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Luís Vaz de Camões


Está o lascivo e doce passarinho

1 Está o lascivo e doce passarinho


com o biquinho as penas ordenando;
o verso sem medida, alegre e brando,
espedindo no rústico raminho;

5 o cruel caçador (que do caminho


se vem calado e manso desviando)
na pronta vista a seta endireitando,
lhe dá no Estígio lago eterno ninho.

Destarte o coração, que livre andava,


10 (posto que já de longe destinado)
onde menos temia, foi ferido.

Porque o Frecheiro cego me esperava,


para que me tomasse descuidado,
Em vossos claros olhos escondido.

FICHA I1

1. Refere o tema do soneto. Justifica a tua resposta.


2. Identifica, justificando, a organização interna do soneto, isto é, mostra como está estruturado numa
sequência de quadros.
3. Escolhe a opção correta. A palavra que inicia o primeiro terceto tem como função estabelecer, em relação às
estrofes anteriores, uma ideia de
a. consequência.
b. semelhança.
c. oposição.
d. possibilidade.
3.1.Identifica outra palavra com função de unir estrofes do soneto. Justifica.
4. Identifica os recursos expressivos seguintes:
a. uma aliteração, na primeira quadra.
b. um eufemismo, na segunda quadra.
c. uma sinédoque, no primeiro terceto.
d. uma metáfora, no primeiro terceto.

1
António Vilas-Boas, Manuel Vieira, Entre palavras, 10º ano, Asa, pp. 184-5.

http://textosintegrais.blogspot.com A Professora: Lucinda Cunha


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5. A metáfora que identificaste é muito expressiva, tendo em consideração o sentido global do soneto. Explica
porquê.

FICHA II2

1. Divide o poema em partes, sintetizando o conteúdo de cada uma delas.


2. Faz o levantamento dos adjetivos que caracterizam os dois protagonistas da cena campestre e dos
diminutivos.
2.1.Comenta a expressividade dos diminutivos.
2.2.Mostra que o caçador é traiçoeiro.
3. Explicita o valor do conetor “Destarte” (v. 9).
4. Estabelece a correspondência entre as personagens da primeira cena e da segunda.
5. Explica o sentido do último terceto, tendo em conta o sentido global do soneto.
6. Analisa a estrutura externa deste poema, considerando:
6.1. as estrofes;
6.2. a rima;
6.3.a métrica.

2
Ana Eustáquio, Gisela Peixoto, Paulo Mendes, Intertextos 10, Plátano Editora, pp. 216-7.

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CENÁRIOS DE RESPOSTA (dos respetivos manuais):

Ficha I

1. O tema é o enamoramento do sujeito lírico. Do mesmo modo que uma ave desprevenida é atingida pela
flecha do caçador, também o sujeito poético se apaixonou sem contar, atingido pela flecha de Cupido – sob
a forma dos belos olhos da amada.
2. O soneto apresenta uma progressão lógica evidente: na primeira quadra, encontra-se o quadro do pássaro
descuidado e livre; na segunda, o quadro do caçador – que surge para de repente matar a ave descuidada;
no primeiro terceto, ocorre a passagem de uma realidade exterior para a realidade interior do sujeito
poético (também ele andava livre, mas aconteceu-lhe o mesmo que à ave- “Destarte”, v. 9- o quadro do
enamoramento); finalmente, no último terceto, o quadro dos responsáveis pela situação do sujeito lírico:
Cupido e a sua flecha – ou a amada e os seus olhos…
3. b
3.1. No início do último terceto, ocorre a conjunção subordinativa causal “Porque”. Também ela tem a
função de ligar este terceto ao anterior (ela inicia a expressão da causa do ferimento anteriormente
referido).
4. a. “rústico raminho”, v. 4;
b. “lhe dá no Estígio lago eterno ninho”, v. 8;
c. “coração”, v. 9;
d. “ferido”, v. 11.

5. Esta metáfora é expressiva na medida em que sugere bem o sofrimento de quem se apaixona. Do mesmo modo
que quem é ferido sofre com dores, também quem é atingido pelo amor sofre.

Ficha II

1. 1ª parte- 2 quadras- O sujeito alude a um passarinho, que desprevenido num ramo de árvore , é atingido pela seta
de um ardiloso caçador enquanto compunha as suas penas e entoava um canto.

2ª parte (dois tercetos)- O acontecimento é reconfigurado como imagem do enamoramento do sujeito. A ave
representa quem canta, o caçador é identificado com Cupido e o enredo da caça são os olhos claros da amada.

2. passarinho: “lascivo” e “doce”, “alegre” e “brando”

Caçador: “cruel”, “calado” e “manso”

Diminutivos: “passarinho”, “raminho”, “biquinho “

2.1. Os diminutivos acentuam a inocência do passarinho e, por contraste, a maldade do caçador.

2.2. O caçador é traiçoeiro porque se aproxima da sua presa de forma dissimulada (“calado e manso”) e lança a sua
seta sem que o passarinho, o alvo, se aperceba de nada, logo, sem se poder defender.

3. O conector “Destarte” estabelece uma relação de semelhança entre a situação mais concreta representada na
primeira parte e aquela que se apresenta na segunda, mais abstrata.

4. O inocente e alegre passarinho corresponde ao sujeito poético, primeiramente referido através da metáfora do
coração, que andava “livre” até ser alvo de uma das setas do Cupido. Esta personagem, designada como “Frecheiro
cego”, corresponde, por seu lado, ao caçador e, tal como aquele, também ataca a partir de um esconderijo, neste
caso, os olhos da amada.

5. No último terceto, iniciado pela conjunção subordinativa causal, o sujeito poético apresenta a causa do seu
enamoramento, da sua ferida de amor (“onde menos temia, foi ferido”). O sucedido ocorreu sem que o sujeito

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poético o tivesse pressentido e pudesse evitar, pois o agente causador do sentimento amoroso estava escondido nos
olhos da amada (“em vossos claros olhos escondido”). Conclui-se, então, que é do olhar da senhora que advêm os
perigos mais dolorosos (“ferido”; “Lhe dá no Estígio lago eterno ninho”).

6.1. O poema tem a estrutura estrófica de um soneto de tradição italiana: duas quadras e dois tercetos.

6.2. O poema apresenta o seguinte esquema rimático: abba/ abba/ cde/ cde. Portanto, a rima é emparelhada (b) e
interpolada (a) nas quadras e interpolada nos tercetos.

6.3. Os versos são decassilábicos, como se pode comprovar pelo primeiro verso: Está/ o/ las/ci/vo e/ do/ce/
pa/ssa/ri/nho.

Sugestões de resposta

(questões e sugestões de resposta do grupo I retirados do manual Novo Plural 12, 12º ano, Elisa Costa Pinto, Paula
Fonseca e Vera Saraiva Baptista -consultoria linguística: Dra. Maria do Carmo Azeredo Lopes-, Raiz Editora, página
41)

1-

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