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Conceitos psicomotores funcionais: orientação espacial.

Aula - 5

Prof. Roberto Lins.


(Mestre em psicologia clínica).

Vocês já repararam que existem pessoas que vivem esbarrando em tudo


que encontra pela frente, em pessoas, objetos, e que possuem uma grande
dificuldade em medir mentalmente o espaço entre dois pontos? Qual seria a
possível causa desse comportamento desastroso? Excluindo algum problema
neurológico, podemos aventar a hipótese de que esta pessoa possui uma
alteração em sua organização espacial. A sua percepção em relação a posição
que se encontra o seu corpo no espaço não é exata. Não lhe confere a medida
correta, mentalmente, de seu corpo em relação aos outros objetos.
Vimos, quando estudamos a “imagem e o esquema corporal”, que essas
funções permitem que a pessoa se perceba em sua totalidade ocupando um
espaço definido em relação aos outros objetos que estão ambiente. De acordo
com Araújo; Mineiro; Kosely (1997), a orientação espacial é a capacidade que o
indivíduo tem de se situar em relação a um ponto fixo do ambiente ou então de
seu corpo. Ponto fixo

Unidade corporal
Lateralidade
Postura

Tônus muscular
Equilíbrio

Ponto fixo

A organização espacial não se ensina nem se aprende, se descobre com


a interação com o meio ambiente, com os estímulos que o ambiente fornece e
com o processo gradual da maturação do sistema nervoso central. É através do
corpo em movimento que a criança vai tomando consciência do espaço que
ocupa no ambiente, conseguindo medir mentalmente o diâmetro de seu corpo

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ao espaço que pode passar. Os estímulos sensoriais interpretados pelo cérebro
é que, de forma gradual, vão fornecer a noção de espaço para a criança. A
percepção de espaço também envolve o conceito de distância. O espaço deve
ser compreendido entre a distância do corpo-unidade em relação aos objetos
que o cercam.

Sentidos extereoceptivos, proprioceptivos e interoceptivos.

O nosso corpo está mergulhado numa teia de ramificações


nervosas que cumpre as funções de coletar os estímulos -
externos e internos ou visceral -, enviar em forma de
impulso nervoso para o Sistema Nervoso Central, para que
este interprete e forneça a resposta ao referido estímulo.

Os sentidos proprioceptivos são aqueles que coletam os estímulos


através dos receptores que se encontram nos músculos, ligamentos e tendões.
Os sentidos interoceptivos são aqueles que coletam os estímulos através do
receptores internos, a nível visceral. Os sentidos exteroceptivos são aqueles que
coletam os estímulos recebidos pelos receptores externos do indivíduo, ou seja,
pelos órgãos dos sentidos, gerando uma sensação a nível tátil, auditivo,
gustativo, olfativo ou visual.
Os três sistemas sensoriais estão envolvidos no processo de aquisição de
conhecimento e não se resume apenas ao conhecimento objetivo das coisas,
mas, sobretudo, ao conhecimento sobre o próprio indivíduo e das emoções que
vivencia.

O toque com frequência nas diversas partes do corpo do bebê proporciona


uma informação sensorial repleta de prazer que será sentida externa e
internamente, transformando-se em estímulo nervoso, que será enviado para o
cérebro e lá será organizado e percebido. É assim que vão se formando a
percepção de cada parte do corpo e depois dele em sua unidade. O
conhecimento registrado pelo cérebro das partes do corpo e de sua unidade vai
permitir que aos poucos a criança perceba a relação existente entre ela e as
coisas que estão no espaço. A percepção do corpo como uma unidade é de
suma importância para o desenvolvimento da organização espacial como de
outras funções, mas a forma como se dá o desenvolvimento da organização
espacial é de forma intuitiva a partir da exploração do meio ambiente que a
criança realiza.
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