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Universidade Federal do Piauí.

Nome: Adelaide Barros Caminha.


Disciplina: Sintaxe da Língua Portuguesa I.
Docente: Maria Auxiliadora

ATIVIDADE SOBRE SUJEITO EM CASTILHO, PERINI E EM CUNHA E CINTRA.

Segundo Ataliba Catilho, em seu livro “ Gramática do Português Brasileiro”, o sujeito possui
uma natureza tríplice e podemos analisa-lo enquanto sintático, discursivo ou semântico. Do
ponto de vista sintático, o sujeito é expresso por um sintagma nominal, normalmente antes do
verbo, podendo ser elidido. Além disso, o sujeito, nessa perspectiva, é pronomializável pelo
verbo e está em relação de concordância em pessoa e número com ele.

Esta caracterização do sujeito enquanto constituinte que se encontra em relação de


concordância com o verbo é compartilhada também por Mário Perini em seu livro “Gramática
Descritiva do Português”. Porém o autor admite que, no caso do verbo no gerúndio, essa regra
falha pois o verbo foge à relação de concordância fazendo com que seja necessário lançar mão
de outros traços que caracterizam o sujeito para que se consiga delineá-lo, como sua comum
posição antes do núcleo do predicado e o fato dele poder ser retomado por pronome do caso
reto. A noção de sujeito adota por Perini até o tópico 3.2.2.3 do livro não diz nada a respeito do
papel semântico ou discursivo do sujeito, papéis que serão tratados, porém, por Castilho.

Segundo Castilho, o ponto de vista discursivo é aquele que “considera a sentença como
o lugar da informação”, sendo o sujeito nesse caso o tema, entendido como “o ponto de partida
da mensagem”. O autor adverte, entretanto, que nem sempre o tema discursivo corresponde ao
sujeito sintático.

Quanto às propriedades semânticas do sujeito, são definidas três, a primeira diz respeito
à agentividade em que o constituinte sintático com função de sujeito é responsável pela ação.
Novamente, Castilho nos adverte que não há aqui uma correspondência necessária entre o
sistema semântico e o sistema sintático, pois há frases em que precisamos do contexto
pragmático para saber se o sujeito é mesmo o agente da ação. A segunda propriedade semântica
é a animaciadade através de pronomes dêiticos que apontam ou para o falante ou para ouvintes
animados (ou não). A terceira e última propriedade é a de referencialidade /não
referencialidade, em que o sujeito referencial é aquele que dá ênfase a determinado referente
dentre os possíveis que compartilham propriedades do sintagma nominal-sujeito.

Já Celso Cunha e Lindley Cintra, no livro “Nova Gramática do Português


Contemporâneo”, definem o sujeito como “o ser sobre o qual se faz uma declaração”, sendo o
predicado aquilo o que se diz sobre o sujeito. Este, pode ser representado pelos pronomes da
primeira e da segunda pessoa (no singular e no plural) ou pela terceira pessoa através de um
substantivo, pronome na terceira pessoa, pronome demonstrativo, numeral, palavra ou
expressão substantivada, oração substantivada subjetiva.

Além disso, os autores classificam o sujeito em simples e composto. O primeiro tem um


só núcleo no caso do verbo se referir a um só substantivo, a um só pronome, a um só numeral,
enfim, às classes que podem desempenhar a função de sujeito. Já no caso do sujeito composto,
o verbo se refere a mais de um termo.

Há ainda mais duas classificações do sujeito: oculto e indeterminado. O sujeito oculto


é aquele que não está presente na superfície textual da oração, mas pode ser identificado pela
desinência verbal ou pela apresentação do sujeito em outra oração. O indeterminando por sua
vez, ocorre quando o verbo não se refere a uma pessoa determinada, aqui o sujeito nem vem
expresso na oração nem pode ser identificado através daquelas estratégias utilizadas em
situação de sujeito oculto. Os autores advertem, entretanto, que não demos confundir o sujeito
indeterminado com inexistência do sujeito, pois aquele existe, apenas não conseguimos
identifica-lo.

Por último, o que Castilho chamou de “natureza” semântica do sujeito, aparecerá em


Cunha e Cintra sob o tópico “Da atitude do sujeito”. Essa atitude, segundo os autores, pode
variar em quatro: pode ocorrer do sujeito executar a ação do verbo, sofrer a ação do verbo,
executar e simultaneamente sofrer a ação do verbo, e ainda pode haver uma atitude de
neutralidade em que o sujeito nem é agente nem é paciente, mas é o próprio lugar mas é o
próprio lugar onde ação verbal se desenrola, como por exemplo em “Antônio ficou pálido”.