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Índice

INTRODUÇÃO..............................................................................................................................................3
1. Contextualização histórica do pensamento de Henri Bergson............................................................4
2. O Élan vital e a Ordem da Natureza.....................................................................................................5
CONCLUSÃO................................................................................................................................................8
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS....................................................................................................................9
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INTRODUÇÃO

Para a elaboração do presente trabalho de pesquisa, teve-se como tema o significado da vida e a
ordem da natureza. Portanto surge como problema de pesquisa: sob quais pressupostos pode se
conceber o impulso vital para o desígnio da vida dos entes na natureza denotando-se como
evolução criadora. A escolha do tema prende-se na necessidade de análise sobre o impulso vital
em prol da reacção dos objectos contidos na natureza.

No concernente aos objectivos, de forma geral o trabalho visa: reflectir em torno da designação
da vida em Henri Berson, ou seja, o impulso vital. De forma específica: i. Apresentar o contexto
histórico que delineia o pensamento do autor em causa; ii. Explicar a significação da vida tendo
em conta ao élan vital.

A pesquisa do tema é essencialmente fundamentada pela pesquisa bibliográfica e técnica de


análise e interpretação de textos relacionados com o tema.

No que diz respeito a estrutura, o trabalho incorpora três momentos: introdução,


desenvolvimento e conclusão. Sendo que tem duas repartições, nomeadamente: Breve
contextualização histórica do pensamento de Henri Bergson; O Élan vital e a Ordem da
Natureza.
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1. Contextualização histórica do pensamento de Henri Bergson

De acordo com Reale e Antiseri (2006: 349) Bergson nasceu em Paris em 1859, o mais
influente filósofo francês de origem judaica no período entre as duas guerras. É um crítico dos
pressupostos filosóficos da ciência de sua época, particularmente, da psicologia e da biologia. O
período que compreende o final do século XIX e o começo do século XX é marcado pelo
positivismo e pelo cientificismo; as ciências particulares deveriam seguir o paradigma das
ciências positivas cujo modelo era a física e assim trabalhar com dados empíricos e mensuráveis
submetidos à lei de causalidade. Nessa atmosfera científica, desenvolveram-se pesquisas que
buscavam determinar um paralelismo rigoroso entre a vida psíquica e o cérebro. Em sua
juventude, cultivou estudos de matemática, mecânica e posteriormente, decidiu dedicar-se a
filosofia e, na Ecole Normale, seguiu os cursos de Ollé-Laprune e de Boutroux tendo passado a
sua vida activa como professor universitário de filosofia. O objectivo de fundo da filosofia de
Bergson é a defesa da criatividade e da irredutibilidade da consciência ou espírito, contra toda
tentativa reducionista de matriz positivista. Durante a sua jornada foi autor de inúmeros livros,
entre os quais se destaca: Ensaio sobre os dados imediatos da consciência (1889); Matéria e
memória (1896); As duas fontes da moral e da religião (1932) e a evolução criadora (1907) obra
esta que que servirá de guia para o esboço do presente trabalho. Escreve Bergson em a evolução
criadora que a vida é uma realidade que se destaca nitidamente sobre a matéria bruta e ela é a
evolução criadora, o impulso vital, criação livre e imprevisível. O autor em causa, acreditava que
os seres humanos devem ser explicados primordialmente em termos do processo evolutivo.
Parecia-lhe que, desde o início, a função dos sentidos nos organismos vivos tem sido não
fornecer ao organismo representações de seu ambiente, mas estimular reacções de carácter
preservador da vida. Em primeiro lugar, os órgãos sensoriais; em seguida, o sistema nervoso
central, e, depois, a mente desenvolveram-se durante eras incontáveis como parte do
equipamento do organismo para a sobrevivência, e sempre como auxiliares do comportamento.
Nossa concepção de nosso ambiente não é nada parecida com um conjunto de fotografias
detalhadas: ela é altamente selectiva, sempre pragmática, e sempre a serviço de si mesma.
Damos atenção quase exclusiva àquilo que importa para nós, e a concepção que formamos de
nosso ambiente se constrói em termos de nossos interesses, sendo o mais premente deles nossa
própria segurança. Apenas quando se percebe isso é que a verdadeira natureza do conhecimento
humano pode ser entendida. Nos últimos anos de vida, seu pensamento tomou um rumo
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religioso, e é possível que tenha sido recebido na Igreja Católica romana pouco antes de morrer
(1941); se assim foi, o ato foi deliberadamente protelado e mantido em segredo, porque não
queria parecer estar abandonando os judeus enquanto estavam sendo perseguidos pelos nazistas e
enquanto a França estava sob ocupação alemã.

2. O Élan vital e a Ordem da Natureza.

Segundo Bergson (2005: 243) a vida no seu todo, considerada como uma evolução criadora, é
algo análogo: transcende a finalidade, se entendemos por finalidade a realização de uma ideia
concebida por antecipação. O quadro da finalidade é, portanto, estreito demais para a vida em
sua integralidade. Pelo contrário, com frequência é excessivamente largo para a manifestação da
vida, tomada sempre como vital. E a realidade é ordenada na exacta medida em que satisfaz
nosso pensamento. A ordem, portanto, é um certo acordo entre o sujeito e o objecto. E o espírito
reencontrando-se nas coisas.

Pensar na vida a partir da imagem do élan vital é o ponto de partida de uma compreensão
da vida como vida criadora, e consequentemente, das dificuldades que ela encontra no seu
desenvolvimento criador. O processo evolutivo da vida é compreendido como a divisão de um
ato simples, e não como a combinação de meios em vista de um fim predeterminado. Esse ato
simples, pura actividade criadora, contorna as resistências, os obstáculos que uma matéria lhe
opõe, que tende a dividir seu movimento fragmentando-o. Essa fragmentação faz surgir várias
tendências, das quais a inteligência e o instinto formam as duas grandes linhas específicas,
animal e humana. A imagem do élan vital, na medida em que ele sugere a unidade de uma
impulsão se dividindo numa multiplicidade de efeitos ao contacto com a matéria, descreve a
efectividade de um esforço, que não se faz de uma vez, e que implica uma duração. O
surgimento de novas espécies e as suas variações internas, assim como os corpos vivos
individuados que pertencem essas espécies, são as soluções reais que propõem a vida diante das
condições de propagação que lhe são feitas. Uno, como ato simples, e múltiplo, como potência
virtual de diferenciação, o élan vital caracteriza a exigência da vida enquanto ela se manifesta
naquilo que ela realiza, os seres vivos. Essa imagem do élan vital é especificada a partir do triplo
emprego que se faz dela: positivo, prático e crítico. Ela é comprovação dos fatos positivos de
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criação; ela sugere uma descrição dos processos operantes internos à vida; ela propõe a recusa de
dois modelos da criação, teológico e antropológico. Positivamente, a vida é uma continuidade de
progresso, força de crescimento na medida em que ela tira de si mesma mais do que tem.
Todavia, ela é limitada pela resistência que a matéria lhe opõe, e cujo movimento é atestado nos
seres vivos:

“A vida não pode progredir senão por intermédio dos vivos, que são os
seus depositários. É necessário que milhares e milhares deles, mais ou
menos semelhantes, se repitam uns aos outros no espaço e no tempo para
que cresça e amadureça a novidade que eles elaboram” (BERGSON,
2005: 251)
De um ponto de vista crítico, não há criação. O que surge no mundo não surge do nada, mas
tem uma origem, que é élan de vida, e participa do crescimento do todo da realidade de
forma contínua, indivisa. Por outro lado, a actividade criadora da vida não é concebida sob
um modelo produtivo, supondo um sujeito/agente produtor e uma coisa/objecto produzido.
Na vida, não há um sujeito que cria e coisas que são criadas. A actividade criadora da vida é
um processo de crescimento interno, imanente ao seu próprio movimento: ele é processo de
criação sem sujeito.

Bergson (2005: 275) usou a expressão élan vital ao tratar das possibilidades ou
potencialidades do élan. O essencial de toda a vida, animal e vegetal, está num esforço para
acumular energia e, a seguir, despendê-la em canais flexíveis, deformáveis, em cuja extremidade
realizará trabalhos infinitamente variados. Seria essa a tarefa do élan vital que, “atravessando a
matéria, gostaria de obter de um só golpe, se a sua potência fosse ilimitada ou se algum auxílio
lhe pudesse vir de fora. Mas o élan é finito, não podendo superar todos os obstáculos. Por isso,
sua história é feita de luta contínua: desde o élan vital, impulso inicial finito, até aos mais altos
graus de evolução, a luta continua. Como se vê, a expressão élan vital aparece para dizer que se
trata de uma força inicial finita que encontra pela frente vários obstáculos com os quais tem que
lutar continuamente na caminhada evolutiva que se lhe depara como essencial. E, nessa luta, ora
vence, ora é vencido, sendo o seu movimento ora desviado, ora dividido, mas sempre
contrariado, “e a evolução do mundo organizado não é senão o desenvolvimento dessa luta”

No seu contacto com a matéria, a vida é “élan”, “impulsão” e designa uma orientação em sentido
inverso da matéria. Ela é “exigência de criação” naquilo que ela exige da matéria efectivamente
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mais do que pode tirar dela. Por isso, não há criação absoluta. Só há uma criação limitada, cujos
resultados manifestam um ato original prévio e que é efetuado através do que interrompe seu
movimento (a matéria): “O élan vital de que falamos consiste, em suma, em uma exigência de
criação. Não pode realizar uma criação total, porque encontra à sua frente a matéria, isto é, o
movimento inverso ao seu” (BERGSON, 2005, 272). Porém, ainda mais, a interrupção do seu
próprio movimento resulta de uma exigência interna à vida, em razão da própria natureza do
virtual, que não existe senão em sua relação com o actual, com o que difere dele próprio. Dizer
que o élan vital é “exigência de criação” significa que no seu contacto com a matéria, a vida é
um élan que se opõe a uma resistência e que em si mesma traz o que tende a limitar seu próprio
jorramento. Trabalhar de maneira interna por uma vocação em se fazer outra, a vida traz em si a
exigência de sua própria finitude. A exigência de criação da vida é finita. A vida se manifesta,
sobre nossa terra, como evolução criadora, ou seja, como uma criação que faz sempre a
experiência do seu próprio limite.

A vitalidade constitutiva dos seres vivos origina-se do élan vital cuja potência
consiste, especialmente em criar, fazer surgir, gerar. Bergson sugere que, assim
como a memória pura tende a se actualizar numa diversidade de ideias ou
lembranças atuais, o élan vital faz a conversão do ser contraído da duração em
uma variedade de formas vivas que são caracterizadas pela mudança contínua.
(SILVA,2006,03)

O esforço do élan vital é de ultrapassar as diversidades e as formas em direcção a uma novidade


por vir. As formas, na filosofia bergsoniana, não são entes ideais, espirituais, que habitam um
mundo como se dá no platonismo. Ao contrário, elas são inferiores, estão alienadas do processo
vital que as produziu e por este motivo tendem à materialidade. O élan é este movimento de
diferenciação do ser, o esforço do fazer, enquanto a forma é apenas o resultado final desse
processo. O ser da forma não é substancial, mas um movimento não criativo, conservador.
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CONCLUSÃO

Findo o trabalho, denota-se que a destinação da vida se realiza na duração e ela é uma realidade
que se destaca nitidamente sobre a matéria. A evolução é criadora, pois a realidade surge-nos
como um jorro ininterrupto de novidades. Nesse sentido, não se pode explicar a vida pela
adaptação, pois isso seria explicar a evolução apenas pelas condições exteriores às quais
corresponderia a plasticidade da vida. Pelo élan vital, e pelo processo de diferenciação, Bergson
apresenta uma teoria da evolução como de um ato pelo qual a vida se divide e se bifurca.
Efectivamente, apreciando a trajectória do movimento evolutivo, verificando que ela nem é
rectilínea nem única. E a realidade é ordenada na exacta medida em que satisfaz nosso
pensamento.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

REALE, Giovane e ANTISERI, Dário. (2006). História da Filosofia. São Paulo, Paulinas, v.6.

BERSON, Henri. (2005). A Evolução Criadora. Bento Prado Neto (trad). São Paulo, Martins
fontes.

SILVA, Adelmo José da. (2006). O impulso vital enquanto princípio explicativo da evolução no
pensamento bergsoniano, São Paulo, PET.