Você está na página 1de 9

UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA

ESCOLA DE MEDICINA VETERINÁRIA E ZOOTECNIA


DEPARTAMENTO DE ZOOTECNIA
MEV61 – FISIOLOGIA VEGETAL

RELATÓRIO DE AULA PRÁTICA SOBRE FOTOSSÍNTESE E


SÍNTESE DE AMIDO

ROBSON PEREIRA DE FREITAS JUNIOR

SALVADOR
2017
ROBSON PEREIRA DE FREITAS JUNIOR

RELATÓRIO DE AULA PRÁTICA SOBRE FOTOSSÍNTESE E


SÍNTESE DE AMIDO

Relatório apresentado ao Professor


Doutor DOUGLAS DOS SANTOS PINA
como parte das atividades da disciplina
MEVA61 – Fisiologia Vegetal do curso de
ZOOTECNIA da UNIVERSIDADE
FEDERAL DA BAHIA.

Professor Doutor: DOUGLAS DOS SANTOS


PINA

SALVADOR
2017
LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Folhas de Hibiscus L. tingidas com lugol, vistas por baixo de uma placa de
Petri. As folhas que se mantiveram descobertas anteriormente reagiram ao corante
devido a maior quantidade de amido, adquirindo uma coloração escura. ................... 7
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 4
2 MATERIAIS E MÉTODOS........................................................................................ 6
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES ............................................................................. 7
REFERÊNCIAS ........................................................................................................... 8
4

1 INTRODUÇÃO

A fotossíntese é o processo que consiste na utilização de energia solar para a


síntese de compostos orgânicos, como os carboidratos, a partir da água e do gás
carbônico. Os compostos orgânicos formados servem de fonte de energia para os
mecanismos metabólicos dos próprios seres fotossintetizantes ou de outros seres
vivos que deles se alimentam. Os seres fotossintetizantes de grande importância
para a zootecnia são as plantas forrageiras, neste caso, o processo fotossintético
ocorre no mesófilo das folhas, onde estão localizados células que possuem
cloroplastos, organelas onde o processo fotossintético ocorre (MARENCO; LOPES,
2009).
A fotossíntese se divide em duas etapas, a etapa fotoquímica e a bioquímica. A
etapa fotoquímica da fotossíntese consiste na absorção da energia luminosa para a
síntese de ATP e NADPH, compostos que direcionam a energia absorvida para a
etapa bioquímica. A etapa fotoquímica ocorre na membrana dos tilacoides, e são
executadas pelas proteínas intermembrana desta região. A molécula de clorofila,
localizada no complexo antena da membrana do tilacoide, absorve uma energia
luminosa de 400 a 700 nanômetros de comprimento de onda e a direciona para as
outras proteínas de membrana através do transporte de elétrons, essa cascata de
eventos resulta na hidrólise da água para a recuperação do elétron perdido na
excitação da clorofila com liberação de gás oxigênio, redução de NADP+ para
NADPH pela ferredoxina, e um transporte de prótons do estroma para o lúmen do
tilacoide, um gradiente eletroquímico que será aproveitado pela enzima ATP sintase
como fonte de energia para a síntese de ATP (MARENCO; LOPES, 2009).
A etapa bioquímica da fotossíntese ocorre no estoma dos cloroplastos, em alguns
casos, pode ser antecipada por processos que aumente a fixação de gás carbônico
absorvido nos estômatos das folhas. Esta etapa é dividida em três fazes (KERBAUY,
2004):
• Carboxilação da da ribulose-1,5-bisfosfato em um composto de 6 carbonos
que logo é dissociado em duas moléculas de ácido 3-fosfoglicérico (3-PGA).
• Redução das moléculas de 3-PGA, com resultante formação de um
gliceraldeido-3-fosfato (3-PGald), e diidroxiacetona-fosfato (DHAP).
• Regeneração da ribulose-1,5-bisfosfato a partir do envolvimento de 3-PGald e
5

DHAP em uma reação complexa.


Alguns dos compostos intermediários formados na etapa bioquímica da
fotossíntese podem ser reaproveitados para a síntese de sacarose e amido. No
cloroplasto, as trioses-fosfato serão reaproveitadas para a formação de frutose-1,6-
bisfosfato, um composto que, quando submetido a uma serie de reações seguintes e
um gasto de uma molécula de ATP, resultará na formação de adenina difosfato
glicose (ADPG), que será usado na polimerização do amido. No citossol, o 3-PGald
e a DHAP serão usados para a síntese de frutose-1,6-bisfosfato, que quando
submetido a uma sequência de reações resultará na formação de sacarose
(KERBAUY, 2004).
Tanto a síntese de amido quanto a de sacarose é regulada por enzimas
alostéricas. A regulação da síntese de amido é muito mais direto, pois esta rota
possui apenas uma enzima alostérica, a AGP, responsável pela conversão da
glicose-1-fosfato em ADPG, esta enzima é ativada pela frutose-6-fosfato e inibida
pelo fosfato inorgânico (Pi) (KERBAUY, 2004).
A regulação da síntese de sacarose é mais refinada, envolve quatro enzimas
reguladoras. A sacarose fosfato sintase é responsável pela conversão da uridina
difosfato glicose em sacarose-fosfato, esta enzima é ativada pela glicose-6-fosfato e
inibida pela Pi. A frutose-1,6-bisfosfatase é responsável pela retirada de um grupo
fosfato da frutose-1,6-bisfosfato, produzindo frutose-6-fosfato, esta enzima é inibida
pela frutose-2,6-bisfosfato, a sua concentração é controlada por duas enzimas, a
quinase e a fosfatase, que, por sua vez, são controladas pela 3-PGA e Pi, que,
respectivamente, ativa ou desativa a fosfatase e desativa ou ativa a quinase. A
quinase é responsável pela adição de um grupo fosfato na frutose-6-fosfato,
formando a frutose-2,6-bisfosfato; e a fosfatase é responsável pela retirada de um
grupo fosfato da frutose-2,6-bisfosfato formando a frutose-6-fosfato (KERBAUY,
2004).
Na membrana do cloroplasto existe uma proteína de membrana responsável pela
translocação de 3-PGA do cloroplasto para o citosol e a translocação de Pi do citosol
para o cloroplasto. Tanto a síntese de amido quanto a síntese de sacarose é
controlada pela concentração de 3-PGA e Pi (metabólitos da fotossíntese que,
respectivamente, favorece e desfavorece as reações). O controle da síntese de
amido é direto, pois se trata de uma enzima que participa diretamente da reação, já
o controle da síntese de sacarose pelos metabólitos da fotossíntese envolve duas
6

enzimas de controla a concentração de um inibidor de outra enzima que diretamente


participa da reação. Logo, em condições ambientais que induzem uma menor taxa
fotossintética de uma planta, a síntese de sacarose é menos afetada do que síntese
de amido (KERBAUY, 2004).

2 MATERIAIS E MÉTODOS

Para a execução da aula prática foram usados os seguintes utensílios:

• Folhas de Hibiscus L.
• Papel alumínio
• Canivete
• Álcool 70° INPM líquido
• Béquer
• Placa de Petri
• Banho Maria
• Pipeta Pasteur
• Lugol

Uma semana antes da aula prática uma planta de Hibiscus L. teve duas de suas
folhas cobertas com papel alumínio, para que estas fossem isoladas da luz,
impedindo que estas dessem continuidade ao processo fotossintético.
Durante a aula prática, as folhas cobertas foram cortadas pelo pecíolo com um
canivete, assim como outras duas que se mantiveram descobertas. As quatro folhas
recortadas foram colocadas em um béquer contendo uma porção de álcool 70°
INPM liquido, o béquer foi tampado com um papel alumínio e colocado em banho-
maria à 80°C durante uma hora, o isolamento com o papel alumínio permitiu o álcool
se manter numa temperatura que fosse possível a sua volatilização, o álcool nessa
temperatura resultou em uma despigmentação das folhas, para facilitar a
visualização da coloração do lugol.
Após uma hora de banho-maria, as folhas foram colocadas em uma placa de
7

Petri e coradas com lugol, um corante a base de iodo utilizado para a coloração de
corpos de amido e a detecção destes em tecidos vegetais, a coloração das folhas foi
possível de ser vista a olho nu.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Como demonstrado na Figura 1, a folha que estava coberta com papel alumínio
anteriormente, foi a que se apresentava menos tingida com o lugol, pois apresentava
pouco amido armazenado em seu tecido. A folha que se manteve descoberta estava
mais tingida com o lugol, pois apresentava mais amido armazenado. A interrupção
do processo fotossintético foi o principal causador da baixa quantidade de amido
produzido na folha que foi encoberta.

Figura 1 - Folhas de Hibiscus L. tingidas com lugol, vistas por baixo de uma placa de Petri. As
folhas que se mantiveram descobertas anteriormente reagiram ao corante devido a maior
quantidade de amido, adquirindo uma coloração escura.
Fonte: Autoria própria.
8

A síntese de amido é um processo bioquímico muito sensível à ausência de luz,


pois a primeira conta com a participação de compostos produzidos na fotossíntese
como substratos que são submetidos a uma serie de reações químicas que resultam
na formação de ADPG, que é adicionado à cadeia linear de amido. Sem estes
compostos intermediários, a degradação de amido é favorecida em detrimento da
sua síntese (KERBAUY, 2004).
O 3-PGA é uma triose que é produzida na primeira etapa do ciclo de Calvin,
quanto uma molécula de ribulose-1,6-bisfosfato se combina com uma molécula de
gás carbônico, a combinação logo se dissocia em duas moléculas de três carbonos,
a molécula de gás carbônico é proveniente da fixação na fase fotoquímica da
fotossíntese, toda a reação da formação da triose é catalizada pela enzima ribulose-
1,5-bisfosfato carboxilase oxigenase (RuBisCO) (KERBAUY, 2004).
A frutose-6-fosfato é um intermediário da terceira etapa do Ciclo de Calvin, a
etapa de regeneração da ribulose-1,6-bisfosfato, este intermediário pode também
ser reaproveitado como um intermediário da síntese de amido. Após a formação das
duas trioses a partir da ribulose-1,5-bisfosfato, estas sofrem uma serie de
transformações até a formação de 3-PGald e DHAP, estas moléculas se unem por
ação de uma aldolase, formando frutose-1,6-bisfosfato, que é desfosforilada,
resultando na formação de uma molécula de frutose-6-fosfato (KERBAUY, 2004).
A formação da ADPG é catalizada pela enzima ADPG pirofosforilase (AGP), que
por sua vez é ativada pela alta concentração de 3-PGA e inibida pela alta
concentração Pi (KERBAUY, 2004), isso significa que, com a ausência do processo
fotossintético, a ação da AGP é reduzida devido a redução da concentração de 3-
PGA em relação à concentração de Pi.

REFERÊNCIAS

KERBAUY, G. B. Fisiologia Vegetal. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A.,


2004.

MARENCO, R. A.; LOPES, N. F. Fisiologia Vegetal - Fotossíntese, Respiração,


Relações Hídricas e Nutrição Mineral. 3. ed. Viçosa: UFV, 2009.