Você está na página 1de 11

Souza MC

ARTIGO DE&REVISÃO
Gomes C

Neurociência e o déficit intelectual:


aportes para a ação pedagógica
Marlene Cabral de Souza; Claudia Gomes

RESUMO – Considera-se que alunos com déficit intelectuais, dentre os


quais destacamos alunos com síndrome de Down, necessitam de intervenções
metodológicas que lhes oportunizem o acesso ao conhecimento na escola.
Esses alunos em razão das limitações decorrentes de seu desenvolvimento
intelectual e cognitivo apontam particularidades quanto à aprendizagem, as
quais devem ser consideradas pelo professor. Nesse sentido, o objetivo deste
trabalho classificado como uma pesquisa bibliográfica, visa à compreensão
das contribuições que a Neurociência possui para a aprendizagem desse
público, em relação às dinâmicas e ações pedagógicas favorecedoras do
acesso, permanência e desenvolvimento escolar como fundamentado pelos
preceitos da educação inclusiva. As discussões visam avançar no debate
da formação e atuação docente com base no reconhecimento das bases
científicas cognitivas do aprendizado, e das facetas que compõem o cérebro
e suas conexões, e como esses elementos favorecem não só a elaboração
de estratégias que minimizem o impacto dos prejuízos decorrentes
dos quadros de déficit intelectual, mas acima de tudo posicionem os
docentes como agentes centrais no processo de mediação, ação esta que
deve ser contemplada com base na compreensão das particularidades e
potencialidades desses alunos, a luz dos avanços teóricos, científicos e
procedimentais sob os preceitos da neurociência.

UNITERMOS: Neurociência. Síndrome de Down. Educação de Pessoa


com Deficiência Intelectual. Inclusão Educacional.

Marlene Cabral de Souza – Pedagoga formada pela Correspondência


Universidade Federal de Alfenas, Alfenas, MG, Brasil. Claudia Gomes.
Claudia Gomes – Profa. Dra. do nstituto de Ciências Rua Tiradentes, 830 – Centro – Alfenas, MG, Brasil –
Humanas e Letras (ICHL), Universidade Federal de CEP 37130-000
Alfenas, Alfenas, MG, Brasil. E-mail: cg.unifal@gmail.com.

Rev. Psicopedagogia 2015; 32(97): 104-14

104
Neurociência e o déficit intelectual: aportes para a ação pedagógica

INTRODUÇÃO Os amparos legais vêm possibilitando grada­


De um total de 191,5 milhões de habitantes, tivamente a inclusão de alunos com necessida-
o Brasil tem 2,6 milhões de brasileiros com dé- des educacionais especiais no ensino regular,
ficit intelectual1. Esse número é grande e ganha fato que pode ser constatado pelos dados apre-
destaque, principalmente, porque estamos na sentados no Censo da Educação Básica, reali-
era da inclusão e a política educacional tem sido zado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pes-
fortificante à causa da inclusão escolar. O núme- quisas Educacionais no ano de 20068, finalizado
ro de pessoas com essa deficiência aumentou e divulgado em 2008, que indica crescimento
se comparado aos dois milhões de pessoas no de 72,4% do número de matrículas realizadas
Censo de 2000. Precisa-se considerar que admi- em escolas regulares, o que, segundo análise,
tir alunos com deficiência na escola é um grande torna-se um favorável indicador para a inclusão
passo dado por uma sociedade que almeja ser escolar, mas que, no entanto, não garante que
mais justa, mais solidária e mais democrática e, o direito de permanência e desenvolvimento
sobretudo, inclusiva. Vale ressaltar que, apesar desses alunos no ensino regular esteja sendo
desse movimento de colocar todas as crianças resguardado, apenas com a consideração do
na escola, não se pretende aqui dizer que esta aumento de matrículas na rede regular.
se efetive, sabe-se dos percalços que a inclusão O que se percebe, é que o embate decorrente
enfrenta no país. da contradição entre o legalmente imposto e
Sendo assim, frente a uma parcela represen- divulgado (pelas legislações e regulamentos edu-
tativa em nossa sociedade, há de se esperar que cacionais) e o realmente possível (estruturação
muitas sejam as políticas públicas direcionadas às física, organizacional e humana das instituições
pessoas com necessidades especiais. Mas, dentre escolares) delimita e amordaça as propostas de
todas as esferas, parece ser as políticas intituladas inclusão escolar, ao empregar ações cada vez mais
de propostas de inclusão escolar, que vêm promo- descomprometidas, distantes das realidades so-
vendo discussões efetivas no cenário social2,3. ciais dos alunos, seus familiares e professores9-11.
As discussões quanto à proposta de inclusão Dentre as principais causas do distanciamento
permeiam o panorama escolar há décadas, mas entre a intenção e a realidade educacional em
foi a partir de 1994, que as questões proclama- nosso país12, podem ser destacados os seguintes
das ganharam foro mundial pela UNESCO, em pontos: a manutenção das formas hierarquiza-
documento intitulado Declaração Mundial de das e pouco democráticas das ações políticas
Salamanca4. Posteriormente, na América Latina, e interventivas, a desconsideração da história
documentos como a Declaração de Guatemala5 e daqueles que vivem o dia-a-dia da escola13-15; a
a Convenção Interamericana para a Eliminação implantação das ações sem a articulação com a
de Todas as Formas de Discriminação contra infraestrutura necessária; desconhecimento dos
Pessoas com Deficiência6 deram novo impulso sujeitos e agentes envolvidos das reais finalidades
às discussões sobre a inclusão escolar. das propostas implementadas16,17.
Já no plano nacional e, mais recentemente, as É na consideração desse novo contexto esco-
Diretrizes Nacionais para a Educação Especial lar, com a inclusão de todos os alunos, inclusive
na Educação Básica7, assim como a Resolução alunos com necessidades especiais, que atual-
Nacional de Educação Especial na perspectiva mente, as escolas vêm sendo desafiadas, efeti-
da Inclusão8, são exemplos legais e políticos vamente, uma vez que essa população de alu-
que amparam a temática da inclusão escolar, e nos, explicitamente, caracteriza-se por possuir
que buscam acima de tudo reestruturar as bases comprometimentos que afetam sua integridade,
organizacionais e pedagógicas das escolas para podendo trazer prejuízos à locomoção, à coorde-
que venham a possibilitar a inclusão e perma- nação de movimentos, à sua fala, à compreensão
nência de seus alunos. de informações, à orientação espacial ou à per-

Rev. Psicopedagogia 2015; 32(97): 104-14

105
Souza MC & Gomes C

cepção e ao contato com outras pessoas. Dentre crianças com déficit intelectual também são aco-
esses prejuízos destacam-se as deficiências lhidas e recebem respostas às suas necessidades
físicas, mentais, visuais e auditivas e, portanto, educacionais específicas.
exigem novos posicionamentos que reconstruam Sabendo-se que alunos com déficit intelec­tual
o discurso enraizado frente ao oferecimento de apresentam complicações em apropriar-se de
ações educativas dispensadas a eles8. conteúdos abstratos, faz-se necessário o emprego
Todavia, novos posicionamentos estão tra- de materiais pedagógicos concretos, estratégias
zendo e alcançando modificações importantes metodológicas que facilitem sua aprendizagem e
sobre essa questão. Quando associada à ação desenvolvam suas habilidades cognitivas.
educacional, a proposta inclusiva visa como Apesar da atual política educacional privile-
foco central de atenção, a aplicação de práticas giar a inclusão de alunos com necessidades edu-
de ensino-aprendizagem que abranja todo e cacionais especiais em turmas comuns, alunos
qualquer aluno, propondo, desenvolvimento a com déficit intelectual ainda são matriculados
partir de suas próprias potencialidades, e, acima em escolas especiais18.
de tudo, embasada no respeito e na valorização A partir da publicação da Política Nacional
das diferenças existentes entre as pessoas. de Educação Especial na Perspectiva da Educa-
A política educacional inclusiva tem como ção Inclusiva e das Diretrizes do Atendimento
propósito fundamental assumir e aceitar as di- Educacional Especializado na Educação Básica,
ferenças humanas, modernizando e evoluindo modalidade de Educação Especial, dados recen-
as práticas educacionais, para que possam ser tes do MEC apontam que dos 700.824 alunos
adaptadas a todas as necessidades dos alunos, matriculados na Educação Especial, 330.794
ao invés, de se adaptar a criança às ações pré- possuem déficit intelectual. Tendo como foco
-concebidas a respeito do ritmo e da natureza o aluno com Síndrome de Down que apresenta
do processo de aprendizagem. A democracia déficit intelectual.
da educação só pode ser refletida em sistemas O objetivo dessa lei é assegurar a inclusão
educacionais que apresentam como meta ofere- desses alunos na escola regular e para que se
cer qualidade de ensino a todos os seus alunos, cumpra essa lei são necessárias algumas mu-
indistintamente, não aplicando uma vertente danças na escola e nas práticas pedagógicas
exclusiva para os alunos com necessidades edu- do professor. São necessários conhecimentos
cacionais especiais, pois, não se trata de uma em outras áreas que ofereçam alternativas que
educação especial para tais, mas sim para toda contemplem a diversidade dos alunos. Nesse
a sua clientela. No entanto, exige, constante- sentido, devido aos avanços e descobertas da
mente, reformulações e novos posicionamentos, Neurociência, permite-se a compreensão de no-
motiva a modernização do ensino e, essencial- vas aprendizagens, assim ofertando subsídios
mente, o aperfeiçoamento das práticas docentes. para o ensino. A Neurociência inclui ciências
Torna-se, portanto, uma inovação que implica naturais que possuem princípios que buscam
atualização e reestruturação das condições edu- compreender a estrutura e o funcionamento
cacionais das escolas brasileiras10. cerebral, dessa forma apresenta a cientificidade
Assim como crianças que não possuem de- para se trabalhar com diferentes cérebros. Co-
ficiências têm seus direitos garantidos pela lei, nhecer o funcionamento cerebral desse alunado
também alunos com déficit intelectual devem ser é extremamente importante para uma prática
incluídos na escola, de modo que recebam a mes- pedagógica que funcione19.
ma educação e oportunidades que os demais. Com base nas considerações explanadas, este
A educação inclusiva proporciona aos alunos a estudo objetiva caracterizar as contribuições da
convivência com a diversidade, resultando uma Neurociência para a qualificação da mediação
escola acolhedora das diferenças. Acima de tudo, pedagógica para alunos com déficit intelectual.

Rev. Psicopedagogia 2015; 32(97): 104-14

106
Neurociência e o déficit intelectual: aportes para a ação pedagógica

A NEUROCIÊNCIA: AVANÇOS CIENTÍFI- regulação e integração dos movimentos e que o


COS NA COMPREENSÃO DO DESENVOL- tronco cerebral era importante para o controle
VIMENTO HUMANO das funções vitais, como respiração, batimento
No passado, o conhecimento do funciona- cardíaco, regulação da pressão.
mento cerebral e como o homem aprendia era Estudos posteriores em países como Alema-
uma curiosidade da humanidade. No entanto, nha, França e Inglaterra, utilizando estimulação
para uma melhor compreensão careciam de elétrica no córtex de primatas e cães, forneceram
equipamentos e técnicas, assim a concepção que uma prova de que havia uma localização precisa
se tinha era limitada pela falta de instrumentos das funções.
de pesquisa. Antes se acreditava que o cérebro Outro cientista Pierre Paul Broca (1860-1870)
não tinha funcionalidade para o homem, exem- estudou pacientes afásicos pós-morte que não
plo disto, são os egípcios que guardavam as falavam e identificou uma zona específica des-
vísceras para estudo e o cérebro era jogado fora. truída por neurossífilis. Após a morte de uma
Com a ciência moderna, houve a necessidade de pessoa doente que não falava, percebeu que
estudar o sistema nervoso e seus conhecimentos havia tido sífilis, e esta quando não tratada ata­
trouxeram um novo apontamento para diferentes cava o sistema nervoso, identificou esta área
áreas do saber como, por exemplo, medicina e que chamou de Broca, área que controla a fala.
educação20-22. O cérebro humano é um órgão complexo,
Alguns pesquisadores tentaram explicar como responsável por coordenar muitas informações
o cérebro funcionava. No século XVIII havia vindas dos sentidos, sistema imunológico e tam-
pouco conhecimento sobre o assunto, que era bém das emoções. Ele é o centro de controle do
baseado em hipóteses, a partir de experiências movimento, sono, fome, sede e quase todas as
em cadáveres de animais e seres humanos que atividades vitais necessárias à sobrevivência.
eram dissecados e observada uma série de es- Emoções, como o amor, o ódio, o medo, a ira,
truturas diferentes anatomicamente e, a partir de a alegria e a tristeza, também são controladas
então, pressupunham que se anatomicamente por esse órgão, que ainda recebe e interpreta
eram diferentes, a função deveria ser também os inúmeros sinais enviados pelo organismo
distinta. Sendo assim, não se conseguiam fazer e pelo ambiente. Alguns estudiosos também o
uma relação entre estrutura e função20-22. chamam de encéfalo sendo suas funções ligadas
O primeiro estudioso que fez considerações à capacidade cognitiva e afetiva do ser humano.
importantes a respeito do cérebro foi o médico e Possuem ventrículos que são diferentes câmaras
neuroanatomista Franz Joseph Gall (1758-1888), cheias de líquidos. Este é composto por dois he-
pioneiro em ilustrar as circunvoluções corticais. misférios justapostos e separados por um sulco e
A partir de seu estudo, houve avanços para cerebelo constituído por dois hemisférios direito
evidenciar o córtex cerebral e suas funções es- e esquerdo. Tronco encefálico é uma estrutura
pecíficas. Já o cientista francês Pierre Flourens contínua com a medula espinhal que se esconde
(1825) lutou para demonstrar que as teorias de por trás do cerebelo e por dentro do cérebro23.
Gall estavam equivocadas. Para tanto, por meio O córtex cerebral é a superfície do cérebro
de estudos com cérebros de coelhos e pombos enrugada cheia de sulcos, região que estão re-
conseguiu demonstrar que os hemisférios cere- presentadas as funções neurais e psíquicas mais
brais eram responsáveis pelas funções cognitivas complexas. Geralmente dividido em grandes
superiores, a fala que no caso dos animais era regiões denominadas lobos, seus nomes fazem
emissão de som, a visão, a orientação, movimen- referência aos ossos que os cobrem: o lombo
tos, conseguiu afirmar que esses hemisférios frontal, parietal, occipital, temporal19.
eram os responsáveis por essas ações. Provou Além desses lobos destaca-se também o lobo
também que o cerebelo era responsável pela insular, região mais interna do cérebro. Qualquer

Rev. Psicopedagogia 2015; 32(97): 104-14

107
Souza MC & Gomes C

lesão no cérebro pode afetar os lobos e causar A terminologia está no plural, pois, são mui-
sérias lesões e comprometimento gravíssimo tas neurociências, possuindo várias abordagens
das atividades. e existem muitos modos de classificá-las de-
Essas importantes regiões possuem funções pendendo do enfoque. Um jeito distinto de se
que nos ajudam compreender como são os pro- conceber a diversidade de metodologias para
cessos mentais que colaboram na aquisição, por se estudar o cérebro humano é – como proposto
exemplo, da aprendizagem, tão importante para por Lent – relacionar, em princípio os distintos
ações pedagógicas em sala de aula com alunos níveis anatômicos – funcionais que a biologia
com deficiência. utiliza para o estudo dos seres vivos23. Pode ser:
Esse órgão – que possui inúmeras funções – Neurociência Molecular (Neuroquímica ou Neu­
também tem cerca de cem bilhões de neurônios robiologia Molecular), que estuda as moléculas
como estruturas básicas para seu funcionamento funcionais do sistema nervoso; Neurociência
e suas atividades cerebrais se dá pela trans- Celular (Neurocitologia ou Neurobiologia) cujo
missão de sinais elétricos. Esses neurônios se objeto de estudo são as células do sistema ner-
adaptam e se modificam à medida que interagem voso, sua estrutura e função; Neurociência Sis-
com o meio ambiente, essa interação é realizada têmica estuda as células nervosas das diferentes
por meio dos cinco sentidos, portanto, são mu- regiões do sistema nervoso cuja função está re-
táveis, ou seja, possuem plasticidade, podendo lacionada à visão, à audição, etc.; Neurociência
modificar sua função24. comportamental estuda as estruturas neurais do
O sistema nervoso central reúne as estruturas comportamento humano e outros fenômenos e
neurais situadas dentro do crânio e da coluna a Neurociência cognitiva que lida com algumas
capacidades humanas, como, por exemplo, a
vertebral, sendo dividido em encéfalo e medula
linguagem, e memória humanas20.
espinhal. O encéfalo localiza-se no crânio e a
Assim sendo, são muitos os profissionais que
medula espinhal é a parte que continua a partir
estudam o cérebro humano, mas são os neurocien-
do encéfalo no interior do canal da coluna ver-
tistas que realizam pesquisa em Neurociência.
tebral. Ela é cilíndrica ou tubular, nela existe
Especialistas como médicos, psicólogos, enfer-
um canal cheio de líquido, apresenta funções
meiros e, também, educadores e pedagogos têm
motoras e sensitivas relacionadas ao controle
se interessado quanto às contribuições do sistema
do funcionamento do corpo. O encéfalo possui
nervoso para os processos de aprendizagem23.
forma irregular com dobraduras e saliências com
Para a educação, a Neurociência contribui
subdivisões.
no sentido que, para essa abordagem científica,
cada indivíduo é único, com um significado e
CONTRIBUIÇÕES DA NEUROCIÊNCIA identidade singular. As neurociências colabo-
PARA O PROCESSO EDUCACIONAL IN- ram no entendimento do cérebro humano para
CLUSIVO DE ALUNOS COM DÉFICITS saber como ele funciona e apontam mudanças
INTELECTUAIS em como ensiná-los25.
Neurociências é o estudo científico do siste­ Além do mais, as descobertas sobre a plas-
ma nervoso, cujo objetivo é investigar o seu fun- ticidade cerebral e a compreensão das funções
cionamento, sua estrutura, seu desenvolvimento mentais exercem influência sobre as práticas
e suas alterações, agregando suas diversas fun- educacionais, as ações pedagógicas em sala de
ções. Acrescentam-se ainda na sua definição, aula e direcionam ao professor novas formas de
as ciências naturais que estudam princípios ensino.
que descrevem a estrutura e atividades neu- Estudos recentes vêm sendo realizados nas
rais, buscando a compreensão dos fenômenos áreas de Neurociências, a fim de demonstrar
observados. como o cérebro aprende, e os resultados quando

Rev. Psicopedagogia 2015; 32(97): 104-14

108
Neurociência e o déficit intelectual: aportes para a ação pedagógica

aplicados no meio educacional são considerados Quando uma criança na fase escolar não
satisfatórios. E uma das contribuições para a consegue aprender, educadores e professores
educação é que se traz para a sala de aula, jun- fazem uma investigação para constatar porque o
tamente com seus educadores e alunos, as novas desempenho do aluno não corresponde ao espe-
descobertas dessa ciência, para serem aplicadas rado. As explicações a este tipo de situação são
na sala de aula visando à aprendizagem e a bem variadas: problemas familiares, condições
maneira de se ensinar. ruins da família, deficiência, falta de interesse,
Para Pereira26, a Neurociência tem como ob­ preguiça, dentre outros. A escola sempre aponta
jetivo dar os devidos esclarecimentos sobre direções externas a ela, a causa sempre está no
as estruturas neuronais que apoiam as ações outro, “dificilmente está no ensino, mas sim na
perspectivas ou motores, tão necessárias para a aprendizagem”27.
aprendizagem. Diante desse quadro, tanto psicólogos quanto
Especificamente para a educação, a Neuro- neurologistas podem contribuir, pois quem faz
ciência colabora para o processo de aprendiza- um diagnóstico é o médico e não o professor,
gem, pois essa ciência retrata o cérebro como no caso da criança possuir uma patologia, dis-
o principal instrumento para a aprendizagem. túrbios, deficiência ou transtorno, mas em se
Apresentando uma propriedade denominada tratando de aprendizagem escolar o profissional
plasticidade cerebral, esse órgão possui uma que intervem no processo de aprendizagem é o
capacidade de reorganização cerebral confor- educador que, com suas práticas pedagógicas,
me o uso, sendo sua notável característica, e pode trazer diferentes possibilidades de apren-
dizagem a seus alunos28.
conforme autores como Consenza & Guerra19, o
A contribuição desses profissionais é de su­
cérebro humano em funcionamento modifica a
ma importância, mas a abordagem de ensino
estrutura cerebral do aluno.
e aprendizagem a tarefa é do educador. Nesse
A partir da Neurociência e do conhecimento
sentido, o conhecimento sobre a Neurociência
neurocientífico gerado por essa ciência pode
pode contribuir, a fim de que saiba sobre o cére-
se abrir um diálogo com a educação no sentido
bro de seus alunos, como esse órgão processa os
de cooperação e parceria. Entretanto, deve-se
saberes, como aprende, e também pode sugerir
considerar que seus conhecimentos não são
as intervenções que o professor deve fazer com
uma nova proposta de educação, assim como os
suas crianças, pois todos podem aprender. As
autores Consenza & Guerra19 esclarecem:
ações pedagógicas em sala de aula podem ficar
“(...) elas não propõem uma nova peda- mais eficientes quando este conhece o funcio-
gogia nem prometem soluções definitivas namento cerebral. Embora, não seja suficiente
para as dificuldades da aprendizagem. ter esse conhecimento, ele permitirá que o do-
Podem, contudo, colaborar para funda- cente compreenda melhor como seus educandos
mentar práticas pedagógicas que já se aprendem e se desenvolvem19.
realizam com sucesso e sugerir ideias Se todos os alunos podem aprender, isto
para intervenções, demonstrando que precisa estar explanado para os professores em
as estratégias pedagógicas que respei- suas práticas pedagógicas. Entretanto, deve-se
tam a forma como o cérebro funciona considerar que a aprendizagem de cada um é
tendem a ser mais eficientes. Os avan- diferente, acontece em tempos e etapas distintas
ços das neurociências possibilitam uma e se desencadeia a partir de estímulos diferen-
abordagem mais científica do processo ciados. Todas elas estão demarcadas em suas
ensino-aprendizagem, fundamentada atividades neurocerebrais. Há um trajeto quími-
na compreensão dos processos cognitivos co no cérebro que mantém e que operacionaliza
envolvidos.” cada ação executada pelos alunos28.

Rev. Psicopedagogia 2015; 32(97): 104-14

109
Souza MC & Gomes C

A Neurociência, que trata da cientificidade envolvem o ambiente, emoções, aspectos socio-


do cérebro, aponta a plasticidade cerebral como lógicos, físicos e psicológicos, com isto adota
uma habilidade que este possui de se reorgani- uma educação contextualizada que conceitua
zar a partir do aprendizado dos aprendizes, de o aluno como sendo um ser ativo, construtor de
acordo com meio em que está inserido28. seu próprio conhecimento.
Lent23, ao caracterizar essa habilidade cere- Esses estilos de aprendizagem, combinados
bral, afirma que o ambiente contribui para mo- com fatores que podem ser favoráveis ou não, de-
dificar a estrutura do sistema nervoso, ou seja, o vem ser considerados, com isto a individualidade
cérebro responde às atividades promovidas pela dos alunos é respeitada e, consequentemente,
ação do ambiente que o atinge. A partir dessa ex- são impulsionados ao aprendizado30.
posição de Lent observamos que essa capacidade Alunos com déficit intelectuais, portanto, têm
do cérebro de construir novas conexões neurais e dificuldades de aprendizagem majoritariamente
modificar suas estruturas é que possibilita nosso generalizadas que acometem a linguagem, a
aprendizado durante toda a nossa vida. motricidade e a integração social. Por isso, não
Conforme Relvas20, o cérebro humano tem a se deve esperar a mesma resposta entre uma
capacidade de adaptação, ou seja, se remodela criança com déficit intelectual de uma criança
de acordo com as experiências vivenciadas pelo que não o possui, pois aquela possui lesões
sujeito, ou seja, o cérebro é maleável, que se cerebrais e desajustes no sistema nervoso29.
modifica sob o efeito de experiências, ações e Autores como Relvas20 apontam que a edu-
comportamentos dos indivíduos. Essa plasticida- cação inclusiva necessita de intervenções pe-
de é decorrente das atividades dos neurônios do dagógicas renovadas com uma nova força em
cérebro, pois a cada experiência e aprendizado, apoio à escolarização. A maior contribuição que
novas conexões neurais são acrescentadas. a Neurociência oferece a educação são seus es-
tudos a respeito do funcionamento cerebral que
A NEUROCIÊNCIA E A MEDIAÇÃO PE- é modificado pela ação pedagógica.
DAGÓGICA DE PROFESSORES CAPACI- A criança com déficit intelectual apresenta
TADOS E ESPECIALIZADOS dificuldades e debilidades nas funções mentais:
A Neurociência sendo uma aliada da educação memória, percepção, raciocínio, e a falta dessas
possui fundamentos importantes para as práticas funções dificulta a aprendizagem escolar. Mesmo
pedagógicas do professor e pode apontar in­ assim, diante desse quadro de alterações, é impor-
tervenções para o docente em sala de aula. Nesse tante ressaltar que ela consegue realizar aprendi-
sentido, o educador deve buscar uma interlocução zagens e conseguir formação profissional29.
com a Neurociência em razão da sua contribuição Esses alunos em suas tarefas em sala de aula
para a atividade de ensino29. possuem dificuldades de concentração, não
Diante disso, o professor deve conhecer seus possuem autonomia em trabalhos coletivos, pois
alunos, suas dificuldades e particularidades, a dependem do outro colega para responder, pos­
fim de promover o desenvolvimento da apren- suem raciocínio oscilante29.
dizagem nas crianças. Não é tarefa fácil para os Para se efetivar a inclusão, é necessário que
professores, a inclusão de crianças com deficiên- as práticas educativas sejam diferenciadas para
cia na escola regular requer um trabalho organi- poder alcançar alunos com déficit intelectual. Lem-
zado e sistemático, principalmente porque essa brando que a compreensão do conteúdo curricular
escola precisa ter qualidade de ensino a todos. para o aluno com déficit intelectual é limitada, mas
E para que haja qualidade na educação deve-se mesmo nessas condições existe a possibilidade de
atentar para os estilos de aprendizagem de cada um desenvolvimento de suas potencialidades e
aluno, ou seja, cada aluno possui caminhos que devido à plasticidade cerebral pode-se pensar em
facilitam sua aprendizagem. São situações que estratégias diferentes de ensino.

Rev. Psicopedagogia 2015; 32(97): 104-14

110
Neurociência e o déficit intelectual: aportes para a ação pedagógica

Os alunos com deficiência, com desenvolvi- na instituição escolar, isto inclui interferência
mento cognitivo mais lento, são mais vagarosos do professor capacitado e também do professor
para aprender e são necessárias atividades de especializado.
estimulação precoce, ou seja, criar situações que Para que haja intervenções pedagógicas de
facilitem o desenvolvimento da criança. qualidade, o trabalho inclusivo deve ser em con­
Em sala de aula, o professor deve proporcio- junto entre professores da Educação especial e
nar um ambiente acolhedor de aprendizagens, Educação inclusiva juntamente com os profes-
e manter as crianças sempre ocupadas, mas sem sores do ensino regular. O educador especialista
cansá-las, deve dosar as atividades para que haja precisa colaborar com o professor capacitado,
interesse de todos e participação principalmente a fim de que juntos planejem ações educativas
da criança com déficit intelectual. E também visando à aprendizagem de seus alunos30,31.
deve usar a ludicidade de maneira agradável. Na inclusão educacional, torna-se necessário
Procurar dividir a atividade em etapas, ensi- o envolvimento de todos os membros da equipe
nando cada criança até que sejam capazes de escolar no planejamento de ações e programas
realizar a tarefa sozinha. voltados à temática. Docentes, diretores e fun-
O indivíduo com deficiência intelectual tem cionários apresentam papéis específicos, mas
condições de ser alfabetizado, por isso deve se- precisam agir coletivamente para que a inclusão
guir um currículo adaptado às suas limitações, escolar seja efetivada32.
pois possui um ritmo mais lento que os demais, Pensar as possibilidades de inclusão escolar
seu desenvolvimento deve ser respeitado. O das pessoas com Síndrome de Down de maneira
ensino especializado para alunos com déficit efetiva, é oferecer oportunidades de aprendi-
intelectual é realizado junto ao atendimento edu- zagens de modo que o aluno ou a aluna seja
cacional especializado (AEE), ensino que ocorre participante ativo nestes ambientes que oportu­
simultaneamente à sala de aula comum. Nesse nizam o ensino.
ambiente, ocorre uma aprendizagem diferente Para que isto se cumpra, são necessários in-
dos conteúdos curriculares do ensino regular, vestimentos da parte de educadores, a fim de que
pois a deficiência é observada e considerada a a criança com Down “possa amadurecer as fun-
fim de que haja aprendizagem para o aluno, na ções neurológicas, executar atividades diárias e,
perspectiva de conhecimentos importantes para consequentemente, aprender e se desenvolver”.
a vida do aluno, para que tenha mais autonomia Nesse sentido, é primordial a conscientização
no seu dia-a-dia. Nesse processo, as interven- desses docentes sobre as potencialidades e ca-
ções do professor são muito importantes. Ele, pacidades desse aluno, pois, a clareza a respeito
juntamente com o professor da sala regular, de- da síndrome fará com que tenha uma postura
vem interagir para que os conteúdos que ambos singular em suas ações metodológicas em sala.
ensinam estejam interligados30. O grau de comprometimento na base cognitiva
A efetivação da inclusão recai exclusivamente da criança não vai ser diminuído, o que pode
sobre o professor, pois ele é que vai executar ou ocorrer é o cérebro desse aluno, devido a sua
não as ações pedagógicas em sala de aula para plasticidade, responder aos estímulos externos
incluir esses alunos. Porém, esses profissionais feitos no indivíduo33.
dizem-se sentir sozinhos ao especificar suas A convivência escolar permite à criança a
dificuldades com seus alunos30. No processo aquisição de conhecimentos exigidos na socie-
inclusivo é importante que todos da instituição dade, e que é necessário à formação de qualquer
escolar se envolvam: docentes, gestores e demais pessoa com ou sem deficiência. Nesse ambiente,
profissionais educacionais. Nesse sentido, a o ensino deve ser organizado e sistemático por
responsabilidade de efetivar a inclusão não fica parte do professor, de forma gradual, pois essas
exclusiva ao professor, ela é direcionada a todos crianças não conseguem guardar muitas infor-

Rev. Psicopedagogia 2015; 32(97): 104-14

111
Souza MC & Gomes C

mações devido a limitações de memória e aten- duos têm dificuldades para aprender, entender
ção. A aprendizagem deve ser facilitada e, por e realizar atividades que comumente são feitas
meio da ludicidade, deve-se permitir aos alunos automaticamente.
momentos prazerosos de atividades. E também Dessa forma, de acordo com os pressupostos
o professor deve lembrar que esses alunos, por da Neurociência, o desenvolvimento e aprendi-
não possuírem memória de curto prazo, precisam zagem são possíveis, com práticas pedagógicas
visualizar o que está sendo ensinado, com isto e estimulação, por meio de atividades como car-
ele deve abusar de recursos visuais, a fim de que tazes, soroban e softwares a criança conseguirá
haja compreensão por parte do aluno29. focar a atenção em algo que seja mais concreto.
Visto que alunos e alunas com déficit intelec-
CONSIDERAÇÕES FINAIS tual possuem limitações nas áreas da memória,
Discutir a temática do processo de desen- atenção e concentração.
volvimento de alunos com déficit intelectuais é Entendemos que não podemos definir se
defender uma ação que garanta o acesso, a per- uma metodologia pedagógica é mais eficiente
manência e o desenvolvimento escolar efetivo. que a outra, o que evidenciamos é que, para
Para tanto, a compreensão que o processo que docente seja capacitado ou especializado, o
de inclusão demarca a necessidade de meto- desafio é observar seus alunos e lidar com eles
dologias e ações diferenciadas que partam da de acordo com suas necessidades e particulari-
consideração das particularidades dos alunos dades com ações pedagógicas que o atendam,
faz-se necessária à articulação com diferentes dessa forma será mais eficiente. O professor e
áreas do conhecimento que possibilitem o reco- demais profissionais da instituição, diante da
nhecimento de novos embasamentos teóricos e perspectiva inclusiva, devem planejar e rever
científicos acerca do desenvolvimento humano suas estratégias de ensino, a fim de reformula-
e do processo de ensino-aprendizagem. rem e adequarem os interesses de seus alunos.
Dentre os avanços teóricos e científicos, Como considerações finais defendemos que
ainda que escassos no contexto do nosso país, é necessário o avanço no debate da formação e
uma das áreas de maior impacto nas discussões atuação docente com base no reconhecimento
sobre o desenvolvimento humano e as facetas das bases científicas cognitivas do aprendizado,
do desenvolvimento cognitivo é a Neurociência, e das facetas que compõem o cérebro e suas co-
que não apenas oferta aportes recentes para a nexões, e como esses elementos favorecem não
compreensão do desenvolvimento, como possi- só a elaboração de estratégias que minimizem o
bilita a organização de estratégias pedagógicas impacto dos prejuízos decorrentes dos quadros
diferenciadas em específicos de alunos que de déficit intelectual, mas acima de tudo posi-
apresentem déficit intelectual. cionem os docentes como agentes centrais no
Como discutido, o déficit intelectual carac- processo de mediação, ação esta que deve ser
teriza-se por um funcionamento do intelecto contemplada com base na compreensão as par-
inferior à média das pessoas e está presente em ticularidades e potencialidades desses alunos, à
quase 100% dos casos de síndrome de Down. luz dos avanços teóricos, científicos e procedi-
No cotidiano, isso significa que esses indiví­ mentais sob os preceitos da Neurociência.

Rev. Psicopedagogia 2015; 32(97): 104-14

112
Neurociência e o déficit intelectual: aportes para a ação pedagógica

SUMMARY
Neuroscience and intellectual deficit:
contributions towards pedagogical action

It is considered that students with deficits Intellectuals, among which


students with Down syndrome require methodological interventions that
nurture them access to knowledge in school. These students due to the
limitations resulting from their intellectual and cognitive development
indicate peculiarities relating to learning, which should be considered by
the teacher. In this sense, the aim of this work classified as a bibliographic
research aims to understand the contributions that neuroscience has to learn
that public, regarding the dynamics and favoring access, attendance and
developing pedagogical actions as justified by the principles of inclusive
education. The discussions aim to advance the discussion of training
and teaching performance based on recognition of the cognitive science
foundations of learning, and the facets that make up the brain and its
connections, and how these elements not only promote the development of
strategies to minimize the impact of losses of tables intellectual deficit, but
above all to position teachers as key agents in the mediation process, this
action should be contemplated based on understanding the characteristics
and potential of these students, the light of theoretical, scientific and
procedural advances under the precepts of neuroscience.

KEY WORDS: Neurosciences. Down syndrome. Education of intel­lec­


tually disabled. Mainstreaming (Education).

REFERÊNCIAS de todas as formas de discriminação contra


1. Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e pessoas portadoras de deficiência. Conven-
Estatística (IBGE). Censo demográfico e es- ção da Guatemala. Guatemala, 1999.
timativas, 2012. Disponível em: http://www. 7. Ministério da Educação (MEC). Diretrizes
ibge.gov.br. Acesso em: 20/1/2015. Nacionais para a Educação Especial na
2. Brasil. Estatuto da Criança e do Adolescente Edu­cação Básica-MEC, SEESP, 2001.
(Brasil, 8.069/90). Publicada em Diário Oficial 8. Brasil. Política Nacional de Educação Espe-
da União de 16 de julho de 1990, p.13563. cial na perspectiva da Inclusão. 2008. Minis-
Acesso em: 20/1/2015. tério da Educação. Disponível em: <www.
3. Brasil. Lei de Diretrizes e Bases da Educação. portal.mec.gov.br.>. Acesso em: 20/1/2015.
Ministério da Educação e Cultura. 1996. 9. Mantoan MTE. Ser ou estar: eis a questão.
Disponível em: www.mec.gov.br/legis/zip/ Explicando o déficit intelectual. Rio de Ja-
lei9394/sip. Acesso em: 20/1/2015. neiro: WVA; 1997. 137p.
4. UNESCO. Declaração de Salamanca sobre 10. Mantoan MTE. Educação escolar de deficien-
Princípios Políticas e Práticas em Educação tes mentais: problemas para a pesquisa e o de-
Especial. Disponível em: <www.direitos senvolvimento. Caderno Cedes. 1998;19(46).
humanos.usp.br.>. Acesso em: 17/9/ 2014. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.
5. Ministério da Educação e Cultura, Conven- php?script=sci_arttext&pid=S0101-3262199
ção da Guatemala,1999. 8000300009&lng=en&nrm=iso>.
6. Convenção interamericana para eliminação 11. Mantoan MTE. Todas as crianças são bem-

Rev. Psicopedagogia 2015; 32(97): 104-14

113
Souza MC & Gomes C

-vindas a Escola. Universidade Estadual de tos fundamentais de Neurociências. 2ª ed.


Campinas / UNICAMP – Laboratório de Es- São Paulo: Atheneu; 2010.
tudos e Pesquisas em Ensino e Reabilitação 24. Houzel SH. Neurociências na Educação.
de Pessoas com Deficiência – LEPED/FE/ Belo Horizonte: Cedic-Centro Difusor de
UNICAM; 2001. (manuscrito). Cultura; 2010. 54p.
12. Souza MPR. Políticas públicas e educação: 25. Chedid KAK. Psicopedagogia, Educação e
desafios, dilemas e possibilidades. In: Viégas Neurociências. Rev Psicopedagogia. 2007;
LS, Angelucci CB, org. Políticas Públicas em 24(75):298-300.
Educação & Psicologia Escolar. São Paulo: 26. Pereira MSC. Cérebro e educação aspectos
Casa do Psicólogo; 2006. p.229-43. que perpassam nas teorias da aprendizagem.
13. Candau VM. Construir ecossistemas educa- In: Relvas MP, org. Que cérebro e este que che-
tivos: reinventar a escola. In: Candau VM, ed. gou a escola? Rio de Janeiro: Wak; 2012. p.145.
Reinventar a escola. Rio de Janeiro: Vozes; 27. Mendonça G. As práticas curriculares de
2000. p.11-6. sala de aula e a constituição das diferenças
14. Libaneo JC, Oliveira JF, Toschi MS. Educação dos alunos no processo de ensino e aprendi-
escolar: políticas, estrutura e organização. zagem. São Paulo: PUC-SP; 2005. p.1-16.
São Paulo: Cortez; 2003. 408p. 28. Almeida GP. As bases neurocientíficas da
15. Moraes MC. O paradigma educacional aprendizagem In: Relvas MP, org. Que cé-
emergente. São Paulo: Papirus; 1997. 238p. rebro é esse que chegou a escola? Rio de Ja-
16. Patto MH. A produção do fracasso escolar. neiro: Wak; 2012. p.41-52.
São Paulo: T. A. Queiroz; 1996. 29. Machado FS, Nazari J. Aspectos históricos
17. Souza VLT. Educação, valores e formação de das pessoas com deficiência no contexto
professores: contribuições da psicologia es- educacional: rumo a uma perspectiva inclu-
colar. In: Marinho-Araújo CM, org. Psicolo- siva. Lentes Pedagógicas. 2011;2(1). Dispo-
gia escolar novos cenários e contextos de pes- nível em: <http://200.233.146.122:81/revista
quisa, formação e prática. São Paulo: Alínea; digital/index.php/lentespedagogicas/article/
2009. p.133-52. viewFile/416/397>. Acesso em: 20/1/2015.
18. Ferreira MEC. O enigma da inclusão: das 30. Gomes C. Ensino colaborativo na educação
intenções às práticas pedagógicas. Educ Pes- inclusiva: desafios e perspectivas formativas.
qui. 2007;33(3):543-60. Rev Atos de Pesquisa em Educação. 2013.
19. Consenza RM, Guerra LB. Neurociência na (No prelo).
educação. Como o cérebro aprende. Porto 31. Gomes C. Estilos de aprendizagem e inclusão
Alegre: Artmed; 2011. escolar: uma proposta de qualificação educa-
20. Relvas MP. Neurociência na prática pedagó- cional. Rev Psicopedag. 2006;23(71):134-44.
gica. Rio de Janeiro: Wak; 2012. 32. Sant’Ana IM. Educação inclusiva: concep-
21. Relvas MP. Neurociência e educação. Poten- ções de professores e diretores. Psicol Educ.
cialidades dos gêneros humanos na sala de 2005;10:227-34.
aula. 2ª ed. Rio de Janeiro: Wak; 2010. 33. Castro ASA, Pimentel SC. Síndrome de Down.
22. Relvas MP. Neurociência e transtornos de Desafios e perspectivas na inclusão escolar.
aprendizagem. As múltiplas eficiências para Atendimento educacional específico. In: Díaz
uma Educação Inclusiva. 5ª ed. Rio de Ja- F, et al., orgs. Educação inclusiva, deficiência
neiro: Wak; 2011. e contexto social: questões contemporâneas
23. Lent R. Cem bilhões de neurônios? Concei- [online]. Salvador: EDUFBA; 2009. p.303-12.

Trabalho realizado na Universidade Federal de Al­fe­ Artigo recebido: 12/3/2015


nas, Alfenas, MG, Brasil. Aprovado: 20/4/2015

Rev. Psicopedagogia 2015; 32(97): 104-14

114