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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE SANTA CRUZ

UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL


LICENCIATURA EM LETRAS VERNÁCULAS – EAD
DISCIPLINA: LETRAMENTOS DIGITAIS E EAD – 2020.1
DOCENTE: PROFª DRª LÚCIA TRINDADE
DISCENTE: HAÍSA WILSON LIMA CRUZ

ATIVIDADE À DISTÂNCIA 02
Letramento digital: concepção, desafios, perspectivas e relações

Podemos entender por “letramento digital” a capacidade que uma pessoa tem
de interagir através de um aparato tecnológico digital, a exemplo de computadores e
celulares com acesso à internet, entre outros meios de comunicação. Esse
letramento diz respeito não somente às interações sociais, mas também ao seu uso
para diversas finalidades, tais como o seu uso para a educação. Neste aspecto
específico, o sujeito digitalmente letrado tem, nos dias atuais, inevitavelmente, seu
processo de educação e aquisição do conhecimento inteiramente permeado pelo
uso das tecnologias da informação e comunicação (TICs), seja para o acesso a essa
informação, seja para a produção de novos conhecimentos.
No entanto, mesmo sendo a era contemporânea marcada pelo massivo
acesso à cibercultura, uma grande parcela da população mundial ainda não tem
condições materiais para possuir dispositivos como computadores e smartphones.
Essa problemática nos leva a pensar na chamada “inclusão digital”. Bonilla e Souza
(2009), citam Guerreiro (2006) para relacionar a inclusão digital à “inclusão social”,
entendendo que o acesso às tecnologias digitais perpassa pelas questões de classe,
uma vez que, para ter acesso a determinados bens materiais, na sociedade
capitalista de classes, é necessário que uma pessoa tenha condições materiais para
consumi-los. No entanto, a estratificação das camadas sociais determinada pela
exploração da classe trabalhadora impõe diversas barreiras para que haja uma total
inclusão social dos sujeitos neste sistema. Ou seja: sem inclusão social, dificilmente
haverá letramento digital.
Diante dessa conjuntura de “exclusão social” e, portanto, de exclusão digital
de uma grande parcela da população global, considerar o letramento digital como
algo tangível em todas as realidades sociais é problemático. As TICs alteraram em
vários níveis a forma como se constrói a educação formal nos dias de hoje,
produzindo sujeitos educandos que se tornam cada vez mais protagonistas dos
processos de ensino e aprendizagem. No entanto, se as novas metodologias de
educação são interdependentes das tecnologias, ao pensarmos a conjuntura da
exclusão social, nos deparamos com um problema estrutural. Dessa forma a
estrutura de educação formal na qual o educador é o centro do processo educativo,
e não o aluno, ainda predomina em diversas nações.
Diante dessas problemáticas, fica evidente que o provimento de letramento
digital de forma igualitária e global perpassa pelas soluções necessárias à exclusão
social em suas formas mais básicas. Pensar políticas públicas para a inclusão social
e para a digitalização da educação requer, antes de tudo, uma grande mudança na
forma como a sociedade funciona em seu nível econômico – o que significa que é
necessário que a desigualdade social seja amenizada (e, se possível, sanada) para
que o letramento digital chegue de fato a todos os sujeitos da nossa sociedade.