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GÊNERO EM ARQUITETURA E URBANISMO:

BREVE ESTADO DA ARTE E EXPERIÊNCIAS RECENTES DO NÚCLEO


DE ESTUDOS EM ESPAÇO E GÊNERO (NEG/UFPE)
Lívia Morais Nóbrega
Docente do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE),
Coordenadora do coletivo Núcleo de Estudos em Espaço e Gênero (NEG), Coordenadora do Laboratório da Imagem
em Arquitetura e Urbanismo (LIAU/UFPE), livia.nobrega@ufpe.br

Resumo: No âmbito internacional, questões de gênero vem sendo introduzidas nos campo da
arquitetura e urbanismo há algumas décadas (HAYDEN, 1982; COLOMINA, 1992; BETSKY,
1997; RENDELL, J; PENNER, B; BORDEN, I, 1999). No Brasil, este tema também vem sendo
discutido e pesquisado desde a mesma época, porém em outros campos disciplinares, como nas
ciências sociais, econômicas, políticas, antropologia, história e, em especial, no que ficou conhecido
como geografia feminista (MASSEY, 1994). A maior parte destes estudos teve como enfoque
inicial as teorias feministas, com ênfase na relação entre mulher e espaço doméstico (HAYDEN,
1982; COLOMINA, 1992). Posteriormente, este campo é ampliado, em parte por influência da
teoria queer (BUTLER, 1990, 1993; PRECIADO, 2002), para uma perspectiva mais ampla de
gênero e dos temas que este envolve. No campo da arquitetura e urbanismo especificamente, estas
iniciativas ainda são limitadas, visto que boa parte das publicações é em outros idiomas e de difícil
acesso, e as raras edições que possuem traduções são compêndios de textos (NESBITT, 2006;
RUBINO, GRINOVER, 2009; MONTANER, MUXI, 2014). Diante deste panorama, o propósito
deste artigo é: fazer um breve estado da arte da literatura existente sobre gênero no campo da
arquitetura e urbanismo; discorrer sobre as experiências recentes promovidas pelo Núcleo de
Estudos em Espaço e Gênero (NEG), um coletivo composto por discentes e docentes de graduação
e pós-graduação da área de arquitetura e urbanismo da Universidade Federal de Pernambuco
(UFPE), como forma de apresentar os principais trabalhos sobre o tema desenvolvidos e em
desenvolvimento na instituição; e, por fim, com base nos pontos anteriores, identificar e discutir
desafios e potencialidades no ensino e pesquisa de gênero no campo da Arquitetura e Urbanismo.

Palavras-chave: Arquitetura, ensino, gênero, pesquisa, urbanismo.

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1. Introdução: breve estado da arte sobre gênero na arquitetura e urbanismo

No campo da arquitetura e urbanismo Nos dias atuais, o arquiteto e urbanista


questões de gênero vem sendo introduzidas à dinarmarquês Jan Gehl, em seu livro Cidades
disciplina, pelo menos, desde os anos 1960. para Pessoas (2013) retoma várias das ideias
Neste sentido, toma-se a paradigmática propostas por Jacobs ao enfatizar a
publicação da escritora e ativista urbana importância de se voltar a arquitetura e o
norte-americana Jane Jacobs, Death and Life planejamento urbano para as necessidades
of Great American Cities, em português humanas, sejam elas funcionais, estéticas,
Morte e Vida das Grandes Cidades (1961), sensitivas e psicológicas, e afirma que “para
como marco inicial deste processo. ser um bom arquiteto você tem que ter amor
No livro, a autora, faz uma série de críticas pelas pessoas, porque a arquitetura é uma arte
aos princípios que norteavam o urbanismo aplicada e lida com a moldura da vida das
moderno e o processo de renovação dos pessoas” (GEHL, 2013, p. 229).
centros urbanos na altura ao analisar o Neste intervalo de tempo, que vai de Jacobs à
sucesso e o fracasso de certas cidades dos Gehl, segunda metade do século XX, pode-se
Estados Unidos. Apesar de não advogar destacar alguns autores que buscaram
explicitamente em favor de uma teoria de compreender e incluir a visão social no campo
gênero para a arquitetura e urbanismo, a da arquitetura e urbanismo a partir de uma
autora chama a atenção para a importância do perspectiva de gênero e sexualidade.
fator diversidade, sobretudo de pessoas, como Inicialmente, boa parte destas publicações se
componente essencial para um processo debruçaram sobre a questão da mulher,
participativo e inclusivo de construção e influenciadas pelas já consolidadas teorias
desenvolvimento das cidades. feministas. Neste sentido, tem-se estudos que
Na parte 2 de seu livro, Condições para a tratam do entendimento da relação existente
diversidade urbana, a autora ressalta quatro entre mulheres e a esfera doméstica e entre
condições indispensáveis para gerar homens e esfera pública.
diversidade em ruas e distritos, sendo elas: (1) Destaca-se o livro Grand Domestic
variedade de usos e funções em um bairro; (2) Revolution: History of Feminist Designs for
quadras curtas, permeáveis e caminháveis, American Homes, Neighborhoods and Cities
com esquinas frequentes; (3) edifícios de (HAYDEN, 1982), que apresenta um grupo
diferentes idades, tamanhos e estados de de feministas norte-americanas que lutaram
conservação, para permitir rentabilidade contra o isolamento das mulheres no lar e o
econômica variada; (4) alta densidade de confinamento à vida doméstica por
pessoas com propósitos distintos. entenderem que esta prática é uma das bases
Estes quatro fatores, segundo Jacobs, são para sua condição desigualdade na sociedade.
obrigatórios para criar combinações de usos Estas mulheres lutaram pela divisão
economicamente eficazes, cidades igualitária do trabalho doméstico e dos
morfologicamente adaptadas para pedestres e, cuidados com as crianças, o que para Hayden
consequentemente, fomentar a diversidade de significava uma revolução no lar americano e
pessoas que utilizam estes espaços e consequentemente, nos bairros e nas cidades,
promover cidades mais justas e igualitárias. a partir das novas necessidades habitacionais
e de oferta de serviços comunitários. Hayden

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reexamina os argumentos colocados pelas colaboradoras, como forma de gerar novos


mulheres e como estes poderiam transformar conhecimentos.2
ambiental e economicamente os bairros Outros estudos, ainda sobre a questão da
americanos e identifica uma série de mulher, extrapolam a temática de gênero e
contradições econômicas e espaciais das adentram pelo universo da sexualidade.
formas ultrapassadas de habitação e da oferta Sexuality & Space (1992), de Beatriz
inadequada de serviços comunitários que Colomina, insere análises a partir do viés da
alimentam as mulheres e suas famílias. sexualidade em outras preocupações
Também sobre mulheres e arquitetura, o livro interdisciplinares já existentes, como, por
Women and the Making of the Modern House: exemplo, a questão de Adolf Loos e o
A Social and Architectural History (1998), de “indivíduo metropolitano” e Semper e a
Alice T. Friedman, reconta a história de seis história da arte do século XIX. O livro
casas icônicas do movimento moderno a aproxima a teoria da arquitetura dos estudos
partir do entendimento de suas proprietárias, feministas ao trazer teóricas invisibilizadas no
todas mulheres com constituições familiares, discurso e na prática arquitetônica e ao
posturas e pensamentos atípicos para a época, fomentar uma troca interdisciplinar onde
e mostra a relação, por vezes conflituosa, teorias da arquitetura são relidas nos termos
destas com seus arquitetos e a interferência da sexualidade e vice versa.
destes fatores no projeto das residências. Mais recentemente tem-se um processo de
Sobre isso, Friedman afirma que: “a ampliação do conceito de gênero, para além
experiência arquitetônica não é simplesmente da ênfase na mulher, como um campo de
física e estética mas também cultural, e é entendimento da arquitetura e urbanismo.
através do corpo culturalmente construído que Neste sentido, o compêndio de textos
a mente e o espírito de um indivíduo são intitulado Gender Space Architecture: An
alcançados. É por esta razão que o gênero interdisciplinar introduction (RENDELL, J;
importa para a concepção arquitetônica, e é PENNER, B; BORDEN, I, 1999) promove
por isso que casas construídas para mulheres uma introdução abrangente e um
que desafiaram as convenções nos ensinam enquadramento nítido da questão. O livro
importantes lições sobre o poder da divide-se em três partes, onde cada uma dela
arquitetura” (FRIEDMAN, 1998).1 traz um conjunto de textos acerca dos temas:
O livro fornece um novo olhar e traz (1) Gênero; (2) Gênero e Espaço; (3) Gênero,
informações inéditas sobre obras já bastante espaço e arquitetura. Os ensaios vão desde
conhecidas do movimento moderno. Além textos teóricos e multidisciplinares até
disso, pode-se destacar também como considerações diretas sobre a relação entre
mensagem da publicação a necessidade de se gênero e projetos e teorias arquitetônicas,
rever e história da arquitetura incluindo outras criando terreno para futuras investigações.
personagens até então invisibilizadas, dentre A primeira parte introduz a questão de gênero
proprietárias, arquitetas, artistas e outras a partir de ensaios de autores de áreas

2
Mais sobre este assunto, em: LIMA, A. Revendo a
História da Arquitetura: Uma Perspectiva Feminista.
<http://www2.faced.ufu.br/colubhe06/anais/arquivos/1
33AnaGabrielaGodinhoLima.pdf>. Acesso em: 1 de
1
Tradução livre da autora. maio de 2016.

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distintas que são referência sobre o tema, Em Making the Invisible Visible
como Virginia Woolf, Simone de Beauvoir e (SANDERCOCK, 1998), atores, práticas e
Judith Butler. A segunda parte faz o link entre agendas até então pouco ou nada conhecidos e
gênero e espaço, destacando espaços de estudados pelo viés do planejamento urbano e
trabalho, espaços públicos e espaços da preservação são reunidos numa série de
comerciais. E a terceira parte conclui o ensaios que estabelecem uma base para um
argumento principal do livro ao integrar novo paradigma de planejamento alternativo
gênero, espaço e arquitetura, com ensaios de para as cidades multiculturais. Queer Sites
Denise Scott Brown, sobre o sexismo no star (HIGGS, 1999) conta a história da evolução
system da arquitetura, Beatriz Colomina e a já dos espaços gays nas maiores cidades do
citada Alice Friedman. mundo, como Londres, Amsterdam, Rio de
A ampliação do campo de estudos a partir Janeiro, Paris, São Francisco, Lisboa e
ampliação do conceito de gênero se dá com Moscou, através de análises interdisciplinares,
mais ênfase a partir dos anos 1990, como ecos concentrando-se na importância dos espaços
da teoria queer (BUTLER, 1990, 1993; de encontro e buscando compreender o grau
PRECIADO, 2002), que tem origem em de coletividade social sentido por estes
meados da década de 1980 nos Estados indivíduos nestes espaços.
Unidos e que, em linhas gerais, afirma que a No Brasil, este tema também vem sendo
orientação sexual e a identidade sexual e de discutido já há algumas décadas, em outros
gênero dos indivíduos são construções campos disciplinares, como na geografia e nas
sociais, não existindo papéis sexuais ciências sociais, econômicas, políticas,
essenciais ou biologicamente inscritos na antropológicas e históricas. Neste sentido,
natureza humana. pode-se destacar a revista Cadernos Pagu,
O livro Queers in Space: Communities, lançada em 1993, com edição semestral e
Public Places, Sites of Resistance (INGRAM, interdisciplinar, criada pelos integrantes do
BOUTHILETTE, RETTER, 1997) explora as Núcleo de Estudos de Gênero – Pagu, com o
interações entre a identidade, experiência e objetivo de ampliar a visibilidade do tema,
ativismos queer e uma série de espaços difundir e estimular a produção de
coletivos e públicos, desde o México aos conhecimento na área. Embora arquitetura e
Estados Unidos, como bares, igrejas, parques, urbanismo não sejam áreas de interesse da
praças, vizinhanças e cidades, e questiona o revista, o periódico tem contribuído para a
papel social na construção de identidades, o “ampliação e consolidação do campo de
significado de espaços comuns para estudos de gênero no Brasil, através da
populações marginalizadas e a importância de veiculação de resultados de pesquisas inéditas
espaços públicos para a visibilidade social. De e de textos ainda não traduzidos no país”.3
temática semelhante, Queer Space (BETSKY, Nos anos 2000 são editados os primeiros
1997) analisa como a população gay tem livros em português que tratam do assunto no
criado uma arquitetura completamente nova, a campo da arquitetura. O compêndio de textos
partir da ocupação de vizinhanças de Kate Nesbitt, Theorizing a New Agenda for
abandonadas, da redefinição de espaços Architecture (1996) traduzido para português
urbanos e criando interiores libertadores longe
3
dos ambientes hostis das cidades modernas. Por Núcleo de Estudos de Gênero Pagu. Disponível
em: <http://www.pagu.unicamp.br/en/cadernos-pagu>.
Acesso em 1 de maio de 2016.

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em 2006, teve grande impacto nos estudos de naturalizada brasileira Lina Bo Bardi,
teoria da arquitetura no Brasil de um modo expoente máximo dentre as profissionais
geral. O livro, estruturado em 14 capítulos mulheres na arquitetura moderna brasileira,
que tentam dar conta dos principais escritos que atuou no Brasil sobretudo entre os anos
da arquitetura sobre temas variados, que vão 50 e 90. Através dos textos, o livro busca
desde o início da segunda metade do século passar a ideia de que “ser arquiteta era,
XX até os anos 90, traz um capítulo intitulado finalmente, tudo isso: o que ela falou,
“Feminismo, gênero e o problema do corpo”. escreveu, desenhou, projetou, imaginou,
O capítulo é composto por três ensaios, de realizou. [...] A realização plena dos preceitos
Bernard Tschumi, Diana Agrest e Peter das vanguardas europeias, só que nos trópicos
Eisenman. Em “O prazer da arquitetura”, de e no feminino” (RUBINO, 2009, p. 38).
Tschumi (1977), ressalta a preocupação com a Por fim, outra publicação que também não
exclusão do corpo e de sua experiência dos trata especificamente de questões de gênero,
discursos sobre a lógica da forma. O texto mas sim do espaço da arquitetura na política e
explora as ideias de transgressão, limite, da responsabilidade dos arquitetos para com a
desejo, sedução e excesso das regras da sociedade, o livro Arquitetura e Política:
arquitetura ao discorrer em favor da Ensaios para Mundos Alternativos, de Josep
necessidade da inutilidade e relacionar a Maria Montaner e Zaida Muxí (2014),
experimentação do espaço com o deleite apresenta alguns ensaios estruturados cinco
sexual para uma arquitetura do prazer. capítulos (Histórias, Mundos, Metrópoles,
Já o texto “À margem da arquitetura: corpo, Vulnerabilidades e Alternativas), traçando um
lógica e sexo”, de Diana Agrest (1988), percurso histórico do papel social dos
ressalta a repressão do corpo da mulher na arquitetos e urbanistas até os dias atuais.
tradição arquitetônica ocidental, visto que os Dentre outros temas sociais como vida
modelos apropriados de onde derivam as comunitária, participação popular e
medidas (pé e cúbito, por exemplo) das sustentabilidade, o livro toca em questões de
teorias e tratados de arquitetura são todas de igualdade de gênero, ressaltando
corpos masculinos, como em Vitrúvio e vulnerabilidades e elucidando alternativas.
Alberti. Já ao corpo feminino foi destinado o Ainda em sua introdução, ressalta a
papel de locus da reprodução e da diversidade, assim como Jacobs, como
criatividade. Com isso, Agrest busca reabilitar “premissa nova em um mundo de múltiplas
o papel do corpo feminino na arquitetura, culturas, origens, etnias, crenças e escolhas,
apoiando-se em outras disciplinas e autores, algo que é sinônimo de complexidade e que
como Freud, Kristeva, Barthes e Derrida. se enfrenta com conceitos canônicos como
Apesar de não discutir propriamente questões unidade e identidade. Partimos de uma
de gênero, o livro Lina por Escrito: Textos diversidade básica entre homens e mulheres,
Escolhidos de Lina Bo Bardi (2009), de que deve ser evidenciada sem, contudo,
Silvana Rubino e Marina Grinover, não pode significar desigualdade nem submissão, e
deixar de ser citado como uma publicação de tampouco que um englobe o outro”
referência, visto que é uma das poucas dentre (MONTANER, MUXI, 2014, p. 18).
as brasileiras que trata especificamente do No capítulo Histórias, o subcapítulo “A ação
pensamento e trabalho de uma arquiteta. O política a partir da arquitetura” destaca as
livro reúne 35 textos da arquiteta italiana principais contribuições no campo da política

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realizadas por arquitetos e arquitetas, dentre gênero”, que traz os textos “Nomear a cidade
elas a austríaca Margarete Schüte-Luhotzky no feminino” e “Breve resenha das
(1897-2000), que integrou a equipe de Adolf colaborações de mulheres ao pensamento
Loos, e o trabalho da brasileira Carmen urbano”. Num destes textos, a passagem a
Portinho, esposa do arquiteto Affonso Reidy, seguir sintetiza a abordagem proposta pelo
e responsável dentre outras coisas pela livro: “o desafio consiste em construir um
construção de extensos conjuntos espaço sem gênero nem ordem patriarcal;
habitacionais (Gávea e Pedregulho e cuja portanto, um espaço sem hierarquias,
visão de cidade foi capaz de introduzir novos horizontal, um espaço que evidencie as
conceitos de habitação social no Brasil diferenças, e não as desigualdades, um espaço
(HAMAD, LIMA, 2016). de todos e de todas em igualdade de valoração
Já em Alternativas, destaca-se o subcapítulo de olhares, saberes e experiências”
“A cidade próxima: o urbanismo sem (MONTANER, MUXI, 2011, p. 156).

2. Experiências recentes do Núcleo de Estudos em Espaço e Gênero (NEG)

Este breve panorama sobre algumas das formado por estudantes de graduação e pós-
principais publicações de gênero na graduação (mestrado), sob a minha
arquitetura e urbanismo foi identificado a coordenação, que passou a se reunir
partir da necessidade de orientação dos quinzenalmente, ao abrigo das instalações do
primeiros trabalhos de conclusão no curso de Laboratório da Imagem em Arquitetura e
graduação em arquitetura e Urbanismo da Urbanismo (LIAU/UFPE), para debater os
Universidade Federal de Pernambuco. textos encontrados, os avanços das pesquisas
Com enfoques e objetos distintos, e também e pensar em eventos e ações para discutir e
inclusas neste cenário pesquisas de pós- difundir o tema.
graduação, os trabalhos partilham algumas É então criado o NEG, Núcleo de Estudos em
dificuldades em comum para o seu Espaço e Gênero, um coletivo que hoje conta
desenvolvimento: a ausência de abordagem com a colaboração de outros alunos de
do tema no ensino da graduação e da pós- graduação, professores e pesquisadores além
graduação e uma resistência da academia em dos já referidos, que trabalham com o tema,
lidar com a temática; a escassa literatura em os quais foram identificados e envolvidos
português sobre o assunto e o difícil acesso à sobretudo a partir da realização de dois
bibliografia existente, mesmo aquelas em eventos promovidos pelo NEG:
outros idiomas; e o fato de serem os primeiros Espacializando Gênero: I Seminário de
trabalhos sobre o tema na instituição. Pesquisa do NEG, realizado em dezembro de
Diante deste cenário, os alunos de graduação 2015, e Mulheres e Arquitetura Moderna: II
começaram a se a reunir informalmente para Seminário de Pesquisa do NEG, que
compartilhar conhecimentos, debater ideias e aconteceu em março de 2016, ambos nas
trocar referências encontradas sobre o tema. instalações da UFPE.
Somaram-se a este grupo docentes e discentes Estes dois eventos funcionaram como base
de graduação e pós-graduação que também para: mapear os trabalhos desenvolvidos e em
estão envolvidos com a temática. Formou-se desenvolvimento na área; conectar um corpo
um corpo teórico significativo e consistente, de discentes e docentes que estão

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investigando e/ou tem interesse no tema e atividades permitiram mapear o que se tem
promover a troca de conhecimentos sobre o produzido sobre a temática de gênero na
assunto; identificar alguns desafios e arquitetura e urbanismo, em especial no curso
potencialidades no ensino e pesquisa de de Graduação em Arquitetura e Urbanismo e
gênero na arquitetura e urbanismo. no Programa de Pós-graduação em
A seguir, estão descritas as principais Desenvolvimento Urbano, da Universidade
atividades até então realizadas pelo NEG Federal de Pernambuco.
como forma de discorrer sobre como estas

2.1 Espacializando Gênero: I Seminário de Pesquisa do NEG


Em dezembro de 2015, ao fim de um semestre uma investigação empírica sobre os percursos
de atividades do NEG, foi realizado o evento de homens e mulheres pelo centro do Recife.
“Espacializando Gênero: I Seminário de Na mesma sessão, as estudantes Amanda
Pesquisa do Núcleo de Estudos em Espaço e Martinez Elvir e Odara Valença, apresentaram
Gênero (NEG)”, que aconteceu no Centro de
o andamento de suas pesquisas de mestrado e
Artes e Comunicação da Universidade de graduação respectivamente. A pesquisa de
Federal de Pernambuco (UFPE). O evento Amanda Martinez Elvir, orientada pela
teve como objetivo principal identificar professora Edvânia Torres e intitulada
trabalhos sobre o assunto na instituição, “Construção Social da Segregação:
mapear o estado atual das discussões na área e Mobilidade urbana e Gênero na comunidade
traçar perspectivas para estudos futuros, a do Coque”, estuda a estrutura da mobilidade
partir da apresentação de pesquisas em urbana da comunidade do Coque, em Recife,
campos disciplinares e estágios distintos. O e parte da hipótese de que esta se caracteriza
seminário foi dividido em duas sessões pela segregação urbana e pelas violências de
temáticas: (1) Mulheres e Espaço Público; (2) classe social, de gênero e raça/etnia referentes
Diversidade e Espacialidade, e uma mesa aos sistemas de mobilidade oferecidos à
redonda com ativistas e docentes. comunidade, com ênfase nas suas mulheres.
Na abertura do evento apresentei um breve (ELVIR, 2013)
resumo das principais publicações descritas Já o trabalho de graduação de Odara Valença,
anteriormente neste artigo. A primeira sessão desenvolvido sob minha orientação e
temática foi coordenada pela mestre em intitulado “As mulheres e o Espaço Urbano:
desenvolvimento urbano Lúcia Siqueira, que O olhar da comerciante informal para o centro
apresentou os resultados de sua dissertação de da cidade do Recife”, parte das seguintes
mestrado intitulada “Por onde andam as perguntas: Podemos falar de espaços sexistas?
mulheres: percursos e medos que limitam a O espaço se mostra diferente para homens e
experiência de mulheres no centro do Recife” mulheres? Quais são essas desigualdades e as
(SIQUEIRA, 2015). A pesquisa parte da consequências destas para mulheres? Para
hipótese de que a experiência do medo das respondê-las, o trabalho interpreta espaços
mulheres no espaço público é influenciada ocupados por vendedoras informais do centro
pela relação entre aspectos espaciais e sociais do Recife, escolhidas pelo contato intenso
do ambiente. Para compreender esta relação, a destas com a cidade, por uma questão de
pesquisa, além de montar arcabouço teórico classe e pela sua situação de vulnerabilidade,
nacional e internacional sobre o tema, realiza

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de modo a entender como estas desigualdades aspectos destes espaços favorecem a liberdade
de gênero conformam as nossas cidades. e diversidade sexual e de gênero no Recife. O
A sessão temática 2, Diversidade e trabalho “Invisibilidade Queer”, do aluno
Espacialidade, foi coordenada pela docente do Felipe Gonçalves, orientado pelo professor
departamento de Serviço Social e doutora Luiz Amorim, de temática semelhante, e
Fátima Lucena, que proferiu a conferência procura descobrir os atributos espaciais que
intitulada “A complexidade da questão de facilitam a ocupação de gays, lésbicas,
gênero na contemporaneidade: uma bissexuais, transexuais e travestis através de
abordagem sobre os chamados 14 sexos” análises morfológicas e da sintaxe espacial.
(LUCENA, GOUVEIA, 2015). A mesa redonda tratou da necessidade de se
Também na sessão 2 os graduandos Arthur discutir o tema na arquitetura e urbanismo
Liberato e Felipe Gonçalves apresentaram o bem como de fazer a ponte com outras
andamento de seus trabalhos. “Paisagem disciplinas, sendo composta por: membros de
LGBT: Onde o espírito do lugar permite a movimentos sociais, como o Coletivo
liberdade/diversidade sexual e de gênero no Feminista Diadorim e o grupo de bicicleteiros
BiciQueer; a Diretoria LGBT, representada
Recife”, de Arthur Liberato Pereira, orientado
pela professora Ana Rita Sá Carneiro, busca pela diretora Luciana Vieira, bem como de
entender os espaços ocupados pela população docentes do curso de arquitetura e urbanismo,
LGBT à luz das teorias do espírito do lugar, serviço social, psicologia e artes cênicas da
partindo da premissa de que determinados UFPE.

2.2 Mulheres e Arquitetura Moderna: II Seminário de Pesquisa do NEG


O seminário “Mulheres e Arquitetura sobre a persistência das desigualdades de
Moderna” foi realizado em março de 2016 no gênero na profissão da arquitetura nos dias
âmbito das atividades promovidas pelo NEG atuais5, em especial em relação à quantidade
pelo Dia Internacional da Mulher e das de profissionais no mercado e as diferenças
atividades que antecederam a realização do salariais, e que também continha uma resenha
11o Seminário DOCOMOMO Brasil.4 do livro Women and the Making of the
O principal objetivo do evento foi discutir as Modern House, já citado anteriormente, como
colaborações de mulheres na arquitetura forma de compreender como estas
moderna a partir da exposição de trabalhos desigualdades são percebidas desde o período
concluídos ou em desenvolvimento sobre o moderno.
tema. Na primeira sessão apresentei a A seguir foi apresentado o “Inventário Janete
comunicação “Mulheres, arquitetura e Costa”, por Gisele Carvalho, uma das
Movimento Moderno”, com dados mundiais integrantes da equipe responsável pelo
projeto. O inventário reuniu plantas, fotos,

4
O Seminário DOCOMOMO Brasil deste ano, do qual
5
fiz parte da comissão organizadora, ocorreu de 17 a 22 Tais como: Censo do Conselho de Arquitetura e
de abril de 2016, na Cidade do Recife, e teve como Urbanismo do Brasil CAU/BR em 2012; Censo do
tema “O Campo Ampliado do Movimento Moderno”, o Architects’ Counsil of Europe de 2014; Relatório
que incluiu a publicação de dois trabalhos que trataram NCARB by the numbers, do Nacional Council of
sobre questões de gênero e arquitetura moderna, Architectural Registration Boards, de 2014; todos estes
citados nas referências deste artigo. referenciados no fim deste artigo.

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maquetes, revistas, slides, documentos e arquitetura e questionam o protagonismo


vídeos da arquiteta Janete Costa (1932-2008), masculino ao longo desta.
um dos maiores nomes de mulheres na A seguir, o trabalho “A expressão do
arquitetura brasileira e o mais conhecido do pensamento moderno de Lina Bo Bardi
Nordeste, “que contribuiu decisivamente nos através da escrita”, da mestranda em design
campos da arquitetura de interiores, design” Maria Izabel Cabral (2016), que se debruça
(MOREIRA, GÁTI, CARVALHO, sobre textos publicados entre 1940 e 1946 nas
OLIVEIRA, 2015). revistas Domus e Grazia em revistas italianas
Na segunda sessão temática foram para compreender o que compunha e como a
apresentados produtos de pós-graduação. O arquiteta expressava seu pensamento
trabalho “Quem casa quer casa: questões de moderno. Ambos os trabalhos foram
gênero nas casas de Lina e Janete”, da publicados nos Anais do 11o Seminário
doutoranda em Desenvolvimento Urbano DOCOMOMO Brasil.
Andréa Gáti, e que deriva de sua dissertação As principais impressões extraídas do evento
de mestrado e de sua atual pesquisa de foram as de que boa parte das desigualdades
doutorado (2014, 2016), questiona a trajetória
identificadas desde o período moderno
profissional das duas maiores expoentes da persistem, tanto na prática profissional quanto
arquitetura brasileira, em especial no que diz nos campos da história e teoria da arquitetura,
respeito as parcerias que estabeleceram com onde são ainda em bem menor número as
seus maridos-sócios, se inserindo no campo arquitetas estudadas nestas áreas.
dos trabalhos que recontam a história da

3. Desafios e potencialidades no ensino e pesquisa de gênero em Arquitetura e Urbanismo

Com base na revisão de algumas das Como mostrado anteriormente, a maior parte
principais publicações sobre o assunto nos da produção sobre gênero e sexualidade na
campos da arquitetura e urbanismo existente, arquitetura e urbanismo é de origem
feita na primeira parte deste artigo, e nas estrangeira e, além da barreira do idioma, há
experiências recentes promovidas pelo também a questão do acesso, físico e
coletivo Núcleo de Estudos em Espaço e financeiro, a estas publicações. Outro desafio,
Gênero (NEG), que permitiu identificar e que é também uma potencialidade, é o fato de
discorrer sobre os principais trabalhos que, no Brasil, esta é a primeira geração de
desenvolvidos e em desenvolvimento na área profissionais, docentes e pesquisadores
na UFPE, pode-se elencar a seguir alguns debruçados sobre o estudo do tema na
desafios e potencialidades no que diz respeito arquitetura e urbanismo. Ao passo em que
ao estudo e pesquisa do tema. isso gera uma certa resistência à abordagem
Quanto aos desafios, tem-se o fato de que as do tema no ensino e pesquisa, a perspectiva é
pesquisas sobre este tema na arquitetura e de que nos próximos anos, com a
urbanismo, sobretudo no Brasil, ainda são consolidação do debate e o surgimento de
recentes, o que faz também com que este seja mais publicações, o assunto seja incorporado
pouco abordado nas escolas de arquitetura do à pauta do ensino e pesquisa em arquitetura e
Brasil, tanto na pós-graduação como, e urbanismo. Outro desafio, sobretudo no que
principalmente, na graduação. diz respeito ao ensino e orientação de

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trabalhos de graduação sobre o tema, é a estudos no campo da paisagem, que busquem


necessidade de encontrar e concentrar as compreender os diversos atores que
referências, discussões e temas de trabalho contribuem para o seu processo de formação e
essencialmente no campo da arquitetura e como estes se apropriam da mesma
urbanismo. (BETSKY, 1997).
Outro aspecto que cabe ressaltar é o fato de No campo das potencialidades, tem-se,
que as discussões ainda estão muito centradas evidentemente, o amplo terreno para
no tema da mulher, o que desperta para a construção e ampliação de conhecimento na
necessidade de ampliar este debate, tanto no área. Estes estudos também fomentam e
que diz respeito à questões de gênero, possibilitam a promoção de debates urgentes
englobando a população LGBTT, como de sobre, por exemplo, igualdade e diversidade
contemplar suas interseccionalidades, como no âmbito acadêmico.
raça e classe. Por fim, cabe ressaltar a pertinência e
A amostra composta pela literatura revisada e necessidade se pensar o gênero na arquitetura
pelos trabalhos apresentados também permite e urbanismo, por exemplo, a partir da ótica
identificar alguns eixos, existentes e das mulheres, de modo a desenvolver uma
possíveis, de estudo de gênero e áreas afins na arquitetura e urbanismo para todos,
arquitetura e urbanismo: estudos de teoria e entendendo as diferenças para diminuir as
história da arquitetura, sobretudo no sentido desigualdades, a partir, por exemplo, de um
de recontar esta história incluindo novos planejamento urbano que “leve em conta
atores (FRIEDMAN, 1998); estudos no necessidades de transporte e segurança para
campo da morfologia da arquitetura, em mulheres [...] tornando a cidade mais segura e
especial aqueles que relacionam espaço e acessível para todos os grupos de pessoas.”
sociedade (HILLIER, HANSON, 1984); (FREITAS, 2016).

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