FACULDADE PRESBITERIANA MACKENZIE CURSO DE GRADUAÇÃO EM TEOLOGIA

RELATÓRIO DE LEITURA DO LIVRO: ANTOLOGIA ILUSTRADA DE FILOSOFIA, PG 235 - 320

SANDRA REGINA DOS SANTOS

SÃO PAULO 2010

Sumário
Thomas Hobbes (1588 - 1679 d.C.) ....................................................................1
Vida.........................................................................................................................................1 Obras Principais .................................................................................................................2 Tese / Pensamento.............................................................................................................2

Blaise Pascal (1623 – 1662 d.C)...........................................................................3

Vida........................................................................................................................................3 Obras Principais .................................................................................................................4 Tese / Pensamento.............................................................................................................4 Vida .......................................................................................................................................7 Obras Principais .................................................................................................................7 Tese/ Pensamentos............................................................................................................7 Principais Idéias: ...............................................................................................................8

Baruch Espinosa (1632 – 1677 d.C)......................................................................7

Wilhelm Leibniz (1646 – l716 d.C.).....................................................................9
Vida .......................................................................................................................................9 Obras Principais: ..............................................................................................................10 Tese/ Pensamentos..........................................................................................................10

John Locke (1632 – 1704 d.C.)...........................................................................13

Vida .....................................................................................................................................13 Obras Principais: ..............................................................................................................13 Tese/ Pensamentos..........................................................................................................13 Vida......................................................................................................................................16 Obras Principais: ..............................................................................................................16 Tese/ Pensamentos..........................................................................................................17

George Berkeley (1685 – 1753 d.C.)..................................................................16

David Hume (1711 – 1776 d.C.).........................................................................18

Vida......................................................................................................................................18 Obras Principais: ..............................................................................................................19 Tese/ Pensamentos..........................................................................................................19 Vida .....................................................................................................................................21 Obras Principais: .............................................................................................................22 Tese/ Pensamentos..........................................................................................................22

François-Marie Arouet – Voltaire (1694 – 1778 d.C).........................................21

Jean-Jacques Rousseau (1712 – 1778 d. C.).......................................................24 Éabade de Condillac ( 1715 – 1780 d.C.)............................................................26

Obras Principais: .............................................................................................................24 Tese/ Pensamentos..........................................................................................................24 Obras Principais: .............................................................................................................27

Tese/ Pensamentos..........................................................................................................27

deduzidas dos conceitos formulados da realidade da natureza humana. onde aperfeiçoou seus idiomas. racionalista. Viajou pela França e Itália. 40-41. em Westport.No relatorio de leitura anterior vimos de Cusa a Descartes. ao analisar os fatos sociais. com vinte anos. Seus últimos anos de vida foram de paz. comparando-o ao Estado. pondo-os em uma ordem sistematizada. Nesta época. de estudar os clássicos com Robert Latimer. Thomas Hobbes (1588 . nominando-os e. morre Elizabeth I e assume seu primo Jaime I. vindo a falecer em 04 de dezembro de 1679 com noventa e um anos. Hobbes foi secretário do empirista Francis Bacon. Era preceptor do príncipe de Gales. muito poderoso. com René Descartes. através do Padre Mersenne. e. É o que comprova seus escritos: "Elementos de Lei Natural de Política"(publicado em 1640. o empirismo racionalista. Em 1629. em suas viagens. que depois veio a ser Rei Carlos II da Inglaterra. Depois de formado. aos setenta e dois anos. Esta metodologia original foi aplicada em sua ciência política. Apenas a título de informação. Esta transformação de conceito para palavra é o chamado nominalismo. sendo fiel defensor do despotismo político. esteve com Galileu.) Vida Thomas Hobbes nasceu na Inglaterra. Com este conhecimento eclético. deduzindo conceitos. na Itália. aos sete anos de idade. neste trabalharemos os iluministas.). Hobbes volta aos estudos dos clássicos e suas traduções. época em que voltou para França em decorrência de atritos políticos). do importante historiador grego. partindo de Hobbes à Condillac. por fim. Tucídides. Hobbes foi o primeiro a traduzir para o inglês a obra "Guerra do Peloponeso". foi indicado para ser preceptor de Carlos Stuart. Leviatã. Depois de tantas lutas políticas.1679 d. Hobbes formulou sua própria metodologia para a fonte do conhecimento. aos quatorze anos. sem medo de nada e com um coração de pedra. Teve a oportunidade desde muito pequeno.C. Hobbes fazia construções lógicas. indicado como inventor da história racionalista. "Leviatã" é um monstro bíblico citado no Livro de Jó. dentre outros. . teve oportunidade de discutir. iniciando a dinastia dos Stuart. Fala do homem em seu estado natural. Hobbes atribui a uma de suas obras mais importantes o nome deste monstro bíblico. por acharem suas obras "O Cidadão" e o "Leviatã" ateístas. leu a obra de Euclides. tendo sido alvo de muitas perseguições. Malmesburry. em 05 de abril de 1588. Sempre mostrou grande interesse pelos problemas sociais. "O Cidadão"(publicado em 1642. "Leviatã" (publicado em 1651). Além do acesso aos pensamentos racionalistas de Tucídides. e depois. Hobbes ingressou na Universidade de Oxford. Interessando-se pelo estudo.

quando a filosofia procura as causas das mudanças nos corpos. a razão não tem o que fazer ali” (Nicona. Tese / Pensamento Contemporâneos de Thomas Hobbes. Hobbes negava a existência da mente no sentido em que Descartes a compreendia. marcaram suas épocas com o antagonismo de suas filosofias.. mas uma série de indivíduos.  Do Corpo (De Corpore) – 1655. Francis Bacon. O determinismo de Hobbes permite-lhe alargar a procura de leis causais da filosofia natural (que procura as causas dos fenômenos dos corpos naturais) para a filosofia civil (que procura as causas dos fenômenos dos corpos políticos). nem idéias da mente. e onde essas coisas não encontram lugar. nada havendo no mundo que seja universal além dos nomes. como “homem” e “árvore”. É este o tema do Leviatã.)Em suma. Ao dizer isto. 2005. “(. racionalista. a causa universal que descobre é o movimento. em oposição à outra metade dessa filosofia. e René Descartes. Os nomes universais. enquanto que os racionalistas afirmavam que o conhecimento com validade universal só se dá através da razão. a sua filosofia da matéria. sido gerada pelos órgãos dos sentidos. Hobbes enquadra-se claramente na tradição do empirismo britânico.Obras Principais  Objeções às Meditações Metafisicas de Descartes – 1641. O conhecimento de fato é fornecido pelos sentidos ou pela memória.se muito próximo de metade da filosofia de Descartes.  O Tratado do Homem (De Homine) – 1658. Mas. para ele não há no espírito do homem concepção que não tenha primeiramente. Os empiristas radicais como Bacon defendiam a idéia de que a única fonte do conhecimento é a experiência.237). que constitui o discurso mental. é o conhecimento exigido a uma testemunha. em qualquer campo em que houver lugar para a adição e a subtração haverá também espaço para a razão. empirista. não nomeiam coisas do mundo.  Leviatã – 1651. Hobbes encontrava. porque todas as coisas nomeadas são individuais e singulares. é o conhecimento exigido a um filósofo. que constitui não apenas uma obra-prima de filosofia política que visava descrever a ação . O conhecimento de consequência é o conhecimento do que se segue do quê. na totalidade ou em parte. Há dois tipos de conhecimento: o conhecimento de fato e o conhecimento de consequência. p. Hobbes revolucionou ao formular suas teorias possibilitando a convivência destas duas correntes: sua filosofia é formulada através de um raciocínio correto dos fenômenos.. Há no nosso espírito uma sucessão contínua de pensamentos.  Do Cidadão (De Cive) – 1642. Hobbes é um nominalista firme.  Diálago entre um Filósofo e um Estudante de Direito Consuetudinário Inglês – 1666. Todas as substâncias são necessariamente corpóreas e.

combinada das forças que causam a instituição do Estado ou. não tinha qualquer relação com a vontade de Deus. “GUERRA DE TODOS CONTRA TODOS”. O momento histórico vivido por Thomas Hobbes era marcado por uma grande interferência da Igreja no Estado. de poder e de glória. era filho de Étienne Pascal. 2005.somente por meio de um contrato social entre os súditos que delegue. mas os contratos individuais que os seus súditos fazem entre si.C) Vida Blaise Pascal Nascido em Clermont-Ferrand. que tomam a forma de princípios de interesse pessoal racional. e que por esses meios . haverá entre eles conflitos constantes e uma competição não regulamentada pela posse de bens. num estado de natureza. no seu estado natural. ensinou-lhe como haviam sido reduzidas as gramáticas sob certas regras. Mas existem “leis da natureza”.237). de receitas para a maximização das possibilidades de sobrevivência. Sendo as capacidades naturais dos homens aproximadamente iguais. nunca o enviando a colégios. (Nicona. não existem leis. que demonstra ser a criação do Estado nada mais do que pura vontade política. todo o poder a um soberano. Mostrava-lhe de um modo geral o que eram as línguas. nos seus próprios termos. Mesmo quando. a família Pascal mudou-se para Paris. da Comunidade. Estas leis levam os homens. independente da vontade divina. e tendo eles interesses pessoais iguais. era um ato puramente humano. um ser artificial. a educação de Blaise permaneceu ao encargo do pai. o pai encarregou-se de sua instrução. viver fora de uma comunidade. A prova de o Estado ser leigo é o contrato social. para sempre e irrevogavelmente. Começa por descrever aquilo que significa. Este estado pode ser descrito como um estado natural de guerra. criado pelo pacto entre os homens. Para Hobbes. para os homens. mas um contrato sem a espada não é mais do que um sopro de voz. torna-se lobo dos outros homens. que tais regras tinham exceções assinaladas com cuidado. O soberano é instituído por meio de um contrato de todos com todos. em que cada homem suspende os seus direitos com a condição de todos os outros fazerem o mesmo. no verdadeiro sentido da palavra. Ele afirmava que o Estado era uma criação do homem. a procurar a paz e a prescindir de alguma da sua liberdade em troca de iguais concessões por parte dos outros homens. a 19 de junho de 1623. Blaise Pascal (1623 – 1662 d. Num estado de natureza. em 1631. em que cada indivíduo não submetido à lei e a um poder supremo. É uma lei da natureza que os contratos sejam observados. pode-se sair de tal situação – em que a segurança pessoal está eternamente em perigo . essa expressão refere-se à inevitável condição do homem no estado de natureza. e é dever do soberano impor não apenas o contrato original que constitui o Estado. que o tinha como uma criação da vontade de Deus. p. Conforme os princípios do absolutismo.

fundadores da Igreja Metodista. ora dura. Blaise Pascal tinha completado 23 anos quando conheceu dois religiosos ligados ao jansenismo. e. esta época foi de muita valia espiritual para o Filósofo. Aperfeiçoou o barômetro de Torricelli e. Quando o Papa Alexandre VI declarou herética a doutrina de Jansênio. vinho. Juntamente com Pierre de Fermat. Tratado sobre o Peso da Massa no Ar – 1654 Tratado do Triângulo Aritmético – 1654 Tese / Pensamento . etc. Obras Principais      Cartas Provinciais (1656 – 1657). Um dos seus tratados sobre hidrostática. que o neerlandês Huygens ampliou posteriormente (1657). na matemática. trabalhando com artesãos. É no mosteiro de Port Royal. Tratado Sobre o Equilíbrio dos Liquidos – 1654. que as fez circular anônimas. enunciou os primeiros trabalhos sobre o vácuo e demonstrou as variações da pressão atmosférica. foles e tubos de vários tamanhos e formas com líquidos como: água. Levou dois anos para produzir a máquina. A partir de então. vivendo com a família em Rouen. publicou o célebre Traité du triangle arithmétique (1654). da prensa hidráulica e da transmissibilidade de pressões. dividir e multiplicar sem saber aritmético. Tratava-se de um movimento religioso que tentava restaurar a intensidade da fé católica e uma disciplina religiosa severa. Apesar de Blaise Pascal ter apoiado Jansênio. A doutrina de Jansênio foi dada como herética pelo Papa Alexandre VI e as cartas de Pascal censuradas pela Igreja. Como teólogo e escritor destacou-se como um dos mestres do racionalismo e irracionalismo modernos e sua obra influenciou os ingleses Charles e John Wesley. uma calculadora mecânica. a "perfeição da moral cristã" dos primeiros séculos do cristianismo. Esclareceu finalmente os princípios barométricos. só foi publicado um ano após sua morte (1663). abordava os aspectos discutíveis da Companhia de Jesus. que permitia a qualquer um somar. inventou a máquina aritmética. desenvolveu extensivas pesquisas utilizando sifões. que na época trabalhava como coletor de impostos. De volta a Paris (1647).” Aos 19 anos. ar. seringas. subtrair. Pensamentos – 1670. a partir daí retomou as pesquisas científicas e matemáticas. Blaise Pascal foi obediente ao Papa. influenciado pelas experiências de Torricelli. nas quais a dialética habilíssima e com uma ironia ora subtil. mercúrio. Traité de l'équilibre des liqueurs. no vácuo e sob pressão atmosférica. estabeleceu as bases da teoria das probabilidades e da análise combinatória (1654).todas as línguas haviam podido ser comunicadas de um país para outro. óleo. Seu objetivo era ajudar o pai. que Pascal escreve as Cartas Provinciais.

mas sim a um tipo peculiar de inteligência. escreve um texto Prefácio ao tratado sobre o vácuo. então. Ao método geométrico de Descartes (esprit de géometrie). sem dirigida especialmente contra o método geométrico cartesiano e contra a mentalidade geométrica do seu autor. na física e na geometria. reina a outra. o método geométrico é válido para as ciências exatas. à precisão da razão. que reanimou a velhíssima controvérsia sobre o "horror ao vácuo". A partir de suas observações dos jogos de dados desenvolveu os seus cálculos de probabilidades.filosofia. Um dos últimos trabalhos científicos de Pascal nesse período é o Tratado Sobre as Potências Numéricas. Neste texto Pascal divide o conhecimento humano em dois tipos: um baseado na autoridade e na tradição. O método aplicado por Pascal para estabelecer essa área abriu caminho a descoberta. mas confusos e obscuros. em vez de idéias claras e distintas. À razão pertencem os conhecimentos científicos. realizando experiências com problemas aritméticos.nas quais. sendo seu melhor exemplo a teologia. Com 12 anos por si só descobriu a matemática. o método geométrico não tem valor absoluto nem mesmo no reino da ciência. rejeita apenas a pretensão de aplicá-lo a qualquer verdade. não se refere exatamente aos sentimentos. O coração está na fonte dos conhecimentos humanos de maior valor. realizada por Leibniz (1646-1716) e Newton (1642-1727). eles são aprendidos mais pelo coração do que pela razão. Ele passou. uma vez que foi impedido por seu pai o contato com livros sobre o assunto. então. "Mas o campo em que a autoridade tem a força principal. do cálculo integral. Pascal não condena totalmente o método geométrico. a famosa fórmula da Geometria do Acaso. A essa questão voltará mais uma vez em 1658. já que os primeiros princípios dela não são claros e distintos. da religião e da filosofia. já o mesmo não ocorre com as matérias que caem no âmbito dos sentidos ou do raciocínio: aí. conhecimentos que a razão não pode compreender nem justificar: as verdades da moral. A sua contribuição para a ciência foi significativa e de grande importância. O erro de Descartes consiste em ter exagerado o fator intelectivo (negligenciando completamente o fator afetivo) e a importância da razão e da especulação (subestimando a contribuição do coração). pois ela é inseparável da verdade e somente pela autoridade. Pascal contribuiu no campo da hidrostática. conhecemos a verdade: de modo que para obter certeza plena nas matérias mais incompreensíveis para a razão. Pascal opõe o método afetivo (esprit de finesse). Na física. O Triângulo de Pascal foi um dos trabalhos resultantes dessas pesquisas com jogos. que pretende reduzir tudo a idéias claras e distintas. curva descrita por um ponto da circunferência que rola sem deslizar sobre uma reta. o entusiasmo do coração. às idéias claras e distintas. prevalecem idéias complexas.Blaise Pascal revelou-se gênio desde cedo. Segundo ele. na experiência e na razão sendo a física um modelo. as idéias emocionantes. a dedicar-se aos estudos das probabilidades. Atuou na matemática. mas são suas reflexões filosóficas e teológicas que mais surpreende a humanidade. num derradeiro estudo científico sobre a área de ciclóide. o . Segundo Pascal. basta mostrar que estão nos livros sagrados. religião . lá. Pascal ao falar sobre o coração na sentença: "O coração tem razões que a própria razão desconhece". desenvolvendo importantes estudos que tiveram como inspiração as descobertas do italiano Evangelista Torricelli sobre a pressão atmosférica. é o da teologia. moral. em especial às da esfera religiosa. a autoridade é inútil e esses conhecimentos dependem só da razão. mas carregadas de verdades. Não parou por aí. Em crítica a Descartes. "A verdade de Deus não pertence a pura ordem geométrica nem a pura ordem física. outro. Razão e autoridade têm seus direitos delimitados: aqui prevalece uma. no qual trata da questão da Ciência e da Tradição. em que aborda a questão dos "infinitamente pequenos". não para as humanas . Pascal.

" Pascal descobre a tragédia". A aposta de Pascal assemelha-se à prova Anselmiana da existência de Deus pelo fato de a maioria das pessoas que ouve falar dela. Se ganhar. Deus não existe.245). pelo que a aposta é infinitamente atraente. se perder. é necessário não esquecer que Pascal se volta ao ateu e quer persuadi-lo.. não a razão. e pode-se afirmar que foi um dos fundadores da teoria dos jogos. Pascal se opõe totalmente a uma interpretação sentimentalista ou fideista do problema de Deus.. (. a razão nada pode dizer-nos por si só. que terá um de dois resultados possíveis. em comparação com aquilo que nos é oferecido na vida atual. no qual também participou. No íntimo. p. Os Pensamentos revelam ser os escritos de um homem a quem "o silêncio eterno dos espaços infinitos apavora". O homem é incapaz de ficar parado sem sentir tédio. Pascal volta a dedicar-se à ciência (estudos sobre a ciclóide e sobre a roleta. a recusa intramundana do mundo e o apelo de Deus.Deus vivo não é uma proposição nem um fenômeno. é tal que a aposta na existência de Deus é boa mesmo que a probabilidade de não ganhar seja enorme. e aquilo que se perde é nada. como anteriormente. seja crente ou ateia. Na fase final de sua vida e de sua obra.) O verdadeiro objetivo é o aturdimento. que deseje a Deus. seguidos de discussões com vários sábios da época). Por outro lado. A proporção da felicidade infinita. quer acerca da existência. E é estendendo o . não é de modo algum claro o que significa apostar na existência de Deus. o paradoxo. Dizemos: Ou Deus existe. ou não. a fuga de si mesmo. desde que seja apenas um número finito. quer acerca da natureza de Deus. Portanto essa aposta é boa. senão a razão concreta. Deus existe. Que partido devemos tomar? Neste caso. a razão nada pode determinar. se poderá conquistar a felicidade infinita. não a razão. "a incerteza radical e certa. Esta é a fé: Deus sensível ao coração. Nisso reside a sua infelicidade (. isso não depende da nossa vontade. e não apenas três vidas. como Pascal julgava. as hipóteses são iguais para os dois lados. 2005. ao pensamento que também é coração.. pressentir qualquer coisa estranha. Mas quanto deve-se apostar? Suponhamos que lhe são oferecidas três vidas de felicidade em troca da aposta da sua vida atual — supondo. Suponhamos que aposte que Deus existe. e. escreve Lucien Goldmann. e é o coração quem sente a Deus. No caso da aposta. do outro lado desta distância infinita. Em qual deles apostas? Não temos a possibilidade de não apostar. joga-se um jogo. tendo feito a sua mais famosa aplicação da então nascente disciplina à existência de Deus. como podemos ter a certeza de qual o tipo de vida que Ele recompensará com a felicidade eterna? Nessa terceira fase de sua vida. Pascal exprime uma só certeza: a de que a única verdadeira grandeza do homem reside na consciência de seus limites e de suas fraquezas.. (Nicona.) A dolorosa reflexão sobre a existência e sobre a morte é universal. . que as possibilidades de ganhar e de perder são de metade para cada lado. Interessou-se pelo desenvolvimento da teoria matemática da probabilidade. Não faria sentido apostar toda a sua vida? Mas a verdade é que aquilo que lhe é oferecido é uma eternidade de vida feliz. sem ser capaz de dizer exatamente o que é. É necessário que o ateu esteja disposto a recebê-los. mas seus escritos religiosos perdem o tom apologético para tornarem-se trágicos. É possível persuadir o ateu com os argumentos racionais? Não. Deus deve ser sentido. todos os homens tem medo e são infelizes. Separa-nos um abismo infinito. o jogo já tinha começado e. tanto quanto a razão nos pode mostrar. Deus não é sensível a razão geométrica dos matemáticos e dos dogmáticos. Mas se.. Isto é.

Também se dedicou ao estudo de Sócrates. Epicuro. mas sempre fiel ao ideal de vida que sempre.paradoxo até o próprio Deus . Espinosa aprendeu o ofício de polir e fabricar lentes ópticas. vítima da tuberculose.que para o homem é certo e incerto. No verão de 1656. Hasdai Crescas. Foi um dos grandes racionalistas do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna. Um fanático tentou apunhalá-lo. do Talmude e de obras de judeus como Maimónides. ou pequenas hospedarias. pois a irmã tentou tira-lhe a herança paterna. defendendo que o mesmo é o mecanismo imanente da natureza e do universo. Para poder sobreviver. Ibn Gebirol. Aristóteles. escapando devida sua agilidade. Após ser expulso foi abandonando pelos amigos e por seus parentes. como se fosse um tratado de geometria. Depois da infame expulsão. Espinosa buscou um lugar pra si em uma pequena aldeia holandesa. apenas em 1670. Moisés de Córdoba e outros. no seio de uma família judaica portuguesa e é considerado o fundador do criticismo bíblico moderno. devido a seus postulados a respeito de Deus em sua obra. Ben Gherson. Foi um profundo estudioso da Bíblia. esperança e risco . Espinosa morreu em 1677. encontrado uma hospedagem mais fixa na casa do seu amigo. aos 44 anos. a Sinagoga Portuguesa de Amsterdã o puniu com expulsão.C) Vida Baruch Espinosa nasceu em 24 de novembro de 1632 em Amsterdã nos Países Baixos. em 1670. Platão. Posteriormente. e ainda devido ao fato da sua ética ter sido escrita sob a forma de postulados e definições.que Pascal pôde escrever os Pensamentos e abrir um capítulo novo. o Homem e a sua felicidade – 1661  Tratado da Emenda do Intelecto – 1661  Tratado Teologico – Politico – 1676  Ética demonstrada à maneira dos Geometras – 1677 Tese/ Pensamentos . Obras Principais  Tratado Breve sobre Deus. juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz. presente e ausente. A sua família fugiu da Inquisição de Portugal. Lucrécio e também de Giordano Bruno. e a Bíblia uma obra metafórico-alegórica que não pede leitura racional e que não exprime a verdade sobre Deus. Ibn Reza. andou de hotel em hotel. o pintor Van der Spyck. tendo. Demócrito. onde começou a escrever a sua maravilhosa obra. Ganhou fama pelas suas posições de panteísmo e do monismo neutro. Baruch Espinosa (1632 – 1677 d.

isto é. mas não se separa deles. mas deve ser observada não do ponto de vista da causa. a compreensão do todo não é um simples exercício intelectual. a natureza coincide com Deus. De acordo com Espinosa. vivos ou não.  Deus e a realidade são uma coisa só. éticas e políticas. Seu ponto de partida é ousado: se Deus é onipresente. então. afirmando que a autodeterminação. o filósofo descarta também o tradicional sistema de punições e recompensas a ela associado. criador e transcendente. estamos diante de uma filosofia que nega a existência de um Deus moral. ou seja. Não é necessária a existência de uma divindade transcendente como a dos monoteísmos dualistas. ficam abaladas as bases da moral tradicional. agir em função da natureza de cada um. o que evidentemente inclui os humanos. pois. Nada é tão incompreensível que precise ser revelado. mas sim imanente. Não é difícil. Já a teologia se baseia em “verdades” acessíveis só a poucos. mas dos efeitos. suas mentes e seus corpos NATUREZA NATURANTE / NATUREZA NATURADA Na terminologia espinosista a Natureza Naturante é Deus ( e os seus atributos). Principais Idéias:  a realidade é una. estão dadas as condições para que o homem alcance a liberdade por meio do conhecimento. na qual se identifica Deus com a Natureza. Espinosa propõe a separação entre o Estado e a . Com tais negações. Nada é misterioso. o conjunto de todos os seres. Para Espinosa só existe uma única substância ilimitada que se manifesta numa infinidade de forma e com infinitos atributos. Em conseqüência. tudo o que existe no mundo natural pode ser compreendido pela razão humana. Nega a imortalidade da alma e a natureza pessoal de Deus. não há como imaginá-lo fora do mundo. Ao contestar a crença num Deus controlador e transcendente. Se o homem é um modo de expressão divina e se Deus é a Natureza.  a mente e a realidade também são unas. Esta concepção panteísta está bem patente nas suas concepções metafísicas. para os quais Deus está fora do mundo que criou.Sua filosofia funda-se numa concepção panteísta da realidade. a natureza é mãe e filha de se mesma. veremos que a identidade Deus/Natureza/substância única é particularmente nítida na Ética. Para ele é possível compreender a totalidade do real por meio da razão. Em seu Tratado teológico-político. produtiva e criativa que vivifica o mundo. transcendente. Se examinarmos o conjunto da obra espinosista. O divino faz parte de tudo o que existe no mundo natural. 2005. (Nicona. isto é. a natureza naturada é a mesma coisa. ou seja. Espinosa é um filósofo racional e imanentista. a causa que produz seus efeitos. Não é. hermético ou oculto. Em Síntese: a natureza é a única realidade existente. Rejeitou o Livre-arbítrio. Deus é a causa imanente eficiente. Sendo Ele a própria Natureza. a atividade interior. é a única liberdade possível. compreender por que o filósofo foi tão repudiado em sua época e até cerca de cem anos depois. é um exercício de liberdade. Dessa maneira.256). a filosofia é o saber natural e racional dos homens livres.  o propósito da filosofia é perceber a unidade que existe na diversidade e buscar a síntese dos opostos. p. entendido como causa imanente da própria matéria.

seu pai faleceu quando tinha seis anos. Em 1666 escreveu De Arte Combinatória. Esse conhecimento permite. Pois para Espinosa o tempo é irreal: como está logo no início da Ética. a política e a religião. Em 1666 obtém o grau de doutor em direito.Igreja.que descubramos a origem das essências infinitas. opiniões. verbal ou não. efeitos e ligações (Espinosa sustenta que uma idéia isolada nada significa: é preciso conhecer também os modos pelos quais ela se liga a outras idéias). imaginando uma reforma geral do saber. O conhecimento racional vê as coisas de modo abrangente. porque vê tudo em termos de absolutos que estão sempre em antagonismo e produzem idéias imprecisas. da qual seria secretário durante dois anos. Wilhelm Leibniz (1646 – l716 d.) Vida Nasceu em 29 de agosto de 1632. religiosa e os aspectos místicos da Cabala judaica não estão excluídos desse rol. ele afirma que o medo gera e mantém a supertição. chegamos às idéias adequadas e alcançamos a condição de indivíduos ativos. o homem racional pode ver o mundo como Deus o vê. ou intuição intelectual. Por meio dele. pelo ensaio prenunciando uma das mais importantes doutrinas da posterior filosofia.é assunto de análise combinatória. o homem se põe num estado contemplativo da ordem do Universo. a filosofia e o conhecimento revelado. explorando os textos da rica biblioteca do pai. toda descoberta. política. seja ela filosófica. . mas sim a ausência de tempo. Além da jurisprudência. o que se consegue mediante a compreensão da ordem necessária e imutável da substância única. Espinosa distingue três espécies de conhecimento. Seria o conhecimento proporcionado pela ciência. Nessa época afilia-se à Sociedade Rosacruz. Goufried Wilhelm Leibniz fez sua formação como autodidata. suas causas. Foi o primeiro a perceber que a anatomia da lógica . Não é um conhecimento adequado. sons ou cores. em que se diplomou.C. no qual formulou um modelo que é o precursor teórico de computação moderna: todo raciocínio. gera paixões que escravizam as pessoas a tudo o que é externo. A primeira é o conhecimento sensível. presente e futuro. na Inglaterra. que se caracteriza pela subjetividade e pela imaginação. em Nuremberg. e que não existe nada mais eficaz do que ela para governar as massas. o que se costuma chamar de eternidade não é uma temporalidade interminável. elas passam a ser entendidas sem levar em conta as dimensões em que usualmente dividimos o tempo: passado. palavras. Com isso.“as leis do pensamento”. Por meio dele. como estudante de Direito. realizou estudos de matemática (cálculo infinitesimal) e de filosofia. Em 1663 ingressa na Universidade de Leipzig. Dotado de extraordinária inteligência. é o mais importante dos três. é redutível a uma combinação ordenada de elementos tais como números. Tendo compreendido isso. a fundação de uma ciência universal enciclopédica a ser elaborada por meio da colaboração organizada das melhores mentes européias. Mostra-se contra qualquer espécie de superstição. O conhecimento intuitivo. que conhecem as idéias. professor universitário de direito. Nessa mesma obra.

Tinha vinte e seis anos. mas teceu duas criticas ao materialismo moderno. fazendo as quatro operações. Obras Principais:  DA arte Combinatória (De Arte Combinatoria) – 1666. da qual foi o primeiro presidente. cujos melhores trabalhos tratam da teoria ondulatória da luz. sendo eleito membro estrangeiro da Sociedade antes de sua volta a Paris em março de 1673. Leibniz organizou a Academia de Ciências da Prússia. devido à relutância de Newton em dividir as descobertas matemáticas. Em Londres. compareceu a encontros da Royal Society. Leibniz criou uma máquina de calcular. o cálculo continuava uma curiosidade relativamente não procurada. é supremamente bom. Durante toda a vida. Diz que ele não faz nada ao acaso. buscando nas genealogias provas legais do direito ao título.. O valor da razão reside no seu lado prático. absolutamente não explica o motivo da morte de Sócrates.. A vontade do criador está submetida à sua lógica e a de seu entendimento. encontra-se na Biblioteca Real de Hanôver aguardando o paciente trabalho de estudantes. quando passou a ter aulas com Christiaan Huygens. por exemplo. As pesquisas levaram-no pela Alemanha.  Novo sistema da Natureza – 1695. mas o homem pode conhecer o universo inteiro. mas ignora as causas últimas. dos conhecimentos específicos. enquanto na Inglaterra. superior à que fora criada por Pascal. É uma visão racionalista do mundo. e a mente divina seria impregnada de racionalidade. é capaz de formar uma “máquina” com apenas um simples líquido. muito menos publicando. nunca revisando. Em 1676. em que exibiu a máquina de calcular. Morreu solitário e esquecido em 28 de outubro de 1704 com 72 anos. [. tendo passado os últimos quarenta anos trabalhando exclusivamente para a família Brunswick. Deus é engenhoso. Em 1700. paralelamente à Matemática. Tese/ Pensamentos Leibniz era um racionalista. No período entre 1677 e 1704. sendo necessária apenas a interação com as leis da natureza para desenvolvê-la.] Uma perfeita descrição dos efeitos da cicuta. Leibniz encontravase dois séculos à frente da época. Esta Academia permaneceu como uma das três ou quatro principais do mundo até que os nazistas a eliminaram. alegando-se juventude. onze anos depois da descoberta não publicada de Newton. chegando a confirmar para os empregadores o direito a metade de todos os tronos da Europa. o cálculo leibniziano foi desenvolvido como instrumento de real força e fácil aplicabilidade no continente. já tinha desenvolvido algumas fórmulas elementares do cálculo e tinha descoberto o teorema fundamental do cálculo. explica a existência de Deus. O universo não foi feito apenas pelo homem. que só foi publicado em 11 de julho de 1677.  Ensaios de Teodicéia – 1710. Leibniz trabalhou para aristocratas. A maior parte dos papéis em que rascunhava suas ideias. Aos 22 anos. no que concerne à matemática e à lógica. Ela pode conhecer o princípio matemático das coisas. foi-lhe recusado o grau de doutor. Mas o mundo é mais do que a razão. Tudo o que existe . Áustria e Itália de 1687 a 1690.Na visão que teve da existência de uma “característica universal”. Usando a teoria da causalidade.

(Nicona. p. que constitui o . Retomando o critério da causa final. A natureza constrói máquinas em que cada parte é constituída por outras máquinas. pela qual Deus criou o melhor dos mundos. a Mônada espiritual. espiritual e incorpórea. e é de natureza metafísica. apesar de ser influenciado por Descartes. não passam das aparências. por outras ainda menores. Leibniz fala que isso é um erro. que fez dele sinônimo de Providência divina. Leibniz volta-se para uma reflexão metafísica que o levará a contestar Espinosa e a elaborar o conceito de Mônada.258). que foi retomado por Giordano Bruno e Leibniz desenvolveu. É um conceito neoplatônico. (Nicona.264). 2005. uma força. p. Bruno). já identificado por Aristóteles como verdadeira substância dos fenômenos. Em cada pequena parte desses seres.. em relação a este. o finalismo entrou em crise com o advento da revolução científica. E refuta o mecanicismo. sem que seja possível encontrar uma razão que explique por que é assim e não de outro modo. O finalismo foi teorizado pela primeira vez por Aristóteles e aceito pelo Cristianismo. Mas. Descarte havia dito que a constante nos fenômenos mecânicos é a quantidade – movimento. Os seres orgânicos são máquinas divinas. Leibniz chama de enteléquia e Mônada a substância tomada como coisa em si.264). p. Assim como o mecanicismo. e nada acontece sem uma profunda razão suficiente . O ponto principal do pensamento de Leibniz é a teoria das Mônada. por sua vez. não são a essência. Conforme a hipótese finalista. segundo Leibniz. e estas. Chegando ao limite infinitesimal. Transformado em um dos fundamentos do pensamento mágico durante o Renascimento. zombou da simplicidade do método. Existe algo que está além da física da extensão e movimento. Diz que a extensão e o movimento. no fundo da matéria. porque o processo de divisão da matéria pode ser levado ao infinito.] Descartes havia explicado o funcionamento do corpo humano recorrendo ao modelo hidráulico das fontes. que são do querer divino.Agir para um fim e. (Nicona. O que determina o movimento dos astros celestes ou a evolução biológica das espécies animais não é o acaso e tampouco um rígido determinismo. As Mônada (unidade em grego) são pontos últimos se deslocando no vazio.O termo Mônada (ou Mônade) literalmente significa unidade. É a maneira pela qual se realiza o finalismo superior. 2005. em um certo sentido.isto é. mesmo o menor. no qual cada componente. MÔNADA . existe uma diferença substancial entre a tecnologia humana e o mundo biológico. Leibniz. obviamente nem sempre consciente. é dotado de vida própria. As leis elaboradas pela mecânica são leis de conveniência. e era típico da tradição pitagórica e neoplatônica (de Cusa. a natureza também seria movida por análogo critério de intencional idade. aquilo que não se pode dividir mais. 2005. há uma peça dessas máquinas. encontra-se um princípio incorpóreo. mas a realização de um propósito. ao contrário do que afirmavam Descartes e Demócrito.. Finalismo . Leibniz adotou-o para indicar a unidade de medida da força viva. Leibniz critica a visão cartesiana de máquinas. tendo em si sua determinação e finalidade.tem uma causa final que define o seu propósito e a sua existência. simplicidade. a energia cinética. figura e número. [. para ele a constante é a força viva. avaliar os próprios meios é típico da atividade humana.

fala que cada mônada espelha o universo inteiro. . que advém do homem. o que melhor espelhava sua perfeição. Cada substância tira tudo de seu interior. Leibniz. Deus é a mônada das mônadas. Leibniz. Isso se aplica também ao tempo. poque as coisas estão presentes em maior ou menor grau nelas. Uma substância incriada. A perfeição de Deus garante essa vantagem. Estamos no melhor dos mundos possíveis. por meio natural. pois ele escolheu dentre os mundos possíveis. Como já disse. as mônadas. a partir do nada. É aquele estado de consciência no qual a alma fica sem perceber nada distintamente. ele diz: “o presente está grávido do futuro. Deus governa o mundo com leis materiais e espirituais. que deriva da finitude do que não é Deus. Nos animais essa enteléquia é a alma. A mônada é atividade limitada. nós não nos recordamos do que vivemos. controlados pelo grande Deus. 2005. Ele escolheu esse mundo por uma necessidade moral. São pontos imateriais como átomos. A harmonia pré-estabelecida. É dessa imperfeição. no sêmem já existe um animal. Deus conhece a tudo perfeitamente. o ser só é. é que não existe geração nem morte. São unas assim como a mente. formulou três hipóteses: Uma ação recíproca.260). que torna a essência obscura que nasce a matéria. Deus criou e cria. Ele só precisa se desenvolver. Deus o faz para evitar males maiores. segundo a vontade divina. Porém é da relação entre elas que nasce o espaço e matéria. O original em Leibniz. Uma substância. Para conhecermos a realidade precisamos conhecer os centros de força que a constituem. não de Deus. todas as outras substâncias. não pode perecer. elas seriam a mesma. só existe. a alma é entendida como espírito.para explicar a interação entre a matéria e o espírito. Não existem duas substâncias exatamente idênticas. Mas se esse mundo é tão bom porque existe o mal? Na Teódiceia. (Nicona. O mal moral. A mente apresenta diversidade. porque é o melhor possível. bem como várias representações. para corrigir. A realidade é composta de mínusculas partículas. original e simples. A mônada deve ser pensada junto com a mente. Leibniz indentifica três tipos de mal: O mal metafísico. São e formam tudo o que existe. Os organismos são um agregado de mônadas unidos por uma enteléquia superior. Até aí nada de novo. na sua teoria das mônadas. e sob diferentes ângulos e aspectos. Tudo está em tudo. É o pecado. que tem uma riqueza infinita. Uma coisa já está em potência na semente . Nos homens.” Uma mônada se diferencia da outra. pois se houvesse. Leibniz identificou a percepção inconsciente na natureza humana. a mônada é imaterial. p. Existem vários pequenos deuses. pois a atividade ilimitada só se encontra em Deus (um tipo especial). As atividades principais das mônadas são a percepção e a representação. Intervenção de Deus em todas as ações. Só existe desenvolvimento.fundamento último da realidade. O mal físico.

Ficou neste cargo até 1700. John Locke (1632 – 1704 d. após a Revolução Gloriosa na Inglaterra. critica a tradição que afirmava o direito divino dos reis. Medicina e Ciências Naturais na Universidade de Oxford. a espontaneidade e a contingência. após o restabelecimento do protestantismo.) Vida John Locke. onde desenvolve sua teoria sobre a origem e a natureza de nossos conhecimentos. No Primeiro tratado sobre o governo civil. retornando para a Inglaterra somente em 1688. onde lecionou grego. Locke rejeitava a doutrina das ideias inatas e afirmava que todas as nossas ideias tinham origem no que era percebido pelos sentidos. A liberdade da alma consiste em nela encerrar um fim em si mesma.Leibniz coloca que as condições para a liberdade são três: a inteligência. Locke teve uma vida voltada para o pensamento político e desenvolvimento intelectual. nasceu em Wringtown. expõe sua teoria do Estado liberal e a propriedade privada. uma das mais conceituadas instituições de ensino superior da Inglaterra. Dedicou-se também à filosofia política. quando precisou sair por motivo de doença. no condado de Essex . No Segundo tratado sobre o governo civil. Escreveu o Ensaio acerca do Entendimento Humano. que terminou em 1689 com a subida de Guilherme de Orange ao trono e a instauração de um regime liberal.Inglaterra Nunca se casou ou teve filhos. AVida de John Locke está indissoluvelmente ligada à segunda revolução inglesa. Locke faleceu em 28 de outubro de 1704. 29 de agosto de 1632 foi um filósofo inglês e ideólogo do liberalismo. Estudou Filosofia. foi morar na Holanda. declarando que a vida política é uma invenção humana. não dependendo de externos. completamente independente das questões divinas. Locke foi nomeado ministro do Comércio. Com a subida ao poder do rei William III de Orange. Foi também professor desta Universidade. filosofia e retórica. Obras Principais:  Cartas sobre a tolerância (1689)  Dois Tratados sobre o governo (1689)  Ensaio a cerca do entendimento humano (1690)  Pensamentos sobre a educação (1693) Tese/ Pensamentos . em 1696. sendo considerado o principal representante do empirismo britânico e um dos principais teóricos do contrato social. No ano de 1683.C.

um papel em branco sobre o qual a prática do mundo externo e a reflexão do indivíduo sobre si mesmo imprimirão aqueles sinais que denominamos conhecimento. A memória é necessária para a ação intelectual. ao nascer. A correspondência entre duas idéias é importante para o conhecimento. Locke aponta duas fontes para o conhecimento empírico: ele é derivado da experiência sensível ou da reflexão. mas não se estar consciente disso. Para ilustrar essa teoria. e que é objeto imediato de percepção e pensamento.” Portanto. Locke também destitui de validade o argumento ontológico para a existência de Deus. Para Locke as idéias são as fontes do conhecimento. concordâncias. os selvagens não possuem qualquer idéia de Deus nem dos princípios fundamentais geométricos. e em outros as mesmas coisas são motivo de mérito. contrastes e discordâncias entre as idéias. nem tampouco destruí-las. e no mundo objetivo existe algo que tem o poder de fazer o intelecto entendê-las como tal. E secundárias como cor. Locke aponta a experiência como a única fonte possível de idéias. aliás. a figura. As idéias se conservam depois de percebidas. 2005. enfatizando o lado gnosiológico da origem das idéias e representações. o material do conhecimento. John Locke rebateu por ser contrário ao inatismo. As idéias estão no intelecto. e faz conexões. e defendeu a teoria de que o conhecimento deriva da prática. uma folha de papel em branco. Também é assim com os princípios morais. essa noção de idéia foi feita e corresponde com a idéia cartesiana. p. uma tabula rasa. Locke recorre a uma metáfora que se tornou célebre: a mente humana é. Não tem a ver com a idéia platônica.269).. parecem como são para os sentidos. Locke afirma ser absurdo existir certos princípios inatos. é “tudo que o espírito percebe em si mesmo. As secundárias são variações das primárias. Mas não pode criá-las. que. O intelecto humano não pode formular idéias do nada. Um corpo tem qualidades primárias. são subjetivas.. uma teoria voltada para melhorar o uso do intelecto.Locke desenvolveu. nem o espírito traz em si memórias e conceitos presentes a priori. os loucos. odor e sabor. há a consciência desse algo. segundo o qual determinadas verdades evidentes e intuitivas (idéias claras e distintas) devem obrigatoriamente preceder qualquer experiência. [. As idéias simples forçam uma passividade por parte do sujeito . da autoria de Santo Anselmo. Ele foi contra o inatismo presente em Platão e Descartes. que nasce da percepção delas.] Polemizando com Descartes. a partir da obra de Bacon. Compara a mente a uma tabula rasa. que pode operar sob diversos modos sob os dados dos sentidos e sob a reflexão. Locke demonstra com argumentos extraídos da experiência a inexistência de idéias inatas: as crianças. Para o argumento de que o intelecto pode criar idéias. A idéia para Locke. Isso demonstra experimentalmente que no conhecimento não existe nada de inato e tudo é aprendido com a experiência. formando assim as idéias complexas. todos os dados da mente derivam da experiência. a solidez. pois faz representações. Locke fala que em certos lugares coisas são repreensíveis. Se há algo na alma. A idéia em John Locke deve ser compreendida como o conteúdo da consciência. A experiência é a fonte e o limite do intelecto. Para Locke. (Nicona. Concluindo. São de quatro tipos: . John Locke responde que ele pode apenas combinar as idéias percebidas pelos sentidos. A alma trabalha o material percebido depois. como a extensão. Portanto. revelase falsa a idéia fundamental do Racionalismo cartesiano.

portanto a experiência) como base de todo o saber. O Estado não deve ser baseado na fé. quando um aparato do Estado tenta lesar os direitos inalienáveis do indivíduo. mas não vice-versa.o espírito percebe as diferenças e semelhanças das idéias. Procede e se desenvolve por concatenações. 2) o escopo do Estado é a salvaguarda dos direitos fundamentais do indivíduo (liberdade. A ciência nasce da relação entre idéias diferente. na idéia de que a partir da sensação se possa explicar também elevadas funções da mente (memória.  Coexistência ou não de um mesmo objeto. EMPIRISMO . 3) o Estado não está acima da lei. Não pode tudo. E por demonstração . A existência de Deus pode ser demonstrada racionalmente. Para John Locke. que algo existe desde a eternidade. A percepção da realidade pode ser feita de dois modos: por intuição . O direito natural da propriedade. na teoria. 2) assume a percepção (e. E ele é submisso às leis. Um governante. Vem da evidência imediata. 2005. Identidade e diversidade. o povo tem direito à revolução.. como outros teóricos afirmaram. é necessário para assegurar a validade do pacto social. fruto do trabalho é o fundamento do valor econômico vital do trabalho. Esses poderes são necessários para garantir a validade da lei e a ausência de tirania. p.é claro e certo. o início teria de vir de alguma outra coisa. a certeza que Deus existe é mais absoluta que as impressões dos sentidos. associação das intuições. e que se tornou o fundamento teórico da democracia moderna. pois se não existisse.  Existência real. John Locke usa a prova cosmológica para isso. Ele também dividiu. por exemplo) Se falhar. nem na religião. como afirmava Hobbes. mas também entre estes e o Estado. empirismo é a atitude de quem: 1) vê na experiência o critério último da verdade (aquilo que a razão sugere só deve ser considerado verdadeiro se passar por um controle experimental). (Nicona. . Nesse ponto. mas não de imediato. p.Em termos gerais. de forma intuitiva. cujo exercício já estava presente.274). 2005. não da religião. fantasia. 4) o cidadão reserva-se o direito de rebelião.  Relação. propriedade privada). mas o direito dele vem do povo. Sabemos.274).1790) e Ricardo (1772-1883).Teoria política defendida por Locke em oposição ao absolutismo de Hobbes. inteligência). LIBERALISMO . Uma idéia se diferencia da outra. . (Maquiavel. no estado de natureza pré-social. John Locke foi o fundador do liberalismo constitucional. Independente do eu individual que a percebe. que concebe o Estado submetido à um contrato. não necessita de prova. mesmo que imperfeitamente. (Nicona. sendo obrigado a observá-Ia. São estes os seus princípios: 1) o contrato social é estipulado não somente entre cidadãos. um príncipe. Pertence às substâncias. ele concorda com Descartes. John Locke influenciou o liberalismo de Adam Smith (1723. os poderes em dois: Legislativo e Executivo.

Sua filosofia pode ser dividida em três partes: a primeira está contida em Um Ensaio Para uma Nova Teoria da Visão (1709). Depois de um novo período na Irlanda. grego e teologia. Ele começou a teorizar sua visão espiritualista do mundo cedo. Em Siris (1744) está contida a terceira parte. Ali estudou matemática. Nessa época escreveu anotações de observações que receberam o título de Comentários Filosóficos. Conheceu Jonathan Swift em Londres. A filosofia de Berkeley não teve muita repercussão em seu tempo.George Berkeley (1685 – 1753 d. Em 1714 foi à Paris e depois Itália. Em 1709 publicou em Dublin o Ensaio por uma nova teoria da visão. virou pastor anglicano. e passou a lecionar hebraico. autor do célebre livro As viagens de Gulliver. e no ano seguinte Tratado sobre os princípios do conhecimento. morreu em Oxford em 14 de janeiro de 1753. Fica três anos à espera de recursos e volta para a Inglaterra. onde ele expõe suas concepções neoplatônicas. Tornou-se fellow do trinity College em 1707. Transferiu-se logo para Newport. fundar um colégio nas Bermudas para a educação de filhos de colonos e indígenas. uma obra já importante. Publica uma obra contra Newton. pois estava delineado seu estilo. Trata-se de diálogos entre um imaterialista e um materialista. Em 1710.) Vida Nasceu em Dysert. Berkeley é dono de um estilo engenhoso. Berkeley tentou. Aos quinze anos entrou no Trinity College de Dublin. no condado de Kilkenny. filosofia e autores clássicos. em 12 de março de 1685. viajou para a América tentando realizar um projeto seu: o de criar uma escola para evangelizar os povos selvagens. mas muitos de seus princípios são reencontrados no empirismo de David Hume e no idealismo alemão. Realiza outras viagens pela Europa. Irlanda. A segunda se caracteriza pela elaboração da teoria imaterialista. descrita em Tratado Sobre os Princípios do Conhecimento Humano (1710) e em Três diálogos entre Hylas e Philonous (1713). onde pretendia implantar o ensino superior. cuja tese central diz que a apreensão perceptiva dos objetos se faz pelo sentido do tato e não pela visão. Depois de viver vários anos em Londres. Obras Principais:  Ensaio Para uma Nova Teoria da Visão (1709)  Tratado Sobre Os Princípios Do Conhecimento Humano (1710)  Três Diálogos Entre Hilas E Philonous (1713) . Aos onze anos estudou no colégio da cidade natal. Foi o primogênito de seis filhos. Estudou em Dysert Castle. onde há poucos anos fora aluno Jonathan Swift.C. com grandes argumentações e coerente. infrutiferamente. nos Estados Unidos. Em 1713 chega o livro Três diálogos entre Hylas e Philonous. Como achava a Europa já um tanto decadente.

no entanto. Só podemos ter a percepção. A percepção é uma recepção passiva. ou seja. ou seja. mas elas também não são a essência. Portanto a percepção é para si. . Berkeley associa à substância a solidez e a massa. Ele dizia que não devemos discutir coisas das quais não temos idéias. eles existem. para quem os objetos são feixes de qualidades sensíveis e assim são apreendidos pelo espírito. p. Alciphron ou Filósofo das Minuncias (1932) Tese/ Pensamentos A doutrina imaterialista. ou seja. O mundo é uma representação. ao contrario. Portanto uma forma psíquica pode ser aplicada à substância. o bom senso comum exigido pela pratica do viver. Essa generalidade. O conhecimento gira em torno das idéias. como em outros autores modernos. No entanto. negação que constitui o que Berkeley denominou "novo princípio". o modo ordinário de enfrentar a questão. conteúdo da nossa consciência subjetiva. As qualidades objetivas que parecem tão concretas e que Galileu julgava inopinável (. Berkeley nega o significado filosófico de substância. diz que as percepções não são produzidas por nós.281).. A matéria é uma ilusão. O que se nega é a substância material. De fato. Berkeley não entende os espíritos que dão garantia a esse processo como espíritos finitos. conceituadas como objetivação de idéias. Portanto a essência não é a substância. representa um desafio para o pensamento ordinário... Philonous representa. mas são imateriais e ativas. A matéria não existe. Ele questiona o nosso conceito de realidade. supõe a dos espíritos. Usamos as idéias.] Hylas defende a idéia da realidade da matéria e representa.. Berkeley não nega a existência do mundo objetivo. como o mundo parece para nós percebidos pelos sentidos. já atingida por um processo de crítica que prolonga a negação das qualidades secundárias como qualidades de existência independente do preceptor que as apreende. Berkeley fala que percebemos de forma intuitiva. como as abstrações. existem somente Deus e o Espírito humano. “Todas as idéias vem de fora ou de dentro. 2005. as de dentro são pensamentos”. A generalidade que se pode atribuir às idéias é a de sua significação: a idéia de um triângulo pode servir para representar qualquer triângulo. Também as qualidades primárias dos objetos não têm existência independente. as pessoas existem. num processo que garante sua objetivação. As únicas coisas com existência efetiva são Deus e os espíritos humanos. Na verdade. Berkeley nunca negou a existência dos objetos. que constitui o núcleo da filosofia de Berkeley. As idéias são palavras com significado. mas somente na condição de objetos percebidos.) são apenas uma representação da mente [. não pode ser tomada como atributo da própria idéia. daí sua concepção platônica do espírito absoluto. Ela consiste na negação da matéria. não em si. nega enfaticamente a possibilidade de existirem idéias abstratas. a existência das coisas. Assim. portanto. "Ser é perceber ou ser percebido. correspondente a uma forma previamente percebida pelos sentidos a partir de um objeto particular. O Imaterialismo é a doutrina metafísica concebida por Berkeley. nunca concebemos um triângulo que não seja isóscele ou eqüilátero. o imaterialista. pois diz que ele não existe. o próprio filosofo ( Nicona." Essa afirmação sintetiza a filosofia do imaterialismo de Berkeley. mas apenas como um sistema de relações com outras idéias do mesmo gênero.

em Edimburgo. depois de uma experiência sem sucesso no comércio. atividade a que se dedicou com a intenção de recuperar-se de um intenso esgotamento intelectual. bem como os traços irracionais do seu . Berkeley inverte a fórmula do senso comum. era um cientista discípulo de Newton. que Spinoza desenvolvera. a bondade tem que existir. em seguida transformado em Universidade . Berkeley. Para o homem. As coisas são modos de existência das pessoas. iniciado com pouco mais de vinte anos de idade. desprovida de sentido. cujo professor de "filosofia". E para ter criado as idéias que existem no mundo. Pois a coerência do mundo garante a preservação do mundo. As idéias secundárias só existem na mente. O mundo está ligado ao pensamento. Berkeley fala que a noção de substância material (tão cara à física newtoniana) é contraditória. fixas. Nós temos idéias dentro das quais vemos as coisas. Berkeley questiona a visão de distância da ótica geométrica e recorda que a distância não parece igual para todos. Segundo ela. diz Berkeley. não há nada fora da mente. de física e ciências naturais. a coisa desaparece. O que torna as coisas sólidas. pois associa as sugestões dos dados do mundo. O homem pode fazer representações. E a percepção constrói as coisas. concluiu a necessidade da existência do espírito absoluto pelo fato de que as coisas sensíveis devem ser percebidas por ele. Não tem existência objetiva. fora do espírito? A percepção é um conjunto de sensações. Ao postular a existência de Deus como espírito infinito e garantia derradeira do processo de conhecimento. Permaneceu na França até 1737.) Vida De família escocesa. o fato de percebermos visualmente os objetos deve-se a uma associação entre certas sensações visuais e as idéias de distância. grandeza e posição proporcionadas pelo tato. Nós nos movemos e existimos em Deus. Deus tem de ser benevolente. ter idéias. bem como tempo e extensão. Ordinariamente. Stewart. À visão corresponderia apenas a percepção da luz e das cores. Como só há idéias simples. Deus recria o mundo a cada instante. É tudo uma questão de ponto de vista. O homem não percebe a coisa em si. aquilo que ele percebe são apenas as idéias. David Hume nasceu em 7 de maio de 1711. completando a redação de seu "Tratado". a essência. A sua propensão ao ateísmo e o cetiscismo.C. o exercício da percepção no mundo. pertencia a uma família abastada.Sua teoria sobre a visão pretende demonstrar a natureza da percepção visual da distância. e para isso acontecer. quando o reabro ela se constrói de novo. Fez bons estudos no colégio de Edimburgo . pois como saber que é como ele percebe. O homem nunca pode estar certo de ser seu conhecimento real. David Hume (1711 – 1776 d. da grandeza e da posição dos objetos. isto é. se acredita que todas as coisas são conhecidas ou percebidas por Deus porque se crê em sua existência. Em 1734 viajou para a França. devemos nos concentrar nas sensações. materiais é o hábito. citando uma noção teológica comum à sua época. sem o que elas desapareceriam. O Autor da natureza produziu nelas objetos.um dos melhores da Escócia. no entanto. Quando fecho o olho. Diz Berkeley que todas as impressões dos sentidos não podem existir sem uma mente que a perceba.

Hume diz que essa ligação não provém da razão. Posteriormente usamos essa associação em qualquer experiência semelhante. Ao ouvirmos uma voz. Obras Principais:  Seus Ensaios Morais e Políticos – 1742  Diálogos sobre a Religião Natural – 1751  História Natural da Religião – 1754  Investigação sobre o Entendimento Humano – 1759 Tese/ Pensamentos A filosofia de Hume tem origem tanto no empirismo de Locke como no idealismo de Berkeley. incluindo o de secretário de Estado (1768). Assim. De qualquer forma. A natureza sobrepõe-se à razão. Morreu na mesma cidade onde nasceu em 25 de agosto de 1776. não está na coisa em si. todos aceitariam como lei da natureza. A crítica do princípio de causalidade de Hume é famosa. seja por hábito ou por observação demonstrativa. As leis da natureza surgem assim. A base das ciências naturais para Hume é irracional. O princípo causal tem origem na experiência. Retornando à Grã-Bretanha. Ele Tenta reduzir os princípios racionais. Temos a mente formatada pelo costume e experiência. supomos que ela tem dono. quando na realidade não expressa mais que uma coisa que nós esperamos. por exemplo. pois nem sempre as mesmas causas produzem o mesmos efeitos. pode se concluir que eles estão ligados.pensamento. Na primeira vez que isso acontece associamos a voz ao dono. Tal é. Kant disse que Hume lhe despertou do seu sono dogmático. Mas Hume admite a existência objetiva dos efeitos da natureza. aceitaríamos da mesma forma. Como no tempo um fenômeno se sucede a outro. Aceitamos uma coisa como natural. Existe uma associação entre o anterior e o posterior. É a relação causa e efeito. Se isso fosse natural. como por exemplo controlar a força que dá vida e faz com que cada ser perceba de um jeito. Mas as verdades das leis da natureza são apenas as mais prováveis de acontecer. entre 1763 e 1765. estão ligados a causalidade e a indução. A causalidade não é objetiva. Mesmo um cético tem que aceitar a existência de um corpo. Dá preferência ao útil. A expectativa que um evento ocorra é humano. na consequência final. ocupou cargos públicos. . uma necessidade completamente subjetiva desenvolvida pelo hábito. é renunciar ao racionalismo. alcancou fama e sucesso como escritor de uma monumental Historia da Inglaterra. assustaram o mundo acadêmico. A certeza deve ser substituída pela probabilidade. o homem coloca ordem nas coisas. Fazem dele uma lei sobre as coisas. faz com que vejamos a natureza de determinada maneira. serviu na França como secretário da embaixada inglesa. no qual Hume nunca conseguiu entrar. O fato de esperarmos certos efeitos de alguns fenômenos. Para garantir sua sobreviência. Antes. a associações de idéias que o hábito e a repetição vão fortalecendo. Ser filósofo. mas se fosse de outra maneira. o caso do princípio de causalidade.

O homem pode captar. p. na imaginação ou no pensamento. da sensibilidade. e que se chama crença pelo hábito. porque encontramos regularidade típicas no movimento dos corpos. .] ( Nicona. Hume esta pronto a admitir que é possivel relevar também uma constância dos fenômenos. ainda não ficou esclarecido como é possível a percepção de coisas repetidas. e quaisquer outros princípios serão derivações destes. é possível. isto já foi visto. sem nenhum rigor. será preciso admitir que não existe nada na natureza semelhante a tal principio. pela estrutura interna do homem. ela advém da experiência do homem no mundo. E esta causalidade é necessária. também. Na construção do seu pensamento descreve três princípios básico que possibilita ao homem através de suas capacidades de impressão na sua singularidade . oriundas da experiência. perceber. que são representações das impressões do mundo. simplicidade e liberdade. fazendo uso das capacidades. segue estes três princípios. ela é real. toda conexão de idéias. Mas. é certo. Tem-se a idéia de causalidade pelas sucessivas e repetidas experiências de causa e efeito. pois. que a repetição desenvolve. sem nunca ter visto. ela é efeito. construir os objetos. também. Mas. como na imaginação. o pensamento não teria onde apoiar o seu rigor para agir. não totalmente de forma aleatória. as impressões internas e as externas. uma lógica no modo de fazer estas relações.. se levar às últimas consequencias o apelo empirista e confiar somente na experiência concreta e verificavel. Hume é empirista clássico: Tudo é oriundo da experiência. em forma de idéia. trabalhar com relações mais prováveis. e possui diversas capacidades e. alguns princípios que o possibilita relacionar idéias. abstrata ou transcendente. isto é. ou pela avaliação de experiências passadas. criada pelo homem. pode ainda guardar estas impressões. o seu efeito a seguirá necessariamente. um determinado tom de cor. pelas faculdades da memória e da imaginação. mas há aqui um rigor. Para Hume a causalidade se dá fundada na crença da repetição do futuro.O Principio basilar de todo pensamento cientifico da causa-efeito: determinados eventos podem ser previstos como consequências necessarias das causas que os produziram. Assim. ao se lembrar dos outros tons percebidos. podendo ser formada qualquer idéia a partir de outras. Causalidade é a garantia de que sempre que uma causa for posta. por um rigor. e é garantida. existe uma outra forma ou faculdade de relacionar idéias. possibilitadas pelos princípios de conexão. afirma Hume. sem a repetição.. não há qualquer sujeição das idéias à leis. Que a repetição vem da experiência. não necessariamente logica: se nunca tivessimos visto um choque entre duas bolas de bilhar seriamos incapaz de prever o seu movimento. por exemplo. formar esta idéia. nem em nenhuma abstração ou transcendência. o homem é extremamente complexo. No pensamento. as idéias compostas são sempre originadas a partir de idéias simples. pois não está nas coisas. tanto na imaginação como no pensamento. [. que é o pensamento. Para Ele. Para Hume. Mas isso implica apenas hábito. 2005. das maneiras mais incríveis. Imaginação é o meio de associar idéias sem nenhum critério. sendo eles:  Conexão entre as idéias > possibilita o homem sempre interligar e associar estas idéias de um modo específico. O que possibilita o pensamento é o fato de se perceber as coisas de forma repetida.Observamos o choque entre duas bolas de bilhar: certamente veremos uma continuidade espacial e temporal porque a bola atingida se move logo depois da primeira e começa o seu movimento onde a outra se detem. pois neste sentido.287). E no entanto. A causalidade não é ontológica.

É temperando o lado prático. A substância. Também o eu é somente uma coleção de estados de consciência. Durante os 11 meses em que permaneceu preso. com outras igualmente distintas. Por esta via. A origem da religião é o sentimento. devemos concluir que na realidade existem somente determinadas qualidades particulares dos objetos que a mente. que foi o símbolo do despotismo em 1789) por ter escrito versos que criticavam o governo. seja material ou espiritual. Mas também não dizia que eles não existiam. a palavra substância não descreve nem indica algo real. Hume não acreditava em milagres porque nunca havia visto um.  Causa e efeito > A contigüidade possibilita dizer que um fato antecede ou é posterior a um outro. [. entre 1369 e 1382. assim como a da moral. a água e a mesa.290). E esta associação é feita por semelhança. Por exemplo: Ao ver um copo com água em cima de uma mesa.. não existe. os princípios céticos são os mais úteis e agradáveis para a maioria. que obteve destaque em 1718 e fez dele o maior dramaturgo francês de sua época. Com efeito se ficarmos no âmbito do pensamento empirico. p. Moralmente aceitos. Hume chega ao ceticismo e ao fenomenismo absoluto. associa-se que o fato que antecede um outro pode ser a causa deste. a partir de Aristoteles. Os corpos não são mais que grupos de sensações ligadas entre si pela associação de idéias. pois em nenhum fato isto pode ser encontrado. mas que isto não está nos fatos. que não está na idéia nem na impressão correspondente. onde a maioria dos alunos pertencia à nobreza. Em 1717. diferentes e a princípio não-associáveis. François-Marie Arouet – Voltaire (1694 – 1778 d. e sim. associase que este é posterior a um outro e que irá antecipar um outro. que é dito efeito do primeiro.] (Nicona. sentimento. E também. distingue-se o copo. Assim também. mas isto devido a um princípio humano. voltado para a concretude da experiência. A noção de substância – aquilo que. As verdades morais não são eternas. a tradição metafísica indicou como essência ultima (não acidental) das coisas – não significa nada. foi encarcerado na Bastilha (uma fortaleza-prisão construída por Carlos V. depois de aprendê-las separadamente reagrupa e liga a um termo linguistico para facilitar a memoria e a comunicação. que possibilita a distinção e associação de idéias. nos princípios de conexão de idéias que o homem possui. A partir de 1712 Voltaire começou a ser admirado pela sociedade parisiense por sua inteligência e capacidade de fazer versos e entreter as pessoas.C) Vida Voltaire era filho de família abastada e estudou em escola jesuíta. escreveu a peça Édipo.  Contigüidade > que se dá no tempo e no espaço. 2005. que criamos a fé e os deuses. Semelhança > que faz com que se associe idéia de impressões distintas. de impressões. mas sim em quem a experimenta. temor e esperança. Voltaire escreveu mais .. ao experimentar um fato. e não qualquer outra combinação de elementos.

duas obras sobre Isaac Newton e alguns poemas e duas fábulas filosóficas. as autoridades condenaram o livro e Voltaire fugiu de Paris. Candido ou Otimismo. no campo da idéias. 1752. seus restos mortais foram transferidos para o Panteão. sempre carregadas de crítica moral.  Ensaios: Cartas Filosoficas ou Cartas sobre os Ingleses. ataque aos costumes. religiosa e de associação). elaborou o Dicionário Filosófico (1764) e terminou a História Universal. 1737. Micrômegas. sendo também um defensor do livre comércio contra o controle do estado na economia. Em 1749 o filósofo fixou-se em Berlim e três anos depois transferiu-se para as proximidades de Genebra no castelo Les Délices (As Delícias). sátira social. 1762. Elementos da Filosofia de Newton. faleceu em 1778. onde viveu até pouco antes de sua morte. 1746. 1764. refugiou-se no castelo da marquesa de Châtelet. também criticou o poder da Igreja Católica e sua interferência no sistema político. obteve grande sucesso. Em 1758. na fronteira entre a França e a Suíça. Voltaire mudou-se para a cidade de Ferney. Dicionário Filosófico. que atualmente é o Museu e Instituto Voltaire. Em decorrência de alguns problemas de saúde agravados com a viagem. Pelas críticas indiretas aos franceses.1733  Contos Filosóficos: O Mundo Como Está. Zadig.1747 . Tratada sobre a Tolerância. De 1726 a 1729. de um terrível terremoto. defendia as liberdades civis (de expressão. pelo cientista Isaac Newton e pelo filósofo John Locke. Questões sobre a Enciclopédia. Ali. Irene (1778). Durante esse período. Seu corpo foi levado para uma abadia na região de Champagne. viveu na Inglaterra. sendo as mais importantes a História de Carlos XII (1731) e Zaíra (1732). às leis e às instituições. combatendo o absolutismo. de louvor aos costumes. Em 1791. 1730 . 1750. escreveu várias peças. vitima cinco anos antes. às instituições e ao estilo de pensamento ingleses. Minemon. 1759. sua peça mais famosa. . Em 1734 foi lançado na França seu livro Cartas Filosóficas. impediu que Voltaire fosse enterrado em qualquer cemitério. um ensaio sobre metafísica. na França. 1718 Brutus. retornou à França e publicou várias obras. Em 1729. onde se encontram enterradas muitas das celebridades da França. Criticou as instituições políticas da monarquia. Tese/ Pensamentos Voltaire foi um importante pensador do iluminismo francês e suas idéias influenciaram muito nos processos da Revolução Francesa e de Independência dos Estados Unidos. Poema sobre Desastre de Lisboa. também chamada de Ensaio sobre os Costumes e o Espírito das Nações (1759-1766). 1755. Aos 83 anos. devido às diversas críticas desferidas à instituição pelo filósofo. onde sua última peça. Obras Principais:  Tragédias : Édipo. na região de Lorraine. de 1733. voltou para Paris. em Paris. onde conheceu os escritores Alexander Pope e Jonathan Swift e ficou atraído pelas idéias do filósofo John Locke e do cientista Isaac Newton. De 1734 a 1749. sendo influenciado. A Morte de Cesar.de 50 peças. Condenadas e quimadas em praça pública pelo carrasco de Paris. A Igreja Católica. 1776.

de percepção etérea. e de ele ser um estado alternativo. Tolerância – Os pensadores iluministas.298) . é válido. p. Por isso Voltaire é deísta. medíocres. Inteligência suprema.  Físicos – “a Terra está imóvel”. O fato de não podermos usar a razão enquanto vivemos um sonho. 2005. Preconceito é uma opinião desprovida de julgamento. seja na resolução de questões teológicas internas. como a luz. para Voltaire. em contraste com uma tradição milenar. contra a metafísica. Disso resulta num paradoxo.. a Igreja deve renunciar ao exercício da força. de que tudo deriva das sensações. pois Deus existe e não podemos conhecer os mistérios do universo. A sensação é tão importante quanto o pensamento. [. como os que sonham com acontecimentos futuros e pensam ser Deus o responsável. O Deus de Voltaire fez o mundo em tempos remotos e depois o abandonou ao próprio destino. O fundamento filosófico dessas doutrinas. ela acabará por existir. Esforçando-nos para ver a crença. Voltaire fala que o Ser Supremo. o gracejo capaz de demonstrar a agressividade. As crenças têm um lado subjetivo muito forte. O ceticismo de Voltaire é uma atitude espiritual. na obra Dicionário Filosófico. deve ser laico.  Religiosos – por exemplo: Maomé viajou nos céus. Critica severamente os preconceitos . para Voltaire podem ser maus. indiferente e desinteressado das questões da consciência que afligem os cidadãos. Ele faz paralelos com a cultura grega e romana. por Remo e Rômulo. é o que faz suscitar dúvidas de interpretação. Contrariamente ao Deus judaico-cristão. como amar o pai e a mãe. portanto fonte de superstições. pois o vejo assim.] Superstição e preconceitos não podem não podem ser desmentidos com argumentações lógicas. As superstições são trevas. e prefere a teoria de Locke.Voltaire tem um tratamento racional para desvendar os mistérios da consciência humana.  Históricos – por exemplo a lenda da fundação de Roma. como Voltaire.298) Os sonhos são um mistério. seja no proselitismo. e o mundo é uma sensação contínua. 2005. A idéia é que o Estado mesmo sendo composto por uma massa de fiéis. A moral vem de Deus. cuja crença veio depois do politeísmo. porque não nascem no terreno da razão. Critica mesmo que indiretamente a Descartes e a teoria do inatismo. ou ter um fim útil. está em considerar a fé um puro ato interior de consciência. Os sonhos não têm valor objetivo. p. para nós.como por exemplo: o sol é pequeno. Resta a risada como único remédio nos casos extremos. e os teóricos do liberalismo insistiram longamente no conceito de tolerância. (Nicona. Voltaire aceita os argumentos para a existência de Deus de São Tomás de Aquino. Por Outro lado. Podem ser:  Dos sentidos. É a causa primeira de tudo.. Mas isso nem sempre é possível e permanece sem resposta o problema que conclui o trecho: o que fazer quando um fanático tentar degola-vos porque está convencido de que esta é a vontade de Deus? (Nicona.

Nasceu em 28 de junho de 1712 na cidade de Genebra (Suíça) É considerado um dos principais filósofos do iluminismo.1762  Confissões . Rousseau casou-se com Thérèse Levasseur. Em 1722.. e a fraqueza os preserva. Os enciclopedistas chamavam Voltaire de fanático. Foi criado pelo pai. De volta à França. O estado de natureza não tem existência .) mas todos concordam que ele deu inicio. Jean-Jacques Rousseau (1712 – 1778 d. começou a ter contatos com a elite intelectual da cidade. a ignorância e o medo criaram os Deuses. Foi convidado por Diderot para escrever alguns verbetes para a Enciclopédia. sendo que suas idéias influenciaram a Revolução Francesa (1789).) Vida Jean-Jacques Rousseau foi um importante filósofo. C. Essas idéias foram defendidas na Enciclopédia. na fase adulta. Obras Principais:  Discurso Sobre as Ciências e as Artes . até os 10 anos de idade. Rousseau começou a ser perseguido na França. Em 1765.1761  Do Contrato Social . ou da Educação . no ano de 1767. Lembre-se que Voltaire participou da Enciclopédia. Refugiou-se na cidade suíça de Neuchâtel. teórico político e scritor suíço..1762  Emílio. ele representa o teórico inspirador da Revolução Francesa. Rousseau não conheceu a mãe.(. cujo principal autor é Diderot. É um empecilho para a civilização. a morte do pai. Voltaire via Deus na harmonia inteligente entre as coisas. p302) “Para alguns. para ele a razão só veio com a sociedade e com a linguagem. um relojoeiro.1750  Discurso Sobre a Origem da Desigualdade Entre os Homens -1755  A Nova Eloisa . com sua obra Emilio à pedagogia moderna” Rousseau recusa a teoria de Hobbes com relação a natureza do homem.Para os Iluministas. para outros. Nesta época estudou muito e desenvolveu grande interesse pela leitura e música. No ano de 1762. foi morar na Inglaterra a convide do filósofo David Hume. por esse acreditar em Deus. Mas negava o livre arbítrio e a providência. Na adolescência foi estudar numa rígida escola religiosa. O materialismo é preferencial à teologia. No final da adolescência foi morar em Paris e.1770 Tese/ Pensamentos Segundo Nicola (2005. morreu em 2 de julho de 1778 em Ermenoville (França). outra tragédia familiar acontece na vida de Rousseau. pois suas obras foram consideradas uma afronta aos costumes morais e religiosos. pois ela morreu no momento do parto.

o senhor seu escravo. Rousseau fala da figura do legislador. A vontade divina fez o homem bom. O desejo de autoconhecimento vem do homem. O homem perdeu a liberdade original. Em concordância Humes. o homem dá preferência a si. Rousseau vê num rei e seu povo. em exposição aos elementos naturais e com vigor físico. Rousseau critica o absolutismo francês. O conhecimento humano mais avançado é o de si mesmo. Ela está irreconhecível. Rousseau prefere a máxima “conhece-te a si mesmo” aos imensos tratados dos moralistas. o domínio da fronteira não seria motivo de guerra. e ninguém deve se por acima dela. serve como referência. O pacto social pode ser definido quando “cada um de nós coloca sua pessoa e sua potência sob a direção suprema da vontade geral”. Uma natural. Permite julgar moralmente a degradação do homem social. acostumados à independência. Nela. A mais antiga das sociedades é a família. Esses tópicos estarão presentes no Do contrato social. o governante não ama o povo. quando passivas. Rousseau fala do momento que o direito sucedeu a violência e a natureza se submeteu a lei humana. os homens. Na pátria que Rousseau queria ter nascido. alienar qualquer porção de si mesmo. mas abate os fracos. Na natureza. A lei deve ser igual para todos. existe a igualdade. Rousseau procura explicar o que torna essa mudança legítima. A ordem social é um direito sagrado que não existe na natureza e funda-se em convenções. Isso seria se auto aniquilar. ele acredita que os costumes. diz Rousseau. O pai tem cuidado com os filhos e por isso sente amor. mas tem prazer em governar. se agregam e formam um conjunto de forças com único objetivo. . Para conhecer a origem da desigualdade entre os homens. Rousseau critica a filosofia. que deve representar a vontade geral. através de gerações levam à obediência passiva. A arte humana o corrompeu. são dignos dela. A relação entre as pessoas é direta é igual. Ele deve ter o direito de não sem maltratado sem motivo. Rousseau identifica dois tipos de desigualdade entre os homens. e outra social. depois de ter sido influenciado de todas as formas por conhecimentos . que acaba por ignorar-se. escolheria um lugar onde o amor entre os cidadãos fosse maior que o amor à pátria. As pessoas públicas forma a República. O soberano não pode violar o contrato. A liberdade é boa e nutre os fortes. e soberanos quando ativas. unindo-se às outras obedecem a si mesmo. Os homens para se conservarem. do homem civilizado. No Do contrato social. que desde a antigüidade vem se contradizendo e pouco sobre as experiências necessárias para ver o homem natural e sua aplicação na prática. os bens são protegidos e a pessoa. A desigualdade provém dos homens. são chamada o Estado. Rousseau fala que se pudesse escolher onde nascer. No contrato social. como a de dinheiro. como a da idade. Rousseau tem Esparta como exemplo. e prefere a democracia. A alma humana é moldada nas vivências. Quando a sua preservação está ameaçada. Foi quando o mais forte começou a se servir do mais fraco. é preciso conhecer o próprio homem. Lá se vivia uma vida dura.histórica. pois o interesse de um só homem será sempre o interesse privado. Os filósofos chegaram a princípios metafísicos difíceis de compreender. O direito de legislar seria comum a todos os cidadãos. conservando a liberdade. Deus criou a alma com majestosa simplicidade. No Estado. O corpo político não pode se submeter a outro soberano. A utilidade dessa hipótese serve para esclarecer a natureza das coisas. A última pode se chamada de moral. erros e pelo impacto das paixões.

a vontade comum dos magistrados e a vontade do povo. primo seu. ao que tratou desde 1739. Em 1767. Em 1758 é enviado a Parma por Luis XV. 3 de agosto 1780. O Estado existe para o bem comum. perdeu a seu pai.C. Ele mesmo foi um ilustrado que difundiu na França o empirismo liberal de John Locke e se opôs ao racionalismo. não devem ser numerosos. depois marchou em 1733 a prosseguir seus estudos no seminário de Saint-Sulpice (Paris) e A Sorbona. mas não se faz notar. Na pessoa do magistrado há três vontades diferentes: a do indivíduo. O soberano é feito um ser fantástico e a soberania é indivisível e inalienável. um secretário real recentemente enobrecido. aos treze anos. . Ali teve de lecionar a María Luisa de Parma. como pensador do Iluminismo. e amistou-se com Rousseau. Mas só pode matar com que não pode continuar sem perigo. Existem muitas dificuldades nessa forma de governo. para não se enfraquecer. e prejudicam os que nada tem. e ali permanece até 1764 e escreve seu Cours d'études pour l'instruction du Prince de Parme ou Curso de estudos para a educação do príncipe. Etienne Bonnot. O direito a um terreno se fortalece. mas por não sabermos recebê-la são necessárias as leis da razão que devem servir a todos. Terceiro de uma família pertencente à nobreza de toga que teve cinco filhos. que Rousseau diz que as ciências e as artes servem para tornar o homem sociável e para fazê-los amar a escravidão. Os governantes. então foi tomado a cargo de seu tio em Lyon. pois quanto mais atua sobre si mesmo. Vindo a falecer em abadia de Flux. na Revolução Francesa e no romantismo. Rousseau defende a pena de morte para quem violar o contrato. já que se sentia mais bem um homem de letras. a julgar pelos costumes laxas (ou libertinas) que ela teve depois. Rousseau questiona o direito a uma área do primeiro ocupante. A justiça vem de Deus. quem pô-lo a estudar ali junto a seu irmão Gabriel Bonnot de Mably com os jesuítas. que é a principal. O interesse privado não deve se sobrepor ao interesse geral. As leis são úteis àqueles que possuem. futura rainha de Espanha por seu casal com Carlos IV. e ordenou-se sacerdote sem nenhum entusiasmo em 1740. publicado em treze volumes entre 1768 e 1773. Voltaire e Fontenelle. Rousseau fala que a verdadeira democracia é impraticável. menos influência tem sobre o todo. e a vontade geral deve dirigi-lo para esse fim. Condillac recebe a Abadia de Mureau e em 1768 é eleito membro da Academia Francesa.Com uma sociedade. Alguns historiadores consideram que foi uma influência perniciosa sobre ela. ofende todo o corpo. O soberano não pode ter uma opinião contrária a todos. Foi enorme sua influência. Éabade de Condillac ( 1715 – 1780 d. nos distanciamos de conhecê-lo. mas o indivíduo pode. Mesmo com os esforços para estudar os homens. O Sensualismo de Condillac influenciou e conduziu ao chamado Materialismo francês do século XVIII.) Vida CONDILLAC. Dedicou-se ao estudo da filosofia impulsionado pelo matemático e ilustrado Jean Lhe Rond d'Alembert. como preceptor de seu sobrinho Fernando de Borbón. quando se ofende um. filho dos duques de Parma. ou magistrados. Em 1776 é eleito membro da Sociedade Real de Agricultura de Orleans.

e distingue se antecipando a Saussure entre língua coletiva e fala individual. inclusive o editor Denis Diderot. a memória o segundo. a reflexão. A sensação odorosa (de uma rosa) torna-se memória. juízo . uma série de três graus de atenção. Uma lembrança vivaz torna-se imaginação. a prevalência dos sentidos sobre a razão.idéia ou relação. O espírito. quando. a consciência. Foi amigo de Jean-Jacques Rousseau. e amigo também dos demais enciclopedistas. a separação de uma idéia de outra. deste modo. o juízo. mediante um só sentido. isto é. mediante o tato. adquire . o desejo estável torna-se vontade. a direção voluntária de atenção sobre uma determinada sensação . de atividade do espírito. o desejo preponderante torna-se paixão. 2005. (Nicona.Obras Principais:  Ensaio sobre a Origem do Conhecimento – 1746  Tratado das Sensações – 1754  Tratado dos Animais – 1755 Tese/ Pensamentos Abade de padre católico. Paralelamente ao desenvolvimento teórico do espírito procede o desenvolvimento prático. isto é. que é comparação entre sensações presentes e passadas.em uma série de idéias e juízos. o eu. em dado momento. da sensação. Sensismo – Doutrina Filosófica que considera todo conteúdo da mente como produto. a primeira permanece com uma intensidade atenuada. conhecida como Sensualismo. o tutor dos filhos de seu irmão mais velho Jean Bannot. e divulgador na França das idéias de John Locke . a capacidade de noções gerais. economista nascido cm Grenoble. Assim como Locke. negou ao cabo a existência da “reflexão”. a linguagem não seria um veículo do pensamento. as faculdades e as reflexões viriam a ser nada mais que sensações transformadas e nada teria no intelecto que não tivesse estado dantes na sensação. Em outras palavras. psicólogo. o exercício de todas as suas faculdades. Por exemplo. Comparando a sensação atual com a sensação lembrada. contudo. Temse. que é uma coleção de sensações atuais e lembradas. começa a ter uma sensação de olfato. afastada a primeira sensação e sobrevindo outra. nasce a distinção entre presente e passado. privada de toda sensação (tabula rasa) e que. a distinção entre atividade (na memória) e passividade (na sensação). Condillac sustentava. constituindo a sensação o primeiro grau. o olfato. filósofo.320) A diferença de Locke. p. a abstração. e a generalização. Da sensação (agradável ou dolorosa) nasce o sentimento (de prazer ou de dor). Foi preceptor do Infante Ferdinando na corte de Parma. isto é. que é o mais pobre dos sentidos. baseado no princípio de que as observações feitas através da percepção dos sentidos são o fundamento do conhecimento humano (Sensismo). criando sua própria filosofia. o conhecimento limita-se ao sentir e às operações de transformação realizada pela mente sobre o conteúdo da percepção. segunda fonte de conhecimentos aparte das sensações. assim. tornam-se desejo. senão que jogaria um papel essencial em sua elaboração. mais ou menos refinado. a imaginação o terceiro. A lembrança de sensações agradáveis e a comparação com as presentes. Condillac imagina o homem como uma estátua. O espírito adquire.

porquanto se trata sempre de sensações. estamos perante um ceticismo metafísico. Isto não prova. a realidade. de sorte que. a existência. o mundo externo é afirmado dogmaticamente. do mundo externo. filosoficamente. pela resistência que o nosso esforço encontra no mundo externo. do próprio corpo e dos demais corpos. . entretanto.consciência do mundo físico.

disponivel http://upload.wikipedia.html 1996. Ubaldo.wikimedia. . W. Editora Globo.org/wikipedia/ _de_ commons/thumb/8/8b/Etienne_Bonnot_de_Condillac. Arquivo capturado em 1º de abril de 2010 Biografia de Pascal http://pt. Acessado em 16 de maio de 2010.Referências Bibliograficas Nicola.jpg/250px-Etienne_Bonnot Condillac.com.org/wiki/Thomas_Hobbes acessado em 16 de maio de 2010 Biografia de Condillac. Do jogo de dados às invenções de Deus [on line]: http://www1.org/wiki/Blaise_Pascal acessado em 21 de maio de 2010 Biografia de Hobbes disponivel em http://pt.br/edicao/especial/cientis/cumai88.2005 Falceta. Antologia Ilustrada da Filosofia: das Origens à Idade Moderna. São Paulo.estado.wikipedia.

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