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II Grupo

Cristina José Andrassone

Gusenga Right
Jacobe Fernando Fopence
Jamal Jeremias Ernesto

Período Literário Barroco

Licenciatura em Ensino de Português

Universidade Púnguè

Chimoio

2021
2

II Grupo

Cristina José Andrassone

Gusenga Right
Jacobe Fernando Fopence
Jamal Jeremias Ernesto

Período Literário Barroco

Trabalho a ser apresentada ao departamento de


Letras, ciências Sociais e Humanidades, no
Curso de Licenciatura em Ensino de Português,
como avaliação parcial na cadeira de, sob
orientação de Docente.

Mestre: Juma Manuel

Universidade Púnguè

Chimoio

2021

Índice
3

1.0 Introdução..................................................................................................................................5

2.0 Período Literário Barroco..........................................................................................................6

2.1 Contexto histórico..................................................................................................................6

2.2 Influência ideológica..............................................................................................................7

2.3 Movimentos barrocos.............................................................................................................8

2.4 Características do período......................................................................................................8

2.5 Produção literária...................................................................................................................9

2.6 Manifestações temáticas........................................................................................................9

2.7 Principais autores do Barroco................................................................................................9

2.7.1 Barroco em Portugal:.......................................................................................................9

2.7.2 Barroco no Brasil:.........................................................................................................10

2.8 Demonstração de Cultismo e Conceptismo com base em textos.........................................12

2.9 Demonstração de Figuras de Linguagem no Barroco com base em textos.........................12

2.9.1 Demonstração das manifestações temáticas e estilos no Barroco com base em textos.14

2.9.1.1 O poeta religioso........................................................................................................14

2.9.1.2 O poeta satírico...........................................................................................................15

2.9.1.3 O poeta lírico..............................................................................................................15

2.9.1.4 O poeta erótico...........................................................................................................16

3.0 Conclusão................................................................................................................................17

3.1 Referência Bibliográfica......................................................................................................18


4

1.0 Introdução

O presente trabalho, abordara sobre os períodos literários e será focalizado essencialmente o


período Barroco. Ao logo do desenvolvimento do trabalho serão descritos aspectos importantes
sobre o Barroco tais como: conceitos, o contexto histórico, suas características, autores que
representam, as suas manifestações temáticas, seus movimentos, suas influencias ideológicas, a
produção literária, as demonstrações das figuras de linguagem com base em textos e bem como a
demonstração das manifestações temáticas e estilo Barroco. Importa referenciar ainda que O
barroco é de origem italiana e se difundiu pelos outros países da Europa e pela América, nos
séculos XVI e XVII que é fundamentado nos valores antropocêntricos do classicismo com os
valores teocêntricos medievais que a Contra-Reforma tentou resgatar.

O trabalho tem como objectivos, geral: conhecer o período Literário Barroco, cujo mesmo será
coadjuvado por seus objectivos específicos que se basearão na perspectiva de conceituar,
caracterizar, explicar as influencias ideológicas, saber as produções bem como demonstrar as
figuras de linguagem, manifestações temáticas e estilo Barroco com base em textos.

A metodologia, a ser empregue neste trabalho é o método bibliográfico e estudo descritivo. O


método bibliográfico vai basear-se na consulta de artigos, manuais e outras informações já
publicadas que abordaram sobre o tema em destaque, como forma de auxiliar o raciocínio dos
autores. Enquanto que o estudo descritivo vai ajudar na descrição das actividades que serão
colocadas, ilustrando da melhor forma possível todos passos para o desenvolvimento do
trabalho.
5

2.0 Período Literário Barroco

Segundo CARPEAUX (1962), afirma que períodos, movimentos ou escolas literárias


representam um conjunto de escritores e obras de determinado período da história. Eles reúnem
produções literárias com características e estilos similares.

Para COUTINH0 (1971), referência que, os períodos literários correspondem as fases histórico-
culturais em que determinados valores estéticos e ideológicos resultam na criação mais ou menos
próximas no estilo e na visão do mundo.

Assim sendo na perspectiva do grupo, os períodos literários são conjuntos de textos que se
particularizam pela presença de elementos estéticos comuns que comungam das mesmas linhas
temáticas e ideológicas num certo período de tempo. Dentro de um certo período literário
podemos ter vários movimentos, oque se difere de um período pós o movimento parte de uma
geração, o laco do tempo do período literário é relativamente mais extenso que o laco de tempo
de um movimento ou uma geração.
O movimento ou geração é uma manifestação específica de uma linha temática ou ideológica
dentro de um período literário.

Existem vários períodos literários porem neste trabalho daremos enfâse ao Barroco também
conhecido seiscentismo, O termo denomina genericamente todas as manifestações artísticas dos
anos 1600 e início dos anos 1700. Além da literatura, estende-se à música, pintura, escultura e
arquitectura da época.

2.1 Contexto histórico

Estilo literário dos séculos XVI e XVII que é fundamentado nos valores antropocêntricos do
classicismo com os valores teocêntricos medievais que a Contra-Reforma tentou resgatar. O
barroco é de origem italiana e se difundiu pelos outros países da Europa e pela América Latina,
porém o movimento encontra maior expressão na Espanha. O nome do movimento é uma palavra
de origem espanhola que significa "pérola de forma irregular (HAUSER, 1968).

Segundo PORTELLA (1975) citado por MERQUIOR (2002), o período surgiu como oposição
aos ideais de harmonia e simplicidade apresentados pelo Renascimento. Assim, o barroco
6

buscava conter a Reforma Protestante ao mesmo tempo em que resgatava as ideias teocêntricas.
O movimento criou, então, uma estética extravagante, requintada e cheia de representações do
Divino.

Para HAUSER (1968), este período, tornou-se uma arte eclesiástica e colaborava com as
construções de igrejas capelas e catedrais. A estética também estava presente na arquitectura,
literatura música, pintura do século XVI e permaneceu até o século XVIII.

2.2 Influência ideológica

 Contra-Reforma
Procurou reprimir todas as tentativas de manifestações culturais ou religiosas contrárias às
determinações da Igreja Católica. Nesse período, a Companhia de Jesus passa a dominar quase
que inteiramente o ensino, exercendo papel importantíssimo na difusão do pensamento aprovado
pelo Concílio de Trento.
 Concílio de Trento

Realizado de 1545 a 1563, causou grandes reformas no Catolicismo, em resposta à Reforma


Protestante de Martinho Lutero. Assim, a autoridade da Igreja de Roma foi vigorosamente
reafirmada, depois de perder muitos fiéis.

A Companhia de Jesus, reconhecida pelo papa em 1540, passa a dominar quase que inteiramente
o ensino. Ela exerceu um papel importante na difusão do pensamento católico aprovado no
Concílio de Trento.

A Inquisição que se estabeleceu na Espanha a partir de 1480 e em Portugal a partir de 1536,


ameaçava a liberdade de pensamento. O clima era de austeridade e repressão. Foi nesse contexto
que se desenvolveu o movimento artístico chamado Barroco, numa arte eclesiástica que desejava
propagar a fé católica.
7

2.3 Movimentos barrocos

Sebastianismo: movimento místico-secular que ocorreu em Portugal na segunda metade do


século XVI como consequência da morte do rei D. Sebastião na batalha de Alcácer-Quibir.
O povo, acreditando em que o rei estivesse vivo, influenciou as ideias dos escritores, que
escreviam obras que traziam uma inconformidade com a política vigente e uma expectativa no
ressurgimento do rei D. Sebastião. É um movimento que influencia escritores até hoje, em textos
revolucionários e crónicas sociais, (MUKAROVSKY, 1981).
Cultismo ou Gongorismo: o estilo era construído com linguagem culta e rebuscada e explorava
o jogo de palavras (sinónimos, antónimos, homónimos, trocadilhos, figuras de linguagem,
hipérbatos). Existia uma grande riqueza de detalhes.

Conceptismo ou Quevedismo: o racionalismo e a retórica eram explorados. Usava o jogo de


ideias (comparações e argumentação engenhosa) e trabalhava com a definição de conceitos por
meio do raciocínio lógico.

2.4 Características do período

Entre suas principais características estão a dualidade Antropocêntrica (homem no centro de


todas as coisas) x Teocêntrica (Deus no centro), a riqueza de detalhes e o uso excessivo de
adereços.

Os textos literários, por sua vez, eram rebuscados, cheios de jogos de ideias e palavras. Para
expressar o dualismo presente no quotidiano, a literatura barroca era composta por figuras de
linguagens como a antítese e paradoxo: reflectem uma época de contrastes (RAMOS,1977)

O estilo possui também estas características:

 Fusionismo (fusão entre a visão medieval e a renascentista), Pessimismo (a felicidade,


impossível na Terra, só se realizaria no plano celestial), Feísmo (fascinação pela miséria
humana, crueldade, dor, podridão e morte), Rebuscamento (ornamentação excessiva da
linguagem, atrelada a um apelo visual), Hipérbole, Sinestesia (apelo sensorial), Morbidez
(sentimento de culpa) Carpe diem (aproveitar o momento), Emprego da medida nova
(versos decassílabos)
8

Segundo VALLEJO (1974), A época foi marcada pela oposição e pelo conflito, o que acaba
revelando uma forte angústia existencial. Dessa forma, as obras literárias dessa época apresentam
visões opostas (aproximação de opostos), tais como:

 Antropocentrismo versus teocentrismo, Sagrado versus profano, Luz versus sombra,


Paganismo versus cristianismo, Racional versus irracional, Material versus espiritual, Fé
versus razão, Carne versus espírito, Pecado versus perdão, Juventude versus velhice, Céu
versus terra, Erotismo versus espiritualidade.

2.5 Produção literária

Para SARDUY (1977), Os principais géneros mais produzidos no barroco são poemas épicos,
líricos, satíricos, eróticos, religiosos; Sermões, eram desenvolvidos a partir de uma linguagem
rebuscada e rica em detalhes.

2.6 Manifestações temáticas

A escola barroca trabalhava com alguns tipos principais de temas, entre os quais estavam:
heroísmo, fugacidade da vida, ilusão, instabilidade das coisas, morte, castigo, misticismo
sobrenatural, o divino e religioso, erotismo, arrependimentos fragilidade humana, fugacidade do
tempo, crítica à vaidade, contradições do amor. Temas estes que mostravam a dualidade do
antropocentrismo x teocentrismo actuantes na época (WELLEK, & WARREN, 1975).

2.7 Principais autores do Barroco

2.7.1 Barroco em Portugal:

Segundo FOUCAULT (1992), este período teve início em 1580, marcado pela morte de Camões.
Os principais autores foram: Padre António Vieira, Francisco Rodrigues Lobo e Sóror Mariana
Alcoforado.
Padre António Vieira: Escreveu inúmeras obras de cunho religioso (sermões), sendo os
principais: Sermão da Sexagésima, Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal contra as
de Holanda, Sermão de Santo António aos Peixes, Sermão do Bom Ladrão e Sermão da Quarta-
feira de Cinzas. Escreveu também profecias (textos conceptistas que reflectem sobre o futuro de
Portugal)
9

Sermões: textos conceptistas que ocupavam-se de assuntos filosóficos, sociais e políticos que
serviam para ser dirigidos ao público das missas. Divide-se em 5 partes:
 Tema: passagem bíblica em que se baseia o sermão;
 Intróito: antecipação da estrutura e sequência de ideias a serem defendidas;
 Invocação: pedido de inspiração (geralmente à Virgem Maria) para executar com
propriedade a exposição de ideias;
 Argumento: parte do sermão onde se prova com argumentos, exemplos e alegorias as
ideias fundamentais;
 Peroração (ou conclusão): fechamento do sermão, onde a ideia fundamental é resgatada
e os fiéis são conclamados a praticar.
Francisco Rodrigues Lobo: Destacou-se na produção de poesia barroca. Suas principais obras
foram: em poesia: Romanceiro
- Primeira e Segunda Parte do Romance, Éclogas, O Condestabre; em prosa: Corte da Aldeia e
Noites de Inverno.
Sóror Mariana Alcoforado: Religiosa que ingressou aos 16 anos no Convento de Nossa
Senhora da Conceição e lá morreu aos 83 anos. É apontada como a autora das ardentes Cartas
Portuguesas (são 5 cartas onde, acredita-se, ela declara o amor ao Conde de Chamilly, que foram
publicadas em Paris em 1669 por Claude Brabin).
Fazem parte de uma literatura chamada de Epistolar, pois se apresenta unicamente na forma de
cartas.

2.7.2 Barroco no Brasil:

Tem início em 1601, com a publicação da obra Prosopopéia, do poeta Bento Teixeira. Neste
período tivemos duas academias: a dos Esquecidos e a dos Felizes. À excepção de Gregório de
Matos, pouquíssimo valor artístico-literário foi manifestado durante o nosso barroco. O contexto-
histórico é o Ciclo da cana-de-açúcar e as invasões holandesas, quando a Bahia e sua sociedade
patriarcal era o centro comercial e cultural do país (RAMOS,1977).
Gregório de Matos Guerra: era um dos filho de uma família abastada e estudou em um Colégio
Jesuíta. Doutorou-se em Direito na Universidade de Coimbra, exercendo lá sua profissão por
vários anos. Por seu humor violento e corrosivo e às constantes críticas que dirigia aos políticos e
10

religiosos ele ganhou o apelido de boca do inferno. Sua vasta obra foi publicada apenas entre
1923 e 1933 pela Academia Brasileira de Letras. Sua produção literária pode ser dividida em:
Satírica e erótica: possuía humor violento e corrosivo, além de uma capacidade genial de
manipular a palavra. Denota também preconceito racial e críticas à políticos, clérigos e até
mesmo ao português colonizador. Os textos satíricos apresentam uma inacreditável actualidade
assim como os sermões de Padre António Vieira.
Encomiástica: feita com a finalidade de bajular alguns poderosos.
Lírica: Se divide em três partes:
 Lírico-amorosa: os encantos da mulher amada, sua indiferença ou paixão. Há o choque
entre o desejo e o platonismo.
 Lírico-religiosa: neste tipo de poema o poeta decanta a angústia entre a culpa pelo
pecado e a esperança pela salvação, porém nem sempre há a postura de submissão à
Deus.
 Lírico-filosófica: o poeta faz considerações sobre a condição humana, diante da
instabilidade do mundo e as incertezas que o permeiam.
Predominantemente, a obra de Gregório de Matos é satírica, além de ter escrito alguns sonetos.
Bento Teixeira: português, passou grande parte de sua vida no Brasil onde produziu em
Pernambuco a obra Prosopopeia, publicada em 1601. A obra apresenta 94 oitavas em versos
decassílabos nos moldes camonianos e é de escasso valor literário.
A intenção era exaltar Jorge de Albuquerque Coelho, governador de Pernambuco e seu irmão
Duarte.
Manuel Botelho de Oliveira: primeiro poeta brasileiro a ter uma obra impressa: Música do
Parnaso, de 1705, livro que reuniu poemas em Português, Latim, Espanhol e Italiano além de
duas comédias. O conteúdo não fora notável, embora podemos destacar a habilidade formal

2.8 Demonstração de Cultismo e Conceptismo com base em textos

O cultismo caracteriza-se pelo uso de linguagem rebuscada, culta, extravagante, repleta de jogos
de palavras e do emprego abusivo de figuras de estilo, como a metáfora e a hipérbole. um
exemplo de poesia cultista:
Ao braço do Menino Jesus de Nossa Senhora das Maravilhas, A quem infiéis despedaçaram
1
O todo sem a parte não é todo;
11

2
A parte sem o todo não é parte;
3
Mas se a parte o faz todo, sendo parte,
4
Não se diga que é parte, sendo o todo.
«1
Como se pode observar nos: VV14 O todo sem a parte não é todo/A parte sem o todo não é

»
parte/Mas se a parte o faz todo, sendo parte/Não se diga que é parte, sendo o todo

Já o conceptismo, que ocorre principalmente na prosa, é marcado pelo jogo de ideias, de


conceitos, seguindo um raciocínio lógico, nacionalista, que utiliza uma retórica aprimorada. A
organização da frase obedece a uma ordem rigorosa, com o intuito de convencer e ensinar.
Observa-se:
«
Para um homem se ver a si mesmo são necessárias três coisas: olhos, espelho

e luz. Se tem espelho e é cego, não se pode ver por falta de olhos; se tem
espelhos e olhos, e é de noite, não se pode ver por falta de luz. Logo, há
»
mister¹ luz, há mister espelho e há mister olhos. (Pe. António Vieira)

2.9 Demonstração de Figuras de Linguagem no Barroco com base em textos

Inconstância dos bens do mundo


1
Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
2
Depois da Luz se segue a noite escura,
3
Em tristes sombras morre a formosura,
4
Em contínuas tristezas a alegria.

5
Porém, se acaba o Sol, por que nascia?
6
Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
7
Como a beleza assim se transfigura?
8
Como o gosto da pena assim se fia?
12

9
Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza,
10
Na formosura não se dê constância,
11
E na alegria sinta-se tristeza.

12
Começa o mundo enfim pela ignorância,
13
E tem qualquer dos bens por natureza
14
A firmeza somente na inconstância

Antítese: reflecte a contradição do homem barroco, seu dualismo. Revela o contraste que o
escritor vê em quase tudo.

« »
Como se pode observar no: V1 A luz do Sol não dura mais do que um dia

Paradoxo: corresponde à união de duas ideias contrárias num só pensamento.


« »
Observa-se nos: VV4 e 11 E na alegria sinta-se tristeza//Em contínuas tristezas a alegria

2.9.1 Demonstração das manifestações temáticas e estilos no Barroco com base em textos

2.9.1.1 O poeta religioso

A preocupação religiosa do escritor revela-se no grande número de textos que tratam do tema da
salvação espiritual do homem. No soneto a seguir, o poeta ajoelha-se diante de Deus, com um
forte sentimento de culpa por haver pecado, e promete redimir-se.

Soneto a Nosso Senhor


1
Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,
2
Da vossa alta clemência me despido;
3
Porque quanto mais tenho delinquido
4
Vos tem a perdoar mais empenhado.

5
Se basta a voz irar tanto pecado,
13

6
A abrandar-vos sobeja um só gemido:
7
Que a mesma culpa que vos há ofendido,
8
Vos tem para o perdão lisonjeado.

9
Se uma ovelha perdida e já cobrada
10
Glória tal e prazer tão repentino
11
Vos deu, como afirmais na sacra história.

12
Eu sou, Senhor a ovelha desgarrada,
13
Recobrai-a; e não queirais, pastor divino,
14
Perder na vossa ovelha a vossa glória.

«1 »
Como se pode observar no: V1 Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado

2.9.1.2 O poeta satírico

Gregório de Matos é amplamente conhecido por suas críticas à situação económica da Bahia,
especialmente de Salvador, graças à expansão chegando a fazer, inclusive, uma crítica ao então
governador da Bahia António Luís da Câmara Coutinho. Além disso, suas críticas à Igreja e a
religiosidade presente naquele momento. Essa atitude de subversão por meio das palavras
rendeu-lhe o apelido de "Boca do Inferno", por satirizar seus desafectos, (PROENÇA, 1967).
Triste Bahia
1
Triste Bahia!
2
ó quão dessemelhante
3
Estás e estou do nosso antigo estado!
4
Pobre te vejo a ti, tu a mi abundante.

5
A ti tricou-te a máquina mercante,
6
Que em tua larga barra tem entrado,
7
A mim foi-me trocando e, tem trocado,
8
Tanto negócio e tanto negociante.
«
Como se pode observar nos: VV5 e 8 A ti tricou-te a máquina mercante/Tanto negócio e tanto
»
negociante.
14

2.9.1.3 O poeta lírico

Em sua produção lírica, Gregório de Matos se mostra um poeta angustiado em face à vida, à
religião e ao amor. Na poesia lírico-amorosa, o poeta revela sua amada, uma mulher bela que é
constantemente comparada aos elementos da natureza. Além disso, ao mesmo tempo que o amor
desperta os desejos corporais, o poeta é assaltado pela culpa e pela angústia do pecado.
À mesma d. Ângela
1
Anjo no nome, Angélica na cara!
2
Isso é ser flor, e Anjo juntamente:
3
Ser Angélica flor, e Anjo florente,
4
Em quem, senão em vós, se uniformara:

5
Quem vira uma tal flor, que a não cortara,
6
De verde pé, da rama fluorescente;
7
E quem um Anjo vira tão luzente,
8
Que por seu Deus o não idolatrara?

9
Se pois como Anjo sois dos meus altares,
10
Fôreis o meu Custódio, e a minha guarda,
11
Livrara eu de diabólicos azares
.
12
Mas vejo, que por bela, e por galharda,
13
Posto que os Anjos nunca dão pesares,
14
Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda.

«
Como se pode observar nos: VV12 e 14 Mas vejo, que por bela, e por galharda /Sois Anjo, que me
»
tenta, e não me guarda.

2.9.1.4 O poeta erótico

Também alcunhado de profano, o poeta exalta a sensualidade e a volúpia das amantes que
conquistou na Bahia, além dos escândalos sexuais envolvendo os conventos da cidade.
Necessidades Forçosas da Natureza Humana
1
Descarto-me da tronga, que me chupa,
2
Corro por um conchego todo o mapa,
3
O ar da feia me arrebata a capa,
4
O gadanho da limpa até a garupa.
15

5
Busco uma freira, que me desemtupa
6
A via, que o desuso às vezes tapa,
7
Topo-a, topando-a todo o bolo rapa,
8
Que as cartas lhe dão sempre com chalupa.

9
Que hei de fazer, se sou de boa cepa,
10
E na hora de ver repleta a tripa,
11
Darei por quem mo vase toda Europa?

12
Amigo, quem se alimpa da carepa,
13
Ou sofre uma muchacha, que o dissipa,
14
Ou faz da mão sua cachopa.
«
Como se pode observar nos: VV1,5 e 7 Descarto-me da tronga, que me chupa//Busco uma freira,
»
que me desemtupa//7Topo-a, topando-a todo o bolo rapa

3.0 Conclusão

Com o trabalho acima apresentado, que estava directamente relacionado aos períodos literários
especificamente o período Barroco, conclui-se que:
Os textos literários deste período (poemas, líricos, satíricos religiosos e sermões), foram
influenciados ideologicamente pela contra reforma e concílio de Trento, os seus textos
apresentavam cheios de jogos de ideias e palavras que expressavam o dualismo presente no
quotidiano.
A literatura barroca era composta por figuras de linguagens como a antítese, paradoxos e
hipérbole. Estes textos eram manifestados por instabilidade das coisas, a fogosidade da vida, a
morte dentre outros, dentro das quais mostravam a dualidade do antropocentrismo versus
teocentrismo.
Apesar do Barroco ter origem na Itália, o nome teve mais vivacidade na Espanha onde teve o
significado de pérola de forma irregular. Pode-se concluir também que, conforme demonstrado
no desenvolvimento do trabalho, cada estilo literário Barroco apresenta deferentes figuras de
linguagem acompanhado de uma ou mais manifestação temática.
16
17

3.1 Referência Bibliográfica

1. CARPEAUX, Otto Maria. História da literatura ocidental. Rio de Janeiro, O Cruzeiro,


1962.

2. COUTINHO, Afrânio. A literatura no Brasil. Rio de Janeiro, Sul-Americana, 1971.

3. HAUSER, Arnold. História social de la literatura y el arte. Madrid, Guadarrama, 1968.

4. MERQUIOR, José Guilherme. Os estilos históricos na literatura ocidental. 2002 In:


PORTELLA, Eduardo et all. Teoria literária. Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro, 1975.

5. MUKAROVSKY, Jan. Escritos sobre estética e semiótica da arte. Lisboa, Imprensa


Universitária/Editorial Estampa, 1981.

6. PROENÇA, Filho, Domício. Estilos de época na literatura. São Paulo, Ática, 1967.

7. RAMOS, Péricles Eugénio. Poesia Barroca. Ed. Melhoramentos. SP, 1977.


8. SARDUY, Severo. El barroco y el neobarroco. México/Paris, 1977.
9. VALLEJO, César. Poemas en prosa. Buenos Aires: Losada, 1974.
10. WELLEK, René & WARREN, Austin. Teoria da literatura. Lisboa, Europa-America,
1975.

11. FOUCAULT, Michel. As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas.
Trad. Salma Tannus Muchail. 6. ed. São Paulo, 1992.