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FOI CHAMADO PARA UMA ENTREVISTA DE EMPREGO?


Joaquim Maria Botelho,

Quando você se candidata a funções executivas, quase certamente será recebido para uma conversa com a
própria pessoa que deverá ser o seu superior imediato.

Há um grande envolvimento da cúpula da empresa na contratação de executivos. As pesquisas do Grupo Catho


indicam que 70,8% de todos os processos de contratação são dirigidos pessoalmente por dirigentes em cargos de
diretor, vice-presidente e presidente. E, embora após o Plano Real tenha crescido a participação dos setores de
Recursos Humanos das empresas na contratação de executivos, a maioria dos dirigentes ainda prefere conduzir o
processo pessoalmente.

Você não pode deixar que a entrevista seja um monólogo do seu potencial empregador ou que ele obrigue você a
fazer um monólogo para ele; ao contrário, procure transformar a entrevista em uma conversa proveitosa. Descubra
o que se quer exatamente do candidato, que tipo de informação adicional se pretende que ele tenha,
características exigidas que não foram explicitadas no anúncio.

ANTES DE MAIS NADA, CONHEÇA A EMPRESA

Faça a sua lição de casa: procure informações sobre a empresa que está convocando você para uma entrevista.
Todo dirigente aprecia entrevistar um candidato que se mostra informado e que demonstrou interesse em saber
sobre os negócios, as atividades, o mercado, a missão e a cultura da empresa.

Existem muitas formas de buscar essas informações:

A empresa tem um site?


Muitas empresas divulgam suas atividades em sites próprios na Internet. Para procurá-lo, utilize qualquer
mecanismo de busca, como Yahoo, Radar Uol ou Alta Vista – basta digitar o nome da empresa, e a busca é
automática. Ou você pode tentar a conexão digitando o nome resumido da empresa na linha de endereço do seu
"browser", seguido da expressão .com.br. Lembre-se de que, para empresas cuja matriz fica em outros países, a
terminação do endereço deve ser modificada: nos Estados Unidos, por exemplo, não se usa a terminação br; na
Inglaterra, a terminação é uk, em Portugal é pt e assim por diante.

Leia muito.
Manter-se um leitor constante de jornais e revistas é uma das melhores formas de acompanhar o andamento do
mercado e de obter informações sobre praticamente todas as empresas.

Pergunte.
Quem tem boca vai a Roma. Pergunte a respeito da empresa para amigos e conhecidos. Procure fazer contato
com pessoas que já trabalham na empresa; nos departamentos de vendas é possível conseguir folhetos,
catálogos, jornais internos ou outras publicações que darão a você informações preciosas.

Algumas publicações especiais oferecem muitas informações, especialmente sobre empresas grandes.

* A revista Exame publica a edição especial "Maiores e melhores"


* O jornal Gazeta Mercantil publica a edição "Balanço"
* A Câmara do Comércio americana publica o "São Paulo Year Book"
* A Fiesp publica o "Anuário das Indústrias"

ATITUDES DURANTE A ENTREVISTA

Prepare-se, em corpo e espírito, para a entrevista. Sem dúvida você deve confiar em si mesmo e em sua
competência, mas a impressão que você causar na primeira entrevista é indelével. De novo, faça a sua lição de
casa:

 Pessoas vagarosas não conquistam empregadores. Mostre energia e disposição para trabalhar.
 Sem disposição não se superam dificuldades. Mostre motivação. Isto é tudo o que qualquer empresário deseja.
 Não desista. A persistência, às vezes, vale mais do que a inteligência. O executivo que não desiste da tarefa até
alcançar o objetivo desejado é muito querido pelas empresas.
 Não abdique de responsabilidades. O executivo que mostra preocupação em arcar com suas responsabilidades
é muito desejado pelas empresas.
 Conteste qualquer "indireta" apresentando referências convincentes sobre sua integridade. Normalmente se
duvida das pessoas que fala da própria honestidade.
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 Não deixe dúvidas sobre sua dedicação. O executivo que veste a camisa da empresa e se dedica totalmente é
peça fundamental em qualquer organização.
 Não critique; analise. A qualidade de análise é muito apreciada. Mostre que você sabe ser calculista e que sabe
analisar profundamente alternativas.
 Saiba para onde quer ir. Qualquer organização quer executivos que definam e procurem atingir objetivos.
 Treinar a apresentação é essencial para não cometer erros durante uma entrevista, e que poderão comprometer
a sua perspectiva de contratação.
 A recomendação é simular algumas entrevistas em casa, com apoio de familiares. Se puder, grave as
entrevistas para analisar depois o seu desempenho.

RECOMENDAÇÕES DE CAUTELA

É preciso transmitir ao entrevistador uma postura positiva e entusiástica. Sete recomendações para que você
obtenha essa postura:

• Seja sempre positivo. É desagradável ouvir pessoas negativas. O entrevistador perde o interesse.
• Nunca diga não. Se o entrevistador propuser por exemplo mudança de residência para outro Estado, responda
que pode pensar sobre o assunto. Mas não descarte.
• Não se queixe de empregadores anteriores ou de qualquer pessoa. Ninguém quer ouvir coisas desagradáveis e
negativas.
• Responda sempre do ponto de vista das empresas. Elas querem contratar executivos que se adaptem à sua
filosofia, e eliminarão quem discordar das suas políticas e práticas.
• Mostre entusiasmo. Deixe claro que você procura desafio e desenvolvimento no trabalho.
• Seja objetivo. Se você é vago por exemplo a respeito de datas de início de trabalho ou de demissão, a sua
credibilidade sofre.
• Procure vender a sua imagem. Não se resuma a respostas lacônicas – fale com brevidade, mas seja
comunicativo, vibrante e entusiasmado.

PERGUNTAS MAIS FREQÜENTES NUMA ENTREVISTA

Os entrevistadores, de modo geral, têm uma rotina de perguntas, e em quase todas as entrevistas são aplicadas
praticamente as mesmas questões. Saiba que perguntas são essas e prepare-se para respondê-las
adequadamente.

Naturalmente será interessante dar uma resposta que agrade o empregador – mas sempre diga a verdade!

Um pequeno truque dos entrevistadores é colocar uma questão delicada para provocar uma situação de tensão,
exatamente para avaliar como você age sob pressão. Também para enfrentar com tranqüilidade situações como
essa é interessante estudar respostas antecipadamente.

Duas perguntas acontecem em todas as entrevistas. Pense nas respostas:

Por que você está deixando (ou deixou) seu emprego?

- Se está empregado, e procurando outra colocação, diga que está buscando melhor oportunidade e progresso.
Nunca se queixe da empresa. Enfatize a idéia de buscar desafios.

- Se foi ou está sendo demitido, não adianta esconder. Diga a verdade. Se for o seu caso, mencione que a
demissão foi causada por corte de custos, e que o desligamento não se deveu a mau desempenho de sua parte.
Se a demissão foi resultado de uma atitude infeliz de sua parte, mencione brevemente que cometeu um erro mas
que aprendeu e não deixará com que isso se repita.

Quanto você quer ganhar?


Esta pergunta é muito delicada e costuma colocar os candidatos em maus lençóis, caso não estejam preparados
para uma resposta pronta. É importante não responder diretamente quanto quer ganhar; é mais eficiente esperar
uma oferta e discutir sobre esse valor. (Leia também, nesta edição, o artigo "Como conduzir uma boa negociação
salarial".)

- Quando você está empregado, e a entrevista resulta de uma proposta de emprego que você recebeu, você tem
um alto poder de barganha, e pode argumentar que está ganhando bem e que só se interessaria em mudar caso
houvesse uma compensação financeira adequada. As pesquisas do grupo Catho mostram que em média é
possível obter 28% de melhoria salarial numa eventual mudança de emprego.
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- Quando você está desempregado, a situação é outra, e a sua resposta deve mostrar – e até enfatizar - que você
é flexível e aceita estudar ofertas. Também neste caso evite dizer quanto quer ganhar. Procure fazer com que o
empregador lance uma oferta, com uma pergunta como esta: "Qual seria a faixa salarial para este cargo?".

Os dois pontos que acabamos de mencionar são cruciais no momento da entrevista, mas algumas outras
questões são usualmente colocadas para medir traços de sua personalidade e de suas potencialidades. Veja
alguns exemplos:

Pergunta: Quais são seus objetivos de longo prazo?


Resposta sugerida: Restrinja-se ao futuro profissional. Não fale jamais de sua vida pessoal. Não é isto o que está
sendo implicitamente solicitado.

Qual é o seu ponto fraco?


Resposta sugerida: Nunca mencione algo muito negativo. Responda aquilo que, na realidade, acabe sendo
positivo para a sua avaliação, tal como ser exigente demais ou perfeccionista.

De quanto tempo necessita para trazer contribuições para a empresa?


Resposta sugerida: Desde o primeiro dia, e cada dia mais, à medida que for conhecendo melhor a organização.

O que seus subordinados pensam de você?


Resposta sugerida: Competente. Sou admirado e respeitado.

PERGUNTAS QUE VOCÊ DEVE FAZER A SI MESMO

Fazer uma boa apresentação numa entrevista de emprego está diretamente relacionado com a sua capacidade
não só de responder, mas de fazer perguntas. Primeiro para você mesmo, e depois para o seu potencial chefe:

"Por que foi aberta esta vaga?"

Dependendo da resposta, você conseguirá descobrir que desafios a posição apresenta e se seu potencial superior
está disposto a dar apoio para o ocupante.

Muitas coisas não são ditas em anúncios porque dizem respeito a características intangíveis como atitudes,
temperamento, maleabilidade. Tente obter respostas perguntando para o entrevistador que tipo de pessoa
ocupava a vaga antes, o que fazia e como fazia. Seja mais direto, depois disso:

"Como é que a empresa espera que o trabalho seja feito agora, com o novo ocupante desta posição?"

Depois disso, você estará com dados suficientes de análise para formular uma terceira pergunta:

"O que é avaliado no desempenho de quem ocupa esta posição?"

Mais do que receber informações sobre qual será o seu papel, a resposta do potencial empregador dará a você
pistas sobre o estilo que ele tem de liderar, se delega, se estabelece metas e objetivos. Em suma, que chefe ele é.

O BOM E O MAU CHEFE

É claro que a pessoa que busca emprego está buscando a melhor colocação ou recolocação disponível. E dentro
das premissas que caracterizam o ótimo emprego, estão o ambiente de trabalho, os projetos desenvolvidos, a
qualidade técnica da função, o salário, os benefícios, a imagem da empresa, o clima reinante e, evidentemente, o
chefe.

Alguns mitos sobre o papel do chefe numa instituição têm sido questionados e derrubados com freqüência, nos
últimos anos. Vamos analisar alguns:

O Carrasco: não há mais espaço para o chefe que se sente o dono da vida dos subordinados, ameaçando aqui e
ali de punições e demissão. Com um superior como esse ninguém rende o que poderia render. Muita gente deixa
de enfrentar chefes como esse por medo de demissão, mas a lei trabalhista existe exatamente para proteger as
pessoas de abusos desse tipo. A tendência desse chefe carrasco é desaparecer, porque não ajuda e ainda
dificulta o trabalho dos funcionários e portanto o resultado das empresas. O mau chefe normalmente é também um
mau executivo.

O Obscuro: é sempre difícil lidar com superiores que não orientam com diretrizes claras, mas com temas gerais.
Normalmente esses profissionais alcançaram posições de gerenciamento por causa do talento técnico, e não
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pelas habilidades de comunicação. A saída é conversar com ele e pedir orientação, quantas vezes for necessário.
Corra o risco de ser considerado pouco inteligente, mas pergunte. Com o tempo ele verá que o problema não é a
sua falta de entendimento, mas do conteúdo pouco claro das orientações dele.

O bebezão: existem chefes que agem como crianças mimadas, e são capazes dos comportamentos mais bizarros
para conseguir o que querem. Podem ser extremamente rudes ou exageradamente dóceis. Têm explosões de
raiva, ameaçam, jogam com a culpa, e às vezes até choram de verdade. Essas atitudes são condenadas nas
empresas; é consenso que o executivo deve ser estável e equilibrado para liderar corretamente, porque as
pessoas esperam comportamentos no mínimo previsíveis. A atitude a ser tomada com essas pessoas é de calma
e paciência.

O amigão: alguns chefes acham que fortalecendo os laços pessoais com os funcionários conseguirão melhores
resultados. No entanto, doçura e envolvimento excessivos podem revelar fraqueza de caráter, e espantam as
pessoas, em vez de aproximá-las. O melhor remédio é a moderação. Confidências pessoais com esse chefe,
ainda que ele as estimule, devem ser feitas somente se os problemas de alguma forma resultarem em empecilhos
para o trabalho. Alguma proximidade com o chefe é saudável, mas a hierarquia requer um prudente
distanciamento profissional.

Você, executivo, também não deve se esquecer de que corre o risco de um dia imitar um comportamento que
você censura ou condena num chefe. Por esta razão as sugestões que apresentamos podem ser utilizadas para
que você reflita sobre a sua própria postura como chefe. Posicionar-se em relação ao seu papel como gerente
pode ajudar principalmente no momento da entrevista, quando deve transformar um monólogo em um diálogo.
A entrevista deve ser um caminho de duas mãos. O potencial empregador tem chance de conhecer você, mas
você também merece a oportunidade de conhecer o seu potencial empregador. Para que possa começar num
novo trabalho com a consciência necessária do que está sendo esperado de você. Ou até para que possa recusar
o emprego e dizer, com tranqüilidade, "não, obrigado."

A ENTREVISTA DE EMPREGO, TERROR OU PRAZER?


Não há porque temer uma entrevista. Ao contrário, pense em que pode ser uma oportunidade de você mostrar
para a pessoa que o está entrevistando quais são as suas qualidades e por quais motivos deveria recomendar a
sua contratação.
A entrevista é uma conversa entre duas pessoas, sempre com objetivos definidos para ambos. Uma entrevista de
emprego não é uma simples conversa, porque as duas pessoas estarão frente a frente para descobrir o que, no
perfil de cada um, interessa ao outro.

O especialista John Fletcher explica quais são os objetivos mais comuns de uma entrevista (tanto do ponto de
vista de quem entrevista como do ponto de vista de quem é entrevistado), no livro "Como conduzir entrevistas
eficazes (Clio Editora, São Paulo, tradução de Maria Cristina F. da Silva, 1997):

*Melhorar a performance de alguém


*Avaliar ou melhorar o moral, a motivação ou as atitudes de alguém
*Dar ou receber informação
*Permitir que o subordinado ou o chefe expressem seus pontos de vista ou façam um desabafo
*Melhorar sistemas, procedimentos, ou implementar um novo programa de ação
*Esclarecer mal-entendidos
*Descobrir se a última entrevista foi bem sucedida ou não

PLANEJAMENTO
Nada se faz sem planejamento adequado. Você tem uma entrevista de emprego marcada? Então faça um
planejamento.
Primeiro raciocine sobre qual é o objetivo da entrevista, no seu caso. O potencial empregador quer saber:

1.Quem você é
2.O que você já fez
3.O que o seu último empregador acha de você
4.Que resultados conseguiu nos últimos empregos
5.O que pode fazer para a empresa dele
6.O que pode conseguir fazendo o que faz para a empresa dele
Para responder as questões de 1 a 4, você deve levar um currículo para a entrevista: pode ser que o seu
entrevistador não tenha tido tempo de ler ou tenha lido há algum tempo e precisa refrescar a memória a respeito
das suas informações profissionais. Ainda para responder a estas perguntas você deve levar um portfolio pronto
para apresentar, se necessário: na entrevista, momento em que se tem a oportunidade de detalhar experiência,
deve entrar em cena o portfolio, que não é a mesma coisa que currículo – o currículo é o resumo de suas
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qualificações e experiência; o portfolio é o conjunto de exemplos de material que você produziu ao longo de sua
carreira. E, também para responder a essas perguntas, faça previamente um roteiro breve do que você dirá, na
entrevista, preferivelmente seguindo a ordem colocada no currículo.

Para as perguntas 5 e 6, você terá que fazer a lição de casa. Primeiramente, descobrir o máximo possível de
informações sobre a empresa, número de funcionários, o que produz, técnicas de venda e de distribuição,
relacionamento com o mercado, imagem que tem junto ao público e à concorrência, problemas que pode estar
enfrentando. Em segundo lugar, tenha consciência de qual é a função para a qual o entrevistador está
encaminhando você. Verifique como você pode contribuir para a empresa com a sua experiência e formação. E
saiba se há alguma coisa que você pode aprender para desempenhar de melhor forma a função para a qual foi
cogitado.

REFERÊNCIAS
O entrevistador deve aproveitar a entrevista para pedir a você nomes de pessoas que podem dar referências a
seu respeito. É importante para o entrevistador saber como era o seu relacionamento profissional com o seu
empregador anterior, e normalmente dá preferência a quem foi seu superior imediato para perguntar sobre o seu
desempenho no trabalho.

Por esta razão, faça contato com seus antigos chefes e peça licença para que o seu entrevistador faça contato
com eles. Explique claramente que se trata de uma referência para um novo trabalho e diga que espera que eles
falem bem de você. Se sentir que há hesitação no seu chefe anterior de falar bem de você, desculpe-se e desista.
Não arrisque indicar alguém que pode dar referências ruins sobre o seu trabalho. Nesse caso prefira indicar um
ex-colega de trabalho.

DURANTE A ENTREVISTA
Permaneça ligado ao objetivo principal da entrevista: o entrevistador quer saber como você pode ser útil para a
empresa. Perguntas que fugirem dessa abordagem deverão ser curtas e objetivas. Perguntas que objetivarem o
aprofundamento dessa abordagem devem ser igualmente objetivas, mas ao mesmo tempo mais abrangentes.

Tente conduzir a discussão. Isto demonstrará firmeza, segurança, conhecimento. Mas não se deixe levar pela
emoção – a entrevista não é um processo frio, mas também não é ocasião para desabafar com o entrevistador a
respeito dos seus problemas íntimos.

Você tem o direito, como entrevistado, de ser tratado com educação e polidez, tem direito a ser ouvido com
atenção e delicadeza e tem o direito de ser levado a sério. Exija os seus direitos. Da mesma maneira, é assim que
você deve tratar o seu entrevistador.

Adote uma postura de positivismo. Jamais mencione pessoas (ex-empregadores, por exemplo) para difamar,
queixar-se ou condenar.

Não minta em momento algum. Você pode até deixar de mencionar algumas condições de sua vida profissional
(como o fato de ter ficado pouco tempo em cada emprego anterior, ou o fato de ter sido demitido do último
emprego), mas se for perguntado, fale sem medo. Explique as razões da maneira mais objetiva e natural. Não é
crime ser demitido ou ter permanecido pouco tempo em cada emprego – as situações de cada momento são
diferentes. Você ganhará mais pontos com a franqueza e a sinceridade. Se você for descartado da vaga de
emprego por essas razões, esse empregador não merece você.

NA ENTREVISTA, PRESTE ATENÇÃO PARA NÃO...

*Falar em demasia
*Franzir a testa em demasia
*Discordar em demasia
*Ser dogmático
*Mostrar impaciência
*Ser emotivo
*Ignorar perguntas
*Mudar de assunto de repente
*Desviar o olhar do entrevistador por muito tempo
*Contar piadas

A ENTREVISTA, SEGUNDO A PESQUISA

O Grupo Catho ouviu, para a sua pesquisa "A Contratação, a Demissão e a Carreira dos Executivos Brasileiros",
1.356 executivos de todo o país, todos em posição de entrevistar e contratar pessoas. Observe as conclusões a
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que a pesquisa chega, e verifique o que pensa o potencial empregador, de maneira geral. Entender como
funcionam as regras de contratação das empresas pode seguramente ajudar você a se posicionar durante uma
entrevista:

Aparência
Homens - Os respondentes preferem entrevistar candidatos que usem terno azul marinho (67,1%), sem barba e
sem bigode (90%) e com cabelos curtos (99,8%).
Mulheres – A maneira formal é a preferida para os executivos do sexo feminino. O tailleur é a roupa considerada
mais adequada para uma entrevista de emprego, com maquiagem leve e cabelos curtos.

Restrições
Os entrevistadores têm objeção em relação a fumantes (76,8%), obesos (73,3%), mulheres com filhos pequenos
(62,6%), profissionais que ficam menos de 2 anos no emprego (93,8%), profissionais que têm um negócio próprio
paralelo (87,6%), profissionais que estudam à noite (31,6%), profissionais que estão deixando um negócio próprio
(48,4%), consultores independentes (61,4%), desempregados há mais de seis meses (50,4%), profissionais que
lecionam no período noturno (41,9%), profissionais na faixa etária entre 45 e 49 anos (41,7%), profissionais na
faixa etária entre 50 e 55 anos (66,2%), entre 55 e 59 anos (82,2%), e acima de 60 anos (90,9%).

Testes
Como complementação da entrevista ou até previamente à entrevista, para pré-seleção dos candidatos que serão
entrevistados, as empresas têm utilizado testes de inteligência, personalidade ou aptidão em 27,3% dos casos. A
avaliação grafológica é utilizada em 12,5% dos casos. Os resultados dos testes de personalidade são levados em
consideração em 82% dos casos, os de nível em 76% dos casos e os de grafologia em 47% dos casos.

Técnicas de dinâmica de grupo


São utilizadas as técnicas de dinâmica de grupo, mais intensamente, para definir a contratação de executivos de
alta gerência: 49%.

Duração de um processo de contratação


Os processos de contratação de executivos têm duração, em termos medianos, de três a quatro semanas a partir
do primeiro contato do candidato com a empresa até o oferecimento do trabalho.

Número de entrevistas
Os candidatos, em termos medianos, são entrevistados entre 2,3 a 2,8 vezes antes de receber uma oferta.

NÃO FIQUE ANSIOSO


Um dos maiores problemas durante uma entrevista é que o candidato pode ficar ansioso antes da conversa e
durante a conversa.

Calma! Uma entrevista não é uma ameaça.

Ao contrário: se você foi chamado para uma entrevista, é porque já passou na primeira fase do recrutamento, que
foi a análise do currículo. Portanto, você já é uma pessoa especial para o entrevistador, porque foi pré-
selecionado. Isto somente já é motivo para aumentar a sua autoconfiança.

Calma! Não tenha medo de ser rejeitado.

Ao contrário: você está num processo de competição com outras pessoas. E nem sabe quem são as outras
pessoas. Portanto, confie em você e esqueça que há outros candidatos. Concentre-se em mostrar o melhor de
tudo o que você tem para oferecer. Se o seu melhor não basta para a empresa, ela não serviria para você.

Então, deixe a ansiedade de lado e concentre-se em ser natural, verdadeiro. Se a ansiedade faz parte de você,
deixe que ela aconteça. Mas você pode controlar a ansiedade:

*respirando profundamente, lentamente; depois de alguns minutos você já estará mais calmo
*respondendo as perguntas devagar, sem se apressar
*falando em tom normal, nem baixo demais nem alto demais
*perguntando sempre que não entender alguma coisa
*evitando misturar emoção à conversa, que tem que ser racional

Entrevista deve ser uma oportunidade de você mostrar suas qualidades, de mostrar o que tem de melhor.
Impressione o entrevistador. Você consegue.
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VOCÊ MESMO PODE ESTAR DIFICULTANDO A SUA CONTRATAÇÃO
Joaquim Maria Botelho

Temos recebido dezenas de mensagens de leitores do jornal Carreira & Sucesso que se queixam de jamais serem
bem sucedidos em entrevistas de emprego. São profissionais que passam com louvor pelas etapas iniciais do
processo de recrutamento mas que são eliminados depois da entrevista ou da dinâmica de grupo. No artigo desta
semana vamos discorrer um pouco sobre as barreiras que os próprios candidatos colocam para a sua contratação.

Algumas pessoas agem inconscientemente para erguer barreiras ao redor de si, e por causa delas podem se
tornar "inempregáveis" ou, no mínimo, pouco interessantes para um empregador potencial.

Estas barreiras estão relacionadas com traços sociais, emocionais ou físicos do candidato, com a sua situação de
vida presente ou passada, ideologias, crenças, questões relacionadas ao trabalho, habilidades, atitudes e
experiências.

Um exemplo bem esclarecedor é o caso daquele homem que começou uma entrevista de emprego dizendo para o
seu entrevistador:

Você provavelmente não vai querer me contratar porque eu sou analfabeto, não é?

Ou seja, ele estava praticamente dizendo para o seu empregador uma outra frase:

Não me contrate!

As pessoas podem até não serem tão diretas como este homem do exemplo mas, muitas vezes, ficam com a
mente de tal maneira ocupada com algumas barreiras que deixam transparecer essa preocupação nos gestos, no
tom de voz, nas reações. O entrevistador percebe esses sinais, e reage de acordo com a mensagem.

ADIVINHAR O PENSAMENTO DOS OUTROS

Numa entrevista de emprego, os incômodos surgem quando o entrevistador percebe que uma determinada
situação preocupa o candidato ou indica que ele pode não ter o perfil adequado para preencher as necessidades
da empresa.
Muitas vezes, porém, o candidato imagina que o entrevistador esteja reagindo mal à alguma atitude ou resposta.
E, a partir desta suposição, recolhe-se a uma postura defensiva. E assim condena a si mesmo, porque as
decisões do candidato passam a ser tomadas com base não no que é verdade, mas com base no que se pensa
ser verdade.
Debra L. Angel e Elisabeth E. Harney, especialistas em Treinamento e Comunicação, recomendam o que
consideram passos importantes para o bom desempenho em uma entrevista. O candidato deve, primeiramente,
entender as necessidades do potencial empregador, e depois tentar pensar como ele pensaria. Para ilustrar,
reconhecem cinco perguntas básicas que o entrevistador faria para si mesmo, em relação ao candidato:

O candidato parece confiável?


Para responder a essa questão, o entrevistador vai checar referências, consistência do currículo, estabilidade nos
empregos anteriores, atividades extra-profissionais. E, sem dúvida, observará atentamente os indícios de
estabilidade emocional durante a entrevista. Se o candidato ceder aos medos, mesmo que tenha passado muito
bem pelas primeiras checagens, seguramente terá a sua avaliação comprometida.

A atitude do candidato combina com a posição da empresa?


A habilidade na interação do empregado com clientes e colegas de trabalho é considerada uma atitude
fundamental a ser identificada numa entrevista. Neste ponto, o entrevistador tentará avaliar honestidade,
sinceridade, franqueza e bons costumes.

O candidato vai conseguir fazer o trabalho?


Não é só o currículo que ajuda o entrevistador a perceber se você reúne condições de desempenhar o trabalho
para o qual ele considera a sua contratação. O entrevistador avaliará experiência escolar, habilidades naturais,
talentos especiais às vezes não relacionados com o trabalho, experiência de vida, hobbies e atividades
voluntárias.

O candidato parece ter medo de aprender novas tecnologias?


Saímos da Era Industrial e entramos na Era da Informação. Quem não se adapta às novas tecnologias terá
problemas, e problemas são exatamente o que nenhum empregador quer ter.

O candidato representaria a imagem da empresa nesta função?


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Para saber isto, o candidato precisa saber qual o produto da empresa, qual a política geral, as estratégias de
Marketing. Não é difícil descobrir. Basta observar como se apresentam os empregados da empresa, falar com
pessoas da área de Recursos Humanos da empresa, ler folhetos e outras literaturas da empresa e visitar o site
dela.

DIFICULDADES

Algumas barreiras são mais difíceis de serem identificadas do que outras.

Por exemplo, um candidato tem medos. Medo do sucesso, por incrível que pareça. Ou medo de falhar, medo de
responsabilidades, medo de se relacionar com outras pessoas. Esses sentimentos são normalmente evidenciados
por meio de outros comportamentos. Um entrevistador pode observar atitude defensiva, aparência de
desesperança ou até raiva, e pensar que sejam barreiras, quando nada mais são, na verdade, que resultados do
medo.

Muitos candidatos expõem numa entrevista detalhes pessoais que não interessam ao empregador e que, na
verdade, podem até atrapalhar. É como um jovem que convida uma moça para um encontro mas avisa:

Olhe, antes que a gente saia, preciso contar que tenho muito chulé.

FRASES QUE CONDENAM O CANDIDATO NUMA ENTREVISTA DE EMPREGO


A etapa mais importante e decisiva na busca por uma vaga no mercado de trabalho é a entrevista. Por isso,
preparar-se bem para esse momento é não só recomendável mas fundamental.

Pesquisas recentes do Grupo Catho mostram que, na maioria das vezes, quem faz esta entrevista é o possível
empregador direto do candidato - o presidente ou um dos diretores da empresa -, um motivo a mais para se
esmerar nos preparativos da entrevista.

Segundo os 625 executivos respondentes da pesquisa do Grupo Catho O perfil dos líderes empresariais, 81,7%
dos presidentes de empresa entrevistam profissionais que procuram vagas como diretores, 82,4% entrevistam os
possíveis gerentes e 50% os candidatos a supervisores. Entre os diretores, 53,42% entrevistam futuros diretores,
73,17% entrevistam possíveis gerentes e 49,08% entrevistam concorrentes a vagas de supervisores.

O jornal Carreira & Sucesso traz à tona com freqüência assuntos relacionados à maneira de se comportar (e de
não se comportar) durante as entrevistas, salientando sempre a importância do preparo para esta conversa
pessoal.

Mas, mesmo se preparando e tomando certos cuidados, às vezes um pequeno deslize pode comprometer e até
mesmo colocar em xeque todo o preparo e o bom desempenho do candidato durante o processo seletivo. Afinal,
se o entrevistador chegou até ali é porque o profissional já teve o seu perfil e o seu currículo analisados e
aprovados.

Esses deslizes comprometedores podem ser manifestados, por exemplo, por meio de frases mal colocadas pelos
candidatos e que podem demonstrar acomodação, preguiça, problemas com trabalho em equipe, dificuldade de
relacionamento, arrogância, excesso de autoritarismo, teimosia etc. Não podemos deixar de considerar que cada
profissão e cada área de atuação carece de profissionais com perfis e aptidões diferentes e, às vezes, o que é
defeito para alguns empregadores é qualidade para outros, mas algumas situações são comuns para qualquer tipo
de entrevista, para qualquer área de atuação. São frases como:

E o que é que eu ganho com isso?

Fomos procurar alguns profissionais da área de Recursos Humanos para saber quais são algumas das frases que
colocam o candidato na "corda bamba" durante a entrevista de emprego e o que recomendam para que os
candidatos evitem cair nestas armadilhas.

TUDO DEPENDE DA CULTURA DA EMPRESA...

Maria Ignez Carneiro de Azevedo Limeira é diretora de Recursos Humanos da Concremat. Em seu ano e meio de
empresa, Maria Ignez trabalha com cerca de 1.800 funcionários, distribuídos na matriz da empresa no Rio de
Janeiro, na filial em São Paulo e nos escritórios regionais e obras espalhados por todo o Brasil.

A empresa faz 50 anos em 2002 e durante toda essa trajetória, Ignez afirma que já ocorreram vários casos de
profissionais que foram descartados pela Concremat justamente no momento da entrevista pessoal.
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- "Situações extremas levam o candidato a perder tudo de positivo que ele conseguiu até ali", completa Maria
Ignez, comentando fatos recentes, como a candidata que, durante a dinâmica de grupo, declarou com graça o seu
apelido de "Lerdinha", e o candidato de um concurso para policial que, quando questionado sobre os motivos que
o levaram a querer aquela profissão, respondeu ter recebido de uma fonte segura a garantia de que existiam
formas bem "interessantes" de conseguir se dar bem nesta carreira. - "Com certeza, estes exemplos são um
caminho sem volta para o fracasso", segundo Maria Ignez.

Mas a diretora de Recursos Humanos garante que, fora estes casos, determinadas frases são aceitáveis em uma
entrevista de emprego dependendo da cultura da empresa, do cargo em aberto e do momento pelo qual a
empresa está passando. Ela acrescenta que o desempenho e as colocações feitas pelos entrevistados devem ser
avaliados de acordo com o perfil da empresa.

- "Por exemplo, uma empresa que valoriza a qualidade de vida dos seus funcionárois porque acredita que desta
maneira vai garantir maior produtividade, vai adorar ouvir de um possível funcionário que ele tem uma vida
balanceada, que sai todos os dias pontualmente para a ginástica após o expediente. Já em uma empresa que não
valoriza estes aspectos este profissional pode ser mal visto e até interpretado como uma pessoa com quem a
empresa não pode contar".

De maneira geral, os profissionais, segundo Maria Ignez, devem aproveitar o momento da entrevista para mostrar
todo o seu potencial e a sua capacidade de se destacar diante da forte competitividade do mercado de trabalho.
- "As empresas costumam valorizar pessoas com alto nível de competitividade".

Em vez de citar frases, Maria Ignez destacou alguns comportamentos negativos que podem comprometer o
andamento da entrevista de emprego:

- ser abusado e, em vez de passar ao entrevistador as suas competências, passar a impressão de ser
insubordinado
- não ouvir o entrevistador, falando ininterruptamente
- não mostrar interesse em crescer na empresa e nem em ficar por muito tempo naquele emprego
- perguntar sobre a sua posição e a do cargo que irá ocupar dentro da empresa no momento errado, ou seja, até
mesmo antes do entrevistador começar a passar estas informações
- fazer perguntas sem sentido como, por exemplo, coisas pessoais de funcionários da empresa ou querer saber se
a empresa costuma emendar feriados ou dar férias coletivas no período do Natal e do Ano Novo

- "Costumo dar algumas dicas quando me perguntam sobre como se dar bem em uma entrevista de emprego",
ilustra Maria Ignez:

- antes da entrevista, pesquise sobre a empresa entrevistadora e, se possível, sobre o entrevistador e até sobre a
entrevista
- procure saber o que a empresa espera do profissional que vai ocupar a vaga em aberto
- investigue como a empresa imagina o profissional que procura
- converse com algumas pessoas sobre esta empresa
- use a Internet como sua grande aliada para essa pesquisa
- seja discreto em todos os momentos
- não seja insistente fazendo vários telefonemas para a empresa, pois isso mostra ansiedade

CUIDADO COM A SUBJETIVIDADE NA HORA DA ENTREVISTA

É assim que a vice-presidente do Grupo Catho, Adriana Gomes, define a entrevista: um momento permeado de
subjetividade em meio a muitas atitudes.

- "Acho que podemos enumerar vários cuidados que o candidato deve ter no momento da entrevista para que a
sua contratação não fique comprometida".

Segundo ela, se o profissional chegou até a entrevista é porque já teve o seu currículo analisado e está dentro do
perfil definido pela empresa. O que o entrevistador pretende, no momento da entrevista, é medir a postura, as
atitudes e os conhecimentos técnicos deste candidato.

- "E isso tudo é medido ao mesmo tempo, durante a entrevista, sem esquecer que todas as atitudes do candidato
continuam sendo observadas depois da contratação".

Adriana enumera as principais falhas cometidas em entrevistas de emprego, inclusive em forma de frases:
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inverdades
"Mentiras e inverdades têm pernas curtas, principalmente quando as situações inventadas não condizem com o
profissional que está sendo avaliado. E isso independe da posição que ele irá ocupar ou da empresa em que irá
trabalhar. Não minta no currículo e na entrevista; trabalhe somente com experiências e competências reais."
não estar dentro do perfil da vaga
"Muitos candidatos enviam os seus currículos para tudo quanto é lado na esperança de conseguir um emprego; é
bom saber que esta atitude quase nunca funciona. Esta atitude pode ser reconhecida com a frase: "Ah, eu não
tenho o perfil exato que a empresa procura, mas vou mandar o meu currículo mesmo assim..."
Tenha certeza de que aquela vaga se encaixa com o seu perfil profissional antes de enviar o seu currículo ou
marcar uma entrevista. No mínimo, navegue pelo site da empresa para saber como ela trabalha e como é a área
em que ela atua. O essencial é ter conhecimento desta área e dominar tecnicamente a função que irá
desempenhar. Uma dica é procurar nos anúncios de emprego da Internet e de jornais algumas palavras-chaves do
que a empresa espera do futuro colaborador.

insegurança
"A insegurança do entrevistado é transmitida pela lentidão para responder perguntas, pela falta de precisão em
sua respostas e pela falta de exemplos para dar quando solicitados. É importante não confundir nervosismo (que é
normal durante um processo seletivo) com insegurança. O entrevistador saber separar as duas coisas e vai insistir
no que quer saber até o entrevistado responder."
saiba sobre o seu currículo
"Durante a entrevista, o mínimo que o entrevistador espera do entrevistado é que ele saiba os detalhes da sua
vida profissional, como o motivo de alguns períodos em branco no histórico profissional, por exemplo. O currículo
é a história da vida do candidato. Ele não está ali para responder perguntas sobre a vida de D. Pedro I ou
questões de História do Brasil, mas sim detalhes sobre um personagem que ele conhecer muito bem: ele mesmo.
Para isso, o que vale é estar preparado para responder qualquer dúvida que o futuro empregador venha a ter com
relação a ele."

falta de iniciativa
"Aqui cabe um exemplo de frase, mais uma vez: Acho que consigo fazer isso, mas só vou ter certeza depois do
meu dia-a-dia de trabalho."

desmotivação
"O entrevistador percebe a motivação do candidato pelo interesse que ele tem pela empresa e pela vaga que vai
ocupar. Pergunte."

um fraco aperto de mão


"Não há atitude que demonstre mais medo e falta de decisão do que um aperto de mão fraco. Aperte a mão do
seu entrevistador com firmeza e segurança."

interesse na remuneração
"Cabe à empresa, por meio do profissional que está comandado o processo de seleção, tocar falar sobre
remuneração. Se o profissional foi procurado por uma empresa que sabe o valor da sua última remuneração,
existem 99% de chances de o salário oferecido ser maior do que o que ele recebia."
gírias
"A entrevista de emprego deve ser encarada como uma conversa formal. Não use gírias."

erros de Português
"Errar na hora de escrever ou de falar no nosso idioma tira pontos de qualquer profissional concorrente à qualquer
vaga, em qualquer empresa."

imprecisão
"Ah, eu acho que..." e "Ah, não sei..." são frases típicas de quem não tem muita certeza das coisas. É melhor
evitá-las durante a entrevista de emprego. A resposta não sei só é perdoável se a pergunta for muito abrangente."

Adriana Gomes lembra que, muitas vezes, estas atitudes são tão subjetivas que o candidato nem percebe que
está errando. "Cuidado quando falar que acha determinada tarefa muito complicada ou que não sabe se dá para
trabalhar dentro do prazo estipulado pela empresa. Todo cuidado é válido."

O COMPROMETIMENTO DO CANDIDATO COM A EMPRESA É FUNDAMENTAL

Segundo Patrizia Mesquita, psicóloga consultora de seleção do Banco de Vagas do Grupo Catho, um dos
principais fatores medidos durante a entrevista de emprego é o comprometimento que o profissional costuma ter
nas empresas em que trabalha.
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- "Toda empresa procura um funcionário que vista a camisa. Uma vez entrevistei uma profissional muito boa, que
tinha exatamente o perfil que a empresa procurava mas, num determinado momento da entrevista, ela me disse
que estava testando algumas áreas profissionais e que se não gostasse da área em que iria trabalhar naquela
empresa ela mudaria de emprego facilmente. Não preciso dizer que ela não passou dali, né?".

Patrizia explica o exemplo dizendo que nenhuma empresa contrata um profissional pensando em perdê-lo, mas
sim pensando em investir nele, mesmo porque se, mais tarde, resolver dispensá-lo, esta atitude tem um custo
relativamente alto para a empresa.

- "Estas frases indicativas de desapego profissional, na minha opinião, quando ditas durante a entrevista de
emprego, são as mais comprometedoras, e podem, inclusive, custar a oportunidade de emprego daquele
candidato."

O uso de gírias também é lembrado como fator negativo por Patrizia, que conclui que, durante a entrevista, o
entrevistado deve manter a postura de um profissional sério, sem forçar intimidades, brincadeiras ou piadinhas.

"Hoje em dia, percebo que outro fator que as empresas estão levando muito em conta na hora de contratar um
profissional, independentemente da hierarquia, é o fato de ele conseguir trabalhar sob pressão. Somos cobrados
como profissionais o tempo todo, e dificilmente será diferente em qualquer empresa. Lembro-me de um candidato
que durante o processo de seleção para determinada vaga me disse que se sentia muito incomodado em trabalhar
sob pressão, e como ele não explicou o tipo de pressão a que se referia, a empresa preferiu não arriscar na sua
contratação."

Existem alguns casos mais específicos de frases erradas no momento da entrevista, como o caso do profissional
que Patrizia entrevistou para um cargo de gerência.

- "O profissional simplesmente me disse que não era bom em delegar tarefas. Justamente hoje, momento em que
as empresas procuram um profissional generalista que delegue tarefas, como posso contratar este profissional
para ser gerente de um departamento com vários funcionários abaixo dele que dependem justamente da sua
delegação de tarefas?"

Patrizia concorda com a afirmação de Maria Ignez Carneiro de Azevedo Limeira, diretora de Recursos Humanos
da Concremat, a primeira entrevistada desta reportagem, quando diz que as respostas são consideradas
inadequadas de acordo com a cultura da empresa e a vaga em aberto. Na opinião de Patrizia, algumas funções
requerem características específicas.

- "Para não correr o risco de errar, a dica é manter uma postura considerada positiva por qualquer entrevistador,
com seriedade, educação, motivação, assertividade, interesse e segurança. Já ouvi frases absurdas, como:

- Gostaria de atuar naquele departamento somente como trampolim para outra área ou para ser um profissional
completo, que já passou por toda a empresa.
- Sabe, não agüentava mais a empresa em que eu trabalhava anteriormente e por isso estou aqui!
- Não paro em nenhum emprego há muito tempo, quem sabe paro neste?"

E o último aspecto analisado por Patrizia, mas não o menos importante, segundo ela, diz respeito às referências
pessoais e profissionais, normalmente solicitadas no momento da entrevista.

- "Cheque as suas referências e avise as pessoas de que você pediu para recomendá-lo, pois um comentário
negativo de uma delas coloca em risco todo o andamento da seleção."

OUTRAS FRASES QUE COMPROMETEM UM CANDIDATO

 Ah! Não sei se vai dar para fazer isto...


 Acho que isso não daria certo.
 Não sei se vou conseguir...
 Desculpe, mas esse trabalho não é do meu departamento.
 Por que preciso mudar?
 Não posso prometer.
 Isso é muito complicado!
 Depois a gente vê...
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FAÇA DA NEGOCIAÇÃO SALARIAL UM PRAZER
Joaquim Maria Botelho

Negociar salário durante uma entrevista de emprego não deve ser nunca uma situação frustrante ou de
nervosismo. Fazer a negociação leve e agradável depende apenas de como você a encara.

Uma delas se refere ao poder de negociação de um profissional que está desempregado X o mesmo poder
quando o profissional está empregado. Em ambas as situações, no entanto, houve recusa da primeira oferta feita
pelo empregador (perto de um terço dos profissionais desempregados e quase a metade dos profissionais
empregados não aceitaram a oferta inicial). Vejam a tabela publicada na coluna Pesquisa desta edição do jornal
Carreira & Sucesso.

Mas, empregado ou desempregado, há algumas técnicas que podem ser seguidas durante um processo de
negociação:

- Em primeiro lugar, prepare o terreno antes de lançar a sua proposta.


- Aproveite todas as entrevistas para entender claramente os objetivos e desafios da função que você irá ocupar.
- Como você certamente será entrevistado por mais de uma pessoa, procure perceber que problema cada uma
das pessoas que fala com você está tentando resolver.
- Fique bem focado na mensagem que vai passar para ser bem entendido com relação ao que você pode fazer
para ajudar a empresa a atingir sua meta.
- Em algum momento, depois disso, será a hora de falar de remuneração. Prepare-se para este momento. Você
tem que aparentar confiança em si mesmo, mostrar que conhece o valor que tem. Pesquise o mercado, por
exemplo, usando a Pesquisa Salarial do Grupo Catho, que pode ser acessada no endereço
www2.catho.com.br/salario/. O seu grande argumento é que se ficar satisfeito com a negociação, terá
tranqüilidade para se dedicar ao seu trabalho na empresa.

Ainda falando sobre remuneração, eis alguns pontos sobre os quais você pode se basear:

- Vá para a entrevista com o valor definido da remuneração que quer ganhar para que não seja apanhado de
surpresa, com uma proposta salarial muito baixa.
- Defina, para você mesmo, antes da entrevista, os seus objetivos na empresa em termos de responsabilidades,
direitos, ambiente de trabalho, salário e benefícios.
- Preste atenção no que o potencial empregador quer e ajude-o a conseguir isso. O ideal em uma negociação é
que ambos os lados fiquem satisfeitos.
- Aproveite a entrevista para construir relacionamentos. Faça com que o entrevistador admire e respeite você. E
procure entendê-lo, pois só assim poderá enxergar a situação sob o ponto de vista dele.

A Entrevista de Emprego
Na procura por um novo emprego, não importa se você acabou de entrar na faculdade ou se já possui alguma
experiência profissional anterior: é certo que você terá que enfrentar um mercado cada vez mais exigente e
competitivo.

Para ser contratado, um candidato a qualquer tipo de emprego em qualquer tipo de empresa deverá enfrentar ao
menos uma entrevista. A entrevista costuma ser o momento mais importante e decisivo no processo de
contratação.

Nessa hora, o entrevistado, principalmente o jovem inexperiente que começou sua "caça" ao emprego agora e
ainda não participou de muitas entrevistas, está sob tensão e muito preocupado ou inseguro.

Além do conteúdo de suas respostas outros fatores como sua apresentação, e a "forma" como você coloca as
informações também serão avaliados e podem aumentar ou acabar de vez com suas chances de conseguir um
emprego. Procure passar segurança, confiança e entusiasmo durante a entrevista.

Para sair-se bem durante as entrevista é essencial que você se prepare.

Roteiro de preparação para as entrevistas:

* Não procure apenas as grandes companhias (do tipo as dez melhores empresas para se trabalhar), pois a
concorrência nestes casos chega a ser brutal. Você pode encontrar excelentes oportunidades de emprego em
pequenas e médias empresas.
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* Anote em uma agenda todos os contatos realizados e informações sobre os locais para onde enviar seu
currículo. Além disso, você deve copiar as informações contidas nos anúncios das vagas, pois fica mais fácil
impressionar o selecionador se você sabe o perfil do profissional que ele está procurando.

* Quando o entrevistador telefonar para marcar a entrevista, pergunte qual o cargo para o qual estará
concorrendo, confirme o telefone, endereço e horário combinado.
Faça uma pesquisa completa sobre a empresa. Informe-se sobre o porte e nacionalidade da empresa, tempo que
atua no mercado, quais os produtos ou serviços, principais concorrentes e reputação da empresa no mercado.
Para encontrar estas informações você pode pesquisar no site da empresa em publicações específicas ou
conversar com funcionários, ex-funconários e clientes.

* Estude seu currículo. Durante a entrevista, cuidado para não fornecer informações diferentes das que constam
em seu currículo, como por exemplo, datas de entrada e saída em seus empregos anteriores ou ano de formação.

* No dia da entrevista, saiba nome e cargo do entrevistador, o local, a data e o horário da entrevista. Você não
pode chegar atrasado, o ideal e chegar dez minutos antes da hora marcada.
Leve cópias sobressalentes de se currículo. É possível que você converse com mais de um entrevistador no
mesmo dia.
Vista-se discretamente. Procure conhecer o estilo da empresa antes, e use esta informação no momento de
escolher a roupa. Prefira trajes formais e discretos. Roupas justas, decotadas, coloridas ou muito estampadas são
proibidas. Jeans ou tênis também são inadequados pois são informais demais para a ocasião. Não exagere nas
jóias ou perfumes. Sapatos e bolsa devem ter aparência de novos. As unhas e cabelos devem estar bem
cuidados.

* Quando chegar à empresa, trate bem todos os funcionários, da secretária à recepcionista. Seu comportamento já
estará sendo avaliado neste momento.

* Durante a entrevista, tente manter a autoconfiança pois as empresas valorizam profissionais seguros e com
iniciativa.
Evite respostas monossilábicas, como sim, não e é. Procure se vender, suas respostas devem ser sucintas, porém
comunicativas e vibrantes. Não fale demais nem de menos. Quando for respoder a uma pergunta, fale durante um
tempo entre vinte segundos e dois minutos cada vez.
Evite comentários negativos ou queixas. Não fale mal de seu ex-chefe, da empresa em que trabalhou ou dos
professes da faculdade.

* Nunca "implore" pelo emprego, você pecisa apenas mostrar que merece a posição. O selecionador não lhe dará
o emprego apenas porque você está precisando.

* Seja simpático, positivo e demonstre entusiasmos em suas respostas. No final da entrevista, pergunte sobre as
próximas etapas do processo de seleção.

* Após a entrevista, agradeça a oportunidade ao entrevistador enviando um bilhete de agradecimento. O objetivo


desta carta é marcar sua presença e fazê-lo lembrarde você de uma forma positiva. Outro objetivo é induzir o
entrevistador a chamá-lo para outra entrevista.

Dúvidas Sobre Entrevista


Fui demitida de meu emprego anterior e fico com muito medo quando os entrevistadores perguntam sobre esse
assunto.
Qual é a melhor forma de responder?

Uma pergunta que sempre ocorre durante as entrevistas e para a qual você deve estar bem preparado para
responder é sobre o motivo de de seu desligamento da empresa.
Se foi demitido, não adianta esconder, responda a verdade, suas referências provavelmente serão verificadas e
irão descobrir que você foi demitido. É melhor dar uma resposta muito curta e indicar que você desenvolveu um
bom trabalho nas empresas por onde passou.
Como você não mencionou o motivo que ocasionou sua demissão, indicaremos respostas para cada uma das
situações:

Redução de Custos

Você deverá caracterizar que a demissão não tinha nada a ver com seu desempenho. Uma resposta como "fui
demitido justamente com mais X pessoas para reduzir os custos". Esta respostadiminui bastante o preconceito em
relação à demissão.
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Você cometeu um erro

Afirme que aprendeu a lição e não cometerá esse erro outra vez. É melhor dar uma resposta muito curta, procure
não entrar em detalhes. Forneça informações que comprovem que sua demissão não teve relação com seu
desempenho.
Lembre-se, o entrevistador está torcendo para que você seja o profissional perfeito para a vaga que está
disponível.
Você não imagina como é difícil encontrar pessoas qualificadas!
Se você foi chamado para uma entrevista, significa que gostaram do seu currículo e existem chances de você ser
contratado.
Prepare-se para a entrevista e boa sorte!

Quando vejo um anúncio de vaga no jornal ou internet em inglês, devo enviar o Curriculum Vitae na língua do
anúncio?

Se a vaga está anunciada em inglês, é porque será necessário que o profissional tenha fluência no idioma. Se
você possui interesse na vaga, deve fazer uma tradução bastante cuidadosa de seu currículo antes de enviá-lo.
Se seu inglês escrito não é perfeito, você pode solicitar o auxílio de um tradutor.

Quando os anúncios de vaga pedem uma carta manuscrita, o que na verdade deve constar desta carta?

A carta manuscrita nada mais é que uma carta de apresentação. Algumas empresas podem utilizar essa carta
como material para a anáise grafológica (estudo da letra que permite levantar algumas características da
personalidade).
A carta manuscrita deve mostrar resumidamente sua experiência profissional e seu interesse em trabalhar para a
empresa.
A carta deve ser redigida com assuntos que chamem a atenção e motivem o leitor a entrar em contato.