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TÉCNICAS DE COLETA E SEMEADURA

MEIOS DE CULTURA
Na natureza, os microrganismos encontram-se formando populações mistas (vários tipos de
microrganismos que pertencem a um mesmo habitat). No desenvolvimento da microbiologia, depende-se
da obtenção de biomassa microbiana na forma de populações puras, que quando desenvolvidas em meios
de cultura denominam-se culturas puras ou axênicas (populações homogêneas quanto ao tipo de
microrganismo, cultivados em meios de cultura sem a presença de outras formas de vida contaminantes).
A obtenção de uma cultura pura a partir de uma cultura mista denomina-se isolamento, conseguido
através da semeadura dos microrganismos na superfície de meios de cultura sólidos em placas de Petri, o
que permitirá a formação de colônias (que são populações isoladas que crescem na superfície destes
meios).
Como todos os seres vivos, os microrganismos necessitam de nutrientes apropriados ao seu
desenvolvimento, assim como condições físicas ou ambientais favoráveis. Quando cultivados em
laboratório, estas necessidades são respeitadas. O ciclo artificial (meio de cultura) é o modo que
empregamos em laboratório para cultivarmos os microrganismos, sendo o conjunto de substâncias
necessárias ao crescimento dos microrganismos.
No meio de cultura tenta-se reproduzir as condições naturais favorecendo:
Substâncias nutritivas que devem servir como:
 Fonte de: carbono, nitrogênio, fósforo, enxofre, sais e íons;
 Fatores de crescimento;
 Agentes redutores e oxidantes.

Condições ambientais favoráveis:


 Temperatura
 Psicrófilos: 0 a 20º C
 Mesófilos: 20 a 45º C
 Termófilos: 45 a 90º C
 Atmosfera de incubação
 Aeróbios: 21% de oxigênio
 Microaeróbios: 1 a 15% de oxigênio
 Anaeróbios: ausência de oxigênio
 pH
 Acidófilas: 0,1 a 5,4
 Neutrófilas: 5,5 a 8,5
 Alcalófilas: 7 a 11,5
 Pressão osmótica
 Meio hipertônico: as bactérias perdem água e sofrem plasmólise ou enrugamento da célula
 Meio isotônico: concentrações iguais (recomendado)
 Meio hipotônico: as células ganham água e sofrem lise celular
 Luz
 Fotossintetizantes: precisam de luz
 Fotóbicas: inibidas pela luz
 Indiferentes

Tipos de meios de cultura em relação à consistência:


 Forma líquida: utilizados para crescimento em massa; não utiliza ágar.
 Forma sólida: propiciam a formação de colônias; ideal para a realização de isolamento de colônias;
utiliza ágar como agente solidificante em concentração de 1,5 a 2%.
 Forma semissólida: para verificação de motilidade; utiliza ágar como agente solidificante em
concentração de 0,5 a 1%.

Preparo de meio de cultura:


Inoculação, depois incubação em temperatura adequada. O crescimento microbiano significa o
desenvolvimento da população, que pode ser evidenciado, sob a forma de: turvação quando cultivados em
meio líquido e formação de colônias bacteriana quando em meio sólido/semissólido.

Quanto à função, os meios de cultura podem ser divididos em meios: de transporte, de triagem,
enriquecidos, complexos, seletivos, indicadores, seletivos indicadores, redutores e quimicamente
definidos.
Conceitos importantes:
- Isolamento de um microrganismo: O isolamento consiste na obtenção de uma cultura pura (colônias
isoladas de um único microrganismo, separando-o de outros que se encontram no mesmo material).
- Finalidades do isolamento: Identificação de um microrganismo. A simples observação de caracteres
morfológicos não é suficiente para a identificação e classificação dos microrganismos. Para isto, são
avaliadas várias características como: características bioquímicas, sorológicas, de patogenicidade etc. O
estudo destas características está na dependência do microrganismo que se pretende identificar.
- Semeadura: Consiste na inoculação ou plantio de um microrganismo em um meio de cultura, a partir de
um material contaminado qualquer.
- Repique: Consiste na transferência de um microrganismo de um meio de cultura para outro,
considerando-se o esgotamento nutricional e acúmulo de metabólitos tóxicos no meio, considerando-se a
dinâmica de crescimento bacteriano em sistema fechado.

BACTÉRIAS
MORFOLOGIA
As bactérias apresentam morfologia simplificada, sendo elas: cocos, bacilos e espiralados, ou em formas
especiais, quadradas e estreladas.
Os cocos são estruturas esféricas, agrupados em arranjos característicos: diplococos, estreptococos,
tétrade, sarcina e estafilococos.
Os bacilos são em forma de bastonetes, apresentam apenas um plano de divisão, agrupados em:
diplobacilo e estreptobacilo.
Os espiralados compreendem: vibrião, espirilo e espiroquetas.

CITOLOGIA
A parede celular é variável em sua composição química, o que determina a divisão de grupos de bactérias
em gram positivas, gram negativas e BAAR (bacilo álcool resistente).
 Gram positivas: parede celular com camadas espessas de peptideoglicano (mureína)
- coloração de gram: ao ser corada e depois de aplicado o solvente de álcool, a gram positiva
permanece corada em violeta pois sua espessa camada retém o corante violeta de genciana;

 Gram negativas: parede celular com uma fina camada de peptideoglicano e membrana externa de
lipopolisacarídeo (LPS)
- coloração gram: o álcool dissolve o LPS e o corante sai, deixando-a descorada e posteriormente
é corada com fucsina, permitindo a diferenciação.

FUNGOS
MORFOLOGIA
Fungo leveduriforme: unicelular, com células esféricas, blastósporos, pseudo-hifas e clamidósporos.
- colônia: úmida ou leitosa

Fungo filamentoso: multicelular, constituído por estrutura vegetativa (hifas).


- colônia: algodonosa (cotonosa), seca, forma de pó e coloridas

1. Caracterizar os principais meios de cultura necessários para o crescimento bacteriano e fúngico


(principais substâncias nutritivas utilizadas em cada meio e sua consistência).
2. Caracterizar as condições favoráveis ao desenvolvimento das bactérias e fungos em meios de cultura.
3. Determinar as principais formas de identificação das bactérias e fungos além das suas características
morfológicas (bioquímicas, sorológicas, patogenicidade).
4. Caracterizar os principais sítios de ação dos antibióticos.

http://portal.virtual.ufpb.br/biologia/novo_site/Biblioteca/Livro_4/6-Biologia_de_Microrganismos.pdf