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356 Sinopses e informação sobre as obras

Poesia

Andrade, Carlos Drummond de (1902-1987)


Antologia Poética (poemas escolhidos)
O modernismo não chegou a ser dominante nem sequer nos primei-

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ros livros de Drummond […], mas a sua influência fez-se sentir na liber-
tação da métrica e nas preocupações com o quotidiano. O traço caracte-
rístico da sua obra é a individualidade. Ele próprio definiu os seus “pontos
de partida ou matéria da poesia” na Nota da Primeira Edição de Antologia
Poética (1962) como sendo: “O indivíduo; A terra natal; A família; Amigos;
O choque social; O conhecimento amoroso; A própria poesia; Exercícios lúdi-
cos; Uma visão, ou tentativa de, da existência”.
“Antologia Poética”. In Relógio D’ Água Editores.
http://relogiodagua.pt/produto/antologia-poetica-carlos-drummond-de-andrade/
[Consult. 2017-01-23]

Cendrars, Blaise (1887-1961)


Poesia em Viagem (poemas escolhidos)
Este suíço de Paris foi, no século passado, o primeiro poeta cidadão do
mundo. No entusiasmo com que conta as aventuras dos seus sete tios,
temos de ver a admiração pela temeridade e pelo fabuloso e temos de
destacar o arrebatamento e o rigor poéticos com que são descritas essas
andanças. É certo que surgem buriladas pelo seu autor, mas é preciso
aceitar essa intervenção como uma verdadeira homenagem. Homena-
gem que se observa quando o poeta fala da amizade, da coragem, da
ruína, do desespero, da cozinha, do amor, da solidão, da esperança, do
terror e da loucura dos homens que estando vivos persistem em viver.
Homenagem à vida e à crença nos homens.
CRUZ, Liberto, “Poesia em Viagem”. In Livraria Almedina.
http://www.almedina.net/catalog/product_info.php?products_id=5945
[Consult. 2017-01-23] [adaptado]

García Lorca, Federico (1898-1936)


Antologia Poética (poemas escolhidos)
Esta antologia contém a tradução integral de quatro livros de García
Lorca (Romancero Gitano, Poeta en Nueva York, Llanto por Ignacio Sánchez
Mejías e Diván del Tamarit). Integra também uma seleção de “Canciones”
e do “Poema del Cante Jondo” e sete sonetos de um livro inacabado.
“Antologia Poética”. In Livraria Almedina.
http://www.almedina.net/catalog/product_info.php?products_id=8443
[Consult. 2017-01-23]
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Sinopses e informação sobre as obras 357

Kavafis, Konstandinos (1863-1933)


Poemas e Prosas (poemas escolhidos)
Foi a partir da sua Alexandria natal, então uma cidade cosmopolita com várias
comunidades de origem europeia, que Konstandinos Kavafis (1863-1933) cons-
truiu um território poético onde tanto vagueiam Marco António, “abandonado pelo
deus” em 31 a. C., como os rapazes dos bordéis dos anos 20, uma Alexandria mí-
tica, só sua, feita de sombras e fulgurações da antiguidade e do quotidiano, nas
horas livres que o emprego de funcionário do Serviço de Irrigação lhe deixava. [...]
O volume “Poemas e Prosas – Konstandinos Kavafis”, publicado em 1994 na
Relógio D’ Água, reuniu um total de 50 poemas (sem contar com um não canónico,
na introdução).
COELHO, Alexandra Lucas, 2004. “Os 154 poemas de Kavafis em português”. In Público. https://www.publico.pt/
culturaipsilon/jornal/os-154-poemas-de-kavafis-em-portugues-191956 [Consult. 2016-01-26]

Knopfli, Rui (1932-1997)


Obra Poética (poemas escolhidos)
A sua obra poética assume-se como continuadora da tradição lírica do Oci-
dente. Camões, Carlos Drummond de Andrade ou Fernando Pessoa poderiam
servir de referência para analisar a poética de Knopfli, apesar de muita da sua
imagética remeter para paragens africanas. É frequentemente classificado como
poeta barroco, contribuindo para tal não só o desenvolvimento de temas como o
tempo e o desengano, como o próprio uso da linguagem rigorosa com que talha os
seus versos. Daí a sua independência e originalidade, daí a dificuldade em inte-
grá-lo nas correntes literárias.
O desencanto do poeta não soa a revolta, antes a uma passividade indiferente.
As imagens podem ser violentas ou ameaçadoras, mas isso acontece quase que
subliminarmente, já que o que prevalece é a serenidade das coisas, bem harmoni-
zada com um estilo sóbrio, revelador de algo que está para além da dor.
“Rui Knopfli”. In Infopédia [Em linha]. https://www.infopedia.pt/$rui-knopfli.
Porto: Porto Editora: 2003-2017 [Consult. 2017-01-23] [adaptado]

Mourão-Ferreira, David (1927-1996)


Obra Poética (poemas escolhidos) manual p. 223

Nos seus livros mais recentes, a poesia de David Mourão-Ferreira parece orga-
nizar-se em forma de incursões nos seus ciclos anteriores. Mas cada vez mais, no
apuro e mestria de uma arte das palavras, ela é a celebração da própria poesia
como a síntese impossível (lugar de contrários, conjugação da água e do fogo,
simbiose da terra e do ar, convocação de todas as memórias). Ou da poesia como
aproximação da música, não uma viagem em busca do sentido anterior e da má-
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tria perdida, nem viagem de exploração e saque, mas viagem em torno de si pró-
pria, comemoração nupcial do indiviso.
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“Obra Poética”. In Wook. https://www.wook.pt/livro/obra-poetica-david-mourao-ferreira/45742


[Consult. 2017-01-23]
358 Projeto de Leitura

Neruda, Pablo (1904-1973)


Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada
Terceiro livro do escritor, Vinte Poemas de Amor e uma Canção Deses-

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perada constitui o primeiro grande momento de Neruda – em que o poeta
chileno alcança o equilíbrio entre contenção retórica e riqueza vocabular.
A despeito da aguda melancolia presente nos poemas, é uma obra que
celebra o prazer de viver.
“Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada”. In Saraiva. http://www.saraiva.com.br/vinte-
-poemas-de-amor-e-uma-cancao-desesperada-148296.html [Consult. 2017-01-23] [adaptado]

Patraquim, Luís Carlos (1953)


O Osso Côncavo e Outros Poemas (poemas escolhidos)
Antologia do poeta moçambicano (nascido em Lourenço Marques, hoje
Maputo, em 1953), com textos extraídos dos livros Monção, A Inadiável Viagem,
Vinte e Tal Formulações e uma Elegia Carnívora, Mariscando Luas e Lindenburgo
Blues, e ainda alguns inéditos. Contém um posfácio de Ana Mafalda Leite.
“O Osso Côncavo e Outros Poemas”. In Wook. https://www.wook.pt/livro/o-osso-concavo-e-outros-
-poemas-luis-carlos-patraquim/58407 [Consult. 2017-01-23]

Paz, Octavio (1914-1998)


Antologia Poética (poemas escolhidos)
Na ordenação dos poemas e na sua reunião sob um mesmo título
(referenciado em cortina), seguiu-se na presente antologia o critério ado-
tado pelo autor na compilação da sua obra poética: Poemas (1935-1975),
Seix Barral, Barcelona, 1981. Como o próprio Octávio Paz afirma, “o crité-
rio foi predominantemente cronológico. Triunfo final da memória, quero
dizer: da vida sobre a estética”.
“Antologia Poética”. In Wook. https://www.wook.pt/livro/antologia-poetica-octavio-paz/70630
[Consult. 2017-01-23]

Pessanha, Camilo (1867-1926)


Clepsydra
Clepsydra, um dos mais belos livros de poesia portuguesa de sempre,
é o único livro de Camilo Pessanha, no qual se reúne a sua extraordinária
obra poética, representativa do movimento literário do Simbolismo.
Neste relógio de água dilui-se o tempo, como se da própria vida se tra-
tasse e a cada estrofe sentimos a vida desvanecer-se, até à derradeira
morte. Camilo Pessanha exalta a existência, o amor, a morte, o esqueci-
mento, num ambiente de outono e de crepúsculo. Poesia de ritmo inova-
dor e teor dramático, dá origem a uma nova musicalidade.
fotocopiável

“Clepsydra”. In Livraria Almedina. http://www.almedina.net/catalog/product_info.php?products_id=5946


[Consult. 2017-01-23] [adaptado]
Sinopses e informação sobre as obras 359

Pina, Manuel António (1943-2012)


Como se desenha uma Casa
Volume de poesia reflexiva, nostálgica e depurada, é o primeiro livro
de originais que o autor publicou depois de lhe ter sido atribuído o Pré-
mio Camões em 2011. Chegado à “tardia idade”, Pina ainda procura o
que há de material nos objetos, o sabor do “pão primeiro”, mas os poe-
mas refletem sobretudo a “agonia interminável das coisas acabadas”.
O tom é de desencanto. Os versos enchem-se de fantasmas, passos ao
longe, corpos e nomes que se desvanecem, escombros. A escrita de Pina
surge neste livro mais rarefeita, “com algum grau de abstração e sem
um plano rigoroso”, embora circule pelos temas de sempre: o “rumor”
dos livros; os labirintos da memória; os gatos; as citações explícitas e as
escondidas; a “possibilidade de sentido” das estruturas verbais de que se
faz o poema.
“Como se desenha uma Casa”. In Bibliotecário de Babel. http://bibliotecariodebabel.com/criticas/de-
sertos-e-desastres/ [Consult. 2017-01-23] [adaptado]

Régio, José (1901-1969)


Poemas de Deus e do Diabo
O grande clássico de José Régio, obra maior da literatura portuguesa,
que integra entre outros a bandeira poética “Cântico Negro”. Com este
livro, Régio define todo um programa de uma estética e assume-se como
um dos mais incontornáveis autores do século XX.
“Poemas de Deus e do Diabo”.
In Wook. https://www.wook.pt/livro/poemas-de-deus-e-do-diabo-jose-regio/117206
[Consult. 2017-01-23]

Sá-Carneiro, Mário de (1890-1916)


Indícios de Oiro
Volume de poesia póstumo, deixado pronto para edição pelas mãos de
Mário de Sá-Carneiro […]. Redigida entre junho de 1913 e dezembro de
1915, esta coletânea de 38 composições corresponde à produção poética
dos anos em que, vivendo em Paris e correspondendo-se com Fernando
Pessoa, revela certa permeabilidade às ruturas formais operadas por um
modernismo em processo de gestação, aderindo a alguns dos traveja-
mentos que integram as estéticas paúlica e intersecionista, ao mesmo
tempo que firma algumas das recorrências temáticas que enformam a
sua arte poética, como o sentimento de inadaptação à vida, de perma-
nente incompletude, de narcísico autoaviltamento e, sobretudo, de cons-
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ciência dolorosa da irremediável cisão do eu, consubstanciada na dramá-


tica tensão entre um eu, vil e prosaico, e um outro, seu duplo ideal.
“Indícios de Oiro”. In Infopédia. [Em linha]. https://www.infopedia.pt/$indicios-de-oiro.
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Porto: Porto Editora: 2003-2017 [Consult. 2017-01-23]


360 Projeto de Leitura

Tavares, Paula (1952)

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Como Veias Finas na Terra
Obra de uma das poetisas mais reconhecidas de Angola. Os referen-
tes temáticos são africanos, mas são tratados de uma forma universal e
intimista, através de uma escrita delicada, depurada, imagética.
“Como Veias Finas na Terra”. In Wook. https://www.wook.pt/livro/como-veias-finas-na-terra-ana-
-paula-tavares/10016388 [Consult. 2017-01-23] [adaptado]

Vieira, Arménio (1941)


O Poema, a Viagem, o Sonho
“Quinto livro do cabo-verdiano Arménio Vieira, galardoado com o pré-
mio Camões, o mais importante da língua portuguesa [...]. Recorde-se
que […] Pires Laranjeira falou, a propósito de Arménio Vieira, de ‘um artí-
fice da escrita herdeiro do espírito e da revolta individual, de insubmissão
aos poderes públicos e, portanto, de um discurso irónico contra a serie-
dade da vida, que se desenvolve segundo vias expressivas eventualmente
coadunando-se em humor cético, oralidade malandra, certa narrativi-
dade fabulística e uma oracularidade hermética’.” JL
“O Poema, a Viagem, o Sonho”. In Wook. https://www.wook.pt/livro/o-poema-a-viagem-o-sonho-ar-
menio-vieira/2694933 [Consult. 2017-01-23] [adaptado]

Whitman, Walt (1819-1892)


Folhas de Erva (poemas escolhidos)
“Talvez o melhor dos cantos ouvidos, ou dos amores sinceros, ou dos
episódios mais belos da vida, ou das cenas angustiantes vividas no mar e
na terra por soldados e marinheiros, seja o ‘résumé’ de tudo isso muito
tempo depois, quando já tiverem desaparecido as suas excitações concre-
tas. Como gosta a alma de tais reminiscências!”, conta-nos Walt Whitman.
Autor maior da literatura americana e universal, Whitman reescreveu in-
cessantemente a sua obra-prima, assumindo sempre que ‘[...] os cantos
mais belos e profundos ainda estão à espera de ser cantados’”.
“Folhas de Erva”. In Assírio & Alvim. http://www.assirio.pt/livros/ficha/folhas-de-erva?id=11236657
[Consult. 2017-01-23]
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Sinopses e informação sobre as obras 361

Narrativa

Agualusa, José Eduardo (1960)


O Vendedor de Passados
“O Vendedor de Passados de José Eduardo Agualusa é um retrato iró-
nico da sociedade angolana, é sobre 'o que é a verdade e o que é a men-
tira', como explica o autor, é sobre a memória, essa entidade mutável, e
literatura, também numa homenagem a Jorge Luis Borges. Mas, mais
importante que a história ou as histórias que contém, o livro está cheio
desses momentos que nos fazem levantar os olhos das páginas antes de
continuar. São essas as ideias que ficam retidas no leitor.”
Susana Moreira Marques, Público, Mil Folhas.“O Vendedor de Passados”.
In Wook. https://www.wook.pt/livro/o-vendedor-de-passados-jose-eduardo-agualusa/13927520
[Consult. 2017-01-23] [adaptado]

Almeida, Germano (1945)


Estórias de Dentro de Casa
Estórias de Dentro de Casa inclui três novelas: ‘In memoriam’, ‘As mu-
lheres de João Nuno’ e ‘Agravos de um artista’. Em todas elas está pre-
sente uma particular visão dos homens (e das mulheres) – uma visão
filtrada pelo sentido de humor próprio de Germano Almeida. Vícios, am-
bições desmedidas, agravos, necessidades comezinhas, vaidades feri-
das, convenções sociais obsoletas mas pertinazes, constituem um modo
muito próprio do autor. Um mundo em que se reconhece, pelo exterior, o
cabo-verdiano, e onde nos descobrimos, bem no fundo da alma de cada
personagem, todos nós.
“Estórias de Dentro de Casa”. In Wook. https://www.wook.pt/livro/estorias-de-dentro-de-casa-ger-
mano-almeida/58421 [Consult. 2017-01-23]

Anónimo
As Mil e uma Noites (excertos escolhidos)
As Mil e Uma Noites, uma das obras da literatura universal, é uma co-
letânea de fascinantes histórias inventadas e preservadas na tradição
oral, revelando a cultura árabe. Revela a coragem e a inteligência de uma
mulher que conseguiu, através do dom de contar histórias, aplacar a ira
e a raiva de um rei traído pela maldade e infidelidade de outra mulher.
“As Mil e Uma Noites”. In Infopédia [Em linha]. https://www.infopedia.pt/$as-mil-e-uma-noites,2.
Porto: Porto Editora: 2003-2017 [Consult. 2017-01-23] [adaptado]
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362 Projeto de Leitura

Assis, Machado de (1839-1908)


Memórias Póstumas de Brás Cubas
A ironia da dedicatória “ao verme que primeiro roeu estas frias carnes

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do meu cadáver” anuncia um romance desconcertante no estilo. A histó-
ria narrada por um defunto, contada de trás para a frente, construída em
total experimentalismo, inaugura um novo estilo que não se inscreve em
nenhuma das correntes estéticas que atravessaram o seu tempo. O es-
critor afirma-se pela originalidade, sempre atento à natureza humana e
aos costumes da sociedade do Rio de Janeiro.
“Memórias póstumas de Brás Cubas.” In RTP. http://ensina.rtp.pt/artigo/memorias-postumas-de-
-bras-cubas-de-machado-de-assis/ [Consult. 2017-01-23] [adaptado]

Borges, Jorge Luís (1899-1986)


Ficções
Ficções reúne os contos publicados em 1941 sob o título de O jardim de
veredas que se bifurcam e outras dez narrativas com o subtítulo de Artifí-
cios. Nesses textos, o leitor defronta-se com um narrador inquisitivo que
expõe, com elegância e economia de meios, de forma paradoxal e lapidar,
as suas conjeturas e perplexidades sobre o universo, retomando motivos
recorrentes nos seus poemas e ensaios desde o início da sua carreira: o
tempo, a eternidade, o infinito. Os enredos são como múltiplos labirintos
e desdobram-se num jogo infindável de espelhos, especulações e hipó-
teses, às vezes com a perícia de intrigas policiais e o gosto da aventura,
para quase sempre desembocarem na perplexidade metafísica.
“Ficções”. In Companhia das Letras. http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.
php?codigo=12403 [Consult. 2017-01-23] [adaptado]

Dionísio, Mário (1916-1993)


O Dia Cinzento e Outros Contos manual p. 182

O Dia Cinzento e Outros Contos […] revela-nos em Mário Dionísio uma


invulgar garra de contista. Ignorado, ou quase, pela crítica aquando do
seu aparecimento, o livro cresceu com os anos no juízo dos críticos e na
aceitação do público. Talvez isso se tenha devido ao facto de se tratar
dum livro inovador. Efetivamente, […] não podemos esquecer as palavras
que acerca da obra escreveu Fernando Namora: “Relendo este O Dia Cin-
zento, aí estão, mais salientes do que nunca, as raízes da sua representativi-
dade e uma densidade de atmosferas […] que mostram quanto o neorrea-
lismo dos anos 40 já anunciava as inquietantes sondagens e até a subtileza
arquitetural da literatura do presente.”
“O Dia Cinzento e Outros Contos”. In Wook. https://www.wook.pt/livro/o-dia-cinzento-e-outros-con-
tos-mario-dionisio/64672 [Consult. 2017-01-24]
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Sinopses e informação sobre as obras 363

Ferreira, José Gomes (1900-1985)


Calçada do Sol: Diário Desgrenhado de um Qualquer
Homem Nascido no Princípio do Século XX
Eis-nos [...] perante “um escritor vivo”. Um escritor que diariamente
se observa observando o quotidiano e vai tirando partido tanto da mais
fantástica aventura como do mais comezinho dos acontecimentos. Num
estilo muito pessoal, em que a prosa e a poesia se misturam, se digladiam
e se confundem, conta-nos José Gomes Ferreira, em Calçada do Sol, vá-
rios episódios que vão desde a sua meninice até aos nossos dias. [...]
Reflexões, ditos, eventos de ordem histórica, casos pessoais ou
alheios, considerações sobre a vida e a morte, sobre tipos sociais ou
sobre a natureza e a Lisboa do passado, aglomeram-se e sucedem-se
rapidamente.
CRUZ, Liberto, 1984. “José Gomes Ferreira. Calçada do Sol”.
Colóquio Letras, n.º 79, maio de 1984 (pp. 96-97)

García Márquez, Gabriel (1927-2014)


Cem Anos de Solidão
“Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aure-
liano Buendía haveria de recordar aquela tarde remota em que o pai o levou
a conhecer o gelo.” Com estas palavras […] começam estes Cem Anos de
Solidão, obra-prima da literatura contemporânea, traduzida em todas as
línguas do mundo, que consagrou definitivamente Gabriel García Már-
quez como um dos maiores escritores do nosso tempo.
A fabulosa aventura da família Buendía-Iguarán com os seus mila-
gres, fantasias, obsessões, tragédias, incestos, adultérios, rebeldias,
descobertas e condenações são a representação ao mesmo tempo do
mito e da história, da tragédia e do amor do mundo inteiro.
“Cem Anos de Solidão”. In Wook. https://www.wook.pt/livro/cem-anos-de-solidao-gabriel-garcia-
-marquez/70606 [Consult. 2017-01-24]

Gersão, Teolinda (1940)


A árvore das palavras
A árvore das palavras é um retrato de Lourenço Marques, antes da
guerra colonial e já depois do seu começo. É um livro sobre o fascínio de
África e da cultura africana, sobre a mistura e o choque de culturas e
também uma história perturbadora sobre o paraíso que se converte em
pesadelo. Um livro mágico sobre a infância, à qual não se pode voltar, a
não ser através do milagre da literatura.
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“A árvore das palavras”. In Sextante Editora. http://www.sextanteeditora.pt/livros/ficha/a-arvore-das-


-palavras?id=4042995 [Consult. 2017-01-24]
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364 Projeto de Leitura

Gogol, Nikolai (1809-1852)


Contos de São Petersburgo manual p. 110

Os Contos de S. Petersburgo são uma preciosidade única na literatura


mundial. Neles se incluem alguns dos trabalhos mais importantes do
autor: “O Diário de um Louco”, “O Nariz”, ou “O Capote”.

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A sua obra fez de Gogol o maior escritor russo da primeira metade do
século XIX, o introdutor do realismo na literatura russa, o precursor ge-
nial de todos os grandes escritores que se lhe seguiram. Tal como veio a
dizer Dostoiévsky, toda a literatura russa viria a colher em Gogol os maio-
res ensinamentos. Com profundidade filosófica, crítica ética e social, a
sua obra tornou-se intemporal e conquistou para Gogol um lugar de des-
taque entre os melhores escritores de todos os tempos.
“Contos de São Petersburgo”. In Wook. https://www.wook.pt/livro/contos-de-s-petersburgo-nikolai-
-gogol/10236717 [Consult. 2017-01-24]

Honwana, Luís Bernardo (1942)


Nós matámos o Cão-Tinhoso
Texto espantoso, construído numa narrativa que embala e envolve até
ao fim, Nós matámos o Cão-Tinhoso marca, na década de 60, um dos maio-
res e mais extraordinários contributos para a afirmação da narrativa mo-
çambicana. O texto questiona a situação de discriminação racial e de
tudo o resto que lhe está inerente, apresentando claras componentes
político-ideológicas. A novela insere o leitor em estruturas sociais violen-
tas através de uma extraordinária capacidade de persuasão, envolvendo-
-o numa superior energia afetiva com o que é narrado.
“Nós matámos o Cão-Tinhoso”. In Infopédia [Em linha]. https://www.infopedia.pt/$nos-matamos-o-
-cao-tinhoso. Porto: Porto Editora: 2003-2017 [Consult. 2017-01-24] [adaptado]

Kafka, Franz (1883-1924)


Contos manual p. 239

Como contista, Kafka aproxima-se do Expressionismo, sem que, con-


tudo, possa ou deva ser enquadrado em qualquer movimento literário.
O cunho do seu “mundo” é o homem angustiado, obrigado a viver uma
vida absurda, paradoxal, o homem solitário moderno, na sua angústia
constante e sem remédio. Situações e cenas ambíguas e grotescas
transformam-se em representações de sonho e de visão, que fazem lem-
brar o Surrealismo, que Kafka grandemente influenciou. Nesta coletânea
encontramos tudo isso.
“Franz Kafka”. In Infopédia [Em linha]. https://www.infopedia.pt/$franz-kafka. Porto: Porto Editora:
2003-2017 [Consult. 2017-01-24] [adaptado]
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Sinopses e informação sobre as obras 365

Levi, Primo (1919-1987)


Se Isto é um Homem
Na noite de 13 de dezembro de 1943, Primo Levi, um jovem químico membro da
Resistência, é detido pelas forças alemãs. Tendo confessado a sua ascendência
judaica, é deportado para Auschwitz em fevereiro do ano seguinte; aí permane-
cerá até finais de janeiro de 1945, quando o campo é finalmente libertado. Da ex-
periência no campo nasce o escritor que neste livro relata, sem nunca ceder à
tentação do melodrama e mantendo-se sempre dentro dos limites da mais rigo-
rosa objetividade, a vida no Lager e a luta pela sobrevivência num meio em que o
homem já nada conta.
Se Isto é um Homem tornou-se rapidamente um clássico da literatura italiana e
é um dos livros mais importantes sobre as perseguições nazis aos judeus.
“Se Isto É um Homem”. In Wook. https://www.wook.pt/livro/se-isto-e-um-homem-
-primo-levi/1458686 [Consult. 2017-01-24] [adaptado]

Márai, Sandor (1900-1989)


As Velas ardem até ao Fim
Um pequeno castelo de caça na Hungria, onde outrora se celebravam elegan-
tes saraus e cujos salões decorados ao estilo francês se enchiam da música de
Chopin, mudou radicalmente de aspeto. O esplendor de então já não existe, tudo
anuncia o final de uma época. Dois homens, amigos inseparáveis na juventude,
sentam-se a jantar depois de quarenta anos sem se verem. Um, passou muito
tempo no Extremo Oriente, o outro, pelo contrário, permaneceu na sua proprie-
dade. Mas ambos viveram à espera deste momento, pois entre eles interpõe-se
um segredo de uma força singular...
“As Velas Ardem até ao Fim”. In Wook. https://www.wook.pt/livro/as-velas-ardem-ate-
-ao-fim-sandor-marai/71531 [Consult. 2017-01-24]

Murakami, Haruki (1949)


Auto-retrato do Escritor enquanto Corredor de Fundo
Em 1982, ao mesmo tempo que abandonava o lugar à frente dos destinos do
clube de jazz e tomava a decisão de se dedicar à escrita, Haruki Murakami come-
çava a correr. No ano seguinte, abalançou-se a percorrer sozinho o trajeto que
separa Atenas da cidade de Maratona. Depois de participar em dezenas de provas
de longa distância e em triatlos, o romancista reflete neste livro sobre o que signi-
fica para ele correr e como a corrida se refletiu na sua maneira de escrever. Os
treinos diários, a sua paixão pela música, a consciência da passagem do tempo, os
lugares por onde viaja acompanham-no ao longo de um relato em que escrever e
correr se traduzem numa forma de estar na vida.
OEXP12 DP © Porto Editora

Diário, ensaio autobiográfico, elogio da corrida, de tudo um pouco podemos


encontrar aqui.
fotocopiável

“Auto-retrato do Escritor enquanto Corredor de Fundo”. In Wook. https://www.wook.pt/livro/auto-retrato-do-es-


critor-enquanto-corredor-de-fundo-haruki-murakami/2990685 [Consult. 2017-01-24]
366 Projeto de Leitura

Namora, Fernando (1919-1989)

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Retalhos da Vida de Um Médico
Retalhos da Vida de Um Médico é um conjunto de crónicas fundamentalmente
acerca da vivência de Fernando Namora na sua atividade profissional enquanto
médico de província. A obra foi adaptada ao cinema por Artur Ramos.
“Retalhos da Vida de um Médico”. In Wook. https://www.wook.pt/livro/retalhos-da-vida-de-um-medico-
-fernando-namora/18821902 [Consult. 2017-01-24] [adaptado]

Negreiros, Almada (1893-1970)


Nome de Guerra
[…] Quando o tio de Luís Antunes o envia para Lisboa, ao cuidado do seu amigo
D. Jorge, com o propósito de o educar nas “provas masculinas”, não imaginava o
desenlace de tal aventura. Apesar de, na primeira noite, D. Jorge ter ficado conven-
cido da inutilidade dos seus préstimos, Antunes concluiu que o “corpo nu de mulher
foi o mais belo espetáculo que os seus olhos viram em dias de sua vida”, decidindo-se
a perseguir Judite. Esta “via perfeitamente que o Antunes não estava destinado para
ela”, mas “não lhe faltava dinheiro e dinheiro é o principal para esperar […]”.
“Nome de Guerra”. In Livraria Almedina. http://www.almedina.net/catalog/product_info.php?products_id=6324
[Consult. 2017-01-24]

Orwell, George (1903-1950)


1984
Winston, herói de 1984, último romance de George Orwell, vive aprisionado na
engrenagem totalitária de uma sociedade completamente dominada pelo Estado,
onde tudo é feito coletivamente, mas cada qual vive sozinho. Ninguém escapa à
vigilância do Grande Irmão, a mais famosa personificação literária de um poder
cínico e cruel ao infinito, além de vazio de sentido histórico.
“1984”. In Companhia das Letras. http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=12562
[Consult. 2017-01-24] [adaptado]

Pamuk, Orhan (1952)


Istambul
Neste livro, Orhan Pamuk fala sobre as primeiras impressões de melancolia
que invadem os habitantes de Istambul e os unem nas memórias coletivas de um
povo: o de viverem sobre as ruínas das glórias imperiais num país a tentar moder-
nizar-se e permanentemente a receber influências do cruzamento entre este e
oeste. Esta elegia a Istambul é-nos revelada pelas personagens – escritores e pin-
tores, artistas na generalidade. É também a partir da sua própria história de vida,
desde menino até à fase adulta, que o nobelizado nos transmite os seus pensa-
mentos, crenças e ideologias sempre com Istambul como pano de fundo. Ao com-
binar memórias e fotografias com reflexões sobre arte, história e a civilização em
geral, deixa ao leitor um legado único.
fotocopiável

“Istambul”. In Wook. https://www.wook.pt/livro/istambul-orhan-pamuk/211077 [Consult. 2017-01-24] [adaptado]


Sinopses e informação sobre as obras 367

Pires, José Cardoso (1925-1998)


Balada da Praia dos Cães
Escrito no período pós-revolução do 25 de Abril de 1974, a ação situa-
-se no princípio dos anos 60 e retrata alguns aspetos da sociedade portu-
guesa em plena época da ditadura salazarista. Relata a investigação dum
assassínio. A história começa com o relatório da descoberta de um cadá-
ver enterrado na Praia do Mastro em 3 de abril de 1960. Mais tarde, a
polícia descobre tratar-se do major Luís Dantas Castro, um militar preso
por tentativa de rebelião contra o regime vigente e que escapara da pri-
são.
“Balada da Praia dos Cães”. In Wook. https://www.wook.pt/livro/balada-da-praia-dos-caes-jose-car-
doso-pires/7295990 [Consult. 2017-01-24]

Proust, Marcel (1871-1922)


Em Busca do Tempo Perdido,
Vol. I: Do Lado de Swann
Verdadeira obra-prima, Em Busca do Tempo Perdido (1914-1927) é um
imenso romance autobiográfico. Consta de sete volumes nos quais o
autor expressa as suas memórias através dos caminhos do subcons-
ciente. O romance é também uma preciosa reflexão da vida em França
nos finais do século XIX. A obra é como a vida de Proust: o reencontro de
duas épocas, a tradição clássica e a modernidade.
“Marcel Proust”. In Infopédia [Em linha]. https://www.infopedia.pt/$marcel-proust,2.
Porto: Porto Editora: 2003-2017 [Consult. 2017-01-24] [adaptado]

Tabucchi, Antonio (1943-2012)


O Tempo Envelhece Depressa
Todas as personagens deste livro parecem estar empenhadas numa
confrontação com o Tempo: o tempo dos acontecimentos que viveram ou
estão a viver e o tempo da memória ou da consciência. Mas é como se
uma tempestade de areia se tivesse levantado […]: o tempo foge e detém-
-se, gira sobre si próprio, esconde-se, reaparece a pedir contas. […]
Um ex-agente da defunta República Democrática Alemã que durante
anos espiou Bertolt Brecht vagueia sem destino por Berlim até ir ter ao
túmulo do escritor para lhe confiar um segredo. Numa localidade de fé-
rias da ex-Jugoslávia, um oficial italiano da ONU que durante a guerra do
Kosovo sofreu as radiações do urânio empobrecido ensina a uma miúda a
arte de ler o futuro nas nuvens. Um homem que engana a sua solidão
contando histórias a si próprio torna-se protagonista de uma aventura
OEXP12 DP © Porto Editora

que inventara numa noite de insónia.


“O Tempo Envelhece Depressa”. In Wook. https://www.wook.pt/livro/o-tempo-envelhece-depressa-
fotocopiável

-antonio-tabucchi/12850832 [Consult. 2017-01-24]


368 Projeto de Leitura

Woolf, Virginia (1882-1941)


A Casa Assombrada e Outros Contos
Durante toda a vida, Virginia Woolf publicou apenas um volume de
contos, Monday or Tuesday. Todavia, pouco antes de morrer, decidira com-

OEXP12 DP © Porto Editora


pilar num volume a maior parte das histórias de Monday or Tuesday, bem
assim como outros contos desconhecidos ou publicados em revistas.
Os dezoito contos desta obra revelam-se como exemplares significativos
da carga emocional e do fulgor poético característicos dos melhores es-
critos de Virginia Woolf.
“A Casa Assombrada e Outros Contos”. In Wook. https://www.wook.pt/livro/a-casa-assombrada-virgi-
nia-woolf/65371 [Consult. 2017-01-24] [adaptado]

Xingjian, Gao (1940)


Uma Cana de Pesca para o meu Avô
Recordações de infância, as alegrias simples do amor e da amizade,
a terra natal e os seus lugares familiares, mas também os dramas da rua
ou as tragédias vividas pela China, são estes os temas destes seis contos
escolhidos pelo autor.
Com um imenso talento, Gao Xingjian brinca com estas imagens, e
com a sua escrita, leva-nos, como se nada fosse, a entrar nos seus so-
nhos mais íntimos – quer sejam os do rapazinho que se tornou adulto, de
um jovem recém-casado perdido de amor ou de um nadador em risco de
vida... Sorrisos e lágrimas atravessam esta leitura, que nos deixa o belo e
suave sabor da emoção.
“Uma Cana de Pesca para o meu Avô”. In Wook. https://www.wook.pt/livro/uma-cana-de-pesca-para-
-o-meu-avo-gao-xingjian/15249235 [Consult. 2017-01-24]

Teatro

Strindberg, August (1849-1912)


A Menina Júlia
Júlia é uma jovem aristocrata que, por trás de uma inocência apa-
rente, esconde um lado provocador. Numa noite de S. João, Júlia seduz e
é seduzida por João, criado do senhor Conde e noivo de Cristina, a cozi-
nheira da casa. Desejo, conflitos de poder, o choque violento das classes
sociais e dos sexos que povoam aquela que será uma noite trágica.
“A Menina Júlia”. In Wook. https://www.wook.pt/livro/menina-julia-august-strindberg/2080839
[Consult. 2017-01-24]
fotocopiável