Portanto, a palavra bele- girândola fogos de artifício
za é um substantivo abstrato. horda bandidos, invasores
Os substantivos abstratos designam estados, quali-
dades, ações e sentimentos dos seres, dos quais podem junta médicos, bois, credores, exa-
ser abstraídos, e sem os quais não podem existir: vida minadores
(estado), rapidez (qualidade), viagem (ação), saudade júri jurados
(sentimento).
legião soldados, anjos, demônios
 Substantivos Coletivos leva presos, recrutas
malta malfeitores ou desordeiros
Ele vinha pela estrada e foi picado por uma abelha,
outra abelha, mais outra abelha. manada búfalos, bois, elefantes,
Ele vinha pela estrada e foi picado por várias abelhas. matilha cães de raça
Ele vinha pela estrada e foi picado por um enxame.
molho chaves, verduras
Note que, no primeiro caso, para indicar plural, foi ne- multidão pessoas em geral
cessário repetir o substantivo: uma abelha, outra abelha, nuvem insetos (gafanhotos, mosqui-
mais outra abelha. No segundo caso, utilizaram-se duas tos, etc.)
palavras no plural. No terceiro, empregou-se um subs-
tantivo no singular (enxame) para designar um conjunto penca bananas, chaves
de seres da mesma espécie (abelhas). pinacoteca pinturas, quadros
O substantivo enxame é um substantivo coletivo.
quadrilha ladrões, bandidos
Substantivo Coletivo: é o substantivo comum que,
mesmo estando no singular, designa um conjunto de se- ramalhete flores
res da mesma espécie. rebanho ovelhas
repertório peças teatrais, obras musicais
Substantivo coletivo Conjunto de:
réstia alhos ou cebolas
assembleia pessoas reunidas
romanceiro poesias narrativas
alcateia lobos
revoada pássaros
acervo livros
LÍNGUA PORTUGUESA

sínodo párocos
antologia trechos literários selecionados
talha lenha
arquipélago ilhas
tropa muares, soldados
banda músicos
turma estudantes, trabalhadores
bando desordeiros ou malfeitores
vara porcos
banca examinadores

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3. Formação dos Substantivos A) Epicenos: referentes a animais. A distinção de sexo
se faz mediante a utilização das palavras “macho”
A) Substantivos Simples e Compostos e “fêmea”: a cobra macho e a cobra fêmea, o jacaré
Chuva - subst. Fem. 1 - água caindo em gotas sobre a terra. macho e o jacaré fêmea.
O substantivo chuva é formado por um único ele- B) Sobrecomuns: substantivos uniformes referentes
mento ou radical. É um substantivo simples. a pessoas de ambos os sexos: a criança, a teste-
A.1 Substantivo Simples: é aquele formado por um munha, a vítima, o cônjuge, o gênio, o ídolo, o in-
único elemento. divíduo.
Outros substantivos simples: tempo, sol, sofá, etc. Veja C) Comuns de Dois ou Comum de Dois Gêneros:
agora: O substantivo guarda-chuva é formado por dois ele- indicam o sexo das pessoas por meio do artigo: o
mentos (guarda + chuva). Esse substantivo é composto. colega e a colega, o doente e a doente, o artista e
A.2 Substantivo Composto: é aquele formado por a artista.
dois ou mais elementos. Outros exemplos: beija-flor, pas-
satempo. Substantivos de origem grega terminados em ema
ou oma são masculinos: o fonema, o poema, o sistema, o
sintoma, o teorema.
B) Substantivos Primitivos e Derivados  Existem certos substantivos que, variando de
B.1 Substantivo Primitivo: é aquele que não deriva gênero, variam em seu significado:
de nenhuma outra palavra da própria língua por- o águia (vigarista) e a águia (ave; perspicaz); o cabeça
tuguesa. (líder) e a cabeça (parte do corpo); o capital (dinheiro) e
B.2 Substantivo Derivado: é aquele que se origi- a capital (cidade); o coma (sono mórbido) e a coma (ca-
na de outra palavra. O substantivo limoeiro, por beleira, juba); o lente (professor) e a lente (vidro de au-
exemplo, é derivado, pois se originou a partir da mento); o moral (estado de espírito) e a moral (ética; con-
palavra limão. clusão); o praça (soldado raso) e a praça (área pública);
o rádio (aparelho receptor) e a rádio (estação emissora).
4. Flexão dos substantivos
6. Formação do Feminino dos Substantivos Bifor-
O substantivo é uma classe variável. A palavra é variá- mes
vel quando sofre flexão (variação). A palavra menino, por
exemplo, pode sofrer variações para indicar: Regra geral: troca-se a terminação -o por –a: aluno
Plural: meninos / Feminino: menina / Aumentativo: - aluna.
meninão / Diminutivo: menininho  Substantivos terminados em -ês: acrescenta-se -a
ao masculino: freguês - freguesa
A) Flexão de Gênero  Substantivos terminados em -ão: fazem o femini-
Gênero é um princípio puramente linguístico, não de- no de três formas:
vendo ser confundido com “sexo”. O gênero diz respeito 1. troca-se -ão por -oa. = patrão – patroa
a todos os substantivos de nossa língua, quer se refiram 2. troca-se -ão por -ã. = campeão - campeã
a seres animais providos de sexo, quer designem apenas 3. troca-se -ão por ona. = solteirão - solteirona
“coisas”: o gato/a gata; o banco, a casa. Exceções: barão – baronesa, ladrão - ladra, sultão -
Na língua portuguesa, há dois gêneros: masculino e sultana
feminino. Pertencem ao gênero masculino os substanti-
vos que podem vir precedidos dos artigos o, os, um, uns.  Substantivos terminados em -or:
Veja estes títulos de filmes: acrescenta-se -a ao masculino = doutor – doutora
O velho e o mar troca-se -or por -triz: = imperador – imperatriz
Um Natal inesquecível  Substantivos com feminino em -esa, -essa, -isa:
Os reis da praia cônsul - consulesa / abade - abadessa / poeta - poe-
tisa / duque - duquesa / conde - condessa / profeta
Pertencem ao gênero feminino os substantivos que - profetisa
podem vir precedidos dos artigos a, as, uma, umas:  Substantivos que formam o feminino trocando o
A história sem fim -e final por -a: elefante - elefanta
Uma cidade sem passado  Substantivos que têm radicais diferentes no mas-
As tartarugas ninjas culino e no feminino: bode – cabra / boi - vaca
 Substantivos que formam o feminino de maneira
5. Substantivos Biformes e Substantivos Unifor- especial, isto é, não seguem nenhuma das regras
LÍNGUA PORTUGUESA

mes anteriores: czar – czarina, réu - ré

1. Substantivos Biformes (= duas formas): apresen- 7. Formação do Feminino dos Substantivos Uni-
tam uma forma para cada gênero: gato – gata, ho- formes
mem – mulher, poeta – poetisa, prefeito - prefeita
2. Substantivos Uniformes: apresentam uma única Epicenos:
forma, que serve tanto para o masculino quanto Novo jacaré escapa de policiais no rio Pinheiros.
para o feminino. Classificam-se em:

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Não é possível saber o sexo do jacaré em questão. Exceções: a cataplasma, a celeuma, a fleuma, etc.
Isso ocorre porque o substantivo jacaré tem apenas uma
forma para indicar o masculino e o feminino. Gênero dos Nomes de Cidades - Com raras exce-
Alguns nomes de animais apresentam uma só forma para ções, nomes de cidades são femininos: A histórica Ouro
designar os dois sexos. Esses substantivos são chamados de Preto. / A dinâmica São Paulo. / A acolhedora Porto Ale-
epicenos. No caso dos epicenos, quando houver a necessida- gre. / Uma Londres imensa e triste.
de de especificar o sexo, utilizam-se palavras macho e fêmea. Exceções: o Rio de Janeiro, o Cairo, o Porto, o Havre.
A cobra macho picou o marinheiro.
A cobra fêmea escondeu-se na bananeira. 10. Gênero e Significação

8. Sobrecomuns: Muitos substantivos, como já mencionado anterior-


Entregue as crianças à natureza. mente, têm uma significação no masculino e outra no fe-
minino. Observe: o baliza (soldado que à frente da tropa,
A palavra crianças se refere tanto a seres do sexo indica os movimentos que se deve realizar em conjunto; o
masculino, quanto a seres do sexo feminino. Nesse caso, que vai à frente de um bloco carnavalesco, manejando um
nem o artigo nem um possível adjetivo permitem identi- bastão), a baliza (marco, estaca; sinal que marca um limite
ficar o sexo dos seres a que se refere a palavra. Veja: ou proibição de trânsito), o cabeça (chefe), a cabeça (par-
A criança chorona chamava-se João. te do corpo), o cisma (separação religiosa, dissidência), a
A criança chorona chamava-se Maria. cisma (ato de cismar, desconfiança), o cinza (a cor cinzen-
ta), a cinza (resíduos de combustão), o capital (dinheiro),
Outros substantivos sobrecomuns: a capital (cidade), o coma (perda dos sentidos), a coma
a criatura = João é uma boa criatura. Maria é uma (cabeleira), o coral (pólipo, a cor vermelha, canto em coro),
boa criatura. a coral (cobra venenosa), o crisma (óleo sagrado, usado
o cônjuge = O cônjuge de João faleceu. O cônjuge de na administração da crisma e de outros sacramentos), a
Marcela faleceu crisma (sacramento da confirmação), o cura (pároco), a
cura (ato de curar), o estepe (pneu sobressalente), a estepe
9. Comuns de Dois Gêneros: (vasta planície de vegetação), o guia (pessoa que guia ou-
Motorista tem acidente idêntico 23 anos depois. tras), a guia (documento, pena grande das asas das aves),
o grama (unidade de peso), a grama (relva), o caixa (fun-
Quem sofreu o acidente: um homem ou uma mulher?
cionário da caixa), a caixa (recipiente, setor de pagamen-
É impossível saber apenas pelo título da notícia, uma
tos), o lente (professor), a lente (vidro de aumento), o mo-
vez que a palavra motorista é um substantivo uniforme.
ral (ânimo), a moral (honestidade, bons costumes, ética),
A distinção de gênero pode ser feita através da análi-
o nascente (lado onde nasce o Sol), a nascente (a fonte),
se do artigo ou adjetivo, quando acompanharem o subs-
o maria-fumaça (trem como locomotiva a vapor), maria-
tantivo: o colega - a colega; o imigrante - a imigrante;
-fumaça (locomotiva movida a vapor), o pala (poncho), a
um jovem - uma jovem; artista famoso - artista famosa;
repórter francês - repórter francesa. pala (parte anterior do boné ou quepe, anteparo), o rádio
(aparelho receptor), a rádio (emissora), o voga (remador),
A palavra personagem é usada indistintamente nos a voga (moda).
dois gêneros. Entre os escritores modernos nota-se
acentuada preferência pelo masculino: O menino desco- B) Flexão de Número do Substantivo
briu nas nuvens os personagens dos contos de carochinha.
Com referência à mulher, deve-se preferir o feminino: Em português, há dois números gramaticais: o singu-
O problema está nas mulheres de mais idade, que não lar, que indica um ser ou um grupo de seres, e o plural,
aceitam a personagem. que indica mais de um ser ou grupo de seres. A caracte-
rística do plural é o “s” final.
Diz-se: o (ou a) manequim Marcela, o (ou a) modelo
fotográfico Ana Belmonte. 11. Plural dos Substantivos Simples

Masculinos: o tapa, o eclipse, o lança-perfume, o dó Os substantivos terminados em vogal, ditongo oral e


)pena), o sanduíche, o clarinete, o champanha, o sósia, o “n” fazem o plural pelo acréscimo de “s”: pai – pais; ímã –
maracajá, o clã, o herpes, o pijama, o suéter, o soprano, o ímãs; hífen - hifens (sem acento, no plural).
proclama, o pernoite, o púbis. Exceção: cânon - cânones.
Femininos: a dinamite, a derme, a hélice, a omoplata, Os substantivos terminados em “m” fazem o plural
a cataplasma, a pane, a mascote, a gênese, a entorse, a em “ns”: homem - homens.
Os substantivos terminados em “r” e “z” fazem o
LÍNGUA PORTUGUESA

libido, a cal, a faringe, a cólera (doença), a ubá (canoa).


plural pelo acréscimo de “es”: revólver – revólveres; raiz
São geralmente masculinos os substantivos de ori- - raízes.
gem grega terminados em -ma: o grama (peso), o quilo-
grama, o plasma, o apostema, o diagrama, o epigrama, o Atenção:
telefonema, o estratagema, o dilema, o teorema, o trema, O plural de caráter é caracteres.
o eczema, o edema, o magma, o estigma, o axioma, o tra-
coma, o hematoma.

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Os substantivos terminados em al, el, ol, ul flexio- B) Flexiona-se somente o segundo elemento,
nam-se no plural, trocando o “l” por “is”: quintal - quin- quando formados de:
tais; caracol – caracóis; hotel - hotéis. Exceções: mal e verbo + substantivo = guarda-roupa e guarda-roupas
males, cônsul e cônsules. palavra invariável + palavra variável = alto-falante e
Os substantivos terminados em “il” fazem o plural alto-falantes
de duas maneiras: palavras repetidas ou imitativas = reco-reco e reco-
1. Quando oxítonos, em “is”: canil - canis -recos
2. Quando paroxítonos, em “eis”: míssil - mísseis.
C) Flexiona-se somente o primeiro elemento,
Observação: quando formados de:
A palavra réptil pode formar seu plural de duas ma- substantivo + preposição clara + substantivo = água-
neiras: répteis ou reptis (pouco usada). -de-colônia e águas-de-colônia
substantivo + preposição oculta + substantivo = ca-
Os substantivos terminados em “s” fazem o plural valo-vapor e cavalos-vapor
de duas maneiras: substantivo + substantivo que funciona como deter-
1. Quando monossilábicos ou oxítonos, mediante o minante do primeiro, ou seja, especifica a função ou o
acréscimo de “es”: ás – ases / retrós - retroses tipo do termo anterior: palavra-chave - palavras-chave,
2. Quando paroxítonos ou proparoxítonos, ficam in- bomba-relógio - bombas-relógio, homem-rã - homens-
variáveis: o lápis - os lápis / o ônibus - os ônibus. -rã, peixe-espada - peixes-espada.

Os substantivos terminados em “ão” fazem o plural D) Permanecem invariáveis, quando formados de:
de três maneiras. verbo + advérbio = o bota-fora e os bota-fora
1. substituindo o -ão por -ões: ação - ações verbo + substantivo no plural = o saca-rolhas e os
2. substituindo o -ão por -ães: cão - cães saca-rolhas
3. substituindo o -ão por -ãos: grão - grãos
13. Casos Especiais
Observação:
Muitos substantivos terminados em “ão” apresen- o louva-a-deus e os louva-a-deus
tam dois – e até três – plurais:
aldeão – aldeões/aldeães/aldeãos an- o bem-te-vi e os bem-te-vis
cião – anciões/anciães/anciãos o bem-me-quer e os bem-me-queres
charlatão – charlatões/charlatães cor-
rimão – corrimãos/corrimões o joão-ninguém e os joões-ninguém.
guardião – guardiões/guardiães vilão
– vilãos/vilões/vilães 14. Plural das Palavras Substantivadas

Os substantivos terminados em “x” ficam invariá- As palavras substantivadas, isto é, palavras de outras
veis: o látex - os látex. classes gramaticais usadas como substantivo apresen-
tam, no plural, as flexões próprias dos substantivos.
12. Plural dos Substantivos Compostos Pese bem os prós e os contras.
O aluno errou na prova dos noves.
A formação do plural dos substantivos compostos Ouça com a mesma serenidade os sins e os nãos.
depende da forma como são grafados, do tipo de pa-
lavras que formam o composto e da relação que esta- Observação:
belecem entre si. Aqueles que são grafados sem hífen Numerais substantivados terminados em “s” ou “z”
comportam-se como os substantivos simples: aguar- não variam no plural: Nas provas mensais consegui mui-
dente/aguardentes, girassol/girassóis, pontapé/ponta- tos seis e alguns dez.
pés, malmequer/malmequeres.
O plural dos substantivos compostos cujos elemen- 15. Plural dos Diminutivos
tos são ligados por hífen costuma provocar muitas dú-
vidas e discussões. Algumas orientações são dadas a Flexiona-se o substantivo no plural, retira-se o “s” fi-
seguir: nal e acrescenta-se o sufixo diminutivo.
A) Flexionam-se os dois elementos, quando for-
mados de: pãe(s) + zinhos = pãezinhos
LÍNGUA PORTUGUESA

substantivo + substantivo = couve-flor e couves-flores


animai(s) + zinhos = animaizinhos
substantivo + adjetivo = amor-perfeito e amores-per-
feitos botõe(s) + zinhos = botõezinhos
adjetivo + substantivo = gentil-homem e gentis-ho- chapéu(s) + zinhos = chapeuzinhos
mens
numeral + substantivo = quinta-feira e quintas-feiras farói(s) + zinhos = faroizinhos
tren(s) + zinhos = trenzinhos

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colhere(s) + zinhas = colherezinhas Têm a vogal tônica fechada (ô): adornos, almoços,
bolsos, esposos, estojos, globos, gostos, polvos, rolos, so-
flore(s) + zinhas = florezinhas ros, etc.
mão(s) + zinhas = mãozinhas
Observação:
papéi(s) + zinhos = papeizinhos Distinga-se molho (ô) = caldo (molho de carne), de
nuven(s) + zinhas = nuvenzinhas molho (ó) = feixe (molho de lenha).
funi(s) + zinhos = funizinhos
Há substantivos que só se usam no singular: o sul, o
túnei(s) + zinhos = tuneizinhos norte, o leste, o oeste, a fé, etc.
pai(s) + zinhos = paizinhos
Outros só no plural: as núpcias, os víveres, os pêsa-
pé(s) + zinhos = pezinhos mes, as espadas/os paus (naipes de baralho), as fezes.
pé(s) + zitos = pezitos Outros, enfim, têm, no plural, sentido diferente do
singular: bem (virtude) e bens (riquezas), honra (probida-
16. Plural dos Nomes Próprios Personativos de, bom nome) e honras (homenagem, títulos).
Usamos, às vezes, os substantivos no singular, mas
Devem-se pluralizar os nomes próprios de pessoas com sentido de plural:
sempre que a terminação preste-se à flexão. Aqui morreu muito negro.
Os Napoleões também são derrotados. Celebraram o sacrifício divino muitas vezes em cape-
As Raquéis e Esteres. las improvisadas.

17. Plural dos Substantivos Estrangeiros C) Flexão de Grau do Substantivo

Substantivos ainda não aportuguesados devem ser Grau é a propriedade que as palavras têm de expri-
escritos como na língua original, acrescentando-se “s” mir as variações de tamanho dos seres. Classifica-se em:
(exceto quando terminam em “s” ou “z”): os shows, os 1. Grau Normal - Indica um ser de tamanho consi-
shorts, os jazz. derado normal. Por exemplo: casa
Substantivos já aportuguesados flexionam-se de 2. Grau Aumentativo - Indica o aumento do tama-
acordo com as regras de nossa língua: os clubes, os cho- nho do ser. Classifica-se em:
pes, os jipes, os esportes, as toaletes, os bibelôs, os garçons, Analítico = o substantivo é acompanhado de um
os réquiens. adjetivo que indica grandeza. Por exemplo: casa grande.
Observe o exemplo: Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo in-
Este jogador faz gols toda vez que joga. dicador de aumento. Por exemplo: casarão.
O plural correto seria gois (ô), mas não se usa.
3. Grau Diminutivo - Indica a diminuição do tama-
18. Plural com Mudança de Timbre nho do ser. Pode ser:
Analítico = substantivo acompanhado de um adje-
Certos substantivos formam o plural com mudança tivo que indica pequenez. Por exemplo: casa pequena.
de timbre da vogal tônica (o fechado / o aberto). É um Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo in-
fato fonético chamado metafonia (plural metafônico). dicador de diminuição. Por exemplo: casinha.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Singular Plural
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
corpo (ô) corpos (ó) Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce-
esforço esforços reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Paulo: Saraiva, 2010.
fogo fogos CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura,
forno fornos Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira
Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição –
fosso fossos
São Paulo: Saraiva, 2002.
imposto impostos
olho olhos SITE
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/
osso (ô) ossos (ó) morf12.php
LÍNGUA PORTUGUESA

ovo ovos
poço poços Pronome
porto portos
posto postos Pronome é a palavra variável que substitui ou acom-
panha um substantivo (nome), qualificando-o de alguma
tijolo tijolos forma.

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O homem julga que é superior à natureza, por isso o tima a principal flexão, uma vez que marca a pessoa do
homem destrói a natureza... discurso. Dessa forma, o quadro dos pronomes retos é
Utilizando pronomes, teremos: O homem julga que é assim configurado:
superior à natureza, por isso ele a destrói... 1.ª pessoa do singular: eu
Ficou melhor, sem a repetição desnecessária de ter- 2.ª pessoa do singular: tu
mos (homem e natureza). 3.ª pessoa do singular: ele, ela
Grande parte dos pronomes não possuem significa- 1.ª pessoa do plural: nós
dos fixos, isto é, essas palavras só adquirem significação 2.ª pessoa do plural: vós
dentro de um contexto, o qual nos permite recuperar a 3.ª pessoa do plural: eles, elas
referência exata daquilo que está sendo colocado por
meio dos pronomes no ato da comunicação. Com ex- Esses pronomes não costumam ser usados como
ceção dos pronomes interrogativos e indefinidos, os de- complementos verbais na língua-padrão. Frases como
mais pronomes têm por função principal apontar para as “Vi ele na rua”, “Encontrei ela na praça”, “Trouxeram eu
pessoas do discurso ou a elas se relacionar, indicando- até aqui”- comuns na língua oral cotidiana - devem ser
-lhes sua situação no tempo ou no espaço. Em virtude evitadas na língua formal escrita ou falada. Na língua for-
dessa característica, os pronomes apresentam uma for- mal, devem ser usados os pronomes oblíquos correspon-
ma específica para cada pessoa do discurso. dentes: “Vi-o na rua”, “Encontrei-a na praça”, “Trouxeram-
Minha carteira estava vazia quando eu fui assaltada. -me até aqui”.
[minha/eu: pronomes de 1.ª pessoa = aquele que fala] Frequentemente observamos a omissão do pronome
Tua carteira estava vazia quando tu foste assaltada? reto em Língua Portuguesa. Isso se dá porque as próprias
[tua/tu: pronomes de 2.ª pessoa = aquele a quem se fala] formas verbais marcam, através de suas desinências, as
A carteira dela estava vazia quando ela foi assaltada. pessoas do verbo indicadas pelo pronome reto: Fizemos
[dela/ela: pronomes de 3.ª pessoa = aquele de quem boa viagem. (Nós)
se fala]
B) Pronome Oblíquo
Em termos morfológicos, os pronomes são palavras Pronome pessoal do caso oblíquo é aquele que, na
variáveis em gênero (masculino ou feminino) e em nú- sentença, exerce a função de complemento verbal
mero (singular ou plural). Assim, espera-se que a refe- (objeto direto ou indireto): Ofertaram-nos flores. (ob-
rência através do pronome seja coerente em termos de jeto indireto)
gênero e número (fenômeno da concordância) com o
seu objeto, mesmo quando este se apresenta ausente no Observação:
enunciado. O pronome oblíquo é uma forma variante do prono-
Fala-se de Roberta. Ele quer participar do desfile da me pessoal do caso reto. Essa variação indica a função
nossa escola neste ano. diversa que eles desempenham na oração: pronome reto
[nossa: pronome que qualifica “escola” = concordân- marca o sujeito da oração; pronome oblíquo marca o
cia adequada] complemento da oração. Os pronomes oblíquos sofrem
[neste: pronome que determina “ano” = concordân- variação de acordo com a acentuação tônica que pos-
cia adequada] suem, podendo ser átonos ou tônicos.
[ele: pronome que faz referência à “Roberta” = con-
cordância inadequada] 2. Pronome Oblíquo Átono
São chamados átonos os pronomes oblíquos que não
Existem seis tipos de pronomes: pessoais, possessivos, são precedidos de preposição. Possuem acentuação tô-
demonstrativos, indefinidos, relativos e interrogativos. nica fraca: Ele me deu um presente.
Lista dos pronomes oblíquos átonos
1. Pronomes Pessoais 1.ª pessoa do singular (eu): me
2.ª pessoa do singular (tu): te
São aqueles que substituem os substantivos, indican- 3.ª pessoa do singular (ele, ela): o, a, lhe
do diretamente as pessoas do discurso. Quem fala ou 1.ª pessoa do plural (nós): nos
escreve assume os pronomes “eu” ou “nós”; usa-se os 2.ª pessoa do plural (vós): vos
pronomes “tu”, “vós”, “você” ou “vocês” para designar a 3.ª pessoa do plural (eles, elas): os, as, lhes
quem se dirige, e “ele”, “ela”, “eles” ou “elas” para fazer
referência à pessoa ou às pessoas de quem se fala.
Os pronomes pessoais variam de acordo com as fun-
ções que exercem nas orações, podendo ser do caso reto
LÍNGUA PORTUGUESA

ou do caso oblíquo.

A) Pronome Reto
Pronome pessoal do caso reto é aquele que, na sen-
tença, exerce a função de sujeito: Nós lhe ofertamos
flores.
Os pronomes retos apresentam flexão de número,
gênero (apenas na 3.ª pessoa) e pessoa, sendo essa úl-

29
A combinação da preposição “com” e alguns prono-
FIQUE ATENTO! mes originou as formas especiais comigo, contigo, consi-
Os pronomes o, os, a, as assumem formas es- go, conosco e convosco. Tais pronomes oblíquos tônicos
peciais depois de certas terminações verbais: frequentemente exercem a função de adjunto adverbial
1. Quando o verbo termina em -z, -s ou -r, o de companhia: Ele carregava o documento consigo.
pronome assume a forma lo, los, la ou las, ao A preposição “até” exige as formas oblíquas tônicas:
mesmo tempo que a terminação verbal é su- Ela veio até mim, mas nada falou.
primida. Por exemplo: Mas, se “até” for palavra denotativa (com o sentido de
fiz + o = fi-lo inclusão), usaremos as formas retas: Todos foram bem na
fazeis + o = fazei-lo prova, até eu! (= inclusive eu)
dizer + a = dizê-la
As formas “conosco” e “convosco” são substituídas
2. Quando o verbo termina em som nasal, o por “com nós” e “com vós” quando os pronomes pes-
pronome assume as formas no, nos, na, nas. soais são reforçados por palavras como outros, mesmos,
Por exemplo: próprios, todos, ambos ou algum numeral.
viram + o: viram-no Você terá de viajar com nós todos.
repõe + os = repõe-nos Estávamos com vós outros quando chegaram as más
retém + a: retém-na notícias.
tem + as = tem-nas Ele disse que iria com nós três.

3. Pronome Reflexivo
B.2 Pronome Oblíquo Tônico São pronomes pessoais oblíquos que, embora fun-
Os pronomes oblíquos tônicos são sempre precedidos cionem como objetos direto ou indireto, referem-se ao
por preposições, em geral as preposições a, para, de e com. sujeito da oração. Indicam que o sujeito pratica e recebe
Por esse motivo, os pronomes tônicos exercem a função a ação expressa pelo verbo.
de objeto indireto da oração. Possuem acentuação tônica Lista dos pronomes reflexivos:
forte. 1.ª pessoa do singular (eu): me, mim = Eu não me
Lista dos pronomes oblíquos tônicos: lembro disso.
1.ª pessoa do singular (eu): mim, comigo 2.ª pessoa do singular (tu): te, ti = Conhece a ti mesmo.
2.ª pessoa do singular (tu): ti, contigo 3.ª pessoa do singular (ele, ela): se, si, consigo = Gui-
3.ª pessoa do singular (ele, ela): si, consigo, ele, ela lherme já se preparou.
1.ª pessoa do plural (nós): nós, conosco Ela deu a si um presente.
2.ª pessoa do plural (vós): vós, convosco Antônio conversou consigo mesmo.
3.ª pessoa do plural (eles, elas): si, consigo, eles, elas
1.ª pessoa do plural (nós): nos = Lavamo-nos no rio.
Observe que as únicas formas próprias do pronome tô- 2.ª pessoa do plural (vós): vos = Vós vos beneficiastes
nico são a primeira pessoa (mim) e segunda pessoa (ti). As com esta conquista.
demais repetem a forma do pronome pessoal do caso reto. 3.ª pessoa do plural (eles, elas): se, si, consigo = Eles se
conheceram. / Elas deram a si um dia de folga.
As preposições essenciais introduzem sempre pronomes
pessoais do caso oblíquo e nunca pronome do caso reto. Nos #FicaDica
contextos interlocutivos que exigem o uso da língua formal,
os pronomes costumam ser usados desta forma: O pronome é reflexivo quando se refere à mes-
Não há mais nada entre mim e ti. ma pessoa do pronome subjetivo (sujeito): Eu
Não se comprovou qualquer ligação entre ti e ela. me arrumei e saí.
Não há nenhuma acusação contra mim. É pronome recíproco quando indica recipro-
Não vá sem mim. cidade de ação: Nós nos amamos. / Olhamo-
-nos calados.
Há construções em que a preposição, apesar de surgir O “se” pode ser usado como palavra expletiva
anteposta a um pronome, serve para introduzir uma oração ou partícula de realce, sem ser rigorosamente
cujo verbo está no infinitivo. Nesses casos, o verbo pode ter necessária e sem função sintática: Os explora-
sujeito expresso; se esse sujeito for um pronome, deverá dores riam-se de suas tentativas. / Será que eles
ser do caso reto. se foram?
Trouxeram vários vestidos para eu experimentar.
LÍNGUA PORTUGUESA

Não vá sem eu mandar.

A frase: “Foi fácil para mim resolver aquela questão!” C) Pronomes de Tratamento
está correta, já que “para mim” é complemento de “fá- São pronomes utilizados no tratamento formal, ceri-
cil”. A ordem direta seria: Resolver aquela questão foi fácil monioso. Apesar de indicarem nosso interlocutor (por-
para mim! tanto, a segunda pessoa), utilizam o verbo na terceira
pessoa. Alguns exemplos:
Vossa Alteza (V. A.) = príncipes, duques

30
Vossa Eminência (V. E.ma) = cardeais ou
Vossa Reverendíssima (V. Ver.ma) = sacerdotes e religio-
sos em geral Quando tu vieres, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos
Vossa Excelência (V. Ex.ª) = oficiais de patente superior teus cabelos. (correto) = segunda pessoa do singular
à de coronel, senadores, deputados, embaixadores, profes-
sores de curso superior, ministros de Estado e de Tribunais, 4. Pronomes Possessivos
governadores, secretários de Estado, presidente da Repú-
blica (sempre por extenso) São palavras que, ao indicarem a pessoa gramatical
Vossa Magnificência (V. Mag.ª) = reitores de universida- (possuidor), acrescentam a ela a ideia de posse de algo
des (coisa possuída).
Vossa Majestade (V. M.) = reis, rainhas e imperadores Este caderno é meu. (meu = possuidor: 1.ª pessoa do
Vossa Senhoria (V. S.a) = comerciantes em geral, oficiais singular)
até a patente de coronel, chefes de seção e funcionários de
igual categoria NÚMERO PESSOA PRONOME
Vossa Meretíssima (sempre por extenso) = para juízes
de direito singular primeira meu(s), minha(s)
Vossa Santidade (sempre por extenso) = tratamento ce- singular segunda teu(s), tua(s)
rimonioso
Vossa Onipotência (sempre por extenso) = Deus singular terceira seu(s), sua(s)
Também são pronomes de tratamento o senhor, a se- plural primeira nosso(s), nossa(s)
nhora e você, vocês. “O senhor” e “a senhora” são emprega-
plural segunda vosso(s), vossa(s)
dos no tratamento cerimonioso; “você” e “vocês”, no trata-
mento familiar. Você e vocês são largamente empregados plural terceira seu(s), sua(s)
no português do Brasil; em algumas regiões, a forma tu é
de uso frequente; em outras, pouco empregada. Já a forma Note que:
vós tem uso restrito à linguagem litúrgica, ultraformal ou A forma do possessivo depende da pessoa gramatical
literária. a que se refere; o gênero e o número concordam com o
objeto possuído: Ele trouxe seu apoio e sua contribuição
Observações: naquele momento difícil.
1. Vossa Excelência X Sua Excelência: os pronomes de
tratamento que possuem “Vossa(s)” são empregados Observações:
em relação à pessoa com quem falamos: Espero que 1. A forma “seu” não é um possessivo quando resul-
V. Ex.ª, Senhor Ministro, compareça a este encontro. tar da alteração fonética da palavra senhor: Muito
2. Emprega-se “Sua (s)” quando se fala a respeito da obrigado, seu José.
pessoa: Todos os membros da C.P.I. afirmaram que 2. Os pronomes possessivos nem sempre indicam
Sua Excelência, o Senhor Presidente da República, agiu posse. Podem ter outros empregos, como:
com propriedade. A) indicar afetividade: Não faça isso, minha filha.
3. Os pronomes de tratamento representam uma forma B) indicar cálculo aproximado: Ele já deve ter seus 40
indireta de nos dirigirmos aos nossos interlocutores. anos.
Ao tratarmos um deputado por Vossa Excelência, por C) atribuir valor indefinido ao substantivo: Marisa tem
exemplo, estamos nos endereçando à excelência que lá seus defeitos, mas eu gosto muito dela.
esse deputado supostamente tem para poder ocupar 3. Em frases onde se usam pronomes de tratamento,
o cargo que ocupa. o pronome possessivo fica na 3.ª pessoa: Vossa Ex-
4. Embora os pronomes de tratamento dirijam-se à 2.ª celência trouxe sua mensagem?
pessoa, toda a concordância deve ser feita com a 4. Referindo-se a mais de um substantivo, o possessi-
3.ª pessoa. Assim, os verbos, os pronomes possessi- vo concorda com o mais próximo: Trouxe-me seus
vos e os pronomes oblíquos empregados em relação livros e anotações.
a eles devem ficar na 3.ª pessoa. 5. Em algumas construções, os pronomes pessoais
Basta que V. Ex.ª cumpra a terça parte das suas promes- oblíquos átonos assumem valor de possessivo: Vou
sas, para que seus eleitores lhe fiquem reconhecidos. seguir-lhe os passos. (= Vou seguir seus passos)
5. Uniformidade de Tratamento: quando escrevemos 6. O adjetivo “respectivo” equivale a “devido, seu, pró-
ou nos dirigimos a alguém, não é permitido mudar, prio”, por isso não se deve usar “seus” ao utilizá-lo,
ao longo do texto, a pessoa do tratamento escolhi- para que não ocorra redundância: Coloque tudo
da inicialmente. Assim, por exemplo, se começamos nos respectivos lugares.
LÍNGUA PORTUGUESA

a chamar alguém de “você”, não poderemos usar


“te” ou “teu”. O uso correto exigirá, ainda, verbo na 5. Pronomes Demonstrativos
terceira pessoa.
Quando você vier, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos São utilizados para explicitar a posição de certa pa-
teus cabelos. (errado) lavra em relação a outras ou ao contexto. Essa relação
pode ser de espaço, de tempo ou em relação ao discurso.
Quando você vier, eu a abraçarei e enrolar-me-ei nos
seus cabelos. (correto) = terceira pessoa do singular

31
A) Em relação ao espaço:  o(s), a(s): quando estiverem antecedendo o “que”
Este(s), esta(s) e isto = indicam o que está perto da e puderem ser substituídos por aquele(s), aquela(s),
pessoa que fala: aquilo.
Este material é meu. Não ouvi o que disseste. (Não ouvi aquilo que disseste.)
Essa rua não é a que te indiquei. (não é aquela que te
Esse(s), essa(s) e isso = indicam o que está perto da indiquei.)
pessoa com quem se fala:
Esse material em sua carteira é seu?  mesmo(s), mesma(s), próprio(s), própria(s): va-
riam em gênero quando têm caráter reforçativo:
Aquele(s), aquela(s) e aquilo = indicam o que está Estas são as mesmas pessoas que o procuraram ontem.
distante tanto da pessoa que fala como da pessoa com Eu mesma refiz os exercícios.
quem se fala: Elas mesmas fizeram isso.
Aquele material não é nosso. Eles próprios cozinharam.
Vejam aquele prédio! Os próprios alunos resolveram o problema.

B) Em relação ao tempo:  semelhante(s): Não tenha semelhante atitude.


Este(s), esta(s) e isto = indicam o tempo presente em  tal, tais: Tal absurdo eu não cometeria.
relação à pessoa que fala: 1. Em frases como: O referido deputado e o Dr. Alcides
Esta manhã farei a prova do concurso! eram amigos íntimos; aquele casado, solteiro este.
(ou então: este solteiro, aquele casado) - este se re-
Esse(s), essa(s) e isso = indicam o tempo passado, po- fere à pessoa mencionada em último lugar; aquele,
rém relativamente próximo à época em que se situa a à mencionada em primeiro lugar.
pessoa que fala: 2. O pronome demonstrativo tal pode ter conotação
Essa noite dormi mal; só pensava no concurso! irônica: A menina foi a tal que ameaçou o professor?
Aquele(s), aquela(s) e aquilo = indicam um afastamen- 3. Pode ocorrer a contração das preposições a, de, em
to no tempo, referido de modo vago ou como tempo com pronome demonstrativo: àquele, àquela, deste,
remoto: desta, disso, nisso, no, etc: Não acreditei no que esta-
Naquele tempo, os professores eram valorizados. va vendo. (no = naquilo)

C) Em relação ao falado ou escrito (ou ao que se 6. Pronomes Indefinidos


falará ou escreverá):
Este(s), esta(s) e isto = empregados quando se quer São palavras que se referem à 3.ª pessoa do discur-
fazer referência a alguma coisa sobre a qual ainda se fa- so, dando-lhe sentido vago (impreciso) ou expressando
lará: quantidade indeterminada.
Serão estes os conteúdos da prova: análise sintática, Alguém entrou no jardim e destruiu as mudas recém-
ortografia, concordância. -plantadas.
Não é difícil perceber que “alguém” indica uma pessoa
Esse(s), essa(s) e isso = utilizados quando se pretende de quem se fala (uma terceira pessoa, portanto) de forma
fazer referência a alguma coisa sobre a qual já se falou: imprecisa, vaga. É uma palavra capaz de indicar um ser
Sua aprovação no concurso, isso é o que mais deseja- humano que seguramente existe, mas cuja identidade é
mos! desconhecida ou não se quer revelar. Classificam-se em:

Este e aquele são empregados quando se quer fazer A) Pronomes Indefinidos Substantivos: assumem o
referência a termos já mencionados; aquele se refere ao lugar do ser ou da quantidade aproximada de seres
termo referido em primeiro lugar e este para o referido na frase. São eles: algo, alguém, fulano, sicrano, bel-
por último: trano, nada, ninguém, outrem, quem, tudo.
Algo o incomoda?
Domingo, no Pacaembu, jogarão Palmeiras e São Pau- Quem avisa amigo é.
lo; este está mais bem colocado que aquele. (= este [São
Paulo], aquele [Palmeiras]) B) Pronomes Indefinidos Adjetivos: qualificam um
ser expresso na frase, conferindo-lhe a noção de
ou quantidade aproximada. São eles: cada, certo(s),
certa(s).
Domingo, no Pacaembu, jogarão Palmeiras e São Pau- Cada povo tem seus costumes.
lo; aquele está mais bem colocado que este. (= este [São Certas pessoas exercem várias profissões.
LÍNGUA PORTUGUESA

Paulo], aquele [Palmeiras])


Os pronomes demonstrativos podem ser variáveis ou Note que:
invariáveis, observe: Ora são pronomes indefinidos substantivos, ora pro-
Variáveis: este(s), esta(s), esse(s), essa(s), aquele(s), nomes indefinidos adjetivos:
aquela(s).
Invariáveis: isto, isso, aquilo.
Também aparecem como pronomes demonstrativos:

32
algum, alguns, alguma(s), bastante(s) (= muito, muitos), demais, mais, menos, muito(s), muita(s), nenhum, nenhuns,
nenhuma(s), outro(s), outra(s), pouco(s), pouca(s), qualquer, quaisquer, qual, que, quanto(s), quanta(s), tal, tais, tanto(s),
tanta(s), todo(s), toda(s), um, uns, uma(s), vários, várias.
Menos palavras e mais ações.
Alguns se contentam pouco.

Os pronomes indefinidos podem ser divididos em variáveis e invariáveis. Observe:


 Variáveis = algum, nenhum, todo, muito, pouco, vário, tanto, outro, quanto, alguma, nenhuma, toda, muita, pou-
ca, vária, tanta, outra, quanta, qualquer, quaisquer*, alguns, nenhuns, todos, muitos, poucos, vários, tantos, outros,
quantos, algumas, nenhumas, todas, muitas, poucas, várias, tantas, outras, quantas.
 Invariáveis = alguém, ninguém, outrem, tudo, nada, algo, cada.

*Qualquer é composto de qual + quer (do verbo querer), por isso seu plural é quaisquer (única palavra cujo plural é
feito em seu interior).
Todo e toda no singular e junto de artigo significa inteiro; sem artigo, equivale a qualquer ou a todas as:
Toda a cidade está enfeitada. (= a cidade inteira)
Toda cidade está enfeitada. (= todas as cidades)
Trabalho todo o dia. (= o dia inteiro)
Trabalho todo dia. (= todos os dias)

São locuções pronominais indefinidas: cada qual, cada um, qualquer um, quantos quer (que), quem quer (que), seja
quem for, seja qual for, todo aquele (que), tal qual (= certo), tal e qual, tal ou qual, um ou outro, uma ou outra, etc.
Cada um escolheu o vinho desejado.

7. Pronomes Relativos

São aqueles que representam nomes já mencionados anteriormente e com os quais se relacionam. Introduzem as
orações subordinadas adjetivas.
O racismo é um sistema que afirma a superioridade de um grupo racial sobre outros.
(afirma a superioridade de um grupo racial sobre outros = oração subordinada adjetiva).

O pronome relativo “que” refere-se à palavra “sistema” e introduz uma oração subordinada. Diz-se que a palavra
“sistema” é antecedente do pronome relativo que.
O antecedente do pronome relativo pode ser o pronome demonstrativo o, a, os, as.
Não sei o que você está querendo dizer.
Às vezes, o antecedente do pronome relativo não vem expresso.
Quem casa, quer casa.
Observe:
Pronomes relativos variáveis = o qual, cujo, quanto, os quais, cujos, quantos, a qual, cuja, quanta, as quais, cujas,
quantas.
Pronomes relativos invariáveis = quem, que, onde.

Note que:
O pronome “que” é o relativo de mais largo emprego, sendo por isso chamado relativo universal. Pode ser substi-
tuído por o qual, a qual, os quais, as quais, quando seu antecedente for um substantivo.
O trabalho que eu fiz refere-se à corrupção. (= o qual)
A cantora que acabou de se apresentar é péssima. (= a qual)
Os trabalhos que eu fiz referem-se à corrupção. (= os quais)
As cantoras que se apresentaram eram péssimas. (= as quais)

O qual, os quais, a qual e as quais são exclusivamente pronomes relativos, por isso são utilizados didaticamente
para verificar se palavras como “que”, “quem”, “onde” (que podem ter várias classificações) são pronomes relativos.
Todos eles são usados com referência à pessoa ou coisa por motivo de clareza ou depois de determinadas preposições:
Regressando de São Paulo, visitei o sítio de minha tia, o qual me deixou encantado. O uso de “que”, neste caso, geraria
LÍNGUA PORTUGUESA

ambiguidade. Veja: Regressando de São Paulo, visitei o sítio de minha tia, que me deixou encantado (quem me deixou
encantado: o sítio ou minha tia?).
Essas são as conclusões sobre as quais pairam muitas dúvidas? (com preposições de duas ou mais sílabas utiliza-se
o qual / a qual)

O relativo “que” às vezes equivale a o que, coisa que, e se refere a uma oração: Não chegou a ser padre, mas deixou
de ser poeta, que era a sua vocação natural.

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O pronome “cujo”: exprime posse; não concorda com o seu antecedente (o ser possuidor), mas com o consequente
(o ser possuído, com o qual concorda em gênero e número); não se usa artigo depois deste pronome; “cujo” equivale
a do qual, da qual, dos quais, das quais.
Existem pessoas cujas ações são nobres.
(antecedente) (consequente)

Se o verbo exigir preposição, esta virá antes do pronome: O autor, a cujo livro você se referiu, está aqui! (referiu-se a)

“Quanto” é pronome relativo quando tem por antecedente um pronome indefinido: tanto (ou variações) e tudo:

Emprestei tantos quantos foram necessários.


(antecedente)

Ele fez tudo quanto havia falado.


(antecedente)
O pronome “quem” se refere a pessoas e vem sempre precedido de preposição.

É um professor a quem muito devemos.


(preposição)

“Onde”, como pronome relativo, sempre possui antecedente e só pode ser utilizado na indicação de lugar: A casa
onde morava foi assaltada.

Na indicação de tempo, deve-se empregar quando ou em que: Sinto saudades da época em que (quando) morávamos
no exterior.

Podem ser utilizadas como pronomes relativos as palavras:


 como (= pelo qual) – desde que precedida das palavras modo, maneira ou forma:
Não me parece correto o modo como você agiu semana passada.

 quando (= em que) – desde que tenha como antecedente um nome que dê ideia de tempo:
Bons eram os tempos quando podíamos jogar videogame.

Os pronomes relativos permitem reunir duas orações numa só frase.


O futebol é um esporte. / O povo gosta muito deste esporte.
= O futebol é um esporte de que o povo gosta muito.

Numa série de orações adjetivas coordenadas, pode ocorrer a elipse do relativo “que”: A sala estava cheia de gente
que conversava, (que) ria, observava.

8. Pronomes Interrogativos

São usados na formulação de perguntas, sejam elas diretas ou indiretas. Assim como os pronomes indefinidos,
referem-se à 3.ª pessoa do discurso de modo impreciso. São pronomes interrogativos: que, quem, qual (e variações),
quanto (e variações).
Com quem andas?
Qual seu nome?
Diz-me com quem andas, que te direi quem és.

O pronome pessoal é do caso reto quando tem função de sujeito na frase. O pronome pessoal é do caso oblíquo
quando desempenha função de complemento.
1. Eu não sei essa matéria, mas ele irá me ajudar.
2. Maria foi embora para casa, pois não sabia se devia lhe ajudar.
Na primeira oração os pronomes pessoais “eu” e “ele” exercem função de sujeito, logo, são pertencentes ao caso
reto. Já na segunda oração, o pronome “lhe” exerce função de complemento (objeto), ou seja, caso oblíquo.
LÍNGUA PORTUGUESA

Os pronomes pessoais indicam as pessoas do discurso. O pronome oblíquo “lhe”, da segunda oração, aponta para
a segunda pessoa do singular (tu/você): Maria não sabia se devia ajudar... Ajudar quem? Você (lhe).
Os pronomes pessoais oblíquos podem ser átonos ou tônicos: os primeiros não são precedidos de preposição,
diferentemente dos segundos, que são sempre precedidos de preposição.
A) Pronome oblíquo átono: Joana me perguntou o que eu estava fazendo.
B) Pronome oblíquo tônico: Joana perguntou para mim o que eu estava fazendo.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Quando o verbo estiver no futuro do presente ou fu-
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa turo do pretérito, contanto que esses verbos não estejam
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. precedidos de palavras que exijam a próclise. Exemplos:
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce- Realizar-se-á, na próxima semana, um grande evento em
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São prol da paz no mundo.
Paulo: Saraiva, 2010. Repare que o pronome está “no meio” do verbo “rea-
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda- lizará”: realizar – SE – á. Se houvesse na oração alguma
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. palavra que justificasse o uso da próclise, esta prevalece-
CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura, ria. Veja: Não se realizará...
Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira Não fossem os meus compromissos, acompanhar-te-ia
Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – nessa viagem.
São Paulo: Saraiva, 2002. (com presença de palavra que justifique o uso de pró-
clise: Não fossem os meus compromissos, EU te acompa-
SITE nharia nessa viagem).
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/
morf42.php Ênclise = É a colocação pronominal depois do verbo.
A ênclise é usada quando a próclise e a mesóclise não
9. Colocação Pronominal forem possíveis:
 Quando o verbo estiver no imperativo afirmativo:
Colocação Pronominal trata da correta colocação dos Quando eu avisar, silenciem-se todos.
pronomes oblíquos átonos na frase.  Quando o verbo estiver no infinitivo impessoal:
Não era minha intenção machucá-la.
 Quando o verbo iniciar a oração. (até porque não
#FicaDica
se inicia período com pronome oblíquo).
Pronome Oblíquo é aquele que exerce a fun- Vou-me embora agora mesmo.
ção de complemento verbal (objeto). Por isso, Levanto-me às 6h.
memorize:  Quando houver pausa antes do verbo: Se eu passo
OBlíquo = OBjeto! no concurso, mudo-me hoje mesmo!
 Quando o verbo estiver no gerúndio: Recusou a
proposta fazendo-se de desentendida.
Embora na linguagem falada a colocação dos prono-
10. Colocação pronominal nas locuções verbais
mes não seja rigorosamente seguida, algumas normas
devem ser observadas na linguagem escrita.  Após verbo no particípio = pronome depois do
verbo auxiliar (e não depois do particípio):
Próclise = É a colocação pronominal antes do verbo. Tenho me deliciado com a leitura!
A próclise é usada: Eu tenho me deliciado com a leitura!
Eu me tenho deliciado com a leitura!
 Quando o verbo estiver precedido de palavras  Não convém usar hífen nos tempos compostos e
que atraem o pronome para antes do verbo. São elas: nas locuções verbais:
Vamos nos unir!
A) Palavras de sentido negativo: não, nunca, ninguém, Iremos nos manifestar.
jamais, etc.: Não se desespere!  Quando há um fator para próclise nos tempos
B) Advérbios: Agora se negam a depor. compostos ou locuções verbais: opção pelo uso
C) Conjunções subordinativas: Espero que me expli- do pronome oblíquo “solto” entre os verbos = Não
quem tudo! vamos nos preocupar (e não: “não nos vamos preo-
D) Pronomes relativos: Venceu o concurseiro que se cupar”).
esforçou.
E) Pronomes indefinidos: Poucos te deram a oportu- 11. Emprego de o, a, os, as
nidade.
F) Pronomes demonstrativos: Isso me magoa muito.  Em verbos terminados em vogal ou ditongo oral,
 Orações iniciadas por palavras interrogativas: os pronomes: o, a, os, as não se alteram.
Quem lhe disse isso? Chame-o agora.
 Orações iniciadas por palavras exclamativas: Deixei-a mais tranquila.
Quanto se ofendem!
LÍNGUA PORTUGUESA

 Orações que exprimem desejo (orações optativas):  Em verbos terminados em r, s ou z, estas consoan-
Que Deus o ajude. tes finais alteram-se para lo, la, los, las. Exemplos:
 A próclise é obrigatória quando se utiliza o pro- (Encontrar) Encontrá-lo é o meu maior sonho.
nome reto ou sujeito expresso: Eu lhe entregarei o (Fiz) Fi-lo porque não tinha alternativa.
material amanhã. / Tu sabes cantar?
 Em verbos terminados em ditongos nasais (am,
Mesóclise = É a colocação pronominal no meio do em, ão, õe), os pronomes o, a, os, as alteram-se
verbo. A mesóclise é usada: para no, na, nos, nas.

35
Chamem-no agora.
Põe-na sobre a mesa. FIQUE ATENTO!
O verbo pôr, assim como seus derivados
#FicaDica (compor, repor, depor), pertencem à 2.ª conju-
gação, pois a forma arcaica do verbo pôr era
Dica da Zê! poer. A vogal “e”, apesar de haver desapareci-
Próclise – pró lembra pré; pré é prefixo que sig- do do infinitivo, revela-se em algumas formas
nifica “antes”! Pronome antes do verbo! do verbo: põe, pões, põem, etc.
Ênclise – “en” lembra, pelo “som”, /Ənd/ (end,
em Inglês – que significa “fim, final!). Pronome
depois do verbo! 2. Formas Rizotônicas e Arrizotônicas
Mesóclise – pronome oblíquo no Meio do ver-
bo Ao combinarmos os conhecimentos sobre a estrutura
dos verbos com o conceito de acentuação tônica, perce-
bemos com facilidade que nas formas rizotônicas o acen-
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS to tônico cai no radical do verbo: opino, aprendam, amo,
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa por exemplo. Nas formas arrizotônicas, o acento tônico
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. não cai no radical, mas sim na terminação verbal (fora do
Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Ce- radical): opinei, aprenderão, amaríamos.
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Paulo: Saraiva, 2010. 3. Classificação dos Verbos

SITE Classificam-se em:


http://www.portugues.com.br/gramatica/colocacao- A) Regulares: são aqueles que apresentam o radi-
-pronominal-.html cal inalterado durante a conjugação e desinências
idênticas às de todos os verbos regulares da mes-
Observação: Não foram encontradas questões ma conjugação. Por exemplo: comparemos os ver-
abrangendo tal conteúdo. bos “cantar” e “falar”, conjugados no presente do
Modo Indicativo:
VERBO
canto falo
Verbo é a palavra que se flexiona em pessoa, número,
tempo e modo. A estes tipos de flexão verbal dá-se o cantas falas
nome de conjugação (por isso também se diz que verbo canta falas
é a palavra que pode ser conjugada). Pode indicar, entre
outros processos: ação (amarrar), estado (sou), fenôme- cantamos falamos
no (choverá); ocorrência (nascer); desejo (querer). cantais falais
cantam falam
1. Estrutura das Formas Verbais

Do ponto de vista estrutural, o verbo pode apresentar


#FicaDica
os seguintes elementos:
A) Radical: é a parte invariável, que expressa o signi- Observe que, retirando os radicais, as desi-
ficado essencial do verbo. Por exemplo: fal-ei; fal- nências modo-temporal e número-pessoal
-ava; fal-am. (radical fal-) mantiveram-se idênticas. Tente fazer com
B) Tema: é o radical seguido da vogal temática que outro verbo e perceberá que se repetirá o
indica a conjugação a que pertence o verbo. Por fato (desde que o verbo seja da primeira
exemplo: fala-r. São três as conjugações: conjugação e regular!). Faça com o verbo
1.ª - Vogal Temática - A - (falar), 2.ª - Vogal Temática “andar”, por exemplo. Substitua o radical
- E - (vender), 3.ª - Vogal Temática - I - (partir). “cant” e coloque o “and” (radical do verbo
C) Desinência modo-temporal: é o elemento que andar). Viu? Fácil!
designa o tempo e o modo do verbo. Por exemplo:
falávamos (indica o pretérito imperfeito do indicativo)
B) Irregulares: são aqueles cuja flexão provoca alterações
/ falasse ( indica o pretérito imperfeito do subjuntivo)
no radical ou nas desinências: faço, fiz, farei, fizesse.
D) Desinência número-pessoal: é o elemento que
LÍNGUA PORTUGUESA

designa a pessoa do discurso (1.ª, 2.ª ou 3.ª) e o


Observação:
número (singular ou plural):
Alguns verbos sofrem alteração no radical apenas
falamos (indica a 1.ª pessoa do plural.) / falavam
para que seja mantida a sonoridade. É o caso de: corrigir/
(indica a 3.ª pessoa do plural.)
corrijo, fingir/finjo, tocar/toquei, por exemplo. Tais altera-
ções não caracterizam irregularidade, porque o fonema
permanece inalterado.

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C) Defectivos: são aqueles que não apresentam conjugação completa. Os principais são adequar, precaver, compu-
tar, reaver, abolir, falir.
D) Impessoais: são os verbos que não têm sujeito e, normalmente, são usados na terceira pessoa do singular. Os
principais verbos impessoais são:

1. Haver, quando sinônimo de existir, acontecer, realizar-se ou fazer (em orações temporais).
Havia muitos candidatos no dia da prova. (Havia = Existiam)
Houve duas guerras mundiais. (Houve = Aconteceram)
Haverá debates hoje. (Haverá = Realizar-se-ão)
Viajei a Madri há muitos anos. (há = faz)

2. Fazer, ser e estar (quando indicam tempo)


Faz invernos rigorosos na Europa.
Era primavera quando o conheci.
Estava frio naquele dia.

3. Todos os verbos que indicam fenômenos da natureza são impessoais: chover, ventar, nevar, gear, trovejar, ama-
nhecer, escurecer, etc. Quando, porém, se constrói, “Amanheci cansado”, usa-se o verbo “amanhecer” em sentido
figurado. Qualquer verbo impessoal, empregado em sentido figurado, deixa de ser impessoal para ser pessoal,
ou seja, terá conjugação completa.
Amanheci cansado. (Sujeito desinencial: eu)
Choveram candidatos ao cargo. (Sujeito: candidatos)
Fiz quinze anos ontem. (Sujeito desinencial: eu)

4. O verbo passar (seguido de preposição), indicando tempo: Já passa das seis.

5. Os verbos bastar e chegar, seguidos da preposição “de”, indicando suficiência:


Basta de tolices.
Chega de promessas.
6. Os verbos estar e ficar em orações como “Está bem, Está muito bem assim, Não fica bem, Fica mal”, sem referência
a sujeito expresso anteriormente (por exemplo: “ele está mal”). Podemos, nesse caso, classificar o sujeito como
hipotético, tornando-se, tais verbos, pessoais.

7. O verbo dar + para da língua popular, equivalente de “ser possível”. Por exemplo:
Não deu para chegar mais cedo.
Dá para me arrumar uma apostila?

E) Unipessoais: são aqueles que, tendo sujeito, conjugam-se apenas nas terceiras pessoas, do singular e do plural.
São unipessoais os verbos constar, convir, ser (= preciso, necessário) e todos os que indicam vozes de animais
(cacarejar, cricrilar, miar, latir, piar).

Os verbos unipessoais podem ser usados como verbos pessoais na linguagem figurada:
Teu irmão amadureceu bastante.
O que é que aquela garota está cacarejando?

Principais verbos unipessoais:

 Cumprir, importar, convir, doer, aprazer, parecer, ser (preciso, necessário):


Cumpre estudarmos bastante. (Sujeito: estudarmos bastante)
Parece que vai chover. (Sujeito: que vai chover)
É preciso que chova. (Sujeito: que chova)

 Fazer e ir, em orações que dão ideia de tempo, seguidos da conjunção que.
Faz dez anos que viajei à Europa. (Sujeito: que viajei à Europa)
LÍNGUA PORTUGUESA

Vai para (ou Vai em ou Vai por) dez anos que não a vejo. (Sujeito: que não a vejo)

F) Abundantes: são aqueles que possuem duas ou mais formas equivalentes, geralmente no particípio, em que,
além das formas regulares terminadas em -ado ou -ido, surgem as chamadas formas curtas (particípio irregular).
O particípio regular (terminado em “–do”) é utilizado na voz ativa, ou seja, com os verbos ter e haver; o irregular é
empregado na voz passiva, ou seja, com os verbos ser, ficar e estar. Observe:

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Infinitivo Particípio Regular Particípio Irregular
Aceitar Aceitado Aceito
Acender Acendido Aceso
Anexar Anexado Anexo
Benzer Benzido Bento
Corrigir Corrigido Correto
Dispersar Dispersado Disperso
Eleger Elegido Eleito
Envolver Envolvido Envolto
Imprimir Imprimido Impresso
Inserir Inserido Inserto
Limpar Limpado Limpo
Matar Matado Morto
Misturar Misturado Misto
Morrer Morrido Morto
Murchar Murchado Murcho
Pegar Pegado Pego
Romper Rompido Roto
Soltar Soltado Solto
Suspender Suspendido Suspenso
Tingir Tingido Tinto
Vagar Vagado Vago

FIQUE ATENTO!
Estes verbos e seus derivados possuem, apenas, o particípio irregular: abrir/aberto, cobrir/coberto, dizer/
dito, escrever/escrito, pôr/posto, ver/visto, vir/vindo.

G) Anômalos: são aqueles que incluem mais de um radical em sua conjugação. Existem apenas dois: ser (sou, sois,
fui) e ir (fui, ia, vades).

H) Auxiliares: São aqueles que entram na formação dos tempos compostos e das locuções verbais. O verbo prin-
cipal (aquele que exprime a ideia fundamental, mais importante), quando acompanhado de verbo auxiliar, é
expresso numa das formas nominais: infinitivo, gerúndio ou particípio.
Vou espantar todos!
(verbo auxiliar) (verbo principal no infinitivo)

Está chegando a hora!


(verbo auxiliar) (verbo principal no gerúndio)

Observação:
Os verbos auxiliares mais usados são: ser, estar, ter e haver.
LÍNGUA PORTUGUESA

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4. Conjugação dos Verbos Auxiliares

4.1. SER - Modo Indicativo

Presente Pret.Perfeito Pret. Imp. Pret.mais-que-perf. Fut.do Pres. Fut. Do Pretérito


sou fui era fora serei seria
és foste eras foras serás serias
é foi era fora será seria
somos fomos éramos fôramos seremos seríamos
sois fostes éreis fôreis sereis seríeis
são foram eram foram serão seriam

4.2. SER - Modo Subjuntivo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro


que eu seja se eu fosse quando eu for
que tu sejas se tu fosses quando tu fores
que ele seja se ele fosse quando ele for
que nós sejamos se nós fôssemos quando nós formos
que vós sejais se vós fôsseis quando vós fordes
que eles sejam se eles fossem quando eles forem

4.3. SER - Modo Imperativo

Afirmativo Negativo
sê tu não sejas tu
seja você não seja você
sejamos nós não sejamos nós
sede vós não sejais vós
sejam vocês não sejam vocês

4.4. SER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


ser ser eu sendo sido
seres tu
ser ele
sermos nós
serdes vós
serem eles

4.5. ESTAR - Modo Indicativo



LÍNGUA PORTUGUESA

Presente Pret. perf. Pret. Imp. Pret.mais-q-perf. Fut.doPres. Fut.do Preté.


estou estive estava estivera estarei estaria
estás estiveste estavas estiveras estarás estarias
está esteve estava estivera estará estaria
estamos estivemos estávamos estivéramos estaremos estaríamos

39
estais estivestes estáveis estivéreis estareis estaríeis
estão estiveram estavam estiveram estarão estariam

4.6. ESTAR - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


esteja estivesse estiver
estejas estivesses estiveres está estejas
esteja estivesse estiver esteja esteja
estejamos estivéssemos estivermos estejamos estejamos
estejais estivésseis estiverdes estai estejais
estejam estivessem estiverem estejam estejam

4.7. ESTAR - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


estar estar estando estado
estares
estar
estarmos
estardes
estarem

4.8. HAVER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imp. Pret.Mais-Q-Perf. Fut.do Pres. Fut.doPreté.


hei houve havia houvera haverei haveria
hás houveste havias houveras haverás haverias
há houve havia houvera haverá haveria
havemos houvemos havíamos houvéramos haveremos haveríamos
haveis houvestes havíeis houvéreis havereis haveríeis
hão houveram haviam houveram haverão haveriam

4.9. HAVER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


ja houvesse houver
hajas houvesses houveres há hajas
haja houvesse houver haja haja
hajamos houvéssemos houvermos hajamos hajamos
hajais houvésseis houverdes havei hajais
hajam houvessem houverem hajam hajam
LÍNGUA PORTUGUESA

4.10. HAVER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


haver haver havendo havido
haveres

haver

40
havermos
haverdes
Haverem

4.11. TER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imp. Preté.mais-q-perf. Fut. Do Pres. Fut. Do Preté.
tenho tive tinha tivera terei teria
tens tiveste tinhas tiveras terás terias
tem teve tinha tivera terá teria
temos tivemos tínhamos tivéramos teremos teríamos
tendes tivestes tínheis tivéreis tereis teríeis
têm tiveram tinham tiveram terão teriam

4.12. TER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


tenha tivesse tiver
tenhas tivesses tiveres tem tenhas
tenha tivesse tiver tenha tenha
tenhamos tivéssemos tivermos tenhamos tenhamos
Tenhais tivésseis tiverdes tende tenhais
tenham tivessem tiverem tenham tenham

I) Pronominais: São aqueles verbos que se conjugam com os pronomes oblíquos átonos me, te, se, nos, vos, se, na
mesma pessoa do sujeito, expressando reflexibilidade (pronominais acidentais) ou apenas reforçando a ideia já
implícita no próprio sentido do verbo (pronominais essenciais). Veja:
 Essenciais: são aqueles que sempre se conjugam com os pronomes oblíquos me, te, se, nos, vos, se. São poucos:
abster-se, ater-se, apiedar-se, atrever-se, dignar-se, arrepender-se, etc. Nos verbos pronominais essenciais a refle-
xibilidade já está implícita no radical do verbo. Por exemplo: Arrependi-me de ter estado lá.

A ideia é de que a pessoa representada pelo sujeito (eu) tem um sentimento (arrependimento) que recai sobre ela
mesma, pois não recebe ação transitiva nenhuma vinda do verbo; o pronome oblíquo átono é apenas uma partícula
integrante do verbo, já que, pelo uso, sempre é conjugada com o verbo. Diz-se que o pronome apenas serve de reforço
da ideia reflexiva expressa pelo radical do próprio verbo. Veja uma conjugação pronominal essencial (verbo e respec-
tivos pronomes):
Eu me arrependo, Tu te arrependes, Ele se arrepende, Nós nos arrependemos, Vós vos arrependeis, Eles se arrependem.
 Acidentais: são aqueles verbos transitivos diretos em que a ação exercida pelo sujeito recai sobre o objeto re-
presentado por pronome oblíquo da mesma pessoa do sujeito; assim, o sujeito faz uma ação que recai sobre ele
mesmo. Em geral, os verbos transitivos diretos ou transitivos diretos e indiretos podem ser conjugados com os
pronomes mencionados, formando o que se chama voz reflexiva. Por exemplo: A garota se penteava.
A reflexibilidade é acidental, pois a ação reflexiva pode ser exercida também sobre outra pessoa: A garota penteou-
-me.

Por fazerem parte integrante do verbo, os pronomes oblíquos átonos dos verbos pronominais não possuem função
sintática.
Há verbos que também são acompanhados de pronomes oblíquos átonos, mas que não são essencialmente prono-
minais - são os verbos reflexivos. Nos verbos reflexivos, os pronomes, apesar de se encontrarem na pessoa idêntica à
do sujeito, exercem funções sintáticas. Por exemplo:
LÍNGUA PORTUGUESA

Eu me feri. = Eu (sujeito) – 1.ª pessoa do singular; me (objeto direto) – 1.ª pessoa do singular.

5. Modos Verbais

Dá-se o nome de modo às várias formas assumidas pelo verbo na expressão de um fato certo, real, verdadeiro.
Existem três modos:
A) Indicativo - indica uma certeza, uma realidade: Eu estudo para o concurso.

41
B) Subjuntivo - indica uma dúvida, uma possibilidade: Talvez eu estude amanhã.
C) Imperativo - indica uma ordem, um pedido: Estude, colega!

6. Formas Nominais

Além desses três modos, o verbo apresenta ainda formas que podem exercer funções de nomes (substantivo, adje-
tivo, advérbio), sendo por isso denominadas formas nominais. Observe:

A) Infinitivo
A.1 Impessoal: exprime a significação do verbo de modo vago e indefinido, podendo ter valor e função de subs-
tantivo. Por exemplo:
Viver é lutar. (= vida é luta)
É indispensável combater a corrupção. (= combate à)

O infinitivo impessoal pode apresentar-se no presente (forma simples) ou no passado (forma composta). Por exem-
plo:
É preciso ler este livro.
Era preciso ter lido este livro.

A.2 Infinitivo Pessoal: é o infinitivo relacionado às três pessoas do discurso. Na 1.ª e 3.ª pessoas do singular, não
apresenta desinências, assumindo a mesma forma do impessoal; nas demais, flexiona-se da seguinte maneira:
2.ª pessoa do singular: Radical + ES = teres (tu)
1.ª pessoa do plural: Radical + MOS = termos (nós)
2.ª pessoa do plural: Radical + DES = terdes (vós)
3.ª pessoa do plural: Radical + EM = terem (eles)
Foste elogiado por teres alcançado uma boa colocação.

B) Gerúndio: o gerúndio pode funcionar como adjetivo ou advérbio. Por exemplo:


Saindo de casa, encontrei alguns amigos. (função de advérbio)
Água fervendo, pele ardendo. (função de adjetivo)

Na forma simples (1), o gerúndio expressa uma ação em curso; na forma composta (2), uma ação concluída:
Trabalhando (1), aprenderás o valor do dinheiro.
Tendo trabalhado (2), aprendeu o valor do dinheiro.

Quando o gerúndio é vício de linguagem (gerundismo), ou seja, uso exagerado e inadequado do gerúndio:
1. Enquanto você vai ao mercado, vou estar jogando futebol.
2. – Sim, senhora! Vou estar verificando!
Em 1, a locução “vou estar” + gerúndio é adequada, pois transmite a ideia de uma ação que ocorre no momento da
outra; em 2, essa ideia não ocorre, já que a locução verbal “vou estar verificando” refere-se a um futuro em andamento,
exigindo, no caso, a construção “verificarei” ou “vou verificar”.
C) Particípio: quando não é empregado na formação dos tempos compostos, o particípio indica, geralmente, o re-
sultado de uma ação terminada, flexionando-se em gênero, número e grau. Por exemplo: Terminados os exames,
os candidatos saíram.

Quando o particípio exprime somente estado, sem nenhuma relação temporal, assume verdadeiramente a função
de adjetivo. Por exemplo: Ela é a aluna escolhida pela turma.
LÍNGUA PORTUGUESA

(Ziraldo)

8. Tempos Verbais

Tomando-se como referência o momento em que se fala, a ação expressa pelo verbo pode ocorrer em diversos
tempos.

42
A) Tempos do Modo Indicativo

Presente - Expressa um fato atual: Eu estudo neste colégio.


Pretérito Imperfeito - Expressa um fato ocorrido num momento anterior ao atual, mas que não foi completamente
terminado: Ele estudava as lições quando foi interrompido.
Pretérito Perfeito - Expressa um fato ocorrido num momento anterior ao atual e que foi totalmente terminado: Ele
estudou as lições ontem à noite.
Pretérito-mais-que-perfeito - Expressa um fato ocorrido antes de outro fato já terminado: Ele já estudara as lições
quando os amigos chegaram. (forma simples).
Futuro do Presente - Enuncia um fato que deve ocorrer num tempo vindouro com relação ao momento atual: Ele
estudará as lições amanhã.
Futuro do Pretérito - Enuncia um fato que pode ocorrer posteriormente a um determinado fato passado: Se ele
pudesse, estudaria um pouco mais.

B) Tempos do Modo Subjuntivo

Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer no momento atual: É conveniente que estudes para o exame.
Pretérito Imperfeito - Expressa um fato passado, mas posterior a outro já ocorrido: Eu esperava que ele vencesse
o jogo.
Futuro do Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer num momento futuro em relação ao atual: Quando ele vier
à loja, levará as encomendas.

FIQUE ATENTO!
Há casos em que formas verbais de um determinado tempo podem ser utilizadas para indicar outro.
Em 1500, Pedro Álvares Cabral descobre o Brasil.
descobre = forma do presente indicando passado ( = descobrira/descobriu)

No próximo final de semana, faço a prova!


faço = forma do presente indicando futuro ( = farei)

Tabelas das Conjugações Verbais

1. Modo Indicativo

1.1. Presente do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Desinência pessoal


CANTAR VENDER PARTIR
cantO vendO partO O
cantaS vendeS parteS S
canta vende parte -
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaIS vendeIS partIS IS
cantaM vendeM parteM M

1.2. Pretérito Perfeito do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Desinência pessoal


LÍNGUA PORTUGUESA

CANTAR VENDER PARTIR


canteI vendI partI I
cantaSTE vendeSTE partISTE STE
cantoU vendeU partiU U
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS

43
cantaSTES vendeSTES partISTES STES
cantaRAM vendeRAM partiRAM RAM

1.3. Pretérito mais-que-perfeito

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal
1.ª/2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantaRAS vendeRAS partiRAS RA S
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantáRAMOS vendêRAMOS partíRAMOS RA MOS
cantáREIS vendêREIS partíREIS RE IS
cantaRAM vendeRAM partiRAM RA M

1.4. Pretérito Imperfeito do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3ª. conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantAVA vendIA partIA
cantAVAS vendIAS partAS
CantAVA vendIA partIA
cantÁVAMOS vendÍAMOS partÍAMOS
cantÁVEIS vendÍEIS partÍEIS
cantAVAM vendIAM partIAM
1.5. Futuro do Presente do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantar ei vender ei partir ei
cantar ás vender ás partir ás
cantar á vender á partir á
cantar emos vender emos partir emos
cantar eis vender eis partir eis
cantar ão vender ão partir ão

1.6. Futuro do Pretérito do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantarIA venderIA partirIA
LÍNGUA PORTUGUESA

cantarIAS venderIAS partirIAS


cantarIA venderIA partirIA
cantarÍAMOS venderÍAMOS partirÍAMOS
cantarÍEIS venderÍEIS partirÍEIS
cantarIAM venderIAM partirIAM

44
1.7. Presente do Subjuntivo

Para se formar o presente do subjuntivo, substitui-se a desinência -o da primeira pessoa do singular do presente do
indicativo pela desinência -E (nos verbos de 1.ª conjugação) ou pela desinência -A (nos verbos de 2.ª e 3.ª conjugação).

1.ª conjug. 2.ª conjug. 3.ª conju. Desinên. pessoal Des. temporal Des.temporal
1.ª conj. 2.ª/3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantE vendA partA E A Ø
cantES vendAS partAS E A S
cantE vendA partA E A Ø
cantEMOS vendAMOS partAMOS E A MOS
cantEIS vendAIS partAIS E A IS
cantEM vendAM partAM E A M

1.8. Pretérito Imperfeito do Subjuntivo

Para formar o imperfeito do subjuntivo, elimina-se a desinência -STE da 2.ª pessoa do singular do pretérito perfeito,
obtendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -SSE mais a desinência de
número e pessoa correspondente.

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Des. temporal Desin. pessoal
1.ª /2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantaSSES vendeSSES partiSSES SSE S
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantáSSEMOS vendêSSEMOS partíSSEMOS SSE MOS
cantáSSEIS vendêSSEIS partíSSEIS SSE IS
cantaSSEM vendeSSEM partiSSEM SSE M

1.9. Futuro do Subjuntivo

Para formar o futuro do subjuntivo elimina-se a desinência -STE da 2.ª pessoa do singular do pretérito perfeito,
obtendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -R mais a desinência de
número e pessoa correspondente.

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Des. temporal Desin. pessoal
1.ª /2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaR vendeR partiR Ø
cantaRES vendeRES partiRES R ES
cantaR vendeR partiR Ø
cantaRMOS vendeRMOS partiRMOS R MOS
cantaRDES vendeRDES partiRDES R DES
LÍNGUA PORTUGUESA

cantaREM vendeREM partiREM R EM

45
C) Modo Imperativo

1. Imperativo Afirmativo

Para se formar o imperativo afirmativo, toma-se do presente do indicativo a 2.ª pessoa do singular (tu) e a segunda
pessoa do plural (vós) eliminando-se o “S” final. As demais pessoas vêm, sem alteração, do presente do subjuntivo. Veja:

Presente do Indicativo Imperativo Afirmativo Presente do Subjuntivo


Eu canto --- Que eu cante
Tu cantas CantA tu Que tu cantes
Ele canta Cante você Que ele cante
Nós cantamos Cantemos nós Que nós cantemos
Vós cantais CantAI vós Que vós canteis
Eles cantam Cantem vocês Que eles cantem

2. Imperativo Negativo

Para se formar o imperativo negativo, basta antecipar a negação às formas do presente do subjuntivo.

Presente do Subjuntivo Imperativo Negativo

Que eu cante ---


Que tu cantes Não cantes tu
Que ele cante Não cante você
Que nós cantemos Não cantemos nós
Que vós canteis Não canteis vós
Que eles cantem Não cantem eles

 No modo imperativo não faz sentido usar na 3.ª pessoa (singular e plural) as formas ele/eles, pois uma ordem,
pedido ou conselho só se aplicam diretamente à pessoa com quem se fala. Por essa razão, utiliza-se você/vocês.
 O verbo SER, no imperativo, faz excepcionalmente: sê (tu), sede (vós).
3. Infinitivo Pessoal

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantar vender partir
cantarES venderES partirES
cantar vender partir
cantarMOS venderMOS partirMOS
cantarDES venderDES partirDES
cantarEM venderEM partirEM

 O verbo parecer admite duas construções:


Elas parecem gostar de você. (forma uma locução verbal)
Elas parece gostarem de você. (verbo com sujeito oracional, correspondendo à construção: parece gostarem de você).
LÍNGUA PORTUGUESA

 O verbo pegar possui dois particípios (regular e irregular):


Elvis tinha pegado minhas apostilas.
Minhas apostilas foram pegas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Paulo:
Saraiva, 2010.

46
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.

SITE
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf54.php

VOZES DO VERBO

Dá-se o nome de voz à maneira como se apresenta a ação expressa pelo verbo em relação ao sujeito, indicando
se este é paciente ou agente da ação. Importante lembrar que voz verbal não é flexão, mas aspecto verbal. São três as
vozes verbais:

A) Ativa = quando o sujeito é agente, isto é, pratica a ação expressa pelo verbo:
Ele fez o trabalho.
sujeito agente ação objeto (paciente)

B) Passiva = quando o sujeito é paciente, recebendo a ação expressa pelo verbo:


O trabalho foi feito por ele.
sujeito paciente ação agente da passiva

C) Reflexiva = quando o sujeito é, ao mesmo tempo, agente e paciente, isto é, pratica e recebe a ação:
O menino feriu-se.

#FicaDica
Não confundir o emprego reflexivo do verbo com a noção de reciprocidade:
Os lutadores feriram-se. (um ao outro)
Nós nos amamos. (um ama o outro)

1. Formação da Voz Passiva

A voz passiva pode ser formada por dois processos: analítico e sintético.
A) Voz Passiva Analítica = Constrói-se da seguinte maneira:
Verbo SER + particípio do verbo principal. Por exemplo:
A escola será pintada pelos alunos. (na ativa teríamos: os alunos pintarão a escola)
O trabalho é feito por ele. (na ativa: ele faz o trabalho)

Observações:
 O agente da passiva geralmente é acompanhado da preposição por, mas pode ocorrer a construção com a pre-
posição de. Por exemplo: A casa ficou cercada de soldados.
 Pode acontecer de o agente da passiva não estar explícito na frase: A exposição será aberta amanhã.
 A variação temporal é indicada pelo verbo auxiliar (SER), pois o particípio é invariável. Observe a transformação
das frases seguintes:

Ele fez o trabalho. (pretérito perfeito do Indicativo)


O trabalho foi feito por ele. (verbo ser no pretérito perfeito do Indicativo, assim como o verbo principal da voz ativa)

Ele faz o trabalho. (presente do indicativo)


O trabalho é feito por ele. (ser no presente do indicativo)

Ele fará o trabalho. (futuro do presente)


O trabalho será feito por ele. (futuro do presente)
LÍNGUA PORTUGUESA

 Nas frases com locuções verbais, o verbo SER assume o mesmo tempo e modo do verbo principal da voz ativa.
Observe a transformação da frase seguinte:
O vento ia levando as folhas. (gerúndio)
As folhas iam sendo levadas pelo vento. (gerúndio)

B) Voz Passiva Sintética = A voz passiva sintética - ou pronominal - constrói-se com o verbo na 3.ª pessoa, seguido
do pronome apassivador “se”. Por exemplo:

47
Abriram-se as inscrições para o concurso. Mantêm-se adequados o emprego de tempos e modos
Destruiu-se o velho prédio da escola. verbais e a correlação entre eles, ao se substituírem os
elementos sublinhados na frase acima, na ordem dada,
Observação: por:
O agente não costuma vir expresso na voz passiva a) tivessem acrescentado − trariam − contribuírem
sintética. b) acrescentassem − têm trazido − contribuírem
c) tinham acrescentado − trarão − contribuiriam
1.1 Conversão da Voz Ativa na Voz Passiva d) acrescentariam − trariam− contribuíram
e) tenham acrescentado − trouxeram − Contribuíram
Pode-se mudar a voz ativa na passiva sem alterar
substancialmente o sentido da frase. Resposta: Letra E.
O concurseiro comprou a apostila. (Voz Ativa) Questão que envolve correlação verbal. Realizando as
Sujeito da Ativa objeto Direto alterações solicitadas, segue como ficariam (em des-
taque):
A apostila foi comprada pelo concurseiro. Em “a”: tivessem acrescentado – trariam − contribui-
(Voz Passiva) riam
Sujeito da Passiva Agente da Passi- Em “b”: acrescentassem – trariam − contribuiriam
va Em “c”: tinham acrescentado – trouxeram − contribuí-
ram
Em “d”: acrescentassem – trariam − contribuíram
Observe que o objeto direto será o sujeito da passiva; Em “e”: tenham acrescentado – trouxeram − Contribuí-
o sujeito da ativa passará a agente da passiva, e o verbo ram = correta
ativo assumirá a forma passiva, conservando o mesmo
tempo. 2. (TST – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA APOIO
Os mestres têm constantemente aconselhado os alunos. ESPECIALIZADO – ESPECIALIDADE MEDICINA DO
Os alunos têm sido constantemente aconselhados pelos TRABALHO – FCC – 2012) Está inadequado o emprego
mestres. do elemento sublinhado na seguinte frase:

Eu o acompanharei. a) Sou ateu e peço que me deem tratamento similar ao


Ele será acompanhado por mim. que dispenso aos homens religiosos.
Quando o sujeito da voz ativa for indeterminado, não b) A intolerância religiosa baseia-se em preconceitos de
haverá complemento agente na passiva. Por exemplo: que deveriam desviar-se todos os homens verdadeira-
Prejudicaram-me. / Fui prejudicado. mente virtuosos.
Com os verbos neutros (nascer, viver, morrer, dormir, c) A tolerância é uma virtude na qual não podem prescin-
acordar, sonhar, etc.) não há voz ativa, passiva ou reflexiva, dir os que se dizem homens de fé.
porque o sujeito não pode ser visto como agente, pacien- d) O ateu desperta a ira dos fanáticos, a despeito de nada
te ou agente paciente. fazer que possa injuriá-los ou desrespeitá-los.
e) Respeito os homens de fé, a menos que deixem de
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS fazer o mesmo com aqueles que não a têm.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. Resposta: Letra C.
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce- Corrigindo o inadequado:
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Em “a”: Sou ateu e peço que me deem tratamento si-
Paulo: Saraiva, 2010. milar ao que dispenso aos homens religiosos.
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda- Em “b”: A intolerância religiosa baseia-se em precon-
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. ceitos de que deveriam desviar-se todos os homens
verdadeiramente virtuosos.
SITE Em “c”: A tolerância é uma virtude na qual (de que)
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf54. não podem prescindir os que se dizem homens de fé.
php Em “d”: O ateu desperta a ira dos fanáticos, a despeito
de nada fazer que possa injuriá-los ou desrespeitá-los.
Em “e”: Respeito os homens de fé, a menos que dei-
xem de fazer o mesmo com aqueles que não a têm.
EXERCÍCIOS COMENTADOS
3. (TST – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA APOIO
LÍNGUA PORTUGUESA

1. (TST – TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINIS- ESPECIALIZADO – ESPECIALIDADE MEDICINA DO


TRATIVA – FCC – 2012) As vitórias no jogo interior talvez TRABALHO – FCC – 2012)
não acrescentem novos troféus, mas elas trazem recom- Transpondo-se para a voz passiva a construção Os ateus
pensas valiosas, [...] que contribuem de forma significativa despertariam a ira de qualquer fanático, a forma ver-
para nosso sucesso posterior, tanto na quadra como fora bal obtida será:
dela.

48
a) seria despertada. b) Não se...... (poupar) os que governam de refletir sobre
b) teria sido despertada. o peso de suas mais graves decisões.
c) despertar-se-á. c) Aos governantes mais responsáveis não...... (ocorrer)
d) fora despertada. tomar decisões sem medir suas consequências.
e) teriam despertado. d) A toda decisão tomada precipitadamente...... (cos-
tumar) sobrevir consequências imprevistas e injustas.
Resposta: Letra A. e) Diante de uma escolha,...... (ganhar) prioridade, reco-
Os ateus despertariam a ira de qualquer fanático menda Gramsci, os critérios que levam em conta a dor
Fazendo a transposição para a voz passiva, temos: A humana.
ira de qualquer fanático seria despertada pelos ateus.
Resposta: Letra C.
4. (TST – TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINIS- Flexões em destaque e sublinhei os termos que esta-
TRATIVA – ESPECIALIDADE SEGURANÇA JUDICIÁ- belecem concordância:
RIA – FCC – 2012) Em “a”: A nenhuma de nossas escolhas podem deixar
...ela nunca alcançava a musa. de corresponder nossos valores éticos mais rigorosos.
Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma Em “b”: Não se poupam os que governam de refletir
verbal resultante será: sobre o peso de suas mais graves decisões.
Em “c”: Aos governantes mais responsáveis não ocor-
a) alcança-se. re tomar decisões sem medir suas consequências. =
b) foi alcançada. Isso não ocorre aos governantes – uma oração exerce
c) fora alcançada. a função de sujeito (subjetiva)
d) seria alcançada. Em “d”: A toda decisão tomada precipitadamente cos-
e) era alcançada. tumam sobrevir consequências imprevistas e injustas.
Em “e”: Diante de uma escolha, ganham prioridade,
Resposta: Letra E. recomenda Gramsci, os critérios que levam em conta
Temos um verbo na voz ativa, então teremos dois a dor humana.
na passiva (auxiliar + o verbo da oração da ativa, no
mesmo tempo verbal, forma particípio): A musa nun- 7. (TRT 23.ª REGIÃO-MT – ANALISTA JUDICIÁRIO –
ca era alcançada por ela. O verbo “alcançava” está no ÁREA ADMINISTRATIVA – FCC – 2016 ) ... para quem
pretérito imperfeito, por isso o auxiliar tem que estar Manoel de Barros era comparável a São Francisco de As-
também (é = presente, foi = pretérito perfeito, era = sis...
imperfeito, fora = mais que perfeito, será = futuro do O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o da
presente, seria = futuro do pretérito). frase acima está em:

5. (TST – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA APOIO a) Dizia-se um “vedor de cinema”...


ESPECIALIZADO – ESPECIALIDADE MEDICINA DO b) Porque não seria certo ficar pregando moscas no es-
TRABALHO – FCC – 2012) Aos poucos, contudo, fui che- paço...
gando à constatação de que todo perfil de rede social é um c) Na juventude, apaixonou-se por Arthur Rimbaud e
retrato ideal de nós mesmos. Charles Baudelaire.
Mantendo-se a correção e a lógica, sem que outra al- d) Quase meio século separa a estreia de Manoel de Bar-
teração seja feita na frase, o elemento grifado pode ser ros na literatura...
substituído por: e) ... para depois casá-las...
a) ademais.
b) conquanto. Resposta: Letra A.
c) porquanto. “Era” = verbo “ser” no pretérito imperfeito do Indicati-
d) entretanto. vo. Procuremos nos itens:
e) apesar. Em “a”: Dizia-se = pretérito imperfeito do Indicativo
Em “b”: Porque não seria = futuro do pretérito do In-
RESPOSTA: Letra D. dicativo
Contudo é uma conjunção adversativa (expressa opo- Em “c”: Na juventude, apaixonou-se = pretérito perfei-
sição). A substituição deve utilizar outra de mesma to do Indicativo
classificação, para que se mantenha a ideia do perío- Em “d”: Quase meio século separa = presente do Indi-
do. A correta é entretanto. cativo
Em “e”: para depois casá-las = Infinitivo pessoal (casar
6. (TST – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINIS-
LÍNGUA PORTUGUESA

elas)
TRATIVA – FCC – 2012) O verbo indicado entre pa-
rênteses deverá flexionar-se no singular para preencher
adequadamente a lacuna da frase:

a) A nenhuma de nossas escolhas...... (poder) deixar de


corresponder nossos valores éticos mais rigorosos.

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8. (TRT 20.ª REGIÃO-SE – ANALISTA JUDICIÁRIO – 11. (TRT 20.ª REGIÃO-SE – TÉCNICO JUDICIÁRIO –
ÁREA ADMINISTRATIVA – FCC – 2016) Aí conheci o FCC – 2016) Precisamos de um treinador que nos ajude
escritor e historiador de sua gente, meu saudoso amigo a comer...
Alcino Alves Costa. E foi dele que ouvi oralmente a his- O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o
tória de Zé de Julião. Considerando-se a norma-padrão sublinhado acima está também sublinhado em:
da língua, ao reescrever-se o trecho acima em um único
período, o segmento destacado deverá ser antecedido a) [...] assim que conseguissem se virar sem as mães ou
de vírgula e substituído por as amas...
b) Não é por acaso que proliferaram os coaches.
a) perante ao qual c) [...] país que transformou a infância numa bilionária in-
b) de cujo dústria de consumo...
c) o qual d) E, mesmo que se esforcem muito [...]
d) frente à quem e) Hoje há algo novo nesse cenário.
e) de quem
RESPOSTA: Letra D.
Resposta: Letra E. que nos ajude = presente do Subjuntivo
Voltemos ao trecho: ... meu saudoso amigo Alcino Alves Em “a”: que conseguissem = pretérito do Subjuntivo
Costa. E foi dele que ouvi oralmente... = a única alter- Em “b”: que proliferaram = pretérito perfeito (e tam-
nativa que substitui corretamente o trecho destacado é bém mais-que-perfeito) do Indicativo
“de quem ouvi oralmente”. Em “c”: que transformou = pretérito perfeito do Indi-
cativo
9. (TRT 14.ª REGIÃO-RO E AC – TÉCNICO JUDICIÁ- Em “d”: que se esforcem = presente do Subjuntivo
RIO – FCC – 2016) “Isto pode despertar a atenção de ou- Em “e”: há algo novo nesse cenário = presente do In-
tras pessoas que tenham documentos em casa e se dis- dicativo
ponham a trazer para a Academia, que é a guardiã desse
tipo de acervo, que é muito difícil de ser guardado em 12. (TRT 23.ª REGIÃO-MT – TÉCNICO JUDICIÁRIO –
casa, pois o tempo destrói e aqui temos a melhor técnica FCC – 2016) O modelo ainda dominante nas discussões
de conservação de documentos”, disse Cavalcanti. ecológicas privilegia, em escala, o Estado e o mundo...
O termo sublinhado faz referência a Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma
verbal resultante será:
a) pessoas.
b) acervo. a) é privilegiado.
c) Academia. b) sendo privilegiadas.
d) tempo. c) são privilegiados.
e) casa. d) foi privilegiado.
e) são privilegiadas.
Resposta: Letra B.
Ao trecho: a guardiã desse tipo de acervo, que (o qual) Resposta: Letra C.
é muito difícil de ser guardado... Há um verbo na ativa, então teremos dois na passiva
(auxiliar + o particípio de “privilegia”) = O Estado e
10. (TRT 14.ª REGIÃO-RO E AC – TÉCNICO JUDICIÁ- o mundo são privilegiados pelo modelo ainda domi-
RIO – FCC – 2016) O marechal organizou o acervo... nante.
A forma verbal está corretamente transposta para a voz
passiva em: 13. (TRT 23.ª REGIÃO-MT – TÉCNICO JUDICIÁRIO
– FCC – 2016) Empregam-se todas as formas verbais de
a) estava organizando acordo com a norma culta na seguinte frase:
b) tinha organizado
c) organizando-se a) Para que se mantesse sua autenticidade, o documento
d) foi organizado não poderia receber qualquer tipo de retificação.
e) está organizado b) Os documentos com assinatura digital disporam de
algoritmos de criptografia que os protegeram.
Resposta: Letra D. c) Arquivados eletronicamente, os documentos poderam
Temos: sujeito (o marechal), verbo na ativa (organizou) contar com a proteção de uma assinatura digital.
e objeto (o acervo). Como há um verbo na ativa, ao d) Quem se propor a alterar um documento criptogra-
passarmos para a passiva teremos dois (o auxiliar no fado deve saber que comprometerá sua integridade.
LÍNGUA PORTUGUESA

mesmo tempo que o verbo da ativa + o particípio do e) Não é possível fazer as alterações que convierem sem
verbo da voz ativa = organizado). O objeto exercerá comprometer a integridade dos documentos.
a função de sujeito paciente, e o sujeito da ativa será
o agente da passiva (ufa!). A frase ficará: O acervo foi Resposta: Letra E.
organizado pelo marechal. Em “a”: Para que se mantesse (mantivesse) sua auten-
ticidade, o documento não poderia receber qualquer
tipo de retificação.

50
Em “b”: Os documentos com assinatura digital dispo- Em “e”: É o que mostra também uma pesquisa = pre-
ram (dispuseram) de algoritmos de criptografia que os sente do Indicativo
protegeram.
Em “c”: Arquivados eletronicamente, os documentos 16. (PC-SP – ATENDENTE DE NECROTÉRIO POLI-
poderam (puderam) contar com a proteção de uma CIAL – VUNESP – 2014) Assinale a alternativa em que a
assinatura digital. palavra em destaque na frase pertence à classe dos adje-
Em “d”: Quem se propor (propuser) a alterar um docu- tivos (palavra que qualifica um substantivo).
mento criptografado deve saber que comprometerá
sua integridade. a) Existe grande confusão entre os diversos tipos de eu-
Em “e”: Não é possível fazer as alterações que convie- tanásia...
rem sem comprometer a integridade dos documentos b)... o médico ou alguém causa ativamente a morte...
= correta c) prolonga o processo de morrer procurando distanciar
a morte.
14. (TRT 21.ª REGIÃO-RN – TÉCNICO JUDICIÁRIO – d) Ela é proibida por lei no Brasil,...
FCC – 2017) Sessenta anos de história marcam, assim, a e) E como seria a verdadeira boa morte?
trajetória da utopia no país.
Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma Resposta: Letra E.
verbal resultante será: Em “a”: Existe grande confusão = substantivo
Em “b”: o médico ou alguém causa ativamente a mor-
a) foram marcados. te = pronome
b) foi marcado. Em “c”: prolonga o processo de morrer procurando
c) são marcados. distanciar a morte = substantivo
d) foi marcada. Em “d”: Ela é proibida por lei no Brasil = substantivo
e) é marcada. Em “e”: E como seria a verdadeira boa morte? = ad-
jetivo
Resposta: Letra E.
Temos um verbo (no tempo presente) na ativa, então 17. (PC-SP – ESCRIVÃO DE POLÍCIA – VUNESP –
teremos dois na passiva (auxiliar [no tempo presente] 2014) As formas verbais conjugadas no modo imperativo,
+ particípio de “marcam”) = Assim, a trajetória da uto- expressando ordem, instrução ou comando, estão desta-
pia do país é marcada pelos sessenta anos de história. cadas em

15. (POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO a) Mas há outros cujas marcas acabam ficando bem ní-
– SOLDADO PM 2.ª CLASSE – VUNESP – 2017) Consi- tidas na memória: são aqueles donos de qualidades
dere as seguintes frases: incomuns.
Primeiro, associe suas memórias com objetos físicos. b) Voltei uns cinquenta minutos depois, cauteloso, e
Segundo, não memorize apenas por repetição. quase não acreditei no que ouvi.
Terceiro, rabisque! c) – Ei rapaz, deixe ligado o microfone, largue isso aí, vá
Um verbo flexionado no mesmo modo que o dos verbos pro estúdio e ponha a rádio no ar.
empregados nessas frases está em destaque em: d) Bem, o fato é que eu era o técnico de som do horário,
precisava “passar” a transmissão lá para a câmara, e o
a) [...] o acesso rápido e a quantidade de textos fazem locutor não chegava para os textos de abertura, pu-
com que o cérebro humano não considere útil gravar blicidade, chamadas.
esses dados [...] e) ... estremecíamos quando ele nos chamava para qual-
b) Na internet, basta um clique para vasculhar um sem- quer coisa, fazendo-nos entrar na sua sala imensa, já
-número de informações. suando frio e atentos às suas finas e cortantes pala-
c) [...] após discar e fazer a ligação, não precisamos mais vras.
dele...
d) Pense rápido: qual o número de telefone da casa em Resposta: Letra C.
que morou quando era criança? Aos itens:
e) É o que mostra também uma pesquisa recente condu- Em “a”: há = presente / acabam = presente / são =
zida pela empresa de segurança digital Kaspersky [...] presente
Em “b”: Voltei = pretérito perfeito / acreditei = preté-
Resposta: Letra D. rito perfeito
Os verbos das frases citadas estão no Modo Imperati- Em “c”: deixe / largue / vá / ponha = verbos no modo
LÍNGUA PORTUGUESA

vo (expressam ordem). Vamos aos itens: imperativo afirmativo (ordens)


Em “a”: ... o acesso rápido e a quantidade de textos Em “d”: era = pretérito imperfeito / precisava = preté-
fazem = presente do Indicativo rito imperfeito / chegava = pretérito imperfeito
Em “b”: Na internet, basta um clique = presente do Em “e”: fazendo-nos = gerúndio / suando = gerúndio
Indicativo
Em “c”: ... após discar e fazer a ligação, não precisamos
= presente do Indicativo
Em “d”: Pense rápido: = Imperativo

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18. (PC-SP – AGENTE DE POLÍCIA – VUNESP – 2013) 21. (PC-SP – ESCRIVÃO DE POLÍCIA – VUNESP –
Em – O destino me prestava esse pequeno favor: comple- 2013) Assinale a alternativa que completa respectiva-
tava minha identificação com o resto da humanidade, que mente as lacunas, em conformidade com a norma-pa-
tem sempre para contar uma história de objeto achado; drão de conjugação verbal.
– o pronome em destaque retoma a seguinte palavra/ Há quem acredite que alcançará o sucesso profissional
expressão: quando __________ um diploma de mestrado, mas há
aqueles que _________ de opinião e procuram investir em
a) o resto da humanidade. cursos profissionalizantes.
b) esse pequeno favor.
c) minha identificação. a) obtiver … divirgem
d) O destino. b) obter … divergem
e) completava. c) obtesse … devirgem
d) obter … divirgem
Resposta: Letra A. e) obtiver … divergem
Completava minha identificação com o resto da huma-
nidade, que (a qual) tem sempre para contar uma his- Resposta: Letra E.
tória de objeto achado = pronome relativo que retoma Há quem acredite que alcançará o sucesso profissio-
o resto da humanidade. nal quando obtiver um diploma de mestrado, mas há
aqueles que divergem de opinião e procuram investir
19. (PC-SP – AGENTE DE POLÍCIA – VUNESP – 2013) em cursos profissionalizantes.
Considere o trecho a seguir.
É comum que objetos ____________ esquecidos em locais 22. (PC-SP – AUXILIAR DE NECROPSIA – VUNESP –
públicos. Mas muitos transtornos poderiam ser evitados 2014) Considerando que o adjetivo é uma palavra que
se as pessoas __________ a atenção voltada para seus per- modifica o substantivo, com ele concordando em gênero
tences, conservando-os junto ao corpo. e número, assinale a alternativa em que a palavra desta-
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectiva- cada é um adjetivo.
mente, as lacunas do texto.
a) ... um câncer de boca horroroso, ...
a) sejam ... mantesse b) Ele tem dezesseis anos...
b) sejam ... mantém c) Eu queria que ele morresse logo, ...
c) sejam ... mantivessem d) ... com a crueldade adicional de dar esperança às fa-
d) seja ... mantivessem mílias.
e) seja ... mantêm e) E o inferno não atinge só os terminais.

Resposta: Letra C. Resposta: Letra A.


Completemos as lacunas e depois busquemos o item Em “a”: um câncer de boca horroroso = adjetivo
correspondente. A pegadinha aqui é a conjugação do Em “b”: Ele tem dezesseis anos = numeral
verbo “manter”, no presente do Subjuntivo (mantiver): Em “c”: Eu queria que ele morresse logo = advérbio
É comum que objetos sejam esquecidos em locais pú- Em “d”: com a crueldade adicional de dar esperança às
blicos. Mas muitos transtornos poderiam ser evitados se famílias = substantivo
as pessoas mantivessem a atenção voltada para seus Em “e”: E o inferno não atinge só os terminais = subs-
pertences, conservando-os junto ao corpo. tantivo

20. (PC-SP – ATENDENTE DE NECROTÉRIO POLI-


CIAL – VUNESP – 2013) Nas frases – Não vou mais à
escola!… – e – Hoje estão na moda os métodos audio- SINTAXE DA ORAÇÃO E DO PERÍODO.
visuais. – as palavras em destaque expressam, correta e
respectivamente, circunstâncias de
Frase, oração e período
a) dúvida e modo.
b) dúvida e tempo. 1. Sintaxe da Oração e do Período
c) modo e afirmação.
d) negação e lugar. Frase é todo enunciado suficiente por si mesmo para
e) negação e tempo. estabelecer comunicação. Normalmente é composta por
dois termos – o sujeito e o predicado – mas não obriga-
LÍNGUA PORTUGUESA

Resposta: Letra E. toriamente, pois há orações ou frases sem sujeito: Trove-


“não” – advérbio de negação / “hoje” – advérbio de jou muito ontem à noite.
tempo. Quanto aos tipos de frases, além da classificação em
verbais (possuem verbos, ou seja, são orações) e nomi-
nais (sem a presença de verbos), feita a partir de seus
elementos constituintes, elas podem ser classificadas a
partir de seu sentido global:

52
A) frases interrogativas = o emissor da mensagem A função do sujeito é basicamente desempenhada
formula uma pergunta: Que dia é hoje? por substantivos, o que a torna uma função substantiva
B) frases imperativas = o emissor dá uma ordem ou da oração. Pronomes, substantivos, numerais e quais-
faz um pedido: Dê-me uma luz! quer outras palavras substantivadas (derivação impró-
C) frases exclamativas = o emissor exterioriza um es- pria) também podem exercer a função de sujeito.
tado afetivo: Que dia abençoado! Os dois sumiram. (dois é numeral; no exemplo, subs-
D) frases declarativas = o emissor constata um fato: A tantivo)
prova será amanhã. Um sim é suave e sugestivo. (sim é advérbio; no exem-
plo: substantivo)
Quanto à estrutura da frase, as que possuem verbo
(oração) são estruturadas por dois elementos essenciais: Os sujeitos são classificados a partir de dois elemen-
sujeito e predicado. tos: o de determinação ou indeterminação e o de núcleo
O sujeito é o termo da frase que concorda com o ver- do sujeito.
bo em número e pessoa. É o “ser de quem se declara Um sujeito é determinado quando é facilmente
algo”, “o tema do que se vai comunicar”; o predicado é a identificado pela concordância verbal. O sujeito determi-
parte da frase que contém “a informação nova para o ou- nado pode ser simples ou composto.
vinte”, é o que “se fala do sujeito”. Ele se refere ao tema, A indeterminação do sujeito ocorre quando não é
constituindo a declaração do que se atribui ao sujeito. possível identificar claramente a que se refere a concor-
Quando o núcleo da declaração está no verbo (que dância verbal. Isso ocorre quando não se pode ou não
indique ação ou fenômeno da natureza, seja um verbo interessa indicar precisamente o sujeito de uma oração.
significativo), temos o predicado verbal. Mas, se o núcleo Estão gritando seu nome lá fora.
estiver em um nome (geralmente um adjetivo), teremos Trabalha-se demais neste lugar.
um predicado nominal (os verbos deste tipo de predica- O sujeito simples é o sujeito determinado que apre-
do são os que indicam estado, conhecidos como verbos senta um único núcleo, que pode estar no singular ou no
de ligação): plural; pode também ser um pronome indefinido. Abai-
O menino limpou a sala. = “limpou” é verbo de ação xo, sublinhei os núcleos dos sujeitos:
(predicado verbal) Nós estudaremos juntos.
A prova foi fácil. – “foi” é verbo de ligação (ser); o nú- A humanidade é frágil.
cleo é “fácil” (predicado nominal) Ninguém se move.
Quanto ao período, ele denomina a frase constituída O amar faz bem. (“amar” é verbo, mas aqui houve uma
por uma ou mais orações, formando um todo, com sen- derivação imprópria, tranformando-o em substantivo)
tido completo. O período pode ser simples ou composto. As crianças precisam de alimentos saudáveis.

Período simples é aquele constituído por apenas O sujeito composto é o sujeito determinado que
uma oração, que recebe o nome de oração absoluta. apresenta mais de um núcleo.
Chove. Alimentos e roupas custam caro.
A existência é frágil. Ela e eu sabemos o conteúdo.
Amanhã, à tarde, faremos a prova do concurso. O amar e o odiar são duas faces da mesma moeda.
Além desses dois sujeitos determinados, é comum a
Período composto é aquele constituído por duas ou referência ao sujeito implícito na desinência verbal (o
mais orações: “antigo” sujeito oculto [ou elíptico]), isto é, ao núcleo
Cantei, dancei e depois dormi. do sujeito que está implícito e que pode ser reconhecido
Quero que você estude mais. pela desinência verbal ou pelo contexto.
Abolimos todas as regras. = (nós)
1.1. Termos da Oração Falaste o recado à sala? = (tu)
Os verbos deste tipo de sujeito estão sempre na pri-
1.1.1 Termos essenciais meira pessoa do singular (eu) ou plural (nós) ou na se-
gunda do singular (tu) ou do plural (vós), desde que os
O sujeito e o predicado são considerados termos es- pronomes não estejam explícitos.
senciais da oração, ou seja, são termos indispensáveis Iremos à feira juntos? (= nós iremos) – sujeito implíci-
para a formação das orações. No entanto, existem ora- to na desinência verbal “-mos”
ções formadas exclusivamente pelo predicado. O que Cantais bem! (= vós cantais) - sujeito implícito na de-
define a oração é a presença do verbo. O sujeito é o ter- sinência verbal “-ais”
mo que estabelece concordância com o verbo.
LÍNGUA PORTUGUESA

O candidato está preparado. Mas:


Os candidatos estão preparados. Nós iremos à festa juntos? = sujeito simples: nós
Vós cantais bem! = sujeito simples: vós
Na primeira frase, o sujeito é “o candidato”. “Candida-
to” é a principal palavra do sujeito, sendo, por isso, deno- O sujeito indeterminado surge quando não se quer -
minada núcleo do sujeito. Este se relaciona com o verbo, ou não se pode - identificar a que o predicado da oração
estabelecendo a concordância (núcleo no singular, verbo refere-se. Existe uma referência imprecisa ao sujeito, caso
no singular: candidato = está). contrário, teríamos uma oração sem sujeito.

53
Na língua portuguesa, o sujeito pode ser indetermi- Predicado = passou-me pelo pensamento
nado de duas maneiras:
Para o estudo do predicado, é necessário verificar
A) com verbo na terceira pessoa do plural, desde que se seu núcleo é um nome (então teremos um predicado
o sujeito não tenha sido identificado anteriormen- nominal) ou um verbo (predicado verbal). Deve-se con-
te: siderar também se as palavras que formam o predicado
Bateram à porta; referem-se apenas ao verbo ou também ao sujeito da
Andam espalhando boatos a respeito da queda do mi- oração.
nistro. Os homens sensíveis pedem amor sincero às mulheres
de opinião.
Se o sujeito estiver identificado, poderá ser simples Predicado
ou composto:
Os meninos bateram à porta. (simples) O predicado acima apresenta apenas uma palavra
Os meninos e as meninas bateram à porta. (composto) que se refere ao sujeito: pedem. As demais palavras se
ligam direta ou indiretamente ao verbo.
B) com o verbo na terceira pessoa do singular, acres- A cidade está deserta.
cido do pronome “se”. Esta é uma construção típi- O nome “deserta”, por intermédio do verbo, refere-
ca dos verbos que não apresentam complemento -se ao sujeito da oração (cidade). O verbo atua como
direto: elemento de ligação (por isso verbo de ligação) entre o
Precisa-se de mentes criativas. sujeito e a palavra a ele relacionada (no caso: deserta =
Vivia-se bem naqueles tempos. predicativo do sujeito).
Trata-se de casos delicados.
Sempre se está sujeito a erros. O predicado verbal é aquele que tem como núcleo
significativo um verbo:
O pronome “se”, nestes casos, funciona como índice Chove muito nesta época do ano.
de indeterminação do sujeito. Estudei muito hoje!
Compraste a apostila?
As orações sem sujeito, formadas apenas pelo pre-
dicado, articulam-se a partir de um verbo impessoal. A Os verbos acima são significativos, isto é, não servem
mensagem está centrada no processo verbal. Os princi- apenas para indicar o estado do sujeito, mas indicam
pais casos de orações sem sujeito com: processos.
 os verbos que indicam fenômenos da natureza:
Amanheceu. O predicado nominal é aquele que tem como nú-
Está trovejando. cleo significativo um nome; este atribui uma qualidade
ou estado ao sujeito, por isso é chamado de predicativo
 os verbos estar, fazer, haver e ser, quando indicam do sujeito. O predicativo é um nome que se liga a ou-
fenômenos meteorológicos ou se relacionam ao tro nome da oração por meio de um verbo (o verbo de
tempo em geral: ligação).
Está tarde. Nos predicados nominais, o verbo não é significativo,
Já são dez horas. isto é, não indica um processo, mas une o sujeito ao pre-
Faz frio nesta época do ano. dicativo, indicando circunstâncias referentes ao estado
Há muitos concursos com inscrições abertas. do sujeito: Os dados parecem corretos.
O verbo parecer poderia ser substituído por estar, an-
Predicado é o conjunto de enunciados que contém a dar, ficar, ser, permanecer ou continuar, atuando como
informação sobre o sujeito – ou nova para o ouvinte. Nas elemento de ligação entre o sujeito e as palavras a ele
orações sem sujeito, o predicado simplesmente enuncia relacionadas.
um fato qualquer. Nas orações com sujeito, o predicado A função de predicativo é exercida, normalmente,
é aquilo que se declara a respeito deste sujeito. Com ex- por um adjetivo ou substantivo.
ceção do vocativo - que é um termo à parte - tudo o que
difere do sujeito numa oração é o seu predicado. O predicado verbo-nominal é aquele que apresen-
Chove muito nesta época do ano. ta dois núcleos significativos: um verbo e um nome. No
Houve problemas na reunião. predicado verbo-nominal, o predicativo pode se referir
ao sujeito ou ao complemento verbal (objeto).
Em ambas as orações não há sujeito, apenas predi-
cado. Na segunda oração, “problemas” funciona como O verbo do predicado verbo-nominal é sempre sig-
LÍNGUA PORTUGUESA

objeto direto. nificativo, indicando processos. É também sempre por


As questões estavam fáceis! intermédio do verbo que o predicativo se relaciona com
Sujeito simples = as questões o termo a que se refere.
Predicado = estavam fáceis O dia amanheceu ensolarado;
As mulheres julgam os homens inconstantes.
Passou-me uma ideia estranha pelo pensamento.
Sujeito = uma ideia estranha

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No primeiro exemplo, o verbo amanheceu apresenta A arte é necessária à vida. = relaciona-se com a pala-
duas funções: a de verbo significativo e a de verbo de vra “necessária”
ligação. Este predicado poderia ser desdobrado em dois: Temos medo de barata. = ligada à palavra “medo”
um verbal e outro nominal.
O dia amanheceu. / O dia estava ensolarado. 1.3 Termos acessórios da oração e vocativo

No segundo exemplo, é o verbo julgar que relaciona Os termos acessórios recebem este nome por serem
o complemento homens com o predicativo “inconstan- explicativos, circunstanciais. São termos acessórios o ad-
tes”. junto adverbial, o adjunto adnominal, o aposto e o voca-
tivo – este, sem relação sintática com outros temos da
1.2 Termos integrantes da oração oração.

Os complementos verbais (objeto direto e indireto) e o O adjunto adverbial é o termo da oração que indi-
complemento nominal são chamados termos integrantes ca uma circunstância do processo verbal ou intensifica o
da oração. sentido de um adjetivo, verbo ou advérbio. É uma função
adverbial, pois cabe ao advérbio e às locuções adverbiais
Os complementos verbais integram o sentido dos exercerem o papel de adjunto adverbial: Amanhã voltarei
verbos transitivos, com eles formando unidades signi- a pé àquela velha praça.
ficativas. Estes verbos podem se relacionar com seus
complementos diretamente, sem a presença de prepo- O adjunto adnominal é o termo acessório que de-
sição, ou indiretamente, por intermédio de preposição. termina, especifica ou explica um substantivo. É uma fun-
O objeto direto é o complemento que se liga dire- ção adjetiva, pois são os adjetivos e as locuções adjetivas
tamente ao verbo. que exercem o papel de adjunto adnominal na oração.
Houve muita confusão na partida final. Também atuam como adjuntos adnominais os artigos, os
Queremos sua ajuda.
numerais e os pronomes adjetivos.
O poeta inovador enviou dois longos trabalhos ao seu
O objeto direto preposicionado ocorre principal-
amigo de infância.
mente:
A) com nomes próprios de pessoas ou nomes co-
O adjunto adnominal se liga diretamente ao subs-
muns referentes a pessoas:
tantivo a que se refere, sem participação do verbo. Já o
Amar a Deus; Adorar a Xangô; Estimar aos pais.
predicativo do objeto se liga ao objeto por meio de um
(o objeto é direto, mas como há preposição, denomi-
na-se: objeto direto preposicionado) verbo.
O poeta português deixou uma obra originalíssima.
B) com pronomes indefinidos de pessoa e pronomes O poeta deixou-a.
de tratamento: Não excluo a ninguém; Não quero (originalíssima não precisou ser repetida, portanto:
cansar a Vossa Senhoria. adjunto adnominal)
C) para evitar ambiguidade: Ao povo prejudica a crise. O poeta português deixou uma obra inacabada.
(sem preposição, o sentido seria outro: O povo prejudica O poeta deixou-a inacabada.
a crise) (inacabada precisou ser repetida, então: predicativo
O objeto indireto é o complemento que se liga indi- do objeto)
retamente ao verbo, ou seja, através de uma preposição.
Gosto de música popular brasileira. Enquanto o complemento nominal se relaciona a um
Necessito de ajuda. substantivo, adjetivo ou advérbio, o adjunto nominal se
relaciona apenas ao substantivo.
1.2.1 Objeto Pleonástico O aposto é um termo acessório que permite ampliar,
explicar, desenvolver ou resumir a ideia contida em um
É a repetição de objetos, tanto diretos como indiretos. termo que exerça qualquer função sintática: Ontem, se-
Normalmente, as frases em que ocorrem objetos gunda-feira, passei o dia mal-humorado.
pleonásticos obedecem à estrutura: primeiro aparece o
objeto, antecipado para o início da oração; em seguida, Segunda-feira é aposto do adjunto adverbial de tem-
ele é repetido através de um pronome oblíquo. É à repe- po “ontem”. O aposto é sintaticamente equivalente ao
tição que se dá o nome de objeto pleonástico. termo que se relaciona porque poderia substituí-lo: Se-
“Aos fracos, não os posso proteger, jamais.” (Gonçal- gunda-feira passei o dia mal-humorado.
ves Dias) O aposto pode ser classificado, de acordo com seu
LÍNGUA PORTUGUESA

valor na oração, em:


objeto pleonástico A) explicativo: A linguística, ciência das línguas hu-
manas, permite-nos interpretar melhor nossa rela-
Ao traidor, nada lhe devemos. ção com o mundo.
B) enumerativo: A vida humana compõe-se de muitas
O termo que integra o sentido de um nome chama-se coisas: amor, arte, ação.
complemento nominal, que se liga ao nome que com- C) resumidor ou recapitulativo: Fantasias, suor e so-
pleta por intermédio de preposição: nho, tudo forma o carnaval.

55
D) comparativo: Seus olhos, indagadores holofotes, fi-  Orações Coordenadas Sindéticas Aditivas:
xaram-se por muito tempo na baía anoitecida. suas principais conjunções são: e, nem, não só... mas tam-
bém, não só... como, assim... como.
O vocativo é um termo que serve para chamar, in- Nem comprei o protetor solar nem fui à praia.
vocar ou interpelar um ouvinte real ou hipotético, não Comprei o protetor solar e fui à praia.
mantendo relação sintática com outro termo da oração.
A função de vocativo é substantiva, cabendo a substan-  Orações Coordenadas Sindéticas Adversativas:
tivos, pronomes substantivos, numerais e palavras subs- suas principais conjunções são: mas, contudo, to-
tantivadas esse papel na linguagem. davia, entretanto, porém, no entanto, ainda, assim,
João, venha comigo! senão.
Traga-me doces, minha menina! Fiquei muito cansada, contudo me diverti bastante.
Li tudo, porém não entendi!
1.4 Períodos Compostos
1.4.1 Período Composto por Coordenação  Orações Coordenadas Sindéticas Alternativas:
suas principais conjunções são: ou... ou; ora...ora;
O período composto se caracteriza por possuir mais quer...quer; seja...seja.
de uma oração em sua composição. Sendo assim: Ou uso o protetor solar, ou uso o óleo bronzeador.
Eu irei à praia. (Período Simples = um verbo, uma
oração)  Orações Coordenadas Sindéticas Conclusivas:
Estou comprando um protetor solar, depois irei à suas principais conjunções são: logo, portanto, por
praia. (Período Composto =locução verbal + verbo, duas fim, por conseguinte, consequentemente, pois (pos-
orações) posto ao verbo).
Já me decidi: só irei à praia, se antes eu comprar Passei no concurso, portanto comemorarei!
um protetor solar. (Período Composto = três verbos, três A situação é delicada; devemos, pois, agir.
orações).
 Orações Coordenadas Sindéticas Explicativas:
Há dois tipos de relações que podem se estabelecer suas principais conjunções são: isto é, ou seja, a sa-
entre as orações de um período composto: uma relação ber, na verdade, pois (anteposto ao verbo).
de coordenação ou uma relação de subordinação. Não fui à praia, pois queria descansar durante o Do-
Duas orações são coordenadas quando estão juntas mingo.
em um mesmo período, (ou seja, em um mesmo bloco Maria chorou porque seus olhos estão vermelhos.
de informações, marcado pela pontuação final), mas têm,
ambas, estruturas individuais, como é o exemplo de: 1.4.2 Período Composto Por Subordinação
Estou comprando um protetor solar, depois irei à praia.
(Período Composto) Quero que você seja aprovado!
Podemos dizer: Oração principal oração subordinada
1. Estou comprando um protetor solar. Observe que na oração subordinada temos o verbo
2. Irei à praia. “seja”, que está conjugado na terceira pessoa do singular
do presente do subjuntivo, além de ser introduzida por
Separando as duas, vemos que elas são independen- conjunção. As orações subordinadas que apresentam ver-
tes. Tal período é classificado como Período Composto bo em qualquer dos tempos finitos (tempos do modo do
por Coordenação. indicativo, subjuntivo e imperativo) e são iniciadas por con-
Quanto à classificação das orações coordenadas, te- junção, chamam-se orações desenvolvidas ou explícitas.
mos dois tipos: Coordenadas Assindéticas e Coordenadas
Sindéticas. Podemos modificar o período acima. Veja:
Quero ser aprovado.
A) Coordenadas Assindéticas Oração Principal Oração Subordinada
São orações coordenadas entre si e que não são li-
gadas através de nenhum conectivo. Estão apenas jus- A análise das orações continua sendo a mesma: “Que-
tapostas. ro” é a oração principal, cujo objeto direto é a oração
Entrei na sala, deitei-me no sofá, adormeci. subordinada “ser aprovado”. Observe que a oração su-
bordinada apresenta agora verbo no infinitivo (ser). Além
B) Coordenadas Sindéticas disso, a conjunção “que”, conectivo que unia as duas ora-
Ao contrário da anterior, são orações coordenadas ções, desapareceu. As orações subordinadas cujo verbo
entre si, mas que são ligadas através de uma conjunção surge numa das formas nominais (infinitivo, gerúndio ou
LÍNGUA PORTUGUESA

coordenativa, que dará à oração uma classificação. As particípio) são chamadas de orações reduzidas ou implí-
orações coordenadas sindéticas são classificadas em cin- citas (como no exemplo acima).
co tipos: aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas e
explicativas. Observação:
As orações reduzidas não são introduzidas por con-
Dica: Memorize SINdética = SIM, tem conjunção! junções nem pronomes relativos. Podem ser, eventual-
mente, introduzidas por preposição.

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A) Orações Subordinadas Substantivas Observação:
A oração subordinada substantiva tem valor de subs- Quando a oração subordinada substantiva é subjeti-
tantivo e vem introduzida, geralmente, por conjunção in- va, o verbo da oração principal está sempre na 3.ª pessoa
tegrante (que, se). do singular.

Não sei se sairemos hoje. 2. Objetiva Direta = exerce função de objeto direto
Oração Subordinada Substantiva do verbo da oração principal:
Todos querem sua aprovação no concurso.
Temos medo de que não sejamos aprovados. Objeto Direto
Oração Subordinada Substantiva
Todos querem que você seja aprovado. (Todos
Os pronomes interrogativos (que, quem, qual) tam- querem isso)
bém introduzem as orações subordinadas substantivas, Oração Principal Oração Subordinada Substanti-
bem como os advérbios interrogativos (por que, quando, va Objetiva Direta
onde, como). As orações subordinadas substantivas objetivas dire-
tas (desenvolvidas) são iniciadas por:
O garoto perguntou qual seu nome.  Conjunções integrantes “que” (às vezes elíptica)
Oração Subordinada Substantiva e “se”: A professora verificou se os alunos estavam
presentes.
Não sabemos quando ele virá.  Pronomes indefinidos que, quem, qual, quanto (às
Oração Subordinada Substantiva vezes regidos de preposição), nas interrogações
indiretas: O pessoal queria saber quem era o dono
1.4.3 Classificação das Orações Subordinadas do carro importado.
Substantivas  Advérbios como, quando, onde, por que, quão (às
vezes regidos de preposição), nas interrogações
indiretas: Eu não sei por que ela fez isso.
Conforme a função que exerce no período, a oração
subordinada substantiva pode ser:
3. Objetiva Indireta = atua como objeto indireto do
1. Subjetiva - exerce a função sintática de sujeito do
verbo da oração principal. Vem precedida de preposição.
verbo da oração principal:
É fundamental o seu comparecimento à reunião.
Meu pai insiste em meu estudo.
Sujeito
Objeto Indireto

É fundamental que você compareça à reunião. Meu pai insiste em que eu estude. (= Meu pai
Oração Principal Oração Subordinada Substan- insiste nisso)
tiva Subjetiva Oração Subordinada Substantiva
Objetiva Indireta
Observação:
FIQUE ATENTO! Em alguns casos, a preposição pode estar elíptica na
Observe que a oração subordinada subs- oração.
tantiva pode ser substituída pelo pronome Marta não gosta (de) que a chamem de senhora.
“isso”. Assim, temos um período simples: Oração Subordinada Subs-
É fundamental isso ou Isso é fun- tantiva Objetiva Indireta
damental.
Desta forma, a oração correspondente a 4. Completiva Nominal = completa um nome que
“isso” exercerá a função de sujeito. pertence à oração principal e também vem marcada por
preposição.
Sentimos orgulho de seu comportamento.
Veja algumas estruturas típicas que ocorrem na ora- Complemento Nominal
ção principal:
 Verbos de ligação + predicativo, em constru- Sentimos orgulho de que você se comportou. (=
ções do tipo: É bom - É útil - É conveniente - É certo - Pa- Sentimos orgulho disso.)
rece certo - É claro - Está evidente - Está comprovado Oração Subordinada Substantiva
É bom que você compareça à minha festa. Completiva Nominal
LÍNGUA PORTUGUESA

 Expressões na voz passiva, como: Sabe-se, As orações subordinadas substantivas objetivas in-
Soube-se, Conta-se, Diz-se, Comenta-se, É sabido, Foi diretas integram o sentido de um verbo, enquanto que
anunciado, Ficou provado. orações subordinadas substantivas completivas nominais
Sabe-se que Aline não gosta de Pedro. integram o sentido de um nome. Para distinguir uma da
outra, é necessário levar em conta o termo complemen-
 Verbos como: convir - cumprir - constar - admi- tado. Esta é a diferença entre o objeto indireto e o com-
rar - importar - ocorrer - acontecer plemento nominal: o primeiro complementa um verbo; o
Convém que não se atrase na entrevista. segundo, um nome.

57
5. Predicativa = exerce papel de predicativo do su- Forma das Orações Subordinadas Adjetivas
jeito do verbo da oração principal e vem sempre depois
do verbo ser. Quando são introduzidas por um pronome relativo e
Nosso desejo era sua desistência. apresentam verbo no modo indicativo ou subjuntivo, as
Predicativo do Sujeito orações subordinadas adjetivas são chamadas desenvol-
vidas. Além delas, existem as orações subordinadas ad-
Nosso desejo era que ele desistisse. (= Nosso desejo jetivas reduzidas, que não são introduzidas por pronome
era isso) relativo (podem ser introduzidas por preposição) e apre-
Oração Subordinada Substantiva sentam o verbo numa das formas nominais (infinitivo,
Predicativa gerúndio ou particípio).
Ele foi o primeiro aluno que se apresentou.
6. Apositiva = exerce função de aposto de algum ter- Ele foi o primeiro aluno a se apresentar.
mo da oração principal.
Fernanda tinha um grande sonho: a felicidade! No primeiro período, há uma oração subordinada ad-
Aposto jetiva desenvolvida, já que é introduzida pelo pronome
Fernanda tinha um grande sonho: ser feliz! relativo “que” e apresenta verbo conjugado no pretérito
Oração subordinada perfeito do indicativo. No segundo, há uma oração su-
substantiva apositiva reduzida de infinitivo bordinada adjetiva reduzida de infinitivo: não há prono-
me relativo e seu verbo está no infinitivo.
(Fernanda tinha um grande sonho: isso)
1. Classificação das Orações Subordinadas Adjeti-
Dica: geralmente há a presença dos dois pontos! ( : ) vas

B) Orações Subordinadas Adjetivas Na relação que estabelecem com o termo que carac-
Uma oração subordinada adjetiva é aquela que pos- terizam, as orações subordinadas adjetivas podem atuar
sui valor e função de adjetivo, ou seja, que a ele equiva- de duas maneiras diferentes. Há aquelas que restringem
le. As orações vêm introduzidas por pronome relativo e ou especificam o sentido do termo a que se referem, in-
exercem a função de adjunto adnominal do antecedente. dividualizando-o. Nestas orações não há marcação de
Esta foi uma redação bem-sucedida. pausa, sendo chamadas subordinadas adjetivas restriti-
Substantivo Adjetivo (Adjunto Adno- vas. Existem também orações que realçam um detalhe ou
minal) amplificam dados sobre o antecedente, que já se encon-
tra suficientemente definido. Estas orações denominam-
O substantivo “redação” foi caracterizado pelo adje- -se subordinadas adjetivas explicativas.
tivo “bem-sucedida”. Neste caso, é possível formarmos Exemplo 1:
outra construção, a qual exerce exatamente o mesmo Jamais teria chegado aqui, não fosse um homem que
papel: passava naquele momento.
Esta foi uma redação que fez sucesso. Oração Subordinada Adjetiva Restritiva
Oração Principal Oração Subordinada
Adjetiva No período acima, observe que a oração em desta-
que restringe e particulariza o sentido da palavra “ho-
Perceba que a conexão entre a oração subordinada mem”: trata-se de um homem específico, único. A oração
adjetiva e o termo da oração principal que ela modifica é limita o universo de homens, isto é, não se refere a todos
feita pelo pronome relativo “que”. Além de conectar (ou os homens, mas sim àquele que estava passando naque-
relacionar) duas orações, o pronome relativo desempe- le momento.
nha uma função sintática na oração subordinada: ocupa Exemplo 2:
o papel que seria exercido pelo termo que o antecede
(no caso, “redação” é sujeito, então o “que” também fun- O homem, que se considera racional, muitas vezes
ciona como sujeito). age animalescamente.
Oração Subordinada Adjetiva Explicativa

FIQUE ATENTO! Agora, a oração em destaque não tem sentido restri-


tivo em relação à palavra “homem”; na verdade, apenas
Vale lembrar um recurso didático para reco- explicita uma ideia que já sabemos estar contida no con-
nhecer o pronome relativo “que”: ele sem- ceito de “homem”.
pre pode ser substituído por: o qual - a qual
LÍNGUA PORTUGUESA

- os quais - as quais Saiba que:


Refiro-me ao aluno que é estudioso. = Esta A oração subordinada adjetiva explicativa é separa-
oração é equivalente a: Refiro-me ao aluno da da oração principal por uma pausa que, na escrita,
o qual estuda. é representada pela vírgula. É comum, por isso, que a
pontuação seja indicada como forma de diferenciar as
orações explicativas das restritivas; de fato, as explicati-
vas vêm sempre isoladas por vírgulas; as restritivas, não.

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C) Orações Subordinadas Adverbiais A diferença entre a subordinada adverbial causal e a
Uma oração subordinada adverbial é aquela que sindética explicativa é que esta “explica” o fato que acon-
exerce a função de adjunto adverbial do verbo da ora- teceu na oração com a qual ela se relaciona; aquela apre-
ção principal. Assim, pode exprimir circunstância de tem- senta a “causa” do acontecimento expresso na oração à
po, modo, fim, causa, condição, hipótese, etc. Quando qual ela se subordina. Repare:
desenvolvida, vem introduzida por uma das conjunções 1. Faltei à aula porque estava doente.
subordinativas (com exclusão das integrantes, que intro- 2. Melissa chorou, porque seus olhos estão vermelhos.
duzem orações subordinadas substantivas). Classifica-se Em 1, a oração destacada aconteceu primeiro (causa)
de acordo com a conjunção ou locução conjuntiva que que o fato expresso na oração anterior, ou seja, o
a introduz (assim como acontece com as coordenadas fato de estar doente impediu-me de ir à aula. No
sindéticas). exemplo 2, a oração sublinhada relata um fato que
aconteceu depois, já que primeiro ela chorou, de-
Durante a madrugada, eu olhei você dormindo. pois seus olhos ficaram vermelhos.
Oração Subordinada Adverbial
B) Consecutiva = exprime um fato que é consequên-
A oração em destaque agrega uma circunstância de cia, é efeito do que se declara na oração principal.
tempo. É, portanto, chamada de oração subordinada São introduzidas pelas conjunções e locuções: que,
adverbial temporal. Os adjuntos adverbiais são termos de forma que, de sorte que, tanto que, etc., e pelas
acessórios que indicam uma circunstância referente, via estruturas tão...que, tanto...que, tamanho...que.
de regra, a um verbo. A classificação do adjunto adver- Principal conjunção subordinativa consecutiva: que
bial depende da exata compreensão da circunstância que (precedido de tal, tanto, tão, tamanho)
exprime. Nunca abandonou seus ideais, de sorte que acabou
Naquele momento, senti uma das maiores emoções de concretizando-os.
minha vida. Não consigo ver televisão sem bocejar. (Oração Redu-
Quando vi o mar, senti uma das maiores emoções de zida de Infinitivo)
minha vida.
C) Condicional = Condição é aquilo que se impõe
No primeiro período, “naquele momento” é um ad- como necessário para a realização ou não de um
junto adverbial de tempo, que modifica a forma verbal fato. As orações subordinadas adverbiais condicio-
“senti”. No segundo período, este papel é exercido pela nais exprimem o que deve ou não ocorrer para que
oração “Quando vi o mar”, que é, portanto, uma oração se realize - ou deixe de se realizar - o fato expresso
subordinada adverbial temporal. Esta oração é desenvol- na oração principal.
vida, pois é introduzida por uma conjunção subordina- Principal conjunção subordinativa condicional: se.
tiva (quando) e apresenta uma forma verbal do modo Outras conjunções condicionais: caso, contanto que, des-
indicativo (“vi”, do pretérito perfeito do indicativo). Seria de que, salvo se, exceto se, a não ser que, a menos que,
possível reduzi-la, obtendo-se: sem que, uma vez que (seguida de verbo no subjuntivo).
Ao ver o mar, senti uma das maiores emoções de mi- Se o regulamento do campeonato for bem elaborado,
nha vida. certamente o melhor time será campeão.
A oração em destaque é reduzida, apresentando uma Caso você saia, convide-me.
das formas nominais do verbo (“ver” no infinitivo) e não
é introduzida por conjunção subordinativa, mas sim por D) Concessiva = indica concessão às ações do verbo
uma preposição (“a”, combinada com o artigo “o”). da oração principal, isto é, admitem uma contradi-
ção ou um fato inesperado. A ideia de concessão
Observação: está diretamente ligada ao contraste, à quebra de
A classificação das orações subordinadas adverbiais expectativa. Principal conjunção subordinativa con-
é feita do mesmo modo que a classificação dos adjun- cessiva: embora. Utiliza-se também a conjunção:
tos adverbiais. Baseia-se na circunstância expressa pela conquanto e as locuções ainda que, ainda quando,
oração. mesmo que, se bem que, posto que, apesar de que.
Só irei se ele for.
2. Classificação das Orações Subordinadas Adver- A oração acima expressa uma condição: o fato de
biais “eu” ir só se realizará caso essa condição seja satisfeita.
Compare agora com:
A) Causal = A ideia de causa está diretamente ligada Irei mesmo que ele não vá.
àquilo que provoca um determinado fato, ao motivo do
LÍNGUA PORTUGUESA

que se declara na oração principal. Principal conjunção A distinção fica nítida; temos agora uma concessão:
subordinativa causal: porque. Outras conjunções e locu- irei de qualquer maneira, independentemente de sua ida.
ções causais: como (sempre introduzido na oração ante- A oração destacada é, portanto, subordinada adverbial
posta à oração principal), pois, pois que, já que, uma vez concessiva.
que, visto que. Observe outros exemplos:
As ruas ficaram alagadas porque a chuva foi muito Embora fizesse calor, levei agasalho.
forte. Foi aprovado sem estudar (= sem que estudasse / em-
Já que você não vai, eu também não vou. bora não estudasse). (reduzida de infinitivo)

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E) Comparativa= As orações subordinadas adver- Para classificá-las, precisamos imaginar como seriam
biais comparativas estabelecem uma comparação “desenvolvidas” – como no exemplo acima.
com a ação indicada pelo verbo da oração princi- É preciso estudar = oração subordinada substantiva
pal. Principal conjunção subordinativa comparati- subjetiva reduzida de infinitivo
va: como. É preciso que se estude = oração subordinada subs-
Ele dorme como um urso. (como um urso dorme) tantiva subjetiva
Você age como criança. (age como uma criança age)
4. Orações Intercaladas
• geralmente há omissão do verbo.
São orações independentes encaixadas na sequên-
F) Conformativa = indica ideia de conformidade, ou cia do período, utilizadas para um esclarecimento, um
seja, apresenta uma regra, um modelo adotado aparte, uma citação. Elas vêm separadas por vírgulas ou
para a execução do que se declara na oração prin- travessões.
cipal. Principal conjunção subordinativa conforma- Nós – continuava o relator – já abordamos este as-
tiva: conforme. Outras conjunções conformativas: sunto.
como, consoante e segundo (todas com o mesmo
valor de conforme). REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
Fiz o bolo conforme ensina a receita. SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Consoante reza a Constituição, todos os cidadãos têm Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
direitos iguais. CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura,
Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira
G) Final = indica a intenção, a finalidade daquilo que Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição –
se declara na oração principal. Principal conjunção São Paulo: Saraiva, 2002.
subordinativa final: a fim de. Outras conjunções
finais: que, porque (= para que) e a locução con- SITE
juntiva para que. http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/
Aproximei-me dela a fim de que ficássemos amigas. frase-periodo-e-oracao
Estudarei muito para que eu me saia bem na prova.
H) Proporcional = exprime ideia de proporção, ou
seja, um fato simultâneo ao expresso na oração
principal. Principal locução conjuntiva subordina- EXERCÍCIOS COMENTADOS
tiva proporcional: à proporção que. Outras locu-
ções conjuntivas proporcionais: à medida que, ao
1. (CNJ – TÉCNICO JUDICIÁRIO – CESPE – 2013 –
passo que. Há ainda as estruturas: quanto maior...
ADAPTADA) Jogadores de futebol de diversos times en-
(maior), quanto maior...(menor), quanto menor...
traram em campo em prol do programa “Pai Presente”,
(maior), quanto menor...(menor), quanto mais...
(mais), quanto mais...(menos), quanto menos... nos jogos do Campeonato Nacional em apoio à campanha
(mais), quanto menos...(menos). que visa reduzir o número de pessoas que não possuem o
À proporção que estudávamos mais questões acertá- nome do pai em sua certidão de nascimento. (...)
vamos. A oração subordinada “que não possuem o nome do pai
À medida que lia mais culto ficava. em sua certidão de nascimento” não é antecedida por vír-
gula porque tem natureza restritiva.
I) Temporal = acrescenta uma ideia de tempo ao
fato expresso na oração principal, podendo expri- ( ) CERTO ( ) ERRADO
mir noções de simultaneidade, anterioridade ou
posterioridade. Principal conjunção subordinativa Resposta: Certo. A oração restringe o grupo que par-
temporal: quando. Outras conjunções subordina- ticipará da campanha (apenas os que não têm o nome
tivas temporais: enquanto, mal e locuções conjun- do pai na certidão de nascimento). Se colocarmos uma
tivas: assim que, logo que, todas as vezes que, antes vírgula, a oração se tornará “explicativa”, generalizan-
que, depois que, sempre que, desde que, etc. do a informação, o que dará a entender que TODAS as
Assim que Paulo chegou, a reunião acabou. pessoas não têm o nome do pai na certidão.
Terminada a festa, todos se retiraram. (= Quando ter-
minou a festa) (Oração Reduzida de Particípio) 2. (INSTITUTO RIO BRANCO – ADMISSÃO À CAR-
REIRA DE DIPLOMATA – CESPE – 2014 – ADAPTA-
3. Orações Reduzidas DA)
LÍNGUA PORTUGUESA

As orações subordinadas podem vir expressas como A crônica não é um “gênero maior”. Não se imagina uma
reduzidas, ou seja, com o verbo em uma de suas formas literatura feita de grandes cronistas, que lhe dessem o
nominais (infinitivo, gerúndio ou particípio) e sem co- brilho universal dos grandes romancistas, dramaturgos
nectivo subordinativo que as introduza. e poetas. Nem se pensaria em atribuir o Prêmio Nobel a
É preciso estudar! = reduzida de infinitivo um cronista, por melhor que fosse. Portanto, parece mes-
É preciso que se estude = oração desenvolvida (pre- mo que a crônica é um gênero menor.
sença do conectivo)

60
“Graças a Deus”, seria o caso de dizer, porque, sendo as- B) Ponto e Vírgula (;)
sim, ela fica mais perto de nós. E para muitos pode servir
de caminho não apenas para a vida, que ela serve de  Separa várias partes do discurso, que têm a mes-
perto, mas para a literatura. Por meio dos assuntos, da ma importância: “Os pobres dão pelo pão o traba-
composição solta, do ar de coisa sem necessidade que lho; os ricos dão pelo pão a fazenda; os de espíritos
costuma assumir, ela se ajusta à sensibilidade de todo generosos dão pelo pão a vida; os de nenhum espí-
dia. Principalmente porque elabora uma linguagem que rito dão pelo pão a alma...” (VIEIRA)
fala de perto ao nosso modo de ser mais natural. Na sua  Separa partes de frases que já estão separadas por
despretensão, humaniza; e esta humanização lhe permi- vírgulas: Alguns quiseram verão, praia e calor; ou-
te, como compensação sorrateira, recuperar com a outra tros, montanhas, frio e cobertor.
mão certa profundidade de significado e certo acaba-  Separa itens de uma enumeração, exposição de
mento de forma, que de repente podem fazer dela uma motivos, decreto de lei, etc.
inesperada, embora discreta, candidata à perfeição. Ir ao supermercado;
Antonio Candido. A vida ao rés do chão. In: Recortes. São Paulo: Pegar as crianças na escola;
Companhia das Letras, 1993, p. 23 (com adaptações). Caminhada na praia;
Reunião com amigos.
As formas verbais “imagina” (R.1), “atribuir” (R.4) e “servir”
(R.8) foram utilizadas como verbos transitivos indiretos. C) Dois pontos (:)
 Antes de uma citação = Vejamos como Afrânio
( ) CERTO ( ) ERRADO Coutinho trata este assunto:
 Antes de um aposto = Três coisas não me agra-
Resposta: Errado. dam: chuva pela manhã, frio à tarde e calor à noite.
imagina uma literatura = transitivo direto  Antes de uma explicação ou esclarecimento: Lá es-
atribuir o Prêmio Nobel a um cronista = bitransitivo tava a deplorável família: triste, cabisbaixa, vivendo
(transitivo direto e indireto) a rotina de sempre.
pode servir de caminho = intransitivo  Em frases de estilo direto
Maria perguntou:
- Por que você não toma uma decisão?
PONTUAÇÃO.
D) Ponto de Exclamação (!)
 Usa-se para indicar entonação de surpresa, cólera,
Os sinais de pontuação são marcações gráficas que susto, súplica, etc.: Sim! Claro que eu quero me casar
servem para compor a coesão e a coerência textual, além com você!
de ressaltar especificidades semânticas e pragmáticas.  Depois de interjeições ou vocativos
Um texto escrito adquire diferentes significados quando Ai! Que susto!
pontuado de formas diversificadas. O uso da pontuação João! Há quanto tempo!
depende, em certos momentos, da intenção do autor do
discurso. Assim, os sinais de pontuação estão diretamen- E) Ponto de Interrogação (?)
te relacionados ao contexto e ao interlocutor.  Usa-se nas interrogações diretas e indiretas livres.
“- Então? Que é isso? Desertaram ambos?” (Artur Azevedo)
1. Principais funções dos sinais de pontuação
F) Reticências (...)
A) Ponto (.)  Indica que palavras foram suprimidas: Comprei lá-
 Indica o término do discurso ou de parte dele, en- pis, canetas, cadernos...
cerrando o período.  Indica interrupção violenta da frase: “- Não... quero
 Usa-se nas abreviaturas: pág. (página), Cia. (Com- dizer... é verdad... Ah!”
panhia). Se a palavra abreviada aparecer em final  Indica interrupções de hesitação ou dúvida: Este
de período, este não receberá outro ponto; neste mal... pega doutor?
caso, o ponto de abreviatura marca, também, o fim  Indica que o sentido vai além do que foi dito: Deixa,
de período. Exemplo: Estudei português, matemári- depois, o coração falar...
ca, constitucional, etc. (e não “etc..”)
 Nos títulos e cabeçalhos é opcional o emprego do G) Vírgula (,)
ponto, assim como após o nome do autor de uma
citação: Não se usa vírgula
LÍNGUA PORTUGUESA

Haverá eleições em outubro Separando termos que, do ponto de vista sintático, li-
O culto do vernáculo faz parte do brio cívico. (Napo- gam-se diretamente entre si:
leão Mendes de Almeida) (ou: Almeida.)
 Os números que identificam o ano não utili- 1. Entre sujeito e predicado:
zam ponto nem devem ter espaço a separá-los, Todos os alunos da sala foram advertidos.
bem como os números de CEP: 1975, 2014, 2006, Sujeito predicado
17600-250.

61
2. Entre o verbo e seus objetos: SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
O trabalho custou sacrifício aos Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
realizadores.
V.T.D.I. O.D. O.I. SITE
http://www.infoescola.com/portugues/pontuacao/
Usa-se a vírgula: http://www.brasilescola.com/gramatica/uso-da-virgu-
la.htm
1. Para marcar intercalação:
A) do adjunto adverbial: O café, em razão da sua abun-
dância, vem caindo de preço.
B) da conjunção: Os cerrados são secos e áridos. Estão EXERCÍCIOS COMENTADOS
produzindo, todavia, altas quantidades de alimentos.
C) das expressões explicativas ou corretivas: As indús- 1. (STJ – CONHECIMENTOS BÁSICOS PARA O CAR-
trias não querem abrir mão de suas vantagens, isto é, GO 1 – CESPE – 2018 – ADAPTADA)
não querem abrir mão dos lucros altos.
Texto CB1A1CCC
2. Para marcar inversão:
A) do adjunto adverbial (colocado no início da oração): As audiências de segunda a sexta-feira muitas vezes re-
Depois das sete horas, todo o comércio está de portas velaram o lado mais sórdido da natureza humana. Eram
fechadas. relatos de sofrimento, dor, angústia que se transporta-
B) dos objetos pleonásticos antepostos ao verbo: Aos vam da cadeira das vítimas, testemunhas e réus para mi-
pesquisadores, não lhes destinaram verba alguma. nha cadeira de juíza. A toga não me blindou daqueles re-
C) do nome de lugar anteposto às datas: Recife, 15 de latos sofridos, aflitos. As angústias dos que se sentavam
maio de 1982. à minha frente, por diversas vezes, me escoltaram até
minha casa e passaram a ser companheiras de noites de
3. Para separar entre si elementos coordenados insônia. Não havia outra solução a não ser escrever. Era
(dispostos em enumeração):
preciso colocar no papel e compartilhar a dor daquelas
Era um garoto de 15 anos, alto, magro.
pessoas que, mesmo ao fim do processo e com a senten-
A ventania levou árvores, e telhados, e pontes, e ani-
ça prolatada, não me deixavam esquecê-las.
mais.
Foram horas, dias, meses, anos de oitivas de mães, filhas,
4. Para marcar elipse (omissão) do verbo: Nós que-
esposas, namoradas, companheiras, todas tendo em co-
remos comer pizza; e vocês, churrasco.
mum a violência no corpo e na alma sofrida dentro de
casa. O lar, que deveria ser o lugar mais seguro para es-
5. Para isolar:
A) o aposto: São Paulo, considerada a metrópole brasi- sas mulheres, havia se transformado no pior dos mundos.
leira, possui um trânsito caótico. Quando finalmente chegavam ao Judiciário e se sen-
B) o vocativo: Ora, Thiago, não diga bobagem. tavam à minha frente, os relatos se transformavam em
desabafos de uma vida inteira. Era preciso explicar, justi-
Observações: ficar e muitas vezes se culpar por terem sido agredidas.
Considerando-se que “etc.” é abreviatura da expressão A culpa por ter sido vítima, a culpa por ter permitido, a
latina et coetera, que significa “e outras coisas”, seria dis- culpa por não ter sido boa o suficiente, a culpa por não
pensável o emprego da vírgula antes dele. Porém, o acordo ter conseguido manter a família. Sempre a culpa.
ortográfico em vigor no Brasil exige que empreguemos etc. Aquelas mulheres chegavam à Justiça buscando uma for-
predecido de vírgula: Falamos de política, futebol, lazer, etc. ça externa como se somente nós, juízes, promotores e
As perguntas que denotam surpresa podem ter com- advogados, pudéssemos não apenas cessar aquele ciclo
binados o ponto de interrogação e o de exclamação: Você de violência, mas também lhes dar voz para reagir àquela
falou isso para ela?! violência invisível.
Rejane Jungbluth Suxberger. Invisíveis Marias: histórias além das
Temos, ainda, sinais distintivos: quatro paredes. Brasília: Trampolim, 2018 (com adaptações).
 a barra ( / ) = usada em datas (25/12/2014), sepa- O trecho “juízes, promotores e advogados” explica o sen-
ração de siglas (IOF/UPC); tido de “nós”.
 os colchetes ([ ]) = usados em transcrições feitas
pelo narrador ([vide pág. 5]), usado como primeira ( ) CERTO ( ) ERRADO
opção aos parênteses, principalmente na matemá-
tica; Resposta: Certo. Ao trecho: (...) Aquelas mulheres che-
gavam à Justiça buscando uma força externa como se
LÍNGUA PORTUGUESA

 o asterisco (*) = usado para remeter o leitor a uma


nota de rodapé ou no fim do livro, para substituir somente nós, juízes, promotores e advogados, pudésse-
um nome que não se quer mencionar. mos não apenas cessar aquele ciclo de violência (...). Os
termos entre vírgulas servem para exemplificar quem
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS são os “nós” citados pela autora (juízes, promotores,
Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Ce- advogados).
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Paulo: Saraiva, 2010.

62
2. (SERES-PE – AGENTE DE SEGURANÇA PENITEN- (CNI), Renato da Fonseca, para explicar a melhora das ex-
CIÁRIA – CESPE – 2017 – ADAPTADA) pectativas dos industriais com relação ao mercado externo.
Quanto ao mercado interno, as expectativas da indústria
Texto 1A1AAA não se modificaram. Mas isso não é um mau sinal, pois
elas já eram francamente otimistas. Há algum tempo, a
Após o processo de redemocratização, com o fim da di- pesquisa da CNI, realizada mensalmente a partir de 2010,
tadura militar, em meados da década de 80 do século registra grande otimismo da indústria com relação à de-
passado, era de se esperar que a democratização das manda interna. Trata-se de um sentimento generalizado.
instituições tivesse como resultado direto a consolidação Em todos os setores industriais, a expressiva maioria dos
da cidadania — compreendida de modo amplo, abran- entrevistados acredita no aumento das vendas internas.
gendo as três categorias de direitos: civis, políticos e O Estado de S.Paulo, Editorial, 30/3/2010 (com adapta-
sociais. Sobressaem, porém, problemas que configuram ções).
mais desafios para a cidadania brasileira, como a violên-
cia urbana — que ameaça os direitos individuais — e o O nome próprio “Renato da Fonseca” está entre vírgulas
desemprego — que ameaça os direitos sociais. por tratar-se de um vocativo.
No Brasil, o crime aumentou significantemente a partir
de 1980, impacto do processo de modernização pelo ( ) CERTO ( ) ERRADO
qual o país passou. Isso sugere que o boom do consumo
colocou em circulação bens de alto valor e, consequente- Resposta: Errado. Recorramos ao texto (lembre-se de
mente, aumentou as oportunidades para o crime, inclusi- fazer a mesma coisa no dia do seu concurso!): (...) diz o
ve porque a maior mobilidade de pessoas torna o espaço gerente executivo de pesquisas da Confederação Nacio-
social mais anônimo, menos supervisionado. nal da Indústria (CNI), Renato da Fonseca, para explicar
Nesse contexto, justiça criminal passa a ser cada vez mais a melhora das expectativas. O termo em destaque não
dissociada de justiça social e reconstrução da sociedade. está exercendo a função de vocativo, já que não é uti-
O objetivo em relação à criminalidade torna-se bem me- lizado para evocar, chamar o interlocutor do diálogo.
nos ambicioso: o controle. A prisão ganha mais impor- Sua função é de aposto – explicar quem é o gerente
tância na modernidade tardia, porque satisfaz uma dupla executivo da CNI.
necessidade dessa nova cultura: castigo e controle do
risco. Essa postura às vezes proporciona controle, porém 4. (CAIXA ECONÔMICA FEDERAL – MÉDICO DO TRA-
não segurança, pois o Estado tem o poder limitado de BALHO – CESPE – 2014 – ADAPTADA) A correção gra-
manter a ordem por meio da polícia, sendo necessário matical do trecho “Entre as bebidas alcoólicas, cervejas e
dividir as tarefas de controle com organizações locais e vinhos são as mais comuns em todo o mundo” seria preju-
com a comunidade. dicada, caso se inserisse uma vírgula logo após a palavra
Jacqueline Carvalho da Silva. Manutenção da ordem pú- “vinhos”.
blica e garantia dos direitos individuais: os desafios da
polícia em sociedades democráticas. In: Revista Brasilei- ( ) CERTO ( ) ERRADO
ra de Segurança Pública. São Paulo, ano 5, 8.ª ed., fev. –
mar./2011, p. 84-5 (com adaptações). Resposta: Certo. Não se deve colocar vírgula entre su-
jeito e predicado, a não ser que se trate de um aposto (1),
No primeiro parágrafo do texto 1A1AAA, os dois-pontos predicativo do sujeito (2), ou algum termo que requeira
introduzem estar separado entre pontuações. Exemplo: O Rio de Ja-
neiro, cidade maravilhosa (1), está em festa! Os meninos,
a) uma enumeração das “categorias de direitos”. ansiosos (2), chegaram!
b) resultados da “consolidação da cidadania”.
c) um contra-argumento para a ideia de cidadania como
algo “amplo”. CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL
d) uma generalização do termo “direitos”.
e) objetivos do “processo de redemocratização”.
Concordância Verbal e Nominal
Resposta: Letra A. Recorramos ao texto (faça isso
SEMPRE durante seu concurso. O texto é a base para Os concurseiros estão apreensivos.
encontrar as respostas para as questões!): (...) abran- Concurseiros apreensivos.
gendo as três categorias de direitos: civis, políticos e
sociais. Os dois-pontos introduzem a enumeração dos No primeiro exemplo, o verbo estar se encontra na
LÍNGUA PORTUGUESA

direitos; apresenta-os. terceira pessoa do plural, concordando com o seu su-


jeito, os concurseiros. No segundo exemplo, o adjetivo
3. (ANEEL – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CESPE – “apreensivos” está concordando em gênero (masculino)
2010) Vão surgindo novos sinais do crescente otimismo e número (plural) com o substantivo a que se refere: con-
da indústria com relação ao futuro próximo. Um deles re- curseiros. Nesses dois exemplos, as flexões de pessoa,
fere-se às exportações. “O comércio mundial já está vol- número e gênero se correspondem. A correspondência
tando a se abrir para as empresas”, diz o gerente execu- de flexão entre dois termos é a concordância, que pode
tivo de pesquisas da Confederação Nacional da Indústria ser verbal ou nominal.

63
1. Concordância Verbal pronome (na terceira pessoa do plural) ou com o
pronome pessoal.
É a flexão que se faz para que o verbo concorde com Quais de nós são / somos capazes?
seu sujeito. Alguns de vós sabiam / sabíeis do caso?
Vários de nós propuseram / propusemos sugestões ino-
1.1. Sujeito Simples - Regra Geral vadoras.
O sujeito, sendo simples, com ele concordará o verbo
em número e pessoa. Veja os exemplos: Observação:
Veja que a opção por uma ou outra forma indica a
A prova para ambos os cargos será aplicada às 13h. inclusão ou a exclusão do emissor. Quando alguém diz
3.ª p. Singular 3.ª p. Singular ou escreve “Alguns de nós sabíamos de tudo e nada fize-
mos”, ele está se incluindo no grupo dos omissos. Isso
Os candidatos à vaga chegarão às 12h. não ocorre ao dizer ou escrever “Alguns de nós sabiam de
3.ª p. Plural 3.ª p. Plural tudo e nada fizeram”, frase que soa como uma denúncia.
Nos casos em que o interrogativo ou indefinido esti-
1.1.1. Casos Particulares ver no singular, o verbo ficará no singular.
Qual de nós é capaz?
A) Quando o sujeito é formado por uma expressão par- Algum de vós fez isso.
titiva (parte de, uma porção de, o grosso de, metade
de, a maioria de, a maior parte de, grande parte de...) E) Quando o sujeito é formado por uma expressão
seguida de um substantivo ou pronome no plural, o que indica porcentagem seguida de substantivo, o
verbo pode ficar no singular ou no plural. verbo deve concordar com o substantivo.
A maioria dos jornalistas aprovou / aprovaram a ideia. 25% do orçamento do país será destinado à Educação.
Metade dos candidatos não apresentou / apresenta- 85% dos entrevistados não aprovam a administração
ram proposta. do prefeito.
1% do eleitorado aceita a mudança.
Esse mesmo procedimento pode se aplicar aos casos 1% dos alunos faltaram à prova.
dos coletivos, quando especificados: Um bando de vân-  Quando a expressão que indica porcentagem não
dalos destruiu / destruíram o monumento. é seguida de substantivo, o verbo deve concordar
Observação: com o número.
Nesses casos, o uso do verbo no singular enfatiza a 25% querem a mudança.
unidade do conjunto; já a forma plural confere destaque 1% conhece o assunto.
aos elementos que formam esse conjunto.
 Se o número percentual estiver determinado por
B) Quando o sujeito é formado por expressão que artigo ou pronome adjetivo, a concordância far-se-
indica quantidade aproximada (cerca de, mais de, -á com eles:
menos de, perto de...) seguida de numeral e subs- Os 30% da produção de soja serão exportados.
tantivo, o verbo concorda com o substantivo. Esses 2% da prova serão questionados.
Cerca de mil pessoas participaram do concurso.
Perto de quinhentos alunos compareceram à solenidade. F) O pronome “que” não interfere na concordância;
Mais de um atleta estabeleceu novo recorde nas últi- já o “quem” exige que o verbo fique na 3.ª pessoa
mas Olimpíadas. do singular.
Fui eu que paguei a conta.
Observação: Fomos nós que pintamos o muro.
Quando a expressão “mais de um” se associar a ver- És tu que me fazes ver o sentido da vida.
bos que exprimem reciprocidade, o plural é obrigatório: Sou eu quem faz a prova.
Mais de um colega se ofenderam na discussão. (ofende- Não serão eles quem será aprovado.
ram um ao outro)
G) Com a expressão “um dos que”, o verbo deve as-
C) Quando se trata de nomes que só existem no sumir a forma plural.
plural, a concordância deve ser feita levando-se Ademir da Guia foi um dos jogadores que mais encan-
em conta a ausência ou presença de artigo. Sem taram os poetas.
artigo, o verbo deve ficar no singular; com artigo Este candidato é um dos que mais estudaram!
no plural, o verbo deve ficar o plural.
Os Estados Unidos possuem grandes universidades.  Se a expressão for de sentido contrário – nenhum
Estados Unidos possui grandes universidades. dos que, nem um dos que -, não aceita o verbo no
LÍNGUA PORTUGUESA

Alagoas impressiona pela beleza das praias. singular:


As Minas Gerais são inesquecíveis. Nenhum dos que foram aprovados assumirá a vaga.
Minas Gerais produz queijo e poesia de primeira. Nem uma das que me escreveram mora aqui.

D) Quando o sujeito é um pronome interrogativo ou  Quando “um dos que” vem entremeada de subs-
indefinido plural (quais, quantos, alguns, poucos, tantivo, o verbo pode:
muitos, quaisquer, vários) seguido por “de nós” ou
“de vós”, o verbo pode concordar com o primeiro

64
1. ficar no singular – O Tietê é um dos rios que atraves- C) No caso do sujeito composto posposto ao verbo,
sa o Estado de São Paulo. (já que não há outro rio passa a existir uma nova possibilidade de concordância: em
que faça o mesmo). vez de concordar no plural com a totalidade do sujeito, o
2. ir para o plural – O Tietê é um dos rios que estão po- verbo pode estabelecer concordância com o núcleo do su-
luídos (noção de que existem outros rios na mesma jeito mais próximo.
condição). Faltaram coragem e competência.
Faltou coragem e competência.
H) Quando o sujeito é um pronome de tratamento, o Compareceram todos os candidatos e o banca.
verbo fica na 3ª pessoa do singular ou plural. Compareceu o banca e todos os candidatos.
Vossa Excelência está cansado?
Vossas Excelências renunciarão? D) Quando ocorre ideia de reciprocidade, a concordân-
cia é feita no plural. Observe:
I) A concordância dos verbos bater, dar e soar faz-se Abraçaram-se vencedor e vencido.
de acordo com o numeral. Ofenderam-se o jogador e o árbitro.
Deu uma hora no relógio da sala.
Deram cinco horas no relógio da sala. 1.2.1. Casos Particulares
Soam dezenove horas no relógio da praça.
Baterão doze horas daqui a pouco.  Quando o sujeito composto é formado por nú-
cleos sinônimos ou quase sinônimos, o verbo fica no sin-
Observação: gular.
Caso o sujeito da oração seja a palavra relógio, sino, Descaso e desprezo marca seu comportamento.
torre, etc., o verbo concordará com esse sujeito. A coragem e o destemor fez dele um herói.
O tradicional relógio da praça matriz dá nove horas.
Soa quinze horas o relógio da matriz.  Quando o sujeito composto é formado por nú-
cleos dispostos em gradação, verbo no singular:
J) Verbos Impessoais: por não se referirem a nenhum Com você, meu amor, uma hora, um minuto, um segun-
sujeito, são usados sempre na 3.ª pessoa do sin- do me satisfaz.
gular. São verbos impessoais: Haver no sentido de  Quando os núcleos do sujeito composto são uni-
existir; Fazer indicando tempo; Aqueles que indi- dos por “ou” ou “nem”, o verbo deverá ficar no plural, de
cam fenômenos da natureza. Exemplos: acordo com o valor semântico das conjunções:
Havia muitas garotas na festa. Drummond ou Bandeira representam a essência da poe-
Faz dois meses que não vejo meu pai. sia brasileira.
Chovia ontem à tarde. Nem o professor nem o aluno acertaram a resposta.
Em ambas as orações, as conjunções dão ideia de “adi-
1.2. Sujeito Composto ção”. Já em:
Juca ou Pedro será contratado.
A) Quando o sujeito é composto e anteposto ao verbo, Roma ou Buenos Aires será a sede da próxima Olimpíada.
a concordância se faz no plural:
Pai e filho conversavam longamente. Temos ideia de exclusão, por isso os verbos ficam
Sujeito no singular.

Pais e filhos devem conversar com frequência.  Com as expressões “um ou outro” e “nem um
Sujeito nem outro”, a concordância costuma ser feita no singular.
Um ou outro compareceu à festa.
B) Nos sujeitos compostos formados por pessoas gra- Nem um nem outro saiu do colégio.
maticais diferentes, a concordância ocorre da seguinte ma-
neira: a primeira pessoa do plural (nós) prevalece sobre a  Com “um e outro”, o verbo pode ficar no plural
segunda pessoa (vós) que, por sua vez, prevalece sobre a ou no singular: Um e outro farão/fará a prova.
terceira (eles). Veja:
Teus irmãos, tu e eu tomaremos a decisão.  Quando os núcleos do sujeito são unidos por
Primeira Pessoa do Plural (Nós) “com”, o verbo fica no plural. Nesse caso, os núcleos re-
cebem um mesmo grau de importância e a palavra “com”
Tu e teus irmãos tomareis a decisão. tem sentido muito próximo ao de “e”.
Segunda Pessoa do Plural (Vós) O pai com o filho montaram o brinquedo.
O governador com o secretariado traçaram os planos
LÍNGUA PORTUGUESA

Pais e filhos precisam respeitar-se. para o próximo semestre.


Terceira Pessoa do Plural (Eles) O professor com o aluno questionaram as regras.

Observação: Nesse mesmo caso, o verbo pode ficar no singular, se


Quando o sujeito é composto, formado por um elemen- a ideia é enfatizar o primeiro elemento.
to da segunda pessoa (tu) e um da terceira (ele), é possível O pai com o filho montou o brinquedo.
empregar o verbo na terceira pessoa do plural (eles): “Tu e O governador com o secretariado traçou os planos
teus irmãos tomarão a decisão.” – no lugar de “tomaríeis”. para o próximo semestre.

65
O professor com o aluno questionou as regras.
#FicaDica
Com o verbo no singular, não se pode falar em sujeito
Para saber se o “se” é partícula apassivadora
composto. O sujeito é simples, uma vez que as expres-
ou índice de indeterminação do sujeito, tente
sões “com o filho” e “com o secretariado” são adjuntos
transformar a frase para a voz passiva. Se a fra-
adverbiais de companhia. Na verdade, é como se hou-
se construída for “compreensível”, estaremos
vesse uma inversão da ordem. Veja:
diante de uma partícula apassivadora; se não,
“O pai montou o brinquedo com o filho.”
o “se” será índice de indeterminação. Veja:
“O governador traçou os planos para o próximo semes-
Precisa-se de funcionários qualificados.
tre com o secretariado.”
Tentemos a voz passiva:
“O professor questionou as regras com o aluno.”
Funcionários qualificados são precisados (ou
precisos)? Não há lógica. Portanto, o “se” des-
Casos em que se usa o verbo no singular:
tacado é índice de indeterminação do sujeito.
Café com leite é uma delícia!
Agora:
O frango com quiabo foi receita da vovó.
Vendem-se casas.
Voz passiva: Casas são vendidas. Construção
Quando os núcleos do sujeito são unidos por ex-
correta! Então, aqui, o “se” é partícula apassi-
pressões correlativas como: “não só... mas ainda”, “não
vadora. (Dá para eu passar para a voz passiva.
somente”..., “não apenas... mas também”, “tanto...quanto”,
Repare em meu destaque. Percebeu semelhan-
o verbo ficará no plural.
ça? Agora é só memorizar!)
Não só a seca, mas também o pouco caso castigam o
Nordeste.
Tanto a mãe quanto o filho ficaram surpresos com a O Verbo “Ser”
notícia.
Quando os elementos de um sujeito composto são A concordância verbal dá-se sempre entre o verbo e o
resumidos por um aposto recapitulativo, a concordância sujeito da oração. No caso do verbo ser, essa concordân-
é feita com esse termo resumidor. cia pode ocorrer também entre o verbo e o predicativo
Filmes, novelas, boas conversas, nada o tirava da apatia. do sujeito.
Trabalho, diversão, descanso, tudo é muito importante
na vida das pessoas. Quando o sujeito ou o predicativo for:

1.2.2 Outros Casos A) Nome de pessoa ou pronome pessoal – o verbo


SER concorda com a pessoa gramatical:
O Verbo e a Palavra “SE” Ele é forte, mas não é dois.
Dentre as diversas funções exercidas pelo “se”, há Fernando Pessoa era vários poetas.
duas de particular interesse para a concordância verbal: A esperança dos pais são eles, os filhos.
A) quando é índice de indeterminação do sujeito;
B) quando é partícula apassivadora. B) nome de coisa e um estiver no singular e o outro
no plural, o verbo SER concordará, preferencial-
Quando índice de indeterminação do sujeito, o “se” mente, com o que estiver no plural:
acompanha os verbos intransitivos, transitivos indiretos Os livros são minha paixão!
e de ligação, que obrigatoriamente são conjugados na Minha paixão são os livros!
terceira pessoa do singular:
Precisa-se de funcionários. Quando o verbo SER indicar
Confia-se em teses absurdas.
 horas e distâncias, concordará com a expressão
Quando pronome apassivador, o “se” acompanha numérica:
verbos transitivos diretos (VTD) e transitivos diretos e in- É uma hora.
diretos (VTDI) na formação da voz passiva sintética. Nes- São quatro horas.
se caso, o verbo deve concordar com o sujeito da oração. Daqui até a escola é um quilômetro / são dois quilô-
Exemplos: metros.
Construiu-se um posto de saúde.
Construíram-se novos postos de saúde.  datas, concordará com a palavra dia(s), que pode
Aqui não se cometem equívocos estar expressa ou subentendida:
Alugam-se casas.
LÍNGUA PORTUGUESA

Hoje é dia 26 de agosto.


Hoje são 26 de agosto.

 Quando o sujeito indicar peso, medida, quantida-


de e for seguido de palavras ou expressões como
pouco, muito, menos de, mais de, etc., o verbo SER
fica no singular:

66
Cinco quilos de açúcar é mais do que preciso.  Adjetivo anteposto aos substantivos:
Três metros de tecido é pouco para fazer seu vestido. O adjetivo concorda em gênero e número com o
Duas semanas de férias é muito para mim. substantivo mais próximo.
Encontramos caídas as roupas e os prendedores.
 Quando um dos elementos (sujeito ou predica- Encontramos caída a roupa e os prendedores.
tivo) for pronome pessoal do caso reto, com este Encontramos caído o prendedor e a roupa.
concordará o verbo.
No meu setor, eu sou a única mulher. Caso os substantivos sejam nomes próprios ou de
Aqui os adultos somos nós. parentesco, o adjetivo deve sempre concordar no plural.
As adoráveis Fernanda e Cláudia vieram me visitar.
Observação: Encontrei os divertidos primos e primas na festa.
Sendo ambos os termos (sujeito e predicativo) repre-
sentados por pronomes pessoais, o verbo concorda com  Adjetivo posposto aos substantivos:
o pronome sujeito. O adjetivo concorda com o substantivo mais próximo
Eu não sou ela. ou com todos eles (assumindo a forma masculina
Ela não é eu. plural se houver substantivo feminino e masculi-
no).
 Quando o sujeito for uma expressão de sentido A indústria oferece localização e atendimento perfeito.
partitivo ou coletivo e o predicativo estiver no plu- A indústria oferece atendimento e localização perfeita.
ral, o verbo SER concordará com o predicativo. A indústria oferece localização e atendimento perfeitos.
A grande maioria no protesto eram jovens. A indústria oferece atendimento e localização perfeitos.
O resto foram atitudes imaturas.
Observação:
O Verbo “Parecer” Os dois últimos exemplos apresentam maior clareza,
pois indicam que o adjetivo efetivamente se refere aos
O verbo parecer, quando é auxiliar em uma locução
dois substantivos. Nesses casos, o adjetivo foi flexionado
verbal (é seguido de infinitivo), admite duas concordâncias:
no plural masculino, que é o gênero predominante quan-
 Ocorre variação do verbo PARECER e não se fle-
do há substantivos de gêneros diferentes.
xiona o infinitivo: As crianças parecem gostar do
Se os substantivos possuírem o mesmo gênero, o ad-
desenho.
jetivo fica no singular ou plural.
 A variação do verbo parecer não ocorre e o infini-
A beleza e a inteligência feminina(s).
tivo sofre flexão:
O carro e o iate novo(s).
As crianças parece gostarem do desenho.
(essa frase equivale a: Parece gostarem do desenho C) Expressões formadas pelo verbo SER + adjetivo:
aas crianças) O adjetivo fica no masculino singular, se o substanti-
vo não for acompanhado de nenhum modificador:
FIQUE ATENTO! Água é bom para saúde.
Com orações desenvolvidas, o verbo PARE- O adjetivo concorda com o substantivo, se este for
CER fica no singular. Por exemplo: As pare- modificado por um artigo ou qualquer outro determina-
des parece que têm ouvidos. (Parece que as tivo: Esta água é boa para saúde.
paredes têm ouvidos = oração subordinada
substantiva subjetiva). D) O adjetivo concorda em gênero e número com os
pronomes pessoais a que se refere: Juliana encon-
trou-as muito felizes.
E) Nas expressões formadas por pronome indefinido
Concordância Nominal neutro (nada, algo, muito, tanto, etc.) + preposição
DE + adjetivo, este último geralmente é usado no
A concordância nominal se baseia na relação entre
masculino singular: Os jovens tinham algo de mis-
nomes (substantivo, pronome) e as palavras que a eles se
terioso.
ligam para caracterizá-los (artigos, adjetivos, pronomes
F) A palavra “só”, quando equivale a “sozinho”, tem
adjetivos, numerais adjetivos e particípios). Lembre-se:
função adjetiva e concorda normalmente com o
normalmente, o substantivo funciona como núcleo de
nome a que se refere:
um termo da oração, e o adjetivo, como adjunto adno-
Cristina saiu só.
minal.
A concordância do adjetivo ocorre de acordo com as Cristina e Débora saíram sós.
seguintes regras gerais:
LÍNGUA PORTUGUESA

A) O adjetivo concorda em gênero e número quando Observação:


se refere a um único substantivo: As mãos trêmulas Quando a palavra “só” equivale a “somente” ou “ape-
denunciavam o que sentia. nas”, tem função adverbial, ficando, portanto, invariável:
Eles só desejam ganhar presentes.
B) Quando o adjetivo refere-se a vários substantivos,
a concordância pode variar. Podemos sistematizar
essa flexão nos seguintes casos:

67
Bastante - Caro - Barato - Longe
#FicaDica
Estas palavras são invariáveis quando funcionam como ad-
Substitua o “só” por “apenas” ou “sozinho”. vérbios. Concordam com o nome a que se referem quando
Se a frase ficar coerente com o primeiro, funcionam como adjetivos, pronomes adjetivos, ou numerais.
trata-se de advérbio, portanto, invariável; se As jogadoras estavam bastante cansadas. (advérbio)
houver coerência com o segundo, função de Há bastantes pessoas insatisfeitas com o trabalho.
adjetivo, então varia: (pronome adjetivo)
Ela está só. (ela está sozinha) – adjetivo Nunca pensei que o estudo fosse tão caro. (advérbio)
Ele está só descansando. (apenas descansan- As casas estão caras. (adjetivo)
do) - advérbio Achei barato este casaco. (advérbio)
Mas cuidado! Se colocarmos uma vírgula Hoje as frutas estão baratas. (adjetivo)
depois de “só”, haverá, novamente, um ad-
jetivo: Meio - Meia
Ele está só, descansando. (ele está sozinho e
descansando) A palavra “meio”, quando empregada como adjetivo,
concorda normalmente com o nome a que se refere: Pedi
G) Quando um único substantivo é modificado por meia porção de polentas.
dois ou mais adjetivos no singular, podem ser usa- Quando empregada como advérbio permanece inva-
das as construções: riável: A candidata está meio nervosa.
 O substantivo permanece no singular e coloca-se
o artigo antes do último adjetivo: Admiro a cultura #FicaDica
espanhola e a portuguesa.
 O substantivo vai para o plural e omite-se o artigo Dá para eu substituir por “um pouco”, assim
antes do adjetivo: Admiro as culturas espanhola e saberei que se trata de um advérbio, não de
portuguesa. adjetivo: “A candidata está um pouco nervo-
sa”.
1. Casos Particulares
Alerta - Menos
É proibido - É necessário - É bom - É preciso - É per-
mitido
Essas palavras são advérbios, portanto, permanecem
sempre invariáveis.
 Estas expressões, formadas por um verbo mais um Os concurseiros estão sempre alerta.
adjetivo, ficam invariáveis se o substantivo a que se Não queira menos matéria!
referem possuir sentido genérico (não vier prece-
dido de artigo). REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
É proibido entrada de crianças. Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Cereja, There-
Em certos momentos, é necessário atenção. za Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Paulo: Saraiva, 2010.
No verão, melancia é bom. SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
É preciso cidadania. Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Não é permitido saída pelas portas laterais. Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
 Quando o sujeito destas expressões estiver deter-
minado por artigos, pronomes ou adjetivos, tanto SITE
o verbo como o adjetivo concordam com ele. http://www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint49.php
É proibida a entrada de crianças.
Esta salada é ótima.
A educação é necessária.
São precisas várias medidas na educação. EXERCÍCIOS COMENTADOS
Anexo - Obrigado - Mesmo - Próprio - Incluso - 1. (POLÍCIA FEDERAL – ESCRIVÃO DE POLÍCIA FE-
Quite DERAL – CESPE – 2013) Formas de tratamento como
Vossa Excelência e Vossa Senhoria, ainda que sejam em-
Estas palavras adjetivas concordam em gênero e nú- pregadas sempre na segunda pessoa do plural e no femi-
mero com o substantivo ou pronome a que se referem. nino, exigem flexão verbal de terceira pessoa; além disso,
LÍNGUA PORTUGUESA

Seguem anexas as documentações requeridas. o pronome possessivo que faz referência ao pronome
A menina agradeceu: - Muito obrigada. de tratamento também deve ser o de terceira pessoa, e
Muito obrigadas, disseram as senhoras. o adjetivo que remete ao pronome de tratamento deve
Seguem inclusos os papéis solicitados. concordar em gênero e número com a pessoa — e não
Estamos quites com nossos credores. com o pronome — a que se refere.

( ) CERTO ( ) ERRADO

68
Resposta: Certo. Afirmações corretas. As concordân- 3. (MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚS-
cias verbal e nominal ao se utilizar pronome de trata- TRIA E COMÉRCIO EXTERIOR – ANALISTA TÉCNICO
mento devem ser na terceira pessoa e concordar em ADMINISTRATIVO – CESPE – 2014) Em “Vossa Excelên-
gênero (masculino ou feminino) com a pessoa a quem cia deve estar satisfeita com os resultados das negociações”,
se dirige: “Vossa Excelência está cansada(o)?” – con- o adjetivo estará corretamente empregado se dirigido a
cordará com quem está se falando: uma mulher ou um ministro de Estado do sexo masculino, pois o termo “satis-
homem / “Vossa Santidade trouxe seus pertences?” / feita” deve concordar com a locução pronominal de trata-
“Vossas Senhorias gostariam de um café?”. mento “Vossa Excelência”.

2. (PREFEITURA DE SÃO LUÍS-MA – CONHECIMEN- ( ) CERTO ( ) ERRADO


TOS BÁSICOS CARGOS DE TÉCNICO MUNICIPAL –
NÍVEL MÉDIO – CESPE – 2017) Resposta: Errado. Se a pessoa, no caso o ministro, for
do sexo feminino (ministra), o adjetivo está correto; mas, se
Texto CB3A2BBB for do sexo masculino, o adjetivo sofrerá flexão de gênero: sa-
tisfeito. O pronome de tratamento é apenas a maneira como
O reconhecimento e a proteção dos direitos humanos tratar a autoridade, não regendo as demais concordâncias.
estão na base das Constituições democráticas modernas.
A paz, por sua vez, é o pressuposto necessário para o re- 4. (ABIN – AGENTE TÉCNICO DE INTELIGÊNCIA –
conhecimento e a efetiva proteção dos direitos humanos CESPE – 2010 – ADAPTADA) (...) Da combinação entre
em cada Estado e no sistema internacional. Ao mesmo velocidade, persistência, relevância, precisão e flexibilidade
tempo, o processo de democratização do sistema in- surge a noção contemporânea de agilidade, transformada
ternacional, que é o caminho obrigatório para a busca em principal característica de nosso tempo.
do ideal da paz perpétua, não pode avançar sem uma A forma verbal “surge” poderia, sem prejuízo gramatical para
gradativa ampliação do reconhecimento e da proteção o texto, ser flexionada no plural, para concordar com “veloci-
dos direitos humanos, acima de cada Estado. Direitos dade, persistência, relevância, precisão e flexibilidade”
humanos, democracia e paz são três elementos funda-
mentais do mesmo movimento histórico: sem direitos
( ) CERTO ( ) ERRADO
humanos reconhecidos e protegidos, não há democra-
cia; sem democracia, não existem as condições mínimas
Resposta: Errado. O verbo está concordando com o
para a solução pacífica dos conflitos. Em outras palavras,
termo “combinação”, por isso deve ficar no singular.
a democracia é a sociedade dos cidadãos, e os súditos se
tornam cidadãos quando lhes são reconhecidos alguns
5. (TRIBUNAL DE CONTAS DO DISTRITO FEDERAL-
direitos fundamentais; haverá paz estável, uma paz que
-DF – CONHECIMENTOS BÁSICOS – ANALISTA DE
não tenha a guerra como alternativa, somente quando
existirem cidadãos não mais apenas deste ou daquele Es- ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – ARQUIVOLOGIA –
tado, mas do mundo. CESPE – 2014 – ADAPTADA) (...) Há décadas, países
Norberto Bobbio. A era dos direitos. Trad. Carlos Nelson Coutinho. Rio
como China e Índia têm enviado estudantes para países
de Janeiro: Elsevier, 2004, p. 1 (com adaptações). centrais, com resultados muito positivos.(...)
A forma verbal “Há” poderia ser corretamente substituída
Preservando-se a correção gramatical do texto CB3A2B- por Fazem.
BB, os termos “não há” e “não existem” poderiam ser subs-
tituídos, respectivamente, por ( ) CERTO ( ) ERRADO

a) não existe e não têm. Resposta: Errado. O verbo “fazer”, quando empre-
b) não existe e inexiste. gado no sentido de tempo passado, não sofre flexão.
c) inexiste e não há. Portanto, sua forma correta seria: “faz décadas”
d) inexiste e não acontece.
e) não tem e não têm.
COLOCAÇÃO PRONOMINAL
Resposta: Letra C.
Busquemos o contexto:
- sem direitos humanos reconhecidos e protegidos, não há “Prezado Candidato, o tópico acima já foi aborda-
democracia = poderíamos substituir por “não existe”, ine- do na íntegra anteriormente no decorrer da matéria”
xiste (verbo “haver” empregado com o sentido de “existir”)
- sem democracia, não existem as condições mínimas
REGÊNCIA NOMINAL E VERBAL.
LÍNGUA PORTUGUESA

para a solução pacífica dos conflitos = sentido de “exis-


tir”. Poderíamos substituir por inexiste, mas no plural, já
que devemos concordar com “as condições mínimas”.
A única “troca” adequada seria o verbo “haver” – que REGÊNCIA VERBAL E NOMINAL
pode ser utilizado com o sentido de “existir”. Teríamos:
sem direitos humanos reconhecidos e protegidos, ine- Dá-se o nome de regência à relação de subordina-
xiste democracia; sem democracia, não há as condições ção que ocorre entre um verbo (regência verbal) ou um
mínimas para a solução pacífica dos conflitos. nome (regência nominal) e seus complementos.

69
1. Regência Verbal = Termo Regente: VERBO para o estabelecimento da relação de regência. Ao empre-
gar esses verbos, lembre-se de que os pronomes oblíquos
A regência verbal estuda a relação que se estabele- o, a, os, as atuam como objetos diretos. Esses pronomes
ce entre os verbos e os termos que os complementam podem assumir as formas lo, los, la, las (após formas ver-
(objetos diretos e objetos indiretos) ou caracterizam (ad- bais terminadas em -r, -s ou -z) ou no, na, nos, nas (após
juntos adverbiais). Há verbos que admitem mais de uma formas verbais terminadas em sons nasais), enquanto lhe e
regência, o que corresponde à diversidade de significa- lhes são, quando complementos verbais, objetos indiretos.
dos que estes verbos podem adquirir dependendo do São verbos transitivos diretos, dentre outros: aban-
contexto em que forem empregados. donar, abençoar, aborrecer, abraçar, acompanhar, acusar,
A mãe agrada o filho = agradar significa acariciar, admirar, adorar, alegrar, ameaçar, amolar, amparar, auxi-
contentar. liar, castigar, condenar, conhecer, conservar, convidar, de-
A mãe agrada ao filho = agradar significa “causar fender, eleger, estimar, humilhar, namorar, ouvir, prejudicar,
agrado ou prazer”, satisfazer. prezar, proteger, respeitar, socorrer, suportar, ver, visitar.
Conclui-se que “agradar alguém” é diferente de Na língua culta, esses verbos funcionam exatamente
“agradar a alguém”. como o verbo amar:
Amo aquele rapaz. / Amo-o.
O conhecimento do uso adequado das preposições Amo aquela moça. / Amo-a.
é um dos aspectos fundamentais do estudo da regência Amam aquele rapaz. / Amam-no.
verbal (e também nominal). As preposições são capazes Ele deve amar aquela mulher. / Ele deve amá-la.
de modificar completamente o sentido daquilo que está
sendo dito. Observação:
Cheguei ao metrô. Os pronomes lhe, lhes só acompanham esses verbos
Cheguei no metrô. para indicar posse (caso em que atuam como adjuntos ad-
No primeiro caso, o metrô é o lugar a que vou; no nominais):
segundo caso, é o meio de transporte por mim utilizado. Quero beijar-lhe o rosto. (= beijar seu rosto)
Prejudicaram-lhe a carreira. (= prejudicaram sua carreira)
A voluntária distribuía leite às crianças. Conheço-lhe o mau humor! (= conheço seu mau humor)
A voluntária distribuía leite com as crianças.
Na primeira frase, o verbo “distribuir” foi emprega- C) Verbos Transitivos Indiretos
do como transitivo direto (objeto direto: leite) e indireto Os verbos transitivos indiretos são complementados
(objeto indireto: às crianças); na segunda, como transiti- por objetos indiretos. Isso significa que esses verbos exi-
vo direto (objeto direto: crianças; com as crianças: adjun- gem uma preposição para o estabelecimento da relação
to adverbial). de regência. Os pronomes pessoais do caso oblíquo de
Para estudar a regência verbal, agruparemos os ver- terceira pessoa que podem atuar como objetos indiretos
bos de acordo com sua transitividade. Esta, porém, não é são o “lhe”, o “lhes”, para substituir pessoas. Não se uti-
um fato absoluto: um mesmo verbo pode atuar de dife- lizam os pronomes o, os, a, as como complementos de
rentes formas em frases distintas. verbos transitivos indiretos. Com os objetos indiretos que
não representam pessoas, usam-se pronomes oblíquos tô-
A) Verbos Intransitivos nicos de terceira pessoa (ele, ela) em lugar dos pronomes
Os verbos intransitivos não possuem complemento. É átonos lhe, lhes.
importante, no entanto, destacar alguns detalhes relativos
aos adjuntos adverbiais que costumam acompanhá-los. Os verbos transitivos indiretos são os seguintes:
Chegar, Ir Consistir - Tem complemento introduzido pela prepo-
Normalmente vêm acompanhados de adjuntos adver- sição “em”: A modernidade verdadeira consiste em direitos
biais de lugar. Na língua culta, as preposições usadas para iguais para todos.
indicar destino ou direção são: a, para.
Obedecer e Desobedecer - Possuem seus comple-
Fui ao teatro. mentos introduzidos pela preposição “a”:
Adjunto Adverbial de Lugar Devemos obedecer aos nossos princípios e ideais.
Eles desobedeceram às leis do trânsito.
Ricardo foi para a Espanha.
Adjunto Adverbial de Lugar Responder - Tem complemento introduzido pela pre-
posição “a”. Esse verbo pede objeto indireto para indicar “a
Comparecer quem” ou “ao que” se responde.
O adjunto adverbial de lugar pode ser introduzido por Respondi ao meu patrão.
LÍNGUA PORTUGUESA

em ou a. Respondemos às perguntas.
Comparecemos ao estádio (ou no estádio) para ver o Respondeu-lhe à altura.
último jogo.
Observação:
B) Verbos Transitivos Diretos O verbo responder, apesar de transitivo indireto quan-
Os verbos transitivos diretos são complementados por do exprime aquilo a que se responde, admite voz passiva
objetos diretos. Isso significa que não exigem preposição analítica:

70
O questionário foi respondido corretamente. Pedi-lhe que se mantivesse em silêncio.
Todas as perguntas foram respondidas satisfatoriamente. Objeto Indireto Oração Subordinada Subs-
tantiva Objetiva Direta
Simpatizar e Antipatizar - Possuem seus complemen-
tos introduzidos pela preposição “com”. A construção “pedir para”, muito comum na lingua-
Antipatizo com aquela apresentadora. gem cotidiana, deve ter emprego muito limitado na lín-
Simpatizo com os que condenam os políticos que gover- gua culta. No entanto, é considerada correta quando a
nam para uma minoria privilegiada. palavra licença estiver subentendida.
Peço (licença) para ir entregar-lhe os catálogos em
D) Verbos Transitivos Diretos e Indiretos casa.

Os verbos transitivos diretos e indiretos são acompa- Observe que, nesse caso, a preposição “para” intro-
nhados de um objeto direto e um indireto. Merecem des- duz uma oração subordinada adverbial final reduzida de
taque, nesse grupo: agradecer, perdoar e pagar. São ver- infinitivo (para ir entregar-lhe os catálogos em casa).
bos que apresentam objeto direto relacionado a coisas e Preferir
objeto indireto relacionado a pessoas. Na língua culta, esse verbo deve apresentar objeto
Agradeço aos ouvintes a audiência. indireto introduzido pela preposição “a”:
Objeto Indireto Objeto Direto Prefiro qualquer coisa a abrir mão de meus ideais.
Prefiro trem a ônibus.
Paguei o débito ao cobrador.
Objeto Direto Objeto Indireto Observação:
Na língua culta, o verbo “preferir” deve ser usado sem
O uso dos pronomes oblíquos átonos deve ser feito termos intensificadores, tais como: muito, antes, mil ve-
com particular cuidado: zes, um milhão de vezes, mais. A ênfase já é dada pelo
Agradeci o presente. / Agradeci-o. prefixo existente no próprio verbo (pre).
Agradeço a você. / Agradeço-lhe.
Perdoei a ofensa. / Perdoei-a. Mudança de Transitividade - Mudança de Significado
Perdoei ao agressor. / Perdoei-lhe. Há verbos que, de acordo com a mudança de transi-
Paguei minhas contas. / Paguei-as. tividade, apresentam mudança de significado. O conhe-
Paguei aos meus credores. / Paguei-lhes. cimento das diferentes regências desses verbos é um re-
curso linguístico muito importante, pois além de permitir
Informar a correta interpretação de passagens escritas, oferece
Apresenta objeto direto ao se referir a coisas e objeto possibilidades expressivas a quem fala ou escreve. Den-
indireto ao se referir a pessoas, ou vice-versa. tre os principais, estão:
Informe os novos preços aos clientes.
Informe os clientes dos novos preços. (ou sobre os no- Agradar
vos preços) Agradar é transitivo direto no sentido de fazer cari-
Na utilização de pronomes como complementos, veja nhos, acariciar, fazer as vontades de.
as construções: Sempre agrada o filho quando.
Informei-os aos clientes. / Informei-lhes os novos preços. Aquele comerciante agrada os clientes.
Informe-os dos novos preços. / Informe-os deles. (ou
sobre eles) Agradar é transitivo indireto no sentido de causar
agrado a, satisfazer, ser agradável a. Rege complemento
Observação: introduzido pela preposição “a”.
A mesma regência do verbo informar é usada para os O cantor não agradou aos presentes.
seguintes: avisar, certificar, notificar, cientificar, prevenir. O cantor não lhes agradou.

Comparar O antônimo “desagradar” é sempre transitivo indire-


Quando seguido de dois objetos, esse verbo admite to: O cantor desagradou à plateia.
as preposições “a” ou “com” para introduzir o comple-
mento indireto: Comparei seu comportamento ao (ou com Aspirar
o) de uma criança. Aspirar é transitivo direto no sentido de sorver, ins-
pirar (o ar), inalar: Aspirava o suave aroma. (Aspirava-o)
Pedir Aspirar é transitivo indireto no sentido de desejar, ter
LÍNGUA PORTUGUESA

Esse verbo pede objeto direto de coisa (geralmente como ambição: Aspirávamos a um emprego melhor. (As-
na forma de oração subordinada substantiva) e indireto pirávamos a ele)
de pessoa. Como o objeto direto do verbo “aspirar” não é pes-
soa, as formas pronominais átonas “lhe” e “lhes” não são
Pedi-lhe favores. utilizadas, mas, sim, as formas tônicas “a ele(s)”, “a ela(s)”.
Objeto Indireto Objeto Direto Veja o exemplo: Aspiravam a uma existência melhor. (=
Aspiravam a ela)

71
Assistir Como transitivo direto e indireto, significa compro-
Assistir é transitivo direto no sentido de ajudar, pres- meter, envolver: Implicaram aquele jornalista em questões
tar assistência a, auxiliar. econômicas.
As empresas de saúde negam-se a assistir os idosos. No sentido de antipatizar, ter implicância, é transiti-
As empresas de saúde negam-se a assisti-los. vo indireto e rege com preposição “com”: Implicava com
quem não trabalhasse arduamente.
Assistir é transitivo indireto no sentido de ver, presen-
ciar, estar presente, caber, pertencer. Namorar
Assistimos ao documentário. Sempre tansitivo direto: Luísa namora Carlos há dois
Não assisti às últimas sessões. anos.
Essa lei assiste ao inquilino.
Obedecer - Desobedecer
No sentido de morar, residir, o verbo “assistir” é in- Sempre transitivo indireto:
transitivo, sendo acompanhado de adjunto adverbial de Todos obedeceram às regras.
lugar introduzido pela preposição “em”: Assistimos numa Ninguém desobedece às leis.
conturbada cidade.
Quando o objeto é “coisa”, não se utiliza “lhe” nem
Chamar “lhes”: As leis são essas, mas todos desobedecem a elas.
Chamar é transitivo direto no sentido de convocar, so-
licitar a atenção ou a presença de. Proceder
Por gentileza, vá chamar a polícia. / Por favor, vá cha- Proceder é intransitivo no sentido de ser decisivo, ter
má-la. cabimento, ter fundamento ou comportar-se, agir. Nessa
Chamei você várias vezes. / Chamei-o várias vezes. segunda acepção, vem sempre acompanhado de adjunto
Chamar no sentido de denominar, apelidar pode adverbial de modo.
apresentar objeto direto e indireto, ao qual se refere pre- As afirmações da testemunha procediam, não havia
dicativo preposicionado ou não. como refutá-las.
A torcida chamou o jogador mercenário. Você procede muito mal.
A torcida chamou ao jogador mercenário.
A torcida chamou o jogador de mercenário. Nos sentidos de ter origem, derivar-se (rege a prepo-
A torcida chamou ao jogador de mercenário. sição “de”) e fazer, executar (rege complemento introdu-
Chamar com o sentido de ter por nome é pronominal: zido pela preposição “a”) é transitivo indireto.
Como você se chama? Eu me chamo Zenaide. O avião procede de Maceió.
Procedeu-se aos exames.
Custar O delegado procederá ao inquérito.
Custar é intransitivo no sentido de ter determinado
valor ou preço, sendo acompanhado de adjunto adver- Querer
bial: Frutas e verduras não deveriam custar muito. Querer é transitivo direto no sentido de desejar, ter
vontade de, cobiçar.
No sentido de ser difícil, penoso, pode ser intransiti- Querem melhor atendimento.
vo ou transitivo indireto, tendo como sujeito uma oração Queremos um país melhor.
reduzida de infinitivo.
Querer é transitivo indireto no sentido de ter afeição,
Muito custa viver tão longe da família. estimar, amar: Quero muito aos meus amigos.
Verbo Intransitivo Oração Subordinada
Substantiva Subjetiva Reduzida de Infinitivo Visar
Como transitivo direto, apresenta os sentidos de mi-
Custou-me (a mim) crer nisso. rar, fazer pontaria e de pôr visto, rubricar.
Objeto Indireto Oração Subordinada Subs- O homem visou o alvo.
tantiva Subjetiva Reduzida de Infinitivo O gerente não quis visar o cheque.

A Gramática Normativa condena as construções que No sentido de ter em vista, ter como meta, ter como
atribuem ao verbo “custar” um sujeito representado por objetivo é transitivo indireto e rege a preposição “a”.
pessoa: Custei para entender o problema. O ensino deve sempre visar ao progresso social.
= Forma correta: Custou-me entender o problema. Prometeram tomar medidas que visassem ao bem-es-
tar público.
LÍNGUA PORTUGUESA

Implicar
Como transitivo direto, esse verbo tem dois sentidos: Esquecer – Lembrar
A) dar a entender, fazer supor, pressupor: Suas atitudes Lembrar algo – esquecer algo
implicavam um firme propósito. Lembrar-se de algo – esquecer-se de algo (pronomi-
B) ter como consequência, trazer como consequência, nal)
acarretar, provocar: Uma ação implica reação.
No 1.º caso, os verbos são transitivos diretos, ou seja,

72
exigem complemento sem preposição: Ele esqueceu o livro.
No 2.º caso, os verbos são pronominais (-se, -me, etc) e exigem complemento com a preposição “de”. São, portanto,
transitivos indiretos:
Ele se esqueceu do caderno.
Eu me esqueci da chave.
Eles se esqueceram da prova.
Nós nos lembramos de tudo o que aconteceu.

Há uma construção em que a coisa esquecida ou lembrada passa a funcionar como sujeito e o verbo sofre leve alte-
ração de sentido. É uma construção muito rara na língua contemporânea, porém, é fácil encontrá-la em textos clássicos
tanto brasileiros como portugueses. Machado de Assis, por exemplo, fez uso dessa construção várias vezes.
Esqueceu-me a tragédia. (cair no esquecimento)
Lembrou-me a festa. (vir à lembrança)
Não lhe lembram os bons momentos da infância? (= momentos é sujeito)

Simpatizar - Antipatizar
São transitivos indiretos e exigem a preposição “com”:
Não simpatizei com os jurados.
Simpatizei com os alunos.

A norma culta exige que os verbos e expressões que dão ideia de movimento sejam usados com a preposição “a”:
Chegamos a São Paulo e fomos direto ao hotel.
Cláudia desceu ao segundo andar.
Hoje, com esta chuva, ninguém sairá à rua.

2 Regência Nominal

É o nome da relação existente entre um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) e os termos regidos por esse
nome. Essa relação é sempre intermediada por uma preposição. No estudo da regência nominal, é preciso levar em
conta que vários nomes apresentam exatamente o mesmo regime dos verbos de que derivam. Conhecer o regime de
um verbo significa, nesses casos, conhecer o regime dos nomes cognatos. Observe o exemplo: Verbo obedecer e os
nomes correspondentes: todos regem complementos introduzidos pela preposição a. Veja:
Obedecer a algo/ a alguém.
Obediente a algo/ a alguém.

Se uma oração completar o sentido de um nome, ou seja, exercer a função de complemento nominal, ela será com-
pletiva nominal (subordinada substantiva).

Regência de Alguns Nomes

Substantivos
Admiração a, por Devoção a, para, com, por Medo a, de
Aversão a, para, por Doutor em Obediência a
Atentado a, contra Dúvida acerca de, em, sobre Ojeriza a, por
Bacharel em Horror a Proeminência sobre
Capacidade de, para Impaciência com Respeito a, com, para com, por

Adjetivos
Acessível a Diferente de Necessário a
Acostumado a, com Entendido em Nocivo a
LÍNGUA PORTUGUESA

Afável com, para com Equivalente a Paralelo a


Agradável a Escasso de Parco em, de
Alheio a, de Essencial a, para Passível de
Análogo a Fácil de Preferível a
Ansioso de, para, por Fanático por Prejudicial a

73
Apto a, para Favorável a Prestes a
Ávido de Generoso com Propício a
Benéfico a Grato a, por Próximo a
Capaz de, para Hábil em Relacionado com
Compatível com Habituado a Relativo a
Contemporâneo a, de Idêntico a Satisfeito com, de, em, por
Contíguo a Impróprio para Semelhante a
Contrário a Indeciso em Sensível a
Curioso de, por Insensível a Sito em
Descontente com Liberal com Suspeito de
Desejoso de Natural de Vazio de

Advérbios
Longe de Perto de

Observação:
Os advérbios terminados em -mente tendem a seguir o regime dos adjetivos de que são formados: paralela a; pa-
ralelamente a; relativa a; relativamente a.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Paulo:
Saraiva, 2010.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.

SITE
http://www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint61.php

EXERCÍCIO COMENTADO

1. (POLÍCIA FEDERAL – AGENTE DE POLÍCIA FEDERAL – CESPE – 2014 – ADAPTADA)


O uso indevido de drogas constitui, na atualidade, séria e persistente ameaça à humanidade e à estabilidade das
estruturas e valores políticos, econômicos, sociais e culturais de todos os Estados e sociedades. Suas consequências
infligem considerável prejuízo às nações do mundo inteiro, e não são detidas por fronteiras: avançam por todos os
cantos da sociedade e por todos os espaços geográficos, afetando homens e mulheres de diferentes grupos étnicos,
independentemente de classe social e econômica ou mesmo de idade. Questão de relevância na discussão dos efeitos
adversos do uso indevido de drogas é a associação do tráfico de drogas ilícitas e dos crimes conexos — geralmente
de caráter transnacional — com a criminalidade e a violência. Esses fatores ameaçam a soberania nacional e afetam a
estrutura social e econômica interna, devendo o governo adotar uma postura firme de combate ao tráfico de drogas,
articulando-se internamente e com a sociedade, de forma a aperfeiçoar e otimizar seus mecanismos de prevenção e
repressão e garantir o envolvimento e a aprovação dos cidadãos.
Internet: <www.direitoshumanos.usp.br>.

Nas linhas 12 e 13, o emprego da preposição “com”, em “com a criminalidade e a violência”, deve-se à regência do
vocábulo “conexos”.

( ) CERTO ( ) ERRADO
LÍNGUA PORTUGUESA

Resposta: Errado. Ao texto: (...) Questão de relevância na discussão dos efeitos adversos do uso indevido de drogas é
a associação do tráfico de drogas ilícitas e dos crimes conexos — geralmente de caráter transnacional — com a crimi-
nalidade e a violência.

O termo está se referindo à associação – associação do tráfico de drogas e crimes conexos (1) com a criminalidade (2)
(associação daquilo [1] com isso [2])

74
a alguns termos (neste caso: No Brasil e na A. L.). Repa-
EQUIVALÊNCIA E TRANSFORMAÇÃO DE re que, para obter a clareza tivemos que fazer o uso de
ESTRUTURAS. vírgulas.
Entre os sinais de pontuação, a vírgula é o mais usado
e o que mais nos auxilia na organização de um período,
REESCRITA DE TEXTOS/EQUIVALÊNCIA DE ES- pois facilita as boas “sintaxes”, boas misturas, ou seja, a
TRUTURAS vírgula ajuda-nos a não “embolar” o sentido quando pro-
duzimos frases complexas. Com isto, “entregamos” frases
“Ideias confusas geram redações confusas”. Esta frase bem organizadas aos nossos leitores.
leva-nos a refletir sobre a organização das ideias em um O básico para a organização sintática das frases é a
texto. Significa dizer que, antes da redação, naturalmente ordem direta dos termos da oração. Os gramáticos es-
devemos dominar o assunto sobre o qual iremos tratar e, truturam tal ordem da seguinte maneira:
posteriormente, planejar o modo como iremos expô-lo,
do contrário haverá dificuldade em transmitir ideias bem SUJEITO + VERBO+ COMPLEMENTO VERBAL+
acabadas. Portanto, a leitura, a interpretação de textos e CIRCUNSTÂNCIAS
a experiência de vida antecedem o ato de escrever.
Obtido um razoável conhecimento sobre o que iremos A globalização + está causando+ desemprego + no
escrever, feito o esquema de exposição da matéria, é neces- Brasil nos dias de hoje.
sário saber ordenar as ideias em frases bem estruturadas.
Logo, não basta conhecer bem um determinado assunto, Nem todas as orações mantêm esta ordem e nem
temos que o transmitir de maneira clara aos leitores. todas contêm todos estes elementos, portanto cabem
O estudo da pontuação pode se tornar um valioso algumas observações:
aliado para organizarmos as ideias de maneira clara em A) As circunstâncias (de tempo, espaço, modo, etc.)
frases. Para tanto, é necessário ter alguma noção de sin- normalmente são representadas por adjuntos adverbiais
taxe. “Sintaxe”, conforme o dicionário Aurélio, é a “parte de tempo, lugar, etc. Note que, no mais das vezes, quan-
da gramática que estuda a disposição das palavras na do queremos recordar algo ou narrar uma história, existe
frase e a das frases no discurso, bem como a relação ló- a tendência a colocar os adjuntos nos começos das fra-
gica das frases entre si”; ou em outras palavras, sintaxe ses:
quer dizer “mistura”, isto é, saber misturar as palavras de “No Brasil e na América…” “Nos dias de hoje…” “Nas
maneira a produzirem um sentido evidente para os re- minhas férias…”, “No Brasil…”. e logo depois os verbos
ceptores das nossas mensagens. Observe: e outros elementos: “Nas minhas férias fui…”; “No Brasil
1. A desemprego globalização no Brasil e no na está existe…”
Latina América causando.
2. A globalização está causando desemprego no Brasil Observações:
e na América Latina. Tais construções não estão erradas, mas rompem com
a ordem direta;
Ora, no item 1 não temos uma ideia, pois não há uma É preciso notar que em Língua Portuguesa, há mui-
frase, as palavras estão amontoadas sem a realização tas frases que não têm sujeito, somente predicado. Por
de “uma sintaxe”, não há um contexto linguístico nem exemplo: Está chovendo em Porto Alegre. Faz frio em Fri-
relação inteligível com a realidade; no caso 2, a sintaxe burgo. São quatro horas agora;
ocorreu de maneira perfeita e o sentido está claro para Outras frases são construídas com verbos intransiti-
receptores de língua portuguesa inteirados da situação vos, que não têm complemento:
econômica e cultural do mundo atual. O menino morreu na Alemanha. (sujeito +verbo+ ad-
junto adverbial)
1. A Ordem dos Termos na Frase A globalização nasceu no século XX. (idem)
Há ainda frases nominais que não possuem verbos:
Leia novamente a frase contida no item 2. Note que cada macaco no seu galho. Nestes tipos de frase, a or-
ela é organizada de maneira clara para produzir sentido. dem direta faz-se naturalmente. Usam-se apenas os ter-
Todavia, há diferentes maneiras de se organizar grama- mos existentes nelas.
ticalmente tal frase, tudo depende da necessidade ou da Levando em consideração a ordem direta, podemos
vontade do redator em manter o sentido, ou mantê-lo, estabelecer três regras básicas para o uso da vírgula:
porém, acrescentado ênfase a algum dos seus termos.
Significa dizer que, ao escrever, podemos fazer uma série Se os termos estão colocados na ordem direta não
de inversões e intercalações em nossas frases, confor- haverá a necessidade de vírgulas. A frase 2 é um exem-
LÍNGUA PORTUGUESA

me a nossa vontade e estilo. Tudo depende da maneira plo disto:


como queremos transmitir uma ideia, do nosso estilo. A globalização está causando desemprego no Brasil e
Por exemplo, podemos expressar a mensagem da frase na América Latina.
2 da seguinte maneira: Todavia, ao repetir qualquer um dos termos da ora-
No Brasil e na América Latina, a globalização está cau- ção por três vezes ou mais, então é necessário usar a vír-
sando desemprego. gula, mesmo que estejamos usando a ordem direta. Esta
Neste caso, a mensagem é praticamente a mesma, é a regra básica n.º1 para a colocação da vírgula. Veja:
apenas mudamos a ordem das palavras para dar ênfase

75
A globalização, a tecnologia e a “ciranda financeira” Nota-se que a quebra da ordem direta frequente-
causam desemprego… mente se dá com a colocação das circunstâncias antes do
(três núcleos do sujeito) sujeito. Trata-se da ordem inversa. Estas circunstâncias,
em gramática, são representadas pelos adjuntos adver-
A globalização causa desemprego no Brasil, na Améri- biais. Muitas vezes, elas são colocadas em orações cha-
ca Latina e na África. madas adverbiais que têm uma função semelhante a dos
(três adjuntos adverbiais) adjuntos adverbiais, isto é, denotam tempo, lugar, etc.
Exemplos:
A globalização está causando desemprego, insatisfa- Quando o século XX estava terminando, a globalização
ção e sucateamento industrial no Brasil e na América Lati- começou a causar desemprego.
na. (três complementos verbais) Enquanto os países portadores de alta tecnologia de-
senvolvem-se, a globalização causa desemprego nos paí-
B) Em princípio, não devemos, na ordem direta, sepa- ses pobres.
rar com vírgula o sujeito e o verbo, nem o verbo e o seu Durante o século XX, a Globalização causou desempre-
complemento, nem o complemento e as circunstâncias, go no Brasil.
ou seja, não devemos separar com vírgula os termos da
oração. Veja exemplos de tal incorreção:
Observação:
O Brasil, será feliz.
Quanto à equivalência e transformação de estruturas,
A globalização causa, o desemprego.
um exemplo muito comum cobrado em provas é o enun-
ciado trazer uma frase no singular e pedir a passagem
Ao intercalarmos alguma palavra ou expressão entre
para o plural, mantendo o sentido. Outro exemplo é a
os termos da oração, cabe isolar tal termo entre vírgulas,
mudança de tempos verbais.
assim o sentido da ideia principal não se perderá. Esta é
a regra básica n.º 2 para a colocação da vírgula. Dito em
SITE
outras palavras: quando intercalamos expressões e frases
http://ricardovigna.wordpress.com/2009/02/02/estu-
entre os termos da oração, devemos isolar os mesmos
dos-de-linguagem-1-estrutura-frasal-e-pontuacao/
com vírgulas. Vejamos:
A globalização, fenômeno econômico deste fim de sé-
culo XX, causa desemprego no Brasil.
Aqui um aposto à globalização foi intercalado entre o PARALELISMO SINTÁTICO
sujeito e o verbo.
Outros exemplos:
O que é Redação Oficial
A globalização, que é um fenômeno econômico e cul-
tural, está causando desemprego no Brasil e na América
Em uma frase, pode-se dizer que redação oficial é a
Latina.
maneira pela qual o Poder Público redige atos normati-
Neste caso, há uma oração adjetiva intercalada.
vos e comunicações. Interessa-nos tratá-la do ponto de
As orações adjetivas explicativas desempenham fre-
vista do Poder Executivo.
quentemente um papel semelhante ao do aposto expli-
A redação oficial deve caracterizar-se pela impessoa-
cativo, por isto são também isoladas por vírgula.
lidade, uso do padrão culto de linguagem, clareza, con-
A globalização causa, caro leitor, desemprego no Bra-
cisão, formalidade e uniformidade. Fundamentalmente
sil…
esses atributos decorrem da Constituição, que dispõe,
Neste outro caso, há um vocativo entre o verbo e o
no artigo 37: “A administração pública direta, indireta
seu complemento.
ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá
A globalização causa desemprego, e isto é lamentável,
aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade,
no Brasil…
publicidade e eficiência (...)”. Sendo a publicidade e a im-
Aqui, há uma oração intercalada (note que ela não pessoalidade princípios fundamentais de toda adminis-
pertence ao assunto: globalização, da frase principal, tal tração pública, claro está que devem igualmente nortear
oração é apenas um comentário à parte entre o comple- a elaboração dos atos e comunicações oficiais.
mento verbal e os adjuntos). Não se concebe que um ato normativo de qualquer
Observação: natureza seja redigido de forma obscura, que dificulte ou
A simples negação em uma frase não exige vírgula: A impossibilite sua compreensão. A transparência do sen-
globalização não causou desemprego no Brasil e na Amé- tido dos atos normativos, bem como sua inteligibilidade,
rica Latina. são requisitos do próprio Estado de Direito: é inaceitável
que um texto legal não seja entendido pelos cidadãos.
LÍNGUA PORTUGUESA

C) Quando “quebramos” a ordem direta, invertendo- A publicidade implica, pois, necessariamente, clareza e
-a, tal quebra torna a vírgula necessária. Esta é a regra n.º concisão.
3 da colocação da vírgula. Além de atender à disposição constitucional, a forma
No Brasil e na América Latina, a globalização está cau- dos atos normativos obedece a certa tradição. Há nor-
sando desemprego… mas para sua elaboração que remontam ao período de
No fim do século XX, a globalização causou desempre- nossa história imperial, como, por exemplo, a obrigato-
go no Brasil… riedade – estabelecida por decreto imperial de 10 de de-

76
zembro de 1822 – de que se aponha, ao final desses atos, Seção, é sempre em nome do Serviço Público que
o número de anos transcorridos desde a Independência. é feita a comunicação. Obtém-se, assim, uma de-
Essa prática foi mantida no período republicano. Esses sejável padronização, que permite que comunica-
mesmos princípios (impessoalidade, clareza, uniformida- ções elaboradas em diferentes setores da Adminis-
de, concisão e uso de linguagem formal) aplicam-se às tração guardem entre si certa uniformidade;
comunicações oficiais: elas devem sempre permitir uma b) da impessoalidade de quem recebe a comunica-
única interpretação e ser estritamente impessoais e uni- ção, com duas possibilidades: ela pode ser dirigida
formes, o que exige o uso de certo nível de linguagem. a um cidadão, sempre concebido como público,
Nesse quadro, fica claro também que as comuni- ou a outro órgão público. Nos dois casos, temos
cações oficiais são necessariamente uniformes, pois há um destinatário concebido de forma homogênea
sempre um único comunicador (o Serviço Público) e o e impessoal;
receptor dessas comunicações ou é o próprio Serviço c) do caráter impessoal do próprio assunto tratado:
Público (no caso de expedientes dirigidos por um órgão se o universo temático das comunicações oficiais
a outro) – ou o conjunto dos cidadãos ou instituições se restringe a questões que dizem respeito ao in-
tratados de forma homogênea (o público). teresse público, é natural que não cabe qualquer
tom particular ou pessoal. Desta forma, não há
Outros procedimentos rotineiros na redação de co- lugar na redação oficial para impressões pessoais,
municações oficiais foram incorporados ao longo do
como as que, por exemplo, constam de uma carta
tempo, como as formas de tratamento e de cortesia,
a um amigo, ou de um artigo assinado de jornal,
certos clichês de redação, a estrutura dos expedientes,
ou mesmo de um texto literário. A redação oficial
etc. Mencione-se, por exemplo, a fixação dos fechos para
deve ser isenta da interferência da individualidade
comunicações oficiais, regulados pela Portaria n.º 1 do
que a elabora.
Ministro de Estado da Justiça, de 8 de julho de 1937.
A concisão, a clareza, a objetividade e a formalidade
Acrescente-se, por fim, que a identificação que se
de que nos valemos para elaborar os expedientes oficiais
buscou fazer das características específicas da forma ofi-
contribuem, ainda, para que seja alcançada a necessária
cial de redigir não deve ensejar o entendimento de que
se proponha a criação – ou se aceite a existência – de impessoalidade.
uma forma específica de linguagem administrativa, o que
coloquialmente e pejorativamente se chama burocratês. 2. A Linguagem dos Atos e Comunicações Oficiais
Este é antes uma distorção do que deve ser a redação
oficial, e se caracteriza pelo abuso de expressões e cli- A necessidade de empregar determinado nível de lin-
chês do jargão burocrático e de formas arcaicas de cons- guagem nos atos e expedientes oficiais decorre, de um
trução de frases. lado, do próprio caráter público desses atos e comuni-
A redação oficial não é, portanto, necessariamente cações; de outro, de sua finalidade. Os atos oficiais, aqui
árida e infensa à evolução da língua. É que sua finali- entendidos como atos de caráter normativo, ou estabe-
dade básica – comunicar com impessoalidade e máxima lecem regras para a conduta dos cidadãos, ou regulam
clareza – impõe certos parâmetros ao uso que se faz da o funcionamento dos órgãos públicos, o que só é alcan-
língua, de maneira diversa daquele da literatura, do texto çado se em sua elaboração for empregada a linguagem
jornalístico, da correspondência particular, etc. adequada. O mesmo se dá com os expedientes oficiais,
Apresentadas essas características fundamentais da cuja finalidade precípua é a de informar com clareza e
redação oficial, passemos à análise pormenorizada de objetividade. As comunicações que partem dos órgãos
cada uma delas. públicos federais devem ser compreendidas por todo e
qualquer cidadão brasileiro. Para atingir esse objetivo, há
1. A Impessoalidade que evitar o uso de uma linguagem restrita a determina-
dos grupos. Não há dúvida que um texto marcado por
A finalidade da língua é comunicar, quer pela fala, expressões de circulação restrita, como a gíria, os regio-
quer pela escrita. Para que haja comunicação, são neces- nalismos vocabulares ou o jargão técnico, tem sua com-
sários: a) alguém que comunique, b) algo a ser comuni- preensão dificultada.
cado, e c) alguém que receba essa comunicação. No caso Ressalte-se que há necessariamente uma distância
da redação oficial, quem comunica é sempre o Serviço entre a língua falada e a escrita. Aquela é extremamente
Público (este ou aquele Ministério, Secretaria, Depar- dinâmica, reflete de forma imediata qualquer alteração
tamento, Divisão, Serviço, Seção); o que se comunica é de costumes, e pode eventualmente contar com outros
sempre algum assunto relativo às atribuições do órgão elementos que auxiliem a sua compreensão, como os
que comunica; o destinatário dessa comunicação ou é o gestos, a entoação, etc., para mencionar apenas alguns
público, o conjunto dos cidadãos, ou outro órgão públi- dos fatores responsáveis por essa distância. Já a língua
LÍNGUA PORTUGUESA

co, do Executivo ou dos outros Poderes da União. escrita incorpora mais lentamente as transformações,
Percebe-se, assim, que o tratamento impessoal que tem maior vocação para a permanência, e vale-se apenas
deve ser dado aos assuntos que constam das comunica- de si mesma para comunicar.
ções oficiais decorre: A língua escrita, como a falada, compreende diferen-
a) da ausência de impressões individuais de quem tes níveis, de acordo com o uso que dela se faça. Por
comunica: embora se trate, por exemplo, de um exemplo, em uma carta a um amigo, podemos nos valer
expediente assinado por Chefe de determinada de determinado padrão de linguagem que incorpore ex-
pressões extremamente pessoais ou coloquiais; em um

77
parecer jurídico, não se há de estranhar a presença do 4. Concisão e Clareza
vocabulário técnico correspondente. Nos dois casos, há
um padrão de linguagem que atende ao uso que se faz A concisão é antes uma qualidade do que uma carac-
da língua, a finalidade com que a empregamos. terística do texto oficial. Conciso é o texto que consegue
O mesmo ocorre com os textos oficiais: por seu ca- transmitir um máximo de informações com um mínimo
ráter impessoal, por sua finalidade de informar com o de palavras. Para que se redija com essa qualidade, é fun-
máximo de clareza e concisão, eles requerem o uso do damental que se tenha, além de conhecimento do assun-
padrão culto da língua. Há consenso de que o padrão to sobre o qual se escreve, o necessário tempo para revi-
culto é aquele em que a) se observam as regras da gra- sar o texto depois de pronto. É nessa releitura que muitas
mática formal, e b) se emprega um vocabulário comum vezes se percebem eventuais redundâncias ou repetições
ao conjunto dos usuários do idioma. É importante res- desnecessárias de ideias.
saltar que a obrigatoriedade do uso do padrão culto na O esforço de sermos concisos atende, basicamente,
redação oficial decorre do fato de que ele está acima das ao princípio de economia linguística, à mencionada fór-
diferenças lexicais, morfológicas ou sintáticas regionais, mula de empregar o mínimo de palavras para informar o
dos modismos vocabulares, das idiossincrasias linguísti- máximo. Não se deve de forma alguma entendê-la como
cas, permitindo, por essa razão, que se atinja a pretendi- economia de pensamento, isto é, não se devem eliminar
da compreensão por todos os cidadãos. Lembre-se de passagens substanciais do texto no afã de reduzi-lo em
que o padrão culto nada tem contra a simplicidade de tamanho. Trata-se exclusivamente de cortar palavras inú-
expressão, desde que não seja confundida com pobreza teis, redundâncias, passagens que nada acrescentem ao
de expressão. De nenhuma forma o uso do padrão culto que já foi dito.
implica emprego de linguagem rebuscada, nem dos con- Procure perceber certa hierarquia de ideias que existe
torcionismos sintáticos e figuras de linguagem próprios em todo texto de alguma complexidade: ideias funda-
da língua literária. mentais e ideias secundárias. Estas últimas podem es-
Pode-se concluir, então, que não existe propriamente clarecer o sentido daquelas, detalhá-las, exemplificá-las;
um “padrão oficial de linguagem”; o que há é o uso do mas existem também ideias secundárias que não acres-
padrão culto nos atos e comunicações oficiais. É claro que
centam informação alguma ao texto, nem têm maior re-
haverá preferência pelo uso de determinadas expressões,
lação com as fundamentais, podendo, por isso, ser dis-
ou será obedecida certa tradição no emprego das formas
pensadas.
sintáticas, mas isso não implica, necessariamente, que se
A clareza deve ser a qualidade básica de todo texto
consagre a utilização de uma forma de linguagem bu-
oficial. Pode-se definir como claro aquele texto que pos-
rocrática. O jargão burocrático, como todo jargão, deve
sibilita imediata compreensão pelo leitor. No entanto, a
ser evitado, pois terá sempre sua compreensão limitada.
clareza não é algo que se atinja por si só: ela depende es-
A linguagem técnica deve ser empregada apenas em
situações que a exijam, sendo de evitar o seu uso indis- tritamente das demais características da redação oficial.
criminado. Certos rebuscamentos acadêmicos, e mesmo Para ela concorrem:
o vocabulário próprio à determinada área, são de difícil a) a impessoalidade, que evita a duplicidade de inter-
entendimento por quem não esteja com eles familiariza- pretações que poderia decorrer de um tratamento
do. Deve-se ter o cuidado, portanto, de explicitá-los em personalista dado ao texto;
comunicações encaminhadas a outros órgãos da admi- b) o uso do padrão culto de linguagem, em princí-
nistração e em expedientes dirigidos aos cidadãos. pio, de entendimento geral e por definição avesso
a vocábulos de circulação restrita, como a gíria e
3. Formalidade e Padronização o jargão;
c) a formalidade e a padronização, que possibilitam a
As comunicações oficiais devem ser sempre formais, imprescindível uniformidade dos textos;
isto é, obedecem a certas regras de forma: além das já d) a concisão, que faz desaparecer do texto os exces-
mencionadas exigências de impessoalidade e uso do pa- sos linguísticos que nada lhe acrescentam.
drão culto de linguagem, é imperativo, ainda, certa for-
malidade de tratamento. Não se trata somente da eterna É pela correta observação dessas características que
dúvida quanto ao correto emprego deste ou daquele se redige com clareza. Contribuirá, ainda, a indispensável
pronome de tratamento para uma autoridade de certo; releitura de todo texto redigido. A ocorrência, em tex-
mais do que isso, a formalidade diz respeito à polidez, à tos oficiais, de trechos obscuros e de erros gramaticais
civilidade no próprio enfoque dado ao assunto do qual provém, principalmente, da falta da releitura que torna
cuida a comunicação. possível sua correção.
A formalidade de tratamento vincula-se, também, à Na revisão de um expediente, deve-se avaliar, ainda,
necessária uniformidade das comunicações. Ora, se a ad- se ele será de fácil compreensão por seu destinatário. O
que nos parece óbvio pode ser desconhecido por ter-
LÍNGUA PORTUGUESA

ministração federal é una, é natural que as comunicações


que expede sigam um mesmo padrão. O estabelecimen- ceiros. O domínio que adquirimos sobre certos assuntos
to desse padrão, uma das metas deste Manual, exige que em decorrência de nossa experiência profissional muitas
se atente para todas as características da redação oficial vezes faz com que os tomemos como de conhecimento
e que se cuide, ainda, da apresentação dos textos. geral, o que nem sempre é verdade. Explicite, desenvol-
A clareza datilográfica, o uso de papéis uniformes va, esclareça, precise os termos técnicos, o significado
para o texto definitivo e a correta diagramação do texto das siglas e abreviações e os conceitos específicos que
são indispensáveis para a padronização. não possam ser dispensados.

78
A revisão atenta exige, necessariamente, tempo. A Da mesma forma, os pronomes possessivos referidos a
pressa com que são elaboradas certas comunicações pronomes de tratamento são sempre os da terceira pes-
quase sempre compromete sua clareza. Não se deve soa: “Vossa Senhoria nomeará seu substituto” (e não “Vossa
proceder à redação de um texto que não seja seguida ... vosso...”). Já quanto aos adjetivos referidos a esses pro-
por sua revisão. “Não há assuntos urgentes, há assuntos nomes, o gênero gramatical deve coincidir com o sexo da
atrasados”, diz a máxima. Evite-se, pois, o atraso, com sua pessoa a que se refere, e não com o substantivo que com-
indesejável repercussão no redigir. põe a locução. Assim, se nosso interlocutor for homem, o
correto é “Vossa Excelência está atarefado”, “Vossa Senhoria
5. As Comunicações Oficiais deve estar satisfeito”; se for mulher, “Vossa Excelência está
atarefada”, “Vossa Senhoria deve estar satisfeita”.
5.1. Introdução
6.3. Emprego dos Pronomes de Tratamento
A redação das comunicações oficiais deve, antes de
tudo, seguir os preceitos explicitados no Capítulo I, As- Como visto, o emprego dos pronomes de tratamento
pectos Gerais da Redação Oficial. Além disso, há caracte- obedece a secular tradição. São de uso consagrado:
rísticas específicas de cada tipo de expediente, que serão Vossa Excelência, para as seguintes autoridades:
tratadas em detalhe neste capítulo. Antes de passarmos a) do Poder Executivo;
à sua análise, vejamos outros aspectos comuns a quase Presidente da República;
todas as modalidades de comunicação oficial: o empre- Vice-Presidente da República;
go dos pronomes de tratamento, a forma dos fechos e a Ministros de Estado;
identificação do signatário. Governadores e Vice-Governadores de Estado e do
Distrito Federal;
6. Pronomes de Tratamento Oficiais-Generais das Forças Armadas;
Embaixadores;
6.1. Breve História dos Pronomes de Tratamento Secretários-Executivos de Ministérios e demais ocu-
pantes de cargos de natureza especial;
O uso de pronomes e locuções pronominais de tra- Secretários de Estado dos Governos Estaduais;
tamento tem larga tradição na língua portuguesa. De Prefeitos Municipais.
acordo com Said Ali, após serem incorporados ao por-
tuguês os pronomes latinos tu e vos, “como tratamento b) do Poder Legislativo:
direto da pessoa ou pessoas a quem se dirigia a palavra”, Deputados Federais e Senadores;
passou-se a empregar, como expediente linguístico de Ministros do Tribunal de Contas da União;
distinção e de respeito, a segunda pessoa do plural no Deputados Estaduais e Distritais;
tratamento de pessoas de hierarquia superior. Prossegue Conselheiros dos Tribunais de Contas Estaduais;
o autor: “Outro modo de tratamento indireto consistiu Presidentes das Câmaras Legislativas Municipais.
em fingir que se dirigia a palavra a um atributo ou qua-
lidade eminente da pessoa de categoria superior, e não c) do Poder Judiciário:
a ela própria. Assim aproximavam-se os vassalos de seu Ministros dos Tribunais Superiores;
rei com o tratamento de vossa mercê, vossa senhoria (...); Membros de Tribunais;
assim usou-se o tratamento ducal de vossa excelência e Juízes;
adotaram-se na hierarquia eclesiástica vossa reverência, Auditores da Justiça Militar.
vossa paternidade, vossa eminência, vossa santidade.”
A partir do final do século XVI, esse modo de trata- O vocativo a ser empregado em comunicações diri-
mento indireto já estava em voga também para os ocu- gidas aos Chefes de Poder é Excelentíssimo Senhor, se-
pantes de certos cargos públicos. Vossa mercê evoluiu guido do cargo respectivo:
para vosmecê, e depois para o coloquial você. E o prono- Excelentíssimo Senhor Presidente da República,
me vós, com o tempo, caiu em desuso. É dessa tradição Excelentíssimo Senhor Presidente do Congresso Nacional,
que provém o atual emprego de pronomes de tratamen- Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal
to indireto como forma de dirigirmo-nos às autoridades Federal.
civis, militares e eclesiásticas.
As demais autoridades serão tratadas com o vocativo
6.2. Concordância com os Pronomes de Tratamento Senhor, seguido do cargo respectivo:
Senhor Senador,
Os pronomes de tratamento (ou de segunda pessoa Senhor Juiz,
LÍNGUA PORTUGUESA

indireta) apresentam certas peculiaridades quanto à con- Senhor Ministro,


cordância verbal, nominal e pronominal. Embora se refi- Senhor Governador,
ram a segunda pessoa gramatical (à pessoa com quem se No envelope, o endereçamento das comunicações di-
fala, ou a quem se dirige a comunicação), levam a con- rigidas às autoridades tratadas por Vossa Excelência, terá
cordância para a terceira pessoa. É que o verbo concor- a seguinte forma:
da com o substantivo que integra a locução como seu A Sua Excelência o Senhor
núcleo sintático: “Vossa Senhoria nomeará o substituto”; Fulano de Tal
“Vossa Excelência conhece o assunto”. Ministro de Estado da Justiça

79
70064-900 – Brasília. DF 7. Fechos para Comunicações

A Sua Excelência o Senhor O fecho das comunicações oficiais possui, além da


Senador Fulano de Tal finalidade óbvia de arrematar o texto, a de saudar o des-
Senado Federal tinatário. Os modelos para fecho que vinham sendo uti-
70165-900 – Brasília. DF lizados foram regulados pela Portaria n.º 1 do Ministério
da Justiça, de 1937, que estabelecia quinze padrões. Com
A Sua Excelência o Senhor o fito de simplificá-los e uniformizá-los, este Manual es-
Fulano de Tal tabelece o emprego de somente dois fechos diferentes
Juiz de Direito da 10.ª Vara Cível para todas as modalidades de comunicação oficial:
Rua ABC, n.º 123 a) para autoridades superiores, inclusive o Presidente
01010-000 – São Paulo. SP da República: Respeitosamente,
b) para autoridades de mesma hierarquia ou de hie-
Em comunicações oficiais, está abolido o uso do tra- rarquia inferior: Atenciosamente,
tamento Digníssimo (DD), às autoridades arroladas na
lista anterior. A dignidade é pressuposto para que se Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações di-
ocupe qualquer cargo público, sendo desnecessária sua rigidas a autoridades estrangeiras, que atendem a rito e
repetida evocação. tradição próprios, devidamente disciplinados no Manual
de Redação do Ministério das Relações Exteriores.
Vossa Senhoria é empregado para as demais autori-
dades e para particulares. O vocativo adequado é: 8. Identificação do Signatário
Senhor Fulano de Tal,
(...) Excluídas as comunicações assinadas pelo Presiden-
No envelope, deve constar do endereçamento: te da República, todas as demais comunicações oficiais
Ao Senhor devem trazer o nome e o cargo da autoridade que as
Fulano de Tal expede, abaixo do local de sua assinatura. A forma da
Rua ABC, n.º 123 identificação deve ser a seguinte:
12345-000 – Curitiba. PR (espaço para assinatura)
NOME
Como se depreende do exemplo acima, fica dispen-
Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República
sado o emprego do superlativo ilustríssimo para as au-
(espaço para assinatura)
toridades que recebem o tratamento de Vossa Senhoria
NOME
e para particulares. É suficiente o uso do pronome de
Ministro de Estado da Justiça
tratamento Senhor.
Acrescente-se que doutor não é forma de tratamen-
Para evitar equívocos, recomenda-se não deixar a as-
to, e sim título acadêmico. Evite usá-lo indiscriminada-
mente. Como regra geral, empregue-o apenas em co- sinatura em página isolada do expediente. Transfira para
municações dirigidas a pessoas que tenham tal grau por essa página ao menos a última frase anterior ao fecho.
terem concluído curso universitário de doutorado. É cos-
tume designar por doutor os bacharéis, especialmente os 9. O Padrão Ofício
bacharéis em Direito e em Medicina. Nos demais casos,
o tratamento Senhor confere a desejada formalidade às Há três tipos de expedientes que se diferenciam antes
comunicações. pela finalidade do que pela forma: o ofício, o aviso e o
Mencionemos, ainda, a forma Vossa Magnificência, memorando. Com o fito de uniformizá-los, pode-se ado-
empregada, por força da tradição, em comunicações di- tar uma diagramação única, que siga o que chamamos
rigidas a reitores de universidade. Corresponde-lhe o vo- de padrão ofício.
cativo: Magnífico Reitor, (...)
Os pronomes de tratamento para religiosos, de acor- 10. Partes do documento no Padrão Ofício
do com a hierarquia eclesiástica, são:
Vossa Santidade, em comunicações dirigidas ao O aviso, o ofício e o memorando devem conter as
Papa. O vocativo correspondente é: Santíssimo Padre, seguintes partes:
(...) a) tipo e número do expediente, seguido da sigla do
Vossa Eminência ou Vossa Eminência Reverendís- órgão que o expede: Exemplos: Mem. 123/2002-MF Aviso
sima, em comunicações aos Cardeais. Corresponde-lhe 123/2002-SG Of. 123/2002-MME
o vocativo: Eminentíssimo Senhor Cardeal, ou Eminen- b) local e data em que foi assinado, por extenso, com
tíssimo e Reverendíssimo Senhor Cardeal, (...) alinhamento à direita: Exemplo:
LÍNGUA PORTUGUESA

Vossa Excelência Reverendíssima é usado em co- Brasília, 15 de março de 1991.


municações dirigidas a Arcebispos e Bispos;
Vossa Reverendíssima ou Vossa Senhoria Reveren- c) assunto: resumo do teor do documento Exemplos:
díssima para Monsenhores, Cônegos e superiores reli- Assunto: Produtividade do órgão em 2002.
giosos. Assunto: Necessidade de aquisição de novos compu-
Vossa Reverência é empregado para sacerdotes, clé- tadores.
rigos e demais religiosos.

80
d) destinatário: o nome e o cargo da pessoa a quem d) os ofícios, memorandos e anexos destes poderão
é dirigida a comunicação. No caso do ofício deve ser in- ser impressos em ambas as faces do papel. Neste
cluído também o endereço. caso, as margens esquerda e direita terão as dis-
e) texto: nos casos em que não for de mero encami- tâncias invertidas nas páginas pares (“margem es-
nhamento de documentos, o expediente deve conter a pelho”);
seguinte estrutura: e) o início de cada parágrafo do texto deve ter 2,5 cm
de distância da margem esquerda;
– introdução, que se confunde com o parágrafo de f) o campo destinado à margem lateral esquerda terá,
abertura, na qual é apresentado o assunto que motiva a no mínimo, 3,0 cm de largura;
comunicação. Evite o uso das formas: “Tenho a honra de”, g) o campo destinado à margem lateral direita terá
“Tenho o prazer de”, “Cumpre-me informar que”, empre- 1,5 cm;
gue a forma direta; O constante neste item aplica-se também à exposição
– desenvolvimento, no qual o assunto é detalhado; de motivos e à mensagem (v. 4. Exposição de Moti-
se o texto contiver mais de uma ideia sobre o assunto, vos e 5. Mensagem).
elas devem ser tratadas em parágrafos distintos, o que h) deve ser utilizado espaçamento simples entre as
confere maior clareza à exposição; linhas e de 6 pontos após cada parágrafo, ou, se o
– conclusão, em que é reafirmada ou simplesmente editor de texto utilizado não comportar tal recurso,
reapresentada a posição recomendada sobre o assunto. de uma linha em branco;
Os parágrafos do texto devem ser numerados, exceto i) não deve haver abuso no uso de negrito, itálico,
nos casos em que estes estejam organizados em itens ou sublinhado, letras maiúsculas, sombreado, sombra,
títulos e subtítulos. Já quando se tratar de mero encami- relevo, bordas ou qualquer outra forma de forma-
nhamento de documentos a estrutura é a seguinte: tação que afete a elegância e a sobriedade do do-
– introdução: deve iniciar com referência ao expe- cumento;
diente que solicitou o encaminhamento. Se a remessa do j) a impressão dos textos deve ser feita na cor preta
documento não tiver sido solicitada, deve iniciar com a em papel branco. A impressão colorida deve ser
informação do motivo da comunicação, que é encami- usada apenas para gráficos e ilustrações;
nhar, indicando a seguir os dados completos do docu- k) todos os tipos de documentos do Padrão Ofício
mento encaminhado (tipo, data, origem ou signatário, devem ser impressos em papel de tamanho A-4,
e assunto de que trata), e a razão pela qual está sendo ou seja, 29,7 x 21,0 cm;
encaminhado, segundo a seguinte fórmula: “Em resposta l) deve ser utilizado, preferencialmente, o formato de
ao Aviso n.º 12, de 1.º de fevereiro de 1991, encaminho, arquivo Rich Text nos documentos de texto;
anexa, cópia do Ofício n.º 34, de 3 de abril de 1990, do m) dentro do possível, todos os documentos elabora-
Departamento Geral de Administração, que trata da re- dos devem ter o arquivo de texto preservado para
quisição do servidor Fulano de Tal.” Ou “Encaminho, para consulta posterior ou aproveitamento de trechos
exame e pronunciamento, a anexa cópia do telegrama no para casos análogos;
12, de 1.º de fevereiro de 1991, do Presidente da Confe- n) para facilitar a localização, os nomes dos arquivos
deração Nacional de Agricultura, a respeito de projeto de devem ser formados da seguinte maneira: tipo do
modernização de técnicas agrícolas na região Nordeste.” documento + número do documento + palavras-
– desenvolvimento: se o autor da comunicação de- -chaves do conteúdo. Ex.: “Of. 123 - relatório pro-
sejar fazer algum comentário a respeito do documento dutividade ano 2002”
que encaminha, poderá acrescentar parágrafos de de-
senvolvimento; em caso contrário, não há parágrafos de 12. Aviso e Ofício
desenvolvimento em aviso ou ofício de mero encaminha-
mento. 12.1. Definição e Finalidade
f) fecho (v. 2.2. Fechos para Comunicações);
g) assinatura do autor da comunicação; e Aviso e ofício são modalidades de comunicação ofi-
h) identificação do signatário (v. 2.3. Identificação do cial praticamente idênticas. A única diferença entre eles é
Signatário). que o aviso é expedido exclusivamente por Ministros de
Estado, para autoridades de mesma hierarquia, ao passo
11. Forma de diagramação que o ofício é expedido para e pelas demais autoridades.
Ambos têm como finalidade o tratamento de assuntos
Os documentos do Padrão Ofício devem obedecer à oficiais pelos órgãos da Administração Pública entre si e,
seguinte forma de apresentação: no caso do ofício, também com particulares.
a) deve ser utilizada fonte do tipo Times New Roman
LÍNGUA PORTUGUESA

de corpo 12 no texto em geral, 11 nas citações, e 12.2. Forma e Estrutura


10 nas notas de rodapé;
b) para símbolos não existentes na fonte Times New Quanto a sua forma, aviso e ofício seguem o modelo
Roman poder-se-á utilizar as fontes Symbol e do padrão ofício, com acréscimo do vocativo, que invoca
Wingdings; o destinatário (v. 2.1 Pronomes de Tratamento), seguido
c) é obrigatório constar a partir da segunda página o de vírgula. Exemplos:
número da página; Excelentíssimo Senhor Presidente da República
Senhora Ministra

81
Senhor Chefe de Gabinete A exposição de motivos, de acordo com sua finalida-
de, apresenta duas formas básicas de estrutura: uma para
Devem constar do cabeçalho ou do rodapé do ofício aquela que tenha caráter exclusivamente informativo e
as seguintes informações do remetente: outra para a que proponha alguma medida ou submeta
– nome do órgão ou setor; projeto de ato normativo.
– endereço postal; No primeiro caso, o da exposição de motivos que
– telefone e endereço de correio eletrônico. simplesmente leva algum assunto ao conhecimento do
Presidente da República, sua estrutura segue o modelo
13. Memorando antes referido para o padrão ofício. Já a exposição de
motivos que submeta à consideração do Presidente da
13.1. Definição e Finalidade República a sugestão de alguma medida a ser adotada
ou a que lhe apresente projeto de ato normativo – em-
O memorando é a modalidade de comunicação en- bora sigam também a estrutura do padrão ofício –, além
tre unidades administrativas de um mesmo órgão, que de outros comentários julgados pertinentes por seu au-
podem estar hierarquicamente em mesmo nível ou em tor, devem, obrigatoriamente, apontar:
níveis diferentes. Trata-se, portanto, de uma forma de co- a) na introdução: o problema que está a reclamar a
municação eminentemente interna. Pode ter caráter me- adoção da medida ou do ato normativo proposto;
ramente administrativo, ou ser empregado para a expo- b) no desenvolvimento: o porquê de ser aquela medi-
sição de projetos, ideias, diretrizes, etc. a serem adotados da ou aquele ato normativo o ideal para se solucio-
por determinado setor do serviço público. Sua caracterís- nar o problema, e eventuais alternativas existentes
tica principal é a agilidade. A tramitação do memorando para equacioná-lo;
em qualquer órgão deve pautar-se pela rapidez e pela c) na conclusão, novamente, qual medida deve ser to-
simplicidade de procedimentos burocráticos. Para evitar mada, ou qual ato normativo deve ser editado para
desnecessário aumento do número de comunicações, os solucionar o problema.
despachos ao memorando devem ser dados no próprio
Deve, ainda, trazer apenso o formulário de anexo à ex-
documento e, no caso de falta de espaço, em folha de
posição de motivos, devidamente preenchido, de acordo
continuação. Esse procedimento permite formar uma
Com o modelo previsto no Anexo II do Decreto n.º 4.176,
espécie de processo simplificado, assegurando maior
de 28 de março de 2002.
transparência à tomada de decisões, e permitindo que se
Ao elaborar uma exposição de motivos, tenha presen-
historie o andamento da matéria tratada no memorando.
te que a atenção aos requisitos básicos da redação oficial
(clareza, concisão, impessoalidade, formalidade, padro-
13.2. Forma e Estrutura nização e uso do padrão culto de linguagem) deve ser
redobrada.
Quanto a sua forma, o memorando segue o modelo A exposição de motivos é a principal modalidade de
do padrão ofício, com a diferença de que o seu destina- comunicação dirigida ao Presidente da República pelos
tário deve ser mencionado pelo cargo que ocupa. Exem- Ministros.
plos: Além disso, pode, em certos casos, ser encaminhada
Ao Sr. Chefe do Departamento de Administração cópia ao Congresso Nacional ou ao Poder Judiciário ou,
Ao Sr. Subchefe para Assuntos Jurídicos ainda, ser publicada no Diário Oficial da União, no todo
ou em parte.
14. Exposição de Motivos
15. Mensagem
14.1. Definição e Finalidade
15.1. Definição e Finalidade
Exposição de motivos é o expediente dirigido ao Pre-
sidente da República ou ao Vice-Presidente para: É o instrumento de comunicação oficial entre os Che-
a) informá-lo de determinado assunto; fes dos Poderes Públicos, notadamente as mensagens en-
b) propor alguma medida; ou viadas pelo Chefe do Poder Executivo ao Poder Legislativo
c) submeter a sua consideração projeto de ato nor- para informar sobre fato da Administração Pública; expor
mativo. o plano de governo por ocasião da abertura de sessão
Em regra, a exposição de motivos é dirigida ao Presi- legislativa; submeter ao Congresso Nacional matérias que
dente da República por um Ministro de Estado. Nos casos dependem de deliberação de suas Casas; apresentar veto;
em que o assunto tratado envolva mais de um Ministério, enfim, fazer e agradecer comunicações de tudo quanto
a exposição de motivos deverá ser assinada por todos os seja de interesse dos poderes públicos e da Nação.
Ministros envolvidos, sendo, por essa razão, chamada de Minuta de mensagem pode ser encaminhada pelos
LÍNGUA PORTUGUESA

interministerial. Ministérios à Presidência da República, a cujas assessorias


caberá a redação final.
14.2. Forma e Estrutura As mensagens mais usuais do Poder Executivo ao
Congresso Nacional têm as seguintes finalidades:
Formalmente, a exposição de motivos tem a apresen- a) encaminhamento de projeto de lei ordinária, com-
tação do padrão ofício (v. 3. O Padrão Ofício). plementar ou financeira. Os projetos de lei ordinária ou
complementar são enviados em regime normal (Consti-

82
tuição, art. 61) ou de urgência (Constituição, art. 64, §§ 1.º O Presidente da República, tradicionalmente, por cor-
a 4.º). Cabe lembrar que o projeto pode ser encaminha- tesia, quando a ausência é por prazo inferior a 15 dias, faz
do sob o regime normal e mais tarde ser objeto de nova uma comunicação a cada Casa do Congresso, enviando-
mensagem, com solicitação de urgência. -lhes mensagens idênticas.
Em ambos os casos, a mensagem se dirige aos Mem-
bros do Congresso Nacional, mas é encaminhada com e) encaminhamento de atos de concessão e renova-
aviso do Chefe da Casa Civil da Presidência da República ção de concessão de emissoras de rádio e TV.
ao Primeiro Secretário da Câmara dos Deputados, para A obrigação de submeter tais atos à apreciação do
que tenha início sua tramitação (Constituição, art. 64, Congresso Nacional consta no inciso XII do artigo 49 da
caput). Constituição. Somente produzirão efeitos legais a ou-
Quanto aos projetos de lei financeira (que compreen- torga ou renovação da concessão após deliberação do
dem plano plurianual, diretrizes orçamentárias, orçamen- Congresso Nacional (Constituição, art. 223, § 3.º). Des-
tos anuais e créditos adicionais), as mensagens de en- cabe pedir na mensagem a urgência prevista no art. 64
caminhamento dirigem-se aos Membros do Congresso da Constituição, porquanto o § 1.º do art. 223 já define o
Nacional, e os respectivos avisos são endereçados ao prazo da tramitação.
Primeiro Secretário do Senado Federal. A razão é que o Além do ato de outorga ou renovação, acompanha
art. 166 da Constituição impõe a deliberação congressual a mensagem o correspondente processo administrativo.
sobre as leis financeiras em sessão conjunta, mais preci- f) encaminhamento das contas referentes ao exercício
samente, “na forma do regimento comum”. E à frente da anterior.
Mesa do Congresso Nacional está o Presidente do Sena- O Presidente da República tem o prazo de sessenta
do Federal (Constituição, art. 57, § 5.º), que comanda as dias após a abertura da sessão legislativa para enviar ao
sessões conjuntas. Congresso Nacional as contas referentes ao exercício an-
As mensagens aqui tratadas coroam o processo de- terior (Constituição, art. 84, XXIV), para exame e parecer
senvolvido no âmbito do Poder Executivo, que abrange da Comissão Mista permanente (Constituição, art. 166,
minucioso exame técnico, jurídico e econômico-financei- § 1.º), sob pena de a Câmara dos Deputados realizar a
ro das matérias objeto das proposições por elas encami- tomada de contas (Constituição, art. 51, II), em procedi-
nhadas. mento disciplinado no art. 215 do seu Regimento Interno.
Tais exames materializam-se em pareceres dos di-
versos órgãos interessados no assunto das proposições, g) mensagem de abertura da sessão legislativa.
entre eles o da Advocacia-Geral da União. Mas, na ori- Ela deve conter o plano de governo, exposição sobre
gem das propostas, as análises necessárias constam da a situação do País e solicitação de providências que jul-
exposição de motivos do órgão onde se geraram (v. 3.1. gar necessárias (Constituição, art. 84, XI).
Exposição de Motivos) – exposição que acompanhará, por O portador da mensagem é o Chefe da Casa Civil da
cópia, a mensagem de encaminhamento ao Congresso. Presidência da República. Esta mensagem difere das de-
mais porque vai encadernada e é distribuída a todos os
b) encaminhamento de medida provisória. Congressistas em forma de livro.
Para dar cumprimento ao disposto no art. 62 da Cons-
tituição, o Presidente da República encaminha mensa- h) comunicação de sanção (com restituição de autó-
gem ao Congresso, dirigida a seus membros, com aviso grafos).
para o Primeiro Secretário do Senado Federal, juntando Esta mensagem é dirigida aos Membros do Congres-
cópia da medida provisória, autenticada pela Coordena- so Nacional, encaminhada por Aviso ao Primeiro Secre-
ção de Documentação da Presidência da República. tário da Casa onde se originaram os autógrafos. Nela se
informa o número que tomou a lei e se restituem dois
c) indicação de autoridades. exemplares dos três autógrafos recebidos, nos quais o
As mensagens que submetem ao Senado Federal a Presidente da República terá aposto o despacho de san-
indicação de pessoas para ocuparem determinados car- ção.
gos (magistrados dos Tribunais Superiores, Ministros do
TCU, Presidentes e Diretores do Banco Central, Procura- i) comunicação de veto.
dor-Geral da República, Chefes de Missão Diplomática, Dirigida ao Presidente do Senado Federal (Constitui-
etc.) têm em vista que a Constituição, no seu art. 52, in- ção, art. 66, § 1.º), a mensagem informa sobre a decisão
cisos III e IV, atribui àquela Casa do Congresso Nacional de vetar, se o veto é parcial, quais as disposições vetadas,
competência privativa para aprovar a indicação. e as razões do veto. Seu texto vai publicado na íntegra
no Diário Oficial da União (v. 4.2. Forma e Estrutura), ao
O curriculum vitae do indicado, devidamente assina- contrário das demais mensagens, cuja publicação se res-
do, acompanha a mensagem.
LÍNGUA PORTUGUESA

tringe à notícia do seu envio ao Poder Legislativo.


d) pedido de autorização para o Presidente ou o Vi-
ce-Presidente da República se ausentar do País por mais j) outras mensagens.
de 15 dias. Também são remetidas ao Legislativo com regular
Trata-se de exigência constitucional (Constituição, art. frequência mensagens com:
49, III, e 83), e a autorização é da competência privativa – encaminhamento de atos internacionais que acarre-
do Congresso Nacional. tam encargos ou compromissos gravosos (Consti-
tuição, art. 49, I);

83
– pedido de estabelecimento de alíquotas aplicáveis Por tratar-se de forma de comunicação dispendiosa
às operações e prestações interestaduais e de ex- aos cofres públicos e tecnologicamente superada, deve
portação (Constituição, art. 155, § 2.º, IV); restringir-se o uso do telegrama apenas àquelas situa-
– proposta de fixação de limites globais para o mon- ções que não seja possível o uso de correio eletrônico ou
tante da dívida consolidada (Constituição, art. 52, fax e que a urgência justifique sua utilização e, também
VI); em razão de seu custo elevado, esta forma de comuni-
– pedido de autorização para operações financeiras cação deve pautar-se pela concisão (v. 1.4. Concisão e
externas (Constituição, art. 52, V); e outros. Clareza).
Entre as mensagens menos comuns estão as de:
– convocação extraordinária do Congresso Nacional 16.2. Forma e Estrutura
(Constituição, art. 57, § 6.º);
– pedido de autorização para exonerar o Procurador- Não há padrão rígido, devendo-se seguir a forma e
-Geral da República (art. 52, XI, e 128, § 2.º); a estrutura dos formulários disponíveis nas agências dos
– pedido de autorização para declarar guerra e decre- Correios e em seu sítio na Internet.
tar mobilização nacional (Constituição, art. 84, XIX);
– pedido de autorização ou referendo para celebrar a 17. Fax
paz (Constituição, art. 84, XX);
– justificativa para decretação do estado de defesa ou 17.1. Definição e Finalidade
de sua prorrogação (Constituição, art. 136, § 4.º);
– pedido de autorização para decretar o estado de O fax (forma abreviada já consagrada de fac-símile)
sítio (Constituição, art. 137); é uma forma de comunicação que está sendo menos
– relato das medidas praticadas na vigência do estado usada devido ao desenvolvimento da Internet. É utiliza-
de sítio ou de defesa (Constituição, art. 141, pará- do para a transmissão de mensagens urgentes e para o
grafo único); envio antecipado de documentos, de cujo conhecimen-
– proposta de modificação de projetos de leis finan- to há premência, quando não há condições de envio do
ceiras (Constituição, art. 166, § 5.º); documento por meio eletrônico. Quando necessário o
– pedido de autorização para utilizar recursos que fi- original, ele segue posteriormente pela via e na forma
carem sem despesas correspondentes, em decor- de praxe.
rência de veto, emenda ou rejeição do projeto de Se necessário o arquivamento, deve-se fazê-lo com
lei orçamentária anual (Constituição, art. 166, § 8.º); cópia xerox do fax e não com o próprio fax, cujo papel,
– pedido de autorização para alienar ou conceder ter- em certos modelos, deteriora-se rapidamente.
ras públicas com área superior a 2.500 ha (Consti-
tuição, art. 188, § 1.º); etc. 17.2. Forma e Estrutura
5.2. Forma e Estrutura Os documentos enviados por fax mantêm a forma e a
estrutura que lhes são inerentes.
As mensagens contêm:
É conveniente o envio, juntamente com o documento
a) a indicação do tipo de expediente e de seu número,
principal, de folha de rosto e de pequeno formulário com
horizontalmente, no início da margem esquerda:
Mensagem n.º os dados de identificação da mensagem a ser enviada,
conforme exemplo a seguir:
b) vocativo, de acordo com o pronome de tratamento
e o cargo do destinatário, horizontalmente, no início da [Órgão Expedidor]
margem esquerda; [setor do órgão expedidor]
Excelentíssimo Senhor Presidente do Senado Federal, [endereço do órgão expedidor]
Destinatário:____________________________________
c) o texto, iniciando a 2 cm do vocativo; No do fax de destino:_______________ Data:___/___/___
d) o local e a data, verticalmente a 2 cm do final do Remetente: ____________________________________
texto, e horizontalmente fazendo coincidir seu final com Tel. p/ contato:____________ Fax/correio eletrônico:____
a margem direita. No de páginas: ________No do documento:____________
A mensagem, como os demais atos assinados pelo
Presidente da República, não traz identificação de seu Observações:___________________________________
signatário.
18. Correio Eletrônico
16. Telegrama
18.1 Definição e finalidade
LÍNGUA PORTUGUESA

16.1. Definição e Finalidade


O correio eletrônico (“e-mail”), por seu baixo custo e
Com o fito de uniformizar a terminologia e simplificar celeridade, transformou-se na principal forma de comu-
os procedimentos burocráticos, passa a receber o títu- nicação para transmissão de documentos.
lo de telegrama toda comunicação oficial expedida por
meio de telegrafia, telex, etc.

84
18.2. Forma e Estrutura
1. Sujeito - verbo intransitivo - (Adjunto Adverbial)
Um dos atrativos de comunicação por correio eletrô- O Presidente - regressou - (ontem).
nico é sua flexibilidade. Assim, não interessa definir for-
ma rígida para sua estrutura. Entretanto, deve-se evitar o 2. Sujeito - verbo transitivo direto - objeto direto -
uso de linguagem incompatível com uma comunicação (adjunto adverbial)
oficial (v. 1.2 A Linguagem dos Atos e Comunicações Ofi- O Chefe da Divisão - assinou - o termo de posse - (na
ciais). manhã de terça-feira).
O campo assunto do formulário de correio eletrônico
deve ser preenchido de modo a facilitar a organização 3. Sujeito - verbo transitivo indireto - objeto indireto
documental tanto do destinatário quanto do remetente. - (adjunto adverbial).
Para os arquivos anexados à mensagem deve ser uti- O Brasil - precisa - de gente honesta - (em todos os
lizado, preferencialmente, o formato Rich Text. A mensa- setores).
gem que encaminha algum arquivo deve trazer informa-
ções mínimas sobre seu conteúdo. 4. Sujeito - verbo transitivo direto e indireto - obj. di-
Sempre que disponível, deve-se utilizar recurso de reto - obj. indireto - (adj. Adv.)
confirmação de leitura. Caso não seja disponível, deve Os desempregados - entregaram - suas reivindicações
constar da mensagem pedido de confirmação de rece- - ao Deputado - (no Congresso).
bimento.
5. Sujeito - verbo transitivo indireto - complemento
18.3 Valor documental adverbial - (adjunto adverbial)
A reunião do Grupo de Trabalho - ocorrerá - em Bue-
Nos termos da legislação em vigor, para que a men- nos Aires - (na próxima semana).
sagem de correio eletrônico tenha valor documental, e O Presidente - voltou - da Europa - (na sexta-feira)
para que possa ser aceito como documento original, é 6. Sujeito - verbo de ligação - predicativo - (adjunto ad-
necessário existir certificação digital que ateste a identi- verbial)
dade do remetente, na forma estabelecida em lei. O problema - será - resolvido - prontamente.
Elementos de Ortografia e Gramática Estes seriam os padrões básicos para as orações, ou
seja, as frases que possuem apenas um verbo conjuga-
1. Problemas de Construção de Frases do. Na construção de períodos, as várias funções podem
ocorrer em ordem inversa à mencionada, misturando-se
A clareza e a concisão na forma escrita são alcança- e confundindo-se. Não interessa aqui análise exaustiva
das, principalmente, pela construção adequada da frase, de todos os padrões existentes na língua portuguesa.
“a menor unidade autônoma da comunicação”, na defini- O que importa é fixar a ordem normal dos elementos
ção de Celso Pedro Luft. nesses seis padrões básicos. Acrescente-se que períodos
A função essencial da frase é desempenhada pelo mais complexos, compostos por duas ou mais orações,
predicado, que, para Adriano da Gama Kury, pode ser en- em geral podem ser reduzidos aos padrões básicos (de
tendido como “a enunciação pura de um fato qualquer”. que derivam).
Sempre que a frase possuir pelo menos um verbo, recebe Os problemas mais frequentemente encontrados na
o nome de período, que terá tantas orações quantos fo- construção de frases dizem respeito à má pontuação, à
rem os verbos não auxiliares que o constituem. ambiguidade da ideia expressa, à elaboração de falsos
Outra função relevante é a do sujeito – mas não indis- paralelismos, erros de comparação, etc. Decorrem, em
pensável, pois há orações sem sujeito, ditas impessoais –, geral, do desconhecimento da ordem das palavras na
de quem se diz algo, cujo núcleo é sempre um substan- frase. Indicam-se, a seguir, alguns desses defeitos mais
tivo. Sempre que o verbo o exigir, teremos nas orações comuns e recorrentes na construção de frases, registra-
substantivos (nomes ou pronomes) que desempenham a dos em documentos oficiais.
função de complementos (objetos direto e indireto, pre-
dicativo e complemento adverbial). Função acessória de-
2. Sujeito
sempenham os adjuntos adverbiais, que vêm geralmente
ao final da oração, mas que podem ser ou intercalados
Como dito, o sujeito é o ser de quem se fala ou que
aos elementos que desempenham as outras funções, ou
executa a ação enunciada na oração. Ele pode ter com-
deslocados para o início da oração.
plemento, mas não ser complemento. Devem ser evita-
Temos, assim, a seguinte ordem de colocação dos
das, portanto, construções como:
elementos que compõem uma oração (Observação: os
parênteses indicam os elementos que podem não ocor-
Errado: É tempo do Congresso votar a emenda.
LÍNGUA PORTUGUESA

rer):
(sujeito) - verbo - (complementos) - (adjunto adver- Certo: É tempo de o Congresso votar a emenda.
bial).
Errado: Apesar das relações entre os países estarem
Podem ser identificados seis padrões básicos para as cortadas, (...).
orações pessoais (isto é, com sujeito) na língua portu- Certo: Apesar de as relações entre os países estarem
guesa (a função que vem entre parênteses é facultativa e cortadas, (...).
pode ocorrer em ordem diversa):

85
Errado: Não vejo mal no Governo proceder assim. Nas duas correções respeita-se a estrutura paralela na
Certo: Não vejo mal em o Governo proceder assim. coordenação de orações subordinadas.

Errado: Antes destes requisitos serem cumpridos, (...). Mais um exemplo de frase inaceitável na língua es-
Certo: Antes de estes requisitos serem cumpridos, (...). crita culta:
Errado: No discurso de posse, mostrou determinação,
Errado: Apesar da Assessoria ter informado em tempo, (...). não ser inseguro, inteligência e ter ambição.
Certo: Apesar de a Assessoria ter informado em tempo, (...). O problema aqui decorre de coordenar palavras
(substantivos) com orações (reduzidas de infinitivo).
3. Frases Fragmentadas
Para tornar a frase clara e correta, pode-se optar ou
A fragmentação de frases “consiste em pontuar uma por transformá-la em frase simples, substituindo as ora-
oração subordinada ou uma simples locução como se ções reduzidas por substantivos:
fosse uma frase completa”. Decorre da pontuação errada Certo: No discurso de posse, mostrou determinação,
de uma frase simples. Embora seja usada como recurso segurança, inteligência e ambição.
estilístico na literatura, a fragmentação de frases deve ser
evitada nos textos oficiais, pois muitas vezes dificulta a Atentemos, ainda, para o problema inverso, o falso
compreensão. Exemplo: paralelismo, que ocorre ao se dar forma paralela (equi-
Errado: O programa recebeu a aprovação do Congres- valente) a ideias de hierarquia diferente ou, ainda, ao
so Nacional. Depois de ser longamente debatido. se apresentar, de forma paralela, estruturas sintáticas
Certo: O programa recebeu a aprovação do Congresso distintas:
Nacional, depois de ser longamente debatido. Errado: O Presidente visitou Paris, Bonn, Roma e o
Certo: Depois de ser longamente debatido, o progra- Papa.
ma recebeu a aprovação do Congresso Nacional.
Errado: O projeto de Convenção foi oportunamente sub- Nesta frase, colocou-se em um mesmo nível cidades
metido ao Presidente da República, que o aprovou. Consul- (Paris, Bonn, Roma) e uma pessoa (o Papa). Uma possibili-
tadas as áreas envolvidas na elaboração do texto legal. dade de correção é transformá-la em duas frases simples,
Certo: O projeto de Convenção foi oportunamente sub- com o cuidado de não repetir o verbo da primeira (visitar):
metido ao Presidente da República, que o aprovou, consulta- Certo: O Presidente visitou Paris, Bonn e Roma. Nesta
das as áreas envolvidas na elaboração do texto legal. última capital, encontrou-se com o Papa.

4. Erros de Paralelismo Mencionemos, por fim, o falso paralelismo provocado


pelo uso inadequado da expressão “e que” num período
Uma das convenções estabelecidas na linguagem es- que não contém nenhum “que” anterior.
crita “consiste em apresentar ideias similares numa forma Errado: O novo procurador é jurista renomado, e que
gramatical idêntica”, o que se chama de paralelismo. As- tem sólida formação acadêmica.
sim, incorre-se em erro ao conferir forma não paralela a
elementos paralelos. Vejamos alguns exemplos: Para corrigir a frase, suprimimos o pronome relativo:
Errado: Pelo aviso circular recomendou-se aos Minis- Certo: O novo procurador é jurista renomado e tem
térios economizar energia e que elaborassem planos de sólida formação acadêmica.
redução de despesas.
Outro exemplo de falso paralelismo com “e que”:
Na frase temos, nas duas orações subordinadas que Errado: Neste momento, não se devem adotar medi-
completam o sentido da principal, duas estruturas dife- das precipitadas, e que comprometam o andamento de
rentes para ideias equivalentes: a primeira oração (eco- todo o programa.
nomizar energia) é reduzida de infinitivo, enquanto a se-
gunda (que elaborassem planos de redução de despesas) Da mesma forma com que corrigimos o exemplo an-
é uma oração desenvolvida introduzida pela conjunção terior, aqui podemos suprimir a conjunção:
integrante que. Há mais de uma possibilidade de escre- Certo: Neste momento, não se devem adotar medidas
vê-la com clareza e correção; uma seria a de apresentar precipitadas, que comprometam o andamento de todo o
as duas orações subordinadas como desenvolvidas, in- programa.
troduzidas pela conjunção integrante que:
Certo: Pelo aviso circular, recomendou-se aos Ministé- 5. Erros de Comparação
rios que economizassem energia e (que) elaborassem pla-
nos para redução de despesas. A omissão de certos termos ao fazermos uma compa-
LÍNGUA PORTUGUESA

ração, omissão própria da língua falada, deve ser evitada


Outra possibilidade: as duas orações são apresenta- na língua escrita, pois compromete a clareza do texto:
das como reduzidas de infinitivo: nem sempre é possível identificar, pelo contexto, qual o
Certo: Pelo aviso circular, recomendou-se aos Minis- termo omitido. A ausência indevida de um termo pode
térios economizar energia e elaborar planos para redução impossibilitar o entendimento do sentido que se quer
de despesas. dar a uma frase:

86
Errado: O salário de um professor é mais baixo do que guidade se deve ao pronome relativo “que”, sem marca
um médico. de gênero. A solução é recorrer às formas o qual, a qual,
A omissão de termos provocou uma comparação in- os quais, as quais, que marcam gênero e número.
devida: “o salário de um professor” com “um médico”. Claro: Roubaram a mesa do gabinete no qual eu cos-
Certo: O salário de um professor é mais baixo do que tumava trabalhar.
o salário de um médico. Se o entendimento é outro, então:
Certo: O salário de um professor é mais baixo do que Claro: Roubaram a mesa do gabinete na qual eu cos-
o de um médico. tumava trabalhar.
Errado: O alcance do Decreto é diferente da Portaria. Há, ainda, outro tipo de ambiguidade, que decorre da
dúvida sobre a que se refere a oração reduzida:
Novamente, a não repetição dos termos comparados Ambíguo: Sendo indisciplinado, o Chefe admoestou o
confunde. Alternativas para correção: funcionário.
Certo: O alcance do Decreto é diferente do alcance da Para evitar o tipo de ambiguidade do exemplo acima,
Portaria. deve-se deixar claro qual o sujeito da oração reduzida.
Certo: O alcance do Decreto é diferente do da Portaria. Claro: O Chefe admoestou o funcionário por ser este
Errado: O Ministério da Educação dispõe de mais ver- indisciplinado.
bas do que os Ministérios do Governo.
Ambíguo: Depois de examinar o paciente, uma se-
No exemplo acima, a omissão da palavra “outros” (ou nhora chamou o médico.
“demais”) acarretou imprecisão: Claro: Depois que o médico examinou o paciente, foi
Certo: O Ministério da Educação dispõe de mais ver- chamado por uma senhora.
bas do que os outros Ministérios do Governo.
Certo: O Ministério da Educação dispõe de mais ver- SITE
bas do que os demais Ministérios do Governo. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/manual/ma-
nualredpr2aed.pdf
6. Ambiguidade

Ambígua é a frase ou oração que pode ser tomada EXERCÍCIOS COMENTADOS


em mais de um sentido. Como a clareza é requisito bá-
sico de todo texto oficial, deve-se atentar para as cons-
1. (ANTAQ – ESPECIALISTA EM REGULAÇÃO DE SER-
truções que possam gerar equívocos de compreensão.
VIÇOS DE TRANSPORTES AQUAVIÁRIOS – SUPERIOR
A ambiguidade decorre, em geral, da dificuldade de – CESPE – 2014) Considerando aspectos estruturais e lin-
identificar a qual palavra se refere um pronome que pos- guísticos das correspondências oficiais, julgue os itens que
sui mais de um antecedente na terceira pessoa. Pode se seguem, de acordo com o Manual de Redação da Presi-
ocorrer com: dência da República.
O tratamento Digníssimo deve ser empregado para to-
A) pronomes pessoais: das as autoridades do poder público, uma vez que a dig-
Ambíguo: O Ministro comunicou a seu secretariado nidade é tida como qualidade inerente aos ocupantes de
que ele seria exonerado. cargos públicos.
Claro: O Ministro comunicou exoneração dele a seu
secretariado. ( ) CERTO ( ) ERRADO
Ou então, caso o entendimento seja outro:
Claro: O Ministro comunicou a seu secretariado a exo- Resposta: Errado. Vamos ao Manual: O Manual ainda
neração deste. preceitua que a forma de tratamento “Digníssimo” fica
abolida (...) afinal, a dignidade é condição primordial
B) pronomes possessivos e pronomes oblíquos: para que tais cargos públicos sejam ocupados.
Ambíguo: O Deputado saudou o Presidente da Repú- Fonte: http://www.redacaooficial.com.br/redacao_ofi-
blica, em seu discurso, e solicitou sua intervenção no seu cial_publicacoes_ver.php?id=2
Estado, mas isso não o surpreendeu.
Observe a multiplicidade de ambiguidade no exemplo 2. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA-SE – TÉCNICO JUDICIÁ-
acima, a qual torna incompreensível o sentido da frase. RIO – MÉDIO – CESPE – 2014) Em toda comunicação
oficial, exceto nas direcionadas a autoridades estrangei-
Claro: Em seu discurso o Deputado saudou o Presiden- ras, deve-se fazer uso dos fechos Respeitosamente ou
te da República. No pronunciamento, solicitou a interven- Atenciosamente, de acordo com as hierarquias do desti-
LÍNGUA PORTUGUESA

ção federal em seu Estado, o que não surpreendeu o Pre- natário e do remetente.
sidente da República.
( ) CERTO ( ) ERRADO
C) pronome relativo:
Ambíguo: Roubaram a mesa do gabinete em que eu Resposta: Certo. Segundo o Manual de Redação Ofi-
costumava trabalhar. cial: (...) Manual estabelece o emprego de somente
Não fica claro se o pronome relativo da segunda ora- dois fechos diferentes para todas as modalidades de
ção faz referência “à mesa” ou “a gabinete”. Esta ambi- comunicação oficial:

87
A) para autoridades superiores, inclusive o Presidente Resposta: Errado. Vamos ao Manual: O Manual ainda
da República: Respeitosamente, preceitua que a forma de tratamento “Digníssimo” fica
B) para autoridades de mesma hierarquia ou de hie- abolida (...) afinal, a dignidade é condição primordial
rarquia inferior: Atenciosamente, para que tais cargos públicos sejam ocupados.
Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações dirigi- Fonte: http://www.redacaooficial.com.br/redacao_ofi-
das a autoridades estrangeiras, que atendem a rito e cial_publicacoes_ver.php?id=2
tradição próprios, devidamente disciplinados no Ma-
nual de Redação do Ministério das Relações Exteriores.
RELAÇÕES DE SINONÍMIA E ANTONÍMIA
3. (ANP – CONHECIMENTO BÁSICO PARA TODOS
OS CARGOS – CESPE – 2013) Na redação de uma ata,
devem-se relatar exaustivamente, com o máximo de de- SIGNIFICADO DAS PALAVRAS
talhamento possível, incluindo-se os aspectos subjetivos,
as discussões, as propostas, as resoluções e as delibera- Semântica é o estudo da significação das palavras e
ções ocorridas em reuniões e eventos que exigem regis- das suas mudanças de significação através do tempo ou
tro. em determinada época. A maior importância está em dis-
tinguir sinônimos e antônimos (sinonímia / antonímia) e
( ) CERTO ( ) ERRADO homônimos e parônimos (homonímia / paronímia).

Resposta: Errado. Ata é um documento administrativo 1. Sinônimos


que tem a finalidade de registrar de modo sucinto a
sequência de eventos de uma reunião ou assembleia de São palavras de sentido igual ou aproximado: alfa-
pessoas com um fim específico. É característica da Ata beto - abecedário; brado, grito - clamor; extinguir, apagar
apresentar um resumo, cronologicamente disposto, de - abolir.
Duas palavras são totalmente sinônimas quando são
modo infalível, de todo o desenrolar da reunião.
substituíveis, uma pela outra, em qualquer contexto (cara
(Fonte: https://www.10emtudo.com.br/aula/ensino/a_
e rosto, por exemplo); são parcialmente sinônimas quan-
redacao_oficial_ata/)
do, ocasionalmente, podem ser substituídas, uma pela
outra, em deteminado enunciado (aguadar e esperar).
4. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA-SE – TÉCNICO JUDICIÁ-
RIO – CESPE – 2014) Em toda comunicação oficial, exce-
Observação:
to nas direcionadas a autoridades estrangeiras, deve-se
A contribuição greco-latina é responsável pela exis-
fazer uso dos fechos Respeitosamente ou Atenciosamen- tência de numerosos pares de sinônimos: adversário e
te, de acordo com as hierarquias do destinatário e do antagonista; translúcido e diáfano; semicírculo e hemici-
remetente. clo; contraveneno e antídoto; moral e ética; colóquio e diá-
logo; transformação e metamorfose; oposição e antítese.
( ) CERTO ( ) ERRADO
2. Antônimos
Resposta: Certo. Segundo o Manual de Redação Ofi-
cial: (...) Manual estabelece o emprego de somente São palavras que se opõem através de seu significa-
dois fechos diferentes para todas as modalidades de do: ordem - anarquia; soberba - humildade; louvar - cen-
comunicação oficial: surar; mal - bem.
a) para autoridades superiores, inclusive o Presidente
da República: Respeitosamente, Observação:
b) para autoridades de mesma hierarquia ou de hie- A antonímia pode se originar de um prefixo de sen-
rarquia inferior: Atenciosamente, tido oposto ou negativo: bendizer e maldizer; simpático
Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações dirigi- e antipático; progredir e regredir; concórdia e discórdia;
das a autoridades estrangeiras, que atendem a rito e ativo e inativo; esperar e desesperar; comunista e antico-
tradição próprios, devidamente disciplinados no Ma- munista; simétrico e assimétrico.
nual de Redação do Ministério das Relações Exteriores.
3. Homônimos e Parônimos
5. (ANTAQ – ESPECIALISTA EM REGULAÇÃO DE
SERVIÇOS DE TRANSPORTES AQUAVIÁRIOS – CES-  Homônimos = palavras que possuem a mesma
PE – 2014) Considerando aspectos estruturais e linguís- grafia ou a mesma pronúncia, mas significados di-
ticos das correspondências oficiais, julgue os itens que se ferentes. Podem ser
seguem, de acordo com o Manual de Redação da Presi-
LÍNGUA PORTUGUESA

dência da República. A) Homógrafas: são palavras iguais na escrita e dife-


O tratamento Digníssimo deve ser empregado para to- rentes na pronúncia:
das as autoridades do poder público, uma vez que a dig- rego (subst.) e rego (verbo); colher (verbo) e colher
nidade é tida como qualidade inerente aos ocupantes de (subst.); jogo (subst.) e jogo (verbo); denúncia (subst.) e de-
cargos públicos. nuncia (verbo); providência (subst.) e providencia (verbo).
B) Homófonas: são palavras iguais na pronúncia e
( ) CERTO ( ) ERRADO diferentes na escrita:

88
acender (atear) e ascender (subir); concertar (harmoni- DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO
zar) e consertar (reparar); cela (compartimento) e sela (ar-
reio); censo (recenseamento) e senso ( juízo); paço (palácio) Exemplos de variação no significado das palavras:
e passo (andar). Os domadores conseguiram enjaular a fera. (sentido
literal)
C) Homógrafas e homófonas simultaneamente (ou Ele ficou uma fera quando soube da notícia. (sentido
perfeitas): São palavras iguais na escrita e na pronúncia: figurado)
caminho (subst.) e caminho (verbo); cedo (verbo) e Aquela aluna é fera na matemática. (sentido figurado)
cedo (adv.); livre (adj.) e livre (verbo). As variações nos significados das palavras ocasionam
 Parônimos = palavras com sentidos diferentes, o sentido denotativo (denotação) e o sentido conotativo
porém de formas relativamente próximas. São pa- (conotação) das palavras.
lavras parecidas na escrita e na pronúncia: cesta
(receptáculo de vime; cesta de basquete/esporte) e A) Denotação
sesta (descanso após o almoço), eminente (ilustre) Uma palavra é usada no sentido denotativo quando
e iminente (que está para ocorrer), osso (substan- apresenta seu significado original, independentemente
tivo) e ouço (verbo), sede (substantivo e/ou verbo do contexto em que aparece. Refere-se ao seu significa-
“ser” no imperativo) e cede (verbo), comprimen- do mais objetivo e comum, aquele imediatamente reco-
to (medida) e cumprimento (saudação), autuar nhecido e muitas vezes associado ao primeiro significado
(processar) e atuar (agir), infligir (aplicar pena) e que aparece nos dicionários, sendo o significado mais li-
infringir (violar), deferir (atender a) e diferir (diver- teral da palavra.
gir), suar (transpirar) e soar (emitir som), aprender A denotação tem como finalidade informar o recep-
(conhecer) e apreender (assimilar; apropriar-se de), tor da mensagem de forma clara e objetiva, assumindo
tráfico (comércio ilegal) e tráfego (relativo a movi- um caráter prático. É utilizada em textos informativos,
mento, trânsito), mandato (procuração) e manda- como jornais, regulamentos, manuais de instrução, bu-
do (ordem), emergir (subir à superfície) e imergir las de medicamentos, textos científicos, entre outros. A
(mergulhar, afundar). palavra “pau”, por exemplo, em seu sentido denotativo é
apenas um pedaço de madeira. Outros exemplos:
4. Hiperonímia e Hiponímia O elefante é um mamífero.
As estrelas deixam o céu mais bonito!
Hipônimos e hiperônimos são palavras que perten-
cem a um mesmo campo semântico (de sentido), sendo B) Conotação
o hipônimo uma palavra de sentido mais específico; o Uma palavra é usada no sentido conotativo quando
hiperônimo, mais abrangente. apresenta diferentes significados, sujeitos a diferentes
O hiperônimo impõe as suas propriedades ao hipô- interpretações, dependendo do contexto em que esteja
nimo, criando, assim, uma relação de dependência se- inserida, referindo-se a sentidos, associações e ideias que
mântica. Por exemplo: Veículos está numa relação de hi- vão além do sentido original da palavra, ampliando sua
peronímia com carros, já que veículos é uma palavra de significação mediante a circunstância em que a mesma
significado genérico, incluindo motos, ônibus, caminhões. é utilizada, assumindo um sentido figurado e simbólico.
Veículos é um hiperônimo de carros. Como no exemplo da palavra “pau”: em seu sentido co-
Um hiperônimo pode substituir seus hipônimos em notativo ela pode significar castigo (dar-lhe um pau), re-
quaisquer contextos, mas o oposto não é possível. A utili- provação (tomei pau no concurso).
zação correta dos hiperônimos, ao redigir um texto, evita A conotação tem como finalidade provocar sentimen-
a repetição desnecessária de termos. tos no receptor da mensagem, através da expressividade
e afetividade que transmite. É utilizada principalmente
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS numa linguagem poética e na literatura, mas também
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa ocorre em conversas cotidianas, em letras de música, em
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. anúncios publicitários, entre outros. Exemplos:
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce- Você é o meu sol!
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Minha vida é um mar de tristezas.
Paulo: Saraiva, 2010. Você tem um coração de pedra!
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. #FicaDica
XIMENES, Sérgio. Minidicionário Ediouro da Lìngua
Portuguesa – 2.ª ed. reform. – São Paulo: Ediouro, 2000. Procure associar Denotação com Dicionário:
trata-se de definição literal, quando o termo
LÍNGUA PORTUGUESA

SITE é utilizado com o sentido que consta no di-


http://www.coladaweb.com/portugues/sinonimos,- cionário.
-antonimos,-homonimos-e-paronimos

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.

89
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce- Pessoas que têm uma alimentação equilibrada fre-
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São quentemente são felizes.
Paulo: Saraiva, 2010. Neste caso podem existir duas interpretações dife-
rentes:
SITE As pessoas têm alimentação equilibrada porque são
http://www.normaculta.com.br/conotacao-e-denota- felizes ou são felizes porque têm uma alimentação equi-
cao/ librada.
De igual forma, quando uma palavra é polissêmica,
ela pode induzir uma pessoa a fazer mais do que uma
POLISSEMIA interpretação. Para fazer a interpretação correta é muito
importante saber qual o contexto em que a frase é pro-
Polissemia é a propriedade de uma palavra adquirir ferida.
multiplicidade de sentidos, que só se explicam dentro de Muitas vezes, a disposição das palavras na construção
um contexto. Trata-se, realmente, de uma única palavra, do enunciado pode gerar ambiguidade ou, até mesmo,
mas que abarca um grande número de significados den- comicidade. Repare na figura abaixo:
tro de seu próprio campo semântico.
Reportando-nos ao conceito de Polissemia, logo per-
cebemos que o prefixo “poli” significa multiplicidade de
algo. Possibilidades de várias interpretações levando-
-se em consideração as situações de aplicabilidade. Há
uma infinidade de exemplos em que podemos verificar a
ocorrência da polissemia:
O rapaz é um tremendo gato.
O gato do vizinho é peralta.
Precisei fazer um gato para que a energia voltasse.
Pedro costuma fazer alguns “bicos” para garantir sua
sobrevivência (http://www.humorbabaca.com/fotos/diversas/corto-
O passarinho foi atingido no bico. -cabelo-e-pinto. Acesso em 15/9/2014).

Nas expressões polissêmicas rede de deitar, rede de Poderíamos corrigir o cartaz de inúmeras maneiras,
computadores e rede elétrica, por exemplo, temos em co- mas duas seriam:
mum a palavra “rede”, que dá às expressões o sentido de Corte e coloração capilar
“entrelaçamento”. Outro exemplo é a palavra “xadrez”, ou
que pode ser utilizada representando “tecido”, “prisão” Faço corte e pintura capilar
ou “jogo” – o sentido comum entre todas as expressões
é o formato quadriculado que têm. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce-
1. Polissemia e homonímia reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Paulo: Saraiva, 2010.
A confusão entre polissemia e homonímia é bastante co- SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
mum. Quando a mesma palavra apresenta vários significados, Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
estamos na presença da polissemia. Por outro lado, quando
duas ou mais palavras com origens e significados distintos SITE
têm a mesma grafia e fonologia, temos uma homonímia. http://www.brasilescola.com/gramatica/polissemia.
A palavra “manga” é um caso de homonímia. Ela pode htm
significar uma fruta ou uma parte de uma camisa. Não
é polissemia porque os diferentes significados para a
palavra “manga” têm origens diferentes. “Letra” é uma
palavra polissêmica: pode significar o elemento básico EXERCÍCIO COMENTADO
do alfabeto, o texto de uma canção ou a caligrafia de um
1. (SUSAM-AM – ASSISTENTE ADMINISTRATIVO –
determinado indivíduo. Neste caso, os diferentes signifi-
FGV – 2014) “o país teve de recorrer a um programa de
cados estão interligados porque remetem para o mesmo
racionamento”. Assinale a opção que apresenta a forma
conceito, o da escrita.
de reescrever esse segmento, que altera o seu sentido
original.
2. Polissemia e ambiguidade
LÍNGUA PORTUGUESA

a) O Brasil foi obrigado a recorrer a um programa de


Polissemia e ambiguidade têm um grande impacto
racionamento.
na interpretação. Na língua portuguesa, um enunciado
b) O país teve como recurso recorrer a um programa
pode ser ambíguo, ou seja, apresentar mais de uma in-
de racionamento.
terpretação. Esta ambiguidade pode ocorrer devido à
c) O Brasil foi levado a recorrer a um programa de racio-
colocação específica de uma palavra (por exemplo, um
namento.
advérbio) em uma frase. Vejamos a seguinte frase:

90
d) O país obrigou‐se a recorrer a um programa de racio- mos analisar as artes produzidas em diferentes épocas
namento. da história em todo o mundo e perceber as diferentes
e) O Brasil optou por um programa de racionamento. formas de interpelação e contextualidade presentes nas
mesmas. O discurso estético tem a mesma capacidade
Resposta: Letra E. “o país teve de recorrer a um pro- ideológica que o discurso verbal, com a vantagem de
grama de racionamento”. Assinale a opção que apre- atingir o indivíduo esteticamente, o que pode render
senta a forma de reescrever esse segmento, QUE muito mais rapidamente o sucesso do discurso aplicado.
ALTERA O SEU SENTIDO ORIGINAL. A partir na análise de todos os aspectos do discurso
Em “a”: O Brasil foi obrigado a recorrer a um progra- chega-se ao mais importante: o sentido. O sentido do
ma de racionamento = mesmo sentido. discurso não é fixo, por vários motivos: pelo contexto,
Em “b”: O país teve como recurso recorrer a um pro- pela estética, pela ordem do discurso, pela sua forma de
grama de racionamento = mesmo sentido. construção. O sentido do discurso encontra-se sempre
Em “c”: O Brasil foi levado a recorrer a um programa em aberto para a possibilidade de interpretação do seu
de racionamento = mesmo sentido. receptor. O efeito do discurso é, claramente, transmitir
Em “d”: O país obrigou‐se a recorrer a um programa uma mensagem e alcançar um objetivo premeditado
de racionamento = mesmo sentido. através da interpretação e interpelação do indivíduo alvo.
Em “e”: O Brasil optou por um programa de raciona-
mento = mudança de sentido (segundo o enunciado, 1. Tipos de Discurso: direto, indireto e indireto li-
o país não teve outra opção a não ser recorrer. Na al- vre
ternativa, provavelmente havia outras opções, e o país
escolheu a de “recorrer”). 1.1. Vozes do Discurso

Análise e Tipo de Discurso Ao lermos um texto, observamos que há um narrador


- que é quem conta o fato. Esse locutor ou narrador pode
A Análise do Discurso é uma prática da linguística no introduzir outras vozes no texto para auxiliar a narrativa.
campo da Comunicação, e consiste em analisar a estru- Para fazer a introdução dessas outras vozes no texto, a
tura de um texto e, a partir disto, compreender as cons- voz principal ou privilegiada - o narrador - usa o que cha-
truções ideológicas presentes no mesmo. mamos de discurso. O que vem a ser discurso dentro do
O discurso em si é uma construção linguística atre- texto? É a forma como as falas são inseridas na narrativa.
lada ao contexto social no qual o texto é desenvolvido. Ele pode ser classificado em: direto, indireto e indireto
Ou seja, as ideologias presentes em um discurso são livre.
diretamente determinadas pelo contexto político-social
em que vive o seu autor. Mais que uma análise textual, a A) Discurso direto: reproduz fiel e literalmente algo
análise do Discurso é uma análise contextual da estrutura dito por alguém. Um bom exemplo de discurso direto
discursiva em questão. são as citações ou transcrições exatas da declaração de
Michel Foucault descreveu a Ordem do Discurso alguém.
como uma construção de características sociais. A so-  Primeira pessoa (eu, nós) – é o narrador quem fala,
ciedade que promove o contexto do discurso analisado usando aspas ou travessões para demarcar que
é a base de toda a estrutura do texto, atrelando, deste está reproduzindo a fala de outra pessoa: “Não
modo, todo e qualquer elemento que possa fazer parte gosto disso” – disse a menina em tom zangado.
do sentido do discurso. O texto só pode assim ser cha-
mado se o seu receptor for capaz de compreender o seu B) Discurso indireto: o narrador, usando suas pró-
sentido, e isto cabe ao autor do texto e à atenção que o prias palavras, conta o que foi dito por outra pessoa. Te-
mesmo der ao contexto da construção de seu discurso. É mos então uma mistura de vozes, pois as falas dos per-
a relação básica para a existência da comunicação verbal: sonagens passam pela elaboração da fala do narrador.
emissão – recepção – compreensão.
As práticas discursivas geram também outros âmbitos  Terceira pessoa - ele(s), ela(s) – O narrador só usa
de análise do discurso, como o Universo de Concorrên- sua própria voz, o que foi dito pela personagem
cias, que consiste na competição entre vários emissores passa pela elaboração do narrador. Não há uma
para atingir um mesmo público-alvo. A partir disto, os pontuação específica que marque o discurso in-
emissores precisam inteirar-se do contexto da vida do direto: A menina disse em tom zangado, que não
seu receptor, para que deste modo possam interpelá-lo gostava daquilo.
segundo sua própria ideologia, fazendo com que sua
mensagem seja recebida e assimilada pelo receptor sem C) Discurso indireto livre: É um discurso no qual há
LÍNGUA PORTUGUESA

que o mesmo perceba que está sendo alvo de uma ten- uma maior liberdade, o narrador insere a fala do perso-
tativa de convencimento, por assim dizer. nagem de forma sutil, sem fazer uso das marcas do dis-
Dentro da análise do Discurso há também o discurso curso direto. É necessário que se tenha atenção para não
estético, feito por meio de imagens, e que interpelam o confundir a fala do narrador com a fala do personagem,
indivíduo através de sua sensibilidade, que está ligada ao pois esta surge de repente em meio à fala do narrador: A
seu contexto também. A sensibilidade de um indivíduo menina perambulava pela sala irritada e zangada. Eu não
se define a partir do que, ao longo de sua vida, torna-se gosto disso! E parecia que ninguém a ouvia.
importante e desperta-lhe sentimentos. Com isto, pode-

91
1.2. Níveis de Linguagem Sou teu pai, por isso vou perdoá-lo.
Nesse momento, a informalidade prevalece sobre a
A língua é um código de que se serve o homem para norma culta, deixando mais livres os interlocutores.
elaborar mensagens, para se comunicar. Existem basica- O momento neutro é o do uso da língua-padrão, que
mente duas modalidades de língua, ou seja, duas línguas é a língua da Nação. Como forma de respeito, tomam-se
funcionais: por base aqui as normas estabelecidas na gramática, ou
A) a língua funcional de modalidade culta, lín- seja, a norma culta. Assim, aquelas mesmas construções
gua culta ou língua-padrão, que compreende a língua se alteram:
literária, tem por base a norma culta, forma linguística Eu não a vi hoje.
utilizada pelo segmento mais culto e influente de uma Ninguém o deixou falar.
sociedade. Constitui, em suma, a língua utilizada pelos Deixe-me ver isso!
veículos de comunicação de massa (emissoras de rádio Eu te amo, sim, mas não abuses!
e televisão, jornais, revistas, painéis, anúncios, etc.), cuja Não assisti ao filme nem vou assistir a ele.
função é a de serem aliados da escola, prestando serviço Sou seu pai, por isso vou perdoar-lhe.
à sociedade, colaborando na educação;
B) a língua funcional de modalidade popular; lín- Considera-se momento neutro o utilizado nos veí-
gua popular ou língua cotidiana, que apresenta grada- culos de comunicação de massa (rádio, televisão, jornal,
ções as mais diversas, tem o seu limite na gíria e no calão. revista, etc.). Daí o fato de não se admitirem deslizes ou
transgressões da norma culta na pena ou na boca de
1.3. Norma culta jornalistas, quando no exercício do trabalho, que deve
refletir serviço à causa do ensino.
A norma culta, forma linguística que todo povo ci- O momento solene, acessível a poucos, é o da arte
vilizado possui, é a que assegura a unidade da língua poética, caracterizado por construções de rara beleza.
nacional. E justamente em nome dessa unidade, tão im- Vale lembrar, finalmente, que a língua é um costume.
Como tal, qualquer transgressão, ou chamado erro, deixa
portante do ponto de vista político--cultural, que é ensi-
de sê-lo no exato instante em que a maioria absoluta
nada nas escolas e difundida nas gramáticas. Sendo mais
o comete, passando, assim, a constituir fato linguístico
espontânea e criativa, a língua popular afigura-se mais
registro de linguagem definitivamente consagrado pelo
expressiva e dinâmica. Temos, assim, à guisa de exem-
uso, ainda que não tenha amparo gramatical. Exemplos:
plificação:
Olha eu aqui! (Substituiu: Olha-me aqui!)
Estou preocupado. (norma culta)
Vamos nos reunir. (Substituiu: Vamo-nos reunir)
Tô preocupado. (língua popular)
Não vamos nos dispersar. (Substituiu: Não nos vamos
Tô grilado. (gíria, limite da língua popular) dispersar e Não vamos dispersar-nos)
Tenho que sair daqui depressinha. (Substituiu: Tenho
Não basta conhecer apenas uma modalidade de de sair daqui bem depressa)
língua; urge conhecer a língua popular, captando-lhe a O soldado está a postos. (Substituiu: O soldado está no
espontaneidade, expressividade e enorme criatividade, seu posto)
para viver; urge conhecer a língua culta para conviver.
Podemos, agora, definir gramática: é o estudo das As formas impeço, despeço e desimpeço, dos verbos
normas da língua culta. impedir, despedir e desimpedir, respectivamente, são
exemplos também de transgressões ou “erros” que se
1.4. O conceito de erro em língua tornaram fatos linguísticos, já que só correm hoje porque
a maioria viu tais verbos como derivados de pedir, que
Em rigor, ninguém comete erro em língua, exceto nos tem início, na sua conjugação, com peço. Tanto bastou
casos de ortografia. O que normalmente se comete são para se arcaizarem as formas então legítimas impido, des-
transgressões da norma culta. De fato, aquele que, num pido e desimpido, que hoje nenhuma pessoa bem-escolari-
momento íntimo do discurso, diz: “Ninguém deixou ele zada tem coragem de usar.
falar”, não comete propriamente erro; na verdade, trans- Em vista do exposto, será útil eliminar do vocabulário
gride a norma culta. escolar palavras como corrigir e correto, quando nos refe-
Um repórter, ao cometer uma transgressão em sua rimos a frases. “Corrija estas frases” é uma expressão que
fala, transgride tanto quanto um indivíduo que compare- deve dar lugar a esta, por exemplo: “Converta estas frases
ce a um banquete trajando xortes ou quanto um banhis- da língua popular para a língua culta”.
ta, numa praia, vestido de fraque e cartola. Uma frase correta não é aquela que se contrapõe a
Releva considerar, assim, o momento do discurso, que uma frase “errada”; é, na verdade, uma frase elaborada
pode ser íntimo, neutro ou solene. O momento íntimo é conforme as normas gramaticais; em suma, conforme a
o das liberdades da fala. No recesso do lar, na fala entre norma culta.
LÍNGUA PORTUGUESA

amigos, parentes, namorados, etc., portanto, são consi-


deradas perfeitamente normais construções do tipo: 1.5. Língua escrita e língua falada - Nível de lin-
Eu não vi ela hoje. guagem
Ninguém deixou ele falar.
Deixe eu ver isso! A língua escrita, estática, mais elaborada e menos
Eu te amo, sim, mas não abuse! econômica, não dispõe dos recursos próprios da língua
Não assisti o filme nem vou assisti-lo. falada.

92
A acentuação (relevo de sílaba ou sílabas), a entoação
(melodia da frase), as pausas (intervalos significativos no
decorrer do discurso), além da possibilidade de gestos, HORA DE PRATICAR!
olhares, piscadas, etc., fazem da língua falada a moda-
lidade mais expressiva, mais criativa, mais espontânea e 1. (MAPA – AUDITOR FISCAL FEDERAL AGROPE-
natural, estando, por isso mesmo, mais sujeita a transfor- CUÁRIO – MÉDICO VETERINÁRIO – SUPERIOR –
mações e a evoluções. ESAF – 2017) Assinale a opção que apresenta desvio de
Nenhuma, porém, sobrepõe-se a outra em impor- grafia da palavra.
tância. Nas escolas, principalmente, costuma se ensinar A acupuntura é uma terapia da medicina tradicional chi-
a língua falada com base na língua escrita, considerada nesa que favorece a regularização dos processos fisiológi-
superior. Decorrem daí as correções, as retificações, as cos do corpo, no sentido de promover ou recuperar o estado
emendas, a que os professores sempre estão atentos. natural de saúde e equilíbrio. Pode ser usada preventiva-
Ao professor cabe ensinar as duas modalidades, mos- mente (1) para evitar o desenvolvimento de doenças, como
trando as características e as vantagens de uma e outra, terapia curativa no caso de a doença estar instalada ou
sem deixar transparecer nenhum caráter de superiorida- como método paliativo (2) em casos de doenças crônicas
de ou inferioridade, que em verdade inexiste. de difícil tratamento. Tem também uma ação importante
Isso não implica dizer que se deve admitir tudo na na medicina rejenerativa (3) e na reabilitação. O trata-
língua falada. A nenhum povo interessa a multiplicação mento de acupuntura consiste na introdução de agulhas
de línguas. A nenhuma nação convém o surgimento de filiformes no corpo dos animais. Em geral são deixadas
dialetos, consequência natural do enorme distanciamen- cerca de 15 a 20 minutos. A colocação das agulhas não é
to entre uma modalidade e outra. dolorosa para os animais e é possível observar durante os
A língua escrita é, foi e sempre será mais bem-ela- tratamentos diferentes reações fisiológicas (4), indicadoras
borada que a língua falada, porque é a modalidade que de que o tratamento está atingindo o efeito terapêutico
mantém a unidade linguística de um povo, além de ser (5) desejado.
a que faz o pensamento atravessar o espaço e o tem- Disponível: <http://www.veterinariaholistica.net/acupuntura-fitotera-
po. Nenhuma reflexão, nenhuma análise mais detida será pia-e-homeopatia.html/>. Acesso em 28/11/2017. (Com adaptações)
possível sem a língua escrita, cujas transformações, por
isso mesmo, processam-se lentamente e em número a) (1)
consideravelmente menor, quando cotejada com a mo- b) (2)
dalidade falada. c) (3)
Importante é fazer o educando perceber que o nível d) (4)
da linguagem, a norma linguística, deve variar de acordo e) (5)
com a situação em que se desenvolve o discurso.
O ambiente sociocultural determina o nível da lingua- 2. (TRT – 21.ª REGIÃO-RN – TÉCNICO JUDICIÁ-
gem a ser empregado. O vocabulário, a sintaxe, a pro- RIO – ÁREA ADMINISTRATIVA – MÉDIO – FCC –
núncia e até a entoação variam segundo esse nível. Um 2017) Respeitando-se as normas de redação do Manual
padre não fala com uma criança como se estivesse em da Presidência da República, a frase correta é:
uma missa, assim como uma criança não fala como um
adulto. Um engenheiro não usará um mesmo discurso, a) Solicito a Vossa Senhoria que verifique a possibilida-
ou um mesmo nível de fala, para colegas e para pedrei- de de implementação de projeto de treinamento de
ros, assim como nenhum professor utiliza o mesmo nível pessoal para operar os novos equipamentos gráficos
de fala no recesso do lar e na sala de aula. a serem instalados em seu setor.
Existem, portanto, vários níveis de linguagem e, entre b) Venho perguntar-lhe, por meio desta, sobre a data em
esses níveis, destacam-se em importância o culto e o co- que Vossa Excelência pretende nomear vosso repre-
tidiano, a que já fizemos referência. sentante na Comissão Organizadora.
c) Digníssimo Senhor: eu venho por esse comunicado,
informar, que será organizado seminário, sobre o uso
eficiente de recursos hídricos, em data ainda a ser de-
finida.
d) Haja visto que o projeto anexo contribue para o de-
senvolvimento do setor em questão, informamos, por
meio deste Ofício, que será amplamente analisado por
especialistas.
e) Neste momento, conforme solicitação enviada à Vos-
LÍNGUA PORTUGUESA

sa Senhoria anexo, não se deve adotar medidas que


possam com- prometer vossa realização do projeto
mencionado.

93
3. (TRE-MS – ESTÁGIO – JORNALISMO – TRE-MS – 2014) Analise as assertivas abaixo:

I. O ladrão era de menor.


II. Não há regra sem exceção.
III. É mais saudável usar menas roupa no calor.
IV. O policial foi à delegacia em compania do meliante.
V. Entre eu e você não existe mais nada.

A opção que apresenta vícios de linguagem é:

a) I e III.
b) I, II e IV.
c) II e IV.
d) I, III, IV e V.
e) III, IV e V.

4. (TRE-MS – ESTÁGIO – JORNALISMO – TRE-MS – 2014) De acordo com a nova ortografia, assinale o item em
que todas as palavras estão corretas:

a) autoajuda – anti-inflamatório – extrajudicial.


b) supracitado – semi-novo – telesserviço.
c) ultrassofisticado – hidro-elétrica – ultra-som.
d) contrarregra – autopista – semi-aberto.
e) contrarrazão – infra-estrutura – coprodutor.

5. (TRE-MS – ESTÁGIO – JORNALISMO – TRE-MS – 2014) O uso correto do porquê está na opção:

a) Por quê o homem destrói a natureza?


b) Ela chorou por que a humilharam.
c) Você continua implicando comigo porque sou pobre?
d) Ninguém sabe o por quê daquele gesto.
e) Ela me fez isso, porquê?

6. (TJ-PA – MÉDICO PSIQUIATRA – SUPERIOR – VUNESP – 2014)

Assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas, de acordo com a norma-padrão da língua
portuguesa, considerando que o termo que preenche a terceira lacuna é empregado para indicar que um evento está
prestes a acontecer

a) anúncio ... A ... Iminente.


b) anuncio ... À ... Iminente.
LÍNGUA PORTUGUESA

c) anúncio ... À ... Iminente.


d) anúncio ... A ... Eminente.
e) anuncio ... À ... Eminente.

7. (CEFET-RJ – REVISOR DE TEXTOS – CESGRANRIO – 2014) Observe a grafia das palavras do trecho a seguir.
A macro-história da humanidade mostra que todos encaram os relatos pessoais como uma forma de se manterem vivos.
Desde a idade do domínio do fogo até a era das multicomunicações, os homens tem demonstrado que querem pôr sua
marca no mundo porque se sentem superiores.

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A palavra que NÃO está grafada corretamente é A cauda do vestido da noiva tinha um _________ enorme.
(cumprimento/comprimento)
a) macro-história. Precisamos fazer as compras do mês, pois a _________ está
b) multicomunicações. vazia. (despensa/dispensa).
c) tem.
d) pôr. Completam, correta e respectivamente, as lacunas acima
e) porque. os expostos na alternativa:

8. (LIQUIGÁS – PROFISSIONAL JÚNIOR – CIÊN- a) mas – cumprimento – despensa.


CIAS CONTÁBEIS – CEGRANRIO – 2014) O grupo b) más – comprimento – despensa.
em que todas as palavras estão grafadas de acordo com c) más – cumprimento – dispensa.
a norma-padrão da Língua Portuguesa é d) mas – comprimento – dispensa.
e) más – comprimento – dispensa.
a) gorjeta, ogeriza, lojista, ferrujem
b) pedágio, ultrage, pagem, angina 12. (TRT-2ª REGIÃO-SP – TÉCNICO JUDICIÁRIO -
c) refújio, agiota, rigidez, rabujento ÁREA ADMINISTRATIVA – MÉDIO – FCC – 2014)
d) vigência, jenipapo, fuligem, cafajeste Está redigida com clareza e em consonância com as re-
e) sargeta, jengiva, jiló, lambujem gras da gramática normativa a seguinte frase:

9. (SIMAE – AGENTE ADMINISTRATIVO – ASS- a) Queremos, ou não, ele será designado para dar a palavra
CON-PP – 2014) Assinale a alternativa que apresenta final sobre a polêmica questão, que, diga-se de passa-
apenas palavras escritas de forma incorreta. gem, tem feito muitos exitarem em se pronunciar.
b) Consultaram o juíz acerca da possibilidade de voltar
a) Cremoso, coragem, cafajeste, realizar; atraz na suspensão do jogador, mas ele foi categórico
b) Caixote, encher, análise, poetisa; quanto a impossibilidade de rever sua posição.
c) Traje, tanger, portuguesa, sacerdotisa; c) Vossa Excelência leu o documento que será apresen-
d) Pagem, mujir, vaidozo, enchergar; tado em rede nacional daqui a pouco, pela voz de Sua
Excelência, o Senhor Ministro da Educação?
d) A reportagem sobre fascínoras famosos não foi nada
10. (RECEITA FEDERAL – AUDITOR FISCAL – ESAF positiva para o público jovem que estava presente, de
– 2014) Assinale a opção que corresponde a erro gra- que se desculparam os idealizadores do programa.
matical ou de grafia de palavra inserido na transcrição e) Estudantes e professores são entusiastas de oferecer
do texto. aos jovens ingressantes no curso o compartilhamento
de projetos, com que serão também autores.
A Receita Federal nem sempre teve esse (1) nome. Secre-
taria da Receita Federal é apenas a mais recente denomi- 13. (TRE-MS – ESTÁGIO – JORNALISMO – TRE-
nação da Administração Tributária Brasileira nestes cinco -MS – 2014) A acentuação correta está na alternativa:
séculos de existência. Sua criação tornou-se (2) necessária
para modernizar a máquina arrecadadora e fiscalizadora, a) eu abençôo – eles crêem – ele argúi.
bem como para promover uma maior integração entre o b) platéia – tuiuiu – instrui-los.
Fisco e os Contribuintes, facilitando o cumprimento ex- c) ponei – geléia – heroico.
pontâneo (3) das obrigações tributárias e a solução dos d) eles têm – ele intervém – ele constrói.
eventuais problemas, bem como o acesso às (4) informa- e) lingüiça – feiúra – idéia.
ções pessoais privativas de interesse de cada cidadão. O
surgimento da Secretaria da Receita Federal representou 14. (EBSERH – HUCAM-UFES – ADVOGADO – AOCP
um significativo avanço na facilitação do cumprimento – 2014) A palavra que está acentuada corretamente é:
das obrigações tributárias, contribuindo para o aumento
da arrecadação a partir (5) do final dos anos 60. a) Históriar.
(Adaptado de <http://www.receita.fazenda.gov.br/srf/ b) Memórial.
historico.htm>. Acesso em: 17 mar. 2014.) c) Métodico.
d) Própriedade.
a) (1). e) Artifício.
b) (2).
c) (3). 15. (PRODAM-AM – ASSISTENTE – FUNCAB –
2014 – ADAPTADA) Assinale a opção em que o par de
LÍNGUA PORTUGUESA

d) (4).
e) (5). palavras foi acentuado segundo a mesma regra.

11. (ESTRADA DE FERRO CAMPOS DO JORDÃO- a) saúde-países


-SP – ANALISTA FERROVIÁRIO – OFICINAS – ELÉ- b) Etíope-juízes
TRICA – IDERH – 2014) Leia as orações a seguir: c) olímpicas-automóvel
Minha mãe sempre me aconselha a evitar as _____ compa- d) vocês-público
nhias. (mas/más) e) espetáculo-mensurável

95
16. (ADVOCACIA GERAL DA UNIÃO – TÉCNICO 22. (MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO AGRÁ-
EM CONTABILIDADE – IDECAN – 2014) Os vocábu- RIO – TÉCNICO EM AGRIMENSURA – FUNCAB –
los “cinquentenário” e “império” são acentuados devido 2014) A alternativa que apresenta palavra acentuada por
à mesma justificativa. O mesmo ocorre com o par de pa- regra diferente das demais é:
lavras apresentado em
a) dúvidas.
a) prêmio e órbita. b) muitíssimos.
b) rápida e tráfego c) fábrica.
c) satélite e ministério. d) mínimo.
d) pública e experiência. e) impossível.
e) sexagenário e próximo.
23. (PRODAM-AM – ASSISTENTE DE HARDWARE
17. (RIOPREVIDÊNCIA – ESPECIALISTA EM PRE- – FUNCAB – 2014) Assinale a alternativa em que todas
VIDÊNCIA SOCIAL – CEPERJ – 2014) A palavra “con- as palavras foram acentuadas segundo a mesma regra.
teúdo” recebe acentuação pela mesma razão de:
a) indivíduos - atraí(-las) - período
a) juízo b) saíram – veículo - construído
b) espírito c) análise – saudável - diálogo
c) jornalístico d) hotéis – critérios - através
d) mínimo e) econômica – após – propósitos
e) disponíveis
24. (CORPO DE BOMBEIROS MILITAR-PI – CURSO
18. (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE – ICMBIO DE FORMAÇÃO DE SOLDADOS – UESPI – 2014) “O
– CESPE – 2014) A mesma regra de acentuação gráfica evento promove a saúde de modo integral.” A regra que
se aplica aos vocábulos “Brasília”, “cenário” e “próprio”. justifica o acento gráfico no termo destacado é a mesma
que justifica o acento em:
( ) CERTO ( ) ERRADO
a) “remédio”.
19. (PREFEITURA DE BALNEÁRIO CAMBORIÚ-SC b) “cajú”.
– GUARDA MUNICIPAL – FEPESE – 2014 – ADAP- c) “rúbrica”.
TADA) Assinale a alternativa em que todas as palavras d) “fráude”.
são oxítonas. e) “baú”.

a) pé, lá, pasta 25. (TJ-BA – TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMI-


b) mesa, tábua, régua NISTRATIVA – MÉDIO – FGV – 2015)
c) livro, prova, caderno Texto 3 – “A Lua Cheia entra em sua fase Crescente no
d) parabéns, até, televisão signo de Gêmeos e vai movimentar tudo o que diz respeito
e) óculos, parâmetros, título à sua vida profissional e projetos de carreira. Os próximos
dias serão ótimos para dar andamento a projetos que co-
20. (ADVOCACIA GERAL DA UNIÃO – TÉCNICO meçaram há alguns dias ou semanas. Os resultados che-
EM COMUNICAÇÃO SOCIAL – IDECAN – 2014) garão rapidamente”.
Assinale a alternativa em que a acentuação de todas as
palavras está de acordo com a mesma regra da palavra O texto 3 mostra exemplos de emprego correto do “a”
destacada: “Procuradorias comprovam necessidade de com acento grave indicativo da crase – “diz respeito à sua
rendimento satisfatório para renovação do FIES”. vida profissional”. A frase abaixo em que o emprego do
acento grave da crase é corretamente empregado é:
a) após / pó / paletó
b) moído / juízes / caído a) o texto do horóscopo veio escrito à lápis;
c) história / cárie / tênue b) começaram à chorar assim que leram as previsões;
d) álibi / ínterim / político c) o horóscopo dizia à cada leitora o que devia fazer;
e) êxito / protótipo / ávido d) o leitor estava à procura de seu destino;
e) o astrólogo previa o futuro passo à passo
21. (PREFEITURA DE BRUSQUE-SC – EDUCADOR
SOCIAL – FEPESE – 2014) Assinale a alternativa em 26. (PREFEITURA DE SERTÃOZINHO-SP – FAR-
MACÊUTICO – SUPERIOR – VUNESP – 2017) O si-
LÍNGUA PORTUGUESA

que só palavras paroxítonas estão apresentadas.


nal indicativo de crase está empregado corretamente nas
a) facilitada, minha, canta, palmeiras duas ocorrências na alternativa:
b) maná, papá, sinhá, canção
c) cá, pé, a, exílio a) Muitos indivíduos são propensos à associar, inadverti-
d) terra, pontapé, murmúrio, aves damente, tristeza à depressão.
e) saúde, primogênito, computador, devêssemos b) As pessoas não querem estar à mercê do sofrimento,
por isso almejam à pílula da felicidade.

96
c) À proporção que a tristeza se intensifica e se prolonga, c) ... incitá-los à reação e à enfrentamento do desconforto,
pode-se, à primeira vista, pensar em depressão. ...
d) À rigor, os especialistas não devem receitar remédios d) ... incitá-los à reação e o enfrentamento do desconforto,
às pessoas antes da realização de exames acurados. ...
e) Em relação à informação da OMS, conclui-se que exis- e) ... incitá-los a reação e à enfrentamento do desconforto, ..
tem 121 milhões de pessoas à serem tratadas de de-
pressão. 31. (CONAB – CONTABILIDADE – SUPERIOR – IA-
DES – 2014 – ADAPTADA) Considerando o trecho
27. (TRT – 21.ª REGIÃO-RN – TÉCNICO JUDICIÁ- “atualizou os dados relativos à produção de grãos no Bra-
RIO – ÁREA ADMINISTRATIVA – MÉDIO – FCC – sil.” e conforme a norma-padrão, assinale a alternativa
2017) É difícil planejar uma cidade e resistir à tentação correta.
de formular um projeto de sociedade.
O sinal indicativo de crase deverá ser mantido caso o ver- a) a crase foi empregada indevidamente no trecho.
bo sublinhado acima seja substituído por: b) o autor poderia não ter empregado o sinal indicativo
de crase.
a) não acatar. c) se “produção” estivesse antecedida por essa, o uso do
b) driblar. sinal indicativo de crase continuaria obrigatório.
c) controlar. d) se, no lugar de “relativos”, fosse empregado referen-
d) superar. tes, o uso do sinal indicativo de crase passaria a ser
e) não sucumbir. facultativo.
e) caso o vocábulo minha fosse empregado imediata-
28. (TRT – 21.ª REGIÃO-RN – TÉCNICO JUDICIÁ- mente antes de “produção”, o uso do sinal indicativo
RIO – ÁREA ADMINISTRATIVA – MÉDIO – FCC – de crase seria facultativo.
2017) A frase em que há uso adequado do sinal indica-
tivo de crase encontra-se em: 32. (SABESP-SP – ATENDENTE A CLIENTES – MÉ-
DIO – FCC – 2014 – ADAPTADA) No trecho Refiro-me
a) A tendência de recorrer à adaptações aparece com aos livros que foram escritos e publicados, mas estão –
maior força na Hollywood do século 21. talvez para sempre – à espera de serem lidos, o uso do
b) É curioso constatar a rapidez com que o cinema agre- acento de crase obedece à mesma regra seguida em:
gou à máxima.
c) A busca pela segurança leva os estúdios à apostarem a) Acostumou-se àquela situação, já que não sabia como
em histórias já testadas e aprovadas. evitá-la.
d) Tal máxima aplica-se perfeitamente à criação de peças b) Informou à paciente que os remédios haviam surtido
de teatro. efeito.
e) Há uma massa de escritores presos à contratos fixos c) Vou ficar irritada se você não me deixar assistir à no-
em alguns estúdios. vela.
d) Acabou se confundindo, após usar à exaustão a velha
29. (PREFEITURA DE MARÍLIA-SP – AUXILIAR DE fórmula.
ESCRITA – MÉDIO – VUNESP – 2017) Assinale a al- e) Comunique às minhas alunas que as provas estão cor-
ternativa em que o sinal indicativo de crase está empre- rigidas.
gado corretamente.
33. (TRT-AL – ANALISTA JUDICIÁRIO – SUPE-
a) A voluntária aconselhou a remetente à esquecer o RIOR – FCC–2014) ... que acompanham as fronteiras
amor de infância. ocidentais chinesas...
b) O carteiro entregou às voluntárias do Clube de Julieta O verbo que, no contexto, exige o mesmo tipo de com-
uma nova remessa de cartas. plemento que o da frase acima está em:
c) O médico ofereceu à um dos remetentes apoio psico-
lógico. a) A Rota da Seda nunca foi uma rota única...
d) As integrantes do Clube levaram horas respondendo b) Esses caminhos floresceram durante os primórdios da
à diversas cartas. Idade Média.
e) O Clube sugeriu à algumas consulentes que fizessem c) ... viajavam por cordilheiras...
novas amizades. d) ... até cair em desuso, seis séculos atrás.
e) O maquinista empurra a manopla do acelerador.
30. (PREFEITURA DE SÃO PAULO-SP – TÉCNICO
EM SAÚDE – LABORATÓRIO – MÉDIO – VUNESP – 34. (CASAL-AL – ADMINISTRADOR DE REDE –
LÍNGUA PORTUGUESA

2014) Reescrevendo-se o segmento frasal – ... incitá-los COPEVE – UFAL – 2014) Na afirmação abaixo, de Pa-
a reagir e a enfrentar o desconforto, ... –, de acordo com a dre Vieira,
regência e o acento indicativo da crase, tem-se: “O trigo não picou os espinhos, antes os espinhos o pica-
ram a ele... Cuidais que o sermão vos picou a vós” o subs-
a) ... incitá-los à reação e ao enfrentamento do desconforto, ... tantivo “espinhos” tem, respectivamente, função sintática
b) ... incitá-los a reação e o enfrentamento do desconforto, de,
...

97
a) objeto direto/objeto direto. 39. (TRT-13ª REGIÃO-PB – TÉCNICO JUDICIÁRIO
b) sujeito/objeto direto. – TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO – MÉDIO – FCC
c) objeto direto/sujeito. – 2014) Ao mesmo tempo, as elites renunciaram às am-
d) objeto direto/objeto indireto. bições passadas...
e) sujeito/objeto indireto. O verbo que, no contexto, exige o mesmo tipo de com-
plemento que o grifado acima está empregado em:
35. (CASAL-AL – ADMINISTRADOR DE REDE –
COPEVE – UFAL – 2014) No texto, “Arranca o esta- a) Faltam-nos precedentes históricos para...
tuário uma pedra dessas montanhas, tosca, bruta, dura, b) Nossos contemporâneos vivem sem esse futuro...
informe; e, depois que desbastou o mais grosso, toma o c) Esse novo espectro comprova a novidade de nossa si-
maço e cinzel na mão para começar a formar um homem, tuação...
primeiro membro a membro e depois feição por feição.” d) As redes sociais eram atividades de difícil
VIEIRA, P. A. In Sermão do Espírito Santo. Acervo da Aca- implementação...
demia Brasileira de Letras e) ... como se imitássemos o padrão de conforto...
A oração sublinhada exerce uma função de
40. (CIA DE SERVIÇOS DE URBANIZAÇÃO DE
a) causalidade. GUARAPUAVA-PR – AGENTE DE TRÂNSITO
b) conclusão. – CONSULPLAM – 2014) Quanto à função que de-
c) oposição. sempenha na sintaxe da oração, o trecho em destaque
d) concessão. “Tenho uma dor que passa daqui pra lá e de lá pra cá”
e) finalidade. corresponde a:

36. (EBSERH – HUCAM-UFES – ADVOGADO – SU- a) Oração subordinada adjetiva restritiva.


PERIOR – AOCP – 2014) Em “Se a ‘cura’ fosse cara, b) Oração subordinada adjetiva explicativa.
apenas uma pequena fração da sociedade teria acesso a c) Adjunto adnominal.
ela.”, a expressão em destaque funciona como: d) Oração subordinada adverbial espacial.

a) objeto direto. 41. (ADVOCACIA-GERAL DA UNIÃO – TÉCNICO


b) adjunto adnominal. EM COMUNICAÇÃO SOCIAL – IDECAN – 2014)
c) complemento nominal. Acerca das relações sintáticas que ocorrem no interior
d) sujeito paciente. do período a seguir “Policiais de Los Angeles tomam fa-
e) objeto indireto. cas de criminosos, perseguem bêbados na estrada e ter-
minam o dia na delegacia fazendo seu relatório.”, é cor-
37. (EBSERH – HUSM-UFSM-RS – ANALISTA AD- reto afirmar que
MINISTRATIVO – JORNALISMO – SUPERIOR –
AOCP – 2014) a) “o dia” é sujeito do verbo “terminar”.
“Sinta-se ungido pela sorte de recomeçar. Quando seu fi- b) o sujeito do período, Policiais de Los Angeles, é com-
lho crescer, ele irá entender - mais cedo ou mais tarde -...” posto.
No período acima, a oração destacada: c) “bêbados” e “criminosos” apresentam-se na função de
sujeito.
a) estabelece uma relação temporal com a oração que d) “facas” possui a mesma função sintática que “bêba-
lhe é subsequente. dos” e “relatório”.
b) estabelece uma relação temporal com a oração que a e) “de criminosos”, “na estrada”, “na delegacia” são ter-
antecede. mos que indicam circunstâncias que caracterizam a
c) estabelece uma relação condicional com a oração que ação verbal.
lhe é subsequente.
d) estabelece uma relação condicional com a oração que 42. (TJ-SP – ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO
a antecede. – MÉDIO – VUNESP – 2015) Leia o texto, para res-
e) estabelece uma relação de finalidade com a oração ponder às questões.
que lhe é subsequente. O fim do direito é a paz, o meio de que se serve para
consegui-lo é a luta. Enquanto o direito estiver sujeito
38. (PRODAM-AM – ASSISTENTE DE HARDWARE às ameaças da injustiça – e isso perdurará enquanto o
– FUNCAB – 2014) O termo destacado em: “As pessoas mundo for mundo –, ele não poderá prescindir da luta.
estão sempre muito ATAREFADAS.” exerce a seguinte fun- A vida do direito é a luta: luta dos povos, dos governos,
ção sintática:
LÍNGUA PORTUGUESA

das classes sociais, dos indivíduos.


Todos os direitos da humanidade foram conquistados
a) objeto direto. pela luta; seus princípios mais importantes tiveram de
b) objeto indireto. enfrentar os ataques daqueles que a ele se opunham;
c) adjunto adverbial. todo e qualquer direito, seja o direito de um povo, seja
d) predicativo. o direito do indivíduo, só se afirma por uma disposição
e) adjunto adnominal. ininterrupta para a luta. O direito não é uma simples
ideia, é uma força viva. Por isso a justiça sustenta numa

98
das mãos a balança com que pesa o direito, enquanto a) em Brasília, Distrito Federal, na região Centro-Oeste;
na outra segura a espada por meio da qual o defende. b) em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, região Sul;
A espada sem a balança é a força bruta, a balança sem a c) em Pedrinhas, São Luís, Maranhão;
espada, a impotência do direito. Uma completa a outra, d) em São Paulo, São Paulo, Brasil;
e o verdadeiro estado de direito só pode existir quando e) em Goiânia, região Centro-Oeste, Brasil.
a justiça sabe brandir a espada com a mesma habilidade
com que manipula a balança. 44. (TRT – 21.ª REGIÃO-RN – TÉCNICO JUDICIÁ-
O direito é um trabalho sem tréguas, não só do Poder RIO – ÁREA ADMINISTRATIVA – MÉDIO – FCC –
Público, mas de toda a população. A vida do direito nos 2017) Está plenamente adequada a pontuação do se-
oferece, num simples relance de olhos, o espetáculo guinte período:
de um esforço e de uma luta incessante, como o des-
pendido na produção econômica e espiritual. Qualquer a) A produção cinematográfica como é sabido, sempre
pessoa que se veja na contingência de ter de sustentar bebeu na fonte da literatura, mas o cinema declarou-
seu direito participa dessa tarefa de âmbito nacional e -se, independente das outras artes há mais de meio
contribui para a realização da ideia do direito. É verdade século.
que nem todos enfrentam o mesmo desafio. b) Sabe-se que, a produção cinematográfica sempre con-
A vida de milhares de indivíduos desenvolve-se tranqui- siderou a literatura como fonte de inspiração, mas o
lamente e sem obstáculos dentro dos limites fixados pelo cinema declarou-se independente das outras artes, há
direito. Se lhes disséssemos que o direito é a luta, não mais de meio século.
nos compreenderiam, pois só veem nele um estado de c) Há mais de meio século, o cinema declarou-se inde-
paz e de ordem. pendente das outras artes, embora a produção cine-
(Rudolf von Ihering, A luta pelo direito) matográfica tenha sempre considerado a literatura
como fonte de inspiração.
Assinale a alternativa em que uma das vírgulas foi em- d) O cinema declarou-se independente, das outras ar-
pregada para sinalizar a omissão de um verbo, tal como tes, há mais de meio século; porém, sabe-se, que a
ocorre na passagem – A espada sem a balança é a força produção cinematográfica sempre bebeu na fonte da
bruta, a balança sem a espada, a impotência do direito. literatura.
a) O direito, no sentido objetivo, compreende os princí- e) A literatura, sempre serviu de fonte inspiradora do ci-
pios jurídicos manipulados pelo Estado. nema, mas este, declarou-se independente das outras
b) Todavia, não pretendo entrar em minúcias, pois nunca artes há mais de meio século − como é sabido.
chegaria ao fim.
c) Do autor exige-se que prove, até o último centavo, o 45. (CORREIOS – TÉCNICO EM SEGURANÇA DO
interesse pecuniário. TRABALHO JÚNIOR – MÉDIO – IADES – 2017 –
d) É que, conforme já ressaltei várias vezes, a essência do ADAPTADA) Quanto às regras de ortografia e de pon-
direito está na ação. tuação vigentes, considere o período “Enquanto lia a car-
e) A cabeça de Jano tem face dupla: a uns volta uma das ta, as lágrimas rolavam em seu rosto numa mistura de
faces, aos demais, a outra. amor e saudade.” e assinale a alternativa correta.

43. (TJ-BA – TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMI- a) O uso da vírgula entre as orações é opcional.
NISTRATIVA – MÉDIO – FGV – 2015) b) A redação “Enquanto lia a carta, as lágrimas rolavam
em seu rosto por que sentia um misto de amor e sauda-
Texto 2 - “A primeira missão tripulada ao espaço profundo de.” poderia substituir a original.
desde o programa Apollo, da década 1970, com o objetivo c) O uso do hífen seria obrigatório, caso o prefixo re fosse
de enviar astronautas a Marte até 2030 está sendo prepa- acrescentado ao vocábulo “lia”.
rada pela Nasa (agência espacial norte-americana). O pri- d) Caso a ordem das orações fosse invertida, o uso da
meiro passo para a concretização desse desafio será dado vírgula entre elas poderia ser dispensado.
nesta sexta-feira (5), com o lançamento da cápsula Orion, e) Assim como o vocábulo “lágrimas”, devem ser acen-
da base da agência em Cabo Canaveral, na Flórida, nos tuados graficamente rúbrica, filântropo e lúcida.
Estados Unidos. O lançamento estava previsto original-
mente para esta quinta-feira (4), mas devido a problemas 46. (TRE-MS – ESTÁGIO – JORNALISMO – TRE-
técnicos foi reagendado para as 7h05 (10h05 no horário -MS – 2014) Verifique a pontuação nas frases abaixo e
de Brasília).” marque a assertiva correta:
(Ciência, Internet Explorer).
a) Céus: Que injustiça.
LÍNGUA PORTUGUESA

“com o lançamento da cápsula Orion, da base da agência b) O resultado do placar, não o abateu.
em Cabo Canaveral, na Flórida, nos Estados Unidos.” c) O comércio estava fechado; porém, a farmácia estava
Os termos sublinhados se encarregam da localização do em pleno atendimento.
lançamento da cápsula referida; o critério para essa loca- d) Comam bastantes frutas crianças!
lização também foi seguido no seguinte caso: Os protes- e) Comprei abacate, e mamão maduro.
tos contra as cotas raciais ocorreram:

99
47. (SAAE-SP – FISCAL LEITURISTA – VUNESP – 49. (PREFEITURA DE PAULISTA-PE – RECEPCIO-
2014) NISTA – UPENET – 2014 – ADAPTADA)
“Já vi gente cansada de amor, de trabalho, de política, de
ideais. Jamais conheci alguém sinceramente cansado de
dinheiro.”
(Millôr Fernandes)

Sobre as vírgulas existentes no texto, é CORRETO afirmar


que:

a) são facultativas.
b) isolam apostos.
c) separam elementos de mesma função sintática.
d) a terceira é facultativa.
e) separam orações coordenadas assindéticas.

50. (POLÍCIA MILITAR-SP – OFICIAL ADMINIS-


TRATIVO – MÉDIO – VUNESP – 2014) A reescrita
da frase – Como sempre, a resposta depende de como de-
finimos os termos da pergunta. – está correta, quanto à
pontuação, em:

a) A resposta como sempre, depende de, como defini-


mos os termos da pergunta.
Segundo a norma-padrão da língua portuguesa, a pon- b) A resposta, como sempre, depende de como defini-
tuação está correta em: mos os termos da pergunta.
c) A resposta como, sempre, depende de como defini-
a) Hagar disse, que não iria. mos os termos da pergunta.
b) Naquela noite os Stevensens prometeram servir, bifes d) A resposta, como, sempre depende de como defini-
e lagostas, aos vizinhos. mos os termos da pergunta.
c) Chegou, o convite dos Stevensens, bife e lagostas: para e) A resposta como sempre, depende de como, defini-
Hagar e Helga mos os termos da pergunta.
d) “Eles são chatos e, nunca param de falar”, disse, Hagar
à Helga. 51. (EMPLASA-SP – ANALISTA JURÍDICO – DI-
e) Helga chegou com o recado: fomos convidados, pelos REITO – VUNESP – 2014) Segundo a norma-padrão
Stevensens, para jantar bifes e lagostas. da língua portuguesa, a pontuação está correta em:

48. (PREFEITURA DE PAULISTA-PE – RECEPCIO- a) Como há suspeita, por parte da família de que João
NISTA – UPENET – 2014) Sobre os SINAIS DE PON- Goulart tenha sido assassinado; a Comissão da Ver-
TUAÇÃO, observe os itens abaixo: dade decidiu reabrir a investigação de sua morte, em
maio deste ano, a pedido da viúva e dos filhos.
I. “Calma, gente”. b) Em maio deste ano, a Comissão da Verdade acatou
II. “Que mundo é este que chorar não é “normal”? o pedido da família do ex-presidente João Goulart e
III. “Sustentabilidade, paradigma de vida” reabriu a investigação da morte deste, visto que, para
IV. “Será que precisa de mais licitações? Haja licitações!” a viúva e para os filhos, Jango pode ter sido assassi-
V. “E, de repente, aquela rua se tornou um grande lago...” nado.
c) A investigação da morte de João Goulart, foi reaberta,
Sobre eles, assinale a alternativa CORRETA. em maio deste ano pela Comissão da Verdade, para
apuração da causa da morte do ex-presidente uma
a) No item I, a vírgula isola um aposto. vez que, para a família, Jango pode ter sido assassi-
b) No item II, a interrogação indica uma mensagem in- nado.
terrompida. d) A Comissão da Verdade, a pedido da família de João
c) No item III, a vírgula isola termos que explicam o seu Goulart, reabriu em maio deste ano a investigação de
antecedente. sua morte, porque, a hipótese de assassinato não é
d) No item IV, os dois sinais de pontuação, a interrogação
LÍNGUA PORTUGUESA

descartada, pela viúva e filhos.


e a exclamação, indicam surpresa. e) Como a viúva e os filhos do ex-presidente João Gou-
e) No item V, as vírgulas poderiam ser substituídas, ape- lart, suspeitando que ele possa ter sido assassinado
nas, por um ponto e vírgula após o termo “repente”. pediram a reabertura da investigação de sua morte,
à Comissão da Verdade, esta, atendeu o pedido em
maio deste ano.

100
52. (CAIXA ECONÔMICA FEDERAL – MÉDICO DO Há uma boa razão que explica por que todos adoram um
TRABALHO – CESPE – 2014 – ADAPTADA) A cor- espaço com quatro paredes e uma porta: foco. A verdade é
reção gramatical do trecho “Entre as bebidas alcoólicas, que não conseguimos cumprir várias tarefas ao mesmo tem-
cervejas e vinhos são as mais comuns em todo o mundo” po, e pequenas distrações podem desviar nosso foco por até
seria prejudicada, caso se inserisse uma vírgula logo após 20 minutos.
a palavra “vinhos”. Retemos mais informações quando nos sentamos em um
local fixo, afirma Sally Augustin, psicóloga ambiental e de-
( ) CERTO ( ) ERRADO sign de interiores.
(Bryan Borzykowski, “Por que escritórios abertos podem
53. (PREFEITURA DE ARCOVERDE-PE – ADMINIS- ser ruins para funcionários.” Disponível em:<www1.folha.
TRADOR DE RECURSOS HUMANOS – CONPASS – uol.com.br>. Acesso em: 04.04.2017. Adaptado)
2014) Leia o texto a seguir:
“Pagar por esse software não é um luxo, mas uma necessi- Iniciando-se a frase – Retemos mais informações quando nos
dade”. O uso da vírgula justifica-se porque: sentamos em um local fixo... (último parágrafo) – com o termo
Talvez, indicando condição, a sequência que apresenta corre-
a) estabelece a relação entre uma coordenada assindéti- lação dos verbos destacados de acordo com a norma-padrão
ca e uma conclusiva. será:
b) separar a oração coordenada “não é um luxo” da ad-
versativa “mas uma necessidade”, em que o verbo está a) reteríamos ... sentarmos
subentendido. b) retínhamos ... sentássemos
c) liga a oração principal “Pagar” à coordenada “não é um c) reteremos ... sentávamos
luxo, mas uma necessidade”. d) retivemos ... sentaríamos
d) indica que dois termos da mesma função estão ligados e) retivéssemos ... sentássemos
por uma conjunção aditiva.
e) isola o aposto na segunda oração. 55. (TJ-SP – ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO –
MÉDIO – VUNESP – 2017) Leia o texto para responder
54. (TJ-SP – ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – às questões.
MÉDIO – VUNESP – 2017) O problema de São Paulo, dizia o Vinicius, “é que você
Há quatro anos, Chris Nagele fez o que muitos executi- anda, anda, anda e nunca chega a Ipanema”. Se tomarmos
vos no setor de tecnologia já tinham feito – ele transferiu “Ipanema” ao pé da letra, a frase é absurda e cômica. To-
sua equipe para um chamado escritório aberto, sem pa- mando “Ipanema” como um símbolo, no entanto, como
redes e divisórias. um exemplo de alívio, promessa de alegria em meio à vida
Os funcionários, até então, trabalhavam de casa, mas ele dura da cidade, a frase passa a ser de um triste realismo:
queria que todos estivessem juntos, para se conectarem o problema de São Paulo é que você anda, anda, anda e
e colaborarem mais facilmente. Mas em pouco tempo fi- nunca chega a alívio algum. O Ibirapuera, o parque do Es-
cou claro que Nagele tinha cometido um grande erro. tado, o Jardim da Luz são uns raros respiros perdidos entre
Todos estavam distraídos, a produtividade caiu, e os nove o mar de asfalto, a floresta de lajes batidas e os Corcovados
empregados estavam insatisfeitos, sem falar do próprio de concreto armado.
chefe. O paulistano, contudo, não é de jogar a toalha – prefere
Em abril de 2015, quase três anos após a mudança para estendê-la e se deitar em cima, caso lhe concedam dois
o escritório aberto, Nagele transferiu a empresa para um metros quadrados de chão. É o que vemos nas avenidas
espaço de 900 m² onde hoje todos têm seu próprio es- abertas aos pedestres, nos fins de semana: basta liberarem
paço, com portas e tudo. um pedacinho do cinza e surgem revoadas de patinado-
Inúmeras empresas adotaram o conceito de escritório res, maracatus, big bands, corredores evangélicos, góticos
aberto – cerca de 70% dos escritórios nos Estados Uni- satanistas, praticantes de ioga, dançarinos de tango, barra-
dos são assim – e até onde se sabe poucos retornaram quinhas de yakissoba e barris de cerveja artesanal.
ao modelo de espaços tradicionais com salas e portas. Tenho estado atento às agruras e oportunidades da cidade
Pesquisas, contudo, mostram que podemos perder até porque, depois de cinco anos vivendo na Granja Viana, vim
15% da produtividade, desenvolver problemas graves morar em Higienópolis. Lá em Cotia, no fim da tarde, eu cor-
de concentração e até ter o dobro de chances de ficar ria em volta de um lago, desviando de patos e assustando
doentes em espaços de trabalho abertos – fatores que jacus. Agora, aos domingos, corro pela Paulista ou Minhocão
estão contribuindo para uma reação contra esse tipo de e, durante a semana, venho testando diferentes percursos.
organização. Corri em volta do parque Buenos Aires e do cemitério da
Desde que se mudou para o formato tradicional, Nagele Consolação, ziguezagueei por Santa Cecília e pelas encos-
LÍNGUA PORTUGUESA

já ouviu colegas do setor de tecnologia dizerem sentir tas do Sumaré, até que, na última terça, sem querer, des-
falta do estilo de trabalho do escritório fechado. “Muita cobri um insuspeito parque noturno com bastante gente,
gente concorda – simplesmente não aguentam o escri- quase nenhum carro e propício a todo tipo de atividades: o
tório aberto. Nunca se consegue terminar as coisas e é estacionamento do estádio do Pacaembu.
preciso levar mais trabalho para casa”, diz ele. (Antonio Prata. “O paulistano não é de jogar a toa-
É improvável que o conceito de escritório aberto caia em lha. Prefere estendê-la e deitar em cima.” Disponível
desuso, mas algumas firmas estão seguindo o exemplo em:<http://www1.folha.uol.com.br/colunas>. Acesso em:
de Nagele e voltando aos espaços privados. 13.04.2017. Adaptado)

101
Assinale a alternativa que dá nova redação à passagem 25 C
– O paulistano, contudo, não é de jogar a toalha – prefere
estendê-la e se deitar em cima, caso lhe concedam dois 26 C
metros quadrados de chão. – atendendo à norma-padrão 27 E
de concordância.
28 D
a) Cem por cento dos paulistanos não joga a toalha – 29 B
acha preferível estendê-la para que se deite sobre elas, 30 A
caso seja dado a eles dois metros quadrados de chão.
b) Os paulistanos não jogam a toalha – acham preferíveis 31 E
estendê-la e se deitar em cima, caso lhes deem dois 32 D
metros quadrados de chão.
c) Mais de um paulistano não são de jogar a toalha – 33 E
acham preferíveis estendê-la e se deitarem em cima, 34 C
caso se dê a eles dois metros de chão. 35 E
d) Para os paulistanos, não se joga a toalha – é preferível
que seja estendida, para que possam deitar-se sobre 36 C
ela, caso lhes sejam dados dois metros quadrados de 37 A
chão.
e) A maior parte dos paulistanos, contudo, não são de jo- 38 D
garem a toalha – acha preferível elas serem estendidas 39 A
e deitar-se em cima, caso lhe seja dado dois metros
40 A
de chão.
41 D
42 E
GABARITO 43 A
44 C
1 C 45 D
2 A 46 C
3 D 47 E
4 A 48 C
5 C 49 C
6 A 50 B
7 C 51 B
8 D 52 CERTO
9 D 53 C
10 C 54 E
11 B 55 D
12 C
13 D
14 E
15 A
16 B
17 A
18 CERTO
19 D
LÍNGUA PORTUGUESA

20 C
21 A
22 E
23 E
24 E

102
ÍNDICE

RACIOCÍNIO LÓGICO E MATEMÁTICA

Operações, propriedades e aplicações (soma, subtração, multiplicação, divisão, potenciação e radiciação).............................. 01


Princípios de contagem e probabilidade. Arranjos e permutações. Combinações................................................................................. 01
Conjuntos numéricos (números naturais, inteiros, racionais e reais) e operações com conjuntos................................................... 07
Razões e proporções (grandezas diretamente proporcionais, grandezas inversamente proporcionais, porcentagem, regras
de três simples e compostas)....................................................................................................................................................................................... 29
Equações e inequações .................................................................................................................................................................................................. 37
Sistemas de medidas. Volumes ................................................................................................................................................................................... 44
Compreensão de estruturas lógicas........................................................................................................................................................................... 48
Lógica de argumentação (analogias, inferências, deduções e conclusões)................................................................................................ 58
Diagramas lógicos............................................................................................................................................................................................................. 59
Noções de Matemática Financeira. Juros simples e compostos. Capitalização e descontos. Taxas de juros: nominal,
efetiva, equivalente, proporcional, real e aparente. Rendas uniformes e variáveis. Planos de amortização de empréstimos
e financiamentos. Cálculo financeiro: custo real efetivo de operações de financiamento, empréstimo e investimento.
Inflação, variação cambial e taxa de juros................................................................................................................................................................ 61
2. Fatorial
OPERAÇÕES, PROPRIEDADES E APLICAÇÕES
(SOMA, SUBTRAÇÃO, MULTIPLICAÇÃO, Antes de definirmos casos particulares de contagem,
DIVISÃO, POTENCIAÇÃO E RADICIAÇÃO) iremos definir uma operação matemática que será uti-
lizada nas próximas seções, o fatorial. Define-se o sinal
de fatorial pelo ponto de exclamação, ou seja “ ! “. As-
“Prezado Candidato, o tópico acima será abordado sim, quando encontrarmos 2! Significa que estaremos
na íntegra em: Conjuntos numéricos (números na- calculando o “fatorial de 2” ou “2 fatorial”. A definição
turais, inteiros, racionais e reais) e operações com de fatorial está apresentada a seguir:
conjuntos”
n! = n ∙ n − 1 ∙ n − 2 ∙ n − 3 … 3 ∙ 2 ∙ 1

PRINCÍPIOS DE CONTAGEM E Ou seja, o fatorial de um número é caracterizado


PROBABILIDADE. ARRANJOS E pelo produto deste número e seus antecessores, até se
PERMUTAÇÕES. COMBINAÇÕES chegar no número 1. Vejam os exemplos abaixo:
3! = 3 ∙ 2 ∙ 1 = 6
CONTAGEM E ANÁLISE COMBINATÓRIA 5! = 5 ∙ 4 ∙ 3 ∙ 2 ∙ 1 = 120
1. Princípio fundamental da Contagem
Assim, basta ir multiplicando os números até se che-
O princípio fundamental da contagem permite quan- gar ao número 1. Observe que os fatoriais aumentam
tificar situações ou casos de uma determinada situação muito rápido, veja quanto é 10!:
ou evento. Em outras palavras, é uma maneira sistemáti- 10! = 10 ∙ 9 ∙ 8 ∙ 7 ∙ 6 ∙ 5 ∙ 4 ∙ 3 ∙ 2 ∙ 1 = 3628800
ca de “contar” a quantidade de “coisas”.
A base deste princípio se dá pela separação de ca-
sos e quantificação dos mesmos. Após isso, uma mul- Já estamos na casa dos milhões! Para não trabalhar-
tiplicação de todos estes números é feita para achar a mos com valores tão altos, as operações com fatoriais
quantidade total de possibilidades. O exemplo a seguir são normalmente feitas por último, procurando fazer o
irá ilustrar isso. maior número de simplificações possíveis. Observe este
Exemplo: João foi almoçar em um restaurante no cen- exemplo:
tro da cidade, ao chegar no local, percebeu que oferecem 10!
3 tipos de saladas, 2 tipos de carne, 6 bebidas diferentes Calcule 7!
e 5 sobremesas diferentes. De quantas maneiras distin-
tas ele pode fazer um pedido, pegando apenas 1 tipo de Resolução: Ao invés de calcular os valores de 7! e 10!
cada alimento? separadamente e depois fazer a divisão, o que levaria
Resolução: O princípio da contagem depende forte- muito tempo, nós simplificamos os fatoriais primeiro.
mente de uma organização do problema. A sugestão é Pela definição de fatorial, temos o seguinte:
sempre organizar cada caso em traços e preenchendo a
quantidade de possibilidades. Como temos 4 casos dis- 10! 10 ∙ 9 ∙ 8 ∙ 7 ∙ 6 ∙ 5 ∙ 4 ∙ 3 ∙ 2 ∙ 1
tintos (salada, carne, bebida e sobremesa), iremos fazer 7!
=
7 ∙6 ∙ 5 ∙ 4 ∙ 3 ∙ 2 ∙ 1
4 traços:
Observe que o denominador pode ser inteiramente
cancelado, pois 10! Possui todos os termos de 7!. Essa
é uma particularidade interessante e facilitará demais a
Agora, preencheremos a quantidade de possibilida- simplificação. Se cancelarmos, restará apenas um pro-
des de cada caso: duto de 3 termos:
RACIOCÍNIO LÓGICO E MATEMÁTICA

10! 10 ∙ 9 ∙ 8 ∙ 7 ∙ 6 ∙ 5 ∙ 4 ∙ 3 ∙ 2 ∙ 1
= = 10 ∙ 9 ∙ 8 = 720
7! 7 ∙6 ∙ 5 ∙ 4 ∙ 3 ∙ 2 ∙ 1

Essa operação é muito mais fácil que calcular os fa-


Finalmente, multiplicamos os números: toriais desde o começo!
Agora que sabemos o que é fatorial e como simpli-
ficá-lo, podemos passar para os casos particulares de
contagem: Permutações, Combinações e Arranjos.

Assim, João tem 180 possibilidades diferentes de se


montar um prato.

1
3. Permutações

As permutações são definidas como situações onde


o número de elementos é igual ao número de posições
que podemos colocá-los. Considere o exemplo onde te-
mos 5 pessoas e 5 cadeiras alinhadas. Queremos saber
de quantas maneiras diferentes podemos posicionar es- Entretanto, temos a repetição da letra A. Veja o que acon-
sas pessoas. Esquematizando o problema, chamando de tece quando montarmos um anagrama qualquer da palavra:
P as pessoas e C as cadeiras:

Não conseguimos saber qual letra “A” foi utilizada nas


posições C1,C3 e C5. Se trocarmos as mesmas de posição
entre si, ficaremos com os mesmos anagramas, caracte-
rizando uma repetição. Assim, para saber a quantidade
de anagramas com repetição, corrigiremos a fórmula da
Em problemas onde o número de elementos é igual permutação da seguinte forma:
ao número de posições, teremos uma permutação. A fór-
mula da permutação, considerando que não há repetição
n!
Pna =
de elementos é a seguinte: a!
Pn = n! Ou seja, calcula-se a permutação de “n” elementos
com “a” repetições. Considerando que MARIANA tem 7
Ou seja, para permutar 5 elementos em 5 posições, letras (n=7) e a letra “A” se repete 3 vezes, temos que:
basta eu calcular o fatorial de 5:
7! 7 ∙6 ∙ 5 ∙ 4 ∙ 3 ∙ 2 ∙ 1
P5 = 5! = 120 P73 = = = 7 ∙ 6 ∙ 5 ∙ 4 = 840
3! 3∙2∙1

Logo, eu posso posicionar as pessoas de 120 manei- Assim, a palavra MARIANA tem 840 anagramas possíveis.
ras diferentes na fileira de cadeiras. Outro exemplo para deixar este conceito bem claro,
Observe que a fórmula da permutação é utilizada é quando temos dois elementos se repetindo. Por exem-
como não há repetição de elementos, mas e quando plo, calcule os anagramas da palavra TALITA:
ocorre repetição? Neste caso, a fórmula da permutação
terá uma complementação, para desconsiderar casos re-
petidos que serão contados 2 ou mais vezes se utilizar-
mos a fórmula diretamente.
O exemplo mais comum destes casos é o que cha-
mamos de Anagrama. Os anagramas são permutações
das letras de uma palavra, formando novas palavras, sem
a necessidade de terem sentido ou não. Usando primei- Observe que a letra “T” repete 2 vezes e a letra “A”
ramente um exemplo sem repetição, conte quantos ana- também repete duas vezes. Na fórmula da permutação
gramas podemos formar com o nome BRUNO. com repetição, faremos duas divisões:

Montando a esquematização:
n!
Pna,b =
a! b!

Ou seja, se houver 2 ou mais elementos se repetindo,


a correção é feita, dividindo pelas repetições de cada um.
Como ambos repetem duas vezes:
RACIOCÍNIO LÓGICO E MATEMÁTICA

Ou seja, temos que posicionar as letras nas 5 casas 6! 6 ∙ 5 ∙ 4 ∙ 3 ∙ 2 ∙ 1 6 ∙ 5 ∙ 4 ∙ 3 360


P62,2 = = = = = 180
correspondentes e neste caso, é um problema de permu- 2! 2! 2∙1 ∙ 2∙1 2∙1 2
tação sem repetição:
Assim, a palavra TALITA tem 180 anagramas.
P5 = 5! = 120
4. Combinações
Logo, podemos formar 120 anagramas com a palavra
BRUNO. Agora, vamos olhar a palavra MARIANA. Ela pos- As combinações e os arranjos, que serão apresenta-
sui 7 letras, logo teremos 7 posições: dos a seguir, possuem uma característica diferente da
permutação. A diferença está no fato do número de po-

2
sições ser MENOR que o número de elementos, ou seja, quando os elementos forem agrupados, sobrarão alguns. Veja
este exemplo: De quantas maneiras podemos formar uma comissão de 3 membros, dentro os 7 funcionários de uma
empresa?

Resolução: Este exemplo mostrará também como diferenciar combinação de arranjo. Logo de início, podemos ver
que não se trata de um problema de permutação, pois temos 3 posições para 7 elementos. Para diferenciar combinação
e arranjo, temos que verificar se a ordem de escolha dos elementos importa ou não. Neste caso, a ordem não importa,
pois estamos escolhendo 3 pessoas e não importa a ordem que escolhemos elas pois a comissão será a mesma. Ob-
serve a esquematização:

As pessoas foram chamadas pelas letras de A até G. Vamos supor que escolheremos as pessoas A,D e G mas em
ordens diferentes:

É importante notar que as comissões ADG e GAD não possuem diferenças, já que as casas C1,C2 e C3 não possuem
nenhuma particularidade descrita no enunciado. Assim, trata-se de um problema de combinação. A fórmula da combi-
nação depende do número de elementos “n” e o número de posições “p”:

n!
Cn,p =
p! (n − p)!

No exemplo, temos 7 elementos e 3 posições, assim:

n! 7! 7! 7∙6∙5∙4∙3∙2∙1 7∙6∙5
Cn,p = = = = = = 7 ∙ 5 = 35
p! (n − p)! 4! 7 − 4 ! 4! .3! 4 ∙ 3 ∙ 2 ∙ 1 ∙ 4 ∙ 3 ∙ 2 ∙ 1 3 ∙ 2 ∙ 1

Ou seja, podemos formar 35 comissões distintas.


RACIOCÍNIO LÓGICO E MATEMÁTICA

5. Arranjos

Os arranjos seguem a mesma linha da combinação, onde o número de elementos deve ser maior que o número de
posições possíveis, mas com a diferença que a ordem de escolha dos elementos deve ser considerada. Vamos utilizar o
mesmo exemplo descrito na combinação, mas com algumas diferenças:
De quantas maneiras podemos formar uma comissão de 3 membros, composta por um presidente, um vice-presi-
dente e um secretário, dentro os 7 funcionários de uma empresa?
Observe que agora o enunciado classifica explicitamente as posições, e podemos montar o esquema da seguinte
forma:

3
Resposta: Letra B.Deve-se contar todos os números
anteriores a ele. Iniciando com 1_ _ _ _, temos 4! =
24 números; iniciando com 2 _ _ _ _ temos outros 24
números, assim como iniciando com 3_ _ _ _. Depois
temos os números iniciados com “71_ _ _” que são 6
(3!), assim como os iniciados em “72_ _ _” e “73_ _
_”. Depois aparece o iniciado com “781_ _” que são 2
números, assim como o “782 _ _”. O próximo já será o
78312. Somando: 24+24+24+6+6+6+2+2=94. Logo,
As posições agora foram classificadas de acordo com ele será o 95ª número.
a posição que foi pedida no enunciado. Vamos observar
agora o que acontece quando selecionando novamente 2. Quantas senhas com 4 algarismos diferentes podemos
as pessoas A,D e G: escrever com os algarismos 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8,e 9?

Resposta: Esse exercício pode ser feito tanto com a


fórmula, quanto usando a princípio fundamental da
contagem.
1ª maneira: usando o princípio fundamental da con-
tagem.
Como o exercício indica que não ocorrerá repetição
nos algarismos que irão compor a senha, então tere-
mos a seguinte situação:
• 9 opções para o algarismo das unidades;
• 8 opções para o algarismo das dezenas, visto que já
utilizamos 1 algarismo na unidade e não pode repetir;
• 7 opções para o algarismo das centenas, pois já utili-
zamos 1 algarismo na unidade e outro na dezena;
• 6 opções para o algarismo do milhar, pois temos que
Neste caso, as duas comissões são diferentes, pois em uma
tirar os que já usamos anteriormente.
a pessoa A é presidente e na outra ela é vice-presidente. Como
Assim, o número de senhas será dado por:
a ordem importa, temos um problema de arranjo. A fórmula
de arranjo é mais simples que a fórmula de combinação: 9 ∙ 8 ∙ 7 ∙ 6 = 3 024 senhas

n! 2ª maneira: usando a fórmula


An,p = Para identificar qual fórmula usar, devemos perceber
(n − p)!
que a ordem dos algarismos é importante. Por exem-
plo 1234 é diferente de 4321, assim iremos usar a fór-
Tomando n=7 e p = 3 novamente: mula de arranjo.
Então, temos 9 elementos para serem agrupados de 4
An,p =
n!
=
7! 7! 7 ∙ 6 ∙ 5 ∙ 4 ∙ 3 ∙ 2 ∙ 1
= = = 7 ∙ 6 ∙ 5 = 210 a 4. Desta maneira, o cálculo será:
(n − p)! 7 − 3 ! 4! 4∙3∙2∙1
9! 9! 9 ∙ 8 ∙ 7 ∙ 6 ∙ 5!
A9,4 = = = = 3024 senhas
Ou seja, é possível formar 210 comissões neste caso. 9 − 4 ! 5! 5!
Veja que o número é maior que o número da combina-
ção. A razão é que comissões que antes eram repetidas BINÔMIO DE NEWTON
na combinação, deixaram de ser no arranjo.
1.Definição

Denomina-se Binômio de Newton, a todo binômio da


EXERCÍCIOS COMENTADOS forma , sendo n um número natural.
RACIOCÍNIO LÓGICO E MATEMÁTICA

Ex: 3x − 2y , onde a = 3x, b = −2y e n = 4


4
1. (IF-BA – PROFESSOR – AOCP – 2016) Na sequência
crescente de todos os números obtidos, permutando-se
os algarismos 1, 2, 3, 7, 8, a posição do número 78.312 Primeiramente, vamos desenvolver alguns binômios,
é a : variando o seu grau (exponente):
0
a) 94ª a + b 1
= 1
b) 95ª a + b
2
= a+b
2 2
c) 96ª a + b = a + 2ab2 + b 2 3

d) 97ª a + 3a3 b + 3a2b 2 + b 3


3
3
a + b = 4

e) 98ª a + 4a4 b + 6a b3 2+ 4ab + b


4 4
a + b =
a + 5a b + 10a b + 10a b + 5ab + b
5 5 2 3 4 5
a + b =

4
Observe que, conforme o grau do binômio é aumen- Sexto termo:
tado, a quantidade de termos aumenta, mas que certo
padrão é seguido. Observando os coeficientes dos ter- 5
1 5 10 10 5 1
mos desenvolvidos, temos o seguinte padrão: a + b

a + b
6
1 6 15 20 15 5+1=6 1
a + b
0
1
Assim, seguindo o padrão de soma, consegue-se
1
1 1
a + b construir qualquer linha do triângulo. Expandindo até o
2
1 2 1 expoente 10, temos que:
a + b

a + b
3
1 3 3 1

a + b
4
1 4 6 4 1

a + b
5
1 5 10 10 5 1

Esse padrão é conhecido como Triângulo de Pascal e


pode ser expandido da seguinte forma: Os termos das
pontas (primeiro e último) serão sempre iguais a 1 e os
termos interiores serão sempre a soma dos dois termos
correspondentes da linha anterior. Vamos desenvolver os
coeficientes dos termos para , lembrando que ele terá 1
termo a mais: Obviamente, se tivermos um expoente alto, gasta-
ríamos muito tempo para montar todo o triângulo. Para
resolver este problema, os conceitos de fatorial são bem
a + b
5
1 5 10 10 5 1 úteis. Relembrando a fórmula da combinação:
a + b
6
1 1 n
Cn,p = p =
n!
p! n − p !

Com o primeiro e último termos iguais a 1, vamos agora Temos que o triângulo de Pascal pode ser reescrito da
efetuar as somas para encontrar os termos seguintes: seguinte forma:

a + b
5
1 5 10 10 5 1

a + b
6
1 1+5=6 1

Analogamente:

Terceiro termo:

a + b
5
1 5 10 10 5 1

a + b
6
1 6 5+10=15 1

Quarto termo:

1 5 10 10 5 1 Ou seja, dado o expoente, você tem o valor de “n”. O


RACIOCÍNIO LÓGICO E MATEMÁTICA

5
a + b
valor de “p” será em função de qual termo você deseja
a + b
6
1 6 15 5+10=15 1 obter o coeficiente.
Observe que se desejar o 5° termo de um binômio
Quinto termo: desenvolvido, você terá p = 4, ou seja, não possui a mes-
ma correspondência direta que temos em cada linha com
o valor de n.
a + b
5
1 5 10 10 5 1
2.Fórmula do termo geral de um Binômio de Newton
a + b
6
1 6 15 20 5+10=15 1
Agora que sabemos como obter cada coeficiente, fal-
ta responder se há algum padrão para os expoentes de
“a” e “b” quando o binômio é desenvolvido.

5
Um termo genérico T do desenvolvimento de PROBABILIDADE
p +1
a + b , sendo um número natural, é dado por:
n

1. Ponto Amostral, Espaço Amostral e Evento


n –
n p p
Tp = ∙ a ∙ b Em uma tentativa com um número limitado de re-
+1 p sultados, todos com chances iguais, devemos considerar
três definições fundamentais:
Essa expressão pode obter qualquer termo de qual- Ponto Amostral: Corresponde a qualquer um dos re-
quer expoente de um determinado binômio. Basta apli- sultados possíveis.
carmos adequadamente a fórmula, usando os valores de Espaço Amostral: Corresponde ao conjunto dos re-
“n” e “p”, além de identificarmos quem são os termos “a” sultados possíveis; será representado por S e o número
e “b”. de elementos do espaço amostra por n(S).
Evento: Corresponde a qualquer subconjunto do es-
Ex: 4° termo de a + b
5
paço amostral; será representado por A e o número de
elementos do evento por n(A).
Aplicando a fórmula, temos então que Os conjuntos S e Ø também são subconjuntos de S,
p + 1 = 4 → p = 3 e n=5: portanto são eventos.
Ø = evento impossível.
S = evento certo.
5 −
5 3 3 5!
T4 = ∙ a ∙ b = a2 b3 = 10a2 b3
3 3! 5 − 3 ! 2. Conceito de Probabilidade

Se você observar os exemplos anteriores, verá que As probabilidades têm a função de mostrar a chance
este é exatamente o valor do termo do desenvolvimento. de ocorrência de um evento. A probabilidade de ocorrer
um determinado evento A, que é simbolizada por P(A),
de um espaço amostral S≠ Ø , é dada pelo quociente en-
tre o número de elementos A e o número de elemento S.
EXERCÍCIOS COMENTADOS Representando:
9
n(A)
1. Determine o 7º termo do binômio 2x + 1 . P A =
N(S)

Resposta: 672x . Desenvolvendo o termo geral para


3

a = 2x, b = 1, n = 9 e p + 1 = 7 → p = 6 , chega-se ao Ex: Ao lançar um dado de seis lados, numerados de 1


resultado. a 6, e observar o lado virado para cima, temos:
a) um espaço amostral, que seria o conjunto S
2. Qual o termo médio do desenvolvimento de 2x + 3y
8
{1,2,3,4,5,6}..
? b) um evento número par, que seria o conjunto A1 =
{2,4,6} C S.
4 4
Resposta: 90720x y . Desenvolve-se o termo geral c) o número de elementos do evento número par é
para a = 2x, b = 3y, n = 8 . Além disso, para n=8, o n(A1) = 3.
binômio desenvolvido terá 9 termos, portanto o termo d) a probabilidade do evento número par é 1/2, pois
do meio será o quinto termo, logo e p + 1 = 5 → p = 4. n(A1 ) 3 1
P A = = =
N(S) 6 2
3. Desenvolvendo o binômio 2x − 3y , obtemos um
3n

polinômio de 16 termos. Qual o valor de n?


3. Propriedades de um Espaço Amostral Finito e
Resposta: 5 Se o binômio desenvolvido possui 16 ter- Não Vazio
mos, seu grau será um dígito anterior a esse número,
ou seja 15. Assim, 3n=15. a) Em um evento impossível a probabilidade é igual a
zero. Em um evento certo S a probabilidade é igual
RACIOCÍNIO LÓGICO E MATEMÁTICA

4. Determine o termo independente de x no desenvolvi- a 1. Simbolicamente: P( Ø ) = 0 e P(S)= 1


b) Se A for um evento qualquer de S, neste caso: 0 ≤
6
1
mento de x + x ..
P(A) ≤ 1.
Resposta: 20. Problema clássico de binômio de Newton, c) Se A for o complemento de A em S, neste caso P(A)
o termo independente será aquele onde os expoentes de = 1 - P(A)
e são iguais, pois neste caso o x se cancela, restando ape-
nas números. Para resolver, basta igualar os expoentes de 4. Demonstração das Propriedades
“a” e “b” do termo geral: n-p=p→n=2p. . Resolvendo para
1
a=x, b = x e n=6, temos p=3→p+1=4, ou seja, o termo Considerando S como um espaço finito e não vazio,
independente é o quarto termo do desenvolvimento. temos:

6
CONJUNTOS NUMÉRICOS (NÚMEROS
NATURAIS, INTEIROS, RACIONAIS E REAIS)
E OPERAÇÕES COM CONJUNTOS

TEORIA DOS CONJUNTOS

1. Representação
A∪�
A=S
� � =∅
A∩A
- Enumerando todos os elementos do conjunto: S={1,
2, 3, 4, 5}
- Simbolicamente: B={x∈ N|2<x<8}, enumerando es-
ses elementos temos:
B={3,4,5,6,7}
- por meio de diagrama:
5. União de Eventos

Considere A e B como dois eventos de um espaço


amostral S, finito e não vazio, temos:

n(A∪B)=n(A)+n(B)-n(A∩B)↔ Quando um conjunto não possuir elementos chama-


res de conjunto vazio: S=∅ ou S={ }.
n(A ∪ B) n(A) n(B) n(A ∩ B)
↔ = + − 2. Igualdade
n(S) n(S) n(S) n(S)
Dois conjuntos são iguais se, e somente se, possuem
Logo: P(A ∪ B) = P(A) + P(B) - P(A ∩ B) exatamente os mesmos elementos. Em símbolo:

6. Eventos Mutuamente Exclusivos

Para saber se dois conjuntos A e B são iguais, precisa-


mos saber apenas quais são os elementos.
Não importa ordem:
A={1,2,3} e B={2,1,3}
Não importa se há repetição:
A={1,2,2,3} e B={1,2,3}
Considerando que A ∩ B, nesse caso A e B serão de-
nominados mutuamente exclusivos. Observe que A ∩ B 3. Relação de Pertinência
= 0, portanto: P(A ∪ B) = P(A) + P(B). Quando os eventos
A , A , A , … , A de S forem, de dois em dois, sempre mutua- Relacionam um elemento com conjunto. E a indicação
mente exclusivos, nesse caso temos, analogicamente:
1 2 3 n

que o elemento pertence (∈) ou não pertence (∉)


Exemplo: Dado o conjunto A={-3, 0, 1, 5}
RACIOCÍNIO LÓGICO E MATEMÁTICA

P(A1 ∪ A2 ∪ A3 ∪ … ∪ An ) = P(A1 ) + P(A2 ) + P(A3 ) + . . . + P(An ) 0∈A


2∉A
7. Eventos Exaustivos
4. Relações de Inclusão
Quando os eventos A1 , A2 , A3 , … , An de S forem, de
dois em dois, mutuamente exclusivos, estes serão deno- Relacionam um conjunto com outro conjunto.
minados exaustivos se: Simbologia: ⊂(está contido), ⊄(não está contido),
⊃(contém), (não contém)
A1 ∪ A2 ∪ A3 ∪ … ∪ An = S
A Relação de inclusão possui 3 propriedades:
Exemplo:
{1, 3,5}⊂{0, 1, 2, 3, 4, 5}

7
{0, 1, 2, 3, 4, 5}⊃{1, 3,5}

Aqui vale a famosa regrinha que o professor ensina,


boca aberta para o maior conjunto

5. Subconjunto

O conjunto A é subconjunto de B se todo elemento B-A = {x : x∈B e x∉A}.


de A é também elemento de B.
Exemplo: {2,4} é subconjunto de {x∈N|x é par}

6. Operações

6.1. União

Dados dois conjuntos A e B, existe sempre um tercei-


ro formado pelos elementos que pertencem pelo menos Exemplo:
um dos conjuntos a que chamamos conjunto união e re- A = {0, 1, 2, 3, 4, 5} e B = {5, 6, 7}
presentamos por: A∪B.
Então os elementos de A – B serão os elementos do
Formalmente temos: A∪B={x|x∈A ou x B} conjunto A menos os elementos que pertencerem ao
conjunto B.
Exemplo: Portanto A – B = {0, 1, 2, 3, 4}.
A={1,2,3,4} e B={5,6}
A∪B={1,2,3,4,5,6} 6.3. Complementar

O complementar do conjunto A( ) é o conjunto

formado pelos elementos do conjunto universo que não


pertencem a A.

6.2. Interseção

A interseção dos conjuntos A e B é o conjunto forma-


do pelos elementos que são ao mesmo tempo de A e de
B, e é representada por : A∩B.
Simbolicamente: A∩B={x|x∈A e x B}

7. Fórmulas da união

n(A ∪B)=n(A)+n(B)-n(A∩B)
n(A∪B∪C)=n(A)+n(B)+n(C)+n(A∩B∩C)-n(A∩B)-
-n(A∩C)-n(B C)

Essas fórmulas muitas vezes nos ajudam, pois ao in-


vés de fazer todo o digrama, se colocarmos nessa fórmu-
Exemplo: la, o resultado é mais rápido, o que na prova de concurso
RACIOCÍNIO LÓGICO E MATEMÁTICA

A={a,b,c,d,e} e B={d,e,f,g} é interessante devido ao tempo.


A∩B={d,e} Mas, faremos exercícios dos dois modos para você
entender melhor e perceber que, dependendo do exercí-
Diferença Uma outra operação entre conjuntos é a cio é melhor fazer de uma forma ou outra.
diferença, que a cada par A, B de conjuntos faz corres-
ponder o conjunto definido por:
A – B ou A\B que se diz a diferença entre A e B ou o
complementar de B em relação a A.
A este conjunto pertencem os elementos de A que
não pertencem a B.
A\B = {x : x∈A e x∉B}.

8
EXERCÍCIOS COMENTADOS

1. (MANAUSPREV – ANALISTA PREVIDENCIÁRIO –


FCC – 2015) Em um grupo de 32 homens, 18 são altos,
22 são barbados e 16 são carecas. Homens altos e bar-
bados que não são carecas são seis. Todos homens al-
tos que são carecas, são também barbados. Sabe-se que
existem 5 homens que são altos e não são barbados nem
carecas. Sabe-se que existem 5 homens que são barba-
dos e não são altos nem carecas. Sabe-se que existem 5
homens que são carecas e não são altos e nem barbados.
Dentre todos esses homens, o número de barbados que
não são altos, mas são carecas é igual a

a) 4.
b) 7. Sabemos que 18 são altos
c) 13.
d) 5.
e) 8.

Resposta: Letra A. Primeiro, quando temos 3 diagra-


mas, sempre começamos pela interseção dos 3, de-
pois interseção a cada 2 e por fim, cada um

Quando somarmos 5+x+6=18


X=18-11=7
Carecas são 16

Se todo homem careca é barbado, não teremos ape-


nas homens carecas e altos.
Homens altos e barbados são 6 RACIOCÍNIO LÓGICO E MATEMÁTICA

7+y+5=16
Y=16-12
Y=4
Sabe-se que existem 5 homens que são barbados e
não são altos nem carecas. Sabe-se que existem 5 ho- Então o número de barbados que não são altos, mas
mens que são carecas e não são altos e nem barbados são carecas são 4.

9
Sabendo como se constrói os números naturais, pode-
mos agora definir algumas relações importantes entre eles:
EXERCÍCIO COMENTADO
a) Todo número natural dado tem um sucessor (nú-
1. (INSS – ANALISTA DO SEGURO SOCIAL – CESPE mero que está imediatamente à frente do número
2016) Uma população de 1.000 pessoas acima de 60 dado na seqüência numérica). Seja m um número
anos de idade foi dividida nos seguintes dois grupos: natural qualquer, temos que seu sucessor será sem-
A: aqueles que já sofreram infarto (totalizando 400 pes- pre definido como m+1. Para ficar claro, seguem
soas); e alguns exemplos:
B: aqueles que nunca sofreram infarto (totalizando 600 Ex: O sucessor de 0 é 1.
pessoas). Ex: O sucessor de 1 é 2.
Cada uma das 400 pessoas do grupo A é ou diabética ou Ex: O sucessor de 19 é 20.
fumante ou ambos (diabética e fumante).
A população do grupo B é constituída por três conjun- b) Se um número natural é sucessor de outro, então os
tos de indivíduos: fumantes, ex-fumantes e pessoas que dois números que estão imediatamente ao lado do
nunca fumaram (não fumantes). outro são considerados como consecutivos. Vejam
Com base nessas informações, julgue o item subsecutivo. os exemplos:
Se, das pessoas do grupo A, 280 são fumantes e 195 são Ex: 1 e 2 são números consecutivos.
diabéticas, então 120 pessoas desse grupo são diabéticas Ex: 5 e 6 são números consecutivos.
e não são fumantes. Ex: 50 e 51 são números consecutivos.

( ) CERTO ( ) ERRADO c) Vários números formam uma coleção de números


naturais consecutivos se o segundo for sucessor
Resposta: Certo. do primeiro, o terceiro for sucessor do segundo, o
quarto for sucessor do terceiro e assim sucessiva-
mente. Observe os exemplos a seguir:
Ex: 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7 são consecutivos.
Ex: 5, 6 e 7 são consecutivos.
Ex: 50, 51, 52 e 53 são consecutivos.

d) Analogamente a definição de sucessor, podemos


definir o número que vem imediatamente antes ao
número analisado. Este número será definido como
antecessor. Seja m um número natural qualquer, te-
mos que seu antecessor será sempre definido como
m-1. Para ficar claro, seguem alguns exemplos:
Ex: O antecessor de 2 é 1.
Ex: O antecessor de 56 é 55.
280-x+x+195-x=400 Ex: O antecessor de 10 é 9.
x=75
Diabéticos: 195-75=120
FIQUE ATENTO!
Referências O único número natural que não possui
YOUSSEF, Antonio Nicolau (et al.). Matemática: ensino antecessor é o 0 (zero) !
médio, volume único. – São Paulo: Scipione, 2005.
CARVALHO, S. Raciocínio Lógico Simplificado, volume
1, 2010 1.1. Operações com Números Naturais

Números Naturais e suas operações fundamentais Agora que conhecemos os números naturais e temos
um sistema numérico, vamos iniciar o aprendizado das
1. Definição de Números Naturais operações matemáticas que podemos fazer com eles.
RACIOCÍNIO LÓGICO E MATEMÁTICA

Muito provavelmente, vocês devem ter ouvido falar das


Os números naturais como o próprio nome diz, são quatro operações fundamentais da matemática: Adição,
os números que naturalmente aprendemos, quando es- Subtração, Multiplicação e Divisão. Vamos iniciar nossos
tamos iniciando nossa alfabetização. Nesta fase da vida, estudos com elas:
não estamos preocupados com o sinal de um número,
mas sim em encontrar um sistema de contagem para Adição: A primeira operação fundamental da Aritmé-
quantificarmos as coisas. Assim, os números naturais são tica tem por finalidade reunir em um só número, todas as
sempre positivos e começando por zero e acrescentando unidades de dois ou mais números. Antes de surgir os al-
sempre uma unidade, obtemos os seguintes elementos: garismos indo-arábicos, as adições podiam ser realizadas
por meio de tábuas de calcular, com o auxílio de pedras ou
ℕ = 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, … . por meio de ábacos. Esse método é o mais simples para
se aprender o conceito de adição, veja a figura a seguir:

10
Observando a historinha, veja que as unidades (pedras) foram reunidas após o passeio no quintal. Essa reunião das
pedras é definida como adição. Simbolicamente, a adição é representada pelo símbolo “+” e assim a historinha fica da
seguinte forma:
3 2 5
+ =
𝑇𝑖𝑛ℎ𝑎 𝑒𝑚 𝑐𝑎𝑠𝑎 𝑃𝑒𝑔𝑢𝑒𝑖 𝑛𝑜 𝑞𝑢𝑖𝑛𝑡𝑎𝑙 𝑅𝑒𝑠𝑢𝑙𝑡𝑎𝑑𝑜

Como toda operação matemática, a adição possui algumas propriedades, que serão apresentadas a seguir:

a) Fechamento: A adição no conjunto dos números naturais é fechada, pois a soma de dois números naturais será
sempre um número natural.

b) Associativa: A adição no conjunto dos números naturais é associativa, pois na adição de três ou mais parcelas
de números naturais quaisquer é possível associar as parcelas de quaisquer modos, ou seja, com três números
naturais, somando o primeiro com o segundo e ao resultado obtido somarmos um terceiro, obteremos um re-
sultado que é igual à soma do primeiro com a soma do segundo e o terceiro. Apresentando isso sob a forma de
números, sejam A,B e C, três números naturais, temos que:
𝐴 + 𝐵 + 𝐶 = 𝐴 + (𝐵 + 𝐶)

c) Elemento neutro: Esta propriedade caracteriza-se pela existência de número que ao participar da operação de
adição, não altera o resultado final. Este número será o 0 (zero). Seja A, um número natural qualquer, temos que:
𝐴+0 = 𝐴
d) Comutativa: No conjunto dos números naturais, a adição é comutativa, pois a ordem das parcelas não altera a
soma, ou seja, somando a primeira parcela com a segunda parcela, teremos o mesmo resultado que se somando
a segunda parcela com a primeira parcela. Sejam dois números naturais A e B, temos que:

𝐴+𝐵 =𝐵 +𝐴
Subtração: É a operação contrária da adição. Ao invés de reunirmos as unidades de dois números naturais, vamos
retirar uma quantidade de um número. Voltando novamente ao exemplo das pedras:

RACIOCÍNIO LÓGICO E MATEMÁTICA

Observando a historinha, veja que as unidades (pedras) que eu tinha foram separadas. Essa separação das pedras é
definida como subtração. Simbolicamente, a subtração é representada pelo símbolo “-” e assim a historinha fica da se-
guinte forma:
5 3 2
− =
𝑇𝑖𝑛ℎ𝑎 𝑒𝑚 𝑐𝑎𝑠𝑎 𝑃𝑟𝑒𝑠𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑜 𝑎𝑚𝑖𝑔𝑜 𝑅𝑒𝑠𝑢𝑙𝑡𝑎𝑑𝑜

A subtração de números naturais também possui suas propriedades, definidas a seguir:

a) Não fechada: A subtração de números naturais não é fechada, pois há um caso onde a subtração de dois núme-
ros naturais não resulta em um número natural. Sejam dois números naturais A,B onde A < B, temos que:

11
A−B< 0
Como os números naturais são positivos, A-B não é um número natural, portanto a subtração não é fechada.

b) Não Associativa: A subtração de números naturais também não é associativa, uma vez que a ordem de resolução é
importante, devemos sempre subtrair o maior do menor. Quando isto não ocorrer, o resultado não será um número
natural.
c) Elemento neutro: No caso do elemento neutro, a propriedade irá funcionar se o zero for o termo a ser subtraído
do número. Se a operação for inversa, o elemento neutro não vale para os números naturais:
d) Não comutativa: Vale a mesma explicação para a subtração de números naturais não ser associativa. Como a
ordem de resolução importa, não podemos trocar os números de posição

Multiplicação: É a operação que tem por finalidade adicionar o primeiro número denominado multiplicando ou
parcela, tantas vezes quantas são as unidades do segundo número denominadas multiplicador. Veja o exemplo:

Ex: Se eu economizar toda semana R$ 6,00, ao final de 5 semanas, quanto eu terei guardado?

Pensando primeiramente em soma, basta eu somar todas as economias semanais:


6 + 6 + 6 + 6 + 6 = 30

Quando um mesmo número é somado por ele mesmo repetidas vezes, definimos essa operação como multiplica-
ção. O símbolo que indica a multiplicação é o “x” e assim a operação fica da seguinte forma:
6+6+6+6+6 6𝑥5
= = 30
𝑆𝑜𝑚𝑎𝑠 𝑟𝑒𝑝𝑒𝑡𝑖𝑑𝑎𝑠 𝑁ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑚𝑢𝑙𝑡𝑖𝑝𝑙𝑖𝑐𝑎𝑑𝑜 𝑝𝑒𝑙𝑎𝑠 𝑟𝑒𝑝𝑒𝑡𝑖çõ𝑒𝑠

A multiplicação também possui propriedades, que são apresentadas a seguir:

a) Fechamento: A multiplicação é fechada no conjunto dos números naturais, pois realizando o produto de dois ou
mais números naturais, o resultado será um número natural.

b) Associativa: Na multiplicação, podemos associar três ou mais fatores de modos diferentes, pois se multiplicar-
mos o primeiro fator com o segundo e depois multiplicarmos por um terceiro número natural, teremos o mesmo
resultado que multiplicar o terceiro pelo produto do primeiro pelo segundo. Sejam os números naturais m,n e
p, temos que:
𝑚 𝑥 𝑛 𝑥 𝑝 = 𝑚 𝑥 (𝑛 𝑥 𝑝)

c) Elemento Neutro: No conjunto dos números naturais também existe um elemento neutro para a multiplicação
mas ele não será o zero, pois se não repetirmos a multiplicação nenhuma vez, o resultado será 0. Assim, o ele-
mento neutro da multiplicação será o número 1. Qualquer que seja o número natural n, tem-se que:

𝑛𝑥1=𝑛
d) Comutativa: Quando multiplicamos dois números naturais quaisquer, a ordem dos fatores não altera o produto,
ou seja, multiplicando o primeiro elemento pelo segundo elemento teremos o mesmo resultado que multiplican-
do o segundo elemento pelo primeiro elemento. Sejam os números naturais m e n, temos que:

𝑚𝑥𝑛 = 𝑛𝑥𝑚
RACIOCÍNIO LÓGICO E MATEMÁTICA

e) Prioridade sobre a adição e subtração: Quando se depararem com expressões onde temos diferentes opera-
ções matemática, temos que observar a ordem de resolução das mesmas. Observe o exemplo a seguir:

Ex: 2 + 4 𝑥 3

Se resolvermos a soma primeiro e depois a multiplicação, chegamos em 18.


Se resolvermos a multiplicação primeiro e depois a soma, chegamos em 14. Qual a resposta certa?
A multiplicação tem prioridade sobre a adição, portanto deve ser resolvida primeiro e assim a resposta correta é 14.

12
FIQUE ATENTO!
Caso haja parênteses na soma, ela tem prioridade sobre a multiplicação. Utilizando o exemplo, temos que: .
(2 + 4)𝐱3 = 6 𝐱 3 = 18 Nesse caso, realiza-se a soma primeiro, pois ela está dentro dos parênteses

f) Propriedade Distributiva: Uma outra forma de resolver o exemplo anterior quando se a soma está entre
parênteses é com a propriedade distributiva. Multiplicando um número natural pela soma de dois números
naturais, é o mesmo que multiplicar o fator, por cada uma das parcelas e a seguir adicionar os resultados ob-
tidos. Veja o exemplo:
2 + 4 x 3 = 2x3 + 4x3 = 6 + 12 = 18

Veja que a multiplicação foi distribuída para os dois números do parênteses e o resultado foi o mesmo que do item
anterior.

Divisão: Dados dois números naturais, às vezes necessitamos saber quantas vezes o segundo está contido no pri-
meiro. O primeiro número é denominado dividendo e o outro número é o divisor. O resultado da divisão é chamado
de quociente. Nem sempre teremos a quantidade exata de vezes que o divisor caberá no dividendo, podendo sobrar
algum valor. A esse valor, iremos dar o nome de resto. Vamos novamente ao exemplo das pedras:

No caso em particular, conseguimos dividir as 8 pedras para 4 amigos, ficando cada um deles como 2 unidades e
não restando pedras. Quando a divisão não possui resto, ela é definida como divisão exata. Caso contrário, se ocorrer
resto na divisão, como por exemplo, se ao invés de 4 fossem 3 amigos:

Nessa divisão, cada amigo seguiu com suas duas pedras, porém restaram duas que não puderam ser distribuídas,
pois teríamos amigos com quantidades diferentes de pedras. Nesse caso, tivermos a divisão de 8 pedras por 3 amigos,
resultando em um quociente de 2 e um resto também 2. Assim, definimos que essa divisão não é exata.
Devido a esse fato, a divisão de números naturais não é fechada, uma vez que nem todas as divisões são exatas.
Também não será associativa e nem comutativa, já que a ordem de resolução importa. As únicas propriedades válidas
na divisão são o elemento neutro (que segue sendo 1, desde que ele seja o divisor) e a propriedade distributiva.

FIQUE ATENTO!
RACIOCÍNIO LÓGICO E MATEMÁTICA

A divisão tem a mesma ordem de prioridade de resolução que a multiplicação, assim ambas podem ser
resolvidas na ordem que aparecem.

EXERCÍCIO COMENTADO
1. (PREF. DE BOM RETIRO – SC) A Loja Berlanda está com promoção de televisores. Então resolvi comprar um tele-
visor por R$ 1.700,00. Dei R$ 500,00 de entrada e o restante vou pagar em 12 prestações de:

a) R$ 170,00

13
b) R$ 1.200,00 a) O módulo de qualquer número inteiro, diferente de
c) R$ 200,00 zero, é sempre positivo.
d) R$ 100,00
Números Opostos: Voltando a definição do inicio do
Resposta: Letra D capítulo, dois números inteiros são ditos opostos um do
Dado o preço inicial de R$ 1700,00, basta subtrair a outro quando apresentam soma zero; assim, os pontos que
entrada de R$ 500,00, assim: R$ 1700,00-500,00 = R$ os representam distam igualmente da origem. Vejam os
1200,00. Dividindo esse resultado em 12 prestações, exemplos:
chega-se a R$ 1200,00 : 12 = R$ 100,00 Ex: O oposto do número 2 é -2, e o oposto de -2 é 2,
pois 2 + (-2) = (-2) + 2 = 0
Números Inteiros e suas operações fundamentais Ex: No geral, dizemos que o oposto, ou simétrico, de a
é – a, e vice-versa.
1.1 Definição de Números Inteiros Ex: O oposto de zero é o próprio zero.

Definimos o conjunto dos números inteiros como a 1.3 Operações com Números Inteiros
união do conjunto dos números naturais (N = {0, 1, 2, 3,
4,..., n,...}, com o conjunto dos opostos dos números na- Adição: Diferentemente da adição de números naturais,
turais, que são definidos como números negativos. Este a adição de números inteiros pode gerar um pouco de con-
conjunto é denotado pela letra Z e é escrito da seguinte fusão ao leito. Para melhor entendimento desta operação,
forma: associaremos aos números inteiros positivos o conceito de
ℤ = {… , −4, −3, −2, −1, 0, 1, 2, 3, 4, … } “ganhar” e aos números inteiros negativos o conceito de
“perder”. Vejam os exemplos:
Sabendo da definição dos números inteiros, agora é
possível indiciar alguns subconjuntos notáveis: Ex: (+3) + (+5) = ?

a) O conjunto dos números inteiros não nulos: São Obviamente, quem conhece a adição convencional,
todos os números inteiros, exceto o zero: sabe que este resultado será 8. Vamos ver agora pelo con-
ceito de “ganhar” e “perder”:
ℤ∗ = {… , −4, −3, −2, −1, 1, 2, 3, 4, … } +3 = Ganhar 3
+5 = Ganhar 5
b) O conjunto dos números inteiros não negativos:
São todos os inteiros que não são negativos, ou Logo: (Ganhar 3) + (Ganhar 5) = (Ganhar 8)
seja, os números naturais:
ℤ+ = 0, 1, 2, 3, 4, … = ℕ Ex: (−3) + (−5) = ?

c) O conjunto dos números inteiros positivos: São to- Agora é o caso em que temos dois números negativos,
dos os inteiros não negativos, e neste caso, o zero usando o conceito de “ganhar” ou “perder”:
não pertence ao subconjunto: -3 = Perder 3
ℤ∗+ = 1, 2, 3, 4, … -5 = Perder 5

d) O conjunto dos números inteiros não positivos: Logo: (Perder 3) + (Perder 5) = (Perder 8)
São todos os inteiros não positivos: Neste caso, estamos somando duas perdas ou dois pre-
ℤ_ = {… , −4, −3, −2, −1, 0, } juízos, assim o resultado deverá ser uma perda maior.
E se tivermos um número positivo e um negativo? Va-
e) O conjunto dos números inteiros negativos: São mos ver os exemplos:
todos os inteiros não positivos, e neste caso, o zero
não pertence ao subconjunto: Ex: (+8) + (−5) = ?
ℤ∗ _ = {… , −4, −3, −2, −1}
Neste caso, temos um ganho de 8 e uma perda de 5, que
naturalmente sabemos que resultará em um ganho de 3:
RACIOCÍNIO LÓGICO E MATEMÁTICA

1.2 Definições Importantes dos Números inteiros


+8 = Ganhar 8
-5 = Perder 5
Módulo: chama-se módulo de um número inteiro a
distância ou afastamento desse número até o zero, na reta
Logo: (Ganhar 8) + (Perder 5) = (Ganhar 3)
numérica inteira. Representa-se o módulo pelo símbolo | |.
Vejam os exemplos:
Se observarem essa operação, vocês irão perceber que
ela tem o mesmo resultado que 8 − 5 = 3. Basicamente
Ex: O módulo de 0 é 0 e indica-se |0| = 0
ambas são as mesmas operações, sem a presença dos pa-
Ex: O módulo de +7 é 7 e indica-se |+7| = 7
rênteses e a explicação de como se chegar a essa simplifi-
Ex: O módulo de –9 é 9 e indica-se |–9| = 9
cação será apresentado nos itens seguintes deste capítulo.
Agora, e se a perda for maior que o ganho? Veja o
exemplo:

14
Ex: −8 + +5 = ? 2- Na terça-feira, a temperatura de Monte Sião, du-
rante o dia, era de +6 graus. À Noite, a temperatura bai-
Usando a regra, temos que: xou de 3 graus. Qual a temperatura registrada na noite
de terça-feira?
-8 = Perder 8 Esse fato pode ser representado pela adição: (+6) +
+5 = Ganhar 5 (–3) = +3

Logo: (Perder 8) + (Ganhar 5) = (Perder 3) Se compararmos as duas igualdades, verificamos que


(+6) – (+3) é o mesmo que (+5) + (–3).
Após a definição de adição de números inteiros, va-
mos apresentar algumas de suas propriedades: Temos:
(+6) – (+3) = (+6) + (–3) = +3
a) Fechamento: O conjunto Z é fechado para a adição, (+3) – (+6) = (+3) + (–6) = –3
isto é, a soma de dois números inteiros ainda é um número (–6) – (–3) = (–6) + (+3) = –3
inteiro.
Daí podemos afirmar: Subtrair dois números inteiros
b) Associativa: Para todos 𝑎, 𝑏, 𝑐 ∈ ℤ : é o mesmo que adicionar o primeiro com o oposto do
segundo.
𝑎 + (𝑏 + 𝑐) = (𝑎 + 𝑏) + 𝑐

Ex: 2 + (3 + 7) = (2 + 3) + 7
EXERCÍCIOS COMENTADOS
Comutativa: Para todos a,b em Z:
a+b=b+a 1. Calcule:
3+7=7+3
a) (+12) + (–40) ;
Elemento Neutro: Existe 0 em Z, que adicionado a b) (+12) – (–40)
cada z em Z, proporciona o próprio z, isto é: c) (+5) + (–16) – (+9) – (–20)
z+0=z d) (–3) – (–6) – (+4) + (–2) + (–15)
7+0=7
Resposta: Aplicando as regras de soma e subtração
Elemento Oposto: Para todo z em Z, existe (-z) em de inteiros, tem-se que:
Z, tal que a) (+12) + (–40) = 12 – 40 = -28
z + (–z) = 0 b) (+12) – (–40) = 12 + 40 = 52
9 + (–9) = 0 c) (+5) + (–16) – (+9) – (–20) = +5 -16 – 9 + 20 = 25 – 25
=0
Subtração de Números Inteiros d) (–3) – (–6) – (+4) + (–2) + (–15) = -3 + 6 – 4 – 2 – 15
= 6 – 24 = -18
A subtração é empregada quando:
- Precisamos tirar uma quantidade de outra quanti-
dade; 1.4. Multiplicação de Números Inteiros
- Temos duas quantidades e queremos saber quanto
uma delas tem a mais que a outra; A multiplicação funciona como uma forma simplifica-
- Temos duas quantidades e queremos saber quanto da de uma adição quando os números são repetidos. Po-
falta a uma delas para atingir a outra. deríamos analisar tal situação como o fato de estarmos
ganhando repetidamente alguma quantidade, como por
A subtração é a operação inversa da adição. exemplo, ganhar 1 objeto por 30 vezes consecutivas, sig-
nifica ganhar 30 objetos e esta repetição pode ser indi-
Observe que: 9 – 5 = 4 4+5=9 cada por um x, isto é: 1 + 1 + 1 ... + 1 + 1 = 30 x 1 = 30
Se trocarmos o número 1 pelo número 2, obteremos:
RACIOCÍNIO LÓGICO E MATEMÁTICA

diferença 2 + 2 + 2 + ... + 2 + 2 = 30 x 2 = 60
subtraendo Se trocarmos o número 2 pelo número -2, obteremos:
(–2) + (–2) + ... + (–2) = 30 x (-2) = –60
minuendo Observamos que a multiplicação é um caso particular
Considere as seguintes situações: da adição onde os valores são repetidos.
Na multiplicação o produto dos números a e b, pode
1- Na segunda-feira, a temperatura de Monte Sião ser indicado por a x b, a . b ou ainda ab sem nenhum
passou de +3 graus para +6 graus. Qual foi a variação da sinal entre as letras.
temperatura? Para realizar a multiplicação de números inteiros, de-
Esse fato pode ser representado pela subtração: (+6) vemos obedecer à seguinte regra de sinais:
– (+3) = +3 (+1) x (+1) = (+1)
(+1) x (-1) = (-1)

15
(-1) x (+1) = (-1) - Quando o dividendo e o divisor têm sinais diferen-
(-1) x (-1) = (+1) tes, o quociente é um número inteiro negativo.
- A divisão nem sempre pode ser realizada no conjun-
Com o uso das regras acima, podemos concluir que: to Z. Por exemplo, (+7) : (–2) ou (–19) : (–5) são divisões
que não podem ser realizadas em Z, pois o resultado não
Sinais dos números Resultado do produto é um número inteiro.
- No conjunto Z, a divisão não é comutativa, não é
Iguais Positivo associativa e não tem a propriedade da existência do ele-
Diferentes Negativo mento neutro.

Propriedades da multiplicação de números intei- 1- Não existe divisão por zero.


ros: O conjunto Z é fechado para a multiplicação, isto é, a Exemplo: (–15) : 0 não tem significado, pois não exis-
multiplicação de dois números inteiros ainda é um número te um número inteiro cujo produto por zero seja igual a
inteiro. –15.
2- Zero dividido por qualquer número inteiro, dife-
Associativa: Para todos a,b,c em Z: rente de zero, é zero, pois o produto de qualquer número
a x (b x c) = (a x b) x c inteiro por zero é igual a zero.
2 x (3 x 7) = (2 x 3) x 7 Exemplos: a) 0 : (–10) = 0 /b) 0 : (+6) = 0 /c) 0 : (–1) = 0

Comutativa: Para todos a,b em Z: 1.6. Potenciação de Números Inteiros


axb=bxa
3x7=7x3 A potência an do número inteiro a, é definida como
um produto de n fatores iguais. O número a é denomina-
Elemento neutro: Existe 1 em Z, que multiplicado por do a base e o número n é o expoente.
todo z em Z, proporciona o próprio z, isto é: an = a x a x a x a x ... x a
zx1=z a é multiplicado por a n vezes
7x1=7
Exemplos:
Elemento inverso: Para todo inteiro z diferente de 33 = (3) x (3) x (3) = 27
zero, existe um inverso z–1=1/z em Z, tal que (-5)5 = (-5) x (-5) x (-5) x (-5) x (-5) = -3125
z x z–1 = z x (1/z) = 1 (-7)² = (-7) x (-7) = 49
9 x 9–1 = 9 x (1/9) = 1 (+9)² = (+9) x (+9) = 81

Distributiva: Para todos a,b,c em Z: - Toda potência de base positiva é um número intei-
a x (b + c) = (a x b) + (a x c) ro positivo.
3 x (4+5) = (3 x 4) + (3 x 5) Exemplo: (+3)2 = (+3) . (+3) = +9

1.5. Divisão de Números Inteiros - Toda potência de base negativa e expoente par é
um número inteiro positivo.
Exemplo: (– 8)2 = (–8) . (–8) = +64

- Toda potência de base negativa e expoente ímpar


é um número inteiro negativo.
Exemplo: (–5)3 = (–5) . (–5) . (–5) = –125

Sabemos que na divisão exata dos números naturais: Propriedades da Potenciação:


40 : 5 = 8, pois 5 . 8 = 40
36 : 9 = 4, pois 9 . 4 = 36 Produtos de Potências com bases iguais: Conserva-se
a base e somam-se os expoentes. (–7)3 . (–7)6 = (–7)3+6 = (–7)9
Vamos aplicar esses conhecimentos para estudar a di-
RACIOCÍNIO LÓGICO E MATEMÁTICA

visão exata de números inteiros. Veja o cálculo: Quocientes de Potências com bases iguais: Conser-
va-se a base e subtraem-se os expoentes. (+13)8 : (+13)6
(–20) : (+5) = q  (+5) . q = (–20)  q = (–4) = (+13)8 – 6 = (+13)2
Logo: (–20) : (+5) = +4
Potência de Potência: Conserva-se a base e multipli-
Considerando os exemplos dados, concluímos que, cam-se os expoentes. [(+4)5]2 = (+4)5 . 2 = (+4)10
para efetuar a divisão exata de um número inteiro por
outro número inteiro, diferente de zero, dividimos o mó- Potência de expoente 1: É sempre igual à base. (+9)1 =
dulo do dividendo pelo módulo do divisor. Daí: +9 (–13)1 = –13
- Quando o dividendo e o divisor têm o mesmo sinal,
o quociente é um número inteiro positivo. Potência de expoente zero e base diferente de
zero: É igual a 1. Exemplo: (+14)0 = 1 (–35)0 = 1

16
Radiciação de Números Inteiros Pode-se dizer então que:
“30 é divisível por 6 porque existe um numero natural
A raiz n-ésima (de ordem n) de um número inteiro a (5) que multiplicado por 6 dá como resultado 30.”
é a operação que resulta em outro número inteiro não Um numero natural a é divisível por um numero na-
negativo b que elevado à potência n fornece o número a. tural b, não-nulo, se existir um número natural c, tal que
O número n é o índice da raiz enquanto que o número a c.b=a.
é o radicando (que fica sob o sinal do radical). Voltando ao exemplo 30 ∶ 6 = 5 , conclui-se que: 30 é
A raiz quadrada (de ordem 2) de um número inteiro múltiplo de 6, e 6 é divisor de 30.
a é a operação que resulta em outro número inteiro não
negativo que elevado ao quadrado coincide com o nú- Analisando outros exemplos:
mero a. a) 20 : 5 = 4 → 20 é múltiplo de 5 (4×5=20), e 5 é
divisor de 20
Observação: Não existe a raiz quadrada de um nú- b) 12 : 2 = 6 → 12 é múltiplo de 2 (6×2=12), e 2 é
mero inteiro negativo no conjunto dos números inteiros. divisor de 12

Erro comum: Frequentemente lemos em materiais 1. Conjunto dos múltiplos de um número natural:
didáticos e até mesmo ocorre em algumas aulas apare-
cimento de: É obtido multiplicando-se o número natural em questão
pela sucessão dos números naturais: 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6,...
9 = ±3 Ex: Conjunto dos múltiplos de 7. Para encontrar esse
conjunto basta multiplicar por 7 cada um dos números
mas isto está errado. O certo é: da sucessão dos naturais:
7x0=0
9 = +3 7x1=7
7 x 2 = 14
Observamos que não existe um número inteiro não 7 x 3 = 21
negativo que multiplicado por ele mesmo resulte em um 7 x 4 = 28
número negativo. 7 x 5 = 35

A raiz cúbica (de ordem 3) de um número inteiro a O conjunto formado pelos resultados encontrados for-
é a operação que resulta em outro número inteiro que ma o conjunto dos múltiplos de 7: M(7) = {0, 7, 14, 21,
elevado ao cubo seja igual ao número a. Aqui não res- 28,...}.
tringimos os nossos cálculos somente aos números não
negativos. Observações:
- Todo número natural é múltiplo de si mesmo.
Exemplos - Todo número natural é múltiplo de 1.
- Todo número natural, diferente de zero, tem infini-
(a)
3
8 = 2, pois 2³ = 8. tos múltiplos.
- O zero é múltiplo de qualquer número natural.
(b)
3
−8 = –2, pois (–2)³ = -8. - Os múltiplos do número 2 são chamados de núme-
ros pares, e a fórmula geral desses números é
(c)
3
27 = 3, pois 3³ = 27. . Os demais são chamados de números ímpares, e a fór-
mula geral desses números é .

(d)
3
− 27 = –3, pois (–3)³ = -27. 1.1. Critérios de divisibilidade:

Observação: Ao obedecer à regra dos sinais para o São regras práticas que nos possibilitam dizer se um
produto de números inteiros, concluímos que: número é ou não divisível por outro, sem efetuarmos a
divisão.
(a) Se o índice da raiz for par, não existe raiz de núme-
RACIOCÍNIO LÓGICO E MATEMÁTICA

ro inteiro negativo. Divisibilidade por 2: Um número é divisível por 2


quando ele é par, ou seja, quando ele termina em 0, 2,
(b) Se o índice da raiz for ímpar, é possível extrair a 4, 6 ou 8.
raiz de qualquer número inteiro.
Exs:
Multiplicidade e Divisibilidade a) 9656 é divisível por 2, pois termina em 6.
b) 4321 não é divisível por 2, pois termina em 1.
Um múltiplo de um número é o produto desse núme-
ro por um número natural qualquer. Já um divisor de um Divisibilidade por 3: Um número é divisível por 3
número é um número cujo resto da divisão do número quando a soma dos valores absolutos de seus algarismos
pelo divisor é zero. é divisível por 3.
Ex: Sabe-se que 30 ∶ 6 = 5, porque 5× 6 = 30.

17
Exs: - Último algarismo: 4. Multiplica-se por 2: 4×2=8
a) 65385 é divisível por 3, pois 6 + 5 + 3 + 8 + 5 = 27, - Subtrai-se o resultado do número inicial sem o úl-
e 27 é divisível por 3. timo algarismo: 176-8=168
b) 15443 não é divisível por 3, pois 1+ 5 + 4 + 4 + 3 = - O resultado é múltiplo de 7? Para isso precisa veri-
17, e 17 não é divisível por 3. ficar se 168 é divisível por 7.

Divisibilidade por 4: Um número é divisível por 4 Aplica-se o procedimento novamente, agora para o
quando termina em 00 ou quando o número formado número 168.
pelos dois últimos algarismos for divisível por 4. - Último algarismo: 8. Multiplica-se por 2: 8×2=16
- Subtrai-se o resultado do número inicial sem o úl-
Exs: timo algarismo: 16-16=0
a) 536400 é divisível por 4, pois termina em 00. - O resultado é múltiplo de 7? Sim, pois zero (0) é
b) 653524 é divisível por 4, pois termina em 24, e 24 múltiplo de qualquer número natural.
é divisível por 4.
c) 76315 não é divisível por 4, pois termina em 15, e Portanto, conclui-se que 168 é múltiplo de 7. Se 168 é
15 não é divisível por 4. múltiplo de 7, então 1764 é divisível por 7.

Divisibilidade por 5: Um número é divisível por 5 Divisibilidade por 8: Um número é divisível por 8
quando termina em 0 ou 5. quando termina em 000 ou quando o número formado
Exs: pelos três últimos algarismos for divisível por 8.
a) 35040 é divisível por 5, pois termina em 0. Exs:
b) 7235 é divisível por 5, pois termina em 5. a) 57000 é divisível por 8, pois termina em 000.
c) 6324 não é divisível por 5, pois termina em 4. b) 67024 é divisível por 8, pois seus três últimos alga-
rismos formam o número 24, que é divisível por 8.
c) 34125 não é divisível por 8, pois seus três últimos
algarismos formam o número 125, que não é divi-
EXERCÍCIO COMENTADO sível por 8.

1. Escreva os elementos dos conjuntos dos múltiplos


de 5 positivos menores que 30.
EXERCÍCIO COMENTADO
Resposta: Seguindo a tabuada do 5, temos que:
{5,10,15,20,25}. 2. Escreva os elementos dos conjuntos dos múltiplos de
8 compreendidos entre 30 e 50.

Divisibilidade por 6: Um número é divisível por 6 Resposta: Seguindo a tabuada do 8, a partir do 30:
quando é divisível por 2 e por 3. {32,40,48}.

Exs:
a) 430254 é divisível por 6, pois é divisível por 2 (ter- Divisibilidade por 9: Um número é divisível por 9
mina em 4) e por 3 (4 + 3 + 0 + 2 + 5 + 4 = 18). quando a soma dos valores absolutos de seus algarismos
b) 80530 não é divisível por 6, pois não é divisível por formam um número divisível por 9.
3 (8 + 0 + 5 + 3 + 0 = 16).
c) 531561 não é divisível por 6, pois não é divisível por Exs:
2 (termina em 1). a) 6253461 é divisível por 9, pois 6 + 2 + 5 + 3 + 4 +
6 + 1 = 27 é divisível por 9.
Divisibilidade por 7: Para verificar a divisibilidade b) 325103 não é divisível por 9, pois 3 + 2 + 5 + 1 + 0
por 7, deve-se fazer o seguinte procedimento. + 3 = 14 não é divisível por

- Multiplicar o último algarismo por 2 Divisibilidade por 10: Um número é divisível por 10
RACIOCÍNIO LÓGICO E MATEMÁTICA

- Subtrair o resultado do número inicial sem o últi- quando termina em zero.


mo algarismo
- Se o resultado for um múltiplo de 7, então o núme- Exs:
ro inicial é divisível por 7. a) 563040 é divisível por 10, pois termina em zero.
b) 246321 não é divisível por 10, pois não termina em
É importante ressaltar que, em caso de números com zero.
vários algarismos, será necessário fazer o procedimento
mais de uma vez. Divisibilidade por 11: Um número é divisível por
11 quando a diferença entre a soma dos algarismos de
Ex: posição ímpar e a soma dos algarismos de posição par
Analisando o número 1764 resulta em um número divisível por 11.
Procedimento:

18
Exs:
𝑏𝑐 = 𝑏 × 𝑏 × ⋯ × 𝑏
a) 43813 é divisível por 11. Vejamos o porquê
𝑐 𝑣𝑒𝑧𝑒𝑠

Os algarismos de posição ímpar são os algarismos Por exemplo: 4 =4×4×4=64, sendo a base igual a 4 e
3

nas posições 1, 3 e 5. Ou seja, 4,8 e 3. A soma desses o expoente igual a 3.


algarismos é 4 + 8 + 3 = 15 Esta operação não passa de uma multiplicação com fa-
tores iguais, como por exemplo: 23 = 2 × 2 × 2 = 8 → 53
Os algarismos de posição par são os algarismos nas = 5 × 5 × 5 = 125
posições 2 e 4. Ou seja, 3 e 1. A soma desses algarismos
é 3+1 = 4 1. Propriedades da Potenciação

15 – 4 = 11→ A diferença divisível por 11. Logo 43813 Propriedade 1: potenciação com base 1
é divisível por 11. Uma potência cuja base é igual a 1 e o expoente natu-
ral é n, denotada por 1n, será sempre igual a 1. Em resumo,
b) 83415721 não é divisível por 11. Vejamos o porquê 1n=1

Os algarismos de posição ímpar são os algarismos Exemplos:


nas posições 1, 3, 5 e 7. Ou seja, 8, 4, 5 e 2. A soma desses a) 13 = 1×1×1 = 1
algarismos é b) 17 = 1×1×1×1×1×1×1 = 1
Os algarismos de posição ímpar são os algarismos
nas posições 1, 3, 5 e 7. Ou seja, 8, 4, 5 e 2. A soma desses Propriedade 2: potenciação com expoente nulo
algarismos é 8+4+5+2 = 19 Se n é um número natural não nulo, então temos que nº=1.

Os algarismos de posição par são os algarismos nas Exemplos:


posições 2, 4 e 6. Ou seja, 3, 1 e 7. A soma desses algaris- a) 5º = 1
mos é 3+1+7 = 11 b) 9º = 1
19 – 11 = 8→ A diferença não é divisível por 11. Logo
83415721 não é divisível por 11. Propriedade 3: potenciação com expoente 1

Divisibilidade por 12: Um número é divisível por 12 Qualquer que seja a potência em que a base é o nú-
quando é divisível por 3 e por 4. mero natural n e o expoente é igual a 1, denotada por n1 ,
é igual ao próprio n. Em resumo, n1=n
Exs:
a) 78324 é divisível por 12, pois é divisível por 3 ( 7 + Exemplos:
8 + 3 + 2 + 4 = 24) e por 4 (termina em 24). a) 5¹ = 5
b) 64¹ = 64
b) 652011 não é divisível por 12, pois não é divisível
por 4 (termina em 11). Propriedade 4: potenciação de base 10
Toda potência 10n é o número formado pelo algarismo
c) 863104 não é divisível por 12, pois não é divisível 1 seguido de n zeros.
por 3 (8 + 6 + 3 +1 + 0 + 4 = 22).
Exemplos:
Divisibilidade por 15: Um número é divisível por 15 a) 103 = 1000
quando é divisível por 3 e por 5. b) 108 = 100.000.000
c) 104 = 1000
Exs:
a) 650430 é divisível por 15, pois é divisível por 3 (6 + Propriedade 5: multiplicação de potências de mes-
5 + 0 + 4 + 3 + 0 =18) e por 5 (termina em 0). ma base
Em uma multiplicação de duas potências de mesma
b) 723042 não é divisível por 15, pois não é divisível base, o resultado é obtido conservando-se a base e so-
RACIOCÍNIO LÓGICO E MATEMÁTICA

por 5 (termina em 2). mando-se os expoentes.

c) 673225 não é divisível por 15, pois não é divisível Em resumo: xa × xb = x a+b
por 3 (6 + 7 + 3 + 2 + 2 + 5 = 25). Exemplos:
a) 23×24 = 23+4 = 27
POTENCIAÇÃO b) 34×36 = 34+6=310
c) 152×154 = 152+4=156
Define-se potenciação como o resultado da multi-
plicação de fatores iguais, denominada base, sendo o Propriedade 6: divisão de potências de mesma base
número de fatores igual a outro número, denominado Em uma divisão de duas potências de mesma base, o
expoente. Diz-se “b elevado a c”, cuja notação é: resultado é obtido conservando-se a base e subtraindo-se
os expoentes.

19
Em resumo: xa : xb = xa-b merador e denominador dessa fração na mesma base
como mostrado a seguir:
Exemplos:
440 22 40 280
a) 25 : 23 = 25-3=22 = = = 280−1 = 279
b) 39 : 36 = 39-6=33 2 2 2 .
c) 1512 : 154 = 1512-4 = 158
Note que para resolver esse exercício utilizamos as
propriedades 6 e 7.
FIQUE ATENTO!
Dada uma potência xa , onde o número real a Números Primos, MDC e MMC
é negativo, o resultado dessa potência é igual
1
ao inverso de x elevado a a, isto é, 𝑥 𝑎 = 𝑎 O máximo divisor comum e o mínimo múltiplo co-
𝑥 mum são ferramentas extremamente importantes na
se a<0. matemática. Através deles, podemos resolver alguns
1
Por exemplo, 2−3 =
1
, 5−1 = 1 . problemas simples, além de utilizar seus conceitos em
23 5
outros temas, como frações, simplicação de fatoriais, etc.
Porém, antes de iniciarmos a apresentar esta teoria, é
Propriedade 7: potência de potência importante conhecermos primeiramente uma classe de
Quando uma potência está elevado a outro expoente, o números muito importante: Os números primos.
expoente resultante é obtido multiplicando-se os expoentes
Em resumo: (xa )b=xa×b 1. Números primos

Exemplos: Um número natural é definido como primo se ele


a) (25 )3 = 25×3=215 tem exatamente dois divisores: o número um e ele mes-
b) (39 )2 = 39×2=318 mo. Já nos inteiros, p ∈ ℤ é um primo se ele tem exata-
c) (612 )4= 612×4=648 mente quatro divisores: ±1 e ±𝑝 .

Propriedade 8: potência de produto


Quando um produto está elevado a uma potência, o FIQUE ATENTO!
resultado é um produto com cada um dos fatores eleva-
Por definição,  0,  1  e  − 1  não são números
do ao expoente
primos.
Em resumo: (x×y)a=xa×ya
Exemplos:
a) (2×3)3 = 23×33 Existem infinitos números primos, como demonstra-
b) (3×4)2 = 32×42 do por Euclides por volta de 300 a.C.. A propriedade de
c) (6×5)4= 64×54 ser um primo é chamada “primalidade”, e a palavra “pri-
mo” também são utilizadas como substantivo ou adje-
#FicaDica tivo. Como “dois” é o único número primo par, o termo
“primo ímpar” refere-se a todo primo maior do que dois.
Em alguns casos podemos ter uma multi-
O conceito de número primo é muito importante
plicação ou divisão potência que não está
na teoria dos números. Um dos resultados da teoria dos
na mesma base (como nas propriedades 5 e
números é o Teorema Fundamental da Aritmética, que
6), mas pode ser simplificada. Por exemplo,
afirma que qualquer número natural diferente de 1 pode
43×25 =(22 )3×25= 26×25= 26+5=211 e 33:9 = 33
ser escrito de forma única (desconsiderando a ordem)
: 32 = 31.
como um produto de números primos (chamados fato-
res primos): este processo se chama decomposição em
fatores primos (fatoração). É exatamente este conceito
que utilizaremos no MDC e MMC. Para caráter de me-
EXERCÍCIOS COMENTADOS morização, seguem os 100 primeiros números primos
positivos. Recomenda-se que memorizem ao menos os
RACIOCÍNIO LÓGICO E MATEMÁTICA

1. (MPE-RS – 2017) A metade de 440 é igual a: 10 primeiros para MDC e MMC:


2, 3, 5, 7, 11, 13, 17, 19, 23, 29, 31, 37, 41, 43, 47, 53, 
a) 220 59, 61, 67, 71, 73, 79, 83, 89, 97, 101, 103, 107, 109, 113
b) 239 , 127, 131, 137, 139, 149, 151, 157, 163, 167, 173, 179, 181,
c) 240 191, 193, 197, 199, 211, 223, 227, 229, 233, 239, 241, 251,
d) 279 257, 263, 269, 271, 277, 281, 283, 293, 307, 311, 313, 317,
e) 280 331, 337, 347, 349, 353, 359, 367, 373, 379, 383, 389, 397,
401, 409, 419, 421, 431, 433, 439, 443, 449, 457, 461, 463,
Resposta: Letra D. Para encontrar a metade de 440, 467, 479, 487, 491, 499, 503, 509, 521, 523, 541
40
basta dividirmos esse número por 2, isto é, 4 . Uma
2
forma fácil de resolver essa fração é escrever o nu-

20
2. Múltiplos e Divisores Decompõe-se cada número dado em fatores primos.
O MDC é o produto dos fatores comuns obtidos, cada
Diz-se que um número natural a é múltiplo de outro um deles elevado ao seu menor expoente.
natural b, se existe um número natural k tal que: Exemplo: Achar o MDC entre 300 e 504.
𝑎 = 𝑘. 𝑏 Fatorando os dois números:
Ex. 15 é múltiplo de 5, pois 15=3 x 5

Quando a=k.b, segue que a é múltiplo de b, mas tam-


bém, a é múltiplo de k, como é o caso do número 35 que
é múltiplo de 5 e de 7, pois: 35 = 7 x 5.
Quando a = k.b, então a é múltiplo de b e se conhe-
cemos b e queremos obter todos os seus múltiplos, basta
fazer k assumir todos os números naturais possíveis.
Ex. Para obter os múltiplos de dois, isto é, os números
da forma a = k x 2, k seria substituído por todos os nú-
meros naturais possíveis.
Temos que:
300 = 22.3 .52
FIQUE ATENTO! 504 = 23.32 .7
Um número b é sempre múltiplo dele mes-
O MDC será os fatores comuns com seus menores
mo. a = 1 x b ↔ a = b.
expoentes:
Mdc (300,504)= 22.3 = 4 .3=12
A definição de divisor está relacionada com a de múl-
tiplo. MMC
Um número natural b é divisor do número natural a,
se a é múltiplo de b. O mínimo múltiplo comum de dois ou mais números
Ex. 3 é divisor de 15, pois , logo 15 é múltiplo de 3 e é o menor número positivo que é múltiplo comum de
todos os números dados. Consideremos:
também é múltiplo de 5.
Ex. Encontrar o MMC entre 8 e 6
Múltiplos positivos de 6: M(6) =
#FicaDica {6,12,18,24,30,36,42,48,54,...}
Múltiplos positivos de 8: M(8) =
Um número natural tem uma quantidade finita {8,16,24,32,40,48,56,64,...}
de divisores. Por exemplo, o número 6 poderá
ter no máximo 6 divisores, pois trabalhando no Podem-se escrever, agora, os múltiplos positivos co-
conjunto dos números naturais não podemos muns: M(6)∩M(8) = {24,48,72,...}
dividir 6 por um número maior do que ele. Os Observando os múltiplos comuns, pode-se identificar
o mínimo múltiplo comum dos números 6 e 8, ou seja:
divisores naturais de 6 são os números 1, 2, 3, 6,
Outra técnica para o cálculo do MMC:
o que significa que o número 6 tem 4 divisores.
Decomposição isolada em fatores primos: Para ob-
ter o MMC de dois ou mais números por esse processo,
MDC procedemos da seguinte maneira:
- Decompomos cada número dado em fatores pri-
Agora que sabemos o que são números primos, múl- mos.
tiplos e divisores, vamos ao MDC. O máximo divisor co- - O MMC é o produto dos fatores comuns e não-
mum de dois ou mais números é o maior número que é -comuns, cada um deles elevado ao seu maior ex-
divisor comum de todos os números dados. poente.
Ex. Encontrar o MDC entre 18 e 24.
RACIOCÍNIO LÓGICO E MATEMÁTICA

Divisores naturais de 18: D(18) = {1,2,3,6,9,18}. Ex. Achar o MMC entre 18 e 120.
Divisores naturais de 24: D(24) = {1,2,3,4,6,8,12,24}.
Pode-se escrever, agora, os divisores comuns a 18 e Fatorando os números:
24: D(18)∩ D (24) = {1,2,3,6}.
Observando os divisores comuns, podemos identifi-
car o maior divisor comum dos números 18 e 24, ou seja:
MDC (18,24) = 6.
Outra técnica para o cálculo do MDC:

Decomposição em fatores primos: Para obter o


MDC de dois ou mais números por esse processo, proce-
de-se da seguinte maneira:

21
18 = 2 .32 3 3
120 = 23.3 .5 Números Opostos: Dizemos que− 2 e 2 são núme-
ros racionais opostos ou simétricos e cada um deles é
mmc (18, 120) = 23 � 32 � 5 = 8 � 9 � 5 = 360 o oposto do outro. As distâncias dos pontos− 3 e 3 ao
ponto zero da reta são iguais. 2 2

1.1. Soma (Adição) de Números Racionais


EXERCÍCIOS COMENTADOS
Como todo número racional é uma fração ou pode
1. (FEPESE-2016) João trabalha 5 dias e folga 1, enquan- ser escrito na forma de uma fração, definimos a adição
a c
to Maria trabalha 3 dias e folga 1. Se João e Maria fol- entre os números racionais e , , da mesma forma que
gam no mesmo dia, então quantos dias, no mínimo, pas- a soma de frações, através de: d
b

sarão para que eles folguem no mesmo dia novamente?


a c a�d+b�c
+ =
a) 8 b d b�d
b) 10
c) 12
d) 15 1.1.1. Propriedades da Adição de Números Racionais
e) 24
O conjunto é fechado para a operação de adição,
Resposta: Letra C. O período em que João trabalha e isto é, a soma de dois números racionais resulta em um
folga corresponde a 6 dias enquanto o mesmo perío- número racional.
do, para Maria, corresponde a 4 dias. Assim, o proble- - Associativa: Para todos em : a + ( b + c ) = ( a + b
ma consiste em encontrar o mmc entre 6 e 4. Logo, )+c
eles folgarão no mesmo dia novamente após 12 dias - Comutativa: Para todos em : a + b = b + a
pois mmc(6,4)=12. - Elemento neutro: Existe em , que adicionado a
todo em , proporciona o próprio , isto é: q + 0 = q
- Elemento oposto: Para todo q em Q, existe -q em
Números Racionais: Frações, Números Decimais e Q, tal que q + (–q) = 0
suas Operações
1.2. Subtração de Números Racionais
1. Números Racionais
A subtração de dois números racionais e é a própria
Um número racional é o que pode ser escrito na for- operação de adição do número com o oposto de q, isto
m
ma , onde m e n são números inteiros, sendo que n é: p – q = p + (–q)
n
deve ser diferente de zero. Frequentemente usamos m
para significar a divisão de m por n . n 1.3. Multiplicação (Produto) de Números Racio-
Como podemos observar, números racionais podem nais
ser obtidos através da razão entre dois números inteiros,
razão pela qual, o conjunto de todos os números racio- Como todo número racional é uma fração ou pode
nais é denotado por Q. Assim, é comum encontrarmos ser escrito na forma de umaa fração, definimos o produto
de dois números racionais b e d , da mesma forma que o
c
na literatura a notação:
produto de frações, através de:
Q= { m
n
: m e n em Z,n diferente de zero } a c a�c
No conjunto Q destacamos os seguintes subconjun- � =
b d b� d
tos:

• 𝑄 = conjunto dos racionais não nulos;
• 𝑄+ = conjunto dos racionais não negativos; O produto dos números racionais a e b também pode
• 𝑄+∗
= conjunto dos racionais positivos; ser indicado por a × b, a.b ou ainda ab sem nenhum sinal
RACIOCÍNIO LÓGICO E MATEMÁTICA

• 𝑄− = conjunto dos racionais não positivos; entre as letras.


• 𝑄−∗ = conjunto dos racionais negativos. Para realizar a multiplicação de números racionais,
devemos obedecer à mesma regra de sinais que vale em
Módulo ou valor absoluto: É a distância do ponto toda a Matemática:
que representa esse número ao ponto de abscissa zero. (+1)�(+1) = (+1) – Positivo Positivo = Positivo
(+1)�(-1) = (-1) - Positivo Negativo = Negativo
3 3 3
Exemplo: Módulo de - 2 é 2 . Indica-se − =
3 (-1)�(+1) = (-1) - Negativo Positivo = Negativo
2 2 (-1)� (-1) = (+1) – Negativo Negativo = Positivo
Módulo de+ 3 é 3 . Indica-se 3 3
=
2 2 2 2

22
1.5.1. Propriedades da Potenciação aplicadas a nú-
#FicaDica meros racionais
O produto de dois números com o mesmo Toda potência com expoente 0 é igual a 1.
sinal é positivo, mas o produto de dois
números com sinais diferentes é negativo. 0
 2
+  = 1
1.3.1. Propriedades da Multiplicação de Números  5
Racionais - Toda potência com expoente 1 é igual à própria base.

O conjunto Q é fechado para a multiplicação, isto é,  9


1
9
o produto de dois números racionais resultaem um nú- −  =−
mero racional.  4 4
- Associativa: Para todos a,b,c em Q: a ∙ ( b ∙ c ) = ( a
∙b)∙c - Toda potência com expoente negativo de um núme-
- Comutativa: Para todos a,b em Q: a ∙ b = b ∙ a ro racional diferente de zero é igual a outra potência que
- Elemento neutro: Existe 1 em Q, que multiplicado tem a base igual ao inverso da base anterior e o expoente
por todo q em Q, proporciona o próprio q, isto é: igual ao oposto do expoente anterior.
q∙1=q
a b  3
−2
 5 25 2

- Elemento inverso: Para todo b em Q,


q=
di-
q−1 =
a −  = −  =
ferente de zero, existe em Q: q � q−1 = 1, ou seja,  5  3 9
a b
× =1
b a - Toda potência com expoente ímpar tem o mesmo
- Distributiva: Para todos a,b,c em Q: a ∙ ( b + c ) = ( a sinal da base.
∙ b ) + ( a∙ c )
3
2 2 2 2 8
1.4. Divisão de Números Racionais   =   .  .   =
 3   3   3   3  27
A divisão de dois números racionais p e q é a própria
operação de multiplicação do número p pelo inverso de - Toda potência com expoente par é um número positivo.
q, isto é: p ÷ q = p × q-1
De maneira prática costuma-se dizer que em uma di- 2
 1  1  1 1
visão de duas frações, conserva-se a primeira fração e −  = −  .−  =
multiplica-se pelo inverso da segunda:  5   5   5  25
Observação: É possível encontrar divisão de frações
a
da seguinte forma: b
c .
. O procedimento de cálculo é o - Produto de potências de mesma base. Para redu-
mesmo. zir um produto de potências de mesma base a uma só
d
potência, conservamos a base e somamos os expoentes.
1.5. Potenciação de Números Racionais
2 3 2+3 5
𝐧  2  2  2 2 2 2 2  2 2
A potência q do número racional é um produto   .   =  . . . .  =   = 
de fatores iguais. O número é denominado a base e o  5  5 5 55 5 5 5 5
número é o expoente.
n - Quociente de potências de mesma base. Para redu-
q = q � q � q � q � . . .� q, (q aparece n vezes) zir um quociente de potências de mesma base a uma só
potência, conservamos a base e subtraímos os expoentes.
Exs:
3 3 3 3 3
RACIOCÍNIO LÓGICO E MATEMÁTICA

a)  2  =  2  .  2  .  2  =
3
8 5 2 . . . . 5− 2 3
125 3 3
    2 2 2 2 2 3 3
5 3 5 5 5   :  = =  = 
b)  − 1  =  − 1  .  − 1  .  − 1  = 1 2 2 3 3 2 2
  − .
 2  2  2  2 8 2 2
c) (– 5)² = (– 5) � ( – 5) = 25
- Potência de Potência. Para reduzir uma potência de
d) (+5)² = (+5) � (+5) = 25 potência a uma potência de um só expoente, conserva-
mos a base e multiplicamos os expoentes.

3
 1  2  2 2
1 1 1
2
1
2+ 2+ 2
1
3+ 2
1
6

   =   .  .  =   =  = 
 2   2 2 2 2 2 2

23
1.6. Radiciação de Números Racionais 1. Frações Equivalentes

Se um número representa um produto de dois ou São frações que, embora diferentes, representam a
mais fatores iguais, então cada fator é chamado raiz do mesma parte do mesmo todo. Uma fração é equivalente
número. Vejamos alguns exemplos: a outra quando pode ser obtida multiplicando o nume-
rador e o denominador da primeira fração pelo mesmo
Ex: número.
4 Representa o produto 2. 2 ou 22. Logo, 2 é a raiz
quadrada de 4. Indica-se 4 = 2. Ex: 3 e 6 .
5 10
Ex: A segunda fração pode ser obtida multiplicando o
1 1 1 1 1
2 numerador e denominador de 3 por 2:
Representa o produto . ou   .Logo, é a 5
9 3 3 3 3 3�2
=
6
1 1 1 5 � 2 10
raiz quadrada de .Indica-se =
9 9 3 Assim, diz-se que
6
é uma fração equivalente a 3
10 5
Ex:
0,216 Representa o produto 0,6 � 0,6 � 0,6 ou (0,6)3 . 2. Operações com Frações
Logo, 0,6 é a raiz cúbica de 0,216. Indica-se 0,216 = 0,6 .
3

2.1. Adição e Subtração


Assim, podemos construir o diagrama:
2.1.1. Frações com denominadores iguais:

Ex:
Jorge comeu 3 de um tablete de chocolate e Miguel
5
8
8
desse mesmo tablete. Qual a fração do tablete de cho-
colate que Jorge e Miguel comeram juntos?

A figura abaixo representa o tablete de chocolate.


Nela também estão representadas as frações do tablete
que Jorge e Miguel comeram:

FIQUE ATENTO!
Um número racional, quando elevado ao
quadrado, dá o número zero ou um número
racional positivo. Logo, os números racionais 3 2 5
Observe que = =
negativos não têm raiz quadrada em Q. 8 8 8

Portanto, Jorge e Miguel comeram juntos 5 do table-


te de chocolate.
8
100
O número − não tem raiz quadrada em Q, pois
9 10 Na adição e subtração de duas ou mais frações que
tanto −
10 como + , quando elevados ao quadrado, dão têm denominadores iguais, conservamos o denominador
100 . 3 3
comum e somamos ou subtraímos os numeradores.
9
Um número racional positivo só tem raiz quadrada no Outro Exemplo:
conjunto dos números racionais se ele for um quadrado
perfeito.
RACIOCÍNIO LÓGICO E MATEMÁTICA

3 5 7 3+5−7 1
+ − = =
O número 2 não tem raiz quadrada em Q, pois não 2 2 2 2 2
3
existe número racional que elevado ao quadrado dê 2 .
3 2.1.2. Frações com denominadores diferentes:

Frações 3 5
Calcular o valor de + Inicialmente, devemos redu-
8 6
Frações são representações de partes iguais de um
zir as frações ao mesmo denominador comum. Para isso, en-
todo.xSão expressas como um quociente de dois núme-
contramos o mínimo múltiplo comum (MMC) entre os dois
ros , sendo x o numerador e y o denominador da
y (ou mais, se houver) denominadores e, em seguida, encon-
fração, com y ≠ 0 . tramos as frações equivalentes com o novo denominador:

24
O produto de duas ou mais frações é uma fração cujo
3 5 9 20
mmc (8,6) = 24 = = = numerador é o produto dos numeradores e cujo deno-
8 6 24 24 minador é o produto dos denominadores das frações
dadas.
24 ∶ 8 � 3 = 9 2 4 7 2�4�7 56
Outro exemplo: � � = =
24 ∶ 6 � 5 = 20 3 5 9 3 � 5 � 9 135

Devemos proceder, agora, como no primeiro caso, #FicaDica


simplificando o resultado, quando possível:
Sempre que possível, antes de efetuar a
9 20 29 multiplicação, podemos simplificar as frações
+ = entre si, dividindo os numeradores e os
24 24 24 denominadores por um fator comum. Esse
processo de simplificação recebe o nome de
3 5 9 20 29 cancelamento.
Portanto: + = + =
8 6 24 24 24

#FicaDica
Na adição e subtração de duas ou mais fra- 2.3. Divisão
ções que têm os denominadores diferentes,
reduzimos inicialmente as frações ao menor Duas frações são inversas ou recíprocas quando o nu-
denominador comum, após o que procede- merador de uma é o denominador da outra e vice-versa.
mos como no primeiro caso.
Exemplo

2.2. Multiplicação 2 é a fração inversa de 3


3 2
Ex: 5 ou 5 é a fração inversa de 1

De uma caixa de frutas, 4 são bananas. Do total de 1 5

2 5 Considere a seguinte situação:


bananas, estão estragadas. Qual é a fração de frutas
3
da caixa que estão estragadas? Lúcia recebeu de seu pai os 4 dos chocolates con-
tidos em uma caixa. Do total de5chocolates recebidos,
Lúcia deu a terça parte para o seu namorado. Que fração
dos chocolates contidos na caixa recebeu o namorado
de Lúcia?

Representa 4/5 do conteúdo da caixa A solução do problema consiste em dividir o total de


chocolates que Lúcia recebeu de seu pai por 3, ou seja,
4
:3
5

Por outro lado, dividir algo por 3 significa calcular 1


Representa 2/3 de 4/5 do conteúdo da caixa. desse algo. 3

Repare que o problema proposto consiste em calcular Portanto: : 3 = de 4


4 1
5 3 5
RACIOCÍNIO LÓGICO E MATEMÁTICA

2
o valor de de 4 que, de acordo com a figura, equivale
3 5
a 8
do total de frutas. De acordo com a tabela acima, 2 Como
1 4 1
de 5= 3
4
� =
4 1
� , resulta que
15 3 3 5 5 3
2 4
de 4 equivale a � . Assim sendo: 4 4 3 4 1
5 3 5 :3 = : = �
5 5 1 5 3

2 4 8 3 1
� =
3 5 15 Observando que as frações e são frações inver-
1 3
sas, podemos afirmar que:
Ou seja:
2 de 4 2 4 2�4 8 Para dividir uma fração por outra, multiplicamos a pri-
= � 5 = 3�5 = 15 meira pelo inverso da segunda.
3 5 3

25
4 4 3 4 1 4
Portanto 5 : 3 = 5 ∶ 1 = 5 � 3 = 15

Ou seja, o namorado de Lúcia recebeu 4


do total de chocolates contidos na caixa.
15
1
4 8 4 5 5
Outro exemplo: : = . =
3 5 3 82 6

Observação:

Note a expressão: . Ela é equivalente à expressão 3 1


:
2 5

Portanto

Números Decimais

De maneira direta, números decimais são números que possuem vírgula. Alguns exemplos: 1,47; 2,1; 4,9587; 0,004;
etc.

1. Operações com Números Decimais

1.1. Adição e Subtração

Vamos calcular o valor da seguinte soma:


5,32 + 12,5 + 0, 034

Transformaremos, inicialmente, os números decimais em frações decimais:

532 125 34 5320 12500 34 17854


5,32 + 12,5 + 0,034 = 100 + 10
+ 1000 = 1000
+ 1000 + 1000 = 1000
= 17,854

Portanto: 5,32 + 12,5 + 0, 034 = 17, 854

Na prática, a adição e a subtração de números decimais sã