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AUTISMO: UM ESTUDO DE CASO

Iára Castegnaro1 - UNOESC


Alexandra Daniele Romano2 - UNOESC

Eixo – Dificuldades de Aprendizagem


Agência Financiadora: não contou com financiamento

Resumo

O tema deste artigo está relacionado ao autismo e teve como objetivo principal mostrar que as
crianças portadoras de autismo podem e devem se adaptar ao meio social, além de desenvolver
suas habilidades e competências como as crianças não portadoras. A metodologia adotada para
coleta de dados foi um estudo de caso, realizado na Escola X, na qual foram realizadas leituras,
pesquisas bibliográficas, observação e uma pesquisa de campo envolvendo três professoras. Os
dados foram interpretados utilizando a análise qualitativa, pois posicionamentos não podem ser
quantificados. Os dados coletados revelaram que o autismo ainda é pouco estudado e
trabalhado, mostra ainda como é a vida de um autista dentro e fora da escola, seus
comportamentos e desenvolvimentos e os círculos afetivos, escolares e familiares, como
ocorrem e qual a posição da família perante a deficiência. Os dados também revelam que à
identificação da anormalidade, que muitas vezes não é iniciada pela família, cabe à escola e,
em especial, ao educador reconhecer o transtorno, em razão de que o professor precisa estar
atento às particularidades de cada um de seus alunos e diante das dificuldades de aprendizagens
pode contribuir para que a mesma possa ser tratada ou ter sua gravidade diminuída. Com essa
pesquisa foi possível concluir que o aluno autista tem muita dificuldade em se relacionar e fazer
alguns trabalhos, porém basta os professores buscarem métodos novos, dinâmicos e lúdicos que
chamem a atenção e incentivem o aluno a apreender. Apesar das dificuldades do aluno autista,
ele também é capaz de desenvolver habilidades e realizar atividades assim como outros alunos.

Palavras-chave: Autismo. Inclusão. Aprendizagem.

Introdução

Falar e ensinar não são tarefas fáceis. Na área da educação as diversidades são muitas e
esse universo tem várias barreiras, uma delas são as “dificuldades de aprendizagem”. A

1
Mestre em Educação pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Professora titular na Universidade
do Oeste de Santa Catarina (Unoesc). E-mail: iara.castegnaro@unoesc.edu.br
2
Graduanda em Pedagogia pela Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc). E-mail:
alexandra.romano@pucpr.br

ISSN 2176-1396
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inquietação ou o não conseguir aprender podem ser oriundos de extremidades diferenciadas,


portanto, é preciso muito conhecimento para saber qual é realmente a dificuldade de
determinado aluno.
As emoções de alguns alunos podem ser frágeis, outros podem ter uma vida normal,
mas grande parte sente-se deprimida, triste e excluída por não aprender ou por não estar
acompanhando o ritmo da turma.
Em conformidade com essa questão, Smith (2001, p. 17) coloca que:

Embora muitas crianças com dificuldade de aprendizagem sintam-se felizes e bem


ajustadas, algumas (até metade delas de acordo com estudos atuais) desenvolvem
problemas emocionais relacionados. Esses estudantes tornam-se tão frustrados
tentando fazer coisas que não conseguem que desistem de aprender e começam a
desenvolver estratégias para evitar isso. Eles questionam sua própria inteligência e
começam a achar que não podem ser ajudados. Muitos se sentem furiosos e põe para
fora, fisicamente, tal sensação; outros se tornam ansiosos e deprimidos.

Tal comportamento se não detectado pode agravar ainda mais a situação, podendo levar
a criança à depressão e a uma tristeza profunda. Esses sintomas devem ser percebidos o mais
rápido possível para permitir que a criança tenha um tratamento adequado e possa ter uma vida
normal, pois a depressão pode parecer inofensiva, mas ela destrói o físico e o emocional de um
ser humano.
As dificuldades de aprendizagem podem ter origem em fatores orgânicos ou mesmo
emocionais, por isso é importante que elas sejam detectadas com antecedência a fim de auxiliar
o desenvolvimento do processo educativo, pois, muitas vezes, são relatadas por pais e
professores como preguiça, cansaço, sono, tristeza, agitação, desordem, entre outros fatores.
Assim, percebe-se a importância do “olhar” pedagógico em sala de aula. O professor
não deve olhar a criança como um mero aprendiz mas, sim, ter sentimento por ela, demonstrar
preocupação e, se constatar algo errado, buscar meios para identificar o que está acontecendo e
como pode auxiliar a criança no processo educativo.
A observação dos professores diante das dificuldades de aprendizagens pode contribuir
para que a mesma possa ser tratada ou ter sua gravidade diminuída. O passo principal em sala
de aula não é rotular o aluno ou discriminá-lo sem antes saber o que está acontecendo no seu
interior. Fatores como cansaço ou problemas emocionais precisam ser discernidos das
dificuldades de aprendizagens, pois estas devem ser observadas e investigadas. É importante
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explicar às crianças que tal dificuldade apresentada tem nome, razão e uma solução. Pais e
professores devem motivar as crianças a enfrentarem os obstáculos, proporcionar confiança e
mostrar os pontos positivos em vez dos negativos, em razão de que a negatividade desanima e
destrói o ser humano.
A partir do exposto, enfatizamos que o presente artigo é parte de um estudo de caso
realizado na Escola X, na qual foram realizadas leituras, pesquisas bibliográficas, observação e
uma pesquisa de campo envolvendo três professoras. Na pesquisa, teve-se como objetivo
mostrar que as crianças portadoras de Autismo podem e devem se adaptar ao meio social, além
de desenvolverem suas habilidades e competências como as crianças não portadoras.

Autismo na percepção dos autores

Conforme Oliveira et al. (2014) a palavra autismo vem do grego autos, que significa de
si mesmo ou próprio. Sabe-se que o autismo é um distúrbio de desenvolvimento, com etiologias
múltiplas, de origem neurobiológica, o que implica uma abordagem sobre os diferentes aspectos
comportamentais ligados ao Autismo e seus processos de identificação.
Segundo Dechichi, Silva e Ferreira (2012, p. 213, grifo do autor), “[...] o distúrbio
fundamental mais surpreendente, ‘patognômico’, é a incapacidade dessas crianças de
estabelecer relações de maneira normal com as pessoas e situações desde o princípio de suas
vidas.”
A principal característica do Transtorno Autista é o prejuízo da criança no que se refere
ao seu processo de desenvolvimento, na interação social, comunicação, aquisição da linguagem
e estruturação de jogos simbólicos ou imaginativos. O autismo ocorre habitualmente em
crianças que apresentam alguma deficiência mental profunda ou um transtorno grave no
desenvolvimento da linguagem.
De acordo com Dechichi, Silva e Ferreira (2012, p. 214),

Esses aspectos devem ser utilizados na classificação de um desenvolvimento alterado


que surge após a idade dos três anos, incluindo também os que não apresentam
manifestações patológicas suficientes nos domínios psicopatológicos das interações
sociais recíprocas, da comunicação ou dos comportamentos estereotipados implicados
no Autismo Infantil.
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Ao contrário do que muitos pensam, com o autista pode-se construir e aprender muito.
Os movimentos de aprendizagem não se constroem somente com a qualidade de nossas ideias
e, sim, com nossas ações.
Essa ação requer um trabalho bem elaborado, com profissionais atuando de maneira
individualizada, planejada, que se sujeitam a novos desafios e que trabalham sempre em
sintonia com a família.
Quando o aluno ingressa na escola, durante a entrevista psicopedagógica é de suma
importância que nada passe despercebido para que as informações sirvam de maneira positiva
para a ação do psicopedagogo. Ele, por sua vez, usará de sua sensibilidade de educador para
identificar as dificuldades e implementar as possibilidades de aprendizagem.
O ambiente deve propiciar ao aluno autista condições favoráveis para estímulos
afetivos, sensoriais e cognitivos, além de um educar que transmita total segurança, em razão de
que a educação deve estar centrada no ser humano e não na patologia.
Segundo Cunha (2011, p. 53), “[...] transforme as necessidades do aprendente em amor
pelo movimento de aprender e de construir. Concede-lhe autonomia e identidade.” Portanto, o
início da construção da autonomia do autista ocorre quando há afeto entre ele e o seu professor.
Todo tipo de atividade a ser construído com o aluno deve ter caráter terapêutico, afetivo,
social e pedagógico. A própria prática escolar abre muitas oportunidades tanto para a família
quanto para a escola, pois as atividades podem ser incluídas no dia a dia da criança. É
interessante ressaltar que as crianças, enquanto pequenas, aprendem facilmente ações básicas
como vestir-se, lavar-se e comer. Já nas crianças autistas é visível a dificuldade para realizar
essas tarefas básicas, portanto, a escola e a família têm a tarefa de trabalhar esses pontos para
que a criança diminua a dependência.
O modo como o professor fala com o aluno autista contribui significativamente para que
a criança confie nele, ou seja, a fala deve ser serena, assim como os gestos, pois são os principais
meios de comunicação com o autista, considerando que toda forma de comunicação deve ser
objetiva e de fácil compreensão. Cunha (2011, p. 60, grifo do autor) destaca como exemplo:
“se um menino autista subir na cadeira, poderá não haver sentido para ele se um adulto disser:
‘Não faça isso!’, porque nem sempre saberá o que fazer ao ouvir a palavra ‘não’. O certo é dar-
lhe um objetivo, dizendo: ‘Coloque os pés no chão’.”
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Em muitos aspectos da vida, o que se sabe é que, nossos gestos falam muito mais do
que nossas próprias palavras, portanto, ao se trabalhar com uma criança autista, não somente o
seu professor, mas toda a equipe escolar deve enfatizar a questão social, os valores da amizade,
do carinho, do afeto, do amor e da importância do próximo e, também, compartilhar
sentimentos e interesses. Certamente se toda escola trabalhar esses pontos a compreensão do
aluno autista será facilitada, em razão de que ele estará envolvido diariamente em um meio
social.
Durante o processo de aprendizagem, a maior dificuldade do autista adquirir
aprendizado é o deficit de atenção, pois ele faz com que sua atenção se disperse. Entretanto,
autores alertam quanto aos três estágios que devem ser percebidos pelo professor: no primeiro,
considera-se papel do professor atrair a atenção do aluno, provocando nele a vontade de
aprender; no segundo, por mais que o autista não se comunique por meio da fala, todo e qualquer
tipo de comportamento é uma forma de expressão significativa, que deve ser notada; no terceiro
e último estágio, o autista deve ter a capacidade de brincar com o restante dos colegas sem que
haja intervenção do professor, e isso é tão interessante que essa atividade interativa reduz o
isolamento e os comportamentos inadequados (CUNHA, 2011).
A seleção dos materiais pedagógicos contribui para a estimulação do aluno no processo
de construção do conhecimento. O manuseio de alguns objetos específicos, estimulam também
a função cognitiva, considerando que, por meio do manuseio de peças, qualquer criança acaba
desenvolvendo a concentração, a coordenação motora, o equilíbrio e a compreensão dos
conceitos perto, longe, atrás, frente, alto, baixo, direita, esquerda, pequeno e grande.

O aluno com autismo não é incapaz de aprender, mas possui forma peculiar de
responder aos estímulos, culminando por trazer-lhe um comportamento diferenciado,
que pode ser responsável tanto por grandes angústias como por grandes descobertas,
dependendo da ajuda que ele receber. (CUNHA, 2011, p. 68).

Além de ser imprescindível o cuidado na escolha dos materiais como forma de facilitar
a aprendizagem do autista, é de extrema importância que a família e o meio escolar tomem
cuidado com a alimentação da criança autista. Alguns alimentos ou medicamentos podem
provocar alergias e alterar o comportamento da criança, causando dificuldades no processo de
aprendizagem. É necessário estabelecer uma dieta alimentar em razão das anormalidades
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metabólicas, pois torna-se muito difícil educar uma criança que apresenta sintomas decorrentes
de uma alimentação imprópria.
Segundo Cunha (2011, p. 69)

Relatos mostram alunos que ficaram mais aptos ao aprendizado escolar após a
observância de uma criteriosa rotina alimentar. A escola e a família precisam estar
atentas para toda prescrição médica a esse respeito.

Certamente que uma boa alimentação ajuda positivamente qualquer indivíduo a


melhorar seu desempenho, principalmente aqueles que apresentam mais dificuldades.
Quanto ao trabalho com uma criança autista, o que mais se destaca é a concentração e a
sua coordenação motora, que podem ser desenvolvidos por meio das experiências, das
vivências e da sua construção. Outro ponto importante é a dificuldade de expressão e a
linguagem do autista que, quando bem trabalhada, resulta em positivas melhoras.
Partindo das abordagens realizadas anteriormente, apresenta-se na sequência uma
análise em relação as respostas das professoras participantes desta pesquisa, as quais possuem
em sua classe uma criança autista.

Autismo na percepção dos professores

Considerando as diversas dificuldades encontradas ao se trabalhar com uma criança


autista, as professoras participantes deste estudo destacaram as mais comuns. Quando
questionadas sobre o comportamento do autista em sala de aula, as professoras relataram que:

Professora A: Por vezes calmo, outra agitado. Conforme a atividade há resistência, aí


grita e em muitas ocasiões sai da sala.
Professora B: Às vezes calmo, muitas vezes agitado, gosta de didática que ele precise
realizar é muito resistente e até agressivo.
Professora C: Instável, há momentos que realiza as atividades propostas pela
professora e monitora, porém há momentos que se agita muito e resiste em
desenvolver o trabalho proporcionado, insistindo em caminhar, permanecer em pé e
realizar somente o que acha atrativo. (informações verbais).
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As entrevistadas enfatizam o quanto é difícil fazer com que a criança se mantenha


sentada e aceite as atividades propostas. Segundo Santos (2014),

O Transtorno do Espectro Autista causa problemas na socialização, na interação e nas


regras de convivência. De forma que a criança não consegue se relacionar
socialmente, tendo problemas inclusive, para identificar as intenções no discurso do
outro, acarretando assim, danos na sua integração. De acordo com o grau de autismo
que a criança possuir, ela será capaz de se envolver em atividades em que demonstrar
grande interesse e afinidade. Em casos mais graves, a criança não consegue realizar
suas atividades básicas sozinha, dependendo assim, da ajuda constante de um adulto
para auxiliá-la. No entanto, a intervenção médica e educacional pode proporcionar
uma melhor qualidade de vida em pessoas com autismo, criando condições para o
aluno desenvolver (dentro de seus limites) o seu potencial no contexto acadêmico,
social e emocional.

Percebe-se que o grau de autismo influencia a capacidade da criança. Se o grau for


elevado, a criança não é capaz de realizar nem as atividades básicas sozinhas, entretanto,
salienta-se que os pais, os professores, os fonoaudiólogos, os psicólogos e os médicos exercem
grande influência no desenvolvimento desse indivíduo.
De acordo com Santos (2014),

[...] acompanhamento médico especializado, juntamente com os trabalhos de pais,


educadores e terapeutas, a fim de desenvolver nesta criança as áreas cognitivas,
afetivas, sociais e relacionais. Alguns programas podem ser feitos em casa, na escola
ou nas instituições de ensino especializadas, com a ajuda de profissionais treinados e
qualificados [...]

Em relação à interação e a inclusão entre os colegas e o autista, a resposta da Professora


A foi: “os colegas procuram chamá-lo, buscá-lo para participar de todas as atividades. Há um
bom relacionamento, embora o aluno não aceite todos os convites.” A professora B ressalta “ele
interage pouco com os colegas, mas que os mesmos buscam por ele, gostam dele, mas ele nem
sempre lhes dá atenção, não interage muito.” Já a professora C, relata “o autista demonstra
carinho pelos colegas, dá a mão para os mesmos e com alguns tem maior afinidade.”
(informações verbais).
Em todos os relatos é possível perceber que os colegas têm pelo aluno autista uma
grande admiração, especialmente em razão das demonstrações de carinho e respeito. Vale
ressaltar que para o desenvolvimento dessa criança é de suma importância essa relação afetiva
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com os colegas, pois é por meio da interação que o autista tem maiores possibilidades de
aprendizagem.
Para Cunha (2011), as atividades devem possuir caráter social, propiciando ao autista,
experiências em grupo, “[...] por meio de momentos de aprendizagem em sala de aula e no
convívio diário com os demais alunos, trabalhando a interação e a comunicação.” (CUNHA,
2011, p. 54).
Com relação à reação da escola ao ver as conquistas do autista, todas as entrevistadas
descreveram que, “há vibração geral, todos ficam sabendo, pois cada avanço é visto como um
grande progresso.” (informação verbal). Nota-se como é grande a preocupação e a dedicação
de toda a equipe escolar em relação à criança autista, uma vez que, quanto maior o empenho,
maior será o sucesso obtido.
Ainda para Cunha (2011, p. 49),

Sempre que atentarmos para o interesse do aluno e os seus desejos em nossa prática
pedagógica, estaremos comunicando-nos com seu afeto. Para não desistirmos de
nossos propósitos na educação, devemos fazer isto em nosso trabalho e, para que
nossos alunos também não desistam, precisamos contagiá-los com o nosso amor.
Nada se constrói com qualidade na educação sem o amor.

Somente com muito amor é que um professor consegue a confiança e também se une
mais afetivamente ao seu aluno em meio às dificuldades.
Tratando da interação dos pais com o autista, as professoras destacam que:

Professora A: recebe estímulos necessários. Quando pequeno, a família o achava


normal. Com o passar do tempo houve aceitação. Hoje a família busca recursos para
a melhoria de qualidade de vida do filho.
Professora B: no início houve uma certa resistência em aceitar ou acreditar que o filho
era autista, mas agora eles interagem e procuram realizar todas as atividades propostas
para melhorar o seu desenvolvimento.
Professora C: É uma relação muito amorosa e também de superproteção. (informações
verbais).

De acordo com Santos (2014),


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O diagnóstico para a identificação do autismo baseia-se na história de vida da criança,


bem como nas observações feitas pela família ou pelo professor em sala de aula. Com
base nisso, é possível verificar os primeiros sinais do Transtorno em torno dos 8 meses
de vida do bebê, observando as reações emitidas por ele em manifestações como:
demonstrações de interesse/ou não, ao ser chamado pelo nome; de que forma ele reage
quando há aproximação com os pais ou parentes mais próximos; presença de
manifestações de raiva, choro ou irritabilidade.

Sabemos que o autismo não é diagnosticado quando a criança é recém-nascida e


somente depois de meses de vida é que os primeiros sinais aparecem. No início da descoberta
torna-se difícil a aceitação de um filho autista pelos pais, porém quando os pais têm uma
compreensão melhor sobre o assunto o desenvolvimento da criança ocorre de forma mais fácil,
em decorrência de que a família e a escola juntas desenvolvem um trabalho mais eficaz.
Referindo-se ao interesse da família no desenvolvimento escolar, as entrevistadas
expõem:

Professora A: Percebendo que o aluno não acompanhava a turma na Educação


Infantil, os pais gostariam que tivesse feito dois anos. Percebe-se que há preocupação
por parte dos pais em relação ao desenvolvimento escolar proposto pela escola.
Professora B: Há interesse, ele falta aula somente quando é necessário, e
principalmente a mãe está sempre presente. O que nós da escola percebemos é que ele
poderia participar mais de eventos na comunidade com os pais, pois nós estamos
enfrentando dificuldades quando há estes na escola, devido aglomera mento de
pessoas.
Professora C: A mãe acompanha diariamente o desenvolvimento do seu filho, através
de conversas com a professora e no auxílio das atividades para casa. (informações
verbais).

De acordo com Amy (2001, p. 27-28),

A família tem um papel insubstituível de síntese das diferentes contribuições


recebidas pela criança. É em família que tudo isso é assimilado. Nós não pensamos
que os pais devam substituir os educadores, caso em que perderiam algo de seu papel
insubstituível, nem, sobretudo, realizar o trabalho técnico dos profissionais [...].

Com relação à adaptação das atividades para o portador de autismo, a Professora A


relatou: “Conforme atividades realizadas com os demais há uma adequação ao aluno,
trabalhamos muitos jogos, alfabeto, números móveis e gravuras.” A professora B destaca que
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as atividades acontecem “da melhor forma para que ele consiga realizar alguma delas.” E a
professora C diz que são “atividades breves, com pouca informação e que de alguma forma lhe
atraiam.” (informações verbais).

É normal a criança autista sentir-se desconfortável e intimidada em um ambiente


novo, como o da escola. É normal buscar apoio nas coisas ou nos movimentos que a
atraem, mantendo-se permanentemente concentrada neles, esquecendo de todo o
resto. [...] Nessa relação, quem aprende primeiro é o professor e quem vai ensinar-lhe
é o seu aluno. (CUNHA, 2011, p. 33).

De acordo com o desenvolvimento do aluno nas atividades propostas e sobre quais ele
consegue realizar sozinho as professoras informam que:

Professora A: Nas atividades o aluno é acompanhado por monitora, é necessário


estímulo, repetição e auxílio para a execução, consegue fazer bolinhas de papel,
pareamento e encaixe.
Professora B: Às vezes realiza, mas com resistência. Realiza (pingos e riscos),
pareamento de letras e formas, e encaixe.
Professora C: em algumas realiza com bom desempenho e aceitação e, em outras é
necessário insistir por várias vezes e até dias para concluir. Em alguns momentos
torna-se agressivo (puxando o cabelo e beliscando) a monitora. Faz pareamento,
apontamentos de gravuras, letras, pinturas e encaixes. (informações verbais).

De acordo com Amy (2001, p. 19, grifo do autor),

[..] importância de uma educação voltada para a percepção, na imitação e na


motricidade, que são ferramentas indispensáveis a comunicação. Onde somente um
método não é o bastante, mas sim a mistura entre eles, poder adaptar ao que é
necessário no tempo certo e saber que assim poderemos estar contribuindo com o
desenvolvimento da criança autista, objetivo maior para a socialização. No entanto há
de ser prudente quanto aos resultados como aponta a autora, “esperança” e decepção
são partes permanentes de um trabalho cujos os resultados se medem ao microscópio,
em que a noção de tempo se congela em um universo estático e fechado, e em que,
dia após dia, o mesmo cerimonial se repete com seus rituais e suas estereotipias.

Percebe-se que as inúmeras fontes de pesquisa sobre o autismo tornam-se inesgotáveis


bem como investigações de melhores recursos e aplicações para que se possa chegar o mais
perto possível do objetivo que é desenvolver a criança.
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Com relação a alimentação do autista as entrevistadas responderam que é bem restrita,


come bolacha e pão. E a mãe relata que em casa são poucos alimentos que ele come. A criança
também faz uso de medicações, e tem acompanhamentos com fonoaudióloga, psicóloga e
neuropediatra.

Considerações Finais

Pode-se concluir com o estudo de caso abordado neste artigo que, apesar de o autismo
apresentar algumas dificuldades, tanto para o relacionamento social quanto para o processo de
aprendizagem, é possível sim que o autista se torne uma pessoa capaz de conviver em sociedade
e evoluir como qualquer outro indivíduo não portador do transtorno, sobretudo quando são
descobertas as suas potencialidades.
Para que se torne concreta a evolução do autista, é preciso que sua anormalidade seja
identificada e diagnosticada para que ele seja acolhido, aceito e compreendido pelos seus grupos
sociais. Quanto à identificação da anormalidade, que muitas vezes não é iniciada pela família,
cabe à escola e, em especial, ao educador reconhecer o transtorno, em razão de que o professor
precisa estar atento às particularidades de cada um de seus alunos.
Vale enfatizar a importância de uma maior divulgação sobre esse assunto, considerando
que é indispensável que tanto o educador quanto a sociedade tenham conhecimento sobre essa
anomalia e viabilizem o acolhimento e a compressão em relação à condição do autista.

REFERÊNCIAS

AMY, Marie Dominique. Enfrentando o autismo: a criança autista seus pais e a relação
terapêutica. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.

CUNHA, Eugênio. Autismo e inclusão: Psicologia e práticas educativas na escola e na


família. Rio de Janeiro: WAK, 2011.

DECHICHI, Claudia; SILVA, Lázara Cristina da; FERREIRA, Juliene Madureira


(Org.). Curso Básico: educação especial e atendimento educacional
especializado. Uberlândia: EDUFU, 2012.
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OLIVEIRA, Beatriz Salvador de et al. A Atuação do Psicólogo com o Transtorno do Espectro


Autista. Psicologado Artigos, ago 2014. Disponível
em: <https://psicologado.com/atuacao/psicologia-clinica/a-atuacao-do-psicologo-com-o-
transtorno-do-espectro-autista>. Acesso em: 26 set. 2016.

SANTOS, Daniela Silva dos. Autismo e suas características no desenvolvimento humano.


Portal Educação, Campo Grande, 16 abr. 2014. Disponível em:
<https://www.portaleducacao.com.br/pedagogia/artigos/55631/autismo-e-suas-caracteristicas-
no-desenvolvimento-humano>. Acesso em: 15 ago. 2016.

SMITH, Corinne. Dificuldades de aprendizagem de A a Z. Porto Alegre: Artmed, 2001.