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Os Maias – capítulo VIII

Carlos vai a Sintra com Cruges com o fim de encontrar a mulher que vira à entrada do Hotel
Central.

Tema: A busca (frustrada) da felicidade

 Rua de S. Francisco – Lisboa


– 8 da manhã
– a encomenda das queijadas
 Quinta de Benfica - Lisboa
 Porcalhota
- o bucolismo de Cruges
- almoço campestre
- conversa sobre a ignorância do país
 Ramalhão
- Portas da Serra
 No Nunes – Eusébio e Palma Cavalão com as espanholas
- o machismo de palma Cavalão e a covardia de Eusebiozinho
- o jogo como passatempo burguês
- o significado de Sintra para a burguesia lisboeta no fim-do-século
- o significado das espanholas, no contexto sociomoral da sociedade lisboeta
 Seteais
- indícios denegados de aproximação: o cãozinho, a flauta
- comparar a poesia de Cruges com os versos de Alencar
 Monólogo interior
- Carlos, frustrado, toma consciência da decadência para que o arrasta a paixão
- Sublimação do desconhecido – bela e boa mãe
 No Lawrence
- Novos indícios (também denegados)
- A senhora alta
- A cadelinha
- O sujeito da pêra
- O bacalhau à Alencar

Ler
Carlos romântico: p. 222
Palma Cavalão e Eusebiozinho no Nunes: pp. 226 a 228

A viagem de Carlos a Sintra é motivo de apresentação de vários temas:


 a viagem é circular – breve tempo, a indiciar, quer a brevidade da vida, quer a brevidade da
relação amorosa
 a desilusão final, indício da futura teoria: nada vale a pena
 o elogio do campo: tema desenvolvido também por Eça de Queirós
 Eça de Queirós, escritor de contrastes: o elogio da natureza e o ridículo do episódio de Cruges
apertando o atilho das ceroulas; a procura da deusa e o episódio das prostitutas espanholas
 a desculpabilização do indivíduo para não fazer nada, característica dos portugueses
 Sintra, refúgio para a burguesia citadina, local de aventuras de alta-roda
 o romantismo de Alencar, olhando a Lua e recitando versos em contraste com o realismo de
Cruges, olhando a lua e o concreto

Linguagem e estilo
Impressionismo literário

O impressionismo surgiu em França, em 1874, numa


exposição de pintura na qual participaram, entre outros, Monet,
Renoir, Cézanne e Degas. Nos seus quadros, procuram captar, do
real, sobretudo impressões puras, percepções instantâneas, fugazes.
Por isso preocupavam-se sobretudo com a luz e a cor e abandonavam
os contornos do desenho, dando aos objectos pintados um carácter
por vezes transparente, esfumado. Conciliaram o realismo com o
subjectivismo, partindo sempre do real para o captar de acordo com a
sensação luminosa apreendida pelo pintor.
Esta forma de captação da realidade influenciou a literatura e
podemos encontrá-la em muitas páginas de escritores realistas como
Flaubert ou Eça de Queirós.
Em Os Maias, Eça utiliza habilmente diversos processos que
produzem efeitos de impressionismo literário. Desses processos
destacamos aqueles que são recorrentes na obra:

Incidência nas qualidades visuais ao nível da “avistou uma claridade que se movia no fundo do
cor e da luz quarto. (...) O clarão chegava, crescendo; a luz
surgiu – e com ela o avô (...) Depois, com a cabeça
branca a tremer, Afonso atravessou o patamar,
onde a luz sobre o veludo espalhava um tom de
sangue.”
Acentuação de traço visíveis nas personagens “passava horas à banca de Carlos, aplicado e
(o que, frequentemente, produz um efeito de ironia) vermelho, com a ponta da língua de fora e olho
redondo.”
Anteposição da característica cromática ou “entre as velas do piano, que lhe punham um traço
luminosa do objecto, ao próprio objecto de luz no perfil puro e tons de ouro esfiado no
cabelo, o incomparável ebúrneo da sua pele
ganhava em esplendor e mimo...”
Eça mostra ter a noção que a arte não pode ser produzida sem sentimento ou
fantasia/imaginação. Se a arte for uma mera descrição da realidade, será meramente
um boletim informativo ou um artigo científico. Assim, é necessário que o artista deixe
transparecer a sua subjectividade, a sua opinião pessoal, o seu ponto de vista.

Com Flaubert, Eça aprendeu a deixar transparecer as impressões que lhe


ficavam da realidade que descrevia. Considerava que não bastava apenas descrever
pormenorizadamente aquilo que se observava. Era necessária também deixar
transparecer a impressão / o sentimento imediato que resultava dessa observação.
Sensível ao meio que o rodeava, Eça não só o soube descrever pormenorizadamente,
como soube deixar transparecer a sua visão crítica sobre a sociedade de finais do
século XIX.

Assim, é natural que muitas (senão todas) as marcas estilísticas queirosianas


revelem mais do que a realidade observável: são antes o resultado de um olhar
perspicaz e crítico do autor sobre a sociedade que o rodeia.